sábado, 4 de julho de 2026

Pelezinho: HQ "Vai lá, timão! Essa Copa é nossa! Brasil! Brasil!"

Estamos em época de Copa do Mundo e, então, mostro uma história de 40 anos atrás, em que o Pelezinho e seus amigos lidam com o mistério do estádio de futebol que sumiu em uma final de Copa do Mundo.  Com 13 páginas, foi história de abertura de 'Pelezinho Copa 86 Nº 2' (Ed. Abril, 1986).

Capa de 'Pelezinho Copa 86 Nº 2' (Ed. Abril, 1986)

Seu Dondinho chega em casa e vê Pelezinho, Frangão e Cana Braba assistindo ao jogo do Brasil da final da Copa do Mundo e torcendo com a televisão desligada. Ele diz que tem ligar porque seria mais emocionante e os meninos falam que não é para fazer isso, é a final da Copa, se o Brasil perder, iam sofrer muito. Seu Dondinho acha bobagem, a emoção faz parte do futebol, liga a TV, sai e volta vestido com a camisa da Seleção, faixa na cabeça, bandeira, tambor e bebida para torcer como torcedor fanático.

O jogo está prestes para começar, quando o estádio está sendo todo coberto, não por uma nuvem, mas por uma bola imensa de futebol que flutua sobre o estádio e o repórter acha que certamente era algum balão publicitário. Sai um raio de dentro, o estádio é encolhido e abduzido até a bola e é segurado pelo Tonico Fura-Bola.

A bola voadora vai embora e Pelezinho, o pai e os amigos ficam surpresos que o estádio de futebol sumiu, nem acreditam com o que viram diante de seus olhos e Seu Dondinho fica em estado de choque, assim como todas as pessoas na rua que viam o jogo. 

O narrador-observador dá o suspense com o que vai acontecer, anunciando que o final da emocionante será no próximo número da revista. Pelezinho acha um cúmulo, segura o texto, amassa como uma bola e chuta, dizendo que quem gosta de futebol não vai ficar com coração na boca, na história dele não tem próximo capítulo e sai com os amigos para desvendar o mistério.

Pelezinho pergunta para o Frangão se não deu uma boa olhada para o vilão. Frangão responde que o conhecia, mas não sabia de onde. Vão à casa do Tonico Fura-Bola e encontram a bola gigante entrando na casa e descobrem que foi ele quem roubou o estádio de futebol. Tonico flagra os meninos olhando pela janela e os aprisiona em armadilha de bolas que tinha no quintal.

Tonico explica que o time brasileiro nunca juntou tantos craques, com esse timaço é impossível a gente perder, e se ganhar, a vida dele vai virar um inferno, todos os moleques vão querer jogar bola inspirados na Seleção, seu quintal vai ficar atulhado de bolas que vão ficar ali, não vai conseguir furar tantas bolas, não vai ter tesouras e facas suficientes para estourar. Claro que podem perder, mas prefere não arriscar.

Então, Tonico fura todas as bolas do jogo para garantir que não haverá partida. Pelezinho diz que duvida que ele fure aquela bola ali. Tonico fura e ela a bola que ele estava preso. Tonico tenta fugir no balão gigante com o estádio, Pelezinho chuta a bola onde estava o Cana Braba, atingindo o Tonico em em seguida chuta a bola com o Frangão e consegue agarrar o estádio que estava com o Tonico.

Depois, voltam ao México com o balão gigante e Pelezinho exige que Tonico devolva o estádio para o lugar dele senão vai chutá-lo. Tonico devolve e faz voltar ao tamanho normal, mas não podem jogar porque as bolas foram todas furadas. Tonico fica feliz que a sua vingança não fracassou, não vai ter final da Copa. 

Pelezinho fica irritado, chuta o Tonico, fazendo cair sobre o painel de controle, o raio diminuidor fica fora de controle,  os meninos conseguem sair a tempo, o balão de bola gigante diminui, e Tonico também encolhe e aí o balão se torna a bola oficial do jogo com Tonico dentro e Pelezinho diz que sente um pouco de inveja do Tonico, apesar de ter sido o vilão da história, ele está no melhor lugar para assistir ao jogo .

História legal em que o Tonico Fura-Bola encolhe o estádio de futebol que estava acontecendo jogo de final de Copa do Mundo com a Seleção Brasileira e leva para sua casa e ainda fura todas as bolas para garantir que não tivesse jogo. Pelezinho e seus amigos vão à casa do Tonico e conseguem fazer o estádio voltar para o México e no seu tamanho normal e Tonico ainda vira a bola do jogo para ter a partida de futebol.

Um estádio de futebol sumir diante dos olhos do mundo inteiro é bastante surpreendente, não é à toa que que todos que estavam assistindo ao jogo ficaram em estado de choque. Bom que Pelezinho e seus amigos não se surpreenderam tanto e puderam resolver o caso. Tonico Fura-Bola fez isso com medo do Brasil ganhar a Copa e mais meninos quererem jogar futebol e jogarem bolas no seu quintal e quebrar vidraça da janela. Caso ganhasse, Tonico até não poderia de furar as bolas rápido, iria ficar um tempão furando, só não poderia dizer que não tinha tesoura e facas suficientes, já que esses instrumentos não se estragam com facilidade.

Um balão gigante em forma de bola fez com que Tonico fosse para o México e encolher o estádio, já devia ter planejado muito tempo antes da Copa. Dava até para imaginar que era um extraterrestre antes da revelação do vilão. Os meninos foram muito espertos e ágeis para vencer o Tonico, depois de ficarem aprisionados nas armadilhas das bolas. Pelezinho conseguiu enganar direitinho o Tonico e comseu  chute forte, é quem teria força para chutar uma bola grande com Cana Braba dentro e derrubar o Tonico. Frangão como goleiro, só podia ser ele para agarrar o estádio em miniatura. 

Pelezinho e os meninos, que inicialmente estavam assistindo em casa, tiveram ainda privilégio de assistirem à final da Copa no México e sem pagar como forma de recompensa de salvar a Copa. Sem dúvida foi um grande castigo para o Tonico, por detestar futebol e único a torcer contra o Brasil, teve que ser a bola de futebol da partida. Só não mostraram quem era o adversário do Brasil na história e fica na imaginação dos leitores quem ganhou o jogo e a Copa. 

Engraçado torcerem com TV desligada e dizerem que vão dar dar pancada no juiz ladrão, Seu Dondinho voltar todo uniformizado e animado pra ver o jogo e depois ficar em estado de choque, o narrador dizendo que história continua no próximo número e Pelezinho puxar o papel com o texto, amassar como uma bola e chutar, Tonico imaginar as bolas entulhadas no quintal, ser enganado e furar sem querer a bola que prendia o Pelezinho e ser chutado por ele fazendo o painel ficar descontrolado.

Seu Dondinho era o pai do Pelé na vida real, os amigos foram inspirados nos amigos do Pelé na infância. Essa história marcou volta do Tonico Fura-Bola, que era bem frequente nos anos 1970, mas estava sumido nos últimos gibis dos anos 1980. Vilões do Pelezinho eram o Tonico e o Jão Balão. Hoje em dia podiam implicar por conta dos absurdos exagerados, Pelezinho com lábios representados com círculo rosa em volta da boca e Cana Braba com beiço grande por acharem que é chacota com negros, além de palavras "roubar" e "inferno".

A Copa do México de 1986 completa 40 anos agora em 2026 e por coincidência, a copa deste ano se realiza no México, sendo que dessa vez junto com Estados Unidos e Canadá. Na vida real, Brasil não ganhou a Copa de 1986, foi eliminado pela França nas quartas-de-finais e a campeã foi a Argentina, a história foi só uma ficção, roteirizada antes do início da Copa, na esperança que o Brasil chegasse à final. E os jogadores mostrados na história foram fictícios também, não os oficiais que jogaram naquela Copa.

Traços ficaram excelentes dos anos 1980 da fase consagrada, ainda não tinham visto histórias do Pelezinho com traços assim, os mais próximos e parecidos foram  os do estilo do início dos anos 1980, antes da fase consagrada da MSP. As falas das personagens formaram título da história, o que era bem comum na MSP na época. Nunca foi republicada por ser uma história de 1986 e que permitiria republicação só a partir de 1991, quando não tinha mais Almanaques do Pelezinho em circulação e logo depois esse núcleo foi para o limbo de vez. Aí, se torna rara hoje e só quem a revista original que a conhece.

Pelezinho voltou a ter história inédita depois de 4 anos, após o cancelamento do gibi dele em 1982. Pelo visto a intenção era que em 1986 ele voltasse a ter título periódico mensal, misturando inéditas e republicações, só que essa segunda série durou só 3 edições. As duas primeiras com alusão à Copa 86 com uma história de abertura inédita sobre Copa e as demais republicações de histórias normais do Pelezinho de 1979, juntando curiosidades da Copa, passatempos e jogos. Já a edição "Nº 3" foi só republicações. Com a mudança da MSP para Globo em 1987, desistiram de continuar com o título mensal do Pelezinho, deixando só edições especiais esporádicas até 1992 e depois retornou com título na Panini só com republicações entre 2012 a 2014.

Falando sobre essa edição "Nº 2", uma capa caprichada com Pelezinho ao lado e usando o mesmo sombrebo da mascote Pique daquela Copa. Além dessa história de abertura inédita, tiveram outras 4 republicações de histórias de 1979 entre as edições "Nº 20" a "Nº 27" e tirinha da edição "Nº 29", de 1979. Teve 3 páginas contando como foi a classificação sofrida do Brasil para a Copa contra o Paraguai, 2 páginas sobre os avanços da cidade Guadalajara do México após a última Copa do Mundo de 1970 e 2 páginas com curiosidades da Copa 1986, como algumas Seleções estavam se preparando, previsão do Pelé das seleções favoritas ao título e Zico explica como bater pênaltis sem dar chance ao goleiro, entre outras. E mais um jogo de tabuleiro da Copa e brinde de uma bandeira, hoje bem rara de se encontrar. Sem dúvida, foi uma edição bem especial. 

quarta-feira, 1 de julho de 2026

Chico Bento: HQ "E os bichos não sabem?"

Dia primeiro de julho é aniversário do Chico Bento e, em homenagem, mostro uma história em ele quer que os bichos do sítios lhe desejem "Parabéns", achando que os bichos sabiam que era aniversário dele. Com 12 páginas, foi publicada em 'Chico Bento Nº 403' (Ed. Globo, 2002).

Capa de 'Chico Bento Nº 403' (Ed. Globo, 2002)

Escrita por Paulo Back, começa com Chico Bento chegando em casa e flagra os pais preparando festa de aniversário dele. Dona Cotinha pergunta o que o filho estava fazendo em casa e que é para voltar para rua. Chico diz que voltou porque esqueceu o chapéu, a mãe dá o chapéu, manda ficar brincando aí fora e bate a porta.

Chico comenta que em todo aniversário é assim, os pais o tocam fora de casa para ficar arrumando tudo lá dentro para lhe fazer surpresa, à tarde o convida para dentro e estão todos esperando lá dentro, aí ele faz cara de quem não sabia de nada e cantam "Parabéns", só que sempre sabe. A Rosinha sempre encontra saindo da venda do Nhô Anacleto com presente e ele finge que não vê só para dar tempo de ela se esconder. Zé da Roça e Hiro fingem que esqueceram do aniversário e ele sabe que eles sabem e a vila toda fica olhando com cara de cabra mocha porque é aniversário dele.

Depois, Chico pergunta para galinha Giselda se ela sabe se é aniversário dele e Giselda nem dá atenção. Chico diz que deve ser triste ser bicho, um dia é igual ao outro, não faz diferença. Chico fala para Giselda para comemorarem juntos o aniversário dele, Giselda cacareja como se tivesse conversando e vai embora. 

Chico acha falta de consideração, ele que catou os melhores milhos, pôs dentro de casa na noite da chuva e espantou os gambás do galinheiro e acha que merece uma "asada" de parabéns. Giselda bica o nariz do Chico, que diz que da próxima vez ela que dê um jeito de se escafeder sozinha quando gambá andar por aí.

Chico diz que o Torresmo que é um amigão e pede para o porco dar fuçada nele porque é seu aniversário. Torresmo se esconde na lama e cisca lama na cara do Chico, que o chama de porco mal-agradecido. Depois, chega para Malhada dizendo que tem um segredinho para contar, pergunta se sabe que dia é hoje e a vaca tira o chapéu dele, que pergunta cadê as coisas que ensinou para ela: ser boazinha, não dar leite azedo e não comer chapéu dos outros. 

Chico se pergunta se não tem alguma criatura que saiba que dia é hoje. Chega nas abelhas falando que o menino que fez a casinha para elas está de festa e bem que podiam dar "Parabéns" para ele. As abelhas se reúnem para avançar nele, que pula no riacho para não ser picado por elas. Chico se enfeza, não está mais nem aí para quem não sabe que é aniversário dele, prefere festejar sozinho e vai para casa.

Quando abre a porta, tem a festa-surpresa dos pais e amigos fizeram para o Chico que diz pegaram de surpresa mesmo, tinha esquecido da festa. Comenta que bobagem dele esperar uma coisa dessas também dos bichos. Dona Cotinha leva o bolo falando que foi feito com doce de leite, com leite da Malhada, a cobertura com fios de ovo da Giselda, a velinha foi feita de cera de colmeia de abelha e o prato enfeitado foi feito de barro que o Torresmo cavoucou. 

Chico fala que então os bichos ajudaram a fazer o bolo e fica comovido, dizendo que não queria magoar os bichinhos, não tem problema que eles não saibam que hoje é aniversário dele. Aí, Dona Cotinha fala para o filho falar isso pessoalmente a eles, já que os bichos aparecem para lhe dar os "Parabéns". No final, Chico diz que não pode ser o coro mais afinado, mas pode dizer que os danados o enganaram direitinho.

Boa história em que o Chico Bento pensa que os bichos do sítio sabiam que ele fazia aniversário e pedia para eles darem os "Parabéns" para ele. Só que eles agiam naturalmente, sem ter ideia do que Chico falava e até avançavam nele quando os agarrava já que estava machucando ou invadindo território deles. Chico passa a entender que os bichos não tem noção do que é aniversário, mas no final, tem a surpresa de que eles foram na festa dar os "Parabéns" para ele. 

Já que família e amigos do Chico sempre davam "Parabéns" no aniversário dele, achava que os bichos também podiam desejar feliz aniversário. Depois das negações deles, vimos que era tudo encenação dos bichos para enganar o Chico para pensar que bichos não sabiam o que era aniversário, eles foram bem inteligentes e até leitores também pensavam que eles não sabiam o que era aniversário. 

Chico ficou tão entretido com os bichos que achou que ninguém se lembrava do aniversário, esqueceu que pais e amigos sabiam, ficou como só existissem bichos na Terra. Todo ano era a mesma coisa e a surpresa que pais e amigos tentavam fazer já estava batida para o Chico, mesmo assim Chico gostava da ideia que eles não sabiam o que ele sabia, aí nessa festa foi diferente com a surpresa dos bichos e de ele ter se esquecido dos pais e amigos por um momento.

Mostrou ideia de  dúvida de crianças se os animais sabem sobre aniversário da gente ou se sabem quando as pessoas fazem festas de aniversário para os pets. Na vida real não sabem, porém sentem o carinho que está recebendo na hora, principalmente quando as festas são para eles. Aí, na história ficou como que os bichos sabiam para dar um final feliz e ter os absurdos de histórias em quadrinhos.

Foi engraçado Dona Cotinha expulsar o Chico enquanto preparava a festa, Chico ter sido bicado pela Giselda quando a apertou, Torresmo jogar lama nele, Malhada pegar o chapéu pra comer e as abelhas avançando nele.

O Chico tem muitos bichos famosos no sítio e sempre tinha uma interação boas o Chico com eles. Todos apareceram nessa história, sendo que mais normal era contracenar com cada um em cada história. Nessa, faltaram mais alguns para o Chico contracenar como o bode Barnabé, o burro Teobaldo, apesar de terem aparecido em figurações, só não teve conversas com eles, até porque para agilizar a trama e não ficar grande em um gibi quinzenal de 36 páginas. 

Giselda a mais famosa de todos, a primeira a ser criada nos anos 1970, antes do Chico ganhar revista. O Torresmo muitas vezes era pintado de cinza para não confundir com o Chovinista, mas não era padrão e podia ser colorido de marrom ou laranja às vezes, nessa ele ficou marrom. Normalmente os bichos do Chico não pensam diante dele como o Mingau diante da Magali e em uma ou outra que falavam com outros bichos da mesma espécie. Ele ainda tinha o Fido, que morreu em história de 1990, porém foi ressuscitado em 2004, pelo próprio Paulo Back, aí se essa história fosse depois de 2004, certamente o Fido estaria nela.

Traços acho um pouco estranhos, são típicos dos anos 2000 que tinham uns detalhes diferentes e Chico com nariz menor, nas 6 primeiras páginas Chico ficou com expressões bem esquisitas, depois melhorou, talvez foi desenhada por desenhistas diferentes. O tema em si não acho incorreto, eles gostam de histórias com pets, porém iriam implicar com alguns elementos como Giselda dar bicadas no nariz do Chico, Torresmo jogar lama nele, abelhas avançarem nele, Chico falar sozinho no início, além de palavras e expressões de difícil entendimento para crianças pequenas como "cabra mocha", "escafeder".

FELIZ ANIVERSÁRIO, CHICO BENTO!!!

sábado, 27 de junho de 2026

Magali e Mônica: HQ "A Boneca Comilona"

Em junho de 1996, há exatos 30 anos, era publicada a história "A boneca comilona" em que a Magali se passa por boneca após conseguir destruir a boneca da Mônica que seria levada par ao chá da prima dela. Com 14 páginas, foi publicada em 'Magali Nº 183' (Ed. Globo, 1996).

Capa de 'Magali Nº 183' (Ed. Globo, 1996)

Magali chama Mônica para brincarem, Mônica avisa que não pode por está se preparando para ir no chá de bonecas da prima Isolda, diz que não pode levar Magali porque a prima é muito chata, fica exibindo suas bonecas importadas e ela só vai porque agora tem uma boneca importada que come e Magali tira de perto o sanduíche que estava comendo. Mônica diz que ela não come comida de verdade, são grãozinhos coloridos de plástico, a gente dá e depois tira de novo.

Mônica deixa Magali sozinha brincando com a boneca enquanto se arruma para o chá. Magali vai dando comidinha para boneca e resolve dar outras coisas para ela comer. Assim, dá talco fingindo que é açúcar, creme de pele como papinha de neném, e uma salada de flores. Quando joga água para matar a sede, a boneca se destrói. Mônica ouve o barulho, vê a boneca destruída e grita que Magali é falsa amiga, trapalhona e desajeitada.

O telefone toca, era a prima Isolda, perguntando se vai ao chá de bonecas, está atrasada e quer ver da boneca importada dela ou será que ganhou boneca nenhuma e continua só com o velho coelho encardido. Magali pega o telefone e diz que pode esperar que a Mônica vai, sim, e desliga. Mônica pergunta se Magali está maluca, primeiro arrebenta a boneca e depois quer que passe lá para passar vergonha.

Magali leva Mônica ao laboratório do Franjinha, que diz que pode consertar, dentro de uns 2 dias. Mônica chora que vai ser tarde demais, precisa urgente de uma boneca que faça coisas incríveis. Franjinha faz Magali entrar na sua invenção de miniaturizador, fazendo ela encolher e ser a boneca da Mônica, que achou a ideia genial.

Na rua, Magali reclama que ninguém a consultou, Mônica diz que foi ela quem a colocou nessa situação, e depois ela queria ir ao chá. Magali fala que não como boneca. E no caminho, Mônica combina umas coisinhas com ela.

Depois, Mônica chega no chá de bonecas, Isolda quer saber cadê a famosa boneca ou se não levou. Mônica mostra e as meninas dão gargalhada achando que é feia, esquisita e que parece que foi comprada em feira. Mônica manda Magali se controlar e fazer cara de boneca. As meninas falam que suas bonecas são japonesa, inglesa e francesa e Magali diz que ela é meio mussarela meio portuguesa. Mônica diz que é brincadeira e ela é portuguesa.

Isolda diz que sua boneca francesa canta, a menina, que sua boneca japonesa anda e a outra, que sua boneca inglesa dança, e perguntam o que a boneca da Mônica faz. Ela diz que a Magalizinha fala, com Magali perguntando se as gorduchas feiosas estão tudo em cima. Mônica fala que ela também desfila, pula corda, sapateia, é alpinista, voa de asa-delta e nada enquanto Magali demonstra na prática.

As meninas acham coisa incrível. Isolda quer pegar para ver de perto e Magali a morde. Isolda leva Mônica para mesa do chá e as bonecas ficam com mesa reservada com comida de mentirinha enquanto elas comem comida de verdade. Magali acha uma injustiça e pergunta para as bonecas se elas não se revoltam. 

As meninas agradam Mônica, oferecem bolo e chá para ela e Isolda comenta que não sabia que a prima era tão rica, que a boneca deve ter sido uma fortuna e pergunta se pode emprestar a boneca por uns dias. Mônica diz que não pode, Isolda pergunta por que não e se aboneca não é dela. Mônica diz que é e antes dar resposta do empréstimo, Isolda fala para Magali que vai passar uns dias com ela.

Magali mostra a língua para Isolda, que a leva para a mesa e pergunta se ela aceita bolinho. Magali aceita e come o bolo inteiro e as meninas se impressionam que a boneca come e como come. Magali também come todos os petiscos, bebe os chás e vai correndo para a cozinha e come tudo lá, inclusive todo o caviar, as trufas de chocolate e as compotas importadas. 

Isolda reclama que não é uma boneca, é um monstro, Mônica diz que vai indo, Isolda pergunta se não levar aquela praga de lá. Mônica fala que a prima queria emprestada, pode ficar. Isolda manda Mônica levar, a boneca é dela e até ver.

Na rua, Mônica e Magali dão gargalhada, conseguiram dar lição na Isolda e nas meninas, Mônica fala para Magali que ela não é má como boneca, é só meio comilona. Magali pergunta se está perdoada, e antes da Mônica dar resposta, Cebolinha e Cascão xingam a Mônica, que arremessa a Magali neles pensando que era o Sansão. Dois dias depois, já com a boneca da Mônica consertada, Magali, toda quebrada, diz para Mônica que agora elas estão mesmo quites, primeiro ela estropiou a boneca e agora Mônica a estropiou.

História legal em que Magali estraga a boneca da Mônica que levaria para o chá de bonecas da prima Isolda e na falta de uma, Magali fica no lugar como uma boneca portuguesa depois de entrar no miniaturizador do Franjinha. Como só podia ser boneca importada que fazia coisa diferente, Magali conseguia fazer de tudo, impressionando as meninas e Isolda queria  que Mônica emprestasse a boneca. Magali aproveitou para comer tudo servido no chá e na despensa da casa da Isolda, que fica com raiva, desiste de ficar com a Magali. No final, Mônica confundiu Magali cm Sansão e a jogou nos meninos. ficando quites com os estragos que fizeram.

Mônica com boneca importada que come, Magali não pensou na lógica que jogar água em uma boneca iria estragar, foi muito inocente, se Mônica soubesse, não deixaria Magali sozinha com sua boneca. Franjinha teve ideia boa cm uma invenção que já estava pronta, só não consultaram Magali se ela queria, mas pelo estrago que fez com a boneca da Mônica, não tinha que querer, tinha que aceitar para compensar o que fez. Mônica com prima rica e metida conseguiu dar uma lição nela junto com a Magali boneca, sorte dela ser comilona e não controlar apetite, comer tudo da casa, foi bom pra tirar marra da Isolda. 

Meninas falsas e interesseiras, zombavam da Mônica e depois que viram que a boneca era incrível, passaram a agradá-la. Mônica podia ter colocado uma roupa de boneca na Magali, mas como a prima Isolda não a conhecia, aí não faria diferença, só evitaria da zoação de acharem que era uma boneca comprada em feira. Mônica confundiu Magali com Sansão e a jogou nos meninos, Magali se deu muito mal, soube muito bem o que o Sansão passava quando era arremessado, e deixou quite com a Mônica com o que fez com a boneca. Era muito bom quando Mônica confundia e arremessava outras coisas no lugar do Sansão, até Mingau e Monicão já foram arremessados nos meninos por ela, e legal também quando Magali apanhava da Mônica sem querer. 

Foi engraçado Magali tirar perto o sanduíche que estava quando soube que a boneca importada comia, Magali saindo de fininho depois de ter estragado a boneca, meninas dizerem que a boneca Magali foi comprada em feira, Magali dizer que é boneca meio portuguesa meio mussarela confundindo com pizza, chamar as meninas de gorduchas feiosas, fazer as demonstrações do que fazia, morder dedo da Isolda, perguntar se as bonecas não se revoltam com comida de mentirinha, comer o bolo e a despensa da casa e ser arremessada pela Mônica e fica toda quebrada.

O minituarizador do Franjinha foi lançado na história "Um amor de ratinho", de 'Mônica Nº 99', de 1978, e depois foi usado algumas outras vezes e em 1995 e 1996 estava com bastante histórias dos personagens escolhendo por causa do miniaturizador, inclusive, última antes dessa até então foi a de abertura "Enfeite de bolo", de 'Magali Nº 172', de 1996. Sem dúvida foi a invenção mais usada pelo Franjinha sem ser apenas em uma história. Já a Isolda e as outras meninas ricas só apareceram nessa, como de costume de personagens criados para aparição única, principalmente se tratando de primos e parentes de personagens.

Foi história póstuma de Rosana. Incorreta atualmente por Magali destruir boneca deixando Mônica na mão, meninas ricas esbanjando o que tem, Magali gulosa comendo tudo que vê pela frente, Mônica arremessar a Magali e ficar estropiada, além da palavra proibida "gorducha".

Os traços ficaram bonitos com estilo consagrado dos personagens, os vestidos da Mônica e das meninas ricas ficaram bem nelas, pena as cores escuras demais, embora já estavam colocando alguns tons diferentes de marrom e não só um marrom escuro em tudo. O degradê a partir de agora quase inexistente, só em um ou outro quadro pontuais e ficou assim desde então até o final da Globo em 2006, sem ser mais em todos ou na maioria dos quadros. Muito bom relembrar essa história há exatos 30 anos.

quarta-feira, 24 de junho de 2026

Cebolinha: HQ "O Sanfoneiro"

Dia 24 de junho é o Dia de São João e em homenagem mostro uma história em que o Cebolinha foi sanfoneiro da festa junina do bbairro. Com 10 páginas, foi história de abertura publicada em 'Cebolinha Nº 18' (Ed. Abril, 1974).

Capa de 'Cebolinha Nº 18' (Ed. Abril, 1974)

Cebolinha pergunta se Cascão vai entrar na quadrilha, cascão pergunta se isso não é coisa de bandidões e Cebolinha responde que é quadrilha de São João. Cascão diz que vai, só que não sabia que precisaria de par para dançar. Cebolinha tem a Mônica como par e está indo convidá-la. Cascão fala que também vai convidá-la, já que ainda não tinha convidado, corre até à casa dela e convida primeiro que o Cebolinha, que acha que foi golpe sujo.

Cascão pergunta para a Mônica se ela permite alguém gritar com par dela. Cebolinha diz que Cascão a roubou dele. Cascão fala que Cebolinha não tem capacidade de arranjar um par e está nervoso e Mônica chama a sua prima Cecília para ser par dele. Cecília aparece toda sujinha, encantando o Cascão, que sugere a troca de pares, ele dança com Cecília e Mônica com Cebolinha. Mônica aceita, meninos prometem passar lá de noite e depois Cecília comenta que não devia ter chamado, estava toda suja arrumando brinquedos enquanto que Cascão elogia para o Cebolinha sobre a prima da Mônica toda sujinha como sempre sonhou.

À noite, os meninos voltam, e Cascão tem desilusão de que a Cecília tomou banho e não é sujinha como ele. Já na festa junina, começa a quadrilha, o apresentador da festa pede para os cavalheiros pegarem suas damas e pede sanfoneiro no palco, que era quem ia tocar para eles dançarem. Cascão diz que se ele não for, o Cebolinha toca sanfona no lugar dele. Cebolinha fala que só sabe tocar o Bife e não tem graça dançar quadrilha ao som do Bife.

Quinze minutos depois, o sanfoneiro não chega, Cascão vai ao palco falar com o apresentador e um tempo depois ele anuncia que o sanfoneiro não apareceu e o Nhô Cebolinha, um dos maiores sanfoneiros da cidade, vai tocar no lugar. Ele vai ao palco, Cascão pergunta se gostou do nome artístico que inventou e avisa que o público está aplaudindo e é pra agradecer. Cebolinha pergunta o que deve tocar e Cascão fala para tocar o tal do Bife. 

O público estranha Bife, o apresentador diz que isso não é música para se dançar quadrilha, queria um Baião. Cebolinha diz que só sabe tocar o Bife, o apresentador comenta com o Cascão que ele era bom e Cascão diz que no Bife ele é insuperável. O público começa a vaiar, o sanfoneiro chega, o apresentador pede para o Cebolinha sair, ele diz que não pode sair vaiado e quer saber do público por que estão o vaiando. Eles falam porque a música é ruim, manda aprender, não sabe tocar, é amadorzinho, grosso e é para dar a sanfona pra quem sabe tocar.

Cebolinha cai fora desanimado, Cecília sugere brincarem perto da fogueira para ele esquecer tudo, quando chegam, Cecília lembra que a mãe falou sobre brincar perto da fogueira, os outros lembram também, só não sabem se é verdade ou invenção, e resolvem brincar lá. Quando saem da festa, acontece nada e acham que é invenção dos adultos, mas quando chegam em casa na hora de dormirem, todos fazem xixi na cama e descobrem que não era invenção.

História legal com a turma em uma legítima festa junina e tema principal de Cebolinha ficar encarregado de tocar sanfona no lugar do sanfoneiro que estava atrasado, mas como só sabia tocar Bife, sem a ver com a festa junina, foi vaiado pela plateia e conseguiram normalizar a festa com a volta do sanfoneiro.

Cascão se saiu um empresário que queria o Cebolinha tocar na festa, conseguiu lábia pra convencer o apresentador, Cebolinha insistia que só sabia tocar Bife, mas não adiantava. Meteu amigo em enrascada, Cebolinha também poderia ter recusado, evitaria as vaias no final. O apresentador podia ter descinfiado que criançanãoia saber tocar sanfona. Ficou inicialmente a dúvida do que o Cascão falou para o apresentador pra convencê-lo Cebolinha a tocar sanfona na quadrilha, depois ficou claro que disse que era o melhor sanfoneiro. 

A trama foi passada com focos de várias situações: meninos disputarem quem será o par da Mônica , Cascão interessado pela Cecília e depois se decepcionar que ela não era sujinha, Cebolinha como sanfoneiro (que julgo o momento principal) e brincarem perto da fogueira e fazerem xixi na cama por causa disso. 

Uma graça Cascão correr e passar na frente pra ser par da Mônica no lugar do Cebolinha e ela ser tricada pela Cecília porque achava que era sujinha.  A desilusão amorosa dele foi grande. Ao pularem fogueira, não ouviram sabedorias das mães deles, acabaram se dando mal fazendo xixi na cama, se tivessem acreditado, não precisariam passar por isso. Ainda ficou mensagem de forma divertida de que devem obedecer e acreditar nas mães. 

Foi marcada também por várias tiradas. Engraçado Cascão pensar que era quadrilha de bandidos, dizer que Cebolinha não tem jeito com meninas de fora ao ver a Cecília, pedir para Cebolinha não gritar porque pode ferir os ouvidos sensíveis da Cecília, perguntar se tinha alguma dama na festa com Mônica e Cecília ao lado, pensando que elas eram senhoritas, Cascão dizer que ser vaiado acontece nas melhores famílias. Magali fez participação só em um quadro, só não a colocaram no lugar da Cecília pra dar a graça de Cascão escolher porque a Cecília era sujinha como ele.

Cecília, prima da Mônica, só apareceu nesta história, como de costume de personagens criados para uma única vez. Na mesma revista, curiosamente, em outra história o Cascão se apaixonou pela Maria Cascuda porque era sujinha, que marcou a estreia da personagem. Se tivessem com pretensão da Cascuda ser personagem fixa desde então, poderiam até terem a colocado no lugar da Cecília. A Cascuda ainda pareceria em outra história de 1975 e depois só retornou aos gibis e em definitivo em 1981. 

Foram 10 páginas, mas com muito texto que fica mais tempo lendo e parece que é história mais longa. Incorreta atualmente por crianças irem sozinhas em festa junina altas horas da noite, Cascão em interesse de namorar Cecília e por ela estar sujinha já que teria namoro de crianças e apologia à sujeira, Cascão com cachimbo na boca, mesmo de brinquedo, não pode atualmente, eles brincarem perto de fogueira,  constrangimentos de crianças fazendo xixi na cama, além de palavras proibidas "roubar", "diacho" e não colocariam "Bife" para não ter duplo sentido de música com carne.

Traços ficaram bons, do estilo dos anos 1970 com personagens com bochechas pontiagudas, sendo que estavam começando a arredondar aos poucos, se comparar histórias de 1970 com 1974 já dava pra ver diferenças. A noite foi retratada com fundo todo preto e destaque também que a noite em alguns quadros e a plateia ao fundo com pontos pretos em um fundo branco que juntos formavam cinza. Recurso utilizado em tirinhas em preto e branco e depois por um bom tempo na camisa do Jeremias nos anos 1980 e 1990.

Foi republicada depois em 'Almanaque da Mônica Nº 9' - Especial Festas Juninas' (Ed. Abril, 1981), que misturou republicações e histórias inéditas, sendo que essa do Cebolinha foi a única de festas juninas dentre as que foram republicadas, as demais com esse tema foram inéditas. 

Capa de 'Almanaque da Mônica Nº 9' - Especial Festas Juninas' (Ed. Abril, 1981)