sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Papa-Capim: HQ "A grande campanha"

Eleições do primeiro turno no Brasil chegando no próximo dia 4 de outubro e então mostro uma história em que um deputado foi fazer campanha eleitoral na selva do Papa-Capim para mostrar para a população que ajudou os índios. Com 5 páginas, foi publicada em 'Chico Bento Nº 65' (Ed. Globo, 1989).

Capa de 'Chico Bento Nº 65' (Ed. Globo, 1989)

O candidato a deputado Jordão Berimbau e seu assistente Miguel vão para selva da Amazônia. Miguel fica com medo e pede para Jordão falar baixo para os selvagens não ouvirem e o deputado lembra que foram pra lá para falarem com os índios. Lembra que está acabado desde que perdeu as últimas eleições e este ano será diferente, ele vai conseguir o apoio dos índios, todos dirão: "os índios estarão com  Jordão Berimbau".

O grito atrai os índios da região e Jordão resolve começar a sua campanha. Ele fala para os índios que vai civilizá-los, lhes dar tecnologia, pôr ordem na bagunça e em troca quer os índios espalhem por aí o quanto ele é justo. Papa-Capim diz que eles estão bem assim, precisam de nada. Jordão fala que se o apoiarem, acabará com a miséria, não faltarão alimentos, Papa-Capim conta que alimento para eles é o que não falta, tem de tudo graças á generosidade da floresta.

Jordão fala que então lhes dará segurança, protegerá dos perigos da floresta. Papa-Capim responde que não há perigo que eles não sabem enfrentar, desde curumins aprendem a lançar arco e flecha para caçar e se defender, mas quase sempre a natureza é amiga deles. Jordão fala que para saúde enviará médicos para acabar com as doenças da tribo. Papa-Capim responde que raramente ficam doentes, se acontece alguma coisa, o Pajé sabe como curá-los e se for doença de homem branco, o Pajé aprendeu a usar analgésicos, penicilinas que busca na vila. 

Jordão aborda sobre moradias e eles terem facilidade para adquirir casa própria. Papa-Capim diz que eles já têm, cada um tem sua sua oca construída por ele próprio. Jordão se irrita, desiste da campanha e resolve voltar para cidade, reconhecendo que pode fazer nada para eles. Papa-Capim debocha que Jordão pensava que eles viveriam em um lugar onde faltasse comida, casa, segurança, que  tivesse um monte de doenças. Jordão ouve e no final resolve descansar na selva, adiando a candidatura e a campanha eleitoral e comenta com Miguel que se o Papa-Capim fosse candidato, votaria nele.

História legal em que o deputado Jordão Berimbau queria fazer campanha eleitoral na selva para catequizar índios e melhorar condições de vida deles para o povo pensar que ele era bonzinho e prestativo com índios  e votarem nele por causa disso. Só que não contava que índios viviam muito bem e precisavam de nada e ainda resolve passar um tempo na floresta reconhecendo que Papa-Capim seria um grande candidato nas eleições.

Papa-Capim regenerou o deputado, que queria tirar proveito dos índios para se dar bem na eleição. Deputado que não cumpria promessas feitas, não merecia ser eleito mesmo e aprendeu com o Papa-Capim que os índios vivem bem e que ele devia fazer as melhorias para o povo não passar problemas como eram com os índios. 

A grande crítica da história que fez o Jordão Berimbau cair em si foi o Papa-Capim dizer que eles nunca viveriam em um lugar onde faltasse comida, casa, segurança, que  tivesse um monte de doenças, coisa bem diferente que a população da cidade passa, principalmente da classe baixa, que sofrem com miséria, sem segurança, e moradia e saúde precárias e os políticas nem aí. E ajuda a leitores a ficarem atentos a governantes que não cumprem promessas e que querem tirar proveito durante as eleições só para conseguirem votos.

Engraçado o Miguel lerdo, sem saber o que o Jordão já tinha explicado, Miguel dizer que Jordão vai ser eleito porque vai cumprir promessa pela primeira vez e Jordão responder que não pensou em medidas drásticas e ele jogar lábia nos índios em vão. Foi provado que a selva do Papa-Capim fica na Amazônia e Jordão e o assistente Miguel apareceram só nessa história, como de costume de personagens secundários criados para histórias únicas.

Impublicável atualmente por envolver política que não é tratado assunto para crianças, retratar índios como primitivos, morando em ocas, usando arco e flecha, hoje é terminantemente proibido mostrá-los assim e tem que ser chamados de indígenas, fora que o Miguel ainda disse que índios são selvagens de dar medo, além de Miguel segurando espingarda e índia com seios á mostra no quadro final da história.

Traços muito bonitos da fase consagrada dos personagens. . Tiveram erros do cabelo do Papa-Capim com brilho branco nos 3 últimos quadros da terceira página da história, tanga do Papa-Capim roxa no 5º quadro da penúltima página, erros que o colorista provavelmente confundiu com os balões de pensamentos que tinham tonalidades diferentes em tons azuis. O Papa-Capim dessa vez ficou com nariz com formato " ^ " em vez de "c". Até que não fica ruim com nariz assim, é o único que não faz diferença significativa de formato de nariz, mas o padrão é a forma "c".

terça-feira, 29 de setembro de 2026

HQ "Em busca do conhecimento perdido" - com Chico Bento

Mostro uma história em um extraterrestre sai do seu planeta em busca de um conhecimento perdido para salvar a sobrevivência dos habitantes do planeta dele. Com 9 páginas, foi história de abertura de 'Chico Bento Nº 40' (Ed. Globo, 1988).

Capa de 'Chico Bento Nº 40' (Ed. Globo, 1988).

O Imperador de um planeta encarrega um jovem extraterrestre para uma importante missão de sair em busca do conhecimento perdido, a sobrevivência do planeta deles dependerá do sucesso e se ele fracassar, seria viagem sem volta, não terá por que voltar lá. 

Assim, o jovem pega a nave espacial e parte para outros planetas. Passa por planetas cujos povos se empenham em guerras sem fim, planetas em ruínas que a vida não existe mais, outros habitados por seres irracionais, outros onde a vida nem surgiu, até que chega no Planeta Terra, o último a ser explorado e sua última chance dessa missão ser cumprida com êxito.

Na Terra, o ET lança luz em cima dos grandes estudiosos para absorver a grande inteligência que procura. Absorve conhecimento do maior químico do planeta, não é o conhecimento que procura e desaparece sem nem ter sido visto, depois de um cientista que projeta novos armamentos, não aceita, dizendo que é o conhecimento que menos interessa. Depois, revista cérebros de engenheiros de informática, políticos, escritores, jogadores de futebol, banqueiros, nada serviu. 

O alienígena admite que fracassou, procurou os homens mais poderosos do planeta e ninguém tinha o conhecimento perdido. Está com pouco combustível, pode tentar voltar ao planeta para o merecido castigo ou  passar o resto dos dias ali mesmo, pouco importa, quando Chico Bento aparece perguntando por que a tristeza dele. O ET diz que fracassou na missão do Imperador, Chico não entende e convida para almoçar na casa dele e explicar tudo no caminho.

Na casa do Chico, o ET comenta que se alimenta de pílulas concentradas, aí prova a canja e se delicia e depois come toda a comida servida e depois diz que está satisfeito, como nunca esteve antes. Depois, Chico vai cuidar da horta para o almoço de amanhã e mostra as plantações que tem no sítio. Em seguida, Chico dá comida para as galinhas e porcos, tira leite da vaca Malhada e o ET só observa. Após o trabalho, Chico vai nadar no rio e o ET absorve o conhecimento do cérebro do Chico e vai embora.

No final, o narrador explica sobre o Planeta Futuros com um progresso em um nível inimaginável, mas seus habitantes usam armaduras porque seus organismos tornaram-se frágeis, sensíveis a qualquer tipo de vírus e bactérias, talvez pelo tipo de alimentação, constituída só por pílulas químicas. O planeta é todo de concreto, porém tem uma esperança com o espaço reservado com o sítio que o jovem ET da missão criou, mostrando ele feliz capinando terra em volta dos bichos.

História legal, bem profunda em que um alienígena é enviado para missão de buscar um conhecimento perdido em outros planetas para conseguirem a sobrevivência deles. Era um planeta com um alto progresso, porém não tinham mais verdes, alimentações naturais, estavam mais doentes e risco de habitantes serem extintos.  O ET, quando já não tinha esperança de encontrar o tal conhecimento perdido, vê na simplicidade do Chico a esperança do planeta ter uma segunda chance.

Situação do planeta Futuros era tão crítica que habitantes se vestiam armaduras medievais e não podiam nem expor seus rostos para se protegerem de doenças e até dos efeitos nocivos de poluição. Tinham inteligência para progredirem tecnologicamente, mas não eram capazes de resolver os problemas ambientais que eles próprios criaram, não pensaram na destruição do meio ambiente teriam consequências. Se não tem verde, matas, árvores plantações, aumenta o aquecimento climático, não tem o que eles comerem, pílulas não têm vitaminas suficientes como de alimentos, então perdem imunidade e sensíveis a qualquer doença, favorecendo extinção deles.

O ET percorreu vários planetas e até em situações piores que o dele destruídos por guerras, na Terra, os grandes cientistas,  políticos, banqueiros não tinham o conhecimento que buscava, afinal, era mais do mesmo que eles tinham, apenas encontrou o que procurava na simplicidade do Chico e da roça. O ET deixou o conhecimento só pra si, com ele criando o seu próprio sítio e esperança que outros que vejam e possam copiar a ideia dele e renascer o verde e a vida natural nos planetas deles.

Interessante que mostrou o nome do planeta Futuros e explicou a crise só no final da história, normalmente os 5 primeiros quadros da última página estariam na primeira, abrindo a história, mas deixaram no final de propósito para entender e transmitir a mensagem de reflexão que queriam, achei uma ótima sacada assim. O título diferente, em vez de "Chico Bento em: " , colocaram "com Chico Bento", ideia de que o protagonista foi o ET do Planeta Futuros e o Chico foi coadjuvante e fez só participação. Fez todo sentido e bem sensato, afinal Chico só apareceu a partir da 5ª página e só em 4 do total de 9 páginas.

Teve seus momentos de humor como nomes dos estudiosos Leal Quimista, Joca Brum, com referência a alquimista e onomatopeia Cabrum, respectivamente, Chico perguntar se tristeza do ET é esperando o carnaval chegar e a metalinguagem de ET sugerindo ler as primeiras páginas da historinha para entender. A engenheira de informática ficou parecendo a roteirista Rosana, história pode ter sido escrita por ela, se não foi, chance de ser do Rubão ou do Robson.

História teve mensagem de cuidar do planeta, tantas guerras, armas, poluição vai destruir o planeta e não deixar como ficou o planeta Futuros, ajudar leitores terem consciência das  consequências do progresso e preservar meio ambiente e ficarem atentos a governantes que só pensam em progresso, dinheiro e poder e nem aí para natureza. Passados 38 anos continua atual e continuará sendo o tempo que passar se não mudarem o pensamento. Conhecimento perdido do ET revistar cérebro dos outros com a luz pode ter referência a Inteligência Artificial que busca conhecimentos de sites da internet  para ter a sua resposta, o que deixa mais atual ainda.

Traços ficaram muito bonitos da fase consagrada dos personagens nos anos 1980. Incorreta atualmente pelo tema filosófico não ser apropriado para crianças e ainda traumatizar, Chico trabalhando na roça,  tomando banho no rio pelado, jogador negro com lábios com círculo em volta da boca, além de coisas datadas como informática com mainframes e escritora usando máquina de escrever.

sábado, 26 de setembro de 2026

A Turma: HQ "O Plano da falsa amiga"

Em setembro de 1996, há exatos 30 anos, era publicada a história "O plano da falsa amiga" em que Cebolinha faz Cascão se disfarçar de Magali para descobrir o segredo da Mônica de estar usando óculos escuros. Com 11 páginas, foi publicada em 'Mônica Nº 117' (Ed. Globo, 1996).

Capa de 'Mônica Nº 117' (Ed. Globo, 1996)

Mônica sai escondida com óculos escuros até à casa da Magali, toca a campainha e Cebolinha diz que Magali não está, acabou de sair com a mãe. Mônica se assusta, grita, agradece o Cebolinha e sai correndo. Cebolinha pergunta por que ela está de óculos escuros já que nem está fazendo Sol. Mônica fala que não interessa e vai embora correndo.

Cebolinha estranha a atitude dela, acha que aí tem coisa, conta para o Cascão, que diz que vai ver que ela não quer que seja reconhecida. Cebolinha fala que se fosse isso, esconderia os dentões. Cebolinha acha que Mônica está de óculos escuros para esconder olho roxo, Cascão acha absurdo fortona como ela é apanhar e Cebolinha acha que por isso mesmo, alguém bateu nela e ela quer que ninguém fique sabendo e precisam saber quem é esse herói.

Como Mônica ia contar para a Magali e ela não estava em casa, Cebolinha faz o Cascão se disfarçar de Magali para Mônica contar o segredo e descobrirem tudinho. Cascão reclama por que sempre ele, Cebolinha responde que ele não ia convencer como Magali. Cascão fala que gorducho e falando errado, não daria. Cascão usa peruca velha da Dona Cebola cortada como cabelo e pó-de-arroz para esconder a sujeira e vai até à casa da Mônica, com Cebolinha escondido atrás da moita.

Cascão toca a campainha, Mônica atende, o abraça pensando que era a Magali e diz para entrarem porque tem um cheiro esquisito e que o Cascão deve estar por perto. Cascão senta largado no sofá e Mônica pergunta se isso é jeito de sentar. Cascão pede desculpa e comenta que reparou que Mônica está de óculos escuros. Mônica fala que era isso que queria falar, aconteceu alguma coisa terrível e oferece chá com biscoito. Cascão não aceita, manda contar logo, Mônica se espanta que Magali recusou comida e Cascão disfarça que é por que prefere algo consistente e convida para irem à lanchonete.

Cebolinha vai atrás, ficando escondido para ouvir. Na lanchonete, Mônica pede um bauru e guaraná e Cascão pede 3 baurus e Mônica fala que essa que é a Magali que conhece. Cascão quer que Mônica conte o que ia contar, só que o lanche chega e comem antes porque a Magali prefere comer primeiro. Mônica estranha que ela demorou para comer uns lanchinhos.

Depois, Cascão fala para Mônica dizer quem fez isso com ela. Mônica diz que quem mais poderia ser, o Fabinho. Cascão pergunta se o fracote do Fabinho deu um soco no olho dela. Mônica conta que o viu com uma menina ontem, Cascão quer saber se a menina bateu na Mônica, que diz que não, quando o Fabinho aparece na lanchonete.

Mônica disfarça e fala que não é para deixar que o Fabinho a veja. Cascão pergunta por que se não foi se ele quem bateu nela. Mônica avisa para Magali acordar, está cansada de saber que é gamada no Fabinho. Cascão dá gargalhadas um tempão e depois fica sério, dizendo que é verdade, está cansada de saber, é que lembrou de uma piada ótima e comenta que a Mônica ainda não falou o que aconteceu com os olhos.

Mônica diz que olhos ficaram inchados de tanto chorar quando soube que o Fabinho tem namorada. Cascão fala que era só isso, que besteira, pensava que finalmente alguém tinha acertado o olho dela e é tudo frescura da dondoca. Mônica fica irritada, quer saber que espécie de amiga é a Magali e está a achando muito esquisita. Um garçom está levando água, derruba a água em direção ao Cascão, que imediatamente se pendura no lustre.

Mônica estranha que Magali nunca tinha dado um pulo assim para não se molhar e se espanta em vê-la de cueca. Cascão fala que claro, pergunta se está o estranhando, falou para o Cebolinha que vestido até vai, mas calcinha, nunca. Mônica descobre o plano e quer ajustar as contas com Cebolinha e Cascão. Fabinho quer saber o que está acontecendo, Cebolinha fala que a Mônica quer bater neles porque descobriram que a Mônica gosta dele e está de olho inchado de tanto chorar por ele. 

Fabinho tira os óculos dela e cai na gargalhada, achando que é piada. Mônica dá surras nos três meninos. No final, a verdadeira Magali volta, Mônica a abraça, Magali pergunta o que houve com os olhos dela. Mônica responde que é uma longa história, andou chorando à toa. Magali pergunta para depois a Mônica contar também por que os meninos estão de óculos escuros se nem está fazendo Sol.

História engraçada em que Cebolinha quer descobrir por que a Mônica estava de óculos escuros e faz o Cascão se disfarçar de Magali para descobrir o segredo. Com muita insistência do Cascão, descobrem que a Mônica estava com olhos inchados chorar muito de descobrir que o Fabinho, menino por quem ela era gamada, tinha namorada. Mônica descobre o disfarce do Cascão e bate nele, no Cebolinha e também no Fabinho por ter rido dela de ter chorado por causa dele.

Cebolinha muito fofoqueiro, queria saber quem bateu na Mônica e sobrou para o Cascão, afinal a Mônica só contaria para a Magali, a sua amiga confidente. Cascão como Magali foi hilário, cometeu vários deslizes, Tiveram várias chances da Mônica descobrir que não era a Magali de cara como sentar largado no sofá, recusar comida, demorar pra comer os baurus na lanchonete e pedir só três, insistência em saber quem bateu nela e não saber que era gamada no Fabinho, mas por ser burrinha nessas histórias de planos infalíveis, demorou a captar, só descobriu quando Cascão fugiu da água do garçom, estar de cueca e, principalmente, ele confessar que o Cebolinha mandou ele se vestir de Magali e que não usaria calcinha.

Mônica foi boba por chorar por causa de um menino que tinha interesse. Nenhum merecia, se o Fabinho já tinha namorada, deixava para lá. Merecido os três com olhos roxos no final, inclusive o Fabinho por dar gargalhada e ter mexido com sentimentos dela, normalmente ela não batia nos meninos fofos "inho" e nessa ele mereceu. Na história toda, Mônica usou óculos escuros para esconder olhos vermelhos e inchados de tanto chorar pelo Fabinho, já os meninos usaram óculos para esconderem olhos roxos das surras que levaram da Mônica. Bem feito, se Cebolinha seguisse o conselho do Cascão de esquecer o assunto e jogar bola, não precisavam apanhar de novo no final.

Foi engraçado Cebolinha falar que se Mônica quisesse se esconder, esconderia os dentões, a conversa entre os dois com Cebolinha explicando bem devagar com perguntas para Cascão interpretar como seria o plano, Cascão vestido de Magali e reclamando que está de vestido e pó-de-arroz, as mancadas do Cascão e disfarçando para não entregar o plano, como modo de sentar no sofá, recusar comida, a cara do Cebolinha na janela com esse furo, quase fazendo tudo a perder, Cascão dizer que pensava que finalmente alguém tinha acertado o olho dela e é tudo frescura da dondoca ao descobrir que ela estava com olho inchado de tanto chorar, Cascão entregando o plano fugindo da água no lustre, de cueca e contar que nunca usaria calcinha e a gargalhada do Fabinho por Mônica ter chorado por ele e os meninos com óculos escuros no final para esconder os olhos roxos de fato. 

Nas histórias, o Cascão e Magali eram mais magros enquanto Mônica e Cebolinha eram mais fofinhos, por isso o Cebolinha precisou do Cascão se disfarçar de Magali porque não convenceria por ser mais rechonchudo, aí o mais normal é Cebolinha se disfarçar de Mônica.  

Foi história póstuma de Rosana. Embora histórias de planos infalíveis com meninos se disfarçando possam parecer ser batidas, sempre inovavam, era um desenrolar e surpresa diferentes a cada história assim, por isso eram tão divertidas. Curioso que também em 1996, em 'Magali Nº 173', teve uma história "A Magali não é mais aquela", em que Cascão se disfarça de Magali para descobrirem segredo da força da Mônica, também foi muito engraçada. Só que foram apenas 7 meses de intervalo de uma história para outra, pode ser que na época tinham poucas histórias para fechar o gibi após a morte da Rosana e recorrerem a essa história que já tinham produzida.

Essa história "O Plano da falsa amiga" depois virou desenho animado no canal Cartoon Network e até que seguiu fiel ao argumento da história em quadrinhos, com alguns ajustes. Incorreta atualmente por ter namoro de crianças, Mônica se rebaixar chorando por causa de um menino, histórias de planos infalíveis assim não tem mais, principalmente com meninos perversos demais e sendo surrados, Cascão chamar Cebolinha de gorducho e reclamando que está de vestido e pó-de-arroz e nunca usaria calcinha, dando ideia de atitude machista e calcinhas da Mônica e da Magali à mostra como apareceram da Mônica no 3º quadro da primeira página e da Magali no 5º quadro da última página.

Traços muito bons da fase consagrada dos personagens. Já não tinha mais colorização de fundo em degradê, só em alguns quadros raros bem pontuais. Tiveram erros do Cascão falando de boca fechada no penúltimo quadro da página 4 do gibi e cueca branca do Cascão no último quadro da página 5 do gibi. Muito bom relembrar essa história há exatos 30 anos.

terça-feira, 22 de setembro de 2026

Horácio: HQ "A Eternidade"

Compartilho uma história em que o Horácio toca em uma melancia e o Tecodonte acha que que ele estava tocando uma música espetacular que transmitia paz. Com 5 páginas, foi publicada em 'Mônica Nº 189' (Ed. Abril, 1986).

Capa de 'Mônica Nº 189' (Ed. Abril, 1986)

Horácio toca som em uma melancia à beira de um barranco e Tecodonte acha linda a música, acha que o Horácio é um gênio, acaba de dar contribuição fantástica para a história da música. Horácio acha que bondade dele e Tecondonte conta que estava ouvindo lá de baixo, ficou impressionado com a sonoridade, quase que atravessa sentimentos deles,  é o som da eternidade e o mundo precisa conhecer isso, é o que há mais de novo e fala que já volta.

Horácio pensa o que há tão de especial tamborilar uma melancia, quando aparece Lucinda, que acha o sonzinho gostoso e toca o coração dela. Ela pergunta por que o Tecodonte saiu tão apressado e antes do Horácio responder, Tecodonte volta com os amigos, falando come eles que o som da eternidade está perto e Horácio é o Beethoven dos tempos pré-históricos.

Horácio fala baixinho se o Tecodonte está exagerando e antes de terminar, perguntam o que Horácio estava falando e Tecodonte diz que ele falou que vai tocar agora a nona sinfonia dele. Horácio dá um toque na melancia e ela se quebra, falando que como o som indicava, ela já estava no ponto. A plateia vai embora reclamando que foi embromação, pega-trouxas e som da eternidade era furada e Tecodonte vai atrás. Horácio fala que não sabe se a melancia vai dar para todo mundo. Lucinda diz que todo mundo agora são só eles dois. No final, eles comem a melancia e Lucinda pergunta para o Horácio se o sabor de uma fruta também não é bom como a eternidade.

História legal em que o Horácio bate em uma melancia e Tecodonte pensa que ele estava tocando uma música espetacular de paz e acharia que iria fazer muito sucesso no mundo. Foi descoberto que o Horácio só estava batendo na melancia com intenção de quebrá-la para comer, não de tocar música, nem como hobby, estragando os planos do Tecodonte e depois Lucinda percebeu que comer uma fruta é tão bom como a eternidade.

Tecodonte queria ser empresário do Horácio, ganhar fortuna em cima dele, viu que em vez de tocar em um tambor, foi em uma melancia que saiu um som espetacular e divino. Tecodonte ficou tão empolgado que nem deu chance do Horácio se explicar sua verdadeira intenção de tocar a melancia, o que foi ruim para o Tecodonte que se passou por golpista pelos amigos, que não chegaram a ouvir Horácio tocar, por inventar falsa música de eternidade para eles.

Falavam de música da eternidade porque trazia paz e serenidade quando era tocada. Tecodonte poderia fazer o mesmo de tocar em uma melancia e ficar rico sozinho, mas poderia não ser  o mesmo som porque o jeito de serenidade que o Horácio tocava que faria a diferença no som. Horácio não liga para dinheiro e fama, só relaxar e aproveitar as coisas simples da natureza, tanto que viu junto com a Lucinda que comer a melancia trazia a mesma paz que a música que ele tocou.


Sem querer, o Horácio inventou o tambor e repique. Tecodonte era tratado com visão empresarial, empreendedora, já foi usada essa característica em outras histórias, inclusive nas de formato de tabloides, se opondo ao Horácio, que não se importava com dinheiro. Foi engraçado o entusiasmo do Tecodonte em pensar que Horácio era um grande músico tocando a nona sinfonia e chamar Horácio de Beethoven dos tempos pré-históricos" e que Beethoven nem sonhava em nascer ainda. Não teve paródia no nome dele, nem sempre parodiavam nomes famosos na época. 

Traços ficaram muito bonitos do estilo consagrado dos anos 1980. Embora maioria das histórias do Horácio eram escritas pelo Mauricio de Sousa, tudo indica que dessa vez não foi escrita por ele já que naquela fase o Mauricio só escrevia tabloides de jornais e essa foi história exclusiva de gibis, ainda assim, se for, o roteirista manteve as características fieis dos personagens como Mauricio fazia. Teve erro do dinossauro amarelo ficar branco no segundo quadro da última página. Foi republicada depois em 'Almanaque do Chico Bento Nº 17' (Ed. Globo, 1992).

Capa de 'Almanaque do Chico Bento Nº 17' (Ed. Globo, 1992)

sábado, 19 de setembro de 2026

Cebolinha: HQ "Duas Mônicas incomodam muito mais"

Mostro uma história em que o Cebolinha envolve a mãe da Mônica em plano infalível fingindo ser a Mônica para a mãe pensar que a Mônica era desobediente e dar castigo nela. Com 9 páginas, foi história de abertura de 'Cebolinha Nº 159' (Ed. Abril, 1986).

Capa de 'Cebolinha Nº 159' (Ed. Abril, 1986)

Cebolinha manda Cascão lhe dar parabéns, Cascão o cumprimenta, dizendo como pôde esquecer, deseja felicidades e que o presente ainda não comprou. Cebolinha fala que não é aniversário dele, é que o gênio bolou um plano realmente infalível contra a Mônica. Conta que a mãe da Mônica pode ser aliada para a derrotarem, as mães não querem que os filhos sejam desobedientes, mesmo a Mônica sendo obediente, vão pensar que a Mônica não seja com um deles se disfarçando de Mônica. 

Cebolinha resolve se disfarçar de Mônica porque o Cascão não ia passar pelo cheiro e fala para o Cascão distrair a Mônica na rua, não deixar ir para casa dela antes da hora combinada. Depois, enquanto Cascão distrai a Mônica, Cebolinha, disfarçado, vai à casa dela. Dona Luísa pergunta se a filha está de volta e comenta que o nariz está diferente, perguntando se ela brigou na rua. Cebolinha responde que brigou, sim, bateu em vários meninos inocentes. Dona Luísa manda ter modos, bater nos amiguinhos é feio. Cebolinha diz que sabe que eles não merecem, faz isso só para se exercitar.

Dona Luísa fala que Mônica está andando muito com os meninos, já está falando como o Cebolinha e não quer que fique mais tanto tempo na rua. Cebolinha insiste que quer, Dona Luísa manda a filha não ser malcriada. Cebolinha fala que vai sair  e pronto, Dona Luísa puxa a orelha dele, põe de castigo no banco, avisando que vai ficar uma semana sem sair de casa para aprender e "ai" se souber que andou batendo de novo nos amiguinhos. Cebolinha quer dar um jeito de sair dali, mas Dona Luísa grita para não se atrever, está espiando tudo da cozinha e Cebolinha fica aflito de como vai fugir de lá.

Enquanto isso, Cascão está contando piadas para distrair a Mônica, que se cansa e quer ir para casa. Cascão disfarça que tem uma história interessantíssima para contar, Mônica não quer mais saber de papo furado e tem que ir almoçar. Cascão ainda planta bananeira, não adianta e comenta consigo que não era a hora de ela ir e espera que o Cebolinha tenha saído.

Logo, Mônica chega em casa, Dona Luísa reclama que a filha saiu do castigo, Mônica pergunta que castigo e aí vê duas Mônicas e pergunta se será que é a idade que está vendo coisas. Cebolinha pensa que tem que agir rápido, Mônica fala que aquela menina é uma impostora e Cebolinha diz que a Mônica que é falsa. 

Seu Sousa aparece, dizendo que foi almoçar em casa hoje , se depara com as duas Mônicas e acha que está vendo dobrado. A esposa fala que são duas mesmo, Seu Sousa quer saber  por que não contou que eram gêmeas, Dona Luísa avisa que uma delas é impostora, mas não sabe qual delas.

Cascão, no lado de fora, fala que sabia que ia dar nisso e tenta ajudar o Cebolinha em dizer para os pais da Mônica quem é a verdadeira. Cebolinha pisca e Cascão diz que a da esquerda é a Mônica, manda os pais repararem que esta é mais gorducha e mais baixinha e os dentões são inconfundíveis. Mônica se irrita, Cascão fala que conhece a verdadeira muito bem, além do mais, o Cebolinha caprichou tanto na fantasia, mandando ele confirmar.

Mônica bate nos dois, Seu Sousa tenta impedir, mas Dona Luísa manda deixar, é coisas de criança. Depois, Cebolinha reclama que levaram surra, tudo por causa do Cascão, que se desculpa porque se empolgou. Cebolinha convida Cascão par almoçar na casa dele, Cascão aceita, esperando que consiga mastigar. Em casa, Dona Cebola pergunta quem é quem, não reconhecendo de tão surrados que os dois estavam.

História muito engraçada em que o Cebolinha cria plano infalível de se disfarçar de Mônica e fazer com que a Dona Luísa coloque a filha de castigo por desobediência e ela pensar que filha bater nos meninos é errado. Não acontece o que esperava porque Dona Luísa levou a sério e ele não conseguia sair do castigo, fazendo Mônica aparecer lá e os pais dela não sabiam quem era a verdadeira e quem era a impostora. Cascão entrega que era o Cebolinha disfarçado e os dois apanham e no final é Dona Cebola quem não consegue diferenciar quem era o filho e quem era o Cascão.

Cebolinha bem perverso, ideia era jogar a mãe contra a filha e não apanharem mais da Mônica porque tida vez que Mônica batesse neles, a Dona Luísa ia  bater nela. Cascão sempre estraga tudo, daria certo se ele não falasse de mais, era só parar de falar depois dos xingamentos. O legal que a condução do plano foi tudo no improviso do Cebolinha para a mãe da Mônica não descobrir porque tinha risco de ela descobrir e não conseguir ir adiante. Ele teve um grande jogo de cintura na hora de Dona Luísa perguntar sobre nariz diferente e jogar que quem era a impostora era a Mônica e sorte da Dona Luísa achar que estava falando errado porque estava andando muito com o Cebolinha.

O disfarce do Cebolinha ficou bom, mesmo assim os pais da Mônica muito burros de não saberem diferenciar a filha, mostrou que não conhecem bem, já que além de sinais óbvios de nariz e dislalia, a voz não seria igual, por mais que o Cebolinha afinasse. Dessa vez os pais da Monica viram a filha bater nos meninos e deixara porque eles mereceram. Com a mãe vendo o que os meninos eram capazes, mudou de ideia de achar que é feio Mônica bater nos meninos, viu que Mônica estava certa em bater.

Foi engraçado Cascão cumprimentar Cebolinha pensando que era aniversário dele, achar que a aliada contra a Mônica seria a Mulher-Maravilha, que a Mônica dá coelhadas na mãe, Cebolinha usar dentes de papelão no disfarce, Cebolinha dizer que Mônica bateu nos meninos inocentes para se exercitar, Dona Luísa achar que a dislalia é porque Mônica andava muito com Cebolinha, dizer que "será que é a idade que está vendo coisas" ao ver duas Mônicas, Seu Sousa perguntar se estava vendo dobrada e depois que a esposa não contou que tinham filhas gêmeas, e que tem dentões, Cascão dizer que tem olho clínico pra identificar verdadeira Mônica e falar que espera conseguir mastigar depois da surra.

Dessa vez não teve paródia da "Mulher-maravilha", na época nem sempre parodiavam nomes famosos. Incorreta atualmente por não ter mais histórias de planos infalíveis, principalmente com meninos tão perversos de jogar mãe contra filha, Dona Luísa puxar orelha da sósia da Mônica, pôr de castigo no banco, Cascão xingar Mônica de gorducha, meninos extremamente surrados após a surra, Cebolinha trocando "R" por "L" em pensamentos, Dona cebola com avental, além de expressão popular "papo furado". Tiveram erros de língua da Mônica branca no último quadro da página 7 do gibi e o do banco do Cebolinha branco no último quadro da página 8 do gibi.

Traços ficaram bons no estilo consagrado dos anos 1980. Propaganda inserida na história dessa vez do lápis "Labra" em uma página, na lateral direita. Nunca foi republicada até hoje, seria por volta de 1995, quando estavam republicando mais histórias de abertura do Cebolinha de 1986 nos Almanaques dele, mas não foi por esquecimento já que ainda não tinha politicamente correto nos gibis, talvez estavam reservando para um 'Coleção Um Tema Só' de Planos Infalíveis e acabaram se esquecendo, aí se torna rara hoje, só quem tem o gibi original que a conhece. 

Na capa do gibi, teve etiqueta de preço devido a mudança da moeda de Cruzeiro para Cruzado no brasil só que colocaram em local diferente, ideal seria em cima do preço original, bom que vimos de cara a comparação de preço e teve uma leve redução de preço, visto que o Cruzado era apenas o valor do Cruzeiro dividido por mil.