segunda-feira, 30 de novembro de 2020

Livro "As Grandes Piadas da Magali"

Em agosto de 1987 era lançado nas bancas pela Editora Globo o livro "As Grandes Piadas da Magali Nº 5". Nessa postagem faço ma resenha de como foi esse livro.

Com formato pocket com lombada 10,5 X 17,5 cm, 84 páginas e miolo em papel jornal, foi o primeiro e único livro de tirinhas da Magali. Na série "As Melhores Piadas" da Editora Abril a Magali não teve um título só dela e acabou tendo esse na série "As Grandes Piadas". Foi também o primeiro título próprio da Magali em bancas antes de ela ganhar revista própria em 1989. 

A capa foi ilustrada por uma tirinha bem bacana, com Magali recebendo visita do Ibope para saber qual seu programa preferido e ela responde mostrando que é assistir à geladeira. Na capa um logotipo diferente do que estamos acostumado, bem bonito também, que seria mudado quando ela ganhou revista própria, deixando com letras curvilíneas, estilo como era o logotipo da revista da Luluzinha. No frontispício, apenas um texto do Mauricio de Sousa falando sobre a edição, sem mostrar uma ilustração da Magali como nos livros da Editora Abril. Esses pockets da Globo não costumavam nem ter frontispício, começavam já com uma tirinha de 1 página.


Em seguida, vêm as tirinhas, foram 80 no total, incluindo a da capa, em preto e branco, uma por página em formato vertical, entre 2 a 4 quadros por tira. Foram republicações de tiras de vários jornais do Brasil entre 1977 a 1984, fora de ordem de quando produzidas.

Foram reunidas tiras clássicas da Magali, a maioria envolvendo a sua fome exagerada, os absurdos do que ela comia e os problemas que tinham com a sua gula. Vemos muitas vezes Magali egoísta, regulando comida para os amigos ou fazendo tudo para conseguir o que eles estavam comendo. Outras vezes os amigos que regulavam comida, escondiam quando ela se aproximava ou ela se dava mal por sua gula.

Como de costume nesses livros da Turma da Mônica, tinham bastante tiras que acabaram sendo republicadas nos gibis convencionais da época. Tiras entre 3 a 4 quadrinhos, eles colocavam depois no final do expediente dos gibis, só colorindo. 

Quem tinha esses livros de tirinha acabavam vendo as mesmas nos gibis e os pockets da Turma da Mônica ficam sendo menos atraentes do que secundários como Bidu, Penadinho e até mesmo Chico Bento, que mesmo tendo gibi, não costumava ter tiras desses livros nos gibis dele porque pegavam mais as dos anos 1970 nesses livros. Ainda assim, nesse livro da Magali tiveram bastante tiras raras que não saíram nos gibis, nas últimas edições que focaram bastante em tiras mais novas até então e que saíram em gibis depois.

Algumas tiras depois viraram piadas de tabloides, capas ou de histórias normais em gibis. E tiveram outras tiras que mais tarde foram redesenhadas para saírem nos gibis ou até mesmo redesenhadas em outras tiras de jornais. Essa, por exemplo, foi redesenhada depois em 3 quadros pra ser colocado como tira final de 'Magali Nº 42', de 1991.

Muitas tiras apareciam a Magali contracenando com Cebolinha, já que as tiras que saíam em muitos jornais tinham créditos ao Cebolinha. Apesar de ter o foco da sua personalidade principal, algumas não foram sobre comida, foram outros assuntos diversos como roupa, brincadeiras, etc. 

Em algumas ela fez participação, mas não era o foco central da piada como testemunhar Cebolinha aprontando com a Mônica, mostrar que Mônica é fofoqueira, etc. E teve uma tirinha em que ela não apareceu, mas foi citada pela Mônica, avisando para mãe que Magali ia jantar na casa e teria que cozinhar por um batalhão e, assim, era foco de comida.

Tiveram também tiras que não eram da Magali e, com isso, ela não apareceu, eram tiras de outros personagens. Anjinho, Humberto, Cebolinha e Cascão tiveram suas tiras solo nesse livro. Anjinho teve 3 tiras; Cebolinha, 2; Humberto e Cascão, 1. Já Mônica até teve piadas com ela, mas teve participação da Magali contracenando com ela.

Isso acontecia também em outros livros desses títulos com Mônica, Cebolinha e Cascão. Apesar de ter o nome estampado deles na capa, também tinham de outros personagens inclusos, só com foco maior e ter mais quantidade de tiras do personagem do título. 

Isso pode ter motivado depois de eles terem mudado o título para "As Grandes Piadas da Turma da Mônica" para colocarem tiras variadas de todos os personagens e não ter o erro da gente pensar que os livros teriam só tiras do personagem de capa como seria a proposta. 

Anjinho, aliás, teve bastante tiras nesses pockets da Turma da Mônica, tiras bem interessantes por sinal, podiam até ter feito um livro só dele, talvez não fizeram por não terem tiras suficientes pra fechar um livro, mas nada descartava de incluir algumas da Turma da Mônica pra fechar o livro. Perderam a chance de fazer um.

É um livro legal, sem dúvida, reunindo as tiras da Magali, sempre bom ver a Magali clássica com todos os absurdos de sua gula e cenas bem incorretas. De desvantagem é que quem tinha os pockets não deviam gostar de ver as mesmas tiras nas revistas em tão pouco tempo e pena não ser totalmente com tiras dela, mas a grande maioria foi e é garantia de diversão com todos os personagens. Vale a pena ter na coleção.

36 comentários:

  1. Das tiras postadas a que mais gostei é a da Mônica, a da capa também é bem engraçada, lembra a capa de Magali 55 de 1991, enquanto Dudu assiste TV Magali assiste ao conteúdo da geladeira.

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    1. Tipo as frangueiras de padaria serem "televisões de cachorro".

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    2. Inclusive há uma capa onde Magali assiste à programação de uma televisão de cachorro.
      A tira desta capa também remete à uma história do Humberto com um recenseador que não se dá conta de quem o atende é mudo, para ele o "hum" é "um(1)", sua desatenção é tanta que por fim crê que Humberto é um psicopata.

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    3. Zózimo, dessas a que eu mais gostei foi da Magali carregando a mesa com as comidas da festa do Cebolinha. Essa capa da Magali 55 é engraçada, ela compara a geladeira ao conteúdo de TV, assistir geladeira é mais interessante para ela.

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    4. Julio Cesar, também já teve capa com Magali assistindo os frangos assando junto com outros cachorros como se fosse uma TV de cachorro. Nessa, como se Magali fosse cachorro. Foi capa da Magali 127 de 1994.

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    5. Muito legal essa do Humberto, "Louco, eu?". Gostava de quando o tratavam como louco por não saberem que ele era mudo. Teve a republicação no Almanacão de Férias 2 de 1988 e por causa de tanta loucura, foi republicada de novo em Coleção Um Tema Só 22 - Cebolinha e o Louco, de 1999, mesmo não sendo história do Louco, colocaram porque envolvia loucura.

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    6. Isso mesmo! Foi republicada nessa edição que considero marcante, foi meu primeiro Almanacão de Férias e foi o que inaugurou o nome devido ao nº1 possuir outro nome. A história é de alguma edição grampeada da Mônica, creio que de 1982.
      Magali carregando a mesa como se fosse formigas carregando folhas e restos de alimentos também é massa, quando o assunto era comer, levava tudo para o sentido lato.
      Há outra piada envolvendo Cebolinha, seu pai e o cartunista, de dois quadros como esta: Cebolinha pergunta ao pai como foi que nasceu e o segundo quadrinho é mudo com os dois no estúdio do criador, o gesto do Seu Cebola indica para o filho perguntar para Mauricio, a conheci na rede, talvez foi até aqui mesmo, conhece?

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    7. Meu primeiro Almanacão foi o Nº 4. Todos daquela fase eram excelentes. Conheço essa tira, á vi na rede e parece que vi em um pocket de piadas.

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    8. A arte da capa é com Magali gritando devido à "patinha" do Jotalhão sobre seu pé, não tive a edição nº4, também infelizmente não tenho e nem tive o nº1 da Editora Globo, o tal do Super Almanaque do Mauricio.
      Andei pesquisando no Guia dos Quadrinhos e encontrei "De coelhinho novo" relacionada com Almanacão de Férias nº2 da Globo, deduzo que seja a HQ que descrevi aqui sobre um plano infalível orquestrado pelo Franjinha e nem o cheiro do Cascão do princípio ao fim, quando puder, Marcos, verifique fazendo favor!

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    9. "De coelhinho novo" é essa mesma, muito boa, por volta de 1981. Da fase do Jeremias mais preto que carvão, como diziam o pessoal do "Porra Mauricio" rs. Esse Almanacão 2 é excelente, são 23 histórias maravilhosas, uma melhor que a outra.

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    10. Essa pode postar no Dia Internacional dos Planos Infalíveis, 31 de junho, destacando outra autoria que não a de praxe e outra quebra de tradição é a ausência do delator oficial, inegável originalidade, não foi uma quebra de paradigma devido aos lobbies de Cebolinha e Cascão que são conservadores, Franjinha tentou, via em Humberto o melhor dos confidentes.

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    11. É engraçada mesmo, bem original.

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    12. Deixando claro que apenas quatro meses têm exatos trinta dias e junho é um deles.
      Falando em meses, os títulos em quadrinhos da Editora Abril das décadas de 1960 e 1970 possuem verticais maiores, fui descobrir na prática lá para o ano de 1990 comprando em sebos, quanto aos da TM deduzo que as reduções ocorreram em 1980, foi em abril ou maio?

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    13. Foi a partir de fevereiro de 1980 que as revista passaram a ter formato menor nas verticais. Ma isso foi padrão em todas as revistas da Editora Abril, não só os da Turma da Mônica. Foi boa essa mudança já que nas dos anos 1970 os quadrinhos tinham mesmo tamanho e ficava muito espaço em branco nas verticais.

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    14. Então as últimas da TM pela Editora Abril com o extinto formato são: Mônica 117, Cebolinha 84 e Pelezinho 30, imaginava essa mudança pouquinho mais à frente.

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    15. Lembro-me de ter lido em algum blog que o primeiro título que a editora modificou o formato foi Pato Donald em algum mês do segundo semestre de 1979 antes de dezembro e logo depois os demais da Disney, segundo o que li não teria sido uma mudança concomitante, ou seja, todos os títulos não teriam estreado com o até então novo formato nos mesmos mês e ano, não faço ideia se é uma fonte confiável, nem me lembro do nome também.
      Muito tempo depois a Editora Abril fez o caminho inverso com os formatinhos da DC e Marvel aumentando-os verticalmente lá para 1996 ou 97.

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    16. Sim, foram nessas edições, pelo menos na Turma da Mônica foi assim. Mas parece que vi que no Planeta Gibi que foram todas as edições da Abril entre janeiro e fevereiro de 1980. Pelas capas da Disney mo Guia dos Quadrinhos parece que Planeta Gibi está certo.

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    17. Deve ser o que diz mesmo, Planeta Gibi é crível, tem credibilidade.

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  2. Marcos, a página de apresentação desta edição menciona a palavra "jornais", sabe dizer em quantos Mauricio publicou suas tiras ao longo de sua carreira? Com certeza em todos os grandes jornais do país a Turma da Mônica apareceu, minha curiosidade está nos menores, maioria extinta.

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    1. Não tenho ideia de quanto, mas foram bastante jornais do Brasil todo. Pelo menos nos grandes jornais tiveram por um bom tempo. No menores alguns, mas não sei quais.

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    2. Na minha infância meu pai teve alguns bares, em um deles havia uma cozinheira que percebeu que eu adorava quadrinhos e em especial os da TM, prometeu me dar tiras de jornais, cumpriu a promessa dando-me mais de trezentas folhas todas com tiras de sei lá qual ou quais jornais, um baita peso para um garoto de sete anos de idade, acho que sacava mais ou menos o que era e o que não era TM pois havia overdose de Horácio, pouquíssimas do Limoeiro, zero Chico Bento e outras poucas entre Garfield, Hagar, Recruta Zero e talvez Turma do Charlie Brown, as do Horácio, maioria em cores.

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    3. Eu cortava as tiras da turma que encontrava em jornais, mas acabei perdendo, talvez jogado fora, nem lembro mais o fim delas. Uma pena que seria relíquia se tivesse guardado.

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    4. Também não as tenho mais, antigamente usava-se embrulhar objetos em jornais e também frutas para amadurecerem mais rápido, as tiras foram se esvaindo aos poucos, lembro-me que entre o festival de tiras haviam pelo menos uns quinze tabloides do dinossaurinho. Se a maioria fosse dos personagens do Limoeiro e Vila Abobrinha eu as guardaria com mais zelo.

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    5. Aqui a maioria eram tiras do Cebolinha, alguns colocavam Turma da Mônica e tinha um que tinha do Chico Bento. Depois de um bom tempo pararam com as da MSP e só tinham Calvin, Hagar, Recruta Zero, etc.

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    6. Na década de 1980, das tiras de Mauricio de Sousa publicadas em jornais o que mais vi foram do Cebolinha, lembro-me também de tiras da Mônica e Cascão com o nome do "galoto", talvez Horácio se equipare pela overdose que relatei acima, nunca vi tiras do Piteco em jornais, ele juntamente com Cebolinha e Bidu&Franjinha estão entre as tiras mais antigas do cartunista.

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    7. Cebolinha era mais padrão de ter. As vezes a piada nem era com ele, mas tinha créditos a ele. Bidu & Franjinha, Cebolinha e Piteco são os mais antigos sim.

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    8. Nos anos 90 havia tiras do Cebolinha no extinto JB,do Rio.

      Lembro da falta de noção desses jornais em misturar quadrinhos adultos com os de classificação livre,numa mesma seção.Ou seja,numa mesma página em que havia "Peanuts"(Charlie Brown e Snoopy),Calvin & Haroldo e Hagar,o Horrível,estavam lá tiras do Laerte,Angeli,Nani,etc.

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    9. Bem lembrado, Julio Cesar! Uniam categorias distintas, clara falta de critério, isso ocorria em jornais renomados, não é à toa que a década é denominada Trash 80, expressão que surgiu em algum revival musical, mas abrange aqueles anos muito além do cenário musical.

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    10. E já falei antes,mas repito aqui:nos 90,para quem é do Rio,existiam os jornais "A Notícia" e "O Povo".No primeiro era mulher pelada e gente morta na primeira página,expostos na lateral das bancas,sem filtro;o segundo era mais moderado e "só" tinha gente morta.
      "A Notícia" foi extinto em 1998,tão logo surgiu o "Extra";já "O Povo" resistiu por uns anos,sumiu,reapareceu,foi distribuído de graça nas ruas e por isso não sei como o impresso está hoje.

      Voltando ao "A Notícia",este tinha as sinopses de capítulos de novelas,só que os títulos e logotipos das tramas eram parodiados com trocadilhos.Lembro que "De Corpo e Alma"(sim,a da Daniela Perez e Guilherme de Pádua)era "De Porco e Lama".

      E olha que estou falando de jornalecos da capital fluminense,hein!Na Baixada as capas eram piores!

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    11. Lembro dos dois jornais da chamada mídia marrom, parte do que descreveu sobre eles tenho muito claramente em memória - o lado bom do politicamente correto foi acabar ou pelo menos abrandar consideravelmente esse rasteiro tipo de mídia parasita que se nutria de sexualização e desgraças - não me lembro de A Notícia com sinopses de capítulos de novelas com nomes e logotipos parodiados. A década de 1990 é outra que podemos considerar integrante da "boca do lixo", foram artisticamente sensacionais e extremamente despudoradas, isentas de certos critérios como bom senso por exemplo, esse lado obscuro não deixa saudades, já foi tarde, ainda esteve presente na primeira década do século XXI.

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    12. Sim,é verdade,o lado "trash" dos anos 80,90 e primeira metade dos 2000 realmente foi questionado e suprimido,mas atualmente há muito exagero e falta de noção,uma má-dosagem do chamado politicamente correto.Artigos como a banheira do Gugu à tarde ou vinheta "Globeleza" com nudez em horário livre realmente eram questionáveis,mas se esses conteúdos fossem exibidos depois das 22 horas,aí não veria problema.
      Os clipes da MTV passando à tarde com uma ou outra seminudez feminina discreta,a um público adolescente,aí é que não vejo problema mesmo.Na verdade regredimos e encaretamos nesse sentido,levantou-se a hipocrisia.E quem mais vem com certas frescuras são as redes sociais das mais populares!

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    13. Ah,e lembrei de mais uma!A bem-sucedida fórmula musical dos saudosos Mamonas Assassinas,de rock com letras de besteirol,que eu adorava,era visivelmente um produto para adolescentes,mas a indústria fonográfica e televisiva a vendia como se fosse para as crianças também,o que era antiético,errado mesmo.Usavam uma faixa deles como desculpa,a "Pelados em Santos",que até o título dava a entender não ser coisa para os pequenos! "Minha Brasília amarela,tá de portas abertas pra mor de a gente SE AMAR PELADOS EM SANTOS"!Há dúvida do que descreve essa parte da letra?

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    14. Saímos do extremo despudor e enveredamos na equivocadíssima hipersensibilidade acrítica, ou seja, saímos da frigideira para o fogo, do lixo para o esgoto hipócrita, entre um e outro é difícil decidir qual mais tenebroso.
      Mamonas Assassinas, genial banda de comédia, produziriam pelo menos mais uns dois álbuns de estupendo sucesso se continuassem neste plano por mais uns dez anos. São músicas voltadas para os públicos adolescente e adulto, não há nada de cunho infantil na canção "Pelados em Santos", era a permissividade desse tempo, falta de ética mesmo.
      MTV eu adorava, falavam palavrões em qualquer horário sem a menor censura na década de 2000, depois foi sendo devidamente censurada com relação aos palavrões e outros despudores até infelizmente voltar para a condição de canal fechado.

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    15. Sei que analisando o cenário atual que evidentemente não aponta para luz no fim do túnel parece utopia o que vou dizer, mas, acredito em uma maturidade, um equilíbrio social atingido daqui a quarenta, cinquenta anos, me refiro ao Ocidente e particularmente à América Lat(r)ina, muitas conquistas vigentes foram no passado subestimadas, ridicularizadas, eram consideradas utopias.

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