Mostrando postagens com marcador Editora Abril. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Editora Abril. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Astronauta: HQ "Somos todos iguais"

Mostro uma história em que o Astronauta visita um planeta em que todos os habitantes eram exatamente iguais na aparência. Com 6 páginas, foi publicada em 'Cebolinha Nº 166' (Ed. Abril, 1986).

Capa de 'Cebolinha Nº 166' (Ed. Abril, 1986)

É apresentado o planeta Bolun, localizado na constelação de Capricórnio, o povo é simpático e pacato, só que tem o problema que todos são iguais, um a cara do outro. Mostra um alienígena que pensa que é o amigo Gorb, na resposta negativa, pensa que são seus outros amigos e aí descobrem que eram pai e filho. Outro caso que um pergunta quem é namorada dele e as garotas respondem que depende, perguntando quem é ele.

O alienígena Zogue se revolta, dizendo que não sabe mais se ele é ele ou se é um vizinho dele. Surge o Astronauta na nave dele e Zogue se espanta que é diferente dele, tem altura diferente e nariz redondo. Ele mostra o Astronauta que no planeta são todos iguais, aparece outro ET e Astronauta pergunta com quem estava falando. Astronauta pergunta como vai saber quando está falando com ele e o Zogue responde que não vai, nem a mãe dele era capaz de diferenciá-lo.

Em seguida, Zogue vê sua namorada com outro, pergunta se ela é a Mira porque ele é noivo dela e o outro vai embora com o deslize. Astronauta mostra uma revista da Terra com cada pessoa se vestindo e com penteados diferentes e dá roupas, estojo de maquiagens, perucas e bigodes para Zogue e Mira, que vestem e ficam bem diferentes chamando atenção do povo na rua. 

Outros alienígenas querem que o Astronauta os ajude a ficarem diferentes. E assim, Astronauta consegue deixar todos diferentes e depois vai embora com a missão cumprida. Povo de Bolum passa a saber quem é quem e estariam felizes se não fosse a chegada de uma dupla de cantores de Rock Zango e Rita Zee, lançaram moda que contagiou todo o planeta e todos se passaram a se vestir iguais aos cantores e de novo o povo não sabia mais quem era quem.

História legal em que todos os extraterrestres do planeta eram iguais e isso causava muita confusão para eles em reconhecer quem era quem. Graças ao Astronauta, que deu roupas, maquiagens e perucas e conseguiram cada um ficar diferente. Só não contavam da dupla de cantores de Rock virar moda e todos quererem se vestirem iguais e voltarem a ter problema de ninguém se reconhecer.

Astronauta resolveu o problema e eles criaram de novo, foram muito influenciáveis pelos cantores, não eram para se vestirem iguais, sem terem identidade própria. Antes dava para aceitar porque não tinham conhecimento de roupas e cabelos, depois problema causados por eles mesmo, Agora eles têm que lembrar que precisam usarem roupas e cabelos diferentes se quiserem voltara serem reconhecidos, ou esperar a moda dos cantores passar e resolverem usar as outras roupas que estavam usando.

Mesmo que eles tinham rostos iguais, não precisavam usar roupas iguais, se tivessem se ligado nisso já ajudaria bastante no reconhecimento deles. Ficam dúvidas na imaginação dos leitores se eles tinham também vozes iguais porque poderiam reconhecer um ao outro pela voz, principalmente os que eram parentes, e também o absurdo do Astronauta ter roupas na nave o suficiente para todos os alienígenas do planeta. Absurdos sempre bons.

Engraçado mesmo e que deu toque na histórias foram as situações constrangedoras que os Bolunianos passavam por serem iguais como pais e filho não se reconhecerem, namorados traindo com outros sem querer, o próprio não saber se é ele ou se é vizinho, nem a mãe reconhecia e eles voltarem a ter o problema no final. A paródia engraçada da Rita Lee como "Rita Zee" foi ótima também.

Os extraterrestres que o Astronauta visitava normalmente apareciam em uma só história,  com raras exceções,  então esses Bolunianos apareceram só nessa. 

Além de divertir, ainda teve mensagem da gente ter estilo próprio,  não imitar e se influenciar com que artistas fazem. O tema da história até acho que poderia aceitar hoje, mas podiam implicar com elementos  como personagens namorando, ET tirando namorada do outro e excesso de absurdos.

Traços ficaram bons, do estilo consagrado dos personagens dos anos 1980. Foi história do Astronauta com título, o que era bem raro, aparecia só "O Astronauta". Foi republicada depois em 'Almanaque do Cebolinha Nº 23' (Ed. Globo, 1993).

Capa de 'Almanaque do Cebolinha Nº 23' (Ed. Globo, 1993)

domingo, 26 de julho de 2026

HQ "Zé Luís e a arma paralisadora"

Mostro uma história em que o Zé Luís inventa um revólver paralisador na intenção de derrotar a Mônica. Com 5 páginas, foi publicada em 'Chico Bento Nº 18' (Ed. Abril, 1983).

Capa de 'Chico Bento Nº 18' (Ed. Abril, 1983)

Titi passa em frente à casa do Zé Luís quando ele disse que conseguiu algo. Titi quer saber se aumentaram a mesada dele ou achou nota de um barão. Zé Luís mostra uma arma, Titi pensa que vai assaltá-lo e Zé Luís fala que é o novo invento dele, o revólver paralisador, com um disparo faz qualquer pessoa que esteja se mexendo, parar por 10 minutos.

Titi pergunta se já testou, Zé Luís diz que vai testar agora, Titi fica com medo pensando que ia testar com ele e Zé Luís vai ao quintal testar com um homem que estava passando em frente à casa. O homem fica paralisado e os meninos comemoram que funciona, só que não veem que o homem paralisou ao ver o cara quem estava devendo e prestes a bater nele.

Depois, Zé Luís e Titi aparecem para Mônica, que não gosta quando veem com balão de florzinha. Zé Luís diz que ela vai ser derrotada e mostra a arma. Mônica acha que eles vão brincar de caubói. Zé Luís avisa que é arma paralisadora e basta um disparo para ela ficar durinha. Mônica diz que dura já está mostrando bolso vazio. Como ela não se rendeu, Zé Luís dispara e, por ela continuar parada, pensa que funcionou. Mônica bate no Zé Luís, que não entende porque da outra vez funcionou. Joga a arma no chão de raiva e aí ela dispara e o paralisa junto com o Titi e Zé Luís avisa para esperar mais uns minutos.

História legal em que o Zé Luís é inventor e cria um revólver paralisador para derrotar a Mônica, que não acredita que funciona e de fato ela não ficou paralisada após o disparo. Acabou tendo efeito tardio só após ele jogar a arma no chão e quem fica paralisados são o Zé Luís e o Titi.

Para criar plano infalível contra a Mônica e derrotá-la vale tudo, até Zé Luís ser cientista e, assim, ele inventou um revólver paralisador só que não testou. Titi teve razão de ter medo em testar nele já que ela não havia sido testada ainda e podia acontecer tudo. Mesmo se testasse nele, não ia funcionar já que no teste no homem não deu certo. Bem que podiam ter ficado mais um pouco em frente a ele para ver se manteria a paralisação e descobririam que o invento não funcionava antes de irem até onde Mônica estava. O homem caloteiro bem medroso, a gente nunca ia imaginar que iria ficar paralisado por isso.

Mônica dessa vez não foi boba e não caiu na conversa do Zé Luís, já estava convencida que era um plano e queria ver até onde iria. Interessante que só o Zé Luís quem apanhou, devia o Titi apanhar também porque, apesar de que foi o Zé Luís quem inventou o revólver, Titi também queria vê-la derrotada. Zé Luís se deu mal 2 vezes, ter apanhado e ter ficado paralisado, se soubesse que com uma queda o seu invento fosse fazer funcionar, teria jogado no chão antes de se encontrar com a Mônica.

Foi engraçado Titi perguntar se Zé Luís conseguiu aumentar mesada ou um barão, pensar que Zé Luís ia assaltá-lo e com medo de disparar revólver nele, o homem paralisado com medo de apanhar do cara que estava devendo, metalinguagem da Mônica dizer que não gosta de balão cheio de florzinhas dos meninos, ela achar que o revólver era para brincar de caubói, confundir dura de paralisada com dura sem dinheiro e o revólver funcionar depois que o Zé Luís joga no chão de raiva.


Vimos que na época não era só Franjinha inventor oficial do Limoeiro, além de cientistas e vilões, outros personagens da turminha também podiam ter essa função de cientista. O Zé Luís teve papel que seria do Franjinha e também papel que seria do Cebolinha de criar plano infalível contra a Mônica. Na época, colocavam o Zé Luís criando planos, até sendo uma volta do que ele fazia no início dos anos 1970, e em algumas outras vezes Cascão criava planos, tudo para variar esse estilo de histórias.

Zé Luís foi criado no início dos anos 1960 nas tiras de jornais, inicialmente criado para interagir com o Cebolinha, depois se tornou irmão da Mônica após ela ter sido criada em 1963 e essa ideia foi abandonada depois, com ela sendo filha única. Nos gibis, passou primeiro a criar planos contra a Mônica e ser cientista, depois teve histórias tendo problemas de adolescência como ter espinhas, participando de planos criados pelo Cebolinha, interagindo com meninos mais velhos como Titi, Franjinha e Jeremias e se tornou um intelectual. Teve presença mais esporádica a partir dos anos 2000 e hoje em dia quase não aparece e quando aparece, apenas como intelectual ensinando alguma coisa para turminha.

Traços ficaram bons, típicos da primeira metade dos anos 1980, antes da fase consagrada, com personagens com curva na bochecha começando da cabeça. Zé Luís com uma estatura menor, parecendo ter uns 13 anos de idade, atualmente tem estatura maior como adolescente de 16 anos. Idade real dele nunca foi revelada, mas é cerca de 16 anos desde que ficou mais alto, hoje daria para fazer parte de uma turma da Xabéu, Sol, Teveluisão, etc, se quisessem ter um núcleo de adolescentes. Incorreta atualmente por ter arma, o invento ser em forma de arma, não pode mais nem revólver de brinquedo, ser citado brincar de caubói, além da palavra proibida "Droga!"

Nos primeiros números do Chico da Editora Abril costumavam ter histórias de secundários da Turma do Limoeiro como Humberto, Anjinho, Titi, Jeremias, Zé Luís, etc, podendo ou não ter participação de Mônica, Cebolinha, Cascão e Magali. Acontecia porque não tinham histórias do Chico suficientes já produzidas para fechar os gibis e, provavelmente, também para demonstrar que o Chico era um personagem do Mauricio, pois era o gibi mais diferente de outro núcleo e ele ser menos conhecido na época. À medida que tiveram mais histórias do Chico produzidas e ele se tornar mais conhecido, passaram a colocar só Papa-Capim como personagem secundário em gibis do Chico. Essa história foi republicada depois em 'Almanacão de Férias Nº 7' (Ed. Globo, 1990). 

Capa de 'Almanacão de Férias Nº 7' (Ed. Globo, 1990)

quinta-feira, 23 de julho de 2026

Cebolinha: HQ "Cabeça de balão"

Compartilho uma história em que o Cebolinha fica com cabeça de balão depois de entrar em uma máquina de encher balões. Com 9 páginas, foi história de abertura publicada em 'Cebolinha Nº 111' (Ed. Abril, 1982).

Capa de 'Cebolinha Nº 111' (Ed. Abril, 1982)

Um cientista cria uma máquina de encher e balões, o avaliador acha fantástica e eles vão à sala para assinar contrato para revolucionar o mercado de balões. Enquanto isso, Cebolinha entra na sala onde está a máquina para fugir da Mônica, sobe sem querer na máquina, passa na entrada de encher balões e a máquina fica destruída. O cientista expulsa Cebolinha e Mônica, lamentando que agora terá que consertar o seu invento.

Na rua, Cebolinha comenta que o homem ficou nervoso, Mônica diz que Cebolinha deu ideia nela, que como ela está de bom humor só vai dar um tapão nele. Cebolinha grita para não bater com a cabeça no alto, estranha que a Mônica está embaixo e ele em cima, Mônica desmaia e ele descobre que está com cabeça de balão.

Quando Mônica volta a si, vê Cebolinha normal com um laço fingindo ser uma gravata, ela fala que levou um susto, pensou que viu a cara do Cebolinha flutuando como balão e os dois riem. Mônica dá um tapinha nas costas dele, o nó desata, a cabeça volta a flutuar, Mônica grita que o amigo virou um monstro-balão e Cebolinha sai correndo, se escondendo atrás dos balões que o vendedor estava vendendo.

Um menino pede balões para o pai, escolhe o "com cara de bobo e espetos na parte de cima", o vendedor diz que não tem balão assim. O menino acusa que o balão está mostrando língua para ele, o pai pensa que era o vendedor mostrando língua para o filho e diz que se não quer vender, é só falar. Vão embora, o menino mostra língua para o Cebolinha, que o chuta. O menino acusa que ele chutou, o pai parte para briga com o vendedor e Cebolinha sai, gostando da confusão e diz que até que é divertido ficar assim.

Depois, Cebolinha para em frente à janela alta de uma mulher nua trocando de roupa, dá um tapa nele, dizendo que uma cara-assanhada e a cabeça cai em um carrinho de bebê. A mãe volta, dá a mamadeira para o Cebolinha, que  diz que falta um pouco de açúcar. A mãe taca  a mamadeira no Cebolinha enquanto foge e o bebê chora. 

Em seguida, um passarinho passa ao lado do Cebolinha, fura com o bico e ele pede para Cascão o socorrer porque está esvaziando. Cascão diz que o Cebolinha está ficando murcho e ele manda assoprar no furo para não deixá-lo esvaziar. Dois meninos passam na hora e dão risadas pensando que Cascão estava beijando Cebolinha. Cascão corre atrás dos meninos reclamando que não estão fazendo nada de mais. Cebolinha esvazia e Cascão volta assoprá-lo. 

Aparece Mônica junto com o cientista com a máquina de encher balões consertada, empurram o Cebolinha em direção contrária de encher e a máquina explode. Após poeira abaixa, Cebolinha volta ao normal e o cientista leva a máquina de volta ao conserto. Mônica sugere Cebolinha pagar sorvete para eles para comemorarem. Cebolinha espirra com o pó que estava saindo e passa a voar como se fosse balão esvaziando e Cascão reclama que incrível o que Cebolinha inventa para não pagar sorvete para eles.

História legal em que Cebolinha entra na máquina de encher balão de um cientista e passa a ter cabeça de balão. Passa sufoco com menino que queria comprar balão, ao ver mulher nua trocando de roupa, parar em um carrinho de bebê e o pior ser furado por um passarinho e esvaziar a cabeça. Consegue resolver com Mônica levando o cientista para o Cebolinha passar na máquina e consegue voltar ao normal, porém só aparentemente, passando a voar com um espirro como um balão.

Se o cientista soubesse, não deixaria a máquina em frente à janela ou simplesmente trancar a janela e não teria a sua máquina revolucionária de balões ser destruída duas vezes. Máquina não foi feita para pessoas passarem, apenas balões vazios. Com o absurdo, Cebolinha conseguiu passar, só que ela foi destruída. Cebolinha viu vantagens e desvantagens de ter cabeça de balão, sendo que as desvantagens prevaleceram.

O sufoco foi grande, Cebolinha poderia ter dado o nó no fio como fez diante da Mônica e depois procurar ajuda, problema que foi uma situação atrás da outra que nem dava tempo de dar o nó de novo. Cebolinha foi vingativo com o menino que queria comprar balão, sobrando para o pai e o vendedor que tinham nada a ver com isso e ainda gostou da confusão que causou, porém, em compensação se deu mal sem parar, como um castigo.

Menino poderia ter falado que foi o balão que mostrou língua e o chutou. Interessante que ninguém ligou com ele como cara de balão, batiam nele achando que era coisa normal uma cabeça de balão andando por aí. Situação pior foi com o passarinho e ficar com cabeça murcha, felizmente Cascão ajudou sem nem saber como ele ficou com cara daquele jeito, só interrompido com os meninos que achavam que estava beijando o Cebolinha. Após passar na máquina de novo, Cebolinha virou um corpo de balão por inteiro, com final aberto, fica na imaginação como ele voltou ao normal de vez sem a máquina do cientista.

Foi engraçado Mônica dizer que como ela está de bom humor só vai dar um tapão nele se assustando com Cebolinha com cara de balão, chamando de monstro-balão, ele ser chamado de balão com cara de bobo e espeto na parte de cima, confusão gerada com o pai e vendedor, Cebolinha taxado como tarado, dizer que a mamadeira falta açúcar, ser furado pelo passarinho e esvaziar cabeça e Cascão assoprar tampando o furo e meninos zombando que eles estavam beijando e Cascão achar que Cebolinha voou para não pagar sorvete.

Tinham muitas histórias de invenções e nem sempre criadas pelo Franjinha, sempre eram  boas. No Limoeiro na época tinha muitas mães deixavam carrinho de bebê sozinho enquanto buscavam alguma coisa, bem irresponsáveis por sinal. Esse cientista apareceu só nessa história como de costume de personagens criados para aparição única. 

Tipo de história que podia acontecer de tudo, a gente viajava da fora da realidade. Incorreta por esses absurdos exagerados de Cebolinha  ter cabeça de balão ao entrar na máquina, vendedor negro  e a mãe do bebê negra com círculo em volta da boca, Cebolinha sendo taxado como tarado com mulher nua trocando de roupa, cair e ficar em cima de um bebê no carrinho, meninos rindo do Cascão e Cebolinha juntos debochando por homofobia, Mônica de calcinha à mostra como no penúltimo quadro da terceira página da história, Cebolinha pensando trocando "R" pelo "L" e palavras proibidas "louco" e "gozado".

Traços ficaram bons, típicos da primeira metade dos anos 1980, ntes da fase consagrada, com personagens com curva na bochecha começando da cabeça. Capa com alusão à história de abertura como de costume nos gibis do Cebolinha da Editora Abril. Foi republicada depois em 'Almanaque do cebolinha Nº 13' (Ed. Globo, 1991).

Capa de 'Almanaque do Cebolinha Nº 13' (Ed. Globo, 1991)

quarta-feira, 8 de julho de 2026

Mônica: HQ "Andar sem sapato é perigoso"

Compartilho uma história em que a Mônica se dá conta que andar descalça é perigoso para machucar os pés. Com 4 páginas, foi história de miolo de 'Mônica Nº 158' (Ed. Abril, 1983).

Capa de 'Mônica Nº 158' (Ed. Abril, 1983)

Um homem olha par aos pés da Mônica e pergunta se ela está esquecendo nada. Mônica olha por baixo do vestido pensando que era a calcinha e vendo que estava, diz que acha que não. O homem fala que está esquecendo os sapatos e ela responde que não esqueceu, que está sem eles porque não usa sapatos. o homem diz que é perigoso porque ela pode se machucar com prego ou um caco de vidro, mesmo que nunca aconteceu, não é bom facilitar e vai embora.

Mônica se pergunta será que pode acontecer mesmo, quando quase pisa em um prego e depois cascão fala para ela ter cuidado, se ele não avisasse, quase pisaria nos cacos de vidro no chão. Em seguida, vê Magali com pé enfaixado por ter pisado no espinho e Mônica diz que é isso que dá andar descalça e logo se toca que não pode falar da Magali se ela também não usa sapatos. Assim, Mônica compra sapatos na loja e depois de um tempo usando diz par ao Jeremias que ela está com calo nos pés.

História legal, a Mônica não tinha noção que andar sem sapato podia se machucar pisando sem querer onde não deve e resolve usar sapato, porém passa a sofrer com calos nos pés por causa disso. Viu que é perigoso não usar sapato, mas também não é bom usá-los. Antes não tivesse seguido conselho do homem que aí não teria calos até porque ela nunca se machucou andando descalça e se pisasse em alguma coisa errada, seria puro acidente. Outra alternativa seria comprar sapato mais largo, sem ser tão apertado.

Foi engraçado a Mônica achar que estava sem calcinha após o homem avisar que ela estava esquecendo nada e ela levantar o vestido com vergonha para confirmar, acabou o homem se passando por pedófilo por ficar reparando se criança estava de calcinha ou não, e também a Mônica querer dar lição para Magali que pisou em espinho porque anda descalça, sendo que ela também anda descalça, tinha direito nenhum de dar lição de moral em alguém, o mesmo do Cascão avisá-la dos cacos de vidro e ele também não usa sapato, tem que ter cuidado também como a Mônica, e no final ela ficar com calos por ter usado sapato. Também era muito boa a autonomia das crianças, Mônica entrar na loja e comprar sapatos sozinha tranquilamente sem presença da mãe, do pai ou de algum adulto.

Muitas vezes tinham histórias de personagens se questionando por que não usam sapatos e não têm dedos nos pés, ou então sofrendo por causa disso, eram boas histórias assim. Como recebiam cartas com crianças perguntando sobre esses detalhes dos pés dos personagens, aí faziam histórias explicando perguntas nas cartas, afinal, tudo servia de inspiração para os roteiristas. A partir dos anos 2000, roteirista Emerson Abreu mudou esse conceito e MSP passou a adotar que os personagens usam meias de cor de pele e, com isso, ajudou o politicamente correto mostrando que eles não andam descalços e tem dedos nos pés, as meias que escondem, e não passaram a colocar personagens usando sapatos por causa das meias.

História ensinou de forma divertida que não devemos andar descalços, precisando até Magali sofrer pra mostrar a real, e que também não devemos usar sapatos apertados para não dar calo, a gente aprendia muito nessas histórias antigas com os erros dos personagens, porém é incorreta hoje em dia por mostrar no final que usar sapato é ruim, Magali com pé enfaixado por ter pisado em espinho, Mônica levantando vestido e mostrando calcinha, homem reparar em calcinha de criança na visão da Mônica, criança com autonomia para ir em loja sozinha comprar sapato sem presença de adulto junto, Mônica conversar com estranho na rua, não ter final feliz para Mônica, sofrer com calo, e Jeremias com círculo em volta da boca representando lábios no penúltimo quadro e lábios bem exagerados no último quadro.

Traços bons, bem simples, típicos de histórias de miolo dos anos 1980. Tiveram erros da pele da testa do homem perto do topete nos dois últimos quadros da primeira página com as cores branca e azul, respectivamente, ausência de traços na curvatura de cada pé da Mônica separando pés das pernas no 3º quadro da 2ª página e Jeremias com círculo da boca em um quadro e lábios no outro e pintados de brancos em vez de rosas. Nunca foi republicada até hoje, poderia ter sido a partir de 1988, mas acabaram esquecendo e aí fica sendo rara hoje em dia, só quem tem o gibi original que conhece.

sábado, 4 de julho de 2026

Pelezinho: HQ "Vai lá, timão! Essa Copa é nossa! Brasil! Brasil!"

Estamos em época de Copa do Mundo e, então, mostro uma história de 40 anos atrás, em que o Pelezinho e seus amigos lidam com o mistério do estádio de futebol que sumiu em uma final de Copa do Mundo.  Com 13 páginas, foi história de abertura de 'Pelezinho Copa 86 Nº 2' (Ed. Abril, 1986).

Capa de 'Pelezinho Copa 86 Nº 2' (Ed. Abril, 1986)

Seu Dondinho chega em casa e vê Pelezinho, Frangão e Cana Braba assistindo ao jogo do Brasil da final da Copa do Mundo e torcendo com a televisão desligada. Ele diz que tem ligar porque seria mais emocionante e os meninos falam que não é para fazer isso, é a final da Copa, se o Brasil perder, iam sofrer muito. Seu Dondinho acha bobagem, a emoção faz parte do futebol, liga a TV, sai e volta vestido com a camisa da Seleção, faixa na cabeça, bandeira, tambor e bebida para torcer como torcedor fanático.

O jogo está prestes para começar, quando o estádio está sendo todo coberto, não por uma nuvem, mas por uma bola imensa de futebol que flutua sobre o estádio e o repórter acha que certamente era algum balão publicitário. Sai um raio de dentro, o estádio é encolhido e abduzido até a bola e é segurado pelo Tonico Fura-Bola.

A bola voadora vai embora e Pelezinho, o pai e os amigos ficam surpresos que o estádio de futebol sumiu, nem acreditam com o que viram diante de seus olhos e Seu Dondinho fica em estado de choque, assim como todas as pessoas na rua que viam o jogo. 

O narrador-observador dá o suspense com o que vai acontecer, anunciando que o final da emocionante será no próximo número da revista. Pelezinho acha um cúmulo, segura o texto, amassa como uma bola e chuta, dizendo que quem gosta de futebol não vai ficar com coração na boca, na história dele não tem próximo capítulo e sai com os amigos para desvendar o mistério.

Pelezinho pergunta para o Frangão se não deu uma boa olhada para o vilão. Frangão responde que o conhecia, mas não sabia de onde. Vão à casa do Tonico Fura-Bola e encontram a bola gigante entrando na casa e descobrem que foi ele quem roubou o estádio de futebol. Tonico flagra os meninos olhando pela janela e os aprisiona em armadilha de bolas que tinha no quintal.

Tonico explica que o time brasileiro nunca juntou tantos craques, com esse timaço é impossível a gente perder, e se ganhar, a vida dele vai virar um inferno, todos os moleques vão querer jogar bola inspirados na Seleção, seu quintal vai ficar atulhado de bolas que vão ficar ali, não vai conseguir furar tantas bolas, não vai ter tesouras e facas suficientes para estourar. Claro que podem perder, mas prefere não arriscar.

Então, Tonico fura todas as bolas do jogo para garantir que não haverá partida. Pelezinho diz que duvida que ele fure aquela bola ali. Tonico fura e ela a bola que ele estava preso. Tonico tenta fugir no balão gigante com o estádio, Pelezinho chuta a bola onde estava o Cana Braba, atingindo o Tonico em em seguida chuta a bola com o Frangão e consegue agarrar o estádio que estava com o Tonico.

Depois, voltam ao México com o balão gigante e Pelezinho exige que Tonico devolva o estádio para o lugar dele senão vai chutá-lo. Tonico devolve e faz voltar ao tamanho normal, mas não podem jogar porque as bolas foram todas furadas. Tonico fica feliz que a sua vingança não fracassou, não vai ter final da Copa. 

Pelezinho fica irritado, chuta o Tonico, fazendo cair sobre o painel de controle, o raio diminuidor fica fora de controle,  os meninos conseguem sair a tempo, o balão de bola gigante diminui, e Tonico também encolhe e aí o balão se torna a bola oficial do jogo com Tonico dentro e Pelezinho diz que sente um pouco de inveja do Tonico, apesar de ter sido o vilão da história, ele está no melhor lugar para assistir ao jogo .

História legal em que o Tonico Fura-Bola encolhe o estádio de futebol que estava acontecendo jogo de final de Copa do Mundo com a Seleção Brasileira e leva para sua casa e ainda fura todas as bolas para garantir que não tivesse jogo. Pelezinho e seus amigos vão à casa do Tonico e conseguem fazer o estádio voltar para o México e no seu tamanho normal e Tonico ainda vira a bola do jogo para ter a partida de futebol.

Um estádio de futebol sumir diante dos olhos do mundo inteiro é bastante surpreendente, não é à toa que que todos que estavam assistindo ao jogo ficaram em estado de choque. Bom que Pelezinho e seus amigos não se surpreenderam tanto e puderam resolver o caso. Tonico Fura-Bola fez isso com medo do Brasil ganhar a Copa e mais meninos quererem jogar futebol e jogarem bolas no seu quintal e quebrar vidraça da janela. Caso ganhasse, Tonico até não poderia de furar as bolas rápido, iria ficar um tempão furando, só não poderia dizer que não tinha tesoura e facas suficientes, já que esses instrumentos não se estragam com facilidade.

Um balão gigante em forma de bola fez com que Tonico fosse para o México e encolher o estádio, já devia ter planejado muito tempo antes da Copa. Dava até para imaginar que era um extraterrestre antes da revelação do vilão. Os meninos foram muito espertos e ágeis para vencer o Tonico, depois de ficarem aprisionados nas armadilhas das bolas. Pelezinho conseguiu enganar direitinho o Tonico e comseu  chute forte, é quem teria força para chutar uma bola grande com Cana Braba dentro e derrubar o Tonico. Frangão como goleiro, só podia ser ele para agarrar o estádio em miniatura. 

Pelezinho e os meninos, que inicialmente estavam assistindo em casa, tiveram ainda privilégio de assistirem à final da Copa no México e sem pagar como forma de recompensa de salvar a Copa. Sem dúvida foi um grande castigo para o Tonico, por detestar futebol e único a torcer contra o Brasil, teve que ser a bola de futebol da partida. Só não mostraram quem era o adversário do Brasil na história e fica na imaginação dos leitores quem ganhou o jogo e a Copa. 

Engraçado torcerem com TV desligada e dizerem que vão dar dar pancada no juiz ladrão, Seu Dondinho voltar todo uniformizado e animado pra ver o jogo e depois ficar em estado de choque, o narrador dizendo que história continua no próximo número e Pelezinho puxar o papel com o texto, amassar como uma bola e chutar, Tonico imaginar as bolas entulhadas no quintal, ser enganado e furar sem querer a bola que prendia o Pelezinho e ser chutado por ele fazendo o painel ficar descontrolado.

Seu Dondinho era o pai do Pelé na vida real, os amigos foram inspirados nos amigos do Pelé na infância. Essa história marcou volta do Tonico Fura-Bola, que era bem frequente nos anos 1970, mas estava sumido nos últimos gibis dos anos 1980. Vilões do Pelezinho eram o Tonico e o Jão Balão. Hoje em dia podiam implicar por conta dos absurdos exagerados, Pelezinho com lábios representados com círculo rosa em volta da boca e Cana Braba com beiço grande por acharem que é chacota com negros, além de palavras "roubar" e "inferno".

A Copa do México de 1986 completa 40 anos agora em 2026 e por coincidência, a copa deste ano se realiza no México, sendo que dessa vez junto com Estados Unidos e Canadá. Na vida real, Brasil não ganhou a Copa de 1986, foi eliminado pela França nas quartas-de-finais e a campeã foi a Argentina, a história foi só uma ficção, roteirizada antes do início da Copa, na esperança que o Brasil chegasse à final. E os jogadores mostrados na história foram fictícios também, não os oficiais que jogaram naquela Copa.

Traços ficaram excelentes dos anos 1980 da fase consagrada, ainda não tinham visto histórias do Pelezinho com traços assim, os mais próximos e parecidos foram  os do estilo do início dos anos 1980, antes da fase consagrada da MSP. As falas das personagens formaram título da história, o que era bem comum na MSP na época. Nunca foi republicada por ser uma história de 1986 e que permitiria republicação só a partir de 1991, quando não tinha mais Almanaques do Pelezinho em circulação e logo depois esse núcleo foi para o limbo de vez. Aí, se torna rara hoje e só quem a revista original que a conhece.

Pelezinho voltou a ter história inédita depois de 4 anos, após o cancelamento do gibi dele em 1982. Pelo visto a intenção era que em 1986 ele voltasse a ter título periódico mensal, misturando inéditas e republicações, só que essa segunda série durou só 3 edições. As duas primeiras com alusão à Copa 86 com uma história de abertura inédita sobre Copa e as demais republicações de histórias normais do Pelezinho de 1979, juntando curiosidades da Copa, passatempos e jogos. Já a edição "Nº 3" foi só republicações. Com a mudança da MSP para Globo em 1987, desistiram de continuar com o título mensal do Pelezinho, deixando só edições especiais esporádicas até 1992 e depois retornou com título na Panini só com republicações entre 2012 a 2014.

Falando sobre essa edição "Nº 2", uma capa caprichada com Pelezinho ao lado e usando o mesmo sombrebo da mascote Pique daquela Copa. Além dessa história de abertura inédita, tiveram outras 4 republicações de histórias de 1979 entre as edições "Nº 20" a "Nº 27" e tirinha da edição "Nº 29", de 1979. Teve 3 páginas contando como foi a classificação sofrida do Brasil para a Copa contra o Paraguai, 2 páginas sobre os avanços da cidade Guadalajara do México após a última Copa do Mundo de 1970 e 2 páginas com curiosidades da Copa 1986, como algumas Seleções estavam se preparando, previsão do Pelé das seleções favoritas ao título e Zico explica como bater pênaltis sem dar chance ao goleiro, entre outras. E mais um jogo de tabuleiro da Copa e brinde de uma bandeira, hoje bem rara de se encontrar. Sem dúvida, foi uma edição bem especial.