segunda-feira, 1 de junho de 2026

Milena Nº 1 - Editora Panini

A Milena ganhou sua própria revista lançada nas bancas em maio de 2026 pela Editora Panini. Já tinha comentando um pouco na postagem de edições "Nº 1" da quarta série e nessa postagem mostro um review mais detalhado sobre como foi essa revista.

Milena foi criada em 2017 e surgiu nos gibis em 2019 para ter representatividade negra até por ter poucos personagens negros na Turma da Mônica e dar inclusão. Não demorou para ser alçada como personagem protagonista junto com Mônica, Cebolinha, Cascão e Magali. Desde 2019 aumentando cada vez mais o espaço dela nas histórias em geral, passou a ter grande destaque na revista 'Turma da Mônica' com quase todas as histórias de abertura sendo dela, até que agora ela consegue sua própria revista.

Alguns dizem que Milena é a primeira a ganhar revista depois de 37 anos, após lançamento de Magali em 1989. Eles consideram personagem principal que ganhou revista neste período já que não podemos descartar lançamentos de outros personagens como Ronaldinho Gaúcho, Neymar Jr. e Tina.  Mesmo sendo títulos cancelados, a MSP teve seus outros gibis de personagens lançados após 1989. Isso sem contar títulos variados como Gibizinhos, Parque da Mônica, almanaques de secundários, etc.

Quando foi criada, Milena não tinha uma personalidade definida, ficava como uma menina que gostava de animais e de Ciências, bem perfeitinha, tudo bem genérico e sem a ver com personagem em quadrinhos, e agora com a sua revista a definiram como uma menina inteligente, observadora, curiosa, pergunta tudo, investigativa, detetive pronta para desvendar mistérios, imediatista, hiperativa, com defeito de ser bagunceira. Com o tempo, podem ter histórias dela com Franjinha, ajudando nas invenções dele por gostar de Ciências e tecnologias e ter participação da Estrelinha Mágica por ser observadora, olhar estrelas. Enfim, querem mostrar Milena representando uma autêntica criança da geração Alpha, ser uma representante da infância atual, para criança olhar e se identificar com ela.

A personagem agora está com traços mais simplificados para facilitar as crianças que querem desenhar a personagem e também para ter um padrão maior com os outros personagens. Quando foi criada ela tinha um macacão bordado laranja, lacinho de fita no cabelo e tênis mais elaborado, semelhante aos tênis que outros personagens usam, e desde 2025 ela passou a ter macacão verde, que ainda tinha as costuras e botões, e fita no cabelo e agora em 2026 simplificaram, tirando as costuras e botões do macacão, tiraram o lacinho de fita no cabelo, passando a ter uma presilha no lugar e tênis mais simples.  

Evolução da Milena

Falando sobre a revista da 'Milena Nº 1' (totalmente criada pela nova administração "MSP Estúdios" da família Takeda, sem intervenção do Mauricio de Sousa, que se aposentou), chegou nas bancas aqui dia 25 de maio de 2026, com uma distribuição atrasada porque é original da primeira quinzena de abril de 2026. A Panini tem atrasado bastante desde as "Nº 90" da 3ª série, de outubro de 2025. 

Assim como as outras revistas da "MSP Estúdios", tem periodicidade quinzenal (ou bimensal) com formato canoa, 52 páginas cada, com capa em papel couché e miolo com papel jornal, 1  página de sessão de mensagens das crianças e intermináveis 8 páginas de passatempos, custando R$ 8,90 cada.  São 35 páginas destinadas a leitura de histórias tirando capa, contracapa, as seções de mensagens, passatempos e propagandas.

Capa tem uma faixa colorida rosa no alto separando da ilustração principal com o logotipo e  todas as informações de Nº , editora, selos, logo da "MSP Estúdios", não informam títulos das histórias nas capas, tudo isso não para atrapalhar a ilustração. O logotipo da Milena foi modificado para um estilo mais minimalista, ela já tinha um logotipo fixo com representações da sua roupa, com laço de fita e costuras do macacão, mas como todos os logotipos mudaram tirando as personalidades dos personagens, o da Milena aconteceu o mesmo. 

Logotipos antigo e novo da Milena

Ilustração de capa não foi com alusão à história de abertura como os outros porque é uma revista "Nº 1" de verdade e gostam de colocar uma ilustração da personagem em edições "Nº 1", mas certamente a partir da "Nº 2" terá alusão à história de abertura assim como as demais revistas. Nessa capa, foi Milena tirando selfie com os amigos, representando a geração atual de gostar de tirar selfies com celular. 

Na contracapa tem o título, sinopses e frames da história de abertura e ilustração da Milena com colorização diferente como foram com os outros personagens nessa 4ª série. E consta também preço, código de barras, QR code e selos variados nas contracapas para deixar as capas menos poluídas e valorizar os desenhos. 

Não teve um frontispício ao abrir a revista apresentando o lançamento da revista, já abre com história na página 3 e tem propaganda do livro "Paródias da MSP da "Woniquinha" na página 2, onde também poderiam ter colocado frontispício. Deveria ter página de apresentação por ser uma verdadeira "Nº 1". A sessão de mensagens e os passatempos têm o rosto da Milena ao lado. Passatempos com mais ilustrações da Milena e da família, mas tem de outros personagens principais. Ao invés da seção dizer só "Passatempos", agora as revistas mostram "Passatempos do personagem" e, com isso, nessa revista passou a se chamar "Passatempos da Milena".

Sobre traços das histórias, diminuíram o estilo "png" estáticos copia e cola escancarados e colocaram no lugar traços variados e com movimentos, sendo que estes novos muito ruins e caricatos também sendo feitos por computador, o copia e cola continua, tem momentos que estão com mesma posição de corpo só mudando posição de cabeça, por exemplo, só que está menos perceptível. 

A revista tem 10 histórias, incluindo a tirinha. Sobre conteúdos de histórias, agora padronizaram uma história de abertura obrigatoriamente com 3 faixas de quadros com até 17 páginas e as demais de miolo curtas de 1 a 3 páginas. Não fica bom essa padronização em tudo e histórias curtas parecendo vídeos de TikTok. Nos créditos de roteiristas, desenhistas, etc, não estão mais dando créditos a letristas e de arte-final só em algumas, dando lugar a design, quem idealizou o layout novo dos traços dos personagens no computador. 

Não tiveram histórias da Milena contracenando com só com os irmãos Binho e Sol e gata Mostarda, certamente nas próximas dições vão ter. Não tem histórias de secundários de outros núcleos, como Tina, Penadinho, Piteco, etc. Histórias com secundários foram com Denise e Marina, sendo que a única que a Milena não apareceu foi na de 1 página da Marina. Se fosse época da Globo que tinham personagens fixos e com estilo a ver com personagem do título da revista, os secundários fixos da Milena bem que poderiam ser Astronauta e Bidu por ela gostar de Ciências e de animais.

A história de abertura foi "O mistério no quarto de dormir", escrita por Edson Itaborahy, com 15 páginas disposta em 3 faixas de quadros. Na trama é revelado que Milena tem um quarto bagunçado e não encontra o seu laço de fita de cabelo onde tinha anotado alguma coisa que esqueceu e ela investiga quem foi que levou sua fita.

Roteiro bobinho e mostrando a característica de Milena detetive, tudo forçado, dava para ser melhor. Agora pior foram os traços tenebrosos demais, caricatos, expressões exageradas, sem estilo mauriciano, definitivamente não ficaram bons. Se tivessem sido feitos a mão poderia ter ficado melhor, digital assim não fica natural. Esse quadro aí com a Magali chega a ser constrangedor e agonizante.

Tem uma clara inspiração a traços do desenhista José Marcio Nicolosi da segunda metade dos anos 1970, só que bem piorado, misturado com o estilo dos anos 2000 e sendo digitais sem serem feitos a mão não chegam nem aos pés do Nicolosi. Não adianta imitar, nunca fica igual.

No terceiro quadro dessa página, a Mônica ficou um horror, nada lembra estilo do Mauricio. Esses novos desenhistas quiseram deixar personagens caricatos, leitor pode rir dos desenhos, mas não do roteiro em si, que teve graça em nada. Valeu mais por Mônica ter batido no cebolinha e tentar bater na Milena.

Em seguida, vem uma história de 2 páginas sem título, escrita por Giulia Ebohon, também mostrando esse lado investigativo da Milena, dessa vez procurando a lancheira da Magali que perdeu. Traços lamentáveis nessa, contornos tenebrosos, fica complicado de gostar disso.

Esse quadro uma coisa terrível, acho muito avacalhação com o Mauricio permitirem isso, tosco demais.

Em "Quase lá", de 3 páginas e escrita por Maria Clara Portela, Milena dorme na sala e sonha que está querendo abrir uma caixa e sempre acorda quando está prestes de abrir a caixa e vê que acordou na cama do quarto dela e volta para sala para sonhar de novo o que estava sonhando. Mais uma vez Milena envolvida com mistério, querendo decifrar o que tinha na caixa do sonho e porque parava no quarto toda vez que acordava. Com desenhos digitais, a mesma imagem da Milena dormindo no sofá no primeiro quadro da primeira página foi utilizada no penúltimo quadro da segunda página.

Depois dos passatempos vem história da Denise, "A pacificadora", de 3 páginas, escrita pelo Emerson Abreu. Na trama, Denise tenta pacificar os amigos que estavam reclamando que não foram convidados para a festa de aniversário da Carminha Frufru. Ficou como um complemento da história de abertura que saiu na revista da 'Magali Nº 1', até poderia ter saído na revista dela, mas como teve participação da Milena resolveram colocar nessa revista. Chama atenção dos traços completamente horrorosos, caricatos demais, parecendo que colocaram direto dos rascunhos do roteiro para a revista, só colorindo. Na última página com mais caretas exageradas conseguiu ficar ainda pior. Bem deprimentes.

Em "Leitura dinâmica", de 3 páginas e escrita por Maria Del Mar Valenzuela, Milena fica curiosa com Jeremias lendo um livro e quer saber como era o final e ela lê de uma forma dinâmica, super rápida. Mostra a característica da Milena ser típica criança da geração Alpha, de não perder tempo com as coisas, ser imediatista e hiperativa, No momento que ela lê, aparecem setas com fontes digitais, mostrando como estava sendo a leitura dinâmica, que achei desnecessário.

Depois vem 2 histórias de 1 página, uma escrita Por Raí Guimarães, com Marina jogando futebol com os meninos, foi a única que a Milena não apareceu, nem como participação, considerada história de secundários, e a outra foi da Milena com Cebolinha, escrita pelo Emerson, querendo que ela ajude no dever de casa da escola fazendo uma pergunta pra ela porque é inteligente e a pergunta não era bem um dever de casa.

A revista termina com a história "Espelho, espelho meu!" , de 5 páginas e escrita por Eliana Alves Cruz, com a Milena conversando com espelho da Bruxa da Branca de Neve, no caso ela imaginou conversando com espelho após ler livro da "Branca de Neve e os Sete Anões" e ser interrompida pela mãe Sílvia que teria que se arrumar para ir para uma festa com a família. Bem fraquinha e com mensagem de representatividade negra no final. Única de miolo com mais de 3 páginas da edição, desenhos melhores nessa, mas percebe que é digital pelo espelho com mesma expressem todos os quadros.

Vale destacar também que tiveram vários roteiristas novos inclusive alguns que são negros e não roteirizaram nas outras revistas que devem ser exclusivos para fazer as histórias da Milena e  para dar um representatividade negra melhor. E nas propagandas aproveitaram para colocar produtos licenciados da Milena, como boneca, meias ,colônia e produtos de cabelo da personagem, que não foram anunciados nas outras revistas.

No expediente final de todas as revistas tem a numeração da 4ª série junto com a numeração real do título, como da Milena é a Nº 1 de verdade, repetiram o "001", o primeiro representa o Nº da editora e o segundo, a numeração real, confirmando que é primeiríssima edição.

Então, achei uma revista fraca, adaptada para a geração atual, padronizada cheia de histórias curtas uma atrás da outra, traços digitais feios e caricatos sem a ver com estilo do Mauricio. Tentaram dar personalidade à Milena, prevaleceu histórias de Milena como detetive, desvendando mistérios de objetos desaparecidos, que deve ser o foco principal dela agora, mas também devem explorar que é menina autêntica da geração Alpha, que gosta de animais e de Ciências, com o tempo devem ajustar com o que vai dar certo e ter uma noção melhor da verdadeira personalidade dela, que já devia estar definida no mínimo desde que resolveram que ela se tornasse protagonista. Não vou colecionar, comprei essa só por ser a edição "Nº 1" e dificilmente compre outra, a não ser que encaixe em situação de edição especial e olhe lá. 

11 comentários:

  1. As histórias atuais estão variando entre roteiros fracos e péssimos. Essa segunda história da revista é muito ruim. A história simplismente "acaba do nada", com um final sem graça e sem inspiração. As outras, como falei, não estão muito melhores. As vezes a história pode ter uma premissa que parece até interessante, mas um desenvolvimento péssimo, como a história do espelho. Enfim, atualmente são pouquissimas histórias produzidas pela MSP que acho realmente boas. Parece até que por ser uma revista infantil eles fazem de qualquer jeito, como se criança aceitasse qualquer coisa.

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    1. Notei isso também, do nada essa acaba e sem sentido. Com essa mania de histórias curtas e corridas, aí fazem de qualquer jeito. Deve ser isso de acharem que criança não liga, mas não é bem assim. E muitas histórias poderiam ficar melhores a partir das premissas se tivessem mais páginas.

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    2. Pior que acho que até com mais páginas as histórias não seriam tão melhores assim não, Marcos, visto que ja andavam capengas nos primeiros números da série anterior. Na minha opinião nada mais vem sendo de qualidade ali, desde histórias curtas, histórias longas, tirinhas. Por falar em tirinha, você viu a do gibi do Chico Bento dessa nova série? Deve ter sido escrita por I. A., só pode, de tão sem criatividade.

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  2. Marcos, falando agora de algo que não tem nada haver com a postagem. Queria saber se você conhece dois personagens do Mauricio chamados Fogaça e Caiçarinha. Descobri tiras deles recentementes. Ambos tinham tirinhas próprias e foram publicados por volta de 1966 e 1969. Hoje são claramente super obscuros, mais esquecidos do que Boa Bola ou Os Souza.

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    1. Nunca ouvi falar deles, pesquisei aqui só vi esse Fogaça, mas já adaptado aos traços atuais. Esses aí são mais obscuros que os Dez Ajustados.

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    2. Gosto de vez ou outra pesquisar sobre os trabalhos do Mauricio e desenterar esses personagens obscuros. Se você ou mais alguém aqui tiver interesse em ver. Basta perquisar no Google o nome do personagem (Caiçarinha, Fogaça) no TIRAS IN MEMORY. Foi nesse blogue que encontrei algumas. Lá também tem Palestrino e Niquinho.

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  3. Meu Deus, esse estilo é ultra-bizarro. É até um desrespeito com o Mauricio essas cenas com traços distorcidos.

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    1. Completa falta de respeito com o Mauricio, ainda mais agora que ele não está dando mais nem palpites nas histórias. Que mudasse, mas pelo menos ter uma essência do estilo dele. Magali ali toda deformada, não dá pra gostar disso.

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  4. Em vista de como deixaram os traços da série encerrada há pouco, é inegável que houve algum progresso e, não estou elogiando, estou constatando o óbvio em termos de comparação com o visual anterior que, por sinal, ainda se mantém e, talvez, nem saia de linha no decorrer da série vigente. Ademais, reafirmo: Milena nº1, assim como as outras edições que inauguraram a série atual, quero nem de graça.

    Seria interessante, ou melhor, digo até que seria deveras positivo para a titular caloura se, encrespasse com a Mônica e, apanhasse. Mas, creio que isso não irá acontecer. Milena surgiu na condição de intocável, inserida no universo da TM com objetivo único: ser constantemente exaltada e aclamada.

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    1. Digamos que alguns traços menos piores do que vinha sendo, outros bem piores, sendo os menos piores nem se compara quando eram feitos a mão. Milena é a nova protegida, até mais fácil chamar Turma da Milena, não vai acontecer grandes coisas com ela. Realmente foi gibi fraco, dinheiro gasto fora, porém já era de se esperar que fosse assim antes de comprar.

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  5. Marcos, super concordo com a padronização engessada e histórias curtas demais, a MSP entende que o consumo atual requer atenção fragmentada e infelizmente traduziu isso nas produções, o que é uma pena, pois o divertido de se ler quadrinhos é acompanhar os personagens em todo tipo de trama mirabolante e criativa, hoje tudo soa muito didático. Mas se me permitir uma crítica na sua análise, cobrar fidelidade absoluta ao traço dos anos 1970-1990 é uma visão viciada. O Estúdio sempre inovou seus desenhos e sempre permitiu que os ilustradores tivessem liberdade no pincel, eu vejo muita expressividade e muita personalidade, um capricho mesmo, na arte, não acho que cabe esse olhar tão saudosista. A MSP tem o direito de se modernizar, mudar formatos e linguagem para a geração atual, e tá tudo bem, até porque eles querem vender e esse tipo de conteúdo que estão entregando é consumível pras crianças.

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