terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Magali: HQ "O anel de Cleópatra"

Em fevereiro de 1996, há exatos 30 anos, era publicada a história "O anel de Cleópatra" em que a Magali pensa que é a Rainha do Egito depois de usar um anel mágico roubado do Museu Egípcio. Com 14 páginas, foi publicada em 'Magali Nº 175' (Ed. Globo, 1996).

Capa de 'Magali Nº 175' (Ed. Globo, 1996)

O bandido Picaretes vem para ficar no Brasil até que se esqueçam do roubo que cometeu do anel de Cleópatra no Museu Egípcio e passado o escândalo, pretende voltar ao Egito para ter todos os tesouros a que o anel pode levá-lo. Na esquina, ele é assaltado por um outro ladrão que rouba a mala onde estava o anel. Picaretes tenta chamar a polícia, mas desiste porque vão saber do anel e pretende esperar, logo saberá onde está o anel porque conhece os poderes que tem.

No dia seguinte, o ladrão que roubou o anel de Cleópatra está vendendo coisas como camelô dizendo que são artigos importados. Magali aparece e diz que se interessa só se for coisa de comer. O ladrão diz que não tem de comer, mas tem coisas úteis. Magali se interessa pelo anel, ele diz que é cinco reais porque é artigo importado. Magali quer saber como vai saber que é importado, o ladrão responde que só assalta turistas que desembarcam no aeroporto internacional, mas logo corrige que é piadinha e que para ela o anel fica por 3 reais.

Magali fica com o anel, esperando não se arrepender porque com aquele dinheiro podia comprar 5 sorvetes. Ela coloca o anel no dedo, sente uma coisa estranha e, ao se ver no espelho, pensa que é a Cleópatra, perguntando onde estão as areias do deserto e todos seus servos.

Com o jeito de andar da Magali, Cebolinha pergunta para ela se deu mau jeito nas costas. Magali como Cleópatra, pergunta como um servo dela se atreve a se dirigir a ela daquele jeito e que é a grande rainha. Cebolinha diz que é outra querendo mandar neles. Cascão aparece perguntando se Magali deu mau jeito nas costas e Cebolinha diz que deu mau jeito no cérebro, acha que é a rainha do pedaço e Cascão fala que a Mônica não vai gostar.

Magali pergunta quem é Mônica, meninos falam que é a melhor amiga dela e a dona da rua. Magali diz que não tem amigas, só escravos, e ninguém pode ser dona de nada, estes são domínios dela. Mônica aparece perguntando se Magali deu mau jeito nas costas, meninos respondem que ela pensa que é dona da rua e outras coisinhas mais. Magali diz que é a Cleópatra, Rainha do Egito, e eles acham que Magali pirou.

Magali vê o Quinzinho e o enxerga como Marco Antônio, o seu amor, e diz que está tendo problema com os escravos. Quinzinho entende nada e nem a turma, então Magali pede para trazer uma jarra d'água e quatro copos. A turma traz, Magali coloca escondido pozinhos mágicos em cada copo com água para eles se lembrarem quem são. Quando tomam a água, primeiro não se lembram quem eles são e logo depois, Quinzinho lembra que é o Marco Antônio e a turma, escravos.

Magali quer que os escravos construam pirâmide porque ela e Marco Antônio estão desambientados e Quinzinho queria que fosse um circo romano. Enquanto constroem, Magali come pãozinho dado pelo Quinzinho e diz que o trabalho progride rapidamente. Cebolinha diz que graças à escrava dentuça e Mônica bate nele. A pirâmide fica pronta, Magali diz que não gostou e terão que fazer outra, um projeto mais agradável unindo o útil ao agradável.

No hotel não muito longe dali, o bandido Picaretes assiste pela televisão que surgiu da noite para o dia uma pirâmide no Bairro do Limoeiro. Picaretes diz que é a pista que queria e vai lá de táxi, dizendo que quem usa o anel dá o poder da memória de Cleópatra, revelando todos os segredos da rainha, inclusive onde ela escondeu todos os tesouros.

Enquanto isso, Magali está feliz com a construção da pirâmide de comida, Cascão lamenta que essa vai durar nadinha. Picaretes chega depois da Magali comer a pirâmide e manda Magali lhe entregar o anel. Ela não entrega, falando que é herança de família e mágico. Então, o Picaretes resolve sequestrá-la já que como pensa que é Cleópatra, a memória vai ajudá-lo a ficar rico no Egito. Quinzinho manda os escravos impedirem e falam que estão muito cansados para isso e pedem demissão.

No caminho, Picaretes encontra com a descendente de Cleóprata, que estava junto com agentes internacionais para prendê-lo e ela fala que descobriu porque ele deixou cair panfleto no museu e ao chegarem ao Brasil souberam da construção da pirâmide e ligaram uma coisa a outra. A descendente fica aliviada que os tesouros de seus antepassados estão preservados e tira o anel da Magali, que passa a deixar de pensar que é Cleópatra e a descendente dá dinheiro para ela para comprar sorvetes.

Magali vai falar com a turma que uma moça bonita lhe deu dinheiro e a turma volta ao normal, sonolentos, achando que acordaram de um sonho e cheios de dores com o trabalho que tiveram no sonho. Magali acha bom que o dinheiro que ela tinha, gastou com o anel, nota que não estava mais com ele e a turma acha que ela sonhou também. No final, vão todos à sorveteria, Magali pede sorvete caprichado, a turma acha exagero e parece Rainha do Egito e Magali forma uma pirâmide de sorvete antes de tomar, achando que agora está mais bonito.

História legal em que um bandido egípcio rouba o legítimo anel de Cleópatra de um museu do Egito, vem par ao Brasil até o caso abafar e é roubado por outro bandido para revender como camelô os artigos importados que rouba dos turistas em frente ao Aeroporto Internacional. Magali compra o anel do camelô e passa a pensar que é Cleópatra, que Quinzinho é seu amor Marco Antônio e que a turma são escravos, fazendo construir uma pirâmide no Bairro do Limoeiro, chamando atenção do Picaretes, que vai lá para sequestrar a Magali e revelar todos os segredos de Cleóprata. É impedido pela descente de Cleópatra, que aparece junto com agentes internacionais e prendem Picaretes. No final ,ela leva o anel, Magali e a turma voltam ao normal e na sorveteria a Magali ainda vestígios de Cleóprata, deixando sorvete em forma de pirâmide.

Picaretes não imaginava que ia ser roubado assim que chegasse ao Brasil senão ficaria mais atento, mas foi o gancho para o anel parar nas mãos da Magali e pensar que é Cleópatra. Por sua vez, Magali também nem imaginava que aquele anel era mágico e deu efeito instantâneo assim que colocou no dedo. Por Quinzinho ser namorado dela, logo imaginou que ele era Marco Antônio enquanto a turma sofreu como escravos para construir uma pirâmide de concreto e uma só de comida pra ela devorar tudo em minutos, incrível absurdo de como conseguiram tijolos e tanta comida para formar as pirâmides e em tão pouco tempo. Magali e a turma tiveram sorte da descendente de Cleópatra impedir a fuga do Picaretes, fazendo tudo ficar bem no final, só o bandido camelô que se deu bem, continuou vendendo produtos roubados na rua e continuando a roubar turistas no aeroporto.

Eles não se transformaram de fato em Cleópatra, Marco Antônio e escravos, apenas pensavam que eram com o efeito do poder do anel mágico. Assim, não estavam com as roupas egípcias, só se imaginavam que estavam, por isso oscilações de ora estarem com as roupas egípcias e outras vezes normais. Quando estavam com roupas egípcias era quando estavam sozinhos interagindo entre si para mostrar como eles se imaginavam estar e quando com roupas normais é quando tinha alguém com eles como estavam sendo vistos por quem estava de fora, ficou legal assim. Mesmo se imaginando egípcios, não perderam essência de suas características. Magali continuou gulosa, Mônica com grande força, Cebolinha provocando Mônica, Cascão sujo e fedorento, gostei disso também. Interação do Quinzinho com eles sem ser só na padaria sempre era bom quando tinha.

Foi engraçado Picaretes ser assaltado por outro bandido e vacilar chamando polícia, o camelô falar que só assalta quem desembarca no Aeroporto Internacional, a turma perguntando se Magali deu mau jeito nas costas quando andava como egípcia, e depois Cebolinha dizer que ela deu mau jeito no cérebro quando pensava que era Cleópatra, Cascão beber água de canudinho e bem longe do copo, Cebolinha não saber o que é pirâmide, Cascão dizer que ser escravo é dureza e Cebolinha dizer que principalmente com ele na frente por causa do mau cheiro, galo na cabeça do Cebolinha em forma de pirâmide após a surra, Magali comer a pirâmide de comida em 10 minutos, a turma não ir atrás da Magali sequestrada  porque pediram demissão de serem escravos, como se escravos tinham direito à demissão.

Foi história póstuma de Rosana, lançada depois que a roteirista morreu. Mostrou até realidade do Brasil, com assaltos, de turista que mal chegou ao Brasil e já foi roubado, vendas de camelôs de contrabando e roubos, e que na época 5 reais era muita coisa, pode achar que um anel por esse preço é barato hoje, mas valia bastante na época. E ainda ajudou leitores a despertar interesse de saber e pesquisar sobre Cleópatra e História do Egito Antigo. Teve erro de Magali contar de boca fechada no primeiro quadro da página 8 do gibi. 

Incorreta atualmente por ter bandidos, assaltos, crianças trabalhando como escravos, gula exagerada da Magali capaz de comer um pirâmide de comida sozinha em 10 minutos, absurdos de força da Mônica de carregar vários tijolos tranquilamente, calcinha da Magali à mostra, principalmente do jeito de costas como no 5º quadro da penúltima página e 3º quadro da última página, Mônica sem um "top" no peito enquanto estava como escrava, e podem implicar com a TV de tubo para colocar uma LED no lugar.

Traços ficaram bonitos da fase consagradas das personagens. Foi legal um anel no título, eles tinham criatividade até na arte dos títulos das histórias. Já a colorização passou a ter diferenças nos gibis a partir de fevereiro de 1996, cores em tons mais escuros, marrom bem escuro quase preto e usado para tudo e sem variações de tons dando diferença na cor do cabelo do Quinzinho nessa história, por exemplo, e ficando pior em personagens com pele marrom como Papa-Capim e Raposão parecendo negros. Não gostava de cores escuras desse jeito, pareciam que estavam de luto. Cores assim ficaram até em junho de 1996. Outra mudança os fundos em degradê, que estavam desde agosto de 1995, agora não estão mais em todos os quadros, só em alguns bem pontuais em ambientes externos. Lembrando que degradês pontuais continuaram até no final da Editora Globo em 2006. E as capas do gibis também passaram a ficar diferentes com cores com tonalidades mais fortes e vivas, e adotando também o marrom escuro para tudo, bem estranhas. Muito bom relembrar essa história há exatos 30 anos.

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Tirinha Nº 122: Cebolinha

Nessa tirinha, Mônica cai em um bueiro na rua e Cebolinha, em vez de levar uma corda para ajudá-la a sair de lá, leva um rato para jogar no bueiro. Não era uma ajuda como a Mônica queria, pelo menos ela ia pular rapidinho e sair de tanto medo e, de quebra, Cebolinha ainda se diverte vendo a Mônica assustada com o rato. Tudo que fosse para aprontar com a Mônica era válido para ele, mesmo em situações perigosas, não perdia oportunidade para aprontar. Traços bons setentistas ainda deixou mais engraçada ainda. 

Tirinha publicada originalmente em 'Cebolinha Nº 63' (Ed. Abril, 1978).

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Chico Bento: HQ "Reunião de pais e mestres"

Mostro uma história em que o Chico Bento se disfarçou de Seu Bento para ele ir à reunião de pais e mestres da escola no lugar do pai e ele não descobrir suas traquinagens na reunião. Com 10 páginas, foi história de abertura publicada em 'Chico Bento Nº 175' (Ed. Globo, 1993).

Capa de 'Chico Bento Nº 175' (Ed. Globo, 1993)

Escrita por Rosana Munhoz, Chico Bento arruma a pasta para ir para escola escondendo da mãe o bilhete de reunião de pais e mestres. Dona Cotinha pergunta se o filho já se arrumou,  Chico afirma e vai para escola e Seu Bento diz que o filho ainda vai ser doutor. No caminho, Chico fala que não gosta de mentir para os pais que tem reunião de pais e mestres, se eles fossem, a professora ia contar todas as traquinagens e notas vermelhas, que ia acabar com a graça dele. 

Como a professora falou que se os pais não fossem, ia procurar na casa do aluno e isso também não podia acontecer, Chico se disfarça igual ao seu pai com direito a pernas de pau para ficar igual na altura e vai para reunião como se fosse o Seu Bento, dizendo que precisa lembrar de fazer voz grossa.

Na escola, os pais dos alunos vão chegando, até que chega o Chico como seu pai, senta largado na carteira e pede para professora não reparar, é que ele tem "romantismo" (reumatismo). Professora Marocas começa a reunião dizendo que a classe, de um modo geral, está indo bem, com algumas exceções, olhando para o Chico. Ela começa falando da Rosinha, a melhor aluna, Seu Rodrigues fala que é filha dele e Chico olha para o pai dela, dizendo que é uma fofura de menina. Seu Rodrigues faz cara feia e Chico dá desculpa que pelo menos é o que filho sempre diz.

Marocas continua, falando bem da Rosinha, depois fala do Zé da Roça, que é um garoto responsável e inteligente, depois do Hiro, que é esforçado e tem problemas com a Gramática e vai falando dos outros alunos e Chico começa a dormir com tanto "blá blá blá". Até que chega a vez do Chico, que acorda e diz "presente" pensando que estava como aluno na aula e disfarça, dizendo que um filho como ele é um presente do Céu.

Professora Marocas fala que o Chico vai nada bem na escola, Chico como Seu Bento diz que não acredita, o filho dele é muito inteligente. Marocas fala que talvez seja, mas estuda nada, outro dia não soube responder quem descobriu o Brasil e Chico defende que o filho não é dedo-duro. Marocas conta que ele não sabia sobre a vida de Alejadinho e Chico acha ótimo, ensinou para o filho a não falar sobre a vida dos outros. Marocas conta que ele não sabia qual é a capital do Brasil e Chico rebate que eles nunca saíram de São Paulo.

Marocas acha que o caso é que o Chico não estuda, chega atrasado e não faz os deveres de casa e pergunta se o pai não se incomoda com isso. Chico diz que o filho tem coisas mais importantes pra fazer como ordenhar vaca, cortar lenha, consertar cerca, dar de comer para os animais, isso que importa e lição de escola é em segundo lugar. Seu Rodrigues e Marocas falam que ele explora o filho, faz uma criança trabalhar sem parar.

Chico diz que não é bem isso, não sabem da situação deles, sítio pequeno, cheio de dívidas, galinhas não botam mais ovos, vaca dá leite azedo, ele com reumatismo, estão na pindaíba. Marocas diz que agora entende porque Chico não prestava atenção na aula, são muitos problemas, lamenta que vivia ralhando com ele, achando que era preguiçoso e Chico diz que é um pecado.

Marocas vai consertar a situação, garantido que ele vai passar de ano e Seu Rodrigues propõe vaquinha com os pais que estão na reunião para arrecadar dinheiro e resolver os problemas do sítio. Chico acha uma bondade deles e quando segura o chapéu com a grana. agradecendo, o verdadeiro Seu Bento aparece, assustando o Chico. Seu Rodrigues acha que são gêmeos, Chico pergunta para o pai o que estava fazendo lá, Seu Bento responde que encontrou o Hiro no caminho do roçado e ele disse que hoje não tinha aula porque era reunião de pais e mestre e desmascara o filho na frente de todo mundo.

Depois da reunião, Seu Bento pede desculpas pelo comportamento do filho e promete que vai ficar mais de olho nele. Marocas diz que, além das traquinagens, ele precisa também estudar mais, é inconcebível criança na idade dele não saber coisas básicas como quem descobriu o Brasil, a vida do Aleijadinho e nome da capital do nosso país, coisas que todos eles sabem. Seu Bento fica sem graça e Marocas conta que ele para também ensinar o Chico em casa. No dia seguinte, Seu Bento raspa o bigode e a barbicha, se veste como o Chico e vai para aula no lugar do filho, fingindo que era o Chico, porque é o único jeito de aprender as coisas e ensinar para o filho depois.

História engraçada demais em que o Chico Bento não queria que seus pais descobrissem suas traquinagens e notas vermelhas na escola, afinal, para ele, essas reuniões de pais e mestres só serve para falar mal dos alunos na frente dos outros pais, e resolveu se passar pelo seu pai na reunião. Chico interpretou bem que ninguém reparou que ele não era o Seu Bento e teve que se virar de acordo com os rumos das conversas, inventando desculpas para que ninguém descobrisse o plano infalível. 

Conseguiu disfarçar bem nos deslizes que dava, se defendeu ao máximo quando professora acusava que não gostava de estudar e arrecadar vaquinha de dinheiro foi o máximo. Mesmo que foi ideia do Seu Rodrigues, se fosse outro, Chico poderia dar desculpa e recusar, mas gostou do rumo que o plano deu e ganhar dinheiro à custa dos outros. Sem querer, o Hiro foi o grande culpado da descoberta do plano infalível, sempre tem alguém para estragar e não dar certo, se não tivesse falado, Chico ia se dar bem e com boa grana no bolso.

Professora Marocas também bem enérgica, falando mal do Chico na frente de todo mundo, humilhando, bem que poderia falar só o básico e depois chamar reservadamente os pais dos Chico para falar da situação do filho na escola, nem que fosse pessoalmente na casa dele. De certa forma, o Chico estava certo. Vida de Aleijadinho difícil saber mesmo, não é assunto básico para criança de 8 anos cursando 2ª série primária (atual 3º ano do Ensino Fundamental), nisso estava cobrando demais do aluno.

Seu Bento chega na reunião e vê seu próprio filho se passando por ele e pegando dinheiro de todo mundo, o que fazer com um moleque como esse, a cara dele flagrando mostra essa situação, e ainda ficou decepcionado e desiludo que pensava que o filho ainda seria doutor. Seu Bento se passou como um pai ignorante que não tinha instruções de estudo e foi capaz de se passar pelo filho na escola para aprender as lições e ensinar para ele. Seria melhor era se matricular em uma escola para adultos porque estava na cara que todos sabiam que ele não era o Chico na aula. Essa ideia de Seu Bento sem instrução já foi mostrada antes na história "Papai vai à escola", de 'Chico Bento Nº 70' (Ed. Globo, 1989), muito boa também.

Engraçada do início ao fim, com destaques para o Chico disfarçado de pai, com perna de pau que nem dobrava sentado, as mancadas que dava e tentava corrigir, que tinha "romantismo", se defender na frente da professora com as acusações que ela fazia como dizer que não era dedo-duro, não falava da vida dos outros e não saíram de São Paulo, ideia de Seu Bento pedófilo se interessar pela Rosinha ao dizer que ela é fofura de menina, ficou como se um adulto tivesse interessado por uma criança e namorada do próprio filho, reclamarem que estava explorando criança com tanto trabalho, parte que Seu Bento chega flagrando o Chico como ele e com o chapéu cheio da grana e Seu Rodrigues achar que Chico e Seu Bento eram gêmeos na hora da revelação, 

O caipirês teve algumas diferenças e se tornaram engraçados como dizer "romantismo" no lugar de reumatismo e "Sun Pólo" no lugar de São Paulo. Ficou provado que Vila Abobrinha era localizada no interior de São Paulo com essa fala do Chico. Os pais do Zé da Roça eram raros de aparecer, de certa forma apareceram nesta história, mas não foi revelado quem era, podendo o senhor de cavanhaque ser o pai ou a mulher com cabelo chanel ser a mãe. Seu Rodrigues dessa vez apareceu falando sem sotaque, não tinha padrão, pois tiveram histórias falando caipirês.

Sem dúvida mostrou que Chico Bento fazia planos infalíveis muito bons, não era só Cebolinha que tinha planos mirabolantes. Histórias com Chico arteiro eram as melhores e mais engraçadas. Incorreta atualmente por Chico mentir para os pais indo para escola e sem avisar que teria reunião, ser tratado como burro e arteiro na escola, professora muito enérgica e humilhando aluno na frente dos pais dos amigos, aceitar vaquinha aproveitando boa vontade dos outros e levar puxão de orelha do Seu Bento, dar ideia que Chico namora a Rosinha e trabalho infantil na roça e algumas palavras do caipirês seriam mudadas para ajustar ao caipirês atual como "romantismo", "Sum Pólo", etc.  

Traços excelentes da fase consagrada dos personagens. O Chico como pai ficou parecido como eram os traços do Seu Bento nas primeiras edições do Chico Bento da Editora Abril como foi na história "O príncipe encantado de 'Chico Bento Nº 6', de 1982. Tiveram alguns erros como Chico com perna de pau automaticamente seus braços crescem depois de entrar na escola, pálpebras do Chico com cor de fundo do quadro nos 3º e 4º quadros da página 6 do gibi e Professora Marocas sem lábios com batom no 2º quadro da página 7 do gibi e a mulher de chanel inicialmente começou com vestido amarelo e passou a usar vestido roxo a partir da página 9 do gibi.

sábado, 31 de janeiro de 2026

Humberto: HQ "Louco, eu?"

Mostro uma história e que o Humberto é entrevistado por um pesquisador, que não sabia que ele era mudo e não o entendia causando muita confusão. Com 4 páginas, foi publicada em 'Mônica Nº 144' (Ed. Abril, 1982).

Capa de 'Mônica Nº 144' (Ed. Abril, 1982)

O pesquisador Geraldão vai à casa do Humberto e deseja fazer umas perguntas. Humberto responde "Hum! Hum!" e Geraldão confirma que é só um minutinho, não tomar tempo dele. Geraldão pergunta quantas pessoas moram na casa, Humberto responde "Hum!" e ele acha que era só o Humberto e pergunta quantas pessoas moram lá fora ele. Humberto responde "Hum!" Hum!" e o pesquisador diz que um e um são dois , então mora com mais duas pessoas, provavelmente com o pai e a mãe. Geraldão pergunta se Humberto está na escola, por Humberto responder "Hum!", ele conclui que está há um ano na escola. Geraldão pergunta quantos anos ele tem, Humberto responde "Hum!", Geraldão se espanta que ele tem um ano. Humberto responde 3 "Hum!" e ele pergunta se tem um ou três anos.

Humberto tenta dialogar, o pesquisador acha complicação e pergunta se ele já esteve em hospício alguma vez. Humberto responde "Hum!" e Geraldão se assusta que ele foi uma vez para o hospício, tenta se controlar por parecer inofensivo e diz que a entrevista acabou e já vai indo embora. A porta estava trancada, Humberto vai à cozinha pegar chave e derruba faca, machado e martelo e Geraldão se desespera, achando que Humberto estava querendo matá-lo e corre, querendo sair da casa de qualquer jeito. 

Humberto vai atrás, aponta que encontrou a chave e Geraldão pensa que Humberto louco ia atacá-lo com os objetos. Geraldão consegue fugir pela janela e sai gritando pela rua que viu um menino doido. No final, batem na porta da casa, era o Titi, que diz para o Cebolinha que acha que o Humberto não está em casa, está um tempão batendo na porta e ninguém atende e Humberto não abre pensando que homens queriam levá-lo para o hospício.

História legal em que o pesquisador não sabia que o Humberto era mudo, não entendia seus "Hum! Hum!" e sempre associava ao numeral um e achou que o Humberto era louco, ainda mais por ter achado que ele tinha ido ao hospício uma vez. Agrava quando Humberto foi procurar chave e deixa cair faca, machado e martelo e pensava que Humberto queria matá-lo e se desespera. Consegue fugir pela janela, gritando na rua que Humberto era doido e no final ele não abre a porta para o Titi pensando que eram homens do hospício querendo levá-lo.

Coitado do Humberto, sempre incompreendido e sofrendo constrangimentos por outros que não o conheciam. Sozinho em casa, aí nem dava para explicar que era mudo já que emitia "Hum!" Hum!". Nas perguntas envolvendo números, como quantas pessoas moram na casa e quantos anos ele tem, por exemplo, podia mostrar números com os dedos ou então pegar um papel e caneta para escrever. Engraçado que as perguntas do Geraldão coincidiam com os "Hum!" que Humberto emitia e aí causava mais confusão, até pensar que já tinha ido ao hospício e deixando o pesquisador desesperado. Interessante como os pais deixam um menino mudo como o Humberto sozinho em casa e ainda deixam machado e martelo na dispensa da cozinha, com fácil acesso a ele, era para terem deixado em outro local da casa, e a porta ter se trancado do nada, já que ele havia aberto para o pesquisador entrar. Foram necessários esses absurdos para deixar graça na história. Geraldão apareceu só nessa história como de costume de personagens criados para histórias únicas.

Humberto mesmo considerado mudo, tinham histórias em que ele emitia "Hum! Hum!" como foi nessa ou era mudo por completo, sem falar nada. Variavam de acordo com o que se encaixava melhor no roteiro, sendo que prevalecia falando "Hum! para poder fazer trocadilhos com o numeral "um". E nota-se que ouvia muito bem. Ele vivia passando sufoco por ser mudo, ao mesmo tempo que era engraçado, dava pena dele, e histórias assim serviam como crítica do que os mudos podem passar na vida real e o que não se deviam fazer com eles e, sem dúvida, deficientes como ele tinham mais representatividade assim se dando mal e até apanhando da Mônica. 

Hoje em dia  não fazem mais histórias assim por ter bullying com deficientes, Humberto ser taxado de louco por ser mudo, atualmente quando tem histórias dele e de outros deficientes são só para passar mensagens boas, com ensinamentos lição de moral. Palavra "louco" proibida atualmente, nem esse título da história seria aceito.

Traços ficaram bons, típicos de histórias de miolo do início dos anos 1980. Titi apareceu sem brilho no cabelo e sapato azul porque na época ainda não tinha traços definitivos em detalhes no seu visual. Já Titi com dentes vermelhos nos dois últimos quadros da história foi erro grotesco de colorização. Essa história foi republicada depois 2 vezes, primeiro em 'Almanacão de Férias Nº 2' (Ed. Globo, 1988) e depois em 'Coleção Um Tema Só Nº 22'  - Cebolinha e o Louco II" (Ed. Globo, 1999). Estranho história de Humberto em almanaque temático de histórias do Cebolinha com o louco, provavelmente colocaram para preencher páginas que faltavam para completar edição e por envolver loucura, mas se procurassem melhor, dava pra encontrar fácil uma história do Louco de 4 páginas até 1994.

Capa de Almanacão de Férias Nº 2' (Ed. Globo, 1988)
Capa de 'Coleção Um Tema Só Nº 22 - Cebolinha e o Louco II' (Ed. Globo, 1999)



terça-feira, 27 de janeiro de 2026

HQ "Os tênis da Mônica"

Em janeiro de 1996, há exatos 30 anos, era lançada a história "Os tênis da Mônica" em que os meninos presenteiam a Mônica com um tênis, mas, sem ela desconfiar, tinham má intenção em derrotá-la com esse presente. Com 14 páginas. foi publicada em 'Mônica Nº 109' (Ed. Globo, 1996).

Capa de 'Mônica Nº 109' (Ed. Globo, 1996)

Cebolinha e Cascão cantam Parabéns para Mônica, que diz que não é aniversário dela. Os meninos falam que sabem, é que deu vontade de dar presente para ela: um par de tênis. Mônica gosta, mas diz que não costuma usar. Cebolinha fala que tem sempre primeira vez e pede para provar. Mônica diz que vai guardar com muito carinho. 

Os meninos insistem para provar senão vão ficar ofendidos. Mônica coloca os tênis e Cascão fala que nunca pensou que o pezão da Mônica pudesse ficar maior. Mônica quer tirar e eles dizem que tem que ficar usando por causa das primeiras Olimpíadas do bairro que começam amanhã. Eles a inscreveram em corrida, levantamento de peso, salto à distância e arremesso de coelhinho. Mônica diz que não estava sabendo e reclama da inscrição sem consultá-la.

Os meninos perguntam se precisava, ela, a mais forte, mais linda e charmosa, a única que tem condições de vencer e de trazer lindas medalhas. Mônica acha que foi por isso que lhe deram os tênis e eles falam que é para ela treinar, pelo bem do bairro do Limoeiro e perguntam se vão deixá-los na mão, amarelar e matá-los de vergonha.

Então, Mônica passa a treinar, pula corda, levanta pesos e faz corrida. Magali pergunta onde ela vai com tanta pressa, Mônica responde que está treinando para as Olimpíadas do bairro, Magali diz que nunca ouviu falar e Mônica diz que um negócio novo aí, começa amanhã e pede para a amiga para chegar lá para vê-la. Mônica acaba a corrida e pergunta como foi, Cebolinha diz que nada mau, mas pode melhorar, deixa descansar e pede os tênis para lavar e ficar bem bonita cedo amanhã, que será um dia de glória.

No dia seguinte, Mônica toma café-da-manhã rápido e vai ao campinho e quando chega ninguém chegou, não tem faixas, bandeirinhas e acha que é Olímpiadas mixurucas. Chega a Magali e Mônica diz que elas são as primeiras. Depois, chegam Cebolinha, Cascão e Franjinha e Mônica pergunta cadê os juízes, atletas e povo todo. Cebolinha diz que não tem e que o dia de glória vai ser dele, calçando os tênis.

Cebolinha diz que ele deu os tênis e agora mudou de ideia, não tem Olimpíadas, os tênis são invenções do Franjinha, pegam energias de quem os calçar e passam para quem os usar em seguida e, assim, ele está forte como a Mônica e pode derrotá-la. Mônica descobre que foi um plano infalível, fica com raiva de treinar como uma tonta, dá uma coelhada nele, mas não lhe faz efeito.

Mônica e Cebolinha começam a brigar em igualdade de condições. Cebolinha levanta a Mônica e  joga contra o muro. Mônica bate nele dando coelhadas sem seguida sendo plantado no chão. Franjinha acha que a cidade não vai resistir e quem vai ganhar será quem estiver menos cansado que o outro. Como Mônica treinou no dia anterior, Cebolinha é o vencedor e derrota a Mônica.

Franjinha tira fotos do momento histórico e Cebolinha diz que isso é para a dentuça aprender a lição que é ele quem manda agora. Cascão pede para o Cebolinha para colocar os tênis e ficar forçudo também. Cebolinha recusa, Cascão reclama muito e Cebolinha deixa usar os tênis. Cascão não bate na Mônica por estar tão por baixo e resolve levantar pedras e só consegue levantar uma pequena de quando ele era fracote.

Cascão exige explicações para o Franjinha, que diz que o Cebolinha gastou toda a energia acumulada nos tênis e que agora estão na fase de recarregar. Cascão reclama bem alto que tênis não dão força permanente, que a Mônica teria que colocá-los toda hora para recarregar e que adianta nada vencer a Mônica só por um dia e se ela quisesse poderia bater neles agora.

Mônica ouve, bate em todos e Magali tira foto após a surra. Cebolinha reclama que não adianta, antes de bolar plano para derrotar a Mônica, tem que bolar um para calar a boca do Cascão. Franjinha diz que vai desenvolver uma invenção que não precise de recarregar. Cebolinha toma os tênis do Cascão e resolve usá-los, não serviram pra derrotar a Mônica, pelo menos vai ficar bonito, e aí Cebolinha fica todo sujo e fedido porque pegaram energia do Cascão e passaram para ele.

História legal em que os meninos dão tênis para Mônica só que era uma invenção do Franjinha de quem usar primeiro passa a energia para outro que usar depois. Mônica usa o tênis, treina para a suposta Olimpíadas do bairro que mentiram para ela que ia ter e depois que Cebolinha usa o tênis passa a ter a mesma força da Mônica e duelam entre si com ele sendo vencedor porque a Mônica estava cansada do treino do dia anterior. Plano é estragado pelo Cascão depois de descobrir usando tênis que o efeito da força é temporária e teria que recarregar com a Mônica sempre usar. Meninos apanham e no final Cebolinha fica sujo depois de usar o tênis que o Cascão usou.

Mônica foi boba em acreditar que teria Olimpíadas no bairro sem ninguém ter comentado antes porque seria assunto do momento algumas semanas antes e nem se tocou que algum interesse por parte dos meninos em lhe dar tênis de presente do nada sem nada por trás disso. Se fosse mais atenta, nem usaria os tênis. Treinou e se esforçou à toa e quase foi derrotada de vez pelo Cebolinha. 

A briga entre os dois foi boa, um grande duelo, não à toa que o Franjinha falou que a cidade não iria resistir. Como era efeito temporário, se a briga durasse mais um tempo, a Mônica sairia vencedora. Agora, se a Mônica não estivesse cansada e a invenção não tivesse efeito temporário, ia demorar para sair um campeão e acredito que ela ganharia a luta.

Cascão mais uma vez fala demais e estraga o plano que já tinha dado certo, reclamou tanto que a invenção era uma porcaria sem se tocar que a Mônica estava ouvindo e se deu mal. Se não falasse, a Mônica não saberia que tênis precisavam se recarregados e continuaria achando que o Cebolinha estava forte. Para o Cascão não estragar, era só Cebolinha não chamar para os planos infalível, insiste em chamá-lo, aí que aguente dar errado. Franjinha também tem parcela de culpa, podia ter criado tênis pra absorver energia permanente.

Cebolinha, além de apanhar, ainda ficou sujo no final, não se tocou que como o Cascão tinha usado, os tênis pegaram energia de sujeira dele. Se lembrasse disso, não usaria os tênis depois ou, melhor ainda, não emprestaria os tênis para o Cascão, que aí ele não ia saber que a invenção tinha efeito temporário e não ficaria sujo, seria o ideal para ele fazer. pelo menos, depois que acabasse o efeito, Cebolinha voltaria a ficar limpo sem precisar tomar banho.

Engraçado meninos tapearem a Mônica que ia ter Olimpíadas no bairro, a insistência deles para Mônica usar os tênis, Cascão dizer que o pezão da Mônica ficou maior com eles, desculpa esfarrapadadeles de levar tênis para lavar, Cebolinha dizer "Quanta espelteza!" depois que a burra da Mônica descobriu que era tudo um plano só depois que ele contou, os golpes da briga entre eles, Franjinha falar que a cidade não iria resistir, Cascão dizer duelo de "tantãs", insistência em usar os tênis e ver que não funcionava segurando pedras pesadas e dizer que Cebolinha ficou bonito sujo no final.

Os meninos apanharam, apareceram surrados em dois quadros e na última página já não estavam mais surrados. Era normal isso nas histórias de  esquecerem de mostrar os machucados nos quadros após  as surras, nem pode considerar como erro isso. Cebolinha ficou bem de tênis, não sei como ainda não tiraram sapatos do Cebolinha e outros que usam sapatos para usarem tênis em definitivo, além de personagens descalços também usarem tênis. Do jeito que povo do politicamente correto reclamam, um dia vão implicar com roupas e calçados dos personagens.

Incorreta atualmente por ter história de plano infalível com meninos enganando a Mônica, fazendo de boba, eles agindo como vilões, absurdos com excesso de força da Mônica, luta entre eles, meninos aparecerem surrados e com olhos roxos, Mônica chamá-los de capetinhas, Mônica com calcinhas à mostra,principalmente no último quadro página 10 do gibi, Cascão fazer apologia à sujeira, achando Cebolinha bonito sujo e podem implicar com câmera fotográfica comum de filme por ser coisa datada.

Foi história póstuma da roteirista Rosana Munhoz, lançada depois de ela morrer. Interessante que a gente lia as histórias sem saber que ela tinha falecido. Anos mais tarde, essa história virou desenho animado no filme "Cine Gibi 2", de 2005, que até seguiu fiel à históriaem quadrinhos original. Muitas histórias escritas pela Rosana viraram desenhos depois já que costumavam ter roteiros com muitas reviravoltas e movimentos e que até serviram de homenagem para ela.

Traços ficaram bons com o estilo consagrado dos personagens. Cores prevalecendo fundo em degradê como estava comum na época. A partir de de janeiro de 1996 teve a volta dos códigos nas histórias que ficaram ausentes entre 1994 e 1995, só que agora em novo formato e até mais simples de decifrar, nessa história foi MSP96MN10901. E, assim, marcou a estreia desse novo formato de código em um gibi da Mônica. Esses códigos assim ficaram até em 2003, voltando a não ter mais no final da Globo entre 2004 a 2006 e retornando depois nos gibis da Panini a partir de 2007, permanecendo até hoje. Muito bom relembrar essa história há exatos 30 anos.