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domingo, 18 de agosto de 2019

Mudanças em "Almanaque Temático Nº 51" - Panini

O 'Almanaque Temático Nº 51 - Magali Fadas e Bruxas' teve várias alterações em relação às histórias originais, muitos absurdos, algumas bem revoltantes que até deu para criar uma postagem sobre isso.  Nessa postagem mostro, então, as alterações que fizeram nesse 'Temático' da Editora Panini.


Lançado no final de julho de 2019 e atualmente dá para encontrá-lo nas bancas, esse 'Temático' custa R$ 9,50 com 160 páginas no total e reúne histórias sobre fadas e bruxas de todos os tempos da Editora Globo. São histórias da turma toda, não apenas da Magali, já que tiveram outros Almanaques Temáticos dela com temas de fábulas e, assim, como insistem sempre colocarem os mesmos temas, resolveram colocar histórias de outros personagens para não ficarem as mesmas histórias. Com isso, histórias da Magali foram só 4, incluindo a tirinha final, história de abertura não foi da Magali e todas dela já republicadas em outros temáticos de fábulas da Magali.

O que chama a atenção, foram as alterações. Sabe-se que em todo almanaque da Editora Panini tem alguma alteração em relação às originais para atender ao politicamente correto. Tudo que consideram incorreto nos gibis originais, eles fazem mudanças, seja alterações de texto ou até mesmo desenhos. 

A mudança maior foi, então, na história "Uma lição para a Magali", de Magali Nº 221' , da Editora Globo, 1997, escrita por Emerson Abreu. Nela, uma fada protetora da Magali a vê comendo demais e resolve dar uma lição para ela controlar a sua gula. Só nessa tiveram 7 mudanças em relação à original, o que pode concluir que se tornou uma nova história adaptada aos tempos atuais. Como foram tantas mudanças em uma mesma história, a ordem das imagens na postagem coloquei como da alteração mais branda para a mais revoltante do que eu achei e não a ordem cronológica da história.

A primeira mudança, a menos pior de todas, foi recolorir o cabelo da Denise para ficar igual a como está atualmente. Antes, a Denise aparecia com um visual diferente a cada história e só a partir de 1998 que ela ficou com traços definitivos. Eles mudando o cabelo dela, tira a magia da época de saber como foi desenhada em cada história, fora mudar o trabalho do desenhista da época original. O cabelo da Carminha FruFru amém foi mudado colocando um amarelo claro, na original era meio alaranjado.



Outra mudança foi na parte que o Cascão fala que o legal de fazer piquenique que é uma coisa feita entre amigos, lance de amizade e confraternização. Na original de 1997, Cebolinha responde que isso é coisa de "frutinha" (gay) e os 2 começam a brigar feio e só depois a Mônica tira o Cascão da briga. Na republicação desse "Temático", mudaram a cena toda. Agora o Cebolinha respondeu que é coisa sem graça o que o Cascão falou e a Mônica separa os meninos antes de começar a briga, alterando todo o desenho original, dimensionando o desenho da Mônica ao centro e redesenhando o Cebolinha atrás dela. No primeiro quadrinho, também invertem a posição da Mônica e Cebolinha pra fazer sentido da Mônica separar a briga logo. Na sequência, tiram a fala agressiva do Cascão com ele falando que ia confraternizar com o nariz do Cebolinha, o seja, ia quebrar, arrebentar com o nariz dele na briga e colocando só "Grr!" no lugar...



No caso tiraram a fala do Cebolinha chamando o Cascão de frutinha para não menosprezar os gays, não dizer que é bullying, sendo que nos gibis antigos era coisa muito comum isso, fora que mudaram o sentido, pois seria mais natural o Cascão ficar brabo a ponto de parir para briga por chamar de "frutinha" do que só porque o Cebolinha achou que era coisa sem graça ter confraternização dos amigos. A mudança dos desenhos com eles brigando foi para não mostrar a violência dos meninos brigando, pois não querem mostrar brigas e violência nos gibis atuais. Se Mônica raramente dá coelhada nos meninos, imagina mostrar uma pancadaria entre os amigos.

Na hora da alteração, eles copiaram e colaram a cara do Cebolinha dessa outra cena com ele mostrando a língua da mesma história. Muito bizarro.



Outro caso é o fato da Magali não ter mais a fome exagerada nos gibis atuais. Não aparece mais ela comendo nada  e muito menos devorando tudo que encontra pela frente e os absurdos que tinham em relação a isso. Com isso, os gibis dela estão chatos, é raro falar  de comida e quando tem algo relacionado, ela não come nada. Por causa disso, fizeram uma série de alterações nessa história para que fique mais parecido com a Magali atual.

Toda vez que falavam que ela era gulosa no gibi original, mudaram tirando isso. Na parte que a Fada Rosa avista a Magali tiraram a parte da fada falando que ela não conseguem entender o que os amiguinhos estão sentido em relação à sua gula para "ao seu apetite", pois a Magali não pode ser mais chamada de gulosa nos gibis.



Mudaram também a parte que a Mônica reclama que a gula da Magali estragou o piquenique deles, trocando "gula" por "apetite".


Quando a Magali falou ao Avestruz que foi super-egoísta e gulosa, mudaram para esfomeada, para amenizar a situação. É que gulosa dá um sentido de compulsão, comer por comer, e esfomeada é que ela estava realmente com muita fome, algo mais inocente como justificativa para comer tanto.



Curioso que nesse quadrinho aqi mantiveram a palavra "gulosa", acabaram esquecendo de mudar, porém ainda teve alteração, mudando "aí" na original para "aqui" na  republicação para tirar erro gramatical que teve na época.



Quando a Magali avista o Avestruz, em 1997 ela fala que vai fazer uma canja do avestruz  e não dividir com ninguém e agora no 'Temático' mudaram que o ovo que o avestruz vai colocar vai dar uma enorme gemada. Nesse caso, além de amenizar a fome da Magali, tiraram o sentido de matar o avestruz para comer para não ter maltrato contra os animais, e, assim, passaram a amenizar com ela ficando de olho só no ovo que avestruz ia colocar.

Com essa mudança, de quebra, também tiraram o lado egoísta da Magali que também era o enredo da história. A Magali antiga  era egoísta quando se tratava de comida, ela fazia de tudo para esconder dos seus amigos as coisas que ela comia para não poder dividir com ninguém e comer tudo sozinha (eu também adorava essa personalidade dela) e a Magali atual não faz mais isso,e, com isso, alteraram isso nesse trecho.


Até o final da história eles mudaram. Ultimamente, a MSP está com certo preconceito aos personagens gordos originais, estão desenhando bem mais magros do que eram antes. Personagens como Dona Cebola, Pipa, Thuga, Nhô Lau, Tia Nena, Quinzinho, Dona Carmem da Esquina, entre outros, estão magros agora e, com isso, descaracterizando os personagens e excluindo gordos nas histórias.

Considerando isso, nessa história da Magali, quando a fada Rosa voltou ao seu estado normal, feliz que a Magali tinha prometido controlar a sua gula e o seu egoísmo, ela fica aliviada porque isso é perigoso para as pessoas e para as fadas também, aparecendo ela bem gorda, já que toda vez que a fada comia, engordava e acabou ficando obesa. Agora, simplesmente redesenharam a cena colocando a fada magra e esbelta, tirando a fada obesa da revista original. Não deu pra entender essa mudança tão radical e mudando o sentido do final da história, .


Ficou difícil de entender esse final. Na versão de 1997 foi a fada por ver a Magali comendo demais, se transformou em avestruz e passou a comer tudo que vem pela frente para conscientizar a Magali para não ser gulosa. Só que como a fada não é como a Magali que come, come e não engorda, ela acabou ficando gorda quando voltou a sua forma normal de fada. Agora na alteração, não teve sentido nenhum. O que deu pra entender por causa das estrelinhas é que a fada ficou com dor de barriga por ter comido muito, mas nada confirmado, tudo muito confuso. Tudo só para não mostrar personagem obeso na história, como se fosse errado alguém ser gordo e obeso. Revoltante! Era bom quando tinham personagens diferenciados, uns gordos e outros magros, uns orelhudos e outros não, uns narigudos, outros não, e agora segue tudo um padrão. Pode ver que nem Chico Bento não é mais narigudo como era antes, tornando-se um certo preconceito nisso.

Acho que redesenhar uma cena antiga para não mostrar personagem gordo e obeso foi um absurdo maior ainda, a que ponto chegaram. Pode ser que a MSP ache que colocando gordos nos gibis seja uma caricatura, ridicularizando, uma espécie de bullying, mas por outro lado, os gordos e obesos na vida real ficam se sentindo excluídos com os gibis retratando só gente com corpo em forma e com padrão de beleza. De curiosidade, fada Rosa foi homenagem que o Emerson fez à roteirista Rosana Munhoz que havia falecido em 1996.

Não foi só essa história da Magali que teve alterações, outra que também teve algumas mudanças nesse 'Almanaque Temático', foi a "Noite do medo" de 'Cascão Nº 34' - Editora Globo, 1988. Nela, Cascão e Mônica resolvem desvendar um mistério de um movimento na casa de uma bruxa que havia se mudado para o Bairro do Limoeiro.

Já na primeira página, a gente já nota mudanças em efeitos e cor do título, sem seguir as cores da época. Mas o que mais revoltante é que na revista original, aparece o Cascão dormindo de cueca e agora mudaram colocando um short-pijama nele . No caso, mostra que é errado criança dormir de cueca ou acham que é algo sensual e, com isso, mudaram para o short no lugar. Nada a ver essa mudança.


Outra alteração foi quando o Cascão foi chamar a Mônica na casa dela, em que na original de 1988 ele joga uma pedra na janela do quarto da Mônica leva um soco na cabeça quando ele se aproxima da janela da Mônica e agora nessa republicação, eles mudaram só com ela apontando um dedo para ele para não estimular a violência. Ficou tosco e mal-feito o desenho do Cascão se abaixando, mesmo ela só apontando um dedo para ele. Mudaram também a cor da casa dela, era azul e agora pra cinza.


Como podem ver, mudam histórias nos almanaques por coisas bobas, sem sentido, estragando com as histórias originais. Essa da Magali virou uma nova história com tantas mudanças, inclusive no final dela. Até desanima comprar almanaques por causa disso, já que todos os almanaques têm pelo menos uma alteração. Apesar de terem histórias mais antigas (embora agora são mais anos 90 e 2000), mas vendo essas modificações todas não dá para acompanhar.  Uma pena mudarem as histórias antigas só para atender ao politicamente correto, seria melhor essas incorretas não serem republicadas do que estragar o conteúdo desse jeito. Não comprei esse 'Temático', as imagens foram enviadas por Washington Brito. Podem ter tido outras alterações não percebidas, mas só essas á foram bem revoltantes e já deu para formar uma postagem.

quinta-feira, 27 de junho de 2019

Cebolinha: HQ "O dia em que a Terra se partiu"

Compartilho uma história em que a Mônica conseguiu rachar a terra ao tentar bater no Cebolinha. Com 11 páginas, foi publicada em 'Cebolinha Nº 164' (Ed. Abril, 1986).

Capa de 'Cebolinha Nº 164' (Ed. Abril, 1986)

Nela, Mônica está prestes a bater no Cebolinha depois de ele ter aprontado mais uma, quando ela acerta o Sansão no chão formando uma rachadura de tão forte que foi a coelhada. Antes nem é mostrada uma rachadura, apenas a Mônica caindo e só depois que veem que era uma rachadura.


Cascão e Xaveco veem  a cena e tem uma ideia de um plano infalível. Enquanto Cebolinha comenta que foi o Sansão que causou a rachadura e Mônica discorda, surge o Cascão desesperado, gritando que todos estão perdidos. Mônica comenta que a casa dele é logo ali perto e Cascão diz que não por muito tempo porque o noticiário falou que a Terra está se partindo ao meio.


Mônica acha que é uma piada e dá gargalhada , mas ao ver o Cascão sério ela passa a acreditar. Ele dá um rádio para a Mônica ouvir a notícia e como não fala nada, ele taca uma pedra na cabeça do Xaveco para ele acordar atrás da moita e começar a falar. Xaveco anuncia que o mundo está se partindo ao meio e que os cientistas não sabem como isso começou e acabam de ver que está localizada em uma cidade do interior do Brasil, mas precisamente em um campinho entre uma menina dentuça e um menino de cabelo espetado. Mônica estranha e pergunta para o rádio como um computador vai saber esses detalhes e Xaveco responde que tem um satélite bem em cima deles e complementa que a rachadura foi feita por um coelho de pelúcia.


Cascão reclama que a culpa foi da Mônica, que se defende que foi o Cebolinha que desviou e ele, por sua vez, diz que não desviasse iria virar pó de cebola. Cascão pergunta o que vai ser da terra e pior que a casa dele está no outro lado da rachadura. Mônica também lembra que o Reinaldinho, o garoto mais fofo do bairro, também mora do outro lado da rachadura. Mônica fica apavorada em ficar longe do Reinaldinho e pergunta para o Cebolinha e Cascão que eles tem que fazer alguma coisa, que se ficar sem ver Reinaldinho, logo emenda sem visitar os meninos, não iria conseguir viver.


Cascão fala que eles não podem fazer nada e logo olham para ela, dando a entender que só ela pode salvar a Terra. Mônica pergunta por que não chamam o "Super-Homão" ou "Ri-Man". Cebolinha responde que porque eles são de outro gibi e que foi que ela que rachou a Terra. Os meninos levam a Mônica até a rachadura faz com que ela fique segurando e fazendo força para que a cratera volte à posição normal. E aproveitam para tirar o "coelho encardido" dela, alegando que é para ela ter mais movimento e estar atrapalhando. 


Mônica sai da posição querendo saber aonde os meninos vão com o Sansão. O rádio começa a falar que a Terra está se partindo de novo e a Mônica tem que voltar  ase deitar  naquela posição e não sair de lá para não destruir o mundo e para esquecer o coelho e pergunta se é mais importante o mundo ou o coelho. Mônica comenta que por uns segundos não ia fazer diferença e o rádio pergunta se ela está duvidando do que está falando, enquanto Cebolinha e Cascão estão dando socos e pontapés no Sansão.


Mônica diz que duvida sim e nem sabe com quem está falando e não pode confiar em um estranho. Xaveco sai atrás da moita com raiva e e fala que desde quando ele é estranho para ela, é o Xaveco e avisa que vai voltar atrás do mato para continuar a enganando. Ele acha uma ousadia duvidar dele e, já atrás da moita, ele continua avisando para ela continuar lá senão o mundo vai acabar e vai ficar com peso na consciência, quando a Mônica puxa o fio do rádio. Ela bate neles e faz com que eles tapem a rachadura formada e Xaveco fala que pelo menos não é cabeça deles que estão rachadas, enquanto Cebolinha fala para ficar quieto e continuarem tampando, terminando assim.


Muito engraçada essa história com a Mônica pensando que realmente a Terra se partiu ao dar uma coelhada no chão. Já foi absurdo ter um rachamento com uma simples coelhada, mas não seria a ponto do mundo se partir por causa disso. A maioria dos planos eram planejados pelos meninos, mas às vezes os planos surgiam de repente ao verem uma situação e que podiam se aproveitar da situação para derrotar a Mônica. Nas histórias antigas de plano infalíveis a Mônica acreditava em tudo que os meninos falavam, adorava a Mônica se passando por boba até descobrir o plano deles. 


Interessante que nem foi o Cebolinha que bolou o plano infalível dessa vez, a ideia não foi dele, mas seguiu adiante quando o Cascão deu toque que era um plano. Outra coisa diferente foi que quem estragou o plano foi o Xaveco e não o Cascão como de costume, dando um destaque, então, para o Xaveco na história. Ele era um personagem exclusivamente secundário, só fazia pontas nas histórias, só a parir dos anos 2000 que o personagem já teve uma outra visão pela MSP e passou a ter mais participação e até histórias solo e até brincadeiras que ele era um personagem secundário.


Engraçado a Mônica falar com o rádio e ele responder normalmente. Se fosse uma transmissão real não teria como ter essa interação. Legal também o Xaveco levando uma pedrada do Cascão e a Mônica preocupada que não veria o Reinaldinho, o garoto fofo da rua. Era só eles irem para o lado que eles queriam antes de aumentar rachadura. Aliás, Reinaldinho era referência ao roteirista Reinaldo Waismann. Na Editora Abril ele era praticamente o oficial dos garotos fofos que as meninas admiravam. Na Editora Globo, com a sua saída da MSP, passou a ter outros meninos, como Fabinho, Ronaldinho,Robertinho, etc, mas ainda assim de vez em quando ainda tinham referência a Reinaldinho de garoto mais fofo.


Muito legal a a referência ao He-Man, ele estava muito em alta na época e até chegou a ter histórias com ele ou participando junto com outros super-heróis famosos, chegando, assim, no mesmo nível a super-heróis da Marvel e DC. Os traços excelentes da fase de ouro dos personagens. E mais uma vez teve propagandas inseridas em finais de páginas, coisa muito comum na época. Assim, a história era para ter 10 páginas, mas somando os quadros de cada propaganda, ocupou mais 1 página no gibi. Dessa vez os anúncios foram do chocolate Lolo e dos gibis do Mickey, Luluzinha e Bolinha, todos da Editora Abril, fora o anúncio do lápis Labra na lateral direita na primeira página que não influenciou nos quadros das histórias.


Foi republicada depois no 'Almanaque do Cebolinha Nº 33' (Ed. Globo, 1996), naturalmente sem as propagandas inseridas e ocupando as 10 páginas normais. Abaixo, deixo a capa desse almanaque.

Capa de 'Almanaque do Cebolinha Nº 33' (Ed. Globo, 1996)

domingo, 5 de maio de 2019

Turma do Penadinho: HQ "As faces da morte"


Compartilho uma história em que a Dona Morte permitiu que um motoqueiro escolhesse de qual forma ele queria morrer. Com 6 páginas no total, foi publicada em 'Cascão Nº 102' (Ed. Abril, 1986).

Capa de 'Cascão N º 102' (Ed. Abril, 1986)

Começa o motoqueiro Alberico em alta velocidade na sua moto cantando "Vital e sua moto" dos Paralamas do Sucesso, quando surge a Dona Morte do nada como se estivesse em uma moto e Alberico estranha a façanha dela e acha legal a roupa dela, bem punk e chocante.


Dona Morte diz que ele vai se chocar correndo na moto naquela velocidade. Alberico pergunta se é guarda de trânsito e ela responde que é a Morte. Primeiro Alberico fica aliviado porque não vai ter outra multa, mas logo se toca que se tratava que ia morrer. Rle fica desesperado perguntando como, onde e por que vai morrer e Dona Morte diz que correndo feito o Airton Penna (Ayrton Senna) e sem capacete, vai sofrer um acidente na próxima esquina e virar paçoca.


Alberico para a moto imediatamente e diz que não vai morrer assim bestamente, é o melhor motoqueiro da cidade e os amigos iam zoar. Dona Morte fala que não adianta reclamar, a hora dele chegou e estão atrasados. Alberico diz se quiser levá-lo, que seja de outra forma porque de acidente de moto ele não morre

Dona Morte reclama que isso que dá ser simpática e avisar à vítima do que vai morrer e assim leva o Alberico até em frente a um precipício e o manda se jogar. Alberico diz que suicídio não faz parte dos princípios dele e quer morrer de uma forma emocionante como ser devorado por leões selvagens. Eles vão até onde tinhaum leão, quando Alberico ver o leão rugindo na sua frente, desiste e diz que é indigesto e o bichinho não ia gostar e resolve ser morto por um bandido e manda trazer um bandidão.


Depois de um tempo, Dona Morte volta com o bandido e ela manda assaltar e dar um tiro no Alberico. O bandido estranha que a vítima que que dê um tiro bem no coraçãozinho e sai correndo achando que os dois eram malucos. Então, Dona Morte sugere que ele morra de ataque cardíaco, que é rápido e eficaz.

Alberico fala que quer morrer como sempre sonhou pilotando uma nave espacial, quando é atacado por naves inimigas e após uma batalha entre as naves, um alienígena de 5 olhos e 20 bracos invade a sua nave e o atinge com uma arma de rais zeta e morre. Aí percebe que a Dona Morte tinha sumido e se pergunta se foi tudo um sonho e pra se precaver vai passar a usar capacete e correr menos com a moto daqui para frente.

No final, Dona Morte chega no cemitério com raiva e Penadinho estranha ela voltando com mãos vazias. Dona Morte responde que do jeito que as pessoas andam exigente, vai ter que arrumar mais verbas para fazer o serviço dela ou só chegar na hora "H" porque cliente morto não reclama.


Essa história é muito divertida, a Dona Morte querendo ser simpática de avisar do que o motoqueiro vai morrer e permitir ele escolher a forma que queria morrer e acabou nem conseguindo matá-lo com tantas exigências. Se ela não tivesse avisado e tivesse deixado ele continuar com a moto acelerada, Alberico conseguiria morrer de acidente de moto. Ela até faria a vontade dele de morrer por alienígenas se tivesse verba para isso.  Quem dera se na vida real a gente pudesse ser avisado que ia morrer ou pudesse escolher a forma de morrer e essa historia permitiu essa fantasia.


Eram muito boas as histórias da Dona Morte discutindo com as suas vítimas antes de morrerem, com elas tentando enrolar a Dona Morte, a maioria ela conseguia matar as suas vítimas, mas tinham vezes que não conseguia como nessa. Histórias assim não fazem mais hoje e nessa com presença de bandido aí que não fariam mesmo.

Os traços muito bons, uma arte-final bem caprichada. Legal a lembrança da música "Vital e sua moto" dos Paralamas do Sucesso, não teve letra parodiada, já o.Ayrton Senna teve seu nome parodiado. Na época ele já era um piloto de Fórmula 1 famoso, apesar de ainda não ter conseguido um título mundial, que aconteceria só em 1988. Uma boa coincidência ele ser citado na história e eu ter postado logo no mês que completa 25 anos da sua morte (1 de maio de 1994).


Foi republicada depois em 'Coleção um Tema Só Nº 11 - Cebolinha e o Louco' (Ed. Globo, 1995).  Os primeiros Temáticos da Globo tinham histórias de secundários sem nada a ver com o tema proposto. Alguns sem querer até se encaixava de uma certa forma com o tema, outros não. Nessa história da Dona Morte ainda pode dizer que teve a loucura do Alberico escolher a forma de morrer, ter um roteiro absurdo mesmo não aparecendo o Louco. Aliás, até que é uma boa sugestão de criarem um Temático com histórias envolvendo loucuras dos personagens sem serem feitas pelo Louco. Abaixo, a capa desse 'Coleção um Tema Só'.

Capa de 'Coleção Um Tema Só Nº 11 - Cebolinha e o Louco' (Ed. Globo, 1995)

sexta-feira, 15 de março de 2019

Mônica: HQ "O maior mistério da Terra"


Mostro uma história com participação do Pato Donald, em que a Mônica tenta desvendar o mistério de quem mostrou a língua para ela atrás do muro. Com 10 páginas, foi história de abertura de 'Mônica Nº 187' (Ed. Abril, 1985).

Capa de 'Mônica Nº 187' (Ed. Abril, 1985)

Nela, Mônica está brincando com o Sansão quando alguém aparece atrás de uma cerca e mostra a língua para ela em um buraco que estava na cerca. Ela fica braba e joga um balde de tinta verde enquanto ele estava com a língua de fora. Mônica vai conferir o outro lado da cerca para ver quem foi que mostrou a língua para ela, mas quando vê, não contava que tinha uma reunião com todos os meninos do bairro e assim não sabe quem foi o linguarudo verde misterioso e faz planos para saber quem foi.


Primeiro Mônica passa a pisar os pés dos meninos, fazendo de conta que foi sem intenção, e ao abrirem a boca mostrando a língua quando gritam, ela vê que não estavam com língua verde. Mônica acha cansativo pisar nos pés dos meninos e como eles já estavam olhando feio para ela, resolve adotar outro método.


Assim, quando o Franjinha estava prestes a iniciar a reunião, Mônica se fantasia de sorveteiro e distribui sorvete para eles, sendo que o sorvete era de cola e ao lamberem o sorvete, ficam a língua grudada e era só ela puxar o picolé para ver quem estava com a língua verde. Franjinha descobre que era a Mônica ao tirar o disfarce dela e pergunta se pretende acabar com a reunião deles, enquanto os outros meninos já estavam com raiva dela.


Mônica tem uma ideia e diz que estava lá para homenageá-los. Um menino pergunta se é a homenagem é pisar nos pés deles ou vender sorvete de cola e Mônica diz que vai deixar todos mostrarem a língua para ela e não vai reagir nem bater em ninguém. Eles acham que é um truque e uma armadilha.

Mônica pede para o Franjinha ser o primeiro a experimentar. Ele fica com medo  a princípio, enquanto os outros meninos incentivam a mostrar a língua, acaba mostrando e vê que não aconteceu nada. Os outros, então passam a mostrar também. O primeiro , além de  mostrar, xinga a Mônica de bobona e dentuça e ela dá um soco tão grande que ele chega a voar longe, falando que é só para mostrar a língua, e não xingar.


Depois, segue tudo tranquilo e todos conseguem mostrar a língua normalmente. Depois de uma hora não tinha mais ninguém, mas ela sente falta do Cebolinha e Cascão. Ela encontra os dois descansando debaixo de uma árvore e pergunta se eles não vão mostrar a língua para ela.

Os meninos falam que estão cansados de apanhar e como os planos nunca dão certo, eles fizeram um trato e nunca mais vão provocá-la, xingar ou mostrar a língua. Mônica dá uma coelhada neles assim mesmo, mostram a língua com a pancada e ela vê que não estava verde. Como não sobrou nenhum outro menino no bairro, acaba não descobrindo quem era o linguarudo verde misterioso.


Na segunda parte da história, é descoberto o mistério. Mônica vai para casa, achando o mistério esquisito e vai para casa , já que estava anoitecendo e estava com sono.  Ela se prepara para dormir, e quando se deita e começa a dormir, ouve um "splash", que era um barulho de uma torneira aberta. Ela vai conferir com uma lanterna no lado de fora da casa.

Chegando lá, ela ouve a pessoa falando que não tinha que andarem histórias que não são deles e que a tinta não queria sair da língua dele enquanto lava a língua na pia. Mônica joga a luz da lanterna para descobrir quem era o linguarudo verde misterioso e, para a sua surpresa era o Pato Donald, que corre quando  ela joga a luz em cima dele, terminando assim.



Muito boa essa história, muito criativa. Legal ver a Mônica tentando descobrir o mistério de quem mostrou a língua para ela pelo buraco da cerca e todos os seus planos para conseguir isso. Engraçado ver a Mônica jogando tinta verde no linguarudo, pisando os pés dos meninos, dando sorvete de cola, além dos meninos mostrarem as línguas para ela sem apanhar. Gostei do narrador-observador do início interagindo e interessante ser dividida em 2 partes, mesmo sendo curta, com a segunda parte sendo a solução do mistério.


O final foi surpreendente, o linguarudo verde misterioso podia ter sido qualquer menino da turma, como o Cebolinha, Cascão, Xaveco, Zé Luís, ou no máximo um secundário da MSP de outro núcleo, mas para surpresa de todos foi o Pato Donald , isso que foi a grande sacada de fugir do óbvio. Interessante a Mônica e os leitores descobrirem isso juntos. E ainda vimos um grande encontro inesperado da Mônica com Pato Donald, universos bem diferentes. 


Acho que criaram a história como uma brincadeira de algo como a revista da Mônica ter vendido mais que a do Pato Donald ou a Mônica ser mais popular que o Pato Donald, aí ele mostrou a língua para a Mônica por causa de inveja. Como na época, eles eram concorrentes e estavam na mesma editora podiam fazer essa brincadeira. Ou então fizeram a história como homenagem a Disney mesmo. 

Já tiveram outras referências a Disney nos gibis da Turma da Mônica, normalmente citações e nomes parodiados, como , por exemplo,  na história "A bruxa que odiava parques" (Parque da Mônica Nº 32 - Ed. Globo, 1995) em que a bruxa destruiu a "Nisdeylandia" (Disneylândia). Crossover também na edição "Você Sabia Nº 8" sobre histórias em quadrinhos (Ed. Globo, 2004), mas, sem dúvida essa história de 1985 é a mais famosa e mais lembrada pelos leitores.


Os traços excelentes, com uma arte-final muito legal, provavelmente do Alvin Lacerda. Na postagem a coloquei completa. De curiosidade, os meninos principais da turma não apareceram na reunião, só figurantes. Apenas Franjinha, que era o líder da reunião, e o Jeremias durante a reunião em um quadrinho, e só no final Cebolinha e Cascão aparecem e nem estavam na reunião. Na parte que a Mônica se fantasia de sorveteiro, lembra os desenhos animados como Pernalonga, Patolino, Tiny Toon, em que os personagens se fantasiavam para enganar os vilões e fazê-los de bobos e, assim outra referência a outros universos.

Tem também absurdos como a Mônica já ter um balde de tinta a disposição dela enquanto brincava com o Sansão e o Pato Donald primeiro aparecer como uma língua normal atrás do muro e depois aparece com sua língua de pato no final, mas são detalhes que não estragam a história e até dão magia em histórias em quadrinhos, que não precisam de tudo explicado.


Atualmente, os quadrinhos Disney voltaram a a circular nas bancas ,agora pela Editora Culturama, após 68 anos ininterruptos pela Editora Abril e 8 meses sem circulação após o fim conturbado na Editora Abril. Desde julho de 2018 que não tinham mais gibis da Disney em circulação nas bancas do Brasil e agora em março de 2019 estão de volta.

Muito bom relembrar essa história com o encontro histórico da Mônica com o Pato Donald. Ela foi republicada depois em 'Almanacão de Férias Nº 9' (Ed. Globo, 1991), onde li pela primeira vez, sendo que as imagens da postagens são do gibi original de 1985. Abaixo, a capa desse 'Almanacão de Férias Nº 9'.

Capa de 'Almanacão de Férias Nº 9' (Ed. Globo, 1991)

segunda-feira, 4 de março de 2019

Cebolinha: HQ "Carnaval! Oba!"

É Carnaval, então mostro uma história em que o Cebolinha, Cascão e Mônica formaram um bloco de Carnaval sem querer. Com 9 páginas, foi publicada originalmente em 'Cebolinha Nº 38' (Ed. Abril, 1976) e republicada em 'Almanaque da Mônica Nº 8 - Especial Carnaval' (Ed. Abril, 1981).

Capa de 'Almanaque da Mônica Nº 8 - Especial Carnaval' (Ed. Abril, 1981)

Nela, Cebolinha e Cascão estão conversando, quando a Mônica chega e bate um tambor bem alto e os meninos se assustam com o barulho. Ela fala para eles se animarem porque era Carnaval e chama para dançar. Cebolinha diz que com ela tocando fica meio difícil e Mônica, com sua autoridade, já quer saber se ele está insinuando que ela não sabe tocar. Cascão tem um pensamento que era verdade isso e Mônica grita com ele se está pensando alguma coisa.


Com muito medo da Mônica, eles falam que foi o melhor "bum-bum-bum" que já ouviram, que foi sensacional e que devia tocar no bloco deles. Mônica pergunta que bloco era, e Cebolinha diz que é o bloco "Vai Quem Quer". Mônica pergunta sobre os estatutos e regras do bloco. Cebolinha comenta apenas que vai quem quer e os instrumentos cada um toca o que quiser e então, Mônica resolve tocar o seu tambor na rua.


Mônica comenta que falta uma coisa. Cascão pergunta se são os tampões de ouvidos e Mônica já grita se ele falou alguma coisa já ameaçando bater. Mônica fala que são as fantasias que estão faltando e Cebolinha pergunta se ela já não estava fantasiada. Mônica deixa passar por ser Carnaval e que o espírito de piada dele estava muito bom, mas ameaça para não se repetir apontando dedo para ele.


Cebolinha diz que cada um se fantasia como quiser e, assim, eles vão se fantasiar. Quando voltam, Mônica vem fantasiada de coelhinha, Cebolinha, dentro de um arbusto, fantasiado como uma plantação de cebola e Cascão, de lata de lixo. Cada um acha graça da fantasia dos outros e depois Mônica pergunta das faixas do bloco. Cascão mostra a faixa "Bloco Vai Quem Quer saúda o público e pede passagem".


Tudo resolvido, eles cantam pela rua a marchinha do Bloco "Vai Quem Quer". O povo que estava na rua gostam da animação das crianças e vão se juntando com eles. Aos poucos, vão juntando cada vez mais gente,  atravessam trânsito e chegam em um desfile de samba e a turma acaba recebendo prêmio de um troféu do prefeito, quando eles percebem que formaram um bloco de Carnaval de verdade de sucesso e muito animado.


Cebolinha mostra o troféu que ganharam para o Cascão, que fica contente e diz para não segurar sem cuidado porque cair e quebrar. Cebolinha diz que não importa porque é Carnaval. Cascão toma a taça da mão do Cebolinha e diz que vai ficar ali parado tomando conta dela. Cebolinha e Mônica vão embora junto com o bloco para se divertirem. Cascão vê de longe todos brincando no bloco e não resiste, joga o troféu no lixo e vai junto com a turma brincar no bloco, terminando assim.


Uma história boa de Carnaval onde é formado um bloco de Carnaval sem querer. Os meninos inventam que eles tinham bloco só para desviar a atenção da Mônica de bater neles por terem insinuado que ela toca mal o tambor e, com a inocência deles vão enumerando aos poucos o que precisa para formar um bloco e acabaram criando um bloco de verdade no bairro do Limoeiro. Deixa uma mensagem no final que não é para se apegar a prêmios materiais e o importante é curtir os momentos com os amigos, no caso curtir o Carnaval junto com o bloco ao invés de ficar cuidado de um troféu. Legal as fantasias dele, hoje em dia nem pensar Cascão vestido de lata de lixo.

Nos anos 70 era tudo espontâneo, com um simples papo, as coisas saiam se desenrolando naturalmente até ver o que aconteceu. Mesmo assim, não ocupavam muitas páginas as conversas dos personagens e as histórias não eram tão longas por causa disso. Depois eles passaram a ser mais objetivos nas histórias, indo direto ao ponto que queriam.


Naquela época a Mônica era bem mais irritada, sem paciência e muito autoritária, qualquer motivo já saía batendo nos outros, como pode notar que ela se incomodou até com o pensamento do Cascão, ou seja, batia nos meninos até se percebia que estava falando mal dela por pensamento. Dessa vez não bateu neles, mas assustou com ameaças se continuasse, sendo bem autoritária.


Os traços bacanas, do estilo dos anos 70. estavam começando a ficar com bochechas menos pontiagudas, mas ainda longe do estilo consagrado. Destaque para Mônica com dentes da frente bem maiores, além dos personagens falando de boca fechada e muitas vezes tinham colorização de tudo de uma mesma cor em alguns momentos como aconteceu coma plateia do desfile, coisa característica em todos os gibis da Editora Abril, não só os Turma da Mônica.


As imagens tirei do 'Almanaque da Mônica Nº 8' de 1981. Falando brevemente desse almanaque tiveram 13 histórias no total entre 1971 a 1977, só que dessas, só 6 foram de Carnaval (incluindo a tirinha inédita) e as outras republicações de histórias normais  de personagens secundários. Na época não tinham histórias suficientes de Carnaval para republicarem, assim mesclaram histórias de Carnaval com normais, a não ser que fizessem histórias inéditas sobre o tema, como fizeram com alguns almanaques temáticos na Editora Abril. Tanto que ainda precisaram antecipar uma de 1977, pois era permitido republicações apenas de histórias de 5 anos para cima, no caso devia ter até 1976.

Depois foi republicada de novo em 'Coleção Um Tema Só Nº 13' (Ed. Gobo, 1996), o que foi uma surpresa, pois não tinham costume de republicarem histórias dos anos 70 na época.. Abaixo, a capa original de Cebolinha Nº 38' de 1976 e esse Coleção um  Tema Só de 1996.

Capa de 'Coleção Um Tema Só Nº 13' (1996)
Capa de'cebolinha Nº 38' (1976)