sábado, 24 de outubro de 2026

Cascão: HQ "A Bateria"

Dia 24 de outubro é aniversário do Cebolinha e então mostro uma história em que o Cebolinha ganha uma bateria dos pais de presente de aniversário e Cascão consegue estragá-la. Com 11 páginas, foi história de abertura publicada em 'Cascão Nº 96' (Ed. Abril, 1986).

Capa de 'Cascão Nº 96' (Ed. Abril, 1986)

Os pais do Cebolinha distribuem fones de ouvido antes do filho acordar. Depois de distribuir, acordam o Cebolinha desejando feliz aniversário e mostram o presente, que era uma bateria que sempre desejou ter e ele diz que pensava que não iam dar por causa do barulho que ela faz. Os pais falam que não ligam para barulho, o que importa é felicidade dele, colocam fones de ouvido e vão para a sala.

Cebolinha toca a bateria bem alto, Cascão, brincando em frente a casa dele, ouve se assusta, aciona guarda-chuva pensando que era trovão. Percebe que não estava chovendo e o barulho continuava, descobre que vinha da casa do Cebolinha e vai lá. Cebolinha toca rápido empolgado e deixa as baquetas serem arremessadas em direção à janela. Cascão pesca e pergunta se se ele pode tocar. 

Cebolinha dá risada, os dois riem juntos e depois Cebolinha grita que nem morto e fecha a janela na cara do Cascão, dizendo que foi muita audácia dele, nada neste mundo vai deixar o Cascão tocar na bateria. Cascão bate na janela, mostra as revistas da coleção do Cebolinha que havia lhe emprestado, pega um isqueiro e ameaça queimar as revistas e, assim, Cebolinha é obrigado a deixar Cascão tocar na bateria.

Cascão agradece Cebolinha em deixar tocar e que ele é um grande coração e que agora ele vai mostrar o que é um baterista de verdade e Cebolinha manda parar com embromação e tocar logo e com cuidado para não quebrar a bateria nova. Cascão comenta que Cebolinha fala como se ele fosse o mais desastrado do mundo e Cebolinha afirma que ele é e manda ter cuidado porque ele vai ao banheiro e já volta.

Cascão acha Cebolinha bobo, se pergunta o que pode acontecer de mau tocando uma bateria. Quando se prepara para tocar, ouve um grito da Mônica o chamando no lado de fora procurando o Cascão para bater por ter roubado o Sansão e falta procurá-lo na casa do Cebolinha. Cascão se assusta e atravessa o pé no bumbo da bateria. Ele imagina Cebolinha e Mônica brabos com a bateria quebrada e com Sansão roubado e se esconde.

Cebolinha volta para o quarto e não encontra o Cascão. Mônica ouve e diz que está procurando por ele. Cebolinha diz que Cascão foi embora, Mônica lhe deseja parabéns pelo aniversário, Cebolinha pede para ela ficar e mostrar a bateria que ele ganhou. Mônica acha bonita e foi por isso que viu um monte de gente com tampa-orelha.

Cebolinha toca na bateria, deixa Mônica tocar também, Cascão sai de dentro da bateria, não aguentando o barulho, reclamando que vão tocar mal assim no inferno. Cebolinha se espanta com a bateria quebrada e Mônica olha o Sansão na mão do Cascão. Depois, na sala, Seu Cebola comenta com a Dona Cebola que o filho está tocando bem, o ritmo de som está gostoso. Dona Cebola diz que não sabia que o Cebolinha tocava bateria bem e no final veem Mônica e Cebolinha atrás do Cascão batendo nele.

História engraçada em que Cebolinha ganha uma bateria de presente de aniversário e o Cascão quer tocar nela e como Cebolinha não deixa, Cascão faz chantagem de queimar coleção de revistas do amigo e Cebolinha teve que aceitar. Aí, deixa Cascão sozinho para ir ao banheiro, Cascão quebra bateria com susto da Mônica, se esconde dentro do bumbo, mas sai não aguentando o barulho e Mônica e Cebolinha batem nele.

Cascão conseguiu aprontar com Cebolinha e Mônica ao mesmo tempo, não agiu bem fazer chantagem, ameaçar queimar coleção revistas do Cebolinha para poder tocar a bateria, teve merecido castigo de apanhar dos dois. Cebolinha já sabia que Cascão era desastrado e não confiável, errou em deixá-lo sozinho com a bateria, poderia ter evitado, tipo falando para o Cascão esperar na sala enquanto ia ao banheiro e depois retornavam ao quarto juntos. O ritmo da batida de apanhar foi perfeito e melhor que o som que o Cebolinha tocava na bateria, fazendo os pais dele pensar que o filho era um gênio da música.

Pais do Cebolinha com coragem de dar  bateria para o filho criança e gastaram bastante dinheiro, não só com a bateria quanto para dar fones de ouvidos para cada vizinho. Bem solidários para não perturbarem vizinhança com o barulho que o Cebolinha ia fazer. Falam que não ligam para barulho, mas providenciaram fones de ouvidos para eles também e Cebolinha nem se tocou que era porque ele ia tocar mal e com muito barulho perturbante.

Não teve foco com história envolvendo medo de água, banho, sujeira, mas foi lembrada a característica dele quando acionou guarda-chuva e esconder dentro com medo de trovão e pensando que ia chover. Cascão sempre anda com guarda-chuva a tiracolo para emergências como essa. Foi bom também o absurdo de Cascão conseguir uma vara de pescar em questão de segundos para pescar a baqueta, pelo visto também anda com vara de pescar a tiracolo junto com guarda-chuva.

Engraçado pais do Cebolinha distribuindo fones de ouvidos para os vizinhos, a cara do Cascão assustado com o barulho da bateria, Cascão acionando o guarda-chuva imediatamente assim que ouviu o suposto trovão, pôr mão para fora pra confirmar que não está chovendo, pescar baquetas com vara de pescar, ameaçar queimar coleção de revistas do Cebolinha com isqueiro se não deixasse tocar na bateria e depois dizer que Cebolinha tem "grande coração" por deixar tocar bateria à base de chantagem, Cascão quebrando o bumbo com o pé após susto da Mônica e imaginar os amigos brabos com o que ele fez, e pais do Cebolinha confundirem om da bateria com som das pancadas que o Cascão recebia.

Na época os aniversários de personagens não tinham datas fixas, aí nessa de 1986 Cebolinha fez aniversário em maio, só passaram a ter datas fixas a partir de 1994. Aniversário do Cebolinha ficou só o ponto de justificativa para Cebolinha ganhar uma bateria, depois o tema ficou de segundo plano. Saiu em gibi do cascão por ele ser o causador da quebra da bateria, mas dava para ter sido publicada em gibi do Cebolinha tranquilamente se quisessem.

Incorreta atualmente por pais darem bateria para uma criança, Cascão com isqueiro na mão e ameaçar queimar coleção de revistas do Cebolinha se não deixasse tocar na bateria, quebrar bateria dando prejuízo e ainda se esconder dentro do bumbo prejudicando audição dele, ideia de Seu Cebola lendo jornal e Dona Cebola fazendo tricô, como coisas datadas em uma família da atualidade, além de palavras e expressões populares incorretas como "Nem morto!", "roubar", "peste", "Graças a Deus!", "azar", "vão tocar mal assim no inferno!".

Traços muito bonitos da fase consagrada dos personagens dos anos 1980 e contornos bem grossos. Teve propagandas inseridas no rodapés das páginas, o que era muito comum na época, dessa vez com propagandas do bombom "Chokito" e dos gibis do Manda-Chuva, Zé Colmeia, Luluzinha e Bolinha, todos da Editora Abril Foi republicada depois em 'Coleção Um tema Só Nº 21 - Mônica Aniversários' (Ed. Globo, 1998).

FELIZ ANIVERSÁRIO, CEBOLINHA!!!

Capa de 'Coleção Um Tema Só Nº 21' - Mônica Aniversários' (Ed. Globo, 1998)

quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Cebolinha e a turma: HQ "Tempo de eleição"

Eleições no Brasil do segundo turno chegando no próximo dia 25 de outubro e então mostro uma história em que Cebolinha e Mônica disputam eleição para quem vai ser presidente do clubinho dos meninos. Com 16 páginas, foi publicada em 'Cebolinha Nº 193' (Ed. Globo, 2002).

Capa de 'Cebolinha Nº 193' (Ed. Globo, 2002)

Escrita por Emerson Abreu, Cebolinha decreta aberta a eleição para presidente do clubinho dos meninos, distribui as cédulas para Titi, Jeremias, Cascão e Xaveco marcarem os votos deles e avisa que depois é para depositarem o papelzinho na urna. Xaveco pergunta por que só tem o nome do Cebolinha na cédula e ele responde porque ele é o único candidato.

Os meninos se revoltam, acham absurdo o Cebolinha ser sempre o presidente, se recusam a participar dessa marmelada, falam que o povo não vai permitir isso, chega de Ditadura. Cebolinha resolve arrumar mais um candidato e pergunta qual deles quer ser presidente do clubinho. Titi responde que está ocupado, Jeremias, tem que estudar para prova, Cascão, tem campeonato de bolinhas na semana e Xaveco, não se mete em política.

Cebolinha reclama que toda eleição é a mesma coisa, ninguém quer ser presidente, parece que ele é o único preocupado com o clubinho, todos estão sempre preocupados demais com suas próprias coisas, gostem ou não ele vai ser o presidente e ordena que todos votem de uma vez. 

Em seguida, chega a Mônica, eles tentam se esconder pensando que ia bater neles e Mônica avisa que quer se candidatar ao cargo de presidente do clubinho e colocar ordem no barraco. Cebolinha fala que  não precisam de outro presidente, ele pode muito bem tocar o clubinho sozinho e Mônica responde que se ele faz um trabalho tão bom assim, não precisa ter medo. 

Cebolinha pergunta quem está com medo e diz que ninguém iria votar em uma menina para presidente. Mônica diz que em hoje e dia, as mulheres estão atuando em todos os campos de trabalho, principalmente na política, elas são mais maduras, organizadas, inteligentes, e, principalmente, sabem fazer biscoitos de polvilho deliciosos.

Os meninos avançam para comer os biscoitos. Cebolinha acha que foi traição, Mônica pergunta se ele está ficando com medo e Cebolinha responde que eles só estão se aproveitando dela e ninguém a elegeria para presidente. Os meninos gritam "Mônica para presidente! Já ganhou! Já ganhou!" e Cebolinha chama os amigos de bando de traíras. 

Mônica avisa que se Cebolinha quiser, pode ser o vice e ele a chama de maluca, dizendo que ela não pode ser presidente do clube dos meninos porque se chama "clube dos meninos" e ela não é menino. Eles concordam e querem mudar o nome do clubinho, Titi dá sugestão para "Clube dos meninos e dos biscoitos de polvilho", Cascão, "Clube da natureza e dos poemas mágicos" e Titi diz que poderiam colher margaridas por todo o campinho.

Cebolinha fica com raiva, diz que o negócio está ficando fora de controle e busca o livro de constituição do clubinho que informa que meninas não podem ser presidente de lá. Cascão fala que não sabia que tinham aquele troço, Mônica toma o livro da mão do Cebolinha e descobre que era só um livro de receitas. Cebolinha acha que isso tudo é para desmoralizar o clubinho dos meninos, Mônica não quer saber e resolve fazer a votação.

Após contagem de votos, Mônica é eleita a nova presidente, Cebolinha exige recontagem e Mônica manda desencanar, Cebolinha só teve um voto, o dele mesmo. Cebolinha diz que ela sabe que os amigos votaram nela por causa dos biscoitos e Mônica diz que foi porque ela é mais madura, organizada e mais inteligente que ele. Cebolinha deseja boa sorte, avisando que eles vão se arrepender disso.

Após posse da Mônica, Cascão avisa que o biscoito de polvilho acabou e pergunta se Mônica pode fazer mais, ela responde que agora não, tem coisas mais importantes para fazer primeiro. Os meninos se olham entre si sobre a fala dela e Jeremias diz que sabia que ela era uma farsa.

Mônica começa uma reunião e mostra lista com a programação do clubinho daqui em diante. Segunda-feira irão brincar de casinha, 3ª, regar os lírios do campo,  4ª, ler poemas e jogar amarelinha, 5ª, ajudar as velhinhas atravessar a rua, 6ª, vão dar as mãos fazendo grande energia positiva cantando "lira, lira alegria".

Cascão interrompe dizendo que já tinham agenda lotada pelo resto do mês, Mônica quer saber o que era e eles dizem que 2ª feira é dia de xingar a Mônica, 3ª, colar desenhos da dentuça nos muros, 4ª, dar nós nas orelhas do Sansão, 5ª, colocar em prática o plano das lagartixas alienígenas e Xaveco acha que isso é na 6ª feira porque na 5ª é jogar ovo e farinha na gorducha. Mônica fica braba, bate em todo mundo.

Depois, Cebolinha volta para o clubinho, feliz que os amigos expulsaram a Mônica e terem o chamado de volta, espera que finalmente tenham percebido o perigo que aquela dentuça representa para o clubinho e a partir de hoje a guerra está declarada e vão dedicar todos os dias da semana a fazer planos para derrotá-la. Cascão interrompe, falando que bolaram uma agenda para a semana enquanto ele esteve fora e os meninos dizem que é 2ª feira brincar de casinha, 3ª, regar os lírios do campo,  4ª, ler poemas, 5ª, definitivamente construir uma saída de emergência. 

Uma boa história em que os meninos fazem eleição de novo presidente do clubinho, a principio seria só o Cebolinha como candidato já que os outros meninos não queriam se candidatar até que aparece a Mônica pra se candidatar e consegue ser eleita por meninos se sentirem atraidos pelos biscoitos de polvilho que ela tinha feito. No governo, Mônica age como tirana, os meninos falam o que faziam antes dela ser presidente, que era só aprontarem com ela e aí Mônica bate em todo mundo e cebolinha volta a ser o presidente, só que como voltariam a aprontar com a Mônica e apanharem de novo, preferem fazer a agenda que a Mônica tinha feito antes. 

Uma eleição só com um candidato não é certo, mas também ninguém queria ser candidato, pareceu eleição para síndico de condomínio, reclamam do síndico, mas ninguém quer ser um, aí não podem reclamar de como Cebolinha agiu, tem que aturá-lo como presidente.

Só que teve o azar da Mônica querer ser presidente do clubinho, achava que uma menina podia comandar melhor. Realmente Cebolinha estava certo, se era clubinho dos meninos, meninas não entram e muito menos menina ser presidente. A Mônica já é dona da rua, ainda querer mandar no único lugar onde o Cebolinha manda, foi muito ruim para ele. Uma vantagem do Cebolinha é que não apanhou, só os seus amigos, isso foi bom pra ele. 

Mônica comprou os eleitores com biscoito de polvilho, eles se venderem por tão pouco e essa compra de voto rendeu arrependimento depois, já que a Mônica foi tirana, sem cumprir promessa de fazer mais biscoitos de polvilhos para eles, e sugerindo agenda de coisas que meninas faziam e não meninos, coisas poéticas como ler poema e cantar "lira, lira alegria", pior foi para o Cascão precisar regar lírios do campo, ele não ia gostar e não poderia fazer por mexer com água. Cebolinha volta depois, mas fica uma coisa pela outra já que com Mônica como presidente ou Cebolinha, eles apanham de qualquer jeito porque as atividades do clubinho sempre eram de aprontar e provocar com ela.

Foram engraçadas as tiradas do Xaveco dizer que chega de "dentadura" já que não sabe o que é Ditadura, as desculpas dos meninos para não se candidatarem, Mônica dizer que é mais inteligente que o Cebolinha e ele dizer que se Mônica ler o livro, vai ficar mais tonta que já é, meninos procurando se o livro ensina receita de bolo de polvilho, meninos dizer que a Mônica é uma farsa quando não fez biscoito de polvilho, Mônica dizer pequena lista da agenda e solta um papel gigantesco, apanharem surra violenta quando soube o que faziam no clubinho com Cebolinha como presidente.

Eram muito exploradas histórias de eleição de presidente do clubinho, cada uma com estilo de cada roteirista. Incorreta atualmente por tema de eleições e críticas sociais políticas, separar cousas de meninos e coisas de meninas, meninos aparecerem extremamente surrados no final, além de palavras e expressões populares de duplo sentido proibidas como "colocar ordem no barraco", "disparate", "gorducha".

Seguiu o estilo de roteiros do Emerson com personagens eufóricos, saltitantes, até dando mão um para o outro, fazendo caretas, línguas assanhadinhas de fora toda vez que se espantavam ou alguém contava piada infame, cabelo do Cebolinha saindo da cabeça quando se espanta. Deu para notar que m 2002 línguas de fora bem mais frequente do que em 1997 e quanto caretas iam ser mais exageradas nos anos seguintes. E ainda teve o famoso bordão "Fujam para as montanhas", bem presentes nas histórias dele a partir dos anos 2000, às vezes variavam para "Fujam para as colinas".

Traços medianos do estilo dos anos 2000. Jeremias com camisa branca sem o efeito de vários pontos pretos em um fundo branco formando o cinza como era nas camisas dele, aí sem os pontos pretos ficava branca. A solução seria simplesmente pintar de cinza, mesmo não ficando na mesma tonalidade do recurso que usavam.

terça-feira, 20 de outubro de 2026

HQ "A Turma da Mônica e a eterna luta entre o bem e o mal"

Mostro uma história em que Mônica, Cebolinha e Cascão ajudaram por engano um vilão a tomar poder em um planeta distante. Com 12 páginas, foi história de abertura publicada em 'Mônica Nº 15' (Ed. Globo, 1988).

Capa de 'Mônica Nº 15' (Ed. Globo, 1988)

Em um planeta distante, Atrax e Rug, dois poderosos, duelam entre si, Atrax vence e manda Rug arrumar a trouxa e dar o fora do planeta, chega de tirania, de escravizar o povo dele e de maldades no mundo dele. Rug avisa que isso não vai ficar assim, vai conquistar outros mundos, formará exército dele e eles acertarão as contas. O povo do planeta X comemora o fim da escravidão falando que Atrax é o libertador e Atrax diz que de hoje em diante estão todos livres, no reino dele só haverá paz e felicidade.

O narrador acha estranho que o bonitão que é o tirano e conta que Rug estava muito brabo e vai atrás de novas conquistas, só que não existia vida inteligente em outros planetas na galáxia, até que chega no Planeta Terra. Rug encontra um cachorro, que corre atrás dele, pensa em desistir achando que não tinha também vida inteligente, quando aparece o Cascão, perguntando se ele é o Rambo. Rug reclama do cheiro horrível que o sufocava e pergunta onde pode encontrar outros seres da espécie dele.

Surge Mônica correndo atrás do Cebolinha, a coelhada atinge o Rug, que acha que é uma arma poderosa e conta que eles eram exatamente quem procurava pelo infinito afora e pede ajuda para recuperar prestígio do povo dele enquanto a Mônica acha o Rug um pão-doce a aceita ajudá-lo. Cebolinha diz que ela não sabe do que aquele maluco está falando e Mônica responde que não precisa.

Eles vão ao planeta X enganados e iludidos pela persuasão do Rug. Atrax espera expulsá-lo de novo, joga um raio na Mônica, que lhe dá o troco dando uma coelhada na cara. Atrax fica tonto, sente o cheiro horrível do Cascão e desmaia enquanto o Cebolinha segura o baixinho do governo para não fugir. Rug volta ao trono e manda Atrax e a turminha para o calabouço.

Eles se seguram para escapar do dragão em forma de polvo, Mônica chora que não quer virar comida de monstro e Atrax fala que a culpa  foi deles de acreditarem naquele crápula. Mônica comenta que Rug é tão bonito que pensou que era o mocinho. Eles saem do calabouço, Rug não estava no trono porque estava escravizando o povo e eles vão até lá.

No duelo, Atrax se abaixa, fazendo Rug dar uma curva e cair no chão, Mônica tenta dar coelhada nele, Cebolinha espeta bunda com cabelo e Cascão ameaça dar abraço nele, e, assim é derrotado. Rug manda deixá-lo em paz, promete não voltar mais lá e parte do planeta X e Atrax entrega uma capa mágica para a turma voltar para a Terra. 

Chegando, Mônica comenta que aprenderam que o mal não pode vencer o bem, mesmo que disfarçado de belo, os meninos vão embora reclamando de lição de moral. Depois, Mônica se pergunta onde estará Rug e se desistiu de conquistar o poder e ela ver o Rug como candidato político em campanha eleitoral, fazendo falsas promessas.

Uma história de aventura legal em que o bandido é um bonitão e o verdadeiro herói libertador é feio, o poderoso belo malvado Rug tenta formar seu próprio exército para conquistar o poder no planeta X à força e escravizar o povo de lá e chama a Turma da Mônica para a missão. Após conseguir vencer o mocinho Atrax graças a ajuda deles, Rug foi ingrato e mandou todos para o calabouço porque não precisavam mais deles e assim descobriram que Rug quem era o vilão e conseguem voltar para derrotará-lo e fazer com que Atrax volte ao trono e expulsar Rug do país. 

Assim que venceu o primeiro duelo, Atrax podia ter prendido o Rug, até para pagar pela escravidão que o povo sofreu. Só quis extraditá-lo do planeta, lógico que voltaria, ainda mais que tinha prometido que iria se vingar. A Turma da Mônica formou exército dele, já que Mônica acreditou que Rug era mocinho só porque era bonito e o Atrax era feio e acabaram se dando mal sendo presos também com Atrax, só assim para descobrirem que o Rug quem era o vilão. Escapam e conseguem derrotar o Rug e dar um final feliz para o planeta X sem escravidão. 

Mônica devia ter interrogado mais o Rug, saber explicações melhores como poderia ajudá-lo, que problemas o planeta estava sofrendo, só porque ele era bonito julgou que era uma boa pessoa sem nem investigar. Cebolinha até ainda a alertou, mas foi em vão, achava que não precisava se preocupar. Foram bem rápidos para derrotarem o Atrax, era legal quando venciam através das suas características como super força da Mônica e mau cheiro do Cascão capazes de derrubar qualquer um, Cebolinha também contribuiu com cabelo espetar bunda do Rug.

Atrax também podia ter prendido Rug após o duelo com a turma, impediria escravizar o povo do Brasil. Como não teve sucesso no planeta X, Rug vira político no Brasil para conquistar poder com lábia de falsas promessas e conseguir escravizar o povo brasileiro. Em um país como o Brasil cujo povo não sabe votar, acredita em  qualquer fala de político e histórico de escravidão, é fácil enganá-los e manipulá-los como político, encontrou lugar perfeito para escravizar, muito mais fácil que no planeta X. Ficou na imaginação em qual cargo político ele se candidatou. 

História mostrou lição para não influenciar e julgar as pessoas pela aparência. Na sociedade tem ideia que quem tem rosto bonito que é mocinho e quem é feio é o vilão, quando na verdade, tem que conhecer melhor a pessoa, saber mais sobre ela, pesquisar, e só assim poder julgar. Incorreta atualmente por ter crítica social política, mostrar povo escravizado ameaçado por chibatada, coelhada violenta da Mônica na cara deles sem ser só onomatopeia, característica de mau cheiro do Cascão causar incômodos nos outros, além de expressões populares de duplo sentido como "fazer um picadinho de você" e Mônica chamar Rug de "pão-doce" porque chamar alguém de pão (bonito) é gíria datada.

Foi engraçado alguns diálogos como Mônica chamar Rug de "pão doce", Cebolinha falar "você nem sabe do que esse maluco está falando!" e Mônica responder "E precisa?", narrador-observador dizendo "inocentes criancinhas são enganadas pelo persuasivo Rug", Mônica, Cebolinha e Cascão serem chamados de "anões" pelo baixinho e de "coisinhas feias" pelo Rug, Mônica dizer que não quer virar comida de monstro, além de mau cheiro do cascão sufocar Rug e derrubar o Atrax, Cebolinha espetar bunda do Rug com cabelo.

Dessa vez foram extraterrestres em forma humanoide, até para Mônica se apaixonar pelo Rug por causa da aparência. Histórias com extraterrestres estavam em alta nos primeiros anos da Editora Globo, sobretudo entre 1988 e 1989. Rug e Atrax só apareceram nessa história, com ode costume de personagens secundários criados para aparição única. 

Quando era criança, só vendo a imagem, eu achava que o Rug era o He-Man e que era paródia do desenho animado. Nome do Rambo não foi parodiado, nem sempre parodiavam nomes famosos na época. "Sigam-me os bons" foi uma referência e homenagem ao bordão de Chapolin. Na fase clássica não apareciam os personagens de Chaves e Chapolin, mas de vez em quando eles falaram bordões dos seriados, então não deixaram de ser citados de alguma forma.

Traços excelentes da fase consagrada dos personagens dos anos 1980. Cores desbotadas típicas de histórias do segundo semestre de 1987 a início de 1988. Propaganda inserida na história foi no canto direito da página, com propaganda "O Boticário". Era muito comum propagandas inseridas nas histórias assim na época.

sábado, 17 de outubro de 2026

Magali: HQ "Pizza para todos os gostos"

Mostro uma história em que a Magali e a turma tiveram que lidar com um vilão quis comprar todos os estabelecimentos da cidade para serem transformados em pizzarias só porque ele adorava pizza. Com 16 páginas, foi publicada em 'Magali Nº 131' (Ed. Globo, 1994).

Capa de 'Magali Nº 131' (Ed. Globo, 1994)

Magali fica feliz que a mãe Dona Lili queimou o jantar porque sempre que não tem, pedem pizza e, por ela, podiam comer pizza todos os dias. Em outro local, o Jão também adora pizza e acha que deveria existir só pizza. Seu assistente Eufrânio oferece um calmante para acalmar, Jão recusa e só quer que em diante lhe ofereça pizza, usando uma máscara e diz que tornou o Capitão Pizza.

Jão quer lutar para que deem à pizza seu real valor e quer que todos comam apenas pizza e manda Eufrânio sacar todos os milhões de dólares que resta e compre todos os restaurantes e mercados do país. Eufrânio avisa que nem a fortuna dele dá para comprar tudo isso e Jão manda que comece comprando apenas dessa cidade que estão.

Dias depois, Dona Lili vai ao mercado e descobre que fecharam e abriram uma pizzaria no lugar e vai a outro mercado fazer compras enquanto Magali vai brincar. Encontra a Mônica, feliz que recebeu aumento da mesada e quer pagar um sorvete para Magali. Elas vão à sorveteria e têm a surpresa que não vendem mais sorvetes, estabelecimento mudou de dono e agora só tem pizza.

Mônica quer sorvete, pede dois de morango ao vendedor de carrinho de sorvete e ele entrega pizzas de morango. Mônica se espanta, mas acaba comprando, lamentando que era só o que faltava. No caminho, veem vários estabelecimentos de pizza, Magali adora e vai embora para casa porque o papo lhe deu fome.

Em casa, o almoço era pizza, que foi só o que a Dona Lili conseguiu encontrar, ela fala que ouviu dizer que um maluco comprou tudo é restaurante e mercado transformando em pizza. Magali comemora, come com gosto e ao passar dos dias a família só come variados tipos exóticos de pizza, por pelo menos 5 dias e quando foi ensopado de pizza, Magali já estava enjoada e nem ela acredita nisso de recusar comida.

Na rua, Magali vê a turminha reclamando que não aguentam mais, com saudades de ovo frito, sorvete, Cebolinha comenta que foi o pai foi um dia comprar comida em outra cidade, mas ir todo dia fica caro. Magali lembra que a sua Tia Nena nunca venderia a lanchonete dela para alguém e eles vão lá. Chegam  lá, parecia normal, mas Magali estranha que se é a única que não vende pizza porque não está lotada e a turma tem surpresa que a Tia Nena estava refém do Eufrânio com arma apontada na cabeça dela.

Eufrânio diz que está tentando convencer Tia Nena vender a lanchonete por um excelente preço e ela não aceita. Mônica fala que é bom deixar a Tia Nena em paz senão vai tacar o coelhinho, quando o Jão como Capitão Pizza taca uma pizza pegajosa na Mônica, que fica grudada no chão. A turma tenta fugir, Capitão Pizza taca as pegajosas no Cebolinha e no Cascão e Magali consegue escapar, se escondendo atrás do balcão.

Capitão Pizza ameaça Tia Nena em jogar pizzas explosivas nas crianças se ela não vender a lanchonete e Tia Nena aceita por não ter escolha. Cebolinha diz que por Magali estar solta, pode fazer alguma coisa, ela diz que não pode com eles, só se acontecer um milagre. Capitão Pizza  entrega contrato para Tia Nena assinar, quando a polícia federal sobrevoa a lanchonete com helicóptero para capturá-los.

Capitão Pizza manda Eufrânio correr até o caminhão deles em frente e acione a arma secreta. Transformou cobrindo todo o bairro em uma pizza mussarela gigante e não vão conseguir achá-los. Capitão Pizza e Eufrânio tentam fugir. Tia Nena diz que agora a Magali pode ajudar e ela devora toda a pizza gigante que cobria o bairro. 

Capitão Pizza é capturado e é revelado que ele é o Jão Malves, político corrupto, que quando uma comissão de investigação descobriu seus crimes, pensou que tudo ia acabar em pizza, não ia dar em nada, mas quando viu que a coisa era séria e que seria preso, pirou de vez e inventou essa história de pizzas e mais pizzas e agora será julgado e punido.

Bandido preso e os estabelecimentos voltam ao normal, a turma fica feliz que podem comer de tudo outra vez e querem dar um prêmio para a Magali, vão pagar o que ela quiser. Sugerem sorvete, cachorro-quente, hambúrguer,  Magali agradece, mas diz que tem saudade de comer outra coisa e vai para casa comer arroz e feijão da mãe, e pergunta aos leitores se pensavam que a historinha dela ia terminar em pizza.

História legal em que o vilão Jão Malves resolve se transformar no Capitão Pizza e comprar todos os estabelecimentos da cidade para serem transformados em pizzaria. A turma não gosta de comer pizza todo dia, Magali à princípio gosta, mas depois enjoa e quer comer na lanchonete da Tia Nena com a turma e ela estava rendida para vender a lanchonete e só resolve vender depois que o Capitão Pizza ameaçar jogar pizzas explosivas nas crianças. A polícia chega para prender o vilão, tenta fugir com sua armadilha de cobrir o bairro com pizza gigante, mas Magali come a pizza toda, estragando o plano dele. É descoberto que é ele é um político corrupto que ficou louco depois que soube que ia ser preso e no final a Magali resolve comer arroz e feijão para historinha dela não terminar em pizza.


Jão Malves um louco egoísta e ganancioso que se transformou em Capitão Pizza e queria que só existisse pizza no mundo só porque ele gostava e, de quebra, ainda lucrar porque ele passou a ser dono de todos os estabelecimentos da cidade de São Paulo para serem pizzarias. É que para ele seria bom, comer só o que gostava e ainda ganhar muito dinheiro e com possibilidade depois de comprar todos os estabelecimentos do país. Só que não contava que as pessoas não gostam de comer só pizza, gostam de comidas variadas, não é porque ele gostava, que todos iam gostar de comer e ainda mais a mesma todos os dias. Interessante que não foram só restaurantes, mercados, lanchonetes que ele comprou como até vendedores ambulantes o Jão comprou, sem chance de ninguém comer outra coisa sem ser pizza. 


Magali adorou por uns dias porque pensava como o vilão de que poderia só existir pizza no mundo, mas depois enjoou e viu que estava errada a ajudou a turma contra o Capitão Pizza. Magali poderia ter comido as pizzas pegajosas dos amigos e libertá-los, mas como tinham pizzas explosivas, aí não tinha saída. Com a ameaça das pizzas explosivas, a Tia Nena quase vendeu lanchonete para ele, o único estabelecimento que ainda não tinha virado pizzaria e com a chegada da Polícia Federal, Magali conseguiu comer a pizza gigante que cobria todo o Bairro do Limoeiro que impedia a visão dos policiais e, assim, o Jão e o Eufrânio não fugiram e foram presos e teve a grande revelação que ele era um deputado famoso que cometeu fraudes e estava sendo investigado e ficou louco ao saber que ia ser preso. Ou seja, a fortuna que ele tinha, era tudo de roubo e fraudes na vida política.


Só assim para Magali recusar comida, enjoar após comer vários dias a mesma coisa. Ela aprendeu lição de não ser egoísta de querer só pizza no mundo sem pensar nos outros, podia ser só sorvete, cachorro-quente, bolo no mundo, que ela enjoaria também, o ideal é variar os alimentos, tudo que é exagero, enjoa logo e é para pensar no coletivo, não só nos seus interesses. 

Foi usada pizza na trama para ter o trocadilho de que todos os crimes e corrupções de políticos "terminam em pizza", ou seja, se dão bem, apesar de todo o mal que eles cometem, tanto que o final, além de Magali comer arroz e feijão porque não aguentava mais saber de pizza falada na história toda, teve também essa moral e crítica, que na vida real tudo termina em pizza na política, mas na historinha dela, não, pelo menos na ficção os bandidos se dão mal no final.


Engraçado os tipos de pizza diferentes, pizza de morango, doce, frita à milanesa, de macarronada, de pipoca, ensopado de pizza, etc, Cascão achando que é assalto e Eufrânio responder "por quem me toma?! Um bandido?", como se fosse normal ameaçar Tia Nena com arma para vender lanchonete, a turma presa em pizzas pegajosas, Magali devorar toda a pizza gigante em segundos e mostrando só uma boca gigante em direção ao alto antes de devorar e onomatopeia com boca indicando que ela estava comendo, ficar barriguda logo após comer e depois voltar a ficar magrinha normal,  Capitão Pizza ser pescado pelos policiais no helicóptero e ele dizer que espera que sirvam pizza na prisão.  


Curioso que usaram um político real e caso de corrupção política famoso da atualidade até então. O "Jão Malves" foi paródia do deputado federal João Alves, do escândalo dos "Anões do Orçamento", de 1993 cuja CPI investigou políticos envolvidos em esquemas de fraudes na Comissão de Orçamento do Congresso Nacional, eles manipularam emendas parlamentes com o objetivo de desviarem o dinheiro através de entidades sociais fantasmas e o João Alves era um deles, que renunciou antes de ser julgado e cassado e o caso terminou em pizza.

Normalmente na MSP colocavam políticos corruptos fictícios e sem ligação com casos da vida real e nessa história teve a surpresa de um deputado real e até a caricatura ficou igual ao João Alves e ser baixinho, daí o nome "Anões do Orçamento". Na vida real o desfecho de João Alves terminou em pizza, na história da Magali não, ele teve o merecido castigo como deveria ser.


Tia Nena muitas vezes foi sequestrada e ficando como refém, por ser uma grande doceira, os vilões tinham interesse em lucrar por conta dela. O apetite exagerado que salvava dos vilões nas suas histórias, Magali não tinha vilão fixo, os vilões eram garçons, donos de restaurante, etc, extraterrestres, que se revoltavam por alguma coisa em seus estabelecimentos e apareciam só em uma história. Magali só teve uma vilã fica a partir de 1998 com a Bruxa Viviane, mas aparecia de forma esporádica durante a Editora Globo e ela ficou fixa mesmo só na fase da Editora Panini.


Impublicável atualmente por ser trama policial, bandido deixar Tia Nena refém, com revólver na mão apontando para ela e na frente das crianças, envolver política, inserir fato real de corrupção política da vida real, absurdos como da gula da Magali de comer uma pizza que encobria o bairro todo em questão de segundos, além de palavras "gozado", "louco", Mônica chamar "Tia Nena", alterariam para "Dona Nena" porque ela é tia da Magali, não da Mônica.


Traços ficaram bons, do estilo com personagens com língua ocupando mais espaço na boca pra dar mais humor adotados a partir de 1993. Teve erro da Dona Lili sem lábios com batom nos 3 primeiros quadros da primeira página, sem dúvida fica melhor com batom. A edição foi com preço em URV, mas a moeda corrente do Brasil ainda Cruzeiros Reais, o URV era só uma unidade pra saber quanto 1 unidade equivaleria ao valor dos Cruzeiros Reais do dia, por isso o vendedor de pizza de morango dizer que custava 200 Cruzeiros Reais no 1º quadro da página 7 do gibi.