Em outubro de 1996, há exatos 30 anos, era lançada a história "Saudades" em que a Magali explica sua ideia de transmitir sentimento de saudade para o mundo todo. Com 11 páginas, foi publicada em 'Magali Nº 292' (Ed. Globo, 1996).
![]() |
| Capa de 'Magali Nº 292' (Ed. Globo, 1996) |
Escrita por Mauricio de Sousa, começa com Mônica comentando com Magali que o pai dela disse que a palavra "saudade" só existe na Língua Portuguesa. Magali pergunta se nos outros lugares ninguém sente saudade e Mônica responde que até pode ter, mas não sabem falar o nome e não sabe dizer o que fazem para dizer que têm saudade. Magali tem ideia de exportar saudade, ensinar a todo mundo conhecer e sentir como elas a saudade brasileira e frisa a falta que ela faz no mundo.
Mônica pergunta como pode fazer falta uma coisa que dói. Magali pergunta para Mônica definir saudade e ela responde que é uma tristezinha chata que dá no coração quando a gente não tem mais o que tinha. Magali explica que só tem saudade quem já teve alguma coisa que gostou muito, quanto mais saudade tem, mais coisas você teve, para ter saudade, a gente tem que ser muito rico, não de dinheiro e de joias, mas de coisas que sentiu: emoções.
Magali pergunta para Mônica qual a primeira saudade que sentiu e ela diz que foi da chupeta, mesmo que trocou por um coelho azul, tinha noite que choramingava escondida com saudade do "bico" dela. Mônica lembra das saudades também da casa velha meio caindo onde moravam, da vez que o pai viajou ficava vendo foto dele para matar a saudade, depois uma saudade maluca do Cebolinha da vez que ele passou uma temporada na casa da avó dele, ficando envergonhada de contar e manda Magali não contar para ele.
Conta da saudade da bisavó, vó da mãe dela, que morreu em uma cidadezinha da Itália, que nem a conheceu e não entende como pode ter saudade de quem nunca viu em vida e espia foto dela na parede da sala para matar saudade do amor que teria dela. Já das coisinhas novas que ainda não perdeu faz tanto tempo ainda não deu saudade. Magali acha que Mônica é rica em saudade, já teve tanta coisa para gostar e acha pior a saudade ao contrário, das coisas que ainda vai gostar enquanto olha a Dona Luísa colocando um bolo para assar no forno.
Mônica quer saber mais da ideia da Magali de ensinar saudade para os outros. Magali pergunta se Mônica gosta de sentir saudade, ela responde que não muito. Magali diz que como ela gostou das coisas de que tem saudade, é só elas espalharem para os amigos que temos ter amor por tudo, pelas pessoas, coisas queridas que ganhamos com carinho, pelos animais, pela natureza e pelo Criador de todas as coisas.
Mônica acha que Magali forçou, tudo isso aí para ser curtido, não precisa de saudade. Magali explica que não precisa hoje, pode ter tudo isso que ela falou, mas é sobre no dia que não tiver mais, faltar alguma coisa dessa ou tudo isso. Mônica diz que vai ter uma bruta saudade disso tudo e mesmo que é rica em coisas para ter saudade , resolveu não ter mais, vai ficar só curtindo o que tem e sai de casa.
Na rua, Mônica comenta com si que é papo besta da Magali, assim não vai ensinar ninguém a ficar com saudade, nem saber o que é e nem exportar. Para que ter saudade do que já tem, é só estender a mão. Essa Magali está virando mocinha metida, quer confundi-la com essa conversa boba, nem parece aquela menina bobinha que conheceu, aí dá um estalo na cabeça da Mônica, fica pensativa e cai em si que a Magali tem razão, ela é rica em uma coisa que vai ser a próxima saudade dela e da Magali: a infância delas.
História bonita, bem profunda e filosófica, em que a Magali conversa com a Mônica que quer exportar saudades para o mundo todo, visto que só no Brasil tem a palavra "saudade". Magali tenta Mônica entender o conceito de saudade, relembrar de coisas que ela tem saudade e que podem espalhar saudade para todo mundo mostrando que se deve amar tudo que tem à sua volta, pois o que tem hoje e depois pode não ter mais. Mônica acha bobagem, não tem como sentir saudade do que já tem, depois percebe que a Magali está amadurecendo e virando uma mocinha e passa a entender o que falou e que vai ter saudade da infância quando acabar.
Magali como nunca se viu, muita sábia e sendo uma grande psicóloga. Com muita sabedoria e na base que outros países não sabem o que é saudade, mostrou o conceito de saudade, instigou Mônica leitor lembrar da primeira memória que teve na vida e que tudo é passageiro e aproveitar o que tem hoje. Ao invés de expor logo como era a ideia de espalhar saudade pelo mundo, Magali preferiu perguntar, estingar, estimular raciocínio da Mônica até chegar ao ponto que queria chegar. Mônica, a principio não entendeu a mensagem da Magali, mas depois que caiu em si é conseguiu interpretar o que a amiga disse passou a dar razão a ela.
História transmitiu mensagem de curtir o hoje, aproveitar o máximo que tem, dar valor às coisas boas que você tem hoje porque um dia vai faltar e vai restar só saudade do que teve, inclusive coisas materiais são passageiras. Nada é eterno, enquanto você tem, aproveite bastante, seja alguém da família, amigos, objetos e até a natureza como se vê hoje não pode mais ver algum dia. E como os leitores alvos eram as crianças, ajudou a mostrar também que elas devem aproveitar bastante a infância, pois depois que não for mais criança, vai sentir falta do tempo da infância e restar só saudade boa do que curtiu.
Curioso vendo as lembranças da Mônica que tem coisas que não foram abordadas depois, foi só nessa história. Mostrou que Mônica morou em outra casa em outro lugar antes do bairro do Limoeiro, porém sem cronologia porque tem histórias com ela como bebê morando no bairro do Limoeiro. Saudade do Cebolinha no sentido que é apaixonada por ele, mas não confessa diretamente para ele. Mônica com descendência italiana de sua bisavó falecida, outra coisa jamais contada em outra história. Na MSP nunca teve cronologia, aí coisas mostradas em uma histórias ficam só nela.
Teve erro da Dona Luísa preparando bolo onde deveria ser a Dona Lili O certo é que no início da história as meninas estavam na casa da Mônica, depois foram para a da Magali e Mônica saiu da casa da Magali no final. Com a Dona Luísa no lugar da Dona Lili, deu impressão que no início as duas estavam na casa da Magali, foram para casa da Mônica, que no final Mônica saiu da própria casa e Magali ficando lá. Pode ser que a mãe no rascunho da história estava parecendo a Dona Luísa, o desenhista desenhou assim e não revisaram depois. Ou então, se for para passar pano, Magali agiu como filosófica como parte de um plano para ela comer o bolo da Dona Luísa sozinha.
Sobre não ter palavras saudade em outros países, eles têm o sentimento, só não é uma palavra individual, um substantivo, como no Brasil, eles precisam de mais palavras para traduzir ou então um sinônimo de nostalgia. A única parte engraçada da história foi a Magali dizer que vai ter saudade do bolo que ainda vai gostar, única cena que fez lembrar da característica principal dela. Como teve crédito "Mônica e Magali" no título, poderia sair em algum da Mônica tranquilamente, mas preferiram da Magali por ela ser a psicóloga que ensina a ter saudade. Incorreta atualmente por mensagem filosófica assim, acham que não é assunto apropriado para criança, ter final triste, Mônica demonstrar que é apaixonada pelo Cebolinha, Dona Luísa retratada só como dona-de-casa fazendo bolo e as meninas falarem de Deus por envolver assunto de religião.
Foi a primeira e única vez que teve história escrita pelo o Mauricio de Sousa em gibi da Magali, antes ele havia feito história para Magali em gibis só em 1970 e 1971, além de tiras de jornais dos anos 1960 e 1970, depois foram outros roteiristas que fizeram. Desde 1985 não tinha história escrita por ele nos gibis e essa da Magali foi só depois de 11 anos e a última do Mauricio que saiu em gibis, sem contar os tabloides do Horácio republicados. Pode ser que por causa da falta de história para fechar o gibi com o falecimento da roteirista Rosana, precisaram colocar uma arquivada do Mauricio. Pelo modelo da televisão colocada, acredito que foi história arquivada. Nos almanaques da Globo de 1995 e 1996 estavam republicando histórias de 1985 nesse estilo como "Parece Outro", do 'Chico Bento Nº 65', aí essa pareceu história da fase da Editora Abril só que inédita.
Características de história do Mauricio por conta de tema filosófico, personagens com grande sabedoria como o Horácio, enquadramento ocupando toda a largura da página, personagens conversando na janela, caminhando pelo bairro e mostrando cenários do bairro enquanto conversavam, ângulos diferentes, personagens com cabeça virada para o lado, muitas vezes com situações de alto-ego do Mauricio passou na vida real. Com Mauricio qualquer personagem poderia ser filosófico. Achava estranho personagens crianças com 6 para 7 anos essa sabedoria e consciência toda, histórias desse estilo acho mais coerente com o Horácio ou a Turma da Tina ou Astronauta e combinaria também com a Turma da Mata.
Traços muito bonitos da fase consagrada das personagens. Teve propagandas inseridas na lateral direita da página do chiclete "Ping Pong", informando que juntando embalagens ganha o álbum de figurinhas do filme do Corcunda de Notre Dame. Esse gibi da Magali marcou a estreia dos códigos de barras coloridos nas capas, com cores com mais harmonia em relação à ilustração, o que ajudou os códigos a não ficarem tão chamativos e poluírem tanto as capas, bem melhor assim. A postagem serviu como homenagem ao aniversário do Mauricio de Sousa que completa 91 anos hoje, dia 27 de outubro, e também ao Dia das Crianças do último dia 12 de outubro, por conta da mensagem final. Muito bom relembrar essa história há exatos 30 anos.
FELIZ ANIVERSÁRIO, MAURICIO DE SOUSA!!!
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)

.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)