sábado, 31 de outubro de 2026

Chico Bento: HQ "Fantasminhas"

Dia 31 de outubro é "Dia de Halloween" e, então, mostro uma história em que o Chico Bento pensa que tinha fantasmas na floresta enquanto estava voltando para casa altas horas da noite. Com 11 páginas, foi história de abertura publicada em 'Chico Bento Nº 73' (Ed. Globo, 1989).

Capa de 'Chico Bento Nº 73' (Ed. Globo, 1989)

Chico está voltando para casa altas horas da noite com o cavalo Azulão depois de ouvir histórias que a Vó Dita contou, comenta que as histórias dela são tudo falsas, não acredita em monstros e assombrações, tudo lorota. De repente, o Azulão se assusta, quer mudar de direção do caminho, Chico o obriga a mudar de lado, Azulão empaca, Chico diz que ele não é burro para empacar, tem nada de mais no caminho, só uma rede estendidas no meio da estrada e Azulão sai correndo de medo.

Chico reclama que vai ter que voltar para casa a pé, pergunta quem foi o boboca que armou uma rede ali, enquanto alguém o observa escondido. Ele comenta que o matão lhe dá arrepio, se não fosse menino esperto acharia que teria fantasma, quando ouve um barulho alto de fantasma, mas tenta se controlar, dizendo que pode ser uma coruja ou um viadinho, quando os bichos da floresta saem em disparada com medo e Chico lembra que a Vó Dita disse que bichos farejam as criaturas do além.

Chico olha para trás e avista uma assombração com corda no pescoço e fica desesperado de medo. Chico corre, chama por todos os santos e anjos para acudi-lo do fantasma de um enforcado e pede perdão à Vó Dita e ao cavalo Azulão por não ter acreditado neles. Chico corre em volta de cada árvore, para um pouco, lamentando que está perdido na floresta e aparece o fantasma de um enforcado.

Chico sobe na árvore, dizendo que esqueceu que fantasma voa. Sentado no galho, joga goiabas nele e consegue afastá-lo. Chico ri que acabou com a raça dele, o galho quebra e ele cai em uma areia movediça. Comenta que vai afundar, não tem como alcançar a margem, pede socorro, mas se toca que ninguém vai escutá-lo. 

Alguém segura um galho para puxar o Chico, que descobre que era o fantasma. Chico implora para ele não levá-lo para outro mundo e pergunta o que quer com ele. O fantasma diz que está perdido e pergunta como se sai daquela floresta. Chico responde que raio de fantasma ele é que se perde e ele diz que não é fantasma. 

Chico pergunta como não, se está branco, esfarrapado, com corda no pescoço. Ele conta o sufoco que passou, o cavalo dele avistou algo, não quis seguir adiante, depois andou e se rasgou todo nos galhos e espinhos, caiu em armadilha, conseguiu se soltar e em seguida caiu em outra e com o susto ficou branco e quando viu o Chico ficou tão emocionado que a voz dele mal saiu, mas fugia dele.

Chico diz que o confundiu com fantasma e que também está perdido. O homem pergunta se vão passar a noite toda lá, Chico diz que se não tiver assombração, tudo bem, pergunta de quem será a rede que está na estrada, quando aparece uma velhinha dizendo que a rede é dela, arma ali porque gosta de dormir ao ar livre, não tem medo de fantasmas, não existe isso lá e indica o caminho da saída da floresta.

Chico acha graça que eles ficaram apavorado à toa, fantasma não existe, até a velhinha sabe e dão conta que ela sumiu do nada. Eles deixam para lá, vão embora, com Chico prometendo que amanhã é ele que vai contar história para Vó Dita. No final, descobrimos que a velhinha era uma fantasma rodeada de outros fantasminhas na floresta, ela ajudou a saírem da floresta porque eram escandalosos e ela não conseguia dormir com o barulho que eles faziam e com tudo em paz os fantasminhas dão boa noite a ela.

História de terror legal em que Chico Bento volta da casa da Vó Dita de noite pela floresta e teve que lidar com um suposto fantasma. O que seria uma volta tranquila para casa, virou terror e pesadelo para o Chico, viveu ao vivo histórias de assombrações da Vó Dita. Não acreditava em monstros e assombrações, mas com as circunstâncias acreditou que o homem era um fantasma. 

O cavalo ao ver a rede, estava enxergando as assombrações que o Chico não via, por isso ficou assustado e fugiu, fazendo jus à crença que bichos farejam e enxergam criaturas do além. O mesmo com corujas, veado e sapos que também correram, não por causa do homem, mas por conta dos fantasmas que viram.

Ficou mistério se a floresta era mal-assombrada ou não. Apenas os leitores descobriram que floresta realmente tinha fantasmas, mas Chico e o homem não. Davam para desconfiar de uma rede no meio da estrada e velhinha sozinha na floresta que surgiu e depois sumir do nada. Como estavam com medo e queriam sair logo de lá, nem raciocinaram e ajudou o Chico voltar a não acreditar em fantasmas. Velhinha queria sossego e dormir em paz e o barulho na deixavam dormir, sorte deles que conseguiram sair de lá. 

O homem deu altos sustos no Chico sem querer, dava mesmo para imaginar que era um fantasma ou um zumbi, só ficou assim por ter também sido abandonado pelo cavalo e ao escapar das armadilhas da floresta, susto tão grande que ficou branco de medo, voltando a pele normal só depois de ter contado o que ele passou com o Chico. O homem foi bonzinho em ajudar o Chico na areia movediça mesmo após tocando goiaba nele, mas também estava perdido e o Chico era a esperança de ele sair da floresta. 

Engraçado citação do narrador no primeiro quadro da história sobre sábio chinês que dizia que não acredita em fantasmas  porque são muito mentirosos, Chico achar que histórias da Vó Dita eram lorotas não acredita em assombração, e depois fica com medo, o cavalo Azulão e depois outros bichos fugirem com medo dos fantasmas, as caras do Chico assustado cada vez que via o tal fantasma de um homem enforcado e ouvinndo os uivos dos fantasnas, pedir perdão a Vó Dita e ao Azulão por não ter acreditado neles, tacar goiabas no fantasma e depois dizer que acabou com raça dele, a sequência de apuros do homem para ele ter ficado naquele estado, a velhinha surgir mostrando saída para eles e depois sumir só porque não conseguia dormir com barulho e revelação que ela era fantasma e a floresta mal-assombrada de fato.

Um monólogo do Chico, falando sozinho quase a história toda, era muito bom isso, grandes personagens conseguem fazer graça sozinho. Foi escrita por Rosana Munhoz. Vó Dita costumava contar histórias que realmente aconteceram e ela presenciou, então era tudo verdade, mas Chico não acreditava principalmente as envolvendo assombrações. Vó Dita não apareceu para trama ficar mais resumida, senão podia ter uma a duas páginas no início com ela terminando de contar a história e Chico saindo da casa dela. 

Normalmente o Chico nao aparecia com cavalo, era bem raro, ele tem o burro Teobaldo para esses fins. Pena não revelar o nome do homem e apareceu só nessa história como de costume de personagens secundários criados para aparições únicas.

Incorreta atualmente por uma criança como o Chico na mata sozinho com cavalo altas horas da noite passando sufoco com assombrações, entrar em areia movediça, os perigos que o homem sofreu na floresta,  principalmente quase ser enforcado com a armadilha, Chico desenhado com nariz grande, além de palavras proibidas "Virgem Maria", "São Crispim", "viadinho" no caipirês dar duplo sentido, "obséquio", "azar".

Traços muito bonitos e caprichados com personagens fofinhos e direito a Chico Bento com narigão, ficava bem melhor assim. Era bom balões de pensamento em tons azulados diferenciando do resto da história e orecurso dos pésde personagensformando elipse quando corriam muito ligeiros. Teve um erro da velhinha fantasma falar de boca fechada no quadro final da história.

terça-feira, 27 de outubro de 2026

Mônica e Magali: HQ "Saudade"

Em outubro de 1996, há exatos 30 anos, era lançada a história "Saudades" em que a Magali explica sua ideia de transmitir sentimento de saudade para o mundo todo. Com 11 páginas, foi publicada em 'Magali Nº 292' (Ed. Globo, 1996).

Capa de 'Magali Nº 292' (Ed. Globo, 1996)

Escrita por Mauricio de Sousa, começa com Mônica comentando com Magali que o pai dela disse que a palavra "saudade" só existe na Língua Portuguesa. Magali pergunta se nos outros lugares ninguém sente saudade e Mônica responde que até pode ter, mas não sabem falar o nome e não sabe dizer o que fazem para dizer que têm saudade. Magali tem ideia de exportar saudade, ensinar a todo mundo conhecer e sentir como elas a saudade brasileira e frisa a falta que ela faz no mundo. 

Mônica pergunta como pode fazer falta uma coisa que dói. Magali pergunta para Mônica definir saudade e ela responde que é uma tristezinha chata que dá no coração quando a gente não tem mais o que tinha. Magali explica que só tem saudade quem já teve alguma coisa que gostou muito, quanto mais saudade tem, mais coisas você teve, para ter saudade, a gente tem que ser muito rico, não de dinheiro e de joias, mas de coisas que sentiu: emoções. 

Magali pergunta para Mônica qual  a primeira saudade que sentiu e ela diz que foi da chupeta, mesmo que trocou por um coelho azul, tinha noite que choramingava escondida com saudade do "bico" dela. Mônica lembra das saudades também da casa velha meio caindo onde moravam, da vez que o pai viajou ficava vendo foto dele para matar a saudade, depois uma saudade maluca do Cebolinha da vez que ele passou uma temporada na casa da avó dele, ficando envergonhada de contar e manda Magali não contar para ele. 

Conta da saudade da bisavó, vó da mãe dela, que morreu em uma cidadezinha da Itália, que nem a conheceu e não entende como pode ter saudade de quem nunca viu em vida e espia foto dela na parede da sala para matar saudade do amor que teria dela. Já das coisinhas novas que ainda não perdeu faz tanto tempo ainda não deu saudade. Magali acha que Mônica é rica em saudade, já teve tanta coisa para gostar e acha pior a saudade ao contrário, das coisas que ainda vai gostar enquanto olha a Dona Luísa colocando um bolo para assar no forno.

Mônica quer saber mais da ideia da Magali de ensinar saudade para os outros. Magali pergunta se Mônica gosta de sentir saudade, ela responde que não muito. Magali diz que como ela gostou das coisas de que tem saudade, é só elas espalharem para os amigos que temos ter amor por tudo, pelas pessoas, coisas queridas que ganhamos com carinho, pelos animais, pela natureza e pelo Criador de todas as coisas.

Mônica acha que Magali forçou, tudo isso aí para ser curtido, não precisa de saudade. Magali explica que não precisa hoje, pode ter tudo isso que ela falou, mas é sobre no dia que não tiver mais, faltar alguma coisa dessa ou tudo isso. Mônica diz que vai ter uma bruta saudade disso tudo e mesmo que é rica em coisas para ter saudade , resolveu não ter mais, vai ficar só curtindo o que tem e sai de casa.

Na rua, Mônica comenta com si que é papo besta da Magali, assim não vai ensinar ninguém a ficar com saudade, nem saber o que é e nem exportar. Para que ter saudade do que já tem, é só estender a mão. Essa Magali está virando mocinha metida, quer confundi-la com essa conversa boba, nem parece aquela menina bobinha que conheceu, aí dá um estalo na cabeça da Mônica, fica pensativa e cai em si que a Magali tem razão, ela é rica em uma coisa que vai ser a próxima saudade dela e da Magali: a infância delas.

História bonita, bem profunda e filosófica, em que a Magali conversa com a Mônica que quer exportar saudades para o mundo todo, visto que só no Brasil tem a palavra "saudade". Magali tenta Mônica entender o conceito de saudade, relembrar de coisas que ela tem saudade e que podem espalhar saudade para todo mundo mostrando que se deve amar tudo que tem à sua volta, pois o que tem hoje e depois pode não ter mais. Mônica acha bobagem, não tem como sentir saudade do que já tem, depois percebe que a Magali está amadurecendo e virando uma mocinha e passa a entender o que falou e que vai ter saudade da infância quando acabar.

Magali como nunca se viu, muita sábia e sendo uma grande psicóloga. Com muita sabedoria e na base que outros países não sabem o que é saudade, mostrou o conceito de saudade, instigou Mônica  leitor lembrar da primeira memória que teve na vida e que tudo é passageiro e aproveitar o que tem hoje. Ao invés de expor logo como era a ideia de espalhar saudade pelo mundo, Magali preferiu perguntar, estingar, estimular raciocínio da Mônica até chegar ao ponto que queria chegar.  Mônica, a principio não entendeu a mensagem da Magali, mas depois que caiu em si é conseguiu interpretar o que a amiga disse passou a dar razão a ela. 

História transmitiu mensagem de curtir o hoje, aproveitar o máximo que tem, dar valor às coisas boas que você tem hoje porque um dia vai faltar e vai restar só saudade do que teve, inclusive coisas materiais são passageiras. Nada é eterno, enquanto você tem, aproveite bastante, seja alguém da família, amigos, objetos e até a natureza como se vê hoje não pode mais ver algum dia. E como os leitores alvos eram as crianças, ajudou a mostrar também que elas devem aproveitar bastante a infância, pois depois que não for mais criança, vai sentir falta do tempo da infância e restar só saudade boa do que curtiu.

Curioso vendo as lembranças da Mônica que tem coisas que não foram abordadas depois, foi só nessa história. Mostrou que Mônica morou em outra casa em outro lugar antes do bairro do Limoeiro, porém sem cronologia porque tem histórias com ela como bebê morando no bairro do Limoeiro. Saudade do Cebolinha no sentido que é apaixonada por ele, mas não confessa diretamente para ele. Mônica com descendência italiana de sua bisavó falecida, outra coisa jamais contada em outra história. Na MSP nunca teve cronologia, aí coisas mostradas em uma histórias ficam só nela.

Teve erro da Dona Luísa preparando bolo onde deveria ser a Dona Lili O certo é que no início da história as meninas estavam na casa da Mônica, depois foram para a da Magali e Mônica saiu da casa da Magali no final. Com a Dona Luísa no lugar da Dona Lili, deu impressão que no início as duas estavam na casa da Magali, foram para casa da Mônica, que no final Mônica saiu da própria casa e Magali ficando lá. Pode ser que a mãe no rascunho da história estava parecendo a Dona Luísa, o desenhista desenhou assim e não revisaram depois. Ou então, se for para passar pano, Magali agiu como filosófica como parte de um plano para ela comer o bolo da Dona Luísa sozinha.

Sobre não ter palavras saudade em outros países, eles têm o sentimento, só não é uma palavra individual, um substantivo, como no Brasil, eles precisam de mais palavras para traduzir ou então um sinônimo de nostalgia. A única parte engraçada da história foi a Magali dizer que vai ter saudade do bolo que ainda vai gostar, única cena que fez lembrar da característica principal dela. Como teve crédito "Mônica e Magali" no título, poderia sair em algum da Mônica tranquilamente, mas preferiram da Magali por ela ser a psicóloga que ensina a ter saudade. Incorreta atualmente por mensagem filosófica assim, acham que não é assunto apropriado para criança, ter final triste, Mônica demonstrar que é apaixonada pelo Cebolinha, Dona Luísa retratada só como dona-de-casa fazendo bolo e as meninas falarem de Deus por envolver assunto de religião.

Foi a primeira e única vez que teve história escrita pelo o Mauricio de Sousa em gibi da Magali, antes ele havia feito história para Magali em gibis só em 1970 e 1971, além de tiras de jornais dos anos 1960 e 1970, depois foram outros roteiristas que fizeram. Desde 1985 não tinha história escrita por ele nos gibis e essa da Magali foi só depois de 11 anos e a última do Mauricio que saiu em gibis, sem contar os tabloides do Horácio republicados. Pode ser que por causa da falta de história para fechar o gibi com o falecimento da roteirista Rosana, precisaram colocar uma arquivada do Mauricio. Pelo modelo da televisão colocada, acredito que foi história arquivada. Nos almanaques da Globo de 1995 e 1996 estavam republicando histórias de 1985 nesse estilo como "Parece Outro", do 'Chico Bento Nº 65', aí essa pareceu história da fase da Editora Abril só que inédita.

Características de história do Mauricio por conta de tema filosófico, personagens com grande sabedoria como o Horácio, enquadramento ocupando toda a largura da página, personagens conversando na janela, caminhando pelo bairro e mostrando cenários do bairro enquanto conversavam, ângulos diferentes, personagens com cabeça virada para o lado, muitas vezes com situações de alto-ego do Mauricio passou na vida real. Com Mauricio qualquer personagem poderia ser filosófico. Achava estranho personagens crianças com 6 para 7 anos essa sabedoria e consciência toda, histórias desse estilo acho mais coerente com o Horácio ou a Turma da Tina ou Astronauta e combinaria também com a Turma da Mata. 

Traços muito bonitos da fase consagrada das personagens. Teve propagandas inseridas na lateral direita da página do chiclete "Ping Pong", informando que juntando embalagens ganha o álbum de figurinhas do filme do Corcunda de Notre Dame. Esse gibi da Magali marcou a estreia dos códigos de barras coloridos nas capas, com cores com mais harmonia em relação à ilustração, o que ajudou os códigos a não ficarem tão chamativos e poluírem tanto as capas, bem melhor assim. A postagem serviu como homenagem ao aniversário do Mauricio de Sousa que completa 91 anos hoje, dia 27 de outubro, e também ao Dia das Crianças do último dia 12 de outubro, por conta da mensagem final. Muito bom relembrar essa história há exatos 30 anos.

FELIZ ANIVERSÁRIO, MAURICIO DE SOUSA!!!

sábado, 24 de outubro de 2026

Cascão: HQ "A Bateria"

Dia 24 de outubro é aniversário do Cebolinha e então mostro uma história em que o Cebolinha ganha uma bateria dos pais de presente de aniversário e Cascão consegue estragá-la. Com 11 páginas, foi história de abertura publicada em 'Cascão Nº 96' (Ed. Abril, 1986).

Capa de 'Cascão Nº 96' (Ed. Abril, 1986)

Os pais do Cebolinha distribuem fones de ouvido antes do filho acordar. Depois de distribuir, acordam o Cebolinha desejando feliz aniversário e mostram o presente, que era uma bateria que sempre desejou ter e ele diz que pensava que não iam dar por causa do barulho que ela faz. Os pais falam que não ligam para barulho, o que importa é felicidade dele, colocam fones de ouvido e vão para a sala.

Cebolinha toca a bateria bem alto, Cascão, brincando em frente a casa dele, ouve se assusta, aciona guarda-chuva pensando que era trovão. Percebe que não estava chovendo e o barulho continuava, descobre que vinha da casa do Cebolinha e vai lá. Cebolinha toca rápido empolgado e deixa as baquetas serem arremessadas em direção à janela. Cascão pesca e pergunta se se ele pode tocar. 

Cebolinha dá risada, os dois riem juntos e depois Cebolinha grita que nem morto e fecha a janela na cara do Cascão, dizendo que foi muita audácia dele, nada neste mundo vai deixar o Cascão tocar na bateria. Cascão bate na janela, mostra as revistas da coleção do Cebolinha que havia lhe emprestado, pega um isqueiro e ameaça queimar as revistas e, assim, Cebolinha é obrigado a deixar Cascão tocar na bateria.

Cascão agradece Cebolinha em deixar tocar e que ele é um grande coração e que agora ele vai mostrar o que é um baterista de verdade e Cebolinha manda parar com embromação e tocar logo e com cuidado para não quebrar a bateria nova. Cascão comenta que Cebolinha fala como se ele fosse o mais desastrado do mundo e Cebolinha afirma que ele é e manda ter cuidado porque ele vai ao banheiro e já volta.

Cascão acha Cebolinha bobo, se pergunta o que pode acontecer de mau tocando uma bateria. Quando se prepara para tocar, ouve um grito da Mônica o chamando no lado de fora procurando o Cascão para bater por ter roubado o Sansão e falta procurá-lo na casa do Cebolinha. Cascão se assusta e atravessa o pé no bumbo da bateria. Ele imagina Cebolinha e Mônica brabos com a bateria quebrada e com Sansão roubado e se esconde.

Cebolinha volta para o quarto e não encontra o Cascão. Mônica ouve e diz que está procurando por ele. Cebolinha diz que Cascão foi embora, Mônica lhe deseja parabéns pelo aniversário, Cebolinha pede para ela ficar e mostrar a bateria que ele ganhou. Mônica acha bonita e foi por isso que viu um monte de gente com tampa-orelha.

Cebolinha toca na bateria, deixa Mônica tocar também, Cascão sai de dentro da bateria, não aguentando o barulho, reclamando que vão tocar mal assim no inferno. Cebolinha se espanta com a bateria quebrada e Mônica olha o Sansão na mão do Cascão. Depois, na sala, Seu Cebola comenta com a Dona Cebola que o filho está tocando bem, o ritmo de som está gostoso. Dona Cebola diz que não sabia que o Cebolinha tocava bateria bem e no final veem Mônica e Cebolinha atrás do Cascão batendo nele.

História engraçada em que Cebolinha ganha uma bateria de presente de aniversário e o Cascão quer tocar nela e como Cebolinha não deixa, Cascão faz chantagem de queimar coleção de revistas do amigo e Cebolinha teve que aceitar. Aí, deixa Cascão sozinho para ir ao banheiro, Cascão quebra bateria com susto da Mônica, se esconde dentro do bumbo, mas sai não aguentando o barulho e Mônica e Cebolinha batem nele.

Cascão conseguiu aprontar com Cebolinha e Mônica ao mesmo tempo, não agiu bem fazer chantagem, ameaçar queimar coleção revistas do Cebolinha para poder tocar a bateria, teve merecido castigo de apanhar dos dois. Estragou aniversário do Cebolinha e ainda deu prejuízo para os pais dele. Cebolinha já sabia que Cascão era desastrado e não confiável, errou em deixá-lo sozinho com a bateria, poderia ter evitado, tipo falando para o Cascão esperar na sala enquanto ia ao banheiro e depois retornavam ao quarto juntos. O ritmo da batida de apanhar foi perfeito e melhor que o som que o Cebolinha tocava na bateria, fazendo os pais dele pensar que o filho era um gênio da música.

Pais do Cebolinha com coragem de dar  bateria para o filho criança e gastaram bastante dinheiro, não só com a bateria quanto para dar fones de ouvidos para cada vizinho. Bem solidários para não perturbarem vizinhança com o barulho que o Cebolinha ia fazer. Falam que não ligam para barulho, mas providenciaram fones de ouvidos para eles também e Cebolinha nem se tocou que era porque ele ia tocar mal e com muito barulho perturbante.

Não teve foco com história envolvendo medo de água, banho, sujeira, mas foi lembrada a característica dele quando acionou guarda-chuva e esconder dentro com medo de trovão e pensando que ia chover. Cascão sempre anda com guarda-chuva a tiracolo para emergências como essa. Foi bom também o absurdo de Cascão conseguir uma vara de pescar em questão de segundos para pescar a baqueta, pelo visto também anda com vara de pescar a tiracolo junto com guarda-chuva.

Engraçado pais do Cebolinha distribuindo fones de ouvidos para os vizinhos, a cara do Cascão assustado com o barulho da bateria, Cascão acionando o guarda-chuva imediatamente assim que ouviu o suposto trovão, pôr mão para fora pra confirmar que não está chovendo, pescar baquetas com vara de pescar, ameaçar queimar coleção de revistas do Cebolinha com isqueiro se não deixasse tocar na bateria e depois dizer que Cebolinha tem "grande coração" por deixar tocar bateria à base de chantagem, Cascão quebrando o bumbo com o pé após susto da Mônica e imaginar os amigos brabos com o que ele fez, e pais do Cebolinha confundirem om da bateria com som das pancadas que o Cascão recebia.

Na época os aniversários de personagens não tinham datas fixas, aí nessa de 1986 Cebolinha fez aniversário em maio, só passaram a ter datas fixas a partir de 1994. Aniversário do Cebolinha ficou só o ponto de justificativa para Cebolinha ganhar uma bateria, depois o tema ficou de segundo plano. Saiu em gibi do cascão por ele ser o causador da quebra da bateria, mas dava para ter sido publicada em gibi do Cebolinha tranquilamente se quisessem.

Incorreta atualmente por pais darem bateria para uma criança, Cascão com isqueiro na mão e ameaçar queimar coleção de revistas do Cebolinha se não deixasse tocar na bateria, quebrar bateria dando prejuízo e ainda se esconder dentro do bumbo prejudicando audição dele, ideia de Seu Cebola lendo jornal e Dona Cebola fazendo tricô, como coisas datadas em uma família da atualidade, além de palavras e expressões populares incorretas como "Nem morto!", "roubar", "peste", "Graças a Deus!", "azar", "vão tocar mal assim no inferno!".

Traços muito bonitos da fase consagrada dos personagens dos anos 1980 e contornos bem grossos. Teve propagandas inseridas no rodapés das páginas, o que era muito comum na época, dessa vez com propagandas do bombom "Chokito" e dos gibis do Manda-Chuva, Zé Colmeia, Luluzinha e Bolinha, todos da Editora Abril Foi republicada depois em 'Coleção Um tema Só Nº 21 - Mônica Aniversários' (Ed. Globo, 1998).

FELIZ ANIVERSÁRIO, CEBOLINHA!!!

Capa de 'Coleção Um Tema Só Nº 21' - Mônica Aniversários' (Ed. Globo, 1998)

quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Cebolinha e a turma: HQ "Tempo de eleição"

Eleições no Brasil do segundo turno chegando no próximo dia 25 de outubro e então mostro uma história em que Cebolinha e Mônica disputam eleição para quem vai ser presidente do clubinho dos meninos. Com 16 páginas, foi publicada em 'Cebolinha Nº 193' (Ed. Globo, 2002).

Capa de 'Cebolinha Nº 193' (Ed. Globo, 2002)

Escrita por Emerson Abreu, Cebolinha decreta aberta a eleição para presidente do clubinho dos meninos, distribui as cédulas para Titi, Jeremias, Cascão e Xaveco marcarem os votos deles e avisa que depois é para depositarem o papelzinho na urna. Xaveco pergunta por que só tem o nome do Cebolinha na cédula e ele responde porque ele é o único candidato.

Os meninos se revoltam, acham absurdo o Cebolinha ser sempre o presidente, se recusam a participar dessa marmelada, falam que o povo não vai permitir isso, chega de Ditadura. Cebolinha resolve arrumar mais um candidato e pergunta qual deles quer ser presidente do clubinho. Titi responde que está ocupado, Jeremias, tem que estudar para prova, Cascão, tem campeonato de bolinhas na semana e Xaveco, não se mete em política.

Cebolinha reclama que toda eleição é a mesma coisa, ninguém quer ser presidente, parece que ele é o único preocupado com o clubinho, todos estão sempre preocupados demais com suas próprias coisas, gostem ou não ele vai ser o presidente e ordena que todos votem de uma vez. 

Em seguida, chega a Mônica, eles tentam se esconder pensando que ia bater neles e Mônica avisa que quer se candidatar ao cargo de presidente do clubinho e colocar ordem no barraco. Cebolinha fala que  não precisam de outro presidente, ele pode muito bem tocar o clubinho sozinho e Mônica responde que se ele faz um trabalho tão bom assim, não precisa ter medo. 

Cebolinha pergunta quem está com medo e diz que ninguém iria votar em uma menina para presidente. Mônica diz que em hoje e dia, as mulheres estão atuando em todos os campos de trabalho, principalmente na política, elas são mais maduras, organizadas, inteligentes, e, principalmente, sabem fazer biscoitos de polvilho deliciosos.

Os meninos avançam para comer os biscoitos. Cebolinha acha que foi traição, Mônica pergunta se ele está ficando com medo e Cebolinha responde que eles só estão se aproveitando dela e ninguém a elegeria para presidente. Os meninos gritam "Mônica para presidente! Já ganhou! Já ganhou!" e Cebolinha chama os amigos de bando de traíras. 

Mônica avisa que se Cebolinha quiser, pode ser o vice e ele a chama de maluca, dizendo que ela não pode ser presidente do clube dos meninos porque se chama "clube dos meninos" e ela não é menino. Eles concordam e querem mudar o nome do clubinho, Titi dá sugestão para "Clube dos meninos e dos biscoitos de polvilho", Cascão, "Clube da natureza e dos poemas mágicos" e Titi diz que poderiam colher margaridas por todo o campinho.

Cebolinha fica com raiva, diz que o negócio está ficando fora de controle e busca o livro de constituição do clubinho que informa que meninas não podem ser presidente de lá. Cascão fala que não sabia que tinham aquele troço, Mônica toma o livro da mão do Cebolinha e descobre que era só um livro de receitas. Cebolinha acha que isso tudo é para desmoralizar o clubinho dos meninos, Mônica não quer saber e resolve fazer a votação.

Após contagem de votos, Mônica é eleita a nova presidente, Cebolinha exige recontagem e Mônica manda desencanar, Cebolinha só teve um voto, o dele mesmo. Cebolinha diz que ela sabe que os amigos votaram nela por causa dos biscoitos e Mônica diz que foi porque ela é mais madura, organizada e mais inteligente que ele. Cebolinha deseja boa sorte, avisando que eles vão se arrepender disso.

Após posse da Mônica, Cascão avisa que o biscoito de polvilho acabou e pergunta se Mônica pode fazer mais, ela responde que agora não, tem coisas mais importantes para fazer primeiro. Os meninos se olham entre si sobre a fala dela e Jeremias diz que sabia que ela era uma farsa.

Mônica começa uma reunião e mostra lista com a programação do clubinho daqui em diante. Segunda-feira irão brincar de casinha, 3ª, regar os lírios do campo,  4ª, ler poemas e jogar amarelinha, 5ª, ajudar as velhinhas atravessar a rua, 6ª, vão dar as mãos fazendo grande energia positiva cantando "lira, lira alegria".

Cascão interrompe dizendo que já tinham agenda lotada pelo resto do mês, Mônica quer saber o que era e eles dizem que 2ª feira é dia de xingar a Mônica, 3ª, colar desenhos da dentuça nos muros, 4ª, dar nós nas orelhas do Sansão, 5ª, colocar em prática o plano das lagartixas alienígenas e Xaveco acha que isso é na 6ª feira porque na 5ª é jogar ovo e farinha na gorducha. Mônica fica braba, bate em todo mundo.

Depois, Cebolinha volta para o clubinho, feliz que os amigos expulsaram a Mônica e terem o chamado de volta, espera que finalmente tenham percebido o perigo que aquela dentuça representa para o clubinho e a partir de hoje a guerra está declarada e vão dedicar todos os dias da semana a fazer planos para derrotá-la. Cascão interrompe, falando que bolaram uma agenda para a semana enquanto ele esteve fora e os meninos dizem que é 2ª feira brincar de casinha, 3ª, regar os lírios do campo,  4ª, ler poemas, 5ª, definitivamente construir uma saída de emergência. 

Uma boa história em que os meninos fazem eleição de novo presidente do clubinho, a principio seria só o Cebolinha como candidato já que os outros meninos não queriam se candidatar até que aparece a Mônica pra se candidatar e consegue ser eleita por meninos se sentirem atraidos pelos biscoitos de polvilho que ela tinha feito. No governo, Mônica age como tirana, os meninos falam o que faziam antes dela ser presidente, que era só aprontarem com ela e aí Mônica bate em todo mundo e cebolinha volta a ser o presidente, só que como voltariam a aprontar com a Mônica e apanharem de novo, preferem fazer a agenda que a Mônica tinha feito antes. 

Uma eleição só com um candidato não é certo, mas também ninguém queria ser candidato, pareceu eleição para síndico de condomínio, reclamam do síndico, mas ninguém quer ser um, aí não podem reclamar de como Cebolinha agiu, tem que aturá-lo como presidente.

Só que teve o azar da Mônica querer ser presidente do clubinho, achava que uma menina podia comandar melhor. Realmente Cebolinha estava certo, se era clubinho dos meninos, meninas não entram e muito menos menina ser presidente. A Mônica já é dona da rua, ainda querer mandar no único lugar onde o Cebolinha manda, foi muito ruim para ele. Uma vantagem do Cebolinha é que não apanhou, só os seus amigos, isso foi bom pra ele. 

Mônica comprou os eleitores com biscoito de polvilho, eles se venderem por tão pouco e essa compra de voto rendeu arrependimento depois, já que a Mônica foi tirana, sem cumprir promessa de fazer mais biscoitos de polvilhos para eles, e sugerindo agenda de coisas que meninas faziam e não meninos, coisas poéticas como ler poema e cantar "lira, lira alegria", pior foi para o Cascão precisar regar lírios do campo, ele não ia gostar e não poderia fazer por mexer com água. Cebolinha volta depois, mas fica uma coisa pela outra já que com Mônica como presidente ou Cebolinha, eles apanham de qualquer jeito porque as atividades do clubinho sempre eram de aprontar e provocar com ela.

Foram engraçadas as tiradas do Xaveco dizer que chega de "dentadura" já que não sabe o que é Ditadura, as desculpas dos meninos para não se candidatarem, Mônica dizer que é mais inteligente que o Cebolinha e ele dizer que se Mônica ler o livro, vai ficar mais tonta que já é, meninos procurando se o livro ensina receita de bolo de polvilho, meninos dizer que a Mônica é uma farsa quando não fez biscoito de polvilho, Mônica dizer pequena lista da agenda e solta um papel gigantesco, apanharem surra violenta quando soube o que faziam no clubinho com Cebolinha como presidente.

Eram muito exploradas histórias de eleição de presidente do clubinho, cada uma com estilo de cada roteirista. Incorreta atualmente por tema de eleições e críticas sociais políticas, separar cousas de meninos e coisas de meninas, meninos aparecerem extremamente surrados no final, além de palavras e expressões populares de duplo sentido proibidas como "colocar ordem no barraco", "disparate", "gorducha".

Seguiu o estilo de roteiros do Emerson com personagens eufóricos, saltitantes, até dando mão um para o outro, fazendo caretas, línguas assanhadinhas de fora toda vez que se espantavam ou alguém contava piada infame, cabelo do Cebolinha saindo da cabeça quando se espanta. Deu para notar que m 2002 línguas de fora bem mais frequente do que em 1997 e quanto caretas iam ser mais exageradas nos anos seguintes. E ainda teve o famoso bordão "Fujam para as montanhas", bem presentes nas histórias dele a partir dos anos 2000, às vezes variavam para "Fujam para as colinas".

Traços medianos do estilo dos anos 2000. Jeremias com camisa branca sem o efeito de vários pontos pretos em um fundo branco formando o cinza como era nas camisas dele, aí sem os pontos pretos ficava branca. A solução seria simplesmente pintar de cinza, mesmo não ficando na mesma tonalidade do recurso que usavam.