sexta-feira, 28 de agosto de 2020

Uma história do Piteco impedindo a Thuga de se casar


Compartilho uma história com o Piteco achando ruim da Thuga se casar com um cara que tinha conhecido há pouco e a mantinha prisioneira. Com 5 páginas, foi publicada em 'Mônica Nº 126' (Ed. Abril, 1980).

Capa de 'Mônica Nº 126' (Ed. Abril, 1980)

Começa com o Piteco pescando e sendo apresentado pelo narrador como um amiguinho pré-histórico  simpático e solteirão quando recebe do carteiro um convite de casamento que deixa o Piteco muito feliz e animado, era o casamento da Thuga.


Ogra aparece desanimada comentando que Thuga sempre escolheu muito mal os namorados dela, tentou abrir os olhos dela, mas queria se casar com o primeiro que viu pela frente e leva o Piteco até onde estava a Thuga. Chegando lá, ele vê Thuga acorrentada nos pés e ela diz que que foi ideia do noivo por ele ser ciumento e pensar que ela ia fugir enquanto buscava o Juiz.

O noivo aparece com raiva e dando bronca que não quer vê-la conversando com desconhecidos. Thuga fala que Piteco é um amigo de infância e o noivo diz que também não quer vê-la com conhecidos, vai cortar as amizades dela e quer só ele perto da Thuga. Piteco intervém, falando que a Thuga não pode se casar com aquele mastodonte, que vai tratá-la como prisioneira. O noivo pergunta o que Piteco tem a ver com isso e ele responde que é um amigo e gosta muito dela.


O noivo pergunta que se gosta tanto dela por que nunca a pediu em casamento e ele diz que nunca teve oportunidade. Com isso, quando Piteco finalmente pede a Thuga em casamento, é descoberto que o noivo era primo da Ogra e foi tudo um plano infalível da Thuga para ver se conseguia o Piteco se casar com ela. O Juiz de Paz começa a cerimônia com Piteco paralisado de medo, só que ela fica tão emocionada que acaba desmaiando. Piteco aproveita para fugir se livrando do casamento. No final, Thuga acorda e vai atrás do Piteco enquanto o Juiz de Paz fala que é uma pena ele não cobrar por tentativa de casamento porque senão ele estaria rico e aposentado.


Uma história bem divertida com mais um plano infalível da Thuga para tentar se casar com o Piteco. Dessa vez ela armou que ia se casar com um cara para ver se Piteco se sensibilizasse e resolver se casar com ela para não vê-la prisioneira de um cara machista e ciumento. Só não contava que o noivo entregasse o plano e ela própria desmaiar na hora do casório, dando brecha para o Piteco fugir. 

Muito legal ver Piteco acreditando no plano, ver a Thuga acorrentada nos pés, o noivo falar que não podia se encontrar nem com os amigos e engraçado o Juiz de Paz no final falar que estaria rico e aposentado com todas as tentativas de casamento da Thuga e Piteco. Não era só Cebolinha que fazia planos infalíveis, qualquer personagem fazia seus planos de acordo com seus interesses, sendo que os da Thuga eram muito bons também. 


Mostra que no fundo o Piteco gosta da Thuga, só não queria se casar. Ele podia dar surra no noivo sem precisar se casar com ela só para não ser prisioneira do noivo. Aborda também assunto de homens machistas, que não querem ver namorada ou esposa liberal e que sempre tem que estar servindo a ele. Impublicável hoje em dia por essas razões de mostra rum cara extremamente ciumento tornando Thuga prisioneira para não se encontrar com outros homens e mostrá-la acorrentada.

Curiosamente, dessa vez foi uma história sem título, apenas o nome do Piteco. Podiam ter colocado nome no noivo da Thuga, só foi revelado que era primo da Ogra. Ele só apareceu nessa história, como era de costume personagens secundários. Teve presença da Ogra, ela era muito frequente nos gibis dos anos 1970, inclusive tendo histórias solo. Nos anos 1980 e 1990 começou a aparecer só de vez em quando e hoje está na galeria de personagens esquecidos.


Os traços muito bons da fase de transição dos anos 1970 até o que ficou consagrado no decorrer dos anos 1980. O Juiz de Paz que ainda não tinha traços definidos e por isso apareceu diferente do que o atual. Teve um quadrinho com Piteco e Ogra pintados tudo com cor laranja na página 2 da história (página 29 do gibi), assim como árvores coloridas só de vermelho e só de azul, era bem comum isso nos gibis dos anos 1970, não só da Turma da Mônica, mas  também em gibis de todos os segmentos e turmas da Editora Abril, ainda assim não tira o encanto dos gibis da época.

21 comentários:

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    1. Muito legal mesmo. Do fundo do baú, tem 40 anos essa história.

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  2. Realmente essa história do piteco é muito boa,as histórias de antigamente sempre serão as melhores,saudades da época em que a MSP fazia histórias com vontade e com ótimos roteiros.

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    1. Saudades também. Eles tinham muito mais dedicação pra fazer.

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  3. Às vezes fico pensando se o Piteco gostava mesmo da Thuga e se ele gosta porque sempre fugiu do casamento.

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    1. Para mim o Piteco gosta dela, mas quer ficar solteirão pra sempre. Como Thuga é atirada em querer casamento, aí ele foge. Talvez se ela quisesse só namoro sem compromisso de nunca ter casamento, ele cederia.

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  4. O juiz casamenteiro desta história não é o mesmo que foi efetivado no núcleo, o personagem ao qual me refiro se chama apenas Juiz, é careca por completo e possui uma barba semelhante à do Piteco.
    A Thuga usava de várias artimanhas pra "enforcar" o Piteco, nesta ela conta com a ajuda da brutamontes Ogra e seu priminho que mais parece um paredão.
    Marcos, na história de encerramento desta edição a mãe do Cascão aparece bonita com sujeirinhas no rosto e um lenço cobrindo todo o cabelo, em uma HQ de miolo de Cascão 18 de 1983 ela aparece assim também, suspeito que tanto uma quanto outra foram desenhadas pela saudosa Rosana Munhoz.

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    1. A intenção o Juiz ser o mesmo personagem, só que com traços diferentes e depois reformulados a exemplo de Tina, da mãe do Cascão, etc. A partir dos anos 1980 ele ganhou outros traços definitivos como conhecemos.

      Sobre mãe do Cascão, antes do Cascão ter gibi próprio era raro os pais deles aparecerem, quando apareciam era um traço diferente a cada história, aí as vezes podia ser sem as sujeirinhas. Já em 1983 pelo visto já não estavam satisfeitos com ela com sujeirinhas e aí desenhavam sem as vezes, mas a reformulação geral com ela mais bonita foi a partir da edição Nº 24 de 1983.

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    2. É que nas duas HQs que citei, ela está bonita e diferente de quando se efetivou como uma das belas mães, as duas histórias parecem até do mesmo ano, sendo que a diferença de publicação entre "Eu lavo a minha mão!" e "Ufa... Escapei!!!" são de dois anos e meio.

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    3. Provavelmente foi experiência pra ver como ficava melhor.

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  5. Nossa!Quando a Thuga finalmente consegue casar ela desmaia,eu imaginei no começo da história que era mais um plano da Thuga,esta história foi divertida.

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    1. Dava pra imaginar que era um plano dela, ainda assim divertida do início ao fim.

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  6. Sempre tive dúvida quanto à pronúncia dos nomes Thuga e Ogra.
    Precisamos perguntar ao Maurício!

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    1. O correto é "Tuga" e "Ôgra", mas eu eternamente vou ler e pronunciar "Tchuga" e Ógra", não consigo mudar leitura, mesmo eu sabendo o certo.

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    2. "Ógra" também pronuncio, "Tchuga" não fazia ideia de que seria uma das pronúncias do nome dela.

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    3. Thuga como falo é como "Thiago" ou sílaba "ti" sempre com chiado. O que quero dizer que não deixo "Th" mudo como palavras como "tudo".

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    4. Não tinha pensado nessa do "Thiago"!

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    5. Pois é, quando estava aprendendo a ler eu fazia essa associação de "Thiago", aí por isso li "Thuga" assim, nem me tocava do "T" mudo ao lado de "Th". Mesmo depois de saber a pronúncia certa, eu continuei lendo como lia antes.

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  7. História sensacional! Engraçado ver a cara do Piteco enrascado durante a cerimônia. Acho que de fato, Piteco gosta da Thuga, mas talvez se a Thuga não fosse tão grudenta e não ficasse falando só de casamento, talvez eles até pudessem namorar, se fosse algo natural e sem pressões. De qualquer forma, são realmente personagens ótimos!

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    1. Muito boa. Thuga poderia ser menos atirada, namorariam de boa e no futuro ele até cederia casamento. Tanto que ele não vê problema em namorar, á que ele paquerava outras mulheres, o problema é perder a boa vida de solteiro.

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  8. Afinal de contas, a pronúncia correta é ôgra (Ô) ou ógra (Ó)?...

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