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sábado, 24 de outubro de 2026

Cascão: HQ "A Bateria"

Dia 24 de outubro é aniversário do Cebolinha e então mostro uma história em que o Cebolinha ganha uma bateria dos pais de presente de aniversário e Cascão consegue estragá-la. Com 11 páginas, foi história de abertura publicada em 'Cascão Nº 96' (Ed. Abril, 1986).

Capa de 'Cascão Nº 96' (Ed. Abril, 1986)

Os pais do Cebolinha distribuem fones de ouvido antes do filho acordar. Depois de distribuir, acordam o Cebolinha desejando feliz aniversário e mostram o presente, que era uma bateria que sempre desejou ter e ele diz que pensava que não iam dar por causa do barulho que ela faz. Os pais falam que não ligam para barulho, o que importa é felicidade dele, colocam fones de ouvido e vão para a sala.

Cebolinha toca a bateria bem alto, Cascão, brincando em frente a casa dele, ouve se assusta, aciona guarda-chuva pensando que era trovão. Percebe que não estava chovendo e o barulho continuava, descobre que vinha da casa do Cebolinha e vai lá. Cebolinha toca rápido empolgado e deixa as baquetas serem arremessadas em direção à janela. Cascão pesca e pergunta se se ele pode tocar. 

Cebolinha dá risada, os dois riem juntos e depois Cebolinha grita que nem morto e fecha a janela na cara do Cascão, dizendo que foi muita audácia dele, nada neste mundo vai deixar o Cascão tocar na bateria. Cascão bate na janela, mostra as revistas da coleção do Cebolinha que havia lhe emprestado, pega um isqueiro e ameaça queimar as revistas e, assim, Cebolinha é obrigado a deixar Cascão tocar na bateria.

Cascão agradece Cebolinha em deixar tocar e que ele é um grande coração e que agora ele vai mostrar o que é um baterista de verdade e Cebolinha manda parar com embromação e tocar logo e com cuidado para não quebrar a bateria nova. Cascão comenta que Cebolinha fala como se ele fosse o mais desastrado do mundo e Cebolinha afirma que ele é e manda ter cuidado porque ele vai ao banheiro e já volta.

Cascão acha Cebolinha bobo, se pergunta o que pode acontecer de mau tocando uma bateria. Quando se prepara para tocar, ouve um grito da Mônica o chamando no lado de fora procurando o Cascão para bater por ter roubado o Sansão e falta procurá-lo na casa do Cebolinha. Cascão se assusta e atravessa o pé no bumbo da bateria. Ele imagina Cebolinha e Mônica brabos com a bateria quebrada e com Sansão roubado e se esconde.

Cebolinha volta para o quarto e não encontra o Cascão. Mônica ouve e diz que está procurando por ele. Cebolinha diz que Cascão foi embora, Mônica lhe deseja parabéns pelo aniversário, Cebolinha pede para ela ficar e mostrar a bateria que ele ganhou. Mônica acha bonita e foi por isso que viu um monte de gente com tampa-orelha.

Cebolinha toca na bateria, deixa Mônica tocar também, Cascão sai de dentro da bateria, não aguentando o barulho, reclamando que vão tocar mal assim no inferno. Cebolinha se espanta com a bateria quebrada e Mônica olha o Sansão na mão do Cascão. Depois, na sala, Seu Cebola comenta com a Dona Cebola que o filho está tocando bem, o ritmo de som está gostoso. Dona Cebola diz que não sabia que o Cebolinha tocava bateria bem e no final veem Mônica e Cebolinha atrás do Cascão batendo nele.

História engraçada em que Cebolinha ganha uma bateria de presente de aniversário e o Cascão quer tocar nela e como Cebolinha não deixa, Cascão faz chantagem de queimar coleção de revistas do amigo e Cebolinha teve que aceitar. Aí, deixa Cascão sozinho para ir ao banheiro, Cascão quebra bateria com susto da Mônica, se esconde dentro do bumbo, mas sai não aguentando o barulho e Mônica e Cebolinha batem nele.

Cascão conseguiu aprontar com Cebolinha e Mônica ao mesmo tempo, não agiu bem fazer chantagem, ameaçar queimar coleção revistas do Cebolinha para poder tocar a bateria, teve merecido castigo de apanhar dos dois. Estragou aniversário do Cebolinha e ainda deu prejuízo para os pais dele. Cebolinha já sabia que Cascão era desastrado e não confiável, errou em deixá-lo sozinho com a bateria, poderia ter evitado, tipo falando para o Cascão esperar na sala enquanto ia ao banheiro e depois retornavam ao quarto juntos. O ritmo da batida de apanhar foi perfeito e melhor que o som que o Cebolinha tocava na bateria, fazendo os pais dele pensar que o filho era um gênio da música.

Pais do Cebolinha com coragem de dar  bateria para o filho criança e gastaram bastante dinheiro, não só com a bateria quanto para dar fones de ouvidos para cada vizinho. Bem solidários para não perturbarem vizinhança com o barulho que o Cebolinha ia fazer. Falam que não ligam para barulho, mas providenciaram fones de ouvidos para eles também e Cebolinha nem se tocou que era porque ele ia tocar mal e com muito barulho perturbante.

Não teve foco com história envolvendo medo de água, banho, sujeira, mas foi lembrada a característica dele quando acionou guarda-chuva e esconder dentro com medo de trovão e pensando que ia chover. Cascão sempre anda com guarda-chuva a tiracolo para emergências como essa. Foi bom também o absurdo de Cascão conseguir uma vara de pescar em questão de segundos para pescar a baqueta, pelo visto também anda com vara de pescar a tiracolo junto com guarda-chuva.

Engraçado pais do Cebolinha distribuindo fones de ouvidos para os vizinhos, a cara do Cascão assustado com o barulho da bateria, Cascão acionando o guarda-chuva imediatamente assim que ouviu o suposto trovão, pôr mão para fora pra confirmar que não está chovendo, pescar baquetas com vara de pescar, ameaçar queimar coleção de revistas do Cebolinha com isqueiro se não deixasse tocar na bateria e depois dizer que Cebolinha tem "grande coração" por deixar tocar bateria à base de chantagem, Cascão quebrando o bumbo com o pé após susto da Mônica e imaginar os amigos brabos com o que ele fez, e pais do Cebolinha confundirem om da bateria com som das pancadas que o Cascão recebia.

Na época os aniversários de personagens não tinham datas fixas, aí nessa de 1986 Cebolinha fez aniversário em maio, só passaram a ter datas fixas a partir de 1994. Aniversário do Cebolinha ficou só o ponto de justificativa para Cebolinha ganhar uma bateria, depois o tema ficou de segundo plano. Saiu em gibi do cascão por ele ser o causador da quebra da bateria, mas dava para ter sido publicada em gibi do Cebolinha tranquilamente se quisessem.

Incorreta atualmente por pais darem bateria para uma criança, Cascão com isqueiro na mão e ameaçar queimar coleção de revistas do Cebolinha se não deixasse tocar na bateria, quebrar bateria dando prejuízo e ainda se esconder dentro do bumbo prejudicando audição dele, ideia de Seu Cebola lendo jornal e Dona Cebola fazendo tricô, como coisas datadas em uma família da atualidade, além de palavras e expressões populares incorretas como "Nem morto!", "roubar", "peste", "Graças a Deus!", "azar", "vão tocar mal assim no inferno!".

Traços muito bonitos da fase consagrada dos personagens dos anos 1980 e contornos bem grossos. Teve propagandas inseridas no rodapés das páginas, o que era muito comum na época, dessa vez com propagandas do bombom "Chokito" e dos gibis do Manda-Chuva, Zé Colmeia, Luluzinha e Bolinha, todos da Editora Abril Foi republicada depois em 'Coleção Um tema Só Nº 21 - Mônica Aniversários' (Ed. Globo, 1998).

FELIZ ANIVERSÁRIO, CEBOLINHA!!!

Capa de 'Coleção Um Tema Só Nº 21' - Mônica Aniversários' (Ed. Globo, 1998)

quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Cebolinha e a turma: HQ "Tempo de eleição"

Eleições no Brasil do segundo turno chegando no próximo dia 25 de outubro e então mostro uma história em que Cebolinha e Mônica disputam eleição para quem vai ser presidente do clubinho dos meninos. Com 16 páginas, foi publicada em 'Cebolinha Nº 193' (Ed. Globo, 2002).

Capa de 'Cebolinha Nº 193' (Ed. Globo, 2002)

Escrita por Emerson Abreu, Cebolinha decreta aberta a eleição para presidente do clubinho dos meninos, distribui as cédulas para Titi, Jeremias, Cascão e Xaveco marcarem os votos deles e avisa que depois é para depositarem o papelzinho na urna. Xaveco pergunta por que só tem o nome do Cebolinha na cédula e ele responde porque ele é o único candidato.

Os meninos se revoltam, acham absurdo o Cebolinha ser sempre o presidente, se recusam a participar dessa marmelada, falam que o povo não vai permitir isso, chega de Ditadura. Cebolinha resolve arrumar mais um candidato e pergunta qual deles quer ser presidente do clubinho. Titi responde que está ocupado, Jeremias, tem que estudar para prova, Cascão, tem campeonato de bolinhas na semana e Xaveco, não se mete em política.

Cebolinha reclama que toda eleição é a mesma coisa, ninguém quer ser presidente, parece que ele é o único preocupado com o clubinho, todos estão sempre preocupados demais com suas próprias coisas, gostem ou não ele vai ser o presidente e ordena que todos votem de uma vez. 

Em seguida, chega a Mônica, eles tentam se esconder pensando que ia bater neles e Mônica avisa que quer se candidatar ao cargo de presidente do clubinho e colocar ordem no barraco. Cebolinha fala que  não precisam de outro presidente, ele pode muito bem tocar o clubinho sozinho e Mônica responde que se ele faz um trabalho tão bom assim, não precisa ter medo. 

Cebolinha pergunta quem está com medo e diz que ninguém iria votar em uma menina para presidente. Mônica diz que em hoje e dia, as mulheres estão atuando em todos os campos de trabalho, principalmente na política, elas são mais maduras, organizadas, inteligentes, e, principalmente, sabem fazer biscoitos de polvilho deliciosos.

Os meninos avançam para comer os biscoitos. Cebolinha acha que foi traição, Mônica pergunta se ele está ficando com medo e Cebolinha responde que eles só estão se aproveitando dela e ninguém a elegeria para presidente. Os meninos gritam "Mônica para presidente! Já ganhou! Já ganhou!" e Cebolinha chama os amigos de bando de traíras. 

Mônica avisa que se Cebolinha quiser, pode ser o vice e ele a chama de maluca, dizendo que ela não pode ser presidente do clube dos meninos porque se chama "clube dos meninos" e ela não é menino. Eles concordam e querem mudar o nome do clubinho, Titi dá sugestão para "Clube dos meninos e dos biscoitos de polvilho", Cascão, "Clube da natureza e dos poemas mágicos" e Titi diz que poderiam colher margaridas por todo o campinho.

Cebolinha fica com raiva, diz que o negócio está ficando fora de controle e busca o livro de constituição do clubinho que informa que meninas não podem ser presidente de lá. Cascão fala que não sabia que tinham aquele troço, Mônica toma o livro da mão do Cebolinha e descobre que era só um livro de receitas. Cebolinha acha que isso tudo é para desmoralizar o clubinho dos meninos, Mônica não quer saber e resolve fazer a votação.

Após contagem de votos, Mônica é eleita a nova presidente, Cebolinha exige recontagem e Mônica manda desencanar, Cebolinha só teve um voto, o dele mesmo. Cebolinha diz que ela sabe que os amigos votaram nela por causa dos biscoitos e Mônica diz que foi porque ela é mais madura, organizada e mais inteligente que ele. Cebolinha deseja boa sorte, avisando que eles vão se arrepender disso.

Após posse da Mônica, Cascão avisa que o biscoito de polvilho acabou e pergunta se Mônica pode fazer mais, ela responde que agora não, tem coisas mais importantes para fazer primeiro. Os meninos se olham entre si sobre a fala dela e Jeremias diz que sabia que ela era uma farsa.

Mônica começa uma reunião e mostra lista com a programação do clubinho daqui em diante. Segunda-feira irão brincar de casinha, 3ª, regar os lírios do campo,  4ª, ler poemas e jogar amarelinha, 5ª, ajudar as velhinhas atravessar a rua, 6ª, vão dar as mãos fazendo grande energia positiva cantando "lira, lira alegria".

Cascão interrompe dizendo que já tinham agenda lotada pelo resto do mês, Mônica quer saber o que era e eles dizem que 2ª feira é dia de xingar a Mônica, 3ª, colar desenhos da dentuça nos muros, 4ª, dar nós nas orelhas do Sansão, 5ª, colocar em prática o plano das lagartixas alienígenas e Xaveco acha que isso é na 6ª feira porque na 5ª é jogar ovo e farinha na gorducha. Mônica fica braba, bate em todo mundo.

Depois, Cebolinha volta para o clubinho, feliz que os amigos expulsaram a Mônica e terem o chamado de volta, espera que finalmente tenham percebido o perigo que aquela dentuça representa para o clubinho e a partir de hoje a guerra está declarada e vão dedicar todos os dias da semana a fazer planos para derrotá-la. Cascão interrompe, falando que bolaram uma agenda para a semana enquanto ele esteve fora e os meninos dizem que é 2ª feira brincar de casinha, 3ª, regar os lírios do campo,  4ª, ler poemas, 5ª, definitivamente construir uma saída de emergência. 

Uma boa história em que os meninos fazem eleição de novo presidente do clubinho, a principio seria só o Cebolinha como candidato já que os outros meninos não queriam se candidatar até que aparece a Mônica pra se candidatar e consegue ser eleita por meninos se sentirem atraidos pelos biscoitos de polvilho que ela tinha feito. No governo, Mônica age como tirana, os meninos falam o que faziam antes dela ser presidente, que era só aprontarem com ela e aí Mônica bate em todo mundo e cebolinha volta a ser o presidente, só que como voltariam a aprontar com a Mônica e apanharem de novo, preferem fazer a agenda que a Mônica tinha feito antes. 

Uma eleição só com um candidato não é certo, mas também ninguém queria ser candidato, pareceu eleição para síndico de condomínio, reclamam do síndico, mas ninguém quer ser um, aí não podem reclamar de como Cebolinha agiu, tem que aturá-lo como presidente.

Só que teve o azar da Mônica querer ser presidente do clubinho, achava que uma menina podia comandar melhor. Realmente Cebolinha estava certo, se era clubinho dos meninos, meninas não entram e muito menos menina ser presidente. A Mônica já é dona da rua, ainda querer mandar no único lugar onde o Cebolinha manda, foi muito ruim para ele. Uma vantagem do Cebolinha é que não apanhou, só os seus amigos, isso foi bom pra ele. 

Mônica comprou os eleitores com biscoito de polvilho, eles se venderem por tão pouco e essa compra de voto rendeu arrependimento depois, já que a Mônica foi tirana, sem cumprir promessa de fazer mais biscoitos de polvilhos para eles, e sugerindo agenda de coisas que meninas faziam e não meninos, coisas poéticas como ler poema e cantar "lira, lira alegria", pior foi para o Cascão precisar regar lírios do campo, ele não ia gostar e não poderia fazer por mexer com água. Cebolinha volta depois, mas fica uma coisa pela outra já que com Mônica como presidente ou Cebolinha, eles apanham de qualquer jeito porque as atividades do clubinho sempre eram de aprontar e provocar com ela.

Foram engraçadas as tiradas do Xaveco dizer que chega de "dentadura" já que não sabe o que é Ditadura, as desculpas dos meninos para não se candidatarem, Mônica dizer que é mais inteligente que o Cebolinha e ele dizer que se Mônica ler o livro, vai ficar mais tonta que já é, meninos procurando se o livro ensina receita de bolo de polvilho, meninos dizer que a Mônica é uma farsa quando não fez biscoito de polvilho, Mônica dizer pequena lista da agenda e solta um papel gigantesco, apanharem surra violenta quando soube o que faziam no clubinho com Cebolinha como presidente.

Eram muito exploradas histórias de eleição de presidente do clubinho, cada uma com estilo de cada roteirista. Incorreta atualmente por tema de eleições e críticas sociais políticas, separar cousas de meninos e coisas de meninas, meninos aparecerem extremamente surrados no final, além de palavras e expressões populares de duplo sentido proibidas como "colocar ordem no barraco", "disparate", "gorducha".

Seguiu o estilo de roteiros do Emerson com personagens eufóricos, saltitantes, até dando mão um para o outro, fazendo caretas, línguas assanhadinhas de fora toda vez que se espantavam ou alguém contava piada infame, cabelo do Cebolinha saindo da cabeça quando se espanta. Deu para notar que m 2002 línguas de fora bem mais frequente do que em 1997 e quanto caretas iam ser mais exageradas nos anos seguintes. E ainda teve o famoso bordão "Fujam para as montanhas", bem presentes nas histórias dele a partir dos anos 2000, às vezes variavam para "Fujam para as colinas".

Traços medianos do estilo dos anos 2000. Jeremias com camisa branca sem o efeito de vários pontos pretos em um fundo branco formando o cinza como era nas camisas dele, aí sem os pontos pretos ficava branca. A solução seria simplesmente pintar de cinza, mesmo não ficando na mesma tonalidade do recurso que usavam.

terça-feira, 20 de outubro de 2026

HQ "A Turma da Mônica e a eterna luta entre o bem e o mal"

Mostro uma história em que Mônica, Cebolinha e Cascão ajudaram por engano um vilão a tomar poder em um planeta distante. Com 12 páginas, foi história de abertura publicada em 'Mônica Nº 15' (Ed. Globo, 1988).

Capa de 'Mônica Nº 15' (Ed. Globo, 1988)

Em um planeta distante, Atrax e Rug, dois poderosos, duelam entre si, Atrax vence e manda Rug arrumar a trouxa e dar o fora do planeta, chega de tirania, de escravizar o povo dele e de maldades no mundo dele. Rug avisa que isso não vai ficar assim, vai conquistar outros mundos, formará exército dele e eles acertarão as contas. O povo do planeta X comemora o fim da escravidão falando que Atrax é o libertador e Atrax diz que de hoje em diante estão todos livres, no reino dele só haverá paz e felicidade.

O narrador acha estranho que o bonitão que é o tirano e conta que Rug estava muito brabo e vai atrás de novas conquistas, só que não existia vida inteligente em outros planetas na galáxia, até que chega no Planeta Terra. Rug encontra um cachorro, que corre atrás dele, pensa em desistir achando que não tinha também vida inteligente, quando aparece o Cascão, perguntando se ele é o Rambo. Rug reclama do cheiro horrível que o sufocava e pergunta onde pode encontrar outros seres da espécie dele.

Surge Mônica correndo atrás do Cebolinha, a coelhada atinge o Rug, que acha que é uma arma poderosa e conta que eles eram exatamente quem procurava pelo infinito afora e pede ajuda para recuperar prestígio do povo dele enquanto a Mônica acha o Rug um pão-doce a aceita ajudá-lo. Cebolinha diz que ela não sabe do que aquele maluco está falando e Mônica responde que não precisa.

Eles vão ao planeta X enganados e iludidos pela persuasão do Rug. Atrax espera expulsá-lo de novo, joga um raio na Mônica, que lhe dá o troco dando uma coelhada na cara. Atrax fica tonto, sente o cheiro horrível do Cascão e desmaia enquanto o Cebolinha segura o baixinho do governo para não fugir. Rug volta ao trono e manda Atrax e a turminha para o calabouço.

Eles se seguram para escapar do dragão em forma de polvo, Mônica chora que não quer virar comida de monstro e Atrax fala que a culpa  foi deles de acreditarem naquele crápula. Mônica comenta que Rug é tão bonito que pensou que era o mocinho. Eles saem do calabouço, Rug não estava no trono porque estava escravizando o povo e eles vão até lá.

No duelo, Atrax se abaixa, fazendo Rug dar uma curva e cair no chão, Mônica tenta dar coelhada nele, Cebolinha espeta bunda com cabelo e Cascão ameaça dar abraço nele, e, assim é derrotado. Rug manda deixá-lo em paz, promete não voltar mais lá e parte do planeta X e Atrax entrega uma capa mágica para a turma voltar para a Terra. 

Chegando, Mônica comenta que aprenderam que o mal não pode vencer o bem, mesmo que disfarçado de belo, os meninos vão embora reclamando de lição de moral. Depois, Mônica se pergunta onde estará Rug e se desistiu de conquistar o poder e ela ver o Rug como candidato político em campanha eleitoral, fazendo falsas promessas.

Uma história de aventura legal em que o bandido é um bonitão e o verdadeiro herói libertador é feio, o poderoso belo malvado Rug tenta formar seu próprio exército para conquistar o poder no planeta X à força e escravizar o povo de lá e chama a Turma da Mônica para a missão. Após conseguir vencer o mocinho Atrax graças a ajuda deles, Rug foi ingrato e mandou todos para o calabouço porque não precisavam mais deles e assim descobriram que Rug quem era o vilão e conseguem voltar para derrotará-lo e fazer com que Atrax volte ao trono e expulsar Rug do país. 

Assim que venceu o primeiro duelo, Atrax podia ter prendido o Rug, até para pagar pela escravidão que o povo sofreu. Só quis extraditá-lo do planeta, lógico que voltaria, ainda mais que tinha prometido que iria se vingar. A Turma da Mônica formou exército dele, já que Mônica acreditou que Rug era mocinho só porque era bonito e o Atrax era feio e acabaram se dando mal sendo presos também com Atrax, só assim para descobrirem que o Rug quem era o vilão. Escapam e conseguem derrotar o Rug e dar um final feliz para o planeta X sem escravidão. 

Mônica devia ter interrogado mais o Rug, saber explicações melhores como poderia ajudá-lo, que problemas o planeta estava sofrendo, só porque ele era bonito julgou que era uma boa pessoa sem nem investigar. Cebolinha até ainda a alertou, mas foi em vão, achava que não precisava se preocupar. Foram bem rápidos para derrotarem o Atrax, era legal quando venciam através das suas características como super força da Mônica e mau cheiro do Cascão capazes de derrubar qualquer um, Cebolinha também contribuiu com cabelo espetar bunda do Rug.

Atrax também podia ter prendido Rug após o duelo com a turma, impediria escravizar o povo do Brasil. Como não teve sucesso no planeta X, Rug vira político no Brasil para conquistar poder com lábia de falsas promessas e conseguir escravizar o povo brasileiro. Em um país como o Brasil cujo povo não sabe votar, acredita em  qualquer fala de político e histórico de escravidão, é fácil enganá-los e manipulá-los como político, encontrou lugar perfeito para escravizar, muito mais fácil que no planeta X. Ficou na imaginação em qual cargo político ele se candidatou. 

História mostrou lição para não influenciar e julgar as pessoas pela aparência. Na sociedade tem ideia que quem tem rosto bonito que é mocinho e quem é feio é o vilão, quando na verdade, tem que conhecer melhor a pessoa, saber mais sobre ela, pesquisar, e só assim poder julgar. Incorreta atualmente por ter crítica social política, mostrar povo escravizado ameaçado por chibatada, coelhada violenta da Mônica na cara deles sem ser só onomatopeia, característica de mau cheiro do Cascão causar incômodos nos outros, além de expressões populares de duplo sentido como "fazer um picadinho de você" e Mônica chamar Rug de "pão-doce" porque chamar alguém de pão (bonito) é gíria datada.

Foi engraçado alguns diálogos como Mônica chamar Rug de "pão doce", Cebolinha falar "você nem sabe do que esse maluco está falando!" e Mônica responder "E precisa?", narrador-observador dizendo "inocentes criancinhas são enganadas pelo persuasivo Rug", Mônica, Cebolinha e Cascão serem chamados de "anões" pelo baixinho e de "coisinhas feias" pelo Rug, Mônica dizer que não quer virar comida de monstro, além de mau cheiro do cascão sufocar Rug e derrubar o Atrax, Cebolinha espetar bunda do Rug com cabelo.

Dessa vez foram extraterrestres em forma humanoide, até para Mônica se apaixonar pelo Rug por causa da aparência. Histórias com extraterrestres estavam em alta nos primeiros anos da Editora Globo, sobretudo entre 1988 e 1989. Rug e Atrax só apareceram nessa história, com ode costume de personagens secundários criados para aparição única. 

Quando era criança, só vendo a imagem, eu achava que o Rug era o He-Man e que era paródia do desenho animado. Nome do Rambo não foi parodiado, nem sempre parodiavam nomes famosos na época. "Sigam-me os bons" foi uma referência e homenagem ao bordão de Chapolin. Na fase clássica não apareciam os personagens de Chaves e Chapolin, mas de vez em quando eles falaram bordões dos seriados, então não deixaram de ser citados de alguma forma.

Traços excelentes da fase consagrada dos personagens dos anos 1980. Cores desbotadas típicas de histórias do segundo semestre de 1987 a início de 1988. Propaganda inserida na história foi no canto direito da página, com propaganda "O Boticário". Era muito comum propagandas inseridas nas histórias assim na época.

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

HQ "Cascão Midas"

Em outubro de 1996, há exatos 30 anos, era publicada a história "Cascão Midas" em que o Cascão é um rei ganancioso que consegue o poder de tudo que tocar vira ouro. Com 10 páginas, foi história de abertura publicada em 'Cascão Nº 255' (Ed. Globo, 1996).

Capa de 'Cascão Nº 255' (Ed. Globo, 1996)

É apresentado o Rei Cascão Midas que gosta de duas coisas: tomar banho de sujeira e aumentar a sua riqueza, porém detesta chuva. Surge o Mago Xaveco aflito avisando o rei abrir os olhos porque o povo está passando fome. Cascão Midas manda que eles que tomem um lanche, Mago Xaveco fala que quis dizer que o povo está empobrecido e Cascão responde que deviam ser mais econômicos. 

Mago Xaveco diz que o problema é que eles pagam altos impostos para o reino e a solução seria dividir a riqueza do rei com o povo. Cascão Midas acha absurdo dividir riqueza dele, aí quem fica pobre é ele, já que o Xaveco é mago, ele que faça as mágicas dele e comenta que adora ouro, gostaria de conseguir mais, muito mais. 

Então, Mago Xaveco faz feitiço de tudo que o Rei tocar vai virar ouro puro. À princípio, aparentemente nada acontece, mas Cascão Midas faz um teste tocando em uma maçã e ela vira ouro maciço. Ele ficou tão fascinado com o novo poder que saiu pelo castelo tocando em tudo que via pela frente.

Não satisfeito, resolve sair do castelo para passar a transformar as coisas em ouro fora dele. Primeiro foi uma árvore e em seguida, se depara com uma mulher carregando balde d'água, ela tropeça e quando a água ia cair nele, Cascão Midas toca e consegue transformar água em ouro e diz que ele tem sorte redobrada, tem toque de ouro e não se molha.

Após, bate fome e Cascão Midas volta ao castelo para almoçar. Magali serve o almoço com frango assado, suflê, pudim de leite e suco. Ele diz que não sabe por onde começar, Magali  pergunta se quer que ela lhe mostre. Cascão Midas a dispensa e ela o chama de regulado. Cascão Midas quer pegar uma coxinha do frango, mas quando toca, o frango todo vira ouro. Ele tenta apanhar a comida bem rápido, de tempo de comer, mas não dar certo, tudo vira ouro de uma só vez. 

Cascão Midas se desespera, tem mesa farta, mas não pode comer, daria toda essa mesa de ouro por um salgadinho. Em seguida, aparece o Chovinista, chama seu porquinho para brincar e ele vira ouro também. Cascão Midas se arrepende, se não fosse pela ganância dele, isso não tinha acontecido. 

Aparece o Mago Xaveco, Cascão Midas pede para tirar o feitiço. Xaveco quer saber por que se não era isso que ele queria. Cascão Midas diz que não quer mais, não foi uma ideia. O feitiço é tirado, o Chovinista volta ao normal, Cascão Midas repartiu o que tinha com os súditos pobres necessitados. O narrador termina anunciando que a história teve final feliz e pergunta para o Rei por que continua insatisfeito e Cascão Midas pergunta se não viu a previsão do tempo, com o toró que estava caindo não tem como ficar de bom humor.

História legal em que o Rei Cascão Midas é ganancioso, só pensa em acumular riquezas. O Mago Xaveco faz encanto no qual tudo que Cascão Midas toca se transforma em ouro, o que no início ele achou maravilhoso, mas acabou virando um pesadelo quando viu que não podia mais comer nem tocar em quem ele gosta como o Chovinista porque viraram ouro também. Cascão Midas se arrepende, o feitiço é tirado pelo Mago Xaveco e o Rei passa a valorizar seus súditos pobres dividindo a riqueza, só não deixou de gostar de sujeira e odiar chuva.

Cascão Midas um rei que não sabia o que acontecia no reino que governava, estava nem aí para o povo, se passam fome ou não, só queria saber de seu interesse de ficar cada vez mais rico. Chegava até debochar dos pobres dizendo que se estão passando fome, que comprem lanche e se estão empobrecidos, que passem a ser mais econômicos. Mago Xaveco era quem se preocupava com as necessidades do povo, tentou jogar a real em vão, então precisou dar a lição nele com o toque de ouro sabendo que o Rei ia se deslumbrar com o poder, mas que também teria consequências negativas. Cascão Midas aprendeu lição de não ser ganancioso e prestar atenção nos pobres que também merecem vida digna.

Se Cascão Midas não tivesse pegado em toda a comida, podia mandar alguém lhe dar a comida na boca, continuaria com  o poder e se alimentando. O bom também que o Rei, além de ser ganancioso, tinha a característica do Cascão de não tomar banho, gostar de sujeira e odiar chuva, o que deixou mais divertida, permitindo ele transformar água em ouro com medo de molhar e uma piada final, afinal, ele podia deixar de ser ganancioso, mas tomar banho e apreciar uma chuva, jamais. 

Foi engraçado Cascão achar que Xaveco estava fugindo da Mônica, dizer que está acordado quando Xaveco diz que tem que abrir os olhos, Magali  perguntar se quer que ela lhe mostre por onde começar a comer o almoço, querendo comer também, e o chamar de regulado quando Cascão Midas a dispensa, ele falar que o Chovinista transformado em ouro parecia cofrinho e conversar com narrador da história perguntando se não viu previsão do tempo ao ser perguntado por que ele está insatisfeito. Incorreta atualmente por mostrar rei ganancioso, avarento, debochando do povo, uma lavadeira negra, dando ideia que negro aparece só em condições pobres, palavra "Bolas!" e, principalmente mostrar Cascão com apologia à sujeira, tomando banho de lixo e reclamar de chuva.

Foi paródia do famoso conto do "Toque de Midas", gostavam de fazer adaptação de fábulas com as características dos personagens, mantinham as essências deles, sempre bem desenvolvidas, nessa o rei não gostava de tomar banho de lixo e detestar chuva assim como o Cascão e também a cozinheira Magali que queria comer a comida do Rei.

Interessante o mago ter sido interpretado pelo Xaveco e que teve grande destaque e foi fundamental para a trama. Normalmente seria o Cebolinha como primeira opção, bom que saiu do óbvio e ajudou a diferenciar personagens. Essa história pode ter sido escrita pelo Emerson Abreu, novato na MSP  até então, por ele gostar do Xaveco e ter dado esse destaque ao personagem em vez de outro menino e também no início da carreira o Emerson fazia histórias normais sem o seu estilo próprio adotado depois.

Marcou a estreia de traços de estilo com personagens com bochechas mais redondas e em menor proporção e com eles mais fofos e línguasna boca formando curva em alguns momentos, tipo de traços que ficaram frequentes mesmo em histórias de abertura a partir de 1997. Eu gostava dos desenhos assim. Teve erro da água de ouro ser colorida de azul na página 8 do gibi, deveria ser pintada de amarela. Muito bom relembrar essa história há exatos 30 anos.