quarta-feira, 12 de agosto de 2020

Cebolinha: HQ "Figurinha difícil"

Em agosto de 1990, há exatos 30 anos, foi lançada a história "Figurinha difícil" em que o Cebolinha sofre para pegar uma caixa de sapatos do Cascão para conseguir a figurinha que faltava para completar o seu álbum. Com 9 páginas, foi história de abertura de 'Cebolinha Nº 44' (Ed. Globo, 1990).

Capa de 'Cebolinha Nº 44' (Ed. Globo, 1990)

Cebolinha está abrindo vários pacotes de figurinhas, inconformado que só tinham repetidas e reclama que falta só uma figurinha para completar o álbum, já faz 2 semanas que está atrás dela e nunca consegue encontrá-la. Na rua, não para de pensar na figurinha e deseja pôr as mãos nela, ver que cor ela é.


Aparece o Cascão com uma caixa de sapatos e tinha a figurinha faltante colada na caixa e Cebolinha desmaia. Quando acorda, Cebolinha fala que ela é linda, do jeito que imaginou. Cascão não entende e nessa hora, Cebolinha pensa  que não pode revelar sobre a figurinha porque o Cascão coleciona também o álbum e não vai querer que ele complete antes dele e também uma vez recusou de dar para o Cascão uma tampinha que servia de roda para o carrinho e era a última que faltava na coleção dele.


Cebolinha disfarça que a caxa de sapatos que era linda e pergunta se podia dar para ele. Cascão responde que não porque vai servir de casa para o Eurico, seu sapinho de estimação que pegou na beira do lago de manhã. Cebolinha reclama que Cascão prefere um sapo do que seu melhor amigo. Cascão fala que ele tem casa e o Eurico não.


Cebolinha oferece cinco cruzeiros pela caixa e Cascão estranha por que ele quer tanto aquela caixa. Cebolinha inventa que sua família está com dificuldades financeiras e ele vai ter que vender papelão. Cascão estranha que como estão duros, como ele ia pagar 5 cruzeiros pela caixa. Cebolinha diz que pagaria depois que as coisas melhorarem, e, com isso, Cascão joga um monte de papelão velho que tinha e nem precisa pagar. Cascão não deixa ele levar a caixa do Eurico e aí Cebolinha vai embora sem querer levar nada.


Depois, Cebolinha vai até á casa do Cascão e quando ele se ausenta para pegar o Eurico, Cebolinha tenta pegar a caixa, mas Cascão volta logo e Cebolinha se esconde debaixo da mesa. O sapo foge e vai para debaixo da mesa, em cima da cabeça do Cebolinha. Cascão pensa que o Eurico tinha ficado feio e logo percebe que era o Cebolinha, que fala Bidu. Cascão fala que poderia jurar que era o Cebolinha e ao tentar se levantar, bate a cabeça na mesa e Eurico foge pela janela.


Cascão fica triste e fica sem saber o que fazer com a caixa que fez para o Eurico. Cebolinha fala para dar pra ele. Cascão pergunta se ele vai morar dentro da caixa de sapatos, mas dá pra ele. Cebolinha comemora que finalmente vai poder colar a figurinha no álbum, mas quando vai ver, a  figurinha estava furada, pois era o local que seria para o Eurico respirar.


Cebolinha desmaia e quando acorda confessa que queria era a figurinha colada na caixa para completar o seu álbum. Cascão fala que já completou o álbum e tem aquela figurinha difícil repetida e é dele por 5 cruzeiros e mais a tampinha que falta na sua coleção. Cebolinha agradece e fala para o Cascão ir lá na casa dele depois. Na hora que vai colar a figurinha no álbum, Eurico aparece bem no momento e a figurinha fica colada no sapo. No final, Cebolinha corre desesperado atrás do Eurico e Cascão comenta que ele não aprendeu que os sapos preferem as lagoas.


Muito legal essa história. Cebolinha faz de tudo para conseguir a figurinha que estava na caixa que servia de casa do sapo Eurico, a que faltava para completar o seu álbum. Toda criança coleciona álbum de figurinhas e eles gostavam de mostrar realidade do cotidiano delas nas histórias. 

Engraçadas as tiradas com Cebolinha inventando que sua família estava com problemas financeiros, entrar escondido no quarto do Cascão, se esconder debaixo da mesa, tudo para conseguir a bendita figurinha. Foi inesperado o final do Eurico entrar logo na hora que estava colando a figurinha e Cebolinha correr atrás dele para conseguir recuperá-la. Ficou um final aberto para o leitor imaginar a sequência se o Cebolinha conseguiu ou não recuperar, muito comum finais assim na época.


Nessa história Cascão teve um sapo de estimação, o Eurico, que não apareceu mais. Foi bom o trocadilho quando Cebolinha fala Bidu e o Cascão pensar que era o cachorro do Franjinha. "Bidu" era uma palavra antiga, que significa que a pessoa era esperta, sabichona, e, inclusive, isso foi inspiração do Mauricio de ter colocado o Bidu com esse nome quando foi criado em 1959.

Atualmente implicariam do Cascão criar sapo e deixar dentro de uma caixa de sapato, talvez mudariam dando um final feliz para o Cebolinha já que hoje não fazem finais tristes. Alterariam a palavra "Droga!" no início, a moeda "Cruzeiro" para ficar algo atual e colocariam o Cebolinha pensando sem trocar o "R" pelo "L". Na época, ele trocava as letras até nos pensamentos, hoje, por padrão, o colocam pensando certo já que alegam que quem tem dislalia na vida real falam errado, mas pensam certo.


Os traços ficaram muito bonitos, era ótimo ver desenhos assim. Teve um erro do Cascão falando de boca fechada na página 7 da história (página 9 do gibi) e isso eles também iam alterar para corrigir o erro. Muito bom relembrar essa história marcante há exatos 30 anos.

domingo, 9 de agosto de 2020

Capa da Semana: Mônica Nº 116

Uma capa em homenagem ao Dia dos Pais, com a Mônica carregando carro do se pai, Seu Sousa, como se fosse um carrinho de brinquedo. A força dela é tão grande que um carro de verdade é como se fosse um carrinho de brinquedo tranquilamente para ela.

A capa dessa semana é de 'Mônica Nº 116' (Ed. Globo, Agosto/ 1996).


quinta-feira, 6 de agosto de 2020

Histórias Semelhantes 8: Dudu café-com-leite


Nessa postagem mostro 2 histórias semelhantes com o Dudu em que ele foi impedido de participar das brincadeiras por seus amigos por ser considerado "café-com- leite" por eles. A primeira versão foi publicada em 'Magali Nº 13' (Ed. Globo, 1989) e a segunda versão ,em 'Magali Nº 84' (Ed. Globo, 1992).



A primeira versão de 1989 começa com Dudu falando para a mãe, Dona Cecília, que vai brincar a turma e ela avisa que é pra não se machucar e ele fala que já é grandão e sabe se cuidar. Dudu vê os meninos ogando futebol e pergunta se pode jogar com eles, joga em qualquer posição. Zé Luís fala que pode, mas ficar no cantinho para não se machucar. 

Trecho da HQ "Dudu café-com-leite" (1989)

Enquanto eles jogam, Dudu pede para passar a bola para ele e Zé Luís responde que ele é "café-com-leite" e como ninguém dá atenção a ele, vai embora porque não tinha graça. Dudu vê as meninas brincando de esconde-esconde e pergunta se pode brincar também. Magali fala que pode, mas ele é "café-com-leite", ainda muito pequeno. Dudu reclama que logo vai estar servindo exército e ainda vão tratá-lo como criancinha e vai embora.

Trecho da HQ "Dudu café-com-leite" (1989)

Depois, vê um garoto jogando bafo e ele aceita Dudu jogar para valer. O garoto rapela todas as figurinhas, mas o avô dele vê tudo, faz cara feia e o garoto devolve as figurinhas ao Dudu, falando que ele era "café-com-leite". Dudu vai para casa triste, achando que tudo isso dói e quando a mãe entrega café com leite, faz escândalo que odeia tomar café com leite.

Trecho da HQ "Dudu café-com-leite" (1989)

Já em 1992, começa com o Dudu perguntando para os meninos se pode jogar bola. Cebolinha aceita e avisa aos outros que é só para passarem a bola de vez em quando para o Dudu porque ele é "café-com-leite", Dudu ouve e reclama que não é "café-com-leite" e não quer mais jogar bola com eles.

Trecho da HQ "Dudu café-com-leite" (1992)

Depois vê o Franjinha e pergunta se pode jogar dama com ele. Franjinha fala que nem pensar porque não joga com "café-com-leite". Dudu fica irritado. Em seguida, ele vê as meninas brincando de amarelinha e  pergunta para Magali o que é "café-com-leite" e ela responde que é quando pega uma xícara e mistura leite e café. Dudu fala que quer saber quando uma pessoa chama a outra de "café-com-leite". Magali fala que significa que é uma criança bobinha, ingênua e sem experiência e pergunta se o chamaram disso. Dudu fala que o tempo todo e é uma injustiça. Então, Dudu pergunta se pode pular amarelinha com elas e Magali fala que nem pensar porque ele é "café-com-leite", deixando Dudu uma fera.

Trecho da HQ "Dudu café-com-leite" (1992)

Dudu reclama que é um complô, ele vai crescer, ficar forte e esperto e ninguém vai mais chamá-lo de "café-com-leite", mas não sabe como ficará assim bem rápido. Dona Cecília fala que se alimentando com tudo que ela der e o leva para casa tomar um lanchinho. Na mesa, Dudu continua reclamando que odeia café-com-leite, principalmente aquele de tomar leite com café e vira a cara para não tomar.

Trecho da HQ "Dudu café-com-leite" (1992)

As histórias quiseram mostrar crianças que não aceitam outras participarem de brincadeiras ou por acharem muito pequenas, ou acharem bobas ou não jogarem bem, achando que vai atrapalhar ritmo do jogo ou brincadeira com ela lá. Aí consideram que são "café-com-leite" crianças assim que podem ser insignificantes nas brincadeiras. Impublicáveis por conta de preconceito com as crianças excluídas nas brincadeiras, estimular a fazerem isso, ficarem tristes por serem excluídas. Não envolveram dessa vez a característica do Dudu não gostar de comer no geral, mas o final com o trocadilho de "café-com-leite" com a bebida não deixaram de lado essa sua característica completamente, serviu como piada final.

Comparação entre as histórias de 1989 e 1992

Comparando as 2 histórias, tiveram mesmo título, 4 páginas e mesmo tema das crianças acharem o Dudu "café-com-leite" nas brincadeiras e finais iguais. Elas começaram diferentes, com a de 1989 com o diálogo do Dudu com sua mãe enquanto que em 1992 já começa o Dudu pedindo para jogar bola com os meninos. Durante o desenrolar enquanto que na versão de 1989 as crianças até aceitavam o Dudu brincar, mas como "café-com-leite" e sem ser importante na brincadeira e ele sabia o significado do que estava sendo chamado, na de 1992 a maioria das crianças não deixaram brincar com elas por ele ser "café-com-leite" e ele não sabia a princípio o qe era a expressão, só sabia que não era coisa boa.   

Comparação entre as histórias de 1989 e 1992

O motivo para criarem histórias iguais em tão pouco tempo, talvez sejam roteiristas diferentes e não sabiam que tinha uma outra assim ou então quiseram dar uma nova roupagem à história já existente. Gostei mais da versão de 1989, mais divertida com direito ao Dudu ser rapelado nas figurinhas com o garoto secundário. Os traço de 1989 também melhores, e gostava mais quando o Dudu não tinha olhos com fundos brancos, dava impressão maior que ele era mais novo que as crianças da Turma da Mônica. A partir de meados de 1990, eles passaram a colocar o Dudu com olhos iguais aos outros personagens, o que diferenciava que ele era menor que os outros era apenas na altura mais baixinha. Em breve posto mais histórias semelhantes aqui no Blog.

domingo, 2 de agosto de 2020

Capa da Semana: Chico Bento Nº 7

Uma capa simples e com desenhos bem caprichados com Chico Bento tocando violão e o passarinhos cantando em sincronia com o que ele estava tocando. Eram comuns capas do Chico interagindo com os bichos e essa simplicidade fazia a diferença nos gibis.

A capa dessa semana é de 'Chico Bento Nº 7' (Ed. Globo, Abril/ 1987).


quinta-feira, 30 de julho de 2020

HQ "Mônica e os terríveis Cremilins"

Compartilho uma história clássica parodiando o também clássico filme "Gremlins", com Mônica precisando capturar os monstros Cremilins. Com 7 páginas, foi história de abertura publicada em 'Mônica Nº 180' (Ed. Abril, 1985).

Capa de 'Mônica Nº 180' (Ed. Abril, 1985)

Começa com Cebolinha e Cascão fugindo da Mônica depois de aprontarem mais uma com ela enquanto o narrador avisa que Cremilins são engraçadinhos, mas jamais dê sorvete de creme para eles. Mônica arremessa o Sansão forte e acaba quebrando vidraça de uma loja chinesa  e Sansão vai parar ao lado de uma criatura, que tinha o formato de um coelho vivo.


Mônica o pega e foge correndo para não verem que ela quebrou a vidraça. O Velho Chinês, dono da loja, aparece e vê que quebraram o vidro, mas se alivia que não levaram o seu Coelhuai. Quando se aproxima, se assusta que o Sansão não era o Coelhuai e vai à rua procurar imediatamente antes que alguém derrube sorvete de creme nele.

Na rua, Mônica olhando para trás, acaba esbarrando com a Magali, que estava tomando sorvete de creme e o sorvete cai no Coelhuai. Mônica reclama sobre o que Magali fez com o Sansão e ela diz que só inchou um pouco os bigodes e pior foi que perdeu o sorvete dela. Mônica olha para ele, os bigodes caem e se multiplicam virando vários monstros, os Cremilins, que passam a perseguir a Mônica.


O Chinês vê a cena e captura um Cremilim. Ele explica a Mônica sobre eles e avisa que têm que capturar os Cremilins antes que acabem com os sorvetes de creme e se multipliquem em milhões e depois que pegarem todos, ele vai usar a sua velha fórmula chinesa para fazê-los voltar a ser coelhinhos bonzinhos.

Ali perto, Cebolinha vê umas orelhas de coelho, pensa que era o Sansão e dá nós nas orelhas. Mas era um Cremilim e acaba enrolando seu cabelo para o alto. Mônica e o Chinês veem o cabelo do Cebolinha e o Chinês fala que Cremilins agem como crianças mal-educadas. Eles também tentam dar banho no Cascão e jogam sorvetes no sorveteiro porque ele não tinha sorvete de creme e ainda se questiona que coelhos gostam é de cenoura.


Mônica tem ideia de se fantasiar de sorveteiro e avisa que tem sorvete de creme. Consegue atrair os Cremilins com isso e prende todos no carrinho. Só que faltou um e ele vai direto para a sorveteria. Lá, Mônica pergunta par ao atendente onde está o maior freguês e ele fala que devorou todos os sorvetes. Quando veem a Magali de barriga cheia e Cremilim triste por não ter comido, eles ficam aliviado. O Chinês consegue prender o Cremilim que faltava e Magali cobra da Mônica o sorvete que ela estava devendo. No final, o Chinês bate na bunda dos Cremilins de chinelo e Mônica fala que ele está usando a velha fórmula chinesa de transformar Cremilins em Coelhuais bonzinhos.


História muito legal e criativa parodiando o filme "Gremlins". Deu para entrar no clima do filme. Conseguiram adaptar bem os principais fatos do filme com o universo da Turma da Mônica com muito bom humor e com direito de até Magali salvar a Terra dos terríveis Cremilins. "Gremlins" foi um filme de 1984 que marcou os anos 1980, em que um velho chinês vende um bichinho "Mongwai" para um menino sendo que ele não podia ser molhado, não colocá-lo sob luz solar e não alimentá-lo após meia noite. Acontece do Mongwai ser molhado e acaba se multiplicando e virando monstros aterrorizando toda a cidade. Um clássico do cinema.


Na história o "Mongwai" virou "Coelhuais" em forma de coelho, "Gremlins" viraram "Cremilins", que ao invés de virarem monstros com contato com água,  se transformam em monstros em forma de coelhos com contato com sorvete de creme. Grande sacada. No filme, um consegue escapar após todos serem capturados, o que acontece também nessa história. Com isso, conseguiram reunir vários elementos e em apenas 7 páginas conseguiram uma obra-prima e sem encheção de linguiça. Mesmo quem não viu o filme acha uma história bem divertida e engraçada. O que foi diferente que o lado de terror com os Gremlins diabólicos, causando acidentes, matando pessoas, foram amenizados só fazendo traquinagens de crianças mal-educadas já que era um gibi infantil.


Hoje em dia tem o título "Clássicos do Cinema" com os personagens parodiando filmes, só que evitam filmes de terror. Embora de vez em quando até tenha, mas preferem mais parodiar filmes de super-heróis e ficção científica. O final também é incorreto com o velho chinês batendo nos Cremilins de chinelo. Não aparecem mais os pais batendo de chinelo nos filhos, dando palmadas, por ser considerado violência infantil, não pode de jeito nenhum pais bater nos filhos hoje. Mesmo os Cremilins sendo vilões, não fariam isso.

Os traços excelentes da fase consagrada da turma dos anos 1980, estava começando o estilo da fase consagrada em 1985. Interessante o Sansão nas histórias antigas formar várias expressões diferentes. Ele é um coelho de pelúcia e devia ter sempre a mesma expressão, mas acabam colocando várias expressões, as vezes até olhando em direção a quem estava falando e braços em posições diferentes, parecendo que estava vivo.


Teve propaganda do lápis Labra inserida na lateral direita da última página, o que era muito comum na época e eu gostava quando acontecia. Foi republicada depois em 'Almanaque da Mônica Nº 23' (Ed. Globo, 1991). Termino deixando a capa desse almanaque.

Capa de 'Almanaque da Mônica Nº 23' (Ed. Globo, 1991)