terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Cebolinha: HQ "O Queimadão"

Mostro uma história em que o Cebolinha não foi à praia e nem estava bronzeado enquanto todos estavam e fazem bullying com ele por estar branco e pálido. Com 9 páginas, foi história de abertura publicada em 'Cebolinha Nº 160' (Ed. Abril, 1986).

Capa de 'Cebolinha Nº 160' (Ed. Abril, 1986)

Cebolinha fica feliz em ver a Marilu, quem não via há muito tempo e fala que ela está uma gatinha. Marilu diz que Cebolinha está, ele interrompe perguntando se está bonito, charmoso ou irresistível e ela diz que está branco, com uma cor horrível e pergunta se passou o verão em uma geladeira. Ela comenta que todo mundo está queimadinho, com cor saudável, moreno de Sol, tanto tempo sem vê-lo e está branco-escritório.

Marilu mostra a marca de biquíni dela e abaixa a bermurda dele pra conferir que ele não tem marquinha na bunda. Chega o Reinaldinho, Marilu fica encantada com a cor bronzeada dele e sai com ele, deixando Cebolinha falando sozinho, e Reinaldinho, antes de sair com Marilu, pergunta quem é o brancão ali. Cebolinha grita que brancão é a vovozinha e uma velhinha bronzeada dá guarda-chuvada nele reclamando que é um moleque atrevido, que ela está superqueimada de praia e ele fala que está brancona e solta palavrões para ele.

Depois, Cebolinha passa diante de um espelho, não acha que está tão branco assim, quando ouve alguém respondendo que ele está pálido, parece mais uma vela com cinco fios de cabelo. Cebolinha se enfeza e quer dar um tapão e descobre que foi a Mônica. Cebolinha dá desculpa que vai levar um tempão para chegar da cor dela. 

Cascão chama Cebolinha de brancão, ele tenta dar tapão no Cascão, que se abaixa e o tapa vai para Mônica, que dá um soco no Cebolinha tão forte que ele voa, bate a cabeça  na tábua onde estavam pintando fachada do prédio e a lata de tinta marrom cai no rosto dele. Cebolinha vê que ficou com cor bronzeada com a tinta, pinta o resto do corpo e vai falar com a Marilu, que ainda estava com o Reinaldinho.

Marilu admira como Cebolinha está preto e que agora há pouco estava mais branco que geladeira. Cebolinha diz que a pele dele é muito boa para tomar Sol, foi só ficar deitado debaixo de Sol por 5 minutos para ficar assim e não é como alguém que conhece que tem que ficar o dia todo para pegar uma corzinha e Reinaldinho sabe que a indireta foi para ele.

Marilu dá um beijinho no rosto do Cebolinha, que lembra que a tinta vai sair e ser zoado, e, passa a segurar cabeça dela para não desgrudar do rosto dele, dando desculpa que segurou porque gosta dela. Marilu diz que gosta dele também, mas já o beijou e pode largar a cabeça senão não consegue desgrudar a boca da bochecha dele e manda largá-la.

Mônica e Cascão comentam que estão com dó do Cebolinha, caçoaram demais por estar branco e quando vão falar com ele, veem briga de Reinaldinho tentando largar a cabeça da Marilu da bochecha do Cebolinha. Cascão diz que o tapão da Mônica fez o Cebolinha ficar doidão e ficar com o corpo tão cheio de hematomas que ficou escuro. 

Reinaldinho pedem para ajudá-lo, Mônica usa a velha técnica de jogar balde cheio de água fria para separar dois cachorros brigando e Cascão acha que é crueldade. Ela joga tão forte, que a água faz jogar os três em direção ao barranco e os três caem. No final, Mônica e Cascão vão ao hospital levar flores para eles e Cebolinha está dando gargalhada, mesmo sendo o que machucou, enfaixado da cabeça aos pés, afinal não descobriram que ele estava pintado de tinta imitando bronzeamento.

História muito engraçada em que todos foram à praia e estavam bronzeados, menos o Cebolinha e fazem bullying com ele, achando que estava branco demais. É ridicularizado por todos e com o tapão que a Mônica dá, cebolinha para em local que estavam pintando fachada de prédio e aproveita pra se pintar fingindo que estava bronzeado. Acreditam e com o beijo da Marilu, a tinta sai, Cebolinha não quer largar rosto da bochecha dela, Mônica joga água neles tão forte que fazem cair no barranco e cebolinha fica feliz por estar enfaixado no hospital e não descobriram que ele usou tinta pra fingir bronzeado.

Pegaram pesado com o Cebolinha, foi ridicularizado por estar branco, amigos falando coisas que Cebolinha ficou trancado na geladeira no verão, estava brancão, pálido, mais branco que geladeira, que parecia vela com cinco fios de cabelo. Legal que os planos infalíveis aconteciam por acaso, foi preciso apanhar da Mônica para o Cebolinha ter ideia de fingir bronzeamento com a tinta e se vingar do Reinaldinho com a Marilu, só que não contava que a Marilu ia beijá-lo, fazendo sair a tinta e precisaria que ela ficasse grudada na bochecha dele pra não descobrirem a farsa. Cebolinha ficou taxado como louco, tudo para não descobrirem que se pintou imitando bronzeamento.

Incrível a ousadia da Marilu abaixar calça do Cebolinha mostrando bunda branca, se mostrando bem assanhadinha. Marilu mostrando sua marquinha de bronzeado, mostrou que anda na rua sem calcinha e Cebolinha, sem cueca, quando abaixou bermuda dele. 

Engraçada também a cara do Cebolinha decepcionado que ela falou que está branco em vez de bonito e charmoso, quando viu que era a Mônica que disse o bullying quando ia dar um tapão nela, a velhinha dar guarda-chuvada e soltar palavrões por pensar que Cebolinha achava que ela não estava bronzeada, Cebolinha dar tapão na cara da Mônica sem querer e dizer que pele dele é boa para tomar Sol, Reinaldinho chamá-lo de maníaco de cinco fios de cabelo e Cascão dizer que hematomas do tapão deixou o Cebolinha escuro e que era crueldade jogar água neles.

Reinaldinho era o menino fixo por quem as meninas se apaixonavam, inspirado no roteirista Reinaldo Waisman, que deve ter sido quem escreveu essa história. Reinaldinho ficou fixo até antes do Reinaldo Waisman saiu da MSP. Já Marilu deve ter nome inspirado na música homônima "Marylou" do Ultraje a Rigor e ela só apareceu nesta história. 

Essa história é de abril de 1986 e, com isso, não foi publicada em época de verão. Podia sair histórias de calor ou de frio sem estar na época certa da estação. Se bronzear era sinônimo de status, todo mundo queria ficar queimadão quando ia à praia, usavam até bronzeadores para potencializar, hoje em dia essa ideia não é aceita pela sociedade por conta de queimaduras na pele e risco maior de câncer.

Impublicável hoje em dia por envolver bronzeamento de crianças, bullying por Cebolinha estar branco, sem ter se bronzeado, Marilu mostrando marca de biquíni dela e abaixar calça do Cebolinha mostrando bunda branca, chamar Cebolinha de preto, Cebolinha levar guarda-chuvada da velhinha, o termo "É a vovozinha!" é proibido nos gibis hoje assim como palavrões ditos por ela, Mônica dar soco tão forte que faz Cebolinha voar e bater cabeça em tábua de pintura, personagens caírem em barranco e ficarem todos quebrados internados em cama de hospital, Cebolinha pensar errado, sem trocar "R" pelo "L", interesse de namoro do Cebolinha. Ou seja, história toda errada, povo do politicamente correto detona, então essas que são as melhores.

Traços muito bons já na fase consagrada dos personagens. A colorização do marrom da Editora Abril deixavam tons de pele bem mais escuras que o normal. Teve erro falar de boca fechada no 2º quadro da primeira página. Teve propaganda inserida na 3ª página na lateral direita do lápis "Labra", sempre presente nos gibis da época. A capa da edição teve alusão à história de abertura, mas não com o que aconteceu de fato na história, foi apenas uma piada com o tema da história de abertura, o que era comum na época. Foi republicada depois em 'Almanaque do Cebolinha Nº 28' (Ed. Globo, 1995).

Capa de 'Almanaque do Cebolinha Nº 28' (Ed. Globo, 1995)

sábado, 17 de janeiro de 2026

A Turma: HQ "Ninguém aguenta esse calor..."

Estamos no verão no Brasil e mostro uma história em que a turma toda passa sufoco com o calor forte e  insuportável que estava no Bairro do Limoeiro em um dia de verão. Com 11 páginas, foi história de encerramento publicada em 'Parque da Mônica Nº 2' (Ed. Globo, 1993).

Capa de 'Parque da Mônica Nº 2' (Ed. Globo, 1993)

Está muito calor no verão do Bairro do Limoeiro, Mônica não consegue correr e bater no Cebolinha, que por sua não consegue correr também e os dois caem no chão. Cebolinha xinga a Mônica de dentuça e fala que não consegue correr porque é gorducha e ela diz que só não lhe dá coelhada porque não consegue levantar o braço. Mônica faz um trato de ele pagar um sorvete para ela e não bate nele, que aceita e os dois se rastejam para encontrar um vendedor de sorvete.

Franjinha vê e pergunta se eles estão brincando de minhoca. Cebolinha responde que estão morrendo de calor e aparece a Dona Morte. Cebolinha diz que queria dizer que está um calor de louco e aparece o Louco vestido de Papai Noel. Cebolinha diz que tem muita gente no quadrinho, Franjinha fala que fica mais abafado e lembra que inventou uma pílula contra sede. 

Dona Morte pergunta quem vai experimentar com todos olhando para o Louco e ele diz que é louco, mas nem tanto e sugere para Dona Morte experimentar. Franjinha gosta, dizendo que qualquer coisa ela se garante. Dona Morte diz que conhece a fama dele, mas toma a pílula, falando que faltou uma aguinha para descer melhor. Mônica e Cebolinha ficam em dúvida se funciona e querem tomar a pílula só que ficam com mais sede ainda que estavam e correm para tomar sorvete. Louco avisa para Dona Morte que vai para o deserto do Saara, chamando de Dona Vida e ela corrige que é Morte.

Mônica e Cebolinha encontram vendedor de sorvete, que diz que acabou, vendeu tudo para a Magali. Outro vendedor, estava vendendo sorvetes par aos filhos do Coelho caolho e diz que  vai sobrar nada. Mônica e Cebolinha reclamam que o calor está de derreter  e aparece o Jotalhão magro, dizendo que derrete mesmo. Mônica não reconhece quem era e Cebolinha diz que era o Jotalhão.

Em seguida, encontram o Chico Bento procurando água com um galho de madeira que indica onde tem água, o galho começa a balançar no lugar que tem água. Só que aparece é petróleo e Chico odeia. Depois, encontram o Anjinho na Terra, perguntam o que ele faz ali embaixo e ele responde que lá em cima está muito quente também, as nuvens evaporaram também, está um inferno.

Encontram o Cascão querendo cometer loucura, precisando de água com tanto calor que sentia. Ele corre em direção ao riacho e Mônica impede de entrar porque podia se afogar e pede para o Anjinho ajuda para o São Pedro. No Céu, Anjinho comenta que precisam de chuva, São Pedro fala que as nuvens estão secas e está esperando uma nova remessa de nuvens carregadas do Polo Norte que devem chegar só amanhã.

Anjinho diz que até lá todo mundo está cozido, tudo culpa desse Sol e tem ideia de ir ao espaço sideral falar com o Astronauta conversar com o Sol para convencê-lo de diminuir o brilho sobre a Terra. O Sol nega, estava deprimido porque brigou com a Lua, que a seguir aparece pedindo desculpas e que não vai mais olhar para a Terra.

Assim, o calor dá lugar a uma brisa saudável na Terra, Cranicola estava rachado e diz que o calor estava de rachar. Penadinho pergunta se era ele mesmo e Cranicola diz que por enquanto, Crani, só falta a cola. Começa a chuva, Cascão corre para casa e o ambiente refresca, deixando tudo normal e pessoal feliz porque ninguém aguentava mais aquele calor infernal. E o Diabo responde que ninguém mesmo, nem ele, aparecendo se abanando com ventilador, ar condicionado e água com gelo no Inferno.

História legal em que todos estavam sofrendo com o calorão no Bairro do Limoeiro, ninguém tinha força pra nada, nem Mônica conseguia correr atrás e bater no Cebolinha. Passaram a ter mais sede tomando a fórmula do Franjinha e não tiveram sorte nem em comprar sorvetes por causa da Magali e dos filhos do Coelho Caolho. Foi preciso Anjinho intervir e pedir para o Astronauta conversar com o Sol para diminuir o brilho e a temperatura da Terra voltar ao normal. 

O calor infernal foi culpa do Sol, que estava com ciúme da Lua ficar olhando para o planeta Terra, fizeram as pazes, aí o Sol passou a esquentar menos. Calor insuportável estava afetando cabeça deles e passando por coisas inusitadas sendo capaz até de Cascão querer tomar banho no riacho, salvo pela Mônica que tinha medo de ele se afogar e estava insuportável até no inferno precisando o Diabo se abanar e ficar com ar-condicionado e ventilador. Eram boas as histórias de personagens sofrendo com calor. Não diferencia muito do calor atualmente na vida real, quem sabe o Sol brigou de novo com a Lua e precisaria o Astronauta intervir para amenizar o calorão.

Louco de Papai Noel com aquele calor e não satisfeito ainda queria mais calor indo para o deserto do Saara, só não foi louco de tomar a pílula inventada pelo Franjinha. Louco também conduziu bem conversa com a Dona Morte, até chamando de Dona Vida. Se o Do Contra tivesse sido criado na época, se encaixaria bem na história, contrariando todos que estavam com calor.

As fórmulas do Franjinha já são famosas que dão erradas, que até Dona Morte sabia disso e nem Louco queria tomar a pílula que Franjinha inventou. O próprio Franjinha não levava fé na sua invenção e não era louco de testar e queriam Dona Morte como cobaia porque se acontecesse algo errado, não teria efeito ruim nela, mas por não ser humano não deu reação nela, adiantou nada experimentar.

Mônica estava rastejando mas quando viu a Dona Morte correu na hora e conseguiram forças para correr quando ficaram com sede excessiva após tomarem a pílula do Franjinha. Magali tirou a vez de Mônica e Cebolinha tomarem sorvetes, ficando gorda como grávida de tanto sorvete que tomou, dessa vez engordou após comer. Legal também os filhos do Coelho Caolho impedindo Mônica e Cebolinha de tomaram sorvete.

Engraçado trocadilhos como morrendo de calor, calor de louco, calor de derreter e calor infernal que foram ganchos para surgirem Dona Morte, Louco, Jotalhão e  Diabo, respectivamente. Rachei de rir com Jotalhão magro por ter derretido de tanto calor que estava. Chico Bento com galho que procura água encontrando petróleo foi engraçado de achar ruim de ter sido petróleo e não água. Devia gostar, ficaria rico e podia ter toda a fonte de água que quisesse. Mostrou que o galho que busca água só funciona na roça, não na cidade.

Divertido também Cascão querer tomar banho por causa do calor forte, as nuvens secas e evaporarem, Anjinho falando inferno, São Pedro com ventilador no Céu e encomendas nuvens no polo Norte, Sol namorar Lua, Cranicola rachou com tanto calor e Diabo se abanando com leque e com ar-condicionado e ventilador no inferno, nem ele estava aguentando calor. 

Chamou atenção ao crossover com reunião de vários personagens de outros núcleos em uma história e todos tiveram papéis importantes para conduzir a trama. Nunca poderíamos imaginar Mônica, Cebolinha e Franjinha juntos com Louco e Dona Morte, Mônica e Cebolinha com Coelho Caolho e os filhos, depois com Jotalhão e com Chico Bento, e mais Anjinho com Astronauta.

O título fez jus com crédito de "A turma" com tantos crossovers juntos. História teve uma linguagem diferente, mais ágil, com os secundários presentes ficou como se todos estavam fazendo visita no Bairro do Limoeiro e todos os secundários conheciam um ao outro. Foi importante presença deles para gerar as gags apresentadas.

Tudo indica que foi história escrita pelo Flávio Teixeira De Jesus por característica de ser ágil, vários personagens surgindo do nada, inclusive secundários. Depois, estilo de história com essa linguagem foi adotado mais frequente nas histórias ambientadas no Parque da Mônica, onde todos se reuniam lá e com maior número de crossovers com personagens. Flávio fez muitas histórias do Parque da Mônica. Se essa história não fosse para Revista Parque da Mônica, recém lançada até então, acho que iria para revista do Cebolinha.

Traços ficaram bons do estilo consagrado dos personagens. Teve erro roupa do Coelho Caolho com cor rosa em vez de amarela. Incorreta atualmente por por personagens sofrerem com calor extremo, absurdos mostrados, aparecer Diabo, além de palavras e expressões populares de duplo sentido proibidas como "morrendo de calor", "calor infernal", "todo mundo tá cozido", "diacho", "inferno", "peste", "louco", entre outras.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Cascão: HQ "O Gênio do Sabonete"

Em 14 de janeiro de 1996, há exatos 30 anos, falecia a roteirista e desenhista Rosana Munhoz* e então relembro a última história dela publicada em vida, "O Gênio do Sabonete", em que o Cascão encontra um gênio que vivia dentro de um sabonete e precisaria tomar banho para poder libertá-lo e ter todos os seus desejos realizados. Com 15 páginas, foi publicada em 'Cascão Nº 235' (Ed. Globo, 1996).

Capa de 'Cascão Nº 235' (Ed. Globo, 1996)

Cascão vê um sabonete pedindo socorro e pergunta quem chamou. O sabonete fala que foi ele e pede por favor para não deixá-lo jogado ali no chão. Cascão coloca luvas para pegar o sabonete e pergunta onde deve colocá-lo logo porque não gosta de sabonetes nem dos que falam. Ele diz que é um gênio que vive dentro do sabonete, está aprisionado há séculos e se Cascão soltá-lo, vai atender a todos os desejos dele e será rico e poderoso.

Cascão pega uma faca para cortar o sabonete, o Gênio pergunta se quer matá-lo e diz que para soltá-lo, tem que gastar sabonete até acabar e aí fica livre. Cascão avisa que nunca tomou banho na vida e nem quer tomar. O Gênio pergunta se ele não tomaria nem para salvá-lo, nem para ficar rico. Cascão recusa, o Gênio fala que depois é só pedir para voltar a ser sujo e Cascão diz que não aguentaria o choque.

O Gênio do Sabonete pede para deixá-lo novamente no chão para outra pessoa achá-lo, salvá-lo e ter todos os pedidos atendidos. Cascão tem ideia de pedir para arranjar outra pessoa para tomar banho no lugar dele, aí salva o Gênio por tabela e realiza os desejos dele.

Assim, Cascão dá o sabonete de presente para Cascuda e pergunta se ela vai tomar banho com ele. Cascuda responde que vai guardar na gaveta com todo carinho na gaveta dela para não gastar. Cascão manda devolver, toma o sabonete da mão dela e Cascuda termina o namoro, mandando o estúpido nunca mais falar com ela. Cascão diz que depois pede para o Gênio para Cascuda ficar de bem com ele e vai procurar um bobão que tome banho.

Cascão pergunta para Mônica se ela vai tomar banho e ela lhe dá uma coelhada para aprender a não ser mal-educado. Cascão diz que não foi, que só ia lhe dar um sabonete para tomar banho e ficar cheirosa e ela dá outra coelhada por achar que estava sendo chamada de fedida e que fedido é ele.

Depois, Cascão encontra o Cebolinha, diz que achou e vai emprestar um sabonete e pergunta se vai tomar banho com ele. Cebolinha diz que agora não, já tomou hoje. Cascão fala para tomar de novo, só para usar o sabonete, Cebolinha diz que está limpo e Cascão o suja com terra. Como está sujo, manda Cebolinha usar o sabonete e ele diz que com prazer, jogando o sabonete na cabeça do Cascão.

Em seguida, Cascão fala para Magali que tem algo para ela. Magali põe sabonete na boca pensando que era coisa para comer e ela o joga no chão. Cascão acha uma boa ideia Magali chupar o sabonete até gastar todo e ela dá uma surra no Cascão.

O Gênio fala que a ideia não deu certo, que é uma pena, não poderá ser amo dele e terá que abrir mão de todos os desejos, a não ser que faça sacrifício de tomar banho. Cascão pensa no que pode ter e aceita, pega tina, água e apetrechos e cria coragem para entrar na tina d'água e não consegue. Toma impulso de correr até a tina e desiste. O Gênio o manda lembrar de todos os desejos, Cascão pergunta se promete fazer voltar a ficar sujo, tenta pular, lembra de algo e desiste voando de volta à superfície.

Cascão diz que entendeu tudo, esse papo de gênio de sabonete é para enrolar, tudo um plano infalível do Cebolinha combinado com a turma para fazê-lo tomar banho, por isso ninguém queria tomar banho. O Gênio comenta que está ouvindo ele falar e Cascão diz que deve ser ventriloquismo ou um gravador escondido. O Gênio pergunta se não vai libertá-lo, Cascão diz que é papo furado e o deixa ali na rua, lamentando que foi acreditar nessa coisa ridícula. 

O tempo fecha e começa a chover. O sabonete vai se gastando com a chuva e depois que acaba todo, o Gênio é libertado e comemora que melhor que sem nenhum amo para mandar nele e sai voando. A chuva passa na hora, Cascão sai de casa desesperado falando para o Gênio esperá-lo e lamenta que ficou sem os seus desejos. No final, com dinheiro da mesada na mão, compra todos os sabonetes do mercado e sai falando com eles que são bonitinhos, que é para falarem com ele e que em um deles tem um geninho e a turma vendo a cena acha que Cascão pirou.

História engraçada em que Cascão encontra o Gênio do Sabonete e precisa tomar banho para gastar o sabonete e libertar o gênio para que pudesse ter seus desejos realizados. Cascão adiou ao máximo, tentou ajuda de seus amigos a tomarem banho por ele e não teve jeito de tentar tomar banho, só que lembra que poderia ser plano infalível da turma e desiste. O sabonete é gasto com a chuva, o Gênio é libertado, Cascão descobre que era tudo verdade e passa a comprar todos os sabonetes do mercado pra ver se encontra outro gênio para realizar os desejos dele. 

Foi bom o mistério até o final se era ou não plano infalível. De início dava para pensar mesmo que era plano da turma para o Cascão tomar banho, no caso seria um plano de ventriloquismo, e no final foi provado que não, para o desespero do Cascão. O Gênio podia ter falado com os amigos do Cascão confirmando que existia e ver se pudessem ajudá-lo, aí mais um motivo que dava ideia que era um plano deles ou então um sabonete que saiu da história do Bidu, já que pareceu estilo Bidu falando com objetos.

História foi uma adaptação da fábula de Gênio da Lâmpada, em vez de lustrar lâmpada antiga para ter desejos realizados, aqui o Gênio morava em um sabonete e teria que alguém gastá-lo com água para ser libertado. O mais certo quem tomasse banho com o sabonete seria o amo do Gênio, mas ele aceitou a condição do Cascão de alguém tomar banho no lugar dele. Mesmo que alguém tomasse banho, teria que ficar horas tomando banho para gastar um sabonete inteiro, não seria muito agradável também.

O Gênio não disse que teria que gastar sabonete apenas com banho senão não iria ser libertado com a água da chuva sem ninguém ter tomado banho. Como não era necessariamente ser banho para libertá-lo e se um amigo tomasse banho, o Cascão seria o amo da mesma forma, Cascão podia  ter pedido a mãe para lavar louça com o sabonete ou simplesmente colocá-lo em uma tina até ser todo dissolvido. Interessante que a chuva acaba bem depois que o Gênio é libertado parecendo ajuda dos céus porque o Cascão não quis tomar banho.

A interação do Cascão com a turma foi boa, muito engraçado ele pedir para Cascuda devolver o sabonete que tinha presenteado já que ela não ia tomar banho, levar duas coelhadas da Mônica porque achava que estava implicando com ela que não tomava banho e que era fedida, Magali colocar sabonete na boca pensando que era comida e por não perguntar o que ele tinha na mão, ainda bem que ela não engoliu de cara, e Magali bater no Cascão depois que sugeriu de chupar sabonete até gastar, quem diria Cascão apanhar justo da Magali.

Foi engraçado também Cascão colocar luva para pegar sabonete, querer cortar o sabonete com faca e Gênio dizer que queria matá-lo, o Gênio mexer no emocional do Cascão que ia perder todos desejos para convencê-lo a tomar banho, Cascão pegar patinho de brinquedo para o banho, voar quando estava pulando na tina para voltar a superfície e escapar do banho. Incorreta atualmente por chantagem de forçarem Cascão a tomar banho sem ele querer, Cascão segurar faca, Magali comer sabonete, Cascão apanhar de todo mundo, ficar de olho roxo e galo na cabeça, levar coelhada explícita da Mônica sem ser só onomatopeia, Cebolinha jogar sabonete na cara, Cascão chamar os amigos de bobões, e absurdo de Cascão voar para se livrar do banho. 

Traços ficaram bonitos, meio fofinhos, típicos dos anos 1990. Cores com fundo em degradê como estava padrão  desde o segundo semestre de 1995. Teve enquadramento de  faixas de 3 linhas e 3 colunas por página, que estava frequente em histórias de abertura da Rosana na época. 

Curiosidade dos gibis a partir de de janeiro de 1996 com a volta dos códigos nas histórias que ficaram ausentes entre 1994 e 1995, só que agora em novo formato e até mais simples de decifrar, nessa história foi MSP96CC23501. E, assim, marcou a estreia desse novo formato de código em um gibi do Cascão. Esses códigos assim ficaram até em 2003, voltando a não ter mais no final da Globo entre 2004 a 2006 e retornando depois nos gibis da Panini a partir de 2007, permanecendo até hoje.

* Essa foi a última história escrita pela Rosana publicada em gibi em vida. A roteirista faleceu em 14 de janeiro de 1996, aos 32 anos de idade, vítima de afogamento em acidente trágico quando praticava esporte de rafting na sua folga. Foi uma grande perda para MSP já que naquelas alturas, ela era a que tinha mais produção, já estava escrevendo praticamente todas as histórias de abertura dos gibis e de repente a artista mais titular partiu, abrindo lacuna na MSP. Esse gibi do 'Cascão 235' saiu nas bancas na segunda semana de janeiro de 1996, na primeira semana teve 'Cebolinha Nº 109', 'Magali Nº 171' e 'Chico Bento Nº 234' também com histórias dela. Já os gibis a partir da terceira semana, Rosana já não estava mais com a gente. Quis o destino, a sua última história publicada em vida envolver fábula e plano infalível e, de quebra, piada de Magali com deslize da sua gula exagerada, temas que ela mais gostava de criar.

Mesmo após a sua morte, Rosana continuou com suas histórias publicadas nos gibis por um bom tempo, as chamadas histórias póstumas dela. Entre janeiro e abril de 1996 com os gibis prontos com antecedência e que não podiam mudar e depois seguiram colocando histórias arquivadas dela com boa frequência até em 1999 e de vez em quando podiam ser vistos roteiros inéditos até em 2006 no final da Globo. Inclusive, nos créditos finais de expediente dos gibis tinha o nome de Rosana até em 1999, sinal que ainda  tinham histórias póstumas dela com boa frequência. Em 2015, foram publicadas 2 histórias póstumas dela,  provando que ela tem muitas histórias arquivadas e poderiam publicar se quisessem e se não privilegiassem tanto o politicamente correto. 

Para compensar a ausência dela, ao longo de 1996, Paulo Back passou fazer histórias de aberturas, deram mais espaço para o Flavio Teixeira nas histórias do Parque da Mônica e contrataram o Emerson Abreu para a nova fase da MSP. A partir de agosto de 1996 já começávamos a ver algumas diferenças nos gibis, mesmo que ainda discretas, e primeiras mudanças mais nítidas a partir de 1997.

O que acho louco é que a gente lia as histórias e não sabia que Rosana havia morrido e achava que estava tudo normal. Não tinha internet, a grande mídia de televisão, jornais e rádio não tinha interesse em divulgar e a MSP só anunciou a partir dos gibis de abril de 1996, já que noticias de bastidores da MSP a gente só sabia através dos anúncios nos gibis. Então de janeiro a abril ninguém tinha conhecimento do falecimento dela. Convenhamos também que na época a gente não sabia nem nomes e detalhes dos profissionais da MSP, apesar de aparecerem às vezes em histórias de metalinguagens, mas normalmente não tinham seus nomes revelados nas histórias, afinal Mauricio nunca gostou de dar créditos aos artistas envolvidos em cada história. Ainda bem que a família da Rosana autorizou de publicarem as histórias arquivadas dela que aí a gente pôde conferir seus trabalhos por mais alguns anos, mesmo não sendo em todos os gibis. Morreu nova, mas deu pra fazer história na MSP e no mundo dos quadrinhos no tempo que passou lá.

domingo, 11 de janeiro de 2026

Capa da Semana: Magali Nº 354

Nessa capa, Magali surfa em altas ondas na praia com uma prancha de picolé, só ter cuidado de não comer antes de concluir seu surf. Olhando rápido, parecia uma simples prancha, aí olhando melhor, ver que não era. Ela tinha facilidade de transformar qualquer objeto em comida e era sempre bem criativas as capas dela assim. 

A capa dessa semana é de 'Magali Nº 354' (Ed. Globo, Janeiro/ 2003).

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Uma história do Astronauta de férias na praia

Mostro uma história em que o Astronauta foi curtir uma praia nas suas férias só que não teve o sossego como ele imaginava. Com 5 páginas, foi publicada em 'Cebolinha Nº 92' (Ed. Globo, 1994).

Capa de 'Cebolinha Nº 92' (Ed. Globo, 1994)

Astronauta fica feliz que está passando férias na praia do planeta Terra, diz que em lugar nenhum do universo temos um céu tão azul, nem um Sol tão quente, nem um mar tão limpo, quando leva uma bolada na cabeça e quer saber quem foi. Aparecem dois homens fortões dizendo que foi sem querer e Astronauta entrega a bola, sem valentia, com medo de apanhar deles.

Em seguida, Astronauta vai para outro lugar da praia, estranha que tinha ninguém ali e surge uma onda enorme na frente dele e aí descobre o motivo de ninguém ir para lá e ainda aparecem dois surfistas, dizendo que eles são gentes e surfam sem desviar do Astronauta, ganhando três galos na cabeça. Depois, vai em outro ponto e deita em cima de onde um homem estava brincando de se enterrar na areia e xinga muito o Astronauta. 

A seguir, Astronauta encontra outro lugar tranquilo e é atropelado uma família que chegara na praia fazer um piquenique. Ele se irrita, pega a nave e vai para curtir praia em outro planeta. Lá, comenta que não tem aquele céu, Sol e mar da Terra, mas tem paz, quando tem um arrastão espacial na praia e os extraterrestres levam tudo, deixando Astronauta pelado.

História legal, o Astronauta só queria sossego nas suas férias na praia, mas sempre era atrapalhado por alguma coisa. Foi procurar paz em praia de outro planeta e foi pior por sofrer um arrastão e ser assaltado lá. Ele aprendeu que em nenhum lugar teria paz, seja no planeta Terra ou em outros, sempre é a mesma coisa e teria os mesmos problemas em qualquer lugar que estivesse. Antes ficasse na Terra, pelo menos não seria assaltado. 

Embora o arrastão foi em outro planeta, corria risco de sofrer arrastão na Terra mesmo. Astronauta elogia que o mar da Terra era limpo, há controvérsias, tem muitas praias poluídas pelo Brasil. Até que teve sorte de não encontrar uma praia lotada que não consegue nenhum lugar para ficar, seria mais um problema para ele, provavelmente foi em época que não era verão e em dia de semana. 

Foi engraçado Astronauta levar bolada e ficar com medo de tomar satisfações com os fortões, ser levado pela onda, surfistas  surfarem na cabeça dele, sentar em cima de um homem enterrado e ser pisoteado por uma família de farofeiros. Definitivamente não teve sorte no seu dia de curtir praia.

História mostrou crítica da vida real que um simples passeio na praia pode virar programa de índio, o que é para ser diversão e relaxante, passa a ser muito estressante. Também ajudou diferenciar estilo de histórias do Astronauta, que sempre ficava viajando em outros planetas e contracenando com extraterrestres, dessa vez foi quase totalmente na Terra vivendo um cidadão comum. Mais uma vez história do Astronauta sem título como era de costume, hoje em dia, todas as histórioas da MSP têm título, até as de 1 página.

Traços ficaram bons da fase consagrada do estilo dos anos 1990.  Incorreta atualmente por Astronauta levar bolada no rosto, pancada de prancha de surfe e ficar com três galos, ser pisoteado pelos outros, homem se enterrar todo na areia e depois ser sufocado pelo Astronauta, homens desenhados fortões daquele jeito, e, principalmente, homem  falar palavrão, Astronauta ser assaltado em arrastão de praia e ainda ficar pelado, sem chance roteiro assim hoje em dia.