terça-feira, 18 de agosto de 2026

Cascão: HQ Antes... E Depois!"

Em agosto de 1996, há exatos 30 anos, era publicada a história "Antes... E Depois" em que Cascão vira garoto-propaganda de uma campanha publicitária de sabonete. Com 14 páginas, foi publicada em 'Cascão Nº 250' (Ed. Globo, 1996).

Capa de 'Cascão Nº 250' (Ed. Globo, 1996)

Seu Sales, o chefe da agência de propaganda "Depemê", mostra campanhas publicitárias premiadas passadas que já produziram do sabonete "Plim Plom" e quer que os funcionários Zé e Depê criem uma nova campanha premiada, que tem que ser diferente, criativa e eficiente nas vendas. Depois da reunião, Zé comenta com Depê como ele pode ser otimista, Depê diz que sempre bolam alguma coisa, Zé comenta depois de muita dor de cabeça e vão dar uma volta na rua para ver se pinta alguma ideia.

Eles veem o Cascão bem sujo e Depê avisa que o menino será o espírito da campanha deles. Zé fala que querem vender sabonetes, não lixeira. Depê diz que podem mostrar o antes e o depois do sujinho ter tomado tomado banho com o sabonete Plim Plom, já todo limpo e cheiroso e vão falar com o Cascão. 

Acham o nome dele perfeito para a campanha e perguntam se ele quer garoto-propaganda da televisão. Cascão diz que não sabe, nunca pensou nisso. Depê diz que o pagamento vai ser tomar todos os sorvetes que quiser e ainda ter sucesso e fama e que basta mostrar antes e depois de ter usar o produto deles e aí Cascão topa.

Na agência, apresentam o Cascão ao diretor Seu Sales e avisam que a campanha estará pronta esta tarde porque é coisa simples e o Seu Sales fala que vai reservar horário na televisão hoje mesmo e no horário nobre e que o cliente vai ficar satisfeito. Em seguida, maquiam o Cascão e começa a gravação da campanha com a parte de mostrar o "antes" dele e depois a equipe abre a janela para respirar que não aguentavam o mau cheiro.

Depê avisa ao Cascão que agora ele vai usar o produto deles e depois vão filmar o "depois". Cascão quer saber se é um pente, chocolate, borracha, tênis e Depê fala que é o sabonete "Plim Plom"  e que o banho está preparado. Cascão fica desesperado, faz escândalo que quer sair dali e quer saber quem trancou a porta. Depê diz que ele não deve estar acostumado com banho, mas não é tão dolorido assim. Cascão tenta fugir pela janela, a equipe fecha, Cascão é agarrado pela equipe, o levam até a banheira, jogam, não o encontram na água e descobrem que ele foi parar no teto.

Depê pega uma mangueira, joga a água no teto, Cascão foge em zigue-zague entre as paredes da sala, faz um redemoinho, atravessa a parede e foge. Zé fala que a secretária Dona Leonor disse que é vizinha do Cascão e ele é um porquinho que nunca tomou banho na vida e melhor desistirem. Depê não quer desistir, se ele é famoso por ser sujinho, fará mais sucesso na campanha deles e ordena que todos vão atrás e não voltem sem ele.

A equipe procura Cascão em latas de lixo, no lixão até que Zé o avista atrás de uma moita. Corre atrás, Cascão se esconde na lama, Zé pega, falando que ele está bem sujo, mas não faz mal e que vão continuar a gravar o comercial. Depois que vai embora, o Cascão surge saindo da lama, aliviado que se salvou deles.

No estúdio, Seu Sales reclama com Depê que já é quase noite e eles não terminaram o comercial. Depê fala que tiveram um probleminha e Seu Sales manda tratar de resolver porque o comercial tem que ir ao ar em meia hora senão perderão dinheiro. Zé aparece, dizendo que pegou o Cascão e está bem mais dócil e Seu Sales fala, que como não têm mais tempo, a segunda parte do comercial será mostrada ao vivo.

Naquela noite, no intervalo do "Jornal Racional" é mostrado o comercial do sabonete "Plim Plom" ao vivo, Seu Sales espera que seja mais uma campanha premiada deles. O comercial começa mostrando o "antes" do Cascão, até ele conhecer o sabonete "Plim Plom". Depois de ter tomado banho, ficou de outro jeito e mostra o Chovinista de banho tomado.

Depê manda cortar e quer saber quem colocou aquele porco na banheira. Zé diz que não sabe como foi se enganar tanto assim. Seu Sales reclama que o cliente acabou de telefonar cancelando a conta com a agência dele, tiveram um baita prejuízo e manda Zé e Depê para rua. No final, aparecem os dois chorando com chutes marcados nas bundas, Cebolinha comenta com Cascão que dois marmanjos chorando, Cascão diz que conhece, não sabe como ficaram assim, mas que precisava ver como eles eram "antes".

História legal em que Cascão é convidado pra ser garoto-propaganda da nova campanha publicitária do sabonete "Plim Plom" só que foi descobrir que o produto que iria usar é que precisaria timar banho só na gravação. Com muito sufoco ele consegue fugir e faz com que o publicitário pega o Chovinista na lama por engano e descobrem que não era o Cascão só quando a propaganda estava no ar ao vivo na televisão, fazendo os publicitários serem demitidos, expulsos a pontapés pelo chefe e chorarem.

 Zé e Depê não falaram para o Cascão que iria usar sabonete e que teria que tomar banho, talvez por medo de ele naõ aceitar ou talvez por esquecimento deles, achando que seria um produto normal para uma pessoa comum. Cascão também poderia ter perguntado antes qual produto que ele tinha que usar, já facilitaria para recusar e evitar dos publicitários serem humilhados e demitidos.

Não desconfiaram que mesmo coberto de lama, Cascão não iria ficar parado e iria ser resistência até o final, já era sinal que não era o Cascão. Zé tinha que ter tirado o excesso de lama antes mesmo de voltar ao estúdio. Cascão foi a causa do prejuízo da empresa, era muitobom quando personagensdavam prejuízos de acordo com suas características.

Cascão antes era um sujinho e agora é um porco, grande humilhação ao vivo deles. Podiam ter dado um tempo de prazo maior para campanha ficar pronta que aí teria tempo de gravar comercial e não fazer ao vivo. Como o diretor já tinha combinado a hora que o comercial ia ao ar, não dava mais para adiar. Também foram bem muquiranas em pagar serviço com sorvetes e Cascão se contentar por pouco.

Definitivamente não conheciam o Cascão, não sabiam que era capaz de tudo para fugir do banho. Sensacional como ele fugiu, principalmente subir no teto, formar redemoinho e atravessar a parede. Como era bom ver Cascão assim fazendo coisas impossíveis de imaginar pra não tomar banho, .esmo quando não tinha possibilidade de escaoat, ele dava um jeito especial.  Esse é o verdadeiro Cascão. 

Engraçado tiradas como Zé fala que querem vender sabonetes, não lixeira, Depê dizer que sabonete "Plim Plom" precisa do menino e Zé achar o contrário, Zé com pregador do nariz e Depê com máscara no rosto para não sentir cheiro do Cascão, após a gravação, equipe querer abrir a janela para poderem respirar e aliviar o mau cheiro no estúdio, as formas do Cascão fugindo do banho, Zé pegar Chovinista por engano, povo que estava assistindo comercial da TV surpresos que Cascão ia tomar banho e a surpresa ao vivo que pegaram o Chovinista. 

Muito boas as referências a propagandas clássicas muito famosas da publicidade como o garoto da "Bombril" Carlos Moreno e do sabonete "Lux" de 1969 em que Regina Duarte falava "9 entre 10 estrelas" e de cigarros "Hollywood o sucesso" dos anos 1980. Sendo a referência maior foi ao garoto da Bombril, até logotipos parecidos do sabonete "Plim Plom" com "Bombril". Também excelente a paródia ao "Jornal Nacional" da TV Globo como "Jornal Racional" e hilário mostrando notícias sem relevância ou interesse popular como uma bomba cai no Afeganistão e ninguém se machucou e governador se encontrou com presidente no elevador. Seu Sales, Zé e Depê, assim como a secretária Dona Leonor que era vizinha do Cascão, só apareceram nessa história, como de costume de personagens criados para aparições únicas. 

História póstuma de Rosana. Incorreta atualmente por Cascão dar prejuízo na empresa e ser responsável pela demissão dos publicitários, Cascão com moscas em sua volta, pisando e sentado e dentro de lama, procurarem em latas de lixo e lixão, absurdos do Cascão fugindo para não tomar banho, Zé e Depê levarem chutes na bunda quando demitidos, mulher nua na banheira do comercial antigo premiado da primeira página, referência à propagandade cigarro na primeira página, nesmo que não de forma explicita, além de expressões populares proibidas "pinta alguma coisa", "pelo amor de Deus".

Traços ficaram bons do estilo dos anos 1990. Cores agora com vários tons de marrom e na intensidade normal e não mais escuras como no primeiro semestre de 1996. Propagandas inseridas na história dessa vez foram nas laterais sobre brindes que estavam vindo nas embalagens do "Kisuco". Muito bom relembrar essa história há exatos 30 anos.

sábado, 15 de agosto de 2026

Bidu: HQ "Meu nariz"

Mostro uma história em que o nariz do Bidu cresceu toda vez que mentia por causa de uma fada míope e trapalhada. Com 4 páginas, foi publicada em 'Cebolinha Nº 93' (Ed. Abril, 1980).

Capa de 'Cebolinha Nº 93' (Ed. Abril, 1980)

Bidu está dormindo, surge uma fada que não enxerga bem, pensa que ele é o Pinóquio e lança o encantamento que toda vez que ele mentir o nariz vai crescer. Aparecem o Gepeto e Pinóquio, reclamando que a outra historinha está a esperando, a fada descobre que desceu no lugar errado e diz que precisa marcar hora com oculista e pergunta se ele é o Pinóquio, que ironiza que ele é a vovozinha e  fala que não tinham que arrumar uma fada como essa e vai reclamar no Sindicato.

Depois que vão embora, Franjinha aparece perguntando ao Bidu se já deu banho nele, porque não consegue se lembrar. Bidu faz sinal que sim, porém estava mentindo e o nariz cresce um pouco e Franjinha estranha e diz que vai molhar o rosto porque está vendo coisas esquisitas. Em seguida, aparece Duque perguntando se o Bidu pegou o osso dele. Bidu mente que não, nunca teria coragem de fazer isso, o nariz cresce muito e Duque foge assustado.

Bidu estranha uma coisa na frente dele, dá um tapa e sente dor. Uma cachorrinha admira como ele consegue equilibrar essa bola tanto tempo, Bidu fala que é muito fácil, ele é muito bom em qualquer coisa, já trabalhou muitos anos em espetáculos e nariz cresce mais, ficando gigante. Nesse momento, volta a fada, perguntando onde estava o garoto que se confundiu com o Pinóquio. Vê o nariz do Bidu grande, percebe que ele mentiu um bocado e que estava se escondendo dela. A fada faz a transformação, na tentativa de voltar ao normal, só que acaba virando um nariz de humano e ele corre atrás da fada, que diz que vai resolver o problema, só tem que lembrar qual era o encantamento.

História legal em que a fada do Pinóquio entra em história errada e faz o Bidu crescer o nariz toda vez que contava mentira. A fada era míope, não estava enxergando bem, precisando trocar de óculos, aí além de entrar em história errada, pensa que o Bidu era o Pinóquio. Bidu mente o tempo todo e nariz  ficou gigante. No final, a fada tenta consertar o erro, só que não sabia que havia feito encanto em um cachorro, pensava que era um garoto, e acaba o nariz dele ficando em forma de um ser humano.

Pinóquio teve razão de querer reclamar com o Sindicato, sem dúvida merecia uma fada melhor, ninguém mereceria uma fada quase cega. Para o azar do Bidu não viu a fada na hora do encanto e resolveu mentir para todo mundo. Pior que mentia a cada frase que falava, com Franjinha foi uma mentira, com Duque foram duas e com a cachorrinha foram três, ainda assustando quem via crescer diante dos olhos, se Bidu soubesse, pensava duas vezes antes de mentir. Ele ficou estranho com nariz de humano e ainda bem grande porque a estatura de um menino é maior do que a de um cachorro. Fica na imaginação se a fada seguiu o roteiro certo na história do Pinóquio, se ela não se atrapalhou durante a transformação lá. O que é certo que ela voltou à história do Bidu só depois de ter concluído a participação do Pinóquio.

Foi engraçado ver Pinóquio e Gepeto entrando na história reclamando que a fada entrou em história errada e que Pinóquio ironizar que ele é a vovozinha e vai reclamar com o Sindicato, as mentiras do Bidu de que havia tomado banho ao Franjinha, que não pegou osso do Duque e que não faria isso com o amigo, que equilibrava bem uma bola, é muito bom em qualquer coisa e trabalhou há muitos anos em espetáculos, o nariz imenso formando uma bola gigante, e a fada voltando e transformar nariz do Bidu em nariz de um garoto e atacá-la no final.

História foi uma paródia da história do Pinóquio com o Bidu como protagonista, misturou a característica de Bidu como um cachorro normal com metalinguagem, sendo que em vez de ser do próprio universo da MSP, a metalinguagem e crossover foram com a franquia do Pinóquio. A cachorrinha foi personagem figurante, não era da turma principal do Bidu e apareceu só nessa história, ela exerceu uma função que seria da Fifi, namorada do Bidu, mas não era ela, que tinha colorização de pelos rosa e depois ficou marrom. O nome do Pinóquio não foi parodiado dessa vez, na época nem sempre os nomes famosos tinham paródias.

Traços ficaram bons, característicos de 1979 e 1980, bem da transição das décadas.  Incorreta hoje em dia por conta dos absurdos exagerados, fazer piada com míopes da vida real, mostrar que Bidu não gosta de tomar banho e mentir para os amigos, além da expressão proibida "É a vovozinha". Foi republicada depois em 'Almanaque do Cebolinha Nº 7' (Ed. Globo, 1989).

Capa de 'Almanaque do Cebolinha Nº 7' (Ed. Globo, 1989)

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Magali: HQ "Janta fina é outra coisa..."

Mostro uma história em que Magali e Mônica são confundidas por emergentes da alta sociedade quando vão  a um restaurante por engano e Magali arruma grande confusão lá. Com 10 páginas, foi publicada em 'Magali Nº 67' (Ed. Globo, 1992).

Capa de 'Magali Nº 67' (Ed. Globo, 1992)

Escrita por Rosana Munhoz, os funcionários do restaurante chique se preparam para receber as famosas ricaças Irmãs Baixinhas, que têm gosto refinado e escolheram o restaurante deles para almoçarem e o dono avisa que tudo tem que estar perfeito. Mônica e Magali se aproximam do restaurante, eles pensam que são as Irmãs Baixinhas, estranham que estão indo a pé e falam que os ricaços têm muita excentricidade.

Mônica pergunta para Magali se tem certeza que ali é o rodízio, Magali responde que sim, apesar da decoração estar diferente enquanto o dono do restaurante pensa que não imaginava que elas eram tão baixinhas, talvez sejam anãs. O dono as recepciona que estavam ansiosos pela chegada das senhoras. As meninas perguntam se falou com elas porque ali tem nenhuma senhora e ele pensa que elas querem esconder idade.

Magali avisa que estão com fome, o dono vai buscar o menu, pensando que elas têm modos ruins. Mônica diz para Magali que está achando ali muito chique e acha que só servem comidas finas e Magali diz que servem panquecas, pizzas. O dono volta com o menu, as meninas não entendem o que está escrito e pedem para ele dar dicas.

O dono sugere terrina de salmão ao perfume de funcho, Magali reclama que eles colocam perfume na comida e não quer. Ele oferece vitela ao martine com estragão e Magali reclama como o desaforado tem coragem de oferecer comida estragada. Ele sugere carpaccio ou posta de salmão e Magali resolve ir embora porque não confia em restaurante que serve carrapatos e o último prato tem até vergonha de repetir o nome. O dono manda esperar, oferece codornas com recheio de ricotas e aí Magali aceita porque conhece, que são ovos pequenos que a ave codorna coloca, e o dono fica aliviado porque se vão embora, ele fica mal na praça.

Mônica pergunta se Magali precisava fazer aquele escândalo, Magali grita que não tem culpa se o serviço é ruim. O garçom leva champanhe de cortesia da casa. Magali pergunta se tem outra coisa, o garçom diz que tem carta de vinho da safra de 1945. Mônica diz que até as bebidas são velhas e Magali pede guaraná e Mônica complementa que de preferência deste ano e geladinho. Magali reclama da demora, tenta comer as flores que serviam de decoração da mesa.

O garçom vem com as codornas, Magali põe tudo na boca de uma vez achando é aperitivo e pede o prato principal. Garçom diz que aquele era o prato principal. Magali fala que nem deu para enganar o estômago e tão pouco que nem deu para a amiga experimentar. O garçom entrega escargô e Magali corre vendo lesmas e quer ir embora. Eles mostram o superbolo enfeitado de três andares de glacê, chocolate suíço, para não perderem as freguesas e Magali devora tudo de uma vez.

O chef reclama que demorou três semanas para fazer o superbolo e Magali devora em segundos e se demite. O garçom também pede demissão porque nunca foi humilhado trocar champanhe por guaraná. O dono olha para as meninas, chora e diz que está arruinado, nunca mais vai ter fregueses. Magali fala que vai ter, elas voltam amanhã. O dono manda voltarem nunca mais, podem ser ricas e famosas, falarem mal do restaurante, que nem liga, vai mudar de ramo para borracheiro.

Magali diz que ele está confundindo. O garçom pergunta se não são as Irmãs Baixinhas. Mônica quer lançar o Sansão por ter chamado de baixinha e elas vão embora, com o dono dizendo que foi arruinado por duas garotinhas. Magali volta perguntando onde fica o rodízio, o dono fala que fica ali do lado. Em seguida, aparecem as verdadeiras irmãs baixinhas e o dono grita que o rodízio fica é ali ao lado.

História legal em que Mônica e Magali vão a um restaurante chique por engano e os funcionários confundem as meninas com as famosas Irmãs Baixinhas, queriam agradá-las, mas não sabiam o que se tratavam os pratos serviços. Eles tinham medo das Irmãs Baixinhas falarem mal do restaurante nas colunas sociais e aí insistiam em tratá-las bem, mas depois da Magali comer bolo inteiro, causando demissão do chef e do garçom que acharam que foram humilhados e o dono ir a falência não teve jeito de não querer mais lá e só aí descobriu que elas não eram as Irmãs Baixinhas.

O erro maior foi do dono e funcionários não perceberam que Magali e Mônica eram crianças, tinham que saber como eram as Irmãs Baixinhas, ricas, da alta sociedade emergente, não é possível que nunca viram fotos delas em jornais e televisão já que eram tão famosas. E ainda não conseguirem distinguir criança de anão, porque adultas nas alturas das meninas seriam anãs, foi arruinado por duas garotinhas à toa. Elas vendo que a decoração estava diferente dava para perceber que não era o rodízio que queriam ir.

Magali foi sensacional nas gafes que deu, não saber o que eram as comidas finas, afinal era pobre e nunca tinha ouvido falar, com aqueles nomes, trocou tudo. Foi rachar de rir ela confundindo as comidas, dizer que botam perfume no salmão, que oferecem comida estragada quando ele sugere vitela ao estragão, confundir carpaccio com carrapato, posta com bosta e escargô com lesmas, trocar champanhe por guaraná e comer todo o superbolo em segundos. Além disso, ela se mostrou bem mal educada e impaciente, também dando raiva ao dono o comportamento dela. No final, arruinado por causa das meninas o dono passou a ter trauma de baixinhas, pensou que as famosas iriam arrumar a mesma confusão que Mônica e Magali arrumaram.

Engraçado também acharem que Irmãs Baixinhas são excêntricas indo  a pé para o restaurante, dono reclamar dos modos delas, Mônica dizer que servem comidas finas e Magali dizer que são panquecas, pizzas, dono pensar que é para ter calma para atender as irmãs baixinhas, Magali tentar comer as flores que serviam de decoração da mesa, devorar as codornas em segundos achando que era aperitivo, Mônica dizer que servem bebidas velhas e queria guaraná de preferência deste ano, querer bater no dono por achar que estava a chamando de baixinha.

Pelo menos elas não pagaram o que comeu, o dono tinha que ter cobrado pra diminuir o prejuízo dele. Magali pelo visto ganha bastante dinheiro alto dos pais para  ir a rodízios e bancar a gulodice, se controlasse o dinheiro ela não iria comer o que quisesse e hora que quer. Interessante ter um restaurante desse tipo no Bairro do Limoeiro, mais certo seria em um bairro rico como na Zona Sul de São Paulo. Incorreta por causa de autonomia de duas crianças sozinhas em um restaurante e ainda causar falência ao dono, garçom oferecer bebidas alcoólicas para as meninas, Magali devorar todo bolo em segundos, além de palavras e expressões populares proibidas como "Meu Deus!", "entender patavina", "credo!", "janta" (que mudam sempre para "jantar").

Traços ficaram muito bonitos, típicos dos primeiros anos da década de 1990. Teve erro de não aparecer cabelo da Magali no lado direito no primeiro quadro da última página. Na capa da revista 'Magali Nº 67' foi a última sem o selo "Mauricio de Sousa Editora" estampado pelo Bidu, que deveria ser a primeira revista a ter, já que estreou nos gibis de janeiro de 1992, não devem ter colocado pra não atrapalhar ilustração. E foi a última revista a ter uma etiqueta de preço ajustando o valor pela inflação da época, com a etiqueta tirada, vimos que não colocaram preço na capa para colocarem o preço atual quando estivesse nas bancas.

domingo, 9 de agosto de 2026

Mônica: HQ "O Dia dos papais trocados"

Em homenagem ao "Dia dos Pais" compartilho uma história em que a Mônica e seus amigos resolvem dar presente para os pais dos amigos em vez de dar para os próprios pais. Com 10 páginas, foi história de encerramento de 'Mônica Nº 64' (Ed. Abril, 1975).

Capa de 'Mônica Nº 64' (Ed. Abril, 1975)

Mônica conversa com o coelhinho de pelúcia que deve ser bom ser coelhinho que não tem problema de quebrar a cuca para dar presente de Dia das Mães, dos Pais, dos Namorados sem ter dinheiro. Agora é Dia dos Pais, o pai dela tem tudo e tem nada que possa dar para ele, só se fosse gravata, mas faz cara feia quando recebe. Em seguida, aparece o Cascão triste e Mônica deduz que ele também não sabe o que vai dar de presente para o pai dele. Cascão confirma e acha chato que pai dele nem usa gravata, diz que talvez goste de uma lata de lixo linda, grande, velha e enferrujada, e acha que é difícil dar presentes para os pais da gente.

Mônica tem ideia de trocar de pai para dar presente, um dá presente para o pai do outro porque na verdade os pais ligam para o gesto e nem para o presente que os filhos dão e aí não precisam mais quebrar cuca para dar presente para os próprios pais. Então, eles vão passar a ideia para todos os amigos e o Cebolinha foi o último, encarregado de dar um presente para o pai da Mônica. Cebolinha diz que sabe nada do pai dela, o que ele tem ou que deixa de ter e pode dar qualquer coisa e que isso é o espírito da coisa e depois Mônica vai comprar presente para o pai do Humberto.

No dia seguinte, na véspera do Dia dos Pais, a turma se reúne no campinho, fazem as trocas dos presentes já empacotados e identificaram que era para o pai do "fulano". Indo para casa, Mônica adorou a ideia, só é angustiante não saber o que está dando para o pai dela. A mãe recomenda esconder no armário da cozinha onde o pai nunca vai e Mônica diz que amanhã a surpresa vai ser para o papai e para ela também e todas as crianças também escondem os presentes que vão dar para os pais deles.

Chega a manhã do Dia dos Pais e eles entregam os presentes. Xaveco entrega uma caixa com monstro que salta, fazendo o pai desmaiar; um menino entrega uma lata de lixo que foi dado pelo Cascão; outro menino dá um cordão de florzinha; outro menino entrega um bolo para o pai gordo diabético e diz que vai ficar só olhando porque o médico proibiu de comer doces, dado pela Magali, outro menino entrega uma bola par ao pai que havia quebrado o pé, Cascão joga for ao embrulho com sabonetes e xampu, pensando que devem ter trocado, pai da Magali recebe um livro de fazer jejum e ele diz que fica agradecido que finalmente viu alguma mudança nela e um menino negro dá um pente para o pai careca.

Na vez da Mônica dar o presente para o pai, acha a caixa mais leve e úmida e pensa que é umidade do armário. Quando o pai recebe, a caixa estava vazia, Mônica fala que é brincadeirinha, o presente leva depois e o pai só manda ela lhe dar uma abraço, que é o melhor presente para ele. Mônica gosta, mas quer tomar satisfação com o Cebolinha, que reclama que ela deu um espelho enfeitado de florzinhas e cor-de-rosa e ele nem gosta de se olhar no espelho por causa de calvície e conta que deu para o pai da Mônica uma estatuetazinha de gelo que ele próprio fez, só que esqueceu de avisar que tinha que guardar na geladeira. Mônica gostou do presente e acha engraçado de estátua de gelo fora da geladeira, os dois caem na risada e no final o pai da Mônica fala para esposa que o riso dos filhos é o melhor presente para os pais.

História legal em que Mônica tem ideia de dar presente para o pai de um amigo já que não sabia o que dar para o seu próprio pai e cada um de seus amigos dariam presente para o pai de outro amigo porque todos também tinham esse dilema de não saber o que dar para o pai, só que com a ideia acabou cada pai recebendo presentes de grego que nada tinha a ver com eles.

Foi uma espécie de amigo oculto de Natal e não sabiam o que tinham nas caixas de presente, sendo uma surpresa para todos. Alguns resolveram dar presentes para sacanear com o amigo, como foi o que o pai do Xaveco recebeu, já outros deram presentes do que eles próprios gostariam ganhar como foi o que o Cascão deu, ou então que seria um presente de grego para o filho, como foi com a Magali. Cebolinha foi o único que deu algo que agregasse, só que foi burro de avisar que era para guardar na geladeira. A intenção foi boa, dinheiro que gastaria pra dar presente para os próprios pais, vão dar para os outros pais, que não sabiam das trocas de presentes, se  o pai que receber não gostar, o problema não era dele, e só do filho que entregou.

Muito boa autonomia das próprias crianças comprarem presentes para os pais, se preocuparem com o que ia dar, o mais coerente seria a mãe ir para escolher junto. Pena que nem todos os presentes a gente soube quem deu presente para quem e faltou mostrar presentes que os pais do Franjinha e do Humberto receberam, para isso precisaria ser mais longa. Serviu de mensagem que "Dia dos Pais" é comércio, os pais não ligam para presentes caros e extravagantes, o mais importante é um abraço e ver a felicidade deles, apenas vendo filho sorrindo contagiante já é a melhor coisa que poderiam receber. Interessante o lado histórico que há mais de 50 anos as pessoas já tinham essa visão que "Dia Dos Pais" era só comércio e roteirista quis mostrar essa mensagem do verdadeiro valor da data, uma crítica social, quase certo que foi escrita pelo Mauricio de Sousa.

Engraçado Mônica dizer que descobriu que Cascão não sabia o que dar de presente para o pai porque fez a mesma cara dela, Cascão querer dar lata de lixo para o pai, Franjinha esconder o presente na casinha do Bidu e dizer para o cachorro não contar pra ninguém que escondeu lá e principalmente todas as surpresas que cada pai recebeu com os presentes trocados, principalmente o pai do Xaveco, o pai gordo diabético que não podia comer bolo, o que recebeu bola com pé quebrado, o do Cascão recebendo sabonete e xampu e o da Magali pensando que a comilona ia fazer jejum.

Vimos que tiveram vários personagens secundários figurantes porque não tinham muitos personagens fixos criados da turma na época. Personagens fixos que contracenavam com Mônica, Cebolinha,  Cascão e Magali eram só Xaveco, Franjinha e Anjinho. Nesta história a Mônica até citou o Humberto, mas ele não aparecia nos gibis e pode até ser que Humberto fosse nome de qualquer figurante que apareceu na trama e não necessariamente o mudinho que conhecemos.

Deu para notar que os pais das crianças tinham um aspecto mais envelhecido, ficando um retrato dos anos 1970 em que as pessoas aparentavam maus velhas do que realmente eram. Teve um festival de personagens falando com boca fechada, na primeira metade dos anos 1970 era quase um padrão isso, principalmente em histórias escritas pelo Mauricio. O Sansão ainda não tinha nome por isso a Mônica chamá-lo de coelhinho.

Os pais da turma quase não apareciam nos anos 1970, histórias eram mais focadas nas crianças. Apenas os pais do Cebolinha e do Franjinha e a mãe da Mônica que eram mais definidos nos traços. Mãe da Mônica aparecia mais vezes em relação aos outros enquanto pais do Cebolinha e do Franjinha eram aparições mais raras. Pais do Cascão não apareciam, no máximo eram apenas citados, por isso nem mostrou aí o Cascão com seu pai, e só começaram a aparecer a partir de 1977 e bastante raramente depois disso até quando ele começou a ter revista em 1982. A mãe da Magali apareceu primeiro só no final de 1975 e antes disso no máximo aparecia só voz dela. Normalmente gostavam muito de não revelar rosto dos pais, ficar o mistério e permitir que os leitores imaginassem como eram os rostos deles.

Nesta história foi a primeira vez que apareceram o pai da Magali e o pai da Mônica. Vimos que era completamente diferente o pai da Magali como um velho, gordo e uma espécie de versão masculina da filha com camisa amarelo e cabelo desse jeito, depois ele teve uma faceta com cara do Seu Juca e só a partir de 1986 que teve o estilo atual que conhecemos. Já o pai da Mônica deu ideia que inicialmente tinha intenção de não mostrar o rosto dele e leitor imaginar como era como foi na cena do abraço dele na Mônica,  aí  o final resolveu revelar rosto dele, que ficou bem parecido com o Mauricio de Sousa. Os pais também não tinham nomes revelados, passaram a ter nomes fixos só nos anos 1990.

Histórias dos anos 1970 eram bem lentas, eram muito comum personagens dialogando, altas conversas, enquanto vão caminhando pela rua. Se fosse nos anos 1980, as 4 primeiras páginas iniciais desta história iam ser mais resumidas em 2 páginas no máximo e depois seguiriam normalmente. Hoje em dia seria corrida demais, já que agora todas  histórias de miolo são no máximo 3 páginas para atender as crianças de hoje da geração Alpha que gostam de tudo corrido, acelerado, sem paciência para ler histórias longas e lentas.

Incorreta atualmente por autonomia das crianças de comprarem presentes sozinhas, se preocuparem com o que ia dar para os pais, Cascão dar lata de lixo, preconceito do Cebolinha do pai receber espelho de florzinhas e cor-de-rosa, menino negro e seu pai com lábios de círculo rosa em volta da boca, mãe da Mônica de avental, além de palavras e expressões proibidas como "quebrar a cuca", "gozado", gíria datada "grilo". 

Traços ficaram bons no estilo da primeira metade dos anos 1970 com personagens com bochechas pontiagudas, mas já sofrendo adaptações comparados como eram em 1970 e 1971. Nunca foi republicada até hoje, poderia ter sido  entre 1980 a 1983, mas por ter tema de Dia dos Pais, poderiam estar adiando e como Almanaques da Mônica não eram lançados em agosto, acabou ficando esquecida, fora que muitas histórias dessa fase não foram republicadas porque os almanaques da Mônica eram anuais e depois de 8 anos das originais achavam que esravam velhas pra republicações pelo estilo de traços diferentes.  Aí, essa é  rara e só quem tem a edição original que a conhece.

FELIZ DIA DOS PAIS!!!

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Tirinha Nº 127: Cascão

Tirinha passada em um dia frio de inverno e Cascão pula na lagoa. Deu impressão que resolveu tomar banho do nada e perder invencibilidade, mas puro engano: ele só queria dar uma pegadinha nos leitores, já sabia que o tempo estava com frio tão intenso que a água da lagoa virou gelo e ele podia andar tranquilamente que não iria se molhar.

A gente pensa que Cascão queria tomar banho e seria loucura bem logo em dia de muito frio se fosse verdade, foi legal essa ideia de enganar os leitores e bancar o esperto. Com o sapato também não teria risco de se molhar com umidade do gelo e também poderia caminhar tranquilo sobre o gelo. Só ele ter cuidado de que pode ter pontos que não congelou bem, pisar em falso e aí ele se molhar de fato. Personagens sempre ficavam bonitos com roupas de frio, na época tinha recurso de calça emendar com sapato sem divisória, tudo em uma coisa só, achava legal quando tinha.

Tirinha publicada em 'Cascão Nº 166' (Ed. Globo, 1993).