quarta-feira, 11 de novembro de 2020

Tirinha Nº 77: Mônica


Nessa tirinha, Mônica põe a mão em um poste e Cebolinha fica zoando que ela está segurando poste para não cair. Para a surpresa dele, realmente estava, mas por causa do deboche e não levar desaforos para casa, Mônica sai e deixa o poste cair em cima dele como vingança. Muito engraçada.

Tirinha publicada originalmente em 'Mônica Nº 64' (Ed. Abril, 1975).

domingo, 8 de novembro de 2020

Rei Leonino: HQ "O Rapto do Rei"


Compartilho ma história em que o Ministro Luís Caxeiro Praxedes precisou lidar com o sumiço repentino do Rei Leonino. Com 6 páginas, foi publicada por volta de 1982 e republicada no 'Almanaque do Chico Bento Nº 8' (Ed. Globo, 1989). 

Capa de 'Almanaque do Chico Bento Nº 8' (Ed. Globo, 1989)

Nela, Ministro Luís Caxeiro Praxedes acorda para mais um dia de serviço no Palácio do Rei Leonino, só que estava atrasado para audiência do Rei. Ele chega lá, vê todos os habitantes da mata em frente ao Palácio, mas o Rei Leonino ainda não tinha chegado. Um guarda também não sabia o motivo do atraso dele e Luís Caxeiro vai no quarto.

Chegando lá, vê tudo bagunçado e revirado e chama pelos guardas. Eles falam que onde já se viu um rei deixar um quarto bagunçado assim e Luís Caxeiro fala que o Rei Leonino nunca faria uma coisa dessas, alguém entrou lá e o Rei não está e ordena que os guardas façam busca no Palácio. Depois, os guardas voltam e não encontraram nada e o Ministro conclui que o Rei Leonino foi raptado.

Luís Caxeiro fala para o guarda que o reino não pode saber, se alguém perguntar é para falar que o Rei está doente e ele vai dispensar a reunião. Luís Caxeiro fala para o povo que a reunião está cancelada porque o Rei Leonino foi viajar. O povo questiona por que ele viajou, por que não avisou e aposta que foi com o dinheiro do povo. O guarda pergunta para o ministro que não era para falar que o Rei estava doente. O povo ouve e questionam que história é essa, o Rei está doente ou foi viajar, por que o ministro está tão pálido. Só resta Luís Caxeiro contar que o rei desapareceu e para não entrarem em pânico e tranquiliza que está tudo sob controle e eles vão embora, alguns com desconfiança.

Luís Caxeiro volta ao Palácio e o detetive Ted Noite estava lá, veio de longe para investigar o caso e o Ministro  se espanta que as notícias voam. O detetive investiga o quarto e fala que o Rei Leonino comeu patê com ovos ontem e o ministro corrige que foi sopa. Logo depois, surgem jornalistas da revista "Matagal" para uma entrevista e fazem série de perguntas como quando foi que o Rei sumiu, quanto pediu de resgate, se o ministro está envolvido no crime, o que diz da segurança do Palácio porque foi fácil eles entrarem lá, além de se a inflação vai baixar, qual signo dele e do Rei Leonino.

Luís Caxeiro fica com raiva e manda os jornalistas sumirem. Nessa hora, Rei Leonino volta com uma vara de pescar e peixes e pergunta o que estava acontecendo. Ministro pergunta onde ele estava e Rei Leonino fala que foi pescar, estava um dia bonito e não resistiu. Ministro fala que tinha audiência e pergunta por que não avisou nada e Rei Leonino pergunta se um rei não pode faltar a um dia de audiência e que teve um merecido dia de descanso.

Quando chega no quarto, Rei Leonino ordena que Luís Caxeiro mande alguém arrumar e pergunta quem fez aquela bagunça toda e o Ministro fica em dúvida que se não foi o Rei, quem foi. No final, aparecem dois bandidos na toca deles, com um falando que revirou todo o quarto do Rei Leonino e não achou nada e o parceiro Zé Ferino fala que é melhor então sequestrarem outra pessoa porque o Rei é muito protegido e é uma pena porque já estava tudo preparado, provando, então, os bandidos estavam planejando mesmo um sequestro do Rei Leonino e se ele não fosse pescar, teria sido sequestrado.

História legal com suposto sumiço do Rei Leonino e Ministro Luís Caxeiro Praxedes achando que ele tinha sido raptado e ter que contornar a situação para não dar crise no Palácio Real. No final, Rei Leonino só tinha ido pescar sem avisar ninguém, mas tinham bandidos com planos de sequestrá-lo mesmo. Foi envolvente ficar descobrindo o que aconteceu de fato com o Rei Leonino e engraçado ver Luís Caxeiro se desdobrar para procurar o Rei Leonino e ainda dar desculpas para o reino fingindo que está tudo bem, assim como ver detetive e jornalistas interessados no assunto e chegarem tão rápido lá antes de ter sido anunciado o sumiço.

Foi de rachar de rir do povo da mata fazendo interrogatório sobre o Rei, principalmente perguntando se o Rei foi viajar com dinheiro público, assim como os jornalistas perguntando tudo, não só sobre o caso, inclusive crítica à segurança do reino e se Luís Caxeiro estava envolvido no crime, saber sobre inflação do reino e até signo deles. Seria mais engraçado ainda se quando Luís Caxeiro falou que o Rei sumiu para  o povo, que eles fizesse aquelas perguntas que os jornalistas fizeram, mas quiseram colocar como que o povo no geral conseguia ser facilmente enganado com qualquer desculpa esfarrapada feita pelo ministro, com apenas alguns desconfiando das palavras dele como o Coelho Caolho.

Foi bem criativa o nome da "Revista Matagal" dos jornalistas, uma espécie de revista "Veja" da mata. Era legal essa comparação da Turma da Mata como uma hierarquia de reino com o Rei Leonino como principal governante junto com o ministro capacho dele e todo o povo da mata como súditos e até ter detetives e jornalistas lá, era como se fosse uma sociedade da vida real, só que protagonizadas por animais. Como eram animais agindo como humanos, gostavam também de colocar críticas sociais nas histórias deles por conta disso. Ultimamente impublicável por acharem que esses temas sociais não são adequados para crianças e principalmente por incluir suposto rapto e bandidos.

Traços muito bons, típicos dos anos 1980. Acabou sendo considerada uma história do Ministro Luís Caxeiro Praxedes, já que o Rei Leonino apareceu só no final, apesar do crédito no título ser ao Rei Leonino. A dupla de ladrões apareceram só nessa história, mas podiam muito bem ser substituídos por Zé Fuinha e Zé Furão, personagens que ficaram muitos anos na Turma da Mata e depois viraram personagens esquecidos. 

quinta-feira, 5 de novembro de 2020

Capa da Semana: Almanaque do Cascão Nº 18


Mostro uma capa de almanaque com o Cascão e os seus amigos dentro de uma lata de lixo gigante, todos compartilhando sua alegria. Típica capa de almanaques com presença de secundários, o que ficava bem legal. Apesar de simples e ser a cara do Cascão, impublicável hoje em dia por conta dos personagens não poderem mais ficar dentro de lata de lixo.

Foi o primeiro do Almanaque do Cascão a ter histórias da própria Globo, no caso histórias das primeiras revistas de 1987. As histórias podiam ser republicadas a partir de 5 anos das originais e como em 1992 já eram 5 anos de Globo já era permitido. Então, os almanaques a partir de junho de 1992 passaram a colocar histórias da Globo, misturando com as da Editora Abril e aos poucos foram diminuindo as da Abril até ficar só as Globo no final dos anos 1990. Curiosamente, nesses almanaques de 1992 foram bastante histórias da Globo, foram mais histórias de 5 anos do que o normal que republicavam, já que costumavam a ter mais frequência histórias de 7 a 8 anos atrás, talvez queriam fazer propaganda da própria Globo. 

E pena que a faixa lateral não tinha mais os desenhos de latas de lixo, guarda-chuvas e porquinhos, como foi entre 1987 a 1991. Eles passaram a só colocar uma faixa colorida a partir de 1992, mas ainda assim era melhor do que as molduras atuais que existem desde 1993.

A capa dessa semana é de 'Almanaque do Cascão Nº 18' (Ed. Globo, Junho/ 1992).

segunda-feira, 2 de novembro de 2020

Chico Bento e Zé Lelé: HQ "A trágica morte de Aristides Bereba"


No Dia de Finados, mostro uma história com Zé Lelé e Chico Bento indo a um cemitério de noite para o Zé Lelé pagar dinheiro do amigo que tinha morrido estava devendo. Com 13 páginas, foi publicada em 'Chico Bento Nº 205' (Ed. Globo, 1994).

Começa com Zé Lelé chorando muito e falando com o Chico Bento que morreu o seu amigo Aristides Bereba, o consertador de rodas de carroça, caiu do precipício e não sobrou nada, era muito legal, pois vivia emprestando uns trocados. Ao lembrar disso, Zé Lelé se pergunta por que estava chorando e fica feliz porque agora não precisa pagar e tudo tem seu lado bom, como dizia sua vó. Chico fala para ele não dizer um absurdo daquele porque o morto vem puxar o pé dele de noite. Zé Lelé fala para esquecer o que falou e diz que o enterro é hoje de tarde.

Na hora do enterro, Padre Lino comenta que estão reunidos para se despedir do Aristides Bereba que perdeu a vida ao cair do Precipício do Corvo Manco e só restou o sapato. Um senhor comenta que Aristides estava correndo atrás da roda da sua carroça que soltou, e chora que ainda estava devendo o último conserto e foi tudo culpa dele. Padre Lino diz que foi vontade divina e só podem agora rezar pela alma dele. Assim, continua a cerimônia e tem o enterro do sapato que sobrou, pois não encontraram o corpo do Aristides.

Quando acaba o enterro, Chico chama o Zé Lelé, aparentemente cabisbaixo, pra ir embora, só que ele estava é dormindo em pé. Chico reclama que é uma falta de respeito dormir no enterro. Zé Lelé fala que foi porque o padre fala devagar e Chico reclama que ele ainda dizia que era amigo do morto e que vai puxar o pé dele de noite. Zé acha implicância e cada um vai para sua casa.

De noite, Zé Lelé reza para o pai-do-céu arrumar um bom cantinho para o Aristides. Quando dorme, ouve uma voz chamando "Zé Lelééé". Quando vê, era o fantasma do Aristides na janela e se assusta. Zé Lelé joga várias coisas em direção a ele e vai embora. Zé fica desesperado, lembrando que o Chico avisou que o morto ia lá para puxar o pé dele.

Depois, Chico está dormindo e  surge uma voz chamando "Chicooo". Ele não acorda e aí puxa o pé dele. Era o Zé Lelé. Chico se assusta, pergunta como ele entrou lá no quarto e Zé Lelé diz que a janela estava aberta. Comenta que o fantasma do morto foi assombrá-lo. Chico acha que era pesadelo dele e Zé Lelé diz que era ele, todo branco chamando por ele e acha que foi assombrá-lo porque ficou devendo um Real, achando ainda pão-duro. 

Zé Lelé quer que Chico vá ao cemitério com ele para entregar o Um Real que estava devendo para o morto pra ver se o deixe em paz. Chico não aceita, falando que foi Zé Lelé que irritou o morto, mas com a insistência dele, acaba indo porque não o deixaria em paz.

Chegando lá, Zé Lelé pergunta se Chico foi a cemitério de noite, comenta que é mais escuro de dia e pergunta se tem medo de escuro. Chico fica irritado e o manda calar a boca. Chico pergunta onde era o tumulo do morto e Zé não sabe. Ele vai para esquerda, para direita e acaba pisando no túmulo. Chico fala que agora que ofendeu o morto e manda colocar logo o dinheiro lá antes que o falecido acorde. Zé Lelé perde a moeda e eles vão procurar, cada um para um lado. 

Zé Lelé ouve barulho de alguém cavando, pensa que é o Chico que achou e está cavando o túmulo para ele, quando vê o fantasma do Aristides. Ele se assusta e corre. Nisso, Chico havia encontrado a moeda e acaba esbarrando com o Zé Lelé. Ele disse que viu o morto e aponta pra ele. Zé corre e Chico desmaia. Aristides acorda o Chico e ele se assusta e pede socorro. Aristides fala que não morreu, está bem vivo. Quando rolou do precipício, caiu em um caminhão de cal, por isso estava branco e não deu tempo de tomar banho. Já havia contado que estava vivo para os parentes, amigos e Padre Lino e quando ia contar para o Zé Lelé, ele se assustou e aí foi ao cemitério cavar a sepultura para recuperar o seu melhor sapato.

Zé Lelé volta com uma pá e quando eles estavam prestes a contar a novidade, bate com força na cabeça do Aristides para mandar o "morto" para o inferno. Chico avisa que ele não está morto e está vivo. No final, Aristides Bereba fica uma fera e corre atrás do Zé Lelé para bater nele, enquanto Zé Lelé grita que jura que paga o Real com juros e Chico torce para que não ocorra nenhuma tragédia. 

Essa história é uma das mais engraçadas do Chico Bento, excelente história de terror e suspense. Zé Lelé pensa que o amigo morreu e resolve ir até o cemitério com o Chico para entregar o Um Real que estava devendo para o morto não puxar seu pé. Tem a ideia de quem debocha e falta de respeito com morto, ele vem de noite pegar seu pé e Zé Lelé ficou impressionado. Temas de assombrações e ficar na dúvida se alguém morreu ou não sempre são envolventes e histórias do Chico com Zé Lelé eram risadas na certa.  

Foi de rachar de rir com Zé Lelé achar bom que Aristides morreu para não pagar a dívida de Um Real, ele dormir no enterro, o fantasma aparecer na janela e achar que queria puxar o pé, ele puxar o pé do Chico dormindo, os 2 em um cemitério de noite. Sempre rio alto nessas partes. Foi bom ver a cerimônia de enterro feita pelo Padre Lino e enterraram sapato porque não encontraram o corpo do Aristides quando caiu no precipício, eles bem que que podiam ter investigado e procurado corpo e não ter pressa de enterrar logo. Estava na cara que o Aristides não tinha morrido, mas a gente tinha que saber como se livrou.

Traços muito bonitos, típicos dos anos 90. Completamente impublicável em todos os sentidos. Envolver morte, Zé Lelé faltar com respeito do amigo morto, mostrar enterro, personagens em um cemitério sozinhos de noite, envolver religião de Espiritismo com espírito voltando para puxar pé,  fora a violência do Zé Lelé batendo na cabeça do Aristides no final, hoje em dia violências com agressões, pauladas, soco na cara, etc, são proibidos nas revistas,e, inclusive fazem alterações nos almanaques redesenhando as cenas quando tinham violência nas originais. Palavras "Diacho!" e "inferno" também são proibidas e são alteradas atualmente nos almanaques.

O Aristides Bereba só apareceu nessa história, como de costume personagens secundários na época. Curioso a MSP sempre ter a ideia de roça e lugarejos antigos, com todos dormindo de janela e portas abertas despreocupados, sem risco de serem assaltados. Até com personagens da Turma da Mônica também aparecem sempre com janela aberta quando dormem sem medo de assalto. De fato, não eram assaltados, mas muitas vezes se davam mal com outro personagem amigo dele entrar enquanto estavam dormindo para aprontar. No caso aí especificamente, se Chico dormisse de janela fechada, o Zé Lelé não entraria para puxar o pé dele e nem chamá-lo para ir no cemitério.

Outra curiosidade foi a primeira história com a moeda Real no texto. A  mudança para o Real foi em julho de 1994 e na história de novembro já haviam 4 meses de lançamento da moeda. Como os gibis são produzidos com uns 3 a 4 meses de antecedência, eles estavam produzindo bem na época do lançamento do Real. O valor que o Zé Lelé estava devendo para o Aristides era o preço da revista, bem insignificante, tanto que foi representado só por uma moeda (podiam também colocar uma cédula que existia), o que se tornou engraçado também. Foi muito bom relembrar essa história marcante no Dia dos Finados, tudo a ver.

sábado, 31 de outubro de 2020

Mônica: HQ "O Piquenique Tenebroso"


Dia 31 de outubro é o Dia de Halloween, então compartilho uma história de terror em que a turminha foi parar em um casarão velho assombrado cheio de monstros. Com 8 páginas, foi história de abertura de 'Mônica Nº 77' (Ed. Abril, 1976).

A turminha foi fazer piquenique e Cebolinha comenta com Magali sobre o lugar que ela arranjou, logo perto de um casarão velho e Cascão fica com medo das nuvens formando chuva no céu. Troveja e Cascão some na hora. Mônica acha que ele entrou no casarão e Magali fala que ele pode ficar lá porque não entra naquela casa. Só que a comida deles sumiram também e, assim, Magali resolve entrar na casa, afinal era um caso de emergência.

Quando Magali se aproxima, a porta se abre sozinha. Mônica até pensa que foi Magali quem abriu, mas não foi. Quando a turma entra, a porta se fecha sozinha e eles ficam com medo. De repente, uma mão apoia nos ombros da Magali, que fica em dúvida porque todos os 3 estão juntos e de braços abaixados. Quando olham aparece só uma sombra e eles ficam apavorados achando que é uma assombração, mas se aliviam vendo que era apenas o Cascão.

Magali pergunta onde está a comida e Cascão fala que está ao lado dele, mas quando vê sumiu. Magali pensa que é história dele enquanto Cebolinha senta em uma poltrona, só que não tinha poltrona quando eles entraram e quando eles vão ver, ele havia sentado no colo de um monstro Frankstein. A turma corre apavorada, mas o monstro também corre atrás deles com medo do tal monstro que falaram. Eles percebem que o Frankstein era bonzinho.

Aparece um homem e Mônica deduz que era um cientista louco por envolver casarão e monstro. Cebolinha pergunta para Mônica como ela sabia e Mônica diz que assiste a todos os filmes de terror na televisão, enquanto o Cientista ri e chora ao mesmo tempo. Mônica diz que estava faltando um lobisomem, uma múmia, um vampiro, quando eles aparecem e prendem a turminha no calabouço do casarão. Mônica pergunta porque está os prendendo. O Cientista fala que foi ele quem criou os monstros, pretende criar cada vez mais monstros e depois vão com fome para a Terra e devorar tudo que veem pela frente e ele vai se tornar rei do mundo e todos passarão fome.

Depois que o Cientista e os monstros vão embora, Magali grita para tirarem de lá porque quer comida e está com fome. Ela faz uma cara de fome com expressão horrível e misteriosa que só a turma vê e eles se assustam e acabam quebrando as grades do calabouço e conseguem sair de lá. O Cientista Louco e os monstros aparecem bem na hora que a turma ia tenta fugir e resolvem atacá-los. Mônica tem ideia da Magali fazer a cara monstruosa de fome e a atenta falando de torta de maçã, feijoada, melancia e outras comidas e Magali acaba com muita fome e faz a cara monstruosa e apavorante que deu medo até nos monstros.

De tanto medo, os monstros somem e o Cientista bate a cabeça na pilastra e fica com amnésia. A turma comemora que ele pode se tornar uma pessoa normal e Magali dá ideia de ele se tornar vendedor de cachorro-quente. No final, Magali come todos os cachorros-quentes do Cientista e faz a turminha pagar tudo que ela come como castigo da Mônica ter dado tentação falando de todas aquelas comidas na hora que os monstros iam atacá-los.

Sem dúvida uma história sensacional com a turma enfrentando monstros criados pelo Cientista Louco para dominar o mundo. História de terror muito envolvente do início ao fim. Foi legal ver a turma assustada ao ver uma sombra do Cascão e com os monstros, tiradas como o Cientista falar para esperar trem e bonde e até o início foi legal com Magali chamando Cascão de safado por ter roubado toda a comida do piquenique ao sumir por causa do trovão e ela ser a primeira a entrar no casarão só por interesse de ter a comida de volta. Turminha se deu mal no final e Magali se deu bem por comer os cachorros-quentes a vontade e seus amigos que pagaram tudo. Quando se tratava de comida, ela era capaz de tudo. Ela salvou a Terra sem querer, mas não gostou da tentação de comida pelos seus amigos para assustar os monstros. 

Os 4 personagens tiveram participação ativa na história, todos se encaixaram bem, sem dizer que estavam lá apenas por figuração. Cada personagem com sua personalidade real, do jeito que devem ser. Mais importantes foram Cascão e Magali. Cascão foi responsável pelo inicio da história por ter entrado no casarão por causa da chuva e eles precisarem entrar lá para recuperar a comida do piquenique. Já Magali foi quem organizou o piquenique em frente ao casarão velho e foi decisiva para a turma se livrar dos monstros e piada final com ela. Pode até considerar uma história dela, se ela tivesse revista na época, podiam publicar em revista dela tranquilo. Magali ainda não era considerada uma grande personagem, mas pelo visto já tinham uma ideia de se tornar e encaixando aos poucos junto com os outros 3 para os leitores irem se acostumando.

O ponto alto e decisivo da história, foi o mistério da cara da Magali fez quando estava com muita fome, uma cara tão feia e monstruosa que conseguiu assustar até os monstros. Em vez de mostrar a cara, ficou só na imaginação dos leitores de qual cara ela fez na hora quando aparecia de costas. Foi algo semelhante que o Mauricio de Sousa fez com a Tonica, prima do Cascão na história "A dona da rua" (Mônica Nº 2, de 1970), em que a Tonica fazia uma cara misteriosa ao ficar triste que sensibilizava os personagens e cedia aos interesses dela por pena. Mauricio gostava de fazer histórias com mistérios de expressões de rostos dos personagens sem mostrar como era tal expressão, para forçar os leitores imaginarem, a pensarem nas coisas. Era uma boa sacada cada um imaginar a cara como desejasse. Não  sei se essa "O Piquenique Tenebroso" é do Mauricio de Sousa, talvez sim, e se não for, pelo menos o roteirista deixou a essência do Mauricio nela.

Por conta de comparar a Magali como um monstro, assim como o final com ela comendo vários cachorros-quentes e ainda mais às custas dos amigos para se vingar de eles  provocarem fome nela e também eles serem empurrados no calabouço do jeito que foram não fariam essa história hoje em dia.  Eles não gostam mais de explorar a fome exagerada na Magali e nem ter exploração dos amigos e também os personagens não podem mais sofrer violência. Poderiam até fazer o tema central, mas com essas adaptações.

Traços ficaram bons e típicos dos anos 1970. Dá pra notar que em 1976 já estavam diferentes em relação às primeiras revistas da Mônica de 1970 e 1971 e já começando a ficarem parecidos como os dos anos 1980, só que os personagens ainda tinham bochechas pontiagudas, línguas ocupando maior parte das bocas e eram mais magros. Chama também a riqueza de detalhes nos cenários como um todo, muito caprichados. Teve um erro com Magali aparecendo de vestido vermelho em um quadrinho na penúltima página. Eu tirei as imagens do 'Almanaque da Turma da Mônica Nº 18' (Ed. Abril, 1982), mas acredito que na revista original de 1976 também apareceu assim já que eles não costumavam alterar cores de originais na Editora Abril. Termino mostrando a capa desse 'Almanaque da Turma da Mônica Nº 18' onde foi republicada como história de encerramento.

Capa de 'Almanaque da Turma da Mônica Nº 18' (Ed. Abril, 1982)