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terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

Pocket L&PM: Nico Demo - O rei da travessura


Postagem Nº 700 do Blog. Em 2018 foi lançado o pocket "Nico Demo - O rei da travessura" pela editora L&PM. Nessa postagem faço uma resenha de como foi essa edição.

Esse é o segundo pocket do Nico Demo da Editora L&PM. Já havia sido lançado o pocket "Nico Demo - Aí vem encrenca" em 2011. Além do pocket de 2011, Nico Demo também teve um livro especial de tirinhas, "As melhores tiras do Nico Demo", pela Editora Globo, em 2003.

Outros livros do Nico Demo

Assim como os outros pockets da coleção, "Nico Demo - O rei da travessura" tem 128 páginas, formato de bolso 10,5 x 17,5 cm, papel de miolo off-set e reúnem 240 tiras que saíram nos jornais, com 2 tiras por página em preto e branco, na horizontal. Já capa e contracapa foram em papel couché em vez de ser cartonada como foram todos os pockets anteriores. Desde o pocket "Procurando diversão" mudaram o tipo do papel da capa. Reuniram tiras entre 1966 a 1971 e a imagem da capa foi tirada da tirinha da página 26 e também colocaram essa tirinha na contracapa.

Preço custando R$ 16,90, já foi mais barato, aos poucos vão aumentando o preço a cada lançamento. Quando iniciaram a coleção custava R$ 13,00. Junto com esse pocket do Nico Demo, foi lançado também "Os Sousa - Desventuras em família", sendo que esse ainda não comprei. Esse do Nico Demo achei por acaso em livraria e aí comprei, mas Os Sousa, que não encontrei em nenhuma livraria, pretendo comprar pela internet, até para ficar mais barato. Distribuição é muito ruim, não vendem em bancas aqui e poucas livrarias vendem.

Uma página do pocket "Nico Demo - O rei da travessura"

Para quem não sabe, o personagem Nico Demo foi criado em 1966 em tiras de jornais, sempre eram mudas, com exceção de cartazes e onomatopeias para poder entender a situação, quando necessário, fazendo com que os leitores entendam a piada só através dos desenhos. Os traços também eram com um efeito serrilhado, meio tremido, uma coisa característica nas tiras dele. 

Nico Demo seguia o estilo de que fazia o tipo de bom coração, com a intenção de sempre querer ajudar os outros, mas acabava atrapalhando em vez de ajudar, piorando a situação da pessoa que já estava ruim e causando muitas confusões. Em outros casos, ele era egocêntrico, egoísta, tirando proveito com o sofrimento dos outros e as vezes se passava de bonzinho, ficando dúvida se queria ajudar mesmo ou não, mas em algumas tiras ficava claro que ele queria mesmo é perturbar os outros. Suas tiras acabaram sendo censuradas, mas a MSP guardou as tiras e agora compilam em livros especiais de vez em quando.

Uma página do pocket "Nico Demo - O rei da travessura"

Nas tiras desse pocket novo em geral vemos, então, essas características do Nico Demo. Comum então ver o Nico Demo amarrar tênis de um homem gordo, mas acaba amarrando os dois cadarços na perna fazendo o homem cair, vê um garoto pobre querendo tomar sorvete e Nico Demo põe uma venda nos olhos do garoto para não vê-lo comer sorvete ao invés de dar o sorvete para ele, vê um cara se afogando em uma enchente e, ao invés de salvá-lo, acena uma bandeira para dar largada fazendo de conta que está em uma competição de natação, entre outras coisas. Tem também tiras contracenando com bandidos, diabos, coisas também impublicáveis hoje em dia. Ele raramente se dá mal nas suas tiras, nesse pocket, ele só se deu mal em poucas tirinhas.

Vale destacar que em muitas constam outros anos sem ser o ano original que saiu. Isso é porque eles colocaram as tiras dos jornais que elas foram republicadas e não dos jornais de quando saíram pela primeira vez. Até porque impossível uma tira nº 282 ser de 1966 e uma de nº 283 ser de 1970, por exemplo. Porém, a maioria das tiras foram omitidas o ano.

Contracapa do pocket "Nico Demo - O rei da travessura"

Como podem ver, é um livro que vale a pena ter pela raridade, não é qualquer lugar que se encontra as tirinhas do Nico Demo. Para quem gosta de um humor assim mais sarcástico, vai gostar desse livro. Bom que não tem sombra do politicamente correto e mais uma vantagem de ter, assim como os outros pockets da Editora L&PM.

sábado, 2 de julho de 2016

Pockets L&PM: O Amor Está No Ar / Ê, Soneca Boa! / Procurando Diversão


Em 2015 foram lançados os pockets L&PM "O Amor Está No Ar", "Ê, Soneca Boa" e "Procurando Diversão". Comprei esses e nessa postagem faço uma resenha como foram essas edições.

Em comum nos 3 pockets, eles têm 128 páginas, formato de bolso 10,5 x 17,5 cm, papel de miolo off-set e reúnem tiras que saíram nos jornais, com 2 por página em preto e branco, na horizontal, seguindo cronologia. Os textos seguem a ortografia atual e as imagens das capas foram retiradas de alguma tirinha publicada na edição. 

Os preços tiveram reajuste e os 3 custam agora R$ 16,90, contra R$ 14,90 pelo pocket "Turma do Penadinho - Alguém viu uma assombração?" e R$ 13,00 pelos demais pockets anteriores. Ou seja, estão ficando caros. Eu consegui esses com desconto comprando na internet e então saíram mais em conta. "O amor está no ar" paguei R$ 8,55, "Ê, soneca boa" por R$ 11,90 e "Procurando diversão" por R$ 10,90, em livrarias diferentes. Até os livros recentes "Coleção Histórica Mauricio - Bidu Zaz Traz" consegui comprar com descontos bem consideráveis, sendo "Bidu Zaz Traz" paguei R$ 69,50 (preço normal R$ 102,00) e "Mauricio, O Início" paguei R$ 52,45 (preço normal é 104,00). Por causa dos fretes, tudo ficou por R$ 161,00 e se comprasse pelo preço de capa, pagaria R$ 256,70. Por isso tem que pesquisar bastante e não ter pressa para comprar logo para não pagar esses preços absurdos.

Exemplares lançados em 2015

A seguir comento o que pode encontrar em cada um desses 3 pockets, pela ordem de lançamento:


Turma da Mônica: O amor está no ar

Esse pocket teve 242 tiras no total da turma toda. Apesar de aparecer a Magali na capa, as tiras não são só dela nem com tema romance ou só com personagens apaixonados. A maioria são do Cebolinha. A imagem da capa, sempre tirada de alguma tirinha da edição, foi tirada da tira da página 82. Como foram 2 tirinhas a mais (o normal é ter 240 tiras), eles tiraram do final da edição a seção "sobre o autor", falando sobre o Mauricio de Sousa.

Uma página do pocket "O amor está no ar"

Reúne tiras em ordem cronológica, do número 5300 até 5545, que saíram originalmente em jornais de 1982 e 1983, com poucas puladas. Nelas, em muitas constam outros anos sem ser o ano original que saiu, variando até 1995, mas prevalecendo 1989. Isso é porque eles colocaram as tiras dos jornais que elas foram republicadas e não dos jornais de quando saíram pela primeira vez. Até porque impossível uma tira nº 5310 ser de 1990 e uma de nº 5311 ser de 1987, por exemplo. Em algumas omitiram o ano. Os traços a gente vê bem nítido que são do inicio dos anos 80, e não do final da década.

Nas tiras, no geral, vemos situações cotidianas da Turma da Mônica, mexendo com suas principais características. envolvendo trocadilhos, politicamente incorreto e as vezes fazendo alguma crítica social, como poluição, por exemplo. Além dos 4 personagens principais tem tiras com o Anjinho também. Curiosidade, que aparece o pai da Magali com visual diferente do que estamos acostumados. Na época, ele raramente aparecia e não tinha traços definidos, e quando surgia, sempre era desenhado completamente diferente.

Uma página do pocket "O amor está no ar"

Muitas delas são conhecidas pelo grande público, já que primeiro saíram nos pockets "As Melhores Piadas" da Editora Abril e "As Grandes Piadas" da Editora Globo e logo depois aproveitadas em gibis da Editora Globo dos anos 80 e 90. Afinal, as tiras que saíam nos gibis daquela época eram republicações das de jornais, principalmente as que tiveram 3 quadros. As que são formadas por 1 ou 2 quadros dificilmente saiam em gibis e aí sim são mais raras porém quem os pockets da Editora Abril e Globo irão lembrar de algumas. 

Então, se você olhar gibis da Globo dos anos 80 e 90 que compreende essa sequência de numeração, conhece essas tiras. Na contracapa mesmo já dá para perceber isso, que a gente já viu aquela tirinha republicada no gibi 'Magali Nº 60' da Editora Globo, 1991.

Contracapa do pocket "O amor está no ar"


Chico Bento: Ê Soneca Boa!

Esse é o 3º pocket L&PM do Chico Bento, dessa vez reunindo 240 tiras entre 1978 e 1979, seguindo sequência cronológica, com poucas puladas. As tiras, compreendidas entre número de 3449 a 3720, não alcançaram a época dos gibis e dos pockets "As Melhores Piadas" da Editora Abril e "As Grandes Piadas" da Editora Globo, então são mais raras de se ver por ai. A imagem da capa desse pocket foi tirada da tirinha da página 54.

Uma página do pocket "Chico Bento: Ê. soneca boa!"

Não são tirinhas só com o Chico preguiçoso, como parece ser na capa e sim com todas as características dele e da sua turma. Não mudaram os textos, deixando os personagens sem falar caipirês como era na época. De caipirês, só a palavra "você" que colocavam "ocê" nas tiras pra indicar que eles eram da roça, só para ter uns traços caipiras nas falas dos personagens. 

Tiveram muitas tiras com o Zé Lelé, personagem criado em 1974 e que só agora passou a ter destaque maior. Mesmo assim o Chico também tinha o seu lado lerdo em muitas tiras em que o Zé Lelé não aparecia. Hiro e Rosinha aparecem bastante também. Muitas piadas com o Chico preguiçoso, que não queria trabalhar na roça, burro na escola, enganando os pais, etc. Ou seja, repleto de situações incorretas. Tem também críticas sociais, principalmente relacionadas a Ecologia.

Uma página do pocket "Chico Bento: Ê. soneca boa!"

De curiosidade a professora (que ainda não tinha nome) aparecia com traços diferentes a cada aparição, era morena, loira, mais velha, mais nova, de acordo com o desenhista. E o Nhô Lau era chamado de Seu Juca e o Chico roubava de preferência maçãs, e não goiabas. Ou seja, tinha muita diferença as histórias do Chico dos anos 70.

Contracapa do pocket "Chico Bento: Ê. soneca boa!"


Turma da Mônica: Procurando diversão

Esse pocket teve capa e contracapa em papel couché em vez de ser cartonada como foram todos os pockets anteriores. A imagem da capa foi tirada da tira da página 87. Reúne 238 tirinhas entre 1983 e 1984, mas mostra datas até 1995 porque eles colocaram do jornal que elas foram republicadas (em algumas o ano foi omitido). 

Foram puladas poucas tiras desse período, colocando as tiras de nº 5550 até 5798. Bem semelhante ao "O amor está no ar", com os traços consagrados que estamos acostumados, sendo que com muito mais tirinhas que foram aproveitadas depois em gibis e nos pockets "As Melhores Piadas" da Editora Abril e "As Grandes Piadas" da Editora Globo, principalmente as que tem 3 quadros. Para quem tem gibis da Editora Globo com tiras nessa sequência de numeração conhece com certeza.

Uma página do pocket "Procurando diversão"

São tirinhas com a turma toda, com vários temas, sendo que a princípio seria um pocket do Cebolinha por ter imagem dele na primeira página antes de começar. Notei também mais tirinhas com o Cascão do que o costume. Vemos tirinhas com as características clássicas dos personagens, trocadilhos, com muitas cenas incorretas e críticas sociais em algumas. Tem também tiras semelhantes, que se não vimos no próprio pocket, já havia saído no pocket "O amor está no ar". Ou seja, mesma piada, só que redesenhadas.

Uma página do pocket "Procurando diversão"

O pai da Magali apareceu 1 vez e com o cabelo e estilo de traços que estamos acostumados, então pode dizer que foi em 1983 a primeira vez que apareceu assim em alguma publicação, mas que nos gibis a estreia dele nos traços assim somente na história da Magali chamada "Baita fome", de 'Mônica Nº 193', de 1986.

Contracapa do pocket "Procurando diversão"

Então, os 3 pockets são muito bons,  tirinhas muito engraçadas que dão gosto de ler. Pena que os da Turma da Mônica já estão nos anos 80 e essas tirinhas não são raras, mesmo assim são divertidas do mesmo jeito. Para quem busca raridades, e dar prioridade por enquanto a um só, recomendo o do Chico por ter tiras mais raras. Já quem não gosta dos traços dos anos 70 e não tem os últimos gibis da Editora Abril e primeiros da Globo, os da Turma da Mônica vão ser melhores. De qualquer forma,  todos os 3 pockets valem a pena ter na coleção.

Para finalizar, deixo um guia atualizado de todos que foram lançados até agora, para quem se interessar em colecionar os pockets da L&PM e tem dúvidas quais foram reedições da Panini de 2008. Eu expliquei melhor sobre isso AQUI. Foram lançados 19 pockets até agora e estão dispostos assim:
  • Pockets que seriam lançados pela Panini:
  1. "Mônica tem uma novidade"
  2. "Cebolinha em apuros"
  3. "Os Sousa - Desventuras em família"
  4. "Bidu arrasando"
  5. "Nico Demo - Aí vem encrenca"

  • Pockets que são reedições da Panini:
  1. "Mônica está de férias"
  2. "De quem é esse coelho"
  3. "Bidu - Diversão em dobro"
  4. "Chico Bento - Plantando confusão"
  5. "Penadinho - Quem é morto sempre aparece"

  •  Pockets novos da L&PM:
  1. "Pintou sujeira"
  2. "Chico Bento - Histórias de pescador"
  3. "Coleção 64 páginas - 120 tirinhas da Turma da Mônica" (reedição das tiras já lançadas em números anteriores até então)
  4. "Cadê o Bolo?"
  5. "Bidu - Hora do Banho"
  6. "Penadinho - Alguém viu uma assombração?"
  7. "O amor está no ar"
  8. "Chico Bento - Ê soneca boa!"
  9. "Procurando diversão"

Na dúvida de quais tem o mesmo conteúdo, esqueça os da Panini e compre só os da L&PM.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Pocket L&PM: Turma do Penadinho - Alguém viu uma assombração?


Nessa postagem comento sobre o pocket L&PM "Turma do Penadinho: Alguém viu uma assombração?", o mais recente da coleção.

Lançado em 2014, esse é o 2º pocket do Penadinho. O outro que foi lançado foi o "Turma do Penadinho -  Quem é morto sempre aparece", que na verdade, foi uma reedição do pocket lançado pela Panini em 2008, "As melhores Tiras do Penadinho", com conteúdo completamente igual, só mudando a capa. Então, desse eu tenho a versão da Panini que já tinha adquirido antes. Para saber outros pockets da L&PM que são reedições da Panini, entre AQUI.

Pockets do Penadinho da Panini e da L&PM: conteúdos iguais

Uma desvantagem desses livros é a distribuição. Pelo certo deveria vender em bancas e livrarias, mas não chega em todas as livrarias e as bancas daqui, muito menos. Esse pocket comprei junto com "Magali 50 Anos" na internet, pelo menos ambos com desconto. Vale lembrar que o preço original desses pockets custava R$ 13,00 e agora passou para R$ 14,90. Eu consegui na internet por R$ 12,90.

Assim como os outros pockets L&PM, "Turma do Penadinho - Alguém viu uma assombração?" tem capa cartonada, miolo off-set, 128 páginas, formato 10,5 x 17,5 cm e reúnem tiras que saíram nos jornais, com 2 por página, em preto e branco, na horizontal. Os textos seguem a otografia atual e como a imagem da capa sempre é retirada de alguma tirinha publicada na edição, dessa foi tirada da tira da página 102.

Esse volume reúne 240 tiras entre 1975 a 1977, prevalecendo 1975, já que mostram o ano das publicações originais das tiras, assim como a numeração delas, coisa diferente de "As Tiras Clássicas da Turma da Mônica". As tiras seguiram uma cronologia original que saiu nos jornais até a página 98, só que sendo puladas algumas. Depois dessa página, não seguiram cronologia.

Uma página do pocket "Turma do Penadinho - Alguém viu uma assombração?"

Sobre as tiras, como não podia deixar de ser em tiras do Penadinho, elas fazem piadas misturando o mundo do cemitério com o mundo atual, o Penadinho recebe as almas novas no cemitério, querendo saber como foram parar lá, ou seja o motivo que fez o fantasma morrer. Em algumas tiras, os fantasmas ficam com aparência da causa da morte, como ficar braços espichados quando estava segurando a beira do precipício, ficar lambuzado com bolo de creme porque pediu para ser "cremado" quando morresse, entre outras. 

Também não pode faltar os absurdos típicos dos quadrinhos, como os fantasmas sentindo dor, levar surra, nascer cabelo, que as tornam mais especiais. Apenas uma tira foi seriada, ou seja, que mostrou continuação, que foi a tira do Penadinho sendo assaltado por um fantasma-ladrão.

Uma página do pocket "Turma do Penadinho - Alguém viu uma assombração?"
A maioria das tiras são mesmo o Penadinho contracenando com fantasmas desconhecidos, e dentre os que a gente conhece, com o Zé Finado e o Pixuquinha. Dos monstros, aparecem o Cranicola, Zé Vampir, Muminho e o Diabo. Mesmo assim, foram poucas tiras que eles apareceram. O Muminho, por exemplo, só apareceu em 2 tiras nesse volume. Os outros foram mais um pouco. De curiosidade, o Zé Caveirinha apareceu nesse pocket em uma tira, sendo que ele foi chamado de "Zeca Veira". Só anos mais tarde, então, que passou a se chamar Zé Caveirinha.

Eu sempre pensei que o Cranicola, Zé Vampir e Muminho haviam sido criados no final dos anos 70. É porque dificilmente apareciam, já que davam ênfase em histórias do Penadinho contracenando com fantasmas, além de ser raro sair histórias do Penadinho nos gibis da época.

Uma presença do Muminho, Cranicola e Zé Vampir que vi foi em 'Mônica Nº 31', de 1972, em uma história de 1 página com o Penadinho contando história para eles só que apenas como figuração, sem falarem nada e a piada fica a cargo do Pixuquinha. Eles eram até diferentes nas cores, com o Cranicola amarelo e o Zé Vampir com rosto rosa.

Eles foram crescendo participação aos poucos ao longo dos anos, isso quando tinha história do Penadinho, até quando foi lançado o gibi do Cascão em 1982, quando a partir daí, passaram a ter características próprias e, inclusive protagonizando histórias solo. E a criação dos novos personagens, Frank e Lobisomem e Dona Morte, deu uma outra cara a esse núcleo. Frank e Lobisomem só estrearam nos anos 80, lá por volta de 1982. Já a Dona Morte só foi criada em 1983. Com isso, eles não apareceram nas tiras desse pocket. 


Contracapa do pocket "Turma do Penadinho - Alguém viu uma assombração?"

Então, esse pocket "Turma do Penadinho - Alguém viu uma assombração?" vale a pena ter na coleção, gostei não só pela alta qualidade das tiras, mas também pela raridade, já que não foram publicadas nos gibis, apenas nos jornais da época. Aliás, todos os pockets da série são ótimos e recomendo.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Mônica 40 Anos


Em 2004, foi lançada a edição especial "Mônica 40 Anos", em comemoração aos 40 anos de criação da personagem. Nessa postagem faço uma resenha sobre essa edição.

"Mônica 40 Anos" foi lançada com um ano de atraso, visto que a personagem foi criada em 1963 e, portanto, era para ser em 2003, mas o especial saiu só em abril de 2004, como consta a data do expediente. 

O livro tem 116 páginas no total, formato 21 X 27,5 cm, capa cartonada e papel de miolo de gibi convencional. A exemplo da "Mônica 35 Anos", de 1998, todas as histórias são inéditas. No miolo tem propagandas comuns que circulavam nos gibis da época.

Abre com um frontispício com o Mauricio de Sousa falando do sucesso da Mônica, e a seguir vem uma entrevista de 5 páginas com o Mauricio. Nessa entrevista, ele fala sobre a turma na escola, as novidades na internet e no cinema (lançamento do filme CineGibi), novos personagens com portadores de deficiência (não cita os nomes dos personagens e qual tipo de deficiências, mas no caso seriam o Luca e a Dorinha), além de responder o que os leitores mais pedem e de que tipos de histórias pedem mais, etc.

Na ficha técnica após a entrevista, erro ao dizer que a revista da 'Mônica Nº 1' foi a primeira revista de circulação do Mauricio. As do Bidu da Editora Continental em 1960 é que foram.

Uma das páginas  da entrevista com o Maurício

Depois, colocaram tirinhas dos anos 60 com as primeiras aparições do Anjinho e do Penadinho, que também estavam completando 40 anos, e o Maurício fala um pouco sobre esses personagens. Para constar, o Penadinho foi criado em 1963 e o Anjinho, em 1964. Então, foram reservadas 2 páginas com tirinhas do Anjinho (com 6 tirinhas no total) e 1 página do Penadinho (5 tirinhas no total).

Uma página de tirinhas do Anjinho

Uma coisa curiosa, é que até em 1963, a empresa do Mauricio se chamava "Bidulândia". Nas tiras do Penadinho que foram mostradas, aparecia "Bidulândia" nas laterais, enquanto que as do Anjinho, já era "Mauricio de Sousa Produções". Nos livros "As Tiras Clássicas da Turma da Mônica" isso ficou omitido, assim como as numerações das tiras, que foram mostradas em "Mônica 40 Anos".

Uma tirinha do Penadinho

As histórias foram 6 no total, contando com a tirinha final. A de abertura foi a "Mônica 40 Anos", comemorativa de 31 páginas, mostrando um passeio pelo estúdio, desde estacionamento, e como se faz os gibis. Falou sobre roteiros, desenhos, letras, arte-final, acabamento e cor, tudo com muito humor. Mostrou, inclusive, os roteiristas e os outros profissionais contracenando com os personagens, através de caricaturas e em certos momentos fotos reais deles.

A partir da parte que fala de "Letras" até o final, os traços ficaram diferentes em relação ao inicio da história. Dá a impressão que a mesma história foi feita por desenhistas diferentes. No desenho antes de "Letras" achei que ficou melhor. E nessa época, os personagens já não falavam mais "Droga!" nos gibis, visto que nessa história, o Cebolinha falou até "Papagaio!" para substituir a palavra.

Trecho da HQ de abertura "Mônica 40 Anos"

A seguir vem a história "Quem tem medo de filme de terror?", de 10 páginas, em que a Marina convida a Magali para assistir a um filme de terror na sua casa à noite, e aparece depois o Cebolinha e o Cascão também lá para fugir da Mônica, que também aparece depois. Essa achei uma história normal, que poderia muito bem sair em um gibi convencional da época, mas que resolveram colocá-la nesse especial. Além disso, acho que a Mônica ficou apagada nela, ficou sendo praticamente uma história da Marina.

Depois vem "Nimbus, Marina e Do Contra", que mostra, em 15 páginas, a origem do Nimbus, Do Contra e Marina, verdadeiros filhos do Mauricio, e como ele se inspirou para criar os personagens baseados nas personalidades reais dos filhos. Outra que acho que a Mônica ficou apagada, afinal, a edição especial é dela.

Trecho da HQ "Nimbus, Marina e Do Contra"

A história "Um dia no circo", é outra também que não é comemorativa e podia muito bem sair em qualquer gibi convencional da época. Com 9 páginas, nela, o Cebolinha é perseguido pela Mônica no circo e eles atrapalham as apresentações durante a perseguição.

Esse especial termina com a história "A origem da Mônica", escrita pelo Emerson Abreu. Ela tem 28 páginas, divididas em 6 capítulos, e um "narrador" conta, com muito humor toda a origem da Mônica, de onde ela veio e o segredo da sua força, mostrando, inclusive, que a Mônica foi adotada por uma família de elefantes, que eram retratados pelo Cebolinha, Cascão e Magali. Só que é descoberto que tudo foi plano infalível do Cebolinha com ajuda do Anjinho, que falava a história na nuvem com um megafone.

E a tirinha no final, mostra a evolução da Mônica ao longo dos 40 anos.

Trecho da HQ "A Origem da Mônica"

Esse livro "Mônica 40 Anos" foi reimpressa também em uma nova versão como formato livro mais luxuoso, com mesmo conteúdo e sem as propagandas. Foi lançada junto com as versões também de luxo de "Maurício 30 Anos", "Mônica 30 Anos" e "Mônica 35 Anos" (originais de 1990, 1993 e 1998, respectivamente). Essa versão de luxo eu não tenho. 

Aliás, uma grande mudança na versão de luxo foi a capa que é bem diferente da versão original. Acho que não deviam mudar a capa original tão radicalmente assim. A original é melhor.Abaixo, a capa dessa versão de luxo, tirada do site "Guia dos Quadrinhos":

Capa da "Mônica 40 Anos" da versão de luxo

Para mim, não achei uma edição tão boa assim, mas vale pelo valor histórico e pelo menos a data não passou em branco. Foi bom ter histórias inéditas para diferenciar, de preferência comemorativas que mostrem a sua personalidade. Não gostei da Mônica apagada em 2 histórias, já que o especial é dela. 

Podia ter bem mais curiosidades também, e não só uma entrevista com o Maurício, e podia ter tirinhas da Mônica de todos os tempos também. A edição "Mônica 30 Anos" foi, sem dúvida, a melhor desses especiais de criação dela. 

terça-feira, 27 de maio de 2014

As Tiras Clássicas do Pelezinho - Volumes 1 e 2


"As Tiras Clássicas do Pelezinho" é uma coleção da Editora Panini que reúnem as tiras do personagem e de sua turma que saíram nos jornais em ordem cronológica, desde que foi criado em 1976. Nessa postagem eu falo sobre os 2 volumes lançados até agora.

Desde 2012, Pelezinho voltou a ter gibis nas bancas, e, com isso uma série de lançamentos foram criados desde então, envolvendo republicações antigas dos anos 70 e 80, como o almanaque "As Melhores Histórias do Pelezinho" e "Pelezinho Coleção Histórica", além de revistas de passatempos e para colorir. Junto com esses títulos, foram lançados também os livros "As Tiras Clássicas do Pelezinho".

Capa do "Volume 1 "(2012)

Aproveitando o sucesso dos livros da coleção "As Tiras Clássicas da Turma da Mônica", fizeram o mesmo com o Pelezinho. Então, "As Tiras Clássicas do Pelezinho" seguem o mesmo formato dos da Turma da Mônica e cada volume tem formato quadrado 21 X 21 cm, capa cartonada, papel de miolo offset e 132 páginas no total, com 3 tirinhas em preto e branco por página, na horizontal, totalizando 360 tiras no total. São vendidos em livrarias e bancas especializadas, custando R$ 19,80 cada. As capas são retiradas de imagens de várias tirinhas publicadas na respectiva edição. 

Não seguem a ortografia da época, e, sim a atual. E omitem também a numeração original das tiras. De comum também, cada volume começa com uma introdução com um convidado falando sobre a publicação (com um destaque desse texto na contracapa) e no final de cada um, aparece a seção "Notas", que mostra curiosidades e explicações sobre as tiras e aproveitar para dizer que hoje os personagens não agem de forma incorreta.

Nos 2 volumes de "As Tiras Clássicas do Pelezinho", além do público acompanhar a evolução dos traços da Turma do Pelezinho, dá para acompanhar tiras envolvendo piadas e trocadilhos do mundo do futebol. São muito comuns encontrar tiras com situações inusitadas do Pelezinho comemorar gol pulando e dando soco no ar e com seus chutes fortes de superpotência comparados a força da Mônica. 

Capa do "Volume 2" (2013)

O volume 1 foi lançado em 2012 e reúnem tiras de 1976 a 1978. São as primeiras tiras criadas e dá para ver a diferença nos traços dos personagens, principalmente a Bonga e o Cana Braba, que aparece com lábios superexagerados. Ao longo da edição, a gente vê que os desenhos foram mudando gradualmente e já mais no final, já apresentavam os traços superfofinhos, bem característico do final dos anos 70.

Como o Pelezinho foi criado em outubro de 1976, tem poucas tiras daquele ano. Foram apresentadas as características dos personagens pela primeira vez, antes mesmo do gibi ser lançado, que aconteceu em 1977. Conhecemos a Bonga que todos os meninos desejavam, o Cana Braba que jogava mal e vivia falando palavrão, o Frangão, que era goleiro e não agarrava nenhuma bola, a Samira, que oferecia seus quibes duros pra turma, entre outros.

Tiras publicadas no "Volume 1"

Todos os personagens apareceram com frequência nesse volume, só o Jão Balão, o rival do Pelezinho, que apareceu só em 1 tira na página 94, já de 1978. E a Neusinha, a namorada japonesa do Pelezinho, não apareceu porque em boa parte desse volume ela nem havia sido criado. Ela estreou nos gibis na história "Rove Story, Nô", de 'Pelezinho # 7' (Ed. Abril, 1978) e por isso as tiras desse volume não teve presença dela.

O curioso que os amigos só chamavam o Pelezinho de "Pelé" nas primeiras tiras, e só nas tiras de 1978 que passaram a chamar de "Pelezinho" em definitivo. Vale lembrar que as tiras dos jornais originais muitas vezes eram creditadas como "Pelé" e nos gibis de 1977, ele também era chamado de Pelé nas histórias. Como O Pelezinho era versão do jogador Pelé na infância, então eles chamavam o personagem de Pelé mesmo, sem apelido, e depois mudaram.

Na parte de introdução desse volume, o texto foi escrito pelo próprio Pelé, falando sobre o livro e a nova parceria com a MSP. E na seção "Notas" só teve 1 página e não mostrou muitas curiosidades interessantes, foi praticamente toda falando que nas histórias atuais não tem cenas incorretas, como não ter bandidos, não usarem armas, não falar palavrões e nem chamar alguém de "burro", entre outros.

Contracapa do "Volume 1"

Já o volume 2 foi lançado em 2013 e reúnem tiras de 1978 e inicio de 1979. Os traços são os superfofinhos característicos do final dos anos 70. Como não podia deixar de ser as piadas também são referentes ao futebol, a grande maioria.

O Frangão foi o grande destaque do volume, com muitas tiras com ele envolvendo suas lutas e tentativas frustadas em defender uma bola, sobretudo do Pelezinho, em situações absurdas e engraçadas. Ainda em relação aos personagens, a Neusinha apareceu pouco, a partir da página 49. O Jão Balão não apareceu em nenhuma tira. Ele aparecia bem nos gibis, mas em tiras não muito. Já os outros personagens tiveram boa frequência.

Tiras publicadas no "Volume 2"

A introdução desse volume foi escrita por José Alberto Lovreto, o Jal (jornalista e cartunista que criou o "Troféu HQ Mix"), e as "Notas" tiveram 2 páginas e até mostraram mais curiosidades sobre o futebol, mas, lógico, não perdendo oportunidade de falar que hoje não existe mais politicamente incorreto nas produções atuais.

Desde que foram lançados "As Tiras Clássicas do Pelezinho", não produziram mais volumes novos com a Turma da Mônica. As tiras desta coleção já estavam em 1973, e, com isso, os próximos volumes dessa coleção já vão ter muito conteúdo repetido que sairam nos pockets de tiras da L&PM e aí devem estar querendo dar um tempo. Fora que em 2013 havia  muitos lançamentos pelos 50 anos da Mônica e aí acabou não tendo um volume novo com eles.

Contracapa do "Volume 2"

Como podem ver, "As Tiras Clássicas do Pelezinho" reúnem tiras antológicas dos primórdios do personagem e sua turma, com todas as cenas incorretas tão característico da MSP da época. Vale a pena ter na coleção. Afinal, se fizessem histórias novas com os personagens nunca seria a mesma coisa, já que não falariam palavrão e nem agredir ninguém, por exemplo. Como se alguém passa a falar palavrão constantemente ou ser violenta porque leu história em quadrinhos. Até porque no caso dos palavrões são só símbolos como cobra, lagartos, bomba, representando que era um palavrão naquele quadrinho.

Capaz de ter o 3º volume agora em 2014. Pode ser que não, caso tenha o volume 8 de "As Tiras Clássicas da Turma da Mônica", ou quem sabe lancem os 2 títulos ao mesmo tempo. Só espero que quando lançarem um novo para o Pelezinho não tenha aquela avacalhação de tirar o círculo em volta da boca das tiras que nem como fizeram com o almanaque "As Melhores Histórias do Pelezinho"

Pelo menos as histórias que saem no almanaque são tiradas dos últimos números do Pelezinho da Editora Abril e dá para conseguir tê-las na Coleção Histórica daqui uns 2 anos, ou até mesmo comprar as originais. Já a maioria dessas tiras são muito raras, e mudar tudo, tirando o círculo em volta da boca e colocando nariz seria inadmissível e totalmente lamentável se fizessem isso. Espero que tenham bom senso e continuem como está, ficando aquela coisa tosca e ridícula restrita só ao almanaque "As Melhores Histórias do Pelezinho" para não estragar essa coleção.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

As Melhores Tiras do Nico Demo - Editora Globo


Há algum tempo, falei sobre o personagem Nico Demo e na ocasião eu não tinha o livro "As Melhores Tiras do Nico Demo" lançado em 2003 pela Editora Globo. Consegui comprar na internet e nessa postagem comento como foi esse livro especial.

Estava à procura desse livro e consegui comprar no site "Estante Virtual" indicado pelo amigo Kleiton Gonçalves quando fiz a postagem sobre o personagem. O livro custou R$ 16,00 mais R$ 4,00 de frete, totalizando R$ 20,00. Pela raridade e ótimo estado de conservação que se encontra não achei caro, é como se estivesses comprando "As Tiras Clássicas da Turma da Mônica" da Panini que custa R$ 19,90 cada volume. Por isso agradeço mais uma vez ao Kleiton pela indicação. 

"As Melhores Tiras do Nico Demo" se torna raro porque foi recolhido nas livrarias quando a turma mudou de editora. Todos os livros lançados pela Editora Globo nos últimos anos, como "As primeiras histórias da Mônica", "Coleção Um Tema Só" versão livraria, reedição da Mônica nº 1 da Ed. Abril, reedições de "Maurício 30 anos", "Mônica 30 Anos", "35 Anos" e "40 Anos" e "Coleção As Melhores Tiras" da Mônica, Cebolinha e Cascão. Tudo foi recolhido no inicio de 2007, quando mudaram para Panini. Por isso são atualmente itens de colecionadores. Já livros lançados pela Panini continuam vendendo até hoje, alguns sendo encontrados em livrarias físicas ou são encontrados mais fácil na internet, muitos até ainda com preço original ou mais barato. Por exemplo, livros "Maurício de Sousa Biografia em Quadrinhos" e "Turma da Mônica Mágico de Oz" ainda vendem até hoje.

Contracapa

Esse livro "As Melhores Tiras do Nico Demo" tem capa cartonada e papel de miolo offset, 96 páginas e com formato retangular 13,5 x 21 cm. Era bem semelhante aos livros de tiras "As Melhores Piadas" da Editora Abril dos anos 70. Abre com um frontispício com o Mauricio falando sobre o personagem e porque teve que deixá-lo de lado. Interessante a ilustração que colocaram o Nico Demo desenhando bigode na foto do Maurício. 

Frontispício do livro

A seguir vem as tirinhas. Em cada página, vem 2 tirinhas, totalizando 182 tiras publicadas originalmente em jornais. Uma coisa boa é que revelam ano da maioria das tiras. Com isso, vemos que tem tiras variando entre 1966 a 1978. Eu até pensava que as tiras dele pararam de ser produzidas no inicio dos anos 70 e com esse livro descobri que estava enganado. As tiras do livro não seguem sequência cronológica, colocando tiras de variados anos em cada sequência. Informam também numeração original das tiras, coisa que também não informam em "As Tiras Clássicas da Turma da Mônica". 

Tiras do livro

Diferente também do que pensava, as tiras não são iguais as que sairam do pocket L&PM "Nico Demo - Aí vem encrenca", de 2011. Como eu pensava que tinha poucas tiras produzidas, seria normal que o material fosse semelhante. Apenas duas que estão nos 2 livros, as demais são tudo diferentes. Fica a deixa, então, para que possam ser produzidos outros pockets L&PM com o Nico Demo. Afinal, foram mais de 12 anos de tiras produzidas, tem bastante material com ele.

Ao comprar o livro, dá pra conferir tiras são mudas, o que tornava bem interessante, de fazer graça só com as ações e permitir que os leitores entendam a piada só através dos desenhos. Os traços também eram com um efeito serrilhado, meio tremido, como se não tivessem arte-final. E como não podia deixar de ser com muitas situações incorretas, mostrando a essência do Nico Demo: um garoto com humor sarcástico, que gosta de aprontar e ser mal com os outros, e também com a intenção de ajudar os outros, mas acabava atrapalhando em vez de ajudar, causando muitas confusões.

Tiras do livro

O leitor confere Nico Demo fazendo coisas do tipo: jogar graveto para o cachorro pegar quando passava o homem da carrocinha perto, ver a pessoa se afogando e aproveita para estourar as bolhas que formam na água, entre outras. Não é a toa que o livro tem o subtítulo "o politicamente incorreto". Interessante também ver tiras datadas como o homem revelando filme de máquina fotográfica antiga, de forma bem caseira. Essas noltalgias são bacanas de ser ver nos gibis antigos.

Sempre bom lembrar que as tiras dessas capas estão presentes na publicação, assim como os outros livros desse gênero. Então, as tiras que aparecem na capa foram tiradas do livro das páginas 39 e 49.  E as imagens do Nico Demo na contracapa também são de tiras variadas dos livros.

Tiras do livro

Como podem ver, esse livro é muito bom e vale a pena ter na coleção, até pela raridade. Para quem gosta de tirinhas antigas é diversão garantida. Até pelo subtítulo "O politicamente incorreto" já dá pra perceber que as boas maneiras passam longe. É uma excelente aquisição e vale procurá-lo em sebos ou na internet. Recomendadíssimo.

quarta-feira, 26 de março de 2014

Pockets L&PM: "Cadê o Bolo?" e "Bidu: Hora do Banho"


Nessa postagem eu faço uma resenha sobre os pockets de tiras da L&PM "Turma da Mônica: Cadê o Bolo?" E "Bidu: Hora do Banho" que foram lançados em 2013 e sempre recomendadíssimos comprar.

Em comum dos dois pockets, eles tem capa cartonada, miolo off-set, 128 páginas e formato de bolso 10,5 x 17,5 cm e reúnem tiras que saíram nos jornais, com 2 por página, em preto e branco, na horizontal, sem seguir cronologia. Os textos seguem a otografia atual e as imagens das capas foram retiradas de alguma tirinha publicada na edição. 

Mesmo lançados no segundo semestre de 2013, eu só comprei no início desse ano na internet, junto com os livros "Todas as Capas da Mônica", tudo com desconto. É difícil encontrar esses pockets em livrarias e, principalmente em bancas de jornais. Então, tive que recorrer comprar na internet, o que é bom porque pelo menos eu consegui um certo desconto, saindo por R$ 11,00 cada um (o preço de capa comprando em livrarias e bancas é de R$ 13,00 cada).

A seguir comento o que pode encontrar em cada um desses 2 pockets:

Turma da Mônica: Cadê o Bolo?:

Esse pocket mostra tiras da turma toda e não são só tiras do personagem da capa, e os títulos não são tiras temáticas. Ou seja,  mostra na capa uma piada da Magali, mas não tem tiras só dela, e tampouco são tiras com bolos, aniversários e piadas alimentícias. É que os pockets da L&PM têm um título, só que não são temáticos, apenas para dar um nome ao livro.

Uma página do pocket "Cadê o Bolo?"

Reúne tiras de todos os anos 80, entre 1981 a 1990. Então, os traços seguem o estilo tradicional que a gente conhece e ficou consagrado e muitas tiras desse volume foram publicadas nos gibis da turma dos anos 80 e 90 e nos pockets "As Melhores Piadas" da Editora Abril (1985/86) e "As Grandes Piadas" da Editora Globo (1987/88). Com isso, quem acompanhou os gibis daquela época tem grande chance de conhecer algumas tiras. Lembrando que os primeiros pockets da L&PM referentes a Turma da Mônica eram compostos com tiras dos anos 70, mas desde o "Pintou sujeira' estão colocando as dos anos 80.

Uma página do pocket "Cadê o Bolo?"

Não informam ano da maioria das tiras, só em algumas, porém mostra a numeração original delas, diferente dos livros "As Tiras Clássicas da Turma da Mônica". Nesse volume, tem poucas tiras seriadas, com continuação na próxima, formando historinhas. Algumas que seguem isso são as tiras de Natal.

A imagem da capa foi tirada da tira da página 10. Uma coisa chata é que diferente dos outros pockets, esse volume não tem 240 tiras e, sim, 235 diferentes no total. É que em vez de ter tira até a página 126, foi até a 125, e nessa página só teve 1 tira. Então, aí já são menos 3. Fora isso, repetiram 2 tiras durante o livro. A 2ª tira da página 27 e a 1ª da página 28 são iguais, e o mesmo acontece com a 2ª tira da página 99 e a 1ª da página 100, tirando espaço de 2 tiras.

De todos os pockets lançados até agora, foi o que menos gostei por causa desses deslizes. Porém, mesmo não sendo tiras tão clássicas assim, são muito divertidas do mesmo jeito e vale a pena ter esse livro na coleção.

Contracapa do pocket "Cadê o Bolo?"

Bidu: Hora do Banho

Esse é o 3º pocket do Bidu e esse volume reúne 240 tiras entre 1975 a 1977. A imagem da capa foi tirada da tira da página 46. Mostram o ano das publicações originais das tiras, e a gente nota que prevalece 1976. Por ser tiras dos anos 70, poucas chances do grande público conhecerem, mas tem tiras que foram publicadas em "As Grandes Piadas do Bidu nº 6" (Ed. Globo, 1987).

Apesar do título ser "Hora do Banho", não são tiras temáticas envolvendo Bidu e banho; só algumas são com esse tema. Nessa edição, prevalecem tiras com ele conversando com outros cachorros e não tiveram muitas tiras com o Bidu conversando com objetos e nem com outros bichos. Então, vemos o mundo cão, com o Bidu agindo como cachorro e com todos os seus famosos trocadilhos. Vemos até ele mijando nos postes, coisa inadmissível nos gibis atuais. Vale lembrar que o pocket "Bidu arrasando" prevaleceu as com ele conversando com objetos e dessa vez mudaram o foco. Já o "Diversão em dobro", foi mais equilibrado os seus universos.

Uma página do pocket "Bidu: Hora do Banho"

O Duque é o grande nome dessa edição, é com quem mais o Bidu contracena. Inclusive, apareceu uma tira falando dos seus donos, o que não é mostrado nos gibis. Franjinha também aparece. Já o Bugu, não. Aliás, ele nunca teve presença nesses pockets. Parece que o Bugu era exclusivo das histórias dos gibis e não tinham interesse em fazer tiras com ele. 

Por outro lado, nesse pocket vemos ainda outros cachorros contracenando com o Bidu de forma fixa, mas que nunca apareceram nos gibis. Temos, então a presença dos cachorros Zezinho (faz tudo que mandam), Gordinho, Peludão, Mané Grandão, Zé Otimista e Zé Esquecido. Esse último, foi o único que foi resgatado para os gibis e mesmo assim já nos anos 2000. Os outros nunca apareceram.

Uma página do pocket "Bidu: Hora do Banho"

Tiveram algumas tiras seriadas, como as dos patins, do Patinho Feio e do cão com narigão. Como curiosidade, as tiras das páginas 47 e 48 não tiveram arte-final, dá impressão que colocaram do jeito que desenharam. Ficou legal assim mesmo. E também tem referências ao Snoopy em 2 tiras.

Um pocket muito bom que também é muito recomendado, como todos da série. Qualquer um que comprar é diversão garantida.

Contracapa do pocket "Bidu: Hora do Banho"

Para finalizar, deixo um guia atualizado de todos que foram lançados até agora, para quem se interessar em colecionar os pockets da L&PM e tem dúvidas quais foram reedições da Panini de 2008. Eu expliquei melhor sobre isso aqui. Foram lançados 16 pockets até agora e estão dispostos assim:

  • Pockets que seriam lançados pela Panini:
  1. "Mônica tem uma novidade"
  2. "Cebolinha em apuros"
  3. "Os Sousa - Desventuras em família"
  4. "Bidu arrasando"
  5. "Nico Demo - Aí vem encrenca"
  • Pockets que são reedições da Panini:
  1. "Mônica está de férias"
  2. "De quem é esse coelho"
  3. "Bidu - Diversão em dobro"
  4. "Chico Bento - Plantando confusão"
  5. "Penadinho - Quem é morto sempre aparece"
  •  Pockets novos da L&PM:
  1. "Pintou sujeira"
  2. "Chico Bento - Histórias de pescador"
  3. "Coleção 64 páginas - 120 tirinhas da Turma da Mônica" (reedição das tiras já lançadas em números anteriores)
  4. "Cadê o Bolo?"
  5. "Bidu - Hora do Banho"
  6. "Penadinho - Alguém viu uma assombração?"
Na dúvida de quais tem o mesmo conteúdo, esqueça os da Panini e compre só os da L&PM.

terça-feira, 11 de março de 2014

Personagens Esquecidos 6: Nico Demo


Nico Demo foi um personagem incorreto criado ainda nas tiras de jornais e que se enquadra na galeria de personagens esquecidos. Nessa postagem, falo sobre ele.

Criado em 1966 em tiras do "Jornal da Tarde", de São Paulo, ele era um garoto levado com um humor sarcástico. Tinha um cabelo que se parecia com chifres e se vestia com roupas pretas bem formais. Ele era um capeta em pessoa, dai o nome Nico Demo, de demônio. Fazia o tipo de bom coração, com a intenção de sempre querer ajudar os outros, mas acabava atrapalhando em vez de ajudar, causando muitas confusões. 

Até ficava a dúvida do leitor se ele tinha mesmo a boa intenção ou se ele realmente queria aprontar com os outros. Era uma coisa muito comum nas tiras e histórias feitas pelo Mauricio do leitor usar a imaginação, interpretando como quisesse, e com o Nico Demo não era diferente.

Tirinha tirada do pocket L&PM "Nico Demo - Aí vem encrenca" (2011)

Além de tiras assim, tinham também em que o Nico Demo era egocêntrico, egoísta, tirando proveito com o sofrimento dos outros. Ele também se passava pelo inocente, não deixando claro se ele estava sendo inocente realmente ou fingindo ser só pra se dar bem. E em outras oportunidades, é confirmado que o  que ele quer mesmo é perturbar os outros. Interessante que raramente ele se dava mal, apenas os outros.

Ele fazia coisas do tipo: mendigo levantava braço pra pedir esmola e o Nico Demo dava um aperto de mão; ele ajuda velhinha a atravessar a rua, mas segura só a luva e ela acaba sendo atropelada; vê mulher caindo do prédio e em vez de socorrer corre para pegar um binóculos para ver a queda; a menina o paquera piscando pra ele e ele assopra os olhos dela; exibe uma faixa para sorrir sempre, enquanto passa um funeral carregando caixão, entre outras. Curiosamente, nessa tirinha apareceu o Charlie Brown, da turma do Snoopy:

Tirinha tirada do pocket L&PM "Nico Demo - Aí vem encrenca" (2011)

O que chamava atenção que suas tiras sempre eram mudas, o que tornava bem interessante, de fazer graça só com as ações e permitir que os leitores entendam a piada só através dos desenhos. Os traços também eram com um efeito serrilhado, meio tremido, como se não tivessem arte-final.

Por causa dessas travessuras todas, o Nico Demo foi o primeiro caso que o Mauricio sofreu censura. Apesar de que nos anos 60 ele ter mais liberdade nas suas criações, já que não tinha a onda do politicamente correto, mas tinha gente que não gostava e implicava com as travessuras do Nico Demo. O "Jornal da Tarde" pediu ao Mauricio amenizar as situações incorretas do personagem nas tiras. Mauricio não aceitou e passou a levar as tiras para o jornal "Folha da Tarde". 

Só que ainda assim continuava a receber críticas e recebendo cartas para que ele mudasse o personagem. Diante de tantas reclamações, para não tirar a essência do Nico Demo e mudá-lo completamente, Maurício simplesmente parou de produzir de vez tiras do personagem, deixando, com isso, no limbo do esquecimento. Afinal, a graça do Nico Demo era aprontar com os outros, mesmo de forma indireta, e tirar isso das tiras, iria descaracterizá-lo. 

Tirinha tirada do pocket L&PM "Nico Demo - Aí vem encrenca" (2011)

Nico Demo ainda aparecia nas propagandas da "Cica" tanto da TV, quanto dos gibis, contracenando com a Turma da Mônica, sendo a maioria das vezes apenas como figurante. As propagandas da "Cica" nos gibis da turma naquela época eram em quadrinhos, como se fosse uma história (provavelmente reproduzindo para os gibis o que passava na TV), então colocavam o Nico Demo em um quadrinho, por exemplo. Com uma curiosidade interessante que ele falou em uma dessas propagandas, que mostro abaixo, diferente das suas tiras antigas.

Propaganda tirada de 'Mônica nº 4' (Ed. Abril, 1970)

Após essas propagandas e sem tiras novas, Nico Demo sumiu de vez sem referência sequer em lugar nenhum. E permaneceu assim, até que em 2003, foi lançado o  livro "As Melhores Tiras do Nico Demo" pela Editora Globo compilando aquelas tiras de jornais dos anos 60. Um presente para os fãs, que aguardam algum material dele há anos. Esse livro tinha capa cartonada e papel de miolo offset, 96 páginas e com formato retangular 13,5 x 21 cm. Era bem semelhante aos livros de tiras da Editora Abril dos anos 70. Abaixo, a capa desse livro:

Livro "As Melhores Tiras do Nico Demo" (Ed. Globo, 2003)

Após esse livro, ele voltou a ser lembrado e apareceu em participações especiais em 2 ocasiões, mais como forma de homenagem e dar sentido às histórias. A primeira foi na história "O Arrependiz", uma paródia ao programa de TV "O Aprendiz" da Record, de Cebolinha # 229 (Ed. Globo, 2005), aparecendo só no quadrinho final, junto com outros personagens esquecidos dos anos 60 para dar graça na história.

Depois dessa, voltou a aparecer em "Lostinho- Perdidinhos nos quadrinhos" (Ed. Panini, 2007), junto com vários personagens esquecidos que estavam presos na ilha todos esses anos. Também foi apenas participação com aparições rápidas.

Cena tirada de "Lostinho - perdidinhos nos quadrinhos" (Ed. Panini, 2007)

Em 2011, foi lançado também um pocket L&PM "Nico Demo - Aí vem encrenca". Esse pocket foi composto de 240 tirinhas, sendo 2 em cada página, assim como os outros da série. Todas sensacionais, mostrando a verdadeira face do Nico Demo. Aliás, esse pocket seria lançado na Panini em 2009, junto com mais 4 pockets diferentes, só que de última hora foram cancelados e esses títulos que seriam lançados pela Panini, foram lançados pela L&PM a partir de 2009 aos poucos.

Capa do Pocket L&PM "Nico Demo - Aí vem encrenca" (2011)

Então, como o pocket seria lançado em 2009, também nesse ano, Nico Demo finalmente passou a ter histórias solo inéditas nos gibis da Panini. Era, então, a volta de vez do personagem depois de quase 40 anos sem produzir nada novo do personagem, já que os outros materiais lançados eram reedições ou apenas participações. Nem na Editora Abril tiveram histórias dele.

História tirada de 'Cebolinha nº36' (Ed. Panini, 2009)

A partir daí, em vários gibis, passaram a ter histórias de 1 ou 2 páginas e mudas também, como eram nas tiras dos anos 60. Eles colocavam os traços serrilhados, como se não tivesse feito a mão livre sem arte-final, igual às tiras antigas. 

Porém, sua personalidade estava um pouco mudada por causa do politicamente correto, como era de se esperar. Ele até continuava com a sua intenção de ajudar os outros, da sua maneira torta, só que de uma formam mais suave do que antigamente. Não seria possível, por exemplo, fazer brincadeiras com velhinha sendo atropelada na rua, defunto e caixão.

História tirada de 'Magali nº 49' (Ed. Panini, 2011)

As vezes ele exercia alguma profissão. Além disso, diferente das tiras antigas, ele passou a se dar mal nas suas tentativas de ajudar os outros, como forma de castigo e ensinar que ajudar de maneira torta é errado e não pode. Tudo do jeito que a patrulha do politicamente correto gosta. Pode ser até que seja a versão que poderia ser, caso o Mauricio aceitasse amenizar o personagem nos anos 70. O que não fizeram naquela época, passaram a fazer nos últimos anos.

História tirada de 'Cebolinha nº 68' (Ed. Panini, 2012)

Nesse período, ele chegou até a aparecer na capa e na história de abertura da 'Mônica # 50', de 2011, como participação em uma ilha junto co outros personagens que estão no limbo do esquecimento. Em "Clássicos do Cinema # 34 - Batmenino & Cascóbim", de 2012, ele contracenou com a Turma da Mônica, como vilão imortal Ra's Al Ghul e nessa ocasião falando e mais uma vez com referência que ele era um personagem esquecido.

História tirada de 'Clásicos do Cinema nº 34' (Ed. Panini, 2012)

Continuaram com histórias novas com o Nico Demo até em 2012, que, inclusive foi o ano que mais produziram histórias inéditas suas, quase todos os gibis tinham alguma dele. Uma das suas últimas histórias em 2012 (considerada mais uma tirinha) nessa nova fase foi essa, de 'Mônica #72'. Essa imagem enviada pelo Washington Brito:

História tirada de 'Mônica nº72' (Ed. Panini, 2012)

E mais recentemente teve participação em 'Cebolinha # 500', de 2014 em dois momentos: uma aparição no pôster na parede do estúdio, e outra junto com outros esquecidos na história do seu Juca. Já histórias solo, não. E em 'Mônica # 87' teve uma história solo de 3 quadrinhos, considerada uma tirinha, marcando a sua volta aos gibis, depois de quase um ano sumido. É que em 2013 praticamente não vimos suas histórias nos gibis.

É natural que tenha menos histórias com ele porque os gibis estão cada vez mais com uma pegada mais politicamente correta. Então, mesmo com atitudes mais amenas, não se pode afirmar que ele fique em definitivo ou não.. Quem sabe, também façam outro pocket da L&PM, caso tenham tiras que ficaram de fora do pocket lançado.

Termino mostrando as capas de alguns gibis citados das histórias do Nico Demo dessa postagem:

Capas: 'Cebolinha nº 229' (2005), 'Lostinho' (2007), 'Cebolinha nº 36' (2009), 'Magali nº 49' (2011), 'Mônica nº 50' (2011), 'Cebolinha nº 68' (2012), 'Clássicos do Cinema nº 34' (2012), 'Mônica nº 72' (2012)