terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Bidu: HQ "Juro que vou me vingar"

Compartilho uma história em que o Bidu paquera uma cachorrinha na frente do namorado dela e deseja se vingar do cachorrão para que se afaste dela e Bidu poder conquistá-la. Com 5 páginas, foi publicada em 'Cascão Nº 48' (Ed. Abril, 1984).

Capa de 'Cascão Nº 48' (Ed. Abril, 1984)

Escrita por Robson Lacerda, Bidu assobia por uma cachorrinha que viu saindo pelo muro, interessado por ela, e estava acompanhada do namorado e percebe que deu mancada. O Cachorrão quer saber que negócio é esse de mexer com a namorada dele, Bidu disfarça, fingindo que é gay e dizendo nem pensar e o cachorrão bate nele.

Bidu diz que isso não vai ficar assim, o Cachorrão pode ser forte, mas ele é mais inteligente. Assim, executa seu plano de chamar atenção do homem da carrocinha para levar o Cachorrão, mas o homem acaba levando o Bidu, que dá uma surra nele e consegue escapar. Em seguida, Bidu resolve darum presente para o Cachorrão pra provar que não guarda rancores. O Cachorrão não consegue abrir o pacote, Bidu abre e leva soco da luva de boxe do presente que ele mesmo tinha enviado, voa longe e cai abrindo cratera no chão.

Depois, Bidu abre um bueiro para o Cachorrão cair, mas ele desvia. Bidu desiste e depois vê o casal brigando, a Cachorrinha acusa que o namorado olhou para uma sirigaita, ele diz que nunca faria uma cachorrada dessas e eles terminam o namoro. Como o perigo passou, Bidu resolver dar uma cantada nela para conquistá-la, mas ela bate nele, dizendo que odeia cantadas.

História legal em que Bidu quis se vingar do cachorrão depois que apanhou por ter mexido com a namorada dele. Queria que o Cachorrão saísse de cena para poder paquerar a namorada dele, aí faz plano atrás do outro toda vez que fracassava. Bidu não teve sorte, apanhou demais nessa, inclusive da Cachorrinha que era braba e não gostava de cantadas. Ele pensou que seria sorte o término do namoro para poder namorá-la, não contava que ela era geniosa e bater nele. Assim, adiantou nada as tentativas de vingança ao Cachorrão já que no fim não ficaria com ela de qualquer maneira.

O Cachorrão não estava errado, afinal Bidu mexeu com a namorada dele, mesmo não sabendo que ela tinha namorado, e com as vinganças o Bidu que ficou sendo o vilão com as maldades para poder separar o casal. Cada tentativa de vingança foi divertida, Bidu não teve sorte com o homem da carrocinha, foi ele que quase foi parar lá no lugar do Cachorrão. Com o presente, Bidu foi bem atrapalhado não lembrar que tinha uma luva de boxe na caixa  e não poderia abrir a caixa, mesmo o Cachorrão não conseguindo desatar nó do laço. E é óbvio que o Cachorrão ia desviar do buraco no meio da rua, a não ser que tivesse muito distraído para não ver. 

Foi engraçado Bidu fingir que é gay e com trejeitos com mão e com voz, provavelmente, bater no homem da carrocinha prendendo com a rede, levar o soco da luta de boxe no lugar do Cachorrão e abrir cratera no chão  om formatodele, Cachorrinha se queixar que o namorado olhou para uma sirigaita e ele dizer que nunca faria uma cachorrada dessas e Bidu apanhar dela no final. O roteirista Robson não deu nomes ao casal de cachorros e eles apareceram só nessa história como de costume de personagens secundários criados para aparições únicas.

Foi uma história do Bidu agindo só como cachorrinho e com uma turma de cachorros, uma de suas várias facetas de histórias. Essa lembra desenhos animados que personagens fazem planos fracassados um atrás do outro como os de "Looney Toones", eles costumavam ter inspiração de desenhos animados da época para criar as histórias da MSP. Incorreta atualmente por ter namoro, vingança, Bidu fazer maldades para separar o casal em benefício próprio, surras, Bidu ser levado por homem da carrocinha, além da palavra proibida "Cruzes!"

Traços ficaram bons, típicos de histórias de miolo dos anos 1980. Tiveram erros do homem da carrocinha não ter camisa pintada de verde no quarto quadro da segunda página da história, o Bidu deveria falar ou pensar alguma coisa por estar de boca aberta e ficou omitido o balão no primeiro quadro da terceira página e a Cachorrinha apareceu só com a parte preta dos olhos no penúltimo quadro da terceira página. Foi republicada depois em 'Almanaque do Chico Bento Nº 29' (Ed. Globo, 1995).

Capa de 'Almanaque do Chico Bento Nº 29' (Ed. Globo, 1995)

domingo, 22 de fevereiro de 2026

Capa da Semana: Cascão Nº 91

Este mês de fevereiro completou 40 anos da última passagem do cometa Halley no planeta Terra e, então, mostro uma  capa em que o Cascão leva um soco tão forte da Mônica depois de pegar o Sansão e vai parar no universo em uma velocidade maior do que o Cometa Halley, que estava chegando na Terra. 

Mesmo sem aparecer, a Mônica formou a piada da capa com um soco que faz a pessoa voar mais veloz que um cometa. Coitado do Cascão que sofreu com a surra e nem viu o cometa Halley ao lado dele já que com os dois olhos roxos nem dava para enxergar alguma coisa, se soubesse não mexia com o coelhinho de pelúcia dela. Para Mônica, bateu no Cascão, mas lado negativo que ficou sem o Sansão. Fica na imaginação dos leitores de como Cascão conseguiu voltar para a Terra depois com o Sansão.

O cometa Halley passou na Terra no dia 9 de fevereiro de 1986. Tinha muita expectativa do povo de ver a passagem do cometa, que passa pelo planeta a cada 75 a 76 anos. Na época só se falava nisso e a MSP não perdeu tempo criando capas especiais nos gibis 'Mônica Nº 190', 'Cebolinha Nº 158', 'Cascão Nº 91' e 'Almanaque do Pelezinho Nº 8', uma história sobre o Cometa Halley publicada em 'Mônica Nº 191', citações ao cometa em outras histórias depois ao longo de 1986 e fora a referência no filme "Os Trapalhões no Rabo do Cometa", que teve parceria com a MSP. A próxima passagem do cometa Halley está prevista em 2061, por isso a expectativa deles era tão grande já que para muitos seria a única vez que o viriam.

Capa dessa semana é de 'Cascão nº 91' (Ed. Abril, Janeiro/ 1986).

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Turma da Mônica: HQ "Cebolobisomem"

Mostro uma história em que a Mônica pensa em que o Lobisomem da Turma do Penadinho era o Cebolinha fantasiado durante o baile de Carnaval do Parque da Mônica.  Com 11 páginas, foi publicada em 'Parque da Mônica Nº 14' (Ed. Globo, 1994).

Capa de 'Parque da Mônica Nº 14' (Ed. Globo ,1994)

Mônica está fantasiada de fadinha para pular Carnaval no Parque da Mônica. Vai atender a porta e se assusta com o Cebolinha fantasiado de Lobisomem. Depois, vão à casa do Cascão, que diz que não vai ao parque porque carnaval é muito sem graça, é um querendo molhar o outro. Mônica diz que no Parque tem nada disso, é só pular e brincar. Então, Cascão busca sua fantasia de porquinho e cebolinha pergunta cadê fantasia.

No caminho, encontram a Magali fantasia de melancia e acham bem original e quando entram no Parque da Mônica, encontram o Chico Bento fantasiado de príncipe. A turma acha legal o Parque todo enfeitado de Carnaval e acham as fantasias do pessoal bacanas. Em seguida, encontram o Pixuquinha, acham que era uma pessoa tão bem fantasiada que parecia um fantasma de verdade e Pixuquinha diz que é mesmo, acabou se sair da "Tumba do Penadinho" e Cebolinha comenta que nem os monstrinhos da "Tumba do Penadinho" resistiram ao Carnaval do Parque.

Enquanto isso, o Lobisomem da Turma do Penadinho resolve sair da Tumba para brincar e ao mesmo tempo, Cebolinha sai para procurar o resto da turma. Lobisomem anda ao lado da Mônica, que pensa que o Cebolinha ainda estava ali e fala que é para esquecer a turma e irem para o "Brinquedão". Lobisomem manda a dentuça largá-lo, Mônica taca a varinha de cordão para bater nele, erra o alvo e Lobisomem vai pegar como um cachorro pega graveto.

Mônica acha que a fantasia está muito quente que está afetando os miolos dele. Em seguida, Lobisomem vê uma criança fantasiada de esqueleto tomando sorvete, Lobisomem pensa que são ossos e vai atrás para devorar e Mônica o segura pelo rabo achando que era coisa feia e que depois paga um sorvete para o Cebolinha. Lobisomem se enfeza e fala que agora vai pegar a Mônica, que pensa que está brincando e diz que o último que chegar é um bobão. Lobisomem persegue a Mônica no "Brinquedão", se desequilibra, é pisoteado por outras crianças e sofre para sair do "Brinquedão".

Mônica pergunta onde Lobisomem quer ir agora, ele responde ao "Carrossel do Horácio", mas logo se corrige que quer ir a lugar nenhum. Cascão pergunta do que estão brincando, Lobisomem acha que era um porquinho de verdade e quer devorá-lo. Cascão não gosta da cara do Cebolinha, Mônica também acha que está estranho e que está pensando em algum plano infalível, tenta tirar a máscara e descobre que era um Lobisomem de verdade.

Cascão tenta fugir, Lobisomem corre atrás, tropeça na Magali melancia e Chico Bento sobe em cima do Lobisomem. Penadinho aparece com Pixuquinha, fala par ao Lobisomem que é uma vergonha e ele diz que a culpa foi da menina, ele só queria se divertir. Penadinho diz que em outubro eles têm a própria Festa do Terrir e Lobisomem gosta. 

Cebolinha volta, a turma ainda fica em dúvida se era ele mesmo, mas ao gritar "Glauu!", passam ter certeza que era ele. Cebolinha não acha graça e Mônica pergunta se ele não vai ao show de carnaval deles. No final, enquanto se apresentam, Penadinho e Lobisomem estão na plateia e acham que essa turma é demais.

Uma boa história em que a turma vai pular Carnaval no Parque da Mônica e como Cebolinha estava fantasiado de lobisomem, Mônica pensou que o Lobisomem da Turma do Penadinho era o Cebolinha e Lobisomem sofreu com ela. Foi só Cebolinha se afastar e coincidentemente Lobisomem aparecer que a Mônica confundiu. De qualquer forma, não dava para ela se enganar, a cor da camisa da fantasia era diferente, a pelugem do Lobisomem era mais escura e ele é mais alto que o Cebolinha, sem dúvida ela precisava de óculos. O Parque era tão bom que os personagens queriam dar voltinha lá na pausa do trabalho. Se Lobisomem soubesse, não sairia da "Tumba do Penadinho", coitado só queria descansar do trabalho, mas não teve sorte.

Foi bom o embate entre eles para capturar o Lobisomem, Chico Bento agiu rapidamente, subindo nele, com a experiência de caçar lobisomens na roça, serviu pra capturá-lo também. No fim, vemos que Turma da Mônica é tão sensacional que nem os monstros da Turma do Penadinho resistiram de dar espiadinha no show de carnaval deles. 

No início da história o Cascão dizer que todos se molhavam um ao outro, se referindo a costume de squeezes d'água que gostavam jogar nos outros durante o Carnaval. Foi engraçado o Cebolinha perguntar cadê fantasia com o Cascão vestido de porquinho, a Magali de melancia que não se sabe como ela não comeu a própria fantasia, se assustarem por não identificarem que o Pixuquinha era fantasma de verdade passeando pelo Parque, o Lobisomem pegar varinha de condão como se fosse graveto, confundir menino fantasiado de esqueleto com ossos que ele gostava de comer e ser pisoteado pelas crianças no "Brinquedão"

Na MSP, tinham vários lobisomens diferentes, o Lobisomem da Turma do Penadinho, o folclore da Turma do Chico Bento, além dos lobos maus de paródias de contos de fadas como Chapeuzinho Vermelho e Os Três porquinhos. Todos se encaixavam bem em suas respectivas histórias. A partir dos anos 2000, o Lobisomem passou a se chamar apenas "Lobi", uma abreviação do seu nome para deixar mais simples  e não deixar tão genérico e confundir com os outros tipos de lobisomens da MSP. Continua sendo chamado "Lobi" até hoje, prefiro ele sendo chamado de Lobisomem mesmo.

Histórias do Parque da Mônica costumavam ter muitos crossovers de personagens, todos se reuniam lá, fora brinquedos terem nome de personagens de vários núcleos e trabalhavam lá que também ajudavam a ter presenças  deles. Normalmente todos os secundários conhecem um ao outro, dessa vez o Lobisomem não conhecia a Turma da Mônica. Como o Parque era localizado dentro do Shopping Eldorado em São Paulo, muitas vezes tinham propaganda do shopping todas as vezes que mostravam a fachada quando estavam prestes a chegar lá como foi no penúltimo quadro da página 5 do gibi.

O Parque da Mônica tinham festas comemorativas para atrair a criançada, aí o Parque recebia decorações e shows temáticos nessas datas durante mês todo. Com isso, em fevereiro de cada ano, em época de Carnaval, tinha baile lá e o Parque todo com decoração carnavalesca e nos meses de outubro, época de Halloween, tinha a "Festa do Terrir" com decoração temática de bruxas e monstros e com show com a Turma do Penadinho. Bom entretenimento para criançada.

Os traços ficaram bons do estilo consagrados dos personagens, personagens ficaram bem fantasiados, Mônica bonita de fadinha e com destaque de fantasias do Cascão e da Magali personalizadas de porquinho e melancia, respectivamente, com características de personalidades deles. Não considero que tenha um roteiro incorreto hoje em dia, apesar que podem implicar de ser história de Carnaval que não gostam, e tem elementos que podiam mudar como Cascão com fantasia de porquinho, menino fantasiado de diabinho, Mônica segurar Lobisomem pelo rabo e ele ser pisoteado pelas crianças no "Brinquedão".

domingo, 15 de fevereiro de 2026

HQ "Olha a cabeleira do Cascão!"

Mostro uma história em que o Cascão se fantasia de menina para ganhar o concurso de melhor fantasia do baile de Carnaval, só que se envolve em confusão. Com 4 páginas, foi história de miolo de 'Cascão Nº 3' (Ed. Globo, 1987).

Capa de 'Cascão Nº 3' (Ed. Globo, 1987)

Cascão se fantasia de menina para o baile de Carnaval com a intenção de ganhar prêmio de melhor fantasia. Está tão perfeito que nem a mãe o reconhece, se perguntando quem era a menina que estava na casa. Na rua, Cascão recebe um "Fiu-fiu!" de um menino e acha graça e depois o Pedrão diz que já tem companhia para pular o Carnaval do clube. Cascão fala que já tem companhia e Pedrão diz que ninguém recusa convite dele.

Cascão fala que é muito macho, tenta tirar a peruca e não sai e Pedrão gosta que a menina é brabinha e leva Cascão para o baile à força. Eles dançam, Cascão pensa que tem sorte que ninguém está o reconhecendo, um menino aperta a bunda do Cascão, que faz queixa com o Pedrão e parte para a briga com o menino. Cascão aproveita, corre para o banheiro tirar a fantasia e depois Pedrão fica procurando a menina no baile. Cascão fica com pena que não vai mais ganhar prêmio de melhor fantasia, só que,para sua surpresa, ganha o concurso porque pensam que ele estava fantasiado de poluição.

História muito engraçada, Cascão só queria ganhar prêmio de melhor fantasia de menina, mas não contava do Pedrão forçá-lo a ser companhia dele do baile de Carnaval e passa sufoco de até ser assediado por outro menino. Foi se fantasiar de menina e quase se deu mal. Mesmo assim ainda ganhou o prêmio por conta do jurado não conhecê-lo e achar que estava fantasiado de poluição. Se o Pedrão não tivesse forçado o Cascão para ir à festa, ele iria continuar fantasiado de menina e não seria garantido que ganharia o concurso de fantasia, então há males que vem para o bem. Agora, se o Pedrão tivesse descoberto que estava paquerando um menino, era Cascão que ia apanhar feio. Interessante que nem desconfiou quando Cascão disse que era macho e com sua voz normal, provavelmente. 

Muito engraçado Cascão dizer que está "perfeita", fazer trejeitos de menina com as mãos e mudar até voz, não ser reconhecido nem pela mãe, ser paquerado por outros meninos antes da festa e levar apertão na bunda, a música "mamãe eu quero mamar" bem quando entravam no baile e o jurado achar que ele estava fantasiado de poluição depois que tirou a fantasia de menina. Mônica e Cebolinha não estavam fantasiados, mas também podem ser desconhecidos fantasiados de personagens, ou então, quem sabe, Cebolinha está fantasiado de Monica, e a Mônica, de Cebolinha. Já o Pedrão só apareceu nesta história, como de costume de personagens secundários criados para aparição única. O título com paródia da marchinha "Cabeleira do Zezé, será que ele é" ficou o mistério inicial se Cascão vestiu de menina porque era gay, mas logo descobrimos que foi fantasia de Carnaval. 

Além de divertir os leitores, história serviu como crítica, mostrando assédio que mulheres sofrem em bailes de Carnaval ou blocos de rua, com pegadas à força, apalpadas maliciosas na bunda, pernas ou outra parte do corpo sem autorização, muitas vezes até por homens mais velhos. Ficou retrato do que mulheres assediadas passam na vida real e Cascão sentiu o que elas passam. 

Completamente impublicável hoje em dia por conta de crianças paquerando, assediando, levar à força para a festa, menino negro como machista, Cascão vestido de menina, os meninos brigando no baile e com olhos roxos e ideia de Cascão ser sujo e representar poluição como serem coisas boas, o Pedrão desenhado com lábios como círculo rosa na boca desse jeito, o título da história com insinuação de crítica ao Cascão de se vestir de menina que será que ele é gay. Já vi gente comentando que essa história é horrorosa, criticando que assédio considerado como coisa normal e com tom de comédia em gibi infantil, aí para agradar esse povo do politicamente correto não fazem mais histórias assim.

Traços ficaram excelentes com personagens no estilo consagrado nos desenhos. Cores foram mais fortes características dos primeiros números da Globo com personagens com peles mais rosadas e o fundo azul ficava em tom de aquarela. O título bem criativo, automaticamente a gente lê cantando e continuando com "será que ele é". Sem dúvida a intenção era essa, já que colocaram símbolos de notas musicais representando letra de música.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Chico Bento: HQ "Chico vê o Carnaval"

Mostro uma história em que o Chico Bento foi conhecer como era o Carnaval da cidade grande e viu que não era bem como ele imaginava. Com 3 páginas, foi história de encerramento de 'Chico Bento Nº 65' (Ed. Abril, 1985).

Capa de 'Chico Bento Nº 65' (Ed. Abril, 1985)

Chico está animado que finalmente  vai conhecer o Carnaval da cidade, o primo falava tanto quando ia na casa dele na roça e a mãe fez a fantasia de palhaço. Assim, Chico e Zeca vão ao baile, estranha o pessoal fantasiado chegando e depois de entrar, não consegue visualizar nada no meio da multidão, muito menos o palco com os cantores. Termina o baile bem tarde da noite, Zeca e o pai estão exaustos, Zeca dorme no carro e Chico fica só olhando. No outro dia, Chico volta para a roça e conta para a mãe que o que viu no Carnaval da cidade foi só um monte de bundas e pernas.

História legal, bem curtinha e com grande conteúdo, como o Chico é criança e baixinho, só conseguia ver até a altura da cintura das pessoas no baile de Carnaval, aí com o campo de visão limitado só via bundas e pernas e achou nada agradável, tudo sem graça e ficou sem entender como o povo da cidade gostava daquilo. Aí, acostumado com o Carnaval da roça ser mais tranquilo, com blocos de rua que podia circular e sem tanto movimento, estranhou muito o Carnaval da cidade.

Mostra que por ser criança, Chico era inocente e não tinha maldade de tantas bundas de mulheres na frente dele, apenas não curtiu de só ver aquilo, sem nem ver o palco principal com os cantores. Já o Zeca, já acostumado, curtiu tudo bem animado e até ficando exausto depois, agora se ele fosse para curtir o carnaval da roça não ia gostar. Sempre tinham esses contrastes de cidade e roça nas histórias com  o primo, independente quem estava na roça ou na cidade. Eram legais e ainda mostravam muitas críticas.

O pai do Zeca, Seu Rodrigo, bem que poderia ter levados os dois em um baile infantil, aí não aconteceria isso e o Chico poderia gostar, vai ver que ele também queria curtir o carnaval e levou filho e sobrinho em um baile convencional e ainda foi irresponsável de largar as duas crianças sozinhas na multidão. Normalmente em histórias de carnaval eram mostradas as crianças em bailes infantis do tipo matinês, nessa que colocou em um baile normal para poder desenvolver a história. Também era raro crianças em blocos de rua ou em desfiles de samba e quando teve, foram nos anos 1970 e 1980.

Engraçadas também algumas fantasias das pessoas no baile no último quadro da segunda página como o cara de máscara do Batman e com roupa do Super-Homem e duas bolas debaixo da mulher que  faz imaginar se eram duas cabeças, ou seios dela, ou bundas de alguém virado por baixo.  Impublicável atualmente por duas crianças em um baile de adultos e largadas sozinhas na multidão no carnaval, crianças saíram em baile de carnaval altas horas da noite, Chico com autonomia de viajar sozinho em um ônibus da cidade para roça, bundas de mulheres seminuas bem explícitas e com bastante sensualidade com destaque no último quadro, definitivamente anos 1980 não era para amadores. E fora de não gostarem de histórias de Carnaval em gibis atuais, no máximo citarem que são festas à fantasia e só com crianças.

Traços bons de estilo de histórias de miolo dos anos 1980. Cgico ficou bem fantasiado de palhacinho. Erro foi a roupa do pai do Zeca mudar de cor em cada quadro que aparecia, ora azul, cinza, marrom, verde. Essa história foi republicada depois em 'Coleção Um Tema Só Nº 13 - Mônica Carnaval' (Ed. Globo, 1996) cuja edição, inclusive, completou 30 anos neste ano, só com histórias carnavalescas clássicas entre 1971 a 1987.

Capa de 'Coleção Um Tema Só Nº 13 - Mônica Carnaval' (Ed. Globo, 1996)