terça-feira, 13 de setembro de 2022

Almanaque de Histórias Curtas Turma da Mônica Nº 1 - Panini


A MSP lançou o "Almanaque de Histórias Curtas Turma da Mônica" em agosto de 2022. Comprei ess edição e mostro uma resenha de como está.

Sempre tiveram interesses de criarem edições com histórias curtas. O primeiro foi 'Coleção Uma Página, Uma História', almanaques bimestrais de 84 páginas, em 3 edições na Editora Globo em 2006, reunindo só republicações de histórias com uma página. Foi cancelado apenas por causa da mudança de editoras no final do ano.

'Coleção Uma Página, Uma História Nº 1' (Ed. Globo, 2006)

Quando mudaram para a Editora Panini em 2007, lançaram os títulos 'Almanaque de Historinhas de Uma Página', 'Almanaque de Historinhas de Duas Páginas' e 'Almanaque de Historinhas de Três Páginas', cada um só com histórias de uma, duas ou três páginas, respectivamente. Cada um, a princípio, era semestral com 84 páginas e depois se tornaram anuais, se revezando nas bancas. Todos foram cancelados em 2014, nas edições "Nº 9" cada um, quando resolveram dar uma diminuída de títulos em circulação. Associado a esses, ainda tinha o título "Almanaque Historinhas Sem Palavras" com histórias mudas, sem textos, a partir de 2009, com 84 páginas e foram semestrais nas 2 primeiras edições e depois se tornaram anuais, título também cancelado em 2014 no "Nº 7". Os 4 títulos se revezavam nas bancas e então a cada 3 meses tinha um título desses nas bancas nos últimos anos.

Capas 'Almanaques Historinhas Uma, Duas, Três Páginas e Sem Palavras Nº 1' - Panini

Até que agora em agosto de 2022, a MSP resolve lançar um título semelhante, 'Almanaque de Histórias Curtas Turma da Mônica', com clara concorrência ao título "Histórias Curtas" da Disney, só que como republicações enquanto na Disney são histórias inéditas no Brasil. Esse título tem foco para crianças em idade de alfabetização com leitura de pouco texto e também para quem gosta de histórias curtas de miolo, sem serem desenvolvidas e querer fugir de enrolações.

'Almanaque de Histórias Curtas Turma da Mônica', então, chegou aqui dia 15 de agosto e tem a fusão desses 4 almanaques anteriores, com histórias de 1, 2 e 3 páginas e mudas, todas misturadas. Com formato canoa com grampos, sem lombada quadrada, como estão todas as mensais e almanaques da MSP desde 2021 e tem 84 páginas, contra 100 páginas dos almanaques principais, só que sem passatempos, ficando, assim mais barato, custando R$ 9,90 contra R$ 11,90 dos almanaques principais. 

Na capa não tem moldura, assim como foram os Almanaques de Historinhas de Uma, Duas e Três, Páginas e Sem Palavras anteriores da Panini, o que é muito bom por valorizar o desenho, todos os almanaques deviam ser assim sem moldura. Porém, podiam ter caprichado mais na ilustração da capa e também do logotipo, que podiam ser melhores.  Também não mostram mais preço, códigos de barras, QR Code nas capas, ficando tudo isso nas contracapas.

Contracapa da edição

 Abre com um frontispício, só que com a mesma ilustração da Mônica que colocaram no frontispício do 'Almanaque de Historinhas de Uma Página Nº 1' de 2007 mudando só uma parte do texto, adaptando trechos que foram característicos ao de Uma Página. Acho que não custava criar uma ilustração nova e texto diferente, seria bem melhor.

Comparação dos Frontispícios dos almanaques 'Historinhas de Uma Página Nº 1' (2007) e 'Histórias Curtas Nº 1' (2022)

Sobre o conteúdo, simplesmente colocaram as mesmas histórias das "Nº 1" de seus respectivos títulos anteriores dos Almanaques de Historinhas de Uma, Duas e Três Páginas de 2007 anteriores. Tipo, histórias de 1 página desse de "Histórias Curtas", foram tiradas de "Historinhas de Uma Página Nº 1" de 2007, e por aí vai. As histórias mudas também foram tiradas desses de Uma, Duas e Três Páginas "Nº 1" antigos e não teve história muda do "Almanaque Sem Palavras Nº 1" de 2009. Acho que tinham que colocar histórias que nunca foram republicadas e não repeteco e muito menos de próprias edições "Nº 1". 

Foram 36 histórias no total, sendo dessas, 12 foram de 1 página, 12 foram de 2 páginas, e 12 foram de 3 páginas já republicadas nos respectivos almanaques "Nº 1" da Panini. Todas misturadas e não uma ordem sequencial da primeira história ser de 1 página, a segunda, com 2 páginas e a terceira, com 3 páginas, Foram histórias da Globo entre 1987 a 2002, sendo maioria dos anos 2000.  Abre com a história "Cebolinha vs. Mônica", de 2 páginas, em que o Cebolinha corre atrás da Mônica e todos pensam que ele tinha a derrotado.

HQ "Cebolinha Vs. Mônica"

Histórias foram maioria com a Turma da Mônica, os 4 principais Mônica, Cebolinha, Cascão e Magali, bastante também  do Chico Bento e tiveram algumas dos secundários Turma do Penadinho, Piteco e Horácio. São histórias bem simples de miolos, leituras rápidas, poucas tiveram situações incorretas, procuraram mais histórias normais com características principais dos personagens. As que foram mais incorretas em seus respectivos almanaques "Nº 1" de 2007, não re-republicaram nesse.

História de 1 página da Mônica

Encerramento foi história "Vai pegar, Floquinho!" de 3 páginas, com Cebolinha estranhando cada vez que sumia o graveto depois que ele jogava para o Floquinho pegar.

Trecho da HQ "Vai pegar, Floquinho!"

Sobre as alterações que têm em todos os almanaques, tiveram algumas. Todas como casos que ainda aceitavam em 2007 nos primeiros gibis da Panini e hoje não aceitam mais. Na história "Posso ajudar?", de 3 páginas, em que os meninos querem ajudar seus pais a lavar carro, na parte que o Titi estava andando de bicicleta, colocaram capacete e joelheiras nele onde não tinha na revista original. Isso porque agora os personagens andam obrigatoriamente com acessórios quando andam de bicicleta para eles não se machucarem quando caírem. Lei de segurança ao andar de veículos chegou aos gibis, costumam mudar também colocando contos de seguranças quando dirigem carros quando não tinha nos gibis originais

Esse mesmo caso aconteceu na história "O banco", de 3 páginas, em que várias pessoas sentam no banco onde Cebolinha estava sentado. Na parte do menino usando boné, colocaram capacete no lugar para ele ter segurança e não se machucar se cair do skate. Afinal , criança não pode se machucar ao andar de skate ou bicicleta, nem na vida real nem nos quadrinhos.

Em "Tapete voador", de 3 páginas, em que um árabe tenta vender um tapete voador para o Cascão, na parte que ele tenta voar com o tapete, mudaram a fala de "louco" para "doido". Não entendi motivo dessa alteração, doido, louco, maluco, são tudo sinônimos, não vejo justificativa para censurarem "louco".

Na história de 1 página da Mônica que ela estranha os meninos sentados em um banco e o outro vazio, mudaram parte que ela os chama de malandrões na original e mudaram para "Estão tramando".  Pelo visto para evitar excesso de xingamentos, ofensas, acham ofensivo chamar os outros de malandros, outra palavra proibida nos gibis atuais, então.

Na história de 1 página em que o Cebolinha pinta a Mônica em um quadro, alteraram o final. na revista original, Mônica bate e quebra o quadro na cabeça dele, ficando agarrado no pescoço e agora na republicação, mudaram o final, tirando o quadro entalado nele e tirando as estrelinhas para poder amenizar violência e as dores. Dessa vez até deixaram o Cebolinha surrado e com olhos roxos, mas tirando estrelinhas e tirando o quadro fizeram amenizar a violência. Não pode ter mais agressões violentas nos gibis para não traumatizar as crianças, aí fazem esses tipos de alterações.

Ainda nessa questão de violência, a história "Já pensou?", de 2 páginas,  em que o Cebolinha sonha que é dono da rua e que o Cascão tomou banho, mudaram a parte que ele bate na Mônica, tirando as estrelinhas de dor para amenizar as dores dela. Já a cena seguinte de ele desenhar Mônica no muro com cartaz, já era assim na original, visto que cartaz nos muros em vez de rabiscar direto começaram a fazer isso nos gibis a partir de 1997 e essa história é do início dos anos 2000.

No expediente final não teve tirinha, nem re-republicando alguma tirinha dos almanaques "Nº 1" de 2007. Foi apenas a ilustração da Mônica igual a do frontispício, assim como também fizeram no recente 'Almanaque da Tina Nº 1'.

Créditos finais da edição

Então, a edição vale mais para crianças que estão começando a ler e a colecionar gibis que não tenham edições de séries anteriores dos almanaques da Panini. Quem já tem os três almanaques "Nº 1" da primeira série da Panini já tem essas histórias. Ficou praticamente reedições daquelas edições, como uma preguiça de pesquisar histórias nunca republicadas, feito às pressas para ter gibis nas bancas logo. Tendência é seguirem esse estilo nos próximos números. A quem se interessar, ainda dá para encontrar essa edição "Nº 1" nas bancas agora em setembro de 2022. 

Tem previsão de relançarem também 'Almanaque de Histórias Sem Palavras' e 'Saiba Mais' em setembro de 2022 e 'Paródias da Turma da Mônica' (uma 'Clássicos do Cinema' com outro nome), em novembro de 2022, que, provavelmente, devem ser reedições das séries antigas como foram nesse almanaque de Histórias Curtas e o da Tina. Vamos aguardar.

sexta-feira, 9 de setembro de 2022

Chico Bento HQ "O Feijoadeiro"

Compartilho uma história em que o Chico Bento foi responsável de fazer a feijoada do almoço de confraternização da igreja, dando muita confusão. Com 8 páginas, foi história de abertura de 'Chico Bento Nº 76' (Ed. Abril, 1985).

Capa de 'Chico Bento Nº 76' (Ed. Abril, 1985)

Chico Bento aparece na igreja bem no momento que o Padre recebe a notícia pelo telefone que a Dona Gumercinda está doente e desmaia. Chico pergunta por que o Padre não deita na cama, o chão é muito duro. O Padre responde que está perdido e Chico diz que só se for ele, porque sabe que está na igreja.

O Padre fala que é a Dona Gumercida quem prepara o almoço de confraternização e união entre os homens que ele dá uma vez por ano, que reúne desde o prefeito até o trabalhador mais humilde e sem a Dona Gumercinda, a tradição será quebrada. Chico pergunta por que não chama outra cozinheira e ele diz que ninguém sabe fazer feijoada igual a ela.

Chico diz que ele sabe fazer feijoada e o Padre acha que está mentindo, falando que mentir é pecado. Chico lembra que todo dia ia na casa dela, só para ficar espiando e sentir o cheiro bom e de tanto espiar, aprendeu como se faz e sabe até de coisas que ela põe que ninguém sabe. O Padre comemora, o pessoal começa a chegar e enquanto o Padre recebe os convidados, o Chico prepara a feijoada, colocando até os ingredientes secretos, e fica uma delícia.

Quando prefeito chega e todos os convidados reunidos, o Padre avisa que dessa vez quem está fazendo a feijoada é o Chico Bento. Todos se espantam, acham que o Padre ficou doido de colocar Chico no lugar e fazem cara de nojo. Padre fala que o Chico garantiu que ele faz feijoada igual a Dona Gumercinda e que devem dar créditos a ele. 

Os convidados vão olhar o Chico fazer a feijoada, que já estava pronta e aparecem quando o Chico ia limpar o local para o Padre não brigar com ele. Eles veem Chico limpando o pé na tina, o porco Torresmo entra na tina e Chico o lava, falando que não pode demorar porque o pessoal já deve estar com fome, e resolve servir logo aproveitando que está quentinho.

Todos pensam que Chico estava fazendo feijoada com o pé sujo dele e com o porco e fogem com nojo. Chico encontra o Padre sozinho na mesa, chorando e pergunta cadê o pessoal.  O Padre reclama que eles não iam comer aquilo e que tinha falado que igual a Dona Gumercinda e com ingredientes secretos. Chico confirma. O Padre não acredita, mas ao provar, vê que estava deliciosa e igual à Dona Gumercinda. Chico acha todo mundo doido e vai embora. Depois, o Padre resolve fazer feijoada para os meninos da igreja, mas faz do estilo que viu Chico fazendo, limpando pé e lavando porco na água e eles dizem que eles não vão comer. 

História muito engraçada com o Chico Bento fazendo feijoada no almoço de confraternização da igreja no lugar da Dona Gumercinda, que ficou doente. De fato, o Chico fez uma feijoada bem caprichada e igual à da cozinheira, mas os convidados do almoço e o próprio padre interpretaram mal quando viram o Chico lavando seu pé sujo e lavando porco, pensando que os ingredientes secretos da feijoada era aquilo. Todos fogem com medo de comer e depois que o padre prova e achar boa, resolve fazer igual ao Chico, pensando que a feijoada era como ele fez no final.

Mais engraçado foi ver todos pensando que Chico lavar pés e o Torresmo era a feijoada. Antes o Padre tivesse chamando outra cozinheira, não ficaria igual à feijoada da Dona Gumercinda, mas não passaria sufoco com convidados desconfiados e com nojo. Ou então que ele não falasse que era o Chico que estava preparando, deixaria tudo em segredo entre eles e convidados nem saberiam quem preparou já que a feijoada estava gostosa e igual à da Dona Gumercinda. Como Padre não queria enganar os convidados, ser transparente com eles, aí acabou se dando mal. 

Vimos que o Chico é um ótimo cozinheiro, aprender bem só vendo os outros fazerem, só não teve sorte dos outros interpretarem mal. O porco Torresmo, que era do Chico, tinha que estar em casa e não na igreja. As tiradas do Chico respondendo ao Padre como mandar deitar na cama porque o chão é duro quando o viu desmaiado, falar que não está perdido, que sabe que está na igreja, entre outras, foram muito boas também. Bem que poderia ter um almoço anual de união entre os homens na vida real, o mundo anda precisando, em especial o Brasil. 

Dessa vez o Padre não teve nome na história. Na época, o padre não tinha nome nem traços definidos. Na Editora Globo que passou a ter traços fixos e passou a se chamar Padre Lino. A Dona Gumercinda só foi citada nessa história, já o prefeito apareceu algumas outras vezes. Hoje em dia é completamente incorreta por conta de tema religioso, Chico aprontar com Padre, fora Chico cozinhar, já que não aceitam crianças cozinharem, mexendo com fogão sozinhas. 

Traços ficaram muito caprichados. Nas propagandas inseridas na história, dessa vez foi na lateral direita da primeira página das canetas hidrográficas Colorella da "Pelikan". A capa, curiosamente, fez alusão à história de abertura, mais frequente nos gibis do segundo semestre de 1984, mas alguns de 1985 tiveram capas com esse estilo também. Só ficou diferente de quem apareceu na capa, não apareceu na história, como o Zé da Roça. História foi republicada depois em 'Almanaque do Chico Bento Nº 36' (Ed. Globo, 1996), termino mostrando a capa desse almanaque.

Capa de 'Almanaque do Chico Bento Nº 36' (Ed. Globo, 1996)

quarta-feira, 7 de setembro de 2022

Almanaque da Tina N° 1 - Editora Panini - 2022

A MSP teve novo lançamento em agosto de 2022, a nova série do Almanaque da Tina. Comprei essa edição e nessa postagem eu comento sobre ela.

Tina já teve séries de almanaques nas Editoras Globo e Panini. Na Globo como parte da coleção "Almanaque da Turma do", revezando numerações com Turmas da Tina, do Penadinho e do Astronauta entre 2004 a 2006. Na Panini, a partir de 2007,esses títulos foram independentes, com cada secundário tendo sua própria numeração corrente. O 'Almanaque Turma da Tina' da Panini durou até "Nº 28", de agosto de 2020, e foi cancelado quando os almanaques principais tiveram a numeração reiniciada e novo design em 2021, e no lugar veio 'Almanaque da Turma da Mônica'  juntando histórias de todos os secundários em um só.

Capas de 'Almanaque Turma da Tina Nº 1' (Ed. Globo, 2004 e Ed. Panini, 2007)

Até que agora, em agosto de 2022, resolveram relançar esse título da Tina, mesmo ainda circulando o  "Almanaque da Turma da Mônica", que deve ser que este não esteja vendendo como esperado e um almanaque só da Tina vendia mais. Foi até surpresa porque não teve divulgação no site da Panini em lugar de destaque e algum tempo de antecedência como com outros títulos

Com isso, as principais mudanças nessa nova série foram que agora se chama 'Almanaque da Tina' em vez de 'Almanaque da Turma da Tina' e seguiu o design atual desde que reiniciaram numeração em 2021, tirando a moldura colorida grande, deixando uma moldura mais discreta, valorizando mais a ilustração da capa e sem personagem ao lado do logotipo, ficando expandido como nas antigas. Também não mostram mais preço, códigos de barras, QR Code nas capas, ficando tudo isso nas contracapas. Formato canoa com grampos sem ser lombada quadrada, já que agora nenhum almanaque tem mais lombada quadrada para diminuir custos deles. E continuam sem mostrar a fonte de quais edições as histórias originais saíram.

Agora tem 84 páginas contra 76 páginas na série anterior, mas ainda com menos páginas que os almanaques principais que têm 100 páginas cada um. Por ter 84 páginas, esse da Tina não tem passatempos como os outros almanaques que tem 8 páginas de passatempos, fazendo ficar mais barato que os almanaques principais, que custam R$ 11,90 e esse da Tina custa R$ 9,90. Não teve divulgação se periodicidade vai ser bimestral ou semestral, mas acredito que seja bimestral.

Contracapa da edição

Falando então sobre essa edição, a distribuição chegou aqui dia 15 de agosto, foram 9 histórias no total. Capa com cotidiano dos personagens fazer um bolo e tirar fotos para redes sociais e abre com um frontispício bem simples, só uma ilustração da Tina, que foi copiada a imagem dela do frontispício do "Almanaque Nº 1' de 2007, só tirando a imagem da Pipa no Parque da Mônica e mudando texto, agora bem breve só com a sinopse da história de abertura. Não custava criar uma ilustração nova para esse frontispício com pelo menos alguma imagem representando a história de abertura.

Comparação do Frontispício dos Almanaques "Nº 1" de 2007 e de 2022

No conteúdo do almanaque, eles simplesmente republicaram histórias que foram republicadas na primeira série dos almanaques da Turma da Tina "Nº 1" e "Nº 2" de 2007. Deram preferência as histórias do "Nº 1" de 2007 fora de ordem do que foram publicadas antes. Das 13 histórias, 8 foram do "Nº 1" de 2007, colocando todas desse, menos as histórias "Pipa vai ao Parque" (Parque da Mônica Nº 71, de 1998) e "Em forma", e no lugar dessas, colocaram 5 histórias do Almanaque "Nº 2", de 2007, por esse almanaque de 2022 ter 84 páginas contra 76 páginas do de 2007, para preencher as 8 páginas a mais,  e, com isso, nenhuma história que nunca foi republicada até hoje nele. 

Os almanaques no geral andam com repeteco de histórias, re-republicando histórias de outros almanaques da Panini, os da Tina da primeira série já tinham bastante repeteco antes de ser cancelado, colocando as mesmas, porém esse ficou estranho com basicamente uma reedição quase fiel do "Nº 1" de 2007 só que com outra capa. e tiraram algumas histórias do "Nº 1" de 2007, colocando algumas do "Nº 2" de 2007. 

São histórias originais de gibis da Editora Globo entre 1988 a 2001. História de abertura foi "Paixão antiga" em que a Tina reencontra o seu antigo namorado Jaime e ela pensa que ele tinha namorada nova ao sair do carro com uma garota. Nessa, inclusive, mantiveram a ordem, foi a história de abertura do Almanaque "Nº 1" de 2007.

Trecho da HQ "Paixão antiga"

Como destaques da edição, na história "Dia especial", Pipa fica ansiosa em o Zecão chegar na casa dela para comemorarem os 6 anos de namoro. Em  "Perguntas inocentes", Pipa e Zecão se incomodam com perguntas dos outros de quando vão casar, quando vão ter filhos, etc. Uma ótima crítica para pessoas que gostam de se importar com a vidas dos outros sem cuidar da própria vida.

Trecho da HQ "Perguntas inocentes"

Em "Descombinando", Pipa e Zecão estranham roupa um do outro para irem a uma festa, ela com roupa elegante e ele com roupa jovem. Em "Preciso estudar", Rolo sai para uma balada, mesmo precisando estudar para o vestibular para poder conversar com a sua paquera Wendy, mas as coisas não acontece como ele esperava. 

Em "Namorado tão protetor", Tina lida com um namorado ciumento e que a protege o tempo todo. Para ter noção de repeteco de histórias, essa foi re-republicada ultimamente no 'Almanaque Turma da Mônica Nº 5', de dezembro de 2021, e agora republicada de novo, apenas 8 meses depois. E já é a 4ª republicação dessa na Editora Panini desde 2007.

Trecho da HQ "Namorado tão protetor"

Já em "Que memória", Rolo se impressiona com a memória de um velho que viu em uma feira hippie. Em "Papo careta", Tina lida com um cara que joga uma cantada enquanto caminhava com a sua cachorra. E termina com a história "Tem que malhar!" em que o Rolo entra em uma academia de ginástica para poder paquerar uma garota que viu na rua no caminho da academia.

Trecho da HQ "Tem que malhar!"

Sobre as terríveis alterações que tem em todos os almanaques atuais, encontrei algumas. Na história da Tina que sofre com espinhas, simplesmente alteraram o título, A original se chamava "Credo! Tô Feia" e agora mudaram para "AAAh uma espinha!". Pelo visto, palavra "Credo!" é proibida nos gibis, algo em torno de religião, e resolveram mudar. Só que ideia do título original era o mistério inicial porque a Tina se achava feia e com a mudança já revelaram o mistério.

Mudança no título da HQ "Credo! Tô Feia!"

Em "Amigos que vendem tudo", em que amigos da Tina vendem coisas para ela, teve alteração na parte do amigo dela vendendo bichos de verdade da original de 'Mônica Nº 33' (Ed. Globo, 1989), mudando para bichos de pelúcia e nos desenhos dos bichos. Tiraram o papagaio e colocaram um coelhinho de pelúcia e um cachorro com rodas de brinquedo no lugar de um papagaio e cachorro de verdade, respectivamente. Venda de animais é ilegal e aí quiseram mudar. Então mudaram os desenhos dos bichos de verdade em todas as vezes que apareceram na última página, além desse trecho mudado.

Comparação da HQ "Amigos que vendem tudo" (1989/ 2022)

Inclusive em 2007, já haviam alterado  essa história, colocando bichos de brinquedo com passarinho de brinquedo na gaiola, mas como passarinho em gaiola também dá ideia errada, mesmo sendo de brinquedo, aí alteraram novamente agora em 2022. Aí segue a comparação das 3 versões 1989, 2007 e 2022:

Comparação da HQ "Amigos que vendem tudo" (1989/ 2007/ 2022)

Em "Dize-me o seu signo, que direi quem tu és", ('Mônica Nº 21' - Ed. Globo, 1988), em que a Pipa termina namoro com Zecão por causa do signo não ser compatível com o dela e ainda Pipa cisma com o signo dos seus amigos, teve alteração na parte que a Pipa reclama que o Zecão é "bandido", mudando para "pilantra". Palavra bandido é proibida hoje nos gibis, mesmo em sentido figurado como foi nessa é proibido. Podem pensar até que as crianças achariam que o Zecão era assaltante e não pilantra como era a ideia e colocaram o sentido real.

Comparação da HQ "Dize-me o seu signo que direi quem tu és" (1988/ 2022)

Pipa chamou Zecão de bandido mais 2 vezes nessa história e mudaram em todas as vezes, na segunda vez mudaram "aquele bandido" para "aquele lá".  

Comparação da HQ "Dize-me o seu signo que direi quem tu és" (1988/ 2022)

Em 2007, já haviam mudado "bandido" para "safado". Como chamar alguém de safado também é  proibido nos gibis de hoje, mudaram mais uma vez a cena. Prova mais um caso que tinham coisas que aceitavam nos primeiros anos da Panini e nos últimos anos não aceitam mais. Aí, segue a comparação das 3 versões 1988, 2007 e 2022:

Comparação da HQ "Dize-me o seu signo que direi quem tu és" (1989/ 2007/ 2022)

Pior foi no último quadrinho, que quando ela o chamou de bandido de novo e outros xingamentos, apagaram todo o balão da fala de baixo. Pode ser que para não ficar um excesso de xingamentos e ofensas para ele, pois o mais natural, se mudassem, que colocariam pilantra no lugar de bandido. Essa cena também foi mudada  no Almanaque "Nº 1" de 2007 da mesma forma. 

Comparação da HQ "Dize-me o seu signo que direi quem tu és" (1988/ 2022)

Em "Dia de briga" ('Mônica Nº 31' - Ed. Globo, 1989), em que Pipa desmancha noivado com o Zecão por ele ter se atrasado para o encontro para jogar partida de bilhar com o Rolo, mudaram a parte que o Zecão ficou com uma neguinha, colocando "ficamos por lá" no lugar. Pelo visto mudaram "neguinha" por fazer racismo com negras, menosprezar, ofensa chamar negra de "neguinha". Só que com a alteração, tira o sentido real de que a Pipa terminou noivado por traição em 1989 e agora deu sentido de ter terminado só por ter se atrasado para o encontro.

Comparação da HQ "Dia de briga" (1989/ 2022)

No expediente final não teve tirinha, nem re-republicando a tirinha do "Nº 1" de 2007. Foi apenas uma ilustração da Tina igual a do frontispício. Não custava colocar uma tirinha, tão tradicional nessa página final ou então que colocassem uma outra ilustração diferente. E também não mostra a numeração real do almanaque contando todas as editoras junto com a numeração atual como fizeram nas revistas atuais, coisa que acontece também com os outros almanaques.

Créditos finais da edição sem tirinha

Como podem ver, esse novo 'Almanaque da Tina Nº 1' ficou praticamente uma reedição do "Nº 1" de 2007 com outra capa, ficou como uma preguiça de pesquisar histórias para republicações, feito às pressas. As histórias são boas, mas repetindo as mesmas toda hora, como se existissem só essas, fica cansativo. O politicamente correto, que não permite certas histórias incorretas e traumatizantes, também influencia no repeteco de histórias, ficando restritas a só algumas permitidas e alterando de forma tosca e deprimente as coisas incorretas para dar um número maior de opções a serem republicadas. Se essas não fossem republicadas desde 2007, até poderia aceitar, já que as novas gerações não conheceriam, as crianças daquela época já são adultas, mas o problema é que já foram republicadas várias outras vezes depois de 2007, vivem republicando sempre essas de tempos em tempos. E podiam colocar uma tirinha no final, sem sentido não ter. Comprei por ser edição "Nº 1", tendência é manterem esse estilo nas próximas edições. Ainda dá pra encontrar nas bancas agora em setembro de 2022, a quem se interessar, fica a dica.

segunda-feira, 5 de setembro de 2022

Capa da Semana: Cascão N° 44

Uma capa em que o Cascão, desesperado, pede ajuda para bombeiros resgatarem um pato no lago,  achando que está  sofrendo, mas, na verdade o pato estava contente na água. Como ele não gosta de água, pensa que é coisa ruim e que ninguém gosta. Engraçado ver os bombeiros brabos com o Cascão sendo chamados por tão pouco.

O selo com numeração de pontos no topo atrapalhando o logotipo é da promoção "Cartela Milionária" da Editora Abril, que tinha que cortar o selo e colar na cartela com determinado somatório de pontos para concorrer a vários prêmios. Eram ruins essas promoções de cortar revistas pra  concorrer e estragá-las.

A capa dessa semana é de 'Cascão N° 44' (Ed. Abril, Abril/ 1984).

sexta-feira, 2 de setembro de 2022

Uma história do Penadinho no "Rock In Ferno"

Hoje, 2 de setembro, é o dia de abertura do "Rock In Rio Brasil" de 2022, então em homenagem mostro uma história em que o Penadinho encontrou seus ídolos do Rock no cemitério. Com 3 páginas, foi publicada em 'Cascão Nº 124' (Ed. Globo, 1991).

Capa de 'Cascão Nº 124' (Ed. Globo, 1991)

Penadinho vê bandas de rock surgindo no cemitério. Ele vê "Os Lobos Selvagens", "Elvis Franksley", "Poltergaist Floyd",  Múmias Stones", "Legião Zumbina", "Vamps and Roses" e fica bem entusiasmado vendo seus ídolos. Ele vai atrás deles para saber onde estão indo, desce uma escadaria que estava no cemitério, que era o caminho para o Inferno e descobre que eles eram os artistas que iam se apresentar no "Rock In Ferno" e que todos estavam lá prestigiando o festival de música no Inferno com show do "Vamps and Roses" na hora.

História simples típica de miolo e que ficou muito legal a homenagem ao "Rock In Rio" e aos artistas e bandas de rock famosas até então. O que foi divertido foi ver as paródias em estilo de terror, com eles todos representados como monstros e nomes também monstruosos. Como roqueiros têm um lado gótico, caiu como uma luva eles representados por monstros e fazer shows no Inferno. As paródias foram Elvis Presley, Pink Floyd, Rolling Stones, Legião Urbana e Guns N' Roses. Quanta criatividade. "Os Lobos Selvagens" não consegui identificar, acredito que seja Kid Abelha e os Abóboras Selvagens e foi legal na camisa deles homenagearem banda The Doors (sem nome parodiado) e a imagem da banda Kiss. "Vamps and Roses" teve nome da camisa "Guns" para reforçar homenagem a Guns N' Roses.

De vez em quando parodiavam artistas como bruxos, monstros e outros seres, sempre era divertido.  Muito legal também o festival ser no Inferno e saber que para entrar lá, bastava descer a escadaria que se encontrava no cemitério. Provavelmente passagem do Inferno liberada só para ver o festival. Qualquer um podia ter acesso para ver o festival, até seres humanos dariam para ir se soubessem.

Em 1991 aconteceu o "Rock In Rio 2" e roteirista quis prestar essa homenagem. Provavelmente roteirizada em janeiro de 1991, quando aconteceu o festival e foi só publicada em outubro daquele ano. Desses, só Guns 'N Roses apresentou no "Rock In Rio 2". Já fizeram também outras histórias homenageando o "Rock In Rio" ou pelo menos citar.

Traços muito bons, principalmente das celebridades musicais como monstros e o palco no final. História não teve título provavelmente para não estragar a surpresa no final do motivo dos famosos no cemitério porque teria que ser algo em torno de "Rock In Ferno". Impublicável hoje em dia por ter Inferno envolvido, não pode mais diabos e Inferno nas histórias, se bobear, poderiam também implicar que "Rock In Rio" não é coisa para crianças.

O "Rock In Ferno" teve atrações bem melhores e fazendo jus ao Rock do que o "Rock In Rio" atual. Festival hoje devia se chamar "Pop In Rio" ou "Music In Rio" já que estilos como Pop, Eletrônica e Hip Hop estão mais privilegiados do que o Rock. Nesta edição de 2022, , são só  3 dias de Rock contra 4 de outros estilos e artistas como Justin Bieber, Post Malone, Jason Derulo, Rita Ora, Demi Lovato, Dua Lipa, Coldplay,  Bastlille, Marshmello, Alok, Ivete Sangalo, Iza, etc, chamam mais atenção e são mais divulgados por eles. Mesmo que sempre tiveram outros estilos em edições passadas, mas nunca foi tão poucas atrações reservadas para o Rock como neste ano, cada edição piora. Se criassem a história hoje com o "Rock In Rio" atual, seriam esses artistas aí parodiados.