terça-feira, 14 de abril de 2026

Mingau: HQ "Passeio no shopping"

Mostro uma história em que o Mingau vai a um shopping escondido da Nagali e da mãe dela e passa vários sufocos. Com 10 páginas, foi história de abertura publicada em 'Magali Nº 43' (Ed. Globo, 1991).

Capa de 'Magali Nº 43' (Ed. Globo, 1991)

Escrita por Rosana Munhoz,  Magali e mãe dela se preparam a ir ao shopping. Magali queria levar o Mingau só que Dona Lili diz que no shopping não é permitida a entrada de animais e Mingau acha que fazem muito bem porque animais estragam ambiente. Magali avisa o gato que ele vai ter que ficar em casa, Mingau quer saber por quê, ele é um gato, e vai escondido atrás do carro para descobrir por que não permitem gatos no shopping.

No caminho, Mingau se pergunta o que tem no shopping, acha que deve ser um aquário gigante cheio de peixes saborosos, por isso não querem gatos lá. Chegando no shopping, ele acha que é um aquário como imaginou, só que não tem água, está cheio de gente. Quer saber como entra, a porta abre sozinha e ele entra.

Mingau procura por peixes, vai na escada rolante que sobe, fica assustado e pensa que é uma armadilha, faz esforço para descer e consegue, depois fica aliviado que dessa vez escapou por pouco. Em seguida, encontra um carrossel e tinha um felino como componente do brinquedo. Mingau conversa com ele pensando que era um gato de verdade, pergunta o que pode fazer no shopping e como não responde, acha que tem coisa errada ali. 

Chega um grupo de crianças querendo brincar no carrossel dos bichinhos, um menino senta no Mingau pensando que era gatinho de carrossel, que começa a funcionar e rodar. Depois que acaba o funcionamento, Mingau sai de lá tonto e comenta do pobre amigo gato, que era por isso que estava quieto e ele tem que ter cuidado porque aquele lugar está cheio de armadilhas.

Em seguida, vê postes e resolve subir no mais alto porque vai ter uma visão melhor e mais segura do shopping. Só que era um chafariz que começa a jorrar água e ele sai assustado pulando na cabeças das pessoas e só aí que descobrem que tinha um gato no shopping. Tem um alvoroço e Mingau consegue esconder dentro de um vaso decorativo. Ele comenta que é um lugar maluco, portas e escadas que funcionam sozinhas, animais que andam em círculo, postes que jogam água e precisa sumir dali.

Seguranças ficam procurando pelo Mingau, que acha que na certa querem aprisioná-lo naquele negócio que chama de carrossel e que tem que encontrar a saída. Vê pessoas entrando no elevador e ele entra também. Percebe que não é a saída, um homem pisa no rabo dele e dá um salto e mia alto. Pessoal do elevador fica com medo de um gato no elevador, mandam parar, reclamam que tem alergia a pelos e que ele vai arranhar. 

O elevador para e todos fogem desesperados e Mingau fica todo amassado com o pisoteio. Funcionários do shopping tentam laçar o Mingau com cordas e redes, Mingau corre ligeiro, fazendo eles se atrapalharem e ficarem presos e Mingau consegue fugir. Depois, ele tenta encontrar a Magali, mas acha que seria mais difícil do encontrar agulha em um palheiro por conta de muita gente no shopping. 

Por acaso, vê Magali e a mãe voltando, Magali queria ficar mais um pouco e Dona Lili diz que não porque tem que preparar o jantar e fora que o shopping está maior rebuliço, parece que tem uma fera à solta lá. Mingau entra escondido em uma bolsa que estavam segurando e no carro diz que até nunca mais.

Quando chegam em casa, Magali procura pelo Mingau, depois vê que estava na cozinha e pergunta por que não veio quando chamou. Acha que está chateado por não ter ido ao shopping, mas da próxima vez ele vai nem que seja escondido e, com isso, Mingau corre do colo dela, se esconde na árvore e Magali fica procurando, perguntando o que deu nele.

História legal em que Mingau descobre que não pode levar gatos no shopping e quer saber por que não permitem. Só que não sabia o que era shopping e passa sufoco com elevador que funciona sozinho, girar em carrossel com movimento, postes que jogam água, rabo pisado no elevador e pisoteado na saída e luta pra não ser capturado com funcionários do shopping. Consegue encontrar Magali e Dona Lili e volta para casa como se nada tivesse acontecido só ficou trauma de shopping, de nem sequer ouvir o nome que já quer fugir de voltar para lá.

Onde Mingau foi se enfiar, caisou grande confusão, se não tivesse curiosidade de saber por que não permitiam gatos no shopping e ficasse em casa, não precisaria passar pelo sufoco que passou. Foi atrás de peixe e encontrou um lugar maluco que podia acontecer de tudo, na visão dele. Não sabia o que tinha no shopping, não tinha conhecimento o que era escada rolante, carrossel, chafariz, aí se deu mal e descobriu na marra, da pior maneira possível. 

Em certos momentos deu pena dele, principalmente no carrossel e sendo pisoteado e ao mesmo tempo divertido. Pelo menos foi ágil e teve jogo de cintura para se livrar das pessoas e dos funcionários que queriam pegá-lo, foram eles que ficaram presos, por sinal, e teve sorte de encontrar Magali e a mãe e voltar para casa como se nada acontecido, não viram que ele entrou na bolsa, só ficando o trauma para ele.

Todos no shopping custaram a descobrir que tinha gato lá, foi só depois que pulou do chafariz senão nem iam perceber tão cedo. Deveria ter seguranças na entrada do shopping e pelo menos um em cada andar, aí Mingau nem entraria e se conseguisse entrar, sairia logo, sem precisar passar por sufocos maiores. As pessoas que frequentavam o shopping também muito assustadas só com um gato, era como se tivessem visto uma onça, um leão, exageraram e ninguém deu um acolhimento. Mi.gau teve sorte que não foi capturado senão até descobrirem de quem era dono do gato, Magali ficaria sem o Mingau por um bom tempo.

Magali e Dona Lili nem para perguntarem para alguém por que o shopping estava com rebuliço, nem desconfiaram que o motivo do tumulto do shopping era por causa do Mingau e pensaram que ele estava em casa o tempo todo. Se soubessem o que o gatinho indefeso fez iam ficar de cabelo em pé. Até que hoje em dia permitem animais dentro de shoppings, Magali poderia levá-lo sem problema e não seria traumático pra ele.

Foi engraçado Mingau defender que animais estragam ambiente, mas não ele por ser um gato, diferenciando gato de animais, que são coisas diferentes e que gato é um ser vivo superior, pensar que shopping era um aquário gigante de peixes e depois ver que era aquário cheio de gente, o sufoco na escada rolante, conversar com o gato no carrossel pensando que era um de verdade, rodar no carrossel e  depois ficar tonto, se assustar no chafariz pulando na cabeça dos outros, rabo pisado no elevador, dizer "alguém anotou o número do sapato" ao ser pisoteado na saída do elevador, e as táticas para se desviar dos que estavam querendo capturar e se esconder na árvore no final para não voltar ao shopping.  

Tinham muitas histórias de abertura com Mingau como protagonista e a Magali e os pais fazendo só participação, eram boas. Achava melhor Mingau sozinho ou na rua ou com turma de gatos vivendo suas próprias aventuras do que as com ele contracenando só com Magali dentro de casa como um gato doméstico e mostrando costumes de gatos, ficou muito repetitivo assim nos anos 2000.

Traços ficaram caprichados, muito bem desenhados. Incorreta atualmente por Mingau sofrer dentro do shopping, como sozinho na escada rolante, ficar no carrossel  em movimento, com criança montado nele e rodando, pular nas cabeças dos outros, rabo pisado no elevador e ser pisoteado após sair. Sociedade Protetora dos Animais nunca ia permitir. Além de Dona Lili sem cinto de segurança no carro.

sábado, 11 de abril de 2026

HQ "Chico Vampiro!"

Em abril de 1996, há exatos 30 anos, era publicada a história "Chico vampiro!" em que ele se transforma em vampiro por causa de uma vampirinha que se apaixonou por ele. Com 14 páginas, foi publicada em 'Chico Bento Nº 241' (Ed. Globo, 1996).

Capa de 'Chico Bento Nº 241' (Ed. Globo, 1996)

Chico Bento e Rosinha estão namorando de noite, estão com vergonha de se beijarem e quando Chico vai tentar, passa um morcego entre eles. Rosinha se assusta, diz que não gosta de morcego, acha que ficaram namorando até muito tarde e vai embora e Chico acha que ela é bobinha com medo de cada coisa.


Em casa, Chico come sopa com bastante alho na janta e depois vai para o quarto dormir. Dona Cotinha pergunta ao filho se não vai fechar a janela, Chico responde que gosta de janela escancarada, já está acostumado e vai se cobrir bem e que a sorte é que na roça não tem ladrão. Enquanto dorme, aparece uma vampirinha na janela e o que acontece seguir é omitido porque o arte-finalista derrubou nanquim na página. 


No dia seguinte, Chico nota mordida no pescoço e acha que as pulgas estão cada vez mais atrevidas. No desjejum, ele prefere tomar suco de tomate no lugar de café com leite. Depois, ele sai e o Zé Lelé o convida para roubar goiabas do pomar do Nhô Lau. Quando vai comer, o dente da frente do Chico cresce e Zé Lelé acha que o Chico está contando muita mentira. Chico lamenta que já era dentuço e agora piorou e descobre que o dente é regulável, encolhe quando toca, espicha se vê goiaba e encolhe se perde a vontade de comer.


Zé Lelé quer saber como ele faz isso, Chico não sabe como consegue. Zé Lelé corta a goiaba e oferece para o Chico, que diz que perdeu vontade de comer e Zé Lelé pergunta se está doente. Chico diz que está vontade de comer outra coisa, que não sabe o que é, mas que é vermelha e quentinha. Zé Lelé corta o dedo com a faca e Chico fica sedento para chupar o sangue, corre atrás e Zé Lelé acha que ele endoidou.


Rosinha aparece, diz que estava com muita saudade dele e o dente do Chico volta ao normal. Eles vão namorar dentro de uma caverna porque o Sol forte estava fazendo muito mal para vista dele. Rosinha fica com medo, Rosinha vira o pescoço para olhar onde vinha barulhos de morcegos lá. Chico fica com vontade de morder pescoço dela, dente cresce e orelhas ficam pontiagudas, Rosinha pergunta o que deu nele que está diferente e ele diz que só quer morder o pescoço dela. Rosinha acha que o namorado pirou e foge, Chico não vai atrás porque o Sol está forte e só sai da caverna quando anoitece, vira morcego e vai para casa voando.


Na casa do Chico, Rosinha comenta com os pais do Chico que ele está diferente que dá até medo e os pais acham ela está impressionada. Chega o Chico levando tombo do voo e com roupa diferente e Dona Cotinha pergunta que roupa é aquela e ele diz que a de sempre e Seu Bento acha que as orelhas do filho incharam por ter levado picada de abelha. Chico fala para Rosinha que gostou da surpresa e do pescocinho dela e Rosinha descobre que ele virou um vampiro.


Chico pergunta só porque tem dentão, medo de Sol, pode voar e quer morder pescoço dos outros, é claro que não virou. Surge uma morcega e diz que está virando, sim, por causa dela, que foi ela que o mordeu e se transforma em vampira. Diz que mordeu de noite só que não completou o serviço e precisa mordê-lo mais duas vezes para virar vampiro de verdade.

Dona Cotinha joga sopa de alho na vampira, mas também dá medo no Chico e a vampira diz que o que fizerem contra ela, atinge o Chico também. Ele pergunta se vai virar vampiro, ela responde que vai continuar podendo voar, saborear sangue das vítimas e namorar com ela. Quando vai morder o pescoço para finalizar o serviço, os pais choram porque ele vai virar vampiro e dizem que era uma vez Chico Bento.


A vampira quer saber por que falaram "bento" e Seu Bento diz que é o sobrenome dele, todos eles são Bentos. A vampira acha um horror, suporta nada que seja bento, nem santinhos bentos, água benta, muito menos um Chico Bento, vai embora antes que vire pó e fala que pensar que mordeu um bento e que vai lavar boca com água e sabão.

No dia seguinte, Chico volta ao normal, sem as outras mordidas a maldição não se consumou. Todos tomam café da manhã, Chico fala que quer suco de tomate e logo avisa que foi brincadeira. Depois, ele e Rosinha saem, encontram o Zé Lelé com dentes de vampiro e tentando abrir lata de goiabada com os dentes e Chico e Rosinha o levam para igreja para jogarem muita água benta para ele voltar ao normal.


História legal em que o Chico começa a se transformar em vampiro por causa de uma vampirinha que o mordeu por ter se apaixonado por ele, só que não fez serviço completo precisaria de mais duas mordidas para concretizar de vez, assim a transformação em vampiro do Chico foi lenta e na hora que a vampira ia morder de novo, desiste por saber que ele é da família Bento e ela odeia tudo que tinha bento no nome. Com efeito temporário, sem a concretização das mordidas, depois de 24 horas o Chico volta ao normal.


Chico se salvou de virar vampiro por ser de família Bento. Foi ficar de janela aberta e permitiu que vampira mordesse pescoço dele. Interessante que sono era tão forte que nem acordou com a mordida, mesmo que de leve. Antes a vampira desse as três mordidas de uma vez, mas deve ter ficado com medo do Chico acordar.

Enquanto Chico começava a se transformar vampiro ninguém desconfiou, achavam estranho dente crescer do nada, ter medo de Sol, querer sangue e morder pescoço, roupa diferente, mas não associavam que era vampiro. Zé Lelé tudo bem que é burrinho e lerdo, mas a Rosinha já podia saber desde que ele queria morder pescoço dela na caverna. Só não viram como morcego senão iam se assustar mais ainda. E descobrimos que Rosinha tem medo de morcegos.


A vampirinha fez outra vítima no final, o Zé Lelé, pelo visto gosta dos feios. Curiosamente, por Zé Lelé ser primo do Chico, também é um Bento, a vampira trocou um Bento pelo outro. Chico e Rosinha não usaram água benta pra desfazer a maldição, mas também poderia dizer que é um Bento pra não concretizar. A trama foi ambientada em um sábado pra justificar que Chico e Rosinha estavam namorando até tarde e que não foram pra escola n outro dia de manhã. 


Engraçado narrador achar que vampiro é pior que ladrão, quando o Chico estava prestes a ser mordido, o que acontece a seguir é omitido porque o arte-finalista derrubou nanquim na página, Chico nota mordida no pescoço e acha que as pulgas estão cada vez mais atrevidas, Zé Lelé acha que o Chico está contando muita mentira quando o dente cresceu, ser o dente da frente que cresceu em vez dos caninos, vampirinha chamar Chico de "feioso fofinho".


Teve um vestígio do politicamente correto quando o Zé Lelé diz "catar goiaba" em vez de "roubar". Normalmente eles falavam que roubavam goiaba, aí por serem crianças preferiram mudar porque criança não rouba. Se eles pegam coisas que não dão dele e sem permissão do dono é roubo, então "roubar goiaba" se encaixa melhor. Atualmente, eles falam "pegar goiaba", nas raras vezes vezes que vão à goiabeira do Nhô Lau. 


Incorreta atualmente por namoro entre crianças, tentarem dar beijo, ficarem namorando até altas horas da noite, Zé Lelé mexer com faca e se cortar, Seu Bento fumando cachimbo, além de palavras e expressões como "piorou mais anda", "tó", "catar". Dona Cotinha de avental normalmente implicariam, mas por estar fazendo atividades na cozinha e ser de núcleo rural, poderiam aceitar.

História póstuma de Rosana. Teve alguns erros como Seu Bento sem bigode no 4º quadro da penúltima página e Zé Lelé sem sardas no último quadro da história.


Traços ficaram bons, sendo que curiosamente, os desenhos ficaram diferentes a partir da página 13 do gibi, a partir de quando a vampira apareceu na casa do Chico. História começou com estilo consagrado de traços e depois ficou traços do estilo dos anos 1990, com essas páginas finais sendo desenhadas por outra pessoa. Ás vezes acontecia isso de desenhistas diferentes na mesma história, as 4 páginas finais não ficaram feios os desenhos, mas o início ficou achei mais bonito. Colorização achei ruim, escura demais, principalmente tom de marrom igual em tudo e degradê agora só em alguns quadros pontuais, o destaque de degradê em volta da Lua, ficava bonito assim parecendo como na vida real. Muito bom relembrar essa história há exatos 30 anos.

quarta-feira, 8 de abril de 2026

Tirinha Nº 124: Mônica

Nessa tirinha, Mônica pensa que encontrou um papel com um desenho horroroso dela e descobre que na verdade era uma fotografia que a Magali havia tirado dela e caiu no chão. Mônica foi burra de não perceber pelo tipo de papel fotográfico que era foto e Magali conseguiu jogar na cara que a Mônica é horrorosa, mostrou a realidade que ela não enxergava. Mônica deu sorte de nenhum menino ter visto para não ser zoada por eles.

Tudo indica que foi tirinha feita Pelo Emerson Abreu por conta de uma Magali mais sarcástica, jogar a realidade na cara, doa a quem doer e por Mônica com posição inclinada e cabelo dela fora do lugar em situação de espanto. E foi de uma leva de tirinhas inéditas que fugiu de várias republicações de tiras antigas que viviam se repetindo no final do expedientes dos gibis.

Tirinha publicada em 'Mônica Nº 139' (Ed. Globo, 1998).

domingo, 5 de abril de 2026

Mônica: HQ "Sansão é muito vivo!"

Mostro uma história em que o Sansão cria vida ao ser atingido por um raio e resolve não ficar mais com a Mônica para o Cebolinha ser o seu novo dono. Com 8 páginas, foi história de miolo publicada em 'Mônica Nº 28' (Ed. Globo, 1989).

Capa de 'Mônica Nº 28' (Ed. Globo, 1989)

Mônica corre atrás do Cascão depois de ele a ter xingado, joga o Sansão em direção ao Cascão no momento que dá um trovão de chuva, ele foge rápido sem ser atingido pelo Sansão, que cai no chão. Mônica vai pegar o coelhinho e cai um raio em cima dele.  Leva para casa para dar uma lavada e Sansão dá uma mordida nela e foge.

Mônica vai atrás e Cebolinha pergunta o que houve, Mônica fala que o Sansão lhe deu uma mordida e Cebolinha diz que o coitadinho devia estar com fome. Mônica diz que é verdade e ele não acredita que coelhinho de pelúcia vai morder alguém e acha que a Mônica está maluca. Logo depois, ele ouve um ronco atrás da moita e vê que era o Sansão dormindo, descobrindo que ele está vivo.

Sansão quer avançar no Cebolinha por causa dos nós que deu nas orelhas dele. Cebolinha fala que não fez por mal, a culpada é a Mônica, se não fizesse essas coisas, não ia descontar nele e propõe se unirem contra ela. Sansão aceita, voltam onde estava a Mônica e Sansão mostra a língua para ela. 

Mônica quer saber por que fez isso e ele diz que porque quis, ela não é mais dona dele, agora que pode pensar e falar, o Cebolinha é o dono ideal para ele. Mônica chora, falando que não pode fazer isso, sempre cuidou dele, escovava, dava banho, levava para passear. Sansão lembra que ela o jogava no Cascão, na cabeça do Cebolinha. Mônica fala que sem Sansão, ela é nada e Cebolinha diz  que é uma baixinha, dentuça e gorducha e metida á dona da rua e ele vai embora com o Sansão.

Sansão pergunta se não exagerou um pouquinho, Cebolinha acha que Mônica mereceu e que está acabada. Sansão pede colo, Cebolinha fala que não fica bem para um menino dar colo para um coelhinho de pelúcia e tem ideia de jogar bola, que cai em cima do Sansão. Cebolinha resolve dar banho nele, o joga na tina de qualquer jeito e ensaboa sem delicadeza e Sansão acha que ele é um grosso.

Depois, Cebolinha o joga para o alto, uma menina pergunta se ele está brincando com coelhinho de pelúcia e Cebolinha dá um chute forte no Sansão fingindo que estava fazendo Gol com bola e responde para ela que está pensando o quê, ele é muito macho. Ele vai até onde o Sansão foi jogado, Sansão lhe dá uma mordida no dedo e Cebolinha sai correndo com medo.

Sansão lembra dos seus momentos com a Mônica lhe dando carinho, em seguida ameaça chuva e cai um raio nele quando estava em frente à casa da Mônica e volta ao normal de ser coelhinho de pelúcia inanimado. Mônica o vê na chuva e busca de volta, ela acha uma pena que não possa mais falar e andar, mas tem uma impressão que ele está sorrindo.


História legal em que o Sansão cria vida após ser atingido por um raio e não queria ficar mais com a Mônica por ela jogá-lo na cabeça dos meninos e Cebolinha aproveita para jogar ainda mais o Sansão contra a Mônica e ser o novo dono do coelhinho de pelúcia. Só que Cebolinha não trata o Sansão com o mesmo carinho que a Mônica tinha e sem cuidado algum, Sansão se cansa e morde dedo do Cebolinha, que foge. Sansão se arrepende de ter brigado com a Mônica, cai um raio do céu e volta ao normal, Mônica o encontra e percebe a felicidade que ele estava em voltar para casa.

Cebolinha um grande manipulador, aproveitar situação do Sansão vivo pra abalar a Mônica, conseguiu inverter papeis com uma lábia da Mônica ser culpada pelos nós que o Cebolinha dava e ele que era o inocente. Foi bom para o Sansão que ninguém cuida tão bem quanto a Mônica e descobriu que fez uma injustiça com sua dona, só não deu tempo de pedir desculpas porque outro raio o atingiu voltando a ser inanimado, mas pelo olhar  e sorriso conseguiu se expressar o arrependimento e a gratidão.

Interessante que a chuva passava rápido, só momento do Sansão levar o raio, tanto para ganhar vida, quanto para voltar a ser coelhinho de pelúcia comum. Pode ser que foi uma ajuda divina, percebendo que o Sansão inanimado estava descontente ser jogado na surra dos meninos e queriam dar uma lição nele lhe dando vida temporariamente para poder valorizar a Mônica. Enquanto estava vivo, chegou a ter uma altura maior como se fosse um coelho de verdade, mas a ideia era que continuou como um coelhinho de pelúcia, só que com vida.

Foi engraçado Mônica dizer interjeição "Raios!" e logo em seguida o Sansão ser atingido por raio, absurdo de ele não ficar tostado com o raio, Cebolinha dizer que o Sansão fugiu porque estava com fome, a inversão do Cebolinha de que ele dava nós pra descontar que a Mônica que batia nele, Sansão mostrar língua para ela e escolher Cebolinha como seu novo dono, dizer que a Mônica é aquela que vivia cacetando nos outros, ter banho sem delicadeza, ser  amassado com a bolada do Cebolinha e chutado longe como bola diante da menina, Cebolinha preocupado com sua imagem de menino por dar colo e brincar com coelhinho de pelúcia.

Tempo que Mônica não tinha o Monicão como bichinho de estimação e o Sansão que ficava no lugar de um pet para Mônica e rendiam ótimas histórias. Achava melhor assim, ficava um diferencial de ela não ter um animal de estimação, nem todas as crianças tem e aí consideram bichinhos de pelúcia como um pet. Hoje, todos os principais obrigatoriamente tem que ter um pet. Em situação de perigo de ameaça de chuva, o Cascão conseguiu correr mais rápido que a velocidade do Sansão arremessado, eram muito boas essas características dos personagens serem além do absurdo.

Traços ficaram bons, típicos de histórias de miolo dos anos 1980. Incorreta atualmente por mostrar um Cebolinha manipulador, sem pena da Mônica deprimida sem o Sansão, maltratar o Sansão jogando bola e dando chute nele, atitude machista com ideia de mexer com masculinidade dele de que não é coisa de menino dar colo e ficar brincando com coelhinho de pelúcia, que isso é coisa de maricas, além de expressões e  palavras "cacetando", "gorducha", "sou muito macho".

quinta-feira, 2 de abril de 2026

Anjinho: HQ "Um anjo na chaminé"

Mostro uma história em que o Anjinho fica entalado em uma chaminé na fábrica deixando o dono muito irritado. Com 7 páginas, foi publicada em 'Mônica Nº 165' (Ed. Abril, 1984).

Capa de 'Mônica Nº 165' (Ed. Abril, 1984)

Anjinho voa no céu quando é atropelado por um avião e com a queda fica preso em uma chaminé de uma fábrica. Tenta voar para sair de lá, mas não consegue e fica cansado. Na fábrica, o Chefe está trabalhando fumando charuto e comenta consigo que está soltando muita fumaça e esfumaçou toda a sala. Ele apaga o charuto e ainda assim a sala fica cada vez mais esfumaçada. 

Um funcionário entra, avisando que tem alguma coisa entupindo a chaminé da fábrica, por isso a fumaça toda está entrado lá. No lado de fora, o Chefe quer saber por que eles não desentopem logo a chaminé e o funcionário pede desculpa, é porque nunca desentupiu anjo.

O Chefe sobe até a chaminé, Anjinho diz que ele foi lá soltá-lo, só que não adianta, está entalado e até está gostando porque ali era uma área muito poluída, tinha que passar ali tapando nariz e agora que ele está entalado, já dá pra ver o Sol, apareceram pássaros cantando e borboletas, muito melhor que aquela nuvem mal cheirosa.

O Chefe reclama que a fábrica e a chaminé são dele e manda sair porque está atrapalhando a produção da fábrica. Anjinho pergunta se não dá para produzir sem poluir o céu e o ar. O Chefe grita que agora ele quer ensiná-lo a conduzir seus negócios, um filtro de chaminé custa muito caro e ainda tem muito ar por aí, não seria a fumacinha dele que vai fazer diferença. 

Anjinho comenta se todo mundo pensasse assim, a essa hora já teriam que usar máscaras de oxigênio. O Chefe acha ótimo porque ele tem uma fábrica de máscara de oxigênio e que ia faturar uma nota e tenta tirar o Anjinho na força. Ele consegue tirar, mas passa a voar quando segura o Anjinho. Ele solta a mão do Anjinho para descer e cai, ficando entalado na chaminé. Os funcionários em baixo correm, mandando todos fugirem. 

O Chefe olha para baixo, a chaminé incha que nem um balão e estoura por causa da pressão da fumaça para sair e ele vai parar longe se acidentando. No final, Anjinho está em frente ao hospital que o Chefe está internado, fazendo fumaça com a fogueira, Cascão pergunta se Anjinho está brincando de índio e ele responde que é fumaça para o caso do Chefe recair enquanto ele fica gritando que é para tirar a fumaça, que odeia fumaça e chaminé. 

História legal em que Anjinho fica preso em chaminé , que faz a fumaça entrar pra dentro da fabrica, fazendo o dono subir até lá para tirar o Anjinho de lá. Anjinho gosta porque ajudou a despoluir, deixar o ar mais limpo na área, fazendo até Sol, passarinhos e borboletas voltarem a passar ali. O Chefe não quis saber desse papo ecológico, tira Anjinho de lá, só que voa também e cai na chaminé ao se soltar do Anjinho. Com seu peso gordo, a chaminé incha e estoura fazendo ele parar no hospital e, assim, ficou traumatizado com fumaça e chaminé.

O Chefe aprendeu na marra e no sofrimento que não deve poluir meio ambiente com sua fábrica, precisou ficar todo quebrado e internado no hospital para se traumatizar e Anjinho ainda faz fumaça na fogueira ao lado do hospital pra deixar mais traumatizado e não ter risco de mudar de ideia. Se ele tivesse chamado bombeiros para tirar o Anjinho de lá, não precisaria passar por isso, mas era do estilo muquirana, que queria gastar com nada, nem com filtros de chaminé.

Anjinho só se preocupava com o ar da região e deu uma aula ao Chefe que não se deve poluir pensando que o diálogo ia ser o suficiente para se tocar e o Chefe nem ligando e achando bom mundo poluído porque iam comprar as máscaras de oxigênio da fábrica dele. Ainda bem que se deu mal no final.

Foi engraçado o choque do Anjinho com avião de frente, o Chefe achar que era o charuto que estava esfumaçando a sala e depois ficar tudo esfumaçado lá, o funcionário dizer que nunca desentupiu ônibus, ele discutir com o Anjinho, tirá-lo à força, voar e cair e todo quebrado no hospital. Muito bom também o recurso do Sol personalizado, feliz que acabou a poluição no local, sempre caía bem esse recurso. Não mostrou nome do dono da fábrica  e ele só apareceu nessa história, como de costume de personagens secundários criados para história única. Nas histórias antigas, os adultos viam o Anjinho, depois predominou de só as crianças da turma o verem.

Ensinou sobre poluição, perigos de chaminés de fábricas, empresários egoístas que só querem saber de lucrar com seus negócios sem se importar com meio ambiente e bem estar das pessoas, tudo de forma divertida sem deixar didático. É assim que a gente aprendia muito mais sobre as coisas do que do jeito de uma cartilha educativa que se encontram os gibis atuais.

História é completamente impublicável hoje por conta de Anjinho ser atropelado, ficar preso em chaminé, homem fumando charuto e ainda em ambiente fechado, mostrar gordofobia por homem estourar chaminé por ser gordo, se acidentar parando em hospital, todo quebrado e enfaixado, Anjinho mexer com fogueira, citação do Cascão de brincar de índio, além de palavras proibidas "Droga!" e "índio". Nada disso tem mais nos gibis atuais.

Traços ficaram bons do estilo consagrado dos personagens, estava começando o estilo de traços assim. Na época o Anjinho não tinha auréola, só foi  ter em definitivo a partir de 1988, já na Editora Globo. Essa história foi republicada depois em 'Almanaque da Mônica Nº 22' (Ed. Globo, 1991).

Capa de 'Almanaque da Mônica Nº 22' (Ed. Globo, 1991)