sexta-feira, 12 de junho de 2026

Pipa e Zecão: HQ "Não enrola, não!!"

Em 12 de junho é o "Dia dos Namorados" no Brasil, então mostro uma história em que a Pipa acha que Zecão está enrolando para se casar com ela depois de tanto tempo de namoro. Com 8 páginas, foi publicada em 'Mônica Nº 18' (Ed. Globo, 1988).

Capa de 'Mônica Nº 18' (Ed. Globo, 1988)

Pipa tem a notícia que sua amiga Gilda vai se casar com o Joelmir no mês que vem. Pipa se surpreende porque eles namoram há pouco tempo e que ela e o Zecão namoram há um tempão e nem falam em casamento. Gilda fala que todo mundo sabe que o Zecão está enrolando e quem sabe um dia se casam e Pipa grita que ela é invejosa só porque não tem namorado como o Zecão e fica inventando calúnias.

Aparece a Lucinha e Pipa conta que a Gilda insinuou que o Zecão não quer se casar com ela. Lucinha pergunta se ele quer, Pipa responde que sim e Lucinha pergunta por que então não se casam, todos os amigos estavam casando e até ela e o namorado Marquinhos podem passar a perna neles e aí melhor se apressarem. Pipa comenta que elas não sabem as responsabilidades que o casamento traz, é um ato que exige muita reflexão. No caminho, vê um casal que acabaram de se casar e ouve eles dizendo que finalmente, foram longos 3 meses de namoro.

Em seguida, Zecão aparece e Pipa começa a fazer drama que ele fica enganando esse tempo todo, enrolando, sem querer casar com ela. Zecão diz que quer casar, só que os tempos estão difíceis, está terminando melhorar de vida, terminar os estudos. Pipa chora achando que é papo furado, não vai continuar abusando da ingenuidade dela e termina o namoro. Zecão fala para ela não ir embora, quer se casar, quem sabe daqui 3 anos e ela diz que só volte a procurá-la quando resolver mesmo se casar.

Depois, Pipa conta para Tina que terminou com o Zecão, Tina pergunta por que resolveu se casar assim de repente, Pipa responde que namoram há 2 anos e não quer saber de enrolação. Tina pergunta se ela está preparada para isso ou se está só indo na onda do pessoal que está se casando, se está preparada para ter filhos, administrar a própria vida, compartilhar todos os momentos com o Zecão, que vai afetar toda vida, conta que ela e o Jaime namoram há um tempão e não enfrentaria o altar.

Pipa comenta que ela teria que sair da casa dos pais e ela ainda não se formou. Toca a campainha e era o Zecão, que avisa à Pipa que eles podem se casar daqui 3 meses, se ele vender o carro, moto, discos e livros pode comprar os principais móveis e alugar um apartamento, que será tudo muito simples e talvez tenham dificuldades, mas se é o que ela quer. 

Pipa diz que acha que foi precipitada e egoísta, não quer que ele faça sacrifícios e nem ela, queria curtir mais um tempinho de namoro e esperar que as coisas aconteçam naturalmente, não vai ficar chateada, são jovens e têm tempo. Então, Zecão se despede, combinando de se encontrarem de noite, e logo dá uma ideia nele e cobra da Pipa se ela não está o enrolando, porque se tiver, é bom ir dizendo e continua dando bronca nela.

História legal em que Pipa resolve se casar vendo todo mundo se casando depois de pouco tempo de namoro, menos ela, que namorava por muitos anos o Zecão e nada de casamento. Sobrou para o Zecão que se viu obrigado a se casar para não perder a namorada, que achava que estava era enrolando. Só que após a conversa com a Tina, Pipa desiste de se casar e aí é Zecão que acha que ela estáava enrolando.

Pipa é doida, mostrou que era influenciável, sem opinião própria, só porque as amigas estavam se casando, ela teria que se casar também pra ontem. Ela até tinha noção que casamento exigia responsabilidade, mas vendo que elas se casavam com poucos meses de namoro e ela namorava o Zecão há 2 anos, caiu na pilha que estava sendo passada para trás e Zecão estava a enrolando para o casamento. 

Zecão foi sensato, não adianta passar necessidade só para ter o luxo de casar, mas por gostar da Pipa, cogitou fazer sacrifícios para atender o desejo da namorada. Mostrou que gosta muito dela, se fosse outro, deixava terminar namoro  e pronto. O jogo virou no final, foi legal Zecão passar que queria se casar e cobrar da Pipa que estava enrolando. Tina excelente psicóloga, sabia resolver os problemas dos amigos muito bem e conseguiu abrir os olhos da Pipa sobre os problemas pós-casamento. Nessa fase, Tina só aparecia para conciliar as brigas de namoro e problemas dos amigos.

Foi engraçado o "jááá" da Pipa ao saber que a Gilda iria se casar com pouco tempo de namoro, Pipa chamar amiga de invejosa porque não tem um namorado como o Zecão,  Lucinha perguntar se Pipa estava falando sozinha e ela responder que ainda não, Pipa dizer que não tinha pressa de se casar  por não estar apostando corrida, a histeria com o Zecão, dizer que estava enrolando e abusando da ingenuidade dela, Zecão dizer que é para se casarem daqui 3 anos e já deixar marcado, ela caindo em si que seria burrada após a conversa com a Tina e o Zecão no final pensar que ela que estava enrolando.

História deu mensagem de forma bem divertida de que tudo tem seu tempo, recado para os jovens que devem se casar quando acharem que é a hora certa e com vida financeira resolvida para não passar dificuldades, e também terem cabeça feita, não irem na cabeça dos outros e se casar só porque os outros estavam casando. Incorreta atualmente por ter namoro de personagens, mesmo que são adultos jovens, mas quem lê os gibis são as crianças, além de mostrar uma Pipa descontrolada, influenciável de não ter opinião própria, Zecão desenhado com nariz bem grande e palavras e expressões de duplo sentido proibidas "outros quinhentos", "passar a perna", "papo furado", "crápula", etc.

Dessa vez tiveram vários personagens secundários, como não tinham amigos fixos na Turma da Tina, aí roteirista precisou criar esses. Todos apareceram só nesta história como de costume de personagens criados para uma história, mas bem que dariam pra serem fixos e aumentar número de jovens desse núcleo. Nos anos 1990 que incluíram o Baixinho e o Marcão como amigos fixos do Rolo, porém eles aparecendo só ocasionalmente.

Traços muito caprichados da Turma da Tina dos anos 1980 com Tina com cabelo mais curto e Pipa bem gorda e com brilho no cabelo. A colorização teve o estilo do primeiro semestre de 1988 com tons pasteis claros, porém menos desbotados que no segundo semestre de 1987 e destaque para tons diferentes das cores azul, amarelo e vermelho. 

terça-feira, 9 de junho de 2026

Capa da Semana: Cascão Nº 49

Uma capa bem bonita e caprichada com Cascão e Maria Cascuda  namorando e um deu de presente de "Dia dos Namorados" uma lata de lixo para o outro.

Da época que a Cascuda era sujinha e fazia apologia à sujeira como o Cascão, com o tempo, deixaram só o Cascão gostar de sujeira e que não toma banho. Não teve sujeirinhas no rosto da Cascuda, o que era bem raro, já que ela era fixa com sujeirinhas até então, talvez foi um esquecimento nesta capa. Ela deixou de ter sujeirinhas no rosto em definitivo a partir dos anos 2000.

Curiosidade que essa imagem foi tirada do álbum de figurinhas "Como Diz o Ditado", de 1981, mais precisamenteda figurinha do ditado "Amor com amor se paga". Algumas vezes eles reaproveitavam ilustrações já prontas para as capas, tudo indica que com demanda alta, às vezes não tinha tempo de produzirem ilustrações novas para capas a tempo de fechar o gibi. E tiveram outras capas com ilustrações desse álbum de figurinhas de 1981, inclusive também em passatempos, principalmente os de "Vamos colorir?" e "Jogo dos 7 erros" em Almanacões de Férias.

Capa dessa semana é de 'Cascão Nº 49' (Ed. Abril, Junho/ 1984).

sábado, 6 de junho de 2026

HQ "Magali maluquinha por melão"

Mostro uma história em que a Magali fica em dúvida em namorar o Quinzinho, filho do padeiro, ou com o Miguelzinho melão, filho do quitandeiro, por causa das comidas que eles ofereciam. Com 9 páginas, foi história de abertura publicada em 'Magali Nº 91' (Ed. Globo, 1992).

Capa de 'Magali Nº 91' (Ed. Globo, 1992)

Escrita por Rosana Munhoz, começa Magali gritando como se tivesse passando mal e Mônica pergunta se comeu alguma coisa estragada. Magali aponta para lixeira com um monte de restos de frutas que ela comeu. Mônica pergunta se a amiga ficou com remorso por ter comido e Magali responde que de comido não, mas por ter aceitado, quem trouxe foi o Miguelzinho Melão, o filho do quitandeiro, que pediu para namorar com ela. Aceitou as frutas e ele pensa que topou o namoro.

Mônica sugere explicar para o Miguelzinho que foi engano e que gosta do Quinzinho, mas Magali está com dúvida porque o Miguelzinho prometeu levar mais frutas para ela enquanto o Quinzinho só traz pão, pão, pão. Mônica perguntas e Magali vai escolher um dos dois por causa da comida e ela responde que não é isso, é que pelos presentes o Miguelzinho tem mais afeição por ela e o Quinzinho anda regulado ultimamente. Mônica dá a real que Magali está sendo interesseira, imagina trocar o Quinzinho por um punhado de frutas e vai embora.

Magali acha que Mônica tem razão, está se levando pela gulodice e promete avisar ao Miguelzinho que gosta do Quinzinho, quando chega o Miguelzinho com uma melancia. Magali acha a melancia maravilhosa, come inteira de uma vez e Miguelzinho avisa que tem muitas outras no lugar que veio, tudo para a namorada dele, se comeu porque aceitou. 

Quinzinho aparece, vê Magali e Miguelzinho de mãos dadas e se assusta. Miguelzinho pergunta se é o ex-namorado dela e Quinzinho, furioso, quer saber o que significa aquilo. Miguelzinho diz que a Magali cansou do Quinzinho e descobriu que ele é o namorado ideal para uma garotinha com grande apetite e ela se decidiu depois das frutas deliciosas dele e que Quinzinho anda meio regulado, levava nada para ela.

Quinzinho dá um saquinho de pães para Magali. Miguelzinho fala que isso é coisa menos romântica e que engorda e que ele sabe o que uma garota gosta, mostrando uma caixa de delicados pêssegos. Então, Quinzinho leva sonhos, Miguelzinho, morangos, e assim cada um vai levando coisas da padaria e da quitanda. Magali interrompe, perguntando se eles pensam que ela é uma morta de fome, assim eles a ofendem e quer saber de nenhum dos dois. 

Os meninos brigam feio, Mônica comenta que ninguém brigou assim por ela, Magali se sente culpada e Mônica tem uma ideia. Logo, surge Magali namorando o Giovani, filho do dono do restaurante de cinco estrelas e vão lá para ele oferecer um banquete para Magali. Quinzinho e Miguelzinho ficam surpresos da fila andar rápido, Miguelzinho chama Magali de interesseira, recolhe as frutas, dizendo que já teve muito prejuízo por causa daquela gulosa.

Quinzinho chora pela falta da Magali, que vê a cena e aparece dizendo que está ali. Quinzinho pergunta se ela desistiu do Giovani, Magali diz que ele era a Mônica disfarçada, só fez isso para saber se ele gostava realmente dela e retomam namoro. Quinzinho pede desculpas por ter a ofendido e diz que nunca mais vai oferecer comida para ela. Magali diz que não é bem assim, depois de ter resistido a tudo aquilo, queria pedir uma coisa a ele e no final, Quinzinho lhe dar uma fornada de pães, falando que quem quer namorar a Magali, o caminho para o coração dela passa pelo estômago mesmo.

História legal em que a Magali fica com dúvida com quem namorar, se é melhor receber comidas da padaria do Quinzinho ou frutas da quitanda do Miguelzinho Melão. Por Magali escolher ficar com nenhum dos dois e com a briga dos meninos por causa dela, a solução da Mônica foi Magali fazer fila andar rápido e arrumar logo outro menino dono filho do dono de restaurante cinco estrelas logo, quem ficasse lá é quem ela escolheria para namorar porque realmente gostava dela e deu certo que aí o Quinzinho continuou como namorado da Magali.

Mais uma história que fica a dúvida se a Magali namora o Quinzinho por interesse ou não, que até pode não ser, mas suas atitudes ficam dando impressão que é interesseira. Sempre eram engraçadas histórias assim. Magali agiu nada bem, poderia ser firme e já dizer não para o Miguelzinho por ela ter namorado. Quinzinho corno provou que tem o amor mais verdadeiro, já Miguelzinho Melão se mostrou como arrogante, que poderia comprar o amor da Magali com as frutas, na primeira oportunidade de ele ter sido trocado por outro, caiu foram, provando que não mereceria ser novo namorado da Magali.

O plano da Mônica foi bom e conseguiu unir de novo Magali e Quinzinho, mas teve risco também dos dois pretendentes abandonarem e ela ficar sem namorado, afinal, Quinzinho era bonzinho e realmente gostava dela, se fosse outro não aceitaria ser trocado por outro e quase que imediatamente. E os meninos nem para desconfiarem que o Giovani era a Mônica disfarçada pelos dentões, se fossem mais espertos descobririam na hora.

Foi engraçado a indecisão da Magali de com quem vai ficar por causa das comidas que ofereciam, comer a melancia inteira, Quinzinho flagrar Magali de mãos dadas com Miguelzinho, absurdo de surgir as frutas do nada sem saírem de lá, Quinzinho chamar Miguelzinho de "cabeça-de-melão" e Miguelzinho chamar Quinzinho de "pão-duro", Magali dizer que acham que ela é uma morta de fome, Mônica dizer que ninguém nunca brigou assim por mim e ela como Giovani fazer declaração que Magali é o filé minhon com fritas da minha vida (no caso, "minhon" aportuguesado de filé mignon) e a cara da Magali com boca aberta para receber a fornada de pães do Quinzinho.

Observações de algumas frases ditas por eles. Magali reclamou que Quinzinho andava regulado em dar comida, ele não tinha obrigação, as coisas da padaria eram do pai dele e ficava dando prejuízo ao pai, Miguelzinho disse que pães engorda, no caso da Magali não teria risco de engordar com pães, pois ela come, come e continua magrinha. Magali dizer que pensam que ela é uma morta de fome, de fato é, pelo menos age como uma. Mônica dizer que nunca brigaram por causa dela, como meninos acham ela feia, gorda, ninguém faria isso por ela.

A briga dos meninos foi violenta, podiam se machucar feio, era bem legal esse recurso de uma espiral representando briga violenta. Mais um menino "inho" diferente por quem as meninas eram apaixonadas, dessa vez o Miguelzinho Melão como o filho do quitandeiro e ele apareceu só nessa história, como de costume de personagens criados para história única. Incorreta atualmente por ter namoro de crianças, triângulo amoroso, interesses, briga violenta dos meninos por causa de uma garota e aparecerem surrados, absurdo de Magali gulosa comer uma melancia inteira.

Traços ficaram ótimos do estilo consagrado dos personagens. Tiveram erros da camiseta do Miguelzinho ficar amarela no 3º quadro da 5ª página da história, a pontuação na fala do Quinzinho: "Ah, é? Que tal estas rosquinhas!" no 5º quadro da 6ª página da história, devia ser ponto de interrogação no final de rosquinhas em vez de exclamação e sumirem com os olhos roxos e machucados dos meninos no quadro seguinte após a briga, apesar que isso sempre fazem quando tem continuação de história sem ser o final.

quarta-feira, 3 de junho de 2026

Cranicola: HQ "Quero um corpo"

Mostro uma história em que o Cranicola fica deprimido por não arrumar namorada por não ter um corpo e o Penadinho resolve ajudá-lo. Com 6 páginas, foi publicada em 'Cascão Nº 177' (Ed. Globo, 1993).

Capa de 'Cascão Nº 177' (Ed. Globo, 1993)

Cranicola está conversando com a fantasma Suzi, que comenta que adora conversar com ele, que as horas passam tão rápido que nem percebe. Cranicola diz que fica sem jeito e que eles têm toda a eternidade para conversarem. Suzi fala que precisa ir porque tem um encontro com o namorado dela.

Cranicola vê Muminho e Zé Vampir com suas namoradas, diz que está tudo mal, péssimo, horrível e começa a chorar. Penadinho aparece e pergunta o motivo da choradeira. Cranicola fala porque ele não tem braços, pernas nem mãos. Penadinho fala que achava que estava conformado e Cranicola que nunca, que reencarna de inveja de outros rapazes poder caminhar ao lado de uma garota, andar de mãos dadas, abraços, etc, e está cansado de ficar assim paradão.

Penadinho tem a solução de levar Cranicola ao castelo do Doutor Franquistóim porque está sempre inventando algo e ele tem que carregar o Cranicola até lá porque não pode ir sozinho. Chegando lá, Penadinho explica a situação do Cranicola e Doutor Franquistóim que está precisando de um cérebro par ao novo filho dele, havia criado o corpo de um Frankenstein só que sem cabeça e coloca o Cranicola como a cabeça faltante.

Assim, Cranicola consegue levantar, pular, dançar. Frank abraça seu novo irmãozinho e Cranicola acha uma emoção que agora é uma pessoa normal. Já no cemitério depois, quer arranjar uma namorada, observa as garotas para escolher bem. Até que no final se apaixona por uma caveira só com cabeça em uma pedra, que nem como ele era. 

História legal em que o Cranicola fica deprimido que não arranjava namorada porque não podia sair daquela pedra, Penadinho o carrega até o castelo do Franquistóim, que coloca Cranicola no corpo do Frankenstein que havia criado. Cranicola fica feliz por ter um corpo e se tornar uma pessoa normal e na hora de arrumar namorada, com tantas garotas no cemitério, Cranicola resolveu namorar justamente uma igual a ele.

Realmente é muito ruim apenas ser uma cabeça de crânio em cima de pedra sem poder fazer nada. Com a desilusão amorosa da Suzi, piorou a situação dele. Já que era para namorar uma caveira sem cabeça que nem ele, nem precisaria de corpo, era só ter pedido para o Penadinho carregá-lo pelo cemitério até onde ela estava. Mas dessa vez não se deu mal, conseguiu se locomover e ganhar uma família sendo o novo filho da criação do Doutor Franquistóim, foi só encaixar o Cranicola no corpo pra funcionar. 

O recurso do Cranicola de corpo de Frankenstein foi usado só nessa história, depois voltou a ser o crânio em cima de pedra com sempre foi. Engraçado a decepção do Cranicola descobrir que Suzi tinha namorado, dizer "reencarnar de inveja" o oposto de "morrer de inveja", o deslize do Penadinho de chamar o Cranicola para irem juntos ao castelo do Doutor Franquistóin, Cranicola no corpo de Frankenstein. A cara do Penadinho no final foi hilária, tanto trabalho que teve por pouco.

Os monstros às vezes namoravam outros fora da espécie deles, isso quando não se apaixonavam por humanas. Era comum múmia namorar com fantasma, vampiro com múmia, etc. Eles não tinham namoradas fixas, apenas Penadinho e Alminha, e ainda assim Penadinho podia aparecer interessado por outras fantasmas ou monstras. Zé Vampir também chegou a ter uma namorada em mais de uma história como a Nefasta, mas não era fixa, visto que também já namorou outras vampiras e outras fantasmas e monstras.

Cranicola mais uma vez envolvido com seus problemas de não poder se locomover. Antes do Luca, o Cranicola era o representante de pessoas com deficiência e seus problemas de não poder sair do local por ter só uma cabeça. E em muitas ele se dava mal no final, aumentando mais a sua depressão. Incorreta atualmente por chacota com deficientes, Cranicola deprimido por não ter corpo, não andar, não poder se mexer, além de envolver namoro, mesmo sendo de monstros adultos.

Traços ficaram bons, típicos de histórias de miolo dos anos 1990. Pode até considerar que foi uma história grande da Turma do Penadinho em gibi do Cascão porque histórias de secundários em gibis quinzenais de 36 páginas de Cascão e Chico Bento normalmente eram no máximo até 4 páginas e quando precisavam ser mais desenvolvidas colocavam em gibis da Mônica, Cebolinha e Parque da Mônica. Mesmo curtas tinham grandes conteúdos.

segunda-feira, 1 de junho de 2026

Milena Nº 1 - Editora Panini

A Milena ganhou sua própria revista lançada nas bancas em maio de 2026 pela Editora Panini. Já tinha comentando um pouco na postagem de edições "Nº 1" da quarta série e nessa postagem mostro um review mais detalhado sobre como foi essa revista.

Milena foi criada em 2017 e surgiu nos gibis em 2019 para ter representatividade negra até por ter poucos personagens negros na Turma da Mônica e dar inclusão. Não demorou para ser alçada como personagem protagonista junto com Mônica, Cebolinha, Cascão e Magali. Desde 2019 aumentando cada vez mais o espaço dela nas histórias em geral, passou a ter grande destaque na revista 'Turma da Mônica' com quase todas as histórias de abertura sendo dela, até que agora ela consegue sua própria revista.

Alguns dizem que Milena é a primeira a ganhar revista depois de 37 anos, após lançamento de Magali em 1989. Eles consideram personagem principal que ganhou revista neste período já que não podemos descartar lançamentos de outros personagens como Ronaldinho Gaúcho, Neymar Jr. e Tina.  Mesmo sendo títulos cancelados, a MSP teve seus outros gibis de personagens lançados após 1989. Isso sem contar títulos variados como Gibizinhos, Parque da Mônica, almanaques de secundários, etc.

Quando foi criada, Milena não tinha uma personalidade definida, ficava como uma menina que gostava de animais e de Ciências, bem perfeitinha, tudo bem genérico e sem a ver com personagem em quadrinhos, e agora com a sua revista a definiram como uma menina inteligente, observadora, curiosa, pergunta tudo, investigativa, detetive pronta para desvendar mistérios, imediatista, hiperativa, com defeito de ser bagunceira. Com o tempo, podem ter histórias dela com Franjinha, ajudando nas invenções dele por gostar de Ciências e tecnologias e ter participação da Estrelinha Mágica por ser observadora, olhar estrelas. Enfim, querem mostrar Milena representando uma autêntica criança da geração Alpha, ser uma representante da infância atual, para criança olhar e se identificar com ela.

A personagem agora está com traços mais simplificados para facilitar as crianças que querem desenhar a personagem e também para ter um padrão maior com os outros personagens. Quando foi criada ela tinha um macacão bordado laranja, lacinho de fita no cabelo e tênis mais elaborado, semelhante aos tênis que outros personagens usam, e desde 2025 ela passou a ter macacão verde, que ainda tinha as costuras e botões, e fita no cabelo e agora em 2026 simplificaram, tirando as costuras e botões do macacão, tiraram o lacinho de fita no cabelo, passando a ter uma presilha no lugar e tênis mais simples.  

Evolução da Milena

Falando sobre a revista da 'Milena Nº 1' (totalmente criada pela nova administração "MSP Estúdios" da família Takeda, sem intervenção do Mauricio de Sousa, que se aposentou), chegou nas bancas aqui dia 25 de maio de 2026, com uma distribuição atrasada porque é original da primeira quinzena de abril de 2026. A Panini tem atrasado bastante desde as "Nº 90" da 3ª série, de outubro de 2025. 

Assim como as outras revistas da "MSP Estúdios", tem periodicidade quinzenal (ou bimensal) com formato canoa, 52 páginas cada, com capa em papel couché e miolo com papel jornal, 1  página de sessão de mensagens das crianças e intermináveis 8 páginas de passatempos, custando R$ 8,90 cada.  São 35 páginas destinadas a leitura de histórias tirando capa, contracapa, as seções de mensagens, passatempos e propagandas.

Capa tem uma faixa colorida rosa no alto separando da ilustração principal com o logotipo e  todas as informações de Nº , editora, selos, logo da "MSP Estúdios", não informam títulos das histórias nas capas, tudo isso não para atrapalhar a ilustração. O logotipo da Milena foi modificado para um estilo mais minimalista, ela já tinha um logotipo fixo com representações da sua roupa, com laço de fita e costuras do macacão, mas como todos os logotipos mudaram tirando as personalidades dos personagens, o da Milena aconteceu o mesmo. 

Logotipos antigo e novo da Milena

Ilustração de capa não foi com alusão à história de abertura como os outros porque é uma revista "Nº 1" de verdade e gostam de colocar uma ilustração da personagem em edições "Nº 1", mas certamente a partir da "Nº 2" terá alusão à história de abertura assim como as demais revistas. Nessa capa, foi Milena tirando selfie com os amigos, representando a geração atual de gostar de tirar selfies com celular. 

Na contracapa tem o título, sinopses e frames da história de abertura e ilustração da Milena com colorização diferente como foram com os outros personagens nessa 4ª série. E consta também preço, código de barras, QR code e selos variados nas contracapas para deixar as capas menos poluídas e valorizar os desenhos. 

Não teve um frontispício ao abrir a revista apresentando o lançamento da revista, já abre com história na página 3 e tem propaganda do livro "Paródias da MSP da "Woniquinha" na página 2, onde também poderiam ter colocado frontispício. Deveria ter página de apresentação por ser uma verdadeira "Nº 1". A sessão de mensagens e os passatempos têm o rosto da Milena ao lado. Passatempos com mais ilustrações da Milena e da família, mas tem de outros personagens principais. Ao invés da seção dizer só "Passatempos", agora as revistas mostram "Passatempos do personagem" e, com isso, nessa revista passou a se chamar "Passatempos da Milena".

Sobre traços das histórias, diminuíram o estilo "png" estáticos copia e cola escancarados e colocaram no lugar traços variados e com movimentos, sendo que estes novos muito ruins e caricatos também sendo feitos por computador, o copia e cola continua, tem momentos que estão com mesma posição de corpo só mudando posição de cabeça, por exemplo, só que está menos perceptível. 

A revista tem 10 histórias, incluindo a tirinha. Sobre conteúdos de histórias, agora padronizaram uma história de abertura obrigatoriamente com 3 faixas de quadros com até 17 páginas e as demais de miolo curtas de 1 a 3 páginas. Não fica bom essa padronização em tudo e histórias curtas parecendo vídeos de TikTok. Nos créditos de roteiristas, desenhistas, etc, não estão mais dando créditos a letristas e de arte-final só em algumas, dando lugar a design, quem idealizou o layout novo dos traços dos personagens no computador. 

Não tiveram histórias da Milena contracenando com só com os irmãos Binho e Sol e gata Mostarda, certamente nas próximas dições vão ter. Não tem histórias de secundários de outros núcleos, como Tina, Penadinho, Piteco, etc. Histórias com secundários foram com Denise e Marina, sendo que a única que a Milena não apareceu foi na de 1 página da Marina. Se fosse época da Globo que tinham personagens fixos e com estilo a ver com personagem do título da revista, os secundários fixos da Milena bem que poderiam ser Astronauta e Bidu por ela gostar de Ciências e de animais.

A história de abertura foi "O mistério no quarto de dormir", escrita por Edson Itaborahy, com 15 páginas disposta em 3 faixas de quadros. Na trama é revelado que Milena tem um quarto bagunçado e não encontra o seu laço de fita de cabelo onde tinha anotado alguma coisa que esqueceu e ela investiga quem foi que levou sua fita.

Roteiro bobinho e mostrando a característica de Milena detetive, tudo forçado, dava para ser melhor. Agora pior foram os traços tenebrosos demais, caricatos, expressões exageradas, sem estilo mauriciano, definitivamente não ficaram bons. Se tivessem sido feitos a mão poderia ter ficado melhor, digital assim não fica natural. Esse quadro aí com a Magali chega a ser constrangedor e agonizante.

Tem uma clara inspiração a traços do desenhista José Marcio Nicolosi da segunda metade dos anos 1970, só que bem piorado, misturado com o estilo dos anos 2000 e sendo digitais sem serem feitos a mão não chegam nem aos pés do Nicolosi. Não adianta imitar, nunca fica igual.

No terceiro quadro dessa página, a Mônica ficou um horror, nada lembra estilo do Mauricio. Esses novos desenhistas quiseram deixar personagens caricatos, leitor pode rir dos desenhos, mas não do roteiro em si, que teve graça em nada. Valeu mais por Mônica ter batido no cebolinha e tentar bater na Milena.

Em seguida, vem uma história de 2 páginas sem título, escrita por Giulia Ebohon, também mostrando esse lado investigativo da Milena, dessa vez procurando a lancheira da Magali que perdeu. Traços lamentáveis nessa, contornos tenebrosos, fica complicado de gostar disso.

Esse quadro uma coisa terrível, acho muito avacalhação com o Mauricio permitirem isso, tosco demais.

Em "Quase lá", de 3 páginas e escrita por Maria Clara Portela, Milena dorme na sala e sonha que está querendo abrir uma caixa e sempre acorda quando está prestes de abrir a caixa e vê que acordou na cama do quarto dela e volta para sala para sonhar de novo o que estava sonhando. Mais uma vez Milena envolvida com mistério, querendo decifrar o que tinha na caixa do sonho e porque parava no quarto toda vez que acordava. Com desenhos digitais, a mesma imagem da Milena dormindo no sofá no primeiro quadro da primeira página foi utilizada no penúltimo quadro da segunda página.

Depois dos passatempos vem história da Denise, "A pacificadora", de 3 páginas, escrita pelo Emerson Abreu. Na trama, Denise tenta pacificar os amigos que estavam reclamando que não foram convidados para a festa de aniversário da Carminha Frufru. Ficou como um complemento da história de abertura que saiu na revista da 'Magali Nº 1', até poderia ter saído na revista dela, mas como teve participação da Milena resolveram colocar nessa revista. Chama atenção dos traços completamente horrorosos, caricatos demais, parecendo que colocaram direto dos rascunhos do roteiro para a revista, só colorindo. Na última página com mais caretas exageradas conseguiu ficar ainda pior. Bem deprimentes.

Em "Leitura dinâmica", de 3 páginas e escrita por Maria Del Mar Valenzuela, Milena fica curiosa com Jeremias lendo um livro e quer saber como era o final e ela lê de uma forma dinâmica, super rápida. Mostra a característica da Milena ser típica criança da geração Alpha, de não perder tempo com as coisas, ser imediatista e hiperativa, No momento que ela lê, aparecem setas com fontes digitais, mostrando como estava sendo a leitura dinâmica, que achei desnecessário.

Depois vem 2 histórias de 1 página, uma escrita Por Raí Guimarães, com Marina jogando futebol com os meninos, foi a única que a Milena não apareceu, nem como participação, considerada história de secundários, e a outra foi da Milena com Cebolinha, escrita pelo Emerson, querendo que ela ajude no dever de casa da escola fazendo uma pergunta pra ela porque é inteligente e a pergunta não era bem um dever de casa.

A revista termina com a história "Espelho, espelho meu!" , de 5 páginas e escrita por Eliana Alves Cruz, com a Milena conversando com espelho da Bruxa da Branca de Neve, no caso ela imaginou conversando com espelho após ler livro da "Branca de Neve e os Sete Anões" e ser interrompida pela mãe Sílvia que teria que se arrumar para ir para uma festa com a família. Bem fraquinha e com mensagem de representatividade negra no final. Única de miolo com mais de 3 páginas da edição, desenhos melhores nessa, mas percebe que é digital pelo espelho com mesma expressem todos os quadros.

Vale destacar também que tiveram vários roteiristas novos inclusive alguns que são negros e não roteirizaram nas outras revistas que devem ser exclusivos para fazer as histórias da Milena e  para dar um representatividade negra melhor. E nas propagandas aproveitaram para colocar produtos licenciados da Milena, como boneca, meias ,colônia e produtos de cabelo da personagem, que não foram anunciados nas outras revistas.

No expediente final de todas as revistas tem a numeração da 4ª série junto com a numeração real do título, como da Milena é a Nº 1 de verdade, repetiram o "001", o primeiro representa o Nº da editora e o segundo, a numeração real, confirmando que é primeiríssima edição.

Então, achei uma revista fraca, adaptada para a geração atual, padronizada cheia de histórias curtas uma atrás da outra, traços digitais feios e caricatos sem a ver com estilo do Mauricio. Tentaram dar personalidade à Milena, prevaleceu histórias de Milena como detetive, desvendando mistérios de objetos desaparecidos, que deve ser o foco principal dela agora, mas também devem explorar que é menina autêntica da geração Alpha, que gosta de animais e de Ciências, com o tempo devem ajustar com o que vai dar certo e ter uma noção melhor da verdadeira personalidade dela, que já devia estar definida no mínimo desde que resolveram que ela se tornasse protagonista. Não vou colecionar, comprei essa só por ser a edição "Nº 1" e dificilmente compre outra, a não ser que encaixe em situação de edição especial e olhe lá.