terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Cebolinha: HQ "O Queimadão"

Mostro uma história em que o Cebolinha não foi à praia e nem estava bronzeado enquanto todos estavam e fazem bullying com ele por estar branco e pálido. Com 9 páginas, foi história de abertura publicada em 'Cebolinha Nº 160' (Ed. Abril, 1986).

Capa de 'Cebolinha Nº 160' (Ed. Abril, 1986)

Cebolinha fica feliz em ver a Marilu, quem não via há muito tempo e fala que ela está uma gatinha. Marilu diz que Cebolinha está, ele interrompe perguntando se está bonito, charmoso ou irresistível e ela diz que está branco, com uma cor horrível e pergunta se passou o verão em uma geladeira. Ela comenta que todo mundo está queimadinho, com cor saudável, moreno de Sol, tanto tempo sem vê-lo e está branco-escritório.

Marilu mostra a marca de biquíni dela e abaixa a bermurda dele pra conferir que ele não tem marquinha na bunda. Chega o Reinaldinho, Marilu fica encantada com a cor bronzeada dele e sai com ele, deixando Cebolinha falando sozinho, e Reinaldinho, antes de sair com Marilu, pergunta quem é o brancão ali. Cebolinha grita que brancão é a vovozinha e uma velhinha bronzeada dá guarda-chuvada nele reclamando que é um moleque atrevido, que ela está superqueimada de praia e ele fala que está brancona e solta palavrões para ele.

Depois, Cebolinha passa diante de um espelho, não acha que está tão branco assim, quando ouve alguém respondendo que ele está pálido, parece mais uma vela com cinco fios de cabelo. Cebolinha se enfeza e quer dar um tapão e descobre que foi a Mônica. Cebolinha dá desculpa que vai levar um tempão para chegar da cor dela. 

Cascão chama Cebolinha de brancão, ele tenta dar tapão no Cascão, que se abaixa e o tapa vai para Mônica, que dá um soco no Cebolinha tão forte que ele voa, bate a cabeça  na tábua onde estavam pintando fachada do prédio e a lata de tinta marrom cai no rosto dele. Cebolinha vê que ficou com cor bronzeada com a tinta, pinta o resto do corpo e vai falar com a Marilu, que ainda estava com o Reinaldinho.

Marilu admira como Cebolinha está preto e que agora há pouco estava mais branco que geladeira. Cebolinha diz que a pele dele é muito boa para tomar Sol, foi só ficar deitado debaixo de Sol por 5 minutos para ficar assim e não é como alguém que conhece que tem que ficar o dia todo para pegar uma corzinha e Reinaldinho sabe que a indireta foi para ele.

Marilu dá um beijinho no rosto do Cebolinha, que lembra que a tinta vai sair e ser zoado, e, passa a segurar cabeça dela para não desgrudar do rosto dele, dando desculpa que segurou porque gosta dela. Marilu diz que gosta dele também, mas já o beijou e pode largar a cabeça senão não consegue desgrudar a boca da bochecha dele e manda largá-la.

Mônica e Cascão comentam que estão com dó do Cebolinha, caçoaram demais por estar branco e quando vão falar com ele, veem briga de Reinaldinho tentando largar a cabeça da Marilu da bochecha do Cebolinha. Cascão diz que o tapão da Mônica fez o Cebolinha ficar doidão e ficar com o corpo tão cheio de hematomas que ficou escuro. 

Reinaldinho pedem para ajudá-lo, Mônica usa a velha técnica de jogar balde cheio de água fria para separar dois cachorros brigando e Cascão acha que é crueldade. Ela joga tão forte, que a água faz jogar os três em direção ao barranco e os três caem. No final, Mônica e Cascão vão ao hospital levar flores para eles e Cebolinha está dando gargalhada, mesmo sendo o que machucou, enfaixado da cabeça aos pés, afinal não descobriram que ele estava pintado de tinta imitando bronzeamento.

História muito engraçada em que todos foram à praia e estavam bronzeados, menos o Cebolinha e fazem bullying com ele, achando que estava branco demais. É ridicularizado por todos e com o tapão que a Mônica dá, cebolinha para em local que estavam pintando fachada de prédio e aproveita pra se pintar fingindo que estava bronzeado. Acreditam e com o beijo da Marilu, a tinta sai, Cebolinha não quer largar rosto da bochecha dela, Mônica joga água neles tão forte que fazem cair no barranco e cebolinha fica feliz por estar enfaixado no hospital e não descobriram que ele usou tinta pra fingir bronzeado.

Pegaram pesado com o Cebolinha, foi ridicularizado por estar branco, amigos falando coisas que Cebolinha ficou trancado na geladeira no verão, estava brancão, pálido, mais branco que geladeira, que parecia vela com cinco fios de cabelo. Legal que os planos infalíveis aconteciam por acaso, foi preciso apanhar da Mônica para o Cebolinha ter ideia de fingir bronzeamento com a tinta e se vingar do Reinaldinho com a Marilu, só que não contava que a Marilu ia beijá-lo, fazendo sair a tinta e precisaria que ela ficasse grudada na bochecha dele pra não descobrirem a farsa. Cebolinha ficou taxado como louco, tudo para não descobrirem que se pintou imitando bronzeamento.

Incrível a ousadia da Marilu abaixar calça do Cebolinha mostrando bunda branca, se mostrando bem assanhadinha. Marilu mostrando sua marquinha de bronzeado, mostrou que anda na rua sem calcinha e Cebolinha, sem cueca, quando abaixou bermuda dele. 

Engraçada também a cara do Cebolinha decepcionado que ela falou que está branco em vez de bonito e charmoso, quando viu que era a Mônica que disse o bullying quando ia dar um tapão nela, a velhinha dar guarda-chuvada e soltar palavrões por pensar que Cebolinha achava que ela não estava bronzeada, Cebolinha dar tapão na cara da Mônica sem querer e dizer que pele dele é boa para tomar Sol, Reinaldinho chamá-lo de maníaco de cinco fios de cabelo e Cascão dizer que hematomas do tapão deixou o Cebolinha escuro e que era crueldade jogar água neles.

Reinaldinho era o menino fixo por quem as meninas se apaixonavam, inspirado no roteirista Reinaldo Waisman, que deve ter sido quem escreveu essa história. Reinaldinho ficou fixo até antes do Reinaldo Waisman saiu da MSP. Já Marilu deve ter nome inspirado na música homônima "Marylou" do Ultraje a Rigor e ela só apareceu nesta história. 

Essa história é de abril de 1986 e, com isso, não foi publicada em época de verão. Podia sair histórias de calor ou de frio sem estar na época certa da estação. Se bronzear era sinônimo de status, todo mundo queria ficar queimadão quando ia à praia, usavam até bronzeadores para potencializar, hoje em dia essa ideia não é aceita pela sociedade por conta de queimaduras na pele e risco maior de câncer.

Impublicável hoje em dia por envolver bronzeamento de crianças, bullying por Cebolinha estar branco, sem ter se bronzeado, Marilu mostrando marca de biquíni dela e abaixar calça do Cebolinha mostrando bunda branca, chamar Cebolinha de preto, Cebolinha levar guarda-chuvada da velhinha, o termo "É a vovozinha!" é proibido nos gibis hoje assim como palavrões ditos por ela, Mônica dar soco tão forte que faz Cebolinha voar e bater cabeça em tábua de pintura, personagens caírem em barranco e ficarem todos quebrados internados em cama de hospital, Cebolinha pensar errado, sem trocar "R" pelo "L", interesse de namoro do Cebolinha. Ou seja, história toda errada, povo do politicamente correto detona, então essas que são as melhores.

Traços muito bons já na fase consagrada dos personagens. A colorização do marrom da Editora Abril deixavam tons de pele bem mais escuras que o normal. Teve erro falar de boca fechada no 2º quadro da primeira página. Teve propaganda inserida na 3ª página na lateral direita do lápis "Labra", sempre presente nos gibis da época. A capa da edição teve alusão à história de abertura, mas não com o que aconteceu de fato na história, foi apenas uma piada com o tema da história de abertura, o que era comum na época. Foi republicada depois em 'Almanaque do Cebolinha Nº 28' (Ed. Globo, 1995).

Capa de 'Almanaque do Cebolinha Nº 28' (Ed. Globo, 1995)

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