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sexta-feira, 21 de junho de 2019

Um tabloide com Penadinho e Frank

Mostro uma história de 1 página com o Penadinho e Frank jogando boliche. Foi publicada em 'Cascão Nº 204' (Ed. Globo, 1994).

Nela, Frank convida o Penadinho para jogarem boliche, só que ao lançar a bola, Frank se atrapalha e acaba se arremessando junto com a bola e se desmontando todo com a queda, tendo um auto-strike no boliche. 

No caso, o Frank  foi criado por um cientista e ele tem suas partes do corpo montadas como um quebra-cabeça e, então, ao sofrer queda forte, ele é desmontado todo, como foi o que aconteceu quando se arremessou no boliche aí no tabloide. Traços muito bons. Legal o Penadinho lembrar da época de quando era vivo ao falar que era campeão de boliche. A seguir a história completa.


domingo, 5 de maio de 2019

Turma do Penadinho: HQ "As faces da morte"


Compartilho uma história em que a Dona Morte permitiu que um motoqueiro escolhesse de qual forma ele queria morrer. Com 6 páginas no total, foi publicada em 'Cascão Nº 102' (Ed. Abril, 1986).

Capa de 'Cascão N º 102' (Ed. Abril, 1986)

Começa o motoqueiro Alberico em alta velocidade na sua moto cantando "Vital e sua moto" dos Paralamas do Sucesso, quando surge a Dona Morte do nada como se estivesse em uma moto e Alberico estranha a façanha dela e acha legal a roupa dela, bem punk e chocante.


Dona Morte diz que ele vai se chocar correndo na moto naquela velocidade. Alberico pergunta se é guarda de trânsito e ela responde que é a Morte. Primeiro Alberico fica aliviado porque não vai ter outra multa, mas logo se toca que se tratava que ia morrer. Rle fica desesperado perguntando como, onde e por que vai morrer e Dona Morte diz que correndo feito o Airton Penna (Ayrton Senna) e sem capacete, vai sofrer um acidente na próxima esquina e virar paçoca.


Alberico para a moto imediatamente e diz que não vai morrer assim bestamente, é o melhor motoqueiro da cidade e os amigos iam zoar. Dona Morte fala que não adianta reclamar, a hora dele chegou e estão atrasados. Alberico diz se quiser levá-lo, que seja de outra forma porque de acidente de moto ele não morre

Dona Morte reclama que isso que dá ser simpática e avisar à vítima do que vai morrer e assim leva o Alberico até em frente a um precipício e o manda se jogar. Alberico diz que suicídio não faz parte dos princípios dele e quer morrer de uma forma emocionante como ser devorado por leões selvagens. Eles vão até onde tinhaum leão, quando Alberico ver o leão rugindo na sua frente, desiste e diz que é indigesto e o bichinho não ia gostar e resolve ser morto por um bandido e manda trazer um bandidão.


Depois de um tempo, Dona Morte volta com o bandido e ela manda assaltar e dar um tiro no Alberico. O bandido estranha que a vítima que que dê um tiro bem no coraçãozinho e sai correndo achando que os dois eram malucos. Então, Dona Morte sugere que ele morra de ataque cardíaco, que é rápido e eficaz.

Alberico fala que quer morrer como sempre sonhou pilotando uma nave espacial, quando é atacado por naves inimigas e após uma batalha entre as naves, um alienígena de 5 olhos e 20 bracos invade a sua nave e o atinge com uma arma de rais zeta e morre. Aí percebe que a Dona Morte tinha sumido e se pergunta se foi tudo um sonho e pra se precaver vai passar a usar capacete e correr menos com a moto daqui para frente.

No final, Dona Morte chega no cemitério com raiva e Penadinho estranha ela voltando com mãos vazias. Dona Morte responde que do jeito que as pessoas andam exigente, vai ter que arrumar mais verbas para fazer o serviço dela ou só chegar na hora "H" porque cliente morto não reclama.


Essa história é muito divertida, a Dona Morte querendo ser simpática de avisar do que o motoqueiro vai morrer e permitir ele escolher a forma que queria morrer e acabou nem conseguindo matá-lo com tantas exigências. Se ela não tivesse avisado e tivesse deixado ele continuar com a moto acelerada, Alberico conseguiria morrer de acidente de moto. Ela até faria a vontade dele de morrer por alienígenas se tivesse verba para isso.  Quem dera se na vida real a gente pudesse ser avisado que ia morrer ou pudesse escolher a forma de morrer e essa historia permitiu essa fantasia.


Eram muito boas as histórias da Dona Morte discutindo com as suas vítimas antes de morrerem, com elas tentando enrolar a Dona Morte, a maioria ela conseguia matar as suas vítimas, mas tinham vezes que não conseguia como nessa. Histórias assim não fazem mais hoje e nessa com presença de bandido aí que não fariam mesmo.

Os traços muito bons, uma arte-final bem caprichada. Legal a lembrança da música "Vital e sua moto" dos Paralamas do Sucesso, não teve letra parodiada, já o.Ayrton Senna teve seu nome parodiado. Na época ele já era um piloto de Fórmula 1 famoso, apesar de ainda não ter conseguido um título mundial, que aconteceria só em 1988. Uma boa coincidência ele ser citado na história e eu ter postado logo no mês que completa 25 anos da sua morte (1 de maio de 1994).


Foi republicada depois em 'Coleção um Tema Só Nº 11 - Cebolinha e o Louco' (Ed. Globo, 1995).  Os primeiros Temáticos da Globo tinham histórias de secundários sem nada a ver com o tema proposto. Alguns sem querer até se encaixava de uma certa forma com o tema, outros não. Nessa história da Dona Morte ainda pode dizer que teve a loucura do Alberico escolher a forma de morrer, ter um roteiro absurdo mesmo não aparecendo o Louco. Aliás, até que é uma boa sugestão de criarem um Temático com histórias envolvendo loucuras dos personagens sem serem feitas pelo Louco. Abaixo, a capa desse 'Coleção um Tema Só'.

Capa de 'Coleção Um Tema Só Nº 11 - Cebolinha e o Louco' (Ed. Globo, 1995)

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Turma do Penadinho: HQ "Faraó por um dia"


Mostro uma história em que o Muminho se passou por um grande faraó por um dia para impressionar o seu sobrinho que foi visitá-lo. Com 5 páginas no total, foi publicada em 'Cascão Nº 81' (Ed. Abril, 1985)

Capa de 'Cascão Nº 81' (Ed. Abril, 1985)

Nela, Penadinho e Frank encontram Muminho chorando no cemitério e Penadinho pergunta o que havia acontecido. Muminho diz que recebeu um telegrama do seu sobrinho Tuti dizendo que ele chega hoje para visitá-lo.



Penadinho não entende o motivo da tristeza e Muminho diz que o sobrinho pensa que ele é um faraó e fica imaginando a decepção que vai ser quando descobrir que ele é apenas uma reles múmia de esparadrapo. Então, Penadinho tem a ideia de inventar para o sobrinho que o Muminho é um faraó, Penadinho conselheiro e Frank seu servo com as fantasias que eles tinham do Carnaval passado.

Mais tarde, já com a turma caracterizada, o sobrinho Tuti chega ao cemitério e pergunta ao Penadinho onde pode encontrar o faraó Mumi I. Penadinho leva Tuti até lá e quando estava prestes a abraçar o tio, Penadinho impede, falando que ninguém pode tocar no Faraó e é para chamá-lo de majestade. Tuti cumprimenta, então, o tio com auxílio de uma corda pra não pegar na mão do Muminho e o chama de majestade.


Muminho fala que mandou preparar um banquete para o Tuti e então Penadinho adverte o Tuti que não pode  andar ao lado do Faraó, tem que ficar a três passos atrás de distância. Na hora do almoço, Tuti fica em uma extremidade da mesa gigante e Muminho na outra, tão longe que Tuti não conseguia nem enxergar o tio do outro lado da mesa.

Quando Muminho estava prestes a comer, Penadinho impede, falando que a comida pode estar envenenada e tem que o servo provar antes. Muminho diz que não precisa nem comer, quanto mais provar. Penadinho diz que não podem perder os velhos hábitos e faz o Servo Frank provar a comida e ele acaba comendo tudo, inclusive prato e colher, falando que faltou um pouco de molho na colher.


Logo depois, Zé Vampir aparece cheio de intimidade e dá um tapa nas costas do Muminho, falando que ele resolveu pegar o despacho de sexta-feira. Penadinho fala que isso não é jeito de tratar um faraó. Zé Vampir estranha e Penadinho diz que é o Mumi I. Zé Vampir acha graça e diz que é uma piada. Tuti ouve o papo e pergunta se o tio não é um faraó. Zé Vampir responde  que Muminho não é, nunca foi e nunca será um faraó, que é apenas uma múmia de ataduras e esparadrapos, estragando o plano deles assim. 

No final, Muminho fica cabisbaixo, prestes a ir embora pensando na decepção do sobrinho que ia ter e logo tem a surpresa do Tuti ter ficado muito feliz com a notícia e os dois se abraçam, com  Tuti falando que prefere um tio que possa abraçar ao invés de um faraó que não pode tocar.


Uma história muito legal mostrando um plano infalível do Penadinho para que o sobrinho do Muminho acredite que ele era de fato um grande Faraó. Na certa, Muminho sempre falava com o Tuti que era um faraó nas suas correspondências e nunca contava que o sobrinho iria visitá-lo pessoalmente, descobrindo a farsa assim. Apesar da boa intenção do Penadinho, acabou se empolgando demais com a encenação de querer distanciar o Muminho do Tuti para ficar o mais real possível da vida dos faraós. 

Deu pena de ver o Tuti doido para abraçar o tio e não poder, ficando sempre afastado dele. O final foi bem bonito, com mensagem bem positiva, mostrando que o que vale é o afeto e a simplicidade do que uma vida rica cheia de aparências. Gostava de histórias com planos infalíveis de outros personagens, sem serem bolados pelo Cebolinha. Sempre o plano dá errado, independente do quem faça, só não tem surra no final como com o Cebolinha.


Os traços muito bons, bem típicos dos anos 80. O Tuti ficou bem fofo desenhado assim e o Frank sempre era desenhado de uma forma diferente a cada história, só teve uma padronização de traços nos anos 90. Interessante mostrar os personagens desenhados como um sombra preta, acontecia isso nos anos 70 e 80. Dessa vez deu impressão que foi para mostrar que Penadinho estaria explicando melhor o plano. Interessante ver parentes dos personagens, sempre rendem boas histórias. Normalmente, só apareciam em uma só história e depois não eram mais vistos. O Tuti só apareceu nessa mesmo. Curiosamente, outro personagem criança na Turma do Penadinho é o Pixuquinha.

Essa história foi republicada depois em 'Almanaque da Mônica Nº 42' (Ed. Globo, 1994), de onde foi que eu tirei as imagens da postagem. Abaixo, a capa desse almanaque.

Capa de 'Almanaque da Mônica Nº 42' (Ed. Globo, 1994)

terça-feira, 20 de março de 2018

Turma do Penadinho: HQ "Felicidade"


Dia 20 de março é "Dia Internacional da Felicidade". Em homenagem, mostro uma história com a Turma do Penadinho em que um homem tinha propósito de vida de encontrar a felicidade. Com 6 páginas no total, foi publicada em 'Mônica Nº 76' (Ed. Globo, 1993).

Capa de 'Mônica Nº 76' (Ed. Globo, 1993)

Toda contada por um narrador-observador, mostra a história do Filismino que desde que nasceu tinha a preocupação de encontrar a felicidade. Desde a infância, deixava de brincar com seus amigos para tentar descobrir o que era a felicidade e chegou a conclusão que para ser feliz era a teoria de "ter e ser o máximo", nunca se contentar com pouco, sempre querer mais para chegar ao topo e resolveu a se dedicar aos estudos, deixando de brincar com os amigos e outras coisas por conta disso.


Filismino se forma na universidade, recebe o diploma, mas não estava feliz por isso e então acha que a felicidade estaria no amor e passa namorar. Nunca estava satisfeito porque sempre encontrava uma mulher mais bonita com a que estava namorando, chegando até levar tapa na cara da namorada ao olhar as outras garotas na frente dela.


Então, Filismino passa a procurar a felicidade no sucesso e prestígio profissional e passa a trabalhar intensamente, deixando de ir pescar com seus amigos e outras atividades. Trabalhou como um louco, conseguiu a chegar a ser presidente de empresa e mesmo com sua realização profissional, com muito dinheiro, sucesso e prestígio ele não era feliz e estava muito triste. Ele se casou com a mulher mais bonita que achou e não estava feliz ainda e achou então que a felicidade estaria com um filho, mas como deixava de curtir e brincar com o filho para trabalhar, não teve felicidade com isso.


Foi passando os anos e Filismino não encontrava a felicidade e ficava mais frustado e mais deprimido por conta disso, afinal, como as pessoas podiam viver sem encontrar a felicidade plena, enquanto via as pessoas se divertindo. Até que, já com Filismino idoso, aparece a Dona Morte para ele, que até pensa que era a Felicidade e ela diz que é a Morte e que chegou a hora dele, matando o Filismino.

No final, já no cemitério, Filismino não se conforma de ter morrido sem encontrar a felicidade e pergunta ao Penadinho, que estava junto com outros fantasmas se encontraram a felicidade quando estavam vivos. Penadinho diz que felicidade não, mas tiveram momentos felizes durante a vida como as brincadeiras de crianças, namoros, passeios com os amigos, família, curtir os filhos. Filismino entende que então era feliz e não aproveitou na vida e senta em uma pedra com esperança que na próxima será diferente, ou seja, quando reencarnar, na próxima vida fará tudo diferente.


Essa história é muito linda, transmite uma mensagem positiva explicando o que é felicidade e o que é preciso para ser feliz. A mensagem é de aproveitar os momentos simples da vida de ficar com a companhia da família, amigos, filhos, não ficar focado só com estudos e trabalho e não deixar a vida passar sem ter curtido os momentos mais simples. Não existe ter felicidade o tempo todo, mas enquanto está curtindo os momentos bons com sua família e amigos, você está sendo feliz nessas horas.

Tem momentos que dá pena de ver o Filismino só ocupado com as suas obrigações e não ter curtido mais as brincadeiras de criança, saídas com os amigos, brincar com o filho. Ele foi um pouco feliz quando namorou e teve filho, mas não soube aproveitar esses momentos bons. Se ele tivesse aproveitado cada coisa boa estaria feliz. O final foi triste, porém importante para refletir sobre o tema abordado e mudar se for preciso. Era comum histórias filosóficas como essa pra quebrar um pouco só histórias engraçadas e os leitores poderem refletir e aprender. Tinham histórias para todos os gostos nos gibis antigos. 


Hoje em dia costumam não colocar histórias assim com finais tristes, eles colocam finais alegres e que deram certo para não traumatizar, e também temas de reencarnação e religião também não são mais explorados.  Os traços muito bem caprichados, teve um erro de colorização no cabelo da namorada do Filismino, que trocava de cor toda hora, foi laranja, marrom, amarelo, mas pode também ser considerado também ser datas diferentes e mulher gosta de mudar de cor de cabelo.


Outra coisa comum nos gibis antigos era ter historias sem os personagens principais, serem protagonizadas por figurantes e os personagens só aparecerem no final, ou nem aparecer. A Turma do Penadinho era repleto de histórias assim, mas acontecia com outros núcleos, inclusive com a Turma da Mônica. Gostava de histórias assim estreladas por figurantes, saía da mesmice. Normalmente eles  apareciam só em uma história e nunca mais eram vistos. Enfim, uma história muito boa e emocionante que vale a pena relembrar há exatos 25 anos.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

HQ: "Penadinho Noel"


Mostro uma história simples de quando o Penadinho se passou por Papai Noel na noite de Natal. Com 4 páginas, foi publicada em 'Cascão Nº 24' (Ed. Globo, 1987).

Capa de 'Cascão Nº 24' (Ed. Globo, 1987)

Começa com o Zé Vampir perguntando porque o Penadinho estava triste. Ele diz que é porque Papai Noel nunca trouxe presente de Natal para ele e sempre foi tão bonzinho. Zé Vampir rir falando que se fosse bonzinho estaria no Céu. Penadinho fica brabo, fala que não está para brincadeiras e sai do cemitério para procurar o Papai Noel e perguntar por que ele o ignora.


Penadinho encontra um cara vestido de Papai Noel assim que sai do cemitério e ao se aproximar perguntando , o cara grita e sai correndo com medo por ele ser um fantasma. Penadinho pergunta por que nunca deu nenhuma lembrancinha e o cara dá todo o saco de brinquedos e até a roupa de Papai Noel e foge em disparada só de cueca.


Penadinho vê outros caras vestidos de Papai Noel só que bêbados, dormindo na árvore e entende que com ajudantes agindo daquele jeito não é à toa que muitas crianças ficam sem presentes de Natal. E então ele se veste de Papai Noel que o cara deixou para ele e começa a distribuir os brinquedos para as crianças de rua. 

Depois volta ao cemitério exausto, mas com missão cumprida de distribuir todos os presentes e vai para o seu túmulo. Diz que não sobrou nenhum presente para ele, mas só ver a criançada feliz valeu a pena e o encheu de calor e ternura de novo, foi como se plantassem flores e acendessem velas pra ele, mostrando o lado de fora que realmente tinham flores e velas pra ele, dados pelo verdadeiro Papai Noel.


Uma história legal, bem simples típica de miolo, mas que não deixou de deixar o seu recado. Além de refletir por que crianças não recebem presentes de Natal, ainda tem a solidariedade do Penadinho ser o Papai Noel e distribuir brinquedos para crianças carentes. 

Penadinho não ganhava presente do Papai Noel porque era fantasma e no final pela primeira vez ele ganhou presente pelo gesto de solidariedade. Tem um estilo de Gasparzinho das pessoas se assustarem ao ver qe ele é um fantasma. Interessante a parte do início do Zé Vampir falando que se ele fosse bonzinho ia estar no Céu, já que o cemitério deles representa o Purgatório.


Os traços muito bons, bem típicos dos anos 80 que ficou consagrada. Detalhe do garoto negro com círculo em volta da boca representando os lábios e hoje em dia eles iam alterar tirando porque acham que é preconceito com negros de boca de palhaço, assim como fizeram lamentavelmente com Pelezinho. Era bom até o título, que muitas vezes tinha uma artes com as letras,dessa vez deixaram as letras arrepiadas e um gorro de Papai Noel no nome. Gostava desses detalhes de artes nos títulos.

terça-feira, 23 de maio de 2017

Tirinha Nº 48: Turma do Penadinho

Diz a lenda que cama de vampiro é uma árvore. Então quando Zé Vampir foi dormir na sua cama de 3 metros de altura, não teve uma agradável surpresa. Uma das tiras de 1986 que fechavam os gibis sem ser com tira do personagem principal da revista,

Tirinha publicada originalmente em 'Mônica Nº 193' (Ed. Abril, 1986).


quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Capa da Semana: Almanaque do Cebolinha Nº 33

Carnaval chegando e mostro uma capa com a turma em um baile a fantasia e o Jotalhão conseguiu voar ao se fantasiar de Super Homem, mesmo com o seu enorme peso, deixando a turma impressionada com sua façanha.

O bom em capas de almanaques com presença de secundários que às vezes as piadas eram com eles, coisa que não dava nos gibis mensais, com raras exceções.

A capa dessa semana é de 'Almanaque do Cebolinha Nº 33' (Ed. Globo, Maio/ 1996).


sábado, 26 de novembro de 2016

Zé Vampir: HQ "Sangue, Sangue, Sangue!"


Mostro uma história simples e muito divertida de quando o Zé Vampir inventou que havia se acidentado só para pegar o sangue do hospital. Com 4 páginas no total, foi publicada em 'Cascão Nº 31' (Ed. Abril, 1983).

Capa de 'Cascão Nº 31" (Ed. Abril, 1983)

Nela, o Zé Vampir está lendo jornal em um banco de praça quando vê um caminhão de banco de sangue que estava indo para levar sangue em um hospital. Ele sente o cheiro dá vontade de tomar, estava morrendo de sede, mas lamenta que aquele sangue não era para ele. Até que tem uma ideia e corre para pôr em prática.


Logo depois, Zé Vampir aparece no hospital com uma roupa toda rasgada e cheio de arranhões, se joga na recepção e fala para recepcionista que precisa de sangue porque foi atropelado por uma jamanta, caiu em um bueiro, foi parar em rio, caiu em cima de uma catarata de pedras e foi se arrastando até lá no hospital. A recepcionista diz que o estado dele é grave e fala  que vão atendê-lo e manda ficar atrás de um homem na fila. mas, quando ele vai ver, a fila era enorme, com muita gente para ser atendida.


Zé Vampir espera um tempão na fila e consegue ser atendido, mas a atendente o manda preencher uma ficha e se dirigir a outro guiché. Ele espera 1 hora na fila, afinal eram os mesmos que estavam esperando junto com ele antes, e finalmente entrega a ficha e entra no ambulatório. Lá, a enfermeira manda deitar na maca, quando bate o sinal da hora do almoço e ela sai falando que depois volta, deixando Zé Vampir esperar mais uma vez.

Depois de um tempo, ela volta e tira o sangue do Zé Vampir. Ele reclama, dizendo que não quer doar sangue, e, sim, receber. A enfermeira, então, diz que fez tudo errado, que tem que pegar outra fila, preencher uma ficha rosa e passar em outro guiché. Zé Vampir desmaia, caindo da maca, e a enfermeira o leva direto para outra enfermaria de maca, avisando ao pessoal da fila que era uma emergência, que ele estava precisando urgente de sangue, terminando assim.


Essa história é engraçada demais. Zé Vampir quis se aproveitar do hospital para tomar sangue, mas não contava que teria tanta burocracia e acabou se dando mal ao pôr em prática o seu plano infalível. Muito engraçado quando o Zé Vampir se dar conta que ia enfrentar fila para conseguir sangue e também quando a enfermeira deixa de atendê-lo para ir almoçar. Não é só o Cebolinha que tem seus planos infalíveis e como sempre em histórias de plano, o personagem se dá mal no final. Apesar, de certa forma, o Zé Vampir ter recebido sangue que queria, mesmo passando mal de verdade.

O roteirista quis fazer uma crítica com muito bom humor ao atendimento precário dos hospitais e burocracias, que infelizmente já acontecia nos anos 80. Tudo bem que Zé Vampir tinha inventado de ter sido acidentado, mas para ser atendido teve que esperar mais de 3 horas para ser atendido, com filas, preenchendo formulários, esperar enfermeira almoçar para ser atendido, coisas que não é muito diferente na vida real. Eu gostava quando tinha histórias fazendo críticas sociais e piadas em cima disso. Hoje em dia é impublicável por estar fazendo crítica social e também do Zé Vampir querendo tirar o sangue que seriam de outros pacientes do hospital.


Os traços muito bons, bem característicos do início dos anos 80 e ainda com o Zé Vampir sem traços muito definidos, tanto que seus olhos não apareceram brancos e os dentes caninos diferentes. Na postagem a coloquei completa. Teve propaganda do lápis amarelo Labra inserida na lateral direita da última página, o que era muito comum na época e eu gostava quando acontecia. Ela foi republicada depois em 'Almanaque do Cascão Nº 9' (Ed. Globo, 1990). Abaixo, a capa desse almanaque.

Capa de 'Almanaque do Cascão Nº 9' (Ed. Globo, 1990)

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Maurício: o Início - Os Primeiros Livros do Criador da Turma da Mônica


Nessa postagem faço uma resenha sobre o livro "Maurício: o Início - os Primeiros Livros do Criador da Turma da Mônica", lançado em 2015 pela Editora WMF Martins Fontes.

O livro é uma compilação de 3 livros infantis que o Mauricio lançou pela Editora FTD em 1965. Foi a primeira coleção de livros que ele lançou na carreira e por isso a importância histórica. Cada livro original tinha capa dura e era composto de 2 histórias, uma de cada personagem: no livro do "Niquinho e caixa da Bondade" tinha junto uma história do Chico Bento; o livro "O Astronauta no planeta dos homens sorvete" tinha também  "Zé da Roça... e o dragão que não existia"; e o do Piteco, tinha "Penadinho contra o Caçador de Cabeça". Todas as histórias foram roteirizadas e desenhadas pelo próprio Mauricio e arte-final de paulo Hamasaki.

Capas dos livros originais de 1965

Então, agora para comemorar os 80 anos do Mauricio, foi criado uma reedição desses livros, reunindo todos em um só, com processo de restauração para que o público possa ter acesso a esse material. "Mauricio: O Inicio" tem capa dura, papel de miolo offset, 212 páginas no total, com formato 19 x 27,5 cm, igual aos livros originais de 1965. A capa eles tiraram da contracapa que vinham nos livros originais, colocando agora um fundo azul.

Agora o preço que é muito caro, custando atualmente R$ 104,90. Na verdade, custava R$ 99,80 e teve esse reajuste depois de alguns meses. Eu só comprei agora porque consegui 50% de desconto, pesquisando na internet. Com isso, paguei R$ 52,45 pelo preço de capa mais um frete de R% 5,00. Sem desconto não dá para comprar com esses preços absurdos que insistem em colocar nesses livros.

Suporte da página traseira da capa dura

Cada livro original ocupou 32 páginas, mostrando para cada livro a capa original e logo a seguir sua história, seguindo a sequência de lançamento. Tipo, depois da história do Niquinho veio a do Chico Bento que pertencia ao livro original, e assim por diante. Infelizmente tiveram alteração de erros de cores e colocaram ortografia atual. Tiveram muitos erros primários como personagens com rosto laranja, amarelo, por exemplo. Apesar de nos "Extras" do livro, mostrar algumas imagens de erros de cores dos originais, ainda acho que deviam ter mantido todos os erros para gente ver exatamente como era que saiu.

O livro tem suporte nas capas duras mostrando tirinhas que sairam em jornais dos aos 60. Nos livros originais eram assim e preservaram isso agora.  abre com um prefácio escrito pela pesquisadora de quadrinhos Sônia Maria Bibe Luyten, falando sobre o livro e por ser a primeira coleção de livros infantis do Mauricio. Logo em seguida vem a reedição dos livros. cada um colocando a sua capa original e em seguida as histórias. Normalmente, uma ilustração gigante em cada página e um texto breve inserido, bem semelhante a livrinhos infantis comuns. Mas em alguns tiveram texto em uma página e ilustração na outra e em outros duas ilustrações em algumas páginas. Curioso também que palavras em aspas, colocavam o símbolo  "<<  >>." entre as palavras.

No geral, são histórias bem simples, de fácil leitura para crianças pequenas, seguindo o estilo do Mauricio de mostrar fantasias, imaginação e mensagens positivas em suas histórias. Muitos também serviram para apresentação de personagens, de conhecer personalidade de forma mais ampla, porque eles só eram visto brevemente em tiras de jornais na época.

Contracapa da edição

O livro do Niquinho é o mais interessante de todos, afinal ele é um personagem esquecido e que não vemos material dele por aí. Em "Niquinho e a caixa da bondade" descobrimos que ele é um menino muito pobre que mora em favela que pedia dinheiro na rua porque a mãe estava desempregada. Ou seja, um personagem politicamente incorreto e sem chance de ver em gibis infantis hoje em dia. Ele também gosta de praticar bondade com os outros, sempre pronto para ajudar. Mauricio não quis continuar com o personagem por ter achado muito sofredor.

Na história, enquanto o Niquinho pedia dinheiro na rua, ele encontra 2 bandidos que dão uma caixa velha para ele dizendo que tinha muita bondade nela. Mas, de repente tudo começa a dar certo na vida do Niquinho, desde que ele passou a ter posse dessa "caixa da bondade". Curioso que nos anos 60 já era discutido desemprego e pobreza e presença de bandidos, tudo de forma aberta em livrinho infantil. Outros tempos. O texto da história apareceu nas próprias ilustrações.

Trecho da HQ "Niquinho e a caixa da bondade"

Em "Chico Bento" mostrou o cotidiano do personagem, como era sua vida na roça e sua ida até a casa da Vó Dita para contar histórias de assombração pra ele. Uma típica de apresentação solo do Chico, para o público conhecer melhor o personagem, já que na época ele era coadjuvante nas tiras de jornais do Zé da Roça, que era o personagem principal do núcleo caipira. Texto apareceu em uma página e ilustração na outra. De curiosidade vemos que o pai do Chico se chamava "Nhô Zé Bento" e sua mãe, "Nhá Zefa". E teve um amigo negro chamado Jeremias, mas que não era o Jeremias da Turma da Mônica.

Trecho da HQ "Chico Bento"

"O Astronauta no planeta dos homens-sorvete" mostra uma história de um planeta com habitantes sorvetes e picolés que ficam ameaçados com a chegada de dois seres de fogo, que fazia derreter todos sempre que se aproximavam. Texto inserido nas próprias ilustrações, sendo que algumas páginas tinham 2 ilustrações. Vemos que o Astronauta era desenhado bem diferente e tinha cor de uniforme bem diferente do que se tornou a partir dos anos 70.

Essa história depois foi republicada, sendo redesenhada com estilo de gibis dos anos 70, que saiu em 'Mônica Nº 28', (Ed. Abril, 1972). Ou seja, uma história clássica do Astronauta.

Trecho da HQ "O Astronauta no planeta dos homens-sorvete"

"Zé da Roça... e o dragão que não existia", mostrou a história do zé da Roça e Hiro que viram um dragão na mata e eles mesmo ficam com dúvida se estavam vendo o dragão mesmo ou se era imaginação deles. Daqueles tipos de histórias que o Mauricio gostava de fazer de despertar imaginação, deixando dúvida se aconteceu mesmo ou foi tudo imaginação dos personagens, deixando o leitor fazer a sua própria interpretação.

É do tempo em que o Zé da Roça e o Hiro eram os personagens principais. vemos que o Hiro tinha camisa azul e se chamava Hiroshi, só algumas páginas que colocaram Hiro. Apareceu o pai do Zé da Roça nela, que se chamava "Nhô Nito". O texto foi inserido nas próprias ilustrações, sendo que algumas páginas tinham 2 ilustrações.

Trecho da HQ "Zé da Roça... e o dragão que não existia"

Em "Piteco", o povo da Aldeia passa fome e Piteco vai à caça de um dinossauro. No caminho, ele salva um dinossauro dócil com o pé cravado com espinho e ai o dinossauro agradecido o segue até à Aldeia, mas o povo cheio de fome quer comer o dinossauro. Os textos da história foi inserido nas próprias ilustrações, sendo que em algumas páginas tinham 2 ilustrações. De personagem fixo da Turma do Piteco, só a Thuga que apareceu. Interessante ver o Piteco e a Thuga com cores de roupas bem diferentes do que dos gibis. Mais tarde fizeram histórias parecidas nos gibis, com o Piteco adotando dinossauros que ele encontrava em suas caçadas. 

Trecho da HQ "Piteco"

"Penadinho contra o caçador de cabeça" vemos o cotidiano do personagem no cemitério, junto com seus amigos fantasmas e monstros e o perigo de um caçador de cabeça que queria a cabeça do Cranicola. Basicamente, a metade da história foi apresentação dos personagens, mostrando a origem e como foi que eles surgiram no cemitério e até algumas piadinhas em cima deles e a outra metade que mostrou a sinopse da história do caçador de cabeça. Curioso do Zé Vampir sendo apresentado como um garotinho. Texto em 1 página e ilustração na outra, com falas em balão na maioria das ilustrações.

Foi a primeira vez que personagens como Zé Vampir, Muminho, Cranicola e Frank apareceram em histórias do Mauricio. Depois nos gibis, quando tinha histórias do Penadinho, os monstros apareciam de vez em quando nos anos 70, sendo que prevaleciam histórias do Penadinho contracenando com fantasmas. Eles só passaram a ter características próprias, inclusive cada um protagonizando histórias solo com o lançamento do gibi do Cascão em 1982, quando a Turma do Penadinho passou a ter histórias frequentes nos gibis.

Trecho da HQ "penadinho contra o caçador de cabeça"

No final tem "Extras" mostrando algumas páginas dos originais escaneadas, mostrando alguns erros de cores que sairam, além de falar como foi o processo de criação do livro e uma entrevista com o Mauricio de como ele criou os livros na época e suas curiosidades e miniaturas das propagandas originais dos livros que sairam no suplemento "Folhinha de São Paulo".

Como podem ver, mesmo sendo livros infantis para crianças pequenas, tem muitas raridades dos primórdios da carreira do Mauricio, tudo produzido por ele, seguindo o seu estilo de histórias do estilo de despertar imaginação e mostrar uma mensagem positiva por cima delas. Para quem gosta de raridade e saber como foram os primeiros trabalhos do Mauricio, vale a pena comprar esse livro, mas claro pesquisando bem descontos na internet porque o preço é muito caro pra comprar em livrarias físicas.