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quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Mônica: HQ "Briguem por mim... chorem por mim..."

Mostro uma história em que a Mônica força Cebolinha e Cascão brigarem entre eles para disputar quem vai ficar com ela, igual como ela viu na cena da novela. Foi história de abertura publicada em 'Gibizinho da Mônica Nº 33' (Ed. Globo, 1993).

Capa de 'Gibizinho da Mônica Nº 33' (Ed. Globo, 1993)

Mônica assiste dois homens brigando para saber com quem vai ficar com a mocinha da novela, acha muito romântico os dois brigarem por ela, que é uma garota de sorte e queria que dois gatinhos brigassem por ela, quando vê Cebolinha e Cascão dando nós no Sansão e escrevendo desaforos dela no muro.

Cebolinha e Cascão tentam correr, Mônica os segura e quer bater nos meninos, que imploram para não bater, estavam aprontando sem querer e fazem qualquer coisa para não apanharem. Mônica gosta e pergunta se é qualquer coisa mesmo, os meninos afirmam e sugerem se ela quer um sorvete ou carambola e Mônica fala que quer que briguem por ela.

Cascão manda Cebolinha começar, Cebolinha pergunta se Cascão quer participar de um plano contra a Mônica, Cascão recusa, Cebolinha insiste para entrar e Cascão não quer, começando uma discussão. Mônica diz que não é esse tipo de briga que quer, e, sim, brigarem para ficarem com ela, que nem o Ditongo e o Luca brigaram pela Baloma, para saber quem teria privilégio da sua companhia. Ela ordena que não podem ficar no bate-boca, os meninos têm que lutar para ver quem fica com ela e se não aceitarem, vão ter a surra que merecem.

Cebolinha e Cascão preferem lutar e falam que quem perder fica com a Mônica, que interrompe e avisa que quem vencer é quem fica com ela. Cebolinha diz que aí nenhum dos dois vai querer ficar com ela. Mônica quer satisfação disso, Cebolinha manda esquecer, disse nada e os dois recomeçam a briga. Cascão simula que caiu depois de levar soco, dizendo que Cebolinha venceu, Cebolinha fala que nem  encostou e Cascão diz que o olhar o matou e que pode ficar com ela.

Cebolinha fala que Cascão roubou, os dois começam uma briga a valer, Cebolinha reclama que Cascão está querendo que ele fique com a dentuça, mas não fica com a bobona sem luta, quem vai ficar com a chatona gorducha é o Cascão, que fala que é o Cebolinha quem combina mais  com a elefanta com dente de abridor de lata. 

Mônica se irrita, diz que não quer mais que briguem por causa dela, é ela que vai brigar e dá surra neles. No final, Mônica fala que os rapazes não brigam por ela, que nem pela Paloma, mas que pelo menos eles choram, mostrando Cebolinha e Cascão chorando após a surra que levaram.

História legal em que Mônica obriga Cebolinha e Cascão brigarem para ficar com ela na condição de eles não apanharem dela. Só que os meninos querem nada com ela e resolvem brigar para quem não vai ficar com ela, inclusive passaram a fingir que foram derrotados para não ficar com a Mônica. Começam a xingar a Mônica na briga, ela não gostou e resolve bater neles, deixando de vez a ideia de alguém brigar por ela.

Mônica como noveleira é muito influenciável, só porque viu na novela, também queria o mesmo de dois pretendentes brigarem por ela. Porém, como ninguém se interessava por ela, passou a obrigar Cebolinha e Cascão na ameaça, aproveitando que eles tinham aprontado. Bem típico da Mônica com personalidade autoritária, na base da ameaça, prefere os meninos se lascarem para ela se sentir amada, é muita carência, precisaria de tratamento psicológico.

Meninos brigaram por ela à força, sem interesse de namoro com ela,  aí claro que não daria certo, ideal seria espontaneidade deles. Antes apanhassem na hora que aprontaram escrevendo no muro e dando nós no Sansão porque apanharam de qualquer jeito no final e não precisariam passar vexame brigando por quem eles não amam. Mônica poderia ter tentado o Ricardinho, Reinaldinho ou outro menino "inho", quem sabe daria mais certo para ela.

Mônica também não se deu muito bem, descobriu  que ninguém vai brigar por ela em um triângulo amoroso, Isso é o que dá quando obriga as pessoas a fazerem o que elas não querem, ela só se conformou que os meninos choram após surra que dá neles, azar no amor, na violência ela se garante. 

Foi engraçado ver a cena inicial da briga dos caras por causa da mocinha da novela, Cebolinha dizer "pinote" para correr da Mônica, dizerem que estavam aprontando sem querer, personagem da novela se chamar Ditongo, Cebolinha dizer que aí nenhum dos dois vai querer ficar com ela em um a briga de quem vencer, Cascão simular que foi derrotado e dizer par ao Cebolinha que "seu olhar me matou" e xingar Mônica de elefanta com dente de abridor de latas. Também sempre era legal redemoinho formando briga extremamente violenta como foi a briga com os atores da novela..

A novela que a Mônica assistiu foi paródia de "De Corpo e Alma", de 1992, com Tarcísio Meira (Diogo), Victor Fasano (Juca) e Cristiana Oliveira (Paloma). O título da história foi uma paródia da música "Pense em mim" de Leandro & Leonardo, de 1990, que tinha o refrão "pense, em mim, chore por mim". A história ocupou 20 páginas no formato Gibizinho, se saísse em gibi convencional teria bem menos páginas e provavelmente seria de miolo. Capa com alusão à história de abertura como  eram de costume nos Gibizinhos.

Teve a característica da Mônica autoritária, obrigar os outros a fazerem o que não querem e ter que prevalecer o que ela quer, uns adora, outros odeiam quando ela agia assim, eu particularmente adorava. Incorreta atualmente por isso de não mostrar mais Mônica autoritária, ela assistir novelas, estimular violência entre os amigos e gostar que briguem por ela, meninos brigando entre si, rabiscando muros, xingarem a Mônica de gorducha, de elefanta, dente de abridor de lata e aparecerem surrados no final, calcinha da Mônica à mostra no primeiro quadro da página 16 do gibi, além de palavra proibida "roubou" e a popular "pinote" e podem implicar com TV de tubo por ser datada.

Traços muito bons, típicos dos anos 1990. Foi a última edição do 'Gibizinho da Mônica' com preço em "Cruzeiro" e sem código de barras, na edição seguinte já como "Cruzeiro Real" e com código de barras, que  visualmente chamavam mais atenção porque o formato do título era pequeno e com o código do mesmo tamanho das revistas convencionais ficava chamativo e ocupava boa parte das capas. Essas mudanças já deviam ter sido nessa edição "Nº 33", ja que o Cruzeiro Real já estava em vigor no  Brasil em agosto de 1993, pelo visto a capa estava pronta sem poder fazer as modificações a tempo.

terça-feira, 18 de agosto de 2026

Cascão: HQ Antes... E Depois!"

Em agosto de 1996, há exatos 30 anos, era publicada a história "Antes... E Depois" em que Cascão vira garoto-propaganda de uma campanha publicitária de sabonete. Com 14 páginas, foi publicada em 'Cascão Nº 250' (Ed. Globo, 1996).

Capa de 'Cascão Nº 250' (Ed. Globo, 1996)

Seu Sales, o chefe da agência de propaganda "Depemê", mostra campanhas publicitárias premiadas passadas que já produziram do sabonete "Plim Plom" e quer que os funcionários Zé e Depê criem uma nova campanha premiada, que tem que ser diferente, criativa e eficiente nas vendas. Depois da reunião, Zé comenta com Depê como ele pode ser otimista, Depê diz que sempre bolam alguma coisa, Zé comenta depois de muita dor de cabeça e vão dar uma volta na rua para ver se pinta alguma ideia.

Eles veem o Cascão bem sujo e Depê avisa que o menino será o espírito da campanha deles. Zé fala que querem vender sabonetes, não lixeira. Depê diz que podem mostrar o antes e o depois do sujinho ter tomado tomado banho com o sabonete Plim Plom, já todo limpo e cheiroso e vão falar com o Cascão. 

Acham o nome dele perfeito para a campanha e perguntam se ele quer garoto-propaganda da televisão. Cascão diz que não sabe, nunca pensou nisso. Depê diz que o pagamento vai ser tomar todos os sorvetes que quiser e ainda ter sucesso e fama e que basta mostrar antes e depois de ter usar o produto deles e aí Cascão topa.

Na agência, apresentam o Cascão ao diretor Seu Sales e avisam que a campanha estará pronta esta tarde porque é coisa simples e o Seu Sales fala que vai reservar horário na televisão hoje mesmo e no horário nobre e que o cliente vai ficar satisfeito. Em seguida, maquiam o Cascão e começa a gravação da campanha com a parte de mostrar o "antes" dele e depois a equipe abre a janela para respirar que não aguentavam o mau cheiro.

Depê avisa ao Cascão que agora ele vai usar o produto deles e depois vão filmar o "depois". Cascão quer saber se é um pente, chocolate, borracha, tênis e Depê fala que é o sabonete "Plim Plom"  e que o banho está preparado. Cascão fica desesperado, faz escândalo que quer sair dali e quer saber quem trancou a porta. Depê diz que ele não deve estar acostumado com banho, mas não é tão dolorido assim. Cascão tenta fugir pela janela, a equipe fecha, Cascão é agarrado pela equipe, o levam até a banheira, jogam, não o encontram na água e descobrem que ele foi parar no teto.

Depê pega uma mangueira, joga a água no teto, Cascão foge em zigue-zague entre as paredes da sala, faz um redemoinho, atravessa a parede e foge. Zé fala que a secretária Dona Leonor disse que é vizinha do Cascão e ele é um porquinho que nunca tomou banho na vida e melhor desistirem. Depê não quer desistir, se ele é famoso por ser sujinho, fará mais sucesso na campanha deles e ordena que todos vão atrás e não voltem sem ele.

A equipe procura Cascão em latas de lixo, no lixão até que Zé o avista atrás de uma moita. Corre atrás, Cascão se esconde na lama, Zé pega, falando que ele está bem sujo, mas não faz mal e que vão continuar a gravar o comercial. Depois que vai embora, o Cascão surge saindo da lama, aliviado que se salvou deles.

No estúdio, Seu Sales reclama com Depê que já é quase noite e eles não terminaram o comercial. Depê fala que tiveram um probleminha e Seu Sales manda tratar de resolver porque o comercial tem que ir ao ar em meia hora senão perderão dinheiro. Zé aparece, dizendo que pegou o Cascão e está bem mais dócil e Seu Sales fala, que como não têm mais tempo, a segunda parte do comercial será mostrada ao vivo.

Naquela noite, no intervalo do "Jornal Racional" é mostrado o comercial do sabonete "Plim Plom" ao vivo, Seu Sales espera que seja mais uma campanha premiada deles. O comercial começa mostrando o "antes" do Cascão, até ele conhecer o sabonete "Plim Plom". Depois de ter tomado banho, ficou de outro jeito e mostra o Chovinista de banho tomado.

Depê manda cortar e quer saber quem colocou aquele porco na banheira. Zé diz que não sabe como foi se enganar tanto assim. Seu Sales reclama que o cliente acabou de telefonar cancelando a conta com a agência dele, tiveram um baita prejuízo e manda Zé e Depê para rua. No final, aparecem os dois chorando com chutes marcados nas bundas, Cebolinha comenta com Cascão que dois marmanjos chorando, Cascão diz que conhece, não sabe como ficaram assim, mas que precisava ver como eles eram "antes".

História legal em que Cascão é convidado pra ser garoto-propaganda da nova campanha publicitária do sabonete "Plim Plom" só que foi descobrir que o produto que iria usar é que precisaria timar banho só na gravação. Com muito sufoco ele consegue fugir e faz com que o publicitário pega o Chovinista na lama por engano e descobrem que não era o Cascão só quando a propaganda estava no ar ao vivo na televisão, fazendo os publicitários serem demitidos, expulsos a pontapés pelo chefe e chorarem.

 Zé e Depê não falaram para o Cascão que iria usar sabonete e que teria que tomar banho, talvez por medo de ele naõ aceitar ou talvez por esquecimento deles, achando que seria um produto normal para uma pessoa comum. Cascão também poderia ter perguntado antes qual produto que ele tinha que usar, já facilitaria para recusar e evitar dos publicitários serem humilhados e demitidos.

Não desconfiaram que mesmo coberto de lama, Cascão não iria ficar parado e iria ser resistência até o final, já era sinal que não era o Cascão. Zé tinha que ter tirado o excesso de lama antes mesmo de voltar ao estúdio. Cascão foi a causa do prejuízo da empresa, era muitobom quando personagensdavam prejuízos de acordo com suas características.

Cascão antes era um sujinho e agora é um porco, grande humilhação ao vivo deles. Podiam ter dado um tempo de prazo maior para campanha ficar pronta que aí teria tempo de gravar comercial e não fazer ao vivo. Como o diretor já tinha combinado a hora que o comercial ia ao ar, não dava mais para adiar. Também foram bem muquiranas em pagar serviço com sorvetes e Cascão se contentar por pouco.

Definitivamente não conheciam o Cascão, não sabiam que era capaz de tudo para fugir do banho. Sensacional como ele fugiu, principalmente subir no teto, formar redemoinho e atravessar a parede. Como era bom ver Cascão assim fazendo coisas impossíveis de imaginar pra não tomar banho, .esmo quando não tinha possibilidade de escaoat, ele dava um jeito especial.  Esse é o verdadeiro Cascão. 

Engraçado tiradas como Zé fala que querem vender sabonetes, não lixeira, Depê dizer que sabonete "Plim Plom" precisa do menino e Zé achar o contrário, Zé com pregador do nariz e Depê com máscara no rosto para não sentir cheiro do Cascão, após a gravação, equipe querer abrir a janela para poderem respirar e aliviar o mau cheiro no estúdio, as formas do Cascão fugindo do banho, Zé pegar Chovinista por engano, povo que estava assistindo comercial da TV surpresos que Cascão ia tomar banho e a surpresa ao vivo que pegaram o Chovinista. 

Muito boas as referências a propagandas clássicas muito famosas da publicidade como o garoto da "Bombril" Carlos Moreno e do sabonete "Lux" de 1969 em que Regina Duarte falava "9 entre 10 estrelas" e de cigarros "Hollywood o sucesso" dos anos 1980. Sendo a referência maior foi ao garoto da Bombril, até logotipos parecidos do sabonete "Plim Plom" com "Bombril". Também excelente a paródia ao "Jornal Nacional" da TV Globo como "Jornal Racional" e hilário mostrando notícias sem relevância ou interesse popular como uma bomba cai no Afeganistão e ninguém se machucou e governador se encontrou com presidente no elevador. Seu Sales, Zé e Depê, assim como a secretária Dona Leonor que era vizinha do Cascão, só apareceram nessa história, como de costume de personagens criados para aparições únicas. 

História póstuma de Rosana. Incorreta atualmente por Cascão dar prejuízo na empresa e ser responsável pela demissão dos publicitários, Cascão com moscas em sua volta, pisando e sentado e dentro de lama, procurarem em latas de lixo e lixão, absurdos do Cascão fugindo para não tomar banho, Zé e Depê levarem chutes na bunda quando demitidos, mulher nua na banheira do comercial antigo premiado da primeira página, referência à propagandade cigarro na primeira página, nesmo que não de forma explicita, além de expressões populares proibidas "pinta alguma coisa", "pelo amor de Deus".

Traços ficaram bons do estilo dos anos 1990. Cores agora com vários tons de marrom e na intensidade normal e não mais escuras como no primeiro semestre de 1996. Propagandas inseridas na história dessa vez foram nas laterais sobre brindes que estavam vindo nas embalagens do "Kisuco". Muito bom relembrar essa história há exatos 30 anos.

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Tirinha Nº 127: Cascão

Tirinha passada em um dia frio de inverno e Cascão pula na lagoa. Deu impressão que resolveu tomar banho do nada e perder invencibilidade, mas puro engano: ele só queria dar uma pegadinha nos leitores, já sabia que o tempo estava com frio tão intenso que a água da lagoa virou gelo e ele podia andar tranquilamente que não iria se molhar.

A gente pensa que Cascão queria tomar banho e seria loucura bem logo em dia de muito frio se fosse verdade, foi legal essa ideia de enganar os leitores e bancar o esperto. Com o sapato também não teria risco de se molhar com umidade do gelo e também poderia caminhar tranquilo sobre o gelo. Só ele ter cuidado de que pode ter pontos que não congelou bem, pisar em falso e aí ele se molhar de fato. Personagens sempre ficavam bonitos com roupas de frio, na época tinha recurso de calça emendar com sapato sem divisória, tudo em uma coisa só, achava legal quando tinha.

Tirinha publicada em 'Cascão Nº 166' (Ed. Globo, 1993).

quarta-feira, 15 de julho de 2026

Cascão: HQ "Bom até de olhos fechados"

Estamos em época de Copa do Mundo e mostro uma história em que o Cascão não dorme na véspera da final do campeonato de futebol que ia jogar e tem dificuldade de jogar por ter sono durante o jogo. Com 9 páginas, foi história de abertura de 'Cascão Nº 41' (Ed. Globo, 1988).

Capa de 'Cascão Nº 41' (Ed. Globo, 1988)

Cebolinha vai embora da casa do Cascão dizendo para ele dormir bem para jogar com tudo amanhã porque precisam derrotar o time do Tião. Depois, Cascão fala que claro vão derrotar o time do Tião com ele jogando na equipe e avisa à mãe que já vai dormir já que amanhã é final do campeonato.

Na cama, Cascão fica ansioso, esperou tanto por esse dia, vai fazer muitos gols e a torcida gritar pelo nome dele, vão faturar a taça e quem vai carregar é ele, aí acha melhor dormir para repor as energias para a grande final só que não consegue e pergunta por que será. Ele dá uma olhada na sacola  que vai levar para o jogo, vê que está tudo ali até seu chaveirinho da sorte, volta para a cama e fica a madrugada em claro pensando que tem que dormir.

Amanhece, Dona Lurdinha chama o Cascão avisando que é a grande final e ele diz que sabe e que não dormiu a noite toda. A mãe pergunta como ele vai jogar, Cascão, enquanto troca de roupa, diz que não tem problema, está firmão, sem sono, se aguentou até agora, aguenta até a grande final e desaba de sono. Dona Lurdinha o acorda, diz que é melhor ele voltar para a cama, Cascão fala que perder a final, nunca, o time depende dele. A mãe diz quem sabe se ele lavar o rosto, Cascão avisa que está bem acordadinho e sai de casa depressa.

Na rua, Cascão reclama que era só o que faltava e pode aguentar muito bem sem isso. No campinho, Cebolinha comenta que chegou cedo, o time do Tião nem chegou ainda e pede para sentar no banco junto com os outros enquanto prepara as estratégias do jogo deles. No banco, Cascão pensa que sentado sem fazer nada vai acabar dormindo mesmo e resolve ficar se distraindo com o que acontece no campinho. 

Vê Cebolinha batendo papo com Franjinha, Titi chegando de ponta-cabeça, acha que é para chutar melhor as bolas voadoras e vê várias bolas voadoras, achando que mudaram as regras do futebol, que deveria ser só uma. Cebolinha chama Cascão, que estava dormindo, e ele confessa que não dormiu a noite toda pensando nesse bendito jogo. Cebolinha manda falar baixo, o time do Tião é capaz de qualquer malandragem para derrotá-los, não podem descobrir que o melhor atacante está morrendo de sono.

O time do Tião chega e ele diz que não sabe como os fracotes chegaram á final, mas que vão tirá-los da parada já, já, não vão dar nem para o segundo tempo e Cebolinha diz que isso que nós vamos ver. Começa o jogo, Cascão está mais para lá do que para cá e bola passa entre as pernas dele. Depois, anda e para até perto da trave, Tião quase marca gol se a bola não bate na cabeça do Cascão e comemoram que ele tirou a bola em cima.

O jogo continua, a turminha faz dois gols, time do Tião empata e tem esperança nos minutos finais do jogo com Tião segurar o Cebolinha e ter pênalti para turminha. Cascão cobra o pênalti, um garoto do time do Tião avisa que Cascão está caindo de sono. Time do Tião canta cantiga de "Nana, neném" e Cascão dorme em pé no campo. 

O sono é profundo, Cascão sonha que ganharam a taça e Tião falando que agora ele tem que tem lavar o rosto. Quinze segundos para acabar o jogo, Cascão, dormindo, diz que lavar rosto, não, isso não estava nas regras, é para tirar a água pra lá, chutando a bola forte para o gol. A turminha fica feliz que graças ao Cascão eles ganharam a grande final. No final, eles carregam a taça com Cascão dormindo em cima dela e Cebolinha diz que não sabe se foi desse jeito que o Cascão sonhou ser carregado em um triunfo. 

História legal em que Cascão tem ansiedade do jogo da final do campeonato de futebol, não consegue dormir na véspera e passa a ter sono na hora da partida. Com certa dificuldade, os times empatam o jogo e na disputa de pênalti Cascão faz o gol dormindo e seu time ganha o troféu graças ao sonho de que teria que lavar o rosto após ter sido campeão.

A ansiedade deu insônia no Cascão, se dormir não tinha como render no jogo de futebol, em condições normais dava para ele golear. Nem dava para remarcar a partida para tarde ou outro dia porque o time do Tião não ia aceitar. Quem sabe se tomasse café conseguiria ficar mais ligado. Cascão sonolento não jogou bem , time ficou praticamente sem o seu principal atacante, teve sorte que a bola do Tião caiu em em cima da cabeça do Cascão, impedindo a partida ser 2 a 1 antes do pênalti. 

Tião foi provocar pênalti, teve ideia de cantar canção de ninar que serviu como sonífero para o Cascão pensando que não ia bater pênalti e teve azar de não contar que Cascão ia sonhar e chutar bola como se fosse a taça com água no sonho. Antes deixasse o Cascão chutar sonolento, não teria força e poderia errar o pênalti. Bom para turminha que conseguiu o título, só tiveram muita coragem de escolherem o Cascão a bater pênalti no estado sonolento que estava, podiam ter pedido para outro menino bater. Acreditaram que cascão seria bom até de olhos fechados e tiveram sorte.

Engraçado Cascão ter chaveiro da sorte, quando Dona Lurdinha recomenda lavar o rosto, Cascão avisa que está bem acordado e sai de casa depressa, as imaginações de Titi de ponta-cabeça e as bolas voadoras, bola do Tião caindo na cabeça do Cascão evitando o gol, letra modificada de "Nana, neném" com times de futebol, Cascão dormir imediatamente com a canção de ninar e fazer gol imaginando que estava chutando a taça com água. 

Interessante que Cascão saiu de casa em jejum sem tomar café-da-manhã e a mãe nem ligar. As camisas do uniforme do time do Cascão se pareceram com a da Seleção Argentina e as camisas do time do Tião, do Flamengo. Sendo que camisas da turminha também lembram a do Grêmio,  só que sem listas pretas. O Tião e os outros garotos do time dele apareceram só nessa história, bem que davam para terem ficado fixos em histórias de futebol causando rivalidades.

História foi da característica do Cascão gostar de futebol e ser um grande craque da bola. Ainda que prevaleceu o futebol, a sua característica de medo de tomar banho foi citado pela Dona Lurdinha  recomendar lavar rosto e foi fundamental para o desfecho, então não foi completamente descartada dessa vez. Incorreta atualmente por criança com insônia por causa de jogo de futebol, jogar com sono, Dona Lurdinha de avental, menino negro com círculo rosa em volta da boca, além de palavras e expressões de duplo sentido proibidas "Diacho!", "Meu Deus!", "pregado", "morrendo de sono".

Traços ficaram muito bonitos da fase consagrada dos personagens dos anos 1980. A colorização seguiu um tom um pouco mais escuro, porém com o padrão de tons pastéis e destaque de tons diferentes do azul, vermelho e amarelo, típicos dos gibis de 1988.

quarta-feira, 24 de junho de 2026

Cebolinha: HQ "O Sanfoneiro"

Dia 24 de junho é o Dia de São João e em homenagem mostro uma história em que o Cebolinha foi sanfoneiro da festa junina do bbairro. Com 10 páginas, foi história de abertura publicada em 'Cebolinha Nº 18' (Ed. Abril, 1974).

Capa de 'Cebolinha Nº 18' (Ed. Abril, 1974)

Cebolinha pergunta se Cascão vai entrar na quadrilha, cascão pergunta se isso não é coisa de bandidões e Cebolinha responde que é quadrilha de São João. Cascão diz que vai, só que não sabia que precisaria de par para dançar. Cebolinha tem a Mônica como par e está indo convidá-la. Cascão fala que também vai convidá-la, já que ainda não tinha convidado, corre até à casa dela e convida primeiro que o Cebolinha, que acha que foi golpe sujo.

Cascão pergunta para a Mônica se ela permite alguém gritar com par dela. Cebolinha diz que Cascão a roubou dele. Cascão fala que Cebolinha não tem capacidade de arranjar um par e está nervoso e Mônica chama a sua prima Cecília para ser par dele. Cecília aparece toda sujinha, encantando o Cascão, que sugere a troca de pares, ele dança com Cecília e Mônica com Cebolinha. Mônica aceita, meninos prometem passar lá de noite e depois Cecília comenta que não devia ter chamado, estava toda suja arrumando brinquedos enquanto que Cascão elogia para o Cebolinha sobre a prima da Mônica toda sujinha como sempre sonhou.

À noite, os meninos voltam, e Cascão tem desilusão de que a Cecília tomou banho e não é sujinha como ele. Já na festa junina, começa a quadrilha, o apresentador da festa pede para os cavalheiros pegarem suas damas e pede sanfoneiro no palco, que era quem ia tocar para eles dançarem. Cascão diz que se ele não for, o Cebolinha toca sanfona no lugar dele. Cebolinha fala que só sabe tocar o Bife e não tem graça dançar quadrilha ao som do Bife.

Quinze minutos depois, o sanfoneiro não chega, Cascão vai ao palco falar com o apresentador e um tempo depois ele anuncia que o sanfoneiro não apareceu e o Nhô Cebolinha, um dos maiores sanfoneiros da cidade, vai tocar no lugar. Ele vai ao palco, Cascão pergunta se gostou do nome artístico que inventou e avisa que o público está aplaudindo e é pra agradecer. Cebolinha pergunta o que deve tocar e Cascão fala para tocar o tal do Bife. 

O público estranha Bife, o apresentador diz que isso não é música para se dançar quadrilha, queria um Baião. Cebolinha diz que só sabe tocar o Bife, o apresentador comenta com o Cascão que ele era bom e Cascão diz que no Bife ele é insuperável. O público começa a vaiar, o sanfoneiro chega, o apresentador pede para o Cebolinha sair, ele diz que não pode sair vaiado e quer saber do público por que estão o vaiando. Eles falam porque a música é ruim, manda aprender, não sabe tocar, é amadorzinho, grosso e é para dar a sanfona pra quem sabe tocar.

Cebolinha cai fora desanimado, Cecília sugere brincarem perto da fogueira para ele esquecer tudo, quando chegam, Cecília lembra que a mãe falou sobre brincar perto da fogueira, os outros lembram também, só não sabem se é verdade ou invenção, e resolvem brincar lá. Quando saem da festa, acontece nada e acham que é invenção dos adultos, mas quando chegam em casa na hora de dormirem, todos fazem xixi na cama e descobrem que não era invenção.

História legal com a turma em uma legítima festa junina e tema principal de Cebolinha ficar encarregado de tocar sanfona no lugar do sanfoneiro que estava atrasado, mas como só sabia tocar Bife, sem a ver com a festa junina, foi vaiado pela plateia e conseguiram normalizar a festa com a volta do sanfoneiro.

Cascão se saiu um empresário que queria o Cebolinha tocar na festa, conseguiu lábia pra convencer o apresentador, Cebolinha insistia que só sabia tocar Bife, mas não adiantava. Meteu amigo em enrascada, Cebolinha também poderia ter recusado, evitaria as vaias no final. O apresentador podia ter descinfiado que criançanãoia saber tocar sanfona. Ficou inicialmente a dúvida do que o Cascão falou para o apresentador pra convencê-lo Cebolinha a tocar sanfona na quadrilha, depois ficou claro que disse que era o melhor sanfoneiro. 

A trama foi passada com focos de várias situações: meninos disputarem quem será o par da Mônica , Cascão interessado pela Cecília e depois se decepcionar que ela não era sujinha, Cebolinha como sanfoneiro (que julgo o momento principal) e brincarem perto da fogueira e fazerem xixi na cama por causa disso. 

Uma graça Cascão correr e passar na frente pra ser par da Mônica no lugar do Cebolinha e ela ser tricada pela Cecília porque achava que era sujinha.  A desilusão amorosa dele foi grande. Ao pularem fogueira, não ouviram sabedorias das mães deles, acabaram se dando mal fazendo xixi na cama, se tivessem acreditado, não precisariam passar por isso. Ainda ficou mensagem de forma divertida de que devem obedecer e acreditar nas mães. 

Foi marcada também por várias tiradas. Engraçado Cascão pensar que era quadrilha de bandidos, dizer que Cebolinha não tem jeito com meninas de fora ao ver a Cecília, pedir para Cebolinha não gritar porque pode ferir os ouvidos sensíveis da Cecília, perguntar se tinha alguma dama na festa com Mônica e Cecília ao lado, pensando que elas eram senhoritas, Cascão dizer que ser vaiado acontece nas melhores famílias. Magali fez participação só em um quadro, só não a colocaram no lugar da Cecília pra dar a graça de Cascão escolher porque a Cecília era sujinha como ele.

Cecília, prima da Mônica, só apareceu nesta história, como de costume de personagens criados para uma única vez. Na mesma revista, curiosamente, em outra história o Cascão se apaixonou pela Maria Cascuda porque era sujinha, que marcou a estreia da personagem. Se tivessem com pretensão da Cascuda ser personagem fixa desde então, poderiam até terem a colocado no lugar da Cecília. A Cascuda ainda pareceria em outra história de 1975 e depois só retornou aos gibis e em definitivo em 1981. 

Foram 10 páginas, mas com muito texto que fica mais tempo lendo e parece que é história mais longa. Incorreta atualmente por crianças irem sozinhas em festa junina altas horas da noite, Cascão em interesse de namorar Cecília e por ela estar sujinha já que teria namoro de crianças e apologia à sujeira, Cascão com cachimbo na boca, mesmo de brinquedo, não pode atualmente, eles brincarem perto de fogueira,  constrangimentos de crianças fazendo xixi na cama, além de palavras proibidas "roubar", "diacho" e não colocariam "Bife" para não ter duplo sentido de música com carne.

Traços ficaram bons, do estilo dos anos 1970 com personagens com bochechas pontiagudas, sendo que estavam começando a arredondar aos poucos, se comparar histórias de 1970 com 1974 já dava pra ver diferenças. A noite foi retratada com fundo todo preto e destaque também que a noite em alguns quadros e a plateia ao fundo com pontos pretos em um fundo branco que juntos formavam cinza. Recurso utilizado em tirinhas em preto e branco e depois por um bom tempo na camisa do Jeremias nos anos 1980 e 1990.

Foi republicada depois em 'Almanaque da Mônica Nº 9' - Especial Festas Juninas' (Ed. Abril, 1981), que misturou republicações e histórias inéditas, sendo que essa do Cebolinha foi a única de festas juninas dentre as que foram republicadas, as demais com esse tema foram inéditas. 

Capa de 'Almanaque da Mônica Nº 9' - Especial Festas Juninas' (Ed. Abril, 1981)