quarta-feira, 20 de maio de 2026

HQ "Mônica, não mande... peça"

Em maio de 1996, há exatos 30 anos, era lançada a história "Mônica, não mande... peça", em que ela obriga seus amigos a participarem de uma peça de teatro com roteiro dela. Com 16 páginas, foi publicada em 'Mônica Nº 113' (Ed. Globo, 1996).

Capa de 'Mônica Nº 113' (Ed. Globo, 1996)

Mônica diz para o Cebolinha sobre o papel que ele vai fazer na peça de teatro que ela escreveu. Cebolinha fala que não quer participar de peça, muito menos em uma que ela escreveu. Mônica parte para violência e, assim, Cebolinha resolve participar para não apanhar. 

Mônica avisa que Cebolinha vai fazer papel de mocinho boboca para dar toque de humor que o público adora e ele não gosta. Cascão aparece, pergunta o que acontece, Mônica diz que escreveu uma peça e agora está distribuindo os papéis. Cascão pergunta se tem papel para ele, Mônica entrega um papel, dizendo que tem para todo mundo e ele assoa o nariz. 

Mônica diz que o papel não era para isso, Cascão fala que para outra coisa não está precisando. Mônica explica que é o papel da peça de teatro que ela escreveu e ele assou o nariz no título. Cascão pergunta se o título era "As dentuças também amam" e apanha. 

Cebolinha pergunta qual papel que a Mônica vai fazer e ela responde que é da mocinha meiga e delicada para dar um toque de romantismo que o público adora e que o Cascão vai fazer papel de outro pretendente dela que morre na metade da peça para dar toque de tragédia para o público chorar. Cascão fala que não vai morrer na peça, Mônica faz cara feia para ele, que muda de ideia e diz que melhor morrer na peça do que na vida real.

Surge a Magali, quer saber se tem papel para ela, Mônica diz que não, os meninos reclamam que proteção é essa, só porque é amiga dela. Mônica pergunta se Magali quer ser criada, Magali diz depende de quanto vai pagar e Mônica diz que da peça. Magali topa por Mônica comprar três sorvetes pra ela.

Os meninos falam que já vão indo, qualquer dia começam a ensaiar. Mônica fala que o ensaio vai ser hoje, agora, porque resolveu que quer apresentar essa peça como sugestão para o Parque da Mônica. Os meninos perguntam o que ela tem contra o Parque, Mônica diz que se for aprovada, vão poder encená-la no Parque muitas e muitas vezes e eles vão ao palco montado pelo Franjinha, que gentilmente concordou em ajudar.

Franjinha avisa que o palco está quase pronto, tem partes que não estão muito firmes e Mônica diz que para começar está bom. Eles colocam as roupas dos personagens da peça e começam a chegar os convidados que vão assistir o ensaio aberto e ainda chamou o Mauricio de Sousa para ver se pode usar a peça no Parque da Mônica. Os meninos acham que vai ser um vexame, não preparam nada, Mônica diz que a peça é simples, dá o texto longo para eles decorarem e Cascão acha bom que vai morrer na metade.

Depois, começa a peça, Franjinha apresenta e como Mônica esqueceu o título por Cascão ter estragado, Franjinha chama a peça de "Agora, esqueci". Mônica começa a encenar, diz que é uma mocinha meiga e delicada e a plateia começa a dar gargalhada. Mônica está á procura de um grande amor, Cebolinha é o mocinho e diz que pode dar esse amor para ela e diz "te amo 11 vezes" para não ficar repetindo como no roteiro. Mônica diz que tem que repetir, ele repete e depois aparece o Cascão, que repete sem parar "eu que te amo" e leva um tabefe do Franjinha para parar.

Mônica não sabe com qual dos dois pretendentes vai ficar e chama a criada Magali, que chega já falando que quer um aumento, para participar desse vexame, vai querer 5 sorvetes. Mônica diz que depois elas discutem isso e pergunta com qual pretende deve ficar. Magali fala que com o Cebolinha porque o outro vai morrer já, já e não tem futuro. Mônica agradece, manda a criada se retirar e avisa que na próxima vez é para decorar melhor as falas dela.

Cebolinha encena se a Mônica, dona do coração dele, vai ficar com ele ou com o bobão. Cascão diz que bobão é ele que fala "colação" em vez de coração. Cebolinha diz que isso não estava no roteiro e não é para provocá-lo. Cascão provoca, dizendo que senão ele vai ficar "blavo". Cebolinha finge que está apontando arma e dá um tiro no Cascão, que encena uma morte, indo para um lado para o outro, cai, fala que "selá" também é com "R" e morre de vez.

Mônica lamenta que ele morreu, Cebolinha diz que "morreu 7 vezes" e que agora viverão felizes para sempre, aí Franjinha diz que além de cenógrafo e puxador de cortina, ele é outro pretendente da Mônica. Cebolinha e Franjinha ficam pulando no palco, repetindo "Não!", "Sim!" e Mônica, "Talvez!". Cascão percebe movimento no cenário, se levanta e pede licença pra morrer mais para lá, que é uma emergência e o cenário desaba em cima da Mônica e do Cebolinha.

Após, só Mauricio continuou na plateia, ele diz que todos saíram porque tinham compromisso e avisa que a peça pode ser apresentada no Parque da Mônica só depois de alguns anos, no momento não estão precisando de outra peça, mas que é para ela continuar assim e será uma grande autora teatral no futuro. Cebolinha fica feliz que tudo está bem quando eles acabam quase inteiros. 

Mônica tem ideia de fazerem um filme em 3D para o Parque. Os meninos não gostam, falam que nunca mais participam de bobagens dela, que as histórias dela são horríveis e a chama de dentuça metida. Eles apanham, Mônica obriga os meninos a filmarem o filme "Meninos danados" e Cascão comenta que será que as estrelinhas saem em 3D no filme.

História legal em que a Mônica resolve fazer uma peça com intenção de ser aprovada pelo Mauricio de Sousa para ser encenada no Parque da Mônica, ela precisa obrigar os meninos a participarem para não apanharem. A peça é encenada a ensaio aberto e com presença do Mauricio, sem terem ensaiado antes e eles cometem vários deslizes e confusões até o cenário desabar por conta de pularem no palco não estar totalmente pronto. Mauricio não aceita a peça no Parque e Mônica resolve fazer um filme par ao "Cinema 3D" do Parque e mais uma vez obrigando os meninos a participarem.

Mostrou a característica da Mônica opressora, autoritária, que os outros tem que fazer o que ela quer, não à toa é chamada de dona da rua. Obrigou Cebolinha e Cascão participarem e Franjinha montar palco para não apanharem. Como eles já estavam acostumados a apanhar, era só recusarem para não precisarem passar o vexame e de qualquer forma apanharem no final. Para o Cebolinha até que não apanhou durante a história, só levou um cenário desabado na cabeça, que considerou melhor do que apanhar. Já para o Cascão, mesmo tendo aceito participar da peça, acabou apanhando por causa do título que inventou, aí acabou apanhando duas vezes.

Foram dois momentos, a preparação para a peça, definindo quem faria tais personagens e a encenação da peça em si. Na peça foi toda improvisada, fugindo do roteiro, afinal, nem tiveram tempo pra decorar tudo. Destaques de eles não quererem repetir o texto de te mamo repetitivo, Magali dando spoiler que o Cascão ia morrer, Cascão debochando da dislalia do Cebolinha e Cascão querer morrer para o outro lado porque o cenário ia desabar. Se Mônica deixasse o Franjinha terminar de montar o palco e eles não tivessem pulado, daria para concluir a encenação e quem sabe o Mauricio fosse gostar.

De fato não era um roteiro de peça digno para entrar em cartaz no Parque da Mônica. Mauricio com jeito bem delicado de falar que não queria a peça no Parque, jeito especial para não magoar a Mônica e deixar uma esperança para ela no ar e incentivá-la a ser escritora. E no final voltaram a sofrer com as exigências da Mônica de filmar filme em 3D, coitados não têm sossego.


Foram engraçadas tiradas como Cebolinha dizer "Ah, não!" e Mônica pensar que falou anão. Cascão assoar nariz com papel da peça, dizer que papel para outra coisa não está precisando, se referindo a limpar bunda de cocô, título da peça "As dentuças também amam", meninos acharem proteção da Magali não participar da peça, Magali dizer depende de quanto vai pagar para ser criada, trocadilho do Cascão "por que a peça, digo, pressa,"?, Franjinha pedir favor para não bater nele por palco não estar todo pronto. peça se chamar "Agora, esqueci", plateia dar gargalhada quando Mônica diz que é mocinha meiga e delicada. Teve absurdo de surgir lata de lixo onde não tinha para Cascão não jogar o papel no chão.

Foi história póstuma de Rosana. Foi a única vez que o Parque da Mônica foi citado fora da revista homônima, eles costumavam separar os universos do Bairro do Limoeiro e do Parque nas outras revistas, nesta história foi exceção. O trocadilho de "peça" no título foi boa , de dar conselho para Mônica pedir em vez de mandar nos outros e tratar do tema de peça de teatro.

Incorreta atualmente por ter Mônica autoritária, ameaçar os outros para fazerem o que ela quer com violência, Cascão morrer na peça levando tiro, Cascão fazer bullying com dislalia do Cebolinha, meninos apanharem e aparecerem bastante surrados, cenário cair em cima deles, além da palavra proibida "gozado". 

Traços ficaram bons do estilo de personagens com língua ocupando mais espaço na boca pra dar mais humor. Cores mais escuras que não gostava muito,  sobretudo o mesmo marrom em tudo, sendo que até que o Jeremias com tom pele marrom normal. O degradê até que foi usado bastante nessa, talvez por ter ficado ambientada muito em céu aberto. Muito bom relembrar essa história há exatos 30 anos.

domingo, 17 de maio de 2026

Top 5 Melhores Traços da Turma da Mônica

A MSP ao longo da sua trajetória tiveram excelentes traços variados nos desenhos das histórias que encantaram os leitores. Nessa postagem eu mostro um "TOP 5" com os traços que eu mais gostei de todos os tempos.

MSP sempre teve como base até 2 tipos de traços. Os originais com personagens com bochechas pontiagudas criados pelo Mauricio de Sousa nos anos 1960 e 1970 e os da fase consagrada que presenciamos nas capas dos gibis passaram a ser os oficiais ao longo dos anos 1980. E em cima desses traços, os desenhistas e arte-finalistas tinham liberdade para variar como quisessem e como achavam que ficaria melhor de acordo com o roteiro e sem perder a essência do Mauricio.

Tiveram, assim, vários desenhos espetaculares e em cada gibi dos mais variados estilos, dos simples aos desenvolvidos, atendendo a todos os gostos. Eu particularmente gosto de todos os traços até os anos 1990, o que pode alguns serem menos atraentes do que outros, principalmente os de segunda linha em histórias de miolo, mas mesmo esses menos atraentes tinham seu charme merecido. 

Então, mostro a seguir os 5 melhores que gostei, em cada estilo destaquei trechos de duas histórias e com personagens da Turma da Mônica ou "Turma do Limoeiro" para servir melhor de comparação, lembrando que todos núcleos secundários também tiveram todas as versões de traços e ficavam muito bons também.

5º LUGAR:

Os desenhos de José Márcio Nicolosi eram um show à parte. Derivado dos personagens com bochechas pontiagudas dos anos 1970, os desenhos dele tinham detalhes e ângulos diferentes e ele gostava de colocar toda a sequência de um movimento longo de personagens sem serem divididos com quadros e já dava um diferencial do estilo da época. E ainda costumava ter arte-final do Alvin Lacerda, com contornos únicos que ficavam melhores ainda. Nicolosi também desenhou muitas histórias para o Pelezinho nos primeiros números e sempre com traços espetaculares. Traços assim ficaram nos gibis entre 1977 a 1979. 

Nessa história de miolo "A campeã", de 'Mônica Nº 96' (Ed. Abril, 1978), exemplifica bem o estilo de traços dele de brincar com o movimento da Mônica no skate, mostrando todo o trajeto que ela fez em vários ângulos e retratando o medo dela de cair. E ainda ficava uma mistura de personagens com bochechas pontiagudas e com corpo rechonchudo. Muito bom.

HQ "A campeã" - 'Mônica Nº 96' (Ed. Abril, 1978)

Outro exemplo é da história "Baile à fantasia", de Mônica Nº 97' (Ed. Abril, 1978), que era de abertura e tinham quadros normais misturado com cenas sem quadros. Quando tinham quadros tinham uma estruturação diferente, podendo ser de diversos tamanhos e quadros em diferentes formatos, podendo ser redondos. losangos em vez dos tradicionais quadrados ou retangulares. E juntando a arte-final de Alvin Lacerda ficou espetacular.

Trecho da HQ "Baile à fantasia" - Mônica Nº 97' (Ed. Abril, 1978)

4º LUGAR:

Os traços denominados "superfofinhos" da Emy Acosta eram excelentes. Nesse estilo, os personagens ficavam fofos em excesso, vários ângulos e expressões deles diferentes, formatos de balões diferenciados em figuras geométricas. O estilo superfofinhos foi determinante para a transição dos personagens pontiagudos para a versão consagrada dos anos 1980. Entre 1970 a 1977 já teve mudanças bem graduais que os leitores nem percebiam, mas para deixarem com bochechas redondas como conhecemos ia demorar, aí resolveram arredondar em exagero, em excesso, para depois diminuir arredondamento no ponto que queriam, sem ser de forma abrupta e que cause estranhamento e deu certo. Traços assim ficaram nos gibis também entre 1977 a 1979 e a história "No mundo de Romeu e Julieta", de 1978, é a mais conhecida com esse estilo.

Nessa história "A nuvenzinha do amor", de 'Cebolinha Nº 68' (Ed. Abril, 1978), vemos os personagens bem redondos e vários formatos de quadros, podendo até a grama ter um formato arredondado quando quadros eram brancos sem linhas. Muito lindos esses desenhos.

Trecho da HQ "A nuvenzinha do amor" - 'Cebolinha Nº 68' (Ed. Abril, 1978)

Já na história "Fofocas mil"de 'Cebolinha Nº 73' (Ed. Abril, 1979), os personagens estão superfofinhos e nesse trecho os quadros todos em formatos diferentes, podendo ter curvas, nenhum quadro do tradicional quadrado ou retangular. Os quadros interagiam com a cena, era perfeito.

Trecho da HQ "Fofocas mil" - 'Cebolinha Nº 73' (Ed. Abril, 1979)

3º LUGAR:

A arte-final de Alvin Lacerda nos anos 1980 deixava um diferencial muito bom. Já com base no estilo consagrado de personagens, quando tinham histórias com arte-final do Alvin ficavam incríveis. Nem dava para saber que duas histórias desenhadas por mesmo roteirista e com arte-final diferentes eram do mesmo desenhista. O Alvin Lacerda deixava contornos mais profissionais, um ar sombrio, que só de olhar já dava pra saber que a arte era dele. Traços dele funcionavam bem tanto em histórias de abertura quanto de miolo e histórias da Turma do Penadinho e da Turma do Papa-Capim também ficavam muito bem com arte-final dele. Alvin ficou na MSP desde o início e podia ver traços dele até no começo dos anos 2000, quando se aposentou.

Nessa história de miolo "A fitinha", de Mônica Nº 176' (Ed. Abril, 1984) já com base na fase de traços consagrados dos personagens, vemos o estilo de arte-final do Alvin Lacerda, contornos únicos, e que se tivesse contornos de outro arte-finalista e com os mesmos desenhos já ficaria diferente. Adorava traços assim.

Trecho da HQ "A fitinha" - 'Mônica Nº 176' (Ed. Abril, 1984)

Já na história de abertura de "O terrível plano olharis tremendus minhocais", de 'Cebolinha Nº 157' (Ed. Abril, 1986) também vemos contornos espetaculares e únicos mesmo em cenários simples e ao mesmo tempo dava movimento. Como gosto mais de simplicidade com as variações de traços personagens, esses traços para mim ficam como 3º lugar.

Trecho da HQ "O terrível plano olharis tremendus minhocais" - 'Cebolinha Nº 157' (Ed. Abril, 1986)

2º LUGAR:

Os traços de Rosana Munhoz eram lindos, deixavam os personagens fofinhos, mas não superfofinhos dos anos 1970. Ela iniciou na MSP como desenhista e depois passou para o roteiro, mas depois disso de vez em quando ainda desenhava, normalmente em algumas histórias escritas por ela. Desenhos dela já foram como base da fase  consagrada e em histórias com grandes cenários eram ricos em detalhes que davam gosto de ver. Desenhos dela também ficavam muito bem em histórias da Turma do Penadinho e da Turma do Penadinho.

Nessa história "A fome", de 'Cascão Nº 70' (Ed. Globo, 1989), foi de cenários simples, com base de desenhos da fase  consagrada com destaques para os personagens bem fofos e ângulos bem variados. Muito bonito, ficou fofinho dos anos 1980.

Trecho da HQ "A fome" - 'Cascão Nº 70' (Ed. Globo, 1989)

Já em "Sapatinho vermelho", de 'Magali Nº 7' (Ed. Globo, 1989), de fábula e também em cenários simples, vemos uma bruxa bem gordinha e um quadro da Magali fofinha em movimento, dançando com os sapatinhos mágicos que recebeu da bruxa. Traços fofinhos exatamente desse jeito ficaram com frequência entre 1986 a 1989.

Trecho da HQ "Sapatinho vermelho" - 'Magali Nº 7' (Ed. Globo, 1989)

1º LUGAR:

Os desenhos da fase consagrada são o que prevaleceram nos gibis, vistos em maior quantidade e esse estilo de traços considero o melhor. Esse estilo desenhado por Sidnei Lozano Salustre, o Sidão, com destaque a personagens com pernas mais gordinhas, com curvas nos olhos e de preferência sem fundo branco para expressar que estavam com muita raiva ou muito tristes, personagens de perfil em muitos quadros, falando com dentes à mostra e um andar diferente com mãos esticadas. Traços assim ficaram com frequência entre 1990 até parte de 1993.

Nessa história "Crochetando", de 'Mônica Nº 58' (Ed. Globo, 1991), com a fase consagrada, vemos um cenário simples, Cebolinha e Cascão com curvas nos olhos quando estavam com raiva sem preencher o contorno normal dos olhos e sem fundo branco, Cebolinha falando com dentes à mostra quando estava planejando aprontar com a Mônica e Cascão com andar com braços esticados e pernas mais grossas. Muito bom assim.  

Trecho da HQ "Crochetando", de 'Mônica Nº 58' (Ed. Globo, 1991)

Já nesse trecho da história "As manicures", de 'Magali Nº 61' (Ed. Globo, 1991), os personagens ficaram com olhos do estilo tradicional com fundo branco e sem curvas, mas mostra eles mais gordinhos nas pernas, Mônica andando com braços esticados, Cascão falando com dentes à mostra quando ficou surpreso que tinha que deixar as mãos de molho com água e sabão para cortar a unha no 2º quadro da página 11, e Cebolinha, a partir do 6º quadro da página 11. Sidão arrebentava. Ficava encantado com esses traços e para mim o primeiro lugar de todos os tempos.

Trecho da HQ "As manicures", de 'Magali Nº 61' (Ed. Globo, 1991)

Coloquei na postagem a ordem que eu achei de melhores desenhos, apesar dos traços do Nicolosi e da Emy serem maravilhosos, mas como prevaleceu o estilo da fase consagrada nos gibis, mais acostumados com eles, e eu gostar mais de traços com cenários simples, o meu "TOP 5" ficou assim, cada um vai ter os seus traços preferidos. Fora esses, tiveram outros traços tão bons quanto estes que ficaram de fora da postagem por ter sido apenas os 5 melhores, aí merecem também de destaques de artistas como arte-finalistas Sergio Tibúrcio Graciano, Kazuo Yamassaki, Carlos Alberto Pereira (Beto), desenhistas Olga Ogasawara Yuhara, Julio Cesar Mauricio (Julinho), Aluir Amâncio nas histórias da Turma da Tina, e tantos outros que marcaram a MSP. Posso depois fazer postagens com histórico de traços, foram tantos variados que precisa de uma postagem por década e em breve posto outro "Top 5" no Blog

quarta-feira, 13 de maio de 2026

Tirinha Nº 125: Cebolinha

Nessa tirinha, Cebolinha tenta dar nó nas orelhas do coelhinho da Mônica, só que o castigo dessa vez foi outro, em vez de apanhar, Mônica dá nó no cabelo dele difícil de desatar. Muito engraçada.

Mônica deu o troco de fazer o mesmo com o Cebolinha, uma forma como o Sansão sente quando dá nós nas orelhas, Cebolinha sentiu, achou pior do que se tivesse apanhado. Porém, como ele nunca se endireita, não aprende lição e obsessão de provocar a Mônica é alta, depois volta a fazer tudo de novo. Legal que o cabelo com nó ficou em formato de cebola, fazendo jus ao nome dele.

Tirinha publicada originalmente em 'Cebolinha Nº 92' (Ed. Abril, 1980).

domingo, 10 de maio de 2026

Magali: HQ "Um aniversário nada previsível"

 Dia 10 de maio é aniversário da Magali, então, em homenagem, mostro uma história em que ela deixou de comer na sua festa de aniversário com medo de morrer depois que vidente Madame Cleuzodete previu que ela perderia todo o seu apetite. Com 12 páginas, foi publicada em 'Magali Nº 310' (Ed. Globo, 2001).

Capa de 'Magali Nº 310' (Ed. Globo, 2001)

Escrita por Emerson Abreu, Magali fala para a Mônica que está ansiosa pela sua festa de aniversário à noite. Mônica diz que também adora festa de aniversário, com casa cheia de gente, enfeitada com balões e desenhos na parede, ganha muitos presentes e um montão de amiguinhos desejando felicidades. Só que se logo se toca que a Magali se referia ao bolo e ela complementa com brigadeiros, cajuzinhos.

Magali comenta que os anos estão passando cada vez mais rápido, Mônica diz que logo ela vai ser uma mocinha, Magali pergunta como será a Magali de amanhã e Mônica acha que comilona como a de hoje e Magali comenta se tivesse um jeito de saber, quando se deparam com a tenda da Madame Cleuzodete, vidente que lê passado, presente, futuro e bula de remédio.

Magali diz que teve uma ideia, Mônica também, Magali pergunta se topa, Mônica, também e a ideia da Magali era tomar sorvetes de flocos com milho verde e Mônica diz que a ideia dela era irem consultar a dona que vê o futuro. Magali não queria ir lá. Mônica pergunta se Magali não tem curiosidade de saber como vai ser o amanhã e Magali diz que não porque ele já tem os roteiros das historinhas dela até o mês que vem e sabe tudo tintim por tintim.

Elas entram na tenda, Mônica avisa que queria se consultar, Madame Cleuzodete interrompe, pedindo silêncio que recebeu mensagem na bola de cristal. É de uma tal Magali, que vai perder todo o apetite a partir da meia-noite e ouvem um trovão. Mônica e Magali riem muito, e Magali fala que sabia que tudo era papo furado. Madame Cleuzodete fala que podem rir, mas é para ela ter cuidado com o que vai comer esta noite, pois será a última guloseima que colocará na boca e ouvem um trovão. Ela termina a consulta, cobra 5 reais e entrega para as meninas o cartão dela com site na web e manda voltarem sempre. 

Na saída, Magali fica preocupada, pode ser bobeira, mas se for verdade e ela perder o apetite o que será da vida dela. Mônica manda desencanar, diz que único jeito de Magali perder apetite é se bater as botas e ouvem outro trovão. Magali chora que não quer bater as botas e logo ela que nem tem sapato, pergunta se vai comer maçã enfeitiçada ou cajuzinho azedo. Vê vendedores de pastel de queijo, cachorro-quente e pipoca e fica mais aflita. Mônica acha que está exagerando e Magali quer se esconder em casa para fugir da tentação. 

Chegando em casa, acontecia a festa de aniversário e elas tinham esquecido. Dona Lili e os amigos falam que tem bolo de sorvete com cobertura de chocolate, mousse de maracujá, manjar de coco, flan de figo, pudim de caramelo. Magali fala que às favas com as profecias, é seu aniversário e se prepara a comer o bolo inteiro, quando lembra madame Cleuzodete avisando que à meia noite ela vai perder todo o apetite e joga o bolo na cara da Mônica, desistindo de comer.

Magali fica agitada, corre e some da festa. Mônica procura a amiga pela casa por muito tempo, avisa que está na hora de assoprar velhinha. Encontra a Magali dentro da lavadora de roupa cheia de água com sabão. Magali diz que era único jeito de ficar longe de qualquer guloseima. Mônica diz que profecia é tudo lorota, já deu meia-noite e aconteceu nada.

Magali comemora que ainda tem apetite e que pode comer tudo que quiser. Ela corre até à sala e come tudo da festa, até o que os amigos estavam comendo. Mônica fala que não precisava exagerar, não é só porque deu meia-noite que poderia ser assim. Dona Lili fala que já saíram do horário de verão e esqueceu de atrasar todos os relógios e que agora deve ser 11 horas da noite. Mônica comenta que, então, Magali pode perder o apetite e ela desmaia.

Depois, no quarto da Magali, Mônica diz que o lado bom é que Magali não bateu as botas, mas Magali comenta de cama que no final as profecias estavam certas porque depois de todos aqueles doces que comeu sozinha, não aguenta nem pensar em comida e a mãe e amigos ficam rindo dela.

História legal que Magali, no dia de seu aniversário, vai se consultar com a vidente Madame Cleuzodete, que avisa que ela vai perder todo o apetite à meia noite e ter cuidado com o que ela come. Magali pensa que ela ia morrer porque seria o único jeito de ela perder o apetite ,fica desesperada e resolve comer nada até meia-noite.  Depois do horário e nada de ruim acontecido, come tudo da festa sem culpa só que a mãe tinha esquecido de atrasar horas dos relógios depois do horário de verão e Magali passa mal com indigestão e fica de cama sem poder pensar em comida.

Magali achou que ela ia morrer porque só assim para ela perder apetite. Primeiro não acreditava no papo de profecias da Madame Cleuzodete, não morreu, foi uma indigestão que tirou o apetite dela e nem se ligou que poderia ser isso a perda de apetite. Quem mandou ser tão gulosa e querer comer tudo que ela não havia comido durante a festa. Se ela não exagerasse na comilança da festa, de comer tudo que encontrava pela frente, não teria indigestão. Afinal, comer tantas coisas doces e salgadas de uma só vez, descontroladamente, sem digerir bem, pediu para passar mal. Madame Cleuzodete falou das visões sem detalhes e as meninas interpretaram errado, se a vidente fosse mais clara, também poderia evitar.

Dona Lili também teve uma certa culpa de abalar mais o psicológico da filha, deixando de atrasar relógios depois do horário de verão. Chega a ser absurdo, horário de verão acaba em fevereiro e a mãe da Magali só lembrou de atrasar os relógios em maio, ficaram 3 meses com horários da casa errado e nem perceberam. E também bem irresponsável festa de criança passar de meia-noite, teria que acabar cedo.

Engraçado placa da Madame Cleuzodete informar que também ela sabe ler bula de remédio,  Magali e Mônica pensarem que tiveram mesma ideia de se consultar com a Madame Cleuzodete, mas  a ideia da Magali era tomar sorvete, Magali dizer que já sabeo futuro dela porque recebe os roteiros das suas histórias antes de serem publicados, dizer que o pai recebe mensagem no celular depois que a vidente disse que recebeu mensagem das profecias, Magali dizer que é este não é nome estranho, sem lembrar que ela se chamava Magali e Mônica avisar que é ela e a chamar de "sua coisa", Magali chorar que não quer bater as botas e dizer logo ela que nem tem sapato, ela jogar o bolo na cara da Mônica e se esconder dentro da máquina de lavar roupa com água e sabão dentro, pelo visto máquina em funcionamento bem no momento da festa.

Emerson já tinha o estilo definido instalado em 2001, enquanto que em 1997 e 1998 o estilo era mais contido e como fase de experiência, em 2001 já estava tudo consolidado, por isso vemos que personagens já estavam bem agitados, saltitantes, abobalhados e debochados e as tiradas prevalecendo dando graça. Não tinham caretas exageradas ainda, porém com mais línguas à mostra, até quando não contavam piadas infames e cabelo da Mônica fora do lugar. Só não foi muito longa porque era um gibi quinzenal de 36 páginas e teve ajuste de enquadramento, se tivesse quadros retangulares prevalecendo, teria mais páginas no total.

Essa história marcou a estreia de Madame Cleuzodete, depois apareceu em outras sempre com personagens sofrendo com suas previsões. A ideia era para a vidente ser negra, mas depois adotaram ela como branca em definitivo para não mostrar uma negra como vidente. Na capa da edição, com alusão à história de abertura, ela até apareceu diferente e branca, ficando como deixaram em outras histórias.

Incorreta atualmente por Magali egoísta, comendo tudo na festa e até o que os convidados estavam comendo, criança acordadas até meia-noite, festa de criança devia acabar mais cedo, Magali se esconder dentro de lavadora de roupa funcionando, calcinhas da Magali e da Mônica à mostra no terceiro quadro da página 9 do gibi e terceiro quadro da última página, principalmente do jeito que a Magali apareceu na última página, além de palavras e expressões populares de duplo sentido como "tintim por tintim", "desencanar", "batendo as botas", "às favas", "se meteu". Já crianças se consultarem com vidente ainda existe já que a Madame Cleuzodete ainda aparece nos gibis até hoje.

Traços ficaram bons no geral, prevaleceu o estilo consagrado dos personagens, porém ficaram desenhos diferentes nas 4 páginas finais, a partir da página 11 do gibi quando elas estavam na festa de aniversário, mais com cara de anos 2000 a partir daí. Tiveram alguns erros como o chapeuzinho de aniversário aparecer na cabeça da Mônica do nada, o relógio na parede que era para marcar meia-noite, no penúltimo quadro da página 11 do gibi marca duas horas da manhã e ausência de faixa branca no vestido da Dona Lili no quadro final da história.

FELIZ ANIVERSÁRIO, MAGALI!!!!

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Chico Bento: HQ "Dentista!? Deus me livre!"

"Dia das Mães" está chegando e mostro uma história em que o Chico enganou sua mãe Dona Cotinha que foi ao dentista tratar dor de dente dele e comprou vários pirulitos com o dinheiro que ela lhe deu. Com 5 páginas, foi história de miolo publicada em 'Chico Bento Nº 49' (Ed. Abril, 1984).

Capa de 'Chico Bento Nº 49' (Ed. Abril, 1984)

Escrita por Rubão (Rubens Kyumora), começa com o Chico Bento machucando o dente enquanto almoça, fala com a mãe que entrou um pedaço de arroz no buraco do dente e doeu. Dona Cotinha diz que ele precisa é de um dentista e dar dinheiro para ele ir tratar o dente. Chico diz que morre de medo de dentista, resolve não ir, diz que vai gastar a grana e depois volta para casa e a mãe nem vai perceber. Ele vê um menino vendendo pirulito, que custava cem Cruzeiros cada, mas como o menino não tinha troco para mil Cruzeiros, Chico leva 10 pirulitos, chupa todos e passa a ter dor de dente muito grande.

Dona Cotinha aparece perguntando se o filho já foi ao dentista. Ele diz que já, Cotinha nota lágrimas e pergunta se ele está chorando. Chico nega, Cotinha acha, então, que está com conjuntivite e fala para irem para casa que tem um colírio bom para isso. Chico não quer ir e foge. Cotinha vai procurá-lo e ouve atrás do muro o Chico chorando e falando arrependido que devia ter ido ao dentista em vez de gastar dinheiro com pirulito e agora está morrendo de dor de dente.

Dona Cotinha leva Chico ao dentista puxando orelha dele no caminho todo. No consultório, o dentista arranca o dente. Na saída, Cotinha comenta que foi bom, que agora não vai doer mais. Chico confessa que na hora sentiu muito medo e com tanto medo pediu para o dentista arrancar o dente errado. Cotinha fica braba com o Chico e corre atrás dele pela vila para bater nele e Chico comenta que depois dessa vai precisar de um médico.

História legal em que o Chico está com dor de dente e por medo de dentista quis mentir para a mãe que foi e gastou toda a grana que ela lhe deu com pirulitos para ela não perceber. A dor fica maior, Chico não consegue contar a verdade para mãe, só que ela descobre tudo e o leva forçado para o dentista. No final, ele pediu para o dentista arrancar dente errado, dando raiva na mãe ela quer bater nele.

Chico foi falar alto o que ele tinha feito, sem se tocar que a mãe podia ouvir, se só pensasse, poderia demorar mais para encontrá-lo. Chico aprendeu que não adianta mentir para mãe, cedo ou tarde, vai descobrir a farsa, que era melhor ter contado a verdade desde o início. Dona Cotinha, sabendo que o Chico era pestinha e aprontava muito, tinha que ter ido ao dentista com o filho, a autonomia das crianças nas histórias permitiam elas irem sozinhas a estabelecimentos. Chico aprendeu também que comer doces com dente doendo piora mais a dor e que ir ao dentista, mesmo com medo, é a melhor solução quando tem dor de dente.


Medo do Chico de dentista era muito grande, só de pensar em ir já era um tormento e já na cadeira erra em mandar tirar dente errado porque tinha medo de dor maior arrancando o dente já dolorido. Com a atitude, continuou com o dente doendo e ainda causou fúria da mãe, com razão, já que ela vai ter gastar mais dinheiro com nova consulta para arrancar o dente certo. Só nessa brincadeira, já havia gasto dois mil Cruzeiros (gasto com pirulitos e arrancar dente errado) e ainda teria que gastar mais mil para arrancar o dente certo. Cruzeiro era a moeda do Brasil da época, por isso, valores diferentes proporcionais à alta inflação da época. 

Engraçado Chico gritar comendo e Dona Cotinha dizer que a comida não está tão ruim assim, o menino vendedor dizer "Olha o pirulito!" e Chico dizer que é só para olhar pirulito ou ele está vendendo, Dona Cotinha achar que Chico estava com conjuntivite e que tem um bom colírio para isso e Chico recusar, ela puxar orelha do Chico em todo o caminho até chegar no consultório do dentista e a surpresa dela ao descobrir que o filho pediu para arrancar dente errado.

Hoje, dia 7 de maio, também é "Dia do Silêncio" e sem querer teve uma homenagem ao dia já que o silêncio do Chico no dentista, omissão de dente real que estava doendo foi fundamental para o desfecho hilário. Ainda assim, intenção mesmo da postagem foi em homenagem ao "Dia das Mães" no próximo dia 10 de maio deste ano.

Foi tipo de história do que não se deve fazer, se leitor quiser imitar o Chico, vai se dar muito mal, a gente se divertia e aprendia muito assim com os erros dos personagens. É incorreta atualmente por Chico mentir para mãe, sofrer com dor de dente, ter medo de dentista, menino trabalhando como camelô, pois trabalho infantil, nem pensar, Chico ir sozinho a dentista, Dona Cotinha  puxar orelha do Chico e querer bater nele correndo pela rua no final, ela de avental na rua e no consultório do dentista, além de expressões populares proibidas como "morro de medo", "morrendo de dor de dente", "Deus me livre!" no título. O caipirês na época era diferente, sobretudo em gerúndios que colocavam "vendeno", "chorano", morreno" e isso também sempre alteram em republicações de almanaques atuais, ajustando ao caipirês atual. 

Traços ficaram bons, típicos de histórias de miolo dos anos 1980. Tiveram alguns erros como Chico sem dente da frente no 2º quadro da 1ª página e pálpebra com fundo branco no 2º quadro da 2ª página da história. Nunca foi republicada até hoje em almanaques convencionais, apenas na reedição dessa revista da 'Coleção Histórica Turma da Mônica Nº 49', de 2015. Dava para ter sido republicada a partir de 1992, quando estavam republicando mais histórias de 1984 do Chico, mas acabaram esquecendo. E uma curiosidade para colecionadores que essa revista 'Chico Bento Nº 49' da Editora Abril teve 2 versões de capas, uma com referência à promoção "Reino Mágico" e outra versão, sem, e certamente nesta a propaganda da página 2 diferente sem relação à promoção.