domingo, 17 de maio de 2026

Top 5 Melhores Traços da Turma da Mônica

A MSP ao longo da sua trajetória tiveram excelentes traços variados nos desenhos das histórias que encantaram os leitores. Nessa postagem eu mostro um "TOP 5" com os traços que eu mais gostei de todos os tempos.

MSP sempre teve como base até 2 tipos de traços. Os originais com personagens com bochechas pontiagudas criados pelo Mauricio de Sousa nos anos 1960 e 1970 e os da fase consagrada que presenciamos nas capas dos gibis passaram a ser os oficiais ao longo dos anos 1980. E em cima desses traços, os desenhistas e arte-finalistas tinham liberdade para variar como quisessem e como achavam que ficaria melhor de acordo com o roteiro e sem perder a essência do Mauricio.

Tiveram, assim, vários desenhos espetaculares e em cada gibi dos mais variados estilos, dos simples aos desenvolvidos, atendendo a todos os gostos. Eu particularmente gosto de todos os traços até os anos 1990, o que pode alguns serem menos atraentes do que outros, principalmente os de segunda linha em histórias de miolo, mas mesmo esses menos atraentes tinham seu charme merecido. 

Então, mostro a seguir os 5 melhores que gostei, em cada estilo destaquei trechos de duas histórias e com personagens da Turma da Mônica ou "Turma do Limoeiro" para servir melhor de comparação, lembrando que todos núcleos secundários também tiveram todas as versões de traços e ficavam muito bons também.

5º LUGAR:

Os desenhos de José Márcio Nicolosi eram um show à parte. Derivado dos personagens com bochechas pontiagudas dos anos 1970, os desenhos dele tinham detalhes e ângulos diferentes e ele gostava de colocar toda a sequência de um movimento longo de personagens sem serem divididos com quadros e já dava um diferencial do estilo da época. E ainda costumava ter arte-final do Alvin Lacerda, com contornos únicos que ficavam melhores ainda. Traços assim ficaram nos gibis entre 1977 a 1979. 

Nessa história de miolo "A campeã", de 'Mônica Nº 96' (Ed. Abril, 1978), exemplifica bem o estilo de traços dele de brincar com o movimento da Mônica no skate, mostrando todo o trajeto que ela fez em vários ângulos e retratando o medo dela de cair. E ainda ficava uma mistura de personagens com bochechas pontiagudas e com corpo rechonchudo. Muito bom.

HQ "A campeã" - 'Mônica Nº 96' (Ed. Abril, 1978)

Outro exemplo é da história "Baile à fantasia", de Mônica Nº 97' (Ed. Abril, 1978), que era de abertura e tinham quadros normais misturado com cenas sem quadros. Quando tinham quadros tinham uma estruturação diferente, podendo ser de diversos tamanhos e quadros em diferentes formatos, podendo ser redondos. losangos em vez dos tradicionais quadrados ou retangulares. E juntando a arte-final de Alvin Lacerda ficou espetacular.

Trecho da HQ "Baile à fantasia" - Mônica Nº 97' (Ed. Abril, 1978)

4º LUGAR:

Os traços denominados "superfofinhos" da Emy Acosta eram excelentes. Nesse estilo, os personagens ficavam fofos em excesso, vários ângulos e expressões deles diferentes, formatos de balões diferenciados em figuras geométricas. O estilo superfofinhos foi determinante para a transição dos personagens pontiagudos para a versão consagrada dos anos 1980. Entre 1970 a 1977 já teve mudanças bem graduais que os leitores nem percebiam, mas para deixarem com bochechas redondas como conhecemos ia demorar, aí resolveram arredondar em exagero, em excesso, para depois diminuir arredondamento no ponto que queriam, sem ser de forma abrupta e que cause estranhamento e deu certo. Traços assim ficaram nos gibis também entre 1977 a 1979 e a história "No mundo de Romeu e Julieta", de 1978, é a mais conhecida com esse estilo.

Nessa história "A nuvenzinha do amor", de 'Cebolinha Nº 68' (Ed. Abril, 1978), vemos os personagens bem redondos e vários formatos de quadros, podendo até a grama ter um formato arredondado quando quadros eram brancos sem linhas. Muito lindos esses desenhos.

Trecho da HQ "A nuvenzinha do amor" - 'Cebolinha Nº 68' (Ed. Abril, 1978)

Já na história "Fofocas mil"de 'Cebolinha Nº 73' (Ed. Abril, 1979), os personagens estão superfofinhos e nesse trecho os quadros todos em formatos diferentes, podendo ter curvas, nenhum quadro do tradicional quadrado ou retangular. Os quadros interagiam com a cena, era perfeito.

Trecho da HQ "Fofocas mil" - 'Cebolinha Nº 73' (Ed. Abril, 1979)

3º LUGAR:

A arte-final de Alvin Lacerda nos anos 1980 deixava um diferencial muito bom. Já com base no estilo consagrado de personagens, quando tinham histórias com arte-final do Alvin ficavam incríveis. Nem dava para saber que duas histórias desenhadas por mesmo roteirista e com arte-final diferentes eram do mesmo desenhista. O Alvin Lacerda deixava contornos mais profissionais, um ar sombrio, que só de olhar já dava pra saber que a arte era dele. Traços dele funcionavam bem tanto em histórias de abertura quanto de miolo e histórias da Turma do Penadinho e da Turma do Papa-Capim também ficavam muito bem com arte-final dele. Alvin ficou na MSP desde o início e podia ver traços dele até no começo dos anos 2000, quando se aposentou.

Nessa história de miolo "A fitinha", de Mônica Nº 176' (Ed. Abril, 1984) já com base na fase de traços consagrados dos personagens, vemos o estilo de arte-final do Alvin Lacerda, contornos únicos, e que se tivesse contornos de outro arte-finalista e com os mesmos desenhos já ficaria diferente. Adorava traços assim.

Trecho da HQ "A fitinha" - 'Mônica Nº 176' (Ed. Abril, 1984)

Já na história de abertura de "O terrível plano olharis tremendus minhocais", de 'Cebolinha Nº 157' (Ed. Abril, 1986) também vemos contornos espetaculares e únicos mesmo em cenários simples e ao mesmo tempo dava movimento. Como gosto mais de simplicidade com as variações de traços personagens, esses traços para mim ficam como 3º lugar.

Trecho da HQ "O terrível plano olharis tremendus minhocais" - 'Cebolinha Nº 157' (Ed. Abril, 1986)

2º LUGAR:

Os traços de Rosana Munhoz eram lindos, deixavam os personagens fofinhos, mas não superfofinhos dos anos 1970. Ela iniciou na MSP como desenhista e depois passou para o roteiro, mas depois disso de vez em quando ainda desenhava, normalmente em algumas histórias escritas por ela. Desenhos dela já foram como base da fase  consagrada e em histórias com grandes cenários eram ricos em detalhes que davam gosto de ver. Desenhos dela também ficavam muito bem em histórias da Turma do Penadinho e da Turma do Penadinho.

Nessa história "A fome", de 'Cascão Nº 70' (Ed. Globo, 1989), foi de cenários simples, com base de desenhos da fase  consagrada com destaques para os personagens bem fofos e ângulos bem variados. Muito bonito, ficou fofinho dos anos 1980.

Trecho da HQ "A fome" - 'Cascão Nº 70' (Ed. Globo, 1989)

Já em "Sapatinho vermelho", de 'Magali Nº 7' (Ed. Globo, 1989), de fábula e também em cenários simples, vemos uma bruxa bem gordinha e um quadro da Magali fofinha em movimento, dançando com os sapatinhos mágicos que recebeu da bruxa. Traços fofinhos exatamente desse jeito ficaram com frequência entre 1986 a 1989.

Trecho da HQ "Sapatinho vermelho" - 'Magali Nº 7' (Ed. Globo, 1989)

1º LUGAR:

Os desenhos da fase consagrada são o que prevaleceram nos gibis, vistos em maior quantidade e esse estilo de traços considero o melhor. Esse estilo desenhado por Sidnei Lozano Salustre, o Sidão, com destaque a personagens com pernas mais gordinhas, com curvas nos olhos e de preferência sem fundo branco para expressar que estavam com muita raiva ou muito tristes, personagens de perfil em muitos quadros, falando com dentes à mostra e um andar diferente com mãos esticadas. Traços assim ficaram com frequência entre 1990 até parte de 1993.

Nessa história "Crochetando", de 'Mônica Nº 58' (Ed. Globo, 1991), com a fase consagrada, vemos um cenário simples, Cebolinha e Cascão com curvas nos olhos quando estavam com raiva sem preencher o contorno normal dos olhos e sem fundo branco, Cebolinha falando com dentes à mostra quando estava planejando aprontar com a Mônica e Cascão com andar com braços esticados e pernas mais grossas. Muito bom assim.  

Trecho da HQ "Crochetando", de 'Mônica Nº 58' (Ed. Globo, 1991)

Já nesse trecho da história "As manicures", de 'Magali Nº 61' (Ed. Globo, 1991), os personagens ficaram com olhos do estilo tradicional com fundo branco e sem curvas, mas mostra eles mais gordinhos nas pernas, Mônica andando com braços esticados, Cascão falando com dentes à mostra quando ficou surpreso que tinha que deixar as mãos de molho com água e sabão para cortar a unha no 2º quadro da página 11, e Cebolinha, a partir do 6º quadro da página 11. Sidão arrebentava. Ficava encantado com esses traços e para mim o primeiro lugar de todos os tempos.

Trecho da HQ "As manicures", de 'Magali Nº 61' (Ed. Globo, 1991)

Coloquei na postagem a ordem que eu achei de melhores desenhos, apesar dos traços do Nicolosi e da Emy serem maravilhosos, mas como prevaleceu o estilo da fase consagrada nos gibis, mais acostumados com eles, e eu gostar mais de traços com cenários simples, o meu "TOP 5" ficou assim, cada um vai ter os seus traços preferidos. Fora esses, tiveram outros traços tão bons quanto estes que ficaram de fora da postagem por ter sido apenas os 5 melhores, aí merecem também de destaques de artistas como arte-finalistas Sergio Tibúrcio Graciano, Kazuo Yamassaki, Carlos Alberto Pereira (Beto), desenhistas Olga Ogasawara Yuhara, Julio Cesar Mauricio (Julinho), Aluir Amâncio nas histórias da Turma da Tina,e tantos outros que marcaram a MSP. Posso depois fazer postagens com histórico de traços, foram tantos variados que precisa de uma postagem por década e em breve posto outro "Top 5" no Blog

quarta-feira, 13 de maio de 2026

Tirinha Nº 125: Cebolinha

Nessa tirinha, Cebolinha tenta dar nó nas orelhas do coelhinho da Mônica, só que o castigo dessa vez foi outro, em vez de apanhar, Mônica dá nó no cabelo dele difícil de desatar. Muito engraçada.

Mônica deu o troco de fazer o mesmo com o Cebolinha, uma forma como o Sansão sente quando dá nós nas orelhas, Cebolinha sentiu, achou pior do que se tivesse apanhado. Porém, como ele nunca se endireita, não aprende lição e obsessão de provocar a Mônica é alta, depois volta a fazer tudo de novo. Legal que o cabelo com nó ficou em formato de cebola, fazendo jus ao nome dele.

Tirinha publicada originalmente em 'Cebolinha Nº 92' (Ed. Abril, 1980).

domingo, 10 de maio de 2026

Magali: HQ "Um aniversário nada previsível"

 Dia 10 de maio é aniversário da Magali, então, em homenagem, mostro uma história em que ela deixou de comer na sua festa de aniversário com medo de morrer depois que vidente Madame Cleuzodete previu que ela perderia todo o seu apetite. Com 12 páginas, foi publicada em 'Magali Nº 310' (Ed. Globo, 2001).

Capa de 'Magali Nº 310' (Ed. Globo, 2001)

Escrita por Emerson Abreu, Magali fala para a Mônica que está ansiosa pela sua festa de aniversário à noite. Mônica diz que também adora festa de aniversário, com casa cheia de gente, enfeitada com balões e desenhos na parede, ganha muitos presentes e um montão de amiguinhos desejando felicidades. Só que se logo se toca que a Magali se referia ao bolo e ela complementa com brigadeiros, cajuzinhos.

Magali comenta que os anos estão passando cada vez mais rápido, Mônica diz que logo ela vai ser uma mocinha, Magali pergunta como será a Magali de amanhã e Mônica acha que comilona como a de hoje e Magali comenta se tivesse um jeito de saber, quando se deparam com a tenda da Madame Cleuzodete, vidente que lê passado, presente, futuro e bula de remédio.

Magali diz que teve uma ideia, Mônica também, Magali pergunta se topa, Mônica, também e a ideia da Magali era tomar sorvetes de flocos com milho verde e Mônica diz que a ideia dela era irem consultar a dona que vê o futuro. Magali não queria ir lá. Mônica pergunta se Magali não tem curiosidade de saber como vai ser o amanhã e Magali diz que não porque ele já tem os roteiros das historinhas dela até o mês que vem e sabe tudo tintim por tintim.

Elas entram na tenda, Mônica avisa que queria se consultar, Madame Cleuzodete interrompe, pedindo silêncio que recebeu mensagem na bola de cristal. É de uma tal Magali, que vai perder todo o apetite a partir da meia-noite e ouvem um trovão. Mônica e Magali riem muito, e Magali fala que sabia que tudo era papo furado. Madame Cleuzodete fala que podem rir, mas é para ela ter cuidado com o que vai comer esta noite, pois será a última guloseima que colocará na boca e ouvem um trovão. Ela termina a consulta, cobra 5 reais e entrega para as meninas o cartão dela com site na web e manda voltarem sempre. 

Na saída, Magali fica preocupada, pode ser bobeira, mas se for verdade e ela perder o apetite o que será da vida dela. Mônica manda desencanar, diz que único jeito de Magali perder apetite é se bater as botas e ouvem outro trovão. Magali chora que não quer bater as botas e logo ela que nem tem sapato, pergunta se vai comer maçã enfeitiçada ou cajuzinho azedo. Vê vendedores de pastel de queijo, cachorro-quente e pipoca e fica mais aflita. Mônica acha que está exagerando e Magali quer se esconder em casa para fugir da tentação. 

Chegando em casa, acontecia a festa de aniversário e elas tinham esquecido. Dona Lili e os amigos falam que tem bolo de sorvete com cobertura de chocolate, mousse de maracujá, manjar de coco, flan de figo, pudim de caramelo. Magali fala que às favas com as profecias, é seu aniversário e se prepara a comer o bolo inteiro, quando lembra madame Cleuzodete avisando que à meia noite ela vai perder todo o apetite e joga o bolo na cara da Mônica, desistindo de comer.

Magali fica agitada, corre e some da festa. Mônica procura a amiga pela casa por muito tempo, avisa que está na hora de assoprar velhinha. Encontra a Magali dentro da lavadora de roupa cheia de água com sabão. Magali diz que era único jeito de ficar longe de qualquer guloseima. Mônica diz que profecia é tudo lorota, já deu meia-noite e aconteceu nada.

Magali comemora que ainda tem apetite e que pode comer tudo que quiser. Ela corre até à sala e come tudo da festa, até o que os amigos estavam comendo. Mônica fala que não precisava exagerar, não é só porque deu meia-noite que poderia ser assim. Dona Lili fala que já saíram do horário de verão e esqueceu de atrasar todos os relógios e que agora deve ser 11 horas da noite. Mônica comenta que, então, Magali pode perder o apetite e ela desmaia.

Depois, no quarto da Magali, Mônica diz que o lado bom é que Magali não bateu as botas, mas Magali comenta de cama que no final as profecias estavam certas porque depois de todos aqueles doces que comeu sozinha, não aguenta nem pensar em comida e a mãe e amigos ficam rindo dela.

História legal que Magali, no dia de seu aniversário, vai se consultar com a vidente Madame Cleuzodete, que avisa que ela vai perder todo o apetite à meia noite e ter cuidado com o que ela come. Magali pensa que ela ia morrer porque seria o único jeito de ela perder o apetite ,fica desesperada e resolve comer nada até meia-noite.  Depois do horário e nada de ruim acontecido, come tudo da festa sem culpa só que a mãe tinha esquecido de atrasar horas dos relógios depois do horário de verão e Magali passa mal com indigestão e fica de cama sem poder pensar em comida.

Magali achou que ela ia morrer porque só assim para ela perder apetite. Primeiro não acreditava no papo de profecias da Madame Cleuzodete, não morreu, foi uma indigestão que tirou o apetite dela e nem se ligou que poderia ser isso a perda de apetite. Quem mandou ser tão gulosa e querer comer tudo que ela não havia comido durante a festa. Se ela não exagerasse na comilança da festa, de comer tudo que encontrava pela frente, não teria indigestão. Afinal, comer tantas coisas doces e salgadas de uma só vez, descontroladamente, sem digerir bem, pediu para passar mal. Madame Cleuzodete falou das visões sem detalhes e as meninas interpretaram errado, se a vidente fosse mais clara, também poderia evitar.

Dona Lili também teve uma certa culpa de abalar mais o psicológico da filha, deixando de atrasar relógios depois do horário de verão. Chega a ser absurdo, horário de verão acaba em fevereiro e a mãe da Magali só lembrou de atrasar os relógios em maio, ficaram 3 meses com horários da casa errado e nem perceberam. E também bem irresponsável festa de criança passar de meia-noite, teria que acabar cedo.

Engraçado placa da Madame Cleuzodete informar que também ela sabe ler bula de remédio,  Magali e Mônica pensarem que tiveram mesma ideia de se consultar com a Madame Cleuzodete, mas  a ideia da Magali era tomar sorvete, Magali dizer que já sabeo futuro dela porque recebe os roteiros das suas histórias antes de serem publicados, dizer que o pai recebe mensagem no celular depois que a vidente disse que recebeu mensagem das profecias, Magali dizer que é este não é nome estranho, sem lembrar que ela se chamava Magali e Mônica avisar que é ela e a chamar de "sua coisa", Magali chorar que não quer bater as botas e dizer logo ela que nem tem sapato, ela jogar o bolo na cara da Mônica e se esconder dentro da máquina de lavar roupa com água e sabão dentro, pelo visto máquina em funcionamento bem no momento da festa.

Emerson já tinha o estilo definido instalado em 2001, enquanto que em 1997 e 1998 o estilo era mais contido e como fase de experiência, em 2001 já estava tudo consolidado, por isso vemos que personagens já estavam bem agitados, saltitantes, abobalhados e debochados e as tiradas prevalecendo dando graça. Não tinham caretas exageradas ainda, porém com mais línguas à mostra, até quando não contavam piadas infames e cabelo da Mônica fora do lugar. Só não foi muito longa porque era um gibi quinzenal de 36 páginas e teve ajuste de enquadramento, se tivesse quadros retangulares prevalecendo, teria mais páginas no total.

Essa história marcou a estreia de Madame Cleuzodete, depois apareceu em outras sempre com personagens sofrendo com suas previsões. A ideia era para a vidente ser negra, mas depois adotaram ela como branca em definitivo para não mostrar uma negra como vidente. Na capa da edição, com alusão à história de abertura, ela até apareceu diferente e branca, ficando como deixaram em outras histórias.

Incorreta atualmente por Magali egoísta, comendo tudo na festa e até o que os convidados estavam comendo, criança acordadas até meia-noite, festa de criança devia acabar mais cedo, Magali se esconder dentro de lavadora de roupa funcionando, calcinhas da Magali e da Mônica à mostra no terceiro quadro da página 9 do gibi e terceiro quadro da última página, principalmente do jeito que a Magali apareceu na última página, além de palavras e expressões populares de duplo sentido como "tintim por tintim", "desencanar", "batendo as botas", "às favas", "se meteu". Já crianças se consultarem com vidente ainda existe já que a Madame Cleuzodete ainda aparece nos gibis até hoje.

Traços ficaram bons no geral, prevaleceu o estilo consagrado dos personagens, porém ficaram desenhos diferentes nas 4 páginas finais, a partir da página 11 do gibi quando elas estavam na festa de aniversário, mais com cara de anos 2000 a partir daí. Tiveram alguns erros como o chapeuzinho de aniversário aparecer na cabeça da Mônica do nada, o relógio na parede que era para marcar meia-noite, no penúltimo quadro da página 11 do gibi marca duas horas da manhã e ausência de faixa branca no vestido da Dona Lili no quadro final da história.

FELIZ ANIVERSÁRIO, MAGALI!!!!

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Chico Bento: HQ "Dentista!? Deus me livre!"

"Dia das Mães" está chegando e mostro uma história em que o Chico enganou sua mãe Dona Cotinha que foi ao dentista tratar dor de dente dele e comprou vários pirulitos com o dinheiro que ela lhe deu. Com 5 páginas, foi história de miolo publicada em 'Chico Bento Nº 49' (Ed. Abril, 1984).

Capa de 'Chico Bento Nº 49' (Ed. Abril, 1984)

Escrita por Rubão (Rubens Kyumora), começa com o Chico Bento machucando o dente enquanto almoça, fala com a mãe que entrou um pedaço de arroz no buraco do dente e doeu. Dona Cotinha diz que ele precisa é de um dentista e dar dinheiro para ele ir tratar o dente. Chico diz que morre de medo de dentista, resolve não ir, diz que vai gastar a grana e depois volta para casa e a mãe nem vai perceber. Ele vê um menino vendendo pirulito, que custava cem Cruzeiros cada, mas como o menino não tinha troco para mil Cruzeiros, Chico leva 10 pirulitos, chupa todos e passa a ter dor de dente muito grande.

Dona Cotinha aparece perguntando se o filho já foi ao dentista. Ele diz que já, Cotinha nota lágrimas e pergunta se ele está chorando. Chico nega, Cotinha acha, então, que está com conjuntivite e fala para irem para casa que tem um colírio bom para isso. Chico não quer ir e foge. Cotinha vai procurá-lo e ouve atrás do muro o Chico chorando e falando arrependido que devia ter ido ao dentista em vez de gastar dinheiro com pirulito e agora está morrendo de dor de dente.

Dona Cotinha leva Chico ao dentista puxando orelha dele no caminho todo. No consultório, o dentista arranca o dente. Na saída, Cotinha comenta que foi bom, que agora não vai doer mais. Chico confessa que na hora sentiu muito medo e com tanto medo pediu para o dentista arrancar o dente errado. Cotinha fica braba com o Chico e corre atrás dele pela vila para bater nele e Chico comenta que depois dessa vai precisar de um médico.

História legal em que o Chico está com dor de dente e por medo de dentista quis mentir para a mãe que foi e gastou toda a grana que ela lhe deu com pirulitos para ela não perceber. A dor fica maior, Chico não consegue contar a verdade para mãe, só que ela descobre tudo e o leva forçado para o dentista. No final, ele pediu para o dentista arrancar dente errado, dando raiva na mãe ela quer bater nele.

Chico foi falar alto o que ele tinha feito, sem se tocar que a mãe podia ouvir, se só pensasse, poderia demorar mais para encontrá-lo. Chico aprendeu que não adianta mentir para mãe, cedo ou tarde, vai descobrir a farsa, que era melhor ter contado a verdade desde o início. Dona Cotinha, sabendo que o Chico era pestinha e aprontava muito, tinha que ter ido ao dentista com o filho, a autonomia das crianças nas histórias permitiam elas irem sozinhas a estabelecimentos. Chico aprendeu também que comer doces com dente doendo piora mais a dor e que ir ao dentista, mesmo com medo, é a melhor solução quando tem dor de dente.


Medo do Chico de dentista era muito grande, só de pensar em ir já era um tormento e já na cadeira erra em mandar tirar dente errado porque tinha medo de dor maior arrancando o dente já dolorido. Com a atitude, continuou com o dente doendo e ainda causou fúria da mãe, com razão, já que ela vai ter gastar mais dinheiro com nova consulta para arrancar o dente certo. Só nessa brincadeira, já havia gasto dois mil Cruzeiros (gasto com pirulitos e arrancar dente errado) e ainda teria que gastar mais mil para arrancar o dente certo. Cruzeiro era a moeda do Brasil da época, por isso, valores diferentes proporcionais à alta inflação da época. 

Engraçado Chico gritar comendo e Dona Cotinha dizer que a comida não está tão ruim assim, o menino vendedor dizer "Olha o pirulito!" e Chico dizer que é só para olhar pirulito ou ele está vendendo, Dona Cotinha achar que Chico estava com conjuntivite e que tem um bom colírio para isso e Chico recusar, ela puxar orelha do Chico em todo o caminho até chegar no consultório do dentista e a surpresa dela ao descobrir que o filho pediu para arrancar dente errado.

Hoje, dia 7 de maio, também é "Dia do Silêncio" e sem querer teve uma homenagem ao dia já que o silêncio do Chico no dentista, omissão de dente real que estava doendo foi fundamental para o desfecho hilário. Ainda assim, intenção mesmo da postagem foi em homenagem ao "Dia das Mães" no próximo dia 10 de maio deste ano.

Foi tipo de história do que não se deve fazer, se leitor quiser imitar o Chico, vai se dar muito mal, a gente se divertia e aprendia muito assim com os erros dos personagens. É incorreta atualmente por Chico mentir para mãe, sofrer com dor de dente, ter medo de dentista, menino trabalhando como camelô, pois trabalho infantil, nem pensar, Chico ir sozinho a dentista, Dona Cotinha  puxar orelha do Chico e querer bater nele correndo pela rua no final, ela de avental na rua e no consultório do dentista, além de expressões populares proibidas como "morro de medo", "morrendo de dor de dente", "Deus me livre!" no título. O caipirês na época era diferente, sobretudo em gerúndios que colocavam "vendeno", "chorano", morreno" e isso também sempre alteram em republicações de almanaques atuais, ajustando ao caipirês atual. 

Traços ficaram bons, típicos de histórias de miolo dos anos 1980. Tiveram alguns erros como Chico sem dente da frente no 2º quadro da 1ª página e pálpebra com fundo branco no 2º quadro da 2ª página da história. Nunca foi republicada até hoje em almanaques convencionais, apenas na reedição dessa revista da 'Coleção Histórica Turma da Mônica Nº 49', de 2015. Dava para ter sido republicada a partir de 1992, quando estavam republicando mais histórias de 1984 do Chico, mas acabaram esquecendo. E uma curiosidade para colecionadores que essa revista 'Chico Bento Nº 49' da Editora Abril teve 2 versões de capas, uma com referência à promoção "Reino Mágico" e outra versão, sem, e certamente nesta a propaganda da página 2 diferente sem relação à promoção.

segunda-feira, 4 de maio de 2026

Rolo: HQ "Eu, ela e o cachorro"

Mostro uma história em que o Rolo teve que lidar com o cachorro da namorada que estava atrapalhando o namoro deles. Com 6 páginas, foi publicada em 'Cebolinha Nº 2' (Ed. Globo, 1987).

Capa de 'Cebolinha Nº 2' (Ed. Globo, 1987)

Rolo vai a um encontro com sua nova namorada, a Carlinha, comenta que nada pode estragar esse dia, quando se depara com o cachorro brabo dela, o Rambo, e Rolo precisa subir na árvore do quintal. Carlinha manda Rambo deixar o Rolo em paz e diz que ele é um cachorrinho bom, só estava querendo defender a casa e não o conhecia.

Eles vão para dentro de casa, Rolo pergunta se o Rambo tem que entrar também e Carlinha responde que ele é como se fosse da família e só não prestar atenção nele. Rolo quer dar um beijo na Carlinha e Rambo avança nele porque pensou que ia atacá-la. Rolo manda Carlinha explicar para o cachorro que eles são namorados, Carlinha diz que ele não entenderia e que vão continuar namorando, só não podem se tocar. 

Rambo fica no meio do sofá entre eles e Rolo acha que esse negócio de namoro à distância não vai dar certo. Rolo pega um osso para Rambo enterrar no quintal, ele recusa e Carlinha diz que ele come nada entre as refeições. Depois, Rolo traz a Fifi, cachorra da tia dele, para ver se Rambo namora, só que ele já namora com outra cachorrinha.

Assim, Rolo passa a ser amigo do Rambo, brinca de jogar gravetos, ensina truques e até o leva para o cinema. Rambo passa a adorar o Rolo, acha um grande amigo, e Rolo acha que agora vão poder namorar sossegado com a Carlinha, só que puro engano, pois o Rambo passa a avançar na Carlinha toda vez que se aproximavam para se beijarem.

História legal em que Rolo, mais uma vez  passa sufoco com suas namoradas, dessa com o cachorro brabo da namorada Carlinha, Rambo não deixava ninguém chegar perto dela que avançava. Rolo adotou tática de se tornar amigo do cachorro para depois conseguir namorar em paz, mas o Rambo gostou tanto do Rolo que passou a estranhar e atacar a própria dona. 

Como a Carlinha não queria o Rambo fora de casa porque era como se fosse da família, era só deixar o cachorro os dois irem namorar na rua ou na casa do Rolo que estaria resolvido. Mais uma vez Rolo termina namoro por tão pouco, por isso ele ter uma namorada diferente a cada história. Ter um cachorro brabo em casa na intenção de segurança contra invasores, mas também o Rambo tinha ciúmes da dona que dava atenção a ele, no momento que o Rolo passou a ser amigo e dar mais atenção a ele do que a Carlinha, Rambo estranhou ela e considerou Rolo como seu dono. 

Foi engraçado Rambo no meio do sofá atrapalhando o namoro dos dois, Rambo retratado como um cachorro correto, que não come nada entre as refeições, que é fiel à sua namorada, segurando foto da cachorrinha e Rolo reclamar que está lidando com cachorro fiel e eles levarem  cachorro a um cinema para ver filme de canino "A cãofusão", de "A Twenty-Century Dog". O nome Rambo não foi parodiado dessa vez, nome utilizado do personagem de Sylvester Stallone foi para dizer que era muito brabo.

Traços ficaram caprichados, típicos da Turma da Tina dos anos 1980. Colorização boa também característica dos primeiros números da Globo de 1987 com cores mais fortes e destaque de personagens com peles rosadas e o azul em tom de aquarela. Incorreta hoje em dia por cachorro brabo que avança nos outros, Rambo avançar no Rolo no sofá e ele ficar machucado e colocar cachorro em um cinema.