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sexta-feira, 31 de julho de 2026

Chico Bento: HQ "O cabeça de abóbora"

Em julho de 1996, há exatos 30 anos, era publicada a história "O cabeça de abóbora" em que uma bruxa faz o Chico ficar com cabeça de abóbora causando muita confusão para ele. Com 13 páginas, foi publicada em 'Chico Bento Nº 248' (Ed. Globo, 1996).

Capa de 'Chico Bento Nº 248' (Ed. Globo, 1996)

Chico Bento coloca um espantalho que fez para espantar os passarinhos xeretas da plantação de abóbora, cantarola que semeou com carinho, regou, protegeu do Sol forte e agora que está tudo grande não pode deixar ninguém atacar, quando vê uma bruxa colhendo as abóboras. Chico acha que foi o espantalho que criou vida e manda largar senão arranca todas as palhas dele.

A Bruxa fala que espantalho é ele, chamando de narigudo. Chico se toca que o espantalho ainda estava lá e diz que ela é a cara dele e a manda passar as abóboras para ele. A Bruxa diz que precisa dela para decorar o interior da cabana da colina onde havia acabado de mudar. Chico avisa que se não entregar bem, vai ser por mal, se preparando para lutar e a bruxa transforma sua cabeça em abóbora e ele desmaia.

Depois que acorda, Chico sente um formigamento, vai tomar água prometendo depois ir na casa da mulher pegar o que é dele e vê na água do balde o reflexo da sua cara em forma de abóbora, se assusta e desmaia. Volta a si logo e quer ir à casa da Bruxa. Dona Cotinha chega levando um lanchinho para o filho e desmaia ao vê-lo com cara e abóbora. Chico vai para casa pintar a cara com tinta de cor de pele e coloca palhas e cascas de frutas fingindo que eram cabelo e orelhas porque se saísse daquele jeito seria um festival de desmaio.

Chico vai até à cabana da colina e no caminho encontra o Zé Lelé. Chico tenta fugir, Zé Lelé diz que notou alguma diferença no Chico e não sabe o que é, Chico corre, avisando que depois eles conversam e Zé Lelé desconfia que o Chico está escondendo alguma coisa, acha que é bolo de fubá e vai atrás. Em seguida, encontra o Zé da Roça, que pergunta o que houve para Chico ficar com carona tão inchada e pergunta se foi picado por enxame de abelhas. Chico diz que não, o chama de abelhudo e vai embora.

Depois, ele encontra a Rosinha, que oferece doce de abóbora, tenta dar na boquinha dele, Chico não aceita e corre e Rosinha lamenta que ele nunca recusou doce dela. Depois, encontra a Zefinha Assanhada, que gosta que enfim ele abriu os olhos e largou a jeca da Rosinha, acha que os olhos deles estão lindos, que ele inteiro está fofinho que dá vontade de morder, dá uma mordida na bochecha e arranca pedaço, ficando assustada e corre chorando por Chico estar se desmanchando.

Zé Lelé, Zé da Roça e Rosinha aparecem e querem que o Chico explique direitinho o que está acontecendo e o que está escondendo. Chico confessa que é um cabeça de abóbora e os amigos falam que já sabem, isso sempre foi, toda vida. Chico tira o disfarce e eles se assustam, tentam desmaiar, Chico quer ajuda deles e Zé Lelé pergunta se quer que o regue todos os dias. 

Chico quer que os amigos vão com ele até a cabana da Bruxa. Zé Lelé disfarça que queria muito só que precisa olhar os brotos de feijão dele nascerem, Zé da Roça diz que não precisa voltar ao normal, ficou bem assim, bem rosado, e Rosinha, cheiroso. Chico os chama de amigos-da-onça e diz que vai sozinho e eles vão atrás, reconhecendo que foram covardes.

Chegando lá, Chico bate na porta, a Bruxa atende e os amigos ficam com medo, Zé Lelé diz que ela é mais feia que o Demo, Rosinha pede dó para São Crispim e Zé da Roça manda  a Bruxa ir para trás. Chico fala que ele é o caipira das abóboras, quer voltar ao normal, não quer ser abóbora a vida toda. A Bruxa fala que vai pensar, as abóboras dele deram um toque especial na casa. Os amigos também ordenam, a Bruxa pega um pedaço de pau, dá uma paulada na cabeça do Chico e ela diz que não o tinha transformado em abóbora, só fez uma abóbora parar na cabeça dele e a cabeça dele estava em baixo o tempo todo e precisaria só quebrar a abóbora para ela sair.

Os amigos reclamam que só ele para ser tão burro, perguntam como não percebeu antes, fez eles irem lá á toa, enfrentando perigo, depois de tudo que fizeram por ele, falam que ele é um cabeça de abóbora e enchem de mais reclamações. Chico pede um favor para a Bruxa e no final Zé Lelé fica com cara de tomate, Zé da Roça, cabeça de melão e Rosinha, cabeça de goiaba e Chico fala que é para irem embora, daqui uns dois dias eles voltam ao normal.

História legal em que Chico Bento fica com cabeça de abóbora depois que impede de uma bruxa de colher abóboras da plantação dele. Chico descobre depois e quer ir à cabana da colinha onde Bruxa morava para ela fazê-lo voltar ao normal. No caminho encontra os amigos, tenta disfarçar, mas foi obrigado a contar a verdade e eles vão juntos à casa da Bruxa. Chico descobre que era só uma abóbora na cabeça dele e era só ele arrancar, os amigos acham que foi burro de não notar e Chico pede para a Bruxa transformá-los em cabeças de tomate, melão e goiaba para dar lição neles.

Chico com ciúme de colherem suas abóboras que plantou com tanto carinho, acabou se dando mal, a Bruxa quis dar lição nele. Até que não era uma bruxa perversa, nem queria para fazer poções do mal, só queria como decoração da casa que se havia de se mudar. Vila Abobrinha tem de tudo, até bruxa resolver morar lá.

O disfarce do Chico foi bom para não descobrirem sua cara de abóbora, mas dava para perceber que estava diferente, ninguém percebeu, todos bem lerdos. No final serviu de castigo por zoarem Chico de burro e reclamarem que foram lá, nem a Rosinha escapou. Com os amigos ficaram com cabeças de legumes e frutas de verdade, não bastaria quebrar para voltarem ao normal.

Interessante o espantalho em forma de bruxa e Chico achar que o espantalho criou vida ao vê-la colhendo abóboras, foi bem lerdo aí, e as hipocrisias de bruxa chamá-lo de narigudo e ela também era, Bruxa dizer que Chico cansou a beleza dela e era ela feia.

Engraçadas tiradas como Chico dizer que "agora não é hora de desmaiá", Dona Cotinha desmaiar, Zé Lelé achar que ele estava escondendo bolo de fubá, Chico chamar Zé da Roça de abelhudo, trocadilho de abelha e fofoqueiro, Chico recusar o doce de abóbora da Rosinha por achar que iria comer um de seus semelhantes, a turma dizer que cabeça de abóbora o Chico sempre foi, Zé Lelé perguntar se pode ajudar regando Chico todos os dias, as desculpas para não irem à casa da Bruxa, Zé Lelé dizer que a Bruxa era feia como o Demo, a descoberta que ele não tinha se transformado em abóbora e o castigo da turma no final.

 Zefinha Assanhada foi hilária de querer ficar com o Chico após ter brigado com a Rosinha e pensar que tirou pedaço da bochecha do Chico ao morder. Ela lembrou um pouco a Ritinha e apareceu só nessa história, como de costume de personagens secundários criados para aparição única.

Personagens podiam se transformar em qualquer coisa por causa de cientistas, bruxas, fadas ou mágica, sempre tinha uma causa e dessa vez foi bruxa. Por envolver bruxa e cabeça de abóbora, a história encaixaria bem se fosse publicada em outubro em época de Halloween, mas na época eles não ligavam com comemorações de Halloween e histórias com bruxas saíam em qualquer época.

História póstuma de Rosana. Incorreta atualmente por Chico trabalhar plantando abóboras no roçado, ser chamado de narigudo, Chico ser namorado da Rosinha, menina se interessar pelo Chico e nunca colocariam nome de personagem como "Zefinha Assanhada", os amigos acharem que Chico sempre foi um cabeça de abóbora, paulada na cabeça do Chico, além de palavras proibidas ou expressões de duplo sentido como "roubando", "tô me lixando", "gozado", "abelhudo", "Demo" (demônio).

Traços ficaram bonitos, bem fofinhos com estilo dos anos 1990, colorização com mais tons diferentes do marrom e não um marrom igual para tudo como no início de 1996, porém ainda escuras, acredito como erro de após o Chico ter tirado o disfarce a cor da abóbora devia ter mantido como como cor de pele rosada e não laranja porque ele pintou a abóbora. Muito bom relembrar essa história há exatos 30 anos.

quarta-feira, 1 de julho de 2026

Chico Bento: HQ "E os bichos não sabem?"

Dia primeiro de julho é aniversário do Chico Bento e, em homenagem, mostro uma história em ele quer que os bichos do sítios lhe desejem "Parabéns", achando que os bichos sabiam que era aniversário dele. Com 12 páginas, foi publicada em 'Chico Bento Nº 403' (Ed. Globo, 2002).

Capa de 'Chico Bento Nº 403' (Ed. Globo, 2002)

Escrita por Paulo Back, começa com Chico Bento chegando em casa e flagra os pais preparando festa de aniversário dele. Dona Cotinha pergunta o que o filho estava fazendo em casa e que é para voltar para rua. Chico diz que voltou porque esqueceu o chapéu, a mãe dá o chapéu, manda ficar brincando aí fora e bate a porta.

Chico comenta que em todo aniversário é assim, os pais o tocam fora de casa para ficar arrumando tudo lá dentro para lhe fazer surpresa, à tarde o convida para dentro e estão todos esperando lá dentro, aí ele faz cara de quem não sabia de nada e cantam "Parabéns", só que sempre sabe. A Rosinha sempre encontra saindo da venda do Nhô Anacleto com presente e ele finge que não vê só para dar tempo de ela se esconder. Zé da Roça e Hiro fingem que esqueceram do aniversário e ele sabe que eles sabem e a vila toda fica olhando com cara de cabra mocha porque é aniversário dele.

Depois, Chico pergunta para galinha Giselda se ela sabe se é aniversário dele e Giselda nem dá atenção. Chico diz que deve ser triste ser bicho, um dia é igual ao outro, não faz diferença. Chico fala para Giselda para comemorarem juntos o aniversário dele, Giselda cacareja como se tivesse conversando e vai embora. 

Chico acha falta de consideração, ele que catou os melhores milhos, pôs dentro de casa na noite da chuva e espantou os gambás do galinheiro e acha que merece uma "asada" de parabéns. Giselda bica o nariz do Chico, que diz que da próxima vez ela que dê um jeito de se escafeder sozinha quando gambá andar por aí.

Chico diz que o Torresmo que é um amigão e pede para o porco dar fuçada nele porque é seu aniversário. Torresmo se esconde na lama e cisca lama na cara do Chico, que o chama de porco mal-agradecido. Depois, chega para Malhada dizendo que tem um segredinho para contar, pergunta se sabe que dia é hoje e a vaca tira o chapéu dele, que pergunta cadê as coisas que ensinou para ela: ser boazinha, não dar leite azedo e não comer chapéu dos outros. 

Chico se pergunta se não tem alguma criatura que saiba que dia é hoje. Chega nas abelhas falando que o menino que fez a casinha para elas está de festa e bem que podiam dar "Parabéns" para ele. As abelhas se reúnem para avançar nele, que pula no riacho para não ser picado por elas. Chico se enfeza, não está mais nem aí para quem não sabe que é aniversário dele, prefere festejar sozinho e vai para casa.

Quando abre a porta, tem a festa-surpresa dos pais e amigos fizeram para o Chico que diz pegaram de surpresa mesmo, tinha esquecido da festa. Comenta que bobagem dele esperar uma coisa dessas também dos bichos. Dona Cotinha leva o bolo falando que foi feito com doce de leite, com leite da Malhada, a cobertura com fios de ovo da Giselda, a velinha foi feita de cera de colmeia de abelha e o prato enfeitado foi feito de barro que o Torresmo cavoucou. 

Chico fala que então os bichos ajudaram a fazer o bolo e fica comovido, dizendo que não queria magoar os bichinhos, não tem problema que eles não saibam que hoje é aniversário dele. Aí, Dona Cotinha fala para o filho falar isso pessoalmente a eles, já que os bichos aparecem para lhe dar os "Parabéns". No final, Chico diz que não pode ser o coro mais afinado, mas pode dizer que os danados o enganaram direitinho.

Boa história em que o Chico Bento pensa que os bichos do sítio sabiam que ele fazia aniversário e pedia para eles darem os "Parabéns" para ele. Só que eles agiam naturalmente, sem ter ideia do que Chico falava e até avançavam nele quando os agarrava já que estava machucando ou invadindo território deles. Chico passa a entender que os bichos não tem noção do que é aniversário, mas no final, tem a surpresa de que eles foram na festa dar os "Parabéns" para ele. 

Já que família e amigos do Chico sempre davam "Parabéns" no aniversário dele, achava que os bichos também podiam desejar feliz aniversário. Depois das negações deles, vimos que era tudo encenação dos bichos para enganar o Chico para pensar que bichos não sabiam o que era aniversário, eles foram bem inteligentes e até leitores também pensavam que eles não sabiam o que era aniversário. 

Chico ficou tão entretido com os bichos que achou que ninguém se lembrava do aniversário, esqueceu que pais e amigos sabiam, ficou como só existissem bichos na Terra. Todo ano era a mesma coisa e a surpresa que pais e amigos tentavam fazer já estava batida para o Chico, mesmo assim Chico gostava da ideia que eles não sabiam o que ele sabia, aí nessa festa foi diferente com a surpresa dos bichos e de ele ter se esquecido dos pais e amigos por um momento.

Mostrou ideia de  dúvida de crianças se os animais sabem sobre aniversário da gente ou se sabem quando as pessoas fazem festas de aniversário para os pets. Na vida real não sabem, porém sentem o carinho que está recebendo na hora, principalmente quando as festas são para eles. Aí, na história ficou como que os bichos sabiam para dar um final feliz e ter os absurdos de histórias em quadrinhos.

Foi engraçado Dona Cotinha expulsar o Chico enquanto preparava a festa, Chico ter sido bicado pela Giselda quando a apertou, Torresmo jogar lama nele, Malhada pegar o chapéu pra comer e as abelhas avançando nele.

O Chico tem muitos bichos famosos no sítio e sempre tinha uma interação boas o Chico com eles. Todos apareceram nessa história, sendo que mais normal era contracenar com cada um em cada história. Nessa, faltaram mais alguns para o Chico contracenar como o bode Barnabé, o burro Teobaldo, apesar de terem aparecido em figurações, só não teve conversas com eles, até porque para agilizar a trama e não ficar grande em um gibi quinzenal de 36 páginas. 

Giselda a mais famosa de todos, a primeira a ser criada nos anos 1970, antes do Chico ganhar revista. O Torresmo muitas vezes era pintado de cinza para não confundir com o Chovinista, mas não era padrão e podia ser colorido de marrom ou laranja às vezes, nessa ele ficou marrom. Normalmente os bichos do Chico não pensam diante dele como o Mingau diante da Magali e em uma ou outra que falavam com outros bichos da mesma espécie. Ele ainda tinha o Fido, que morreu em história de 1990, porém foi ressuscitado em 2004, pelo próprio Paulo Back, aí se essa história fosse depois de 2004, certamente o Fido estaria nela.

Traços acho um pouco estranhos, são típicos dos anos 2000 que tinham uns detalhes diferentes e Chico com nariz menor, nas 6 primeiras páginas Chico ficou com expressões bem esquisitas, depois melhorou, talvez foi desenhada por desenhistas diferentes. O tema em si não acho incorreto, eles gostam de histórias com pets, porém iriam implicar com alguns elementos como Giselda dar bicadas no nariz do Chico, Torresmo jogar lama nele, abelhas avançarem nele, Chico falar sozinho no início, além de palavras e expressões de difícil entendimento para crianças pequenas como "cabra mocha", "escafeder".

FELIZ ANIVERSÁRIO, CHICO BENTO!!!

domingo, 21 de junho de 2026

Chico Bento: HQ "Ah, minha caminha!"

Dia 21 de junho começa o inverno no Brasil, e mostro uma história em que o Chico tem dificuldade de sair da sua cama quentinha ao acordar em uma manhã fria. Com 6 páginas, foi história de encerramento de 'Chico Bento Nº 119' (Ed. Globo, 1991).

Capa de 'Chico Bento Nº 119' (Ed. Globo, 1991)

Manhã de frio na roça, Dona Cotinha acorda o Chico Bento para ir para escola e ele pede para a mãe ficar mais cinco minutos na cama. Dona Cotinha diz que faz meia hora que ele está falando isso e é para andar logo para não chegar atrasado na escola. Chico pede para deixar faltar e ela diz que se fosse deixar faltar toda vez que estivesse com preguiça, o filho nunca ia para a escola e Chico acha uma boa ideia.

Dona Cotinha manda Chico levantar da cama ou ela vai puxar a coberta. Chico diz que não precisa, já está sentado e a mãe fala que vai pôr o café, se quando voltar e ele não estiver de pé, vai ter. Chico acha que tem que se levantar mesmo, só que vira para o outro lado comentando que tem deixar a cama quentinha e volta a cochilar.

Dona Cotinha pergunta se Chico está de pé e ele se levanta imediatamente. Comenta que só levantar de supetão para criar coragem e sente muito frio. Troca de roupa com sono e imagina a cama chamando pra ele dormir mais um pouquinho, ele diz que não pode porque tem que ir para escola, a cama o puxa pela coberta e ele volta para lá mais cinco minutos e não vai deixá-lo sair de lá. 

Chico diz que a mãe não vai gostar, quando Dona Cotinha aparece, vê o Chico dormindo, fica uma fera, puxa o lençol, fazendo Chico cair da cama. Ela o leva para lavar rosto na bacia d'água para acordar de vez, toma café-da-manhã reforçado, põe casaco, chapéu e pasta e ele vai para a escola porque não quer filho preguiçoso. No caminho, Chico comenta que a sua mãe não entende e se pergunta que será que ela não sabe como é gostosa uma cama quentinha.

Na escola, Chico nem presta atenção na aula, só pensa na cama, também pensa no recreio e na saída da escola já pensa menos. Quando vai roubar goiaba com Zé da Roça o pensamento some e fica sem pensar durante o resto do dia enquanto namora a Rosinha, pular cerca para voltar para casa e na conversa com o pai e amigos deles em volta da fogueira de noite. No final, Dona Cotinha fala que está na hora que ele adora, que é para ir para cama dele quentinha e aí Chico não quer ir, quer ficar mais cinco minutos conversando em frente à fogueira.

História legal em que o Chico Bento fica com preguiça de sair da cama quentinha de manhã cedo com frio demais e a mãe dele quer a todo custo que ele saia. Conseguiu driblá-la por um tempo, mas não teve jeito, teve que sair à força. Com o passar do dia, diminuindo a friagem e fazendo atividades que gosta passa a esquecer da cama, até que de noite não quer voltar para casa para ficar conversando em frente à fogueira com os adultos.

Realmente dá para entender muito bem o Chico e saber como estava sentindo de sair da cama e enfrentar frio de manhã, porém não podia deixar de cumprir seu compromisso na escola por causa da preguiça e do frio, aí Dona Cotinha teve toda razão de tirar o filho da cama à força. Pelo menos ele já estava com roupa trocada após a imaginação da cama falando com ele para voltar para lá, que fez adiantar um pouco, e teve sorte que não precisou tomar banho gelado antes da escola, afinal não têm chuveiro elétrico na casa dele, na verdade não tinha eletricidade no geral, hoje em dia tem. Se bem que só lavar rosto com água gelada em dia de frio já é um tormento.

A piada final foi boa e com ideia do Chico não querer sair da cama de manhã, mas quando não está na cama não quer voltar, quer curtir mais o entretenimento, sempre mais cinco minutos para sair da cama e mais cinco minutos para ir dormir e vai sempre adiando, coisa bem comum também no cotidiano. O clima foi retratado como um dia que é muito frio de manhã, aí esquenta um pouco durante a tarde e esfria de novo à noite, uma coisa bem típica em época de inverno.

O ponto mais alto foi  Chico imaginar cama falando com ele para voltar pra lá, com direito a coberta o puxando até nela e e ele dizer para Dona Cotinha que voltou porque a cama chamou. Foi engraçado também Chico dizer para mãe que boa ideia nunca mais ir para escola, levantar de supetão com medo de apanhar da mãe, Chico cair com puxão forte dela do lençol e querer ficar cordado mais 5 minutos para ficar conversando.

Mostrou o nosso cotidiano de luta de sair da cama em um dia de frio, que dá vontade de ficar o tempo todo mesmo tendo compromisso, eram boas histórias do Chico assim que dava para se identificar e deixava o personagem mais humanizado.  Mesmo passados 35 anos ou mais tempo que for passar, sempre continua atual e ser identificada por todas as idades e não só as crianças, é só substituir o compromisso de acordar cedo para ir trabalhar, faculdade, médico marcado, etc, e adiar a hora de dormir para ficar assistindo série, filme ou ficar mexendo no celular. Incorreta hoje em dia por ter Chico preguiçoso, não querer ir para escola para ficar dormindo, não gostar de estudar, Dona Cotinha ameaçar bater no Chico se não se levantar, Chico namorando Rosinha, ficar conversando com adultos tarde da noite, ter fogueira e palavra proibida "supetão" por ser de difícil entendimento para crianças pequenas.

Traços ficaram muito lindos, seguiu um estilo fofinho dos anos 1990 com contornos bem grossos e tudo feito a mão, dava gosto de ver desenhos assim. O primeiro quadro mostrando a casa do Chico e as galinhas sentindo frio já foi um espetáculo. Dona Cotinha fica diferente com olhos com cílios em vez do formato tradicional de olhos dos personagens, A colorização em tons azuis e cinzas nos pensamentos davam um charme a mais e conseguia distinguir que não foi situação real e não só os quadros em formatos de nuvens diferentes que faziam a distinção do real com sonhos.

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Chico Bento: HQ "Dentista!? Deus me livre!"

"Dia das Mães" está chegando e mostro uma história em que o Chico enganou sua mãe Dona Cotinha que foi ao dentista tratar dor de dente dele e comprou vários pirulitos com o dinheiro que ela lhe deu. Com 5 páginas, foi história de miolo publicada em 'Chico Bento Nº 49' (Ed. Abril, 1984).

Capa de 'Chico Bento Nº 49' (Ed. Abril, 1984)

Escrita por Rubão (Rubens Kyumora), começa com o Chico Bento machucando o dente enquanto almoça, fala com a mãe que entrou um pedaço de arroz no buraco do dente e doeu. Dona Cotinha diz que ele precisa é de um dentista e dar dinheiro para ele ir tratar o dente. Chico diz que morre de medo de dentista, resolve não ir, diz que vai gastar a grana e depois volta para casa e a mãe nem vai perceber. Ele vê um menino vendendo pirulito, que custava cem Cruzeiros cada, mas como o menino não tinha troco para mil Cruzeiros, Chico leva 10 pirulitos, chupa todos e passa a ter dor de dente muito grande.

Dona Cotinha aparece perguntando se o filho já foi ao dentista. Ele diz que já, Cotinha nota lágrimas e pergunta se ele está chorando. Chico nega, Cotinha acha, então, que está com conjuntivite e fala para irem para casa que tem um colírio bom para isso. Chico não quer ir e foge. Cotinha vai procurá-lo e ouve atrás do muro o Chico chorando e falando arrependido que devia ter ido ao dentista em vez de gastar dinheiro com pirulito e agora está morrendo de dor de dente.

Dona Cotinha leva Chico ao dentista puxando orelha dele no caminho todo. No consultório, o dentista arranca o dente. Na saída, Cotinha comenta que foi bom, que agora não vai doer mais. Chico confessa que na hora sentiu muito medo e com tanto medo pediu para o dentista arrancar o dente errado. Cotinha fica braba com o Chico e corre atrás dele pela vila para bater nele e Chico comenta que depois dessa vai precisar de um médico.

História legal em que o Chico está com dor de dente e por medo de dentista quis mentir para a mãe que foi e gastou toda a grana que ela lhe deu com pirulitos para ela não perceber. A dor fica maior, Chico não consegue contar a verdade para mãe, só que ela descobre tudo e o leva forçado para o dentista. No final, ele pediu para o dentista arrancar dente errado, dando raiva na mãe ela quer bater nele.

Chico foi falar alto o que ele tinha feito, sem se tocar que a mãe podia ouvir, se só pensasse, poderia demorar mais para encontrá-lo. Chico aprendeu que não adianta mentir para mãe, cedo ou tarde, vai descobrir a farsa, que era melhor ter contado a verdade desde o início. Dona Cotinha, sabendo que o Chico era pestinha e aprontava muito, tinha que ter ido ao dentista com o filho, a autonomia das crianças nas histórias permitiam elas irem sozinhas a estabelecimentos. Chico aprendeu também que comer doces com dente doendo piora mais a dor e que ir ao dentista, mesmo com medo, é a melhor solução quando tem dor de dente.


Medo do Chico de dentista era muito grande, só de pensar em ir já era um tormento e já na cadeira erra em mandar tirar dente errado porque tinha medo de dor maior arrancando o dente já dolorido. Com a atitude, continuou com o dente doendo e ainda causou fúria da mãe, com razão, já que ela vai ter gastar mais dinheiro com nova consulta para arrancar o dente certo. Só nessa brincadeira, já havia gasto dois mil Cruzeiros (gasto com pirulitos e arrancar dente errado) e ainda teria que gastar mais mil para arrancar o dente certo. Cruzeiro era a moeda do Brasil da época, por isso, valores diferentes proporcionais à alta inflação da época. 

Engraçado Chico gritar comendo e Dona Cotinha dizer que a comida não está tão ruim assim, o menino vendedor dizer "Olha o pirulito!" e Chico dizer que é só para olhar pirulito ou ele está vendendo, Dona Cotinha achar que Chico estava com conjuntivite e que tem um bom colírio para isso e Chico recusar, ela puxar orelha do Chico em todo o caminho até chegar no consultório do dentista e a surpresa dela ao descobrir que o filho pediu para arrancar dente errado.

Hoje, dia 7 de maio, também é "Dia do Silêncio" e sem querer teve uma homenagem ao dia já que o silêncio do Chico no dentista, omissão de dente real que estava doendo foi fundamental para o desfecho hilário. Ainda assim, intenção mesmo da postagem foi em homenagem ao "Dia das Mães" no próximo dia 10 de maio deste ano.

Foi tipo de história do que não se deve fazer, se leitor quiser imitar o Chico, vai se dar muito mal, a gente se divertia e aprendia muito assim com os erros dos personagens. É incorreta atualmente por Chico mentir para mãe, sofrer com dor de dente, ter medo de dentista, menino trabalhando como camelô, pois trabalho infantil, nem pensar, Chico ir sozinho a dentista, Dona Cotinha  puxar orelha do Chico e querer bater nele correndo pela rua no final, ela de avental na rua e no consultório do dentista, além de expressões populares proibidas como "morro de medo", "morrendo de dor de dente", "Deus me livre!" no título. O caipirês na época era diferente, sobretudo em gerúndios que colocavam "vendeno", "chorano", morreno" e isso também sempre alteram em republicações de almanaques atuais, ajustando ao caipirês atual. 

Traços ficaram bons, típicos de histórias de miolo dos anos 1980. Tiveram alguns erros como Chico sem dente da frente no 2º quadro da 1ª página e pálpebra com fundo branco no 2º quadro da 2ª página da história. Nunca foi republicada até hoje em almanaques convencionais, apenas na reedição dessa revista da 'Coleção Histórica Turma da Mônica Nº 49', de 2015. Dava para ter sido republicada a partir de 1992, quando estavam republicando mais histórias de 1984 do Chico, mas acabaram esquecendo. E uma curiosidade para colecionadores que essa revista 'Chico Bento Nº 49' da Editora Abril teve 2 versões de capas, uma com referência à promoção "Reino Mágico" e outra versão, sem, e certamente nesta a propaganda da página 2 diferente sem relação à promoção.

sábado, 11 de abril de 2026

HQ "Chico Vampiro!"

Em abril de 1996, há exatos 30 anos, era publicada a história "Chico vampiro!" em que ele se transforma em vampiro por causa de uma vampirinha que se apaixonou por ele. Com 14 páginas, foi publicada em 'Chico Bento Nº 241' (Ed. Globo, 1996).

Capa de 'Chico Bento Nº 241' (Ed. Globo, 1996)

Chico Bento e Rosinha estão namorando de noite, estão com vergonha de se beijarem e quando Chico vai tentar, passa um morcego entre eles. Rosinha se assusta, diz que não gosta de morcego, acha que ficaram namorando até muito tarde e vai embora e Chico acha que ela é bobinha com medo de cada coisa.


Em casa, Chico come sopa com bastante alho na janta e depois vai para o quarto dormir. Dona Cotinha pergunta ao filho se não vai fechar a janela, Chico responde que gosta de janela escancarada, já está acostumado e vai se cobrir bem e que a sorte é que na roça não tem ladrão. Enquanto dorme, aparece uma vampirinha na janela e o que acontece seguir é omitido porque o arte-finalista derrubou nanquim na página. 


No dia seguinte, Chico nota mordida no pescoço e acha que as pulgas estão cada vez mais atrevidas. No desjejum, ele prefere tomar suco de tomate no lugar de café com leite. Depois, ele sai e o Zé Lelé o convida para roubar goiabas do pomar do Nhô Lau. Quando vai comer, o dente da frente do Chico cresce e Zé Lelé acha que o Chico está contando muita mentira. Chico lamenta que já era dentuço e agora piorou e descobre que o dente é regulável, encolhe quando toca, espicha se vê goiaba e encolhe se perde a vontade de comer.


Zé Lelé quer saber como ele faz isso, Chico não sabe como consegue. Zé Lelé corta a goiaba e oferece para o Chico, que diz que perdeu vontade de comer e Zé Lelé pergunta se está doente. Chico diz que está vontade de comer outra coisa, que não sabe o que é, mas que é vermelha e quentinha. Zé Lelé corta o dedo com a faca e Chico fica sedento para chupar o sangue, corre atrás e Zé Lelé acha que ele endoidou.


Rosinha aparece, diz que estava com muita saudade dele e o dente do Chico volta ao normal. Eles vão namorar dentro de uma caverna porque o Sol forte estava fazendo muito mal para vista dele. Rosinha fica com medo, Rosinha vira o pescoço para olhar onde vinha barulhos de morcegos lá. Chico fica com vontade de morder pescoço dela, dente cresce e orelhas ficam pontiagudas, Rosinha pergunta o que deu nele que está diferente e ele diz que só quer morder o pescoço dela. Rosinha acha que o namorado pirou e foge, Chico não vai atrás porque o Sol está forte e só sai da caverna quando anoitece, vira morcego e vai para casa voando.


Na casa do Chico, Rosinha comenta com os pais do Chico que ele está diferente que dá até medo e os pais acham ela está impressionada. Chega o Chico levando tombo do voo e com roupa diferente e Dona Cotinha pergunta que roupa é aquela e ele diz que a de sempre e Seu Bento acha que as orelhas do filho incharam por ter levado picada de abelha. Chico fala para Rosinha que gostou da surpresa e do pescocinho dela e Rosinha descobre que ele virou um vampiro.


Chico pergunta só porque tem dentão, medo de Sol, pode voar e quer morder pescoço dos outros, é claro que não virou. Surge uma morcega e diz que está virando, sim, por causa dela, que foi ela que o mordeu e se transforma em vampira. Diz que mordeu de noite só que não completou o serviço e precisa mordê-lo mais duas vezes para virar vampiro de verdade.

Dona Cotinha joga sopa de alho na vampira, mas também dá medo no Chico e a vampira diz que o que fizerem contra ela, atinge o Chico também. Ele pergunta se vai virar vampiro, ela responde que vai continuar podendo voar, saborear sangue das vítimas e namorar com ela. Quando vai morder o pescoço para finalizar o serviço, os pais choram porque ele vai virar vampiro e dizem que era uma vez Chico Bento.


A vampira quer saber por que falaram "bento" e Seu Bento diz que é o sobrenome dele, todos eles são Bentos. A vampira acha um horror, suporta nada que seja bento, nem santinhos bentos, água benta, muito menos um Chico Bento, vai embora antes que vire pó e fala que pensar que mordeu um bento e que vai lavar boca com água e sabão.

No dia seguinte, Chico volta ao normal, sem as outras mordidas a maldição não se consumou. Todos tomam café da manhã, Chico fala que quer suco de tomate e logo avisa que foi brincadeira. Depois, ele e Rosinha saem, encontram o Zé Lelé com dentes de vampiro e tentando abrir lata de goiabada com os dentes e Chico e Rosinha o levam para igreja para jogarem muita água benta para ele voltar ao normal.


História legal em que o Chico começa a se transformar em vampiro por causa de uma vampirinha que o mordeu por ter se apaixonado por ele, só que não fez serviço completo precisaria de mais duas mordidas para concretizar de vez, assim a transformação em vampiro do Chico foi lenta e na hora que a vampira ia morder de novo, desiste por saber que ele é da família Bento e ela odeia tudo que tinha bento no nome. Com efeito temporário, sem a concretização das mordidas, depois de 24 horas o Chico volta ao normal.


Chico se salvou de virar vampiro por ser de família Bento. Foi ficar de janela aberta e permitiu que vampira mordesse pescoço dele. Interessante que sono era tão forte que nem acordou com a mordida, mesmo que de leve. Antes a vampira desse as três mordidas de uma vez, mas deve ter ficado com medo do Chico acordar.

Enquanto Chico começava a se transformar vampiro ninguém desconfiou, achavam estranho dente crescer do nada, ter medo de Sol, querer sangue e morder pescoço, roupa diferente, mas não associavam que era vampiro. Zé Lelé tudo bem que é burrinho e lerdo, mas a Rosinha já podia saber desde que ele queria morder pescoço dela na caverna. Só não viram como morcego senão iam se assustar mais ainda. E descobrimos que Rosinha tem medo de morcegos.


A vampirinha fez outra vítima no final, o Zé Lelé, pelo visto gosta dos feios. Curiosamente, por Zé Lelé ser primo do Chico, também é um Bento, a vampira trocou um Bento pelo outro. Chico e Rosinha não usaram água benta pra desfazer a maldição, mas também poderia dizer que é um Bento pra não concretizar. A trama foi ambientada em um sábado pra justificar que Chico e Rosinha estavam namorando até tarde e que não foram pra escola n outro dia de manhã. 


Engraçado narrador achar que vampiro é pior que ladrão, quando o Chico estava prestes a ser mordido, o que acontece a seguir é omitido porque o arte-finalista derrubou nanquim na página, Chico nota mordida no pescoço e acha que as pulgas estão cada vez mais atrevidas, Zé Lelé acha que o Chico está contando muita mentira quando o dente cresceu, ser o dente da frente que cresceu em vez dos caninos, vampirinha chamar Chico de "feioso fofinho".


Teve um vestígio do politicamente correto quando o Zé Lelé diz "catar goiaba" em vez de "roubar". Normalmente eles falavam que roubavam goiaba, aí por serem crianças preferiram mudar porque criança não rouba. Se eles pegam coisas que não dão dele e sem permissão do dono é roubo, então "roubar goiaba" se encaixa melhor. Atualmente, eles falam "pegar goiaba", nas raras vezes vezes que vão à goiabeira do Nhô Lau. 


Incorreta atualmente por namoro entre crianças, tentarem dar beijo, ficarem namorando até altas horas da noite, Zé Lelé mexer com faca e se cortar, Seu Bento fumando cachimbo, além de palavras e expressões como "piorou mais anda", "tó", "catar". Dona Cotinha de avental normalmente implicariam, mas por estar fazendo atividades na cozinha e ser de núcleo rural, poderiam aceitar.

História póstuma de Rosana. Teve alguns erros como Seu Bento sem bigode no 4º quadro da penúltima página e Zé Lelé sem sardas no último quadro da história.


Traços ficaram bons, sendo que curiosamente, os desenhos ficaram diferentes a partir da página 13 do gibi, a partir de quando a vampira apareceu na casa do Chico. História começou com estilo consagrado de traços e depois ficou traços do estilo dos anos 1990, com essas páginas finais sendo desenhadas por outra pessoa. Ás vezes acontecia isso de desenhistas diferentes na mesma história, as 4 páginas finais não ficaram feios os desenhos, mas o início ficou achei mais bonito. Colorização achei ruim, escura demais, principalmente tom de marrom igual em tudo e degradê agora só em alguns quadros pontuais, o destaque de degradê em volta da Lua, ficava bonito assim parecendo como na vida real. Muito bom relembrar essa história há exatos 30 anos.