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quinta-feira, 7 de dezembro de 2023

Propagandas Natalinas da Turma da Mônica (Parte 3)

Há algum tempo mostrei 2 postagens com propagandas de Natal com a Turma da Mônica. Só que eles tiveram outras de Natal bem marcantes e nessa postagem compartilho essas que encontrei que valem a pena relembrar e várias curiosidades. 

Em 1977, teve a edição especial de Natal do título "Brincadeiras", que consistia de uma revista de atividades com passatempos, jogos de montar e uma historinha, que nessa edição foi uma versão em quadrinhos da clássica curta animação "O Natal da Turma da Mônica" (1976), que por muitos anos passou na televisão em época de Natal. 

Sem dúvida uma edição super especial, só ter a versão em quadrinhos do "O Natal da Turma da Mônica" exclusiva e nunca republicada até hoje já vale muito a pena e hoje é raríssima de encontrar, já que revistas de atividades costumam ser destruídas pelas crianças, ainda mais as que tem coisas para recortar e montar. Depois dessas revistas "Brincadeiras" teve uma outra semelhante chamada de "Destaque e Brinque" (raríssimas também) e nos anos 1980 a turminha passou a ter revistas diversas de atividades e passatempos.

Propaganda tirada de 'Mônica Nº 91' (Ed. Abril, 1977)

Em 1978, foram lançadas as camisas sonoras com estampas com temas dos personagens da Turma da Mônica emitindo sons da "Marvel Malhas", que foi concessionária da "Mauricio de Sousa Produções". Na propaganda, mostra o Papai Noel vestido com a camisa da Mônica e também tiveram outras estampas com Bidu, Cebolinha, Floquinho e Jotalhão. Na época, só crianças que vestiam camisas estampadas e bem raro também, então, foi bem inovador.

Propaganda tirada de 'Mônica Nº 104' (Ed. Abril, 1978)

A "Lojinha da Mônica" foi inaugurada em 1979, era uma loja física, que vendia só produtos da Turma da Mônica e fez muito sucesso. Inicialmente inaugurada em São Paulo e ao longo da década de 1980 se expandiu para outras cidades de outros estados do Brasil. Nessa propaganda de 1980, a primeira com tema de Natal, curiosamente não teve um personagem da Turma da Mônica, apenas o Papai Noel sobrevoando a "Lojinha da Mônica" com seu trenó e um menino feliz vendo sua chegada em frente à loja.

Propaganda tirada de 'Cebolinha Nº 95' (Ed. Abril, 1980)

Em 1981, teve o lançamento de desenhos animados da Turma da Mônica em Super-8 vendidos exclusivamente na "Lojinha da Mônica". Foram vídeos curtos produzidos pela MSP em Super-8 que nem existem mais, foi um percussor do VHS. Foram lançados dois mini filmes, um sobre o Natal chamado de "Feliz Natal para todos" com menos de 3 minutos e outro com título "Um cachorro bem treinado" com 3 desenhos curtos em um mesmo Super-8. Na propaganda tem aviso que eram sonoros e coloridos porque nem todos Super-8 eram assim e poderia fazer pedido por carta quem não podia ir pessoalmente à "Lojinha da Mônica" em São Paulo.

Propaganda tirada de 'Almanaque da Mônica Nº 8' (Ed. Abril, 1981)

Em 1981, a Editora Abril lançou uma propaganda de Natal reunindo principais personagens que tinham revistas em quadrinhos na época desejando que o Natal e o Ano Novo dos leitores sejam como as histórias em quadrinhos deles, cheios de emoção, alegria e diversão. Não podia faltar Mônica e Cebolinha, quem tinha revistas próprias da MSP pela Editora Abril até então e se juntando a eles, Pantera-Cor-De-Rosa, Bolinha, Pateta, Pica-Pau, Capitão América, Fred Flintstones e Mickey.  Só Editora Abril para reunir tantos personagens de peso em uma só propaganda e colocaram só alguns dos que tinham revistas porque  na época as bancas de jornais eram repletas de variados títulos de revistas da Editora Abril.

Propaganda tirada de 'Almanaque do Chico Bento Nº 1' (Ed. Abril, 1981)

A Lojinha da Mônica teve uma nova propaganda de Natal em 1982 com uma belíssima ilustração da Mônica, Cebolinha, Cascão e Bidu em um coral de Natal. E pode perceber que a "Lojinha da Mônica" já estava com outras unidades em outras cidades do Brasil sem ser só São Paulo. No rodapé, mostrou os endereços de cada loja disponível até então.

Propaganda tirada de 'Chico Bento Nº 10' (Ed. Abril, 1982)

Na Editora Abril, tiveram edições especiais de Natal em formatos maiores e com histórias inéditas, mas que seguiam a numeração do título "Almanaque da Mônica". Então, em dezembro de 1982 foi lançada a edição "Mônica Natal Nº 16", que representou o "Almanaque da Mônica Nº 16". Foi uma edição só com histórias inéditas de Natal com 68 páginas e formato canoa maior, diferente do formatinho com lombada que estávamos acostumados nos almanaques. 

Para anunciar a novidade, fizeram essa propaganda ilustrada só com a capa da edição e mostrando que "Mônica Natal" é tão tradicional em dezembro quanto presentes, castanhas, nozes, Papai Noel, etc. Interessante mencionarem champanhe em uma publicidade infantil, essa seria incorreta hoje em dia. lembrando que todas essas histórias inéditas nos Almanaques da Mônica pela Editora Abril nunca foram republicadas até hoje e se tornam histórias raras hoje em dia.

Propaganda tirada de 'Chico Bento Nº 10' (Ed. Abril, 1982)

Em 1984, foram lanças as bolas de Natal da Turma da Mônica, pela "Wanda Hauck". Cada bola era ilustrada com um personagem da Turma da Mônica e vendidas em supermercados, lojas especializadas e também na Lojinha da Mônica. Tiveram bolas com Mônica, Cebolinha, Cascão, Anjinho e Bidu, em cores variadas, sem dúvida, a Árvore de Natal ficava muito bonita enfeitadas com essas bolas da turma. Na propaganda, uma linda ilustração com personagens montando Árvore de Natal. Interessante a Magali aparecer na ilustração, mas não teve bola com ela.

Propaganda tirada de 'Almanaque da Mônica Nº 23' (Ed. Abril, 1984)

Em 1998, foram lançados os enfeites de Natal da Turma da Mônica da marca "Pais e Filhos". Foram vários enfeites que eram os personagens em miniaturas com temas natalinos que, além de servir como decoração da Árvore de Natal, também poderia colecionar as miniaturas. Na propaganda, colocaram uma fotografia de uma Árvore toda decorada com os enfeites e um destaque como eram os enfeites das miniaturas da Mônica e Cebolinha. 

Propaganda tirada de 'Cebolinha Nº 146' (Ed. Globo, 1998)

Na Editora Globo eles não tinham muito costume de anunciar revistas individuais, apenas algumas edições consideradas mais especiais e alguns almanaques. A revista da 'Mônica Nº 145' da Editora Globo de 1998, então, foi uma exceção e teve uma propaganda especial, ilustrada com a capa da edição. Como as capas eram bonitas, só ilustração das capas já formava uma bonita propaganda. Devem ter feito propaganda dessa edição por ser de Natal e ter uma história de abertura com o tema, mas era raro até edições em edições de Natal com propagandas individuais de revistas mensais. 

Propaganda tirada de 'Cebolinha Nº 146' (Ed. Globo, 1998)

O requeijão Turma da Mônica "Nestlé" tiveram novos copos com temas natalinos em 1998. Foram marcantes esses requeijões com copos de vidro com a Turma da Mônica lançados a partir de 1997, pintura não saía na lavagem e sempre estavam renovando os copos ao longo de cada ano podendo colecionar. Com o lançamento desses novos natalinos em 1998, fizeram esse anúncio com dois desses novos copos lançados e Com Mônica, Cebolinha e Cascão como duendes carregando os copos. 

Propaganda tirada de 'Magali Nº 249' (Ed. Globo, 1998)

Em 1999, teve o lançamento da fita VHS "Clássicos Turma da Mônica - A Estrelinha Mágica". Os filmes clássicos da Turma da Mônica dos anos 1980 foram relançados para venda aos poucos em uma coleção de VHS e o da Estrelinha Mágica, original de 1988, foi lançado em dezembro, em homenagem ao Natal. A propaganda foi estilo de passatempo de labirinto de levar a Mônica como Papai Noel até o seu presente de Natal. Na segunda metade dos anos 1990, estava bem frequente propagandas formadas por passatempos de outros anunciantes como "Chambyto", "Nesquik", "Chokito", etc, e a MSP também resolveu entrar na onda.

Propaganda tirada de 'Parque da Mônica Nº 84' (Ed. Globo, 1999)

Na virada para o ano 2000, criaram essa propaganda em 1999 sem anunciar nada, apenas com a mensagem da MSP desejando um feliz Ano Novo ilustrada com a turma como astronautas em um disco voador no céu, simbolizando um ar futurista que o ano 2000 pedia e que muitos tinham expectativa para chegar e o Papai Noel acenando para a turma ao lado da chaminé.

Propaganda tirada de 'Magali Nº 275' (Ed. Globo, 1999)

As revistas de atividades "Brincando com a Turma da Mônica" e "Cruzadas da Turma da Mônica" tiveram edições especiais com atividades de Natal em dezembro de 2000 e para anunciar a novidade fizeram essa propaganda com bonita ilustração da turminha montando Árvore de Natal. Nem lembra que é uma propaganda de revistas de atividades até ler o texto dela, vai ver que a ilustração foi caoa de uma delas. Lembrando que em 2000 eram novas séries dessas revistas, não da série "Brincando com a Turma da Mônica" de 1988 nem da clássica série "Cruzadas da Turma da Mônica" semanais entre 1993 a 1998 com mais de 300 edições, que foi a série de revistas de passatempos mais duradoura e mais conhecida até hoje. 

Propaganda tirada de 'Parque da Mônica Nº 95' (Ed. Globo, 2000)

Em 2002, a Turma da Mônica esteve na Praça Central do Shopping Metrô Tatuapé para tirar fotografias com a criançada que iria no local e ainda tinha uma Vila da Mônica montada lá com as casas dos personagens e uma Árvore de Natal de 15 metros montada até o dia 2 de janeiro de 2003. No anúncio, uma fotografia da turma e do Mauricio no shopping em frente à entrada da Vila da Mônica e à Árvore de Natal de 15 metros, representando como seria estar lá. Quando não existia internet ou era bem limitada, as notícias referentes a eventos da MSP eram mostradas nos revistas, era bom ver essas novidades do estúdio através das revistas. 

Propaganda tirada de 'Mônica Nº 198' (Ed. Globo, 2002)

Como podem ver, foram propagandas muito boas e bem ilustradas, muitas delas bem raras e com produtos que a gente nem imaginava ter existido. Para conferir outras propagandas de Natal clássicas com a Turma da Mônica, entre aqui:

terça-feira, 7 de novembro de 2023

Propagandas de produtos de higiene da Turma da Mônica (Parte 2)

Nessa postagem mostro a segunda e última parte das propagandas de produtos de higiene da Turma da Mônica, que completam 50 anos este ano e que sem dúvida, marcaram época. Nesta parte, reúno as propagandas a partir de 1980.

A linha "Phebo" foi a que ficou mais tempo em circulação, desde 1973 até final dos anos 1990. Consistia de sabonete, shampoo, talco, colônia, óleo, creme dental e escova de dente e depois lavanda.

Em 1980 teve esse anúncio mostrando todos os itens da linha "Phebo" ilustrado com a turminha em volta em contato com a natureza e conta que com os produtos todo mundo fica limpinho, cheiroso e bonito, dando destaque ao creme dental, que faziam bola de chiclete e tinham dois sabores (tutti-frutti e hortelã), às escovas de dente que eram coloridas e macias e ao shampoo que não ardia os olhos, além de citar os outros produtos. 

A ilustração da turminha seguiu o estilo das histórias de miolo de 1979/ 1980 e curioso ter o Cascão em anúncio de produtos de higiene, não gostei de ele estar feliz e perto da Magali regando flores, teve uma descaracterização do personagem aí, pelo visto nem perceberam quando criaram. E destaque também à "Lojinha da Mônica" recém-criada até então e a partir daí, o pessoal também podia comprar esses produtos de higiene lá, além nos mercados.

Propaganda tirada de 'Mônica Nº 124' (Ed. Abril, 1980)

Enquanto que nos anos 1970 os gibis eram repletos de propagandas dos produtos de higiene da "Phebo", no decorrer dos anos 1980 pararam de anunciar, mesmo sendo bem vendidos ainda. Pelo visto foi porque nos anos 1970 era novidade e eles precisavam divulgar o que o pessoal não conhecia e como os produtos já estavam consolidados nos anos 1980 não precisavam anunciar.

Ainda assim, teve uma propaganda em 1985 ilustrada com uma menina indo tomar banho e as embalagens personificadas em volta dela com carinhas, braços e pernas, em forma de desenhos. Percebe-se que ainda existia o creme dental em 1985 e que além dos produtos que existiam, lançaram também a lavanda da Mônica.

Outra curiosidade, mesmo que a ilustração das embalagens aí são em desenho, dá pra notar que as embalagens nos anos 1980 ainda eram as mesmas dos anos 1970, ou seja, desde 1973 eram tudo da mesma forma e ainda davam para ver a Mônica com traços com bochechas pontiagudas, quando já tinham mudado aqueles traços há muito tempo. E vimos também que as propagandas nos anos 1980 já com menos texto, apenas uma frase que exemplifica tudo, o que já se tornou frequência nas propagandas em geral na época.

Propaganda tirada de 'Mônica Nº 179' (Ed. Abril, 1985)

Em 1990 teve a propaganda da linha da Mônica, marcada por ser a primeira em gibis da Editora Globo e finalmente com as novas embalagens, mesmos designs básicos de antes, porém deixando a Mônica com os traços atuais até então. Foi toda ilustrada com os produtos da linha "Phebo" e chama atenção que não existiam mais os cremes dentais que formavam bola de chiclete que marcaram os anos 1970 e parte dos anos 1980 e continuaram com a lavanda. Teve também ilustração da Mônica dançando na frente dos produtos e, curiosamente, essa imagem foi tirada de anúncio em animação que era exibido na televisão em 1990.

Propaganda tirada de 'Magali Nº 27' (Ed. Globo, 1990)

Em 1991 foram lançadas as novas embalagens dos produtos da linha da Mônica e teve essa propaganda com as fotos deles. As embalagens mais elaboradas com a Mônica segurando ou tomando banho com o produto em questão. Tipo, na embalagem do sabonete, aparecia a Mônica tomando banho com ele, na do talco, ela o segurava e por aí vai. E passaram a ter código de barras, que já estavam sendo colocados em embalagens de produtos alimentícios e comerciais de mercados, nos gibis passaram a serem inseridos obrigatoriamente a partir de 1993.

Propaganda tirada de 'Magali Nº 65' (Ed. Globo, 1991)

Em 1994 lançaram duas propagandas seguindo o mesmo estilo com a Mônica contracenando com uma criança real e que se você não for o Cascão, vai adorar tomar banho com a Mônica. A primeira foi a Mônica passando shampoo no cabelo do menino na banheira e no texto conta que quem não gosta de banho já viu o que está perdendo, todos os produtos têm um delicioso perfume e se não quiser deixar a Mônica braba, tem que levar a linha da Mônica da "Phebo" na hora do banho. As embalagens foram as mesmas lançadas em 1991, a do talco que teve uma leve mudança.

Propaganda tirada de 'Cebolinha Nº 92' (Ed. Globo, 1994)

A outra propaganda de 1994 foi com a Mônica tomando banho com uma menina na banheira e segurando o shampoo,  também reforçando que se você não for o Cascão vai adorar tomar banho com a Mônica. Essa circulou mais nos gibis do que a anterior. Apesar dos produtos serem da "Phebo", as propagandas indicam que são pertencentes da Procter & Gamble (P&G), que reúne várias marcas conhecidas em uma mesma corporação.

Propaganda tirada de 'Magali Nº 142' (Ed. Globo, 1994)

No final dos anos 1990, cancelaram os produtos de higiene da "Phebo" e a Turma da Mônica passou a ter produtos de banho com outras marcas, só que não tiveram propagandas em gibis, pelo menos produtos principais como sabonete, shampoo, etc, e esses novos de outras marcas nem tiveram tanta repercussão com a garotada e nem ficaram conhecidos, até também por falta de divulgação. 

Ainda assim, em 1999, teve o anúncio do lançamento das esponjas para banho da "3M". Eram macias e coloridas e uma esponja de cada personagem. Então, tiveram esponjas da Mônica, Cebolinha, Magali, Bidu e Cascão. No anúncio mostra os três primeiros tomando banho com a esponja. Só não precisava ter esponja do Cascão, acho ele associado a produtos de banho não combina e descaracteriza o personagem, pelo menos no anúncio não mostrou ele tomando banho com a esponja como os outros.

Propaganda tirada de 'Chico Bento Nº 334' (Ed. Globo, 1999)

Como postagem é de produtos de higiene, não necessariamente para banho das crianças humanas, em 2005 teve também a linha de higiene do Bidu e do Mingau da "Dog Clean", com produtos para dar banho no seu cachorro e gato de estimação. Da série de produtos inovadores da MSP que lançavam coisas inimagináveis e que não tinham o que inventar, essa linha tinha shampoo, condicionador, creme pra escovar pelos, sabonete, gel com gliter, gel dental, loção desodorante, banho a seco e deo colônia para usarem em seus cachorros e gatos. 

Os produtos do Bidu, naturalmente para usarem nos cachorros e as do Mingau, para os gatos. Interessante que a linha de higiene dos pets foi mais completa que as dos humanos e era muito luxo para animais de estimação quem comprava, fora que para gatos seria bem desnecessário já que recomendam não dar banho em gatos. A propaganda foi ilustrada com as embalagens dos produtos de cada um deles e com Bidu e Mingau gostando da novidade dos seus produtos.

Propaganda tirada de 'Cascão Nº 454' (Ed. Globo, 2005)

Então, foram propagandas bem criativas e ilustradas com produtos muito bons, um marco da publicidade brasileira, pena que descontinuaram com a linha "Phebo". Atualmente, os produtos de higiene da turma são da marca "Pandora Personal Care" desde 2021 e reservadas apenas para bebês e não para crianças maiores e embalagens estampadas com a Turma da Mônica Baby, incluindo a Milena, mas nunca tiveram propagandas em gibis. Na verdade, as propagandas dos gibis atuais são mais para divulgarem gibis e livros em lançamento ou histórias institucionais e educativas porque não podem mais fazer publicidade infantil. Aí,  propagandas de produtos como de banho, brinquedos, etc, costumam sair mais na internet em redes sociais da MSP e com moderação. 

Para ver a primeira parte dos produtos de higiene, entre aqui:

. Propagandas de produtos de higiene da Turma da Mônica (Parte 1)

sexta-feira, 15 de setembro de 2023

Propagandas de produtos de higiene da Turma da Mônica (Parte 1)

Há 50 anos eram lançados os produtos de higiene clássicos da Mônica da "Phebo" e em homenagem mostro propagandas dessa linha de higiene que marcaram época. Dividi em 2 partes e nessa postagem reúno as propagandas da "Phebo" que circularam nos gibis dos anos 1970.

A linha de higiene da Mônica da "Phebo" foram lançados em 1973, consistia de sabonete, shampoo, talco, colônia, óleo, creme dental e escova de dente. Por muitos anos, foi só a "Phebo" que produzia os produtos de higiene deles. Curiosamente, foram os primeiros produtos comerciais da MSP feitos especialmente para crianças, sem contar bonecos das personagens. Antes, as personagens estrelavam propagandas na TV e nos gibis  dos produtos alimentícios da "Cica" e o Jotalhão estampava a embalagem do extrato de tomate, mas não eram alimentos só para crianças, e, sim, para família toda.

A primeira propaganda da linha de higiene da "Phebo" em gibis saiu em 1973 e para anunciar a novidade que ninguém conhecia ainda,  criaram essa propaganda em que uma criança, a Paula, viu primeiro a linha da Mônica e espalhou a notícia para todas as crianças, que correram para o supermercado para comprarem e todas adoraram. Uma boa propaganda e que ainda demonstra na prática o termo "viralizar" dos tempos atuais. E a propaganda também mostra foto com os produtos que lançaram inicialmente: shampoo, talco, sabonete, óleo, colônia e pasta de dente.

Propaganda tirada de 'Mônica Nº 43' (Ed. Abril, 1973)

Em 1974, a revista "Recreio Nº 257" da Editora Abril deu de  brinde um sabonete da Mônica quem comprava a revista. Então, fizeram essa propaganda anunciando o brinde falando que o Cascão não iria gostar, mas os leitores com certeza, iriam. E ainda teve foto da embalagem e do sabonete da Monica originais, a gente vê como era um sabonete de época e percebemos que mesmo em tamanho de amostra grátis já era bem grande. O brinde ajudou a tornar o produto conhecido por ter sido lançado pouco tempo e quem passava a conhecer, gostava e comprava nos estabelecimentos. Um bom marketing, imagino a revista que ficava perfumada, sendo embalada com o sabonete. 

Propaganda tirada de 'Mônica Nº 55' (Ed. Abril, 1974)

A revista "Recreio Nº 280" voltou a dar brinde da linha de higiene da Mônica, agora o brinde foi do creme dental e anunciaram a novidade nessa propaganda, do tipo do que aconteceria na próxima edição da revista. O Cebolinha foi até gentil com a Mônica a chamando de simpática só porque vai ganhar um brinde de creme dental dela. E mostraram foto do creme dental, que mesmo em tamanho de amostra grátis, bem grande também.

Propaganda tirada de 'Recreio Nº 279' (Ed. Abril, 1975)

Em 1976, teve a primeira propaganda individual do creme dental da Mônica, mostrando mais detalhes dele. Com sabor tutti-frutti, o diferencial desse creme é que tinha gosto de chiclete e dava até para fazer bola enquanto escovava dente. Bem inovador. Para crianças que não gostava de escovar dente, foi um grande incentivo, sem dúvida. Tinham preocupação de tudo se tornar brincadeira para as crianças. Propaganda foi estampada com o tubo do creme dental de época e noção do tamanho da bola que podia fazer enquanto escovava os dentes. Não informou quantos gramas tinha, mas era muito grande comparado a pastas de dente atuais.

Propaganda tirada de 'Mônica Nº 69' (Ed. Abril, 1976)

Em 1976, teve a propaganda individual do sabonete da Mônica, estampado com uma menina tomando banho com ele, ao lado do talco e shampoo da Mônica. Propaganda mostrava que era o sabonete das artistas da família, quem tomava banho com ele, era igualzinho aos banhos de espuma que víamos nos filmes de cinema, porque é puro, com perfume muito gostoso e faz bastante espuma. A criança vai fazer do banho a brincadeira mais legal do dia e a mamãe não vai reclamar porque o sabonete vai dar inveja a muita gente, deixando pele muito mais macia e natural do jeito que ela gosta. Ou seja, só vantagem quem tomava banho com esse sabonete e na foto da embalagem mostra que era sabonete bem grande e pesado, durando muito tempo.

Propaganda tirada de 'Mônica Nº 73' (Ed. Abril, 1976)

A nova propaganda do creme dental da Mônica foi lançada em 1976 mostrando várias crianças escovando os dentes com o creme e informando que além de deixar os dentes mais fortes, limpos e brilhantes, ainda vai sentir gosto de chiclé de bola, que vai poder dizer para todo mundo que masca chiclete e escova dentes ao mesmo tempo e se experimentar o creme dental, vai ser o melhor divertimento após o almoço e o jantar.

Propaganda tirada de 'Mônica Nº 76' (Ed. Abril, 1976)

Em 1976, tiveram os lançamentos da escova de dente da Mônica e do creme dental de sabor hortelã, que se juntaram com a linha de higiene da "Phebo" e, então, o creme dental agora com dois sabores: tutti-frutti e hortelã. Para anunciar a novidade, fizeram essa propaganda com uma historinha da mãe que comprou a escova para a filha, dizendo que tinha pontas arredondadas e não machuca a gengiva. E que ela comprou também o creme dental da Mônica de sabor hortelã. que era verdinho, gostoso, parecendo chiclete e faz até bola e pergunta para filha se vai deixá-la usar também e a filha deixa.

Propaganda tirada de 'Cebolinha Nº 46' (Ed. Abril, 1976)

Foram lançados os sabonetes com formato dos rostos das personagens em 1977. Fizeram sabonetes da Mônica, Cebolinha, Bidu e Horácio e vinham juntos em um estojo. Antes, só tinha sabonete da Mônica em formato tradicional e tinha um desenho dela de corpo inteiro segurando uma flor no centro. Esses sabonetes com formato das personagens, provavelmente com mesma fragrância, não duraram muito tempo, foram uma espécie de edição especial limitada. 

Na propaganda, mostra Mônica, Cebolinha, Bidu e Horácio tomando banho em uma banheira de espuma e informando o lançamento dos sabonetes e também o do estojo com 2 sabonetes da Mônica tradicionais, talco e shampoo e que seriam ótimas sugestões de presentes para dar de aniversário para criançada.

Propaganda tirada de 'Mônica Nº 86' (Ed. Abril, 1977)

Em 1977, teve a propaganda anunciando sabonete, shampoo e talco da Mônica. Lembraram que o sabonete era neutro, cheiroso e não irritava a pele, o shampoo limpava, deixava os cabelos macios e não ardia os olhos e que o talco deixava o corpo perfumado o dia todo e usando os produtos, a mamãe não vai mais lembrar que a orelhinha do filho estava suja ou as mãos não estavam limpas e a criança não vai mais fazer de conta que esqueceu da hora do banho. Foi ilustrada com os produtos com pernas como se estivessem correndo para o banheiro, segurando toalha, pente e escova para esfregar o corpo. Simples e bem criativa.

Propaganda tirada de 'Mônica Nº 94' (Ed. Abril, 1978)

Em 1978, teve a nova propaganda da escova de dente da Mônica e do creme dental. Informam que a escova era macia com pontinhas arredondadas e não machucavam as gengivas, que o creme dental a criança podia escolher entre os sabores de tutti-frutti (branco) e hortelã (verde), os dois com gosto de chiclé e quem usava os dois produtos, vivia sorrindo e com dentes bonitos. Foi estampada só com a foto do creme dental de hortelã e da escova de dente. Definitivamente, esse creme dental foi a sensação dos anos 1970, algo bem inovador para a época, anunciavam bastante esse.

Propaganda tirada de 'Mônica Nº 95' (Ed. Abril, 1978)

Como podem ver foram produtos muito bons que caíram no gosto da criançada, de fato eram muito cheirosos e dava gosto de usá-los, e as propagandas bem criativas que conseguiam despertar curiosidade e incentivar compras. Maioria delas dirigidas a crianças que achavam chato tomar banho e que usando os produtos elas iam tomar banho ou escovar dente brincando. Curioso que as propagandas dos anos 1970 tinham muito texto explicativo, não só especificamente dessas, mas todas no geral eram nesse estilo com textos grandes, a partir de meados dos anos 1980, deixaram propagandas com foco nas ilustrações. Em breve posto a segunda e última parte das propagandas de produtos de higiene da Mônica a partir dos anos 1980.

quarta-feira, 1 de março de 2023

Propagandas de Serviços Telefônicos da Turma da Mônica

Nos gibis dos anos 1990 tiveram várias propagandas de serviços telefônicos da Turma da Mônica que eram moda na época. Nessa postagem, então, reúno, todas essas propagandas que saíam bem frequentes nos gibis. 

Esses serviços "Tele" eram bastante comuns em vários segmentos e empresas e o Mauricio de Sousa entrou na onda. Basicamente a pessoa telefonava para o número indicado para ouvir notícias, informações e dicas sobre um determinado tema como tele piada, esportes, namoro, etc. Com a Turma da Mônica não foi diferente e normalmente as crianças ligavam para ouvir uma historinha de alguns minutos ou dicas sobre algum assunto de interesse para elas. O problema desses serviços que tinha cobrança alta na conta telefônica, seja valor da ligação normal ou então valor fixo cobrado por minutos. 

A estreia desses serviços foi o "Disque Mônica" em 1990 com o tipo "Disque 200" . Telefone normal, quem ligava, ouvia uma historinha com a Turma da Mônica. Esse serviço foi cobrado como uma ligação para a cidade de São Paulo. Quem morava lá pagava ligação local, mais vantajoso para eles, mas quem morava fora da capital de São Paulo ou em outro estado pagava ligação interurbana e tinha que digitar o DDD 11 antes do número. Esse serviço durou até final de 1991. 

Propagada tirada de 'Chico Bento Nº 121' (Ed. Globo, 1991)

Ao mesmo tempo dessa, também em 1990, lançaram o "Disque Pelezinho", também para a cidade São Paulo, e quem ligava, ouvia Pelezinho dando dicas de futebol, como seus segredos, como jogar, regras, informações,  truques e bastidores de todos os esportes. Cada dia tinha algo novo para incentivar ligação todos os dias. Assim como o "Disque Mônica", o custo era valor de uma ligação local de minutos para quem morava na cidade de São Paulo e pagava interurbano para quem morava em outra cidade do estado de São Paulo ou outros estados do Brasil. Serviço durou até final de 1991.

Detalhe do Pelezinho estampado na propaganda como um adolescente de 12 anos, pois a MSP tinha planos de criar gibis do Pelezinho adolescente, anunciado no livro especial "Pelezinho 50 Anos de Pelé", mas que esse projeto acabou ficando só no papel  e nunca lançaram, no máximo, mudaram traços, colocando lábios normais nele, tirando o círculo rosa da boca no 'Gibizinho do Pelezinho Nº 24' de 1992, mas as histórias são com ele criança como sempre foi.

Propagada tirada de 'Cascão Nº 123' (Ed. Globo, 1991)

O serviço "Cebolinha dá o toque" foi lançado em 1992, também com o tipo "Disque 200". Consistia em dar dicas de lazer para a criançada e terem a sua agenda cultural. Quem ligava, ouvia o Cebolinha mostrando dicas de shows, estreia de filmes nos cinemas, peças teatrais, passeios turísticos e outras opções de divertimentos infantis na cidade de São Paulo. Vantajoso para os paulistanos porque as dicas eram só para eventos na cidade, quem não era de lá, desperdício total de ligação, com exceção de notícia de lançamento de filmes nos cinemas. Custo também de ligação local para a cidade de São Paulo e interurbano para outras cidades e outros estados. Esse serviço durou até em 1993.

Propagada tirada de 'Chico Bento Nº 152' (Ed. Globo, 1992)

Junto com esse, foi lançado também em 1992 o serviço "Disque 200" "Alô Bidu Disque Bichinho". Quem ligava ouvia o Bidu mostrando dicas de alimentação, higiene e cuidados com os bichinho de estimação. Valia para qualquer bicho como cães, gatos, passarinhos, tartarugas, etc, sempre tinha dicas diariamente para diferentes animais. Também com custo local para quem ligava da cidade de São Paulo e interurbano para outras cidades e outros estados. Serviço durou até em 1993.

Propagada tirada de 'Chico Bento Nº 154' (Ed. Globo, 1992)

Em 1993 começou a vigorar o "Tele 900" no Brasil e criados os novos serviços telefônicos. Tiveram "Tele Mônica" e "Tele Chico Bento" e cada um deles as crianças podiam ouvir historinhas, assim, "Tele Mônica" com historinhas da turma dela e "Tele Chico Bento" com as da turma dele. Na propaganda convidam para ligarem para os serviços "Tele" deles se as crianças estavam cansadas de ouvir as mesmas histórias que a vovó contava. Ainda tinha o critério de foco na cidade de São Paulo com custo de ligação local e interurbano para outras cidades paulistas e de outros estados. Esse serviço durou até em 1995.

Propagada tirada de 'Chico Bento Nº 174' (Ed. Globo, 1993)

Em 1994 foi lançado o "Tele Cebolinha", dessa vez, diferente do anterior, quem ligava, ouvia uma historinha dele. Cada dia uma nova. Agora, já com plano Real em vigor no Brasil e forma de cobrança telefônica diferente em todos os serviços "0900", passou a ter abrangência nacional ligando sem precisar digitar DDD 11 e um valor fixo de R$ 1,59 a cada minuto de ligação. Com isso, saía mais caro do que se cobrasse uma ligação local ou interurbana. Os "Tele Mônica" e "Tele Chico Bento", que ainda existiam, também passaram a ter cobranças assim como todos os "Tele 900" que existiam no Brasil. "Tele Cebolinha" durou até em 1995.

Propagada tirada de 'Magali Nº 145' (Ed. Globo, 1995)

Ao mesmo tempo, também em 1994, foi lançado o "Tele Cascão" para ouvirem historinhas dele. Com mesmo estilo de "Tele 900" atual de abrangência nacional e valor fixo de R$ 1,59 a cada minuto. Tão caro, que para se ter uma ideia, um gibi da Mônica custava R 1,50 na época, bem mais vantajoso comprar um gibi para o filho que ficava mais tempo se divertindo lendo várias histórias do que gastar com ligação desse tipo só para ouvir uma historinha. Com isso, eles estavam disponibilizando 4 serviços "Tele 900" ao mesmo tempo naquele momento, um para cada personagem. "Tele Cascão" durou até em 1995.

Propagada tirada de 'Magali Nº 145' (Ed. Globo, 1995)

Em 1998 voltaram com esse serviço com o lançamento do "Tele 900 da Mônica". Dessa vez para ouvirem histórias da Turma da Mônica toda e não só de um personagem específico, cada dia uma nova. Continuou como abrangência nacional e o valor de cobrança telefônica subiu para R$ 2,95 a cada minuto que durava a ligação. Bem mais caro, visto que um gibi da Mônica na época custava R$ 2,20. Esse serviço durou até em 1999.  

Propagada tirada de 'Magali Nº 249' (Ed. Globo, 1998)

A partir de 1999, a Justiça proibiu esses serviços "Tele 0900" no Brasil por serem abusivos financeiramente e, assim, todos foram cancelados e a MSP foi obrigada a terminar. O que não adiantou muito, já que a partir daí, operadoras de celulares passaram a fazer serviços temáticos semelhantes por SMS, a pessoa faz inscrição e recebe as dicas diariamente por SMS e tem uma cobrança diária ou semanal do serviço que escolheu cobrado no seu pacote telefônico ou descontado no pré-pago. Esses serviços existem até hoje e se a pessoa não tem cuidado, assina sem querer através de mensagens que as operadoras enviam. Pelo menos nesse estilo, a MSP não fez parcerias com elas desde que foi implantado. Curioso que nunca fizeram um "Tele" para Magali, poderiam ter feito um com ela falando sobre alimentação, nutrição e dicas de restaurantes.

Deu para ver que foi um serviço bem caro e desnecessário porque dava para ler gibis em vez de ficar ouvindo historinhas por telefone, um pouco melhor os que deram dicas de lazer, esportes e cuidados com animais de estimação, já que na época não tinha internet e dependeria de jornais impressos fazerem matérias informando, mesmo assim, não valia a pena telefonar por causa disso. A maioria das propagandas tinha ilustração bonita e bem atraentes e pelo menos informavam que tinha cobrança telefônica para as crianças ficarem cientes e não ficarem ligando sem permissão dos pais.  

domingo, 22 de janeiro de 2023

Os 50 Anos da Revista do Cebolinha

A revista 'Cebolinha' comemora agora em janeiro de 2023 a marca histórica de 50 anos no Brasil. Nessa postagem mostro como foi a trajetória e curiosidades da revista do Cebolinha ao longo dos seus 50 anos e também como foi a sua revista "Nº 1" da Editora Abril.

Após Mônica ganhar a sua revista em 1970, Cebolinha foi o segundo personagem a ter a sua lançada em 26 de janeiro de 1973. Ele tinha algumas histórias solo nas revistas da Mônica, MSP recebia pedido de muitas crianças para criarem revista do Cebolinha e viram que tinha potencial, ainda mais que a demanda de histórias produzidas estava aumentando até então. Essa data de 26 de janeiro foi oficializada por conta da capa de 'Mônica 33', de janeiro de 1973, que avisavam sobre o lançamento da revista dele.

Capa 'Mônica Nº 33' (1973) anunciando lançamento da revista do Cebolinha

Nesses 50 anos, 'Cebolinha' passou por 3 editoras diferentes: Abril, Globo e Panini, totalizando 608 edições até nesse mês de janeiro de 2023, somando as 3 editoras. A cada troca de editora, a numeração foi reiniciada. Na Editora Abril foi até em dezembro de 1986, até o "Nº 168". A partir de janeiro de 1987 a coleção foi para a Editora Globo, durando 246 edições. Desde janeiro de 2007 está na Editora Panini, sendo que depois que chegou a edição "Nº 100", em abril de 2015, e na "Nº 70" em fevereiro de 2021, resolveram iniciar numeração novamente na mesma editora nos meses seguintes porque a MSP acha que cada geração de leitores deve ter uma edição "Nº 1" na sua coleção, e, com isso, com 100 edições mais 70 edições da segunda série e mais 24 na terceira série, totalizam 194 gibis na Panini até esta data.

Propaganda da Revista do Cebolinha (1978)

Em relação a distribuição, nos anos 1970, 'Cebolinha' chegava mais para o final de cada mês e 'Mônica' no começo. Nos anos 1980, provavelmente depois do Nº 100 da Editora Abril, 'Cebolinha' passou a chegar início de cada mês e Mônica mais para o final. Isso continuou por boa parte da Editora Globo até março de 2003, quando as revistas do Cascão, Chico Bento e Magali passaram a ser mensais e aí todas passaram a chegar juntas nas bancas.

Curiosamente, 'Cebolinha' não teve revista lançada pela Editora Abril em janeiro de 1978, com a sua edição "Nº 61" saindo apenas em fevereiro de 1978. Seguiu assim de uma edição ímpar terminando cada ano sequente e a situação voltou ao normal só em maio de 1981, quando as edições "Nº 100" e Nº 101" saíram naquele mesmo mês, e, com isso, permitiu terminar a coleção da Editora Abril em 1986 com a "Nº 168" normal, seguindo a matemática de 12 edições por ano em 16 anos. Nunca foi revelado o motivo da ausência da revista em janeiro de 1978, quem sabe por causa da demanda da revista do Pelezinho que estava recém lançada, apenas hipótese, quem colecionava na época deve ter sentido muito ficar um mês sem ler revista do Cebolinha.

Propaganda da Revista do Cebolinha (1988)

As suas capas na Editora Abril prevaleciam referência à história de abertura, o que diferenciava da Mônica que tinham piadinhas prevalecendo nas capas. A partir dos últimos gibis da Editora Abril de 1986 e por todo o período que esteve na Globo as capas do Cebolinha prevaleceram piadinhas com as características dos personagens, e só algumas com referência à história de abertura quando elas eram importantes. Quando mudaram para a Editora Panini, todas as capas voltaram a fazer exclusivamente alusão à história de abertura, a partir da edição "Nº 3", de março de 2007 e passaram a ter efeitos de sombra e luz para modernizar. 

Propaganda da Revista do Cebolinha (1991)

O logotipo nunca mudou messes 50 anos, porém a partir da edição "Nº 200" de fevereiro de 2003 da Globo, passaram a ter adaptação, ajustando o rosto da personagem ao lado do logotipo como uma forma de melhor identificação dos personagens nas bancas. Na 1ª série da Panini, mudaram os desenhos colocando também braços das personagens, na 2ª série a partir de 2015 o logotipo voltou a atingir a largura inteira dos gibis e colocam uma imagem da personagem de corpo inteiro já existente de revistas anteriores e em miniatura. E na 3ª série a partir de 2021, logotipo ocupou largura do gibi sem miniaturas dos personagens, só que em estilo 3D.

Algumas capas da Editora Abril

Em relação a formato da revista, até a edição "Nº 84" da Editora Abril, de janeiro de 1980, tinha um formato maior na altura, medindo 13,5 X 20,5 cm, formato canoa e 68 páginas. A partir da edição "Nº 85", de fevereiro de 1980, o formato passou a medir 13,5 x 19 cm, seguindo a padronização de todos os gibis em circulação no Brasil, tanto os da Editora Abril quanto de outras editoras naquele mês. 

Seguiu com 68 páginas até em abril de 2016, quando no mês seguinte, na edição "Nº 13" da 2ª série da Panini, a revista passou a ter 84 páginas e formato lombada. Em março de 2021, com a 3ª série da Panini, a revista perdeu lombada, voltando a ter formato canoa, mas com 84 páginas. Continuou mensal de janeiro de 1973 até em dezembro de 2022, até que em janeiro de 2023, na edição "Nº 23", a revista passou a ser quinzenal, formato canoa e redução para 52 páginas. Justamente quando completou 50 anos, Cebolinha teve regresso de formato na sua revista. 

Apesar de ter sido formato canoa até em 2016, a revista teve lombada na Editora Abril em 2 ocasiões nas edições especiais "Nº 100", de 1981, com 100 páginas no total e "Nº 120", de 1982, com 132 páginas, por causa que teve junto o relançamento de 'Cebolinha Nº 1' em comemoração aos 10 anos da revista até então.

Algumas capas da Editora Globo

Na Editora Abril, entre 1983 a 1985 maioria das edições não tiveram tirinhas no final porque a Editora Abril resolveu colocar propagandas diversas no lugar em gibis de todos os segmentos. Lá também foi marcada por brindes, como cartões, agendas, marcadores de livro, papéis de cartas, entre outros, que incrementavam mais as revistas. Depois na Globo e Panini isso foram raros de acontecer.  Já em relação a seções sem ser histórias na época da Editora Abril, a única foi a de crianças mandarem desenhos para serem publicados nos gibis, além de passatempos e seções de cartas, que estas prevalecem ate hoje.

Na mudança para a Editora Globo teve curiosidade que as revistas da MSP "Nº 1" chegaram atrasada nas bancas, chegando de um mês para outro, por conta de problemas na impressão das revistas e ainda seguiram atrasadas alguns meses depois. Entre os anos 1997 a 2002, a revista teve 13 edições por ano, ao invés de 12, e, assim, acabou tendo 246 edições ao invés de 240, pois a revista ficou exatos 20 anos na Globo.

Edições especiais da Editora Panini

Os traços nas primeiras edições eram bem primários, com personagens com bochechas pontiagudas, porém já começando a ter alguma certa diferença comparando às revistas de 1970 e 1971 da Mônica e ao longo dos anos o público pôde acompanhar todas as evoluções de traços bem gradual, a ponto dos leitores nem perceberem que estavam sendo mudados os desenhos e já estavam bem diferentes no final dos anos 1970 e foram mudando ainda mais gradativo até chegar a fase consagrada dos anos 1980 e 1990. Apesar de manterem a base dos traços, ultimamente já encontra diferenças, deixando tudo digital e bem artificial, com desenhos sem vida e parecendo carimbo.

Capas "Nº 1": Abril (1973), Globo (1987), Panini (2007), Panini (2015), Panini (2021)

Histórias do Cebolinha foram focadas nas suas personalidades, ponto alto foram provocações com a Mônica e planos infalíveis para derrotar a Mônica e se tornar dono da rua que sempre davam errado, principalmente com Cascão entregando os planos no final. Além disso, tiveram também histórias marcantes envolvendo sua dislalia de trocar o "R" pelo "L", sobre seus 5 fios de cabelo, contracenando com os pais, sua irmã Maria Cebolinha e o Floquinho, formando uma família bem carismática, fora contracenar bastante com Cascão com brincadeiras diversas e com seus amigos da turma. Só que infelizmente hoje em dia os personagens estão com características descaracterizadas, tudo para atender ao politicamente correto que predomina mundialmente nos últimos anos. Já nas suas primeiras revistas, Cebolinha falava errado com letras em negrito, diferente das edições da Mônica até em meados de 1972 em que ele trocava letras entre aspas.

Capas "Nº 100": Abril (1981), Globo (1995), Panini (2015); Nº 200: Globo (2003)

Com Cebolinha, teve a estreia do Louco em seus gibis, sendo que nos anos 1970 ele podia contracenar com Cebolinha nas revistas dele, com a Mônica nas revistas dela e algumas vezes com Bidu, podendo sair em qualquer revista. A partir dos anos 1980, o Louco passou a contracenar só com o Cebolinha, fazendo parte da turma dele, com algumas exceções contracenando com outros personagens. O Seu Juca também por um bom tempo aparecia mais nos gibis do Cebolinha, apesar de ter começado com a Mônica, mas depois que ficou sumido e voltou, pode aparecer em qualquer revista. Capitão Feio também tinha bastante destaque nas revistas do Cebolinha dos anos 1970, mas depois ficou mais nas revistas da Mônica e do Cascão quando ele teve sua revista.

A revista sempre englobou histórias de todos os seus núcleos de personagens secundários criados até então, como Tina, Astronauta, Turma da Mata, Chico Bento, etc, não são só histórias do Cebolinha, mas tendo mais destaque com as histórias dele. Também acompanhamos todas as evoluções de gírias, de estilos musicais e artistas em evidência, de comportamentos sociais, até evoluções das moedas e preços nas capas são interessantes observar, até chegar a inclusão digital nos dias de hoje. É que a MSP sempre teve preocupação em adaptar as histórias ao que acontecia na atualidade. 

Verdadeiras capas Nº 100 (1981), Nº 200 (1989), Nº 300 (1997), Nº 400 (2005), Nº 500 (2014), Nº 600 (2022)

Sobre a edição "Nº 1", capa com o Capitão Feio para demonstrar que teriam aventuras nas revistas do Cebolinha, mas Capitão Feio ainda não apareceu em nenhuma história nessa edição, capas com alusão à história de abertura começariam a partir da edição "Nº 3". Essa revista teve 16 histórias no total, incluindo a tirinha final, e histórias com secundários do Anjinho, Tina com Rolo, Pipa, Bidu e Horácio.

Teve algo curioso de ter uma história de 1 página na página 2 da revista no lugar de uma propaganda e antes da história de abertura principal. Nela, Cebolinha está diante de um Eco e fica gritando cebola para ele repetir. Tem uma hora que o Eco se cansa e joga uma cebola de verdade para ele. Na reedição de 'Cebolinha Nº 120' (Ed. Abril, 1982) essa história não foi republicada, mas na 'Coleção Histórica Nº 1' de 2007 foi republicada normalmente.

HQ do Cebolinha

"Cebolinha bem à vontade", com 6 páginas, foi a primeira história desenvolvida em sua revista. Nela, Cebolinha nota que tem uma pulga atrás da orelha enquanto conversava com o Cascão. A pulga desce para camisa, depois para bermuda, Cebolinha tira tudo e fica pelado. Na hora, Mônica aparece e Cebolinha se esconde atrás da cerca mandando Cascão entregar sua roupa lá. Mônica convida Cascão pra tomar sorvete e ele abandona tudo, deixando Cebolinha esperar por horas.

Trecho da HQ "Cebolinha vem à vontade"

Ao ver que Cascão vacilou, ele tenta pegar a roupa no chão enrolado com jornal, mas dá ventania, jornal sai voando, fica pelado de novo e volta para cerca. Vê um mendigo passando, manda pegar a roupa, mas o mendigo fica com a roupa dele. Espera anoitecer para buscar a roupa, dorme, dois operários desmontam a cerca e ele fica pelado no chão. Duas mulheres veem lá e aproveitam para fazer palanque político para vestir o menino nu diante da imprensa. Cebolinha acorda com o barulho e se espanta todos vendo pelado e foge com vergonha. No final, ele é manchete de capa de todos os jornais e Mônica reclama a maneira de aparecer nos jornais e pergunta se ele não tem vergonha. 

O grande culpado do Cebolinha passar o sufoco foi o Cascão, que não custava entregar a roupa dele na cerca antes de tomar sorvete, Mônica também sua parcela de culpa. Se Cebolinha deixasse a Mônica vê-lo pelado e levado surra, seria menos vergonhoso e traumático do que sair nu em capa de todos os jornais. Engraçado o trocadilho "pulga atrás da orelha", expressão de ter alguma dúvida pertinente com o fato de ter pulga de verdade. Hoje, completamente impublicável por aparecer Cebolinha pelado e todo constrangimento que passou, além de palavras proibidas "bandido", "azar" e "Droga!".

Trecho da HQ "Cebolinha vem à vontade"

Depois vem Anjinho com uma história sem título e com 4 páginas, em que ele tem um dia de azar com problema de se acomodar para dormir, primeiro afunda em uma nuvem, depois pega uma tempestade com raio caindo sobre ele, depois uma pássara se apaixona por ele e dá bicadas ao ser recusada. No chão, leva uma tijolada do Cebolinha, bate cabeça em um poste e tropeça em uma pedra. Estranha que tudo deu errado nele, mas comemora que tudo de ruim já aconteceu e não vai ter mais azar, só que no final, cai em um buraco, contrariando o seu pensamento. Proibida hoje por ter azar e certas violências ou sofrimentos como tijolada, levar raio na cabeça, etc.

Trecho da HQ "Anjinho"

Na história da Tina, sem título e com 2 páginas, ainda na sua fase hippie, Tubírio Fagundes, se apresenta a Tina e Rolo como criado deles. Rolo pergunta se vai tirar fotografia, ir a batizado ou casamento para estar usando terno. Tubírio pergunta o nome deles e depois de Rolo falar "qual é a sua", Tubírio pergunta se é sua idade, altura. Rolo responde cheio de gírias e Tubírio não entende. Tina acha maldade e o leva para conhecer a turma e no final Tibério pergunta se o Rolo é estrangeiro, que ele não sabe falar a Língua Portuguesa e ele terá o máximo prazer de ensiná-lo.

Mostra contraste da cultura hippie com intelectuais. Histórias dessa fase gostavam de mostrar esse contraste, de como os hippies eram diferentes da sociedade padrão conservadora. Gírias como "ô meu", "meu chapa", abreviação como "seguin", "negó", tudo não aceitavam. Interessante que até início dos anos 1970 usavam terno pra tirar foto, tinha toda cerimônia pra tirar fotos que eram só em momentos muito especiais. Foi uma das primeiras histórias com Rolo, havia estrado 2 meses antes, em 1972, com intenção de fazer dupla com a Tina apoiando a cultura hippie e que depois de 1974, com os hippies perdendo força, os dois passaram a protagonizar histórias envolvendo humor pastelão e como adolescentes agindo como crianças grandes.

HQ da Tina

Depois vem Mônica, com história muda "Roda, pião", de 3 páginas, em que ela tem problema para conseguir rodar um pião. primeiro pião bate na árvore e volta na poça d'água fazendo molhá-la, depois o pião afunda com a força que ela usa, depois o pião sobe e volta, caindo na cabeça dela e ainda faz espetar mão dela ao segurar, ela solta para o alto e cai de novo na cabeça dela. Cebolinha aparece e  faz rodar pião direitinho e Mônica bate nele no final. Mônica era autoritária, invejosa, se  pessoas se davam bem e ela não, batia no outro. Provavelmente, era pra sair em revista da Mônica e remanejaram para revista do Cebolinha, até por ele ter aparecido no final.

Trecho da HQ "Roda, pião"

Em "Pipa na TV", com 6 páginas, Pipa é convidada para ser jurada no Programa Silvio Santos com júri formado só por adolescentes. Já no programa no ar, Silvio apresenta os jurados e depois chama o cantor "Antonico Marcos" (Antônio Marcos) para cantar. Pipa pede autógrafo enquanto ele canta, Silvio fala que ela gosta muito do Antonico Marcos e ela aproveita pra reclamar que a cadeira é muito dura e Silvio chama os comerciais.

Trecho da HQ "Pipa na TV"

Fora do ar, Silvio Santos combina que Pipa fique no seu lugar e só fala ou faz algo quando ele mandar. Pipa diz que ele não é seu pai para ficar mandando nela e pede para trocar de cadeira. Já no ar, Silvio pergunta o que as juradas acharam do quadro apresentado. Pipa diz que achou uma abotoadura no chão e ele chama os comerciais. Fora do ar, reclama que ela está pra julgar os quadros e não procurar abotoaduras. No ar, Pipa grita de emoção ao ver o cantor "Jerri Adriano" (Jerri Adriani). No final, Silvio pergunta o que ela achou do programa, ela acha que era ensaio, o fazendo desmaiar e no final, na rua, Tina fala que Pipa deu vexame ontem e ela diz que quem deu foi o animador desmaiar na frente de todos no final do programa.

Pipa fez Silvio Santos passar vergonha com os deslizes dela no programa ao vivo, sem saber que estava sendo inconveniente, seja mostrando defeitos de bastidores ou tietando os cantores famosos ao vivo. A Pipa tinha estreado em 1972, 2 meses antes, e seguia uma característica de jovem careta se opondo a onda hippie de Tina e Rolo e se fazendo de boba e ingênua em coisas obvias como foi nessa história. Legal ver os cantores Antonio Marcos e Jerri Adriani em evidência nos anos 1970 e seus nomes parodiados e Silvio Santos não teve nome revelado, só foi falado como animador. Coincidência do Silvio Santos aparecer tanto em 'Mônica Nº 1' quanto em 'Cebolinha Nº 1'.

Trecho da HQ "Pipa na TV"

Em "Uma história muito louca", com 5 páginas, marca a estreia do Louco nos gibis. Ele foge do hospício e o Cebolinha é o primeiro que ele vê e faz suas loucuras como fazer procurar algo que não existe, cavar chão para que eles fiquem plantados como uma árvore, confundir placa de trânsito como flecha ao fugir de policial, Louco pensar que foi atingido por flecha, mas a sua medalha o salvou e achar do nada que o Cebolinha é penetra de uma festa. Aparecem dois homens do hospício fingindo que a festa é pra lá para o levarem de volta, Cebolinha pergunta se pode visitar o Louco e eles dizem que é para levar um tomate para jogarem fora e Cebolinha fica sem entender nada.

Esteia do Louco e história seguiu o lado nonsense de como eram suas histórias, nada com nada. Até que por muitos anos seguiram o mesmo estilo de história, nos últimos anos que amenizaram as loucuras e o Louco é muito amigo do Cebolinha, que nem se assusta mais com as loucuras dele. Louco foi criado pelo irmão do Mauricio, o Marcio Araujo, e inspirado no visual do desenhista Sidão do estúdio.

Trecho da HQ "Uma história muito louca"

Em "A gênia", de 3 páginas, Cebolinha acha uma lâmpada maravilhosa e sai uma gênia de lá, que vai satisfazer 3 desejos deles. Cascão vê e quer negociar para que ele faça pedidos no lugar do Cebolinha. Só que com muitas trocas de seus pertences, Cascão acaba pedindo todas as coisas que ele tinha como coleção de tampinhas, pião, carrinho vermelho, álbum de figurinhas, etc, e que foram dadas para o Cebolinha para ele ter direito aos pedidos. Ou seja, não precisava fazer negociações e ainda Cebolinha ficou sem poder fazer seus pedidos. Interessante que foi uma gênia mulher em vez de homem, fez diferenciar.

Trecho da HQ "A gênia"

Em "A invocação", de 4 páginas, Cebolinha encontra a Mônica invocada e tenta tirar a brabeza dela, mas tudo dar errado. Mostra o dia lindo e começa a chover, se protegem embaixo da árvore e cai raio na cabeça dele, vê a Maria Cebolinha brincar e ela dar martelada no pé dele. Cebolinha é que fica invocado e Mônica faz a mesma coisa no final de animá-lo apresentando o céu lindo. Mais uma mostrando azares dos personagens, coisas incorretas como ser atingido no raio, bebê com martelo na mão e dar pancada no Cebolinha não fazem mais nos gibis.

Trecho da HQ "A invocação"

Em "Bidu, o homem da carrocinha vem vindo!", com 4 páginas, Bidu tenta enfrentar o homem da carrocinha, o faz pisar em casca de banana, Bidu pega a rede e joga no abismo. O homem cai no abismo ao tentar atacar o Bidu e se segura no galho. Bidu pega uma corda para salvá-lo e depois o homem volta a correr atrás dele com o laço da corda, que fica presa em um galho de árvore. Bidu vai até o abismo e pega a rede para que ele corra da forma tradicional. Mostra que Bidu gosta de correr do homem da carrocinha já que no momento que a corda ficou presa no galho, tinha se livrado dele. Palavra "diacho!' é proibida hoje  e o tipo de história de cachorro perseguido por homem da carrocinha também.

Trecho da HQ "Bidu, o homem da carrocinha vem vindo!"

Na história do Horácio, de 2 páginas, Lucinda não ouve Horácio a chamando, ele grita e ela reclama que não é surda e sempre tem atrevido quando ela está passeando e todos os machos são atrevidos que não podem ver uma jovem desacompanhada. Horácio pede desculpas e avisa que não vai falar mais assim com ela na rua e no final os dois ficam tristes com a situação.

Nessa, Mauricio de Sousa quis mostrar que Lucinda queria se passar de difícil, mas seu plano acabou afastando o Horácio ainda mais dela e ele triste até por perder amizade dela. Na época não era muito comum histórias curtas de 2 páginas com Horácio, acabou sendo frequente a partir dos anos 1980, quando Mauricio estava sem muito tempo de criar histórias dele para os jornais. A Lucinda aparecia sem lábios nos primeiros anos, depois que mudaram, ficando melhor com lábios.

HQ do Horácio

Depois, vem um tabloide com Cebolinha que ele acha que está saindo um calor no chão e vai jogando água até sumir a quentura. Até que no final, aparece um Diabo pedindo um fósforo pra ele para voltar esquentar o Inferno. Cebolinha não sabia que o buraco era a entrada do Inferno e se espanta. Histórias assim com Diabo completamente impublicável.

HQ do Cebolinha

Em "Mônica Ato I", com 6 páginas, a turma brinca de teatrinho, chegam atrasados no outro dia, Cascão fala que "os bons" sempre chegam depois e aí eles falam por isso que queriam chegar atrasados. Começa o ensaio, Cascão é o bruxo, Mônica, a princesa e Cebolinha, o camponês, que tenta salvar a princesa do bruxo, só que os meninos fazem adaptações como Cascão dizer que fica com joias para tomar sorvete, Cebolinha pedir esmola e mandar levar sal de frutas para os ratos que devorariam a princesa.

Cascão quer entregar a princesa sem luta, Mônica não aceita, têm que lutar por ela, disputarem a princesa linda e frágil. Os meninos riem de falar de linda princesa e no final ela corre atrás dos meninos para bater e Cebolinha tenta lembrar que ela é uma linda e frágil princesa. Típica história mostrando brincadeiras e diálogos das crianças, era um estilo nos anos 1970 de terem histórias longas, mostrando conversas e brincadeiras entre as crianças, um pouco mais de enrolação. Era um tipo de histórias que eu não gostava muito dessa fase.

Trecho da HQ "Mônica Ato I"

Anjinho tem outra história, agora de 1 página, em que ele procura uma nuvem para deitar, encontra uma pequena demais, aí ele enche como balão inflável e ela cresce do tamanho ideal para ele se deitar.

HQ do Anjinho

Em "Bichinhos de estimação", de 6 páginas, Cascão tem um porquinho de estimação e quer disputar com o Floquinho do Cebolinha qual é o bichinho mais inteligente. Cada um conta vantagem do que seu bichinho faz como pegar pedaço de pau, se deitar e forma de andar. Mônica ordena que mostrem os bichos façam o que sabem fazer senão eles apanham. Aí, Cebolinha manda Floquinho pegar pedaço de pau, ele vai e não volta e Cebolinha diz que aprendeu só a primeira parte do truque e Cascão fala que o problema do porquinho dele é que só sabe voltar. Cebolinha dá ideia de juntar os dois, aí teriam o truque completo. Mônica diz que falaram tanto de truques de cachorros e ela quer ver qualquer um que seja e agora quer que façam truque de qualquer jeito, então ela manda Cebolinha e Cascão agirem como cachorros e eles próprios pegarem os pedaços de pau.

Na verdade, os bichos sabiam fazer nada, eles só iam contar vantagem, mas não contavam que Mônica com seu estilo super autoritário ia se intrometer, ordenando que eles façam os truques. Afinal, os meninos tinham que fazer o que ela mandava, tinha que ser tudo do jeito que ela queria. Incorreto por esse autoritarismo exagerado da Mônica e meninos agindo como cachorros no final. Foi a estreia do Chovinista nos gibis, só que ainda sem nome, ele passou a ter nome só depois de alguns anos. 

Trecho da HQ "Bichinhos de estimação"

A revista termina com a história "O escritor", com 6 páginas, em que o Cebolinha resolve ser escritor e quando tem inspiração, resolve escrever nos muros na falta de um papel disponível. O dono do muro aparece, Cebolinha pede para ele emprestar o muro para levar à editora e depois devolve. o dono faz Cebolinha e Mônica limparem o muro e Cebolinha reclama que isso que dá em escrever em muro de gente que não tem sensibilidade literária.

Depois, Cebolinha fala que vai escrever livro contra donos de muros e o mundo saberá porque não começou cedo sua carreira artística. Fará campanha para que possam escrever, pintar, desenhar e rabiscar em muros e faz discurso atraindo muitas crianças ao seu redor e é aplaudido. Aparecem homens do Sindicatos dos Pedreiros apoiando a causa do Cebolinha, que fica feliz por ser um orador da pesada e desiste fazer livros e virar discursador. No novo discurso ninguém aparece, só Mônica ouve até de noite. Cebolinha fica rouco, Mônica manda falar mais alto, cada vez mais ela grita dando ordem e termina os dois mudos, sem conseguirem falar nada. Incorreta hoje por mostrar escrevendo em muros, mesmo sendo por boa causa e Cebolinha precisando limpar depois, hoje eles rabiscam em cartazes nos muros.

Trecho da HQ "O escritor"

Tirinha no final foi com a Mônica, que pisa em uma casca de banana, voa direto em um carrinho do Cebolinha, que diz que e soubesse sairia com um carrinho maior já que ela se machucou. Colocaram uma tirinha da Mônica provavelmente por ter sido em cima da hora, mostra até que é um pouco mais antiga até então já que o Cebolinha fala errado com parênteses e naquela altura, já colocavam em negrito quando trocava o "R" pelo "L". Foi estreia de tirinha nesse formato vertical ocupando uma coluna, começado com 'Mônica Nº 33', de janeiro de 1973, pois até em dezembro de 1972, colocavam tabloides na última página no lugar de tirinhas. Em Cebolinha Nº 120', por alguma razão não republicaram essa tirinha, colocando uma propaganda da revista do Cebolinha ocupando meia página vertical.

Tirinha da edição

Podem ver que foi um gibi legal, com quase todas as histórias incorretas par aos padrões atuais, todas curtas até 6 páginas no máximo o que fez ter várias na mesma revista. Vimos que gostavam de mostrar personagens tendo azar, dando tudo errado para eles, foram 3 histórias assim nessa edição, a Mônica era esquentada e autoritária demais, querendo bater se não fizessem o que ela queria e fazendo jus o fato de ser dona da rua, com várias histórias assim mostrando essa personalidade. Divertido ver estreias do Louco e do Chovinista, e percebemos que Magali não apareceu nessa edição, ela aparecia pouco nas revistas do Cebolinha, aparecia mais nas da Mônica.

Teve depois mais 2 relançamentos. Como já dito, a primeira foi em 1982 como parte integrante da edição "Nº 120" da Editora Abril em comemoração ao 10 anos da revista até então. A edição teve lombada com 132 páginas, sendo a metade da revista com histórias inéditas e no final a reedição da "Nº 1" sem as propagandas originais, mostrando só as histórias. Depois foi relançada em 2007 como parte integrante da "Turma da Mônica Coleção Histórica", junto com as outras "Nº 1" de outros personagens, sendo que sem as propagandas originais e no lugar colocaram comentários do roteirista Paulo Back e corrigindo erros de cores originais e certas alterações em relação à original. E MSP promete um novo relançamento em 2023 desta edição com o livro de luxo em capa dura "Biblioteca do Mauricio - Cebolinha 1973", reunindo todas as história das revistas dele de 1973 em um mesmo livro. 

Cebolinha Nº 1 (Ed. Abril, 1973); reedição de Cebolinha Nº 120 (Ed. Abril, 1982); Nº 1 (Coleção Histórica, Panini, 2007)

Na "Coleção Histórica de 2007" infelizmente tiveram alterações. Na história "Cebolinha bem à vontade", alteraram palavra "Droga!" por "goiaba!". Sempre achei estranho esse goiaba no texto e quando conferi foi alteração ridícula porque a palavra "Droga!" não pode nos gibis. E ainda mudaram reticências por exclamação no final do balão. Sem noção.

Comparação de alteração HQ "Cebolinha bem à vontade"

E simplesmente alteraram os desenhos em Toda a história "Bichinhos de estimação". Algumas vezes eles tinham mania de redesenharem as histórias sem motivo aparentemente. Nessa página que destaquei, desprezando as cores de fundo que foram trocadas em 'Cebolinha Nº 120', dá pra ver que cabelo do Cascão ficou mais preenchido na CHTM, enquanto na original era mais fino, no 2º e 3º quadrinhos colocaram curvas de movimento na Mônica, no 3º quadrinho tiraram pálpebras do Cascão, gramas com ondulações diferentes, são os detalhes mais evidentes, mas desenhos como todos mudados. Custava nada manter os desenhos originais. Alterações assim eram muito frequentes, tira a essência, mesmo se a edição original estaria com deformações, eles têm outras cópias da mesma edição e último caso, tirariam de almanaques que foram republicados. Abaixo a comparação.

Comparação de alteração HQ "Bichinhos de estimação" (toda redesenhada)

A revista 'Cebolinha' chega aos 50 anos em 2023 sem edição comemorativa para a data. A edição atual "Nº 23" passou a data em branco, e ainda teve regresso passando a ser quinzenal com 52 páginas. Pelo menos podia ter uma capa comemorativa e um frontispício original ou um selo na capa, só que seguiu tudo normal.

Sem dúvida uma marca histórica que a revista 'Cebolinha' atingiu, não é qualquer um que consegue ter 50 anos de gibis em circulação. Tiveram muitas histórias e momentos inesquecíveis nesse meio século que sempre vão ser lembrados pelos fãs. Pena que a qualidade decaiu por causa do politicamente correto, mas os momentos bons prevalecem e tem todo um valor histórico. Vida longa à revista do Cebolinha.

Termino mostrando as capas de janeiro a cada 10 anos, quando a revista estreou e quando completou 10, 20, 30, 40 e 50 anos, nos anos de 1973 a 2023, respectivamente. Lembrando que a de 2023, coloquei a "Nº 23" da primeira quinzena porque seria essa numeração se a revista continuasse mensal. Ficou interessante e até uma forma de comparar quais as melhores e piores.

Capas de Janeiro: Abril: Nº 1 (1973), Nº 121 (1983); Globo: Nº 73 (1993), Nº 199 (2003); Panini: Nº 73 (2013); Nº 23 (2023)