sexta-feira, 17 de março de 2023

Magali Nº 600

A revista 'Magali' atinge a marca histórica de 600 edições lançadas no Brasil neste mês de março de 2023 e nessa postagem mostro como foi essa edição que está nas bancas.


A revista 'Magali' foi lançada em fevereiro de 1989 pela Editora Globo e juntando todas as séries das editoras Globo e Panini, essa edição "Nº 27" da 3ª série da Panini é a verdadeira "Nº 600", levando 34 anos para atingir essa marca. É a quinta personagem da MSP a alcançar essa marca, depois de Cascão, Chico Bento, Mônica e Cebolinha. Curioso que Magali nunca teve história comemorativa com números redondos, só na "N° 200" que teve capa com alusão,  mas sem história de abertura especial. Os outros personagens tiveram histórias comemorativas em suas edições  "Nº 100" e "Nº 200" da Globo. Já na Editora Panini, a Magali teve histórias comemorativas nas suas edições "Nº 500" e "Nº 600" para redimir esses deslizes.

Em relação a distribuição, chegou aqui dia 13 de março.  Revista voltou a ser quinzenal, agora com 52 páginas, como de todos os títulos principais desde janeiro de 2023. Um preço aparentemente mais baixo por capa, custando R$ 6,90 com menos páginas, contra R$ 9,90 quando eram mensais com 84 páginas, isso ajuda só quem é leitor ocasional, pois quem coleciona, sai mais caro esse formato quinzenal. Tiraram as seções "Turma do Mauricio" com fichas dos personagens e as tirinhas clássicas das revistas  'Magali', 'Cascão', 'Chico Bento' e 'Turma da Mônica' desde as edições "Nº 25" de fevereiro de 2023 (deixaram nas "Nº 23" e Nº 24" em janeiro nesses títulos porque os materiais estavam prontos) colocando 8 páginas de passatempos no lugar, ficando pior tantos passatempos por edição. 

Dessa forma, padronizaram todas as revistas, no estilo de desmembrar uma revista antiga mensal em duas, com todas com 35 páginas com leituras de histórias, tirando passatempos, seção de correspondências, propagandas, capa e contracapa. Agora são 104 páginas por mês juntando as 2 revistas do mês e essas páginas a mais colocaram passatempos no lugar para não aumentarem demanda de histórias.

Capas Magali Nº 100 (G-1993), Nº 200 (G-1997), Nº 300 (G-2000), Nº 400 (G-2006), Nº 500 (P-2015), Nº 600 (P-2023)

'Magali Nº 600' tem a história de abertura comemorativa à data e, assim, não passando em branco como foi 'Cebolinha Nº 600', de 2022. Capa com alusão à marca histórica e um selo dourado das 600 edições e continua com contracapa sendo extensão da capa no lugar de uma propaganda  e colocando preços, códigos de barras, QR Code, selos, etc, tudo na contracapa.
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Capa com desenho se estendendo na contracapa

A história comemorativa se chama "600 vezes Magali", escrita por Edson Itaborahy e com 30 páginas, em que a Magali, desanimada que seus amigos não se lembravam que a revista dela chegou ao "N° 600", é encarregada pela Tia Nena de entregar 600 salgadinhos a um lugar misterioso após comer um pedaço de bolo oferecido pela Tia Nena. No caminho Magali encontra o Mingau como um gato falante que a encaminha para protagonizar histórias de outros personagens da MSP, sendo a deixa para ela se transformar em outros personagens ao longo da história. A cada personagem que Magali se transformou, ela perdia 100 salgadinhos do cesto de entrega para escapar das enrascadas e no final ela aprende uma lição de moral da Tia Nena.

Na trama, Magali se transforma no Piteco, Chico Bento,  Mônica,  Astronauta,  Penadinho e Bidu. Ela não se transformava exatamente como eles, e, sim, uma mistura dela com jeito dos outros personagens,  por isso, ela recebia nomes diferentes a cada transformação, como "Maga Benta", "Magamônica", "Maganauta", "Magadu", etc, uma mistura de nome Magali com nome dos outros.

Quando se transformou em Chico Bento, tem adaptações atuais de falarem que eles pegam goiaba porque palavra roubar está proibida atualmente, afinal, criança não rouba e o Nhô Lau aparecer sem trabuco, pois armas, nem pensar, nas histórias atuais. A Tia Nena adotou um lado normal como grande cozinheira, mas teve o seu lado bruxa também na revelação, em segredo, do motivo da Magali ter passado por tudo aquilo. Os finais das histórias ultimamente têm muito de personagens aprendendo lição de moral só que não mostram uma piadinha, fica muito vazio isso, deixando bem educativas e sem graças.

A história ainda lembra fábulas, bem frequente com Magali mostrando Mingau como Gato Falante. Os traços que achei muito feios, como sempre nessa fase Panini nos últimos 10 anos, que deixam tudo com estilo digital, até designs dos títulos ficam horrorosos, pelo menos em histórias comemorativas, podiam caprichar mais nesses desenhos. A trama também saiu da mesmice de referências a histórias clássicas, muito frequente nessas comemorativas de números redondos nos últimos anos, porém tem um tema parecido que foi usado em 'Mônica Nº 100' da Panini de 2015 em que ela também se transformava em outros personagens da MSP.

Personagens que apareceram na capa não apareceram na história, nem no final com todos comemorando as 600 revistas da Magali, então, Quinzinho, Milena e  Tati não tiveram aparições na história e outros apareceram no lugar. Foi sentida mais a ausência do Quinzinho, tão marcante nas revistas dela,  pelo menos foi lembrado na contracapa. Pior ainda não colocarem o Dudu nem na história, nem sequer na contracapa, logo ele tão frequente na trajetória da revista da Magali e completamente esquecido. Dudu e Quinzinho mereciam estar nessa comemoração. 

Com a história de abertura grande para esse formato quinzenal e com as 8 páginas de passatempos, as demais histórias foram só de 1 ou 2 páginas, apenas como forma de preencher a revista. Então, além dessa de abertura comemorativa, teve uma história de 2 páginas do Chico Bento em que ele fica com pena de arrancar flor do chão para dar para a Rosinha, uma de 1 página com a Turma do Penadinho aparecendo com pinturas nos lençóis e termina com história de 1 página da Magali e depois a tradicional tirinha no final de expediente. Acharia melhor que colocassem uma história de 4 páginas mais desenvolvida para encerrar a revista. Lembrando que histórias de 1 página agora obrigatoriamente têm títulos agora, antigamente não tinham, só nome dos personagens, como tabloides de jornais.

Curiosamente, essa história de 1 pagina de encerramento da Magali foi de aniversário dela (em que ela se incomoda de ganhar só presentes relacionados a comida), saindo em data errada, já que ela faz aniversário em maio. Com isso, dá para entender que a revista já estava pronta para sair em maio com 84 páginas e com a mudança repentina para quinzenal imposta pela Editora Panini, desmembraram a revista, colocando a metade dela agora e a outra metade em maio, tanto que a história de abertura e nos passatempos foram interrompidos com uma propaganda para encaixá-las na revista. Em maio, provavelmente vão colocar aniversário da Magali na história de abertura que seria a de encerramento se tivesse continuado como mensal e com planejamento inicial. No expediente final, continuam colocando que é uma revista mensal sem terem atualizado para quinzenal. 

Expediente final mostrando também a numeração real da revista

Então, achei uma revista mediana, adaptada aos padrões atuais, pelo menos a data comemorativa de 600 revistas da Magali não foi passada em branco como foi 'Cebolinha Nº 600'. Ideia de personagens se transformarem em outros não é original, mas costumam dar certo histórias assim. O resto da revista morno com historinhas curtas só para preencher o que faltava, se não tivessem tantos passatempos cansativos e desnecessários, podia ser melhor o formato. Vida longa à revista da Magali. As outras revistas "Nº 27" da primeira quinzena de março não comprei, portanto, não tem review delas aqui.

segunda-feira, 13 de março de 2023

Zum e Bum: HQ "Bons planos"

Mostro uma história em que os irmãos Zum e Bum planejam assaltar mais uma vítima só que as coisas não aconteceram como eles imaginavam. Com 5 páginas, foi publicada em 'Mônica Nº 32' (Ed. Globo, 1989).

Capa de 'Mônica Nº 32' (Ed. Globo 1989)

Zum avisa ao Bum que tem um vítima para eles assaltarem vindo pela trilha. Bum bate na cabeça do Zum com porrete mandando falar baixo para não chamar atenção de todo mundo. Eles vão esperar a vítima passar, descobrem que era ao delegado e vão presos por causa da mancada do Zum.

Na prisão, Bum fica brabo e Zum comenta que estava pensando que eles podiam emagrecer e passar pelas grades que são bem separadas. Então, eles ficam algumas semanas sem comer e ficam magrinhos. Conseguem fugir pelas grades, mas como estavam fracos sem comer, desmaiam na rua. Quando acordam, estão na prisão de novo, o delegado fala que foi fácil recapturá-los por estarem há 2 metros da delegacia.

Bum avança no Zum com raiva de mais uma mancada dele. Cumprem a pena por um tempo e o delegado os soltam. Para comemorar, Zum quer realizar o assalto do século e Bum cai fora, pretende trabalhar sozinho, cansado das ideias do irmão. Depois de barba feita, Bum vai procurar e avista uma vítima, quando se aproxima era o Bum, que grita pedindo socorro para polícia. O delegado aparece e veem que eram Zum e Bum e os prendem de novo. No final, Bum cheio de raiva do Zum por passar mais uma temporada na prisão.

Engraçada a história em que Bum tem que lidar com as trapalhadas do seu irmão Zum, ia atrás das ideias dele e se davam mal juntos. Seja por falta de atenção ou por idiotice mesmo por parte do Zum, sempre pararam na prisão. Na realidade, os dois eram errados, Zum pelas suas ideias burras e Bum por aceitar as ideias do irmão, por isso se davam mal. Podiam enxergar melhor ao avistar as vítimas ou esperar se aproximar mais para ver quem era mesmo antes de atacar. No final, Bum até fez também a mancada de assaltar quem não deve, mas se Zum não tivesse gritado, no estilo de bandido assaltar bandido, eles não seriam presos de novo.

Foi engraçada também a ideia de emagrecerem e sairem pelas grades, interessante como conseguiram ficar tanto tempo sem comer e não terem morrido e a capacidade de conseguirem escalar parede para fugir pelas grades se estavam fracos.  Foi bom também vê-los barbudos e cabeludos, dando ideia que ficaram muito tempo presos, usar pedra afiada para fazer a barba no lugar de um barbeador e que em um quadrinho estava raspada e no outro, já cresceu mais do estilo de antes. Absurdos de histórias em quadrinhos que sempre eram divertidos. E gostava de inserirem coisas modernas na Pré-História da Turma do Piteco que não existiam como espelho e delegacia.

Divertido também tiradas como Zum perguntar se Zum pensa e tratarem assaltar pessoas como trabalho deles. Os traços muito bem caprichados, teve um erro no terceiro quadrinho da primeira página invertendo as cores dos calções dele, com Zum aparecendo de calção vermelho e Bum, de roxo, que devia ser o contrário. Incorreta hoje em dia pelo tema de envolver bandidos e assaltos, além da pancada na cabeça com porrete no Zum e todos os absurdos.

Histórias de Zum e Bum seguiam esse estilo de irmãos gêmeos bandidos atrapalhados, tentavam assaltar os outros, mas não tinham sucesso e sempre eram presos no final por causa dessas trapalhadas. Um era o líder que criava as estratégias de assaltos e o outro era o mais burro e estragava os planos. Criados em 1963 inspirados em Tweedledee e Tweedledum, de Lewis Carrol, e lembrando os Irmãos Metralha da Disney, tinham muitas histórias deles na Editora Abril e Globo, eram bem frequentes, até porque os gibis em si eram cheias com histórias de bandidos de todos os tipos, principalmente na Editora Abril que quase todos os gibis tinham alguma história assim, mas por causa do politicamente correto de não aceitarem bandidos nas histórias, Zum e Bum foram para o limbo do esquecimento a partir dos anos 2000, quando qualquer bandido foi banido das histórias, até os atrapalhados. Adorava as histórias deles, principalmente das formas que se davam mal, uma pena terem sumido. Mais detalhes de Zum e Bum pode ver AQUI.

sexta-feira, 10 de março de 2023

Capa da Semana: Mônica Nº 124

Uma capa em que a Mônica sobe em um banquinho com medo de um rato e ainda carrega o Jotalhão, que estava com medo do rato também, mas não dava para subir no banco. Mostra as características da Mônica muito forte que consegue até carregar um elefante sozinha e de que mesmo superforte, ela tinha medo de ratos e insetos, o seu verdadeiro ponto fraco. E também mostra a relação famosa de elefantes com medos de ratos. Muito boa, teve direito de aparecer barriga e calcinha da Mônica, como últimos suspiros dos traços superfofinhos da segunda metade dos anos 1970 e esse fundo roxo deu um ótimo contraste com o logotipo amarelo e o verde do Jotalhão.

Eram muito comuns capas da Mônica com Jotalhão nas revistas dela, principalmente nos anos 1970, normalmente com eles amigos e camaradas com ilustrações bonitas, uma vez ou outra com piadas, como essa, mas quase sempre cordiais um com o outro. Provavelmente para divulgar melhor o extrato de tomate "Elefante" da "Cica". Depois de 1983 deram um tempo com isso, com exceção da 'Mônica  Nº 188', de 1985 (sendo esta sem ser Jotalhão sozinho de secundarios), passando a deixar personagens secundários só em capas de almanaques, e voltaram a ter capas assim nas revistas mensais da Mônica a partir de 1997, já na Editora Globo, sendo que curiosamente, em vez de serem sempre amigos, a maioria eram piadas com um trolando o outro, geralmente por causa do peso e da força.

A capa dessa semana é de 'Mônica Nº 124' (Ed. Abril, Agosto/1980).

terça-feira, 7 de março de 2023

Chico Bento: HQ "Um aluno de classe"

Em março de 1993, há exatos 30 anos, era publicada a história "Um aluno de classe" em que o Chico bento adquire todo conhecimento do mundo ao levar uma pancada de livro na cabeça e causa uma revolução na escola. Com 17 páginas, foi publicada em 'Chico Bento Nº 161' (Ed. Globo, 1993).

Capa de 'Chico Bento Nº 161' (Ed. Globo, 1993)

Chico Bento chega da pescaria e sua mãe fala que quer ter uma boa conversa com ele. Chico pergunta se quer prosear sobre o tempo ou a plantação de abóbora. Dona Cotinha diz que a professora esteve lá e avisou que ele está indo muito mal na escola. Chico diz que a professora é dedo-duro, se quer o bem dele por que só dá zero para ele.


 Dona Cotinha diz porque não estuda. Chico responde que estuda só que as coisas não entram na cabeça dele. Dona Cotinha manda o filho estudar mais para ser um dos melhores da classe e Chico diz que é alguém importante porque faz os outros alunos darem risada, ser a alegria da classe. Dona Cotinha deixa Chico no quarto para estudar até a hora de ir para escola.


Chico começa estudando História, não consegue memorizar frase de quem proclamou a República foi Marechal Deodoro da Fonseca e estudando Matemática confunde números primos com números dos filhos dos tios que moram na cidade, que, as vezes, são meio caroços. Chico fala que não adianta estudar porque é cabeça dura, bate a cabeça no armário e um livro cai na cabeça dele. 


Dona Cotinha leva um lanche para o Chico, avisando ao Seu Bento que pôs o filho pra estudar e veem o filho desmaiado. Quando ele acorda, Dona Cotinha fala que nem precisa ir para escola para descansar e ele diz, sem falar caipirês, que está perfeitamente bem e quer ir para escola porque será seu dia de triunfo, era um reles ignorante, mas a luz da sabedoria minou a mente dele. 


Os pais estranham o linguajar, acham um milagre e comemoram. Chico pega livros e manda os pais estudarem porque um gênio como ele não pode ter genitores que falam tudo errado, seria uma vergonha, e quer que eles leiam tudo e esteja tudo na ponta da língua quando ele voltar da escola. Os pais comentam que o filho virou um monstro.


No caminho da escola, Zé da Roça estranha Chico ir cedo porque era o último a chegar e brinca que ele nunca estudou. Chico passa na diretoria antes de ir para sala e Zé da Roça acha que ele tinha aprontado, mas estranha ele ter falado certo. Na sala, Marquinhos, o menino mais inteligente da sala e puxa-saco, pergunta para professora Marocas se quer que ele passe lição na lousa e ela diz que não, era dia de chamada oral.


Chico chega atrasado e Marocas fala que ele tem que tomar jeito, está muito relaxado além das notas baixas, que já sabe que esteve na casa dele para falar com a mãe e não quer gracinhas na aula de hoje.  Marocas faz as perguntas para os alunos. Marquinhos responde quando foi proclamada a República, Maria Chiquinha, a raiz quadrada de 144. 


Na vez do Chico, Marocas dá um problema matemático de quantas horas pedreiro erguerá uma dezena de fileira de tijolos. Chico responde cinco em inglês, a classe ri e ele explica que era fácil demais, poderia responder em francês ou em alemão e pensava que perguntaria algo mais desafiador sobre o que são números primos ou sobre Marechal Deodoro da Fonseca ou Química Orgânica, Geografia Humana, Estatística ou Sociologia. 


Marquinhos acha que era cola do  Chico, que manda que faça perguntas para ele. Chico responde tudo na hora e faz pergunta ao Marquinhos qual é a teoria da relatividade descoberta por Einstein. Marquinhos não sabe, procura no livro e Chico diz que só vai aprender na universidade. Marquinhos chora por não ser mais o primeiro da classe. 


Chico diz para Marocas que mudou, não é mais aquele que falava errado e tirava notas baixas e agora que sabe tudo e ela não tem o que ensinar para ele, deseja ser o professor no lugar dela. Marocas acha um absurdo, Chico conta que já falou com o diretor e com a prova cabal das habilidades dele, não pôde recusar. O diretor aparece, confirmando que o Chico é um gênio mirim e o novo professor e Marocas sai da escola.


Chico, como professor, chama o Marquinhos. Por ele falar "O que é, Chico!", recebe nota zero porque o correto é falar professor Francisco Bento. Depois, ele chama a Rosinha. Pela voz linda, dá nota dez para ela. Zé da Roça fala que isso não é certo, Chico diz que quem decide o que é certo ou não é ele, por ser autoridade máxima e comenta que logo será o diretor e com conhecimento dele, ninguém o segura, primeiro essa escola, depois o mundo.


Com a empolgação, bate na estante e o livro em cima cai na cabeça do Chico e desmaia. Quando acorda, volta a falar errado e todos comemoram. Professora Marocas volta a dar aula, fica aliviada com o Chico que voltou ao normal e faz uma pergunta sobre o que é conjunto vazio. Chico diz que deve ser coisa bem parecida com a cabeça dele agora. Todos dão gargalhadas e Marocas dá nota cinco para ele porque viu que é um menino esforçado. Chico é ovacionado pelos amigos na saída da escola e quando ele chega em casa, quando vai contar novidade para os pais, ele os encontra exaustos de tanto estudar e Chico comenta que se queriam dar bom exemplo, não precisavam exagerar.


História muito engraçada e cheia de reviravoltas em que o Chico fica inteligente ao levar uma pancada de livro e deseja se vingar dos pais que viviam mandando estudar fazendo o mesmo com eles, de todos na escola que caçoavam dele por ser burro e da professora Marocas que vivia dando nota zero para ele. Consegue virar professor no lugar da Marocas, mas com uma nova pancada na cabeça, volta ao normal, voltando a ser o aluno como que sempre foi.


Interessante que além de ficar inteligente, Chico passa a ficar arrogante e perverso, o oposto da humildade que tinha e, ao voltar ao normal, os amigos e a professora o reverenciam e passam a dar valor a ele. Se fosse só inteligência, todos iam gostar. Mesmo que ele tinha todo o conhecimento do mundo, o diretor nunca podia deixar o Chico ser professor, já que ele não tinha faculdade e diploma, coisas de histórias em quadrinhos. Ele não se lembrou o que aconteceu após a primeira pancada em casa quando voltou ao normal, por isso estranhar os pais estudando no final, sem se lembrar que foi ele mesmo quem mandou.


Foi legal ver Chico dando desculpas para mãe do motivo de não estudar, não guardar as coisas que estudava, falar sozinho enquanto estudava no quarto, as burrices de Proclamação da República, números primos e conjunto vazio, falar certo e com palavras difíceis, desafiar Marquinhos e a professora e se tornar professor dando zero para o Marquinhos. Palavras "classe" e "lousa" são mais típicas em São Paulo onde eles moravam, mais comum em outros estados falarem "turma" e "quadro-negro", respectivamente.


Dessa vez eles estudaram de tarde quando normalmente era de manhã porque o roteiro pedia já que o Chico estudou em casa e livro caiu na cabeça dele pela parte da manhã antes de ir para escola. Rosinha não costumava estudar com o Chico, normalmente ele de manhã e ela, de tarde, mas as vezes estudavam juntos de acordo com o roteiro. Zé Lelé dessa não apareceu porque não se encaixava na história.


Marquinhos foi um personagem bem interessante, como o mais inteligente da turma e puxa-saco da professora. Apareceu só nessa história, mas bem que podia ter sido aproveitado em outras histórias, ter virado personagem fixo, já que toda turma tem um aluno super inteligente e puxa-saco. Zé da Roça e Rosinha (quando estudava com o Chico) eram considerados mais inteligentes, mas não a nível do Marquinhos. A escola nessa história teve entrada para outras salas como a do diretor, normalmente tinha formato de uma casa simples de interior só com a sala do Chico, mas dependendo de roteiro, colocavam outras salas e até pátio as vezes.


Incorreta atualmente por mostrar Chico desinteressado por estudos, burro na escola, respondendo à mãe e discutindo com ela, tratar mal a professora, se tornar professor sem faculdade, a professora Marocas ser enérgica com o Chico. Tem palavras proibidas também como "Deus" porque não pode mais envolver religião, "gozado" pra não ter duplo sentido. Os traços muito bonitos e caprichados que davam gosto de ver. Teve erro da Dona Cotinha sem lábios na boca na quarta página da história  (página 6 do gibi) e as cores cada vez mais fortes a cada mês que passava e os tons pasteis marcantes do início da Globo ficando para trás. Muito bom relembrar essa história há exatos 30 anos.

sábado, 4 de março de 2023

Tirinha Nº 92: Turma do Penadinho

Nessa tirinha, Cranicola conversa com a fantasma Heloísa, que queria pedir uma coisa par ele e estava sem jeito. Cranicola, pensando que ela ia lhe pedir em namoro, fala que faz qualquer coisa e Heloísa senta na pedra que ele estava pra ler um livro deixando Cranicola no chão, sem namoro e sem pedra. 

Heloísa sacana  de aproveitar da boa vontade do Cranicola e era engraçado ele era trolado e se dava mal por conta da sua impossibilidade de andar, hoje em dia incorreto isso. Gostava desses absurdos de fantasmas segurarem em coisas, sentarem em lugares, coisas de histórias e quadrinhos. Apesar de ser publicada em 2003, é original dos anos 1980, tirada de jornais e depois aproveitavam em gibis, era bem comum isso. E na época colocavam várias tirinhas da Turma do Penadinho e do Bidu em finais de expediente, maioria eram inéditas, nova safra, o que era bom para diferenciar de ter só tirinha do personagem principal.

Tirinha publicada em 'Parque da Mônica Nº 132' (Ed. Globo, 2003).