terça-feira, 13 de julho de 2021

Chico Bento Nº 5 - Panini (Chico Bento 60 Anos)


Chico Bento completa 60 anos agora em 2021 e para comemorar a sua edição "Nº 5" da 3ª série tem história especial com a data histórica. Comprei essa edição e mostro como foi.

Chico Bento foi criado em 1961, inicialmente como coadjuvante nas tiras de jornais de Hiroshi e Zezinho (que mais tarde seriam chamados de Hiro e Zé da Roça, respectivamente) e como o pessoal gostou tanto do Chico que não demorou muito para ser o protagonista do núcleo rural. Apesar de ter sido criado em 1961 em esboço, a sua primeira aparição nessas tirinhas de jornais foi apenas em 13 de fevereiro de 1963 no jornal "Diário da Noite".

Primeira tirinha com o Chico Bento (1963)

Chico Bento foi inspirado na vida da roça do Mauricio na infância, tudo que ele presenciou, retratava nas tiras e histórias. O nome veio do seu tio-avô. Ele era extremamente matuto do interior até os anos 1970 e característica maior era ser lerdo e se irritar fácil com as coisas. Nessa fase tinha histórias solo nas revistas da Mônica e Cebolinha.

Com o tempo o Chico foi criando uma personalidade própria, ficando mais firme quando foi criado o seu gibi pela Editora Abril.  Ele passou a ter mais facetas como ser preguiçoso, ser teimoso, não gostar de estudar, aprontar com o Nhô Lau, ser ciumento com a Rosinha, lerdo ao visitar o seu primo Zeca na cidade, preservar o meio ambiente, ser amigos dos animais, ter coração puro para perdoar as coisas e transmitir boa mensagem no seu estilo simples, etc.

Primeira história do Chico Bento (1964)

Sem dúvida o que marcou mesmo o personagem e deixou tão querido foi sua simplicidade. É considerado o personagem mais humanizado do Mauricio, em todos os subnúcleos ele apresenta um jeito diferente. Hoje em dia por causa do politicamente correto, atenuaram muitas coisas, descaracterizando o personagem, mas não deixa de ser grande personagem assim mesmo. Chico ganhou revista própria em 1982 pela Editora Abril (114 edições), passando pelas Editoras Globo (467 edições) e Panini (100 + 70 + 5 edições), onde está hoje, totalizando 756 edições até agora, somando as 3 editoras. 

Para comemorar os 60 anos do Chico, foi criada, então, essa história especial de 'Chico Bento Nº 5', de julho de 2021. A data não podia passar em branco, porém até agora está mais modesta de quando o Cebolinha completou 60 Anos em outubro de 2020. Só naquele mês, ele teve história especial na sua revista, livro especial em capa dura, 'Almanaque Temático' só com histórias de aniversário do Cebolinha, um livro especial de Dia das Bruxas e até um 'Almanacão Turma da Mônica' só com histórias do Cebolinha teve. Já as comemorações do Chico até agora foi só essa história do seu gibi mensal, nem 'Almanaque Temático' de aniversário dele teve e nem o livro "Chico Bento 60 Anos" foi lançado junto. Devem lançar pelo menos esse livro ainda esse ano, mas, sem dúvida, percebe-se que sempre dão mais destaque a dupla Mônica e Cebolinha do que os outros.

Evolução de traços do Chico Bento

Sobre a mensal desse mês, custa R$ 7,90 e segue com formato canoa, 84 páginas e tamanho convencional, com 9 histórias, incluindo a tirinha final, mais 9 páginas de passatempos, seções de mensagens de leitores, fichas dos personagens "Turma do Mauricio" e tirinhas clássicas . A distribuição até que chegou cedo aqui nesse mês, dia 3 de julho. Estão mais rápido agora nas bancas que estão vendendo gibis, já que infelizmente muitas bancas aqui deixaram de vender gibis em definitivo.

A capa foi em referência a história de abertura, sendo mais modesta do que foi com o Cebolinha 60 Anos, mesmo assim ficou boa. E o desenho se estende na contracapa, como acontece com todas as mensais desde que reiniciaram numeração nessa 3ª série da Panini.

Capa com desenho se estendendo com a contracapa

A história de abertura "60 que lá vem história" foi escrita por Flavio Teixeira de Jesus, dividida em 3 partes e com 30 páginas no total. Ambientada em 1961, o Mauricio quer inspiração para criar um novo personagem e resolve caminhar pelo sítio que morava para buscar inspiração. No caminho, encontra com vários estilos de Chico Bento e com as conversas vai vendo referências que saíram nas revistas do Chico Bento e conseguir a sua inspiração para o novo personagem.

Cada Chico que o Mauricio encontrava tinha uma personalidade e mostrava alguma referência a histórias antigas de acordo com a personalidade mostrada. Tipo, ao encontrar o "Chico Lendário", mostrava também figuras folclóricas que apareceram nas revistas. Com o "Chico Monstrengo", foi mostrado monstros e seres que contracenaram com ele em sua trajetória, o "Chico Transformento" que se transformava em coisas, e por aí vai. Tem também facetas de personalidades do Chico como o "Chico Imbomentro", que falava mentiras e enrolava os outros, o "Chico Lento", que era a sua personalidade lerda, o "Chicodorigo Preguiçarves Bento" como o Chico preguiçoso, entre outros. Cada Chico retratado não apareceram em histórias antigas, eram só tipos de personalidades do Chico Bento que o personagem teve ao longo dos seus 60 anos. Porém, achei que ficou muito corrida a história depois de um tempo, principalmente do meio a mais para o final.

Trecho da HQ "60 que lá vem história"

Em relação a referências, tiveram bastante, como a cachoeira falante de  "Era uma vez (Sete quedas)" (CHB # 11, de 1983), Chico Minhoca (CHB # 14, de 1983), o Curupira na história "Um curupira moderno" (CHB # 56, de 1984), o Monstro da Lagoa (CHB # 74, de 1985), o Maicon Jackson, da história "Maico Jeca" (CHB # 28, de 1988), Chico abelha de "O abelhudo" (CHB # 56, de 1989), a irmã Mariana que morreu (CHB # 87, de 1990), presença do Paul McCartney, de "Pôu in Roça" (CHB # 95, de 1990), o Chico virando flor, da história "Uma flor de menino" (CHB # 114, de 1991), seres azuis do poço da história "O fundo do poço" (CHB # 133, de 1992), presença da Xuxa em "Chico na Xucha" ( CHB # 148, de 1992), personagens fantasiados iguais em "Carnaval no arraial" (CHB # 210, de 1995), Zé Lelé vestido de pimentão da festa do pimentão (CHB # 214, de 1995), Chico coelho em "Chicoelho em plena Páscoa" (CHB # 265, de 1997), crossover com a Denise em "Causando na roça" (CHB # 32, de 2009), Chico Bento menina, de "Chico ou Chica?" (CHB # 50, de 2011), presença da Rita  Lee (CHB # 57, de 2011), entre outras. A cena inicial, inclusive, foi referência á história "Chuva na roça" (CHB # 10, de 1982) e teve até a gruta que o Chico entrou em "Chico 7 anos" (CHB # 2, de 1982).  

Na gruta, inclusive, tem presença do Piteco, Capitão Feio, Astronauta, Papa-Capim, Seu Juca, Franjinha e Bidu como personagens de outros núcleos que chegaram a contracenar com o Chico Bento. No caso, Piteco foi referência à história "O que passou, passou" (CHB # 34, de 1988), Capitão Feio foi em "A batalha do século" (CHB # 69, de 1989), Astronauta foi algumas vezes, como em "O mundo acabou em mim" (CHB # 79, de 1990) e "Astronauta preocupado" (CHB #150, de 1992), Papa-Capim em "Como apresentar um trabalho" (CHB # 239, de 1996) e em "Papa-Capim encontra Chico Bento"  (MN # 140, de 1998) e Seu Juca foi em "Seu Juca vai ao campo" (CHB # 280, de 1997) e em "Os moleques da porteira" (CHB # 35, de 2009). Já Franjinha em "A hora do planeta" (CHB # 1, de 2021) e Bidu em "Uma pontinha pro Bidu" (CC # 32, de 1988).

Trecho da HQ "60 que lá vem história"

Claro que muitas coisas antigas ficaram de fora, pelo menos teve algo em todas as épocas das revistas dele. Senti falta de extraterrestres marcantes, que teve época que apareciam bastante. Até podia ter também algumas referências dos anos 1970 de quando ele não tinha revista, mas ele contracenando com figuras do folclore e bichos representam todas as épocas, pois sempre teve. E Logicamente não teve diabos e bandidos marcantes para atender o politicamente correto.

Podiam ter encaixado também Zé da Roça e Hiro durante a história, nem que fossem em aparições rápidas, mas eles não apareceram nem no final. Assim também ausência dos pais do Chico, Seu Bento e Dona Cotinha, também foi sentida, mereciam estar também. No início, o Mauricio conversa com a Vó Dita, como sendo a sua própria avó, já que a personagem foi inspirada na sua avó na vida real e, assim nada mais natural, colocar assim. Os traços não ficaram ruins, tiveram bons desenhos no geral. 

Foi boa história, apesar de as com referências antigas são repetitivas, mas Chico merecia uma assim porque nunca teve história desse tipo. Até em 'Chico Bento Nº 700' isso passou em branco e agora finalmente uma história desse tipo com ele e sem ser só com a dupla Mônica e Cebolinha. Podiam ter colocado um extra com os números das edições das referências mostradas na história ou colocar no rodapé quando apareciam porque nem todas o público vai lembrar e saber de onde tiraram tais referências.

Trecho da HQ "60 que lá vem história"

Já o resto do gibi segue o estilo normal que vem sendo, com histórias curtas misturadas com um pouco mais desenvolvidas e mais voltadas a lição de moral. Vó Dita foi o grande nome da edição, aparecendo em 3 histórias. Histórias com secundários foram com Turma da Mata e Piteco. Em "O rei que não sabia assobiar", com 6 páginas, Luís Caxeiro tenta arrumar um jeito de fazer com que o Rei Leonino aprendesse a assobiar. Já em "Missão Cumprida", Chico tenta impedir que o pessoal passe em cima da trilha das formigas até o formigueiro.

Trecho da HQ "Missão cumprida"

Em "O presente do Tio Glunc", Piteco vai em busca de um presente de aniversário para dar para o Tio Glunc, ele vai com o seu bastão  eno caminho precisa fazer salvamentos de pessoas e enfrentar alguns perigos. Foi bom ter a volta do Tio Glunc, pra quem não sabe, é o tio da Thuga que implicava com o Piteco e os planos da sobrinha se casar com ele, além de ter uma fama gananciosa, de querer dinheiro a todo custo e sonha em casar a Thuga com um pretendente rico. Essa personalidade não foi abordada nessa história, foi tudo simples para atender o politicamente correto, o Tio Glunc apareceu só no último quadrinho, mas valeu a lembrança por estar sumido há tempos.

Trecho da HQ "O presente do tio Glunc"

A revista também histórias curtas de 1 a 2 páginas com Chico Bento e com Piteco, com destaque em "Uma rosa para a Rosinha", que tem créditos da Rosinha, mas ela nem aparece, só mostra que o Chico quer pegar uma rosa da plantação da Vó Dita para dar pra Rosinha. E encerra com "A semente e o vento", em que é ambientado na época de nascimento do Chico com o seu pai, Seu Bento, tentando plantar uma semente de árvore, como era tradição na família Bento sempre que uma criança nascesse na família e quando ele ia plantar, a semente voa e o Seu Bento corre atrás para recuperá-la passando vários sufocos. A história mostra então, a origem da goiabeira do Nhô Lau, de como surgiu e por que o Chico gosta tanto da goiabeira dele.

Trecho da HQ "A semente e o vento"

Na seção "Turma do Mauricio", sempre com 2 páginas, mostra as fichas dos personagens Zé da Roça, Raposão, Seu Leocádio, Guatira e Ermitão Espacial. Já nas tiras clássicas, sempre com 4 páginas, dividindo 2 páginas com núcleos de personagens variados, tiveram 4 tiras do Chico Bento dos anos 1970 e 4 do Piteco dos anos 2000. Nas tiras do Chico deixam bem claro que a grafia usada nas tiras são originais da época, pois podem ter grafias diferentes antes do novo acordo ortográfico de 2009, fora que até os anos 1970, o Chico falava português normal, sem o caipirês que conhecemos, com raras exceções de algumas tiras dos anos 1970, que colocavam caipirês as vezes como forma de experiência. Essas tiras foram excelentes nessa nova série de gibis da Panini, bem que podiam depois de um tempo, criarem livro especial reunindo essas tirinhas que saíram nas revistas dessa terceira série da Panini.

Uma das páginas de Tiras Clássicas do Chico Bento na edição

No geral achei uma boa edição. Depois do fiasco de 'Chico Bento Nº 700' ter passado em branco foi uma boa os 60 anos do personagem ter sido lembrado. Boa ideia de retratar o Mauricio buscando inspiração para criar o Chico Bento para ser gancho para mostrarem as referências que passaram nas revistas do Chico (ou inspiração de futuras ideias para histórias nas revistas pelo contexto da história).  Achei melhor que a história do Cebolinha 60 Anos. Vale a pena ter a revista pelo valor histórico dessa de abertura, já que as outras seguem o estilo atual. Já as outras revistas do mês não comprei, aí não tem resenha. Fica a dica.

50 comentários:

  1. Comprei a edição e também achei a história meio corrida a partir de certo ponto, e até um pouco confusa pra quem não pescar as referências. Além de que Hiro e Zé da Roça foram totalmente escanteados. Talvez as tira do Hiro no final tenham até sido pra "remediar" um pouco isso.

    Achei legal a participação do tio Glunc também, mas é totalmente nada a ver a Thuga pedir algo para o Piteco, e ele responder assim de tão boa vontade. Ainda mais sendo algo para o tio dela, já que os dois não são grandes amigos.

    Enfim! A edição é válida pela comemoração, mas acho que poderia rolar uma caprichadinha a mais.
    Ps: Marcos, você citou que o Papa Capim não aparece na gruta, mas ele está lá sim. Aliás, até o seu Juca aparece também.

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    1. Pois é, o Zé da Roça e o Hiro podiam ter feito uma ponta, vacilou nisso. Mesmo que o Hiro compensou nas tirinhas clássicas, mas não é a mesma coisa que estar na história principal. De fato ficou meio corrida e confusa certos pontos e têm referências que a gente não lembra ou não sabe, nem eu sei todas que mostraram. Fora isso, foi legal. Também gostei do Tio Glunc, apesar de descaracterizado, antes eram inimigos, Piteco atendeu o pedido da Thuga para não guardar rancor como os bons costumes atuais. Eu olhei rápido e acabei não vendo o Papa-Capim e o Seu Juca. Eles contracenaram com o Chico, sim. Bom que o Papa-Capim apareceu no estilo tradicional, sem roupa. Já editei essas informações, valeu por avisar.

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  2. Fala xará!
    Eu gostei desse gibi tbm, ficou bom, com umas adaptações serviria perfeitamente como Chico Bento 700.

    Eu ainda não me conformo com essa "terceira série". Já tava na edição 70 e voltou assim... Do nada? Pelas minhas contas ele chega no número 100 em junho de 2029. Vou ver se eu tenho paciência de colecionar os gibis até lá pq queria muito ter uma coleção até o 100.

    Essa terceira série essa boa. Gostei de Cebolinha 1, Chico Bento e tm 2, Mônica e Magali 3, Cebolinha e Magali 4, Chico Bento, Mônica e Cascão 5 até agora. Que continue assim que tá legal. Eu gosto dos roteiros do Emerson Abreu (não de todos, mas gosto).

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    1. Foi uma boa edição essa do Chico. A revista 700 foi lamentável não ter tido comemoração, aí e redimiram agora. Eu também não gostei de terem reiniciado numeração, podiam fazer as mudanças de design e números de páginas sem reiniciar, mas foi algo de mercado pra ver se atraem mais vendas. Não sei se essa série vai chegar ao número 100, talvez até reiniciem depois do n° 50 do jeito que andam as coisas, duvido nada.

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    2. Esse gibi do chico 700 foi tão ruim que até a tirinha final não foi do Chico Bento, e sim do papa-capim. Essa aí foi de doer.

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    3. Foi fraca demais, uma revista comum com informação na capa que aquela era edição 700 e uma capa mais especial se comprasse a versão alternativa. E só. Tomara que na Nº 800 seja uma coisa mais à altura que ele merece, caso ainda sigam essa linha comemorativa nas revistas.

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    4. Essa fase da época 700 os gibis estavam mornos demais

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    5. Miguel, pior que estavam mesmo.

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  3. Estava nesses dias pensando:se no universo da TM não pode ter mais diabo,será que não pode mais ter (outros) seres floclóricos,como lobisomem,mula-sem-cabeça,saci,etc?
    Se bem que ainda existe a Turma do Penadinho.

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    1. Existem seres folclóricos, só não tem com muita frequência. Já diabos eles não aceitam, até tentaram voltar uma época e tiveram reclamações dos pais e povo do politicamente correto e aí pararam de novo de colocar.

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    2. Eu vi diabinho em gibo de 2013..gente eles sempre se davam não no final o povo cheio de medo de mensagens subliminares e achando que e odeao capiroto tem medo de qualquer representação do mal..sendo que nas igrejas o que mais se fala e no cara lá de baixo

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    3. Miguel, por volta de 2013 a 2015 até estavam tentando voltar com diabos, mas tiveram muitas reclamações dos pais e do povo do politicamente correto, aí voltaram a trás e não colocaram mais.

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  4. Obrigado, Fabiano. Procurei deixar o mais detalhado possível. As numerações algumas eu sei de cabeça, outros eu vejo no Guia dos Quadrinhos ou site do Paulo Back. Já os títulos das histórias só vendo nesses sites porque saber de cabeça não daria.

    Não sabia disso que não vai ter livro do Chico Bento 60 anos. Pensava que só iam adiar. Bidu, tudo bem, porque venderia pouco por ter gente não gostar dele, mas Chico têm importância maior, pelo menos livros especiais dos 5 personagens principais devia ter nem que seja atrasado, podiam deixar um por ano e sem ser em capa dura pra ficar mais barato. Ou ter pra todos ou pra nenhum, seria o mais certo.

    Legal que gostou dessa revista. Vou ver o seu vídeo quando for ao ar. Abraço

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  5. A tão aguardada postagem, batuta!
    Errar é bom, Marcos, prova que você não é inumano, Chico Bento nº74 da Editora Abril está atribuída ao ano errado, normal, errinho à toa!
    Embora meu baixo interesse em histórias da TM clássica publicadas neste século, reconheço que também devem ser destacadas em importantes HQs comemorativas como esta, muitas são clássicos que desconheço, como a de 2011 em que Chico se transforma em garota, baita clássico com o mesmo tema que conheço bem é "Cuidado com o arco-íris!", pena não ter sido lembrada, normal também, comemorações em fase decadente não dá e nem é justo se referir apenas ao auge.

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    1. Sim, a edição n° 74 é de 1985, leve erro que já corrigi. Embora as dos anos 2000 em diante são mais fracas, mas não pode generalizar, sempre tem algumas que salvam e as da Panini têm também seus clássicos. Eles têm que mostrar todas as épocas em histórias assim. A com a Rita Lee considero a mais clássica da Panini dentre as mostradas.

      Pelo desenho mostrado não foi referente a "Cuidado com o Arco-íris" da n° 15 de 1987. Essa era boa, talvez colocaram a outra pra ter também referências a Panini.

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    2. Quanto à clássica de 1987, dois termos bastante interessantes são "arco-da-velha" como sinônimo de arco-íris proferido em caipirês por um senhor negro que se diz vidente, e o sensacional "pestinferno" proferido por Chico Bento em forma feminina ao estapear para longe um garoto que lhe belisca os glúteos, HQ formidável!

      Beira o ridículo não incluir Zé da Roça nesta edição, personagem extremamente importante.
      Usando raciocínio lógico, muito provavelmente Zé da Roça foi concebido antes do Hiro, ainda que publicamente tenham sido apresentados juntos, pois se lá no início da década de 1960 Mauricio pretendia criar um núcleo caipira, Hiro não possui tal aspecto e nem se expressa por caipirês, encaixaria perfeitamente no Limoeiro, diferente de Zé da Roça que carrega o conceito rural no nome e se traja como tal, ou seja, tudo leva a crer que em ordem cronológica o primeirão mesmo de Vila Abobrinha é o carismático Zé da Roça. Que gafe a MSP apronta nos sessenta anos do núcleo!

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    3. Foi excelente aquela história, sem chance hoje em dia. Foi gafe grande, sem dúvida, ainda mais que eram dos primórdios, da época da história retratada no especial. Acho que Mauricio criou o Hiro no núcleo rural pra ter um contraste entre ele e o caipira Zé da Roça. Ele até podia também ter criado o Chico Bento de cara unto com o Zé da Roça pra ter um caipira mais esperto e outro lerdo se quisesse, mas acho que achou melhor um personagem mais comum pra contracenar com o Zé da Roça a princípio.

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    4. Analisando bem, Hiro até que é bastante incomum para um brasileiro, pois não é branco, não é negro, não é ameríndio, também não é mulato, nem caboclo e nem cafuzo, é amarelo de pai e mãe, existem pessoas que são frutos de miscigenações de amarelos com negros, amarelos com brancos e amarelos com derivações como as que mencionei, até onde sei os pais do guri são amarelos.
      Fora do Japão, o Brasil possui maior concentração de japoneses e de descendentes desse povo aguerrido, nos primórdios, trabalhavam basicamente em lavouras, eram camponeses, maior parte da colônia concentrava-se no estado de São Paulo e de lá para cá ainda possui a maior concentração dentre os demais estados, daí se explica a inspiração para a criação do Hiro já que seu criador é paulista, e o motivo de inseri-lo em contexto rural.
      Mas entendi o que quer dizer com "mais comum", Marcos, significa que embora também seja um caipirinha, Hiro não traz consigo o esteriótipo do caipira, possui aspecto urbanizado e se expressa como tal, do ponto de vista urbanizado, ou seja, do nosso ponto de vista soa mesmo como um garoto comum, já do ponto de vista ruralizado certamente Hiro é um tanto incomum.

      Agora, suprimir Zé da Roça ao comemorar os sessenta anos do titular indica como que a atual equipe da MSP é descompromissada com o passado histórico da empresa e dos personagens, muitos que lá estão devem conhecer bem menos a Turma da Mônica clássica que nós veteranos que comentamos aqui.

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    5. Isso, embora Hiro ter descendência japonesa, mas quis dizer que não tinha estereótipo rural, tem mais estilo urbano. Foi lamentável ele e Zé da Roça não aparecerem. Eles também esqueceram de colocar os pais do Chico na história, que tanto apareceram nas revistas. Bola fora também.

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    6. Lembrando que como o Zé da Roça e o Hiro surgiram na revista da Coopercotia (Cooperativa Agrícola de Cotia) e que era uma cooperativa fundada por imigrantes japoneses, pode ter a ver também.

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    7. Sim, Resiak74, já sabia a respeito deles terem estreado nesse periódico municipal agrícola, o que é novidade para mim é a cooperativa ter sido fundada por japoneses, aí está a clara inspiração para a criação do Hiro, valeu pelo adendo!

      Quanto ao Nhô Bento e Dona Cotinha, Marcos, não estão na história de abertura, porém estão na edição comemorativa, aí dá-se um desconto pelo menos.
      Imagino que não, mesmo assim não custa perguntar, há alguma referência ao Fido?

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    8. resiak4, com certeza foi isso então do Hiro ser japonês, faz sentido. Se bem que o Mauricio sempre se interessou pela descendência e cultura japonesa e depois aé se casou com a Alice e criou outros os personagens Tikara e Keika japoneses, a Turma da Mônica Jovem inspirado em mangás japoneses.

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    9. Zózimo, o Zé da Roça e Hiro também aparecem na história "Missão cumprida", não ficaram ausentes completos da revista que nem os pais do Chico, o que foi menos mal. Porém, eu acho a história de abertura mais importante até por ser a única especial e todos os principais fixos da Turma do Chico Bento deviam estar nela. Hiro e Zé da Roça como têm importância maiores por serem os primórdios do núcleo rural, aí fica mais sentida a ausência na de abertura.

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    10. Ah, bom! Então Zé da Roça não foi excluído da edição, entendi que havia passado batido por completo e Hiro aparecendo apenas em duas tiras, então nem tudo está perdido, as críticas de vocês que possuem o número se restringem à HQ de abertura, é lógico que de forma mais atenuada continuo concordando com vocês, suprimir Hiro, Zé da Roça, Dona Cotinha e Nhô Bento da trama que aborda como se deu a inspiração para criar Chico Bento pegou mal mesmo, são trinta páginas, só conheço os trechos postados aqui, mesmo assim dá para afirmar que de certa maneira a história ficou mal contada.

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    11. Sim, a reclamação é só da historia de abertura por ser especial e mostrar inspiração do Mauricio pra criar o Chico, aí eles tinham que estar, tanto Zé da Roça, Horo, Seu Bento e Dona Cotinha. Menos mal que eles apareceram em outras histórias aleatórias da revista, mas a de abertura que era especial e a mais importante.

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    12. Aqui tem uma revista com a imagem da tira Hiroshi e Zezinho https://produto.mercadolivre.com.br/MLB-1936987623-revista-coopercotia-dezembro-de-1963-_JM

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    13. Conheço a tira, Resiak74, ainda assim agradeço pela presteza de nos trazer o link, sua iniciativa é de utilidade pública, muito obrigado!

      Interessante também é a avó do Mauricio ser sósia da clássica Vó Dita, denotando claramente em quem o cartunista se inspirou para criar sua primeira personagem anciã, pois imagino que seja a primeira e Vovoca a segunda. Talvez o ofuscado Pajé até possa ser o mais antigo.
      Infelizmente em vários segmentos artísticos os idosos são relegados ao segundo plano, embora a estrondosa figura de Papai Noel e a famosíssima figura do Tio Sam que nada mais é que a personificação dos EUA, ambos são exceções.

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    14. Eu sabia que as histórias deles eram dessa revista, mas eu não conhecia esse tabloide aí, inédito pra mim.

      A Vó Dita foi a primeira idosa, inspirada na avó do Mauricio. O Pajé veio antes da Vovoca.

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    15. Já conheço há algum tempo, Resiak74 e eu nos expressamos mal, é tabloide e não tira.
      Marcos, o canal Tudo Sobre a Turma da Mônica afirma que esse tabloide de estreia da dupla rural foi publicado em 1963, Chico Bento foi criado em 1961, prova nada até aí, Hiro e Zé da Roça podem ter sido criados antes do titular, mas será que de fato foram? Anos em que ocorrem estreias de personagens podem ou não serem os mesmos das criações.

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    16. Zózimo, pelo que vi a primeira tira que o Chico apareceu foi em 1963, mas Hiro e Zé da Roça foram criados antes, pelo menos em 1962 as primeiras tiras publicadas. Antes disso, pelo visto só esboços ou ideia de inspiração do Mauricio, mas sem material nessas datas, pelo menos divulgado.

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  6. Resenha sensacional, como sempre Marcos! Essa edição você não poderia deixar de comprar e fiquei bem satisfeito de vc ter adquirido. Também gostei da história de abertura, mas concordo com você: poderia ter sido citadas as referências das histórias em que cada cena aparece. E claro, o Hiro e o Ze da Roça não terem aparecido na história de abertura foi um esquecimento inadmissível. Afinal, são personagens que antecedem ao Chico Bento e são os principais amigos da roça do Chico desde sempre. Não poderiam jamais ficarem de fora da história, nem que fosse só no último quadrinho. Enfim, mas é uma edição que é muito legal ter na coleção e vamos aguardar se terão outras publicações comemorativas, como teve do Cebolinha.

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    1. Obrigado, Ricardo. Chico Bento está imperdível este mês, não podia deixar de comprar essa. Quem bom que você também gostou da revista. De fato, Hiro e Zé da Roça tinham que ter aparecido, nem que fosse na festa no final, bola fora deles. Vamos ver e vai ter outros especiais ao longo deste ano, pelo menos livro Chico bento 60 Anos e um Almanaque Temático de aniversários do Chico bento poderia ter para seguir o padrão de outros personagens.

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  7. Excelente resenha, Marcos! O guia de referências ficou muito bom! Poderiam ter incluído umas notas na edição, mas talvez ficasse muita informação de revistas antigas e deixasse os novos leitores perdidos. Achei algumas coisas bem aleatórias, como aquele Chicombo (mix de Piteco, Capitão Feio e Astronauta), mas de qualquer forma acho que os leitores das várias épocas vão poder relembrar de aventuras marcantes. Teve até piada absurda para justificar o politicamente correto (atirar lagostas). Gostei da cena final com todos vestidos de Chico Bento, só faltou mesmo, como já comentaram, o Hiro e o Zé da Roça. O Chico e o Zé Lelé no estilo Toy no "fim" também gostei, ficou mais uma referência de personalidade "atual" dos personagens.

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    1. Valeu resiak74. Sobre as referências, podiam ter colocado um extra de 2 páginas informando as edições de cada uma como fizeram com as referências da capa de Cebolinha 66. Aí por isso procurei colocar maior número possível delas aqui na postagem.

      Geral reclamou da ausência do Hiro e Zé da Roça e com razão, eles mereceriam estar na história. Outras ausências sentidas foram dos pais do Chico, também deviam estar.

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  8. Bem dizer todo roteiro de comemoração do Flávio é assim, ele quer mostrar muito mas no meio da HQ parece que tem o limite de páginas, aí sai tudo corrido. Que nem aconteceu com Magali 500, Mônica 600 Cebolinha 60 anos e Cebolinha 100, e sobre não ter livro é triste, mas parece que no final da HQ eles deixam spoilers de que vem mais coisas por aí, pq a comemoração só tá começando.

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    1. Sim, as histórias do Flavio costumam ser corridas, as vezes acontecia também na Clássicos do Cinema. Acho que deva ter mais alguma coisa especial do Chico ainda este ano, pelo menos um Temático de aniversário dele e um livro 60 Anos poderia ter. Devem soltar aos poucos, mas diferencia do Cebolinha que foi tudo lançado ao mesmo tempo, dão um tratamento melhor ao Cebolinha e à Mônica do que os outros.

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  9. Chico dos principais e sempre deixafp um pouco de lado. Acho que ele não teve livro dos 50 anos e na epica todos os outros ganharam. A turminha era o carro forte da panini. .Acho que ainda e em menor grau..desenho e animados dele não tem mais porque pais reclamaram dos filhos falando errado...e e um dos melhores personagens uma pena. Pelo menos teve essa edição ..

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  10. Miguel, não ter livro 60 Anos ficou a desejar. Se teve com cebolinha, tinha que ter com outros. Como disse, ou tem com todos ou com nenhum. Que não fizessem com o Cebolinha então. Pelo menos a data não ficou completamente em branco com essa edição mensal do Chico. Já os de 50 Anos, o Chico teve sim, assim como todos os outros personagens grandes que tem revistas e mais o Bidu também.

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  11. Já perdi a esperança no Curupira de terno.

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    1. Ele é o Curupira que apareceu em Chico Bento 56 - Ed. Abril, 1984

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  12. Não vi propaganda achei que não teve

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  13. Chico. Merecia sem duvidas..e um dos personagens que mais carrega a alma do Maurício..mas publicações extras da turminha tem diminuído. Não está tendo clássicos do cinema edições em inglês e saiba mais

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  14. Miguel, não teve propaganda porque não teve o livro. Poderia não ter esse mês, mas achava que até final do ano teria. Merecia mesmo. Sobre essas outras edições aí regulares foram todas canceladas, enxugaram deixando só as 6 mensais, 6 Almanaques e Turma da Mônica Jovem, além de Almanaque Temático e Almanacão Turma da Mônica.

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  15. O Flavio Teixeira sempre é escalado pra essas histórias comemorativas, até porque ele já tem o know how de histórias com easter eggs né, anos escrevendo Clássicos do Cinema.

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    1. Sim, normalmente histórias comemorativas são do Flávio ou Paulo Back, até por serem mais antigos lá e terem mais conhecimento das histórias antigas.

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  16. Espera, a Vó Dita chamou o pai do Chico de Bento?
    Até a mãe chama o filho pelo sobrenome?
    A esposa e os amigos até vai, mas a mãe?

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    1. Pode ser que foi por causa do contexto da história de enfatizar que eles são da família Bento. Ou então por MSP não querer que ele seja chamado por um nome por ser mais conhecido como "Seu Bento", uma espécie de apelido. As vezes uma pessoa é tão conhecida por um apelido que todos chamam assim até mãe e esposa. Mas você está certo que normalmente uma mãe chama filho de filho ou pelo nome mesmo. Até esposa é normal chamar marido pelo nome ou um apelido carinhoso se levar em conta a vida real.

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  17. Chico Bento com celular?! COMPLETAMENTE DESCARACTERIZADO!

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