sábado, 27 de junho de 2026

Magali e Mônica: HQ "A Boneca Comilona"

Em junho de 1996, há exatos 30 anos, era publicada a história "A boneca comilona" em que a Magali se passa por boneca após conseguir destruir a boneca da Mônica que seria levada par ao chá da prima dela. Com 14 páginas, foi publicada em 'Magali Nº 183' (Ed. Globo, 1996).

Capa de 'Magali Nº 183' (Ed. Globo, 1996)

Magali chama Mônica para brincarem, Mônica avisa que não pode por está se preparando para ir no chá de bonecas da prima Isolda, diz que não pode levar Magali porque a prima é muito chata, fica exibindo suas bonecas importadas e ela só vai porque agora tem uma boneca importada que come e Magali tira de perto o sanduíche que estava comendo. Mônica diz que ela não come comida de verdade, são grãozinhos coloridos de plástico, a gente dá e depois tira de novo.

Mônica deixa Magali sozinha brincando com a boneca enquanto se arruma para o chá. Magali vai dando comidinha para boneca e resolve dar outras coisas para ela comer. Assim, dá talco fingindo que é açúcar, creme de pele como papinha de neném, e uma salada de flores. Quando joga água para matar a sede, a boneca se destrói. Mônica ouve o barulho, vê a boneca destruída e grita que Magali é falsa amiga, trapalhona e desajeitada.

O telefone toca, era a prima Isolda, perguntando se vai ao chá de bonecas, está atrasada e quer ver da boneca importada dela ou será que ganhou boneca nenhuma e continua só com o velho coelho encardido. Magali pega o telefone e diz que pode esperar que a Mônica vai, sim, e desliga. Mônica pergunta se Magali está maluca, primeiro arrebenta a boneca e depois quer que passe lá para passar vergonha.

Magali leva Mônica ao laboratório do Franjinha, que diz que pode consertar, dentro de uns 2 dias. Mônica chora que vai ser tarde demais, precisa urgente de uma boneca que faça coisas incríveis. Franjinha faz Magali entrar na sua invenção de miniaturizador, fazendo ela encolher e ser a boneca da Mônica, que achou a ideia genial.

Na rua, Magali reclama que ninguém a consultou, Mônica diz que foi ela quem a colocou nessa situação, e depois ela queria ir ao chá. Magali fala que não como boneca. E no caminho, Mônica combina umas coisinhas com ela.

Depois, Mônica chega no chá de bonecas, Isolda quer saber cadê a famosa boneca ou se não levou. Mônica mostra e as meninas dão gargalhada achando que é feia, esquisita e que parece que foi comprada em feira. Mônica manda Magali se controlar e fazer cara de boneca. As meninas falam que suas bonecas são japonesa, inglesa e francesa e Magali diz que ela é meio mussarela meio portuguesa. Mônica diz que é brincadeira e ela é portuguesa.

Isolda diz que sua boneca francesa canta, a menina, que sua boneca japonesa anda e a outra, que sua boneca inglesa dança, e perguntam o que a boneca da Mônica faz. Ela diz que a Magalizinha fala, com Magali perguntando se as gorduchas feiosas estão tudo em cima. Mônica fala que ela também desfila, pula corda, sapateia, é alpinista, voa de asa-delta e nada enquanto Magali demonstra na prática.

As meninas acham coisa incrível. Isolda quer pegar para ver de perto e Magali a morde. Isolda leva Mônica para mesa do chá e as bonecas ficam com mesa reservada com comida de mentirinha enquanto elas comem comida de verdade. Magali acha uma injustiça e pergunta para as bonecas se elas não se revoltam. 

As meninas agradam Mônica, oferecem bolo e chá para ela e Isolda comenta que não sabia que a prima era tão rica, que a boneca deve ter sido uma fortuna e pergunta se pode emprestar a boneca por uns dias. Mônica diz que não pode, Isolda pergunta por que não e se aboneca não é dela. Mônica diz que é e antes dar resposta do empréstimo, Isolda fala para Magali que vai passar uns dias com ela.

Magali mostra a língua para Isolda, que a leva para a mesa e pergunta se ela aceita bolinho. Magali aceita e come o bolo inteiro e as meninas se impressionam que a boneca come e como come. Magali também come todos os petiscos, bebe os chás e vai correndo para a cozinha e come tudo lá, inclusive todo o caviar, as trufas de chocolate e as compotas importadas. 

Isolda reclama que não é uma boneca, é um monstro, Mônica diz que vai indo, Isolda pergunta se não levar aquela praga de lá. Mônica fala que a prima queria emprestada, pode ficar. Isolda manda Mônica levar, a boneca é dela e até ver.

Na rua, Mônica e Magali dão gargalhada, conseguiram dar lição na Isolda e nas meninas, Mônica fala para Magali que ela não é má como boneca, é só meio comilona. Magali pergunta se está perdoada, e antes da Mônica dar resposta, Cebolinha e Cascão xingam a Mônica, que arremessa a Magali neles pensando que era o Sansão. Dois dias depois, já com a boneca da Mônica consertada, Magali, toda quebrada, diz para Mônica que agora elas estão mesmo quites, primeiro ela estropiou a boneca e agora Mônica a estropiou.

História legal em que Magali estraga a boneca da Mônica que levaria para o chá de bonecas da prima Isolda e na falta de uma, Magali fica no lugar como uma boneca portuguesa depois de entrar no miniaturizador do Franjinha. Como só podia ser boneca importada que fazia coisa diferente, Magali conseguia fazer de tudo, impressionando as meninas e Isolda queria  que Mônica emprestasse a boneca. Magali aproveitou para comer tudo servido no chá e na despensa da casa da Isolda, que fica com raiva, desiste de ficar com a Magali. No final, Mônica confundiu Magali cm Sansão e a jogou nos meninos. ficando quites com os estragos que fizeram.

Mônica com boneca importada que come, Magali não pensou na lógica que jogar água em uma boneca iria estragar, foi muito inocente, se Mônica soubesse, não deixaria Magali sozinha com sua boneca. Franjinha teve ideia boa cm uma invenção que já estava pronta, só não consultaram Magali se ela queria, mas pelo estrago que fez com a boneca da Mônica, não tinha que querer, tinha que aceitar para compensar o que fez. Mônica com prima rica e metida conseguiu dar uma lição nela junto com a Magali boneca, sorte dela ser comilona e não controlar apetite, comer tudo da casa, foi bom pra tirar marra da Isolda. 

Meninas falsas e interesseiras, zombavam da Mônica e depois que viram que a boneca era incrível, passaram a agradá-la. Mônica podia ter colocado uma roupa de boneca na Magali, mas como a prima Isolda não a conhecia, aí não faria diferença, só evitaria da zoação de acharem que era uma boneca comprada em feira. Mônica confundiu Magali com Sansão e a jogou nos meninos, Magali se deu muito mal, soube muito bem o que o Sansão passava quando era arremessado, e deixou quite com a Mônica com o que fez com a boneca. Era muito bom quando Mônica confundia e arremessava outras coisas no lugar do Sansão, até Mingau e Monicão já foram arremessados nos meninos por ela, e legal também quando Magali apanhava da Mônica sem querer. 

Foi engraçado Magali tirar perto o sanduíche que estava quando soube que a boneca importada comia, Magali saindo de fininho depois de ter estragado a boneca, meninas dizerem que a boneca Magali foi comprada em feira, Magali dizer que é boneca meio portuguesa meio mussarela confundindo com pizza, chamar as meninas de gorduchas feiosas, fazer as demonstrações do que fazia, morder dedo da Isolda, perguntar se as bonecas não se revoltam com comida de mentirinha, comer o bolo e a despensa da casa e ser arremessada pela Mônica e fica toda quebrada.

O minituarizador do Franjinha foi lançado na história "Um amor de ratinho", de 'Mônica Nº 99', de 1978, e depois foi usado algumas outras vezes e em 1995 e 1996 estava com bastante histórias dos personagens escolhendo por causa do miniaturizador, inclusive, última antes dessa até então foi a de abertura "Enfeite de bolo", de 'Magali Nº 172', de 1996. Sem dúvida foi a invenção mais usada pelo Franjinha sem ser apenas em uma história. Já a Isolda e as outras meninas ricas só apareceram nessa, como de costume de personagens criados para aparição única, principalmente se tratando de primos e parentes de personagens.

Foi história póstuma de Rosana. Incorreta atualmente por Magali destruir boneca deixando Mônica na mão, meninas ricas esbanjando o que tem, Magali gulosa comendo tudo que vê pela frente, Mônica arremessar a Magali e ficar estropiada, além da palavra proibida "gorducha".

Os traços ficaram bonitos com estilo consagrado dos personagens, os vestidos da Mônica e das meninas ricas ficaram bem nelas, pena as cores escuras demais, embora já estavam colocando alguns tons diferentes de marrom e não só um marrom escuro em tudo. O degradê a partir de agora quase inexistente, só em um ou outro quadro pontuais e ficou assim desde então até o final da Globo em 2006, sem ser mais em todos ou na maioria dos quadros. Muito bom relembrar essa história há exatos 30 anos.

quarta-feira, 24 de junho de 2026

Cebolinha: HQ "O Sanfoneiro"

Dia 24 de junho é o Dia de São João e em homenagem mostro uma história em que o Cebolinha foi sanfoneiro da festa junina do bbairro. Com 10 páginas, foi história de abertura publicada em 'Cebolinha Nº 18' (Ed. Abril, 1974).

Capa de 'Cebolinha Nº 18' (Ed. Abril, 1974)

Cebolinha pergunta se Cascão vai entrar na quadrilha, cascão pergunta se isso não é coisa de bandidões e Cebolinha responde que é quadrilha de São João. Cascão diz que vai, só que não sabia que precisaria de par para dançar. Cebolinha tem a Mônica como par e está indo convidá-la. Cascão fala que também vai convidá-la, já que ainda não tinha convidado, corre até à casa dela e convida primeiro que o Cebolinha, que acha que foi golpe sujo.

Cascão pergunta para a Mônica se ela permite alguém gritar com par dela. Cebolinha diz que Cascão a roubou dele. Cascão fala que Cebolinha não tem capacidade de arranjar um par e está nervoso e Mônica chama a sua prima Cecília para ser par dele. Cecília aparece toda sujinha, encantando o Cascão, que sugere a troca de pares, ele dança com Cecília e Mônica com Cebolinha. Mônica aceita, meninos prometem passar lá de noite e depois Cecília comenta que não devia ter chamado, estava toda suja arrumando brinquedos enquanto que Cascão elogia para o Cebolinha sobre a prima da Mônica toda sujinha como sempre sonhou.

À noite, os meninos voltam, e Cascão tem desilusão de que a Cecília tomou banho e não é sujinha como ele. Já na festa junina, começa a quadrilha, o apresentador da festa pede para os cavalheiros pegarem suas damas e pede sanfoneiro no palco, que era quem ia tocar para eles dançarem. Cascão diz que se ele não for, o Cebolinha toca sanfona no lugar dele. Cebolinha fala que só sabe tocar o Bife e não tem graça dançar quadrilha ao som do Bife.

Quinze minutos depois, o sanfoneiro não chega, Cascão vai ao palco falar com o apresentador e um tempo depois ele anuncia que o sanfoneiro não apareceu e o Nhô Cebolinha, um dos maiores sanfoneiros da cidade, vai tocar no lugar. Ele vai ao palco, Cascão pergunta se gostou do nome artístico que inventou e avisa que o público está aplaudindo e é pra agradecer. Cebolinha pergunta o que deve tocar e Cascão fala para tocar o tal do Bife. 

O público estranha Bife, o apresentador diz que isso não é música para se dançar quadrilha, queria um Baião. Cebolinha diz que só sabe tocar o Bife, o apresentador comenta com o Cascão que ele era bom e Cascão diz que no Bife ele é insuperável. O público começa a vaiar, o sanfoneiro chega, o apresentador pede para o Cebolinha sair, ele diz que não pode sair vaiado e quer saber do público por que estão o vaiando. Eles falam porque a música é ruim, manda aprender, não sabe tocar, é amadorzinho, grosso e é para dar a sanfona pra quem sabe tocar.

Cebolinha cai fora desanimado, Cecília sugere brincarem perto da fogueira para ele esquecer tudo, quando chegam, Cecília lembra que a mãe falou sobre brincar perto da fogueira, os outros lembram também, só não sabem se é verdade ou invenção, e resolvem brincar lá. Quando saem da festa, acontece nada e acham que é invenção dos adultos, mas quando chegam em casa na hora de dormirem, todos fazem xixi na cama e descobrem que não era invenção.

História legal com a turma em uma legítima festa junina e tema principal de Cebolinha ficar encarregado de tocar sanfona no lugar do sanfoneiro que estava atrasado, mas como só sabia tocar Bife, sem a ver com a festa junina, foi vaiado pela plateia e conseguiram normalizar a festa com a volta do sanfoneiro.

Cascão se saiu um empresário que queria o Cebolinha tocar na festa, conseguiu lábia pra convencer o apresentador, Cebolinha insistia que só sabia tocar Bife, mas não adiantava. Meteu amigo em enrascada, Cebolinha também poderia ter recusado, evitaria as vaias no final. O apresentador podia ter descinfiado que criançanãoia saber tocar sanfona. Ficou inicialmente a dúvida do que o Cascão falou para o apresentador pra convencê-lo Cebolinha a tocar sanfona na quadrilha, depois ficou claro que disse que era o melhor sanfoneiro. 

A trama foi passada com focos de várias situações: meninos disputarem quem será o par da Mônica , Cascão interessado pela Cecília e depois se decepcionar que ela não era sujinha, Cebolinha como sanfoneiro (que julgo o momento principal) e brincarem perto da fogueira e fazerem xixi na cama por causa disso. 

Uma graça Cascão correr e passar na frente pra ser par da Mônica no lugar do Cebolinha e ela ser tricada pela Cecília porque achava que era sujinha.  A desilusão amorosa dele foi grande. Ao pularem fogueira, não ouviram sabedorias das mães deles, acabaram se dando mal fazendo xixi na cama, se tivessem acreditado, não precisariam passar por isso. Ainda ficou mensagem de forma divertida de que devem obedecer e acreditar nas mães. 

Foi marcada também por várias tiradas. Engraçado Cascão pensar que era quadrilha de bandidos, dizer que Cebolinha não tem jeito com meninas de fora ao ver a Cecília, pedir para Cebolinha não gritar porque pode ferir os ouvidos sensíveis da Cecília, perguntar se tinha alguma dama na festa com Mônica e Cecília ao lado, pensando que elas eram senhoritas, Cascão dizer que ser vaiado acontece nas melhores famílias. Magali fez participação só em um quadro, só não a colocaram no lugar da Cecília pra dar a graça de Cascão escolher porque a Cecília era sujinha como ele.

Cecília, prima da Mônica, só apareceu nesta história, como de costume de personagens criados para uma única vez. Na mesma revista, curiosamente, em outra história o Cascão se apaixonou pela Maria Cascuda porque era sujinha, que marcou a estreia da personagem. Se tivessem com pretensão da Cascuda ser personagem fixa desde então, poderiam até terem a colocado no lugar da Cecília. A Cascuda ainda pareceria em outra história de 1975 e depois só retornou aos gibis e em definitivo em 1981. 

Foram 10 páginas, mas com muito texto que fica mais tempo lendo e parece que é história mais longa. Incorreta atualmente por crianças irem sozinhas em festa junina altas horas da noite, Cascão em interesse de namorar Cecília e por ela estar sujinha já que teria namoro de crianças e apologia à sujeira, Cascão com cachimbo na boca, mesmo de brinquedo, não pode atualmente, eles brincarem perto de fogueira,  constrangimentos de crianças fazendo xixi na cama, além de palavras proibidas "roubar", "diacho" e não colocariam "Bife" para não ter duplo sentido de música com carne.

Traços ficaram bons, do estilo dos anos 1970 com personagens com bochechas pontiagudas, sendo que estavam começando a arredondar aos poucos, se comparar histórias de 1970 com 1974 já dava pra ver diferenças. A noite foi retratada com fundo todo preto e destaque também que a noite em alguns quadros e a plateia ao fundo com pontos pretos em um fundo branco que juntos formavam cinza. Recurso utilizado em tirinhas em preto e branco e depois por um bom tempo na camisa do Jeremias nos anos 1980 e 1990.

Foi republicada depois em 'Almanaque da Mônica Nº 9' - Especial Festas Juninas' (Ed. Abril, 1981), que misturou republicações e histórias inéditas, sendo que essa do Cebolinha foi a única de festas juninas dentre as que foram republicadas, as demais com esse tema foram inéditas. 

Capa de 'Almanaque da Mônica Nº 9' - Especial Festas Juninas' (Ed. Abril, 1981)

domingo, 21 de junho de 2026

Chico Bento: HQ "Ah, minha caminha!"

Dia 21 de junho começa o inverno no Brasil, e mostro uma história em que o Chico tem dificuldade de sair da sua cama quentinha ao acordar em uma manhã fria. Com 6 páginas, foi história de encerramento de 'Chico Bento Nº 119' (Ed. Globo, 1991).

Capa de 'Chico Bento Nº 119' (Ed. Globo, 1991)

Manhã de frio na roça, Dona Cotinha acorda o Chico Bento para ir para escola e ele pede para a mãe ficar mais cinco minutos na cama. Dona Cotinha diz que faz meia hora que ele está falando isso e é para andar logo para não chegar atrasado na escola. Chico pede para deixar faltar e ela diz que se fosse deixar faltar toda vez que estivesse com preguiça, o filho nunca ia para a escola e Chico acha uma boa ideia.

Dona Cotinha manda Chico levantar da cama ou ela vai puxar a coberta. Chico diz que não precisa, já está sentado e a mãe fala que vai pôr o café, se quando voltar e ele não estiver de pé, vai ter. Chico acha que tem que se levantar mesmo, só que vira para o outro lado comentando que tem deixar a cama quentinha e volta a cochilar.

Dona Cotinha pergunta se Chico está de pé e ele se levanta imediatamente. Comenta que só levantar de supetão para criar coragem e sente muito frio. Troca de roupa com sono e imagina a cama chamando pra ele dormir mais um pouquinho, ele diz que não pode porque tem que ir para escola, a cama o puxa pela coberta e ele volta para lá mais cinco minutos e não vai deixá-lo sair de lá. 

Chico diz que a mãe não vai gostar, quando Dona Cotinha aparece, vê o Chico dormindo, fica uma fera, puxa o lençol, fazendo Chico cair da cama. Ela o leva para lavar rosto na bacia d'água para acordar de vez, toma café-da-manhã reforçado, põe casaco, chapéu e pasta e ele vai para a escola porque não quer filho preguiçoso. No caminho, Chico comenta que a sua mãe não entende e se pergunta que será que ela não sabe como é gostosa uma cama quentinha.

Na escola, Chico nem presta atenção na aula, só pensa na cama, também pensa no recreio e na saída da escola já pensa menos. Quando vai roubar goiaba com Zé da Roça o pensamento some e fica sem pensar durante o resto do dia enquanto namora a Rosinha, pular cerca para voltar para casa e na conversa com o pai e amigos deles em volta da fogueira de noite. No final, Dona Cotinha fala que está na hora que ele adora, que é para ir para cama dele quentinha e aí Chico não quer ir, quer ficar mais cinco minutos conversando em frente à fogueira.

História legal em que o Chico Bento fica com preguiça de sair da cama quentinha de manhã cedo com frio demais e a mãe dele quer a todo custo que ele saia. Conseguiu driblá-la por um tempo, mas não teve jeito, teve que sair à força. Com o passar do dia, diminuindo a friagem e fazendo atividades que gosta passa a esquecer da cama, até que de noite não quer voltar para casa para ficar conversando em frente à fogueira com os adultos.

Realmente dá para entender muito bem o Chico e saber como estava sentindo de sair da cama e enfrentar frio de manhã, porém não podia deixar de cumprir seu compromisso na escola por causa da preguiça e do frio, aí Dona Cotinha teve toda razão de tirar o filho da cama à força. Pelo menos ele já estava com roupa trocada após a imaginação da cama falando com ele para voltar para lá, que fez adiantar um pouco, e teve sorte que não precisou tomar banho gelado antes da escola, afinal não têm chuveiro elétrico na casa dele, na verdade não tinha eletricidade no geral, hoje em dia tem. Se bem que só lavar rosto com água gelada em dia de frio já é um tormento.

A piada final foi boa e com ideia do Chico não querer sair da cama de manhã, mas quando não está na cama não quer voltar, quer curtir mais o entretenimento, sempre mais cinco minutos para sair da cama e mais cinco minutos para ir dormir e vai sempre adiando, coisa bem comum também no cotidiano. O clima foi retratado como um dia que é muito frio de manhã, aí esquenta um pouco durante a tarde e esfria de novo à noite, uma coisa bem típica em época de inverno.

O ponto mais alto foi  Chico imaginar cama falando com ele para voltar pra lá, com direito a coberta o puxando até nela e e ele dizer para Dona Cotinha que voltou porque a cama chamou. Foi engraçado também Chico dizer para mãe que boa ideia nunca mais ir para escola, levantar de supetão com medo de apanhar da mãe, Chico cair com puxão forte dela do lençol e querer ficar cordado mais 5 minutos para ficar conversando.

Mostrou o nosso cotidiano de luta de sair da cama em um dia de frio, que dá vontade de ficar o tempo todo mesmo tendo compromisso, eram boas histórias do Chico assim que dava para se identificar e deixava o personagem mais humanizado.  Mesmo passados 35 anos ou mais tempo que for passar, sempre continua atual e ser identificada por todas as idades e não só as crianças, é só substituir o compromisso de acordar cedo para ir trabalhar, faculdade, médico marcado, etc, e adiar a hora de dormir para ficar assistindo série, filme ou ficar mexendo no celular. Incorreta hoje em dia por ter Chico preguiçoso, não querer ir para escola para ficar dormindo, não gostar de estudar, Dona Cotinha ameaçar bater no Chico se não se levantar, Chico namorando Rosinha, ficar conversando com adultos tarde da noite, ter fogueira e palavra proibida "supetão" por ser de difícil entendimento para crianças pequenas.

Traços ficaram muito lindos, seguiu um estilo fofinho dos anos 1990 com contornos bem grossos e tudo feito a mão, dava gosto de ver desenhos assim. O primeiro quadro mostrando a casa do Chico e as galinhas sentindo frio já foi um espetáculo. Dona Cotinha fica diferente com olhos com cílios em vez do formato tradicional de olhos dos personagens, A colorização em tons azuis e cinzas nos pensamentos davam um charme a mais e conseguia distinguir que não foi situação real e não só os quadros em formatos de nuvens diferentes que faziam a distinção do real com sonhos.

sexta-feira, 19 de junho de 2026

Cascão: HQ "Má fase"

Estamos em época de Copa do Mundo e então mostro uma história com Cascão decepcionado com derrotas seguidas do seu time Corinthians. Com 4 páginas, foi história de miolo publicada em 'Cascão Nº 61' (Ed. Globo, 1989).

Capa de 'Cascão Nº 61' (Ed. Globo, 1989)

Cascão assiste ao jogo de futebol do Corinthians no estádio com pai dele, incentiva os jogadores, seu time sofre gol e se decepciona que mais uma vez derrotado. Na saída do estádio, um menino zoa que é "ul-timão", Cascão quer brigar com ele e o Seu Antenor não deixa, achando que é bobagem o filho brigar por causa de futebol e Cascão acha que pelo menos desabafa.

Seu Antenor diz que não é para se preocupar, logo, logo o timão volta a ganhar. Cascão responde que ouve isso desde a primeira rodada, nunca viu o Timão em uma fase tão ruim e o  pai manda brincar para esquecer o futebol. Em seguida, Cascão recusa jogar bola com Cebolinha e Jeremias, odeia ver Xaveco e Humberto jogando futebol de botão e chora por adorar futebol. Depois, ele vê um grupo de torcedores indo torcer para Seleção Brasileira, Cascão vai junto com eles e têm a decepção da Seleção Brasileira também perder de 1 a 0 para os gringos.

História legal com Cascão torcedor roxo do Corinthians e se decepcionando com as derrotas do seu time, não ganhava de ninguém desde primeira rodada do campeonato. Tinha esperança que com a Seleção Brasileira poderia ganhar só que pura ilusão também, dando ideia que a Seleção estava pior que o seu Timão. Pelo menos teve um consolo que não era só seu time que estava em má fase, Seleção estava com nada, era pior que o Timão, porém como para quem ele torcia, perdia, ficou com fama de torcedor pé-frio e azarão. Se ele soubesse que ia se decepcionar, nem iria torcer para a Seleção.

Piada que Corinthians estava ganhando nada nem a Seleção Brasileira, ambos muito tempo sem ganhar um título grande sequer em campeonatos e copas e bastante desacreditados pelas torcidas. Ficou a dúvida quais campeonatos o Corinthians e a Seleção Brasileira estavam disputando, fica na imaginação do leitor. Os nomes dos jogadores citados não foram parodiados dessa vez, todos que jogaram no Corinthians na época ou que fizeram história no time.

Engraçado a torcida silenciada após o Corinthians sofrer gol, o drama do Cascão vendo seu time perder, o menino zoando "Ul-Timão", com trocadilho ao apelido "Timão", Cascão dizer que se brigasse, ia desabafar e os caras da torcida de boca aberta com a derrota da Seleção Brasileira. 

Eram boas as histórias de futebol do Cascão, principalmente como torcedor roxo do Corinthians. Depois que o Pelezinho foi cancelado, histórias de futebol ficaram com o Cascão, seja ele brincando de futebol com os amigos, ser craque da bola querendo ser jogador de futebol profissional ou sendo torcedor roxo do Corinthians  e sofrendo pelo time como foi nessa, eram frequentes e sempre eram bem elaboradas e Cascão representava o brasileiro apaixonado por futebol. Mesmo destacando o Corinthians, as situações valiam para qualquer time de futebol que brasileiro torcia.

Na época, só o Cascão tinha time definido, hoje todos personagens principais têm seus times definidos, todos do estado de São Paulo porque o Bairro do Limoeiro é localizado lá: Mônica torce para o São Paulo; Cebolinha, Palmeiras; Magali, Santos; Cascão e Milena, Corinthians.

Traços ficaram muito bonitos e caprichados do estilo consagrado dos personagens. Incorreta atualmente por mostrar Cascão torcedor roxo querendo brigar na rua (hoje tem histórias com eles jogando futebol, mas não envolvidos com times de futebol, apenas em postagens em redes sociais deles na Internet), Cascão ir na casa de torcedores adultos desconhecidos para torcer para Seleção Brasileira, palavra proibida "gozador" e podem implicar com TV de tubo por acharem que é coisa datada.

segunda-feira, 15 de junho de 2026

A Turma: HQ "Os quatro garotos do Limoeiro"

Em junho de 1996, há exatos 30 anos, era publicada a história "Os quatro músicos do Limoeiro em que Cebolinha e os outros meninos se fantasiam de filhos dos Beatles para pegarem o Sansão da Mônica. Com 11 páginas, foi publicada em 'Cebolinha Nº 114' (Ed. Globo,  1996).

Capa de 'Cebolinha Nº 114' (Ed. Globo, 1996)

Cebolinha ouve Mônica ouvindo música na vitrola e pergunta se ela deu para voltar para o passado ouvindo discos de vinil. Mônica conta que não, que são preciosidades dos pais dela, os discos dos "Bitous". Cebolinha diz que sabe que é o grupo que fez sucesso há um tempão. Mônica fala que eles fazem sucesso, podem estar velhinhos, mas  a música é imortal, canções que falam de paz, amor e felicidade e que estão se reunindo de novo para gravar novas músicas.

Mônica mostra pôsteres dos integrantes da banda, Pôu, Xórge, Dingo e a voz do Jon, suspirando por ele. Cebolinha pergunta se eles vão se reunir no museu. Mônica diz que talento não envelhece e aposta que passaram isso para os filhos. Cebolinha pergunta se eles têm filhos, Mônica afirma e quando eles crescerem, vão ser ídolos dela também. Cebolinha vai embora do nada, com ideia para um plano infalível.

Depois, Cebolinha aparece com Cascão, Xaveco e Nimbus, todos fantasiados de "Bitous", dizendo que vai ser fácil driblar a Mônica do jeito que ela é fã. Xaveco manda ir com isso logo a mãe não pode descobrir que sumiram as perucas dela, Cascão reclama que os sapatos estão pinicando e Nimbus pergunta se os instrumentos de papelão vão colar.

Eles aparecem na frente da casa da Mônica e começam a cantar música dos Bitous e Mônica se emociona que eles estão cantando no quintal da casa e pula da janela do quarto para pedir autógrafo, sendo que se dá conta que são muito jovens para serem os Bitous. Cebolinha dá desculpa que são filhos deles. Cebolinha é o Xixo Macalta, filho do Pôu Macalta; Xaveco é o Vaiqui Está, filho do Dingo Está; Cascão é o Vavá Aiquisom, filho do Xorge Aiquison, e Nimbus como Yakashuca Lenno, filho do Jon Lenno. 

Mônica comenta que Yakashuca tem olhinhos puxados e Nimbus responde que a mãe dele é a Quinoco Ono. Ela acha uma maravilha os Bitous mirins na Rua do Limoeiro. Cebolinha fala que "vão alasar", Mônica comenta que ele fala como um amiguinho dela e ele responde que não aprendeu a falar Português direito. Mônica como que o filho do Xórge é fedidinho e Cebolinha diz que na Inglaterra faz muito frio para tomar banho todo dia.

Eles fazem apresentação musical para a Mônica, que adora e quer contar para a turma que eles estão ali. Os meninos impedem, dizem que estão só de passagem, tem um submarino amarelo esperando. Mônica pergunta se foram lá só para cantarem para ela. Os meninos respondem que mais ou menos, que foram para cantar músicas de paz e amor, que é triste saber que tem gente que ainda batem nos outros neste mundo, principalmente meninas que surram amiguinhos e as gorduchas são as piores, e que recolhem armas por todo lugar que  passam: revólveres, luvas de boxe, coelhinhos de pelúcia, que são os piores.

Mônica diz que tem um coelhinho, pequenininho e fragilzinho. Cebolinha quer que ela o entregue, armas são armas. Mônica resiste entregar, Cebolinha diz que se é assim, os pais deles não gostarão nem um pouco disso e pede para Cascão passar o celular. Mônica entrega o Sansão para eles, avisando para não contar para os Bitous. 

Eles vão embora, aliviados que o mundo pode respirar tranquilamente. Cascão fala que ele também, tira a peruca piniquenta e quer tirar o terno apertado e Mônica descobre que era um plano infalível, só que em vez de apanharem, os meninos não terminam história com olho roxo, em homenagem aos Bitous, ela manda cantarem, e ela traduz que "tudo que você precisa é amor".

História legal em que Cebolinha descobre que a Mônica é fã dos "Bitous" e faz um plano infalível de ele se fantasiar com os outros meninos como filhos dos Bitous e conseguirem pegar o Sansão alegando que o coelhinho era uma arma e seria uma ameaça à paz no mundo. Depois de entregar o Sansão, Mônica descobre que era tudo.um plano depois do Cascão tirar o disfarce na frente dela, só que dessa vez eles se deram bem e não apanharam para homenagear os Bitous que defendiam a paz e não à violência.

Cascão mais uma vez para estragar o plano, poderia esperar terem se afastado mais, já longe da Mônica. Incrível que Cebolinha sempre o chama para participar e já sabe que ele sempre estraga os planos. Mônica se passou como uma Beatlemaníaca e foi muito boba e ingênua, primeiro acreditou que eles eram os verdadeiros Bitous, depois que eram filhos deles e com várias evidências de instrumentos de papelão, filhos de todos os integrantes com mesma idade, condição de pegarem o Sansão como foi em outros planos anteriores, Nimbus com olhinhos puxados, Cebolinha falando errado, Cascão fedido, até desconfiou um pouco só que acreditou nas desculpas deles.


Foi história de plano infalível padrão com diferencial do final não apanharam para fazer homenagem aos Beatles que pregavam paz e amor. Na época ficou em um sentido original, para variar do óbvio que os é sempre apanhavam em histórias de planos infalíveis. Quem diria que hoje um final assim é o que prevalece já que o politicamente correto não permite violência.

Cebolinha pede silêncio dizendo os nomes do Xaveco,  Nimbus e Cascão no 1° quadro da página 7 do gibi para comprovar aos leitores que eram eles fantasiados, mas nem precisava, já dava para saber que eram eles, inclusive o Xaveco, que é quem poderia gerar alguma dúvida. Xaveco ficou como secundário, quase não falou e foi o que menos apareceu. Foi uma das vezes que o Nimbus participou de plano infalível, mas não era muito comum já que tinha a personalidade mais de ser um menino que atraía as meninas pelo seu charme, personalidadedele que foi abandonada depois. 

As paródias foram muito boas, tanto no nome da banda, os nomes dos integrantes Paul MCCartney, George Harisson, Ringo Starr e John Lennon, e até as letras das músicas também foram parodiadas. Engraçado também Cebolinha perguntar se Bitous vão se reunir no museu, Mônica estranhar Cebolinha falando errado e ele responde que não aprendeu a falar Português direito, Mônica comentar como que o filho do Xórge é fedidinho e Cebolinha diz que na Inglaterra faz muito frio para tomar banho todo dia.

Cebolinha com etarismo, achando que Beatles eram velhos e na verdade nem eram já que tinham por cerca de 50 anos. É que em 1996 uma pessoa de 50 anos já era considerada velha, aparentava mais idade, músicas de 30 anos atrás até então achavam ultrapassadas, hoje em dia essa visão mudou. Sobre Cebolinha dizer que ela voltou ao passado porque em 1996 os discos de vinil já estavam perdendo popularidade para o CD, os discos ainda eram vendidos, só que em tiragem menor e as pessoas estavam comprando CDs com mais frequência e depois de 1997 as gravadoras passaram a lançar álbuns só em CD. Hoje em dia CD também é ultrapassado e músicas são ouvidas em aplicativos digitais como o Spotify. Sobre autógrafo, hoje em dia Mônica iria pedir para tirar fotos com eles no celular.


Bela homenagem aos Beatles, teve referência atea submarino amarelo. Volta e meia faziam homenagens a eles em outras histórias e eram boas. Essa foi da época do "Anthology", projeto com faixas ao vivo e duas músicas inéditas que os três remanescentes da banda na época gravaram a partir de obras do John Lennon,  morto em 1980, e lançamento com um VHS com entrevistas, e isso serviu de inspiração para criar esta história. Deve ter sido escrita por Paulo Back, que é grande fã dos Beatles.

Incorreta hoje em dia por ter plano infalível tirando proveito de Mônica boba, Cebolinha com etarismo, menção à Beatles por ser banda antiga que crianças nem sabe quem são,  hoje preferem citar artistas famosos da atualidade, xingarem Mônica de gorducha, além da palavra proibida "gozado".

Traços ficaram bonitos do estilo consagrado dos personagens, os meninos ficaram bem fantasiados de Bitous. Colorização jánãotinha mais degradêem todos os quadros, mas nessa até que prevaleceu. Pena cores escuras demais. Muito bom relembrar essa história há exatos 30 anos.