domingo, 29 de maio de 2022

Astronauta: HQ "The End"

 

Em maio de 1992, há exatos 30 anos, foi lançada a história "The End" em que o Astronauta acha que estava no local do fim do universo. Com 8 páginas, foi publicada em 'Cebolinha Nº 65' (Ed. Globo, 1992).

Capa de 'Cebolinha Nº 65' (Ed. Globo, 1992)

Astronauta está viajando pelo universo, comenta que percorre o espaço sem parar, já visitou milhares de planetas fora os tantos catalogados e ainda bem que o universo é infinito senão já teria chegado ao fim. Só que de repente, ele se depara com o "fim" bem grande.

Astronauta acha que é brincadeira e vai conferir quem escreveu "Fim" no universo. O extraterrestre diz que foi ele. Astronauta fala que todos sabem que o universo não tem fim. O ET pergunta quem e Astronauta responde que os astrônomos, cientistas, filósofos. O ET pergunta se eles foram lá ver, que ali é o limite final do universo e depois só tem o nada, o terrível vazio engolidor.

Astronauta tenta provar que não tem fim, pula até o local e volta. Ao atingir um raio com sua pistola, o raio também volta. O ET confirma que universo acaba ali e manda Astronauta procurar a outra ponta dele, o começo. Astronauta volta à nave, inconformado que isso é terrível, que seu trabalho é limitado e existe um número exato de planetas e estrelas.

De tão frustrado, resolve subir com a nave até o teto do universo, quando se depara com remendos de durex pelo espaço. Ele vai conferir subindo mais e vê o espaço com tipo um pano gigante pendurado. Astronauta joga raios nas pontas do pano, que cai e encontra no outro lado os malfeitores mais procurados pelo espaço. Colocaram uma borracha super-resistente para encobrir o esconderijo e fingindo que era o fim do universo, estariam seguros para sempre.

Astronauta leva todos para a penitenciária espacial, volta para nave e diz que por um momento acreditou que ali era o fim do universo e fica aliviado, nada melhor saber que o universo é infinito, ir para cima e para baixo e para os lados sem nunca encontrar limites nem tédio e não tem um fim que jamais possa detê-lo, até encontrar com o "Fim" da história e se vê vencido por ele.

História legal cheia de absurdos com Astronauta tendo que lidar com o local do fim do universo e ficar inconformado acontecer, mas acaba descobrindo que foi só uma forma de bandidos extraterrestres de não descobrirem o esconderijo deles. Apesar de aliviado do universo ser infinito, não pôde conter o fim da história.

Mostra a curiosidade das pessoas se realmente o universo é infinito ou não, se não tem um ponto que acaba. Era um tema até frequente nas histórias do Astronauta, volta e meia estava envolvido nisso de alguma forma diferente, eu gostava para estimular imaginação dos leitores. E ainda teve uma metalinguagem legal no final, tendo destaque ao final da história, com Astronauta sabendo que ele estava em uma história em quadrinhos e teria um fim e isso ele não poderia impedir.

Astronauta podia ter tocado no local do "Fim" que veria que era uma borracha e teria algo errado ali, fora que escrever "Fim" no Céu já seria absurdo. Vimos que os bandidos foram bem criativos para cobrir o universo e ter  o local do fim, só não contavam com a insistência do Astronauta de saber a verdade. Dessa vez não foi mostrado que bandidos foram presos em um planeta-prisão, tinha uma penitenciária para mantê-los lá, nunca teve uma cronologia nas histórias. Legal o Astronauta chamar o alienígena de bicho feio, o "Fim" escrito no universo, Astronauta pular e voltar e a reação ao descobrir toda a verdade.

Teve um título na história, o que era bem raro com Astronauta, foi bem discreto na direita, atrapalhando um pouco o nome dele pra dar uma ideia de fim. Incorreta atualmente por ter bandidos e Astronauta mexer com arma. Traços foram bons, teve o Astronauta com espaço maior na língua em alguns quadrinhos, estavam começando a testar novos estilos de desenhos na época, ficou tipo um ensaio de novos traços que começaria a ser adotados a partir de 1993.

Curiosidade que em maio de 1992 começou a promoção da Editora Globo, durando até agosto, que vinha selo vermelho nas capas das revistas da Globo de todos os segmentos, não só gibis, para recortar e colar na cartela e enviar pra editora para ganhar assinaturas de revistas e outros prêmios. Com isso, esses selos davam redução nos preços das revistas para estimular vendas. Não gostava dessas promoções que tinham que recortar revista, algumas dessa promoção até vinham adesivos do selo, mas nem todos  tinham. Muito bom relembrar essa história há exatos 30 anos.

20 comentários:

  1. Um sete um (171) interplanetário, mostra que tal prática não é monopólio dos terráqueos e muito menos de nós, os brasileiros, que até ontem nos orgulhávamos da malandragem que nos é inerente, atualmente, deixamos de considerá-la como mérito coletivo, até a cidade do Rio de Janeiro, que meio que se autoproclamava o berço da malandragem, mais ou menos uns cinco, seis anos para cá, deixou de ser o centro das atenções no que tange o Brasil, o que com todo o mais devido respeito, acho muito positivo, pois é o mesmo que pegar toda a nação estadunidense e resumi-la à cidade de Nova Iorque (New York), outro claro equívoco midiático, e, com este comentário, não estou de modo algum ousando depreciar ambas as cidades que, merecidamente, ostentam status de cartões-postais.
    O "C'est fini!" proferido pelo bandido alienígena recepcionista, mostra que, para os parâmetros humanos, ele até que tem lá uma certa classe, talvez tenha conseguido cela individual com algumas outras regalias.

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    1. Bandidagem tem no universo todo como mostrou Astronauta. O alienígena vimos que era poliglota sabendo português, inglês, francês, fora a língua dele. Tinha o absurdo do Astronauta conversar com alienígenas tranquilamente com a Língua Portuguesa, era legal isso.

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    2. Característica incomum contida nesta aventura são os personagens atuando diretamente com os corpos em pleno vácuo sideral, isto é, fora de espaçonaves e instalações flutuantes, apresentando pernas e pés firmes como se estivessem sustentados por algum piso, chão, algo assim, maioria dos quadros em ambiente aberto e com eles aparecendo inteiramente não estão com posturas que representam estarem flutuando, embora logicamente estejam, inclusive, o protagonista, atordoado pelo arremesso sofrido ao esticar consideravelmente o gigantesco tecido elástico, chega a sentar sobre o nada, apoiando até a mão direita sobre ele*.
      *Ele quem? Vejo "nada" - até ele, o nada, é capaz de produzir piada.

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    3. São os absurdos típicos de histórias em quadrinhos. Vai que os ETs sejam muito evoluídos e tenham esses poderes rs.

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    4. Cheguei pensar isto também, e quanto ao Astronauta, seria tecnologia do traje made in Brazil que propicia postura flutuante estável, e é de causar inveja tanto em russos quanto em estadunidenses.

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    5. Verdade, o traje do Astronauta tinha muita tecnologia avançada, aí dá pra descontar. Absurdos seriam mais com os ETs, podendo justificar pela evolução da espécie deles, anos luz do que os terráqueos rs.

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  2. Um adendo aqui, essa história foi republicada no Almanacão Turma da Mônica #7 (97), que inclusive eu tive mas fui no Guia dos Quadrinhos pra lembrar qual era. xD E eu achava legal essa história, como os personagens andavam no espaço como se tivesse chão, e quando eu lia eu fazia uma dublagem bem louca pra esse cara verde aí, hehe xPPP
    Aliás, tinha uma outra história do Astronauta que ele vai parar na "Fronteira Final", mas aí era só zoeira com a frase mesmo; quando ele chega ele vê que é um ponto turístico que só tem uma imensidão branca do outro lado, e aí ele diz que quer descobrir o que vem depois e quando ele atravessa ele sai da página e a história acaba. xP

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    1. Pois é, andavam tranquilamente, era engraçado. Vários absurdos bons.. Não tive esse Almanacão, só a original mesmo. Eu lembro da HQ "Fronteira Final", muito boa também, eles gostavam de retratar fim do universo nas histórias do Astronauta.

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  3. Eu cheguei a cortar meu coração,cortando um selo desses da capa e lhe fazendo um buraco para essa promoção,mas não deu em nada.

    Eu tenho ou tive esse número e só agora lembrei dessa HQ,mas uma do Astronauta que nunca me saiu da cabeça foi outra,chamada "A Fronteira final",em que ele procura o fim do universo,mas o máximo que consegue é sair do gibi,em meio a um estúdio da MSP.

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    1. Era horrível isso de cortar revista pra promoção, eu cheguei a cortar uma também, Monica 65, pra participar e ganhei nada. Algumas tiveram selos autoadesivos, era melhor, tinha que ser em todas as revistas. A história "A fronteira final" também é muito boa, bons tempos da MSP.

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  4. É deprimente pensar q Astronauta ainda está nessa ilusão de "Universo Infinito", pois ele mesmo, como astronauta renomado da BrasA, devia saber q o Universo se expande. E

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    1. Como algo infinito poderia se expandir? Mas considerando a nossa tecnologia extremamente "limitada", não devemos chegar ao limite do universo tão cedo. Mas considerando a tecnologia absurda das histórias do Astronauta, em q ele chega em qualquer planeta em poucos minutos, realmente deve ser bem deprimente chegar na borda do universo depois de viajar por linha reta por vários dias.
      Mas o q podemos esperar de uma história em q um pedaço de pano gigantesco "cai" NO ESPAÇO???
      Mas fica aí a dúvida. Será q se Astronauta encontrasse o verdadeiro limite do universo, ele iria bater na suposta parede invisível q impede o universo de "vazar" pra fora, ou ele iria conseguir atravessar e ir parar nas Backrooms? KKKKKKKK
      (Uma história da turminha indo parar nas Backrooms não seria uma má idéia. O problema é q como tem entidades terríveis e perturbadoras por lá, a MSP acha q seria pesado demais. Sendo q seria apenas adicionar algumas criaturas na história e retirar as características mais perturbadoras pra manter a classificação livre do gibi)

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    2. É, ele acabou caindo na lábia do ET bandido. Absurdos eram grandes nas histórias do Astronauta, era bom. Se ele encontrasse o limite do universo, acredito que ia insistir um pouco, mas aceitaria. Na Backrooms seria difícil ter nas histórias da MSP

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    3. E na TMJ? Já teve referência á FNAF lá e teve aquela bizarra saga do fim do mundo. Não seria muito difícil ao menos uma referência ás Backrooms.

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    4. Acho que na TMJ poderia ter chance, pelo menos até 5 anos atrás. Cada ano piora a paranoia deles do politicamente correto, pode ser que essa referência que teve, não seja mais permitido hoje, vai saber.

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  5. Voltei a ler histórias da Turma agora em 2022, já com meus trinta e poucos e fiquei muito feliz em encontrar esse blog tão ativo enquanto procurava alguma referência para fazer um desenho do Humberto. Parabéns pelo trabalho e também parabéns a comunidade que parece comentar ativamente aqui

    Sobre esta história do Astronauta, é muito divertida toda essa brincadeira visual com o final do Universo, a cortina presa no espaço, que maluquice! Realmente, como disse o Fabiano, se fosse hoje em dia essa história certamente teria a participação do Louco

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    1. Obrigado! Bem vindo ao Blog, fique a vontade pra ler. Essa história teve muita loucura, típico de histórias em quadrinhos, como tem que ser. São movidas aos absurdos pra ter graça, hoje querem tudo certinho, aí mais natural seria colocar o Louco nela.

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  6. Pois é, colocariam Louco pra amenizar os absurdos, não duvido. Sempre teve esse mistério sobre o universo, por isso frequente histórias assim pra soltar imaginação. Difícil saber a realidade do limite do universo, muitas especulações, um dia será revelado.

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  7. Visualmente, o título da história desperta pouquíssima atenção, até porque acostumamos com o "desnomeado" padrão das aventuras deste herói, isto é, maioria contendo apenas o nome dele, porém, esta não é mais uma xará, foi discretamente batizada, e, igualmente discreta é a bastante criativa analogia em relação ao tema, o quadrado lilás ou rosa contendo o título da trama representa o gigantesco tecido e a última sílaba do nome do personagem ocultada por ele representa a continuação ou a infinitude do universo. Pena não terem dado o devido destaque para expressiva criatividade.

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    1. No caso o título foi intenção que era o limite do universo, que o assunto era esse, por isso colocado no final direito da página.

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