domingo, 26 de abril de 2026

Cebolinha: HQ "Uma cebola nua!"

Mostro uma história em que o Cebolinha sofreu com o Louco, que pensava que ele era uma cebola de verdade nua e ficaram foragidos da polícia. Com 11  páginas, foi história de abertura de 'Cebolinha Nº 132' (Ed. Globo, 1997).

Capa de 'Cebolinha Nº 132' (Ed. Globo, 1997)

Escrita por Emerson Abreu, Cebolinha toma banho cantando quando é surpreendido por uma boia de patinho andando no banheiro e dizendo "qué". Logo depois surge um sorriso, Cebolinha pensa que é o sorriso do gato da "Alice no País das Maravilhas" só que, para a infelicidade dele, descobre que era o Louco.

Cebolinha pergunta para o Louco, de novo, e Louco responde que é o velho ele mesmo. Cebolinha avisa que estava tomando banho, Louco repara que ele está nu e dá uma guarda-chuvada nele gritando pela polícia que tem uma cebola nua ali e surge um policial no ralo do banheiro. Louco confirma que tem uma cebola na rua, Cebolinha fala que eles não estão na rua e do nada eles surgem na rua, com uma senhora e neta dela achando indecente uma cebola nua.

O policial fala que além de nu, Cebolinha é louco. Cebolinha quer cair fora dali e ele cai da rua bem lentamente para baixo só porque disse que queria "cair fora". Cebolinha pergunta o que vai acontecer quando chegarem lá embaixo e Louco responde que vai doer, mas se estiverem caindo para cima não têm o que se preocuparem, só que caíram para baixo mesmo e levam o maior tombo.

Eles caem no teto do quarto da Denise, que cutuca o Cebolinha com vassoura, reclamando do barulho, que quer dormir. Louco confirma que eles caíram para cima como ele tinha dito. Cebolinha acha que é uma loucura, só balões caem para cima e, então, eles viram balões e Denise acha o máximo que agora ela tem dois balões e vai brincar com eles. Surge o policial no chão, Denise se assusta e solta os balões sem querer e eles voam. 

O policial chama Denise de criminosa porque soltar balões é contra a lei e liga para a central avisando que há dois balões escapando à sudoeste. Cebolinha reclama que eles estão foragidos e é tudo culpa do Louco que só arruma encrenca para ele e que está cheio disso e Cebolinha vira um balão cheio e estoura depois, voltando os dois aos seus corpos normais, só que voltando a cair para baixo e Cebolinha tem medo de se machucarem.

Louco sugere que eles sejam outras pessoas, ele passa a se chamar Juvenal e Cebolinha, Lindomar. Eles caem, Cebolinha se machuca e Louco, voando, fala que foi péssima escolha porque os Lindomares não voam. Cebolinha diz que os Juvenais também não e Louco para de voar e cai no chão. Louco diz que devia ter escolhido o "Superomão" e que pelo menos quem se machucou foi o Juvenal e o Lindomar e não o Louco e o Cebolinha, que acha foi sorte deles e depois cai em si que a loucura do Louco pega.

O policial surge de novo no chão, prende os dois na geladeira, dizendo que se meteram em uma fria. Lá, reclamam que estão presos e congelados, Cebolinha acha um absurdo e diz que vai sair dali agora mesmo. Abre a geladeira e ela está boiando a alto-mar. Cebolinha chora que quer voltar para casa, que inunda a geladeira e afundam.

Depois, Cascão quer cagar na privada da casa dele, e Cebolinha, dentro da privada, diz para ele não fazer isso. Cascão se espanta e quer saber o que ele está fazendo ali e Cebolinha diz que estava preso em uma geladeira e boiando no meio do oceano. Cascão mostra a língua sem acreditar, Cebolinha sai da privada, falando que precisa correr porque é um foragido. Cascão acha que Cebolinha pirou de vez e em seguida o policial sai do ralo do banheiro perguntando se o Cascão viu uma cebola nua passar por ali.

História legal em que Cebolinha recebe visita do Louco enquanto estava tomando banho, Louco pensa que ele era uma cebola de verdade nua chamando a polícia, que aparece para prendê-los. Há várias confusões principalmente envolvendo trocadilhos, até que Cebolinha volta para o bairro do Limoeiro na privada da casa do Cascão quando ele estava prestes a cagar, Cascão não acredita que estava preso em geladeira no meio do oceano e que era foragido da polícia até quando aparece o policial perguntando se ele viu uma cebola nua.

Um simples banho levou Cebolinha à loucura, nunca iria imaginar que o Louco fosse aparecer. Cebolinha nunca aprende, tem que muito cuidado com o que fala com o Louco, que leva tudo ao pé-da-letra. Dessa vez o gancho inicial o Louco pensar que ele era uma cebola de verdade que comemos pelada e chama a polícia e passam a ser perseguidos por um policial causando grande confusão. Como uma cebola nua não podia andar por aí, o policial quis prender o Cebolinha e também o Louco por ser cúmplice. E ainda situação piorou quando viraram balões e ele queria prendê-los porque é crime soltar balões. A prisão foi uma geladeira com intenção de eles entrarem em uma fria, conseguiram sair ficando no meio do oceano, mas Cebolinha conseguiu se libertar do Louco.

No decorrer, ainda viram balões no quarto da Denise por causa de trocadilho de balões de falas e fingem ser Juvenal e Lindomar para não caírem no chão. Detalhe que Cebolinha ainda entra na onda que quem se machucaram com a queda foram Juvenal e Lindomar e não eles, provando que a loucura pega. Sobre Cascão sentando na privada para cagar e o Cebolinha saindo de lá, imagine o Cascão cagar  e dar descarga com  Cebolinha dentro da privada, ainda bem que deu um grito antes de acontecer. À princípio, ficou a dúvida se era ou não tudo imaginação do Cebolinha, tão esquizofrênico que podia ter visões do que não existe, mas foi provado que foi tudo real porque Cascão viu o policial no final querendo voltar a prender o Cebolinha.

Foi engraçado Cebolinha cantando música do "É o Tchan" no banho, ver a boia de patinho andando e falando, o sorriso do Louco na parede pensando que era o gato "Alice no País das Maravilhas", o policial surgindo no chão, Cebolinha e Louco surgirem do nada na rua, a velhinha e a neta horrorizadas vendo Cebolinha pelado na rua, Louco dizer que vai doer quando cairem lá embaixo, a interação com a Denise, eles virarem balões, a onomatopeia "Poca", fingirem serem outras pessoas para não caírem, presos em uma geladeira, o choro do Cebolinha inundar tudo, Cascão quase cagar com Cebolinha dentro da privada e depois não acreditar na história maluca e se convencer, vendo o guarda no ralo do banheiro.

Ficamos sabendo que o Cebolinha é cantor de chuveiro e fã do grupo "É o Tchan" e cantando "Dança do bumbum" no banho, só não conseguiu completar o verso "Balançando a bundinha" por causa da boia de pato que apareceu na hora. Eles sempre colocavam nas histórias o que estavam em alta e na moda no momento com a criançada e isso é assim até hoje. A letra da música do "É o Tchan" não foi mudada assim como "Alice no País das Maravilhas" também não teve nome parodiado.

Foram bastantes trocadilhos, falas ao pé-da-letra, nada com nada, nada se encaixa, típico de histórias do Louco, uma grande viagem para sair do Mundo Real. Até policial fortão sair de ralo e buraco de chão pequenos não tem lógica e essa era a intenção. Parece que essa foi única história do Louco escrita pelo Emerson, no início de carreira ele escrevia para qualquer personagem, aí depois passou a escrever mesmo só para os principais do bairro do Limoeiro. Histórias nonsenses assim dele continuaram seguindo depois com frequência, mesmo sem serem do Louco.

Na época ainda não tinham caretas nas histórias do Emerson, porém teve bastantes exageros de cenas com personagens com língua de fora em posições de braços esticados e pernas inclinadas toda vez que eles ficavam espantados ou depois de alguém falar bobeira ou uma piada infame, coisa bem características nas histórias escritas pelo Emerson.

Foi a primeira vez a Denise com o Louco, contribuindo para Cebolinha e Louco virarem balões e ela querer brincar com os balões. Na verdade, não foi informado que a menina era a Denise de fato, mas pelo formato do cabelo a intenção era ela, ainda mais que o Emerson sempre gostou da Denise e dava um jeito de colocá-la nas histórias que escrevia. Ela não tinha ainda cabelo e personalidades definidos na época, mas foi primeira vez que o cabelo dela pareceu no formato assim com franjas duplas, só que em tom de cor mais claro. Com base nesse cabelo que apareceu nessa história e em "A tribo das Modernosas", de Magali Nº 245' (Ed. Globo, 1998), que Emerson depois moldou traços e características definitivos dela a partir dos anos 2000.

Cebolinha ficou pelado a história inteira, um recorde, e sem dúvida, ele foi o personagem que ficou mais vezes pelado em histórias. Também foram poucas histórias de abertura do Louco na trajetória da MSP, normalmente eram de miolo e mais curtas. Incorreta atualmente por nudez do Cebolinha, levar guarda-chuvada do Louco, os excessos de absurdos, mesmo em uma história do Louco, ideia de eles foragidos da polícia e sendo presos dentro de geladeira, policial surgir em ralo de banheiro, Cascão com calção abaixado, querendo fazer cocô com Cebolinha dentro da privada, além de expressão popular proibida "se meteram". Serem chamados de loucos acho que poderiam deixar dessa vez porque era história do Louco.

Traços ficaram bons, característicos do estilo começado em 1997 com personagens com bochechas mais redondas e mais fofos que marcaram a segunda metade dos anos 1990. Teve leve erro de fundo do olho da Denise não ser pintado de branco em alguns quadros. Essa história na revista foi interrompida por propagandas em papel tipo capa fina entre as páginas 10 e 11, estilo diferente de mostrarem anúncios dentro das histórias começado em 1995, dessa vez com as propagandas do picolé "Frutiliy" e do leite fermentado "Chamyto", ambos da "Nestlé" e em formatos de passatempos e atividades, como mostro abaixo. E, curiosamente, essa revista do 'Cebolinha Nº 132' foi a verdadeira "Nº 300" dele juntando as editoras Abril e Globo.

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Cascão: HQ "Viagem à Lua"

Dia 23 de abril é "Dia de São Jorge" e, então, mostro uma história em que o Cascão viajou para a Lua por engano e se encontra com São Jorge e o Dragão depois do astronauta da missão ter ficado com medo de entrar na nave espacial. Com 13 páginas, foi publicada em 'Cascão Nº 51' (Ed. Globo, 1988).

Capa de 'Cascão Nº 51' (Ed. Globo, 1988)

Escrita por Rosana Munhoz, começa com o dono de uma companhia espacial fazendo uma reunião para celebrar e anunciar o momento histórico que conseguiram construir a primeira nave espacial com condições de mandar um homem à Lua e apresenta o astronauta João Meteoro, contando que a contagem regressiva já começou e que em poucas horas ele estará na Lua, fazendo jus ao salário que recebe. Quer todos com dedos cruzados e amanhã eles estarão em todos os jornais.

João Meteoro avisa ao chefe que quer ficar um momento sozinho na sala dele antes do lançamento da nave para se concentrar. Na sala, João Meteoro comenta em que fria se meteu, quando aceitou ser astronauta, nunca pensou que conseguiriam construir a nave, por isso que assinou o contrato e agora não pode voltar atrás e não sabe o que fazer.

Um guarda pergunta se João já estava pronto, o lançamento é em uma hora, João diz que já está indo, coloca o uniforme de astronauta e sai da sala. O Guarda pergunta se vão ao foguete,  João responde que ainda não, quer ligar para mulher dele para pedir que ela deixe seu jantar preparado quando ele voltar. O Guarda comenta que ele é o cara mais corajoso que conheceu, João diz que na vida têm que ser otimistas e que o problema é que tem que ligar de um orelhão porque é um pouco supersticioso e sai da base espacial. João joga o uniforme no lixo, morre de medo até de avião, imagina se vai subir em um foguete.

Cascão estava dentro da lata de lixo, reclama quem jogou aquelas coisas nele e vê que era uma fantasia de astronauta. Acha o máximo, veste, dá certinha nele e vai mostrar para a turma para dar inveja neles. Os guardas vão trás, pensam que ele é o João Meteoro e perguntam onde ele vai. Cascão fala que vai mostrar a roupa para a turma, os guardas dizem que não há mais tempo, falta pouco para o lançamento, o levam para a base e jogam na nave que vai para a Lua.

Na nave, Cascão acha bacana, parece aqueles filmes espaciais do cinema. Ouve instruções do áudio de se preparar para a decolagem, sentar no banco e apertar os cintos. Começa contagem regressiva enquanto Cascão comenta que se for brincadeira, está gostando, parece de verdade, e a nave vai para o espaço. O dono da companhia comemora, um funcionário comunica com o Cascão  que está tudo indo conforme o programa e que está a caminho da Lua.

Cascão acha que estão levando a brincadeira muito a sério, solta o cinto e passa a flutuar. Vai em direção à janela da nave e descobre que está no espaço sideral e, ao mesmo tempo, um guarda da base espacial traz de volta João Meteoro, que havia sido preso roubando roupa do varal, e descobrem que ele não decolou e o chefe quer comunicar com a nave imediatamente. 

Cascão se apresenta, dizendo é corintiano roxo, o chefe vê que ele pesa 30 quilos amenos que João e isso é péssimo, tudo foi calculado nos mínimos detalhes, uns quilos amenos podem alterar rota da nave, não é garantido que vai pousar na Lua com sucesso e nem se ele poderá retornar a Terra e despede o João por tudo ser culpa dele.

Cascão posa na Lua, sai por baixo da nave e é recebido por São Jorge o Dragão. Cascão diz que pensava que eles eram inimigos e São Jorge revela que depois de tantos séculos guerreando, resolveram fazer as pazes. Cascão fala que gostou de lá, tão sequinho, nem uma nuvenzinha, nem uma gota d'água, acha um barato andar aos saltinho e pena a Terra não ser assim, porém sente falta de casa, da turminha, dos pais e do Chovinista. 

Cascão fala que está dando sede, pergunta onde pode comprar sorvete. São Jorge avisa que na Lua não há sorvetes. Cascão diz que pode ser laranjada, São Jorge avisa que tem nada disso, nem lanchonetes e restaurantes. Cascão pergunta do que vivem, São Jorge responde que da crença das pessoas e Cascão diz que está frito. 

São Jorge avisa que o Dragão é um ótimo mecânico, já reparou várias naves que passaram por lá. O Dragão conserta a nave rapidamente e Cascão decola. Na base espacial, acham incrível que o radar captou a nave voltando e que vai pousar lá mesmo. Depois, a nave pousa, Cascão diz que essa história o deixou exausto, cansou de ser astronauta, tira o uniforme e sai da base espacial. Em seguida, compra um sorvete, aparece o Cebolinha, dizendo que estava o procurando para participar um plano infalível contra a Mônica e que serão os donos da "Lua". Cascão bate nele e Cebolinha pergunta se falou alguma coisa errada. 

História muito legal em que o astronauta João Meteoro fica com medo de viajar para a Lua, foge da base espacial e deixa o uniforme na lata de lixo. Cascão encontra, veste para mostrar para a turma, só que guardas o encontram, confundem  com o astronauta fujão e o jogam na nave da missão espacial e Cascão vai parar na Lua. Encontra São Jorge e o Dragão , até gosta da Lua por ser seca e sem vestígios de água, mas sente saudades da família e dos amigos do planeta Terra. O Dragão conserta a nave, Cascão volta para a Terra e depois da aventura, Cebolinha aparece chamando para participar de plano infalível contra a Mônica e serem donos da "Lua" e apanha. 

Quem diria um astronauta ter medo de viagens espaciais e de embarcar em uma nave. João Meteoro tinha medo até de avião, não levava fé que um dia iriam construir uma nave para viajar para a Lua, aceitou contrato de astronauta só para ganhar muito dinheiro sem fazer nada. Na verdade, nem o dono da companhia tinha fé que a viagem à Lua fosse um sucesso dando mais mesmo ao João. 

O guarda foi displicente, não podia deixar João Meteoro sair da base espacial a poucos minutos do lançamento da nave. Caiu na conversa do João que queria que telefonar para a esposa, guarda tinha que ter sido firme e  dizer que tinha que ligar direto da base, não ir pessoalmente. Baixinho da altura do Cascão, o uniforme jogado no lixo caiu como uma luva no Cascão, fazendo ser o novo astronauta da missão espacial.

Cascão foi só aparecer na 4ª página da história, quiseram desenvolver bem a trama do João Meteoro desistir de viajar para a Lua. Cascão na lata de lixo foi fundamental para a história se desenrolar, graças a sua característica de sujão encontrou o uniforme de astronauta,  se não tivesse na lata, o uniforme ficaria lá e a história teria outro rumo.  Cascão achava que era tudo uma brincadeira gostosa, afinal, qual criança não gostava de brincar de astronauta, até cair na realidade que foi parar na Lua de verdade. Foi justa a demissão do João Meteoro e sem direito a recorrer no Sindicato dos Astronautas.

Lua lugar ideal para o Cascão viver sem água, quase ficou lá para sempre porque o pessoal da base espacial não iria conseguir trazer a nave de volta por te rido uma pessoa diferente na missão. teve sorte de encontrar o Dragão de São Jorge que era um excelente mecânico e, assim, retornar para casa e não querer mais saber de aventuras espaciais. Para ter a piada final, a dislalia do Cebolinha serviu para o trocadilho de "Rua" com "Lua". Apesar do Cascão saber da dislalia do amigo, já estava tão  estressado, exausto com a viagem espacial, sem raciocinar direito, que não podia nem ouvir mais a palavra "Lua" nem que fosse por dislalia do Cebolinha, que acabou apanhando sem entender nada.

Muitos momentos engraçados como dono da companhia dizer que muita verba consumida na construção da nave e que a missão fazer jus ao salário que João Meteoro recebe, João querer sair para ligar para esposa fazer jantar quando ele voltar,  de cueca samba-canção,  guarda comenta para o outro que nunca viu ninguém com tanto sangue-frio querer mostrar uniforme para os amigos, João preso por roubar roupa do varal, narrador dizer que não interessa se João vai recorrer ao Sindicato dos Astronautas por ter sido despedido e expectativa se Cascão iria sobreviver e se esta seria a última historinha dele e não perder o próximo e impactante quadrinho, São Jorge revelar que depois de tantos séculos guerreando, resolveram fazer as pazes com o Dragão, Cascão diz que está frito por depender das crenças das pessoas para sobreviver e o Dragão consertando a nave em minutos.

Curioso que o Cascão não gosta de água, mas gosta de sorvete picolé e laranjada, que são líquidos, problema dele é a água pura por representar limpeza. Nem precisou de participação do Astronauta na trama, poderia tipo ele ser o substituto do João Meteoro no final para um anova missão à Lua ou ajudar o Cascão a voltar para a Terra, mas ficou muito melhor assim do jeito que colocaram, sem crossover. Uma coisa boa foi ter tido muito texto por balão, até para ocupar menos páginas em um gibi quinzenal da época. Foram 13 páginas, mas com um tempo de leitura de 20 página sou mais. Hoje em dia acho diálogos curtos demais, bem resumidos e leitura bem rápida.

Pensei em postar essa história por causa do "Dia de São Jorge", sendo que com noticiários recentes da NASA anunciar a Missão Artemis II para a Lua, missão espacial de homem voltar à Lua se torna mais atual. Incorreta hoje em dia por Cascão ser astronauta por um dia em uma viagem à Lua, Cascão dentro de lata de lixo, apoiar a secura da Lua e não ter água nela, envolver religião com presença de São Jorge, João martelo com cueca samba-canção, citar orelhão por ser coisa datada, Cebolinha apanhar por tão pouco e ficar caído com olho roxo, além de palavras, expressões de duplo sentido e gírias datadas proibidas como "me meti", "morre de medo", "morrer de inveja", "sangue-frio", "roubando", "bacana", "barato", "estou frito", "me deixou num prego".

Traços ficaram excelentes do estilo consagrado dos personagens, bem caprichados, cheios de detalhes que dão gosto de ver. As cores muito bonitas assim, um tom de rosa mais forte mais bonito, não apagadas como no segundo semestre de 1987 e início de 1988, mas também não um tom forte exagerado, acho o ideal assim. De erro teve o zíper do traje de astronauta do cascão que não apareceu em alguns quadros ou em tamanho maior ou menor algumas vezes.

domingo, 19 de abril de 2026

Papa-Capim: HQ "Posso ir com você? Não vou atrapalhar!"

No "Dia dos Índios", mostro uma história em que o Papa-Capim leva o Cafuné para caçar junto com ele, só que o Cafuné atrapalha toda vez que aparecia um bicho para ser caçado. Com 4 páginas, foi publicada em 'Chico Bento Nº 14' (Ed. Abril, 1983).

Capa de 'Chico Bento Nº 14' (Ed. Abril, 1983)

Cafuné vê Papa-Capim com uma lança na mão e pergunta para onde ele vai. Papa-Capim disfarça que vai a lugar nenhum e que não sabe como a lança parou na mão dele para Cafuné não ir caçar com ele. Cafuné diz que vai a um lugar e não quer dizer e Papa-Capim confessa que vai caçar. Cafuné pergunta se pode ir com ele, Papa-Capim diz que a última vez que foi, conseguiu pegar nada. Cafuné fala que não tem culpa se ele estava em dia de azar e promete que não vai atrapalhar e Papa-Capim deixa.

Em seguida, Papa-Capim avista uma paca e quando vai soltar a lança, Cafuné dá um tapinha mandando ir firme e ele erra o alvo. Papa-Capim manda Cafuné não tocar nele. Depois, encontra uma ave no rio, Cafuné espirra, espantando a ave. Cafuné pergunta se acertou a ave, Papa-Capim grita que não , Cafuné pergunta o que está havendo com ele, se engrossou e Papa-Capim acha que sim. 

Depois, avistam um filhote de onça, Cafuné grita que tem onça na árvore, fazendo ela fugir. Papa-Capim fala que devia caçar o Cafuné, desiste da caça e vai embora. No final, Cafuné lamenta que é tão atrapalhado e pergunta se ninguém gosta dele, quando aparece os bichos que escaparam de de serem caçados fazendo carinho de agradecimento nele.

História legal em que Papa-Capim vai caçar na mata e leva o Cafuné junto só que não consegue caçar nenhum animal porque o Cafuné desviava o foco dele sempre que avistava um animal, fazendo Papa-Capim desistir. Cafuné fica triste porque era atrapalhado e seu amigo não gostava dele, mas, em compensação, é cercado de carinho pelos animais que escaparam de ser caçados por causa dele.

Papa-Capim resolveu dar uma nova chance a Cafuné e seu mal. Já não tinha conseguido caçar uma vez com Cafuné ao seu lado, antes tivesse seguido intuição e recusar o pedido dele de ir junto. Só sabe que uma terceira vez não vai ter, se aceitar, será burrice. Bom para os bichos que deixaram de morrer e foi bonito o carinho de gratidão deles no final. Ficou a dúvida se o Cafuné fez de propósito para o Papa-Capim não caçar os bichos ou se foi porque era atrapalhado mesmo. Cafuné era lerdo, um tipo Zé Lelé do núcleo dos índios, e poderia ter feito sem querer, aí vai da interpretação de cada um.

Foi engraçado Papa-Capim disfarçar para o Cafuné para qual lugar estava indo e não revelar que ia caçar, dizer que vai a lugar nenhum, que não sabia que estava segurando uma lança e perguntar como foi parar na mão dele, a lança perfurar barriga do Cafuné quando Papa-Capim manda parar, Cafuné atrapalhando a caça dando tapa nas costas, espirrando e gritando, deixando Papa-Capim irritado e dizer que devia caçar o Cafuné.

Com bonita mensagem de preservar os animais, essa fez parte da leva de primeiras histórias desenvolvidas da Turma do Papa-Capim, que só teve destaque quando Chico Bento ganhou revista em agosto de 1982. Antes disso, só tinha histórias de 1 página e muito raramente.  Impublicável hoje em dia por ter índios primitivos, não podem mais ter índios nos gibis, ainda mais Papa-Capim caçar, com lança na mão, além da palavra "azar" ser proibida atualmente.

Traços ficaram bonitos, cheios de detalhes da selva, mesmo com desenhos mais simples em histórias de miolo deixaram bastantes detalhes no cenário. Teve tons de diferente do marrom da pele dos índios nas 2 últimas páginas e erro do nariz do Papa-Capim em formato " ^ "em vez de " c " no primeiro quadro da história. Foi republicada depois em 'Almanaque do Chico Bento Nº 7' (Ed. Globo, 1989).

Capa de 'Almanaque do Chico Bento Nº 7' (Ed. Globo, 1989)

sexta-feira, 17 de abril de 2026

Capa da Semana: Cebolinha Nº 225

Uma capa em que Cebolinha e Cascão estão como índios e fazem ritual comemorando que conseguiram capturar o Sansão prendendo em uma madeira com caricatura da Mônica. Nem como índios os meninos conseguem esquecer a Mônica e não perdem oportunidade de aprontar com ela, verdadeira obsessão. Bem legal.

Interessante a expressão do Sansão não gostando, como se tivesse com conhecimento do que estava passando. Muitas vezes eles colocavam expressão dele de acordo com a cena, seja em capas ou histórias, mesmo sendo um coelhinho de pelúcia. As sujeirinhas do Cascão ficaram mais grossas para representarem pinturas de índio no rosto como foi do Cebolinha.

Era normal colocarem capas com personagens representados como índios e cada um de acordo com sua característica. Hoje impublicável isso por não permitirem mais nos gibis índios primitivos em ocas e seus costumes e muito menos os personagens principais sendo índios e malvados. A partir de 2003, as capas dos gibis da Globo passaram a ter um design diferente, com logotipo menor e o rosto do personagem ao lado que ficou um bom tempo para se acostumar com design assim com logotipo pequeno por estar acostumado com ele ocupando toda a largura. 

A capa dessa semana é de 'Cebolinha Nº 225' (Ed. Globo, Março/ 2005).

terça-feira, 14 de abril de 2026

Mingau: HQ "Passeio no shopping"

Mostro uma história em que o Mingau vai a um shopping escondido da Nagali e da mãe dela e passa vários sufocos. Com 10 páginas, foi história de abertura publicada em 'Magali Nº 43' (Ed. Globo, 1991).

Capa de 'Magali Nº 43' (Ed. Globo, 1991)

Escrita por Rosana Munhoz,  Magali e mãe dela se preparam a ir ao shopping. Magali queria levar o Mingau só que Dona Lili diz que no shopping não é permitida a entrada de animais e Mingau acha que fazem muito bem porque animais estragam ambiente. Magali avisa o gato que ele vai ter que ficar em casa, Mingau quer saber por quê, ele é um gato, e vai escondido atrás do carro para descobrir por que não permitem gatos no shopping.

No caminho, Mingau se pergunta o que tem no shopping, acha que deve ser um aquário gigante cheio de peixes saborosos, por isso não querem gatos lá. Chegando no shopping, ele acha que é um aquário como imaginou, só que não tem água, está cheio de gente. Quer saber como entra, a porta abre sozinha e ele entra.

Mingau procura por peixes, vai na escada rolante que sobe, fica assustado e pensa que é uma armadilha, faz esforço para descer e consegue, depois fica aliviado que dessa vez escapou por pouco. Em seguida, encontra um carrossel e tinha um felino como componente do brinquedo. Mingau conversa com ele pensando que era um gato de verdade, pergunta o que pode fazer no shopping e como não responde, acha que tem coisa errada ali. 

Chega um grupo de crianças querendo brincar no carrossel dos bichinhos, um menino senta no Mingau pensando que era gatinho de carrossel, que começa a funcionar e rodar. Depois que acaba o funcionamento, Mingau sai de lá tonto e comenta do pobre amigo gato, que era por isso que estava quieto e ele tem que ter cuidado porque aquele lugar está cheio de armadilhas.

Em seguida, vê postes e resolve subir no mais alto porque vai ter uma visão melhor e mais segura do shopping. Só que era um chafariz que começa a jorrar água e ele sai assustado pulando na cabeças das pessoas e só aí que descobrem que tinha um gato no shopping. Tem um alvoroço e Mingau consegue esconder dentro de um vaso decorativo. Ele comenta que é um lugar maluco, portas e escadas que funcionam sozinhas, animais que andam em círculo, postes que jogam água e precisa sumir dali.

Seguranças ficam procurando pelo Mingau, que acha que na certa querem aprisioná-lo naquele negócio que chama de carrossel e que tem que encontrar a saída. Vê pessoas entrando no elevador e ele entra também. Percebe que não é a saída, um homem pisa no rabo dele e dá um salto e mia alto. Pessoal do elevador fica com medo de um gato no elevador, mandam parar, reclamam que tem alergia a pelos e que ele vai arranhar. 

O elevador para e todos fogem desesperados e Mingau fica todo amassado com o pisoteio. Funcionários do shopping tentam laçar o Mingau com cordas e redes, Mingau corre ligeiro, fazendo eles se atrapalharem e ficarem presos e Mingau consegue fugir. Depois, ele tenta encontrar a Magali, mas acha que seria mais difícil do encontrar agulha em um palheiro por conta de muita gente no shopping. 

Por acaso, vê Magali e a mãe voltando, Magali queria ficar mais um pouco e Dona Lili diz que não porque tem que preparar o jantar e fora que o shopping está maior rebuliço, parece que tem uma fera à solta lá. Mingau entra escondido em uma bolsa que estavam segurando e no carro diz que até nunca mais.

Quando chegam em casa, Magali procura pelo Mingau, depois vê que estava na cozinha e pergunta por que não veio quando chamou. Acha que está chateado por não ter ido ao shopping, mas da próxima vez ele vai nem que seja escondido e, com isso, Mingau corre do colo dela, se esconde na árvore e Magali fica procurando, perguntando o que deu nele.

História legal em que Mingau descobre que não pode levar gatos no shopping e quer saber por que não permitem. Só que não sabia o que era shopping e passa sufoco com elevador que funciona sozinho, girar em carrossel com movimento, postes que jogam água, rabo pisado no elevador e pisoteado na saída e luta pra não ser capturado com funcionários do shopping. Consegue encontrar Magali e Dona Lili e volta para casa como se nada tivesse acontecido só ficou trauma de shopping, de nem sequer ouvir o nome que já quer fugir de voltar para lá.

Onde Mingau foi se enfiar, caisou grande confusão, se não tivesse curiosidade de saber por que não permitiam gatos no shopping e ficasse em casa, não precisaria passar pelo sufoco que passou. Foi atrás de peixe e encontrou um lugar maluco que podia acontecer de tudo, na visão dele. Não sabia o que tinha no shopping, não tinha conhecimento o que era escada rolante, carrossel, chafariz, aí se deu mal e descobriu na marra, da pior maneira possível. 

Em certos momentos deu pena dele, principalmente no carrossel e sendo pisoteado e ao mesmo tempo divertido. Pelo menos foi ágil e teve jogo de cintura para se livrar das pessoas e dos funcionários que queriam pegá-lo, foram eles que ficaram presos, por sinal, e teve sorte de encontrar Magali e a mãe e voltar para casa como se nada acontecido, não viram que ele entrou na bolsa, só ficando o trauma para ele.

Todos no shopping custaram a descobrir que tinha gato lá, foi só depois que pulou do chafariz senão nem iam perceber tão cedo. Deveria ter seguranças na entrada do shopping e pelo menos um em cada andar, aí Mingau nem entraria e se conseguisse entrar, sairia logo, sem precisar passar por sufocos maiores. As pessoas que frequentavam o shopping também muito assustadas só com um gato, era como se tivessem visto uma onça, um leão, exageraram e ninguém deu um acolhimento. Mi.gau teve sorte que não foi capturado senão até descobrirem de quem era dono do gato, Magali ficaria sem o Mingau por um bom tempo.

Magali e Dona Lili nem para perguntarem para alguém por que o shopping estava com rebuliço, nem desconfiaram que o motivo do tumulto do shopping era por causa do Mingau e pensaram que ele estava em casa o tempo todo. Se soubessem o que o gatinho indefeso fez iam ficar de cabelo em pé. Até que hoje em dia permitem animais dentro de shoppings, Magali poderia levá-lo sem problema e não seria traumático pra ele.

Foi engraçado Mingau defender que animais estragam ambiente, mas não ele por ser um gato, diferenciando gato de animais, que são coisas diferentes e que gato é um ser vivo superior, pensar que shopping era um aquário gigante de peixes e depois ver que era aquário cheio de gente, o sufoco na escada rolante, conversar com o gato no carrossel pensando que era um de verdade, rodar no carrossel e  depois ficar tonto, se assustar no chafariz pulando na cabeça dos outros, rabo pisado no elevador, dizer "alguém anotou o número do sapato" ao ser pisoteado na saída do elevador, e as táticas para se desviar dos que estavam querendo capturar e se esconder na árvore no final para não voltar ao shopping.  As paródias de "Mc Donald's" e "Bobs" como "Mc Bobaldis" e "Bobis" , respectivamente, também muito criativas e divertidas.

Tinham muitas histórias de abertura com Mingau como protagonista e a Magali e os pais fazendo só participação, eram boas. Achava melhor Mingau sozinho ou na rua ou com turma de gatos vivendo suas próprias aventuras do que as com ele contracenando só com Magali dentro de casa como um gato doméstico e mostrando costumes de gatos, ficou muito repetitivo assim nos anos 2000.

Traços ficaram caprichados, muito bem desenhados. Incorreta atualmente por Mingau sofrer dentro do shopping, como sozinho na escada rolante, ficar no carrossel  em movimento, com criança montado nele e rodando, pular nas cabeças dos outros, rabo pisado no elevador e ser pisoteado após sair. Sociedade Protetora dos Animais nunca ia permitir. Além de Dona Lili sem cinto de segurança no carro.