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quarta-feira, 29 de julho de 2026

Capa da Semana: Mônica Nº 129

Uma capa com ilustração bonita com a turma tocando em uma banda, com Mônica como vocalista, Cebolinha baixista, Magali guitarrista e Cascão baterista, sendo que não estavam tocando bem, com as notas musicais deformadas e todos usando fones de ouvido para tapar o próprio som e indicando ser uma banda muito ruim. 

Fica na imaginação se eles estavam só fazendo ensaio ou apresentação para valer, que aí certamente afastaria a plateia com tanta desafinação. Serve como uma homenagem no mês do "Dia Mundial do Rock" comemorado dia 13 de julho, inclusive a roupa da Mônica até característica de estilo de bandas dos anos 1990. 

Capa dessa semana é de 'Mônica Nº 129' (Ed. Globo, Setembro/ 1997).

domingo, 26 de julho de 2026

HQ "Zé Luís e a arma paralisadora"

Mostro uma história em que o Zé Luís inventa um revólver paralisador na intenção de derrotar a Mônica. Com 5 páginas, foi publicada em 'Chico Bento Nº 18' (Ed. Abril, 1983).

Capa de 'Chico Bento Nº 18' (Ed. Abril, 1983)

Titi passa em frente à casa do Zé Luís quando ele disse que conseguiu algo. Titi quer saber se aumentaram a mesada dele ou achou nota de um barão. Zé Luís mostra uma arma, Titi pensa que vai assaltá-lo e Zé Luís fala que é o novo invento dele, o revólver paralisador, com um disparo faz qualquer pessoa que esteja se mexendo, parar por 10 minutos.

Titi pergunta se já testou, Zé Luís diz que vai testar agora, Titi fica com medo pensando que ia testar com ele e Zé Luís vai ao quintal testar com um homem que estava passando em frente à casa. O homem fica paralisado e os meninos comemoram que funciona, só que não veem que o homem paralisou ao ver o cara quem estava devendo e prestes a bater nele.

Depois, Zé Luís e Titi aparecem para Mônica, que não gosta quando veem com balão de florzinha. Zé Luís diz que ela vai ser derrotada e mostra a arma. Mônica acha que eles vão brincar de caubói. Zé Luís avisa que é arma paralisadora e basta um disparo para ela ficar durinha. Mônica diz que dura já está mostrando bolso vazio. Como ela não se rendeu, Zé Luís dispara e, por ela continuar parada, pensa que funcionou. Mônica bate no Zé Luís, que não entende porque da outra vez funcionou. Joga a arma no chão de raiva e aí ela dispara e o paralisa junto com o Titi e Zé Luís avisa para esperar mais uns minutos.

História legal em que o Zé Luís é inventor e cria um revólver paralisador para derrotar a Mônica, que não acredita que funciona e de fato ela não ficou paralisada após o disparo. Acabou tendo efeito tardio só após ele jogar a arma no chão e quem fica paralisados são o Zé Luís e o Titi.

Para criar plano infalível contra a Mônica e derrotá-la vale tudo, até Zé Luís ser cientista e, assim, ele inventou um revólver paralisador só que não testou. Titi teve razão de ter medo em testar nele já que ela não havia sido testada ainda e podia acontecer tudo. Mesmo se testasse nele, não ia funcionar já que no teste no homem não deu certo. Bem que podiam ter ficado mais um pouco em frente a ele para ver se manteria a paralisação e descobririam que o invento não funcionava antes de irem até onde Mônica estava. O homem caloteiro bem medroso, a gente nunca ia imaginar que iria ficar paralisado por isso.

Mônica dessa vez não foi boba e não caiu na conversa do Zé Luís, já estava convencida que era um plano e queria ver até onde iria. Interessante que só o Zé Luís quem apanhou, devia o Titi apanhar também porque, apesar de que foi o Zé Luís quem inventou o revólver, Titi também queria vê-la derrotada. Zé Luís se deu mal 2 vezes, ter apanhado e ter ficado paralisado, se soubesse que com uma queda o seu invento fosse fazer funcionar, teria jogado no chão antes de se encontrar com a Mônica.

Foi engraçado Titi perguntar se Zé Luís conseguiu aumentar mesada ou um barão, pensar que Zé Luís ia assaltá-lo e com medo de disparar revólver nele, o homem paralisado com medo de apanhar do cara que estava devendo, metalinguagem da Mônica dizer que não gosta de balão cheio de florzinhas dos meninos, ela achar que o revólver era para brincar de caubói, confundir dura de paralisada com dura sem dinheiro e o revólver funcionar depois que o Zé Luís joga no chão de raiva.


Vimos que na época não era só Franjinha inventor oficial do Limoeiro, além de cientistas e vilões, outros personagens da turminha também podiam ter essa função de cientista. O Zé Luís teve papel que seria do Franjinha e também papel que seria do Cebolinha de criar plano infalível contra a Mônica. Na época, colocavam o Zé Luís criando planos, até sendo uma volta do que ele fazia no início dos anos 1970, e em algumas outras vezes Cascão criava planos, tudo para variar esse estilo de histórias.

Zé Luís foi criado no início dos anos 1960 nas tiras de jornais, inicialmente criado para interagir com o Cebolinha, depois se tornou irmão da Mônica após ela ter sido criada em 1963 e essa ideia foi abandonada depois, com ela sendo filha única. Nos gibis, passou primeiro a criar planos contra a Mônica e ser cientista, depois teve histórias tendo problemas de adolescência como ter espinhas, participando de planos criados pelo Cebolinha, interagindo com meninos mais velhos como Titi, Franjinha e Jeremias e se tornou um intelectual. Teve presença mais esporádica a partir dos anos 2000 e hoje em dia quase não aparece e quando aparece, apenas como intelectual ensinando alguma coisa para turminha.

Traços ficaram bons, típicos da primeira metade dos anos 1980, antes da fase consagrada, com personagens com curva na bochecha começando da cabeça. Zé Luís com uma estatura menor, parecendo ter uns 13 anos de idade, atualmente tem estatura maior como adolescente de 16 anos. Idade real dele nunca foi revelada, mas é cerca de 16 anos desde que ficou mais alto, hoje daria para fazer parte de uma turma da Xabéu, Sol, Teveluisão, etc, se quisessem ter um núcleo de adolescentes. Incorreta atualmente por ter arma, o invento ser em forma de arma, não pode mais nem revólver de brinquedo, ser citado brincar de caubói, além da palavra proibida "Droga!"

Nos primeiros números do Chico da Editora Abril costumavam ter histórias de secundários da Turma do Limoeiro como Humberto, Anjinho, Titi, Jeremias, Zé Luís, etc, podendo ou não ter participação de Mônica, Cebolinha, Cascão e Magali. Acontecia porque não tinham histórias do Chico suficientes já produzidas para fechar os gibis e, provavelmente, também para demonstrar que o Chico era um personagem do Mauricio, pois era o gibi mais diferente de outro núcleo e ele ser menos conhecido na época. À medida que tiveram mais histórias do Chico produzidas e ele se tornar mais conhecido, passaram a colocar só Papa-Capim como personagem secundário em gibis do Chico. Essa história foi republicada depois em 'Almanacão de Férias Nº 7' (Ed. Globo, 1990). 

Capa de 'Almanacão de Férias Nº 7' (Ed. Globo, 1990)

segunda-feira, 20 de julho de 2026

Mônica e Magali: HQ "Quase irmãs"

Em julho de 1996, há exatos 30 anos, foi publicada a história "Quase irmãs" em que Mônica e Magali resolvem ser irmãs porque sempre são unidas e nunca brigam . Com 9 páginas, foi história de abertura de 'Mônica Nº 115' (Ed. Globo, 1996).

Capa de 'Mônica Nº 115' (Ed. Globo, 1996)

Mônica e Magali veem Denise e a sua irmã Soninha brigando por causa de lápis de cor e Mônica comenta que se tivesse uma irmã nunca brigaria com ela e sempre foi louca para ter uma irmã e Magali concorda. Mônica tem ideia das duas serem irmãs e Magali gosta e diz que cada dia uma dorme na casa da outra. Dona Luísa deixa Magali dormir na casa e, assim, Mônica e Magali passam a ser irmãs.


As meninas contam a novidade para Cebolinha e Cascão, que falam que como que pode, a Mônica não é magricela e a Magali não é dentuça. Mônica bate neles, Magali agradece e Mônica fala que uma defende a outra e a outra defende a uma. Depois, vão para casa tomar banho e jantar, Dona Luísa  fica sabendo que elas são irmãs, Magali põe a camisola da Mônica, que por causa disso coloca um pijaminha.

No jantar, Magali toma toda a sopa dela em segundos e toma a sopa da Mônica, que nem tinha dado tempo de tocar nela e Magali sai da mesa, dizendo que detesta ver comida esfriando, precisando Dona Luísa servir outro prato de sopa da Mônica, que diz para o pai, Seu Sousa, que resolveram ser irmãs porque elas se dão muito bem. 


Em seguida, Mônica vê Magali assistindo a novela na TV, Mônica avisa que não é esse programa que ela gosta, Magali diz que falta pouco, só 5 partes e Mônica vai para cama dormir mais cedo. No quarto, Dona Luísa puxa a bicama para Magali dormir, depois ela chega dizendo que foi romântico e pede desculpas, perguntando se acordou a Mônica, que responde que só completamente. Magali pede desculpa, elas dão boa noite e vão dormir.


Magali ronca, Mônica acorda a Magali avisando que não consegue dormir com esse barulho e vai ligar o rádio para não ouvir o ronco. Magali acha que a mana tem mau gosto musical, muda de estação e Mônica diz que desse tipo de música quem não gosta é ela e que vai mudar para outra estação e fim de papo. Voltam a dormir, Magali puxa a coberta, fazendo Mônica vir junto dela e brigam. Dona Luísa manda as duas pararem de brigar, estão tentando dormir e elas falam que não estavam brigando, as duas nunca brigam e passam a dormir em paz.


Na manhã seguinte, Mônica e Magali estão brigando logo após que acordaram, Magali quer usar o melhor vestido da Mônica, que não quer emprestar. Magali alega que não levou roupa, Mônica avança nela, as duas brigam feio e Dona Luísa separa, falando que é claro que a Mônica vai emprestar uma roupa e Magali poderia escolher uma  outra roupa que a Mônica goste menos e dá bronca que assim vai mal, que elas tem que se entender, afinal, vão ser irmãs para vida toda.

Mônica e Magali pensam uma coisa, depois vão para rua e Denise e Soninha comentam que Mônica e Magali são sempre unidas, Denise pergunta se agora são irmãs e como conseguem sem brigar. Mônica responde que ouviu mal, elas são quase irmãs e que na verdade são apenas amigas, grandes amigas e Magali concorda.


História legal em que Mônica e Magali se tornaram irmãs para provar que nem todas as irmãs brigam. Só que não demorou muito após elas morarem juntas para começar as desavenças e passarem a brigar. Mônica ainda foi tolerante com Magali pegando camisola, comer a sopa dela e não ver o programa que ela gosta, mas depois que dormiram juntas começou a desandar e brigaram feio. No final desistiram de serem irmãs e continuarem a ser grandes amigas.

Como nunca brigavam como amigas, achavam que também podiam não brigarem como irmãs, mas se enganaram. Não aguentaram ser irmãs nem por 24 horas. Tudo flores no início, depois passaram a brigar. Não tem jeito, por mais que são dão e se amam, irmãos sempre brigam. Aprenderam que sendo amigas e não morando juntas a amizade vai durar mais.


Bem legal a inocência das crianças de só uma dormir na casa da outra já eram consideradas irmãs no papel. Dona Luísa entrou na brincadeira, sabia que não seriam irmãs por causa disso e queria ver até onde iria isso e elas aprenderem na realidade que não daria certo. A Mônica se saiu como uma irmã mais insuportável e implicante, achando ruim Magali não ver programa de TV que ela gosta, roncar e querer usar o vestido que ela mais gosta. Magali só errou em tomar a sopa da Mônica seguindo sua característica de comer o que os amiguinhos comiam não contente de já ter comido a sua e trocar de rádio subindo em cima da Mônica. Já roncar, virar coberta não teve culpa, foi sem querer e automático do sono.

Tinham coisas que podiam ter sido evitadas como só uma coberta para as duas, Dona Luísa poderia disponibilizar uma coberta para cada ou Magali ter levado uma de casa, afinal, claro que ao virar de lado dormindo, coberta vai sair do lugar. Também Magali devia usar a roupa que ela foi antes de dormir ou ter lembrado de levar roupa e camisola da casa dela, de qualquer forma, optou por usar o vestido amarelo dela ao sair da casa da Mônica no final.


Mônica só tem vestido vermelho do mesmo modelo, incrível ela identificar o vestido que ela mais gosta. Ficou na imaginação do leitor que músicas que as meninas não gostavam e precisaram mudar de estações de rádio. Dessa vez Mônica brigou com Magali e bateu nela sem ter sido sem querer, normalmente quando Magali apanhava da Mônica na época era por acaso, sem caso pensado. E na vida real elas são irmãs, já que as personagens foram inspiradas nas filhas do Mauricio, Mônica Sousa e Magali Spada.

Foi engraçado Cebolinha e Cascão provocarem por elas não se parecerem fisicamente, Magali tomar a sopa da Mônica achando que ela não estava com fome, Magali roncar, depois subir na barriga da Mônica para mudar estação de rádio, meninas brigarem por causa de vestido.


Denise com visual diferente a cada história como era padrão na época, sendo que esse visual foi o que mais apareceu na fase que não tinha visual definido. Denise com irmã Soninha nessa história, foi a única vez que a Soninha apareceu na fase da Denise sem traços e personalidade definidos, e anos depois o roteirista Emerson Abreu voltou com a Soninha só que agora como uma irmã imaginária da Denise. 

Foi história póstuma da Rosana. Incorreta atualmente pelas meninas brigarem como irmãs por tão pouco, tendo até enfrentamento violento formando espiral de briga (aliás, esse espiral com personagens brigando eram ótimo recurso), Magali assistindo novela com cena de romance, podiam implicar com TV de tubo e rádio de pilha por serem datados, além das palavras proibidas "louca" e "gozado". A Dona Luísa de avental na cena lavando louça aceitariam porque estava fazendo atividade doméstica.


Traços ficaram bons do estilo dos anos 1990 com língua das personagens ocupando mais espaço na boca. A colorização a partir de julho já passou a ter variados tons de marrom, sem ser o único marrom pra tudo, porém ainda colorização escura no geral. Fundo degradê já ficou quase totalmente inexistente,  sendo que teve um destaque bom em volta da Lua, ficava bonito assim parecendo noite de verdade e continuaram assim em toda a fase da Globo após. Muito bom relembrar essa história há exatos 30 anos.

quarta-feira, 8 de julho de 2026

Mônica: HQ "Andar sem sapato é perigoso"

Compartilho uma história em que a Mônica se dá conta que andar descalça é perigoso para machucar os pés. Com 4 páginas, foi história de miolo de 'Mônica Nº 158' (Ed. Abril, 1983).

Capa de 'Mônica Nº 158' (Ed. Abril, 1983)

Um homem olha par aos pés da Mônica e pergunta se ela está esquecendo nada. Mônica olha por baixo do vestido pensando que era a calcinha e vendo que estava, diz que acha que não. O homem fala que está esquecendo os sapatos e ela responde que não esqueceu, que está sem eles porque não usa sapatos. o homem diz que é perigoso porque ela pode se machucar com prego ou um caco de vidro, mesmo que nunca aconteceu, não é bom facilitar e vai embora.

Mônica se pergunta será que pode acontecer mesmo, quando quase pisa em um prego e depois cascão fala para ela ter cuidado, se ele não avisasse, quase pisaria nos cacos de vidro no chão. Em seguida, vê Magali com pé enfaixado por ter pisado no espinho e Mônica diz que é isso que dá andar descalça e logo se toca que não pode falar da Magali se ela também não usa sapatos. Assim, Mônica compra sapatos na loja e depois de um tempo usando diz par ao Jeremias que ela está com calo nos pés.

História legal, a Mônica não tinha noção que andar sem sapato podia se machucar pisando sem querer onde não deve e resolve usar sapato, porém passa a sofrer com calos nos pés por causa disso. Viu que é perigoso não usar sapato, mas também não é bom usá-los. Antes não tivesse seguido conselho do homem que aí não teria calos até porque ela nunca se machucou andando descalça e se pisasse em alguma coisa errada, seria puro acidente. Outra alternativa seria comprar sapato mais largo, sem ser tão apertado.

Foi engraçado a Mônica achar que estava sem calcinha após o homem avisar que ela estava esquecendo nada e ela levantar o vestido com vergonha para confirmar, acabou o homem se passando por pedófilo por ficar reparando se criança estava de calcinha ou não, e também a Mônica querer dar lição para Magali que pisou em espinho porque anda descalça, sendo que ela também anda descalça, tinha direito nenhum de dar lição de moral em alguém, o mesmo do Cascão avisá-la dos cacos de vidro e ele também não usa sapato, tem que ter cuidado também como a Mônica, e no final ela ficar com calos por ter usado sapato. Também era muito boa a autonomia das crianças, Mônica entrar na loja e comprar sapatos sozinha tranquilamente sem presença da mãe, do pai ou de algum adulto.

Muitas vezes tinham histórias de personagens se questionando por que não usam sapatos e não têm dedos nos pés, ou então sofrendo por causa disso, eram boas histórias assim. Como recebiam cartas com crianças perguntando sobre esses detalhes dos pés dos personagens, aí faziam histórias explicando perguntas nas cartas, afinal, tudo servia de inspiração para os roteiristas. A partir dos anos 2000, roteirista Emerson Abreu mudou esse conceito e MSP passou a adotar que os personagens usam meias de cor de pele e, com isso, ajudou o politicamente correto mostrando que eles não andam descalços e tem dedos nos pés, as meias que escondem, e não passaram a colocar personagens usando sapatos por causa das meias.

História ensinou de forma divertida que não devemos andar descalços, precisando até Magali sofrer pra mostrar a real, e que também não devemos usar sapatos apertados para não dar calo, a gente aprendia muito nessas histórias antigas com os erros dos personagens, porém é incorreta hoje em dia por mostrar no final que usar sapato é ruim, Magali com pé enfaixado por ter pisado em espinho, Mônica levantando vestido e mostrando calcinha, homem reparar em calcinha de criança na visão da Mônica, criança com autonomia para ir em loja sozinha comprar sapato sem presença de adulto junto, Mônica conversar com estranho na rua, não ter final feliz para Mônica, sofrer com calo, e Jeremias com círculo em volta da boca representando lábios no penúltimo quadro e lábios bem exagerados no último quadro.

Traços bons, bem simples, típicos de histórias de miolo dos anos 1980. Tiveram erros da pele da testa do homem perto do topete nos dois últimos quadros da primeira página com as cores branca e azul, respectivamente, ausência de traços na curvatura de cada pé da Mônica separando pés das pernas no 3º quadro da 2ª página e Jeremias com círculo da boca em um quadro e lábios no outro e pintados de brancos em vez de rosas. Nunca foi republicada até hoje, poderia ter sido a partir de 1988, mas acabaram esquecendo e aí fica sendo rara hoje em dia, só quem tem o gibi original que conhece.

sábado, 27 de junho de 2026

Magali e Mônica: HQ "A Boneca Comilona"

Em junho de 1996, há exatos 30 anos, era publicada a história "A boneca comilona" em que a Magali se passa por boneca após conseguir destruir a boneca da Mônica que seria levada par ao chá da prima dela. Com 14 páginas, foi publicada em 'Magali Nº 183' (Ed. Globo, 1996).

Capa de 'Magali Nº 183' (Ed. Globo, 1996)

Magali chama Mônica para brincarem, Mônica avisa que não pode por está se preparando para ir no chá de bonecas da prima Isolda, diz que não pode levar Magali porque a prima é muito chata, fica exibindo suas bonecas importadas e ela só vai porque agora tem uma boneca importada que come e Magali tira de perto o sanduíche que estava comendo. Mônica diz que ela não come comida de verdade, são grãozinhos coloridos de plástico, a gente dá e depois tira de novo.

Mônica deixa Magali sozinha brincando com a boneca enquanto se arruma para o chá. Magali vai dando comidinha para boneca e resolve dar outras coisas para ela comer. Assim, dá talco fingindo que é açúcar, creme de pele como papinha de neném, e uma salada de flores. Quando joga água para matar a sede, a boneca se destrói. Mônica ouve o barulho, vê a boneca destruída e grita que Magali é falsa amiga, trapalhona e desajeitada.

O telefone toca, era a prima Isolda, perguntando se vai ao chá de bonecas, está atrasada e quer ver da boneca importada dela ou será que ganhou boneca nenhuma e continua só com o velho coelho encardido. Magali pega o telefone e diz que pode esperar que a Mônica vai, sim, e desliga. Mônica pergunta se Magali está maluca, primeiro arrebenta a boneca e depois quer que passe lá para passar vergonha.

Magali leva Mônica ao laboratório do Franjinha, que diz que pode consertar, dentro de uns 2 dias. Mônica chora que vai ser tarde demais, precisa urgente de uma boneca que faça coisas incríveis. Franjinha faz Magali entrar na sua invenção de miniaturizador, fazendo ela encolher e ser a boneca da Mônica, que achou a ideia genial.

Na rua, Magali reclama que ninguém a consultou, Mônica diz que foi ela quem a colocou nessa situação, e depois ela queria ir ao chá. Magali fala que não como boneca. E no caminho, Mônica combina umas coisinhas com ela.

Depois, Mônica chega no chá de bonecas, Isolda quer saber cadê a famosa boneca ou se não levou. Mônica mostra e as meninas dão gargalhada achando que é feia, esquisita e que parece que foi comprada em feira. Mônica manda Magali se controlar e fazer cara de boneca. As meninas falam que suas bonecas são japonesa, inglesa e francesa e Magali diz que ela é meio mussarela meio portuguesa. Mônica diz que é brincadeira e ela é portuguesa.

Isolda diz que sua boneca francesa canta, a menina, que sua boneca japonesa anda e a outra, que sua boneca inglesa dança, e perguntam o que a boneca da Mônica faz. Ela diz que a Magalizinha fala, com Magali perguntando se as gorduchas feiosas estão tudo em cima. Mônica fala que ela também desfila, pula corda, sapateia, é alpinista, voa de asa-delta e nada enquanto Magali demonstra na prática.

As meninas acham coisa incrível. Isolda quer pegar para ver de perto e Magali a morde. Isolda leva Mônica para mesa do chá e as bonecas ficam com mesa reservada com comida de mentirinha enquanto elas comem comida de verdade. Magali acha uma injustiça e pergunta para as bonecas se elas não se revoltam. 

As meninas agradam Mônica, oferecem bolo e chá para ela e Isolda comenta que não sabia que a prima era tão rica, que a boneca deve ter sido uma fortuna e pergunta se pode emprestar a boneca por uns dias. Mônica diz que não pode, Isolda pergunta por que não e se aboneca não é dela. Mônica diz que é e antes dar resposta do empréstimo, Isolda fala para Magali que vai passar uns dias com ela.

Magali mostra a língua para Isolda, que a leva para a mesa e pergunta se ela aceita bolinho. Magali aceita e come o bolo inteiro e as meninas se impressionam que a boneca come e como come. Magali também come todos os petiscos, bebe os chás e vai correndo para a cozinha e come tudo lá, inclusive todo o caviar, as trufas de chocolate e as compotas importadas. 

Isolda reclama que não é uma boneca, é um monstro, Mônica diz que vai indo, Isolda pergunta se não levar aquela praga de lá. Mônica fala que a prima queria emprestada, pode ficar. Isolda manda Mônica levar, a boneca é dela e até ver.

Na rua, Mônica e Magali dão gargalhada, conseguiram dar lição na Isolda e nas meninas, Mônica fala para Magali que ela não é má como boneca, é só meio comilona. Magali pergunta se está perdoada, e antes da Mônica dar resposta, Cebolinha e Cascão xingam a Mônica, que arremessa a Magali neles pensando que era o Sansão. Dois dias depois, já com a boneca da Mônica consertada, Magali, toda quebrada, diz para Mônica que agora elas estão mesmo quites, primeiro ela estropiou a boneca e agora Mônica a estropiou.

História legal em que Magali estraga a boneca da Mônica que levaria para o chá de bonecas da prima Isolda e na falta de uma, Magali fica no lugar como uma boneca portuguesa depois de entrar no miniaturizador do Franjinha. Como só podia ser boneca importada que fazia coisa diferente, Magali conseguia fazer de tudo, impressionando as meninas e Isolda queria  que Mônica emprestasse a boneca. Magali aproveitou para comer tudo servido no chá e na despensa da casa da Isolda, que fica com raiva, desiste de ficar com a Magali. No final, Mônica confundiu Magali cm Sansão e a jogou nos meninos. ficando quites com os estragos que fizeram.

Mônica com boneca importada que come, Magali não pensou na lógica que jogar água em uma boneca iria estragar, foi muito inocente, se Mônica soubesse, não deixaria Magali sozinha com sua boneca. Franjinha teve ideia boa cm uma invenção que já estava pronta, só não consultaram Magali se ela queria, mas pelo estrago que fez com a boneca da Mônica, não tinha que querer, tinha que aceitar para compensar o que fez. Mônica com prima rica e metida conseguiu dar uma lição nela junto com a Magali boneca, sorte dela ser comilona e não controlar apetite, comer tudo da casa, foi bom pra tirar marra da Isolda. 

Meninas falsas e interesseiras, zombavam da Mônica e depois que viram que a boneca era incrível, passaram a agradá-la. Mônica podia ter colocado uma roupa de boneca na Magali, mas como a prima Isolda não a conhecia, aí não faria diferença, só evitaria da zoação de acharem que era uma boneca comprada em feira. Mônica confundiu Magali com Sansão e a jogou nos meninos, Magali se deu muito mal, soube muito bem o que o Sansão passava quando era arremessado, e deixou quite com a Mônica com o que fez com a boneca. Era muito bom quando Mônica confundia e arremessava outras coisas no lugar do Sansão, até Mingau e Monicão já foram arremessados nos meninos por ela, e legal também quando Magali apanhava da Mônica sem querer. 

Foi engraçado Magali tirar perto o sanduíche que estava quando soube que a boneca importada comia, Magali saindo de fininho depois de ter estragado a boneca, meninas dizerem que a boneca Magali foi comprada em feira, Magali dizer que é boneca meio portuguesa meio mussarela confundindo com pizza, chamar as meninas de gorduchas feiosas, fazer as demonstrações do que fazia, morder dedo da Isolda, perguntar se as bonecas não se revoltam com comida de mentirinha, comer o bolo e a despensa da casa e ser arremessada pela Mônica e fica toda quebrada.

O minituarizador do Franjinha foi lançado na história "Um amor de ratinho", de 'Mônica Nº 99', de 1978, e depois foi usado algumas outras vezes e em 1995 e 1996 estava com bastante histórias dos personagens escolhendo por causa do miniaturizador, inclusive, última antes dessa até então foi a de abertura "Enfeite de bolo", de 'Magali Nº 172', de 1996. Sem dúvida foi a invenção mais usada pelo Franjinha sem ser apenas em uma história. Já a Isolda e as outras meninas ricas só apareceram nessa, como de costume de personagens criados para aparição única, principalmente se tratando de primos e parentes de personagens.

Foi história póstuma de Rosana. Incorreta atualmente por Magali destruir boneca deixando Mônica na mão, meninas ricas esbanjando o que tem, Magali gulosa comendo tudo que vê pela frente, Mônica arremessar a Magali e ficar estropiada, além da palavra proibida "gorducha".

Os traços ficaram bonitos com estilo consagrado dos personagens, os vestidos da Mônica e das meninas ricas ficaram bem nelas, pena as cores escuras demais, embora já estavam colocando alguns tons diferentes de marrom e não só um marrom escuro em tudo. O degradê a partir de agora quase inexistente, só em um ou outro quadro pontuais e ficou assim desde então até o final da Globo em 2006, sem ser mais em todos ou na maioria dos quadros. Muito bom relembrar essa história há exatos 30 anos.

quarta-feira, 24 de junho de 2026

Cebolinha: HQ "O Sanfoneiro"

Dia 24 de junho é o Dia de São João e em homenagem mostro uma história em que o Cebolinha foi sanfoneiro da festa junina do bbairro. Com 10 páginas, foi história de abertura publicada em 'Cebolinha Nº 18' (Ed. Abril, 1974).

Capa de 'Cebolinha Nº 18' (Ed. Abril, 1974)

Cebolinha pergunta se Cascão vai entrar na quadrilha, cascão pergunta se isso não é coisa de bandidões e Cebolinha responde que é quadrilha de São João. Cascão diz que vai, só que não sabia que precisaria de par para dançar. Cebolinha tem a Mônica como par e está indo convidá-la. Cascão fala que também vai convidá-la, já que ainda não tinha convidado, corre até à casa dela e convida primeiro que o Cebolinha, que acha que foi golpe sujo.

Cascão pergunta para a Mônica se ela permite alguém gritar com par dela. Cebolinha diz que Cascão a roubou dele. Cascão fala que Cebolinha não tem capacidade de arranjar um par e está nervoso e Mônica chama a sua prima Cecília para ser par dele. Cecília aparece toda sujinha, encantando o Cascão, que sugere a troca de pares, ele dança com Cecília e Mônica com Cebolinha. Mônica aceita, meninos prometem passar lá de noite e depois Cecília comenta que não devia ter chamado, estava toda suja arrumando brinquedos enquanto que Cascão elogia para o Cebolinha sobre a prima da Mônica toda sujinha como sempre sonhou.

À noite, os meninos voltam, e Cascão tem desilusão de que a Cecília tomou banho e não é sujinha como ele. Já na festa junina, começa a quadrilha, o apresentador da festa pede para os cavalheiros pegarem suas damas e pede sanfoneiro no palco, que era quem ia tocar para eles dançarem. Cascão diz que se ele não for, o Cebolinha toca sanfona no lugar dele. Cebolinha fala que só sabe tocar o Bife e não tem graça dançar quadrilha ao som do Bife.

Quinze minutos depois, o sanfoneiro não chega, Cascão vai ao palco falar com o apresentador e um tempo depois ele anuncia que o sanfoneiro não apareceu e o Nhô Cebolinha, um dos maiores sanfoneiros da cidade, vai tocar no lugar. Ele vai ao palco, Cascão pergunta se gostou do nome artístico que inventou e avisa que o público está aplaudindo e é pra agradecer. Cebolinha pergunta o que deve tocar e Cascão fala para tocar o tal do Bife. 

O público estranha Bife, o apresentador diz que isso não é música para se dançar quadrilha, queria um Baião. Cebolinha diz que só sabe tocar o Bife, o apresentador comenta com o Cascão que ele era bom e Cascão diz que no Bife ele é insuperável. O público começa a vaiar, o sanfoneiro chega, o apresentador pede para o Cebolinha sair, ele diz que não pode sair vaiado e quer saber do público por que estão o vaiando. Eles falam porque a música é ruim, manda aprender, não sabe tocar, é amadorzinho, grosso e é para dar a sanfona pra quem sabe tocar.

Cebolinha cai fora desanimado, Cecília sugere brincarem perto da fogueira para ele esquecer tudo, quando chegam, Cecília lembra que a mãe falou sobre brincar perto da fogueira, os outros lembram também, só não sabem se é verdade ou invenção, e resolvem brincar lá. Quando saem da festa, acontece nada e acham que é invenção dos adultos, mas quando chegam em casa na hora de dormirem, todos fazem xixi na cama e descobrem que não era invenção.

História legal com a turma em uma legítima festa junina e tema principal de Cebolinha ficar encarregado de tocar sanfona no lugar do sanfoneiro que estava atrasado, mas como só sabia tocar Bife, sem a ver com a festa junina, foi vaiado pela plateia e conseguiram normalizar a festa com a volta do sanfoneiro.

Cascão se saiu um empresário que queria o Cebolinha tocar na festa, conseguiu lábia pra convencer o apresentador, Cebolinha insistia que só sabia tocar Bife, mas não adiantava. Meteu amigo em enrascada, Cebolinha também poderia ter recusado, evitaria as vaias no final. O apresentador podia ter descinfiado que criançanãoia saber tocar sanfona. Ficou inicialmente a dúvida do que o Cascão falou para o apresentador pra convencê-lo Cebolinha a tocar sanfona na quadrilha, depois ficou claro que disse que era o melhor sanfoneiro. 

A trama foi passada com focos de várias situações: meninos disputarem quem será o par da Mônica , Cascão interessado pela Cecília e depois se decepcionar que ela não era sujinha, Cebolinha como sanfoneiro (que julgo o momento principal) e brincarem perto da fogueira e fazerem xixi na cama por causa disso. 

Uma graça Cascão correr e passar na frente pra ser par da Mônica no lugar do Cebolinha e ela ser tricada pela Cecília porque achava que era sujinha.  A desilusão amorosa dele foi grande. Ao pularem fogueira, não ouviram sabedorias das mães deles, acabaram se dando mal fazendo xixi na cama, se tivessem acreditado, não precisariam passar por isso. Ainda ficou mensagem de forma divertida de que devem obedecer e acreditar nas mães. 

Foi marcada também por várias tiradas. Engraçado Cascão pensar que era quadrilha de bandidos, dizer que Cebolinha não tem jeito com meninas de fora ao ver a Cecília, pedir para Cebolinha não gritar porque pode ferir os ouvidos sensíveis da Cecília, perguntar se tinha alguma dama na festa com Mônica e Cecília ao lado, pensando que elas eram senhoritas, Cascão dizer que ser vaiado acontece nas melhores famílias. Magali fez participação só em um quadro, só não a colocaram no lugar da Cecília pra dar a graça de Cascão escolher porque a Cecília era sujinha como ele.

Cecília, prima da Mônica, só apareceu nesta história, como de costume de personagens criados para uma única vez. Na mesma revista, curiosamente, em outra história o Cascão se apaixonou pela Maria Cascuda porque era sujinha, que marcou a estreia da personagem. Se tivessem com pretensão da Cascuda ser personagem fixa desde então, poderiam até terem a colocado no lugar da Cecília. A Cascuda ainda pareceria em outra história de 1975 e depois só retornou aos gibis e em definitivo em 1981. 

Foram 10 páginas, mas com muito texto que fica mais tempo lendo e parece que é história mais longa. Incorreta atualmente por crianças irem sozinhas em festa junina altas horas da noite, Cascão em interesse de namorar Cecília e por ela estar sujinha já que teria namoro de crianças e apologia à sujeira, Cascão com cachimbo na boca, mesmo de brinquedo, não pode atualmente, eles brincarem perto de fogueira,  constrangimentos de crianças fazendo xixi na cama, além de palavras proibidas "roubar", "diacho" e não colocariam "Bife" para não ter duplo sentido de música com carne.

Traços ficaram bons, do estilo dos anos 1970 com personagens com bochechas pontiagudas, sendo que estavam começando a arredondar aos poucos, se comparar histórias de 1970 com 1974 já dava pra ver diferenças. A noite foi retratada com fundo todo preto e destaque também que a noite em alguns quadros e a plateia ao fundo com pontos pretos em um fundo branco que juntos formavam cinza. Recurso utilizado em tirinhas em preto e branco e depois por um bom tempo na camisa do Jeremias nos anos 1980 e 1990.

Foi republicada depois em 'Almanaque da Mônica Nº 9' - Especial Festas Juninas' (Ed. Abril, 1981), que misturou republicações e histórias inéditas, sendo que essa do Cebolinha foi a única de festas juninas dentre as que foram republicadas, as demais com esse tema foram inéditas. 

Capa de 'Almanaque da Mônica Nº 9' - Especial Festas Juninas' (Ed. Abril, 1981)