quinta-feira, 4 de março de 2021

Tirinha Nº 80: Mônica

Nessa tirinha, Cebolinha chama a Mônica de dentuça. Ela dá surra nele e como foi tão forte a ponto de quebrar os dentes, Mônica dá o troco e o chama de banguelinha. Melhor ser dentuça do que banguela. Era muito bom quando a Mônica tinha esse gênio de não levar desaforo para casa e dava surra nos meninos e deixá-los todos quebrados.

Tirinha publicada em 'Mônica Nº 91' (Ed. Globo, 1994).

segunda-feira, 1 de março de 2021

Cebolinha 60 Anos - Dono da Lua

Cebolinha completou 60 anos em 2020 e a MSP lançou um livro especial comemorativo. Nessa postagem falo resenha de como foi esse livro.

Quando os personagens principais completaram 50 anos, fizeram a coleção de livros de luxo "50 Anos" com republicações de histórias de todos os tempos e curiosidades  e agora, 10 anos depois, volta a se repetir. "Cebolinha 60 Anos - Dono da 'Lua'" foi lançado em outubro de 2020, no mês aniversário do personagem nas revistas, marcando, então, a nova coleção "60 Anos". 

Com capa dura e miolo com papel off-set, 162 páginas e com preço R$ 49,90. Eu não sou muito fã de livros de luxo, podiam muito bem ter capa cartonada e papel simples com preço mais baixo ou pelo menos ter 2 versões e a pessoa escolhesse qual versão que achar melhor. Como são caros, difícil comprar em livrarias físicas ou bancas de jornais, aí comprei na internet no final de janeiro/2021 por R$ 37,40, só assim para conseguir ter. Mesmo se eu quisesse comprar em bancas, nem dava porque nenhuma banca aqui vendeu.

Contracapa da edição

A capa dessa vez foi de acordo com o tema do subtítulo em vez de ser releitura de edições "Nº 1" como foi no de "50 Anos". Com o subtítulo "Dono da 'Lua", então, mostra o Cebolinha como rei segurando o Sansão. No fundo tem imagens de páginas de histórias, mas são histórias aleatórias e a maioria sem ser histórias que estão no livro.

Abre com frontispício do Mauricio explicando sobre o livro e sobre o personagem e no rodapé aviso que são histórias de outras épocas e se encontrar algo incorreto é porque eram outros costumes da sociedade, do tipo, uma espécie de pedido de desculpas e de não se responsabilizarem com as coisas incorretas que por acaso possam achar. Em seguida, vem as histórias, deixando as curiosidades da trajetória do Cebolinha no final do livro. A relação das histórias publicadas nele, com o número da edição e ano de cada foram essas:

1. "O papãozinho" (CB # 16 - Ed. Abril, 1974)

2. "O maior amigo do Cebolinha" (MN # 9 - Ed. Abril, 1971)

3. "Agora também em líquido" (CB # 4 - Ed. Abril, 1973)

4. "Os passos do cavalinho" (CB # 10 - Ed. Abril, 1973)

5. "A alanha alanha" (CB # 5 - Ed. Abril, 1973)

6. Quem é o dono da rua?" (CB # 21 - Ed. Abril, 1974)

7. "O desafio" (MN # 49 - Ed. Abril, 1974)

8. "O mais cabeludo da rua" (CB # 28 - Ed. Abril, 1975)

9. "Ver para crer" (CB # 35 - Ed. Abril, 1974)

10. "O Louco (agora em inglês)" (CB # 31 - Ed. Abril, 1975)

11. "Cebolinha contra o Capitão Feio no reino do bueiro" (CB # 41 - Ed. Abril, 1976)

12. "O maluco lunático" (CB # 50 - Ed. Globo, 1991)

13. "Problemas na piscina" (CB # 107 - Ed. Globo, 1995)

14. "Época de pipa" (CC # 381 - Ed. Globo, 2001)

15. "As duas horas da madrugada" (CB # 184 - Ed. Globo, 2001)

16. "Louco de dar dó" (PMN # 111 - Ed. Globo, 2002)

17. "Um gibi só meu" (CB # 4 - Ed. Panini, 2007)

18. "Você precisa perder essa mania" (CB # 26 - Ed. Panini, 2009)

19. "Corta aqui, Seu Juca!" (MN # 79 - Ed. Panini, 2013)

20. "A fuga pelos infinitos gibis" (CB # 28 - Ed. Panini, 2009)


Pode perceber que dessa vez, diferente do livro "50 Anos", tiveram mais foco em histórias de miolo, mas tiveram também de abertura originais. Não teve história inédita de Turma da Mônica Jovem, apenas republicações com a turma clássica, o que achei muito bom, nada a ver Turma da Mônica Jovem em livros como esse. Bom também não ter história muda.

Tiveram histórias com vários universos de características do Cebolinha como dislalia, problemas com cabelo, provocando Mônica, com o Floquinho. Foi bom rever clássicos dos anos 1970 como a do "Papãozinho" com Cebolinha e Cascão conhecendo o filhote de Bicho-Papão, com bonita mensagem no final. Um grande clássico que depois até virou desenho animado.

Trecho da HQ "O papãozinho" (1974)

"O mais cabeludo da rua", a melhor do livro, em que o Cebolinha fica cabeludo ao extremo, cheia de absurdos, ao encontrar um tônico capilar na rua. Até surpreendente ter colocado pelos tantos absurdos que tem, inclusive Cascão cortar o Floquinho ficando só a parte de trás dele. Essa valeu a pena.

Trecho da HQ "O mais cabeludo da rua" (1975)

Teve uma história de 1970 com o Garotão, "O maior amigo do Cebolinha", em que ele não tinha revista, isso foi bom para mostrar o estilo dos traços daquela época antes de 1973. Talvez não colocaram como a primeira história porque queriam um a história de abertura original iniciando o livro, mas essa de 1971 veio logo após da do Bicho-Papão. Na verdade, no geral, não seguiram uma cronologia de anos, só por décadas

"No reino do bueiro" com o Capitão Feio foi boa colocarem, depois também virou desenho animado. Acho que pecaram de não ter história interagindo apenas com os seus pais, mostrando o cotidiano da família Cebola, pelo menos os pais aparecem no livro com participações rápidas, só que não teve nenhuma com a irmã Maria Cebolinha, achei um erro ela não aparecer.

Trecho da HQ "No reino do bueiro" (1976)

Embora tem uma história de plano infalível, "Quem é o dono da rua?", mas não foi uma marcante de gerações e nessa Cebolinha nem apanhou no final, em uma das raras histórias dos anos 1970 que ele não apanha. Tem histórias de planos infalíveis melhores que essa. Na verdade, Cebolinha apanha só na história "Época de pipa" e a história nem é foco de plano, Mônica apenas participou nessa cena.

Cascão foi o grande nome dessa edição, em quase histórias ele aparece interagindo com o Cebolinha ou fazendo participação. Cascão só não aparece em histórias do Louco e em "Um gibi só meu" com o Dudu e representando metalinguagem (aliás, tem histórias de metalinguagem infinitamente melhores que essa). Inclusive, "Época de pipa" foi história do Cascão e tirada de revista dele, embora ter frequência constante do Cebolinha, o foco das piadas eram com o Cascão. As línguas de fora o tempo todo dá pra ver que foi história do Emerson Abreu.

Trecho da HQ "Época de pipa" (2001)

Além dessa, a última do Louco foi tirada da "Revista Parque da Mônica" e as "O desafio" e "Corta aqui, Seu Juca" foram tiradas de revistas da Mônica das Editoras Abril e Panini, respectivamente. Eu acho que devia ter histórias só publicadas em revistas do Cebolinha, salvo as de 1970 a 1972 quando ele não tinha revista própria para ver os traços da época, como foi "O maior amigo do Cebolinha"

Não vi necessidade história "Os passos do cavalinho", "O desafio", de 2 páginas, e, principalmente, "As 2 horas da madrugada", não representam nada em livro comemorativo como esse. Já as simples "A alanha alanha", com dislalia do Cebolinha, e "Ver para crer" foram boas. E Floquinho tem histórias melhores do que a "Você não perde essa mania" da Panini.

Tiveram 3 histórias com o Louco (1975, 1991 e 2002), permitindo até poder comparar o estilo de histórias dele em cada década. Uma já seria suficiente. Teve também uma com o Seu Juca, mas colocaram logo uma recente da Panini de 2013, podia ser uma clássica da Editora Abril dos anos 1970 e 1980, mas como Cebolinha e seus amigos eram mais perversos a ponto do Seu Juca sempre parar em um hospício no final, aí pelo visto preferiram uma recente por ser mais correta.

De destaque na Panini, a história "Fuga pelos infinitos gibis" em que Cebolinha e Cascão pegam o lápis mágico da Marina e se teletransportam em vários gibis e desenhos animados de personagens famosos. Em cada portal que desenham com o lápis, eles se transformam em outros personagens como Snoopy, Calvin, Simpsons, Flintstones, Asterix, Mickey e Pato Donald, entre outros. Essa história foi bem comentada na mídia da época, com sucesso de crítica, e até fizeram uma segunda parte que foi publicada em 'Cascão Nº 37', de 2010. A ideia de homenagem aos personagens clássicos foi boa, pena que envolve lápis mágico da Marina. Nessas histórias novas colocam tudo lápis mágico nas coisas envolvendo mais absurdos.

Trecho da HQ "Fuga pelos infinitos gibis" (2009)

Agora o grande erro da edição foi não ter nenhuma história dos anos 1980. Depois de 1976 pulou direto para 1991, ignorando a fase superfofinha do final da década de 1970 e também a década de 1980 inteira, tanto da fase Abril quanto Globo. Logo a fase de ouro da MSP fica de fora e completamente esquecida. Em livros comemorativos assim a gente quer ver evolução dos traços, características e estilos de todas épocas e sem colocar esse período é ignorar a melhor fase da MSP. 

Eu acho que não colocaram porque anos 1980 foi a fase mais incorreta dos gibis da Turma da Mônica e por isso que era tão divertida. Ainda assim não dá para generalizar que tudo era incorreto, sabendo pesquisar, iriam encontrar histórias normais, atendendo traços e características do Cebolinha e sem deixar de serem divertidas. O período de 1987 a 1989 até dá para entender não ter porque muitas foram republicadas em almanaques convencionais nos últimos anos e não queriam tanto repeteco, mas as histórias de 1977 a 1986 não foram republicadas em almanaques recentes e davam muito bem para colocar. 

Anos 1990 também foi bem fraco, tiveram apenas 2 de miolo simples, uma de 1991 com o Louco e outra de 1995 e já pularam para 2001. Mereceria também ter coisas mais marcantes dos anos 1990.  Ou seja, encheram de histórias do período de 1973 a 1976, republicadas da "Coleção Histórica", e de histórias dos anos 2000, tanto final da Globo e início da Panini, deixando de fora anos 1980 e 1990. Absurdo. Com isso, a  gente não compara como era os traços dos anos 1980. Mesmo que 1991 ainda ter estilo da segunda metade dos anos 1980, mas ficou nada do início dos anos 1980, que eram um outro estilo e nem os superfofinhos de 1977 a 1979.

Sobre as terríveis alterações nas histórias que tem em qualquer almanaque não podia deixar de ter. Identifiquei em muitas histórias. Em "Agora em líquido", em que o Cebolinha vira água após criar uma invenção (sendo um inventor estilo Franjinha), na parte que o Cebolinha volta ao "normal" e Mônica e Cascão fogem de medo, na original de 1973, a Mônica fala "Cascão! Primeiro as damas!" e agora na republicação, mudaram para "Fujam para as colinas!", uma expressão usada nas revistas a partir dos anos 2000 (às vezes falam também "Fujam para as montanhas!") quando os personagens querem fugir em situação de perigo ou colocam apenas por colocar, sem ter sentido nenhum nas cenas. Essa expressão não existia nos anos 1970, então deu par aperceber de cara que foi alterada a cena. Só não dá pra entender o motivo de mudarem a fala "Primeiro as damas", não vejo nada de mais nisso.

Comparação da HQ "Agora em líquido" (1973/ 2020)

Em "O mais cabeludo da rua", mudaram  a parte em que o Cebolinha pensa "Acho que só lesta fazer uma coisa...", colocando ele pensando certo "resta". Na vida real, quem tem dislalia pensa certo sem trocar letras e sempre que ele pensava errado nas revistas antigas, agora eles mudam nos almanaques atuais. Só que ainda ficou mal feito porque logo depois ele pensa "Socolo!" e não alteraram essa parte.

Comparação da HQ "O mais cabeludo da rua" (1975/ 2020)

Em "O maluco lunático" mudaram a cor do balão do primeiro quadrinho colocando branco em vez de verde como na original de 1991. Quando fundo era branco, eles colocavam balões coloridos para diferenciar e ter uma harmonia melhor nas cores, mas acabaram mudando nesse quadrinho, deixando branco também.

Comparação da HQ "O maluco lunático" (1991/ 2020)

A alteração mais grave nesta história, no entanto, foi mudar o texto mudando o Louco falando a palavra "Droga!" para "Bolas!" . Como "Droga!"é proibida atualmente, eles sempre alteram nos almanaques quando tinha essa palavra nas revistas antigas. Como é edição comemorativa, podiam ter mantido nessa.

Comparação da HQ "O maluco lunático" (1991/ 2020)

Já na história "Problemas na piscina", na colorização não deixaram o degradê característico das histórias de 1995 da Globo. Alem disso, inexplicavelmente tiraram o avental da mãe do Cebolinha. Como assim? Não deu pra entender a mudança, a Dona Cebola podia ter parado de fazer o almoço para avisar o filho que o Cascão estava no telefone. Não dá pra entender de implicarem até com avental das mães dos personagens. No final da história, como mostra Dona Cebola na cozinha fazendo comida, aí mantiveram o avental nela.

Comparação da HQ "Problemas na piscina" (1995/ 2020)

Alteração mais tosca mesmo nesta história foi que mudaram  a fala do Cebolinha, alterando a palavra "Credo!" por "Afe!" quando vê a piscina suja e com passarinhos. Essa para mim foi novidade, não sabia que a palavra "Credo!" também estava abolida na MSP. Apenas expressa nojo, não vejo nada de mais censurar o Cebolinha falando "Credo!" nessa cena. Lamentável!

Comparação da HQ "Problemas na piscina" (1995/ 2020)

Pelo menos não mudaram cores da camisa rosa e calça vermelha do Louco em "O Louco (agora em inglês)" como era por um tempo nos anos 1970. Ainda assim, não eram para mudar nada.

O "Extras" com curiosidades do Cebolinha ficaram no final do livro (em livros anteriores colocavam no início). Ocupou 6 páginas do livro e até tiveram curiosidades bem interessantes como ranking de quem contracenou mais com o Cebolinha nas tiras dos anos 1960, quem mais apareceu nas capas das suas revistas, quais as cores de  logotipos que mais tiveram nas revistas, saber sobre a teoria da conspiração dos secundários, comparação do Cebolinha de 1960 e o de 2020, entre outras. Na parte que mostra quantidade de revistas mensais, almanaques e especiais que o Cebolinha teve até hoje, teve um erro de que informaram que o Cebolinha teve 5 gibizinhos, na verdade, foram 6. E na parte de quantidade de gibi por década, nos anos 1990 foi até a "Nº 159", e não "Nº 59", teve erro de digitação. Tiveram também algumas tiras dos anos 1960 como forma de exemplificação do que comentaram, só que muito pequenas, só com lupa para dar para ler.

Uma página de curiosidades do livro

Então, o livro no geral esperava ser melhor. Não ter Turma da Mônica Jovem foi um alívio e foi bom ter vários universos de características do Cebolinha, inclusive algumas esquecidas atualmente como seus problemas com cabelo e com a dislalia. As curiosidades também foram boas. O que foi ruim mesmo é que faltaram clássicos marcantes, algumas de miolo não fizeram sentido estar lá, dando impressão de colocarem por colocar, excesso de presença do Cascão, não ter família do Cebolinha, mas o pior é que não teve nada dos anos 1980 e quase nada dos anos 1990, com excesso de anos 1970 antes do "Nº 50" e de anos 2000; até histórias da Panini ocupando mais espaço que as dos anos 1990. Tinha que ter tido todas as fases, principalmente para comparar os traços. E em livros assim não devia ter alterações, mas infelizmente sempre tem. Vale comprar se quiser ter ou gostar de edições comemorativas na coleção. Fica a dica.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

Capa da Semana: Chico Bento Nº 173

Uma capa muito criativa permitindo os leitores procurarem o Chico Bento no meio da multidão e com clara referência a "Onde está Wally?". Teve alusão à divertida história de abertura "Perdido na cidade", em que o Chico se perde do primo Zeca na cidade arrumando várias confusões onde passa. Dá até para encontrar também o primo Zeca, apesar de desenhado com nariz pequeno, e também o Mauricio de Sousa  comentando sobre algum trabalho da MSP no meio da rua junto da sua esposa Alice e da colabora Fátima. "Onde está Wally?" estava em alta na mídia na época, ainda mais com o desenho animado que passava na televisão, e aí com a sinopse da história deve ter permitido o roteirista ter inspiração para fazer essa homenagem. 

Pena o código de barras ter atrapalhado a ilustração, foi a segunda revista do Chico Bento que passou a ter código de barras nas capas, começando na edição "Nº 172" e ainda teve um espaço em branco no canto esquerdo do topo da revista, que foi reservado a exemplares de assinantes, que também passou a ter isso nas capas quando passaram a colocar código de barras em setembro de 1993. Na época, era raro ter capas com alusão à história de abertura, só pra ter uma ideia, essa foi a quinta capa do Chico Bento da Editora Globo com referência à história desde 1987 até aquele momento de 1993.

A capa dessa semana é de 'Chico Bento Nº 173' (Ed. Globo, Setembro/ 1993).

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

Magali: HQ "É um espanto!"

Em fevereiro de 1991, há exatos 30 anos, a revista da Magali estava completando 2 anos. Em comemoração, foi feita uma história especial do aniversário da revista, que mostro nessa postagem. Com 9 páginas, foi história de abertura de 'Magali Nº 44' (Ed. Globo, 1991).

Capa de 'Magali Nº 44' (Ed. Globo, 1991)

Escrita e desenhada por Rosana Munhoz, Magali vê o Cebolinha correndo segurando uma caixa. Ela pergunta o que ele está levando na caixa e pelo cheiro percebe que é comida. Cebolinha diz que é para o Floquinho e vai embora. Magali o chama de regulado porque sabe que o Floquinho só come ração.

Em seguida, vê o Cascão saindo de uma doceria e lhe pede um docinho. Cascão diz que está segurando sua coleção de besouros e vai embora. Depois, Magali vê Jeremias carregando carrinho de guaraná e ela lhe pede um e ele diz que não pode porque está fazendo entrega para o Seu Arlindo da venda, mas Magali, escondida, vê que o Jeremias estava entregando na casa dele.

Magali fica triste que seus amigos a evitam só porque é comilona e vai até a casa da Mônica desabafar. Ela conta tudo e Mônica acha bobagem, todos a adoram. Magali resolve ir à cozinha fazer um lanchinho e Mônica impede, dando desculpa que a cozinha está em reforma. Magali fala que não precisa explicar e vai embora chorando. O telefone da Mônica toca, era o Cebolinha, e Mônica conta que a a Magali esteve lá e quase descobriu o bolo na cozinha e que ela não podia descobrir sobre a festinha, comilona do jeito que é, não ia sobrar nada.

Magali fica mal, faz drama que a dor a sufoca e a machuca, os amigos a ignoram e não tem amigos. Aumenta a fome, come 2 cachorros-quentes e fala que não vai mais falar com eles. Logo, ela vê a turma indo escondida até o laboratório do Franjinha carregando coisas e lamenta que não foi convidada para a festa. Quando vão embora, ela vai lá dar uma espiadinha e vê tudo arrumado bonito, cheio de doces e guloseimas. Magali resolve experimentar um de cada, mas vai experimentando mais que devia e acaba exagerando. Ela sai e diz que foi bem feito, quem mandou a esnobarem. 

No outro dia, a turma acorda a Magali em casa e mandam ir com eles, fazendo mistério. Magali diz que não devia ir, eles não merecem e Mônica pede desculpa do jeito com que a trataram ontem e Magali interrompe que eles não queriam que ela comesse os quitutes deles. Cascão pergunta qual dia era hoje e ele logo responde que é dia 22 de fevereiro, aniversário da revistinha da Magali.

Cebolinha conta que fizeram o mistério porque queriam fazer uma festa. Ao entrarem, quando falam surpresa para ela, eles se espantam de ver tudo comido e revirado. A solução no final foi todos irem a lanchonete comer cachorro-quente, com eles falando que mo aniversário da revistinha da Magali, a festa é sua, mas são eles que têm a surpresa.

Muito legal essa história. A turminha estava querendo fazer festa surpresa em comemoração aos 2 anos da revista da Magali e tinham que esconder as comidas para ela não comer antes da hora, mas ela acabou descobrindo o esconderijo e comeu tudo até por vingança por acharem que eles estavam regulando comida, não convidarem para a festa e não gostarem dela e eles tiveram a surpresa no final. 

Como era bom ver a Magali assim comendo tudo que via pela frente sem controle e ainda comer a comida dos outros, sendo egoísta e achar ruim quando regulavam comida já que sabiam da sua fama comilona. Incrível Magali comer e beber tudo da festa sozinha, esses absurdos eram excelentes. Essa Magali não existe mais, inclusive é raro vê-la comendo nas revistas atuais, por isso essa história não seria aceita nos dias de hoje. A palavra "azar" também seria proibida, substituída no contexto por "problema deles" ou "má sorte", por exemplo.

Foi uma grande sacada da Rosana criar história comemorativa aos 2 anos da revista da Magali. Dava perfeitamente para ser história de aniversário da própria Magali, mas ela queria prestar essa homenagem ao aniversário da revista. Legal que ainda teve uma data oficial de lançamento, dia 22 de fevereiro, que realmente foi essa data, visto que  os primeiros números enquanto era mensal até a "Nº 9" chegava sempre mais para o final de cada mês. Gostava quando tinham homenagens às revistas dos personagens, além da Magali, o Cebolinha também teve história especial de aniversário de revista em 'Cebolinha Nº 120' da Editora Abril de 1982, em homenagem aos 10 anos da revista até então (que deveria ser a edição Nº 121" de janeiro de 1983). 

A revista da Magali foi lançada em 22 de fevereiro de 1989, idealizada pela Rosana e com grande sucesso e histórias muito boas só dela e da sua turma como Dudu, Mingau, Quinzinho, Tia Nena e Tio Pepo. Infelizmente com o tempo foi se perdendo por causa do politicamente correto adotado nas revistas da MSP. Para evitar de ter histórias de Magali comilona, teve a fase em que as revistas dela eram repletas com histórias com o Mingau, só dava ele bem exaustivamente, e hoje, simplesmente, colocam mais histórias de secundários diversos e nas histórias da Magali sem nada a ver com comida e sua gula.

Os traços nessa história ficaram bem encantadores, gostava quando a Magali e a Mônica ficavam com franjinhas mais destacadas assim, como Rosana desenhava bem. Esse papel oleoso também era ótimo, deixava a core muito boas. A capa da edição até foi em referência à história de abertura, apesar de não mostrar o que aconteceu na história, apenas mostrando o tema da história e destacar que era uma edição comemorativa. 

Foi a terceira edição da Magali até aquele momento que teve capa com alusão à história de abertura, depois das "Nº 30" e "Nº 39", ambas de 1990. E foi a primeira edição da Magali que teve "1991 Mauricio de Sousa Produções" no rodapé da primeira página, as Nº 41, 42 e 43 colocavam "1990..." no lugar. Sem dúvida "É um espanto" é um clássico e muito bom relembrar há exatos 30 anos. E vivam os 32 anos da revista da Magali!

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

Papa-Capim: HQ "Meu nome..."

Mostro uma história em que o Papa-Capim tenta descobrir porque se chama assim. Com 4 páginas, foi publicada em 'Chico Bento Nº 47' (Ed. Globo, 1988).

Capa de 'Chico Bento Nº 47' (Ed. Globo, 1988)

Papa-Capim está reunido com seus amigos e cada um conta sobre o significado de seus nomes. Pequeno Trovão diz que seus pais o chamaram assim porque no dia que nasceu chovia e trovejava muito. A Jaci se chama assim porque a Lua brilhava cheia e redonda no céu e Jaci significa Lua. Já Cafuné conta que tem esse nome porque ele gostava muito de cafunezinho da mãe quando era pequeno.

Jaci pergunta ao Papa-Capim porque tem esse nome e ele não sabe. Pequeno Trovão diz que é porque ele comia capim quando criança ou a mãe chamava: "Vem papar capim!". Brabo, Papa-Capim fala que não é nada disso e Pequeno Trovão diz que vai ver que os pais adivinharam que ele não seria um grande guerreiro senão teriam dado um nome mais valoroso. Papa-Capim fala que deviam chamar Pequeno Trovão de Piolho-Chato e vai embora para não ouvir mais desaforos.

Cafuné vai atrás e diz que Pequeno Trovão é um grande falador e não ligar pra ele. Papa-Capim diz que ele tem razão, os pais colocaram um nome bobo e sem graça e não gostam dele e pergunta por que não o chamaram de "Onça Esperta", "Flecha veloz" ou "Mandioca Cozida" e com tanto nome bonito, colocaram esse para todo mundo rir dele e começa a chorar. Cafuné fala que um nome bonito não quer dizer nada, pode provar que é valoroso e tem ideia do Papa-Capim perguntar aos pais o significado do nome dele.

Papa-Capim pergunta para a mãe porque ele tem esse nome sem significar alguma coisa como os outros indiozinhos. A mãe explica que quando nasceu, o pai dele viu vários passarinhos no campo, os "Papa-Capim". Então, ele tem nome de pássaro e que significa liberdade. Papa-Capim fica feliz em saber que não tem nada a ver em comer capim. Ele conta a novidade para os seus amigos, deixando Pequeno Trovão com raiva. Jaci acha lindo e Cafuné queria saber por que esses pássaros se chamam Papa-Capim. No final, mostra os pássaros comendo capim e conversando que está gostoso e o outro comenta que falta sal. Ou seja, os pássaros se chamam assim porque realmente comem capim.

História legal com o Papa-Capim sendo zoado por ter esse nome e pensar que é porque come capim até descobrir o real significado que era liberdade, mas os pássaros realmente tinham esse nome por comerem capim. Cada nome tem um significado importante, mas para os índios eles se preocupam em criar nomes pensando em um significado e criaram essa história baseada na cultura indígena e foi bom ver os significados dos nomes dos personagens.

O Cafuné a gente já imaginava de se chamar assim por gostar de cafuné na cabeça. Jaci é nome de Lua na cultura indígena, fica bonito em nome de índia. Já tiveram outras historias com indiazinha Jaci só que desenhada diferente a cada história e dessa vez como namorada do Papa-Capim. A Jurema é considerada atualmente como namorada oficial do Papa-Capim, mas no início ela ainda não era oficial e era comum ele aparecer namorando outras indiazinhas. O Papa-Capim foi criando e 1963, mas ele só teve histórias mais desenvolvidas nas revistas do Chico Bento a partir de 1982 e, então, em 1988 ainda era pouco tempo e ainda faziam experiências com o estilo de suas histórias.

O pai do Papa-Capim não apareceu nessa história, era raro aparecer na fase clássica, atualmente colocaram que é o pai dele é o Cacique da aldeia. Foi bom ver o Pequeno Trovão zoando o Papa-Capim. Ele só apareceu nessa história, mas podiam ter continuado como um antagonista fixo ao Papa-Capim, teria potencial. 

Os traços ficaram muito bonitos, principalmente os desenhos da selva, como sempre caprichavam bem nisso. Deu para notar que no primeiro quadrinho tinha uma indiazinha na roda de amigos, mas que nem deu seu depoimento de nome e ainda sumiu no resto da história. Era normal acontecer de personagens aparecerem no início e sumirem no decorrer da  história, uma que exemplificou bem foi a "Vai provar ou não?" (MN # 168 - Ed. Abril, 1984) em que a Magali e alguns meninos sumiram durante a história. Quem sabe era falta de atenção do roteirista já que o personagem não tinha importância na trama, mas nada que isso  tirasse o mérito das histórias, eram boas assim mesmo.