domingo, 10 de maio de 2026

Magali: HQ "Um aniversário nada previsível"

 Dia 10 de maio é aniversário da Magali, então, em homenagem, mostro uma história em que ela deixou de comer na sua festa de aniversário com medo de morrer depois que vidente Madame Cleuzodete previu que ela perderia todo o seu apetite. Com 12 páginas, foi publicada em 'Magali Nº 310' (Ed. Globo, 2001).

Capa de 'Magali Nº 310' (Ed. Globo, 2001)

Escrita por Emerson Abreu, Magali fala para a Mônica que está ansiosa pela sua festa de aniversário à noite. Mônica diz que também adora festa de aniversário, com casa cheia de gente, enfeitada com balões e desenhos na parede, ganha muitos presentes e um montão de amiguinhos desejando felicidades. Só que se logo se toca que a Magali se referia ao bolo e ela complementa com brigadeiros, cajuzinhos.

Magali comenta que os anos estão passando cada vez mais rápido, Mônica diz que logo ela vai ser uma mocinha, Magali pergunta como será a Magali de amanhã e Mônica acha que comilona como a de hoje e Magali comenta se tivesse um jeito de saber, quando se deparam com a tenda da Madame Cleuzodete, vidente que lê passado, presente, futuro e bula de remédio.

Magali diz que teve uma ideia, Mônica também, Magali pergunta se topa, Mônica, também e a ideia da Magali era tomar sorvetes de flocos com milho verde e Mônica diz que a ideia dela era irem consultar a dona que vê o futuro. Magali não queria ir lá. Mônica pergunta se Magali não tem curiosidade de saber como vai ser o amanhã e Magali diz que não porque ele já tem os roteiros das historinhas dela até o mês que vem e sabe tudo tintim por tintim.

Elas entram na tenda, Mônica avisa que queria se consultar, Madame Cleuzodete interrompe, pedindo silêncio que recebeu mensagem na bola de cristal. É de uma tal Magali, que vai perder todo o apetite a partir da meia-noite e ouvem um trovão. Mônica e Magali riem muito, e Magali fala que sabia que tudo era papo furado. Madame Cleuzodete fala que podem rir, mas é para ela ter cuidado com o que vai comer esta noite, pois será a última guloseima que colocará na boca e ouvem um trovão. Ela termina a consulta, cobra 5 reais e entrega para as meninas o cartão dela com site na web e manda voltarem sempre. 

Na saída, Magali fica preocupada, pode ser bobeira, mas se for verdade e ela perder o apetite o que será da vida dela. Mônica manda desencanar, diz que único jeito de Magali perder apetite é se bater as botas e ouvem outro trovão. Magali chora que não quer bater as botas e logo ela que nem tem sapato, pergunta se vai comer maçã enfeitiçada ou cajuzinho azedo. Vê vendedores de pastel de queijo, cachorro-quente e pipoca e fica mais aflita. Mônica acha que está exagerando e Magali quer se esconder em casa para fugir da tentação. 

Chegando em casa, acontecia a festa de aniversário e elas tinham esquecido. Dona Lili e os amigos falam que tem bolo de sorvete com cobertura de chocolate, mousse de maracujá, manjar de coco, flan de figo, pudim de caramelo. Magali fala que às favas com as profecias, é seu aniversário e se prepara a comer o bolo inteiro, quando lembra madame Cleuzodete avisando que à meia noite ela vai perder todo o apetite e joga o bolo na cara da Mônica, desistindo de comer.

Magali fica agitada, corre e some da festa. Mônica procura a amiga pela casa por muito tempo, avisa que está na hora de assoprar velhinha. Encontra a Magali dentro da lavadora de roupa cheia de água com sabão. Magali diz que era único jeito de ficar longe de qualquer guloseima. Mônica diz que profecia é tudo lorota, já deu meia-noite e aconteceu nada.

Magali comemora que ainda tem apetite e que pode comer tudo que quiser. Ela corre até à sala e come tudo da festa, até o que os amigos estavam comendo. Mônica fala que não precisava exagerar, não é só porque deu meia-noite que poderia ser assim. Dona Lili fala que já saíram do horário de verão e esqueceu de atrasar todos os relógios e que agora deve ser 11 horas da noite. Mônica comenta que, então, Magali pode perder o apetite e ela desmaia.

Depois, no quarto da Magali, Mônica diz que o lado bom é que Magali não bateu as botas, mas Magali comenta de cama que no final as profecias estavam certas porque depois de todos aqueles doces que comeu sozinha, não aguenta nem pensar em comida e a mãe e amigos ficam rindo dela.

História legal que Magali, no dia de seu aniversário, vai se consultar com a vidente Madame Cleuzodete, que avisa que ela vai perder todo o apetite à meia noite e ter cuidado com o que ela come. Magali pensa que ela ia morrer porque seria o único jeito de ela perder o apetite ,fica desesperada e resolve comer nada até meia-noite.  Depois do horário e nada de ruim acontecido, come tudo da festa sem culpa só que a mãe tinha esquecido de atrasar horas dos relógios depois do horário de verão e Magali passa mal com indigestão e fica de cama sem poder pensar em comida.

Magali achou que ela ia morrer porque só assim para ela perder apetite. Primeiro não acreditava no papo de profecias da Madame Cleuzodete, não morreu, foi uma indigestão que tirou o apetite dela e nem se ligou que poderia ser isso a perda de apetite. Quem mandou ser tão gulosa e querer comer tudo que ela não havia comido durante a festa. Se ela não exagerasse na comilança da festa, de comer tudo que encontrava pela frente, não teria indigestão. Afinal, comer tantas coisas doces e salgadas de uma só vez, descontroladamente, sem digerir bem, pediu para passar mal. Madame Cleuzodete falou das visões sem detalhes e as meninas interpretaram errado, se a vidente fosse mais clara, também poderia evitar.

Dona Lili também teve uma certa culpa de abalar mais o psicológico da filha, deixando de atrasar relógios depois do horário de verão. Chega a ser absurdo, horário de verão acaba em fevereiro e a mãe da Magali só lembrou de atrasar os relógios em maio, ficaram 3 meses com horários da casa errado e nem perceberam. E também bem irresponsável festa de criança passar de meia-noite, teria que acabar cedo.

Engraçado placa da Madame Cleuzodete informar que também ela sabe ler bula de remédio,  Magali e Mônica pensarem que tiveram mesma ideia de se consultar com a Madame Cleuzodete, mas  a ideia da Magali era tomar sorvete, Magali dizer que já sabeo futuro dela porque recebe os roteiros das suas histórias antes de serem publicados, dizer que o pai recebe mensagem no celular depois que a vidente disse que recebeu mensagem das profecias, Magali dizer que é este não é nome estranho, sem lembrar que ela se chamava Magali e Mônica avisar que é ela e a chamar de "sua coisa", Magali chorar que não quer bater as botas e dizer logo ela que nem tem sapato, ela jogar o bolo na cara da Mônica e se esconder dentro da máquina de lavar roupa com água e sabão dentro, pelo visto máquina em funcionamento bem no momento da festa.

Emerson já tinha o estilo definido instalado em 2001, enquanto que em 1997 e 1998 o estilo era mais contido e como fase de experiência, em 2001 já estava tudo consolidado, por isso vemos que personagens já estavam bem agitados, saltitantes, abobalhados e debochados e as tiradas prevalecendo dando graça. Não tinham caretas exageradas ainda, porém com mais línguas à mostra, até quando não contavam piadas infames e cabelo da Mônica fora do lugar. Só não foi muito longa porque era um gibi quinzenal de 36 páginas e teve ajuste de enquadramento, se tivesse quadros retangulares prevalecendo, teria mais páginas no total.

Essa história marcou a estreia de Madame Cleuzodete, depois apareceu em outras sempre com personagens sofrendo com suas previsões. A ideia era para a vidente ser negra, mas depois adotaram ela como branca em definitivo para não mostrar uma negra como vidente. Na capa da edição, com alusão à história de abertura, ela até apareceu diferente e branca, ficando como deixaram em outras histórias.

Incorreta atualmente por Magali egoísta, comendo tudo na festa e até o que os convidados estavam comendo, criança acordadas até meia-noite, festa de criança devia acabar mais cedo, Magali se esconder dentro de lavadora de roupa funcionando, calcinhas da Magali e da Mônica à mostra no terceiro quadro da página 9 do gibi e terceiro quadro da última página, principalmente do jeito que a Magali apareceu na última página, além de palavras e expressões populares de duplo sentido como "tintim por tintim", "desencanar", "batendo as botas", "às favas", "se meteu". Já crianças se consultarem com vidente ainda existe já que a Madame Cleuzodete ainda aparece nos gibis até hoje.

Traços ficaram bons no geral, prevaleceu o estilo consagrado dos personagens, porém ficaram desenhos diferentes nas 4 páginas finais, a partir da página 11 do gibi quando elas estavam na festa de aniversário, mais com cara de anos 2000 a partir daí. Tiveram alguns erros como o chapeuzinho de aniversário aparecer na cabeça da Mônica do nada, o relógio na parede que era para marcar meia-noite, no penúltimo quadro da página 11 do gibi marca duas horas da manhã e ausência de faixa branca no vestido da Dona Lili no quadro final da história.

FELIZ ANIVERSÁRIO, MAGALI!!!!

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Chico Bento: HQ "Dentista!? Deus me livre!"

"Dia das Mães" está chegando e mostro uma história em que o Chico enganou sua mãe Dona Cotinha que foi ao dentista tratar dor de dente dele e comprou vários pirulitos com o dinheiro que ela lhe deu. Com 5 páginas, foi história de miolo publicada em 'Chico Bento Nº 49' (Ed. Abril, 1984).

Capa de 'Chico Bento Nº 49' (Ed. Abril, 1984)

Escrita por Rubão (Rubens Kyumora), começa com o Chico Bento machucando o dente enquanto almoça, fala com a mãe que entrou um pedaço de arroz no buraco do dente e doeu. Dona Cotinha diz que ele precisa é de um dentista e dar dinheiro para ele ir tratar o dente. Chico diz que morre de medo de dentista, resolve não ir, diz que vai gastar a grana e depois volta para casa e a mãe nem vai perceber. Ele vê um menino vendendo pirulito, que custava cem Cruzeiros cada, mas como o menino não tinha troco para mil Cruzeiros, Chico leva 10 pirulitos, chupa todos e passa a ter dor de dente muito grande.

Dona Cotinha aparece perguntando se o filho já foi ao dentista. Ele diz que já, Cotinha nota lágrimas e pergunta se ele está chorando. Chico nega, Cotinha acha, então, que está com conjuntivite e fala para irem para casa que tem um colírio bom para isso. Chico não quer ir e foge. Cotinha vai procurá-lo e ouve atrás do muro o Chico chorando e falando arrependido que devia ter ido ao dentista em vez de gastar dinheiro com pirulito e agora está morrendo de dor de dente.

Dona Cotinha leva Chico ao dentista puxando orelha dele no caminho todo. No consultório, o dentista arranca o dente. Na saída, Cotinha comenta que foi bom, que agora não vai doer mais. Chico confessa que na hora sentiu muito medo e com tanto medo pediu para o dentista arrancar o dente errado. Cotinha fica braba com o Chico e corre atrás dele pela vila para bater nele e Chico comenta que depois dessa vai precisar de um médico.

História legal em que o Chico está com dor de dente e por medo de dentista quis mentir para a mãe que foi e gastou toda a grana que ela lhe deu com pirulitos para ela não perceber. A dor fica maior, Chico não consegue contar a verdade para mãe, só que ela descobre tudo e o leva forçado para o dentista. No final, ele pediu para o dentista arrancar dente errado, dando raiva na mãe ela quer bater nele.

Chico foi falar alto o que ele tinha feito, sem se tocar que a mãe podia ouvir, se só pensasse, poderia demorar mais para encontrá-lo. Chico aprendeu que não adianta mentir para mãe, cedo ou tarde, vai descobrir a farsa, que era melhor ter contado a verdade desde o início. Dona Cotinha, sabendo que o Chico era pestinha e aprontava muito, tinha que ter ido ao dentista com o filho, a autonomia das crianças nas histórias permitiam elas irem sozinhas a estabelecimentos. Chico aprendeu também que comer doces com dente doendo piora mais a dor e que ir ao dentista, mesmo com medo, é a melhor solução quando tem dor de dente.


Medo do Chico de dentista era muito grande, só de pensar em ir já era um tormento e já na cadeira erra em mandar tirar dente errado porque tinha medo de dor maior arrancando o dente já dolorido. Com a atitude, continuou com o dente doendo e ainda causou fúria da mãe, com razão, já que ela vai ter gastar mais dinheiro com nova consulta para arrancar o dente certo. Só nessa brincadeira, já havia gasto dois mil Cruzeiros (gasto com pirulitos e arrancar dente errado) e ainda teria que gastar mais mil para arrancar o dente certo. Cruzeiro era a moeda do Brasil da época, por isso, valores diferentes proporcionais à alta inflação da época. 

Engraçado Chico gritar comendo e Dona Cotinha dizer que a comida não está tão ruim assim, o menino vendedor dizer "Olha o pirulito!" e Chico dizer que é só para olhar pirulito ou ele está vendendo, Dona Cotinha achar que Chico estava com conjuntivite e que tem um bom colírio para isso e Chico recusar, ela puxar orelha do Chico em todo o caminho até chegar no consultório do dentista e a surpresa dela ao descobrir que o filho pediu para arrancar dente errado.

Hoje, dia 7 de maio, também é "Dia do Silêncio" e sem querer teve uma homenagem ao dia já que o silêncio do Chico no dentista, omissão de dente real que estava doendo foi fundamental para o desfecho hilário. Ainda assim, intenção mesmo da postagem foi em homenagem ao "Dia das Mães" no próximo dia 10 de maio deste ano.

Foi tipo de história do que não se deve fazer, se leitor quiser imitar o Chico, vai se dar muito mal, a gente se divertia e aprendia muito assim com os erros dos personagens. É incorreta atualmente por Chico mentir para mãe, sofrer com dor de dente, ter medo de dentista, menino trabalhando como camelô, pois trabalho infantil, nem pensar, Chico ir sozinho a dentista, Dona Cotinha  puxar orelha do Chico e querer bater nele correndo pela rua no final, ela de avental na rua e no consultório do dentista, além de expressões populares proibidas como "morro de medo", "morrendo de dor de dente", "Deus me livre!" no título. O caipirês na época era diferente, sobretudo em gerúndios que colocavam "vendeno", "chorano", morreno" e isso também sempre alteram em republicações de almanaques atuais, ajustando ao caipirês atual. 

Traços ficaram bons, típicos de histórias de miolo dos anos 1980. Tiveram alguns erros como Chico sem dente da frente no 2º quadro da 1ª página e pálpebra com fundo branco no 2º quadro da 2ª página da história. Nunca foi republicada até hoje em almanaques convencionais, apenas na reedição dessa revista da 'Coleção Histórica Turma da Mônica Nº 49', de 2015. Dava para ter sido republicada a partir de 1992, quando estavam republicando mais histórias de 1984 do Chico, mas acabaram esquecendo. E uma curiosidade para colecionadores que essa revista 'Chico Bento Nº 49' da Editora Abril teve 2 versões de capas, uma com referência à promoção "Reino Mágico" e outra versão, sem, e certamente nesta a propaganda da página 2 diferente sem relação à promoção.

segunda-feira, 4 de maio de 2026

Rolo: HQ "Eu, ela e o cachorro"

Mostro uma história em que o Rolo teve que lidar com o cachorro da namorada que estava atrapalhando o namoro deles. Com 6 páginas, foi publicada em 'Cebolinha Nº 2' (Ed. Globo, 1987).

Capa de 'Cebolinha Nº 2' (Ed. Globo, 1987)

Rolo vai a um encontro com sua nova namorada, a Carlinha, comenta que nada pode estragar esse dia, quando se depara com o cachorro brabo dela, o Rambo, e Rolo precisa subir na árvore do quintal. Carlinha manda Rambo deixar o Rolo em paz e diz que ele é um cachorrinho bom, só estava querendo defender a casa e não o conhecia.

Eles vão para dentro de casa, Rolo pergunta se o Rambo tem que entrar também e Carlinha responde que ele é como se fosse da família e só não prestar atenção nele. Rolo quer dar um beijo na Carlinha e Rambo avança nele porque pensou que ia atacá-la. Rolo manda Carlinha explicar para o cachorro que eles são namorados, Carlinha diz que ele não entenderia e que vão continuar namorando, só não podem se tocar. 

Rambo fica no meio do sofá entre eles e Rolo acha que esse negócio de namoro à distância não vai dar certo. Rolo pega um osso para Rambo enterrar no quintal, ele recusa e Carlinha diz que ele come nada entre as refeições. Depois, Rolo traz a Fifi, cachorra da tia dele, para ver se Rambo namora, só que ele já namora com outra cachorrinha.

Assim, Rolo passa a ser amigo do Rambo, brinca de jogar gravetos, ensina truques e até o leva para o cinema. Rambo passa a adorar o Rolo, acha um grande amigo, e Rolo acha que agora vão poder namorar sossegado com a Carlinha, só que puro engano, pois o Rambo passa a avançar na Carlinha toda vez que se aproximavam para se beijarem.

História legal em que Rolo, mais uma vez  passa sufoco com suas namoradas, dessa com o cachorro brabo da namorada Carlinha, Rambo não deixava ninguém chegar perto dela que avançava. Rolo adotou tática de se tornar amigo do cachorro para depois conseguir namorar em paz, mas o Rambo gostou tanto do Rolo que passou a estranhar e atacar a própria dona. 

Como a Carlinha não queria o Rambo fora de casa porque era como se fosse da família, era só deixar o cachorro os dois irem namorar na rua ou na casa do Rolo que estaria resolvido. Mais uma vez Rolo termina namoro por tão pouco, por isso ele ter uma namorada diferente a cada história. Ter um cachorro brabo em casa na intenção de segurança contra invasores, mas também o Rambo tinha ciúmes da dona que dava atenção a ele, no momento que o Rolo passou a ser amigo e dar mais atenção a ele do que a Carlinha, Rambo estranhou ela e considerou Rolo como seu dono. 

Foi engraçado Rambo no meio do sofá atrapalhando o namoro dos dois, Rambo retratado como um cachorro correto, que não come nada entre as refeições, que é fiel à sua namorada, segurando foto da cachorrinha e Rolo reclamar que está lidando com cachorro fiel e eles levarem  cachorro a um cinema para ver filme de canino "A cãofusão", de "A Twenty-Century Dog". O nome Rambo não foi parodiado dessa vez, nome utilizado do personagem de Sylvester Stallone foi para dizer que era muito brabo.

Traços ficaram caprichados, típicos da Turma da Tina dos anos 1980. Colorização boa também característica dos primeiros números da Globo de 1987 com cores mais fortes e destaque de personagens com peles rosadas e o azul em tom de aquarela. Incorreta hoje em dia por cachorro brabo que avança nos outros, Rambo avançar no Rolo no sofá e ele ficar machucado e colocar cachorro em um cinema.

sexta-feira, 1 de maio de 2026

Cascão: HQ "Gibis, pra que te quero..."

Dia primeiro de maio é o "Dia do Trabalhador" e em homenagem mostro uma história em que o cascão trabalha como vendedor de gibis usados para conseguir dinheiro para comprar uma bola da loja. Com 7 páginas, foi história de abertura de 'Cascão Nº 78' (Ed. Globo, 1990).

Capa de 'Cascão Nº 78' (Ed. Globo, 1990)

Cascão vê uma bola na loja, pede para os pais comprarem e eles alegam que estão sem dinheiro. Depois, Cascão vê uma um homem vendendo revistas usadas e tem ideia de vender seus gibis velhos e acha que vai faturar uma nota com eles. Assim, leva os gibis para a rua pra vender e espera seus fregueses. 

Aparece uma menina e Cascão diz que está vendendo gibis usados por apenas cinquenta centavos cada um, na banca, qualquer gibi não sai por menos de 2 Cruzados, que estão quase novos, não tem rasgos nem páginas faltando e pergunta se ela gostou e quantos gibis ela vai levar e ela responde que gostou, mas vai levar nenhum porque não sabe ler. Cascão comenta que tem que ver com quem desperdiça sua genial tática de venda.

Em seguida, chega Titi comentando sobre o negócio novo do Cascão, pega um gibi, Cascão pergunta se gostou desse e se vai comprar. Titi diz que não sabe, tem que examinar bem para saber se vale a pena, aí ele lê, ri , chega até sentar para ler e depois devolve o gibi, dizendo que não vai levar porque já leu tudo, fazendo Cascão de burro.

Depois, Cebolinha aparece perguntando pela novidade e Cascão trata com grosseria, grita que ele está vendendo gibis, perguntando se não sabe ler. Cebolinha deduz que o negócio vai mal, Cascão comenta que ainda vendeu nenhum gibi e se continuar assim, nunca vai conseguir juntar dinheiro para comprar a bola de capotão. Cebolinha resolve comprar um gibi dele e escolhe o número 1 do "Batimão". Cascão fala que esse gibi é de estimação e não pode vender.

Cebolinha, então, escolhe um do "Home-Aranho" e Cascão não pode vender porque tem a história do Home-Aranho contra o Siri Verde. Cebolinha escolhe outro e Cascão fala que é edição comemorativa, tem as melhores histórias do "Rato Ronald", não pode ficar sem ele. Cebolinha sugere para Cascão escolher quais gibis ele pode comprar. Cascão demora a selecionar e Cascão separa só  o gibi do Ursinho Bilu e isso porque ele tem repetido. Cebolinha joga o gibi no chão e não quer isso e dar a real para o Cascão que vai conseguir vender nada, desse jeito.

Cascão tem uma ideia e passa a fazer aluguel de gibis, ler qualquer um por dez centavos a hora. A turma toda se empolga e aluga os gibis, sendo um sucesso. Depois, Cascão fica feliz que conseguiu juntar o dinheiro que precisava e ainda ficar com todos os gibis. Quando vai comprar a bola, encontra o vendedor de revistas usadas no caminho e no final, chegando em casa, avisa para o pai para comprar a bola de capotão para ele no mês que vem porque gastou todo o dinheiro com gibis.

História legal em que o Cascão queria vender os gibis da coleção dele para comprar uma bola que viu na loja, mas não conseguiu, primeiro porque sofreu com fregueses inconvenientes, não contava que a menina não sabia ler, e Titi sacana de fazer o Cascão de burro, dizer que estava folheando, conferindo detalhes, mas estava lendo sem pagar. Cascão também nem para desconfiar que ele estava lendo pela demora de examinar. São perrengues que vendedores podem passar.

Problema maior foi o Cascão não querer se desapegar dos seus gibis, todos eram de estimação. A solução foi alugar os gibis, pagando por hora de leitura, só que o dinheiro que ganhou o aluguel, gastou tudo em gibis no lugar da bola que queria. Ele devia ter visto primeiro em casa quais gibis podiam ser vendidos ou não, evitaria problemas com os fregueses, pelo menos teve ideia boa de alugar seus gibis e não ficou sem eles. Cebolinha teve boa vontade de ajudar, cascão que não colaborou em vender. 

Com uma coleção de gibis grande de dar inveja, cheia de raridades, não merecia serem vendidos e se desfazer deles por causa de uma bola. Não tinha dinheiro para comprar brinquedos, mas para gibis, tinha. Sua paixão por gibis tão grande que preferiu aumentar sua coleção com vendedor de revistas usadas do que comprar a bola, colecionismo em primeiro lugar. 

Engraçado ver os sufocos do Cascão para vender os gibis, dizer que tem que ver com quem desperdiça sua genial tática de venda, se imaginando com orelha de burro por ter sido passado por trás pelo Titi que leu antes de comprar, o cabelo ficar arrepiado de só imaginar que iria perder edições raras se fossem vendidas, escolher para o Cebolinha só o gibi do Ursinho Bilu, isso porque era repetido, e Cebolinha jogar no chão porque não queria aquela porcaria. As paródias usadas foram um show à parte, Batman, Homem-Aranha e Mandrake como "Batimão", "Home-Aranho", "Pandrake", respectivamente, e teve até do Pato Donald como "Rato Ronald". Personagens da Disney não costumavam aparecer fisicamente, mas costumavam ter nomes parodiados nas histórias, não deixavam de ser homenagens também.

Primeira vez que foi citado o Ursinho Bilu nas histórias. Depois com o tempo, passou a ser o ursinho oficial de personagem de desenho animado que as crianças da turma gostavam. Curioso que eles não iam à escola na época, mas sabiam ler e escrever tranquilamente e até melhor quem ia á escola, absurdos bons de histórias em quadrinhos. "Cruzado Novo" era a moeda do Brasil na época, porém muitos chamavam só de "Cruzado", pois "Cruzado Novo" foi só dividir por mil o valor do "Cruzado" para diminuir os zeros dos preços, interferiu em nada na hiperinflação da época.

Além de divertir muito, mostrou situações de colecionadores na vida real que não conseguem desapegar dos gibis ou de coleções em geral, sabem que se desfazer, vai se arrepender depois de não ter mais as raridades. E também mais uma vez  a característica do Cascão representado como o mais pobrezinho da turma e que ele trabalhava como vendedor ou engraxate para ter dinheiro pra comprar o que queria, eram boas histórias dele assim. Incorreta atualmente por mostrar criança trabalhando como vendedor, inadmissível isso hoje em dia, assim como Cascão ser comparado por burro com orelha, Dona Lurdinha de avental e lavando louça dando ideia que é dona-de-casa, e a palavra proibida "Droga!".

Traços ficaram muito bonitos e caprichados. Colorização eu também gostava assim clara e em tons pasteis. Eram comuns histórias curtas na abertura, alternando com histórias mais desenvolvidas em edições seguintes, até em gibis da Mônica e Cebolinha, com mais páginas, e, com isso, não terem padronização de estilos de histórias. Tiveram erros como Cascão de língua branca no penúltimo quadro da primeira página, Cascão falando de boca fechada no penúltimo quadro da penúltima página e Seu Antenor com sujeirinhas no penúltimo quadro da última página.

quarta-feira, 29 de abril de 2026

HQ" Do Contra no Parque"

Em abril de 1996, há exatos 30 anos, era publicada a história "Do Contra no Parque" em que ele brinca com os brinquedos do parque da Mônica de forma tudo errada só para ser diferente dos outros. Com 10 páginas, foi publicada em 'Parque da Mônica Nº 40' (Ed. Globo, 1996).

Capa de 'Parque da Mônica Nº 40' (Ed. Globo, 1996)

Nela, Mônica, Magali e Nimbus estão no Parque da Mônica, ouvem barulhos e descobrem que era o Do Contra, sempre imprevisível, querendo entrar pela saída do Parque e teimando com os monitores. Do Contra diz que porque fica mais perto dos brinquedos que ele gosta, os monitores não querem saber, tem que entrar na entrada da frente como todo mundo, e, assim, Do Contra entra andando com as mãos para não entrar igual a todo mundo.

Nimbus reclama com o irmão da mania de querer ser diferente, Do Contra diz que não quer, ele é. Nimbus diz que só falta dizer que não brinca para ser diferente e Do Contra fala que brinca, só que do jeito dele. Então, nos "Ciclo-Balões" que teria que pedalar para eles subirem, o Do Contra pedala para descer. No "Brinquedão", em vez de seguir o caminho normal, ele vai de contramão, atrapalhando as outras crianças, dizendo que o caminho normal é fácil e ele inventou um novo.

No "Carrossel do Horácio", em vez de sentar nos dinossauros de brinquedo, Do Contra resolve andar pelo carrossel em movimento, precisando o Monitor tirá-lo de lá, o chama de maluco e avisa que é perigoso e que ele pode se machucar. Na "Casa do Louco" em vez de entrar pela escada, ele entra escalando pela saída do escorregador e visita as atrações do brinquedo de trás para frente até sair pela entrada. A Monitora pergunta quem é ele e um menino diz que deve ser o dono da casa.

Na "Tumba do Penadinho", Do Contra se fantasia de fantasma para dar susto na criançada que achava que os monstros do brinquedo metiam medo em ninguém. Depois, ele faz malabarismo com as bolinhas da piscina de bolinhas do "Brinquedão" e vê o filme do "Cinema 3D" sem os óculos e come uma banana que trouxe de casa para não comer os lanches da lanchonete.

Quando vão embora, Mônica não deixa Do Contra sair pela entrada do Parque. No caminho para casa, todos falam que se divertiram bastante e Do Contra fala que se divertiu mais que todos eles juntos porque ousou ser diferente e vai embora. No final, quando já está sozinho, comenta consigo que qualquer dia desses precisa ir ao Parque da Mônica sozinho, sem ninguém ver porque morre de vontade de curtir os brinquedos da forma normal mesmo e se imagina brincando nos brinquedos igual a todo mundo.

História legal em que o Do Contra brinca com os brinquedos do Parque da Mônica todo errado para ser diferente dos outros. Onde é pra entrar, ele queria sair, seguia caminho contrário e tudo mais para não agir igual a todo mundo. Sendo que fazendo isso, tinha risco contra sua segurança e dos outros que estavam brincando e poder se machucar feio como percorrer contramão no "Brinquedão", correr no "Carrossel do Horácio" em movimento e escalar o escorregador de saída da Casa do Louco. Ao menos, uma coisa ele fez igual a todo mundo foi sair do Parque pela saída, mesmo contra sua vontade.

No final disse que pretendia voltar ao Parque sozinho para brincar com os brinquedos da forma normal sem que os amigos vejam. Mostrou que o Do Contra faz as coisas de pirraça para ser diferente dos outros, é carente que quer chamar atenção. Ou seja, é diferente na frente dos outros para manter a sua fama de sempre contrariar, mas quando está sozinho ou longe de quem não conhece, age igual a todo mundo. Do Contra sendo assim do seu jeito único é taxado de maluco e esquisito por quem não o conhece, se daria muito bem com o Louco. Aliás, até hoje ele foi o único que conseguiu neutralizar o Louco e não cair nas loucuras dele.

Engraçado o Do Contra fazendo tudo diferente nas brincadeiras, principalmente entrar pela saída do Parque, andar com as mãos para entrar no Parque, ir de contramão no "Brinquedão", correr no "Carrossel do Horácio" em movimento, assustar os outros como fantasma da "Tumba do Penadinho" e o esforço de escalar o escorregador da "Casa do Louco" ao contrário e Monitora perguntar quem é ele e um menino responder que deve ser o dono da casa, afinal só um louco para escalar um escorregador. 

Os frequentadores e funcionários do Parque deviam conhecer o Do Contra porque é um personagem da Turma da Mônica e do Mauricio de Sousa. Pelo visto deixaram como desconhecido pelos outros para dar a graça que ele era maluco excêntrico. Curioso eles com autonomia de irem ao Parque sozinhos sem presença de pelo um dos pais deles, muitas vezes eles iam sozinho, mesmo o Parque sendo localizado longe do bairro do Limoeiro. Aliás, deu uma impressão que dessa vez o Parque foi localizado mais perto do Limoeiro, podendo eles irem e voltarem a pé e normalmente eles iam de carro com os pais já que era localizado no Shopping Eldorado de São Paulo, longe do Limoeiro.

Essa foi a história de abertura mais curta do Parque da Mônica, normalmente eram mais longas a partir de 15 páginas. Essa teve 10 páginas e com enquadramento de 3 linhas e 3 colunas com até 6 quadros por página, se tivesse o enquadramento normal de 4 linhas e 4 colunas e até 8 quadros por páginas, teria menos páginas ocupando o gibi. De qualquer forma, ajudou a ser mais objetiva e sem enrolação e deu conta do recado.

Incorreta atualmente por Do Contra brincar diferente dando risco de se machucar e ainda atrapalhar as brincadeiras das outras crianças, as crianças irem ao parque sozinhas sem os pais, além de palavras e expressões populares de duplo sentido proibidas como "gozado", "morro de vontade".

Traços ficaram bons, típicos dos anos 1990 com personagens com língua ocupando mais espaço na boca e dar mais humor. Só cores ruins  muito escuras, principalmente com mesmo tom de marrom escuro usado em tudo. Cascão e Cebolinha aparecem na capa, mas não aparecem na história, muitas vezes nas capas com alusão à história não seguiam exatamente o que aconteceu na trama, isso quando não faziam piada a  partir do tema da história e isso mais frequente ainda nos gibis da Editora Abril. Muito bom relembrar essa história há exatos 30 anos.