sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Papa-Capim: HQ "A grande campanha"

Eleições do primeiro turno no Brasil chegando no próximo dia 4 de outubro e então mostro uma história em que um deputado foi fazer campanha eleitoral na selva do Papa-Capim para mostrar para a população que ajudou os índios. Com 5 páginas, foi publicada em 'Chico Bento Nº 65' (Ed. Globo, 1989).

Capa de 'Chico Bento Nº 65' (Ed. Globo, 1989)

O candidato a deputado Jordão Berimbau e seu assistente Miguel vão para selva da Amazônia. Miguel fica com medo e pede para Jordão falar baixo para os selvagens não ouvirem e o deputado lembra que foram pra lá para falarem com os índios. Lembra que está acabado desde que perdeu as últimas eleições e este ano será diferente, ele vai conseguir o apoio dos índios, todos dirão: "os índios estarão com  Jordão Berimbau".

O grito atrai os índios da região e Jordão resolve começar a sua campanha. Ele fala para os índios que vai civilizá-los, lhes dar tecnologia, pôr ordem na bagunça e em troca quer os índios espalhem por aí o quanto ele é justo. Papa-Capim diz que eles estão bem assim, precisam de nada. Jordão fala que se o apoiarem, acabará com a miséria, não faltarão alimentos, Papa-Capim conta que alimento para eles é o que não falta, tem de tudo graças á generosidade da floresta.

Jordão fala que então lhes dará segurança, protegerá dos perigos da floresta. Papa-Capim responde que não há perigo que eles não sabem enfrentar, desde curumins aprendem a lançar arco e flecha para caçar e se defender, mas quase sempre a natureza é amiga deles. Jordão fala que para saúde enviará médicos para acabar com as doenças da tribo. Papa-Capim responde que raramente ficam doentes, se acontece alguma coisa, o Pajé sabe como curá-los e se for doença de homem branco, o Pajé aprendeu a usar analgésicos, penicilinas que busca na vila. 

Jordão aborda sobre moradias e eles terem facilidade para adquirir casa própria. Papa-Capim diz que eles já têm, cada um tem sua sua oca construída por ele próprio. Jordão se irrita, desiste da campanha e resolve voltar para cidade, reconhecendo que pode fazer nada para eles. Papa-Capim debocha que Jordão pensava que eles viveriam em um lugar onde faltasse comida, casa, segurança, que  tivesse um monte de doenças. Jordão ouve e no final resolve descansar na selva, adiando a candidatura e a campanha eleitoral e comenta com Miguel que se o Papa-Capim fosse candidato, votaria nele.

História legal em que o deputado Jordão Berimbau queria fazer campanha eleitoral na selva para catequizar índios e melhorar condições de vida deles para o povo pensar que ele era bonzinho e prestativo com índios  e votarem nele por causa disso. Só que não contava que índios viviam muito bem e precisavam de nada e ainda resolve passar um tempo na floresta reconhecendo que Papa-Capim seria um grande candidato nas eleições.

Papa-Capim regenerou o deputado, que queria tirar proveito dos índios para se dar bem na eleição. Deputado que não cumpria promessas feitas, não merecia ser eleito mesmo e aprendeu com o Papa-Capim que os índios vivem bem e que ele devia fazer as melhorias para o povo não passar problemas como eram com os índios. 

A grande crítica da história que fez o Jordão Berimbau cair em si foi o Papa-Capim dizer que eles nunca viveriam em um lugar onde faltasse comida, casa, segurança, que  tivesse um monte de doenças, coisa bem diferente que a população da cidade passa, principalmente da classe baixa, que sofrem com miséria, sem segurança, e moradia e saúde precárias e os políticas nem aí. E ajuda a leitores a ficarem atentos a governantes que não cumprem promessas e que querem tirar proveito durante as eleições só para conseguirem votos.

Engraçado o Miguel lerdo, sem saber o que o Jordão já tinha explicado, Miguel dizer que Jordão vai ser eleito porque vai cumprir promessa pela primeira vez e Jordão responder que não pensou em medidas drásticas e ele jogar lábia nos índios em vão. Foi provado que a selva do Papa-Capim fica na Amazônia e Jordão e o assistente Miguel apareceram só nessa história, como de costume de personagens secundários criados para histórias únicas.

Impublicável atualmente por envolver política que não é tratado assunto para crianças, retratar índios como primitivos, morando em ocas, usando arco e flecha, hoje é terminantemente proibido mostrá-los assim e tem que ser chamados de indígenas, fora que o Miguel ainda disse que índios são selvagens de dar medo, além de Miguel segurando espingarda e índia com seios á mostra no quadro final da história.

Traços muito bonitos da fase consagrada dos personagens. . Tiveram erros do cabelo do Papa-Capim com brilho branco nos 3 últimos quadros da terceira página da história, tanga do Papa-Capim roxa no 5º quadro da penúltima página, erros que o colorista provavelmente confundiu com os balões de pensamentos que tinham tonalidades diferentes em tons azuis. O Papa-Capim dessa vez ficou com nariz com formato " ^ " em vez de "c". Até que não fica ruim com nariz assim, é o único que não faz diferença significativa de formato de nariz, mas o padrão é a forma "c".