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sábado, 11 de julho de 2026

Turma da Mata: HQ "Tirando vantagem"

Mostro uma história em que a Turma da Mata sofreu com terremotos e destruições de casas na vila após surgir um instrutor de ginástica que dava aulas de  "cooper" com os bichos pesos-pesados, precisando Raposão e Coelho caolho intervirem com o instrutor Com 5 páginas, foi publicada em 'Chico Bento Nº 289' (Ed. Globo, 1998).

Capa de 'Chico Bento Nº 289' (Ed. Globo, 1998)

Toda a Floresta do Matão fica estremecida, as coisas das casas se destroem e os bichos fogem desesperados com o barulho "bumba-bumba" da aula de "cooper" do instrutor de ginástica com os bichos pesos-pesados. Raposão não aguenta mais e vai junto com Coelho Caolho falar com o instrutor, quando no caminho encontram o Jotalhão, que também entrou no ritmo de malhação e diz que resolveu deixar de ser preguiçoso e cuidar mais da saúde e pergunta se ele parece o modelo da geração "gueitorade".

Raposão e Coelho Caolho respondem que ele continua gordo, está adiantando nada, só está destruindo a vila e o que o instrutor é picareta, está tirando dinheiro fácil de todos eles. Jotalhão diz que ele cobra nada, é um trabalho voluntário e os leva até o instrutor. Raposão e Coelho Caolho falam que desde que ele apareceu com esse programa de ginástica a vila ficou em pandarecos e as casas deles estão precisando de reformas. O instrutor pede perdão, só achou que alguém precisava tratar da saúde do pessoal, se ofereceu como instrutor e eles estão se sentindo superbem, malhando e cuidando mais de si mesmos. 

Raposão e Coelho Caolho se emocionam, o instrutor volta a trabalhar. Coelho Caolho comenta que ele parece ser um cara legal e os dois vão á loja de material de construção para comprarem cimento e tijolo para reformarem as tocas deles. No caminho, comentam que pensavam que o instrutor estava engrupindo e só queria se aproveitar do pessoal e acham que nem todo mundo quer tirar vantagem em tudo e quando chegam lá, descobrem que o instrutor era o dono da loja de materiais de construção.

História legal em que surge um instrutor de ginástica para dar aula de "cooper" para os pesos-pesados da mata, só que os pesos deles correndo juntos causavam terremotos e destruíam as casas. Quando Raposão e Coelho Caolho vão falar com o instrutor, se convencem que só o instrutor queria ajudar na saúde do pessoal com o trabalho voluntário. Só que no final descobrem que era tudo interesse, dava aula de ginástica de graça para depois cobrar dos moradores os materiais de casa para reformarem as casas destruídas.

Não é à toa elefantes, hipópotamos, baleia fazendo ginásticas juntos iam estremecer tudo. Primeiro, Raposão e Coelho Caolho até pensavam que o instrutor era picareta porque cobrava as aulas para o pessoal continuarem gordos, depois passaram a acreditaram na desculpa da boa ação de melhorar saúde e autoestima do povo e depois quebraram a cara com coisa pior de a intenção era quebrar as coisas da casas para poderem comprar os materiais de construção da loja que ele inaugurou lá. De fato, melhorou saúde e autoestima dos alunos, mas em compensação tinham suas casas destruídas, até mesmo as dos alunos.

Antes pensassem que o interesse em tirar dinheiro dos alunos, a decepção seria menor, sentiram o golpe com a verdadeira intenção de dar aulas para o povo da mata. Agora com o final aberto, fica a dúvida de como continuou, o que fizeram com o instrutor, se cobraram dele indenização das casas destruídas, ou ficar por isso mesmo, etc, fica na imaginação de cada um. 

Foi engraçado os bichos fugindo com medo do barulho dos alunos correndo, tendo suas casas destruídas, Jotalhão com roupa de ginástica, fone de ouvido e walkman e perguntar se parece o modelo da geração "gueitorade", baleia fora d'água fazendo ginástica e a descoberta no final do Raposão e Coelho Caolho com o instrutor golpista. A paródia da bebida gatorade foi aportuguesar como "gueitorade".

História discutiu a índole das pessoas, que ninguém faz as coisas por bondade e só querem levar vantagem em tudo. Claro que existem pessoas honestas, mas a grande maioria faz tudo por interesse, nos anos 1990 já existiam picaretas e golpistas e em cada época a situação só piora. Incorreta atualmente por mostrar um instrutor interesseiro e querer dar golpe, sem um final feliz para Raposão e Coelho Caolho, chacota com gordos que quando correm causam barulho ensurdecedor, terremoto e destroem casas dos outro, Raposão levar pancada de madeira na cabeça, podiam implicar com walkman por ser coisa datada, além de palavras e expressões de duplo sentido proibidas como "infernal", "picareta" "ficou em pandarecos", "engrupindo".

Traços bons, típicos de histórias de miolo da segunda metade dos anos 1990. Os quadros com ondulações representando gramas que passaram a adotar assim a partir de 1996, retornando o estilo de enquadramento como eram nos anos 1970. Tiveram erros de que o coelho que estava olhando na toca com estatura do Coelho Caolho teria que ser um filho do Coelho Caolho ou a Dona Coelha no primeiro quadro da segunda página e também Coelho Caolho falando de boca fechada no primeiro quadro da penúltima página. Normalmente os gibis quinzenais do Chico Bento tinham histórias de secundários com a Turma do Papa-Capim, porém entre 1993 a 2002, algumas vezes tiveram a Turma da Mata  e Piteco como secundários no lugar e após 2003, quando o gibi do Chico virou mensal, Turma da Mata ficou em definitivo nos gibis dele junto com Papa-Capim e Piteco.

sábado, 17 de janeiro de 2026

A Turma: HQ "Ninguém aguenta esse calor..."

Estamos no verão no Brasil e mostro uma história em que a turma toda passa sufoco com o calor forte e  insuportável que estava no Bairro do Limoeiro em um dia de verão. Com 11 páginas, foi história de encerramento publicada em 'Parque da Mônica Nº 2' (Ed. Globo, 1993).

Capa de 'Parque da Mônica Nº 2' (Ed. Globo, 1993)

Está muito calor no verão do Bairro do Limoeiro, Mônica não consegue correr e bater no Cebolinha, que por sua não consegue correr também e os dois caem no chão. Cebolinha xinga a Mônica de dentuça e fala que não consegue correr porque é gorducha e ela diz que só não lhe dá coelhada porque não consegue levantar o braço. Mônica faz um trato de ele pagar um sorvete para ela e não bate nele, que aceita e os dois se rastejam para encontrar um vendedor de sorvete.

Franjinha vê e pergunta se eles estão brincando de minhoca. Cebolinha responde que estão morrendo de calor e aparece a Dona Morte. Cebolinha diz que queria dizer que está um calor de louco e aparece o Louco vestido de Papai Noel. Cebolinha diz que tem muita gente no quadrinho, Franjinha fala que fica mais abafado e lembra que inventou uma pílula contra sede. 

Dona Morte pergunta quem vai experimentar com todos olhando para o Louco e ele diz que é louco, mas nem tanto e sugere para Dona Morte experimentar. Franjinha gosta, dizendo que qualquer coisa ela se garante. Dona Morte diz que conhece a fama dele, mas toma a pílula, falando que faltou uma aguinha para descer melhor. Mônica e Cebolinha ficam em dúvida se funciona e querem tomar a pílula só que ficam com mais sede ainda que estavam e correm para tomar sorvete. Louco avisa para Dona Morte que vai para o deserto do Saara, chamando de Dona Vida e ela corrige que é Morte.

Mônica e Cebolinha encontram vendedor de sorvete, que diz que acabou, vendeu tudo para a Magali. Outro vendedor, estava vendendo sorvetes par aos filhos do Coelho caolho e diz que  vai sobrar nada. Mônica e Cebolinha reclamam que o calor está de derreter  e aparece o Jotalhão magro, dizendo que derrete mesmo. Mônica não reconhece quem era e Cebolinha diz que era o Jotalhão.

Em seguida, encontram o Chico Bento procurando água com um galho de madeira que indica onde tem água, o galho começa a balançar no lugar que tem água. Só que aparece é petróleo e Chico odeia. Depois, encontram o Anjinho na Terra, perguntam o que ele faz ali embaixo e ele responde que lá em cima está muito quente também, as nuvens evaporaram também, está um inferno.

Encontram o Cascão querendo cometer loucura, precisando de água com tanto calor que sentia. Ele corre em direção ao riacho e Mônica impede de entrar porque podia se afogar e pede para o Anjinho ajuda para o São Pedro. No Céu, Anjinho comenta que precisam de chuva, São Pedro fala que as nuvens estão secas e está esperando uma nova remessa de nuvens carregadas do Polo Norte que devem chegar só amanhã.

Anjinho diz que até lá todo mundo está cozido, tudo culpa desse Sol e tem ideia de ir ao espaço sideral falar com o Astronauta conversar com o Sol para convencê-lo de diminuir o brilho sobre a Terra. O Sol nega, estava deprimido porque brigou com a Lua, que a seguir aparece pedindo desculpas e que não vai mais olhar para a Terra.

Assim, o calor dá lugar a uma brisa saudável na Terra, Cranicola estava rachado e diz que o calor estava de rachar. Penadinho pergunta se era ele mesmo e Cranicola diz que por enquanto, Crani, só falta a cola. Começa a chuva, Cascão corre para casa e o ambiente refresca, deixando tudo normal e pessoal feliz porque ninguém aguentava mais aquele calor infernal. E o Diabo responde que ninguém mesmo, nem ele, aparecendo se abanando com ventilador, ar condicionado e água com gelo no Inferno.

História legal em que todos estavam sofrendo com o calorão no Bairro do Limoeiro, ninguém tinha força pra nada, nem Mônica conseguia correr atrás e bater no Cebolinha. Passaram a ter mais sede tomando a fórmula do Franjinha e não tiveram sorte nem em comprar sorvetes por causa da Magali e dos filhos do Coelho Caolho. Foi preciso Anjinho intervir e pedir para o Astronauta conversar com o Sol para diminuir o brilho e a temperatura da Terra voltar ao normal. 

O calor infernal foi culpa do Sol, que estava com ciúme da Lua ficar olhando para o planeta Terra, fizeram as pazes, aí o Sol passou a esquentar menos. Calor insuportável estava afetando cabeça deles e passando por coisas inusitadas sendo capaz até de Cascão querer tomar banho no riacho, salvo pela Mônica que tinha medo de ele se afogar e estava insuportável até no inferno precisando o Diabo se abanar e ficar com ar-condicionado e ventilador. Eram boas as histórias de personagens sofrendo com calor. Não diferencia muito do calor atualmente na vida real, quem sabe o Sol brigou de novo com a Lua e precisaria o Astronauta intervir para amenizar o calorão.

Louco de Papai Noel com aquele calor e não satisfeito ainda queria mais calor indo para o deserto do Saara, só não foi louco de tomar a pílula inventada pelo Franjinha. Louco também conduziu bem conversa com a Dona Morte, até chamando de Dona Vida. Se o Do Contra tivesse sido criado na época, se encaixaria bem na história, contrariando todos que estavam com calor.

As fórmulas do Franjinha já são famosas que dão erradas, que até Dona Morte sabia disso e nem Louco queria tomar a pílula que Franjinha inventou. O próprio Franjinha não levava fé na sua invenção e não era louco de testar e queriam Dona Morte como cobaia porque se acontecesse algo errado, não teria efeito ruim nela, mas por não ser humano não deu reação nela, adiantou nada experimentar.

Mônica estava rastejando mas quando viu a Dona Morte correu na hora e conseguiram forças para correr quando ficaram com sede excessiva após tomarem a pílula do Franjinha. Magali tirou a vez de Mônica e Cebolinha tomarem sorvetes, ficando gorda como grávida de tanto sorvete que tomou, dessa vez engordou após comer. Legal também os filhos do Coelho Caolho impedindo Mônica e Cebolinha de tomaram sorvete.

Engraçado trocadilhos como morrendo de calor, calor de louco, calor de derreter e calor infernal que foram ganchos para surgirem Dona Morte, Louco, Jotalhão e  Diabo, respectivamente. Rachei de rir com Jotalhão magro por ter derretido de tanto calor que estava. Chico Bento com galho que procura água encontrando petróleo foi engraçado de achar ruim de ter sido petróleo e não água. Devia gostar, ficaria rico e podia ter toda a fonte de água que quisesse. Mostrou que o galho que busca água só funciona na roça, não na cidade.

Divertido também Cascão querer tomar banho por causa do calor forte, as nuvens secas e evaporarem, Anjinho falando inferno, São Pedro com ventilador no Céu e encomendas nuvens no polo Norte, Sol namorar Lua, Cranicola rachou com tanto calor e Diabo se abanando com leque e com ar-condicionado e ventilador no inferno, nem ele estava aguentando calor. 

Chamou atenção ao crossover com reunião de vários personagens de outros núcleos em uma história e todos tiveram papéis importantes para conduzir a trama. Nunca poderíamos imaginar Mônica, Cebolinha e Franjinha juntos com Louco e Dona Morte, Mônica e Cebolinha com Coelho Caolho e os filhos, depois com Jotalhão e com Chico Bento, e mais Anjinho com Astronauta.

O título fez jus com crédito de "A turma" com tantos crossovers juntos. História teve uma linguagem diferente, mais ágil, com os secundários presentes ficou como se todos estavam fazendo visita no Bairro do Limoeiro e todos os secundários conheciam um ao outro. Foi importante presença deles para gerar as gags apresentadas.

Tudo indica que foi história escrita pelo Flávio Teixeira De Jesus por característica de ser ágil, vários personagens surgindo do nada, inclusive secundários. Depois, estilo de história com essa linguagem foi adotado mais frequente nas histórias ambientadas no Parque da Mônica, onde todos se reuniam lá e com maior número de crossovers com personagens. Flávio fez muitas histórias do Parque da Mônica. Se essa história não fosse para Revista Parque da Mônica, recém lançada até então, acho que iria para revista do Cebolinha.

Traços ficaram bons do estilo consagrado dos personagens. Teve erro roupa do Coelho Caolho com cor rosa em vez de amarela. Incorreta atualmente por por personagens sofrerem com calor extremo, absurdos mostrados, aparecer Diabo, além de palavras e expressões populares de duplo sentido proibidas como "morrendo de calor", "calor infernal", "todo mundo tá cozido", "diacho", "inferno", "peste", "louco", entre outras.

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Capa da Semana: Mônica Nº 80

Uma capa em clima de Natal em que a turma está reunida montando Árvore de Natal e o Anjinho desenha a cara do Cebolinha na estrela de cinco pontas do topo da Árvore gerando gargalhadas em todo mundo. Muito boa. 

Até Anjinho trolando o Cebolinha por causa do cabelo, ninguém perdoa, engraçada a cara que ele fez sendo zoado. Na época o Anjinho era arteiro, participava de brincadeiras com a turma e aprontava com eles, podia até participar de planos infalíveis contra a Mônica, o que deixava personagem mais divertido. 

Como o Cebolinha foi alvo da piada, a capa poderia ter saído em gibi dele, mas não foi porque na época os gibis dele eram mais voltados com capas com alusão à história de abertura e também porque os gibis dele chegavam nas bancas depois do Natal, por isso nos anos 1970 os gibis da Mônica tinham histórias de Natal enquanto os do Cebolinha tinham de Ano Novo. A partir dos anos 1980 isso se inverteu com gibis do Cebolinha chegando nas bancas antes, nos primeiros dias de cada mês enquanto as da Mônica mais para o final de cada mês.

Capa dessa semana é de 'Mônica Nº 80' (Ed. Abril, Dezembro/ 1976).

domingo, 9 de novembro de 2025

Jotalhão e a Turma da Mata: HQ "Salvem os elefantes"

Mostro uma história em que a Turma da Mata tem que lidar com dois caçadores que foram parar lá na floresta com intenção de caçar o Jotalhão. Com 16 páginas, foi publicada em 'Mônica Nº 132' (Ed. Globo, 1997).

Capa de 'Mônica Nº 132' (Ed. Globo, 1997)

Raposão e Coelho Caolho ficam espantados lendo notícia no jornal que os elefantes no planeta estão diminuindo cada vez mais, é uma espécie em extinção e eles precisam proteger o Jotalhão, acham que ele não pode ler a notícia para não ficar triste e precisam preservá-lo por ser o único elefante deles.

Aparece o Jotalhão, eles o abraçam, dão carinho e levam para descansar em uma rede. Jotalhão diz que está ótimo e pergunta por que estão fazendo tudo isso com ele. Raposão fala porque gostam dele e não é para esquentar com isso e Coelho Caolho fala para ler o jornal para distrair a mente. Raposão pega o jornal e Jotalhão quer saber o que estão escondendo dele.

Raposão diz que nada, que Jotalhão é um animal muito precioso e raro para ficar se preocupando. Jotalhão fala que entendeu tudo, agradece o cuidado e que já tinha lido a matéria no jornal sobre possível extinção dos elefantes e está muitíssimo preocupado, não com ele porque está seguro na "Floresta do Matão", que é um reino de fábula, mas, sim, com seus irmãos da África e da Índia que estão ameaçados e gostaria de ajudá-los.

Raposão e Coelho Caolho falam que o melhor que pode fazer pela espécie é sobreviver e tem muitos que também estão preocupados com a preservação de animais e dos elefantes. Jotalhão espera que não seja tarde e queria fazer alguma coisa. Rita Najura diz que é para casar com ela e multiplique a espécie. Raposão fala que quer preservar a espécie dele e não criar uma nova e Rita Najura comenta que por isso os elefantes estão desaparecendo e formiga tem de monte.

Em seguida, chegam os caçadores Vivaldo e Janjão no Reino da Mata onde caçador algum jamais pisou lá. Janjão fica aliviado, pensava que o lugar era lenda, andaram para caramba, tiveram que atravessar primeiro história da Mônica, depois do Bidu. Vivaldo manda Janjão parar de reclamar, explica que estava cansado de caçar tatu no interior, queria algo grande, mas não tinha dinheiro para ir para África, até que descobriu o Reino da Mata para caçar o Jotalhão.

Depois, seguem pegadas dele no chão, Janjão tem medo e diz que acha que não vai gostar disso, quando encontram Rei Leonino e Ministro Luís Caxeiro Praxedes em um passeio matinal pela mata. Rei Leonino pergunta para o ministro que bichos eram aqueles e Luís Caxeiro acha que são macacos.

Vivaldo fica feliz que viu um leão e dá um tiro dizendo que sempre quis caçar um leão de verdade. Rei Leonino corre e manda Luís Caxeiro salvá-lo com a vida dele. O ministro implora para não atirar e Vivaldo diz que já caçou muito porco-espinho na roça e quer um leão. Como não encontra o Rei Leonino, Vivaldo volta a se concentrar no Jotalhão.

Perto dali, Jotalhão está deprimido, não consegue pensar em uma solução para salvar os amigos elefantes. Raposão diz que definhar não resolve, manda levantar a tromba, sacudir a poeira de trombetadas. Jotalhão resolve agir e tem ideia de arrecadar fundos para ajudar a causa elefantina e Raposão e Coelho Caolho contribuem com uma noz e uma cenoura.

Depois, Vivaldo esbarra com Raposão e Janjão pensava que elefantes eram maiores. Vivaldo fala que ele é uma raposa e avisa que estão procurando elefante, em particular o Jotalhão. Raposão acha que que é para contribuírem com a causa, Janjão quase dá deslize que é para caçar e Vivaldo corrige que estão ansiosos para contribuir e Raposão avisa que Jotalhão foi naquela direção e que não deve estar longe.

Em seguida, Luís Caxeiro aparece, dando notícia que o Rei Leonino mandou avisar que o reino foi invadido por caçadores sanguinários, que o rei quase foi vítima de um deles e que ele mesmo teria ido se não tivesse se escondendo debaixo da cama, que os caçadores se parecem com macacos e interessadíssimos em caçar elefantes. 

Raposão e Coelho Caolho correm à procura do Jotalhão. Vivaldo e Janjão encontram um vulto do Jotalhão. Vivaldo mira, quando Raposão e Coelho Caolho tentam impedir, mas caem em uma armadilha criada por eles. Vivaldo dá vários tiros, estranha que Jotalhão continua parado e quando vê, era só uma sombra de coqueiro.

Chega o Jotalhão perguntando se querem contribuir para a causa dos elefantes. Vivaldo diz vai contribuir, apontando a espingarda para o Jotalhão, só que acaba a munição depois dos tiros dados no coqueiro. Jotalhão avança neles e cai em cima reclamando que por causa de malvados como eles que a espécie está indo para cucuia., quando Raposão e Coelho Caolho conseguem sair do buraco.

Mais tarde, Rei Leonino agradece Jotalhão que prendeu os malfeitores, que ele mesmo teria feito se os deveres reais não tivessem impedido. Avisa que eles serão mandados de volta para o lugar deles onde cumprirão pena por invadir reserva ecológica de história em quadrinhos, o Reino da Mata voltou a ser um lugar seguro para bicharada graças ao Jotalhão, mas não se assanhe muito que o rei continua sendo ele.

Raposão e Coelho Caolho também elogiam, dizendo que Jotalhão pode ficar satisfeito que já fez algo importante para a preservação de elefantes e de outros animais e Jotalhão quer fazer outra coisinha, dando recado para os leitores que se conhecer um elefante, amiguinho ou outro bicho que precise de ajuda, dê uma mãozinha para ele, faça da sua cidade, do seu quintal, uma extensão do reino animal deles. 

História legal em que dois caçadores resolvem caçar o Jotalhão, por falta de elefantes no Brasil e não queriam viajar até à África. Antes de encontrarem o Jotalhão, tentam caçar o Rei  Leonino e enganam Raposão e Caolho Caolho, dizendo que iam para contribuir com a causa dos elefantes para indicarem onde estava o Jotalhão e ainda fazem os dois caírem em uma armadilha para impedir que contem ao Jotalhão. No final, acaba a munição da arma por terem atirado em um coqueiro, Jotalhão consegue detê-los, são presos e encaminhados de volta para o Mundo Real. 

Como não tinha elefante perto, os caçadores precisaram ir para os quadrinhos caçar um. O salvador do Jotalhão foi o coqueiro, que com os tiros dados, fez acabar a munição na hora que o encontraram de fato. Jotalhão já estava deprimido com avanço de extinção dos elefantes e queria ajudar seus amigos de espécie de alguma forma e conseguiu salvar a sua pele e até os amigos se livrando de dois caçadores.

Raposão e Coelho Caolho já queriam cuidar do Jotalhão preservar de saber da notícia, assim que souberam sobre extinção de elefantes, mas acabaram dando deslizes. Jotalhão fica deprimido porque não podia ajudar, pelo menos teve ideia de contribuição de levantar recursos para causa de elefantes, já era alguma coisa. Rei Leonino muito medroso e fingir para os súditos que que não podiam capturar os caçadores porque tinha compromissos reais e o compromisso era se esconder debaixo da cama com medo, sem dúvida. não é atitude digna de um rei. 

Descobrimos que onde eles moram é "Floresta do Matão" e que é um reino de fábula, fictício localizado no Brasil, só não disseram em qual estado do país fica. É um reino de fábulas onde humanos não entram. Vivaldo e Janjão, seres humanos do Mundo Real que foram para o mundo mágico  das histórias em quadrinhos, precisaram usar recurso de metalinguagem para poder entrar lá. Não teve explicação como fizeram isso, apenas fizeram por causa dos absurdos de história sem quadrinhos, se fosse hoje, iam fazer questão de dar explicação e, quase certo de envolver lápis mágico da Marina.

Foi engraçado ver absurdo dos animais da mata terem acesso a jornais e tiradas como  Rita Najura dizer que é para casar com ela e multiplicar a espécie e Raposão responder que querem preservar a espécie de elefante do Jotalhão e não criar uma nova, Janjão dizer que precisaram caminhar pelas histórias da Mônica, Bidu e de outros personagens até chegar na da Turma da Mata, após o tiro, Rei Leonino dizer que é para Luís Caxeiro salvá-lo com a vida dele, levar tiro no lugar dele, , a pegadinha de sombra do Jotalhão era um coqueiro. 

Também foi muito boa a referência a propaganda do extrato de tomate "Elefante" da "Cica", quando falam "Jotalhão, o elefante mais amado do Brasil" como era conhecido nas propagandas da "Cica". Teve participação dos principais personagens da Turma da Mata, só o Tarugo que apareceu só no quadro final, sem ser interagindo no decorrer da trama. 

Não foram muitas histórias com a Turma da Mata contracenando com humanos, mas quando tinham, normalmente eram com temática assim com caçadores e eles falavam com os humanos e todos se entendiam.  A partir da segunda metade dos anos 1990 estavam colocando histórias mais longas e desenvolvidas para os núcleos secundários da MSP com mais frequência, o mais comum antes disso eram histórias curtas de até 5 páginas para os secundários.

Mostrou mensagem de preservação e extinção de animais e de elefantes e de solidariedade de ajudar os próximos, nem que seja um amigo que esteja precisando de alguma ajuda, afinal, o Jotalhão queria ajudar seus amigos de espécie que estavam precisando, mesmo se a causa não fosse extinção deles, poderia colocá-lo ajudando por outros motivos. 

Incorreta atualmente de ter caça a animais, principalmente elefantes, homem com espingarda e atirando em direção a Rei Leonino, Jotalhão e coqueiro, abordar problemas sérios ambientais e ecológicos que povo do politicamente correto acham que não são apropriados para crianças, Luís Caxeiro chamar os humanos de macacos, metalinguagem de seres humanos irem para os quadrinhos da Turma da Mata sem dar explicação, além de palavras e expressões populares de duplo sentido proibidas como "tromba", "macacos", "indo pra cucuia", "não se assanhe", "dar uma mãozinha".

Traços ficaram bem caprichados do estilo consagrado dos personagens e uma excelente vista de fundo da mata. As cores em degradê já estavam em alguns quadros pontuais e não mais em todos os quadros como em 1995 e continuaram com degradês assim pontuais em toda a fase da Globo até em 2006. Os quadros tiveram uma arte de ondulações representando folhas da mata, que passaram a adotar a partir nas histórias da Turma da Mata a partir de 1996 e representando um retorno de como eram dispostos os quadros nas histórias deles dos anos 1970.

sexta-feira, 18 de julho de 2025

Bidu: HQ "À Procura de um espaço"

Dia 18 de julho é aniversário de criação do Bidu e início da trajetória da MSP, então, em homenagem, mostro uma história em que o Bidu precisou ir para histórias de outros personagens depois do Mauricio querer construir uma biblioteca na história do Bidu. Com 7 páginas, foi publicada em 'Mônica Nº 2' (Ed. Globo, 1987).

Capa de 'Mônica Nº 2' (Ed. Globo, 1987)

Bidu é surpreendido por funcionários da MSP levando livros para sua historinha. Bidu quer saber por que aqueles livros e eles falam que foi ordens do Mauricio de Sousa, que vai construir uma biblioteca ali e que os carpinteiros vem vindo para construírem as estantes.

Bidu vai falar com o Mauricio, fora da história ele pergunta para o Bidu se gostou da novidade da biblioteca. Bidu pergunta se vai colocar todos aqueles livros na historinha dele, Mauricio diz que é o lugar mais adequado e Bidu pergunta como ele fica. Mauricio responde que ele vai poder fazer pesquisas e ter mais ideias para as historietas. Bidu argumenta que o cenário vai ser sempre biblioteca e desenhistas vão se encher de desenhar livros. Mauricio, então, tem ideia de fazer o Bidu participar de histórias de outros personagens.

Assim, Bidu entra na história da Mônica, com título "Foi você!" e Bidu acha chateação entrar em história que não tem nome dele. Entra no momento que o Cebolinha está fazendo caricatura e xingamento da Mônica no muro. Cebolinha vê a Mônica se aproximando, manda Bidu segurar o pincel e balde de tinta. Mônica aparece, pensa que foi o Bidu que rabiscou no muro e bate nele, jogando balde de tinta nele. Bidu diz que não quer levar coelhada e vai procurar outro espaço.

Em seguida, Bidu vai parar na história do Rei Leonino, "O insulto". Ele procura um poste, mija no trono do Rei Leonino. O Ministro Luís Caxeiro Praxedes vê e acha um insulto por ter feito xixi no trono do rei e chama os guardas reais para expulsá-lo. Bidu sai da historinha e vai parar na do Piteco chamada "A caça". Bidu encontra um dinossauro, corre e leva pancada da clava do Piteco, que acha o animalzinho esquisito e não tem coragem de devorá-lo.

Bidu diz que esse negócio de ir para o espaço dos outros não dá certo e implora para o Mauricio que quer sua história de volta. Mauricio não aguenta ver um cãozinho chorando, tira a biblioteca de lá e Bidu recupera sua história, agora com o titulo "A grande conquista". Bidu se pergunta onde será que o Mauricio colocou a Biblioteca e no final descobrimos que foi na sala de roteiros, com os roteiristas Robson Lacerda e Rubão reclamando com o Mauricio que foi bem na sala deles.

História legal em que o Mauricio de Sousa monta uma biblioteca na história do Bidu, que precisa arrumar outro espaço para trabalhar. Vai parar nas histórias da Mônica, do Rei Leonino e do Piteco, se dando mal em todas as presenças. Mauricio fica com pena, devolve a história para o Bidu e monta a biblioteca na sala dos roteiristas.

Mauricio sacaneou o Bidu, com tanto lugar para montar biblioteca, tinha que ser logo na história do Bidu, que tinha toda a razão de reclamar, não seria bom leitores verem cenário de biblioteca em todas as histórias dele. Pior a situação do Bidu rebaixado de protagonismo para fazer participação de histórias de outros personagens para não ficar sem trabalhar. Pelo menos teve final feliz para o Bidu, mas péssimo para os roteiristas, biblioteca na sala deles deixou tudo apertado para eles criarem, tirando concentração deles.

Mostrou estilo de história de Bidu ator de histórias em quadrinhos e metalinguagem. Foi engraçado ver diálogo do Bidu com o Mauricio reclamando da atitude dele e Bidu se dar mal nas histórias dos outros e crossovers entre eles. Mônica batia em todo mundo, até em cachorro como o Bidu  ela batia, Cebolinha sacana também de fazer com que ela pensasse que foi o Bidu quem rabiscou o muro para apanhar no lugar dele, até que o plano deu certo dessa vez. Muito bom também Bidu mijar no trono do Rei Leonino, Luís Caxeiro não gostar por ser capacho do rei e Bidu levar pancada da clava do Piteco. O próprio Rei Leonino não ter aparecido, mas também nem precisava do jeito que colocaram, ficou bom da mesma forma. Esses crossovers ficaram excelentes, tiveram outras histórias do Bidu indo para histórias de outros personagens, sempre era engraçado.

Nos quadrinhos do Bidu, era normal funcionários da MSP serem representados como cachorros. Com exceção de Mônica e Cebolinha, os secundários não conheciam o Bidu nesta história. Isso variava de roteiro, tiveram histórias que os secundários conheciam um ao outro. Curioso também ver palavra "historieta", nem mais usada ou falada popularmente.


Nessa fase da segunda metade dos anos 1980 tinham muitas histórias de metalinguagem com presença de Mauricio e de roteiristas, em todos os núcleos de personagens, nem que fosse só no final como piada final, era bem repetitivo isso. Tudo que acontecia nos bastidores da MSP servia de inspiração para histórias. Pode ser que haviam construído uma grande biblioteca na MSP na vida real e o roteirista quis retratar isso na história. Como apareceram os roteiristas Robson Lacerda e Rubão juntos, pode ter sido escrita por qualquer um dos dois, eram estilos de histórias parecidos e os dois gostavam de histórias de metalinguagem.

O tema da história não considero incorreta, apesar de hoje eles evitarem histórias com metalinguagem, mas tem ainda em histórias especiais. Só que tem elementos incorretos que iriam censurar como personagens rabiscarem Mônica no muro (colocam cartazes agora), inadmissível Bidu mijar em poste e no trono do Rei Leonino (completamente proibido por causa de outros países que proíbem cachorros mijarem em postes), Bidu apanhar e ser surrado pela Mônica e pelo Piteco (violência e maltrato a animais), clava do Piteco com prego, palavra "Diacho!" (por lembrar diabo), expressões "Minha Nossa! "Pelo amor de Deus!" (tudo de cunho religioso é proibido agora) e palavra "historieta" (por ser datada). Além disso, Bidu e outros personagens iam para as outras histórias naturalmente, sem explicações. Hoje, para personagens irem para outras histórias é sempre com lápis mágico da Marina, fariam adaptação nisso. Teve erro do Cebolinha falar "segura" sem trocar "R" pelo "L".

Os traços ficaram muito bons, típicos de histórias dos anos 1980. A colorização bonita também do início da Globo de 1987 com personagens com peles mais rosadas, com destaque ao azul em tom aquarela, sem variações de azul, então por isso o tom do Bidu mais escuro, também em azul aquarela. O tom de cor azul do Bidu nos últimos anos da Editora Abril e por toda a Editora Globo variava com a colorização da época, não tinha um padrão, por isso às vezes ele aparecia mais escuro que o normal e podia até ser azul claro quase branco. Assim, essa postagem fica uma homenagem de aniversário de 66 anos do Bidu, criado em 18 de julho de 1959, e do início da carreira profissional do Mauricio nos quadrinhos.

PARABÉNS, BIDU!!! PARABÉNS, MSP!!!

terça-feira, 18 de fevereiro de 2025

Turma da Mônica Nº 71 / Mônica Nº 72 (Jotalhão 60 Anos / Marina 30 Anos)

Comprei as edições 'Turma da Mônica Nº 71' e Mônica Nº 72' da terceira série da Editora Panini, ambas de janeiro de 2025, que tiveram histórias comemorativas e nessa postagem faço resenha de como foram essas revistas.

A revista 'Turma da Mônica Nº 71' teve uma história de homenagem aos 25 anos da história "O Concurso das Denises" e outra comemorativa de 60 anos do Jotalhão, e 'Mônica Nº 72', uma homenagem aos 30 anos de criação da personagem Marina. A distribuição anda atrasada, as revistas "Nº 71" chegaram aqui dia 27 de janeiro e as "Nº 72" em 10 de fevereiro, então ainda podem ser encontradas nas bancas neste mês de fevereiro.

Tiveram reajustes de preços a partir de janeiro de 2025, custando agora R$ 7,90 cada revista continuando quinzenais com 52 páginas, formato canoa, 8 páginas de passatempos e 1 página de seção de correspondências. Estão distribuindo brindes desde então, as revistas "Nº 71" com calendário 2025 de brinde e as "Nº 72", uma maquete com um local da Vila Abobrinha do Chico Bento para montar. 

A novidade a partir deste ano é que nos diálogos não estão mais colocando ponto de exclamação no final das frases e colocaram ponto no lugar. Resolveram implicar com exclamação que sempre foi marcante nos gibis, agora deixam só quando falam alguma interjeição ou mostrar uma animação maior no diálogo. A seguir, comento sobre cada uma das duas revistas:

Turma da Mônica Nº 71:

A revista é marcada por duas histórias especiais, uma referência à história "O concurso das Denises" e outra em homenagem aos 60 anos do Jotalhão. A contracapa é uma extensão da ilustração da capa como vem sendo nessa terceira série da Panini e nas demais edições "Nº 71" também tiveram. O brinde foi um calendário 2025, cada revista "Nº 71" teve um calendário estampado com o personagem principal da revista e nesse gibi 'Turma da Mônica Nº 71' o calendário foi da Milena.

Foram 7 histórias no total, incluindo a tirinha final. Abre com a história "Uma vingança concursal", de 18 páginas e escrita por João Xavier, em que a Soninha, irmã imaginária da Denise, está fazendo aniversário e consegue sair da mente da Denise para se vingar dela e vê se consegue ser a Denise escolhida da história "O concurso das Denises" entrando na máquina do tempo do Franjinha e indo parar no ano 2000 bem naquela história e, assim, Mônica e Denise vão até lá também para impedir que a Soninha consiga executar seu plano.

A história "O concurso das Denises" escrita por Emerson Abreu foi lançada em 'Mônica Nº 160' (Ed. Globo, 2000), mostrou um concurso pra escolher uma Denise dentre várias candidatas, e é considerada um clássico por ter marcado a Denise que se tornou definitiva. Antes, ela aparecia diferente a cada história, tanto em visual quanto personalidade, e essa história marcou a Denise deslocada que conhecemos em definitivo. Aí, resolveram criar essa história 25 anos depois, que pode ser considerada homenagem ou uma continuação dela, como o leitor preferir.

A Soninha não foi candidata na história de 2000, o roteirista deve ter considerado nesta história que a Denise loira seria a Soninha. Pelo menos dessa vez voltaram com máquina do tempo do Franjinha para elas voltarem para o passado e não foi lápis mágico da Marina para isso. Teve várias referências à história original do Emerson, repetiram cena do Cebolinha vendendo pamonha em frente a MSP e depois ele vestido de linguica, várias candidatas querendo ser Denise, reforçou que a verdadeira Denise se chama na verdade Creuza Maria. Os traços ficaram feios, bem digitais como está sendo. 

A história marcou também a volta da Soninha, que no início não era imaginária, foi criada como coadjuvante na história "Quase irmãs", de 'Mônica Nº 115' (Ed. Globo, 1996), ela era bem real, mas depois o Emerson mudou, deixando que era irmã imaginária da Denise e que aparece no mundo real quando ela completa aniversário para se vingar da Denise por algum motivo. Não foi ruim a história,  mas acho que o próprio Emerson poderia desenvolver melhor por ele ter criado a história original de 2000 e domínio de personalidades das personagens adotadas por ele. No caso, não criou as personagens,  mas a personalidade definitiva foi criada por ele.

Em seguida, vem Milena com seu irmão Binho em "Falar a verdade", de 3 páginas, em que a Milena convence o Binho a falar a verdade para o pai que quebrou a lanterna dele. História fraca, com Milena com lição de moral de que não se deve mentir e sempre dizer a verdade, Milena sem graça como sempre. Não gostei dessa.

Depois vem "Sessentão", com 6 páginas e escrita por João Xavier, que comemora 60 anos do Jotalhão. História é mais informativa mostrando coisas que aconteceram na trajetória do personagem como que começou como figurante nas histórias do Raposão, virou garoto-propaganda da massa de tomate e produtos da "CICA", encarnou Jô Soares na história de ' Mônica Nº 146' (Ed. Globo, 1998), entre outras coisas. Teve até presença do elefante "Dumbo" (parodiado como "Bumbo").

Por causa dessa história que me motivou a comprar a edição. Embora mereceria ser a história de abertura da revista e ter um roteiro mais desenvolvido, mais ação, vale a lembrança. Na verdade, foi atrasada já que o Jotalhão foi criado em 1962 em uma campanha publicitária e, portanto, completou 60 anos em 2022. Só que eles estão contando a primeira aparição do Jotalhão e tiras de jornais do Raposão que foi em 1965, primeira vez que apareceu nos quadrinhos. Sempre fazem comemorações com os personagens principais, mas os secundários ficam esquecidos, nunca tem especiais com eles. Seria interessante livros comemorativos de estilo 60 Anos de cada secundário líder do núcleo, pelo menos Tina e Penadinho poderiam fazer, aí no lugar fazem livro "Nimbus e Do Contra 30 Anos", que não têm raridades de histórias clássicas para isso.

Depois vem história de 2 páginas com Luca envolvendo Bidu e outra de 2 páginas com a Turma da Mônica e a revista termina com história "Essa turma é de morte", com 3 páginas, da Turma do Penadinho que testa quem será a morte quando a Dona Morte sai de férias. Foi bom que mostrou eles matando pessoas, muito tempo que não via isso. E a tirinha final foi com o Frank, também da Turma do Penadinho.


Mônica Nº 72:

Foram 6 histórias no total, incluindo a tirinha final. O brinde fornecido nesta revista  foi o ribeirão do Chico Bento para montar. Cada edição "Nº 72" tem um local do sítio de brinde, se comprar todas, vai ter a Vila do Chico completa. Esses brindes foram pensados no filme "Chico Bento e a goiabeira maraviosa", estão fazendo vários especiais com o Chico neste ano para divulgar o filme. A revista não teve contracapa estendida com ilustração da capa, assim como as demais revistas "Nº 72", preferiram deixar propaganda do brinde do sítio do Chico Bento no lugar. Aliás,  mudaram roupa do Chico Bento em propagandas com ele, provavelmente para lembrar o filme, ficou muito feio por sinal, tomara que fique restrito só a propagandas mesmo.

'Mônica Nº 72' tem a história comemorativa de 30 anos da criação da Marina. Criada em janeiro de 1995 com a filha do Mauricio virar personagem, Marina tem história de abertura em todas as revistas "Nº 72", menos a do Chico Bento porque é de núcleo diferente. São histórias normais e isoladas em cada revista, sem serem interligadas uma com a outra, e a única que foi comemorativa lembrando à data de criação foi essa da revista da Mônica.

A história de abertura se chama "Marina 95", escrita por Flavio Teixeira e com 15 páginas, em que o Mister B revela o que a Marina faz quando sai das histórias da turma. A personagem é tratada como a filha do Mauricio que vai parar nos gibis com o lápis mágico, mas tem hora que volta para a vida normal fora dos quadrinhos e eles se perguntam para onde vai e o que faz depois.

É revelado que ela vai para os anos 1990, mais precisamente em 1995, quando foi criada, e durante a história é mostrado a Marina em vários momentos dos anos 1990, com foco maior em 1995. Quiseram mostrar as mudanças que aconteceram desde então, coisas que existiam e não tem mais, como celular tijolo, fax, internet discada que custava a baixar coisas, locadoras de filmes e problemas para rebobinar fitas VHS, enrolar no videocassete se não coloca direito, etc. 

Teve presença do Teveluisão, do Bloguinho, do Mister B, Seu Juca, Louco, Mauricio de Sousa, bastidores da MSP em 1995, referência às histórias "Na escola" ('Mônica Nº 74' - Ed. Globo, 1993), "Qual o nome do filme?" ('Cebolinha Nº 101' - Ed. Globo, 1995) e "O bichinho dentro do ovinho" ('Mônica Nº 132' - Ed. Globo, 1997), ao lembrar sobre os tamagochis que marcaram aquela época. Teve até Cebolinha se glorificando que ele ainda rabiscava muros em 1995, apesar de ser lembrado pela colabora Fátima que iria fazer isso só até em 1997. Cada lugar que a Marina ia teve um novo subtítulo como se ela tivesse indo para outra história.

Traços ficaram aceitáveis com o padrão digital atual.  Achei bem interessante essa história, ficou homenagem à Marina e também da rotina como eram nos anos 1990, ver como as coisas mudaram no mundo desde então, até de primórdios do politicamente correto. O final que poderia ser melhor, podia ter uma piadinha final, mas compensa como foi o desenrolar da história. 

Acho que a Marina estava falando alguma coisa no quadro em que estava indo para a locadora e o balão ficou omitido ou por esquecimento de inserir ou mudaram de ideia de colocar para não atrapalhar o letreiro da locadora, pode ser considerado um erro aí. A grafia "loucadora" no letreiro pode ter sido proposital para dar ideia de que era uma locadora doida, com Seu Juca como atendente e o Louco como dono dela.  Na capa da edição apareceu a verdadeira Marina adulta da vida real, mas acredito que intenção seria no lugar a colaboradora Fátima da MSP que apareceu na história toda, já que a Marina real não apareceu.  

Depois vem Milena com "Desenho caprichado", de 6 páginas, em que o Binho quer que a Milena desenhe um ursinho Bilu para ele e pendurar na parede e Milena demora muito para desenhar. Bem bobinha essa história, nada relevante e com enrolação, dava para ter menos páginas que isso. Milena sempre sem graça, nem personalidade e colocam qualquer coisa já que roteiros de desenhos deveria fica para a Marina. Não gostei dessa.

Em seguida, "Fada tagarela", com 6 páginas, em que cai um dente-de-leite da Mônica e a fada do dente a visita para levar o dente embaixo do travesseiro dando uma moeda em troca, só que a fada falava demais.  História simples, só diálogos, sem conflitos como vem sendo ultimamente e esses traços horrorosos completamente digitais são deprimentes, completamente estranhos desenhos assim.

Em "Quem esnoba só se afoba", com 3 páginas, Carminha Frufru, Metildo e Penha discutem querendo saber qual dos três é o mais influenciador, com show de esnobação do trio. Segue a atualidade da sociedade de que o que importa é quem é influenciador porque tem status e popularidade, isso que é o certo, não tem problema criança ser influenciadora e mexer com redes sociais. Tem participação da Mônica no final para dar lição neles e colocá-los em seus devidos lugares.

História de encerramento foi "Deixe pra lá", com 4 páginas, em que a Mônica não quer brincar com Cebolinha e Cascão porque aprontaram com ela e Cascuda deseja brincar com eles, apesar de que estava brincando com a Mônica. História quis mostrar a lição de que se deve perdoar os outros. Traços digitais totalmente decadentes, lamentável ver desenhos desse jeito. E a revista termina com tirinha com destaque ao Xaveco, apesar da presença da Mônica no último quadrinho. Não tiveram histórias com secundários de outros núcleos, Mônica só não apareceu na história da Milena.

Então, as revistas valem pelas histórias comemorativas, melhor delas a da Marina, sem dúvida o Flávio é o melhor pra escrever essas histórias especiais. Não gosto muito da Marina, mas prova que se for bem desenvolvido o roteiro, dá para ser boa personagem. Ambas as revistas foram com histórias de abertura mais desenvolvidas e com mais páginas que o padrão que está sendo com média de 12 paginas, o que foi bom também e as de abertura envolveram viagens no tempo. Já as histórias normais foram fracas, seguiram o padrão que tem sido ultimamente com traços digitais feios, pouco humor, sem grandes conflitos, educativas, voltadas ao politicamente correto e com lições de moral. Não comprei as outras revistas "Nº 71" e "Nº 72" de janeiro, então não tem resenha delas. Fica a dica.