quarta-feira, 29 de abril de 2026

HQ" Do Contra no Parque"

Em abril de 1996, há exatos 30 anos, era publicada a história "Do Contra no Parque" em que ele brinca com os brinquedos do parque da Mônica de forma tudo errada só para ser diferente dos outros. Com 10 páginas, foi publicada em 'Parque da Mônica Nº 40' (Ed. Globo, 1996).

Capa de 'Parque da Mônica Nº 40' (Ed. Globo, 1996)

Nela, Mônica, Magali e Nimbus estão no Parque da Mônica, ouvem barulhos e descobrem que era o Do Contra, sempre imprevisível, querendo entrar pela saída do Parque e teimando com os monitores. Do Contra diz que porque fica mais perto dos brinquedos que ele gosta, os monitores não querem saber, tem que entrar na entrada da frente como todo mundo, e, assim, Do Contra entra andando com as mãos para não entrar igual a todo mundo.

Nimbus reclama com o irmão da mania de querer ser diferente, Do Contra diz que não quer, ele é. Nimbus diz que só falta dizer que não brinca para ser diferente e Do Contra fala que brinca, só que do jeito dele. Então, nos "Ciclo-Balões" que teria que pedalar para eles subirem, o Do Contra pedala para descer. No "Brinquedão", em vez de seguir o caminho normal, ele vai de contramão, atrapalhando as outras crianças, dizendo que o caminho normal é fácil e ele inventou um novo.

No "Carrossel do Horácio", em vez de sentar nos dinossauros de brinquedo, Do Contra resolve andar pelo carrossel em movimento, precisando o Monitor tirá-lo de lá, o chama de maluco e avisa que é perigoso e que ele pode se machucar. Na "Casa do Louco" em vez de entrar pela escada, ele entra escalando pela saída do escorregador e visita as atrações do brinquedo de trás para frente até sair pela entrada. A Monitora pergunta quem é ele e um menino diz que deve ser o dono da casa.

Na "Tumba do Penadinho", Do Contra se fantasia de fantasma para dar susto na criançada que achava que os monstros do brinquedo metiam medo em ninguém. Depois, ele faz malabarismo com as bolinhas da piscina de bolinhas do "Brinquedão" e vê o filme do "Cinema 3D" sem os óculos e come uma banana que trouxe de casa para não comer os lanches da lanchonete.

Quando vão embora, Mônica não deixa Do Contra sair pela entrada do Parque. No caminho para casa, todos falam que se divertiram bastante e Do Contra fala que se divertiu mais que todos eles juntos porque ousou ser diferente e vai embora. No final, quando já está sozinho, comenta consigo que qualquer dia desses precisa ir ao Parque da Mônica sozinho, sem ninguém ver porque morre de vontade de curtir os brinquedos da forma normal mesmo e se imagina brincando nos brinquedos igual a todo mundo.

História legal em que o Do Contra brinca com os brinquedos do Parque da Mônica todo errado para ser diferente dos outros. Onde é pra entrar, ele queria sair, seguia caminho contrário e tudo mais para não agir igual a todo mundo. Sendo que fazendo isso, tinha risco contra sua segurança e dos outros que estavam brincando e poder se machucar feio como percorrer contramão no "Brinquedão", correr no "Carrossel do Horácio" em movimento e escalar o escorregador de saída da Casa do Louco. Ao menos, uma coisa ele fez igual a todo mundo foi sair do Parque pela saída, mesmo contra sua vontade.

No final disse que pretendia voltar ao Parque sozinho para brincar com os brinquedos da forma normal sem que os amigos vejam. Mostrou que o Do Contra faz as coisas de pirraça para ser diferente dos outros, é carente que quer chamar atenção. Ou seja, é diferente na frente dos outros para manter a sua fama de sempre contrariar, mas quando está sozinho ou longe de quem não conhece, age igual a todo mundo. Do Contra sendo assim do seu jeito único é taxado de maluco e esquisito por quem não o conhece, se daria muito bem com o Louco. Aliás, até hoje ele foi o único que conseguiu neutralizar o Louco e não cair nas loucuras dele.

Engraçado o Do Contra fazendo tudo diferente nas brincadeiras, principalmente entrar pela saída do Parque, andar com as mãos para entrar no Parque, ir de contramão no "Brinquedão", correr no "Carrossel do Horácio" em movimento, assustar os outros como fantasma da "Tumba do Penadinho" e o esforço de escalar o escorregador da "Casa do Louco" ao contrário e Monitora perguntar quem é ele e um menino responder que deve ser o dono da casa, afinal só um louco para escalar um escorregador. 

Os frequentadores e funcionários do Parque deviam conhecer o Do Contra porque é um personagem da Turma da Mônica e do Mauricio de Sousa. Pelo visto deixaram como desconhecido pelos outros para dar a graça que ele era maluco excêntrico. Curioso eles com autonomia de irem ao Parque sozinhos sem presença de pelo um dos pais deles, muitas vezes eles iam sozinho, mesmo o Parque sendo localizado longe do bairro do Limoeiro. Aliás, deu uma impressão que dessa vez o Parque foi localizado mais perto do Limoeiro, podendo eles irem e voltarem a pé e normalmente eles iam de carro com os pais já que era localizado no Shopping Eldorado de São Paulo, longe do Limoeiro.

Essa foi a história de abertura mais curta do Parque da Mônica, normalmente eram mais longas a partir de 15 páginas. Essa teve 10 páginas e com enquadramento de 3 linhas e 3 colunas com até 6 quadros por página, se tivesse o enquadramento normal de 4 linhas e 4 colunas e até 8 quadros por páginas, teria menos páginas ocupando o gibi. De qualquer forma, ajudou a ser mais objetiva e sem enrolação e deu conta do recado.

Incorreta atualmente por Do Contra brincar diferente dando risco de se machucar e ainda atrapalhar as brincadeiras das outras crianças, as crianças irem ao parque sozinhas sem os pais, além de palavras e expressões populares de duplo sentido proibidas como "gozado", "morro de vontade".

Traços ficaram bons, típicos dos anos 1990 com personagens com língua ocupando mais espaço na boca e dar mais humor. Só cores ruins  muito escuras, principalmente com mesmo tom de marrom escuro usado em tudo. Cascão e Cebolinha aparecem na capa, mas não aparecem na história, muitas vezes nas capas com alusão à história não seguiam exatamente o que aconteceu na trama, isso quando não faziam piada a  partir do tema da história e isso mais frequente ainda nos gibis da Editora Abril. Muito bom relembrar essa história há exatos 30 anos.

domingo, 26 de abril de 2026

Cebolinha: HQ "Uma cebola nua!"

Mostro uma história em que o Cebolinha sofreu com o Louco, que pensava que ele era uma cebola de verdade nua e ficaram foragidos da polícia. Com 11  páginas, foi história de abertura de 'Cebolinha Nº 132' (Ed. Globo, 1997).

Capa de 'Cebolinha Nº 132' (Ed. Globo, 1997)

Escrita por Emerson Abreu, Cebolinha toma banho cantando quando é surpreendido por uma boia de patinho andando no banheiro e dizendo "qué". Logo depois surge um sorriso, Cebolinha pensa que é o sorriso do gato da "Alice no País das Maravilhas" só que, para a infelicidade dele, descobre que era o Louco.

Cebolinha pergunta para o Louco, de novo, e Louco responde que é o velho ele mesmo. Cebolinha avisa que estava tomando banho, Louco repara que ele está nu e dá uma guarda-chuvada nele gritando pela polícia que tem uma cebola nua ali e surge um policial no ralo do banheiro. Louco confirma que tem uma cebola na rua, Cebolinha fala que eles não estão na rua e do nada eles surgem na rua, com uma senhora e neta dela achando indecente uma cebola nua.

O policial fala que além de nu, Cebolinha é louco. Cebolinha quer cair fora dali e ele cai da rua bem lentamente para baixo só porque disse que queria "cair fora". Cebolinha pergunta o que vai acontecer quando chegarem lá embaixo e Louco responde que vai doer, mas se estiverem caindo para cima não têm o que se preocuparem, só que caíram para baixo mesmo e levam o maior tombo.

Eles caem no teto do quarto da Denise, que cutuca o Cebolinha com vassoura, reclamando do barulho, que quer dormir. Louco confirma que eles caíram para cima como ele tinha dito. Cebolinha acha que é uma loucura, só balões caem para cima e, então, eles viram balões e Denise acha o máximo que agora ela tem dois balões e vai brincar com eles. Surge o policial no chão, Denise se assusta e solta os balões sem querer e eles voam. 

O policial chama Denise de criminosa porque soltar balões é contra a lei e liga para a central avisando que há dois balões escapando à sudoeste. Cebolinha reclama que eles estão foragidos e é tudo culpa do Louco que só arruma encrenca para ele e que está cheio disso e Cebolinha vira um balão cheio e estoura depois, voltando os dois aos seus corpos normais, só que voltando a cair para baixo e Cebolinha tem medo de se machucarem.

Louco sugere que eles sejam outras pessoas, ele passa a se chamar Juvenal e Cebolinha, Lindomar. Eles caem, Cebolinha se machuca e Louco, voando, fala que foi péssima escolha porque os Lindomares não voam. Cebolinha diz que os Juvenais também não e Louco para de voar e cai no chão. Louco diz que devia ter escolhido o "Superomão" e que pelo menos quem se machucou foi o Juvenal e o Lindomar e não o Louco e o Cebolinha, que acha foi sorte deles e depois cai em si que a loucura do Louco pega.

O policial surge de novo no chão, prende os dois na geladeira, dizendo que se meteram em uma fria. Lá, reclamam que estão presos e congelados, Cebolinha acha um absurdo e diz que vai sair dali agora mesmo. Abre a geladeira e ela está boiando a alto-mar. Cebolinha chora que quer voltar para casa, que inunda a geladeira e afundam.

Depois, Cascão quer cagar na privada da casa dele, e Cebolinha, dentro da privada, diz para ele não fazer isso. Cascão se espanta e quer saber o que ele está fazendo ali e Cebolinha diz que estava preso em uma geladeira e boiando no meio do oceano. Cascão mostra a língua sem acreditar, Cebolinha sai da privada, falando que precisa correr porque é um foragido. Cascão acha que Cebolinha pirou de vez e em seguida o policial sai do ralo do banheiro perguntando se o Cascão viu uma cebola nua passar por ali.

História legal em que Cebolinha recebe visita do Louco enquanto estava tomando banho, Louco pensa que ele era uma cebola de verdade nua chamando a polícia, que aparece para prendê-los. Há várias confusões principalmente envolvendo trocadilhos, até que Cebolinha volta para o bairro do Limoeiro na privada da casa do Cascão quando ele estava prestes a cagar, Cascão não acredita que estava preso em geladeira no meio do oceano e que era foragido da polícia até quando aparece o policial perguntando se ele viu uma cebola nua.

Um simples banho levou Cebolinha à loucura, nunca iria imaginar que o Louco fosse aparecer. Cebolinha nunca aprende, tem que muito cuidado com o que fala com o Louco, que leva tudo ao pé-da-letra. Dessa vez o gancho inicial o Louco pensar que ele era uma cebola de verdade que comemos pelada e chama a polícia e passam a ser perseguidos por um policial causando grande confusão. Como uma cebola nua não podia andar por aí, o policial quis prender o Cebolinha e também o Louco por ser cúmplice. E ainda situação piorou quando viraram balões e ele queria prendê-los porque é crime soltar balões. A prisão foi uma geladeira com intenção de eles entrarem em uma fria, conseguiram sair ficando no meio do oceano, mas Cebolinha conseguiu se libertar do Louco.

No decorrer, ainda viram balões no quarto da Denise por causa de trocadilho de balões de falas e fingem ser Juvenal e Lindomar para não caírem no chão. Detalhe que Cebolinha ainda entra na onda que quem se machucaram com a queda foram Juvenal e Lindomar e não eles, provando que a loucura pega. Sobre Cascão sentando na privada para cagar e o Cebolinha saindo de lá, imagine o Cascão cagar  e dar descarga com  Cebolinha dentro da privada, ainda bem que deu um grito antes de acontecer. À princípio, ficou a dúvida se era ou não tudo imaginação do Cebolinha, tão esquizofrênico que podia ter visões do que não existe, mas foi provado que foi tudo real porque Cascão viu o policial no final querendo voltar a prender o Cebolinha.

Foi engraçado Cebolinha cantando música do "É o Tchan" no banho, ver a boia de patinho andando e falando, o sorriso do Louco na parede pensando que era o gato "Alice no País das Maravilhas", o policial surgindo no chão, Cebolinha e Louco surgirem do nada na rua, a velhinha e a neta horrorizadas vendo Cebolinha pelado na rua, Louco dizer que vai doer quando cairem lá embaixo, a interação com a Denise, eles virarem balões, a onomatopeia "Poca", fingirem serem outras pessoas para não caírem, presos em uma geladeira, o choro do Cebolinha inundar tudo, Cascão quase cagar com Cebolinha dentro da privada e depois não acreditar na história maluca e se convencer, vendo o guarda no ralo do banheiro.

Ficamos sabendo que o Cebolinha é cantor de chuveiro e fã do grupo "É o Tchan" e cantando "Dança do bumbum" no banho, só não conseguiu completar o verso "Balançando a bundinha" por causa da boia de pato que apareceu na hora. Eles sempre colocavam nas histórias o que estavam em alta e na moda no momento com a criançada e isso é assim até hoje. A letra da música do "É o Tchan" não foi mudada assim como "Alice no País das Maravilhas" também não teve nome parodiado.

Foram bastantes trocadilhos, falas ao pé-da-letra, nada com nada, nada se encaixa, típico de histórias do Louco, uma grande viagem para sair do Mundo Real. Até policial fortão sair de ralo e buraco de chão pequenos não tem lógica e essa era a intenção. Parece que essa foi única história do Louco escrita pelo Emerson, no início de carreira ele escrevia para qualquer personagem, aí depois passou a escrever mesmo só para os principais do bairro do Limoeiro. Histórias nonsenses assim dele continuaram seguindo depois com frequência, mesmo sem serem do Louco.

Na época ainda não tinham caretas nas histórias do Emerson, porém teve bastantes exageros de cenas com personagens com língua de fora em posições de braços esticados e pernas inclinadas toda vez que eles ficavam espantados ou depois de alguém falar bobeira ou uma piada infame, coisa bem características nas histórias escritas pelo Emerson.

Foi a primeira vez a Denise com o Louco, contribuindo para Cebolinha e Louco virarem balões e ela querer brincar com os balões. Na verdade, não foi informado que a menina era a Denise de fato, mas pelo formato do cabelo a intenção era ela, ainda mais que o Emerson sempre gostou da Denise e dava um jeito de colocá-la nas histórias que escrevia. Ela não tinha ainda cabelo e personalidades definidos na época, mas foi primeira vez que o cabelo dela pareceu no formato assim com franjas duplas, só que em tom de cor mais claro. Com base nesse cabelo que apareceu nessa história e em "A tribo das Modernosas", de Magali Nº 245' (Ed. Globo, 1998), que Emerson depois moldou traços e características definitivos dela a partir dos anos 2000.

Cebolinha ficou pelado a história inteira, um recorde, e sem dúvida, ele foi o personagem que ficou mais vezes pelado em histórias. Também foram poucas histórias de abertura do Louco na trajetória da MSP, normalmente eram de miolo e mais curtas. Incorreta atualmente por nudez do Cebolinha, levar guarda-chuvada do Louco, os excessos de absurdos, mesmo em uma história do Louco, ideia de eles foragidos da polícia e sendo presos dentro de geladeira, policial surgir em ralo de banheiro, Cascão com calção abaixado, querendo fazer cocô com Cebolinha dentro da privada, além de expressão popular proibida "se meteram". Serem chamados de loucos acho que poderiam deixar dessa vez porque era história do Louco.

Traços ficaram bons, característicos do estilo começado em 1997 com personagens com bochechas mais redondas e mais fofos que marcaram a segunda metade dos anos 1990. Teve leve erro de fundo do olho da Denise não ser pintado de branco em alguns quadros. Essa história na revista foi interrompida por propagandas em papel tipo capa fina entre as páginas 10 e 11, estilo diferente de mostrarem anúncios dentro das histórias começado em 1995, dessa vez com as propagandas do picolé "Frutiliy" e do leite fermentado "Chamyto", ambos da "Nestlé" e em formatos de passatempos e atividades, como mostro abaixo. E, curiosamente, essa revista do 'Cebolinha Nº 132' foi a verdadeira "Nº 300" dele juntando as editoras Abril e Globo.

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Cascão: HQ "Viagem à Lua"

Dia 23 de abril é "Dia de São Jorge" e, então, mostro uma história em que o Cascão viajou para a Lua por engano e se encontra com São Jorge e o Dragão depois do astronauta da missão ter ficado com medo de entrar na nave espacial. Com 13 páginas, foi publicada em 'Cascão Nº 51' (Ed. Globo, 1988).

Capa de 'Cascão Nº 51' (Ed. Globo, 1988)

Escrita por Rosana Munhoz, começa com o dono de uma companhia espacial fazendo uma reunião para celebrar e anunciar o momento histórico que conseguiram construir a primeira nave espacial com condições de mandar um homem à Lua e apresenta o astronauta João Meteoro, contando que a contagem regressiva já começou e que em poucas horas ele estará na Lua, fazendo jus ao salário que recebe. Quer todos com dedos cruzados e amanhã eles estarão em todos os jornais.

João Meteoro avisa ao chefe que quer ficar um momento sozinho na sala dele antes do lançamento da nave para se concentrar. Na sala, João Meteoro comenta em que fria se meteu, quando aceitou ser astronauta, nunca pensou que conseguiriam construir a nave, por isso que assinou o contrato e agora não pode voltar atrás e não sabe o que fazer.

Um guarda pergunta se João já estava pronto, o lançamento é em uma hora, João diz que já está indo, coloca o uniforme de astronauta e sai da sala. O Guarda pergunta se vão ao foguete,  João responde que ainda não, quer ligar para mulher dele para pedir que ela deixe seu jantar preparado quando ele voltar. O Guarda comenta que ele é o cara mais corajoso que conheceu, João diz que na vida têm que ser otimistas e que o problema é que tem que ligar de um orelhão porque é um pouco supersticioso e sai da base espacial. João joga o uniforme no lixo, morre de medo até de avião, imagina se vai subir em um foguete.

Cascão estava dentro da lata de lixo, reclama quem jogou aquelas coisas nele e vê que era uma fantasia de astronauta. Acha o máximo, veste, dá certinha nele e vai mostrar para a turma para dar inveja neles. Os guardas vão trás, pensam que ele é o João Meteoro e perguntam onde ele vai. Cascão fala que vai mostrar a roupa para a turma, os guardas dizem que não há mais tempo, falta pouco para o lançamento, o levam para a base e jogam na nave que vai para a Lua.

Na nave, Cascão acha bacana, parece aqueles filmes espaciais do cinema. Ouve instruções do áudio de se preparar para a decolagem, sentar no banco e apertar os cintos. Começa contagem regressiva enquanto Cascão comenta que se for brincadeira, está gostando, parece de verdade, e a nave vai para o espaço. O dono da companhia comemora, um funcionário comunica com o Cascão  que está tudo indo conforme o programa e que está a caminho da Lua.

Cascão acha que estão levando a brincadeira muito a sério, solta o cinto e passa a flutuar. Vai em direção à janela da nave e descobre que está no espaço sideral e, ao mesmo tempo, um guarda da base espacial traz de volta João Meteoro, que havia sido preso roubando roupa do varal, e descobrem que ele não decolou e o chefe quer comunicar com a nave imediatamente. 

Cascão se apresenta, dizendo é corintiano roxo, o chefe vê que ele pesa 30 quilos amenos que João e isso é péssimo, tudo foi calculado nos mínimos detalhes, uns quilos amenos podem alterar rota da nave, não é garantido que vai pousar na Lua com sucesso e nem se ele poderá retornar a Terra e despede o João por tudo ser culpa dele.

Cascão posa na Lua, sai por baixo da nave e é recebido por São Jorge o Dragão. Cascão diz que pensava que eles eram inimigos e São Jorge revela que depois de tantos séculos guerreando, resolveram fazer as pazes. Cascão fala que gostou de lá, tão sequinho, nem uma nuvenzinha, nem uma gota d'água, acha um barato andar aos saltinho e pena a Terra não ser assim, porém sente falta de casa, da turminha, dos pais e do Chovinista. 

Cascão fala que está dando sede, pergunta onde pode comprar sorvete. São Jorge avisa que na Lua não há sorvetes. Cascão diz que pode ser laranjada, São Jorge avisa que tem nada disso, nem lanchonetes e restaurantes. Cascão pergunta do que vivem, São Jorge responde que da crença das pessoas e Cascão diz que está frito. 

São Jorge avisa que o Dragão é um ótimo mecânico, já reparou várias naves que passaram por lá. O Dragão conserta a nave rapidamente e Cascão decola. Na base espacial, acham incrível que o radar captou a nave voltando e que vai pousar lá mesmo. Depois, a nave pousa, Cascão diz que essa história o deixou exausto, cansou de ser astronauta, tira o uniforme e sai da base espacial. Em seguida, compra um sorvete, aparece o Cebolinha, dizendo que estava o procurando para participar um plano infalível contra a Mônica e que serão os donos da "Lua". Cascão bate nele e Cebolinha pergunta se falou alguma coisa errada. 

História muito legal em que o astronauta João Meteoro fica com medo de viajar para a Lua, foge da base espacial e deixa o uniforme na lata de lixo. Cascão encontra, veste para mostrar para a turma, só que guardas o encontram, confundem  com o astronauta fujão e o jogam na nave da missão espacial e Cascão vai parar na Lua. Encontra São Jorge e o Dragão , até gosta da Lua por ser seca e sem vestígios de água, mas sente saudades da família e dos amigos do planeta Terra. O Dragão conserta a nave, Cascão volta para a Terra e depois da aventura, Cebolinha aparece chamando para participar de plano infalível contra a Mônica e serem donos da "Lua" e apanha. 

Quem diria um astronauta ter medo de viagens espaciais e de embarcar em uma nave. João Meteoro tinha medo até de avião, não levava fé que um dia iriam construir uma nave para viajar para a Lua, aceitou contrato de astronauta só para ganhar muito dinheiro sem fazer nada. Na verdade, nem o dono da companhia tinha fé que a viagem à Lua fosse um sucesso dando mais mesmo ao João. 

O guarda foi displicente, não podia deixar João Meteoro sair da base espacial a poucos minutos do lançamento da nave. Caiu na conversa do João que queria que telefonar para a esposa, guarda tinha que ter sido firme e  dizer que tinha que ligar direto da base, não ir pessoalmente. Baixinho da altura do Cascão, o uniforme jogado no lixo caiu como uma luva no Cascão, fazendo ser o novo astronauta da missão espacial.

Cascão foi só aparecer na 4ª página da história, quiseram desenvolver bem a trama do João Meteoro desistir de viajar para a Lua. Cascão na lata de lixo foi fundamental para a história se desenrolar, graças a sua característica de sujão encontrou o uniforme de astronauta,  se não tivesse na lata, o uniforme ficaria lá e a história teria outro rumo.  Cascão achava que era tudo uma brincadeira gostosa, afinal, qual criança não gostava de brincar de astronauta, até cair na realidade que foi parar na Lua de verdade. Foi justa a demissão do João Meteoro e sem direito a recorrer no Sindicato dos Astronautas.

Lua lugar ideal para o Cascão viver sem água, quase ficou lá para sempre porque o pessoal da base espacial não iria conseguir trazer a nave de volta por te rido uma pessoa diferente na missão. teve sorte de encontrar o Dragão de São Jorge que era um excelente mecânico e, assim, retornar para casa e não querer mais saber de aventuras espaciais. Para ter a piada final, a dislalia do Cebolinha serviu para o trocadilho de "Rua" com "Lua". Apesar do Cascão saber da dislalia do amigo, já estava tão  estressado, exausto com a viagem espacial, sem raciocinar direito, que não podia nem ouvir mais a palavra "Lua" nem que fosse por dislalia do Cebolinha, que acabou apanhando sem entender nada.

Muitos momentos engraçados como dono da companhia dizer que muita verba consumida na construção da nave e que a missão fazer jus ao salário que João Meteoro recebe, João querer sair para ligar para esposa fazer jantar quando ele voltar,  de cueca samba-canção,  guarda comenta para o outro que nunca viu ninguém com tanto sangue-frio querer mostrar uniforme para os amigos, João preso por roubar roupa do varal, narrador dizer que não interessa se João vai recorrer ao Sindicato dos Astronautas por ter sido despedido e expectativa se Cascão iria sobreviver e se esta seria a última historinha dele e não perder o próximo e impactante quadrinho, São Jorge revelar que depois de tantos séculos guerreando, resolveram fazer as pazes com o Dragão, Cascão diz que está frito por depender das crenças das pessoas para sobreviver e o Dragão consertando a nave em minutos.

Curioso que o Cascão não gosta de água, mas gosta de sorvete picolé e laranjada, que são líquidos, problema dele é a água pura por representar limpeza. Nem precisou de participação do Astronauta na trama, poderia tipo ele ser o substituto do João Meteoro no final para um anova missão à Lua ou ajudar o Cascão a voltar para a Terra, mas ficou muito melhor assim do jeito que colocaram, sem crossover. Uma coisa boa foi ter tido muito texto por balão, até para ocupar menos páginas em um gibi quinzenal da época. Foram 13 páginas, mas com um tempo de leitura de 20 página sou mais. Hoje em dia acho diálogos curtos demais, bem resumidos e leitura bem rápida.

Pensei em postar essa história por causa do "Dia de São Jorge", sendo que com noticiários recentes da NASA anunciar a Missão Artemis II para a Lua, missão espacial de homem voltar à Lua se torna mais atual. Incorreta hoje em dia por Cascão ser astronauta por um dia em uma viagem à Lua, Cascão dentro de lata de lixo, apoiar a secura da Lua e não ter água nela, envolver religião com presença de São Jorge, João martelo com cueca samba-canção, citar orelhão por ser coisa datada, Cebolinha apanhar por tão pouco e ficar caído com olho roxo, além de palavras, expressões de duplo sentido e gírias datadas proibidas como "me meti", "morre de medo", "morrer de inveja", "sangue-frio", "roubando", "bacana", "barato", "estou frito", "me deixou num prego".

Traços ficaram excelentes do estilo consagrado dos personagens, bem caprichados, cheios de detalhes que dão gosto de ver. As cores muito bonitas assim, um tom de rosa mais forte mais bonito, não apagadas como no segundo semestre de 1987 e início de 1988, mas também não um tom forte exagerado, acho o ideal assim. De erro teve o zíper do traje de astronauta do cascão que não apareceu em alguns quadros ou em tamanho maior ou menor algumas vezes.

domingo, 19 de abril de 2026

Papa-Capim: HQ "Posso ir com você? Não vou atrapalhar!"

No "Dia dos Índios", mostro uma história em que o Papa-Capim leva o Cafuné para caçar junto com ele, só que o Cafuné atrapalha toda vez que aparecia um bicho para ser caçado. Com 4 páginas, foi publicada em 'Chico Bento Nº 14' (Ed. Abril, 1983).

Capa de 'Chico Bento Nº 14' (Ed. Abril, 1983)

Cafuné vê Papa-Capim com uma lança na mão e pergunta para onde ele vai. Papa-Capim disfarça que vai a lugar nenhum e que não sabe como a lança parou na mão dele para Cafuné não ir caçar com ele. Cafuné diz que vai a um lugar e não quer dizer e Papa-Capim confessa que vai caçar. Cafuné pergunta se pode ir com ele, Papa-Capim diz que a última vez que foi, conseguiu pegar nada. Cafuné fala que não tem culpa se ele estava em dia de azar e promete que não vai atrapalhar e Papa-Capim deixa.

Em seguida, Papa-Capim avista uma paca e quando vai soltar a lança, Cafuné dá um tapinha mandando ir firme e ele erra o alvo. Papa-Capim manda Cafuné não tocar nele. Depois, encontra uma ave no rio, Cafuné espirra, espantando a ave. Cafuné pergunta se acertou a ave, Papa-Capim grita que não , Cafuné pergunta o que está havendo com ele, se engrossou e Papa-Capim acha que sim. 

Depois, avistam um filhote de onça, Cafuné grita que tem onça na árvore, fazendo ela fugir. Papa-Capim fala que devia caçar o Cafuné, desiste da caça e vai embora. No final, Cafuné lamenta que é tão atrapalhado e pergunta se ninguém gosta dele, quando aparece os bichos que escaparam de de serem caçados fazendo carinho de agradecimento nele.

História legal em que Papa-Capim vai caçar na mata e leva o Cafuné junto só que não consegue caçar nenhum animal porque o Cafuné desviava o foco dele sempre que avistava um animal, fazendo Papa-Capim desistir. Cafuné fica triste porque era atrapalhado e seu amigo não gostava dele, mas, em compensação, é cercado de carinho pelos animais que escaparam de ser caçados por causa dele.

Papa-Capim resolveu dar uma nova chance a Cafuné e seu mal. Já não tinha conseguido caçar uma vez com Cafuné ao seu lado, antes tivesse seguido intuição e recusar o pedido dele de ir junto. Só sabe que uma terceira vez não vai ter, se aceitar, será burrice. Bom para os bichos que deixaram de morrer e foi bonito o carinho de gratidão deles no final. Ficou a dúvida se o Cafuné fez de propósito para o Papa-Capim não caçar os bichos ou se foi porque era atrapalhado mesmo. Cafuné era lerdo, um tipo Zé Lelé do núcleo dos índios, e poderia ter feito sem querer, aí vai da interpretação de cada um.

Foi engraçado Papa-Capim disfarçar para o Cafuné para qual lugar estava indo e não revelar que ia caçar, dizer que vai a lugar nenhum, que não sabia que estava segurando uma lança e perguntar como foi parar na mão dele, a lança perfurar barriga do Cafuné quando Papa-Capim manda parar, Cafuné atrapalhando a caça dando tapa nas costas, espirrando e gritando, deixando Papa-Capim irritado e dizer que devia caçar o Cafuné.

Com bonita mensagem de preservar os animais, essa fez parte da leva de primeiras histórias desenvolvidas da Turma do Papa-Capim, que só teve destaque quando Chico Bento ganhou revista em agosto de 1982. Antes disso, só tinha histórias de 1 página e muito raramente.  Impublicável hoje em dia por ter índios primitivos, não podem mais ter índios nos gibis, ainda mais Papa-Capim caçar, com lança na mão, além da palavra "azar" ser proibida atualmente.

Traços ficaram bonitos, cheios de detalhes da selva, mesmo com desenhos mais simples em histórias de miolo deixaram bastantes detalhes no cenário. Teve tons de diferente do marrom da pele dos índios nas 2 últimas páginas e erro do nariz do Papa-Capim em formato " ^ "em vez de " c " no primeiro quadro da história. Foi republicada depois em 'Almanaque do Chico Bento Nº 7' (Ed. Globo, 1989).

Capa de 'Almanaque do Chico Bento Nº 7' (Ed. Globo, 1989)

sexta-feira, 17 de abril de 2026

Capa da Semana: Cebolinha Nº 225

Uma capa em que Cebolinha e Cascão estão como índios e fazem ritual comemorando que conseguiram capturar o Sansão prendendo em uma madeira com caricatura da Mônica. Nem como índios os meninos conseguem esquecer a Mônica e não perdem oportunidade de aprontar com ela, verdadeira obsessão. Bem legal.

Interessante a expressão do Sansão não gostando, como se tivesse com conhecimento do que estava passando. Muitas vezes eles colocavam expressão dele de acordo com a cena, seja em capas ou histórias, mesmo sendo um coelhinho de pelúcia. As sujeirinhas do Cascão ficaram mais grossas para representarem pinturas de índio no rosto como foi do Cebolinha.

Era normal colocarem capas com personagens representados como índios e cada um de acordo com sua característica. Hoje impublicável isso por não permitirem mais nos gibis índios primitivos em ocas e seus costumes e muito menos os personagens principais sendo índios e malvados. A partir de 2003, as capas dos gibis da Globo passaram a ter um design diferente, com logotipo menor e o rosto do personagem ao lado que ficou um bom tempo para se acostumar com design assim com logotipo pequeno por estar acostumado com ele ocupando toda a largura. 

A capa dessa semana é de 'Cebolinha Nº 225' (Ed. Globo, Março/ 2005).