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terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Bidu: HQ "Juro que vou me vingar"

Compartilho uma história em que o Bidu paquera uma cachorrinha na frente do namorado dela e deseja se vingar do cachorrão para que se afaste dela e Bidu poder conquistá-la. Com 5 páginas, foi publicada em 'Cascão Nº 48' (Ed. Abril, 1984).

Capa de 'Cascão Nº 48' (Ed. Abril, 1984)

Escrita por Robson Lacerda, Bidu assobia por uma cachorrinha que viu saindo pelo muro, interessado por ela, e estava acompanhada do namorado e percebe que deu mancada. O Cachorrão quer saber que negócio é esse de mexer com a namorada dele, Bidu disfarça, fingindo que é gay e dizendo nem pensar e o cachorrão bate nele.

Bidu diz que isso não vai ficar assim, o Cachorrão pode ser forte, mas ele é mais inteligente. Assim, executa seu plano de chamar atenção do homem da carrocinha para levar o Cachorrão, mas o homem acaba levando o Bidu, que dá uma surra nele e consegue escapar. Em seguida, Bidu resolve darum presente para o Cachorrão pra provar que não guarda rancores. O Cachorrão não consegue abrir o pacote, Bidu abre e leva soco da luva de boxe do presente que ele mesmo tinha enviado, voa longe e cai abrindo cratera no chão.

Depois, Bidu abre um bueiro para o Cachorrão cair, mas ele desvia. Bidu desiste e depois vê o casal brigando, a Cachorrinha acusa que o namorado olhou para uma sirigaita, ele diz que nunca faria uma cachorrada dessas e eles terminam o namoro. Como o perigo passou, Bidu resolver dar uma cantada nela para conquistá-la, mas ela bate nele, dizendo que odeia cantadas.

História legal em que Bidu quis se vingar do cachorrão depois que apanhou por ter mexido com a namorada dele. Queria que o Cachorrão saísse de cena para poder paquerar a namorada dele, aí faz plano atrás do outro toda vez que fracassava. Bidu não teve sorte, apanhou demais nessa, inclusive da Cachorrinha que era braba e não gostava de cantadas. Ele pensou que seria sorte o término do namoro para poder namorá-la, não contava que ela era geniosa e bater nele. Assim, adiantou nada as tentativas de vingança ao Cachorrão já que no fim não ficaria com ela de qualquer maneira.

O Cachorrão não estava errado, afinal Bidu mexeu com a namorada dele, mesmo não sabendo que ela tinha namorado, e com as vinganças o Bidu que ficou sendo o vilão com as maldades para poder separar o casal. Cada tentativa de vingança foi divertida, Bidu não teve sorte com o homem da carrocinha, foi ele que quase foi parar lá no lugar do Cachorrão. Com o presente, Bidu foi bem atrapalhado não lembrar que tinha uma luva de boxe na caixa  e não poderia abrir a caixa, mesmo o Cachorrão não conseguindo desatar nó do laço. E é óbvio que o Cachorrão ia desviar do buraco no meio da rua, a não ser que tivesse muito distraído para não ver. 

Foi engraçado Bidu fingir que é gay e com trejeitos com mão e com voz, provavelmente, bater no homem da carrocinha prendendo com a rede, levar o soco da luta de boxe no lugar do Cachorrão e abrir cratera no chão  om formatodele, Cachorrinha se queixar que o namorado olhou para uma sirigaita e ele dizer que nunca faria uma cachorrada dessas e Bidu apanhar dela no final. O roteirista Robson não deu nomes ao casal de cachorros e eles apareceram só nessa história como de costume de personagens secundários criados para aparições únicas.

Foi uma história do Bidu agindo só como cachorrinho e com uma turma de cachorros, uma de suas várias facetas de histórias. Essa lembra desenhos animados que personagens fazem planos fracassados um atrás do outro como os de "Looney Toones", eles costumavam ter inspiração de desenhos animados da época para criar as histórias da MSP. Incorreta atualmente por ter namoro, vingança, Bidu fazer maldades para separar o casal em benefício próprio, surras, Bidu ser levado por homem da carrocinha, além da palavra proibida "Cruzes!"

Traços ficaram bons, típicos de histórias de miolo dos anos 1980. Tiveram erros do homem da carrocinha não ter camisa pintada de verde no quarto quadro da segunda página da história, o Bidu deveria falar ou pensar alguma coisa por estar de boca aberta e ficou omitido o balão no primeiro quadro da terceira página e a Cachorrinha apareceu só com a parte preta dos olhos no penúltimo quadro da terceira página. Foi republicada depois em 'Almanaque do Chico Bento Nº 29' (Ed. Globo, 1995).

Capa de 'Almanaque do Chico Bento Nº 29' (Ed. Globo, 1995)

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Capa da Semana: Mônica Nº 80

Uma capa em clima de Natal em que a turma está reunida montando Árvore de Natal e o Anjinho desenha a cara do Cebolinha na estrela de cinco pontas do topo da Árvore gerando gargalhadas em todo mundo. Muito boa. 

Até Anjinho trolando o Cebolinha por causa do cabelo, ninguém perdoa, engraçada a cara que ele fez sendo zoado. Na época o Anjinho era arteiro, participava de brincadeiras com a turma e aprontava com eles, podia até participar de planos infalíveis contra a Mônica, o que deixava personagem mais divertido. 

Como o Cebolinha foi alvo da piada, a capa poderia ter saído em gibi dele, mas não foi porque na época os gibis dele eram mais voltados com capas com alusão à história de abertura e também porque os gibis dele chegavam nas bancas depois do Natal, por isso nos anos 1970 os gibis da Mônica tinham histórias de Natal enquanto os do Cebolinha tinham de Ano Novo. A partir dos anos 1980 isso se inverteu com gibis do Cebolinha chegando nas bancas antes, nos primeiros dias de cada mês enquanto as da Mônica mais para o final de cada mês.

Capa dessa semana é de 'Mônica Nº 80' (Ed. Abril, Dezembro/ 1976).

domingo, 12 de outubro de 2025

Franjinha: HQ "Feliz Dia Da Criança"

Dia 12 de outubro comemoramos  o "Dia das Crianças" e em homenagem mostro uma história em que o Franjinha não queria ser criança e desejava namorar uma vizinha mais velha que ele que o ajudava nas lições da escola. Com 5 páginas, foi publicada em 'Almanaque da Mônica Nº 14' (Ed. Abril, 1982).

Capa de 'Almanaque da Mônica Nº 14' (Ed. Abril, 1982)

Os pais do Franjinha fazem surpresa para ele pelo "Dia da Criança", Seu Carlos comprou dois ingressos para irem ao circo, Dona Elza fez seu bolo predileto e até Bidu quis parabenizá-lo. Franjinha despreza tudo, os pais perguntam se ele quer ir ao parque de diversões e um outro sabor de bolo e Franjinha diz que está bem crescidinho,  acham que ele tem idade do Cebolinha e vai para o quarto, deixando os pais tristes.

Franjinha coloca um terno e avisa aos pais que vai dar uma saidinha e se voltar um pouco tarde não é para se preocuparem. Eles observam Franjinha pegando flores do quintal e fecham a porta. Franjinha vê sua vizinha, uma garota mais velha por quem tinha interesse, lendo um livro e vai falar com ela. Franjinha fala que queria pedir uma garota ser namorada dele. A vizinha acha que ele é novo para namorar. Franjinha diz que tem 15 anos, ela fala que jurava que ele tinha 9 anos e ele diz que faltam só 6 anos para os 15.

Aparece o Godofredo, namorado da vizinha, que apresenta o Franjinha ao namorado e diz para ele que é vizinho dela e que ajuda nas lições da escola. Franjinha fica sem graça, diz que era coisa sem importância o que ia falar e vai embora. Depois, uma menina da idade dele vê o Franjinha chorando, pergunta se esqueceram dele no "Dia da Criança" e lhe dá um beijo no rosto. Franjinha fica animado, volta para casa e pergunta para os pais se vão ao circo e pelo bolo gostoso, ficando os pais felizes.

História legal em que o Franjinha acha que não é mais criança, não aceita a comemoração do "Dia das Crianças" pelos pais e resolve pedir em namoro a vizinha mais velha que ajudava nas lições da escola. Franjinha se ilude ao saber que a vizinha tem namorado e ao ser consolado e beijado por uma menina da idade dele, volta a se interessar em ser criança e aceita as comemorações dos pais.

Como se apaixonou pela vizinha mais velha, Franjinha pensava que já era rapazinho. De fato não era uma criança pequena como o Cebolinha, mas ainda era criança com 9 anos, no auge da infância. Enrolou um pouco em se declarar para ela, disse que estava apaixonado por uma garota, mas sem dizer que era por ela, aí fica a dúvida se a vizinha percebeu ou não desde o início que o Franjinha estava apaixonado por ela. Com a desilusão amorosa e a menina dar um beijo, Franjinha tem interesse em ser criança e comemorar o dia com os pais só por causa de ela ser criança. 

Franjinha não agiu bem com os pais, interessante que os pais não deram uma dura nele, quererem satisfação da atitude dele de não querer ser mais criança, deixando o filho mandar e fazer o que quiser, até fecharem porta quando estavam observando escondidos no quintal depois que perceberam que ele viu que estava sendo observado e ter feito cara feia para eles. Bidu foi fofo querendo parabenizar o dono, pena Franjinha também não ter dado confiança nem para ele. Foi engraçado o Franjinha colocar terno para se mostrar que era rapazinho, dizer para vizinha que tem 15 anos, enrolar para se declarar para vizinha e a surpresa dele que ela tinha namorado.

História do Franjinha solo sem a ver com suas invenções e experiências no laboratório, era normal na época Franjinha ter histórias solo nos gibis e eram boas. Bidu dessa vez agindo só como cachorro normal junto com a família do Franjinha. Nome da vizinha não foi revelado nem da menina que deu beijo no Franjinha, todos os figurantes apareceram só nessa história. E descobrimos que a real idade do Franjinha é de 9 anos enquanto os outros da turminha tinham 6 anos.

Teve mensagem de alertar crianças que querem crescer logo, que deve aproveitar a infância que passa rápido e depois vai sentir saudade, e mostrou também crianças que se apaixonam por professores ou alguém mais velho do seu convívio diário, também bem recorrente na vida real. É incorreta atualmente por isso de Franjinha não querer ser criança, fazer desfeita para os pais e mandar mais que eles, se apaixonar uma mulher mais velha e depois pela menina da idade dele por envolver namoro entre crianças. 

Os traços ficaram bons, típicos de histórias de miolo da primeira metade dos anos 1980, com destaque do recurso de pontinhos juntos em fundo branco para formar o cinza do vestido da Dona Elza e da toalha de mesa. Tiveram erros de Dona Elza sem lábios com batom no último quadro da primeira página e terceiro quadro da segunda página e Bidu com olho azul no último quadro. O terno do Franjinha e calça do Seu Carlos tiveram uma junção de calça com sapato em um só, um estilo muito usado na época para agilizar desenhos que nem pode considerar como erro.

Foi uma história inédita em almanaque e nessa edição ainda teve mais 2 histórias inéditas e a tirinha final e o resto foram republicações de histórias dos gibis da Mônica de 1975, mais focadas com brincadeiras ente eles para dar ideia de tema de "Dia das Crianças". Essa história nunca foi republicada até hoje assim como as de outros almanaques da Editora Abril que tiveram histórias inéditas já que procuravam escolher só as que saíam nos gibis convencionais e as inéditas de almanaques ficaram esquecidas. Então, poderia ter sido republicada na Globo a partir de 1987 e como não foi, é rara e só quem tem esse 'Almanaque da Mônica Nº 14' da Abril que a conhece.

FELIZ DIA DAS CRIANÇAS!!!

sexta-feira, 18 de julho de 2025

Bidu: HQ "À Procura de um espaço"

Dia 18 de julho é aniversário de criação do Bidu e início da trajetória da MSP, então, em homenagem, mostro uma história em que o Bidu precisou ir para histórias de outros personagens depois do Mauricio querer construir uma biblioteca na história do Bidu. Com 7 páginas, foi publicada em 'Mônica Nº 2' (Ed. Globo, 1987).

Capa de 'Mônica Nº 2' (Ed. Globo, 1987)

Bidu é surpreendido por funcionários da MSP levando livros para sua historinha. Bidu quer saber por que aqueles livros e eles falam que foi ordens do Mauricio de Sousa, que vai construir uma biblioteca ali e que os carpinteiros vem vindo para construírem as estantes.

Bidu vai falar com o Mauricio, fora da história ele pergunta para o Bidu se gostou da novidade da biblioteca. Bidu pergunta se vai colocar todos aqueles livros na historinha dele, Mauricio diz que é o lugar mais adequado e Bidu pergunta como ele fica. Mauricio responde que ele vai poder fazer pesquisas e ter mais ideias para as historietas. Bidu argumenta que o cenário vai ser sempre biblioteca e desenhistas vão se encher de desenhar livros. Mauricio, então, tem ideia de fazer o Bidu participar de histórias de outros personagens.

Assim, Bidu entra na história da Mônica, com título "Foi você!" e Bidu acha chateação entrar em história que não tem nome dele. Entra no momento que o Cebolinha está fazendo caricatura e xingamento da Mônica no muro. Cebolinha vê a Mônica se aproximando, manda Bidu segurar o pincel e balde de tinta. Mônica aparece, pensa que foi o Bidu que rabiscou no muro e bate nele, jogando balde de tinta nele. Bidu diz que não quer levar coelhada e vai procurar outro espaço.

Em seguida, Bidu vai parar na história do Rei Leonino, "O insulto". Ele procura um poste, mija no trono do Rei Leonino. O Ministro Luís Caxeiro Praxedes vê e acha um insulto por ter feito xixi no trono do rei e chama os guardas reais para expulsá-lo. Bidu sai da historinha e vai parar na do Piteco chamada "A caça". Bidu encontra um dinossauro, corre e leva pancada da clava do Piteco, que acha o animalzinho esquisito e não tem coragem de devorá-lo.

Bidu diz que esse negócio de ir para o espaço dos outros não dá certo e implora para o Mauricio que quer sua história de volta. Mauricio não aguenta ver um cãozinho chorando, tira a biblioteca de lá e Bidu recupera sua história, agora com o titulo "A grande conquista". Bidu se pergunta onde será que o Mauricio colocou a Biblioteca e no final descobrimos que foi na sala de roteiros, com os roteiristas Robson Lacerda e Rubão reclamando com o Mauricio que foi bem na sala deles.

História legal em que o Mauricio de Sousa monta uma biblioteca na história do Bidu, que precisa arrumar outro espaço para trabalhar. Vai parar nas histórias da Mônica, do Rei Leonino e do Piteco, se dando mal em todas as presenças. Mauricio fica com pena, devolve a história para o Bidu e monta a biblioteca na sala dos roteiristas.

Mauricio sacaneou o Bidu, com tanto lugar para montar biblioteca, tinha que ser logo na história do Bidu, que tinha toda a razão de reclamar, não seria bom leitores verem cenário de biblioteca em todas as histórias dele. Pior a situação do Bidu rebaixado de protagonismo para fazer participação de histórias de outros personagens para não ficar sem trabalhar. Pelo menos teve final feliz para o Bidu, mas péssimo para os roteiristas, biblioteca na sala deles deixou tudo apertado para eles criarem, tirando concentração deles.

Mostrou estilo de história de Bidu ator de histórias em quadrinhos e metalinguagem. Foi engraçado ver diálogo do Bidu com o Mauricio reclamando da atitude dele e Bidu se dar mal nas histórias dos outros e crossovers entre eles. Mônica batia em todo mundo, até em cachorro como o Bidu  ela batia, Cebolinha sacana também de fazer com que ela pensasse que foi o Bidu quem rabiscou o muro para apanhar no lugar dele, até que o plano deu certo dessa vez. Muito bom também Bidu mijar no trono do Rei Leonino, Luís Caxeiro não gostar por ser capacho do rei e Bidu levar pancada da clava do Piteco. O próprio Rei Leonino não ter aparecido, mas também nem precisava do jeito que colocaram, ficou bom da mesma forma. Esses crossovers ficaram excelentes, tiveram outras histórias do Bidu indo para histórias de outros personagens, sempre era engraçado.

Nos quadrinhos do Bidu, era normal funcionários da MSP serem representados como cachorros. Com exceção de Mônica e Cebolinha, os secundários não conheciam o Bidu nesta história. Isso variava de roteiro, tiveram histórias que os secundários conheciam um ao outro. Curioso também ver palavra "historieta", nem mais usada ou falada popularmente.


Nessa fase da segunda metade dos anos 1980 tinham muitas histórias de metalinguagem com presença de Mauricio e de roteiristas, em todos os núcleos de personagens, nem que fosse só no final como piada final, era bem repetitivo isso. Tudo que acontecia nos bastidores da MSP servia de inspiração para histórias. Pode ser que haviam construído uma grande biblioteca na MSP na vida real e o roteirista quis retratar isso na história. Como apareceram os roteiristas Robson Lacerda e Rubão juntos, pode ter sido escrita por qualquer um dos dois, eram estilos de histórias parecidos e os dois gostavam de histórias de metalinguagem.

O tema da história não considero incorreta, apesar de hoje eles evitarem histórias com metalinguagem, mas tem ainda em histórias especiais. Só que tem elementos incorretos que iriam censurar como personagens rabiscarem Mônica no muro (colocam cartazes agora), inadmissível Bidu mijar em poste e no trono do Rei Leonino (completamente proibido por causa de outros países que proíbem cachorros mijarem em postes), Bidu apanhar e ser surrado pela Mônica e pelo Piteco (violência e maltrato a animais), clava do Piteco com prego, palavra "Diacho!" (por lembrar diabo), expressões "Minha Nossa! "Pelo amor de Deus!" (tudo de cunho religioso é proibido agora) e palavra "historieta" (por ser datada). Além disso, Bidu e outros personagens iam para as outras histórias naturalmente, sem explicações. Hoje, para personagens irem para outras histórias é sempre com lápis mágico da Marina, fariam adaptação nisso. Teve erro do Cebolinha falar "segura" sem trocar "R" pelo "L".

Os traços ficaram muito bons, típicos de histórias dos anos 1980. A colorização bonita também do início da Globo de 1987 com personagens com peles mais rosadas, com destaque ao azul em tom aquarela, sem variações de azul, então por isso o tom do Bidu mais escuro, também em azul aquarela. O tom de cor azul do Bidu nos últimos anos da Editora Abril e por toda a Editora Globo variava com a colorização da época, não tinha um padrão, por isso às vezes ele aparecia mais escuro que o normal e podia até ser azul claro quase branco. Assim, essa postagem fica uma homenagem de aniversário de 66 anos do Bidu, criado em 18 de julho de 1959, e do início da carreira profissional do Mauricio nos quadrinhos.

PARABÉNS, BIDU!!! PARABÉNS, MSP!!!

sábado, 5 de julho de 2025

Capa da Semana: Cebolinha Nº 55

Nessa capa, o Cebolinha é encarregado de distribuir petiscos em uma festa e espeta tudo no cabelo dele por falta de espetos, deixando seus amigos surpresos com a façanha. Cabelo multifuncional como do Cebolinha podia acontecer de tudo, muito legal. Gostavam de colocar o Bidu nas capas antigas interagindo com a cena, ficava muito bom também, dava um charme a mais.

A capa dessa semana é de 'Cebolinha Nº 55' (Ed. Globo, Julho/ 1991).

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025

Uma história do Bidu com o Louco

Mostro uma história em que o Bidu é perturbado pelo Louco depois que o Bugu viajou. Com 5 páginas, foi publicada em 'Cebolinha Nº 67' (Ed. Abril, 1978).

Capa de 'Cebolinha Nº 67' (Ed. Abril, 1978)

Bidu comenta que a tarde está boa para tirar uma soneca ainda mais sabendo que o Bugu viajou. Bidu começa a dormir quando ouve gritos do Louco que está cercado e precisa fugir. Louco olha para o Bidu e diz que avistou um cavalo e joga o Bidu atingindo uma árvore e Louco diz que terminou com os micróbios que estavam o atacando.

Louco vendo o Bidu todo machucado acha que foram os micróbios que atacou, vai cuidar dele com casa, comida e roupa lavada, jogando Bidu no lago. Bidu mergulha e o Louco pensa que é um peixe raro e o joga no aquário. Bidu fica com cabeça pra fora por aquário ser pequeno e Louco lembra do cachorrinho que deixou no lago e vai lá ver se ele se afogou.

Logo percebe que o cachorro estava no aquário e pensa que o Bidu fez mal ao peixe raro que estava lá. Louco tira o Bidu do aquário e fica aflito se o peixinho se machucou. Louco põe roupa de mergulho,  entra no aquário para procurar o peixe e some. No final, Bidu implora para o Bugu voltar logo da viagem, afinal se era ruim com o Bugu, pior sem ele.

Legal essa história, Bidu pensou que teria paz com o Bugu viajando, nunca imaginou que seria pior com o Louco, que dessa vez pensou que o Bidu era um cavalo e depois um peixe raro e depois do nada se contava que era um cachorro. Bidu sofreu muito sendo jogado na árvore, no lago, ficar em aquário apertado, e viu que, sem dúvida, melhor aturar as imitações do Bugu do que ficar com o Louco.

Engraçado que tudo começou com o Louco imaginando que estava sendo atacado por micróbios, e como que conseguiu entrar no aquário para procurar o tal peixe perdido. sempre nada com nada, por isso que ele é louco. Ficou um monólogo do Louco já que o Bidu não ia falar na frente dele.  Não seria ruim também se o Bidu resolvesse falar com o Louco, seria absolutamente normal em histórias com ele. Teve uma mistura de universos do Bidu, começou como se fosse uma história de metalinguagem com Bidu como dono da história e perturbado pelo Bidu, mas a partir do momento que o Louco aparece, virou história de um cachorro normal.


Foi legal ver um crossover do Louco com o Bidu. Nos anos 1970 o Louco não aparecia só para o Cebolinha, podia aparecer também para a Mônica e algumas vezes para o Bidu. Em gibis do Cebolinha o Louco aparecia para ele, em gibis da Mônica, aparecia para ela e com Bidu normalmente em gibis do Cebolinha. Tiveram outras entre 1976 a 1979 com o Bidu contracenando com o cachorro do Louco, o Totó, tão maluco como o dono, depois esse cachorro foi excluso dos gibis, ficando no limbo do esquecimento, já que a partir dos anos 1980 preferiram histórias do Louco só com o Cebolinha, acharam que combinava melhor entre eles.

Linguagem já estava mais informal, ficavam mais formais só nas histórias que eram escritas pelo Mauricio de Sousa. Incorreta hoje por conta de violência de jogar Bidu na árvore e no lago, colocá-lo dentro do aquário apertado, podem reclamar de maus tratos a animais.

Traços muito bonitos do estilo superfofinho adotados entre 1977 a 1979. Tiveram erros do Louco falar de boca fechada no antepenúltimo quadro da 3ª página e da roupa do Louco com camisa rosa e calça vermelha nos 2º e 5º quadros da 2ª página da história, usavam esse estilo de cores trocadas na roupa do Louco em histórias entre 1976 a 1978, aí voltaram com as cores originais da roupa, só que nesses quadros esqueceram que tinham voltado com as cores tradicionais. Foi republicada depois em 'Almanacão de Férias Nº 4' (Ed. Globo, 1988).

Capa de 'Almanacão de Férias Nº 4' (Ed. Globo, 1988)

domingo, 15 de setembro de 2024

HQ "Rock In Bidu"

A nova edição do "Rock In Rio" no Brasil começou no dia 13 de setembro e, então, mostro uma história em que o Bidu teve sua historinha invadida para ter um festival de Rock lá. Com 5 páginas, foi publicada em 'Cascão Nº 73' (Ed. Abril, 1985).

Capa de 'Cascão Nº 73' (Ed. Abril, 1985)

Dois empresários aparecem na história do Bidu comentando que ali era lindo, maravilhoso e um local ideal para o festival de Rock que estavam produzindo, e melhor que cantores poderiam desafinar a vontade porque estavam em uma história em quadrinhos e ninguém ia perceber. Eles saem para tentar alugar o espaço e Bidu aparece, estranhando que a história estava começando e pergunta o que aqueles dois estavam fazendo ali. Em seguida, pedreiros fazem construção da casa para o festival até o meio da página e depois de pronta, aparecem a plateia, com bastante metaleiros, fazendo fila para entrar no festival.

Bidu entra e vê as atrações internacionais, os seguranças querem ver as credenciais dele, Bidu pergunta por que queria uma e os seguranças expulsam, chutando o Bidu para fora, tratado como um Bugu da vida. Bidu espera o festival acabar do lado de fora, a plateia sai aos poucos bem louca, os empresários saem cheio de grana, mas dizendo que tiveram o maior prejuízo. No final, Bidu fica feliz em ter sua historinha de volta e uiva para a Lua para comemorar.

História legal, do tipo de metalinguagem, idealizada como homenagem ao primeiro "Rock In Rio" de 1985. Empresários alugam a historinha do Bidu para criar um festival de Rock contra a vontade dele. Depois da sua historinha ter sido invadida, Bidu preferiu fazer apresentação de uivar para a Lua, afinal para cachorro, melhor música é o uivo para Lua, sobrou pra Lua ouvir e aturar a desafinação do Bidu. Pelo visto quem negociou o aluguel da historinha do Bidu foi o Mauricio de Sousa, apesar do Bidu ser o chefe das suas histórias, mas o dono do espaço do ambiente é do Mauricio e da MSP e por isso o Bidu não sabia o que estava acontecendo lá antes de entrar. 

Mostrou todo o preparo para o festival de Rock desde a ideia de onde seria o local para realizar, a construção do palco, entrada do público, os shows dos roqueiros, expulsão de penetras, plateia atordoada após os shows e enriquecimento dos empresários e idealizadores do evento. Tudo de forma ágil e bem rápida, só como forma de homenagem e permitir roteirista fazer suas críticas ao festival. Até o logotipo imitaram no estilo do "Rock In Rio" verdadeiro, ficou muito bom. 

As bandas e cantores aparentemente não foram paródias dos que se apresentaram na época, foi apenas para mostrar que tinha apresentações de bandas de Rock, com exceção do que estava prestes a devorar um morcego que foi referência ao Ozzy Osbourne. Só errou em ter sido em casa de show, local fechado já que o Rock In Rio é em local a céu aberto.  Pode ser porque foi para ter a ideia melhor do Bidu ser chutado e ficar depois do lado de fora. Aliás, Bidu sentiu como o Bugu se sentia ao ser chutado pelos seguranças, Bugu deve ter se sentido vingado se soube disso.

Foi engraçado ver tiradas como cantores poderem desafinar porque estão em uma história em quadrinhos e ninguém percebe, a construção da casa de show em meia página, mas na realidade mostrando construindo tudo em um quadrinho, plateia exótica chegando, a paródia do nome cantor Raul Seixas como "Saul Seixas", Bidu chutado e dizer que foi tratado como um Bugu qualquer da vida e os empresários cheios da grana, mas ainda dizerem que tiveram prejuízos, como clara crítica que organizadores de festivais assim só querem lucrar. Legal também a história ser protagonizada só por cachorros, o que era comum nas histórias do Bidu de terem cachorros humanizados, exercendo funções que seriam de humanos. 

A história deve ter sido roteirizada em janeiro,  bem quando teve o festival, e só conseguiram encaixar em gibi no mês de maio. Os dois primeiros "Rock In Rio" (1985 e 1991) tiveram histórias em homenagem, respectivamente essa do Bidu e a do "Rock In Ferno" com a Turma do Penadinho, de 'Cascão Nº 124', de 1991. Já as outras edições do festival não tiveram histórias especiais, no máximo pode ter citado, mas sem ser o foco principal. Hoje o "Rock In Rio", prestes a completar 40 anos em 2025, está muito mudado, quase não em Rock, na edição deste ano só 2 dias reservados para Rock e sem Heavy Metal, menos artistas internacionais no geral e no lugar tem muito funk, pagode e até sertanejo, inclusive um dia só para artistas nacionais, descaracterizando o festival, cada edição piora.

Os traços desta história do Bidu ficaram ótimos, típicos de histórias de miolo dos anos 1980 e já na fase de traços consagrados dos personagens. Incorreta atualmente por não ser apropriado show de Rock em gibi infantil e elementos como Bidu sendo chutado. Foi republicada depois em 'Almanaque da Mônica Nº 48' (Ed. Globo, 1995).

Capa de 'Almanaque da Mônica Nº 48' (Ed. Globo, 1995)

quinta-feira, 25 de janeiro de 2024

Bidu: HQ "Corta! Corta!"

Mostro uma história em que o Bidu sofreu com um gerente financeiro que ficou no lugar do Manfredo enquanto tirava férias e que queria cortas todas as despesas altas da história por causa da crise econômica que estavam passando. Com 7 páginas, foi publicada em 'Mônica Nº 44' (Ed. Globo, 1990).

Capa de 'Mônica Nº 44' (Ed. Globo, 1990)

Bidu se prepara para filmar a sua história com superprodução sobre "Romeu e Julieta", quando o Charles, o gerente financeiro, manda cortar. Bidu estranha porque nem começaram ainda e pergunta pelo Manfredo. Charles diz que o Manfredo saiu de férias por motivo de economia, no momento só podem gastar o que é extremamente necessário.

Charles manda a produção tirar todo o cenário, tudo que é supérfluo para economizar. Tira até a atriz Julieta porque o cache dela é alto e deixa o Bidu porque é o personagem principal. Bidu reclama que acabou a superprodução dele e Charles diz que estão em tempos de crise, não podem gastar, só cortar, cortar, até recuperarem a economia.

Bidu pede, então, outro roteiro. Charles diz que não vão desperdiçar roteiro que já foi pago. Bidu pergunta como vai fazer "Romeu e Julieta" sem balcão, cenário e atriz. Charles diz que vai ser improvisando como um bom ator e que a Dona Pedra será a Julieta, contando que ela só não foi cortada porque ninguém conseguiu levantá-la.

Começa a gravação e assim que Bidu e Dona Pedra encenam suas falas, Charles manda cortar porque o texto está muito comprido e o letrista cobra muito caro. Charles faz alterações no roteiro, deixando bem simplificado. Bidu e Dona Pedra voltam a encenar, Charles corta de novo e reclama que agora o problema é o nariz do Bidu, muito grande e preto, fazendo gastar mais nanquim e cobre o nariz com pó-de-arroz.

Logo depois, Charles corta novamente, reclamando da requadração das páginas, mandando juntar dois traços em um para economizar e manda o colorista pintar os fundos dos quadrinhos com a mesma cor em vez de 3 cores diferentes. Bidu volta a encenar, Bugu aparece, Bidu tenta expulsá-lo e ele conta que foi convidado pelo Charles por achar que o Bugu incrementa a história e não cobra cachê. 

Bidu grita que jamais trabalha com o Bugu, Charles fala que não é pra exaltar porque letras grandes custam mais e propõe que Bidu e suas pulgas tirem férias, descansar e na próxima revista as coisas já possam ter melhorado. Bidu acha uma boa ideia, está precisando de paz, tranquilidade e uma prainha deserta, só que no final, para sua surpresa, vários grandes nomes dos quadrinhos e desenhos animados também tiveram férias forçadas.

Uma história legal em que um gerente financeiro quer cortar as despesas das histórias do Bidu para economizar por conta da crise financeira que estavam passando. Dá férias para o Manfredo e fica no lugar dele na direção da história, tirando toda a superprodução que seria, tudo que era supérfluo e com alto custo era cortado da história. Com tantos cortes, a solução foi dar férias para o Bidu, mas ele não contava que outros personagens estavam de férias também. Ou seja, a crise era tão alta que atingiu também outros personagens de vários universos, não foi só com o Bidu, era geral com crise.

Não tinham dinheiro nem para contratar outro diretor para substituir o Manfredo nas férias,  jeito foi improvisar com gerente financeiro.  Coitado do Bidu que justamente quando teria uma história com superprodução para sair da mesmice das histórias conversando com a Dona Pedra não conseguiu o que queria e ao invés de ficar em uma praia deserta nas suas férias, teve que dividir com os outros personagens. Se deu mal do início ao fim.

Foi do estilo de histórias do Bidu como ator e com metalinguagens, ele ficava bem brabo e impaciente em histórias assim, e foi divertido como uma espécie de bastidores de gravações, como se histórias em quadrinhos fosse gravação de filme para o cinema. Foi engraçado a partir de Shakespeare como "Auau-kespeare" como se fosse cachorro, Charles dizer que emagreceu para cortar uns quilinhos extras dele, tirar cenários, atriz que cobra cachê alto, cortar textos longos no roteiro, deixar nariz do Bidu branco para economizar nariz, mexer nas cores de fundo e no enquadramento convidar Bugu para atuar porque não ia cobrar cachê. 

Charles acabou mudando roteiro pago de qualquer forma quando fez as reduções para economizar. Nem precisaria mexer em roteiro já que roteiristas e coloristas ganham por trabalhar, independente da quantidade de trabalho que tem, seria melhor pensar no gasto de tinta para imprimir o gibi. E ao usar o pó-de-arroz no nariz do Bidu, até economizaria nanquim, mas teria gasto com pó-de-arroz, não adiantaria grande coisa na economia. O título teria sido "Romeu e Julieta" se não fosse o Charles mandar cortar até o título, aí ficou representado oficialmente pela sua fala.

O normal é o Manfredo ser contrarregra do Bidu e, às vezes, exercia também função de diretor, sendo que sempre era o Bidu o chefe que mandava nele, aí dessa vez foi o Bidu que foi mandado por um superior, o gerente era acima da sua autoridade. O Charles devia existir na MSP e o roteirista quis fazer uma brincadeira retratando caricatura dele como cachorro, ele apareceu só nessa história, como de praxe de personagens secundários. 

A história critica de forma divertida a hiperinflação no Brasil da época que gerava crises nas empresas, até as revistas em quadrinhos estavam passando por crise de vendas, e roteirista resolveu atingir essa crise nas histórias do Bidu e nas de outros personagens. Muitas vezes roteiristas gostavam de retratar o que estava passando nos bastidores da MSP nas histórias do Bidu ou nas envolvendo metalinguagem com outros personagens, mesmo que indiretamente, aí pelo visto, eles estavam passando de fato uma crise econômica. E, de certa, a história forma ensina os leitores a economizarem, saber tirar tudo que é supérfluo, tudo que não tem necessidade de gasto, para sobrar mais dinheiro.


O grande destaque, sem dúvida, foi o final com crossover de vários universos do mundo infantil. Além dos diferentes núcleos da Turma da Mônica teve também universos de outros personagens de quadrinhos concorrentes da MSP. Muito legal ver os personagens da MSP Bidu, Mônica, Cebolinha, Manfredo, Jotalhão, Horácio e Tina juntos na praia com seus concorrentes Super-Homem, Pernalonga, Batman, Mickey, Snoopy e Xuxa. Todos com férias forçadas por causa da crise econômica. Sensacional.

Xuxa também se enquadra em personagens de histórias em quadrinhos nesse caso já que ela tinha gibi mensal na época pela Editora Globo, mas também seria férias com as despesas do programa "Xou da Xuxa" na TV Globo, tirou férias dos quadrinhos e do programa de TV. Até Snoopy tinha gibi na época pela Editora Record. E interessante o universo do Bidu de metalinguagem junto com os outros personagens da MSP, inimaginável ver o Manfredo junto com eles em uma situação normal e ainda verem Bidu falando e andando com duas patas. 

Os traços ficaram muito bem caprichados que dava gosto de ver. Teve um erro de impressão deixando umas partes brancas na terceira e quinta páginas da história, isso foi em todos os lotes deste gibi da 'Mônica Nº 44'. O detalhe do "Fim" cortado com tesoura para economizar também foi bem criativo.