Dia 21 de junho começa o inverno no Brasil, e mostro uma história em que o Chico tem dificuldade de sair da sua cama quentinha ao acordar em uma manhã fria. Com 6 páginas, foi história de encerramento de 'Chico Bento Nº 119' (Ed. Globo, 1991).
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| Capa de 'Chico Bento Nº 119' (Ed. Globo, 1991) |
Manhã de frio na roça, Dona Cotinha acorda o Chico Bento para ir para escola e ele pede para a mãe ficar mais cinco minutos na cama. Dona Cotinha diz que faz meia hora que ele está falando isso e é para andar logo para não chegar atrasado na escola. Chico pede para deixar faltar e ela diz que se fosse deixar faltar toda vez que estivesse com preguiça, o filho nunca ia para a escola e Chico acha uma boa ideia.
Dona Cotinha manda Chico levantar da cama ou ela vai puxar a coberta. Chico diz que não precisa, já está sentado e a mãe fala que vai pôr o café, se quando voltar e ele não estiver de pé, vai ter. Chico acha que tem que se levantar mesmo, só que vira para o outro lado comentando que tem deixar a cama quentinha e volta a cochilar.
Dona Cotinha pergunta se Chico está de pé e ele se levanta imediatamente. Comenta que só levantar de supetão para criar coragem e sente muito frio. Troca de roupa com sono e imagina a cama chamando pra ele dormir mais um pouquinho, ele diz que não pode porque tem que ir para escola, a cama o puxa pela coberta e ele volta para lá mais cinco minutos e não vai deixá-lo sair de lá.
Chico diz que a mãe não vai gostar, quando Dona Cotinha aparece, vê o Chico dormindo, fica uma fera, puxa o lençol, fazendo Chico cair da cama. Ela o leva para lavar rosto na bacia d'água para acordar de vez, toma café-da-manhã reforçado, põe casaco, chapéu e pasta e ele vai para a escola porque não quer filho preguiçoso. No caminho, Chico comenta que a sua mãe não entende e se pergunta que será que ela não sabe como é gostosa uma cama quentinha.
Na escola, Chico nem presta atenção na aula, só pensa na cama, também pensa no recreio e na saída da escola já pensa menos. Quando vai roubar goiaba com Zé da Roça o pensamento some e fica sem pensar durante o resto do dia enquanto namora a Rosinha, pular cerca para voltar para casa e na conversa com o pai e amigos deles em volta da fogueira de noite. No final, Dona Cotinha fala que está na hora que ele adora, que é para ir para cama dele quentinha e aí Chico não quer ir, quer ficar mais cinco minutos conversando em frente à fogueira.
História legal em que o Chico Bento fica com preguiça de sair da cama quentinha de manhã cedo com frio demais e a mãe dele quer a todo custo que ele saia. Conseguiu driblá-la por um tempo, mas não teve jeito, teve que sair à força. Com o passar do dia, diminuindo a friagem e fazendo atividades que gosta passa a esquecer da cama, até que de noite não quer voltar para casa para ficar conversando em frente à fogueira com os adultos.
Realmente dá para entender muito bem o Chico e saber como estava sentindo de sair da cama e enfrentar frio de manhã, porém não podia deixar de cumprir seu compromisso na escola por causa da preguiça e do frio, aí Dona Cotinha teve toda razão de tirar o filho da cama à força. Pelo menos ele já estava com roupa trocada após a imaginação da cama falando com ele para voltar para lá, que fez adiantar um pouco, e teve sorte que não precisou tomar banho gelado antes da escola, afinal não têm chuveiro elétrico na casa dele, na verdade não tinha eletricidade no geral, hoje em dia tem. Se bem que só lavar rosto com água gelada em dia de frio já é um tormento.
A piada final foi boa e com ideia do Chico não querer sair da cama de manhã, mas quando não está na cama não quer voltar, quer curtir mais o entretenimento, sempre mais cinco minutos para sair da cama e mais cinco minutos para ir dormir e vai sempre adiando, coisa bem comum também no cotidiano. O clima foi retratado como um dia que é muito frio de manhã, aí esquenta um pouco durante a tarde e esfria de novo à noite, uma coisa bem típica em época de inverno.
O ponto mais alto foi Chico imaginar cama falando com ele para voltar pra lá, com direito a coberta o puxando até nela e e ele dizer para Dona Cotinha que voltou porque a cama chamou. Foi engraçado também Chico dizer para mãe que boa ideia nunca mais ir para escola, levantar de supetão com medo de apanhar da mãe, Chico cair com puxão forte dela do lençol e querer ficar cordado mais 5 minutos para ficar conversando.
Mostrou o nosso cotidiano de luta de sair da cama em um dia de frio, que dá vontade de ficar o tempo todo mesmo tendo compromisso, eram boas histórias do Chico assim que dava para se identificar e deixava o personagem mais humanizado. Mesmo passados 35 anos ou mais tempo que for passar, sempre continua atual e ser identificada por todas as idades e não só as crianças, é só substituir o compromisso de acordar cedo para ir trabalhar, faculdade, médico marcado, etc, e adiar a hora de dormir para ficar assistindo série, filme ou ficar mexendo no celular. Incorreta hoje em dia por ter Chico preguiçoso, não querer ir para escola para ficar dormindo, não gostar de estudar, Dona Cotinha ameaçar bater no Chico se não se levantar, Chico namorando Rosinha, ficar conversando com adultos tarde da noite, ter fogueira e palavra proibida "supetão" por ser de difícil entendimento para crianças pequenas.
Traços ficaram muito lindos, seguiu um estilo fofinho dos anos 1990 com contornos bem grossos e tudo feito a mão, dava gosto de ver desenhos assim. O primeiro quadro mostrando a casa do Chico e as galinhas sentindo frio já foi um espetáculo. Dona Cotinha fica diferente com olhos com cílios em vez do formato tradicional de olhos dos personagens, A colorização em tons azuis e cinzas nos pensamentos davam um charme a mais e conseguia distinguir que não foi situação real e não só os quadros em formatos de nuvens diferentes que faziam a distinção do real com sonhos.
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