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segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Astronauta: HQ "Somos todos iguais"

Mostro uma história em que o Astronauta visita um planeta em que todos os habitantes eram exatamente iguais na aparência. Com 6 páginas, foi publicada em 'Cebolinha Nº 166' (Ed. Abril, 1986).

Capa de 'Cebolinha Nº 166' (Ed. Abril, 1986)

É apresentado o planeta Bolun, localizado na constelação de Capricórnio, o povo é simpático e pacato, só que tem o problema que todos são iguais, um a cara do outro. Mostra um alienígena que pensa que é o amigo Gorb, na resposta negativa, pensa que são seus outros amigos e aí descobrem que eram pai e filho. Outro caso que um pergunta quem é namorada dele e as garotas respondem que depende, perguntando quem é ele.

O alienígena Zogue se revolta, dizendo que não sabe mais se ele é ele ou se é um vizinho dele. Surge o Astronauta na nave dele e Zogue se espanta que é diferente dele, tem altura diferente e nariz redondo. Ele mostra o Astronauta que no planeta são todos iguais, aparece outro ET e Astronauta pergunta com quem estava falando. Astronauta pergunta como vai saber quando está falando com ele e o Zogue responde que não vai, nem a mãe dele era capaz de diferenciá-lo.

Em seguida, Zogue vê sua namorada com outro, pergunta se ela é a Mira porque ele é noivo dela e o outro vai embora com o deslize. Astronauta mostra uma revista da Terra com cada pessoa se vestindo e com penteados diferentes e dá roupas, estojo de maquiagens, perucas e bigodes para Zogue e Mira, que vestem e ficam bem diferentes chamando atenção do povo na rua. 

Outros alienígenas querem que o Astronauta os ajude a ficarem diferentes. E assim, Astronauta consegue deixar todos diferentes e depois vai embora com a missão cumprida. Povo de Bolum passa a saber quem é quem e estariam felizes se não fosse a chegada de uma dupla de cantores de Rock Zango e Rita Zee, lançaram moda que contagiou todo o planeta e todos se passaram a se vestir iguais aos cantores e de novo o povo não sabia mais quem era quem.

História legal em que todos os extraterrestres do planeta eram iguais e isso causava muita confusão para eles em reconhecer quem era quem. Graças ao Astronauta, que deu roupas, maquiagens e perucas e conseguiram cada um ficar diferente. Só não contavam da dupla de cantores de Rock virar moda e todos quererem se vestirem iguais e voltarem a ter problema de ninguém se reconhecer.

Astronauta resolveu o problema e eles criaram de novo, foram muito influenciáveis pelos cantores, não eram para se vestirem iguais, sem terem identidade própria. Antes dava para aceitar porque não tinham conhecimento de roupas e cabelos, depois problema causados por eles mesmo, Agora eles têm que lembrar que precisam usarem roupas e cabelos diferentes se quiserem voltara serem reconhecidos, ou esperar a moda dos cantores passar e resolverem usar as outras roupas que estavam usando.

Mesmo que eles tinham rostos iguais, não precisavam usar roupas iguais, se tivessem se ligado nisso já ajudaria bastante no reconhecimento deles. Ficam dúvidas na imaginação dos leitores se eles tinham também vozes iguais porque poderiam reconhecer um ao outro pela voz, principalmente os que eram parentes, e também o absurdo do Astronauta ter roupas na nave o suficiente para todos os alienígenas do planeta. Absurdos sempre bons.

Engraçado mesmo e que deu toque na histórias foram as situações constrangedoras que os Bolunianos passavam por serem iguais como pais e filho não se reconhecerem, namorados traindo com outros sem querer, o próprio não saber se é ele ou se é vizinho, nem a mãe reconhecia e eles voltarem a ter o problema no final. A paródia engraçada da Rita Lee como "Rita Zee" foi ótima também.

Os extraterrestres que o Astronauta visitava normalmente apareciam em uma só história,  com raras exceções,  então esses Bolunianos apareceram só nessa. 

Além de divertir, ainda teve mensagem da gente ter estilo próprio,  não imitar e se influenciar com que artistas fazem. O tema da história até acho que poderia aceitar hoje, mas podiam implicar com elementos  como personagens namorando, ET tirando namorada do outro, o excesso de absurdos e sem final feliz para os alienígenas. 

Traços ficaram bons, do estilo consagrado dos personagens dos anos 1980. Foi história do Astronauta com título, o que era bem raro, aparecia só "O Astronauta". Foi republicada depois em 'Almanaque do Cebolinha Nº 23' (Ed. Globo, 1993).

Capa de 'Almanaque do Cebolinha Nº 23' (Ed. Globo, 1993)

sábado, 17 de janeiro de 2026

A Turma: HQ "Ninguém aguenta esse calor..."

Estamos no verão no Brasil e mostro uma história em que a turma toda passa sufoco com o calor forte e  insuportável que estava no Bairro do Limoeiro em um dia de verão. Com 11 páginas, foi história de encerramento publicada em 'Parque da Mônica Nº 2' (Ed. Globo, 1993).

Capa de 'Parque da Mônica Nº 2' (Ed. Globo, 1993)

Está muito calor no verão do Bairro do Limoeiro, Mônica não consegue correr e bater no Cebolinha, que por sua não consegue correr também e os dois caem no chão. Cebolinha xinga a Mônica de dentuça e fala que não consegue correr porque é gorducha e ela diz que só não lhe dá coelhada porque não consegue levantar o braço. Mônica faz um trato de ele pagar um sorvete para ela e não bate nele, que aceita e os dois se rastejam para encontrar um vendedor de sorvete.

Franjinha vê e pergunta se eles estão brincando de minhoca. Cebolinha responde que estão morrendo de calor e aparece a Dona Morte. Cebolinha diz que queria dizer que está um calor de louco e aparece o Louco vestido de Papai Noel. Cebolinha diz que tem muita gente no quadrinho, Franjinha fala que fica mais abafado e lembra que inventou uma pílula contra sede. 

Dona Morte pergunta quem vai experimentar com todos olhando para o Louco e ele diz que é louco, mas nem tanto e sugere para Dona Morte experimentar. Franjinha gosta, dizendo que qualquer coisa ela se garante. Dona Morte diz que conhece a fama dele, mas toma a pílula, falando que faltou uma aguinha para descer melhor. Mônica e Cebolinha ficam em dúvida se funciona e querem tomar a pílula só que ficam com mais sede ainda que estavam e correm para tomar sorvete. Louco avisa para Dona Morte que vai para o deserto do Saara, chamando de Dona Vida e ela corrige que é Morte.

Mônica e Cebolinha encontram vendedor de sorvete, que diz que acabou, vendeu tudo para a Magali. Outro vendedor, estava vendendo sorvetes par aos filhos do Coelho caolho e diz que  vai sobrar nada. Mônica e Cebolinha reclamam que o calor está de derreter  e aparece o Jotalhão magro, dizendo que derrete mesmo. Mônica não reconhece quem era e Cebolinha diz que era o Jotalhão.

Em seguida, encontram o Chico Bento procurando água com um galho de madeira que indica onde tem água, o galho começa a balançar no lugar que tem água. Só que aparece é petróleo e Chico odeia. Depois, encontram o Anjinho na Terra, perguntam o que ele faz ali embaixo e ele responde que lá em cima está muito quente também, as nuvens evaporaram também, está um inferno.

Encontram o Cascão querendo cometer loucura, precisando de água com tanto calor que sentia. Ele corre em direção ao riacho e Mônica impede de entrar porque podia se afogar e pede para o Anjinho ajuda para o São Pedro. No Céu, Anjinho comenta que precisam de chuva, São Pedro fala que as nuvens estão secas e está esperando uma nova remessa de nuvens carregadas do Polo Norte que devem chegar só amanhã.

Anjinho diz que até lá todo mundo está cozido, tudo culpa desse Sol e tem ideia de ir ao espaço sideral falar com o Astronauta conversar com o Sol para convencê-lo de diminuir o brilho sobre a Terra. O Sol nega, estava deprimido porque brigou com a Lua, que a seguir aparece pedindo desculpas e que não vai mais olhar para a Terra.

Assim, o calor dá lugar a uma brisa saudável na Terra, Cranicola estava rachado e diz que o calor estava de rachar. Penadinho pergunta se era ele mesmo e Cranicola diz que por enquanto, Crani, só falta a cola. Começa a chuva, Cascão corre para casa e o ambiente refresca, deixando tudo normal e pessoal feliz porque ninguém aguentava mais aquele calor infernal. E o Diabo responde que ninguém mesmo, nem ele, aparecendo se abanando com ventilador, ar condicionado e água com gelo no Inferno.

História legal em que todos estavam sofrendo com o calorão no Bairro do Limoeiro, ninguém tinha força pra nada, nem Mônica conseguia correr atrás e bater no Cebolinha. Passaram a ter mais sede tomando a fórmula do Franjinha e não tiveram sorte nem em comprar sorvetes por causa da Magali e dos filhos do Coelho Caolho. Foi preciso Anjinho intervir e pedir para o Astronauta conversar com o Sol para diminuir o brilho e a temperatura da Terra voltar ao normal. 

O calor infernal foi culpa do Sol, que estava com ciúme da Lua ficar olhando para o planeta Terra, fizeram as pazes, aí o Sol passou a esquentar menos. Calor insuportável estava afetando cabeça deles e passando por coisas inusitadas sendo capaz até de Cascão querer tomar banho no riacho, salvo pela Mônica que tinha medo de ele se afogar e estava insuportável até no inferno precisando o Diabo se abanar e ficar com ar-condicionado e ventilador. Eram boas as histórias de personagens sofrendo com calor. Não diferencia muito do calor atualmente na vida real, quem sabe o Sol brigou de novo com a Lua e precisaria o Astronauta intervir para amenizar o calorão.

Louco de Papai Noel com aquele calor e não satisfeito ainda queria mais calor indo para o deserto do Saara, só não foi louco de tomar a pílula inventada pelo Franjinha. Louco também conduziu bem conversa com a Dona Morte, até chamando de Dona Vida. Se o Do Contra tivesse sido criado na época, se encaixaria bem na história, contrariando todos que estavam com calor.

As fórmulas do Franjinha já são famosas que dão erradas, que até Dona Morte sabia disso e nem Louco queria tomar a pílula que Franjinha inventou. O próprio Franjinha não levava fé na sua invenção e não era louco de testar e queriam Dona Morte como cobaia porque se acontecesse algo errado, não teria efeito ruim nela, mas por não ser humano não deu reação nela, adiantou nada experimentar.

Mônica estava rastejando mas quando viu a Dona Morte correu na hora e conseguiram forças para correr quando ficaram com sede excessiva após tomarem a pílula do Franjinha. Magali tirou a vez de Mônica e Cebolinha tomarem sorvetes, ficando gorda como grávida de tanto sorvete que tomou, dessa vez engordou após comer. Legal também os filhos do Coelho Caolho impedindo Mônica e Cebolinha de tomaram sorvete.

Engraçado trocadilhos como morrendo de calor, calor de louco, calor de derreter e calor infernal que foram ganchos para surgirem Dona Morte, Louco, Jotalhão e  Diabo, respectivamente. Rachei de rir com Jotalhão magro por ter derretido de tanto calor que estava. Chico Bento com galho que procura água encontrando petróleo foi engraçado de achar ruim de ter sido petróleo e não água. Devia gostar, ficaria rico e podia ter toda a fonte de água que quisesse. Mostrou que o galho que busca água só funciona na roça, não na cidade.

Divertido também Cascão querer tomar banho por causa do calor forte, as nuvens secas e evaporarem, Anjinho falando inferno, São Pedro com ventilador no Céu e encomendas nuvens no polo Norte, Sol namorar Lua, Cranicola rachou com tanto calor e Diabo se abanando com leque e com ar-condicionado e ventilador no inferno, nem ele estava aguentando calor. 

Chamou atenção ao crossover com reunião de vários personagens de outros núcleos em uma história e todos tiveram papéis importantes para conduzir a trama. Nunca poderíamos imaginar Mônica, Cebolinha e Franjinha juntos com Louco e Dona Morte, Mônica e Cebolinha com Coelho Caolho e os filhos, depois com Jotalhão e com Chico Bento, e mais Anjinho com Astronauta.

O título fez jus com crédito de "A turma" com tantos crossovers juntos. História teve uma linguagem diferente, mais ágil, com os secundários presentes ficou como se todos estavam fazendo visita no Bairro do Limoeiro e todos os secundários conheciam um ao outro. Foi importante presença deles para gerar as gags apresentadas.

Tudo indica que foi história escrita pelo Flávio Teixeira De Jesus por característica de ser ágil, vários personagens surgindo do nada, inclusive secundários. Depois, estilo de história com essa linguagem foi adotado mais frequente nas histórias ambientadas no Parque da Mônica, onde todos se reuniam lá e com maior número de crossovers com personagens. Flávio fez muitas histórias do Parque da Mônica. Se essa história não fosse para Revista Parque da Mônica, recém lançada até então, acho que iria para revista do Cebolinha.

Traços ficaram bons do estilo consagrado dos personagens. Teve erro roupa do Coelho Caolho com cor rosa em vez de amarela. Incorreta atualmente por por personagens sofrerem com calor extremo, absurdos mostrados, aparecer Diabo, além de palavras e expressões populares de duplo sentido proibidas como "morrendo de calor", "calor infernal", "todo mundo tá cozido", "diacho", "inferno", "peste", "louco", entre outras.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Uma história do Astronauta de férias na praia

Mostro uma história em que o Astronauta foi curtir uma praia nas suas férias só que não teve o sossego como ele imaginava. Com 5 páginas, foi publicada em 'Cebolinha Nº 92' (Ed. Globo, 1994).

Capa de 'Cebolinha Nº 92' (Ed. Globo, 1994)

Astronauta fica feliz que está passando férias na praia do planeta Terra, diz que em lugar nenhum do universo temos um céu tão azul, nem um Sol tão quente, nem um mar tão limpo, quando leva uma bolada na cabeça e quer saber quem foi. Aparecem dois homens fortões dizendo que foi sem querer e Astronauta entrega a bola, sem valentia, com medo de apanhar deles.

Em seguida, Astronauta vai para outro lugar da praia, estranha que tinha ninguém ali e surge uma onda enorme na frente dele e aí descobre o motivo de ninguém ir para lá e ainda aparecem dois surfistas, dizendo que eles são gentes e surfam sem desviar do Astronauta, ganhando três galos na cabeça. Depois, vai em outro ponto e deita em cima de onde um homem estava brincando de se enterrar na areia e xinga muito o Astronauta. 

A seguir, Astronauta encontra outro lugar tranquilo e é atropelado uma família que chegara na praia fazer um piquenique. Ele se irrita, pega a nave e vai para curtir praia em outro planeta. Lá, comenta que não tem aquele céu, Sol e mar da Terra, mas tem paz, quando tem um arrastão espacial na praia e os extraterrestres levam tudo, deixando Astronauta pelado.

História legal, o Astronauta só queria sossego nas suas férias na praia, mas sempre era atrapalhado por alguma coisa. Foi procurar paz em praia de outro planeta e foi pior por sofrer um arrastão e ser assaltado lá. Ele aprendeu que em nenhum lugar teria paz, seja no planeta Terra ou em outros, sempre é a mesma coisa e teria os mesmos problemas em qualquer lugar que estivesse. Antes ficasse na Terra, pelo menos não seria assaltado. 

Embora o arrastão foi em outro planeta, corria risco de sofrer arrastão na Terra mesmo. Astronauta elogia que o mar da Terra era limpo, há controvérsias, tem muitas praias poluídas pelo Brasil. Até que teve sorte de não encontrar uma praia lotada que não consegue nenhum lugar para ficar, seria mais um problema para ele, provavelmente foi em época que não era verão e em dia de semana. 

Foi engraçado Astronauta levar bolada e ficar com medo de tomar satisfações com os fortões, ser levado pela onda, surfistas  surfarem na cabeça dele, sentar em cima de um homem enterrado e ser pisoteado por uma família de farofeiros. Definitivamente não teve sorte no seu dia de curtir praia.

História mostrou crítica da vida real que um simples passeio na praia pode virar programa de índio, o que é para ser diversão e relaxante, passa a ser muito estressante. Também ajudou diferenciar estilo de histórias do Astronauta, que sempre ficava viajando em outros planetas e contracenando com extraterrestres, dessa vez foi quase totalmente na Terra vivendo um cidadão comum. Mais uma vez história do Astronauta sem título como era de costume, hoje em dia, todas as histórioas da MSP têm título, até as de 1 página.

Traços ficaram bons da fase consagrada do estilo dos anos 1990.  Incorreta atualmente por Astronauta levar bolada no rosto, pancada de prancha de surfe e ficar com três galos, ser pisoteado pelos outros, homem se enterrar todo na areia e depois ser sufocado pelo Astronauta, homens desenhados fortões daquele jeito, e, principalmente, homem  falar palavrão, Astronauta ser assaltado em arrastão de praia e ainda ficar pelado, sem chance roteiro assim hoje em dia.

segunda-feira, 4 de agosto de 2025

Uma história do Astronauta enfrentando o Mil-Caras


Mostro uma história em que um bandido extraterrestre rei dos disfarces foge da prisão e toma a forma do Astronauta para despistar os guardas que estavam o procurando. Com 8 páginas, foi publicada em 'Cebolinha Nº 118' (Ed. Abril, 1982).

Capa de 'Cebolinha Nº 118' (Ed. Abril, 1982)

Vários extraterrestres bandidos estão jogando baralho no presídio de um planeta de outra galáxia distante da Terra, quando eles sentem falta do Mil-Caras. Ouvem um barulho, encontram um guarda amarrado e amordaçado e pensam que era o Mil-Caras disfarçado. O guarda depois de solto reclama que estava há duas horas ali amarrado e descobrem que o Mil-Caras fugiu do presídio.


Mil-Caras percebe que descobriram sua fuga e se disfarça de pedra à beira de um rio. Astronauta vai tomar banho lá, o guarda pergunta se ele viu o bandido Mil-Caras, o rei dos disfarces, que fugiu do presídio e Astronauta promete que se vir o bandido, vai avisar. Mil-Caras resolve tomar a forma do Astronauta, que estranha se ver fora do rio se nem acabou de tomar banho.

Então, o Mil-Caras rouba o traje do Astronauta, que corre atrás dele e diz que vai contar tudo para polícia. Mil-Caras finge para os guardas que é o verdadeiro Astronauta e que está sendo perseguido pelo bandido. Na confusão de saber quem é o verdadeiro Mil-Caras, o guarda pergunta de novo quem de fato é, Mil-Caras diz que é o que está do seu lado e descobrem que ele é o verdadeiro porque ficou vermelho ao mentir.


Mil-Caras joga os guardas em cima do Astronauta e resolve se livrar deles e depois sair do planeta-prisão. Leva amarrados para um abismo e está prestes a cortar a corda quando eles acordam. Astronauta pensa rápido e diz para o Mil-Caras que pode fazer tudo, mas não apertar o botão que está no peito azul do traje porque é desastrosamente perigoso. Mil-Caras aperta, uma luva gigante dá um soco nele, que é derrubado.

Astronauta e os guardas se jogam para a superfície e conseguem se desamarrar. Os guardas levam o Mil-Caras para o presídio e Astronauta volta para sua casa com sua nave. Depois, na penitenciária, Mil-Caras está arraso que seu plano de fuga fracassou, os outros presos tentam consolá-lo, um preso tem ideias de Mil-Caras usar toda a técnica dele de disfarces e no final, fazem o Mil-Caras de bola no futebol do presídio com ele querendo fugir de lá porque não era isso que queria.


História legal em que o bandido Mil-Caras foge do presídio e toma a forma do Astronauta para enganar os guardas. Astronauta descobre e tenta contar para os guardas, que se confundem quem era o verdadeiro Mil-Caras. Conseguem descobrir através da mentira do Mil-Caras, que dá drible neles e consegue prendê-los, com intenção de jogá-los no abismo. Astronauta faz com que o Mil-Caras caia na armadilha do traje e conseguem prender o Mil-Caras. No final, os presos jogam futebol com o Mil-Caras em forma de bola, o deixando com muita raiva. 


Mil-Caras podia se disfarçar de tudo, criar a forma que quisesse, por isso se transformou em pedra e em novo Astronauta. Conseguiu à princípio até enganar o próprio Astronauta pensando que era ele do lado de fora do rio, mas logo caiu em si que era impossível acontecer, e quase enganou também os guardas, diante da situação era praticamente impossível descobrir quem era quem já que o Mil-Caras pelo visto imitava até a voz, daria certo se os guardas não tivessem ideia de quem mente fica vermelho. 


A captura e a intenção de jogá-los no abismo foi bem cruel, daria certo se Mil-Caras não fosse tão lerdo em acreditar que o que tinha dentro do traje seria pior que jogá-los no abismo. Engraçado  ter uma luva de boxe que dava um auto soco quando era acionado, ninguém contava com isso, traje do Astronauta tinha de tudo para ele se livrar dos perigos. No presídio de volta, Mil-Caras teve o castigo que mereceu de virar bola de jogo de futebol, uma grande humilhação para quem era o rei dos disfarces, que podia ser o que quisesse, e virar mísera bola sendo chutado pelos outros presos era fim de carreira de bandidagem para ele.

O presídio era em um planeta-prisão onde todos os extraterrestres bandidos do universo são levados para lá. Apesar de ter estrutura do planeta Terra com direito à árvores e rios, não era a Terra, mas pelo visto os guardas eram terráqueos. Astronauta foi para lá de visita só para tomar banho de rio, se soubesse o que iria passar, nem iria para aquele planeta, pelo menos ajudou na prisão do Mil-Caras.


Tiveram tiradas bem engraçadas, eles estavam bem-humorados. Destaques para Astronauta cantar música "Conceição" do Cauby Peixoto (letra não foi parodiada dessa vez), dizer que só viu a cara no espelho e que quebrou depois de tão feio, estranhar se ver fora do rio se nem acabou de tomar banho ao ver o Mil-Caras disfarçado como ele, Astronauta dizer que tinha que pensar em algo depressa e o guarda dizer na família que você vai deixar quando morrer e guarda dizer que Astronauta vai querer entrar no time do Cascão depois dessa aventura.

Foi sensacional a sustentação da corda no abismo amarrada na linha do quadro da história. Era muito criativa a metalinguagem assim de personagens amarrando coisas nos quadrinhos, saltando de uma beira do rio para outro pendurado na linha do quadrinho ou até segurando o quadro com metade do corpo fora do quadro. Adorava quando acontecia isso. Gostava também de absurdos nas histórias do Astronauta de associação de outros planetas que nem a Terra, como terem bandidos, penitenciária, jogarem baralho e futebol e planeta ter rio, árvores, arbustos, igual à Terra.


Não teve título, o que era normal nas histórias antigas do Astronauta. É incorreta atualmente por ter bandidos, amarrar e ameaçar jogar Astronauta e os guardas no abismo, além de palavras proibidas como "Droga!", "Diacho!", "louco", "imbecil",  expressão popular de duplo sentido "dar no pé" e palavras mais difíceis de entendimento imediato como "periculosidade", o que acho uma pena que não permite ampliar vocabulário das crianças.


Os traços ficaram bons, típicos da primeira metade dos anos 1980. Teve erro do Mil-Caras disfarçado de Astronauta com pernas da cor de pele sem ser amarelo da cor do traje no 5º quadro da 5ª página da história. Foi republicada depois em 'Almanacão de Férias Nº 8' (Ed. Globo, 1990).

Capa de 'Almanacão de Férias Nº 8' (Ed. Globo, 1990)

terça-feira, 8 de outubro de 2024

Astronauta: HQ "Candidato a astronauta"

Mostro uma história que um alienígena queria viajar para o espaço com o Astronauta, mas teria que abandonar a namorada no seu planeta. Com 5 páginas, foi publicada em 'Mônica Nº 59' (Ed. Globo, 1991).

Capa de 'Mônica Nº 59' (Ed. Globo, 1991)

Astronauta está avaliando um planeta que encontrou quando percebe que está sendo espionado por alguém atrás da moita. Era o alienígena Zigrid, que é fascinado por voar, fica o tempo todo olhando para o céu, tentando ver naves espaciais, até ver o Astronauta e tem sonho de viajar pelo espaço e conhecer novos planetas. Astronauta diz que quando ele era menino era assim, só que a profissão é ingrata e muito solitária.

Zigrid diz que não importa, quer voar e conhecer as estrelas de perto, sugere ser ajudante do Astronauta, ajuda a limpar a nave, faz comida e enfrenta os monstros alienígenas. Astronauta topa, Zigrid busca suas coisas e se despede dos pais, quando aparece a namorada Grila que não quer o seu amor partir. Zigrid fala que é o sonho da vida dele e surgiu a oportunidade, o corpo vai estar nas estrelas, mas o espírito vai estar lá no planeta.

Grila faz drama que quer abraço, carinho, olhar. Zigrid que não consegue resistir ao chamado das estrelas. Grila quer saber como que ela fica, Zigrid promete voltar, ela é o amor da sua vida e é para ela esperá-lo. Grila não compreende, vai chorar o resto da vida. Zigrid decide ir com o Astronauta, se prepara para partir e tem a surpresa que o Astronauta foi para o espaço sem ele e Grila fica feliz, dizendo que vai ter nova chance, para o casal. No final, Astronauta, na nave, fica deprimido, chorando e fala que se soubesse que ia perder a Ritinha, nunca teria saído da Terra.

História legal em que o alienígena Zigrid queria ser ajudante do Astronauta em suas viagens espaciais por ter sonho de conhecer o universo e ficar perto das estrelas. Astronauta até aceita, mas desiste de levá-lo quando ver a namorada do Zigrid inconformada em ficar longe do seu amor e no final Astronauta volta a ficar com dor-de-cotovelo por estar sem a sua namorada Ritinha e se viu na sua última conversa com a Ritinha, abandonando a namorada para seguir seu sonho de ser astronauta.

Zigrid era um jovem alienígena sonhador, queria o céu e as estrelas. Astronauta desistiu de levá-lo porque por ter achado Zigrid parecido com ele e achou que o amor era mais importante que sonho. Não queria que Zigrid se arrependesse depois longe da namorada, não a ter de novo quando voltasse para o seu planeta como aconteceu com ele e a namorada Ritinha, já que, um dia quando Astronauta voltou de suas intermináveis viagens espaciais, ela já estava casada com o Bonifácio. 

A alienígena Grila só pensou nela, nem se preocupou com o sonho do namorado. Tirou oportunidade do Zigrid se realmente não gostasse dela. Não é porque Astronauta amava a Ritinha que necessariamente o Zigrid amava a Grila. Deu pena dele, aí ele vai ter que esperar outro viajante espacial ir para o planeta dele para ter outra oportunidade e isso pode ser nunca mais. Uma opção seria levar Zigrid e Grila juntos para o universo, mas pelo visto Astronauta não iria querer ter dois ajudantes em suas aventuras espaciais.

Teve um viés filosófico bem comum nas histórias do Astronauta, com reflexão sobre sonho, até que ponto devemos seguir sonho, se é certo abandonar tudo por causa de um sonho, se vale a pena se mudar e ficar longe de quem você gosta. Fica a discussão de quem estava certo, o que o leitor faria se tivesse no lugar do Zigrid, seguiria o sonho ou ficaria com o seu amor.

Depois da saga do Astronauta perder a Ritinha, que saiu em vários gibis entre 1989 e 1990, Ritinha passou depois a ter citações e presenças em outras histórias, muitas do tipo o que aconteceria se o Astronauta desistisse de ser astronauta. Antes da saga, a Ritinha tinha aparições ou citações muito esporádicas e depois da saga deixou o Astronauta mais humanizado e outras opções de histórias.


Achava engraçado os ETs chamarem os terráqueos de alienígenas na visão deles  e também personagens fugirem de casa só carregando uma trouxinha assim. É incorreta hoje em dia por não ter final feliz para o Zigrid e para o Astronauta, que ficou deprimido e com dor-de-cotovelo. As histórias atuais só podem ter finais felizes para não traumatizar as crianças. Fora que também não pode ter namoro nas histórias. Traços ficaram bons bons, típicos dos anos 1990, dessa vez história do Astronauta teve título, o que era rato na época, atualmente todas as histórias têm que ter títulos, até as de 1 página.

domingo, 24 de março de 2024

Astronauta: HQ "Povo sem memória também tem história"


Mostro uma história em que o Astronauta teve que lidar com um falso Rei que tirou toda a memória da população de um planeta para que se tornem escravos dele. Com 10 páginas, foi publicada em 'Cebolinha Nº 29' (Ed. Globo, 1989).

Capa de 'Cebolinha Nº 29' (Ed. Globo, 1989)

Escrita por Rubens Kiyomura (Rubão), Astronauta se dirige ao planeta "Semlembrança", sabe que existe vida no local, mas estranha que tem milhões ou bilhões de pontos de interrogação lá e vai investigar. Astronauta encontra um habitante capinando, se apresenta que veio do Planeta Terra e que quer informações. O ET diz que vai ser impossível, ele não se lembra de nada, queria saber seu nome, ninguém do planeta sabe o nome dele e só sabe que tem que trabalhar com aquela enxada.

Depois, Astronauta encontra uma habitante procurando pelo pai do menino. Astronauta pergunta se lembra como ele é, a habitante responde que é pergunta difícil, que claro que não. Astronauta pergunta se ela é a mãe do menino e ela responde que pode ser que sim ou que não, só sabe que acompanha desde o dia terrível, que a partir daí não lembra de mais nada.

Astronauta vê que o povo todo era desmemoriado e vai ver o que está acontecendo. O Rei do planeta vê o Astronauta como alienígena intruso e chama os seus guardas, também desmemoriados, para capturá-los por ser uma ameaça, podendo levar ao caos, à desordem e à catástrofe. Ao chegarem, Astronauta luta com os guardas e os prendem. Astronauta quer saber quem manda e o que acontece lá e os guardas contam que recebem ordem do Grande Não-Sei-O-Quê e quanto ao resto, não sabem mais de nada.

O Rei vê pelo monitor, acha o Astronauta um perigo e vai cuidar do assunto pessoalmente. Usa seu novo desmemorizador para torná-lo mais um de seus escravos. Não consegue acertá-lo com os raios porque o Astronauta se movimenta pelo céu e em frente ao reino o tempo todo e no descuido consegue dar um tapa no Rei, indo parar longe.

Astronauta exige explicações. O Rei conta que foi primeiro-ministro do planeta, que sempre foi ambicioso, mas tinha o Rei Máximo no seu caminho que era muito adorado pelo povo. Ficava com raiva com todo aquele carinho e resolveu contratar cientistas com o dinheiro que roubou do Tesouro Real e eles criaram o raio desmemorizador, tirando a memória do Rei e de todo o povo, já que um povo sem memória é mais fácil governar, e inventa que eles devem obedecê-lo e respeitá-lo.

Os outros guardas tentam capturar o Astronauta, que chega na máquina e inverte a polarização, fazendo os guardas voltarem a ter memória. Lembram que ele era o primeiro-ministro e perguntam o que está fazendo com a coroa do Rei Máximo. Assim, prendem o vilão, recupera a memória do Rei Máximo e de todo o povo e volta a paz no planeta. No final, Astronauta sai de lá, de volta para casa e se pergunta que tem impressão de ter esquecido algo e o roteirista Rubão, fora da história, diz que ele esqueceu da piada final.

Uma aventura legal em que o Astronauta procura descobrir porque o povo do planeta Semlembrança não tinha memória. Descobre que foi o primeiro-ministro tirou a memória deles com uma invenção para se tornar rei e fazer o povo de escravo dele para ganhar muito dinheiro à custa deles. Felizmente, Astronauta consegue salvá-los e volta a ficar tudo bem no planeta, se não fosse Astronauta visitar o planeta, estariam sem memória até hoje.

Mostra um político corrupto, com inveja com o rei que era aclamado pelo povo e que era capaz de tudo para se dar bem, praticamente fez uma lavagem cerebral na população para que eles acreditem no que ele fala e se tornarem escravos, trabalhando para ele o tempo todo, se população não têm memória, não iam descobrir o golpe que ele fez. Nem o próprio nome revelou para eles, por isso chamavam de Grande "Não-Sei-O-Quê". Interessante que eram só os homens que trabalhavam pesados, mas que já conseguia um bom dinheiro assim. 

Foi engraçado ver o planeta sendo representado por interrogações, os diálogos do Astronauta com os ETs desmemoriados, Astronauta com super força ao enfrentar o Rei golpista, e o Rei dizer que "pegou emprestado" o Tesouro Real, o mesmo que  roubar só que de forma carinhosa e no final absurdo do roteirista conversar com o Astronauta que esqueceu da piada final só que era ele próprio que estava escrevendo a história, coisas da metalinguagem dos quadrinhos que deixavam absurdos legais assim.

O título teve uma paródia da frase popular que "um povo sem memória, é um povo sem história", no caso, história no título com referência a uma história em quadrinhos. Aliás, era raro ter título em histórias do Astronauta na época, nessa teve um. Achava bem criativo os nomes dos planetas que o Astronauta visitava. Era legal também os pensamentos e sonhos retratados com cores diferentes, voltados para o azul, ficavam bons os efeitos, hoje procuram deixar pensamentos coloridos, sem diferenciação das cores da história.

O final seguiu um estilo de metalinguagem muito usado na época de ser uma história normal e no encerramento ter o Mauricio ou um roteirista ou um letrista ou desenhista ou outro funcionário da MSP para formar a piada final. Rubão e Robson Lacerda adoravam roteirizar histórias assim e que foram bem frequentes na segunda metade dos anos 1980, quase todos os gibis daquela época tinham histórias com metalinguagem e podiam ser com qualquer núcleo de personagem. Geralmente, o roteirista que aparecia na história era quem escreveu, agora aparecendo vários ou o próprio Mauricio, por exemplo, mais difícil saber, sendo que normalmente histórias assim revezavam mesmo entre o Rubão e o Robson.

Os traços muito caprichados, típicos da segunda metade dos anos 1980. Incorreta atualmente por mostrar político corrupto, assunto inapropriado para crianças, povo como escravo trabalhando com enxada, briga do Astronauta com os guardas deixando surrados, fora a palavra "Droga!" proibida nos gibis atuais.