domingo, 25 de agosto de 2024

HQ "Chico Bento O Feirante"

Dia 25 de agosto é o "Dia do Feirante" e em homenagem mostro uma história em que o Chico Bento virou feirante, causando muita confusão. Com 10 páginas, foi história de abertura de 'Chico Bento Nº 74' (Ed. Globo, 1989).

Capa de 'Chico Bento Nº 74' (Ed. Globo, 1989)

Chico Bento e o pai, Seu Bento, chegam à casa do compadre Nhô Neco de noite para entregar o fornecimento de laranjas para a feira. Neco diz que contava com as laranjas, Seu Bento fala que a colheita atrasou, Nhô Neco diz que pelo menos deu tempo e chama os dois para tomar um cafezinho. Chico Bento acha legal que Nhô Neco trabalha em feira e gostaria de saber como é e Neco o convida pra ficar lá e levá-lo para a feira e Seu Bento busca o filho de tarde.

Chico vai dormir e é acordado por Nhô Neco às três e meia da manhã para trabalharem na feira e Chico não gosta, acha que até o galo ainda está dormindo. Eles carregam caixas de laranjas até o caminhão. No caminho, Chico cochila e é acordado quando chegam para descarregarem material da feira. Fica tudo pronto quando o Sol está nascendo e esperam os fregueses.

Aparece Dona Amélia, perguntando como estão as laranjas. Nhô Neco responde que estão ótimas nem precisa escolher. Chico estava dormindo com cabeça em cima das laranjas, Dona Amélia pega no nariz do Chico pensando que era uma laranja e acha que não estava firme e Chico chama a mulher de enxerida e manda soltar o nariz dele. Dona Amélia se assusta, acha que foi insultada e vai comprar laranja em outro lugar.

Neco fala que é para o Chico ter mais cuidado, perdeu uma antiga freguesa e ensina como faz, que tem que gritar chamando fregueses. Chico manda fazer silêncio, já escutou e não é pra passar vexame. Nhô Neco conta que tem que ser assim se não como vai competir com os outros vendedores que gritam. Nhô Neco ensina outra tática, chamar mulher bonita para querer laranja, que é doce como ela e aí leva 2 dúzias de uma só vez. 

O feirante do lado lembra que vai passar a final do jogo de vôlei e Neco deixa o Chico tomando conta da barraca enquanto assiste ao jogo, para ele anunciar e atender a freguesia e Chico que diz que quando ele voltar, não vai mais ter laranjas. Chico acha uma emoção virar feirante, anuncia as laranjas e pergunta para moça bonita se não quer laranja e chama a outra de nariguda feiosa e leva uma tacada de bacia na cabeça.

O feirante do outro lado percebe que o Neco deixou um bobão tomando conta da barraca e aproveita para roubar a freguesia dele. Chico anuncia que a laranja é da boa e o feirante, que a dele é melhor. Chico fala que a dele é docinha e cardosa, um mel e o feirante, que é mentira. O feirante pede para o Chico provar a laranja que comprou da barraca dele, Chico acha azeda e descobre que deu um limão e o feirante fala que ele não sabe diferenciar limão e laranja.

Vários clientes vão para a barraca do feirante, que diz que a dele é a melhor, Chico anuncia que a dele é mais barata e todos vão para a barraca do Chico. O feirante anuncia que leva três e pague duas e Chico, leve uma dúzia e leva a bacia de graça. O feirante anuncia que laranja dele é mais firme, Chico duvido e o feirante taca uma laranja nele, Chico revida, o feirante se abaixa e laranja vai parar no vendedor de abacaxi, que taca em outro feirante e começa a guerra de frutas entre os feirantes. 

Neco volta do jogo e ansioso para ver como Chico se saiu e se espanta com tudo quebrado e Chico fala que não sobrou laranja, agora tem abacaxi, banana, tomate, berinjela. Depois, Seu Bento busca o Chico e se desculpa com o que ele aprontou, Neco diz que não faz mal, é só uma criança e depois dá um jeito de vender as frutas. Em casa, Dona Cotinha se espanta que o Chico está machucado e resolve preparar uma laranjada. Chico desmaia e Seu Bento fala que hoje o Chico já tomou muita laranjada.

História muito engraçada em que o Chico Bento vira feirante depois que disse que nunca foi em uma feira e Nhô Neco o deixou trabalhando junto com ele. Já tinha aprontado com o Nhô Neco lá, mas piorou quando ficou sozinho, resultando em guerra entre feirantes. No final, Chico ficou com trauma de laranja, por conta das muitas pancadas de laranjas na cabeça. Sem dúvida o Chico nunca mais vai querer ir a uma feira depois de tudo que aconteceu. 

Nunca tinha visto uma feira porque não precisava comprar já que tinha tido fresco plantado no sítio, mas não precisava ele trabalhar em uma, Seu Bento poderia levar o filho na feira pela manhã que já ia conhecer. Deu uma pena do Chico fazendo esforço de carregando laranjas de madrugada, montar barraca de feira. Nhô Neco foi bem irresponsável, já tinha visto o Chico aprontando com a Dona Amélia, aí como deixa uma criança sozinha na feira para assistir jogo. O outro feirante bem mau-caráter de se aproveitar do Chico pra pegar a clientela do Neco, por culpa dele que aconteceu tudo no final, Chico até poderia não vender as laranjas, mas não teria um pastelão acabando com a feira se não fosse por ele.

Foi de rachar de rir do início ao fim com destaques de nariz do Chico ser confundido com laranja, Dona Amélia apertar o nariz e com onomatopeia "Fonc!", o Chico dizer ao Neco que estava passando vexame ao gritar na feira, chamar a mulher velha de nariguda feiosa, a discussão com o feirante concorrente com direito a dar limão para o Chico, a guerra de frutas entre os feirantes e os galos na cabeça do Chico. 

A história pareceu uma feira de verdade, foi legal ver cotidiano de um feirante e que nada fácil a vida deles para fornecerem frutas para clientela, o Seu Bento ser fornecedor para feirantes com os produtos que planta no sítio, era o trabalho dele. Também era comum na época mostrar o Chico e até outros personagens trabalhando em várias profissões, sempre era engraçado, como a memorável "Chico açougueiro" (CHB # 93, de 1990). 

O  compadre por quem o Seu Bento se referiu a Nhô Neco pode ser que sejam compadres do tipo de padrinho de casamento ou apenas um amigo mesmo de grande consideração, não ficou claro e como Neco apareceu só nessa história, não pode afirmar se tem certo parentesco com os Bento ou não. Gostavam de colocar o termo "Nhô" para se referir a "Seu", "Senhor", o pai do Chico mesmo colocavam como "Nhô Bento" e o "Nhô Lau" é assim até hoje.

Os traços muito caprichados que davam gosto de ver. É completamente incorreta hoje em dia por mostrar uma criança como Chico Bento trabalhando em feira, acordar de madrugada, fazendo esforço em carregar caixas de laranjas, montar barracas, levar pancada de bacia na cabeça e laranjadas, adultos irresponsáveis de deixar criança trabalhando e se aproveitar dela, a guerra pastelão causando desperdício de alimentos, preconceito com narigudos, Dona Cotinha e a velha nariguda com avental, fora as palavras "gozado", "roubar", "bandido" e "diacho" que são proibidas nos gibis atuais. 

quarta-feira, 21 de agosto de 2024

Magali: HQ "A Indesejável"

Em agosto de 1994, há exatos 30 anos, era publicada a história "A indesejável" em que a Magali não é convidada para o churrasco do Renatinho por ser comilona e ficando deprimida por causa disso. Com 8 páginas, foi história de encerramento de 'Magali Nº 134' (Ed. Globo, 1994). 

Capa de 'Magali Nº 134' (Ed. Globo, 1994)

Magali ouve conversa entre Aninha e Suzana sobre roupas que vão usar e pergunta onde elas estão planejando ir. Falam que vão ao churrasco na casa do Renatinho e perguntam se ela não recebeu o convite. Magali acha que ele ainda vai enviar e elas dizem que convite foi enviado há alguns dias e que a festa é hoje de tarde. Magali fica surpresa e Aninha e Suzana vão embora, recebendo que deram um fora.

Magali se pergunta por que o Renatinho não a convidou para o churrasco, eles não estão de mal, se será que ele a acha chata ou tagarela, tudo é grande mistério, enquanto toma picolé. Em seguida, vê uma menina mandando o amigo esconder o lanche e Magali descobre que não foi convidada porque é comilona e o Renatinho pensa que ia acabar com o churrasco dele, acha uma injustiça, não é tão comilona assim, pede 10 pirulitos para um vendedor, e se acha isso dela, azar dele, tem muitos amigos que gostam dela.

Em seguida, Magali vê Cebolinha e Cascão e pergunta se eles querem brincar. Cebolinha fala que agora não dá, Cascão complementa que estão indo ao churrasco do Renatinho, dando um fora. Magali lamenta que eles vão e  nem ligam de ir a uma festa que ela não foi convidada, mas é assim que descobrem os verdadeiros amigos. Depois, Magali convida Jeremias para tomar sorvete juntos, Jeremias conta que nem vai almoçar para ter espaço na barriga para o churrasco, percebe o fora e disfarça que não sabe de churrasco, mas quem sabe alguém convida para um.

Magali acha que todos são falsos, mas sabe de alguém que não é falsa, a Mônica. Magali convida a amiga para brincarem, Mônica diz que não dá para não sujar o vestido novo. Magali acha bonito e pergunta onde vai com ele, Mônica disfarça que para um lugar aí, nada especial, deixando Magali arrasada, achando que é uma indesejável e está só no mundo. Vai para casa chorar mágoas com as bonecas dela, desabafa que elas não iam abandoná-la para irem para churrasco, apesar de não comerem, diz que a turma só a vê como comilona, um perigo, uma ameaça, que no peito de uma esfomeada também bate um coração. Ela vê pela janela os amigos indo para a festa, fala que nem liga e não iria nem se convidassem.

Dona Lili aparece, contando que achou um envelope sujo e amassado enquanto cuidava do jardim, jogaram pelo muro e depois choveu e ficou esquecido. Magali fica feliz que foi convidada, que Renatinho não se esqueceu dela, arruma um vestido e vai vai para o churrasco. Chegando lá, agradece o Renatinho que recebeu o convite, Mônica gosta que Magali foi convidada. Cebolinha pergunta para o Renatinho como convidou a Magali sabendo que ela vai comer todo o churrasco, ele responde que é um cara legal, não podia deixá-la chateada e no final pensa como foi que ela achou o convite naquele cantinho escondido que ele deixou.

História engraçada em que a Magali descobre que não foi convidada para ir ao churrasco do Renatinho por ser comilona e ter medo de comer tudo. Para piorar, os amigos acobertam e disfarçam que não vão ao churrasco, deixando claro que eles também não a queriam lá e Magali fica arrasada com a falsidade deles. No final, Renatinho tinha enviado convite, mas deixou em um lugar escondido para ela não ver, mas a Magali descobriu e foi lá, comendo tudo que podia.

Mostra falsidade de amigos, não justificava o comportamento da turma mesmo se Renatinho não tivesse convidado a Magali, eles só se interessavam no churrasco e não queriam Magali lá para não comer tudo. Deu pena da Magali sendo excluída por eles só por ser comilona e ter as bonecas como únicas amigas para desabafar, acabou perdoando porque ia comer a vontade na festa. Magali era amiga deles, era só fazer mais churrascos para dar para todo mundo ou mostrarem para ela controlar apetite, comer menos. Renatinho devia é ter enviado o convite nas mãos da Magali, não jogar no quintal da casa dela escondido, não foi uma boa índole, antes então não tivesse nem levado o convite se não a queria lá.

Foi legal ver a Magali inicialmente não saber o motivo que não foi convidada para o churrasco até descobrir que era comilona porque as outras crianças escondiam comida para ela não comer, ela pedir e comer 10 pirulitos de uma vez só, as desculpas dos amigos para enganá-la que iriam para o churrasco, as meninas irem ao churrasco com roupa diferente, se produzirem mais para o evento, enquanto os meninos foram com mesmas roupas, só o Cebolinha que colocou uma gravata borboleta para diferenciar um pouco.  Menino mais fofo da rua era sempre um diferente a cada história, sempre terminado com "inho", dessa vez foi o Renatinho, e a Suzana que apareceu com a Aninha foi só uma figurante colocada, apareceu só nessa história.

Incorreta atualmente pelo tema de falsidade de amigos, esconderem que iriam ao churrasco porque ela era comilona, os outros esconderem comida dela sem nem oferecer. Assim como não pode a Magali esconder dos outros o que come, também não pode o contrário, agora eles não regulam comida, é ensinado que tem que dividir. Fora ter a gula exagerada da Magali com os pirulitos e comendo churrasco, a palavra "azar" que é proibida também nos gibis atuais, assim como é errado a Dona Lili aparecer de avental para não dar ideia que é só uma dona-de-casa.

Traços ficaram bons, típicos dos anos 1990, teve uma proporção errada no último quadrinho da primeira página da Magali junto com a Aninha e a Suzana. Apesar da Aninha ser maior que a Magali por ser mais velha, mas não nessa proporção, aí ou foi um descuido ou então a intenção foi proposital de passar que a Magali se sentiu inferiorizada ao descobrir que não foi convidada para o churrasco. Muito bom relembrar essa história há exatos 30 anos.

domingo, 18 de agosto de 2024

Silvio Santos nos gibis da Turma da Mônica

O apresentador Silvio Santos morreu no último dia 17 de agosto de 2024 e em homenagem relembro histórias da Turma da Mônica que tiveram presença ou citação ao eterno grande comunicador da televisão.

Senor Abravanel, o Silvio Santos, foi um grande comunicador, durante quase 60 anos apresentando seu "Programa Sílvio Santos" aos domingos na televisão, sempre muito animado e quadros de sucesso como "Domingo no Parque, "Namoro na TV", "Topa Tudo por Dinheiro" entre outros, já no seu canal de televisão, o SBT, inaugurado em 1981.  Morreu aos 93 anos de idade no último sábado,  17 de agosto por causa de uma broncopneumonia como consequência agravante de gripe H1N1 e quis o destino ser justamente 2 dias antes do aniversário da inauguração do SBT, em 19 de agosto. 

A MSP sempre procurou mostrar os famosos em suas histórias, todos que eram bem conhecidos na atualidade tinham presença nos gibis interagindo com as personagens ou fazendo participação rápida especial ou apenas sendo citado. Não tinham traços fixos, variavam de cada desenhista, e era legal que os famosos podiam se dar mal, podiam acontecer de tudo com eles dependendo dos roteiros. Durante a fase da Editora Abril e uma parte da Globo os nomes das celebridades podiam ser parodiados ou não, depois foram sempre parodiados e eram muito criativos nos nomes inventados. Com o Silvio santos não podia ser diferente e teve várias presenças ou citações nas histórias da turma.

A primeira vez que Silvio Santos apareceu foi logo na edição 'Mônica Nº 1' (Ed. Abril, 1970) na história "Cascão não quer sabão". Sílvio informa que a casa do Cascão foi sorteada no concurso para ganhar 10 milhões de cruzeiros se Cascão tomar 90 banhos em 90 dias seguidos e dizer uma frase boa sensação de limpeza a cada banho com a marca de sabonete. Cascão resiste e depois só aceita porque usaria um creme impermeabilizante do Franjinha que não deixava a água passar no corpo, mas ainda surgia medo no Cascão de ver a água o atingindo. Mesmo a Mônica dando vários socos no Cascão para ele não vê a água caindo do chuveiro, ele gasta o sabonete mesmo é fazendo bolinhas de sabão escondido enquanto fingia tomar banho com o chuveiro ligado.


Outra aparição foi na história "Pipa na TV", de 'Cebolinha Nº 1' (Ed. Abril, 1973). Pipa fez Silvio Santos passar vergonha com os deslizes dela no programa ao vivo, sem saber que estava sendo inconveniente, seja mostrando defeitos de bastidores ou tietando os cantores famosos ao vivo. Foi Legal ver os cantores Antonio Marcos e Jerri Adriani em evidência nos anos 1970, mostrando como MSP gostou de mostrar famosos em evidência na atualidade. Coincidência do Silvio Santos aparecer tanto em 'Mônica Nº 1' quanto em 'Cebolinha Nº 1' da Editora Abril.


Na história "O profeta" (Cebolinha Nº 63' (Ed. Abril, 1978), em que o Cebolinha passa a ter visões do futuro como um profeta depois que leva uma pedrada na cabeça. Sílvio Santos vê que Cebolinha prevê lançamento de flecha na direção dele e o convida para o programa dele para ganhar audiência com o menino profeta e faturar, só que durante o programa Cebolinha leva coelhada da Mônica e perde o dom de prever o futuro e no final Cascão prevê que Cebolinha vai parar no hospital e não precisa ser profeta apra saber disso. 

Engraçado que o Sílvio se dando mal com a previsão que tinha uma lata no caminho. Foi a primeira vez que Sílvio teve um nome parodiado, dessa vez se chamou "Sirvo Santos", nas aparições anteriores não teve nome revelado. E a história em si foi em referência a novela "O Profeta" de 1977, grande sucesso da TV Tupi, ou seja, sempre antenados com a atualidade.
 

Na história "Chico na Tevê", de 'Cebolinha Nº 85' (Ed. Abril, 1980), Chico Bento vai ao programa Sílvio Santos" com o primo da cidade e manda carta para família toda e amigos assistirem que vai aparecer na TV. Todos se reúnem na casa de alguém que tinha TV em casa e Chico aparece invadindo as câmeras, causando muita confusão, chegando a ter brigas e pancadarias durante o programa ao vivo para tirarem o Chico de lá. No final, volta para casa todo quebrado e todos da casa queriam que o Chico ensinasse todos os golpes de luta livre que ele deu no programa. 

O Chico era para ficar na plateia, mas ele pensava que era para aparecer diante das câmeras e conversar com o Sílvio e ainda passou essa ideia para a família, por isso fez o que fez. Dessa vez o nome parodiado foi "Silvo Santo", a imagem na televisão foi pintada de amarela para simbolizar que era TV em preto-e-branco. Na época, ter TV colorida era artigo de luxo e como estava representando uma área rural pobre que já era difícil alguém ter eletricidade, quanto mais ter uma TV e ainda por cima uma colorida. Essa história teve o cantor Sidney Magal parodiado como "Sidei Magalo" e foi uma das últimas da Turma do Chico Bento sem falar caipirês, que foi adotado 2 meses depois. 


Em "É a Pipa na Paquera na TV", de 'Mônica Nº 199' (Ed. Abril, 1986), Pipa vai ao programa para arrumar namorado e esquecer da briga com o Zecão, ela até tenta arrumar um, só que com a invasão do Zecão ao estúdio, dando pancadaria e até Sílvio Santos apanhando, acaba o casal voltando às boas como se nada tivesse acontecido. Marcou a volta da Pipa em um programa do Sílvio, o nome do Sílvio não foi mencionado, o nome do programa "Paquera na TV" foi paródia do programa "Namoro da TV" e legal que parodiaram até o nome do canal, já que o "SBT" se chamava "TVS" e na história apareceu como "TV Eçis".


Em "Vestidinho amarelo", de 'Mônica Nº 53' (Ed. Globo, 1991), em que a Mônica se cansa de usar vestido vermelho e pede ajuda a Magali para ver um vestido novo para ela, foi um caso em que o Sílvio não aparece, mas foi citado em um quadrinho pela Magali que o baú que ela tinha em casa era maior que o do Sílvio Santos (parodiado de Sílvio Santo), com referência ao "Baú da Felicidade" em que o Sílvio administrava. Valeu a homenagem, sem dúvida.


Em "Pensando no futuro", de Magali Nº 84' (Ed. Globo, 1992), um monólogo da Magali, falando sozinha em casa que nem uma maluca, desesperada que não tinha nada para comer até a mãe chegar da feira e ela faz uma comida sozinha bem gogoroba e dá dor de barriga e no final come para valer e sem parar porque do jeito que cozinha vai ter que fazer regime forçado quando crescer e morar sozinha. Não teve foco no Sílvio Santos, mas teve uma homenagem no primeiro quadrinho com a Magali assistindo ao "Programa Sílvio Santos" enquanto estava sozinha em casa em um domingo com a música "Sílvio Santos vem aí" que abria o programa parodiada como "Sálvio Sintos nem aí... Lálálálálálá...". Maravilhosa.


Em "Cascão na televisão", de 'Almanacão Turma da Mônica Nº 1' (Ed. Globo, 1994), Cascão vai parar dentro da televisão depois do Franjinha consertar a televisão quebrada dele e ter deixado com imagens tão reais que era possível entrar na televisão ao se aproximar dela. Assim, Cascão ia para um programa diferente toda vez que o Cebolinha trocava de canal. Então, teve momento que o Cascão foi parar no "programa Silvio Santos" para responder perguntas e ganhar prêmios, sem querer Cascão acerta e quando vai pegar todos os brinquedos, Cebolinha faz trocar de canal e ele parar em uma novela das oito deixando de ganhar os prêmios do Silvio Santos, que não teve um nome revelado e parodiado dessa vez.


Em "Topa tudo por amor!", de 'Mônica Nº 114' (Ed. Globo, 1996), Mônica vai ao programa do Sílvio Santos por indicação do Cebolinha que sabia que o Fabinho era apaixonada por ela e pensava que ele ia se declarar no programa, mas era plano do Cebolinha, o Fabinho não suportava a Mônica e a fez passar vergonha e teve muita confusão. Essa é clássica, é a história que o pessoal mais conhece, muito engraçada e deu sensação de que eles estavam realmente no programa do Sílvio e a caricatura idêntica dele. A paródia do programa "Em nome do Amor", com junção de outro programa clássico "Topa tudo por dinheiro" e o nome parodiado do Sílvio foi "Sálvio Sintos".


Em "Pelos canais da tevê", de Chico Bento Nº 261' (Ed. Globo, 1997), Chico vai parar dentro da televisão depois de levar choque com o emaranhado de fios ao tentar pegar o ioiô que caiu perto da TV e cada vez que o primo Zeca trocava de canal pelo controle remoto, o Chico ia para um programa de televisão diferente. Foram muitos programas mostrados, como Jornal Nacional com Cid Moreira, desenho Tom e Jerry, entre outros, e o primeiro desses programas, Chico foi parar no "Programa Sílvio Santos" e virou calouro cantando música que a Vó Dita cantava para ele. Cantou tão mal que Sílvio precisou retirá-lo do programa. A história não teve foco no Sílvio, mas a parte que apareceu foi bem marcante.


A "Casa dos Artistas", de 2001, foi um grande marco do Sílvio santos e do SBT, um reality show de confinamento de artistas que deu muita audiência, superando até a TV Globo. Por ser novidade, todos queriam assistir e que depois resultou na criação do "Big Brother Brasil" da Globo e ""A fazenda" da TV Record. 

A MSP pegou carona no sucesso da Cada dos Artistas" criando a história "A Casa dos Famosos", de Chico Bento Nº 398' (Ed. Globo, 2002), em que a casa com os famosos era situada na casa em frente à lagoa, perto do sítio do Chico Bento e ele e Rosinha entram lá escondidos e interagem com os artistas confinados aparecendo ao vivo na TV. O Sílvio Santos aparece só no final, desistindo do programa, já  que todos participantes desistiram por causa de Chico dizer que liberdade é melhor do que ficar trancado lá por dinheiro. Um membro da equipe querendo que o sítio do Chico fosse confinamento rural dos artistas, Seu Bento não aceita e acaba Sílvio Santos querendo nadar na lagoa com os famosos, mas que não seja filmado para ninguém na imprensa ficar falando. Com os famosos queria que tudo fosse monitorado, mas na vez dele, tinha que ser  tudo secreto. Interessante foi mostrar os participantes da primeira edição como, por exemplo, Supla e Bárbara Paz e o confinamento rural desejado pela equipe do sítio acabou se concretizando depois na vida real com a criação de "A Fazenda" na Record.


"Casa dos Artistas" também foi tema de outra história "Casinha dos Artistas", de 'Parque da Mônica Nº 114' (Ed. Globo, 2002). O Sílvio não aparece na história, mas é lembrado no frontispício da revista, com o Cebolinha como o Sílvio Santos apresentando a história que viria a seguir ao virar a página. Dessa vez um personagem encarnando o apresentador, Cebolinha teve honra de ser Sílvio por um dia. Curioso que até o logotipo do programa original deixaram parecido. 


A história "Casinha dos Artistas", dá ideia de que a turma vai brincar de "Casinha dos Artistas", dentro da atração "Casa da Mônica" do Parque da Mônica. No caso, A "Casa da Mônica" serviu da casa de confinamento e os artistas eram os bonecos da turminha: Sansão, Ursinho Bilu, Porco Juju e Capitão Pitoco, bonecos de Mônica, Magali, Cascão e cebolinha, respectivamente. Sendo que tudo que faziam dentro de casa era visto pelos frequentadores do Parque da Mônica e no final o Mauricio e os roteiristas estavam observando também através da leitura da revista, representando os leitores que também observam tudo que os personagens fazem. Depois dessa, histórias com personagens em programa de confinamento foram com referência ao "Big Brother Brasil" da Globo, tiveram várias assim.


Na história "Setentônica" , de 'Mônica Nº 37' (Ed. Panini, 2023), em homenagem aos 60 anos da Mônica, na viagem para a primeira revista da Mônica de 1970, volta o Sílvio Santos daquela edição quando elas tentam recuperar a história "Cascão não quer sabão". Foi uma aparição rápida e apenas uma homenagem à história antiga e ao Sílvio e muito interessante que a sua última aparição nos gibis enquanto vivo foi como uma volta da sua primeira aparição. 


Além das histórias nos gibis, a turma e o Mauricio de Sousa apareceram em alguns programas do Sílvio na televisão, um programa bem famoso foi da  "Porta da Esperança " em 1986 em que um menino ganhou encadernado com a coleção de gibis da Mônica da Editora Abril da "N° 1",  de 1970, até a "N° 195" de 1986. E também a MSP prestou homenagens públicas ao Sílvio com ilustrações próprias bem caprichadas. Quando o Sílvio completou 85 anos, fizeram essa ilustração com ele segurando aviãozinho de dinheiro, especialmente para o livro "85 vezes Sílvio Santos - Melhores Caricaturas do Rei Dos Domingos", que reunia caricaturas dele de diversos artistas famosos. 


Em 2023, em comemoração aos 60 anos do "Programa Sílvio Santos" na televisão, a MSP divulgou essa ilustração com a Mônica e seus pais assistindo o Sílvio pela TV, representando família reunida para assistir ao programa aos domingos. 


E hoje, dia 18 de agosto, após a sua morte, a MSP divulga essa linda ilustração com o Sílvio Santos chegando ao Céu com Anjinho e outros anjos recebendo auréolas dele. Foi  a homenagem deles da partida do Sílvio, como sempre fazem com artistas de grandes nomes nos últimos anos que se vão e o Sílvio não podia ficar de fora.


Todas as aparições do Sílvio Santos foram bem divertidas e alegres como ele próprio era, até se dava mal junto com as personagens, era muito bom. Valeu a homenagem a esse grande comunicador, o Rei da TV, que vai fazer falta, grande perda, sem dúvida. Descanse em paz!

quarta-feira, 14 de agosto de 2024

Mônica 60 Anos

Mônica completou 60 anos em 2023 e a MSP lançou um livro especial comemorativo. Nessa postagem faço review de como foi esse livro.

Mônica foi criada em 3 de março de 1963 em uma tirinha do jornal "Folha de São Paulo" e como sempre fazem edições especiais quando personagens fazem aniversários a cada 10 anos, ela não podia passar em branco. Com essa edição da Mônica, a do Cebolinha e da futura "Magali 60 Anos", só Cascão e Chico Bento não tiveram livros comemorativos pelos seus 60 anos, teriam que ter feito ambos em 2021.

"Mônica 60 Anos" foi lançado em novembro de 2023 pela Editora Panini vendido em livrarias físicas, bancas de jornais e sites na internet.  Com capa dura e miolo com papel off-set, 162 páginas e com preço R$ 89,90. Um preço bem caro comparado a outros livros comemorativos de criações de personagens, inclusive do último do "Cebolinha 60 Anos", que foi R$ 49,90. Bem que poderia ter duas versões, uma em capa dura de luxo e outra com capa cartonada e papel de miolo simples com preço mais baixo e aí a pessoa escolhesse qual versão que achar melhor. Eu comprei na internet em abril de 2024 por R$ 53,00 mais frete de R$ 10,50, ficando, então por R$ 64,50, só assim para conseguir ter.  

A capa foi uma montagem com quadrinhos das histórias que se encontram no livro. Não gostei dessa capa, tira a surpresa das histórias que têm, a gente já fica sabendo do conteúdo só olhando a capa e tira a expectativa do que poderia encontrar. Fora que não teve criatividade para criar uma ilustração nova, só colocando imagens que já tem. Inclusive, a Mônica central também foi tirada de história "Amor pestinha", só alterando o olho aberto para não mostrá-la dormindo em uma capa. Essa ilustração aqui, é um exemplo de uma capa bem melhor que poderia ter sido a capa do livro, era só colorir a Mônica central e o logotipo oficial no alto.

Ilustração comemorativa de Mônica 60 Anos que poderia ter sido a capa do livro

O livro abre com frontispício explicando sobre o livro e a personagem, sem grande texto criativo, foi apenas para dizer que são histórias de outros tempos e costumes e que não fazem mais histórias assim. Nota-se que nem personagens presos em rede não pode mais atualmente. E teve um erro no texto, foi só a Mônica que foi aprisionada na história "Mônica, a sereia", não a Magali.

Frontispício da edição

Em seguida, vem as histórias, deixando extras com as curiosidades da Mônica no final do livro. A relação das histórias publicadas nele, com o número da edição e ano de cada foram essas:

  1. "Mônica contra o Capitão Feio" (MN # 31 - Ed. Abril, 1972)
  2. "A força da mente" (MN # 68 - Ed. Abril, 1975)
  3. "Mudanças e costumes" (MN # 194 - Ed. Abril, 1986)
  4. "A ilha misteriosa" (MN # 72 - Ed. Globo, 1992)
  5. "Amor pestinha" (MN # 77 - Ed. Globo, 1993)
  6. "Mônica, a sereia" (MN # 125 - Ed. Globo, 1997)
  7. "Aniversário da Mônica, presente de grego" (MN # 123 - Ed. Globo, 1997)
  8. "A deusa da força" (MN # 159 - Ed. Globo, 1999)
  9. "Mônica adormecida" (MN # 162 - Ed. Globo, 2000)
  10. "Hora de dormir! Mas com o Monicão, não!" (MN # 13 - Ed. Panini, 2008)
  11. "Vendo coisas" (MN # 2 - Ed. Panini, 2015)
  12. "Monicão brinquedão" (MN # 31 - Ed. Panini, 2017)


Pode perceber que praticamente não tiveram histórias da Editora Abril, deixaram apenas 30 páginas para Abril, com duas histórias dos anos 1970 e apenas uma dos anos 1980. Edição que é para mostrar a trajetória de personagem e diferenças de traços de todos os tempos acho lamentável deixar quase esquecida a fase da Editora Abril. Tantos traços marcantes ficaram de fora, nenhuma sequer da segunda metade dos anos 1970, nem do estilo superfofinho entre 1977 a 1979 que marcou época. 

De clássica dos anos 1970 foi só "Mônica contra o Capitão Feio" com a estreia do vilão, que inicialmente era tio do Cascão que se transformava no Capitão Feio em contato com a poeira da sua coleção de gibis antigos. E colocaram uma história de miolo, "A força da mente" em que a Mônica quer pegar maçãs de uma árvore com objetos frutos da sua imaginação. Essa representando o absurdo, nonsense, nada com nada característicos da época, a única desse estilo de toda a Editora Abril e a única, de fato, rara nos dias de hoje. 

Trecho da HQ "Mônica contra o Capitão Feio" (1973)

Pior ainda foi anos 1980 ficar restrito apenas à história "Mudanças e costumes", de 1986. Detalhe de ser a única da Editora Abril da década neste livro e teve nenhuma da Editora Globo entre 1987 a 1989 para ter outra da década. A melhor fase deles, basicamente de fora do grupo e pelo visto só colocaram "Mudanças e costumes" porque tem reflexão sobre machismo e mensagem de igualdade de direitos femininos, por ter lição de moral. Curiosidade nessa da Dona Luísa não tinha nome fixo ainda, foi chamada de Santinha pelo Seu Sousa e não alteram cenas incorretas como, por exemplo, Mônica levar puxão de orelha da mãe, pelo visto por causa da mensagem que queriam passar, teriam que mostrar as cenas e falas incorretas para não dar incoerência.

Essa história é legal, mas tem tantas outras da Editora Abril e da Globo que mereciam estar em um livro assim. Parece que têm implicância com anos 1980, visto que o livro "Cebolinha 60 Anos" teve nenhuma daquela década, simplesmente ignoram a fase de ouro deles. Se for pelo politicamente correto, sabendo procurar, dá para encontrar histórias possíveis de republicações e que não sejam incorretas.

Trecho da HQ "Mudanças e costumes" (1986)

Enquanto isso, nota-se que a década de 1990 veio em peso no livro, foram 5 histórias republicadas, reservando 79 páginas do livro. E ainda assim, a maioria da segunda metade da década. Achei um exagero, gosto dos anos 1990, mas também não precisava de tantas histórias e no lugar davam para colocar mais anos 1970 e 1980. E sem contar que traços que marcaram anos 1990 ainda ficaram de fora como o estilo dos personagens com língua ocupando espaço maior na boca entre 1993 a 1996, por exemplo.

Com isso, de 1986 já pula para 1992, com a história "A ilha misteriosa", que depois virou desenho animado, é legal essa em que Mônica e Cebolinha pensam que foi parar em uma ilha depois de se perderem na praia. Curiosidade nessa de Cebolinha dizer que é mais velho que a Mônica porque na época não tinham datas fixas de aniversário, só se contasse como data de criação dos personagens pelo Mauricio. Curioso que apareceu a Mônica com dedos nos pés no último quadrinho da segunda página, esqueceram de colocá-la com pés sem dedos na revista original e nem corrigiram, assim como mantiveram cenas com ela falando de boca fechada.

Trecho da HQ "A ilha misteriosa" (1992)

Em seguida, vem "Amor pestinha" em que a Mônica pensa que o Cebolinha está namorando a menina Liliane, representando histórias de planos infalíveis. Depois, duas histórias longas de 1997 em sequência, "Mônica, a sereia", representando histórias de personagens se transformando em alguma coisa, e "Aniversário da Mônica, presente de grego", representando histórias de aniversário dela Seguindo cronologia, inverteram posição entre elas, já que a do Aniversário da Mônica saiu duas edições antes da "Mônica, a sereia". E ainda teve anos 1990 com "A deusa da força", representando histórias de força exagerada da Mônica e viagens para outras épocas.

Trecho da HQ "Aniversário da Mônica, presente de grego" (1997)

Anos 2000 foram duas histórias ocupando 29 páginas do livro, uma da Globo e uma da Panini. A "Mônica adormecida" representou histórias de fábulas e paródias e como é do início do ano 2000, ainda com cara  de histórias do final da década de 1990. Vale destacar também que o livro não teve história escrita pelo Emerson Abreu e com estilo clássico dele com personagens eufóricos e com caretas excessivas. Acho que em livros assim, além de características e traços marcantes das personagens, deviam ficar atentos a escolherem histórias de cada um dos principais roteiristas da MSP de todos os tempos e seus estilos clássicos de escrever.

Trecho da HQ "Mônica adormecida" (2000)

E outra dos anos 2000 foi "Hora de dormir! Mas com o Monicão, não!", já da Panini, com Mônica tendo que lidar com o Monicão que não a deixava dormir. Já Anos 2010 foram duas histórias curtas, ocupando 10 páginas do livro, a primeira "Vendo coisas", de plano infalível da Mônica pensar que não estava enxergando bem e precisava usar óculos, e finaliza com "Monicão brinquedão", outra do Monicão, dessa vez detonando os brinquedos da Mônica. Tinham histórias infinitamente melhores de planos do que essa "Vendo coisas" e acho nada a ver duas histórias com Monicão e uma parecida com outra, sem contar que o cachorro dela também participou na história "Aniversário da Mônica, presente de grego".

Trecho da HQ "Monicão Brinquedão" (2017) 

Em relação a terríveis alterações, tiveram muitas dessa vez, nunca vi tantas modificações em uma mesma edição, umas simples, outras revoltantes, inclusive várias em mesma história tirando todo o sentido. Nem foram muitas alterações de cores e em desenhos, mas em textos foram bastantes, tudo para favorecer o politicamente correto ou deixar de acordo com a norma culta de escrita. Como foram tantas mudanças, resolvi mostrar em uma próxima postagem à parte reunindo todas as alterações que tiveram nesse livro.

O "Extras" com curiosidades da Mônica ficaram no final do livro (nos livros comemorativos de 50 anos colocavam no início deles). Ocupou 6 páginas de curiosidades nos extras, bastante curiosidades por páginas. Mostraram, dentre outras, sobre o Sansão, Monicão, edições da "Folhinha de São Paulo", entre outras coisas. Bom que mostrou várias imagens da "Folhinha de São Paulo", pena que em miniaturas e as imagens das histórias citadas também ficaram em preto e branco, não coloridas.

Uma página de curiosidades do livro

A contracapa foi uma ilustração recente e já existente da capa da 'Mônica Nº 37' (Ed. Panini, 2023) com a Mônica dos anos 1970 e a atual juntas atravessando o portal do tempo. O que chama atenção é mostrar, abaixo do código de barras, que a classificação indicativa é de 14 anos, algo inédito até hoje. Como o livro teve histórias envolvendo Capitão Feio poluindo cidade e Cascão adorando, Dona Luísa puxar orelha da Mônica, crianças perdidas sozinhas em uma suposta ilha, namoro de crianças, Mônica presa em uma rede, personagens apanhando, entre outras coisas, o politicamente correto não permite e acha que tais cenas não são adequadas para as crianças e se tirassem, ia tirar o sentido das histórias. Mesmo com as várias alterações feitas, mas por causa dos temas das histórias não deixaram com classificação livre e, então, quem tem menos de 14 anos não pode ler esse livro. Bem bizarro Turma da Mônica sempre ser associada a crianças e elas não poderem ler essa edição. Então, todos os gibis da Abril e Globo não podem ser lidas pelas crianças de hoje, os gibis antigos são apropriados só para maiores de 14 anos. Se não tivessem feito as alterações, o conteúdo seria para 16 anos ou mais.

Contracapa da edição

Então, para mim foi um livro básico, apenas uma comemoração para não deixar a data de 60 anos da Mônica passar em branco. Muitas histórias longas, faltaram clássicos marcantes e mostrar mais traços diferentes em cada década, podia ter mais histórias raras, foram poucos anos 1970 e 1980, praticamente não teve e o que colocaram nada tão clássico. Teve muito anos 1990 e ainda com duas histórias de 1997 perto da outra, muitas histórias "de época" e de fábulas, nenhuma de planos infalíveis clássicos com direito a Cascão estragando tudo no final e meninos apanhando feio, sem necessidade duas histórias com Monicão, e o pior muitas alterações em relação às histórias originais a favor do politicamente correto, avacalhando e virando outras histórias. Além disso, as histórias de anos 1990 e 2000 já tinham sido republicadas em almanaques da Panini, inclusive algumas saíram umas duas ou mais vezes na Panini, então, para quem busca raridades em livros comemorativos assim se decepciona. Vale comprar se quiser ter ou gostar de edições comemorativas na coleção. Fica a dica.

Para ver as alterações em relações às histórias originais neste livro, entre aqui:

domingo, 11 de agosto de 2024

Chico Bento: HQ "Chico Valente"

Hoje é comemorado o "Dia dos Pais", então mostro uma história em que o Chico Bento é obrigado pelo pai de enfrentar bichos da mata depois de ele ter fugido da galinha Giselda. Com 5 páginas, foi história de encerramento de 'Chico Bento Nº 59' (Ed. Abril, 1984).

Capa de 'Chico Bento Nº 59' (Ed. Abril, 1984)

Chico chega correndo em casa desesperado derrubando a porta, o pai pergunta se tem uma fera atrás dele como uma onça e quando vê era a Giselda. Seu Bento se espanta do filho fugir de uma galinha, Chico diz que ele não sabe como a Giselda fica braba quando tentam pegar um ovo dela. Seu Bento não se conforma, a família dele sempre foi a mais valente, aquela que nunca foge de nada, que enfrenta onça com as mãos e agora vê o filho, sangue do seu sangue, fugindo de uma galinha e leva o Chico para rua para se transformar em um verdadeiro Bento.

Seu Bento manda Chico observar o que ele faz e aprender com ele. Avista uma cobra, pega pela cauda e a joga forte de um lado para o outro a deixando tonta. Depois, vê uma onça, sobe na árvore e avança nela de surpresa, lutam e consegue amarrá-la.  Em seguida, manda o Chico lutar com os bichos que vê, primeiro luta com um porco-do-mato e consegue colocá-lo pra correr, depois faz o filho subir montanha para lutar com um gavião e consegue vencer o bicho.

Seu Bento vibra que nunca mais vai pegar os pintinhos deles, isso que é um Bento e sente orgulho dele. Vão para casa, fala para o Chico ir na frente porque vai pegar um ovo da Giselda para fazer omelete e no final leva surra dela e se esconde debaixo da mesa, com Chico olhando feio para o pai.

História engraçada em que Seu Bento queria que seu filho fosse valente como todos da família e não aceitava que o Chico fugiu de uma galinha, achava que era um desgosto filho covarde. Colocou o filho para dar surra nos bichos. Só no final que viu que o problema não era o filho que era medroso e, sim, a Giselda que era braba demais, ninguém era páreo quando tentavam pegar ovo dela, uma verdadeira galinha de briga. 

Chico até tentou explicar, mas como o pai não deu ouvidos, teve que enfrentar os bichos na mata. Merecida a surra da Giselda no Seu Bento no final, já que os bichos que queria que o Chico enfrentasse, estavam até quietos sem nem querer atacá-los a princípio. Foi engraçado ver Chico derrubando a porta da casa, o espanto do Seu Bento de seu filho ser um desgosto por fugir de uma galinha, a expressão "sangue do meu sangue", os absurdos de enfrentarem os bichos sozinhos, A Giselda braba e musculosa encarando os dois e o medo do Seu Bento da Giselda no final.

Teve bastante movimento parecendo desenho animado como era de costume nas histórias da Editora Abril. Os bichos do Chico não costumavam pensar na frente deles, só algumas vezes que acontecia, eles falarem mesmo só se estivessem conversando entre os bichos da espécies deles, tipo Giselda com um galo. Giselda era a mais famosa entre os bichos do sítio, tanto que tiveram muitas histórias dela com o Chico e ela já até chegou a protagonizar histórias solo sem nem presença do Chico.

Na época, o caipirês ainda era indefinido e palavras no gerúndio do caipirês ainda eram diferentes, terminado em "-ano" como "fugino" (fugindo) e "ino" (indo). A partir de 1985 que passaram a colocar palavras em gerúndio normais sem caipirês e depois passaram a alterar nos almanaques o caipirês antigo para seguir o padrão que adotaram, inclusive nos gibis da "Coleção Histórica Turma da Mônica". É impublicável atualmente por ter violência e maltrato a animais e a atitude de Seu Bento querer que seu filho seja um valentão de brigas, estimulando violência.

Os traços ficaram bons, típicos de histórias de miolo dos anos 1980 e já seguindo os desenhos consagrados da turma. Erro mais considerável foi fundo dos olhos do Chico aparecerem com cor da pele em alguns momentos e que pelo normal seriam fundos brancos. Foi republicada depois 2 vezes, uma republicação perto da outra em 2 anos, primeiro em 'Almanaque do Cascão Nº 29' (Ed. Globo, 1995) e depois em 'Almanaque da Mônica Nº 60' (Ed. Globo, 1997).

Capa de 'Almanaque do Cascão Nº 29' (Ed. Globo, 1995)

Capa de 'Almanaque da Mônica Nº 60' (Ed. Globo, 1997)