Em homenagem ao "Dia dos Pais" compartilho uma história em que a Mônica e seus amigos resolvem dar presente para os pais dos amigos em vez de dar para os próprios pais. Com 10 páginas, foi história de encerramento de 'Mônica Nº 64' (Ed. Abril, 1975).
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| Capa de 'Mônica Nº 64' (Ed. Abril, 1975) |
Mônica conversa com o coelhinho de pelúcia que deve ser bom ser coelhinho que não tem problema de quebrar a cuca para dar presente de Dia das Mães, dos Pais, dos Namorados sem ter dinheiro. Agora é Dia dos Pais, o pai dela tem tudo e tem nada que possa dar para ele, só se fosse gravata, mas faz cara feia quando recebe. Em seguida, aparece o Cascão triste e Mônica deduz que ele também não sabe o que vai dar de presente para o pai dele. Cascão confirma e acha chato que pai dele nem usa gravata, diz que talvez goste de uma lata de lixo linda, grande, velha e enferrujada, e acha que é difícil dar presentes para os pais da gente.
Mônica tem ideia de trocar de pai para dar presente, um dá presente para o pai do outro porque na verdade os pais ligam para o gesto e nem para o presente que os filhos dão e aí não precisam mais quebrar cuca para dar presente para os próprios pais. Então, eles vão passar a ideia para todos os amigos e o Cebolinha foi o último, encarregado de dar um presente para o pai da Mônica. Cebolinha diz que sabe nada do pai dela, o que ele tem ou que deixa de ter e pode dar qualquer coisa e que isso é o espírito da coisa e depois Mônica vai comprar presente para o pai do Humberto.
No dia seguinte, na véspera do Dia dos Pais, a turma se reúne no campinho, fazem as trocas dos presentes já empacotados e identificaram que era para o pai do "fulano". Indo para casa, Mônica adorou a ideia, só é angustiante não saber o que está dando para o pai dela. A mãe recomenda esconder no armário da cozinha onde o pai nunca vai e Mônica diz que amanhã a surpresa vai ser para o papai e para ela também e todas as crianças também escondem os presentes que vão dar para os pais deles.
Chega a manhã do Dia dos Pais e eles entregam os presentes. Xaveco entrega uma caixa com monstro que salta, fazendo o pai desmaiar; um menino entrega uma lata de lixo que foi dado pelo Cascão; outro menino dá um cordão de florzinha; outro menino entrega um bolo para o pai gordo diabético e diz que vai ficar só olhando porque o médico proibiu de comer doces, dado pela Magali, outro menino entrega uma bola par ao pai que havia quebrado o pé, Cascão joga for ao embrulho com sabonetes e xampu, pensando que devem ter trocado, pai da Magali recebe um livro de fazer jejum e ele diz que fica agradecido que finalmente viu alguma mudança nela e um menino negro dá um pente para o pai careca.
Na vez da Mônica dar o presente para o pai, acha a caixa mais leve e úmida e pensa que é umidade do armário. Quando o pai recebe, a caixa estava vazia, Mônica fala que é brincadeirinha, o presente leva depois e o pai só manda ela lhe dar uma abraço, que é o melhor presente para ele. Mônica gosta, mas quer tomar satisfação com o Cebolinha, que reclama que ela deu um espelho enfeitado de florzinhas e cor-de-rosa e ele nem gosta de se olhar no espelho por causa de calvície e conta que deu para o pai da Mônica uma estatuetazinha de gelo que ele próprio fez, só que esqueceu de avisar que tinha que guardar na geladeira. Mônica gostou do presente e acha engraçado de estátua de gelo fora da geladeira, os dois caem na risada e no final o pai da Mônica fala para esposa que o riso dos filhos é o melhor presente para os pais.
História legal em que Mônica tem ideia de dar presente para o pai de um amigo já que não sabia o que dar para o seu próprio pai e cada um de seus amigos dariam presente para o pai de outro amigo porque todos também tinham esse dilema de não saber o que dar para o pai, só que com a ideia acabou cada pai recebendo presentes de grego que nada tinha a ver com eles.
Foi uma espécie de amigo oculto de Natal e não sabiam o que tinham nas caixas de presente, sendo uma surpresa para todos. Alguns resolveram dar presentes para sacanear com o amigo, como foi o que o pai do Xaveco recebeu, já outros deram presentes do que eles próprios gostariam ganhar como foi o que o Cascão deu, ou então que seria um presente de grego para o filho, como foi com a Magali. Cebolinha foi o único que deu algo que agregasse, só que foi burro de avisar que era para guardar na geladeira. A intenção foi boa, dinheiro que gastaria pra dar presente para os próprios pais, vão dar para os outros pais, que não sabiam das trocas de presentes, se o pai que receber não gostar, o problema não era dele, e só do filho que entregou.
Muito boa autonomia das próprias crianças comprarem presentes para os pais, se preocuparem com o que ia dar, o mais coerente seria a mãe ir para escolher junto. Pena que nem todos os presentes a gente soube quem deu presente para quem e faltou mostrar presentes que os pais do Franjinha e do Humberto receberam, para isso precisaria ser mais longa. Serviu de mensagem que "Dia dos Pais" é comércio, os pais não ligam para presentes caros e extravagantes, o mais importante é um abraço e ver a felicidade deles, apenas vendo filho sorrindo contagiante já é a melhor coisa que poderiam receber. Interessante o lado histórico que há mais de 50 anos as pessoas já tinham essa visão que "Dia Dos Pais" era só comércio e roteirista quis mostrar essa mensagem do verdadeiro valor da data, uma crítica social, quase certo que foi escrita pelo Mauricio de Sousa.
Engraçado Mônica dizer que descobriu que Cascão não sabia o que dar de presente para o pai porque fez a mesma cara dela, Cascão querer dar lata de lixo para o pai, Franjinha esconder o presente na casinha do Bidu e dizer para o cachorro não contar pra ninguém que escondeu lá e principalmente todas as surpresas que cada pai recebeu com os presentes trocados, principalmente o pai do Xaveco, o pai gordo diabético que não podia comer bolo, o que recebeu bola com pé quebrado, o do Cascão recebendo sabonete e xampu e o da Magali pensando que a comilona ia fazer jejum.
Vimos que tiveram vários personagens secundários figurantes porque não tinham muitos personagens fixos criados da turma na época. Personagens fixos que contracenavam com Mônica, Cebolinha, Cascão e Magali eram só Xaveco, Franjinha e Anjinho. Nesta história a Mônica até citou o Humberto, mas ele não aparecia nos gibis e pode até ser que Humberto fosse nome de qualquer figurante que apareceu na trama e não necessariamente o mudinho que conhecemos.
Deu para notar que os pais das crianças tinham um aspecto mais envelhecido, ficando um retrato dos anos 1970 em que as pessoas aparentavam maus velhas do que realmente eram. Teve um festival de personagens falando com boca fechada, na primeira metade dos anos 1970 era quase um padrão isso, principalmente em histórias escritas pelo Mauricio. O Sansão ainda não tinha nome por isso a Mônica chamá-lo de coelhinho.
Os pais da turma quase não apareciam nos anos 1970, histórias eram mais focadas nas crianças. Apenas os pais do Cebolinha e do Franjinha e a mãe da Mônica que eram mais definidos nos traços. Mãe da Mônica aparecia mais vezes em relação aos outros enquanto pais do Cebolinha e do Franjinha eram aparições mais raras. Pais do Cascão não apareciam, no máximo eram apenas citados, por isso nem mostrou aí o Cascão com seu pai, e só começaram a aparecer a partir de 1977 e bastante raramente depois disso até quando ele começou a ter revista em 1982. A mãe da Magali apareceu primeiro só no final de 1975 e antes disso no máximo aparecia só voz dela. Normalmente gostavam muito de não revelar rosto dos pais, ficar o mistério e permitir que os leitores imaginassem como eram os rostos deles.
Nesta história foi a primeira vez que apareceram o pai da Magali e o pai da Mônica. Vimos que era completamente diferente o pai da Magali como um velho, gordo e uma espécie de versão masculina da filha com camisa amarelo e cabelo desse jeito, depois ele teve uma faceta com cara do Seu Juca e só a partir de 1986 que teve o estilo atual que conhecemos. Já o pai da Mônica deu ideia que inicialmente tinha intenção de não mostrar o rosto dele e leitor imaginar como era como foi na cena do abraço dele na Mônica, aí o final resolveu revelar rosto dele, que ficou bem parecido com o Mauricio de Sousa. Os pais também não tinham nomes revelados, passaram a ter nomes fixos só nos anos 1990.
Histórias dos anos 1970 eram bem lentas, eram muito comum personagens dialogando, altas conversas, enquanto vão caminhando pela rua. Se fosse nos anos 1980, as 4 primeiras páginas iniciais desta história iam ser mais resumidas em 2 páginas no máximo e depois seguiriam normalmente. Hoje em dia seria corrida demais, já que agora todas histórias de miolo são no máximo 3 páginas para atender as crianças de hoje da geração Alpha que gostam de tudo corrido, acelerado, sem paciência para ler histórias longas e lentas.
Incorreta atualmente por autonomia das crianças de comprarem presentes sozinhas, se preocuparem com o que ia dar para os pais, Cascão dar lata de lixo, menino negro e seu pai com lábios de círculo rosa em volta da boca, mãe da Mônica de avental, além de palavras e expressões proibidas como "quebrar a cuca", "gozado", gíria datada "grilo".
Traços ficaram bons no estilo da primeira metade dos anos 1970 com personagens com bochechas pontiagudas, mas já sofrendo adaptações comparados como eram em 1970 e 1971. Nunca foi republicada até hoje, poderia ter sido entre 1980 a 1983, mas por ter tema de Dia dos Pais, poderiam estar adiando e como Almanaques da Mônica não eram lançados em agosto, acabou ficando esquecida, fora que muitas histórias dessa fase não foram republicadas porque os almanaques da Mônica eram anuais e depois de 8 anos das originais achavam que esravam velhas pra republicações pelo estilo de traços diferentes. Aí, essa é rara e só quem tem a edição original que a conhece.
FELIZ DIA DOS PAIS!!!
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