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domingo, 11 de outubro de 2026

TOP Núcleos Secundários do Mauricio

Mauricio de Sousa criou várias turmas paralelas além da Turma da Mônica e nessa postagem vou mostrar os Top Núcleos de Secundários, rankeando cada núcleo na ordem que mais gosto e falar um pouco sobre cada um. O post foi sugerido pela comentarista do Blog Isabella Junqueira.

Nos últimos anos foram 10 núcleos que estavam saindo nos gibis e se tornaram mais famosos. A Turma da Mônica ou Turma do Bairro do Limoeiro o principal de todos criado em 1960 e protagonizados por crianças com cada um dos personagens principais, Mônica, Cebolinha, Cascão, Magali (e agora a Milena), tendo suas próprias revistas e seus amigos Xaveco, Franjinha, Anjinho, Jeremias, Titi, Anjinho, Denise, etc, como coadjuvantes do núcleo. Todos os outros núcleos passaram a ser secundários para diferenciarem do estilo de histórias da Turma da Mônica.

Turma da Mônica

A Turma do Chico Bento é um núcleo secundário marcante, criado em 1961 e que ganhou relevância considerado como segundo núcleo principal quando o Chico Bento passou a ter revista própria em 1982, mostrando o meio rural e costumes da roça, com Chico Bento como um menino humanizado que pode ser preguiçoso, arteiro, desobediente, burro na escola, teimoso, amoroso, de acordo com quem contracena, tem humor, transmite mensagens positivas, e tem vários coadjuvantes como Rosinha, Zé Lelé, Zé da Roça, Hiro, Nhô Lau, Professora Marocas, entre outros.

Turma do Chico Bento

Vale a pena citar dois núcleos que também eram frequentes nos gibis. A Turma do Pelezinho, criado em 1976 baseada no jogador de futebol do Pelé, com histórias mais voltadas ao futebol, podendo ter também outros estilos de histórias para diferenciar, e personagens como Cana Braba, Bonga, Frangão, Neusinha, Samira, etc, inspirados nos amigos do Pelé na infância. Pelezinho teve revista própria entre 1977 a 1982 pela Editora Abril, depois seguiu com edições ocasionais de almanaques, especiais de Copa e Gibizinhos até em 1992 misturando inéditas e republicações e um breve retorno com revistas e especiais entre 2012 a 2014 pela Editora Panini, aí só com republicações. E ainda serviu depois para criarem os núcleos genéricos de futebol que também tiveram revistas próprias como Ronaldinho Gaúcho entre 2006 a 2015 e Neymar Jr. entre 2013 a 2015, ambos pela Editora panini.

Turma do Pelezinho

E o outro núcleo "Os Souza", criado em 1968 em tiras de jornais circulando até em 1989, com histórias saindo em gibis entre 1980 a 1988. Foi uma família composta pelo casal Seu Souza, o chefe da família que trabalhava em escritório, Dona Sousa, esposa dele que era dona-de-casa e o Mano, irmão do Souza, mulherengo e folgado que morava de favor na casa do irmão e queria saber nada com trabalho. Histórias mostravam cotidiano do casal e as trapalhadas do Mano e mais voltado ao público adulto, tipo para os pais que liam os gibis dos filhos. 

Turma Os Souza

Agora mostrarei o ranking com os outros núcleos do Mauricio, focado apenas nos 8 famosos que tiveram histórias de miolo nas revistas desde 1970 de cada personagem principal da Turma da Mônica e do Chico Bento e que não tiveram revistas próprias ou até que tiveram por um breve período e depois cancelado. Gosto de todos os secundários, só mostrarei a ordem de preferência entre eles. Lembrando que períodos das Editoras Abril e Globo tinham gibis certos para cada secundário aparecer, dando identidade para os gibis, e a partir da Panini, qualquer secundário pode ter história em qualquer revista, sem identidade e isso será falado também em cada caso.

8º LUGAR: Turma da Mata

Turma da Mata é um núcleo formado por animais variados ambientados na Floresta do Matão e vivem em uma hierarquia onde tinha um rei e todos outros como súditos. Histórias mostravam cotidiano deles na floresta com muito humor, assim como poderia ter críticas sociais, políticas e também alertar sobre problemas ambientais e extinções de animais. Histórias da Turma da Mata saem nos gibis da Mônica, Cebolinha e Parque da Mônica (Turma da Mônica) e nos últimos anos saindo nos gibis do Chico Bento.

Personagens desse núcleo Jotalhão, Raposão, Coelho Caolho, Tarugo, Rita Najura, Rei Leonino, etc. Foi o único núcleo que não teve um protagonista fixo. Inicialmente em 1961 nas tiras de jornais a intenção do Mauricio era o Raposão ser o protagonista, quando o Jotalhão passou a ser garoto-propaganda do extrato de tomate da "Cica", ele passou a ter um destaque maior e ser mais conhecido de todos os outros, porém não é o protagonista oficial, visto que nos anos 1970 o protagonismo era divido com Jotalhão, Rei Leonino e Caolho Caolho, depois todos com histórias com presenças por igual, sem ter protagonismo definido, por isso o núcleo é denominado por Turma da Mata, sem ser "Turma do Personagem" como os demais núcleos.

Turma da Mata: Jotalhão, Raposão, Coelho Caolho, Tarugo, Rita Najura, Dona Corujoca, Rei Leonino, Ministro Luís Caxeiro Praxedes, Dona Coelha, Coelhinhos do Coelho Caolho e Dona Coelha, Melissauva

Cada personagem podia protagonizar histórias solo. O que mais gostava eram das histórias do Rei Leonino e do Jotalhão, adorava o Rei Leonino como um mal governante e sendo bajulado pelo Ministro Caxeiro e o Jotalhão perseguido pela Rita Najura. Não gostava muito das histórias do Tarugo, principalmente a partir dos anos 2000 com  ele contracenando com os coelhinhos do Coelho Caolho, essas acho bem bobinhas. Algumas histórias que gostei: "Boa noite, filho!", "O roubo dos capacetes reais", "Um jantar à luz de velas".


7º LUGAR: Turma do Horácio

Horácio foi criado em 1963 retratando a Pré-História e núcleo formado por dinossauros e animais pré-históricos. O Horácio é considerado o alter ego do Mauricio, expressava suas críticas através do personagens e maioria das histórias eram escritas pelo Mauricio e voltadas sofre filosofia, reflexão e também era comum o Horácio na luta de procurar sua mãe depois que nasceu com ovo abandonado e durante os anos 1970 o Horácio encarnava ás vezes o "Super-Horácio" que virava o super-herói quando levava uma pancada na cabeça enfrentando várias aventuras. 

A partir dos anos 1980 o "Super-Horácio" foi aposentado e histórias eram mais de 1 página tiradas de tabloides de jornais cm estilo predominantemente filosóficas já que o Mauricio não tinha tempo pra roteirizar histórias longas por conta do lado empresarial ter prevalecido. Ficou assim até em 1992 e depois outros roteiristas assumiram roteiros do Horácio com histórias com mais páginas e saindo de forma esporádica. A Turma do Horácio é formada por personagens Lucinda, Tecodonte, Simone, Antão, etc e histórias deles saem nos gibis da Mônica, Cebolinha e Parque da Mônica (Turma da Mônica). Raramente histórias do Horácio tinham título, inclusive as desenvolvidas,  aparecendo só nome do personagem. 

Turma do Horácio: Horácio, Tecodonte, Lucinda, Simone, Antão, Alfredo, Estego, Napões

Gosto mais das histórias do Horácio com Tecodonte, Lucinda e Simone, do tipo o Tecodonte ter visão empreendedora diferente do Horácio e Lucinda querer namorar o Horácio sem sucesso e não gostava as com os Napões e as extremamente filosóficas que não entendia quando criança. Algumas histórias que gostei "Na terra dos peludos", "em que Lucinda encontra outro pretendente amoroso" e "Horácio na montanha dando mensagem subliminar"


6º LUGAR: Turma do Astronauta

Astronauta foi criado em 1963 com aventuras ambientadas no espaço sideral, como o próprio nome diz ele é um explorador de planetas a serviço da BRASA. Nas histórias, Astronauta visita planetas, podendo enfrentar extraterrestres vilões e bandidos assim como podia também encontrar extraterrestres bonzinhos que o Astronauta ajudava a resolver problemas deles. 

Também era comum histórias retratando filosofia, principalmente questão de solidão que ele passava no espaço e tinha companhia apenas do seu computador de bordo e algumas vezes aparecia Astronauta na Terra no sítio dos seus pais, contracenando com o amigo Ditão e dor-de-cotovelo no amor com sua namorada Ritinha que se casou com outro, cansada das longas viagens espaciais dele. Essas com a família no sítio e Ritinha poucas exploradas, prevalecia as no espaço com extraterrestres. Maioria era sem título, mostrando só nome do personagem. Histórias da Turma do Astronauta saem nos gibis da Mônica, Cebolinha e Parque da Mônica (Turma da Mônica).

Turma do Astronauta: Astronauta, Alienígenas Bonzinhos, Alienígenas Vilões, Computador, mãe do Astronauta, pai do Astronauta, Ditão, Ritinha, Bonifácio

Gosto mais de histórias do Astronauta com extraterrestres, principalmente resolvendo os problemas que os ETs passavam nos planetas deles e Astronauta sofrendo pela Ritinha e não gosto muito as com aventuras muito longas por maioria serem com enrolações e as do Astronauta sofrendo com solidão no espaço por serem mais depressivas. Algumas histórias que gostei foram do "Astronauta enfrentando um novo Demônio", "Somos todos iguais" e "se vendo casado com Ritinha em um futuro imaginário"


5º LUGAR: Turma do Bidu

Bidu foi criado em 1959, o primeiro personagem do Mauricio a sair em tiras de jornais, marcando o início da carreira dele no mundo dos quadrinhos. Bidu inicialmente como um cachorro do Franjinha e depois foram adotados vários universos diferentes para ele que ajudavam muito a diferenciar os estilos de histórias. 

O Bidu pode ser um cachorro do Franjinha, agindo como um cãozinho normal e nessas pode ser incluído no universo da Turma do Limoeiro. Também pode ser como cãozinho normal contracenando com seus amigos cachorros como o Duque e namorada Fifi, um cachorro que conversa com objetos, pode ser um cachorro personagem de história em quadrinhos agindo como chefe comandando o contrarregra Manfredo e a Dona Pedra sendo perturbado pelo Bugu, com todas as suas metalinguagens, ou então ser um cachorro-ator encenado história tipo série na sua própria história. Além dos gibis da Mônica, Cebolinha e Parque da Mônica (Turma da Mônica), Bidu também tinha histórias fixas e criando identidade nos gibis do Cascão.

Turma do Bidu: Bidu, Franjinha, Duque, Bugu, Manfredo, Dona Pedra, Zé Esquecido, Fifi

De todas as facetas eu gostava mais do Bidu como cachorro personagem de histórias em quadrinhos mostrando bastidores. Nesse tipo de histórias ele era mais arrogante, irritado, sem paciência, achava o máximo dando bronca no Manfredo e o Bugu o perturbando. Já não gostava era de ele conversar com objetos, achava mais bobinhas, com raras exceções, essas conversando com objetos funcionavam mais em tirinhas de jornais. Algumas histórias que gostei "Mas eu não posso!", "Injeção nem de graça" e "Cachorro de aluguel".


4º LUGAR: Turma do Piteco

Piteco foi criado em 1961 e seu núcleo mostra a Pré-História e o povo da aldeia de Lem, onde eles vivem, com Piteco como um grande caçador que odeia casamento e quer ficar solteirão para sempre e sempre fugindo das investidas da Thuga para conseguir casar com ele, Thuga chega até fazer planos infalíveis para se casar, mas Piteco sempre consegue se escapar e continuar solteiro. Ele até gosta da Thuga, mas o problema é casamento. 

Histórias da Turma do Piteco também mostram como grande caçador, envolvido com invenções que revolucionaria a Pré-História. Personagens principais do núcleo são Piteco, Thuga, Bolota, Ogra, etc. Histórias da Turma do Piteco saem nos gibis da Mônica, Cebolinha e Parque da Mônica (Turma da Mônica). Por bastante tempo teve também os irmãos bandidos Zum e Bum que pertenciam ao núcleo do Piteco e até contracenaram algumas vezes só que depois  de 1996 foram para o limbo por conta da MSP abolirem bandidos nas histórias e depois disso foram raras aparições deles. 

Turma do Piteco: Piteco, Thuga, Bolota, Ogra, Beleléu, Juiz de Paz, Vartolo, Tio Glunc, Xerife de Lem, Zum e Bum

Gosto mais as do Piteco com a Thuga, fazendo planos infalíveis para se csar com ele, era cada plano mirabolante que chamava atenção. As que menos gostava eram do Piteco como caçador em aventuras mais longas por maioria ter enrolação. Algumas histórias que gostei "Casado?", "Uma noiva para Deus Tigre" e "A procura do fogo".


3º LUGAR: Turma do Papa-Capim

Papa-Capim foi criado em 1960 e representa o núcleo indígena. Mostra o cotidiano de tribo de índios primitiva da Floresta Amazônica. Nas histórias, era possível conhecer os costumes dos índios, entender sobre dialetos como caraíbas, Jaci, Tupã, etc, também tinha contraste dos índios com homens brancos (caraíbas) em que os homens podiam ir na selva  e acabam aprendendo os costumes dos índios ou então os índios aprenderem sobre a vida dos caraíbas encontrando algum objeto da civilização que nunca tinham visto antes.  Também tinham muitas críticas sociais, preservação de meio ambiente, extinção de animais, a gente aprendia se divertindo.

Principais personagens do núcleo são Papa-Capim, Cafuné, Jurema, Cacique, Pajé, etc. Histórias da Turma do Papa-Capim eram frequentes nos gibis do Chico Bento e saíam algumas vezes nos gibis da Mônica, Cebolinha e Parque da Mônica (Turma da Mônica) quando precisavam ser mais longas, com mais de 5 páginas e esse núcleo do Papa-Capim teve identidade com histórias fixas nos gibis do Chico bento, que foi quando passaram a ter conhecidos, já que nos anos 1970 eram raras histórias deles nos gibis da Mônica e Cebolinha e quando tinha eram só de 1 página, no máximo 2 páginas.

Essa ideia da Turma do Papa-Capim como índios primitivos ficou sem alterações até 2019, porém a partir de 2020 resolveram mudar deixando como indígenas modernos, com roupas morando em casas, assim como são na vida real da atualidade, porque o politicamente correto implicou com índios primitivos. Só que indígenas assim não deram certo e a consequência foi a Turma do Papa-Capim ir para o limbo , desde final de 2023 não têm mais histórias deles nos gibis. 

Turma do Papa-Capim: Papa-Capim, Cafuné, Jurema, Pajé, mãe do Papa-Capim, Cacique, Guatira

Gostava mais das histórias mostrando contraste dos índios com caraíbas, principalmente eles descobrindo objetos que nunca tinham visto e não gostava muito das com exclusivamente com mensagem de meio ambiente e mesmo assim não eram ruins totalmente, não é atoa que ficou no pódio de 3º lugar. Algumas histórias que gostei "Um espírito está atacando o Sol", "Programa de índio" e "Banho de Lua".


2º LUGAR: Turma do Penadinho

Penadinho foi criado em 1963 e seu núcleo representa o terror com fantasmas, monstros e assombrações. Os personagens vivem em cemitério e histórias mostram cotidianos deles, fazer alguma vítima para morrer, falavam de vida após a morte, reencarnação e diferente de quase todos os outros núcleos com histórias girando em torno do personagem principal, cada um deles podiam protagonizar histórias e com características próprias. Foi o núcleo mais numeroso de personagens fixos criados pelo Mauricio, entre eles, Penadinho, Zé Vampir, Dona Morte, Cranicola, Frank, etc.  

Histórias da Turma do Penadinho além de saírem nos gibis da Mônica, Cebolinha e Parque da Mônica (Turma da Mônica), tiveram identidade com histórias fixas nos gibis do Cascão, que foi quando passaram a ter conhecidos e cada personagem do núcleo terem identidade próprias já que nos anos 1970 eram raras histórias deles nos gibis da Mônica e Cebolinha. E passaram a ter histórias nos gibis da Magali quando a revista dela passou a ser mensal em 2003.

Turma do Penadinho: Penadinho, Zé Vampir, Dona Morte, Cranicola, Frank, Muminho, Lobisomem (Lobi), Alminha, Pixuquinha. Quixupinha, Zé Finado, Zé Caveirinha, Dona Cegonha, Diabão

Gosto mais das histórias do Zé Vampir e Dona Morte, era ótimo sufocos que passavam como vampiro e a Dona Morte à procura de vítimas e elas tentarem fugir da Dona Morte para não morrerem, e também as com humor negro que podia ter em histórias de qualquer personagem desse núcleo. O que menos gosto do Muminho, por ser mais normal, mas que assim eram ótimas também as histórias dele. Algumas histórias que gostei  "Sangue, sangue, sangue!", "As faces da Morte", "Saudades de vida".


1º LUGAR: Turma da Tina

Tina foi criada em 1970 e seu núcleo representa a vida e cotidiano dos jovens, envolvem namoro, problemas na faculdade, emprego, tendências musicais e tudo que está em alta no mundo jovem, atualizando a tendência atual em cada fase. Os quatro personagens principais são Tina, Rolo, Pipa e Zecão e participações da Vovoca, Toneco (avó e irmão da Tina), pais da Tina, pais do Rolo, etc. 

Foi o núcleo que teve várias mudanças ao longo dos anos para representar os jovens da atualidade e o núcleo não ficar ultrapassados. Em 1970 iicialmente Tina era hippie e coadjuvante nas histórias do irmão dela, o Toneco. Depois ela virou protagonista com Tina e Rolo eram hippies até nos primeiros meses de 1977 e Pipa era a careta que não curtia essa tendência hippie, Pipa deu tempo nos gibis entre 1974 a 1977, ficando com histórias só com Tina e Rolo hippies agindo como crianças grandes e com humor pastelão. A nova fase da Turma da Tina foi em 1977 com Tina com traços femininos eles voltados à Discoteca, com retorno da Pipa e sem personalidades definidas. A partir de 1982 começou a nova fase com personagens roqueiros, com Tina a certinha e com namorado fixo, o Jaime, Rolo mulherengo podendo namorar várias garotas ao mesmo tempo ou passando sufoco com suas namoradas e Pipa passou a namorar o Zecão de forma fixa se tornando uma histérica e ciumenta. 

A partir de 1991 a Tina teve mudança com cabelos longos, roupas curtinhas e sensuais, cada história com namorado diferente ou fazendo questão de atrair homens à sua volta e os outros seguiram suas características de antes, sem muitas mudanças. Em 2004 adotaram traços diferentes com caras e bocas estilo "Radical Chic" com Tina com batom preto e histórias mais longas voltadas ao cotidiano dos jovens e conflitos entre pais e filhos. Tina passou a ter uma mãe, que não tinha antes e o irmão Toneco, agora pré-adolescente passou a ter mais destaque. Em 2007 repaginaram com personagens com estilo "Barbie" mais genéricos, atléticos e com padrões de beleza com destaque a Rolo com cabelo  separando da barba, Pipa magra com batom, Zecão sem narigão e Tina com cabelos pretos e mais longos ainda. A partir de 2009 voltaram com traços parecidos dos anos 1990, com exceção do Rolo continuando com cabelo separado da barba, porém magro como era e Zecão com nariz menor. A partir de 2015 adotaram traços digitais, mas seguindo a essência de como adotaram a partir de 2009, só com leves detalhes diferentes no cabelo da Tina e seguem assim até hoje.

Tina, Rolo e Pipa têm histórias solo, o Zecão pode ter só que mais em função da Pipa, que poderia aparecer nem que fosse só no final. Histórias da Turma da Tina hoje mais focadas em histórias envolvendo celulares, streamings e não mais envolvidos em namoro e traições por causa do politicamente correto. Histórias da Turma da Tina saem nos gibis da Mônica, Cebolinha e Parque da Mônica (Turma da Mônica) e passaram a ter histórias nos gibis da Magali quando a revista dela passou a ser mensal em 2003. 

Turma da Tina: Tina, Rolo, Pipa, Zecão, Vovoca, pais da Tina, pais do Rolo, Toneco, Jaiminho

Considerando a partir dos anos 1980, quando de fato a Turma da Tina  passou a ter características próprias e ter uma identidade, gosto mais das histórias do Rolo passando encrenca com as namoradas e da Pipa histérica e ciumenta com Zecão. Não tem um estilo de história que não gosto desse núcleo, sempre foram adaptados ao tempo atual, por isso ficarem na primeira posição, o que não gostei dos traços mudados constantemente, depois que tiveram os traços perfeitos dos anos 1990 não deviam ter mudado, depois dos anos 2000 foi só ladeira abaixo nos desenhos e o visual conta muito para atrair a leitura. Algumas histórias que gostei "Para impressionar", "A espera" e "Quero dormir!".


Como podem ver, essas turmas paralelas são boas, ajudam a diferenciar estilo de histórias a atrair outras faixas etárias para lerem os gibis e sair da mesmice de só um núcleo da Turma da Mônica. Neste momento todos estão sumidos desde a 4ª série da Panini iniciada em abril de 2026 que estão focados apenas com as histórias curtas da Turma da Mônica nos gibis de cada um deles e com histórias da Turma do Chico Bento nos gibis do Chico. Sem previsão de volta, pode ser que retornem um dia, mas provavelmente reformulados, se voltarem. A postagem ficou como homenagens a esses secundários que marcaram por longos anos e também ao Mauricio de Sousa que completa 91 anos no próximo dia 27 de outubro. Então, essa foi a ordem dos núcleos secundários que mais gosto, mas cada um vai ter sua ordem preferida. Em breve faço outros ranking "Top" aqui no Blog.

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Astronauta: HQ "Somos todos iguais"

Mostro uma história em que o Astronauta visita um planeta em que todos os habitantes eram exatamente iguais na aparência. Com 6 páginas, foi publicada em 'Cebolinha Nº 166' (Ed. Abril, 1986).

Capa de 'Cebolinha Nº 166' (Ed. Abril, 1986)

É apresentado o planeta Bolun, localizado na constelação de Capricórnio, o povo é simpático e pacato, só que tem o problema que todos são iguais, um a cara do outro. Mostra um alienígena que pensa que é o amigo Gorb, na resposta negativa, pensa que são seus outros amigos e aí descobrem que eram pai e filho. Outro caso que um pergunta quem é namorada dele e as garotas respondem que depende, perguntando quem é ele.

O alienígena Zogue se revolta, dizendo que não sabe mais se ele é ele ou se é um vizinho dele. Surge o Astronauta na nave dele e Zogue se espanta que é diferente dele, tem altura diferente e nariz redondo. Ele mostra o Astronauta que no planeta são todos iguais, aparece outro ET e Astronauta pergunta com quem estava falando. Astronauta pergunta como vai saber quando está falando com ele e o Zogue responde que não vai, nem a mãe dele era capaz de diferenciá-lo.

Em seguida, Zogue vê sua namorada com outro, pergunta se ela é a Mira porque ele é noivo dela e o outro vai embora com o deslize. Astronauta mostra uma revista da Terra com cada pessoa se vestindo e com penteados diferentes e dá roupas, estojo de maquiagens, perucas e bigodes para Zogue e Mira, que vestem e ficam bem diferentes chamando atenção do povo na rua. 

Outros alienígenas querem que o Astronauta os ajude a ficarem diferentes. E assim, Astronauta consegue deixar todos diferentes e depois vai embora com a missão cumprida. Povo de Bolum passa a saber quem é quem e estariam felizes se não fosse a chegada de uma dupla de cantores de Rock Zango e Rita Zee, lançaram moda que contagiou todo o planeta e todos se passaram a se vestir iguais aos cantores e de novo o povo não sabia mais quem era quem.

História legal em que todos os extraterrestres do planeta eram iguais e isso causava muita confusão para eles em reconhecer quem era quem. Graças ao Astronauta, que deu roupas, maquiagens e perucas e conseguiram cada um ficar diferente. Só não contavam da dupla de cantores de Rock virar moda e todos quererem se vestirem iguais e voltarem a ter problema de ninguém se reconhecer.

Astronauta resolveu o problema e eles criaram de novo, foram muito influenciáveis pelos cantores, não eram para se vestirem iguais, sem terem identidade própria. Antes dava para aceitar porque não tinham conhecimento de roupas e cabelos, depois problema causados por eles mesmo, Agora eles têm que lembrar que precisam usarem roupas e cabelos diferentes se quiserem voltara serem reconhecidos, ou esperar a moda dos cantores passar e resolverem usar as outras roupas que estavam usando.

Mesmo que eles tinham rostos iguais, não precisavam usar roupas iguais, se tivessem se ligado nisso já ajudaria bastante no reconhecimento deles. Ficam dúvidas na imaginação dos leitores se eles tinham também vozes iguais porque poderiam reconhecer um ao outro pela voz, principalmente os que eram parentes, e também o absurdo do Astronauta ter roupas na nave o suficiente para todos os alienígenas do planeta. Absurdos sempre bons.

Engraçado mesmo e que deu toque na histórias foram as situações constrangedoras que os Bolunianos passavam por serem iguais como pais e filho não se reconhecerem, namorados traindo com outros sem querer, o próprio não saber se é ele ou se é vizinho, nem a mãe reconhecia e eles voltarem a ter o problema no final. A paródia engraçada da Rita Lee como "Rita Zee" foi ótima também.

Os extraterrestres que o Astronauta visitava normalmente apareciam em uma só história,  com raras exceções,  então esses Bolunianos apareceram só nessa. 

Além de divertir, ainda teve mensagem da gente ter estilo próprio,  não imitar e se influenciar com que artistas fazem. O tema da história até acho que poderia aceitar hoje, mas podiam implicar com elementos  como personagens namorando, ET tirando namorada do outro, o excesso de absurdos e sem final feliz para os alienígenas. 

Traços ficaram bons, do estilo consagrado dos personagens dos anos 1980. Foi história do Astronauta com título, o que era bem raro, aparecia só "O Astronauta". Foi republicada depois em 'Almanaque do Cebolinha Nº 23' (Ed. Globo, 1993).

Capa de 'Almanaque do Cebolinha Nº 23' (Ed. Globo, 1993)

sábado, 17 de janeiro de 2026

A Turma: HQ "Ninguém aguenta esse calor..."

Estamos no verão no Brasil e mostro uma história em que a turma toda passa sufoco com o calor forte e  insuportável que estava no Bairro do Limoeiro em um dia de verão. Com 11 páginas, foi história de encerramento publicada em 'Parque da Mônica Nº 2' (Ed. Globo, 1993).

Capa de 'Parque da Mônica Nº 2' (Ed. Globo, 1993)

Está muito calor no verão do Bairro do Limoeiro, Mônica não consegue correr e bater no Cebolinha, que por sua não consegue correr também e os dois caem no chão. Cebolinha xinga a Mônica de dentuça e fala que não consegue correr porque é gorducha e ela diz que só não lhe dá coelhada porque não consegue levantar o braço. Mônica faz um trato de ele pagar um sorvete para ela e não bate nele, que aceita e os dois se rastejam para encontrar um vendedor de sorvete.

Franjinha vê e pergunta se eles estão brincando de minhoca. Cebolinha responde que estão morrendo de calor e aparece a Dona Morte. Cebolinha diz que queria dizer que está um calor de louco e aparece o Louco vestido de Papai Noel. Cebolinha diz que tem muita gente no quadrinho, Franjinha fala que fica mais abafado e lembra que inventou uma pílula contra sede. 

Dona Morte pergunta quem vai experimentar com todos olhando para o Louco e ele diz que é louco, mas nem tanto e sugere para Dona Morte experimentar. Franjinha gosta, dizendo que qualquer coisa ela se garante. Dona Morte diz que conhece a fama dele, mas toma a pílula, falando que faltou uma aguinha para descer melhor. Mônica e Cebolinha ficam em dúvida se funciona e querem tomar a pílula só que ficam com mais sede ainda que estavam e correm para tomar sorvete. Louco avisa para Dona Morte que vai para o deserto do Saara, chamando de Dona Vida e ela corrige que é Morte.

Mônica e Cebolinha encontram vendedor de sorvete, que diz que acabou, vendeu tudo para a Magali. Outro vendedor, estava vendendo sorvetes par aos filhos do Coelho caolho e diz que  vai sobrar nada. Mônica e Cebolinha reclamam que o calor está de derreter  e aparece o Jotalhão magro, dizendo que derrete mesmo. Mônica não reconhece quem era e Cebolinha diz que era o Jotalhão.

Em seguida, encontram o Chico Bento procurando água com um galho de madeira que indica onde tem água, o galho começa a balançar no lugar que tem água. Só que aparece é petróleo e Chico odeia. Depois, encontram o Anjinho na Terra, perguntam o que ele faz ali embaixo e ele responde que lá em cima está muito quente também, as nuvens evaporaram também, está um inferno.

Encontram o Cascão querendo cometer loucura, precisando de água com tanto calor que sentia. Ele corre em direção ao riacho e Mônica impede de entrar porque podia se afogar e pede para o Anjinho ajuda para o São Pedro. No Céu, Anjinho comenta que precisam de chuva, São Pedro fala que as nuvens estão secas e está esperando uma nova remessa de nuvens carregadas do Polo Norte que devem chegar só amanhã.

Anjinho diz que até lá todo mundo está cozido, tudo culpa desse Sol e tem ideia de ir ao espaço sideral falar com o Astronauta conversar com o Sol para convencê-lo de diminuir o brilho sobre a Terra. O Sol nega, estava deprimido porque brigou com a Lua, que a seguir aparece pedindo desculpas e que não vai mais olhar para a Terra.

Assim, o calor dá lugar a uma brisa saudável na Terra, Cranicola estava rachado e diz que o calor estava de rachar. Penadinho pergunta se era ele mesmo e Cranicola diz que por enquanto, Crani, só falta a cola. Começa a chuva, Cascão corre para casa e o ambiente refresca, deixando tudo normal e pessoal feliz porque ninguém aguentava mais aquele calor infernal. E o Diabo responde que ninguém mesmo, nem ele, aparecendo se abanando com ventilador, ar condicionado e água com gelo no Inferno.

História legal em que todos estavam sofrendo com o calorão no Bairro do Limoeiro, ninguém tinha força pra nada, nem Mônica conseguia correr atrás e bater no Cebolinha. Passaram a ter mais sede tomando a fórmula do Franjinha e não tiveram sorte nem em comprar sorvetes por causa da Magali e dos filhos do Coelho Caolho. Foi preciso Anjinho intervir e pedir para o Astronauta conversar com o Sol para diminuir o brilho e a temperatura da Terra voltar ao normal. 

O calor infernal foi culpa do Sol, que estava com ciúme da Lua ficar olhando para o planeta Terra, fizeram as pazes, aí o Sol passou a esquentar menos. Calor insuportável estava afetando cabeça deles e passando por coisas inusitadas sendo capaz até de Cascão querer tomar banho no riacho, salvo pela Mônica que tinha medo de ele se afogar e estava insuportável até no inferno precisando o Diabo se abanar e ficar com ar-condicionado e ventilador. Eram boas as histórias de personagens sofrendo com calor. Não diferencia muito do calor atualmente na vida real, quem sabe o Sol brigou de novo com a Lua e precisaria o Astronauta intervir para amenizar o calorão.

Louco de Papai Noel com aquele calor e não satisfeito ainda queria mais calor indo para o deserto do Saara, só não foi louco de tomar a pílula inventada pelo Franjinha. Louco também conduziu bem conversa com a Dona Morte, até chamando de Dona Vida. Se o Do Contra tivesse sido criado na época, se encaixaria bem na história, contrariando todos que estavam com calor.

As fórmulas do Franjinha já são famosas que dão erradas, que até Dona Morte sabia disso e nem Louco queria tomar a pílula que Franjinha inventou. O próprio Franjinha não levava fé na sua invenção e não era louco de testar e queriam Dona Morte como cobaia porque se acontecesse algo errado, não teria efeito ruim nela, mas por não ser humano não deu reação nela, adiantou nada experimentar.

Mônica estava rastejando mas quando viu a Dona Morte correu na hora e conseguiram forças para correr quando ficaram com sede excessiva após tomarem a pílula do Franjinha. Magali tirou a vez de Mônica e Cebolinha tomarem sorvetes, ficando gorda como grávida de tanto sorvete que tomou, dessa vez engordou após comer. Legal também os filhos do Coelho Caolho impedindo Mônica e Cebolinha de tomaram sorvete.

Engraçado trocadilhos como morrendo de calor, calor de louco, calor de derreter e calor infernal que foram ganchos para surgirem Dona Morte, Louco, Jotalhão e  Diabo, respectivamente. Rachei de rir com Jotalhão magro por ter derretido de tanto calor que estava. Chico Bento com galho que procura água encontrando petróleo foi engraçado de achar ruim de ter sido petróleo e não água. Devia gostar, ficaria rico e podia ter toda a fonte de água que quisesse. Mostrou que o galho que busca água só funciona na roça, não na cidade.

Divertido também Cascão querer tomar banho por causa do calor forte, as nuvens secas e evaporarem, Anjinho falando inferno, São Pedro com ventilador no Céu e encomendas nuvens no polo Norte, Sol namorar Lua, Cranicola rachou com tanto calor e Diabo se abanando com leque e com ar-condicionado e ventilador no inferno, nem ele estava aguentando calor. 

Chamou atenção ao crossover com reunião de vários personagens de outros núcleos em uma história e todos tiveram papéis importantes para conduzir a trama. Nunca poderíamos imaginar Mônica, Cebolinha e Franjinha juntos com Louco e Dona Morte, Mônica e Cebolinha com Coelho Caolho e os filhos, depois com Jotalhão e com Chico Bento, e mais Anjinho com Astronauta.

O título fez jus com crédito de "A turma" com tantos crossovers juntos. História teve uma linguagem diferente, mais ágil, com os secundários presentes ficou como se todos estavam fazendo visita no Bairro do Limoeiro e todos os secundários conheciam um ao outro. Foi importante presença deles para gerar as gags apresentadas.

Tudo indica que foi história escrita pelo Flávio Teixeira De Jesus por característica de ser ágil, vários personagens surgindo do nada, inclusive secundários. Depois, estilo de história com essa linguagem foi adotado mais frequente nas histórias ambientadas no Parque da Mônica, onde todos se reuniam lá e com maior número de crossovers com personagens. Flávio fez muitas histórias do Parque da Mônica. Se essa história não fosse para Revista Parque da Mônica, recém lançada até então, acho que iria para revista do Cebolinha.

Traços ficaram bons do estilo consagrado dos personagens. Teve erro roupa do Coelho Caolho com cor rosa em vez de amarela. Incorreta atualmente por por personagens sofrerem com calor extremo, absurdos mostrados, aparecer Diabo, além de palavras e expressões populares de duplo sentido proibidas como "morrendo de calor", "calor infernal", "todo mundo tá cozido", "diacho", "inferno", "peste", "louco", entre outras.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Uma história do Astronauta de férias na praia

Mostro uma história em que o Astronauta foi curtir uma praia nas suas férias só que não teve o sossego como ele imaginava. Com 5 páginas, foi publicada em 'Cebolinha Nº 92' (Ed. Globo, 1994).

Capa de 'Cebolinha Nº 92' (Ed. Globo, 1994)

Astronauta fica feliz que está passando férias na praia do planeta Terra, diz que em lugar nenhum do universo temos um céu tão azul, nem um Sol tão quente, nem um mar tão limpo, quando leva uma bolada na cabeça e quer saber quem foi. Aparecem dois homens fortões dizendo que foi sem querer e Astronauta entrega a bola, sem valentia, com medo de apanhar deles.

Em seguida, Astronauta vai para outro lugar da praia, estranha que tinha ninguém ali e surge uma onda enorme na frente dele e aí descobre o motivo de ninguém ir para lá e ainda aparecem dois surfistas, dizendo que eles são gentes e surfam sem desviar do Astronauta, ganhando três galos na cabeça. Depois, vai em outro ponto e deita em cima de onde um homem estava brincando de se enterrar na areia e xinga muito o Astronauta. 

A seguir, Astronauta encontra outro lugar tranquilo e é atropelado uma família que chegara na praia fazer um piquenique. Ele se irrita, pega a nave e vai para curtir praia em outro planeta. Lá, comenta que não tem aquele céu, Sol e mar da Terra, mas tem paz, quando tem um arrastão espacial na praia e os extraterrestres levam tudo, deixando Astronauta pelado.

História legal, o Astronauta só queria sossego nas suas férias na praia, mas sempre era atrapalhado por alguma coisa. Foi procurar paz em praia de outro planeta e foi pior por sofrer um arrastão e ser assaltado lá. Ele aprendeu que em nenhum lugar teria paz, seja no planeta Terra ou em outros, sempre é a mesma coisa e teria os mesmos problemas em qualquer lugar que estivesse. Antes ficasse na Terra, pelo menos não seria assaltado. 

Embora o arrastão foi em outro planeta, corria risco de sofrer arrastão na Terra mesmo. Astronauta elogia que o mar da Terra era limpo, há controvérsias, tem muitas praias poluídas pelo Brasil. Até que teve sorte de não encontrar uma praia lotada que não consegue nenhum lugar para ficar, seria mais um problema para ele, provavelmente foi em época que não era verão e em dia de semana. 

Foi engraçado Astronauta levar bolada e ficar com medo de tomar satisfações com os fortões, ser levado pela onda, surfistas  surfarem na cabeça dele, sentar em cima de um homem enterrado e ser pisoteado por uma família de farofeiros. Definitivamente não teve sorte no seu dia de curtir praia.

História mostrou crítica da vida real que um simples passeio na praia pode virar programa de índio, o que é para ser diversão e relaxante, passa a ser muito estressante. Também ajudou diferenciar estilo de histórias do Astronauta, que sempre ficava viajando em outros planetas e contracenando com extraterrestres, dessa vez foi quase totalmente na Terra vivendo um cidadão comum. Mais uma vez história do Astronauta sem título como era de costume, hoje em dia, todas as histórioas da MSP têm título, até as de 1 página.

Traços ficaram bons da fase consagrada do estilo dos anos 1990.  Incorreta atualmente por Astronauta levar bolada no rosto, pancada de prancha de surfe e ficar com três galos, ser pisoteado pelos outros, homem se enterrar todo na areia e depois ser sufocado pelo Astronauta, homens desenhados fortões daquele jeito, e, principalmente, homem  falar palavrão, Astronauta ser assaltado em arrastão de praia e ainda ficar pelado, sem chance roteiro assim hoje em dia.

segunda-feira, 4 de agosto de 2025

Uma história do Astronauta enfrentando o Mil-Caras


Mostro uma história em que um bandido extraterrestre rei dos disfarces foge da prisão e toma a forma do Astronauta para despistar os guardas que estavam o procurando. Com 8 páginas, foi publicada em 'Cebolinha Nº 118' (Ed. Abril, 1982).

Capa de 'Cebolinha Nº 118' (Ed. Abril, 1982)

Vários extraterrestres bandidos estão jogando baralho no presídio de um planeta de outra galáxia distante da Terra, quando eles sentem falta do Mil-Caras. Ouvem um barulho, encontram um guarda amarrado e amordaçado e pensam que era o Mil-Caras disfarçado. O guarda depois de solto reclama que estava há duas horas ali amarrado e descobrem que o Mil-Caras fugiu do presídio.


Mil-Caras percebe que descobriram sua fuga e se disfarça de pedra à beira de um rio. Astronauta vai tomar banho lá, o guarda pergunta se ele viu o bandido Mil-Caras, o rei dos disfarces, que fugiu do presídio e Astronauta promete que se vir o bandido, vai avisar. Mil-Caras resolve tomar a forma do Astronauta, que estranha se ver fora do rio se nem acabou de tomar banho.

Então, o Mil-Caras rouba o traje do Astronauta, que corre atrás dele e diz que vai contar tudo para polícia. Mil-Caras finge para os guardas que é o verdadeiro Astronauta e que está sendo perseguido pelo bandido. Na confusão de saber quem é o verdadeiro Mil-Caras, o guarda pergunta de novo quem de fato é, Mil-Caras diz que é o que está do seu lado e descobrem que ele é o verdadeiro porque ficou vermelho ao mentir.


Mil-Caras joga os guardas em cima do Astronauta e resolve se livrar deles e depois sair do planeta-prisão. Leva amarrados para um abismo e está prestes a cortar a corda quando eles acordam. Astronauta pensa rápido e diz para o Mil-Caras que pode fazer tudo, mas não apertar o botão que está no peito azul do traje porque é desastrosamente perigoso. Mil-Caras aperta, uma luva gigante dá um soco nele, que é derrubado.

Astronauta e os guardas se jogam para a superfície e conseguem se desamarrar. Os guardas levam o Mil-Caras para o presídio e Astronauta volta para sua casa com sua nave. Depois, na penitenciária, Mil-Caras está arraso que seu plano de fuga fracassou, os outros presos tentam consolá-lo, um preso tem ideias de Mil-Caras usar toda a técnica dele de disfarces e no final, fazem o Mil-Caras de bola no futebol do presídio com ele querendo fugir de lá porque não era isso que queria.


História legal em que o bandido Mil-Caras foge do presídio e toma a forma do Astronauta para enganar os guardas. Astronauta descobre e tenta contar para os guardas, que se confundem quem era o verdadeiro Mil-Caras. Conseguem descobrir através da mentira do Mil-Caras, que dá drible neles e consegue prendê-los, com intenção de jogá-los no abismo. Astronauta faz com que o Mil-Caras caia na armadilha do traje e conseguem prender o Mil-Caras. No final, os presos jogam futebol com o Mil-Caras em forma de bola, o deixando com muita raiva. 


Mil-Caras podia se disfarçar de tudo, criar a forma que quisesse, por isso se transformou em pedra e em novo Astronauta. Conseguiu à princípio até enganar o próprio Astronauta pensando que era ele do lado de fora do rio, mas logo caiu em si que era impossível acontecer, e quase enganou também os guardas, diante da situação era praticamente impossível descobrir quem era quem já que o Mil-Caras pelo visto imitava até a voz, daria certo se os guardas não tivessem ideia de quem mente fica vermelho. 


A captura e a intenção de jogá-los no abismo foi bem cruel, daria certo se Mil-Caras não fosse tão lerdo em acreditar que o que tinha dentro do traje seria pior que jogá-los no abismo. Engraçado  ter uma luva de boxe que dava um auto soco quando era acionado, ninguém contava com isso, traje do Astronauta tinha de tudo para ele se livrar dos perigos. No presídio de volta, Mil-Caras teve o castigo que mereceu de virar bola de jogo de futebol, uma grande humilhação para quem era o rei dos disfarces, que podia ser o que quisesse, e virar mísera bola sendo chutado pelos outros presos era fim de carreira de bandidagem para ele.

O presídio era em um planeta-prisão onde todos os extraterrestres bandidos do universo são levados para lá. Apesar de ter estrutura do planeta Terra com direito à árvores e rios, não era a Terra, mas pelo visto os guardas eram terráqueos. Astronauta foi para lá de visita só para tomar banho de rio, se soubesse o que iria passar, nem iria para aquele planeta, pelo menos ajudou na prisão do Mil-Caras.


Tiveram tiradas bem engraçadas, eles estavam bem-humorados. Destaques para Astronauta cantar música "Conceição" do Cauby Peixoto (letra não foi parodiada dessa vez), dizer que só viu a cara no espelho e que quebrou depois de tão feio, estranhar se ver fora do rio se nem acabou de tomar banho ao ver o Mil-Caras disfarçado como ele, Astronauta dizer que tinha que pensar em algo depressa e o guarda dizer na família que você vai deixar quando morrer e guarda dizer que Astronauta vai querer entrar no time do Cascão depois dessa aventura.

Foi sensacional a sustentação da corda no abismo amarrada na linha do quadro da história. Era muito criativa a metalinguagem assim de personagens amarrando coisas nos quadrinhos, saltando de uma beira do rio para outro pendurado na linha do quadrinho ou até segurando o quadro com metade do corpo fora do quadro. Adorava quando acontecia isso. Gostava também de absurdos nas histórias do Astronauta de associação de outros planetas que nem a Terra, como terem bandidos, penitenciária, jogarem baralho e futebol e planeta ter rio, árvores, arbustos, igual à Terra.


Não teve título, o que era normal nas histórias antigas do Astronauta. É incorreta atualmente por ter bandidos, amarrar e ameaçar jogar Astronauta e os guardas no abismo, além de palavras proibidas como "Droga!", "Diacho!", "louco", "imbecil",  expressão popular de duplo sentido "dar no pé" e palavras mais difíceis de entendimento imediato como "periculosidade", o que acho uma pena que não permite ampliar vocabulário das crianças.


Os traços ficaram bons, típicos da primeira metade dos anos 1980. Teve erro do Mil-Caras disfarçado de Astronauta com pernas da cor de pele sem ser amarelo da cor do traje no 5º quadro da 5ª página da história. Foi republicada depois em 'Almanacão de Férias Nº 8' (Ed. Globo, 1990).

Capa de 'Almanacão de Férias Nº 8' (Ed. Globo, 1990)