quarta-feira, 17 de agosto de 2022

Capa da Semana: Chico Bento Nº 91

Uma capa bem bonita e caprichada com o Chico Bento pendurado na goiabeira imitando o macaquinho que estava lá comendo goiaba. Eram comuns capas com Chico contracenando com bichos, dando um ar mais rural e sempre eram boas. Mesmo aparentemente normal e nada de mais, hoje em dia seria incorreta por ter personagem comparado a bicho.

A capa dessa semana é de 'Chico Bento Nº 91' (Ed. Globo, Julho/ 1990).

domingo, 14 de agosto de 2022

Titi: HQ "Educação sexual"

Em homenagem ao Dia dos Pais, mostro uma história em que o pai do Titi precisou ter conversa de sexo com o filho. Com 5 páginas, foi publicada em 'Mônica Nº 186' (Ed, Abril, 1985).

Capa de 'Mônica Nº 186' (Ed. Abril, 1986)

O pai do Titi, Seu Eurico, lhe dá um carrinho de presente de aniversário, Titi fala que gostou, mas no fundo queria um par de tênis. Seu Eurico percebe que ele não ficou animado com o presente e vai atrás e olha o Titi admirando uma foto da Aninha.

Seu Eurico conta a esposa que o Titi está virando adulto e que ela tem que ter um papo com o filho. A esposa diz que quem tem que conversar é ele, o pai. Seu Eurico não queria, mas a esposa o manda explicar tudo, que não quer que o filho aprenda tudo na rua, da maneira errada.

Então, Seu Eurico vai falar com o filho no quarto, diz que vai ser uma conversa demorada e Titi se acomoda para ouvir. Seu Eurico disfarça, perguntando sobre como foi jogo do Corinthians ontem. Titi responde que foi 2 a 1 e pergunta se é sobre isso que quer falar. 

Seu Eurico fala que é sobre outra coisa, disfarça um pouco e fala que é sobre as abelhinhas. Titi pensa que é para falar sobre importância do mel na alimentação e então o Seu Eurico confessa que é sobre sexo. Titi se acomoda, interessado no assunto. Seu Eurico não sabe por onde começar e resolve falar sobre as florzinhas e Titi dá ideia de começar falando sobre órgãos sexuais e continuam a conversa longa.

A mãe do Titi acha que a conversa deles estava demorando, vê o Seu Eurico voltando para sala e sentando na poltrona exausto. Bem ansiosa, ela quer saber como foi a conversa e Seu Eurico conta que ele descobriu que está por fora  de uma porção de coisas em matéria de sexo e fica chupando dedo  e esposa fazendo carinho, como ele se sentindo uma criança por filho saber mais de sexo do que ele.

Bem legal essa história com o pai do Titi percebendo que o filho estava crescendo e tinha vergonha de falar sobre sexo com o filho, mas, para sua surpresa, o filho já estava dominando o assunto mais que o pai, ficando até deprimido por isso. O pai pensava que sabia tudo, mas o filho ja sabia. Resta saber como Titi aprendeu tudo aquilo, ai fica na imaginação dos leitores. A mãe fez questão do marido conversar porque o homem poderia falar melhor pra um menino. Se eles tivessem uma filha, aí seria a mãe pra conversar.

História foi pensada para os adolescentes que ainda liam gibis, na faixa de 12, 13 anos, que estavam na transição de criança para adolescência, e que podiam ter essas dúvidas e mostrar que os pais podem ajudá-los sem medo e seeviu também alertar pais que não precisa ter vergonha de falar de sexo com os filhos. Hoje em dia completamente impublicável uma história assim de educação sexual em gibis infantis, não pode isso nos gibis por acharem ser um tabu, acham que crianças  não devem aprender sobre sexo com pais  ou na escola, não  deve ser liberal assim, ainda mais que o foco nos gibis são as crianças pequenas até 8 anos de idade. Hoje também não aceitariam a mãe do Titi com avental, apenas como dona-de-casa, iriam alterar com ela sem avental e fazendo trabalhos home office para fora.

O nome do pai do Titi pela primeira vez foi anunciado como Seu Eurico até então. Geralmente os filhos se dirigem aos pais, falando "mãe" e "pai", aí normalmente eles não tinham nomes. Não sei se ele teve outro nome depois, mas acho que não foi falado nome dele em outra história. Já a mãe não teve nome nessa história, depois de alguns anos, já em 2004, ela teve nome de Dona Filomena em outra história. Titi fez aniversário em outubro em 1985, sendo até hoje ele não ter data fixa de aniversário, diferente dos 5 personagens principais que passaram a ter datas de aniversário fixas a partir de 1994.

Curiosidades também do nome do time Corinthians não foi parodiado dessa vez, na época nem sempre nomes famosos eram parodiados. Hoje a paródia oficial do Corinthians é "Coringão". A mãe do Titi cantou a música "Não se reprima", grande sucesso do grupo Menudos na época, bem legal vê-la cantando, mostrando cotidiano. Engraçado também ela falar que marido estava com cara de bobo por ter recebido aumento no emprego. Teve um erro do Seu Eurico falar de boca fechada em um quadrinho da terceira página, erros assim eram mais frequentes nos anos 1970, mas as vezes aconteciam ainda nos anos 1980 e 1990.

Traços ficaram bons típicos das histórias de miolo dos anos 1980. Teve brilho azul nos cabelos do Titi e do seu pai em vez de brilho branco, coisa bem característica nos gibis de 1985. Depois em 1986, os personagens voltaram a  ter brilho branco no cabelo, deixando azul só com a Turma do Papa-Capim. Prefiro brilho branco nos cabelos dos personagens. História foi republicada depois em 'Almanaque da Mônica Nº 58' (Ed. Globo, 1997), no limite de quando aceitavam coisas incorretas assim nos gibis, se demorasse mais tempo, não seria republicada. As imagens da postagem eu  tirei desse Almanaque de 1997. 

FELIZ DIA DOS PAIS!!!!

Capa de 'Almanaque da Mônica Nº 58' (Ed. Globo, 1997)

quarta-feira, 10 de agosto de 2022

Mônica: HQ "Noveleira, eeu?!

Em agosto de 1992, há exatos 30 anos, era publicada a história "Noveleira, eeu?!" em que a Mônica se torna noveleira e os meninos se aproveitam disso para fazer plano infalível para conseguirem o Sansão. Com 13 páginas, foi história de abertura de 'Mônica Nº 68' (Ed. Globo, 1992).

Capa de 'Mônica Nº 68' (Ed. Globo, 1992)

Cascão está brincando com lama, quando ouve Mônica falando com a Magali que hoje vão matar o Jorge Dateu e quem vai matar é o Cândido Alergia. Cascão fica desesperado e diz para Mônica que eles têm que impedir de o matarem, têm que avisar à polícia e os bombeiros e pergunta quem é Jorge Dateu. Mônica grita que é personagem da novela das oito, "Tijolo sobre Tijolo".

Cascão fala que não ia saber, ela falava como se fosse alguém de verdade e pergunta como ela sabe o que vai acontecer se o capítulo de hoje não passou. Mônica responde que lê todas as revistas sobre novelas, "Inimiga", "Quinzenário" e "Cãotigo". Cascão fica surpreso que ela lê o que vai acontecer e assiste depois.

Mônica confirma e conta que sabe que em "Melindrosas peruas", a máfia vai raptar a Tuba,  em Feliz Cidade", Melena vai se declarar para o Chico Brega e em "Carroção" terá tragédia de Birilo tirar zero em comportamento. E ainda assiste às reprises de "Estranha Banha", "A grande mãe" e "Sabe tudo". Cascão se espanta em ela assistir a tudo aquilo e Mônica diz que assistir novelas está na moda. Cascão fala que tudo tem limite, ver tanta novela pode fazer mal, não sobra tempo para nada, só pensa e fala nisso.

Mônica vai embora com a Magali e comenta cenas de novelas sem parar. Magali interrompe, dizendo que Cascão tem razão, só fala de novela, novela, não tem quem aguente, e vai embora. Mônica fala que pode ir, que como diria a Marem da novela das 8, "Me economize, tá!". Ela vê relógio marcando 5 horas e corre para casa para assistir novela.

Enquanto isso, Cascão conta para o Cebolinha que a Mônica está viciada em novelas, lê o que vai acontecer nas revistas e depois assiste e Cebolinha tem ideia de um plano infalível contra a Mônica. Depois, Mônica termina de assistir uma novela e vai até a janela, quando vê o Cascão disfarçado de vendedor de revistas, anunciando a revista "Telefofoca" com todos os finais de novelas.

Mônica fica interessada e pergunta a ele se é verdade e quanto custa. O vendedor diz que é cinco mil cruzeiros. Mônica diz que preço está meio salgado e ele diz que é o último número. Mônica deseja comprar e Cebolinha aparece, mandando vender para ele, que vai pagar 10 mil. Mônica estranha e Cebolinha diz que é um garoto moderno. Mônica diz que vai vender para ela porque chegou primeiro  e o vendedor diz que com ele vende para quem pagar mais.

Mônica e Cebolinha fazem leilão, um pagando mais que o outro, mas Cebolinha ofertando 100 mil é muito para a Mônica, que desiste e nem acredita que tem revelações incríveis. O vendedor diz que é o final de todas as novelas. Mônica diz que alguma vão levar meses para acabar. Cebolinha diz que vai saber os finais antes de todo mundo e Mônica se ajoelha, implorando para vender revista pra ela.

O vendedor diz que adora bichinhos de pelúcia, Cebolinha diz que ela tem um coelhinho de pelúcia e ele não. Mônica dá o Sansão em troca da revista e os meninos comemoram, sem o coelhinho, a Mônica perde a moral é o começo da queda.

Depois, Magali se espanta que Mônica trocou o Sansão por uma revista de novelas e diz que a amiga está bitolada. Mônica diz que vai se maneirar na próxima e resta ler os finais, estranhando que revista foi escrita à mão. Ela lê que em "Tijolo sobre Tijolo", Leosnado vira vendedor de pipocas e Marilda fica para Titia; em "Melindrosas Peruas", todo mundo vira gângster no final; em "Feliz Cidade", João fica sabendo que o jardineiro é seu pai e que, na verdade, ele é o super-homem; em "Carroção", todos os alunos repetem de ano e a professora Melena se candidata à prefeitura.

Mônica reclama que os finais não têm pé nem cabeça e Magali diz que isso está cheirando a malandragem. Mônica vai procurar o vendedor e encontra Cebolinha e Cascão esticando e pisando no Sansão. Cebolinha diz que o vendedor emprestou o Sansão para ele e Cascão fala que o vendedor era ele, estragando o plano infalível. Mônica bate neles, pega o Sansão de volta e vai para casa, falando que se novelas tivessem aqueles finais ridículos, não valeria a pena assisti-las. Passam-se os meses e cada novela que vai acabando, aconteceu como os meninos escreveram na revista e Mônica se surpreende que eles acertaram todos os finais.

História muito engraçada com os meninos aproveitando que a Mônica era viciada em novelas, via todas e ainda lia o que ia acontecer antes nas revistas, para fazer um plano infalível para pegar o Sansão. Mônica entrega o Sansão para ler os finais de todas as novelas pelo vício falar mais alto, mas se toca que os finais eram absurdos e na confirmação do Cascão entregar o plano mais uma vez, bate neles e tem o Sansão de volta, só que tema surpresa no final de que eles acertaram todos os finais das novelas.

Foi tipo de história em que um plano acontece de imprevisto, só  depois de um fato acontecido em vez de já ter algo planejado desde o início. Foi engraçado ver a Mônica noveleira, vidrada em todas as novelas e se passar por boba em acreditar que tinha revista com todos os finais de novelas divulgados com grande antecedência. Muito bom também o disfarce do Cascão como vendedor e absurdo de terem criado uma revista, mesmo que feita a mão, em tão poucos minutos, antes de praticarem o plano. Já os preços da revista do "vendedor" Cascão era mais cara, praticamente o dobro que um gibi da época, mas com oferta que o Cebolinha deu no leilão, mostrou que ele tinha muito dinheiro.

O que foi mais divertido ainda foram as paródias de nomes e personagens das novelas que estavam passando ou reprisando na Globo e no SBT em 1991 e 1992 e as das revistas. As paródias das novelas como "Tijolo sobre Tijolo" (Pedra Sobre Pedra), "Feliz Cidade" (Felicidade), "Melindrosas peruas" (Perigosas Peruas), "Carroção" (Carrossel) e reprises "A estranha Banha" (Estranha Dama), "A Grande Mãe" (O Grande Pai) e "Sabe Tudo" (Vale Tudo), de personagens como "Jorge Dateu" (Jorge Tadeu) e Melena (Helena), entre outros, e revistas "Inimiga" (Amiga), "Cãotigo" (Contigo) e "Quinzenário" (Semanário), todas com muita criatividade.

Interessante também a Mônica falar de cenas que realmente aconteceram nas novelas na televisão, quem assistiu na época, identificou bastante com o que passava na TV. Agora os finais mostrados pelos meninos não aconteceram de fato na TV, foi só na história para dar graça. 

A história serviu como crítica a noveleiros viciados que ficam dia todo assistindo todas as novelas  sem fazer outra coisa, tudo que é exagerado faz mal, e podiam se identificar lendo e refletir. E também aqueles que ficam meses assistindo determinada novela e ficam frustrados e decepcionados com final ruim e inesperado, que não imaginavam que iam ter aquele final.

Impublicável hoje por tema de novela não ser apropriado para crianças,  ainda mais mostrando criança viciada em novela a ponto da Mônica abdicar o seu coelhinho de pelúcia de estimação  para poder saber finais de novela antecipados. No máximo  podiam colocar história com Tina ou Pipa assistindo novela, mas por ser gibi infantil, evitariam da mesma forma.  Os planos infalíveis  também  não são  mais perversos assim hoje, a ponto de meninos se aproveitarem de ponto fraco da Mônica  para se darem bem e eles ainda aparecerem  surrados e com olho roxo no final e o Cascão brincar com lama no início não pode mais também. E mudariam também em almanaques a TV de tubo por uma TV LED por não gostarem de objetos datados para dar ideia de que é história nova.

Os traços ficaram muito bem caprichados, só não gostei das cores mais escuras, já começando a ficar mais fortes e com outras tonalidades como o vermelho e o amarelo, por exemplo. Na capa da revista, foi estreia do núcleo "Os Amazônicos", mesmo que representados só como bonecos, e depois teriam presença em algumas histórias do Parque da Mônica a partir de 1993 por ter um brinquedo com tema deles no Parque,  o "Brinquedinho", e na Editora Panini chegou a ter histórias solo de 1 página deles entre 2020 e 2021. Muito bom relembrar essa história marcante há exatos 30 anos.

sábado, 6 de agosto de 2022

Rubão e Mariazinha: HQ "Rubão, o machão"

Mostro uma história em que o Rubão fazia questão de pagar todas as contas para Marizinha, que passou sufoco com o machismo do namorado. Com 6 páginas, foi publicada em 'Mônica Nº 31' (Ed. Globo, 1989).

Capa de 'Mônica Nº 31' (Ed. Globo, 1989)

Nela, Rubão e Mariazinha estão em um restaurante e na hora de pagar a conta, Mariazinha quer pagar desta vez e Rubão recusa, falando que é o homem que tem que assumir as despesas e Mariazinha diz que o machismo dele a mata. Rubão paga já com a gorjeta do garçom e depois o casal vai ao cinema. Rubão paga as entradas, Mariazinha diz que vai ficar pesado tudo para ele, mas nem dá ouvidos e paga e também as balas que ela queria. 

Eles assistem ao filme e quando saem, Mariazinha quer pegar táxi para voltar para casa. Rubão diz que não podem pegar táxi  porque o dinheiro dele acabou. Mariazinha quer pagar e ele diz que mulher nenhuma paga alguma coisa quando sai com ele e como nem para ônibus sobrou dinheiro, eles voltam para casa a pé. Andam quilômetros, deixando Mariazinha exausta e com pés doendo. Rubão a deixa na casa dela, falando que vão se encontrar de novo amanhã, e vai para a sua e no final, ele pergunta para a mãe se pode emprestar uns trocados para sair com a Mariazinha porque está sem um centavo.

História bem legal com Rubão, que é um machista e conservador nato, não aceitando sua namorada Mariazinha pagar contas, porque para ele é o homem que tem que pagar tudo, aí até mesmo sem dinheiro não deixou Mariazinha pagar táxi, a fazendo sofrer andando quilômetros para voltar pra casa. Só que, ironicamente, a sua namorada não pode pagar, mas a sua mãe, também mulher, pode bancá-lo por não ter dinheiro.

Mostrou crítica e discussão de quem deve pagar a conta no primeiro encontro ou no namoro: o homem ou a mulher. Ver ate que ponto seria cavalheirismo ou não. Seria bom dividir ou então revezar entre eles a cada encontro ou casal entrar em consenso o melhor para eles. Problema foi Rubão ser extremo, a ponto de Mariazinha sofrer só para manter seu orgulho de o homem pagar tudo, mas a fama de machão só na presença da namorada porque quem o bancava era a mãe.

Mariazinha podia dar um pé na bunda nele na hora do táxi e estava resolvido, só que dessa vez foi submissa do início ao fim, aceitando tudo que Rubão mandava, sem brigar nem na volta da casa e nem se separar dele, fazendo jus a sua característica de mulher submissa. Até chegou a ter outra história em que a Mariazinha separa do Rubão por não aceitar que ele pagasse tudo, mas que encontrou um novo namorado que queria que ela pagasse tudo e acabou voltando para o Rubão, mas não contava que ele ia deixá-la pagar tudo, ficando com raiva.

O final desta história ficou aberto em saber se a mãe do Rubão aceitou ou não dar dinheiro para o filho. Eles gostavam de deixar finais abertos para os leitores imaginarem. Provavelmente a mãe aceitou porque pelo visto acontecia isso com frequência por ele sempre pagar as contas para Mariazinha. Curiosamente, nunca apareceu o pai do Rubão, só a mãe em algumas histórias

Os traços ficaram muito bons, principalmente da Mariazinha que ficou com uma arte mais diferente do que o habitual. Nunca foi republicada até hoje como a maioria das histórias deles. Completamente incorreta atualmente por envolver namoro, machismo, mulher submissa e sempre se dando mal, assuntos não apropriados para crianças, sem chance nos dias de hoje com povo com mente mais aberta e contra machismo.

Não é a toa que esse casal da Turma da Tina foi para o limbo de personagens esquecidos e não têm mais histórias inéditas com eles. Basicamente suas histórias eram o Rubão machão com suas ideias conservadoras de mulher ser propriedade dele, de não poder usar minissaia e biquíni, trabalhar fora, etc, e a Mariazinha ser submissa a ele, fazia tudo que ele mandava, as vezes ela tentava se libertar e separava dele, mas depois voltavam, com ela achando que o que ele fazia era para protegê-la. Pelo visto o público achou histórias pesadas mesmo para os anos 1980, com movimentos  feministas crescendo e elas não aceitavam as atitudes do Rubão e ainda Mariazinha aceitar tudo de boa, aí acabaram deixando de lado histórias com eles em definitivo no final de 1989. Mais detalhes desses personagens, pode ver AQUI .

terça-feira, 2 de agosto de 2022

HQ "Mauricio Apresenta Horácio"

Mostro uma história do Horácio em que a Lucinda encontra um outro pretendente amoroso e Horácio atrapalha. Com 6 páginas, foi publicada originalmente por volta de 1979 e republicada em 'Almanaque do Chico Bento Nº 16' (Ed. Globo, 1991).

Capa de 'Almanaque do Chico Bento Nº 16' (Ed. Globo, 1991)

Escrita por Mauricio de Sousa, começa com a Lucinda comentando com sua prima que o Horácio precisa vencer a timidez, sabe que gosta um pouco dela, mas sem coragem para confessar e enquanto o tempo passa, se sente mais solteirona. A Prima diz a Lucinda que é jovem, que só pensa e fala no Horácio desde que se entende por gente, e que se esqueceu de que há outros jovens no mundo, quando aparece o Chiquinho Cuocossauro, um dos dez mais, verdadeiro pão.

Chiquinho Cuocossauro cumprimenta Lucinda como garota de lindos olhos sonhadores e pergunta por onde ela andou que não a conhecia. Lucinda, sem jeito, diz que por aí, enquanto a Prima comenta que ele reparou nela. Chiquinho convida Lucinda para irem até o lago para conversarem, um lugar mais romântico e a Prima comenta que reparou demais.

A princípio Lucinda resiste um pouco dando desculpas que tem que voltar para casa de noite e sua prima está sozinha, Chiquinho responde que a acompanha até sua caverna e que a prima vai se desculpar. Lucinda recusa, mas volta atrás ao ver Horácio chegando, como forma de fazer ciúmes a ele. Horácio fala que também vai ao lago e Chiquinho pergunta por que ele não procura outro lugar para passear.

Horácio fala que vai lá para pegar alfacinhas que tem lá. Chiquinho diz que colheram todas as alfaces de lá. Logo, Horácio vê alface lá e pensa que ele estava brincando. Chiquinho leva Lucinda para o alto das pedras para ficarem a sós e Horácio vai atrás, falando que adora ver belas passagens e come alface ao lado deles, atrapalhando o namoro.

Chiquinho Cuocossauro manda Horácio comer em outro lugar, Horácio diz que não porque gostou do lugar e da paisagem e Chiquinho fala que não vai gostar quando fazê-lo rolar para baixo. Horácio desvia, fazendo Chiquinho cair. Lucinda acha que ele ia se arrebentar lá embaixo e Horácio diz que ferimento maior é no seu orgulho. No final, Horácio oferece alface para Lucinda e ela pensa que um dia ele larga a alfacinha e vai ver  a lua com ela.

História legal em que a Lucinda conseguiu um pretendente para esquecer a sua paixão pelo Horácio. A princípio recusa, mas aceita depois para fazer ciúmes para o Horácio, que acaba indo atrás deles para estragar o namoro. A prima estava certa de que se Horácio não se decidia, Lucinda tinha que arrumar um namorado para esquecê-lo, mas ela só tinha olhos para o Horácio e mais ninguém. Chiquinho Cuocossauro até se esforçou, mesmo que Horácio não atrapalhasse, Lucinda não o namoraria.

Dessa vez foi retratado que o Horácio gostava dela, mas não tinha coragem de se declarar. Ele também pode ter atrapalhado o namoro, achando, pressentindo, que o Chiquinho não tinha boas intenções com a Lucinda, vai de interpretação de qualquer um. Aliás, nunca teve uma padronização, Mauricio colocava de acordo como seria melhor para o roteiro, e, assim, as vezes, Horácio queria nada com ela, muito menos casamento, as vezes era inocente e não se tocava que Lucinda gostava dele.

A Lucinda conversou com uma prima, sem nome revelado, em vez da sua amiga Simone, talvez Mauricio preferiu prima para dar ideia de que conhece a Lucinda há muito mais tempo. Até parecida com Simone, só que a prima sem lábios e mais alta que Simone. A grande sacada foi a paródia do ator Francisco Cuoco, galã da época e paquerador nas novelas, representado pelo Chiquinho Cuocossauro, um dinossauro paquerador. Chiquinho, inclusive, também ficou desenhado bem parecido com a prima da Lucinda, só que mais alto. Tanto a prima da Lucinda e o Chiquinho apareceram só nessa história, como era comum presença de personagens secundários aparecerem só uma vez. 

Foi uma história de humor normal, sem mostrar Filosofia e reflexão, característicos das histórias do Horácio, o que ajudou a diferenciar. Filosofia ficou apenas em uma frase do Horácio no final que o ferimento maior no Chiquinho é no orgulho. Mauricio também gostava de colocar uma linguagem mais formal em suas histórias, depois com outros roteiristas isso foi abandonado, dando preferência a uma linguagem informal. Ainda assim, teve uma gíria, quando a prima falou que o Chiquinho era um pão, hoje uma gíria datada. 

Os traços ficaram bons, seguindo estilo de final dos anos 1970 com bochechas mais pontiagudas ainda.  É incorreta atualmente por envolver namoro e ciúmes, fora o Chiquinho cair do alto das pedras podendo se machucar. Parece ser história produzida especialmente para gibi sem ter saído antes em tabloides de jornal, já que normalmente Mauricio fazia histórias seriadas para tabloides de jornais de São Paulo e depois eram republicadas nos gibis para todos conheceram e não só os paulistas.


Curioso o termo "Mauricio Apresenta" antes do nome do Horácio como título, antigamente "Mauricio Apresenta" aparecia nos títulos só de vez em quando para frisar que eram histórias escritas por ele ou então em algumas de fábulas ou contos, ou então para apresentar personagem novo. Hoje eles colocam nos gibis esse termo "Mauricio Apresenta" em todos os títulos das histórias, sem exceção perdendo todo o sentido da ideia e ficando sem graça e repetitivo.