quarta-feira, 7 de outubro de 2026

HQ "Cascão Midas"

Em outubro de 1996, há exatos 30 anos, era publicada a história "Cascão Midas" em que o Cascão é um rei ganancioso que consegue o poder de tudo que tocar vira ouro. Com 10 páginas, foi história de abertura publicada em 'Cascão Nº 255' (Ed. Globo, 1996).

Capa de 'Cascão Nº 255' (Ed. Globo, 1996)

É apresentado o Rei Cascão Midas que gosta de duas coisas: tomar banho de sujeira e aumentar a sua riqueza, porém detesta chuva. Surge o Mago Xaveco aflito avisando o rei abrir os olhos porque o povo está passando fome. Cascão Midas manda que eles que tomem um lanche, Mago Xaveco fala que quis dizer que o povo está empobrecido e Cascão responde que deviam ser mais econômicos. 

Mago Xaveco diz que o problema é que eles pagam altos impostos para o reino e a solução seria dividir a riqueza do rei com o povo. Cascão Midas acha absurdo dividir riqueza dele, aí quem fica pobre é ele, já que o Xaveco é mago, ele que faça as mágicas dele e comenta que adora ouro, gostaria de conseguir mais, muito mais. 

Então, Mago Xaveco faz feitiço de tudo que o Rei tocar vai virar ouro puro. À princípio, aparentemente nada acontece, mas Cascão Midas faz um teste tocando em uma maçã e ela vira ouro maciço. Ele ficou tão fascinado com o novo poder que saiu pelo castelo tocando em tudo que via pela frente.

Não satisfeito, resolve sair do castelo para passar a transformar as coisas em ouro fora dele. Primeiro foi uma árvore e em seguida, se depara com uma mulher carregando balde d'água, ela tropeça e quando a água ia cair nele, Cascão Midas toca e consegue transformar água em ouro e diz que ele tem sorte redobrada, tem toque de ouro e não se molha.

Após, bate fome e Cascão Midas volta ao castelo para almoçar. Magali serve o almoço com frango assado, suflê, pudim de leite e suco. Ele diz que não sabe por onde começar, Magali  pergunta se quer que ela lhe mostre. Cascão Midas a dispensa e ela o chama de regulado. Cascão Midas quer pegar uma coxinha do frango, mas quando toca, o frango todo vira ouro. Ele tenta apanhar a comida bem rápido, de tempo de comer, mas não dar certo, tudo vira ouro de uma só vez. 

Cascão Midas se desespera, tem mesa farta, mas não pode comer, daria toda essa mesa de ouro por um salgadinho. Em seguida, aparece o Chovinista, chama seu porquinho para brincar e ele vira ouro também. Cascão Midas se arrepende, se não fosse pela ganância dele, isso não tinha acontecido. 

Aparece o Mago Xaveco, Cascão Midas pede para tirar o feitiço. Xaveco quer saber por que se não era isso que ele queria. Cascão Midas diz que não quer mais, não foi uma ideia. O feitiço é tirado, o Chovinista volta ao normal, Cascão Midas repartiu o que tinha com os súditos pobres necessitados. O narrador termina anunciando que a história teve final feliz e pergunta para o Rei por que continua insatisfeito e Cascão Midas pergunta se não viu a previsão do tempo, com o toró que estava caindo não tem como ficar de bom humor.

História legal em que o Rei Cascão Midas é ganancioso, só pensa em acumular riquezas. O Mago Xaveco faz encanto no qual tudo que Cascão Midas toca se transforma em ouro, o que no início ele achou maravilhoso, mas acabou virando um pesadelo quando viu que não podia mais comer nem tocar em quem ele gosta como o Chovinista porque viraram ouro também. Cascão Midas se arrepende, o feitiço é tirado pelo Mago Xaveco e o Rei passa a valorizar seus súditos pobres dividindo a riqueza, só não deixou de gostar de sujeira e odiar chuva.

Cascão Midas um rei que não sabia o que acontecia no reino que governava, estava nem aí para o povo, se passam fome ou não, só queria saber de seu interesse de ficar cada vez mais rico. Chegava até debochar dos pobres dizendo que se estão passando fome, que comprem lanche e se estão empobrecidos, que passem a ser mais econômicos. Mago Xaveco era quem se preocupava com as necessidades do povo, tentou jogar a real em vão, então precisou dar a lição nele com o toque de ouro sabendo que o Rei ia se deslumbrar com o poder, mas que também teria consequências negativas. Cascão Midas aprendeu lição de não ser ganancioso e prestar atenção nos pobres que também merecem vida digna.

Se Cascão Midas não tivesse pegado em toda a comida, podia mandar alguém lhe dar a comida na boca, continuaria com  o poder e se alimentando. O bom também que o Rei, além de ser ganancioso, tinha a característica do Cascão de não tomar banho, gostar de sujeira e odiar chuva, o que deixou mais divertida, permitindo ele transformar água em ouro com medo de molhar e uma piada final, afinal, ele podia deixar de ser ganancioso, mas tomar banho e apreciar uma chuva, jamais. 

Foi engraçado Cascão achar que Xaveco estava fugindo da Mônica, dizer que está acordado quando Xaveco diz que tem que abrir os olhos, Magali  perguntar se quer que ela lhe mostre por onde começar a comer o almoço, querendo comer também, e o chamar de regulado quando Cascão Midas a dispensa, ele falar que o Chovinista transformado em ouro parecia cofrinho e conversar com narrador da história perguntando se não viu previsão do tempo ao ser perguntado por que ele está insatisfeito. Incorreta atualmente por mostrar rei ganancioso, avarento, debochando do povo, uma lavadeira negra, dando ideia que negro aparece só em condições pobres, palavra "Bolas!" e, principalmente mostrar Cascão com apologia à sujeira, tomando banho de lixo e reclamar de chuva.

Foi paródia do famoso conto do "Toque de Midas", gostavam de fazer adaptação de fábulas com as características dos personagens, mantinham as essências deles, sempre bem desenvolvidas, nessa o rei não gostava de tomar banho de lixo e detestar chuva assim como o Cascão e também a cozinheira Magali que queria comer a comida do Rei.

Interessante o mago ter sido interpretado pelo Xaveco e que teve grande destaque e foi fundamental para a trama. Normalmente seria o Cebolinha como primeira opção, bom que saiu do óbvio e ajudou a diferenciar personagens. Essa história pode ter sido escrita pelo Emerson Abreu, novato na MSP  até então, por ele gostar do Xaveco e ter dado esse destaque ao personagem em vez de outro menino e também no início da carreira o Emerson fazia histórias normais sem o seu estilo próprio adotado depois.

Marcou a estreia de traços de estilo com personagens com bochechas mais redondas e em menor proporção e com eles mais fofos e línguasna boca formando curva em alguns momentos, tipo de traços que ficaram frequentes mesmo em histórias de abertura a partir de 1997. Eu gostava dos desenhos assim. Teve erro da água de ouro ser colorida de azul na página 8 do gibi, deveria ser pintada de amarela. Muito bom relembrar essa história há exatos 30 anos.

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Capa de Semana: Magali Nº 253

Estamos na Primavera no Brasil, a estação das flores, e, então, mostro uma capa com a Magali se fazendo como uma beija-flor para se alimentar do pólen das flores em um campo florido, em especial de uma flor gigante. Como pólen tem sabor doce, ela logo providenciou, os outros beija-flores que ficaram olhando e vão ter que se contentar com os pólens das flores pequenas. Fica na imaginação como Magali conseguiu as asas para voar, se foi invenção do Franjinha, se pediu para o Anjinho ou ela criou as asas com as próprias mãos.

Capa dessa semana é de 'Magali Nº 253' (Ed. Globo, Fevereiro/ 1999). 

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Papa-Capim: HQ "A grande campanha"

Eleições do primeiro turno no Brasil chegando no próximo dia 4 de outubro e então mostro uma história em que um deputado foi fazer campanha eleitoral na selva do Papa-Capim para mostrar para a população que ajudou os índios. Com 5 páginas, foi publicada em 'Chico Bento Nº 65' (Ed. Globo, 1989).

Capa de 'Chico Bento Nº 65' (Ed. Globo, 1989)

O candidato a deputado Jordão Berimbau e seu assistente Miguel vão para selva da Amazônia. Miguel fica com medo e pede para Jordão falar baixo para os selvagens não ouvirem e o deputado lembra que foram pra lá para falarem com os índios. Lembra que está acabado desde que perdeu as últimas eleições e este ano será diferente, ele vai conseguir o apoio dos índios, todos dirão: "os índios estarão com  Jordão Berimbau".

O grito atrai os índios da região e Jordão resolve começar a sua campanha. Ele fala para os índios que vai civilizá-los, lhes dar tecnologia, pôr ordem na bagunça e em troca quer os índios espalhem por aí o quanto ele é justo. Papa-Capim diz que eles estão bem assim, precisam de nada. Jordão fala que se o apoiarem, acabará com a miséria, não faltarão alimentos, Papa-Capim conta que alimento para eles é o que não falta, tem de tudo graças á generosidade da floresta.

Jordão fala que então lhes dará segurança, protegerá dos perigos da floresta. Papa-Capim responde que não há perigo que eles não sabem enfrentar, desde curumins aprendem a lançar arco e flecha para caçar e se defender, mas quase sempre a natureza é amiga deles. Jordão fala que para saúde enviará médicos para acabar com as doenças da tribo. Papa-Capim responde que raramente ficam doentes, se acontece alguma coisa, o Pajé sabe como curá-los e se for doença de homem branco, o Pajé aprendeu a usar analgésicos, penicilinas que busca na vila. 

Jordão aborda sobre moradias e eles terem facilidade para adquirir casa própria. Papa-Capim diz que eles já têm, cada um tem sua sua oca construída por ele próprio. Jordão se irrita, desiste da campanha e resolve voltar para cidade, reconhecendo que pode fazer nada para eles. Papa-Capim debocha que Jordão pensava que eles viveriam em um lugar onde faltasse comida, casa, segurança, que  tivesse um monte de doenças. Jordão ouve e no final resolve descansar na selva, adiando a candidatura e a campanha eleitoral e comenta com Miguel que se o Papa-Capim fosse candidato, votaria nele.

História legal em que o deputado Jordão Berimbau queria fazer campanha eleitoral na selva para catequizar índios e melhorar condições de vida deles para o povo pensar que ele era bonzinho e prestativo com índios  e votarem nele por causa disso. Só que não contava que índios viviam muito bem e precisavam de nada e ainda resolve passar um tempo na floresta reconhecendo que Papa-Capim seria um grande candidato nas eleições.

Papa-Capim regenerou o deputado, que queria tirar proveito dos índios para se dar bem na eleição. Deputado que não cumpria promessas feitas, não merecia ser eleito mesmo e aprendeu com o Papa-Capim que os índios vivem bem e que ele devia fazer as melhorias para o povo não passar problemas como eram com os índios. 

A grande crítica da história que fez o Jordão Berimbau cair em si foi o Papa-Capim dizer que eles nunca viveriam em um lugar onde faltasse comida, casa, segurança, que  tivesse um monte de doenças, coisa bem diferente que a população da cidade passa, principalmente da classe baixa, que sofrem com miséria, sem segurança, e moradia e saúde precárias e os políticas nem aí. E ajuda a leitores a ficarem atentos a governantes que não cumprem promessas e que querem tirar proveito durante as eleições só para conseguirem votos.

Engraçado o Miguel lerdo, sem saber o que o Jordão já tinha explicado, Miguel dizer que Jordão vai ser eleito porque vai cumprir promessa pela primeira vez e Jordão responder que não pensou em medidas drásticas e ele jogar lábia nos índios em vão. Foi provado que a selva do Papa-Capim fica na Amazônia e Jordão e o assistente Miguel apareceram só nessa história, como de costume de personagens secundários criados para histórias únicas.

Impublicável atualmente por envolver política que não é tratado assunto para crianças, retratar índios como primitivos, morando em ocas, usando arco e flecha, hoje é terminantemente proibido mostrá-los assim e tem que ser chamados de indígenas, fora que o Miguel ainda disse que índios são selvagens de dar medo, além de Miguel segurando espingarda e índia com seios á mostra no quadro final da história.

Traços muito bonitos da fase consagrada dos personagens. . Tiveram erros do cabelo do Papa-Capim com brilho branco nos 3 últimos quadros da terceira página da história, tanga do Papa-Capim roxa no 5º quadro da penúltima página, erros que o colorista provavelmente confundiu com os balões de pensamentos que tinham tonalidades diferentes em tons azuis. O Papa-Capim dessa vez ficou com nariz com formato " ^ " em vez de "c". Até que não fica ruim com nariz assim, é o único que não faz diferença significativa de formato de nariz, mas o padrão é a forma "c".

terça-feira, 29 de setembro de 2026

HQ "Em busca do conhecimento perdido" - com Chico Bento

Mostro uma história em um extraterrestre sai do seu planeta em busca de um conhecimento perdido para salvar a sobrevivência dos habitantes do planeta dele. Com 9 páginas, foi história de abertura de 'Chico Bento Nº 40' (Ed. Globo, 1988).

Capa de 'Chico Bento Nº 40' (Ed. Globo, 1988).

O Imperador de um planeta encarrega um jovem extraterrestre para uma importante missão de sair em busca do conhecimento perdido, a sobrevivência do planeta deles dependerá do sucesso e se ele fracassar, seria viagem sem volta, não terá por que voltar lá. 

Assim, o jovem pega a nave espacial e parte para outros planetas. Passa por planetas cujos povos se empenham em guerras sem fim, planetas em ruínas que a vida não existe mais, outros habitados por seres irracionais, outros onde a vida nem surgiu, até que chega no Planeta Terra, o último a ser explorado e sua última chance dessa missão ser cumprida com êxito.

Na Terra, o ET lança luz em cima dos grandes estudiosos para absorver a grande inteligência que procura. Absorve conhecimento do maior químico do planeta, não é o conhecimento que procura e desaparece sem nem ter sido visto, depois de um cientista que projeta novos armamentos, não aceita, dizendo que é o conhecimento que menos interessa. Depois, revista cérebros de engenheiros de informática, políticos, escritores, jogadores de futebol, banqueiros, nada serviu. 

O alienígena admite que fracassou, procurou os homens mais poderosos do planeta e ninguém tinha o conhecimento perdido. Está com pouco combustível, pode tentar voltar ao planeta para o merecido castigo ou  passar o resto dos dias ali mesmo, pouco importa, quando Chico Bento aparece perguntando por que a tristeza dele. O ET diz que fracassou na missão do Imperador, Chico não entende e convida para almoçar na casa dele e explicar tudo no caminho.

Na casa do Chico, o ET comenta que se alimenta de pílulas concentradas, aí prova a canja e se delicia e depois come toda a comida servida e depois diz que está satisfeito, como nunca esteve antes. Depois, Chico vai cuidar da horta para o almoço de amanhã e mostra as plantações que tem no sítio. Em seguida, Chico dá comida para as galinhas e porcos, tira leite da vaca Malhada e o ET só observa. Após o trabalho, Chico vai nadar no rio e o ET absorve o conhecimento do cérebro do Chico e vai embora.

No final, o narrador explica sobre o Planeta Futuros com um progresso em um nível inimaginável, mas seus habitantes usam armaduras porque seus organismos tornaram-se frágeis, sensíveis a qualquer tipo de vírus e bactérias, talvez pelo tipo de alimentação, constituída só por pílulas químicas. O planeta é todo de concreto, porém tem uma esperança com o espaço reservado com o sítio que o jovem ET da missão criou, mostrando ele feliz capinando terra em volta dos bichos.

História legal, bem profunda em que um alienígena é enviado para missão de buscar um conhecimento perdido em outros planetas para conseguirem a sobrevivência deles. Era um planeta com um alto progresso, porém não tinham mais verdes, alimentações naturais, estavam mais doentes e risco de habitantes serem extintos.  O ET, quando já não tinha esperança de encontrar o tal conhecimento perdido, vê na simplicidade do Chico a esperança do planeta ter uma segunda chance.

Situação do planeta Futuros era tão crítica que habitantes se vestiam armaduras medievais e não podiam nem expor seus rostos para se protegerem de doenças e até dos efeitos nocivos de poluição. Tinham inteligência para progredirem tecnologicamente, mas não eram capazes de resolver os problemas ambientais que eles próprios criaram, não pensaram na destruição do meio ambiente teriam consequências. Se não tem verde, matas, árvores plantações, aumenta o aquecimento climático, não tem o que eles comerem, pílulas não têm vitaminas suficientes como de alimentos, então perdem imunidade e sensíveis a qualquer doença, favorecendo extinção deles.

O ET percorreu vários planetas e até em situações piores que o dele destruídos por guerras, na Terra, os grandes cientistas,  políticos, banqueiros não tinham o conhecimento que buscava, afinal, era mais do mesmo que eles tinham, apenas encontrou o que procurava na simplicidade do Chico e da roça. O ET deixou o conhecimento só pra si, com ele criando o seu próprio sítio e esperança que outros que vejam e possam copiar a ideia dele e renascer o verde e a vida natural nos planetas deles.

Interessante que mostrou o nome do planeta Futuros e explicou a crise só no final da história, normalmente os 5 primeiros quadros da última página estariam na primeira, abrindo a história, mas deixaram no final de propósito para entender e transmitir a mensagem de reflexão que queriam, achei uma ótima sacada assim. O título diferente, em vez de "Chico Bento em: " , colocaram "com Chico Bento", ideia de que o protagonista foi o ET do Planeta Futuros e o Chico foi coadjuvante e fez só participação. Fez todo sentido e bem sensato, afinal Chico só apareceu a partir da 5ª página e só em 4 do total de 9 páginas.

Teve seus momentos de humor como nomes dos estudiosos Leal Quimista, Joca Brum, com referência a alquimista e onomatopeia Cabrum, respectivamente, Chico perguntar se tristeza do ET é esperando o carnaval chegar e a metalinguagem de ET sugerindo ler as primeiras páginas da historinha para entender. A engenheira de informática ficou parecendo a roteirista Rosana, história pode ter sido escrita por ela, se não foi, chance de ser do Rubão ou do Robson.

História teve mensagem de cuidar do planeta, tantas guerras, armas, poluição vai destruir o planeta e não deixar como ficou o planeta Futuros, ajudar leitores terem consciência das  consequências do progresso e preservar meio ambiente e ficarem atentos a governantes que só pensam em progresso, dinheiro e poder e nem aí para natureza. Passados 38 anos continua atual e continuará sendo o tempo que passar se não mudarem o pensamento. Conhecimento perdido do ET revistar cérebro dos outros com a luz pode ter referência a Inteligência Artificial que busca conhecimentos de sites da internet  para ter a sua resposta, o que deixa mais atual ainda.

Traços ficaram muito bonitos da fase consagrada dos personagens nos anos 1980. Incorreta atualmente pelo tema filosófico não ser apropriado para crianças e ainda traumatizar, Chico trabalhando na roça,  tomando banho no rio pelado, jogador negro com lábios com círculo em volta da boca, além de coisas datadas como informática com mainframes e escritora usando máquina de escrever.

sábado, 26 de setembro de 2026

A Turma: HQ "O Plano da falsa amiga"

Em setembro de 1996, há exatos 30 anos, era publicada a história "O plano da falsa amiga" em que Cebolinha faz Cascão se disfarçar de Magali para descobrir o segredo da Mônica de estar usando óculos escuros. Com 11 páginas, foi publicada em 'Mônica Nº 117' (Ed. Globo, 1996).

Capa de 'Mônica Nº 117' (Ed. Globo, 1996)

Mônica sai escondida com óculos escuros até à casa da Magali, toca a campainha e Cebolinha diz que Magali não está, acabou de sair com a mãe. Mônica se assusta, grita, agradece o Cebolinha e sai correndo. Cebolinha pergunta por que ela está de óculos escuros já que nem está fazendo Sol. Mônica fala que não interessa e vai embora correndo.

Cebolinha estranha a atitude dela, acha que aí tem coisa, conta para o Cascão, que diz que vai ver que ela não quer que seja reconhecida. Cebolinha fala que se fosse isso, esconderia os dentões. Cebolinha acha que Mônica está de óculos escuros para esconder olho roxo, Cascão acha absurdo fortona como ela é apanhar e Cebolinha acha que por isso mesmo, alguém bateu nela e ela quer que ninguém fique sabendo e precisam saber quem é esse herói.

Como Mônica ia contar para a Magali e ela não estava em casa, Cebolinha faz o Cascão se disfarçar de Magali para Mônica contar o segredo e descobrirem tudinho. Cascão reclama por que sempre ele, Cebolinha responde que ele não ia convencer como Magali. Cascão fala que gorducho e falando errado, não daria. Cascão usa peruca velha da Dona Cebola cortada como cabelo e pó-de-arroz para esconder a sujeira e vai até à casa da Mônica, com Cebolinha escondido atrás da moita.

Cascão toca a campainha, Mônica atende, o abraça pensando que era a Magali e diz para entrarem porque tem um cheiro esquisito e que o Cascão deve estar por perto. Cascão senta largado no sofá e Mônica pergunta se isso é jeito de sentar. Cascão pede desculpa e comenta que reparou que Mônica está de óculos escuros. Mônica fala que era isso que queria falar, aconteceu alguma coisa terrível e oferece chá com biscoito. Cascão não aceita, manda contar logo, Mônica se espanta que Magali recusou comida e Cascão disfarça que é por que prefere algo consistente e convida para irem à lanchonete.

Cebolinha vai atrás, ficando escondido para ouvir. Na lanchonete, Mônica pede um bauru e guaraná e Cascão pede 3 baurus e Mônica fala que essa que é a Magali que conhece. Cascão quer que Mônica conte o que ia contar, só que o lanche chega e comem antes porque a Magali prefere comer primeiro. Mônica estranha que ela demorou para comer uns lanchinhos.

Depois, Cascão fala para Mônica dizer quem fez isso com ela. Mônica diz que quem mais poderia ser, o Fabinho. Cascão pergunta se o fracote do Fabinho deu um soco no olho dela. Mônica conta que o viu com uma menina ontem, Cascão quer saber se a menina bateu na Mônica, que diz que não, quando o Fabinho aparece na lanchonete.

Mônica disfarça e fala que não é para deixar que o Fabinho a veja. Cascão pergunta por que se não foi se ele quem bateu nela. Mônica avisa para Magali acordar, está cansada de saber que é gamada no Fabinho. Cascão dá gargalhadas um tempão e depois fica sério, dizendo que é verdade, está cansada de saber, é que lembrou de uma piada ótima e comenta que a Mônica ainda não falou o que aconteceu com os olhos.

Mônica diz que olhos ficaram inchados de tanto chorar quando soube que o Fabinho tem namorada. Cascão fala que era só isso, que besteira, pensava que finalmente alguém tinha acertado o olho dela e é tudo frescura da dondoca. Mônica fica irritada, quer saber que espécie de amiga é a Magali e está a achando muito esquisita. Um garçom está levando água, derruba a água em direção ao Cascão, que imediatamente se pendura no lustre.

Mônica estranha que Magali nunca tinha dado um pulo assim para não se molhar e se espanta em vê-la de cueca. Cascão fala que claro, pergunta se está o estranhando, falou para o Cebolinha que vestido até vai, mas calcinha, nunca. Mônica descobre o plano e quer ajustar as contas com Cebolinha e Cascão. Fabinho quer saber o que está acontecendo, Cebolinha fala que a Mônica quer bater neles porque descobriram que a Mônica gosta dele e está de olho inchado de tanto chorar por ele. 

Fabinho tira os óculos dela e cai na gargalhada, achando que é piada. Mônica dá surras nos três meninos. No final, a verdadeira Magali volta, Mônica a abraça, Magali pergunta o que houve com os olhos dela. Mônica responde que é uma longa história, andou chorando à toa. Magali pergunta para depois a Mônica contar também por que os meninos estão de óculos escuros se nem está fazendo Sol.

História engraçada em que Cebolinha quer descobrir por que a Mônica estava de óculos escuros e faz o Cascão se disfarçar de Magali para descobrir o segredo. Com muita insistência do Cascão, descobrem que a Mônica estava com olhos inchados chorar muito de descobrir que o Fabinho, menino por quem ela era gamada, tinha namorada. Mônica descobre o disfarce do Cascão e bate nele, no Cebolinha e também no Fabinho por ter rido dela de ter chorado por causa dele.

Cebolinha muito fofoqueiro, queria saber quem bateu na Mônica e sobrou para o Cascão, afinal a Mônica só contaria para a Magali, a sua amiga confidente. Cascão como Magali foi hilário, cometeu vários deslizes, Tiveram várias chances da Mônica descobrir que não era a Magali de cara como sentar largado no sofá, recusar comida, demorar pra comer os baurus na lanchonete e pedir só três, insistência em saber quem bateu nela e não saber que era gamada no Fabinho, mas por ser burrinha nessas histórias de planos infalíveis, demorou a captar, só descobriu quando Cascão fugiu da água do garçom, estar de cueca e, principalmente, ele confessar que o Cebolinha mandou ele se vestir de Magali e que não usaria calcinha.

Mônica foi boba por chorar por causa de um menino que tinha interesse. Nenhum merecia, se o Fabinho já tinha namorada, deixava para lá. Merecido os três com olhos roxos no final, inclusive o Fabinho por dar gargalhada e ter mexido com sentimentos dela, normalmente ela não batia nos meninos fofos "inho" e nessa ele mereceu. Na história toda, Mônica usou óculos escuros para esconder olhos vermelhos e inchados de tanto chorar pelo Fabinho, já os meninos usaram óculos para esconderem olhos roxos das surras que levaram da Mônica. Bem feito, se Cebolinha seguisse o conselho do Cascão de esquecer o assunto e jogar bola, não precisavam apanhar de novo no final.

Foi engraçado Cebolinha falar que se Mônica quisesse se esconder, esconderia os dentões, a conversa entre os dois com Cebolinha explicando bem devagar com perguntas para Cascão interpretar como seria o plano, Cascão vestido de Magali e reclamando que está de vestido e pó-de-arroz, as mancadas do Cascão e disfarçando para não entregar o plano, como modo de sentar no sofá, recusar comida, a cara do Cebolinha na janela com esse furo, quase fazendo tudo a perder, Cascão dizer que pensava que finalmente alguém tinha acertado o olho dela e é tudo frescura da dondoca ao descobrir que ela estava com olho inchado de tanto chorar, Cascão entregando o plano fugindo da água no lustre, de cueca e contar que nunca usaria calcinha e a gargalhada do Fabinho por Mônica ter chorado por ele e os meninos com óculos escuros no final para esconder os olhos roxos de fato. 

Nas histórias, o Cascão e Magali eram mais magros enquanto Mônica e Cebolinha eram mais fofinhos, por isso o Cebolinha precisou do Cascão se disfarçar de Magali porque não convenceria por ser mais rechonchudo, aí o mais normal é Cebolinha se disfarçar de Mônica.  

Foi história póstuma de Rosana. Embora histórias de planos infalíveis com meninos se disfarçando possam parecer ser batidas, sempre inovavam, era um desenrolar e surpresa diferentes a cada história assim, por isso eram tão divertidas. Curioso que também em 1996, em 'Magali Nº 173', teve uma história "A Magali não é mais aquela", em que Cascão se disfarça de Magali para descobrirem segredo da força da Mônica, também foi muito engraçada. Só que foram apenas 7 meses de intervalo de uma história para outra, pode ser que na época tinham poucas histórias para fechar o gibi após a morte da Rosana e recorrerem a essa história que já tinham produzida.

Essa história "O Plano da falsa amiga" depois virou desenho animado no canal Cartoon Network e até que seguiu fiel ao argumento da história em quadrinhos, com alguns ajustes. Incorreta atualmente por ter namoro de crianças, Mônica se rebaixar chorando por causa de um menino, histórias de planos infalíveis assim não tem mais, principalmente com meninos perversos demais e sendo surrados, Cascão chamar Cebolinha de gorducho e reclamando que está de vestido e pó-de-arroz e nunca usaria calcinha, dando ideia de atitude machista e calcinhas da Mônica e da Magali à mostra como apareceram da Mônica no 3º quadro da primeira página e da Magali no 5º quadro da última página.

Traços muito bons da fase consagrada dos personagens. Já não tinha mais colorização de fundo em degradê, só em alguns quadros raros bem pontuais. Tiveram erros do Cascão falando de boca fechada no penúltimo quadro da página 4 do gibi e cueca branca do Cascão no último quadro da página 5 do gibi. Muito bom relembrar essa história há exatos 30 anos.