domingo, 21 de junho de 2026

Chico Bento: HQ "Ah, minha caminha!"

Dia 21 de junho começa o inverno no Brasil, e mostro uma história em que o Chico tem dificuldade de sair da sua cama quentinha ao acordar em uma manhã fria. Com 6 páginas, foi história de encerramento de 'Chico Bento Nº 119' (Ed. Globo, 1991).

Capa de 'Chico Bento Nº 119' (Ed. Globo, 1991)

Manhã de frio na roça, Dona Cotinha acorda o Chico Bento para ir para escola e ele pede para a mãe ficar mais cinco minutos na cama. Dona Cotinha diz que faz meia hora que ele está falando isso e é para andar logo para não chegar atrasado na escola. Chico pede para deixar faltar e ela diz que se fosse deixar faltar toda vez que estivesse com preguiça, o filho nunca ia para a escola e Chico acha uma boa ideia.

Dona Cotinha manda Chico levantar da cama ou ela vai puxar a coberta. Chico diz que não precisa, já está sentado e a mãe fala que vai pôr o café, se quando voltar e ele não estiver de pé, vai ter. Chico acha que tem que se levantar mesmo, só que vira para o outro lado comentando que tem deixar a cama quentinha e volta a cochilar.

Dona Cotinha pergunta se Chico está de pé e ele se levanta imediatamente. Comenta que só levantar de supetão para criar coragem e sente muito frio. Troca de roupa com sono e imagina a cama chamando pra ele dormir mais um pouquinho, ele diz que não pode porque tem que ir para escola, a cama o puxa pela coberta e ele volta para lá mais cinco minutos e não vai deixá-lo sair de lá. 

Chico diz que a mãe não vai gostar, quando Dona Cotinha aparece, vê o Chico dormindo, fica uma fera, puxa o lençol, fazendo Chico cair da cama. Ela o leva para lavar rosto na bacia d'água para acordar de vez, toma café-da-manhã reforçado, põe casaco, chapéu e pasta e ele vai para a escola porque não quer filho preguiçoso. No caminho, Chico comenta que a sua mãe não entende e se pergunta que será que ela não sabe como é gostosa uma cama quentinha.

Na escola, Chico nem presta atenção na aula, só pensa na cama, também pensa no recreio e na saída da escola já pensa menos. Quando vai roubar goiaba com Zé da Roça o pensamento some e fica sem pensar durante o resto do dia enquanto namora a Rosinha, pular cerca para voltar para casa e na conversa com o pai e amigos deles em volta da fogueira de noite. No final, Dona Cotinha fala que está na hora que ele adora, que é para ir para cama dele quentinha e aí Chico não quer ir, quer ficar mais cinco minutos conversando em frente à fogueira.

História legal em que o Chico Bento fica com preguiça de sair da cama quentinha de manhã cedo com frio demais e a mãe dele quer a todo custo que ele saia. Conseguiu driblá-la por um tempo, mas não teve jeito, teve que sair à força. Com o passar do dia, diminuindo a friagem e fazendo atividades que gosta passa a esquecer da cama, até que de noite não quer voltar para casa para ficar conversando em frente à fogueira com os adultos.

Realmente dá para entender muito bem o Chico e saber como estava sentindo de sair da cama e enfrentar frio de manhã, porém não podia deixar de cumprir seu compromisso na escola por causa da preguiça e do frio, aí Dona Cotinha teve toda razão de tirar o filho da cama à força. Pelo menos ele já estava com roupa trocada após a imaginação da cama falando com ele para voltar para lá, que fez adiantar um pouco, e teve sorte que não precisou tomar banho gelado antes da escola, afinal não têm chuveiro elétrico na casa dele, na verdade não tinha eletricidade no geral, hoje em dia tem. Se bem que só lavar rosto com água gelada em dia de frio já é um tormento.

A piada final foi boa e com ideia do Chico não querer sair da cama de manhã, mas quando não está na cama não quer voltar, quer curtir mais o entretenimento, sempre mais cinco minutos para sair da cama e mais cinco minutos para ir dormir e vai sempre adiando, coisa bem comum também no cotidiano. O clima foi retratado como um dia que é muito frio de manhã, aí esquenta um pouco durante a tarde e esfria de novo à noite, uma coisa bem típica em época de inverno.

O ponto mais alto foi  Chico imaginar cama falando com ele para voltar pra lá, com direito a coberta o puxando até nela e e ele dizer para Dona Cotinha que voltou porque a cama chamou. Foi engraçado também Chico dizer para mãe que boa ideia nunca mais ir para escola, levantar de supetão com medo de apanhar da mãe, Chico cair com puxão forte dela do lençol e querer ficar cordado mais 5 minutos para ficar conversando.

Mostrou o nosso cotidiano de luta de sair da cama em um dia de frio, que dá vontade de ficar o tempo todo mesmo tendo compromisso, eram boas histórias do Chico assim que dava para se identificar e deixava o personagem mais humanizado.  Mesmo passados 35 anos ou mais tempo que for passar, sempre continua atual e ser identificada por todas as idades e não só as crianças, é só substituir o compromisso de acordar cedo para ir trabalhar, faculdade, médico marcado, etc, e adiar a hora de dormir para ficar assistindo série, filme ou ficar mexendo no celular. Incorreta hoje em dia por ter Chico preguiçoso, não querer ir para escola para ficar dormindo, não gostar de estudar, Dona Cotinha ameaçar bater no Chico se não se levantar, Chico namorando Rosinha, ficar conversando com adultos tarde da noite, ter fogueira e palavra proibida "supetão" por ser de difícil entendimento para crianças pequenas.

Traços ficaram muito lindos, seguiu um estilo fofinho dos anos 1990 com contornos bem grossos e tudo feito a mão, dava gosto de ver desenhos assim. O primeiro quadro mostrando a casa do Chico e as galinhas sentindo frio já foi um espetáculo. Dona Cotinha fica diferente com olhos com cílios em vez do formato tradicional de olhos dos personagens, A colorização em tons azuis e cinzas nos pensamentos davam um charme a mais e conseguia distinguir que não foi situação real e não só os quadros em formatos de nuvens diferentes que faziam a distinção do real com sonhos.

sexta-feira, 19 de junho de 2026

Cascão: HQ "Má fase"

Estamos em época de Copa do Mundo e então mostro uma história com Cascão decepcionado com derrotas seguidas do seu time Corinthians. Com 4 páginas, foi história de miolo publicada em 'Cascão Nº 61' (Ed. Globo, 1989).

Capa de 'Cascão Nº 61' (Ed. Globo, 1989)

Cascão assiste ao jogo de futebol do Corinthians no estádio com pai dele, incentiva os jogadores, seu time sofre gol e se decepciona que mais uma vez derrotado. Na saída do estádio, um menino zoa que é "ul-timão", Cascão quer brigar com ele e o Seu Antenor não deixa, achando que é bobagem o filho brigar por causa de futebol e Cascão acha que pelo menos desabafa.

Seu Antenor diz que não é para se preocupar, logo, logo o timão volta a ganhar. Cascão responde que ouve isso desde a primeira rodada, nunca viu o Timão em uma fase tão ruim e o  pai manda brincar para esquecer o futebol. Em seguida, Cascão recusa jogar bola com Cebolinha e Jeremias, odeia ver Xaveco e Humberto jogando futebol de botão e chora por adorar futebol. Depois, ele vê um grupo de torcedores indo torcer para Seleção Brasileira, Cascão vai junto com eles e têm a decepção da Seleção Brasileira também perder de 1 a 0 para os gringos.

História legal com Cascão torcedor roxo do Corinthians e se decepcionando com as derrotas do seu time, não ganhava de ninguém desde primeira rodada do campeonato. Tinha esperança que com a Seleção Brasileira poderia ganhar só que pura ilusão também, dando ideia que a Seleção estava pior que o seu Timão. Pelo menos teve um consolo que não era só seu time que estava em má fase, Seleção estava com nada, era pior que o Timão, porém como para quem ele torcia, perdia, ficou com fama de torcedor pé-frio e azarão. Se ele soubesse que ia se decepcionar, nem iria torcer para a Seleção.

Piada que Corinthians estava ganhando nada nem a Seleção Brasileira, ambos muito tempo sem ganhar um título grande sequer em campeonatos e copas e bastante desacreditados pelas torcidas. Ficou a dúvida quais campeonatos o Corinthians e a Seleção Brasileira estavam disputando, fica na imaginação do leitor. Os nomes dos jogadores citados não foram parodiados dessa vez, todos que jogaram no Corinthians na época ou que fizeram história no time.

Engraçado a torcida silenciada após o Corinthians sofrer gol, o drama do Cascão vendo seu time perder, o menino zoando "Ul-Timão", com trocadilho ao apelido "Timão", Cascão dizer que se brigasse, ia desabafar e os caras da torcida de boca aberta com a derrota da Seleção Brasileira. 

Eram boas as histórias de futebol do Cascão, principalmente como torcedor roxo do Corinthians. Depois que o Pelezinho foi cancelado, histórias de futebol ficaram com o Cascão, seja ele brincando de futebol com os amigos, ser craque da bola querendo ser jogador de futebol profissional ou sendo torcedor roxo do Corinthians  e sofrendo pelo time como foi nessa, eram frequentes e sempre eram bem elaboradas e Cascão representava o brasileiro apaixonado por futebol. Mesmo destacando o Corinthians, as situações valiam para qualquer time de futebol que brasileiro torcia.

Na época, só o Cascão tinha time definido, hoje todos personagens principais têm seus times definidos, todos do estado de São Paulo porque o Bairro do Limoeiro é localizado lá: Mônica torce para o São Paulo; Cebolinha, Palmeiras; Magali, Santos; Cascão e Milena, Corinthians.

Traços ficaram muito bonitos e caprichados do estilo consagrado dos personagens. Incorreta atualmente por mostrar Cascão torcedor roxo querendo brigar na rua (hoje tem histórias com eles jogando futebol, mas não envolvidos com times de futebol, apenas em postagens em redes sociais deles na Internet), Cascão ir na casa de torcedores adultos desconhecidos para torcer para Seleção Brasileira, palavra proibida "gozador" e podem implicar com TV de tubo por acharem que é coisa datada.

segunda-feira, 15 de junho de 2026

A Turma: HQ "Os quatro garotos do Limoeiro"

Em junho de 1996, há exatos 30 anos, era publicada a história "Os quatro músicos do Limoeiro em que Cebolinha e os outros meninos se fantasiam de filhos dos Beatles para pegarem o Sansão da Mônica. Com 11 páginas, foi publicada em 'Cebolinha Nº 114' (Ed. Globo,  1996).

Capa de 'Cebolinha Nº 114' (Ed. Globo, 1996)

Cebolinha ouve Mônica ouvindo música na vitrola e pergunta se ela deu para voltar para o passado ouvindo discos de vinil. Mônica conta que não, que são preciosidades dos pais dela, os discos dos "Bitous". Cebolinha diz que sabe que é o grupo que fez sucesso há um tempão. Mônica fala que eles fazem sucesso, podem estar velhinhos, mas  a música é imortal, canções que falam de paz, amor e felicidade e que estão se reunindo de novo para gravar novas músicas.

Mônica mostra pôsteres dos integrantes da banda, Pôu, Xórge, Dingo e a voz do Jon, suspirando por ele. Cebolinha pergunta se eles vão se reunir no museu. Mônica diz que talento não envelhece e aposta que passaram isso para os filhos. Cebolinha pergunta se eles têm filhos, Mônica afirma e quando eles crescerem, vão ser ídolos dela também. Cebolinha vai embora do nada, com ideia para um plano infalível.

Depois, Cebolinha aparece com Cascão, Xaveco e Nimbus, todos fantasiados de "Bitous", dizendo que vai ser fácil driblar a Mônica do jeito que ela é fã. Xaveco manda ir com isso logo a mãe não pode descobrir que sumiram as perucas dela, Cascão reclama que os sapatos estão pinicando e Nimbus pergunta se os instrumentos de papelão vão colar.

Eles aparecem na frente da casa da Mônica e começam a cantar música dos Bitous e Mônica se emociona que eles estão cantando no quintal da casa e pula da janela do quarto para pedir autógrafo, sendo que se dá conta que são muito jovens para serem os Bitous. Cebolinha dá desculpa que são filhos deles. Cebolinha é o Xixo Macalta, filho do Pôu Macalta; Xaveco é o Vaiqui Está, filho do Dingo Está; Cascão é o Vavá Aiquisom, filho do Xorge Aiquison, e Nimbus como Yakashuca Lenno, filho do Jon Lenno. 

Mônica comenta que Yakashuca tem olhinhos puxados e Nimbus responde que a mãe dele é a Quinoco Ono. Ela acha uma maravilha os Bitous mirins na Rua do Limoeiro. Cebolinha fala que "vão alasar", Mônica comenta que ele fala como um amiguinho dela e ele responde que não aprendeu a falar Português direito. Mônica como que o filho do Xórge é fedidinho e Cebolinha diz que na Inglaterra faz muito frio para tomar banho todo dia.

Eles fazem apresentação musical para a Mônica, que adora e quer contar para a turma que eles estão ali. Os meninos impedem, dizem que estão só de passagem, tem um submarino amarelo esperando. Mônica pergunta se foram lá só para cantarem para ela. Os meninos respondem que mais ou menos, que foram para cantar músicas de paz e amor, que é triste saber que tem gente que ainda batem nos outros neste mundo, principalmente meninas que surram amiguinhos e as gorduchas são as piores, e que recolhem armas por todo lugar que  passam: revólveres, luvas de boxe, coelhinhos de pelúcia, que são os piores.

Mônica diz que tem um coelhinho, pequenininho e fragilzinho. Cebolinha quer que ela o entregue, armas são armas. Mônica resiste entregar, Cebolinha diz que se é assim, os pais deles não gostarão nem um pouco disso e pede para Cascão passar o celular. Mônica entrega o Sansão para eles, avisando para não contar para os Bitous. 

Eles vão embora, aliviados que o mundo pode respirar tranquilamente. Cascão fala que ele também, tira a peruca piniquenta e quer tirar o terno apertado e Mônica descobre que era um plano infalível, só que em vez de apanharem, os meninos não terminam história com olho roxo, em homenagem aos Bitous, ela manda cantarem, e ela traduz que "tudo que você precisa é amor".

História legal em que Cebolinha descobre que a Mônica é fã dos "Bitous" e faz um plano infalível de ele se fantasiar com os outros meninos como filhos dos Bitous e conseguirem pegar o Sansão alegando que o coelhinho era uma arma e seria uma ameaça à paz no mundo. Depois de entregar o Sansão, Mônica descobre que era tudo.um plano depois do Cascão tirar o disfarce na frente dela, só que dessa vez eles se deram bem e não apanharam para homenagear os Bitous que defendiam a paz e não à violência.

Cascão mais uma vez para estragar o plano, poderia esperar terem se afastado mais, já longe da Mônica. Incrível que Cebolinha sempre o chama para participar e já sabe que ele sempre estraga os planos. Mônica se passou como uma Beatlemaníaca e foi muito boba e ingênua, primeiro acreditou que eles eram os verdadeiros Bitous, depois que eram filhos deles e com várias evidências de instrumentos de papelão, filhos de todos os integrantes com mesma idade, condição de pegarem o Sansão como foi em outros planos anteriores, Nimbus com olhinhos puxados, Cebolinha falando errado, Cascão fedido, até desconfiou um pouco só que acreditou nas desculpas deles.


Foi história de plano infalível padrão com diferencial do final não apanharam para fazer homenagem aos Beatles que pregavam paz e amor. Na época ficou em um sentido original, para variar do óbvio que os é sempre apanhavam em histórias de planos infalíveis. Quem diria que hoje um final assim é o que prevalece já que o politicamente correto não permite violência.

Cebolinha pede silêncio dizendo os nomes do Xaveco,  Nimbus e Cascão no 1° quadro da página 7 do gibi para comprovar aos leitores que eram eles fantasiados, mas nem precisava, já dava para saber que eram eles, inclusive o Xaveco, que é quem poderia gerar alguma dúvida. Xaveco ficou como secundário, quase não falou e foi o que menos apareceu. Foi uma das vezes que o Nimbus participou de plano infalível, mas não era muito comum já que tinha a personalidade mais de ser um menino que atraía as meninas pelo seu charme, personalidadedele que foi abandonada depois. 

As paródias foram muito boas, tanto no nome da banda, os nomes dos integrantes Paul MCCartney, George Harisson, Ringo Starr e John Lennon, e até as letras das músicas também foram parodiadas. Engraçado também Cebolinha perguntar se Bitous vão se reunir no museu, Mônica estranhar Cebolinha falando errado e ele responde que não aprendeu a falar Português direito, Mônica comentar como que o filho do Xórge é fedidinho e Cebolinha diz que na Inglaterra faz muito frio para tomar banho todo dia.

Cebolinha com etarismo, achando que Beatles eram velhos e na verdade nem eram já que tinham por cerca de 50 anos. É que em 1996 uma pessoa de 50 anos já era considerada velha, aparentava mais idade, músicas de 30 anos atrás até então achavam ultrapassadas, hoje em dia essa visão mudou. Sobre Cebolinha dizer que ela voltou ao passado porque em 1996 os discos de vinil já estavam perdendo popularidade para o CD, os discos ainda eram vendidos, só que em tiragem menor e as pessoas estavam comprando CDs com mais frequência e depois de 1997 as gravadoras passaram a lançar álbuns só em CD. Hoje em dia CD também é ultrapassado e músicas são ouvidas em aplicativos digitais como o Spotify. Sobre autógrafo, hoje em dia Mônica iria pedir para tirar fotos com eles no celular.


Bela homenagem aos Beatles, teve referência atea submarino amarelo. Volta e meia faziam homenagens a eles em outras histórias e eram boas. Essa foi da época do "Anthology", projeto com faixas ao vivo e duas músicas inéditas que os três remanescentes da banda na época gravaram a partir de obras do John Lennon,  morto em 1980, e lançamento com um VHS com entrevistas, e isso serviu de inspiração para criar esta história. Deve ter sido escrita por Paulo Back, que é grande fã dos Beatles.

Incorreta hoje em dia por ter plano infalível tirando proveito de Mônica boba, Cebolinha com etarismo, menção à Beatles por ser banda antiga que crianças nem sabe quem são,  hoje preferem citar artistas famosos da atualidade, xingarem Mônica de gorducha, além da palavra proibida "gozado".

Traços ficaram bonitos do estilo consagrado dos personagens, os meninos ficaram bem fantasiados de Bitous. Colorização jánãotinha mais degradêem todos os quadros, mas nessa até que prevaleceu. Pena cores escuras demais. Muito bom relembrar essa história há exatos 30 anos.

sexta-feira, 12 de junho de 2026

Pipa e Zecão: HQ "Não enrola, não!!"

Em 12 de junho é o "Dia dos Namorados" no Brasil, então mostro uma história em que a Pipa acha que Zecão está enrolando para se casar com ela depois de tanto tempo de namoro. Com 8 páginas, foi publicada em 'Mônica Nº 18' (Ed. Globo, 1988).

Capa de 'Mônica Nº 18' (Ed. Globo, 1988)

Pipa tem a notícia que sua amiga Gilda vai se casar com o Joelmir no mês que vem. Pipa se surpreende porque eles namoram há pouco tempo e que ela e o Zecão namoram há um tempão e nem falam em casamento. Gilda fala que todo mundo sabe que o Zecão está enrolando e quem sabe um dia se casam e Pipa grita que ela é invejosa só porque não tem namorado como o Zecão e fica inventando calúnias.

Aparece a Lucinha e Pipa conta que a Gilda insinuou que o Zecão não quer se casar com ela. Lucinha pergunta se ele quer, Pipa responde que sim e Lucinha pergunta por que então não se casam, todos os amigos estavam casando e até ela e o namorado Marquinhos podem passar a perna neles e aí melhor se apressarem. Pipa comenta que elas não sabem as responsabilidades que o casamento traz, é um ato que exige muita reflexão. No caminho, vê um casal que acabaram de se casar e ouve eles dizendo que finalmente, foram longos 3 meses de namoro.

Em seguida, Zecão aparece e Pipa começa a fazer drama que ele fica enganando esse tempo todo, enrolando, sem querer casar com ela. Zecão diz que quer casar, só que os tempos estão difíceis, está terminando melhorar de vida, terminar os estudos. Pipa chora achando que é papo furado, não vai continuar abusando da ingenuidade dela e termina o namoro. Zecão fala para ela não ir embora, quer se casar, quem sabe daqui 3 anos e ela diz que só volte a procurá-la quando resolver mesmo se casar.

Depois, Pipa conta para Tina que terminou com o Zecão, Tina pergunta por que resolveu se casar assim de repente, Pipa responde que namoram há 2 anos e não quer saber de enrolação. Tina pergunta se ela está preparada para isso ou se está só indo na onda do pessoal que está se casando, se está preparada para ter filhos, administrar a própria vida, compartilhar todos os momentos com o Zecão, que vai afetar toda vida, conta que ela e o Jaime namoram há um tempão e não enfrentaria o altar.

Pipa comenta que ela teria que sair da casa dos pais e ela ainda não se formou. Toca a campainha e era o Zecão, que avisa à Pipa que eles podem se casar daqui 3 meses, se ele vender o carro, moto, discos e livros pode comprar os principais móveis e alugar um apartamento, que será tudo muito simples e talvez tenham dificuldades, mas se é o que ela quer. 

Pipa diz que acha que foi precipitada e egoísta, não quer que ele faça sacrifícios e nem ela, queria curtir mais um tempinho de namoro e esperar que as coisas aconteçam naturalmente, não vai ficar chateada, são jovens e têm tempo. Então, Zecão se despede, combinando de se encontrarem de noite, e logo dá uma ideia nele e cobra da Pipa se ela não está o enrolando, porque se tiver, é bom ir dizendo e continua dando bronca nela.

História legal em que Pipa resolve se casar vendo todo mundo se casando depois de pouco tempo de namoro, menos ela, que namorava por muitos anos o Zecão e nada de casamento. Sobrou para o Zecão que se viu obrigado a se casar para não perder a namorada, que achava que estava era enrolando. Só que após a conversa com a Tina, Pipa desiste de se casar e aí é Zecão que acha que ela estáava enrolando.

Pipa é doida, mostrou que era influenciável, sem opinião própria, só porque as amigas estavam se casando, ela teria que se casar também pra ontem. Ela até tinha noção que casamento exigia responsabilidade, mas vendo que elas se casavam com poucos meses de namoro e ela namorava o Zecão há 2 anos, caiu na pilha que estava sendo passada para trás e Zecão estava a enrolando para o casamento. 

Zecão foi sensato, não adianta passar necessidade só para ter o luxo de casar, mas por gostar da Pipa, cogitou fazer sacrifícios para atender o desejo da namorada. Mostrou que gosta muito dela, se fosse outro, deixava terminar namoro  e pronto. O jogo virou no final, foi legal Zecão passar que queria se casar e cobrar da Pipa que estava enrolando. Tina excelente psicóloga, sabia resolver os problemas dos amigos muito bem e conseguiu abrir os olhos da Pipa sobre os problemas pós-casamento. Nessa fase, Tina só aparecia para conciliar as brigas de namoro e problemas dos amigos.

Foi engraçado o "jááá" da Pipa ao saber que a Gilda iria se casar com pouco tempo de namoro, Pipa chamar amiga de invejosa porque não tem um namorado como o Zecão,  Lucinha perguntar se Pipa estava falando sozinha e ela responder que ainda não, Pipa dizer que não tinha pressa de se casar  por não estar apostando corrida, a histeria com o Zecão, dizer que estava enrolando e abusando da ingenuidade dela, Zecão dizer que é para se casarem daqui 3 anos e já deixar marcado, ela caindo em si que seria burrada após a conversa com a Tina e o Zecão no final pensar que ela que estava enrolando.

História deu mensagem de forma bem divertida de que tudo tem seu tempo, recado para os jovens que devem se casar quando acharem que é a hora certa e com vida financeira resolvida para não passar dificuldades, e também terem cabeça feita, não irem na cabeça dos outros e se casar só porque os outros estavam casando. Incorreta atualmente por ter namoro de personagens, mesmo que são adultos jovens, mas quem lê os gibis são as crianças, além de mostrar uma Pipa descontrolada, influenciável de não ter opinião própria, Zecão desenhado com nariz bem grande e palavras e expressões de duplo sentido proibidas "outros quinhentos", "passar a perna", "papo furado", "crápula", etc.

Dessa vez tiveram vários personagens secundários, como não tinham amigos fixos na Turma da Tina, aí roteirista precisou criar esses. Todos apareceram só nesta história como de costume de personagens criados para uma história, mas bem que dariam pra serem fixos e aumentar número de jovens desse núcleo. Nos anos 1990 que incluíram o Baixinho e o Marcão como amigos fixos do Rolo, porém eles aparecendo só ocasionalmente.

Traços muito caprichados da Turma da Tina dos anos 1980 com Tina com cabelo mais curto e Pipa bem gorda e com brilho no cabelo. A colorização teve o estilo do primeiro semestre de 1988 com tons pasteis claros, porém menos desbotados que no segundo semestre de 1987 e destaque para tons diferentes das cores azul, amarelo e vermelho. 

terça-feira, 9 de junho de 2026

Capa da Semana: Cascão Nº 49

Uma capa bem bonita e caprichada com Cascão e Maria Cascuda  namorando e um deu de presente de "Dia dos Namorados" uma lata de lixo para o outro.

Da época que a Cascuda era sujinha e fazia apologia à sujeira como o Cascão, com o tempo, deixaram só o Cascão gostar de sujeira e que não toma banho. Não teve sujeirinhas no rosto da Cascuda, o que era bem raro, já que ela era fixa com sujeirinhas até então, talvez foi um esquecimento nesta capa. Ela deixou de ter sujeirinhas no rosto em definitivo a partir dos anos 2000.

Curiosidade que essa imagem foi tirada do álbum de figurinhas "Como Diz o Ditado", de 1981, mais precisamenteda figurinha do ditado "Amor com amor se paga". Algumas vezes eles reaproveitavam ilustrações já prontas para as capas, tudo indica que com demanda alta, às vezes não tinha tempo de produzirem ilustrações novas para capas a tempo de fechar o gibi. E tiveram outras capas com ilustrações desse álbum de figurinhas de 1981, inclusive também em passatempos, principalmente os de "Vamos colorir?" e "Jogo dos 7 erros" em Almanacões de Férias.

Capa dessa semana é de 'Cascão Nº 49' (Ed. Abril, Junho/ 1984).