quarta-feira, 8 de julho de 2026

Mônica: HQ "Andar sem sapato é perigoso"

Compartilho uma história em que a Mônica se dá conta que andar descalça é perigoso para machucar os pés. Com 4 páginas, foi história de miolo de 'Mônica Nº 158' (Ed. Abril, 1983).

Capa de 'Mônica Nº 158' (Ed. Abril, 1983)

Um homem olha par aos pés da Mônica e pergunta se ela está esquecendo nada. Mônica olha por baixo do vestido pensando que era a calcinha e vendo que estava, diz que acha que não. O homem fala que está esquecendo os sapatos e ela responde que não esqueceu, que está sem eles porque não usa sapatos. o homem diz que é perigoso porque ela pode se machucar com prego ou um caco de vidro, mesmo que nunca aconteceu, não é bom facilitar e vai embora.

Mônica se pergunta será que pode acontecer mesmo, quando quase pisa em um prego e depois cascão fala para ela ter cuidado, se ele não avisasse, quase pisaria nos cacos de vidro no chão. Em seguida, vê Magali com pé enfaixado por ter pisado no espinho e Mônica diz que é isso que dá andar descalça e logo se toca que não pode falar da Magali se ela também não usa sapatos. Assim, Mônica compra sapatos na loja e depois de um tempo usando diz par ao Jeremias que ela está com calo nos pés.

História legal, a Mônica não tinha noção que andar sem sapato podia se machucar pisando sem querer onde não deve e resolve usar sapato, porém passa a sofrer com calos nos pés por causa disso. Viu que é perigoso não usar sapato, mas também não é bom usá-los. Antes não tivesse seguido conselho do homem que aí não teria calos até porque ela nunca se machucou andando descalça e se pisasse em alguma coisa errada, seria puro acidente. Outra alternativa seria comprar sapato mais largo, sem ser tão apertado.

Foi engraçado a Mônica achar que estava sem calcinha após o homem avisar que ela estava esquecendo nada e ela levantar o vestido com vergonha para confirmar, acabou o homem se passando por pedófilo por ficar reparando se criança estava de calcinha ou não, e também a Mônica querer dar lição para Magali que pisou em espinho porque anda descalça, sendo que ela também anda descalça, tinha direito nenhum de dar lição de moral em alguém, o mesmo do Cascão avisá-la dos cacos de vidro e ele também não usa sapato, tem que ter cuidado também como a Mônica, e no final ela ficar com calos por ter usado sapato. Também era muito boa a autonomia das crianças, Mônica entrar na loja e comprar sapatos sozinha tranquilamente sem presença da mãe, do pai ou de algum adulto.

Muitas vezes tinham histórias de personagens se questionando por que não usam sapatos e não têm dedos nos pés, ou então sofrendo por causa disso, eram boas histórias assim. Como recebiam cartas com crianças perguntando sobre esses detalhes dos pés dos personagens, aí faziam histórias explicando perguntas nas cartas, afinal, tudo servia de inspiração para os roteiristas. A partir dos anos 2000, roteirista Emerson Abreu mudou esse conceito e MSP passou a adotar que os personagens usam meias de cor de pele e, com isso, ajudou o politicamente correto mostrando que eles não andam descalços e tem dedos nos pés, as meias que escondem, e não passaram a colocar personagens usando sapatos por causa das meias.

História ensinou de forma divertida que não devemos andar descalços, precisando até Magali sofrer pra mostrar a real, e que também não devemos usar sapatos apertados para não dar calo, a gente aprendia muito nessas histórias antigas com os erros dos personagens, porém é incorreta hoje em dia por mostrar no final que usar sapato é ruim, Magali com pé enfaixado por ter pisado em espinho, Mônica levantando vestido e mostrando calcinha, homem reparar em calcinha de criança na visão da Mônica, criança com autonomia para ir em loja sozinha comprar sapato sem presença de adulto junto, Mônica conversar com estranho na rua, não ter final feliz para Mônica, sofrer com calo, e Jeremias com círculo em volta da boca representando lábios no penúltimo quadro e lábios bem exagerados no último quadro.

Traços bons, bem simples, típicos de histórias de miolo dos anos 1980. Tiveram erros da pele da testa do homem perto do topete nos dois últimos quadros da primeira página com as cores branca e azul, respectivamente, ausência de traços na curvatura de cada pé da Mônica separando pés das pernas no 3º quadro da 2ª página e Jeremias com círculo da boca em um quadro e lábios no outro e pintados de brancos em vez de rosas. Nunca foi republicada até hoje, poderia ter sido a partir de 1988, mas acabaram esquecendo e aí fica sendo rara hoje em dia, só quem tem o gibi original que conhece.

11 comentários:

  1. "Onde já se viu?!" Ora! Só mesmo na Turma da Mônica e... ainda bem!
    Por, na esmagadora maioria das vezes, sair de casa assim, pés desprotegidos, sendo uma criança, a culpa é da Dona Luísa e do Seu Sousa. Tsc, tsc, tsc... Entretanto, sejamos justos, pois, neste aspecto, os pais do Cascão, da Magali, do Humberto, do Xaveco, do Zé Lelé e do Chico Bento são igualmente irresponsáveis. Já os pais da Maria Cascuda, bom, claro que também são, todavia, "nem tanto", dado que nas HQs dos velhos tempos a personagem alterna entre aparições descalça e calçada - devido otimização por parte dos ilustradores, sempre foi desenhada mais vezes sem do que com sapatos.

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    1. Na Turma da Mônica podia ter de tudo e assim que era bom de algum lugar dava pra fugir da realidade. Todos esses pais que deixam as crianças andarem descalças são irresponsáveis, culpa dos pais, sem dúvida. A Maria Cascuda tinha essa alternância porque ainda estavam testando a personagem, não estava definida desde que foi alçada como personagem fixa a partir de 1981.

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    2. Sempre enxerguei nessa alternância de sem e com sapatos em Maria Cascuda das antigas um charmoso diferencial no design dela.
      Quanto às calosidades nos pés da Mônica, lógico e, como deixei no primeiro comentário, "ainda bem", pois ficaram como justificativa para que não aderisse ao uso de sapatos de modo contínuo ou efetivo. Parece desleixo, parece burrice, mas, no final das contas, a baixinha é sábia, seu barato é sentir o solo, sentir o gramado, ⁠☞instintivamente conectada com a (M)mãe Terra☜...

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    3. Acredito que cada roteirista deixava a Cascuda de um jeito até acharem um padrão para ela, por isso a alternância de com e sem sapatos e até com e sem sujeirinhas. Foi muito bom a Mônica ter calos para não aderir ao sapato porque senão seria uma história de estreia de sapato nela em definitivo. Muito melhor o estilo clássico descalça, embora não duvido que algum dia eles mudem roupas dos personagens pra modernizar e ficarem de acordo com o politicamente correto.

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    4. Não obstante, fazia sentido ausências de sujeirinhas nas bochechas de vez em quando, por corresponder à característica de alternância que, ia além de andar calçada e descalça, afinal, a versão genuína da personagem não foi concebida como sendo dada ao radicalismo, isto é, de quando em quando encarava o "furadinho" (chuveiro).

      O que mais chamou minha atenção nesta HQ foi a visão aquilina do Cascão, que viu o que estava prestes a acontecer e de longe a alertou, impedindo um acidente do tipo grave. O hábito de frequentar lixões teria tido alguma influência neste ato? Pois supõe-se que quando passou a brincar naqueles ambientes insalubres devia se machucar com relativa frequência e com o tempo foi se lapidando, foi ficando esperto quanto a se acidentar em locais que logicamente oferecem tantos riscos.

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    5. Em 1974 quando Cascuda foi criada era sujinha como o Cascão, aí depois de 1981 ela tomava banho, aí justifica que nas vezes sem sujeirinha porque havia tomado banho, tinha motivo para a alternância entre as histórias.

      O Cascão de tanto ficar em lixões, já deve ver lixos à distância, aí faz sentido de ele alertar a Mônica antes de ela pisar nos cacos e ele também não sofrer em pisar onde não deve, já que ele também anda descalço. Devia se machucar muito nas primeiras vezes que frequentava os lixões e depois passou a ficar atento.

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    6. A meu ver, essa flexibilidade da Cascuda em ser a ⁠☞sujinha que toma banho☜, foi pouquíssimo explorada. Se alguém sagaz como, por exemplo, Rosana Munhoz, atentasse para esse potencial, creio que teríamos na TM do (A)antigo (T)testamento uma terceira guria de peso no núcleo principal. Todavia, óbvio que nada que a alçasse à titularidade, pois organicamente continuaria voltada ao Cascão, afinal, não faria o menor sentido dois sujos titulares e, ainda que supostamente fosse devidamente desenvolvida, jamais se gabaritaria para tal. Porém, o que destaco e vejo como totalmente plausível à época, seria ela em marcantes interações com a Mônica, com a Magali e, até mesmo, em menor frequência, com Cebolinha e alguns outros da turma.

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  2. Acho nada ver isso de meias só o Emerson pra pensar nisso

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    1. Tinha que ser o Chav... digo, o Emerson! Nada a ver, Drico! Não há como discordar de vossa senhoria!
      Inclusive, refletindo sobre determinada característica principal, quem de fato deveria alternar entre usar e não usar sapatos, esse alguém seria o Cascão.

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    2. Concordo, só Emerson pra viajar assim e Mauricio ainda acatou. Pra mim, eles andam descalços, não consigo associar meias neles.

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    3. O Cascão devia usar sapatos por causa do sem medo de água, pelo menos alternando em dias de chuva. Porque ele sem sapato fica o absurdo de andar na chuva com guarda-chuva sem molhar os pés, o chão fica úmido no mínimo e molha os pés. E até se fosse só meia, também molharia. Coisas que acontecem só nas histórias em quadrinhos.

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