segunda-feira, 4 de dezembro de 2023

Tirinha Nº 100: Cebolinha

O Blog completa 100 tirinhas soltas publicadas, levaram 10 anos para atingir a marca. Tinha que ser especial a centésima tirinha e nada melhor do que colocar uma tirinha que saiu em uma revista "Nº 100".

A turma comemora que o Cebolinha conseguiu chegar na sua revista "Nº 100" e o Cascão, por sentir uma certa inveja, tem uma ideia de criar a sua própria revista para ter também a sua comemoração do "Nº 100" que nem o Cebolinha. Curiosidade que o Cascão não tinha revista ainda, foi só ter 1 ano e 3 meses depois desta tirinha, em agosto de 1982 e ele sentiu o prazer da sua revista chegar ao "Nº 100" em 1986. Apesar do crédito ser ao Cebolinha por conta da sua comemoração, a piada ficou a cargo do Cascão. Tiveram erros de Mônica, Bidu, Franjinha e Cascão aparecerem de olhos fechados brancos, normalmente ficam com olhos da cor da pele quando fechados para representar pálpebras. 

Cebolinha foi o segundo personagem a chegar ao "Nº 100" depois da Mônica e a edição 100 dela passou em branco, só com uma capa especial. Sobre a revista 'Cebolinha Nº 100' da Editora Abril, foram 2 histórias inéditas (abertura e encerramento) mais esta tirinha inédita e as demais republicações com ganchos nnovos do Cebolinha e Cascão antes delas apresentando as histórias antigas como espécie de melhores momentos que marcaram a revista 'Cebolinha' até então. Como foi basicamente republicações, a edição "N° 101" saiu 15 dias depois dessa, também em maio de 1981, para ter uma só de inéditas no mês e isso ajudou a regularizar a sua numeração até o final da série da Editora Abril em 1986 com 168 edições desde o lançamento em 1973, já que em janeiro de 1978 não teve revista "Cebolinha N° 61", lançada só em fevereiro. 

Tirinha publicada originalmente em 'Cebolinha Nº 100' (Ed. Abril, Maio/ 1981).

sexta-feira, 1 de dezembro de 2023

"Melhores Histórias da Mônica, por Mônica Sousa Nº 1"

Já nas bancas a edição especial "Melhores Histórias da Mônica, por Mônica Sousa Nº 1", da Editora Panini, comemorativa aos 60 anos de criação da personagem Mônica. Nessa postagem mostro como foi essa revista.

Lançada em novembro de 2023, foi pensada em comemoração aos 60 anos da personagem Mônica, fazendo parte do pacote de comemorações da MSP para a data não passar em branco como os gibis quinzenais "Nº 37" de agosto de 2023 e os livros "Mônica 60 Anos" e "Mônica Edição de artista". 

"Melhores Histórias da Mônica, por Mônica Sousa Nº 1", como o título propõe, reúne histórias da Mônica escolhidas pela filha do Mauricio de Sousa, Mônica Sousa, que foi a inspiração dele para criar a personagem Mônica em 1963.  As histórias mais top e memoráveis que ela leu, foram juntadas nessa revista. 

Tem formato de gibi convencional com 68 páginas, formato canoa 13 X 19 cm, capa com papel couchê ligeiramente mais grossa que os gibis atuais de bancas e papel jornal no miolo, sem passatempos, só histórias e com propagandas atuais, custando R$ 9,90. Até pensava que seria um formato maior e com capa cartonada com lombada seguindo estilo das edições da coleção "As Melhores Histórias" promocionais casadas do jornal "O Estado de São Paulo", de 2022, mas preferiram formato de gibi normal, que foi melhor ainda. Sim, acho muito bom que  não foi material de luxo como nos livros especiais de capa dura, o que deixa um preço acessível, afinal, para mim, não precisa de luxo, deixar estante bonita, o chamado "quadrinhos goumert", importante é ter conteúdo de qualidade com acesso a todos. 

Na distribuição chegou aqui dia 22 de novembro de 2023. A edição tem uma capa com um desenho da Mônica Sousa com a Mônica. Abre com um frontispício com a Mônica Sousa contando sobre a revista e as histórias que ela escolheu. Só acho que poderia ter uma ilustração, quem sabe, uma fotografia da Mônica Sousa, não só um texto.

Frontispício da edição

Em seguida, vem as histórias, todas são da Editora Abril dos anos 1970, mais precisamente primeiras edições da revista da Mônica, o que é coerente já que seria a época que a Mônica Sousa era criança e que realmente ela leu. Vemos os primórdios do Mauricio, com personagens com bochechas pontiagudas, falando de boca fechada, conversas com linguajar formal.

Começa com a clássica "A Ermitã" (MN #6, de 1970), com 16 páginas, em que a Mônica resolve se mudar para as montanhas por pensar que seus amigos não gostavam mais dela. Virou desenho animado depois no filme "As Aventuras da Turma da Mônica" de 1982.

Trecho da HQ "A Ermitã"

Em seguida vem "A Estrelinha perdida" (MN #8, de 1970), com 5 páginas, em que a Mônica e a turma ajudam a Estrela de Belém a voltar ao passado para cumprir sua missão de anunciar o primeiro Natal. Virou desenho animado em 1988, virando "Estrelinha Mágica" só que apenas com uma base nesta já que a história do desenho foi bem diferente. Curioso aparecer Anjinho andando como os outros em vez de voar, mas na época colocavam muito o Anjinho tratado como uma criança normal do que uma entidade, interagia muito, inclusive nas brincadeiras com a turma.

Trecho da HQ "A estrelinha perdida"

Depois tem "Os Azuis" (MN #15, de 1971), com 13 páginas, clássico que rendeu vários prêmios ao Mauricio de Sousa, que retratou o preconceito de racismo e que se torna atual até hoje. Mônica encontra seus amigos todos azuis e eles têm raiva e até nojo dela só porque ela é alaranjada, diferente da cor deles. Foi inspirada em um caso de racismo que o Mauricio sofreu e foi feita em poucas horas de madrugada pra fechar o gibi a tempo. Também virou desenho animado em 2009.

Trecho da HQ "Os azuis"

Já em "A Voz" (MN #18, de 1971), com 11 páginas, uma voz misteriosa sai da barriga da Mônica, falando coisas agradáveis aos amigos que nunca falaria para eles. Ela era ranzinza, braba, de poucas ideias, incapaz de dizer até "bom dia" para os outros e a voz interior fazia o contrário das atitudes dela, deixando seus amigos felizes. Mais uma história do Mauricio do tipo que as coisas aconteciam e pronto sem dar explicação e fica na imaginação dos leitores de como aquela voz surgiu na Mônica. Só se sabe que a intenção era tentar mudar a personalidade dela e ser mais gentil com os amigos.

Trecho da HQ "A voz"

A edição termina com "Mônica com salto alto" (MN #19, de 1971), com 5 páginas, em que a Mônica pega o sapato com salto alto da mãe e ela não consegue andar com elegância com saltos tão alto. Essa foi voltada exclusivamente para o humor, sem transmitir mensagens como as outras, foi engraçado ver a Mônica tentando andar com os saltos e equilibrando os livros na cabeça e até deu surra no Cebolinha.

Trecho da HQ "Mônica com salto alto"

Não teve uma tirinha final na última página, apenas uma ilustração igual da capa no lugar junto com os créditos finais. Ultimamente, alguns títulos novos como "Almanaque da Tina", "Almanaque de Histórias Curtas" e "Almanaque de Histórias Sem Palavras" estão seguindo esse estilo de só uma ilustração sem tirinha, tirando o estilo tradicional. Dava muito bem para Mônica Sousa escolher uma tirinha favorita que ela viu, as revistas de 1970 a 1972 não tinham tirinhas, mas ela podia escolher uma de 1973 em diante, tranquilo. A questão principal de não ter, foi isso de deixarem de lado as tirinhas em títulos novos, não porque não tinham tirinhas nos gibis naquele período. 

Sobre as terríveis alterações que têm em todos os almanaques atuais, tiveram várias, a maioria envolvendo correção de cores das originais que eles erravam muito, a ortografia da época como "êle", "êste", "côr", etc, eles mudaram para a ortografia atual, as falas do Cebolinha trocando letras que eram entre aspas nas originais, mudaram para negrito como é atualmente, mas tiveram também algumas alterações com textos a favor do politicamente correto. Interessante que algumas palavras que sempre mudam hoje como "Credo!", "Louco" e "Meu Deus!" mantiveram, mas outras palavras mudaram, não tendo, portanto, uma padronização. E mantiveram personagens falando de boca fechada. Em todas as histórias teve pelo menos uma alteração significativa e vou mostrando a seguir.

Na história "A ermitã", teve caso de alteração de cores, mudando a placa direita azul para branca, deixando de ser igual ao conteúdo original. Inclusive se fossem para alterar cor, teria que ser a placa da direita já que na cena anterior, a Mônica escreveu o texto em um papel azul e ficou branco neste quadrinho em destaque.


Na história "A estrelinha perdida", teve uma correção de cores em que na original o Sansão aparecia de olhos brancos fechados e dentes azuis e corrigiram deixando olhos azuis e dentes brancos. Fizeram várias correções de cores na edição. E também não colocaram as estrelas no céu no último quadrinho da reedição, provavelmente uma falta de atenção quando recoloriram.

Durante toda a história, toda vez que aparecia a palavra "criado-mudo" eles mudavam para outra coisa. Não entendi por que a palavra "criado-mudo" é proibida nos gibis de hoje a ponto de alterar em reedições de histórias. Quem sabe por ser duplo sentido e acharem que o leitor não vai saber distinguir criado-mudo de mesinha de cabeceira de um serviçal mudo, que não fala. Nessa cena, então mudaram "criado-mudo" para "gaveta".


Já nessa cena mudaram "criado-mudo" para "mesinha" reforçando que a implicância é com o criado-mudo. E outro tipo que alteração que fizeram nas histórias de 1970 desta revista em que todas as falas do Cebolinha em que ele trocava "R" pelo "L" entre as aspas, deixaram agora em negrito no lugar para ficar igual ao padrão dos gibis atuais, e, com isso, deixando de ser igual ao conteúdo original.


Outro tipo de alteração constante foi que tiravam as aspas das palavras informais. Nos gibis de 1970 e 1971, o linguajar dos personagens eram extremamente formais e quando falavam termos informais, deixavam entre aspas pra mostrar que não era a forma culta, e, então, nessa edição, tiraram aspas e todas as palavras informais. Neste caso, tiraram o termo informal "na fossa" (deprimida).

E nesta mesma cena, alteram fala do Cebolinha de "pol que" para "por que" e sem aspas. A grafia das falas do Cebolinha com palavras terminadas em "R" sempre deixaram o "R" no final, mas eles deixavam "pol que" nos gibis de 1970 e nessa reedição, toda vez eles mudaram para "por que" e sem aspas para padronizar com o estilo atual.


Nesta cena, alteraram a fala informal da mãe da Mônica na história original em que ela falava  "que tanto" para "por que". Não vi necessidade dessa mudança. E mais uma vez a implicância com "criado-mudo" mudando para "mesinha".


Já aqui alteraram a cor do vestido da Mônica que apareceu amarelo na edição de 1970 e agora recoloriram para vermelho. Neste caso, não precisavam recolorir porque quando deixaram camisa vestido amarelo dava sinal que a luz da estrelinha estava tão intensa próxima a ela e nessa mudança, a intensidade da luz pareceu menor do que a realidade. Quiseram corrigir cores, mas acabaram mudando o sentido dessa vez.


Na história "Os Azuis", toda vez que falaram a palavra "gozar" e variações, eles mudaram para sinônimos para não ter duplo sentido de cunho sexual. Essa palavra, bastante frequente nos gibis até dos anos 1990, é terminantemente proibida nos gibis atuais e sempre mudam agora. Então, cena cena mudaram "que coisa mais gozada!" para "engraçada".
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Já nessa cena, outra vez alterada, afinal, colocarem um quadrinho com o Cascão falando "Veja só como a Mônica está gozada!" é um prato cheio para quem tem mente poluída e mostrarem em sites próprios como o "Porra, Maurício!" e o povo do politicamente correto iria implicar muito. Detalhe de "gôsto" alterado para seguir a ortografia atual e que em 1971 o Cebolinha já falava "Por que" como as outras palavras terminadas em "R" e também não tinha mais palavras entre aspas quando trocava o "R" pelo "L", então isso não foi alterado.


Aqui já ficou mais evidente que mudaram alguma coisa, mudando "gozar" para zoar" fica na cara que mudaram porque nem existia a palavra "zoar" em 1971. Fala "pavolosa" do Cebolinha ficou em negrito para seguir a atualidade e ainda corrigiram a camisa do Franjinha para vermelho já que na original apareceu amarela.


E aqui mais uma alteração na palavra "gozar" para "zoar", distanciando do conteúdo original da época, que pelo menos colocassem alguma palavra que existia na época.


Na história "A voz", corrigiram as cores das camisas da Magali e da Mônica que apareciam verde e preta, respectivamente na revista original. Essas correções de cores fazem direto. E outra alteração que fizeram muito foi retirar reticências ao lado de exclamação em finais de frases e as de início de um balão para seguir o padrão atual. As reticências, muitas vezes, como neste exemplo, mostravam continuação de pensamento no balão seguinte, tanto que o outro começava com reticências, mas preferiram tirar.


Nesta mesma história, alteraram a palavra "Cruzeiro" para "dinheiro" para seguir a atualidade. Porém, no quadrinho posterior é falado "Cruzeiro" sem alterar e ainda tem um aviso no rodapé da página explicando que Cruzeiro era a moeda do Brasil na época, então, desnecessária a mudança para "dinheiro" desse quadrinho destacado.


Na história "Salto, alto!" mudaram o título, tirando vírgula e exclamação. Podem ter achado que estava acentuado errado, mas eu vejo que fazia todo sentido porque na original com a vírgula, queriam dar destaque que a Mônica estava com um salto bem alto, não era um salto qualquer. Fora que a mudança deixa diferente do que foi colocado na época, sem deixar como foi na revista original.


Nessa mesma história, mudaram o "hem" para "hein" para seguir a ortografia atual. Antes era comum era sempre falarem "hem" e agora é proibido.


A palavra "janta" também é proibida atualmente e sempre alteram para "o jantar". Então, a fala da Magali dizendo "hora da janta", alteraram para "hora do jantar". Pode até ser mais correto gramaticalmente falar jantar, mas a gente é até acostumado falar janta no dia a dia e mudando tira a informalidade, fora ficar diferente da revista original.

Foi uma boa edição comemorativa*, cheia de histórias clássicas, não passa em branco os 60 anos da Mônica e melhor que sem luxo, é bom pra quem quer uma edição comemorativa e não tem condições de ter por serem caras ou quem quer ler histórias dos anos 1970 e não tem a extinta "Coleção Histórica" ou não tem condições de comprar os livros de luxo "Biblioteca do Mauricio". O que estraga são as alterações ridículas adequando ao politicamente correto ou à época atual, não deixando fiel às revistas originais, mas se até os livros "Biblioteca do Mauricio" alteram as coisas, não seria diferente dessa edição, pelo menos as alterações dessa vez não mudaram sentido das histórias. Se encontrar essa edição nas bancas é uma boa ter na coleção. Fica a dica.

* A princípio é apenas uma edição especial, mas por ter um "Nº 1" na capa, tem uma possibilidade de ser um título regular bimestral e, então, temos que aguardar para ver se vai confirmar ou não. Não faz muito sentido terem várias edições escolhidas pela Mônica Sousa, mas se for a cada edição serem histórias escolhidas por um funcionário da MSP diferente ou por artistas famosos, seria interessante. Tipo, roteiristas escolherem as suas histórias favoritas, ou as que leu na infância ou as que ele roteirizou, seria legal. Na Disney, até já teve coleção assim com famosos escolhendo as histórias top que leram. Vamos aguardar. 

segunda-feira, 27 de novembro de 2023

Capa da Semana: Chico Bento Nº 307

Nessa capa, Chico Bento e Zé Lelé aproveitam que o Nhô Lau estava dormindo para jogarem dama com a camisa xadrez dele servindo como tabuleiro. Com o sono pesado, Nhô Lau não acorda nem com o movimento das peças nele e os meninos têm que torcer para que o sono dure até enquanto dure a partida ou enjoarem de jogar e que o Nhô Lau não se movimente enquanto dorme para não cairem as peças. Muito legal.

A capa dessa semana é de 'Chico Bento Nº 307' (Ed. Globo, Outubro/ 1998).

sábado, 25 de novembro de 2023

Cascão: HQ "O Dia dos Abraços"

Dia 25 de novembro é aniversário do Cascão e, então, mostro uma história em que o Cascão procura alguém que lhe dê abraço no seu aniversário. Com 14 páginas, foi publicada em 'Cascão Nº 231' (Ed. Globo, 1995).

Capa de 'Cascão Nº 231' (Ed. Globo, 1995)

Cascão fica feliz que é aniversário dele, sempre acorda cedinho para receber abraços de Parabéns dos amigos, afinal, quando não gosta de tomar banho, só no dia do aniversário para receber abraços. Ele avista a Mônica, que corre e ele fica na dúvida se não o viu ou viu e não queria abraçá-lo.

Depois, Cascão encontra os amigos no futebol, Franjinha, que era o juiz, para o jogo e todos correm. Cascão ainda tenta ir atrás lembrando do seu aniversário, mas não consegue alcançá-los. Em seguida, ele vai na casa do Cebolinha, a mãe, Dona Cebola dá desculpa que não está, mas Cascão vê um vulto do Cebolinha na janela e descobre que o amigo não queria abraçá-lo.

Vai na casa da Cascuda, a mãe dela fala que a Cascuda mandou avisar que está com dor nos braços por ter feito muita natação. Assim, Cascão percebe que não tem mais ninguém, que é duro fazer aniversário em pleno Verão e ninguém quer abraçá-lo. Ele lembra de alguém que abraçaria no aniversário dele, mas não sabe se deve ir lá, mas decide que sim. 

Cascão desce até o esgoto até os domínios do Capitão Feio, que estava tomando banho de lixo. Cascão fala que quer passar para o lado dele, os amigos não gostam mais dele, ninguém quis abraçá-lo no seu aniversário. Capitão Feio acha uma injustiça e se prepara abraçar o Cascão, mas ele foge vindo tanta sujeira e diz que é sujo, mas nem tanto.

Cascão resolve fugir para um lugar bem longe e voltar nunca mais. Vai para floresta e ao ouvir raio e chover, se esconde dentro de um tronco de árvore oca. Lá, ele dorme e aparece uma cobra lhe dando apertão e ele sonha que eram seus amigos o abraçando no aniversário. Fala enquanto dorme que eles não precisam exagerar no abraço tão apertado, que está até suando. A cobra não gosta do mau cheiro e vai embora e Cascão acorda por não estar mais sendo apertado, vai embora para casa porque pelo menos os pais gostam dele de qualquer jeito.

No caminho, encontra a turma e Cascão diz que está tudo péssimo, ninguém o abraçou e sabiam que era aniversário dele porque fugiam quando o viam. Quando ia embora, todos da turma resolvem abraçá-lo, desejando Parabéns, felicidades e tudo de bom, ganha até um beijo da Cascuda. Cascão fica feliz pensando que eles não queriam abraçá-lo por causa do cheirinho, eles falam que nunca fariam isso, mas depois que Cascão vai embora, eles tiram as fantasias deles próprios inventadas pelo Franjinha e Cebolinha diz que sem as fantasias eles nunca teriam coragem de abraçar o Cascão.

História legal em que ninguém quer abraçar o Cascão no seu aniversário por causa do seu mau cheiro e ele procura alguém para abraçá-lo. No final, seus amigos mudam de ideia e abraçam o Cascão, só que têm a surpresa que estavam cobertos com uma fantasia imitando seus corpos inventadas pelo Franjinha. Foi a solução que encontraram para abraçar o Cascão para deixar o dia do amigo feliz e ao mesmo tempo eles não se sujarem e e não ficarem com mau cheiro impregnado na pele deles.

Eram boas as histórias do Cascão passando sufoco por conta do mau cheiro e por não tomar banho. Situação tão ruim, que nem no aniversário os amigos queriam abraçá-lo, antes abraçavam pelo menos uma vez por ano em seu aniversário, mas o cheiro insuportável fizeram não abraçá-lo de vez. Deu pena do Cascão querendo carinho e afeto dos seus amigos, tudo se resolveria se ele tomasse banho, só que era algo descartado para ele e teve essa consequência. Final foi feliz para ele, só não podia descobrir depois o que levou a turma abraça-lo de uma hora para outra.


Engraçado ver os amigos fugindo do Cascão e desculpa da Cascudaque não ia abraçar porque fez muita natação,  a cobra o apertando e ele pensar que era seus amigos, aonda bem que ele não viu a cobra, a descoberta pela gente das fantasias da turma. Praticamente foi um monólogo do Cascão na história toda, ele era expert em fazer graça falando sozinho que nem maluco. Não mostraram os pais, mas eles certamente devem ter abraçado o filho de manhã.

Dessa vez não mostraram uma festa de aniversário, preferiram mostrar só momentos antes de uma festa, foi bom pra diferenciar. Curioso que Magali não apareceu no início da história enquanto Cascão procurava alguém para abraçá-lo, só no final, acho que não a colocaram no início para agilizar e não passar número de páginas disponíveis para o gibi. Cascuda apareceu com sujeirinhas no rosto, na época as vezes aparecia com sujeira, as vezes, não. A partir dos anos 2000 a deixaram sem sujeira em definitivo. Se ela estava suja, não tinha motivo para não deixar de abraçar o Cascão, não faria diferença.

Sobre o Capitão Feio dizer que é tio, ficou dúvida se a intenção do roteirista era pelo fato de ser tio do Cascão como parente ou só um modo carinhoso de dizer sem relação com patentesco. Na Editora Globo, não colocaram essa ideia que o Capitão Feio era tio da família do Cascão, foi só dito na história de estreia dele em 1972 e em uma outra em 1980 e depois só voltaram a mencionar que ele era tio do Cascão na Editora Panini. Então nesta história da postagem,  acredito que intenção foi só ser carinhoso, sem ligação com parentesco.

Teve erro ao Cascão dizer que aniversário dele é no Verão, o correto é Primavera no Brasil por ele fazer em novembro, o que acontece é que pode ter dias bem quentes já se aproximando do final do ano, já parecer de ter temperatura alta de Verão, mas ainda não é. Desde 1994 já tinha data fixa das personagens, aí uma justificativa disso quem sabe a história foi roteirizada antes de 1994 e só publicaram em 1995. Sobre erros de desenhos, teve de um lado direito do rosto do Cascão não aparecer sujeirinhas no último quadro da página 7 do gibi e de Magali falar de boca fechada no primeiro quadro da última página.

É incorreta atualmente por ninguém querer abraçar só por ser sujinho, menosprezo da turma, falsidade, Cascão descer no esgoto, dizer que Cascuda é sua namorada porquenãopode mais ter namoro nos gibis, Capitão Feio tomando banho de lixo, Cascão querer passar para o lado do mau, fugir de casa, falar sozinho, envolvido com cobra, que quase o enforca, além da palavra "louco" ser proibida atualmente para não confundircom personagem Louco.

Traços ficaram bons, jeiti fofinho, típicos dos anos 1990. Tiveram cores com degradê em todos os quadrinhos, sejam ambientes abertos ou fechados, inclusive em gramas, árvores, casas e nos balões, quando eram coloridos, bem característicos dos gibis do segundo semestre de 1995, e acho que ficavam bonitas cores assim. E teve a disponibilização do estilo de até 6 quadros (3 linhas) por página em vez dos tradicionais 8 (4 linhas), que até deixavam bonitos os desenhos, mas por outro lado a história ocupa mais páginas no gibi do que devia.

FELIZ ANIVERSÁRIO, CASCÃO!!!

terça-feira, 21 de novembro de 2023

Magali: HQ: "Do Chão, Não!"


Mostro uma história em que a Magali deixou cair uma salsicha do seu cachorro-quente no chão e o Jeremias pensou que ela ia comer. Com 4 páginas, foi publicada em 'Mônica Nº 160' (Ed. Abril, 1983).

Capa de 'Mônica Nº 160' (Ed. Abril, 1983)

Magali está prestes a comer um cachorro-quente e deixa cair a salsicha no chão. Jeremias pensa que ela vai comer e como ele estava sem grana, pede dinheiro dos amigos para comprar um lanchão e ao ver que ela não ia comer a salsicha e ia jogar no lixo, Jeremias pensa que era um plano dela de se fazer de coitadinha para conseguir comida dos outros. Como ficou sem o sanduichão, o jeito foi a Magali comer o cachorro-quente com a salsicha que caiu no chão para não passar fome.


História boa, típica de miolo. O Jeremias não deixava a Magali falar, aí nem tinha como ela se explicar a tempo. Ela até seria capaz de fazer planos infalíveis assim para pegar comida a custa dos outros, tanto que já fez várias vezes nas suas histórias, articulando como ia filar comida dos amigos, mas dessa vez não tinha intenção. 


O que a Magali poderia era não ter falado que não ia comer a salsicha, aí ficaria com o lanchão. Nem se ligou que a intenção do Jeremias comprar o lanchão era por isso. Engraçado o Jeremias não deixando a Magali falar e já tirando conclusões erradas, pedindo dinheiro para o Titi e para o Humberto com pena dela. Foi bem inesperado Magali comer comida do chão, normalmente quando caía, ela não comia, então, definitivamente era capaz de tudo para comer.


De certa forma, a historinha ensina solidariedade de ajudar a alimentar os mais necessitados e ficar de olho em golpes para tirar proveito da boa vontade dos outros, por outro lado, é completamente impublicável hoje por Magali comer salsicha que caiu no chão, um mal exemplo inadmissível nos gibis atuais, fora ela ter ficado segurando a salsicha o tempo todo e depois comer com a mão suja e ainda ter um Sol personificado no final olhando feliz dando ideia que Magali fez uma coisa certa. Tanto que nunca foi republicada até hoje, poderia ser por volta de 1990 em almanaque dela, só que mostrar ela comendo algo que caiu no chão, pelo visto, acharam pesado até para anos 1990.


Outra coisa errada que iam implicar é a boca do Jeremias com círculo rosa em volta em alguns quadrinhos. Apesar de adotarem lábios nele em 1983, apareceram círculo no lugar e também lábios mais carnudos em alguns quadrinhos, o que também é inadmissível, eles acham que seria chacota com os negros. Os traços no geral, aliás, foram bons, típicos de histórias de miolo dos anos 1980. Na época, Magali estava com bastante histórias solo nos gibis da Mônica e alguns do Cebolinha porque ainda não tinha revista e ainda servia para os leitores se acostumarem com a personagem até ele ter a sua própria revista em 1989. E eram muito divertidas essas histórias dela.