quarta-feira, 15 de julho de 2026

Cascão: HQ "Bom até de olhos fechados"

Estamos em época de Copa do Mundo e mostro uma história em que o Cascão não dorme na véspera da final do campeonato de futebol que ia jogar e tem dificuldade de jogar por ter sono durante o jogo. Com 9 páginas, foi história de abertura de 'Cascão Nº 41' (Ed. Globo, 1988).

Capa de 'Cascão Nº 41' (Ed. Globo, 1988)

Cebolinha vai embora da casa do Cascão dizendo para ele dormir bem para jogar com tudo amanhã porque precisam derrotar o time do Tião. Depois, Cascão fala que claro vão derrotar o time do Tião com ele jogando na equipe e avisa à mãe que já vai dormir já que amanhã é final do campeonato.

Na cama, Cascão fica ansioso, esperou tanto por esse dia, vai fazer muitos gols e a torcida gritar pelo nome dele, vão faturar a taça e quem vai carregar é ele, aí acha melhor dormir para repor as energias para a grande final só que não consegue e pergunta por que será. Ele dá uma olhada na sacola  que vai levar para o jogo, vê que está tudo ali até seu chaveirinho da sorte, volta para a cama e fica a madrugada em claro pensando que tem que dormir.

Amanhece, Dona Lurdinha chama o Cascão avisando que é a grande final e ele diz que sabe e que não dormiu a noite toda. A mãe pergunta como ele vai jogar, Cascão, enquanto troca de roupa, diz que não tem problema, está firmão, sem sono, se aguentou até agora, aguenta até a grande final e desaba de sono. Dona Lurdinha o acorda, diz que é melhor ele voltar para a cama, Cascão fala que perder a final, nunca, o time depende dele. A mãe diz quem sabe se ele lavar o rosto, Cascão avisa que está bem acordadinho e sai de casa depressa.

Na rua, Cascão reclama que era só o que faltava e pode aguentar muito bem sem isso. No campinho, Cebolinha comenta que chegou cedo, o time do Tião nem chegou ainda e pede para sentar no banco junto com os outros enquanto prepara as estratégias do jogo deles. No banco, Cascão pensa que sentado sem fazer nada vai acabar dormindo mesmo e resolve ficar se distraindo com o que acontece no campinho. 

Vê Cebolinha batendo papo com Franjinha, Titi chegando de ponta-cabeça, acha que é para chutar melhor as bolas voadoras e vê várias bolas voadoras, achando que mudaram as regras do futebol, que deveria ser só uma. Cebolinha chama Cascão, que estava dormindo, e ele confessa que não dormiu a noite toda pensando nesse bendito jogo. Cebolinha manda falar baixo, o time do Tião é capaz de qualquer malandragem para derrotá-los, não podem descobrir que o melhor atacante está morrendo de sono.

O time do Tião chega e ele diz que não sabe como os fracotes chegaram á final, mas que vão tirá-los da parada já, já, não vão dar nem para o segundo tempo e Cebolinha diz que isso que nós vamos ver. Começa o jogo, Cascão está mais para lá do que para cá e bola passa entre as pernas dele. Depois, anda e para até perto da trave, Tião quase marca gol se a bola não bate na cabeça do Cascão e comemoram que ele tirou a bola em cima.

O jogo continua, a turminha faz dois gols, time do Tião empata e tem esperança nos minutos finais do jogo com Tião segurar o Cebolinha e ter pênalti para turminha. Cascão cobra o pênalti, um garoto do time do Tião avisa que Cascão está caindo de sono. Time do Tião canta cantiga de "Nana, neném" e Cascão dorme em pé no campo. 

O sono é profundo, Cascão sonha que ganharam a taça e Tião falando que agora ele tem que tem lavar o rosto. Quinze segundos para acabar o jogo, Cascão, dormindo, diz que lavar rosto, não, isso não estava nas regras, é para tirar a água pra lá, chutando a bola forte para o gol. A turminha fica feliz que graças ao Cascão eles ganharam a grande final. No final, eles carregam a taça com Cascão dormindo em cima dela e Cebolinha diz que não sabe se foi desse jeito que o Cascão sonhou ser carregado em um triunfo. 

História legal em que Cascão tem ansiedade do jogo da final do campeonato de futebol, não consegue dormir na véspera e passa a ter sono na hora da partida. Com certa dificuldade, os times empatam o jogo e na disputa de pênalti Cascão faz o gol dormindo e seu time ganha o troféu graças ao sonho de que teria que lavar o rosto após ter sido campeão.

A ansiedade deu insônia no Cascão, se dormir não tinha como render no jogo de futebol, em condições normais dava para ele golear. Nem dava para remarcar a partida para tarde ou outro dia porque o time do Tião não ia aceitar. Quem sabe se tomasse café conseguiria ficar mais ligado. Cascão sonolento não jogou bem , time ficou praticamente sem o seu principal atacante, teve sorte que a bola do Tião caiu em em cima da cabeça do Cascão, impedindo a partida ser 2 a 1 antes do pênalti. 

Tião foi provocar pênalti, teve ideia de cantar canção de ninar que serviu como sonífero para o Cascão pensando que não ia bater pênalti e teve azar de não contar que Cascão ia sonhar e chutar bola como se fosse a taça com água no sonho. Antes deixasse o Cascão chutar sonolento, não teria força e poderia errar o pênalti. Bom para turminha que conseguiu o título, só tiveram muita coragem de escolherem o Cascão a bater pênalti no estado sonolento que estava, podiam ter pedido para outro menino bater. Acreditaram que cascão seria bom até de olhos fechados e tiveram sorte.

Engraçado Cascão ter chaveiro da sorte, quando Dona Lurdinha recomenda lavar o rosto, Cascão avisa que está bem acordado e sai de casa depressa, as imaginações de Titi de ponta-cabeça e as bolas voadoras, bola do Tião caindo na cabeça do Cascão evitando o gol, letra modificada de "Nana, neném" com times de futebol, Cascão dormir imediatamente com a canção de ninar e fazer gol imaginando que estava chutando a taça com água. 

Interessante que Cascão saiu de casa em jejum sem tomar café-da-manhã e a mãe nem ligar. As camisas do uniforme do time do Cascão se pareceram com a da Seleção Argentina e as camisas do time do Tião, do Flamengo. Sendo que camisas da turminha também lembram a do Grêmio,  só que sem listas pretas. O Tião e os outros garotos do time dele apareceram só nessa história, bem que davam para terem ficado fixos em histórias de futebol causando rivalidades.

História foi da característica do Cascão gostar de futebol e ser um grande craque da bola. Ainda que prevaleceu o futebol, a sua característica de medo de tomar banho foi citado pela Dona Lurdinha  recomendar lavar rosto e foi fundamental para o desfecho, então não foi completamente descartada dessa vez. Incorreta atualmente por criança com insônia por causa de jogo de futebol, jogar com sono, Dona Lurdinha de avental, menino negro com círculo rosa em volta da boca, além de palavras e expressões de duplo sentido proibidas "Diacho!", "Meu Deus!", "pregado", "morrendo de sono".

Traços ficaram muito bonitos da fase consagrada dos personagens dos anos 1980. A colorização seguiu um tom um pouco mais escuro, porém com o padrão de tons pastéis e destaque de tons diferentes do azul, vermelho e amarelo, típicos dos gibis de 1988.

sábado, 11 de julho de 2026

Turma da Mata: HQ "Tirando vantagem"

Mostro uma história em que a Turma da Mata sofreu com terremotos e destruições de casas na vila após surgir um instrutor de ginástica que dava aulas de  "cooper" com os bichos pesos-pesados, precisando Raposão e Coelho caolho intervirem com o instrutor Com 5 páginas, foi publicada em 'Chico Bento Nº 289' (Ed. Globo, 1998).

Capa de 'Chico Bento Nº 289' (Ed. Globo, 1998)

Toda a Floresta do Matão fica estremecida, as coisas das casas se destroem e os bichos fogem desesperados com o barulho "bumba-bumba" da aula de "cooper" do instrutor de ginástica com os bichos pesos-pesados. Raposão não aguenta mais e vai junto com Coelho Caolho falar com o instrutor, quando no caminho encontram o Jotalhão, que também entrou no ritmo de malhação e diz que resolveu deixar de ser preguiçoso e cuidar mais da saúde e pergunta se ele parece o modelo da geração "gueitorade".

Raposão e Coelho Caolho respondem que ele continua gordo, está adiantando nada, só está destruindo a vila e o que o instrutor é picareta, está tirando dinheiro fácil de todos eles. Jotalhão diz que ele cobra nada, é um trabalho voluntário e os leva até o instrutor. Raposão e Coelho Caolho falam que desde que ele apareceu com esse programa de ginástica a vila ficou em pandarecos e as casas deles estão precisando de reformas. O instrutor pede perdão, só achou que alguém precisava tratar da saúde do pessoal, se ofereceu como instrutor e eles estão se sentindo superbem, malhando e cuidando mais de si mesmos. 

Raposão e Coelho Caolho se emocionam, o instrutor volta a trabalhar. Coelho Caolho comenta que ele parece ser um cara legal e os dois vão á loja de material de construção para comprarem cimento e tijolo para reformarem as tocas deles. No caminho, comentam que pensavam que o instrutor estava engrupindo e só queria se aproveitar do pessoal e acham que nem todo mundo quer tirar vantagem em tudo e quando chegam lá, descobrem que o instrutor era o dono da loja de materiais de construção.

História legal em que surge um instrutor de ginástica para dar aula de "cooper" para os pesos-pesados da mata, só que os pesos deles correndo juntos causavam terremotos e destruíam as casas. Quando Raposão e Coelho Caolho vão falar com o instrutor, se convencem que só o instrutor queria ajudar na saúde do pessoal com o trabalho voluntário. Só que no final descobrem que era tudo interesse, dava aula de ginástica de graça para depois cobrar dos moradores os materiais de casa para reformarem as casas destruídas.

Não é à toa elefantes, hipópotamos, baleia fazendo ginásticas juntos iam estremecer tudo. Primeiro, Raposão e Coelho Caolho até pensavam que o instrutor era picareta porque cobrava as aulas para o pessoal continuarem gordos, depois passaram a acreditaram na desculpa da boa ação de melhorar saúde e autoestima do povo e depois quebraram a cara com coisa pior de a intenção era quebrar as coisas da casas para poderem comprar os materiais de construção da loja que ele inaugurou lá. De fato, melhorou saúde e autoestima dos alunos, mas em compensação tinham suas casas destruídas, até mesmo as dos alunos.

Antes pensassem que o interesse em tirar dinheiro dos alunos, a decepção seria menor, sentiram o golpe com a verdadeira intenção de dar aulas para o povo da mata. Agora com o final aberto, fica a dúvida de como continuou, o que fizeram com o instrutor, se cobraram dele indenização das casas destruídas, ou ficar por isso mesmo, etc, fica na imaginação de cada um. 

Foi engraçado os bichos fugindo com medo do barulho dos alunos correndo, tendo suas casas destruídas, Jotalhão com roupa de ginástica, fone de ouvido e walkman e perguntar se parece o modelo da geração "gueitorade", baleia fora d'água fazendo ginástica e a descoberta no final do Raposão e Coelho Caolho com o instrutor golpista. A paródia da bebida gatorade foi aportuguesar como "gueitorade".

História discutiu a índole das pessoas, que ninguém faz as coisas por bondade e só querem levar vantagem em tudo. Claro que existem pessoas honestas, mas a grande maioria faz tudo por interesse, nos anos 1990 já existiam picaretas e golpistas e em cada época a situação só piora. Incorreta atualmente por mostrar um instrutor interesseiro e querer dar golpe, sem um final feliz para Raposão e Coelho Caolho, chacota com gordos que quando correm causam barulho ensurdecedor, terremoto e destroem casas dos outro, Raposão levar pancada de madeira na cabeça, podiam implicar com walkman por ser coisa datada, além de palavras e expressões de duplo sentido proibidas como "infernal", "picareta" "ficou em pandarecos", "engrupindo".

Traços bons, típicos de histórias de miolo da segunda metade dos anos 1990. Os quadros com ondulações representando gramas que passaram a adotar assim a partir de 1996, retornando o estilo de enquadramento como eram nos anos 1970. Tiveram erros de que o coelho que estava olhando na toca com estatura do Coelho Caolho teria que ser um filho do Coelho Caolho ou a Dona Coelha no primeiro quadro da segunda página e também Coelho Caolho falando de boca fechada no primeiro quadro da penúltima página. Normalmente os gibis quinzenais do Chico Bento tinham histórias de secundários com a Turma do Papa-Capim, porém entre 1993 a 2002, algumas vezes tiveram a Turma da Mata  e Piteco como secundários no lugar e após 2003, quando o gibi do Chico virou mensal, Turma da Mata ficou em definitivo nos gibis dele junto com Papa-Capim e Piteco.

quarta-feira, 8 de julho de 2026

Mônica: HQ "Andar sem sapato é perigoso"

Compartilho uma história em que a Mônica se dá conta que andar descalça é perigoso para machucar os pés. Com 4 páginas, foi história de miolo de 'Mônica Nº 158' (Ed. Abril, 1983).

Capa de 'Mônica Nº 158' (Ed. Abril, 1983)

Um homem olha par aos pés da Mônica e pergunta se ela está esquecendo nada. Mônica olha por baixo do vestido pensando que era a calcinha e vendo que estava, diz que acha que não. O homem fala que está esquecendo os sapatos e ela responde que não esqueceu, que está sem eles porque não usa sapatos. o homem diz que é perigoso porque ela pode se machucar com prego ou um caco de vidro, mesmo que nunca aconteceu, não é bom facilitar e vai embora.

Mônica se pergunta será que pode acontecer mesmo, quando quase pisa em um prego e depois cascão fala para ela ter cuidado, se ele não avisasse, quase pisaria nos cacos de vidro no chão. Em seguida, vê Magali com pé enfaixado por ter pisado no espinho e Mônica diz que é isso que dá andar descalça e logo se toca que não pode falar da Magali se ela também não usa sapatos. Assim, Mônica compra sapatos na loja e depois de um tempo usando diz par ao Jeremias que ela está com calo nos pés.

História legal, a Mônica não tinha noção que andar sem sapato podia se machucar pisando sem querer onde não deve e resolve usar sapato, porém passa a sofrer com calos nos pés por causa disso. Viu que é perigoso não usar sapato, mas também não é bom usá-los. Antes não tivesse seguido conselho do homem que aí não teria calos até porque ela nunca se machucou andando descalça e se pisasse em alguma coisa errada, seria puro acidente. Outra alternativa seria comprar sapato mais largo, sem ser tão apertado.

Foi engraçado a Mônica achar que estava sem calcinha após o homem avisar que ela estava esquecendo nada e ela levantar o vestido com vergonha para confirmar, acabou o homem se passando por pedófilo por ficar reparando se criança estava de calcinha ou não, e também a Mônica querer dar lição para Magali que pisou em espinho porque anda descalça, sendo que ela também anda descalça, tinha direito nenhum de dar lição de moral em alguém, o mesmo do Cascão avisá-la dos cacos de vidro e ele também não usa sapato, tem que ter cuidado também como a Mônica, e no final ela ficar com calos por ter usado sapato. Também era muito boa a autonomia das crianças, Mônica entrar na loja e comprar sapatos sozinha tranquilamente sem presença da mãe, do pai ou de algum adulto.

Muitas vezes tinham histórias de personagens se questionando por que não usam sapatos e não têm dedos nos pés, ou então sofrendo por causa disso, eram boas histórias assim. Como recebiam cartas com crianças perguntando sobre esses detalhes dos pés dos personagens, aí faziam histórias explicando perguntas nas cartas, afinal, tudo servia de inspiração para os roteiristas. A partir dos anos 2000, roteirista Emerson Abreu mudou esse conceito e MSP passou a adotar que os personagens usam meias de cor de pele e, com isso, ajudou o politicamente correto mostrando que eles não andam descalços e tem dedos nos pés, as meias que escondem, e não passaram a colocar personagens usando sapatos por causa das meias.

História ensinou de forma divertida que não devemos andar descalços, precisando até Magali sofrer pra mostrar a real, e que também não devemos usar sapatos apertados para não dar calo, a gente aprendia muito nessas histórias antigas com os erros dos personagens, porém é incorreta hoje em dia por mostrar no final que usar sapato é ruim, Magali com pé enfaixado por ter pisado em espinho, Mônica levantando vestido e mostrando calcinha, homem reparar em calcinha de criança na visão da Mônica, criança com autonomia para ir em loja sozinha comprar sapato sem presença de adulto junto, Mônica conversar com estranho na rua, não ter final feliz para Mônica, sofrer com calo, e Jeremias com círculo em volta da boca representando lábios no penúltimo quadro e lábios bem exagerados no último quadro.

Traços bons, bem simples, típicos de histórias de miolo dos anos 1980. Tiveram erros da pele da testa do homem perto do topete nos dois últimos quadros da primeira página com as cores branca e azul, respectivamente, ausência de traços na curvatura de cada pé da Mônica separando pés das pernas no 3º quadro da 2ª página e Jeremias com círculo da boca em um quadro e lábios no outro e pintados de brancos em vez de rosas. Nunca foi republicada até hoje, poderia ter sido a partir de 1988, mas acabaram esquecendo e aí fica sendo rara hoje em dia, só quem tem o gibi original que conhece.

sábado, 4 de julho de 2026

Pelezinho: HQ "Vai lá, timão! Essa Copa é nossa! Brasil! Brasil!"

Estamos em época de Copa do Mundo e, então, mostro uma história de 40 anos atrás, em que o Pelezinho e seus amigos lidam com o mistério do estádio de futebol que sumiu em uma final de Copa do Mundo.  Com 13 páginas, foi história de abertura de 'Pelezinho Copa 86 Nº 2' (Ed. Abril, 1986).

Capa de 'Pelezinho Copa 86 Nº 2' (Ed. Abril, 1986)

Seu Dondinho chega em casa e vê Pelezinho, Frangão e Cana Braba assistindo ao jogo do Brasil da final da Copa do Mundo e torcendo com a televisão desligada. Ele diz que tem ligar porque seria mais emocionante e os meninos falam que não é para fazer isso, é a final da Copa, se o Brasil perder, iam sofrer muito. Seu Dondinho acha bobagem, a emoção faz parte do futebol, liga a TV, sai e volta vestido com a camisa da Seleção, faixa na cabeça, bandeira, tambor e bebida para torcer como torcedor fanático.

O jogo está prestes para começar, quando o estádio está sendo todo coberto, não por uma nuvem, mas por uma bola imensa de futebol que flutua sobre o estádio e o repórter acha que certamente era algum balão publicitário. Sai um raio de dentro, o estádio é encolhido e abduzido até a bola e é segurado pelo Tonico Fura-Bola.

A bola voadora vai embora e Pelezinho, o pai e os amigos ficam surpresos que o estádio de futebol sumiu, nem acreditam com o que viram diante de seus olhos e Seu Dondinho fica em estado de choque, assim como todas as pessoas na rua que viam o jogo. 

O narrador-observador dá o suspense com o que vai acontecer, anunciando que o final da emocionante será no próximo número da revista. Pelezinho acha um cúmulo, segura o texto, amassa como uma bola e chuta, dizendo que quem gosta de futebol não vai ficar com coração na boca, na história dele não tem próximo capítulo e sai com os amigos para desvendar o mistério.

Pelezinho pergunta para o Frangão se não deu uma boa olhada para o vilão. Frangão responde que o conhecia, mas não sabia de onde. Vão à casa do Tonico Fura-Bola e encontram a bola gigante entrando na casa e descobrem que foi ele quem roubou o estádio de futebol. Tonico flagra os meninos olhando pela janela e os aprisiona em armadilha de bolas que tinha no quintal.

Tonico explica que o time brasileiro nunca juntou tantos craques, com esse timaço é impossível a gente perder, e se ganhar, a vida dele vai virar um inferno, todos os moleques vão querer jogar bola inspirados na Seleção, seu quintal vai ficar atulhado de bolas que vão ficar ali, não vai conseguir furar tantas bolas, não vai ter tesouras e facas suficientes para estourar. Claro que podem perder, mas prefere não arriscar.

Então, Tonico fura todas as bolas do jogo para garantir que não haverá partida. Pelezinho diz que duvida que ele fure aquela bola ali. Tonico fura e ela a bola que ele estava preso. Tonico tenta fugir no balão gigante com o estádio, Pelezinho chuta a bola onde estava o Cana Braba, atingindo o Tonico em em seguida chuta a bola com o Frangão e consegue agarrar o estádio que estava com o Tonico.

Depois, voltam ao México com o balão gigante e Pelezinho exige que Tonico devolva o estádio para o lugar dele senão vai chutá-lo. Tonico devolve e faz voltar ao tamanho normal, mas não podem jogar porque as bolas foram todas furadas. Tonico fica feliz que a sua vingança não fracassou, não vai ter final da Copa. 

Pelezinho fica irritado, chuta o Tonico, fazendo cair sobre o painel de controle, o raio diminuidor fica fora de controle,  os meninos conseguem sair a tempo, o balão de bola gigante diminui, e Tonico também encolhe e aí o balão se torna a bola oficial do jogo com Tonico dentro e Pelezinho diz que sente um pouco de inveja do Tonico, apesar de ter sido o vilão da história, ele está no melhor lugar para assistir ao jogo .

História legal em que o Tonico Fura-Bola encolhe o estádio de futebol que estava acontecendo jogo de final de Copa do Mundo com a Seleção Brasileira e leva para sua casa e ainda fura todas as bolas para garantir que não tivesse jogo. Pelezinho e seus amigos vão à casa do Tonico e conseguem fazer o estádio voltar para o México e no seu tamanho normal e Tonico ainda vira a bola do jogo para ter a partida de futebol.

Um estádio de futebol sumir diante dos olhos do mundo inteiro é bastante surpreendente, não é à toa que que todos que estavam assistindo ao jogo ficaram em estado de choque. Bom que Pelezinho e seus amigos não se surpreenderam tanto e puderam resolver o caso. Tonico Fura-Bola fez isso com medo do Brasil ganhar a Copa e mais meninos quererem jogar futebol e jogarem bolas no seu quintal e quebrar vidraça da janela. Caso ganhasse, Tonico até não poderia de furar as bolas rápido, iria ficar um tempão furando, só não poderia dizer que não tinha tesoura e facas suficientes, já que esses instrumentos não se estragam com facilidade.

Um balão gigante em forma de bola fez com que Tonico fosse para o México e encolher o estádio, já devia ter planejado muito tempo antes da Copa. Dava até para imaginar que era um extraterrestre antes da revelação do vilão. Os meninos foram muito espertos e ágeis para vencer o Tonico, depois de ficarem aprisionados nas armadilhas das bolas. Pelezinho conseguiu enganar direitinho o Tonico e comseu  chute forte, é quem teria força para chutar uma bola grande com Cana Braba dentro e derrubar o Tonico. Frangão como goleiro, só podia ser ele para agarrar o estádio em miniatura. 

Pelezinho e os meninos, que inicialmente estavam assistindo em casa, tiveram ainda privilégio de assistirem à final da Copa no México e sem pagar como forma de recompensa de salvar a Copa. Sem dúvida foi um grande castigo para o Tonico, por detestar futebol e único a torcer contra o Brasil, teve que ser a bola de futebol da partida. Só não mostraram quem era o adversário do Brasil na história e fica na imaginação dos leitores quem ganhou o jogo e a Copa. 

Engraçado torcerem com TV desligada e dizerem que vão dar dar pancada no juiz ladrão, Seu Dondinho voltar todo uniformizado e animado pra ver o jogo e depois ficar em estado de choque, o narrador dizendo que história continua no próximo número e Pelezinho puxar o papel com o texto, amassar como uma bola e chutar, Tonico imaginar as bolas entulhadas no quintal, ser enganado e furar sem querer a bola que prendia o Pelezinho e ser chutado por ele fazendo o painel ficar descontrolado.

Seu Dondinho era o pai do Pelé na vida real, os amigos foram inspirados nos amigos do Pelé na infância. Essa história marcou volta do Tonico Fura-Bola, que era bem frequente nos anos 1970, mas estava sumido nos últimos gibis dos anos 1980. Vilões do Pelezinho eram o Tonico e o Jão Balão. Hoje em dia podiam implicar por conta dos absurdos exagerados, Pelezinho com lábios representados com círculo rosa em volta da boca e Cana Braba com beiço grande por acharem que é chacota com negros, além de palavras "roubar" e "inferno".

A Copa do México de 1986 completa 40 anos agora em 2026 e por coincidência, a copa deste ano se realiza no México, sendo que dessa vez junto com Estados Unidos e Canadá. Na vida real, Brasil não ganhou a Copa de 1986, foi eliminado pela França nas quartas-de-finais e a campeã foi a Argentina, a história foi só uma ficção, roteirizada antes do início da Copa, na esperança que o Brasil chegasse à final. E os jogadores mostrados na história foram fictícios também, não os oficiais que jogaram naquela Copa.

Traços ficaram excelentes dos anos 1980 da fase consagrada, ainda não tinham visto histórias do Pelezinho com traços assim, os mais próximos e parecidos foram  os do estilo do início dos anos 1980, antes da fase consagrada da MSP. As falas das personagens formaram título da história, o que era bem comum na MSP na época. Nunca foi republicada por ser uma história de 1986 e que permitiria republicação só a partir de 1991, quando não tinha mais Almanaques do Pelezinho em circulação e logo depois esse núcleo foi para o limbo de vez. Aí, se torna rara hoje e só quem a revista original que a conhece.

Pelezinho voltou a ter história inédita depois de 4 anos, após o cancelamento do gibi dele em 1982. Pelo visto a intenção era que em 1986 ele voltasse a ter título periódico mensal, misturando inéditas e republicações, só que essa segunda série durou só 3 edições. As duas primeiras com alusão à Copa 86 com uma história de abertura inédita sobre Copa e as demais republicações de histórias normais do Pelezinho de 1979, juntando curiosidades da Copa, passatempos e jogos. Já a edição "Nº 3" foi só republicações. Com a mudança da MSP para Globo em 1987, desistiram de continuar com o título mensal do Pelezinho, deixando só edições especiais esporádicas até 1992 e depois retornou com título na Panini só com republicações entre 2012 a 2014.

Falando sobre essa edição "Nº 2", uma capa caprichada com Pelezinho ao lado e usando o mesmo sombrebo da mascote Pique daquela Copa. Além dessa história de abertura inédita, tiveram outras 4 republicações de histórias de 1979 entre as edições "Nº 20" a "Nº 27" e tirinha da edição "Nº 29", de 1979. Teve 3 páginas contando como foi a classificação sofrida do Brasil para a Copa contra o Paraguai, 2 páginas sobre os avanços da cidade Guadalajara do México após a última Copa do Mundo de 1970 e 2 páginas com curiosidades da Copa 1986, como algumas Seleções estavam se preparando, previsão do Pelé das seleções favoritas ao título e Zico explica como bater pênaltis sem dar chance ao goleiro, entre outras. E mais um jogo de tabuleiro da Copa e brinde de uma bandeira, hoje bem rara de se encontrar. Sem dúvida, foi uma edição bem especial. 

quarta-feira, 1 de julho de 2026

Chico Bento: HQ "E os bichos não sabem?"

Dia primeiro de julho é aniversário do Chico Bento e, em homenagem, mostro uma história em ele quer que os bichos do sítios lhe desejem "Parabéns", achando que os bichos sabiam que era aniversário dele. Com 12 páginas, foi publicada em 'Chico Bento Nº 403' (Ed. Globo, 2002).

Capa de 'Chico Bento Nº 403' (Ed. Globo, 2002)

Escrita por Paulo Back, começa com Chico Bento chegando em casa e flagra os pais preparando festa de aniversário dele. Dona Cotinha pergunta o que o filho estava fazendo em casa e que é para voltar para rua. Chico diz que voltou porque esqueceu o chapéu, a mãe dá o chapéu, manda ficar brincando aí fora e bate a porta.

Chico comenta que em todo aniversário é assim, os pais o tocam fora de casa para ficar arrumando tudo lá dentro para lhe fazer surpresa, à tarde o convida para dentro e estão todos esperando lá dentro, aí ele faz cara de quem não sabia de nada e cantam "Parabéns", só que sempre sabe. A Rosinha sempre encontra saindo da venda do Nhô Anacleto com presente e ele finge que não vê só para dar tempo de ela se esconder. Zé da Roça e Hiro fingem que esqueceram do aniversário e ele sabe que eles sabem e a vila toda fica olhando com cara de cabra mocha porque é aniversário dele.

Depois, Chico pergunta para galinha Giselda se ela sabe se é aniversário dele e Giselda nem dá atenção. Chico diz que deve ser triste ser bicho, um dia é igual ao outro, não faz diferença. Chico fala para Giselda para comemorarem juntos o aniversário dele, Giselda cacareja como se tivesse conversando e vai embora. 

Chico acha falta de consideração, ele que catou os melhores milhos, pôs dentro de casa na noite da chuva e espantou os gambás do galinheiro e acha que merece uma "asada" de parabéns. Giselda bica o nariz do Chico, que diz que da próxima vez ela que dê um jeito de se escafeder sozinha quando gambá andar por aí.

Chico diz que o Torresmo que é um amigão e pede para o porco dar fuçada nele porque é seu aniversário. Torresmo se esconde na lama e cisca lama na cara do Chico, que o chama de porco mal-agradecido. Depois, chega para Malhada dizendo que tem um segredinho para contar, pergunta se sabe que dia é hoje e a vaca tira o chapéu dele, que pergunta cadê as coisas que ensinou para ela: ser boazinha, não dar leite azedo e não comer chapéu dos outros. 

Chico se pergunta se não tem alguma criatura que saiba que dia é hoje. Chega nas abelhas falando que o menino que fez a casinha para elas está de festa e bem que podiam dar "Parabéns" para ele. As abelhas se reúnem para avançar nele, que pula no riacho para não ser picado por elas. Chico se enfeza, não está mais nem aí para quem não sabe que é aniversário dele, prefere festejar sozinho e vai para casa.

Quando abre a porta, tem a festa-surpresa dos pais e amigos fizeram para o Chico que diz pegaram de surpresa mesmo, tinha esquecido da festa. Comenta que bobagem dele esperar uma coisa dessas também dos bichos. Dona Cotinha leva o bolo falando que foi feito com doce de leite, com leite da Malhada, a cobertura com fios de ovo da Giselda, a velinha foi feita de cera de colmeia de abelha e o prato enfeitado foi feito de barro que o Torresmo cavoucou. 

Chico fala que então os bichos ajudaram a fazer o bolo e fica comovido, dizendo que não queria magoar os bichinhos, não tem problema que eles não saibam que hoje é aniversário dele. Aí, Dona Cotinha fala para o filho falar isso pessoalmente a eles, já que os bichos aparecem para lhe dar os "Parabéns". No final, Chico diz que não pode ser o coro mais afinado, mas pode dizer que os danados o enganaram direitinho.

Boa história em que o Chico Bento pensa que os bichos do sítio sabiam que ele fazia aniversário e pedia para eles darem os "Parabéns" para ele. Só que eles agiam naturalmente, sem ter ideia do que Chico falava e até avançavam nele quando os agarrava já que estava machucando ou invadindo território deles. Chico passa a entender que os bichos não tem noção do que é aniversário, mas no final, tem a surpresa de que eles foram na festa dar os "Parabéns" para ele. 

Já que família e amigos do Chico sempre davam "Parabéns" no aniversário dele, achava que os bichos também podiam desejar feliz aniversário. Depois das negações deles, vimos que era tudo encenação dos bichos para enganar o Chico para pensar que bichos não sabiam o que era aniversário, eles foram bem inteligentes e até leitores também pensavam que eles não sabiam o que era aniversário. 

Chico ficou tão entretido com os bichos que achou que ninguém se lembrava do aniversário, esqueceu que pais e amigos sabiam, ficou como só existissem bichos na Terra. Todo ano era a mesma coisa e a surpresa que pais e amigos tentavam fazer já estava batida para o Chico, mesmo assim Chico gostava da ideia que eles não sabiam o que ele sabia, aí nessa festa foi diferente com a surpresa dos bichos e de ele ter se esquecido dos pais e amigos por um momento.

Mostrou ideia de  dúvida de crianças se os animais sabem sobre aniversário da gente ou se sabem quando as pessoas fazem festas de aniversário para os pets. Na vida real não sabem, porém sentem o carinho que está recebendo na hora, principalmente quando as festas são para eles. Aí, na história ficou como que os bichos sabiam para dar um final feliz e ter os absurdos de histórias em quadrinhos.

Foi engraçado Dona Cotinha expulsar o Chico enquanto preparava a festa, Chico ter sido bicado pela Giselda quando a apertou, Torresmo jogar lama nele, Malhada pegar o chapéu pra comer e as abelhas avançando nele.

O Chico tem muitos bichos famosos no sítio e sempre tinha uma interação boas o Chico com eles. Todos apareceram nessa história, sendo que mais normal era contracenar com cada um em cada história. Nessa, faltaram mais alguns para o Chico contracenar como o bode Barnabé, o burro Teobaldo, apesar de terem aparecido em figurações, só não teve conversas com eles, até porque para agilizar a trama e não ficar grande em um gibi quinzenal de 36 páginas. 

Giselda a mais famosa de todos, a primeira a ser criada nos anos 1970, antes do Chico ganhar revista. O Torresmo muitas vezes era pintado de cinza para não confundir com o Chovinista, mas não era padrão e podia ser colorido de marrom ou laranja às vezes, nessa ele ficou marrom. Normalmente os bichos do Chico não pensam diante dele como o Mingau diante da Magali e em uma ou outra que falavam com outros bichos da mesma espécie. Ele ainda tinha o Fido, que morreu em história de 1990, porém foi ressuscitado em 2004, pelo próprio Paulo Back, aí se essa história fosse depois de 2004, certamente o Fido estaria nela.

Traços acho um pouco estranhos, são típicos dos anos 2000 que tinham uns detalhes diferentes e Chico com nariz menor, nas 6 primeiras páginas Chico ficou com expressões bem esquisitas, depois melhorou, talvez foi desenhada por desenhistas diferentes. O tema em si não acho incorreto, eles gostam de histórias com pets, porém iriam implicar com alguns elementos como Giselda dar bicadas no nariz do Chico, Torresmo jogar lama nele, abelhas avançarem nele, Chico falar sozinho no início, além de palavras e expressões de difícil entendimento para crianças pequenas como "cabra mocha", "escafeder".

FELIZ ANIVERSÁRIO, CHICO BENTO!!!