segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Astronauta: HQ "Somos todos iguais"

Mostro uma história em que o Astronauta visita um planeta em que todos os habitantes eram exatamente iguais na aparência. Com 6 páginas, foi publicada em 'Cebolinha Nº 166' (Ed. Abril, 1986).

Capa de 'Cebolinha Nº 166' (Ed. Abril, 1986)

É apresentado o planeta Bolun, localizado na constelação de Capricórnio, o povo é simpático e pacato, só que tem o problema que todos são iguais, um a cara do outro. Mostra um alienígena que pensa que é o amigo Gorb, na resposta negativa, pensa que são seus outros amigos e aí descobrem que eram pai e filho. Outro caso que um pergunta quem é namorada dele e as garotas respondem que depende, perguntando quem é ele.

O alienígena Zogue se revolta, dizendo que não sabe mais se ele é ele ou se é um vizinho dele. Surge o Astronauta na nave dele e Zogue se espanta que é diferente dele, tem altura diferente e nariz redondo. Ele mostra o Astronauta que no planeta são todos iguais, aparece outro ET e Astronauta pergunta com quem estava falando. Astronauta pergunta como vai saber quando está falando com ele e o Zogue responde que não vai, nem a mãe dele era capaz de diferenciá-lo.

Em seguida, Zogue vê sua namorada com outro, pergunta se ela é a Mira porque ele é noivo dela e o outro vai embora com o deslize. Astronauta mostra uma revista da Terra com cada pessoa se vestindo e com penteados diferentes e dá roupas, estojo de maquiagens, perucas e bigodes para Zogue e Mira, que vestem e ficam bem diferentes chamando atenção do povo na rua. 

Outros alienígenas querem que o Astronauta os ajude a ficarem diferentes. E assim, Astronauta consegue deixar todos diferentes e depois vai embora com a missão cumprida. Povo de Bolum passa a saber quem é quem e estariam felizes se não fosse a chegada de uma dupla de cantores de Rock Zango e Rita Zee, lançaram moda que contagiou todo o planeta e todos se passaram a se vestir iguais aos cantores e de novo o povo não sabia mais quem era quem.

História legal em que todos os extraterrestres do planeta eram iguais e isso causava muita confusão para eles em reconhecer quem era quem. Graças ao Astronauta, que deu roupas, maquiagens e perucas e conseguiram cada um ficar diferente. Só não contavam da dupla de cantores de Rock virar moda e todos quererem se vestirem iguais e voltarem a ter problema de ninguém se reconhecer.

Astronauta resolveu o problema e eles criaram de novo, foram muito influenciáveis pelos cantores, não eram para se vestirem iguais, sem terem identidade própria. Antes dava para aceitar porque não tinham conhecimento de roupas e cabelos, depois problema causados por eles mesmo, Agora eles têm que lembrar que precisam usarem roupas e cabelos diferentes se quiserem voltara serem reconhecidos, ou esperar a moda dos cantores passar e resolverem usar as outras roupas que estavam usando.

Mesmo que eles tinham rostos iguais, não precisavam usar roupas iguais, se tivessem se ligado nisso já ajudaria bastante no reconhecimento deles. Ficam dúvidas na imaginação dos leitores se eles tinham também vozes iguais porque poderiam reconhecer um ao outro pela voz, principalmente os que eram parentes, e também o absurdo do Astronauta ter roupas na nave o suficiente para todos os alienígenas do planeta. Absurdos sempre bons.

Engraçado mesmo e que deu toque na histórias foram as situações constrangedoras que os Bolunianos passavam por serem iguais como pais e filho não se reconhecerem, namorados traindo com outros sem querer, o próprio não saber se é ele ou se é vizinho, nem a mãe reconhecia e eles voltarem a ter o problema no final. A paródia engraçada da Rita Lee como "Rita Zee" foi ótima também.

Os extraterrestres que o Astronauta visitava normalmente apareciam em uma só história,  com raras exceções,  então esses Bolunianos apareceram só nessa. 

Além de divertir, ainda teve mensagem da gente ter estilo próprio,  não imitar e se influenciar com que artistas fazem. O tema da história até acho que poderia aceitar hoje, mas podiam implicar com elementos  como personagens namorando, ET tirando namorada do outro, o excesso de absurdos e sem final feliz para os alienígenas. 

Traços ficaram bons, do estilo consagrado dos personagens dos anos 1980. Foi história do Astronauta com título, o que era bem raro, aparecia só "O Astronauta". Foi republicada depois em 'Almanaque do Cebolinha Nº 23' (Ed. Globo, 1993).

Capa de 'Almanaque do Cebolinha Nº 23' (Ed. Globo, 1993)

sexta-feira, 31 de julho de 2026

Chico Bento: HQ "O cabeça de abóbora"

Em julho de 1996, há exatos 30 anos, era publicada a história "O cabeça de abóbora" em que uma bruxa faz o Chico ficar com cabeça de abóbora causando muita confusão para ele. Com 13 páginas, foi publicada em 'Chico Bento Nº 248' (Ed. Globo, 1996).

Capa de 'Chico Bento Nº 248' (Ed. Globo, 1996)

Chico Bento coloca um espantalho que fez para espantar os passarinhos xeretas da plantação de abóbora, cantarola que semeou com carinho, regou, protegeu do Sol forte e agora que está tudo grande não pode deixar ninguém atacar, quando vê uma bruxa colhendo as abóboras. Chico acha que foi o espantalho que criou vida e manda largar senão arranca todas as palhas dele.

A Bruxa fala que espantalho é ele, chamando de narigudo. Chico se toca que o espantalho ainda estava lá e diz que ela é a cara dele e a manda passar as abóboras para ele. A Bruxa diz que precisa dela para decorar o interior da cabana da colina onde havia acabado de mudar. Chico avisa que se não entregar bem, vai ser por mal, se preparando para lutar e a bruxa transforma sua cabeça em abóbora e ele desmaia.

Depois que acorda, Chico sente um formigamento, vai tomar água prometendo depois ir na casa da mulher pegar o que é dele e vê na água do balde o reflexo da sua cara em forma de abóbora, se assusta e desmaia. Volta a si logo e quer ir à casa da Bruxa. Dona Cotinha chega levando um lanchinho para o filho e desmaia ao vê-lo com cara e abóbora. Chico vai para casa pintar a cara com tinta de cor de pele e coloca palhas e cascas de frutas fingindo que eram cabelo e orelhas porque se saísse daquele jeito seria um festival de desmaio.

Chico vai até à cabana da colina e no caminho encontra o Zé Lelé. Chico tenta fugir, Zé Lelé diz que notou alguma diferença no Chico e não sabe o que é, Chico corre, avisando que depois eles conversam e Zé Lelé desconfia que o Chico está escondendo alguma coisa, acha que é bolo de fubá e vai atrás. Em seguida, encontra o Zé da Roça, que pergunta o que houve para Chico ficar com carona tão inchada e pergunta se foi picado por enxame de abelhas. Chico diz que não, o chama de abelhudo e vai embora.

Depois, ele encontra a Rosinha, que oferece doce de abóbora, tenta dar na boquinha dele, Chico não aceita e corre e Rosinha lamenta que ele nunca recusou doce dela. Depois, encontra a Zefinha Assanhada, que gosta que enfim ele abriu os olhos e largou a jeca da Rosinha, acha que os olhos deles estão lindos, que ele inteiro está fofinho que dá vontade de morder, dá uma mordida na bochecha e arranca pedaço, ficando assustada e corre chorando por Chico estar se desmanchando.

Zé Lelé, Zé da Roça e Rosinha aparecem e querem que o Chico explique direitinho o que está acontecendo e o que está escondendo. Chico confessa que é um cabeça de abóbora e os amigos falam que já sabem, isso sempre foi, toda vida. Chico tira o disfarce e eles se assustam, tentam desmaiar, Chico quer ajuda deles e Zé Lelé pergunta se quer que o regue todos os dias. 

Chico quer que os amigos vão com ele até a cabana da Bruxa. Zé Lelé disfarça que queria muito só que precisa olhar os brotos de feijão dele nascerem, Zé da Roça diz que não precisa voltar ao normal, ficou bem assim, bem rosado, e Rosinha, cheiroso. Chico os chama de amigos-da-onça e diz que vai sozinho e eles vão atrás, reconhecendo que foram covardes.

Chegando lá, Chico bate na porta, a Bruxa atende e os amigos ficam com medo, Zé Lelé diz que ela é mais feia que o Demo, Rosinha pede dó para São Crispim e Zé da Roça manda  a Bruxa ir para trás. Chico fala que ele é o caipira das abóboras, quer voltar ao normal, não quer ser abóbora a vida toda. A Bruxa fala que vai pensar, as abóboras dele deram um toque especial na casa. Os amigos também ordenam, a Bruxa pega um pedaço de pau, dá uma paulada na cabeça do Chico e ela diz que não o tinha transformado em abóbora, só fez uma abóbora parar na cabeça dele e a cabeça dele estava em baixo o tempo todo e precisaria só quebrar a abóbora para ela sair.

Os amigos reclamam que só ele para ser tão burro, perguntam como não percebeu antes, fez eles irem lá á toa, enfrentando perigo, depois de tudo que fizeram por ele, falam que ele é um cabeça de abóbora e enchem de mais reclamações. Chico pede um favor para a Bruxa e no final Zé Lelé fica com cara de tomate, Zé da Roça, cabeça de melão e Rosinha, cabeça de goiaba e Chico fala que é para irem embora, daqui uns dois dias eles voltam ao normal.

História legal em que Chico Bento fica com cabeça de abóbora depois que impede de uma bruxa de colher abóboras da plantação dele. Chico descobre depois e quer ir à cabana da colinha onde Bruxa morava para ela fazê-lo voltar ao normal. No caminho encontra os amigos, tenta disfarçar, mas foi obrigado a contar a verdade e eles vão juntos à casa da Bruxa. Chico descobre que era só uma abóbora na cabeça dele e era só ele arrancar, os amigos acham que foi burro de não notar e Chico pede para a Bruxa transformá-los em cabeças de tomate, melão e goiaba para dar lição neles.

Chico com ciúme de colherem suas abóboras que plantou com tanto carinho, acabou se dando mal, a Bruxa quis dar lição nele. Até que não era uma bruxa perversa, nem queria para fazer poções do mal, só queria como decoração da casa que se havia de se mudar. Vila Abobrinha tem de tudo, até bruxa resolver morar lá.

O disfarce do Chico foi bom para não descobrirem sua cara de abóbora, mas dava para perceber que estava diferente, ninguém percebeu, todos bem lerdos. No final serviu de castigo por zoarem Chico de burro e reclamarem que foram lá, nem a Rosinha escapou. Com os amigos ficaram com cabeças de legumes e frutas de verdade, não bastaria quebrar para voltarem ao normal.

Interessante o espantalho em forma de bruxa e Chico achar que o espantalho criou vida ao vê-la colhendo abóboras, foi bem lerdo aí, e as hipocrisias de bruxa chamá-lo de narigudo e ela também era, Bruxa dizer que Chico cansou a beleza dela e era ela feia.

Engraçadas tiradas como Chico dizer que "agora não é hora de desmaiá", Dona Cotinha desmaiar, Zé Lelé achar que ele estava escondendo bolo de fubá, Chico chamar Zé da Roça de abelhudo, trocadilho de abelha e fofoqueiro, Chico recusar o doce de abóbora da Rosinha por achar que iria comer um de seus semelhantes, a turma dizer que cabeça de abóbora o Chico sempre foi, Zé Lelé perguntar se pode ajudar regando Chico todos os dias, as desculpas para não irem à casa da Bruxa, Zé Lelé dizer que a Bruxa era feia como o Demo, a descoberta que ele não tinha se transformado em abóbora e o castigo da turma no final.

 Zefinha Assanhada foi hilária de querer ficar com o Chico após ter brigado com a Rosinha e pensar que tirou pedaço da bochecha do Chico ao morder. Ela lembrou um pouco a Ritinha e apareceu só nessa história, como de costume de personagens secundários criados para aparição única.

Personagens podiam se transformar em qualquer coisa por causa de cientistas, bruxas, fadas ou mágica, sempre tinha uma causa e dessa vez foi bruxa. Por envolver bruxa e cabeça de abóbora, a história encaixaria bem se fosse publicada em outubro em época de Halloween, mas na época eles não ligavam com comemorações de Halloween e histórias com bruxas saíam em qualquer época.

História póstuma de Rosana. Incorreta atualmente por Chico trabalhar plantando abóboras no roçado, ser chamado de narigudo, Chico ser namorado da Rosinha, menina se interessar pelo Chico e nunca colocariam nome de personagem como "Zefinha Assanhada", os amigos acharem que Chico sempre foi um cabeça de abóbora, paulada na cabeça do Chico, além de palavras proibidas ou expressões de duplo sentido como "roubando", "tô me lixando", "gozado", "abelhudo", "Demo" (demônio).

Traços ficaram bonitos, bem fofinhos com estilo dos anos 1990, colorização com mais tons diferentes do marrom e não um marrom igual para tudo como no início de 1996, porém ainda escuras, acredito como erro de após o Chico ter tirado o disfarce a cor da abóbora devia ter mantido como como cor de pele rosada e não laranja porque ele pintou a abóbora. Muito bom relembrar essa história há exatos 30 anos.

quarta-feira, 29 de julho de 2026

Capa da Semana: Mônica Nº 129

Uma capa com ilustração bonita com a turma tocando em uma banda, com Mônica como vocalista, Cebolinha baixista, Magali guitarrista e Cascão baterista, sendo que não estavam tocando bem, com as notas musicais deformadas e todos usando fones de ouvido para tapar o próprio som e indicando ser uma banda muito ruim. 

Fica na imaginação se eles estavam só fazendo ensaio ou apresentação para valer, que aí certamente afastaria a plateia com tanta desafinação. Serve como uma homenagem no mês do "Dia Mundial do Rock" comemorado dia 13 de julho, inclusive a roupa da Mônica até característica de estilo de bandas dos anos 1990. 

Capa dessa semana é de 'Mônica Nº 129' (Ed. Globo, Setembro/ 1997).

domingo, 26 de julho de 2026

HQ "Zé Luís e a arma paralisadora"

Mostro uma história em que o Zé Luís inventa um revólver paralisador na intenção de derrotar a Mônica. Com 5 páginas, foi publicada em 'Chico Bento Nº 18' (Ed. Abril, 1983).

Capa de 'Chico Bento Nº 18' (Ed. Abril, 1983)

Titi passa em frente à casa do Zé Luís quando ele disse que conseguiu algo. Titi quer saber se aumentaram a mesada dele ou achou nota de um barão. Zé Luís mostra uma arma, Titi pensa que vai assaltá-lo e Zé Luís fala que é o novo invento dele, o revólver paralisador, com um disparo faz qualquer pessoa que esteja se mexendo, parar por 10 minutos.

Titi pergunta se já testou, Zé Luís diz que vai testar agora, Titi fica com medo pensando que ia testar com ele e Zé Luís vai ao quintal testar com um homem que estava passando em frente à casa. O homem fica paralisado e os meninos comemoram que funciona, só que não veem que o homem paralisou ao ver o cara quem estava devendo e prestes a bater nele.

Depois, Zé Luís e Titi aparecem para Mônica, que não gosta quando veem com balão de florzinha. Zé Luís diz que ela vai ser derrotada e mostra a arma. Mônica acha que eles vão brincar de caubói. Zé Luís avisa que é arma paralisadora e basta um disparo para ela ficar durinha. Mônica diz que dura já está mostrando bolso vazio. Como ela não se rendeu, Zé Luís dispara e, por ela continuar parada, pensa que funcionou. Mônica bate no Zé Luís, que não entende porque da outra vez funcionou. Joga a arma no chão de raiva e aí ela dispara e o paralisa junto com o Titi e Zé Luís avisa para esperar mais uns minutos.

História legal em que o Zé Luís é inventor e cria um revólver paralisador para derrotar a Mônica, que não acredita que funciona e de fato ela não ficou paralisada após o disparo. Acabou tendo efeito tardio só após ele jogar a arma no chão e quem fica paralisados são o Zé Luís e o Titi.

Para criar plano infalível contra a Mônica e derrotá-la vale tudo, até Zé Luís ser cientista e, assim, ele inventou um revólver paralisador só que não testou. Titi teve razão de ter medo em testar nele já que ela não havia sido testada ainda e podia acontecer tudo. Mesmo se testasse nele, não ia funcionar já que no teste no homem não deu certo. Bem que podiam ter ficado mais um pouco em frente a ele para ver se manteria a paralisação e descobririam que o invento não funcionava antes de irem até onde Mônica estava. O homem caloteiro bem medroso, a gente nunca ia imaginar que iria ficar paralisado por isso.

Mônica dessa vez não foi boba e não caiu na conversa do Zé Luís, já estava convencida que era um plano e queria ver até onde iria. Interessante que só o Zé Luís quem apanhou, devia o Titi apanhar também porque, apesar de que foi o Zé Luís quem inventou o revólver, Titi também queria vê-la derrotada. Zé Luís se deu mal 2 vezes, ter apanhado e ter ficado paralisado, se soubesse que com uma queda o seu invento fosse fazer funcionar, teria jogado no chão antes de se encontrar com a Mônica.

Foi engraçado Titi perguntar se Zé Luís conseguiu aumentar mesada ou um barão, pensar que Zé Luís ia assaltá-lo e com medo de disparar revólver nele, o homem paralisado com medo de apanhar do cara que estava devendo, metalinguagem da Mônica dizer que não gosta de balão cheio de florzinhas dos meninos, ela achar que o revólver era para brincar de caubói, confundir dura de paralisada com dura sem dinheiro e o revólver funcionar depois que o Zé Luís joga no chão de raiva.


Vimos que na época não era só Franjinha inventor oficial do Limoeiro, além de cientistas e vilões, outros personagens da turminha também podiam ter essa função de cientista. O Zé Luís teve papel que seria do Franjinha e também papel que seria do Cebolinha de criar plano infalível contra a Mônica. Na época, colocavam o Zé Luís criando planos, até sendo uma volta do que ele fazia no início dos anos 1970, e em algumas outras vezes Cascão criava planos, tudo para variar esse estilo de histórias.

Zé Luís foi criado no início dos anos 1960 nas tiras de jornais, inicialmente criado para interagir com o Cebolinha, depois se tornou irmão da Mônica após ela ter sido criada em 1963 e essa ideia foi abandonada depois, com ela sendo filha única. Nos gibis, passou primeiro a criar planos contra a Mônica e ser cientista, depois teve histórias tendo problemas de adolescência como ter espinhas, participando de planos criados pelo Cebolinha, interagindo com meninos mais velhos como Titi, Franjinha e Jeremias e se tornou um intelectual. Teve presença mais esporádica a partir dos anos 2000 e hoje em dia quase não aparece e quando aparece, apenas como intelectual ensinando alguma coisa para turminha.

Traços ficaram bons, típicos da primeira metade dos anos 1980, antes da fase consagrada, com personagens com curva na bochecha começando da cabeça. Zé Luís com uma estatura menor, parecendo ter uns 13 anos de idade, atualmente tem estatura maior como adolescente de 16 anos. Idade real dele nunca foi revelada, mas é cerca de 16 anos desde que ficou mais alto, hoje daria para fazer parte de uma turma da Xabéu, Sol, Teveluisão, etc, se quisessem ter um núcleo de adolescentes. Incorreta atualmente por ter arma, o invento ser em forma de arma, não pode mais nem revólver de brinquedo, ser citado brincar de caubói, além da palavra proibida "Droga!"

Nos primeiros números do Chico da Editora Abril costumavam ter histórias de secundários da Turma do Limoeiro como Humberto, Anjinho, Titi, Jeremias, Zé Luís, etc, podendo ou não ter participação de Mônica, Cebolinha, Cascão e Magali. Acontecia porque não tinham histórias do Chico suficientes já produzidas para fechar os gibis e, provavelmente, também para demonstrar que o Chico era um personagem do Mauricio, pois era o gibi mais diferente de outro núcleo e ele ser menos conhecido na época. À medida que tiveram mais histórias do Chico produzidas e ele se tornar mais conhecido, passaram a colocar só Papa-Capim como personagem secundário em gibis do Chico. Essa história foi republicada depois em 'Almanacão de Férias Nº 7' (Ed. Globo, 1990). 

Capa de 'Almanacão de Férias Nº 7' (Ed. Globo, 1990)

quinta-feira, 23 de julho de 2026

Cebolinha: HQ "Cabeça de balão"

Compartilho uma história em que o Cebolinha fica com cabeça de balão depois de entrar em uma máquina de encher balões. Com 9 páginas, foi história de abertura publicada em 'Cebolinha Nº 111' (Ed. Abril, 1982).

Capa de 'Cebolinha Nº 111' (Ed. Abril, 1982)

Um cientista cria uma máquina de encher e balões, o avaliador acha fantástica e eles vão à sala para assinar contrato para revolucionar o mercado de balões. Enquanto isso, Cebolinha entra na sala onde está a máquina para fugir da Mônica, sobe sem querer na máquina, passa na entrada de encher balões e a máquina fica destruída. O cientista expulsa Cebolinha e Mônica, lamentando que agora terá que consertar o seu invento.

Na rua, Cebolinha comenta que o homem ficou nervoso, Mônica diz que Cebolinha deu ideia nela, que como ela está de bom humor só vai dar um tapão nele. Cebolinha grita para não bater com a cabeça no alto, estranha que a Mônica está embaixo e ele em cima, Mônica desmaia e ele descobre que está com cabeça de balão.

Quando Mônica volta a si, vê Cebolinha normal com um laço fingindo ser uma gravata, ela fala que levou um susto, pensou que viu a cara do Cebolinha flutuando como balão e os dois riem. Mônica dá um tapinha nas costas dele, o nó desata, a cabeça volta a flutuar, Mônica grita que o amigo virou um monstro-balão e Cebolinha sai correndo, se escondendo atrás dos balões que o vendedor estava vendendo.

Um menino pede balões para o pai, escolhe o "com cara de bobo e espetos na parte de cima", o vendedor diz que não tem balão assim. O menino acusa que o balão está mostrando língua para ele, o pai pensa que era o vendedor mostrando língua para o filho e diz que se não quer vender, é só falar. Vão embora, o menino mostra língua para o Cebolinha, que o chuta. O menino acusa que ele chutou, o pai parte para briga com o vendedor e Cebolinha sai, gostando da confusão e diz que até que é divertido ficar assim.

Depois, Cebolinha para em frente à janela alta de uma mulher nua trocando de roupa, dá um tapa nele, dizendo que uma cara-assanhada e a cabeça cai em um carrinho de bebê. A mãe volta, dá a mamadeira para o Cebolinha, que  diz que falta um pouco de açúcar. A mãe taca  a mamadeira no Cebolinha enquanto foge e o bebê chora. 

Em seguida, um passarinho passa ao lado do Cebolinha, fura com o bico e ele pede para Cascão o socorrer porque está esvaziando. Cascão diz que o Cebolinha está ficando murcho e ele manda assoprar no furo para não deixá-lo esvaziar. Dois meninos passam na hora e dão risadas pensando que Cascão estava beijando Cebolinha. Cascão corre atrás dos meninos reclamando que não estão fazendo nada de mais. Cebolinha esvazia e Cascão volta assoprá-lo. 

Aparece Mônica junto com o cientista com a máquina de encher balões consertada, empurram o Cebolinha em direção contrária de encher e a máquina explode. Após poeira abaixa, Cebolinha volta ao normal e o cientista leva a máquina de volta ao conserto. Mônica sugere Cebolinha pagar sorvete para eles para comemorarem. Cebolinha espirra com o pó que estava saindo e passa a voar como se fosse balão esvaziando e Cascão reclama que incrível o que Cebolinha inventa para não pagar sorvete para eles.

História legal em que Cebolinha entra na máquina de encher balão de um cientista e passa a ter cabeça de balão. Passa sufoco com menino que queria comprar balão, ao ver mulher nua trocando de roupa, parar em um carrinho de bebê e o pior ser furado por um passarinho e esvaziar a cabeça. Consegue resolver com Mônica levando o cientista para o Cebolinha passar na máquina e consegue voltar ao normal, porém só aparentemente, passando a voar com um espirro como um balão.

Se o cientista soubesse, não deixaria a máquina em frente à janela ou simplesmente trancar a janela e não teria a sua máquina revolucionária de balões ser destruída duas vezes. Máquina não foi feita para pessoas passarem, apenas balões vazios. Com o absurdo, Cebolinha conseguiu passar, só que ela foi destruída. Cebolinha viu vantagens e desvantagens de ter cabeça de balão, sendo que as desvantagens prevaleceram.

O sufoco foi grande, Cebolinha poderia ter dado o nó no fio como fez diante da Mônica e depois procurar ajuda, problema que foi uma situação atrás da outra que nem dava tempo de dar o nó de novo. Cebolinha foi vingativo com o menino que queria comprar balão, sobrando para o pai e o vendedor que tinham nada a ver com isso e ainda gostou da confusão que causou, porém, em compensação se deu mal sem parar, como um castigo.

Menino poderia ter falado que foi o balão que mostrou língua e o chutou. Interessante que ninguém ligou com ele como cara de balão, batiam nele achando que era coisa normal uma cabeça de balão andando por aí. Situação pior foi com o passarinho e ficar com cabeça murcha, felizmente Cascão ajudou sem nem saber como ele ficou com cara daquele jeito, só interrompido com os meninos que achavam que estava beijando o Cebolinha. Após passar na máquina de novo, Cebolinha virou um corpo de balão por inteiro, com final aberto, fica na imaginação como ele voltou ao normal de vez sem a máquina do cientista.

Foi engraçado Mônica dizer que como ela está de bom humor só vai dar um tapão nele se assustando com Cebolinha com cara de balão, chamando de monstro-balão, ele ser chamado de balão com cara de bobo e espeto na parte de cima, confusão gerada com o pai e vendedor, Cebolinha taxado como tarado, dizer que a mamadeira falta açúcar, ser furado pelo passarinho e esvaziar cabeça e Cascão assoprar tampando o furo e meninos zombando que eles estavam beijando e Cascão achar que Cebolinha voou para não pagar sorvete.

Tinham muitas histórias de invenções e nem sempre criadas pelo Franjinha, sempre eram  boas. No Limoeiro na época tinha muitas mães deixavam carrinho de bebê sozinho enquanto buscavam alguma coisa, bem irresponsáveis por sinal. Esse cientista apareceu só nessa história como de costume de personagens criados para aparição única. 

Tipo de história que podia acontecer de tudo, a gente viajava da fora da realidade. Incorreta por esses absurdos exagerados de Cebolinha  ter cabeça de balão ao entrar na máquina, vendedor negro  e a mãe do bebê negra com círculo em volta da boca, Cebolinha sendo taxado como tarado com mulher nua trocando de roupa, cair e ficar em cima de um bebê no carrinho, meninos rindo do Cascão e Cebolinha juntos debochando por homofobia, Mônica de calcinha à mostra como no penúltimo quadro da terceira página da história, Cebolinha pensando trocando "R" pelo "L" e palavras proibidas "louco" e "gozado".

Traços ficaram bons, típicos da primeira metade dos anos 1980, ntes da fase consagrada, com personagens com curva na bochecha começando da cabeça. Capa com alusão à história de abertura como de costume nos gibis do Cebolinha da Editora Abril. Foi republicada depois em 'Almanaque do cebolinha Nº 13' (Ed. Globo, 1991).

Capa de 'Almanaque do Cebolinha Nº 13' (Ed. Globo, 1991)