Mostro uma história em que o Chico Bento duvidou que o Papai Noel existe e segue o seu pai pensando que ele era o Bom Velhinho que entregava presentes para a criançada. Com 9 páginas, foi história de abertura de 'Chico Bento Nº 24' (Ed. Globo, 1987).
![]() |
| Capa de Chico bento Nº 24' (Ed. Globo, 1987) |
Chico Bento mostra para o Zé da Roça o carrinho que ganhou do Papai Noel. Zé da Roça chama o Chico de burro, dizendo que quem deu o carrinho foi o pai dele, o Nhô Bento, o pai que é o Papai Noel, e que é para deixar de ser bobo de acreditar nisso. Chico lembra que o pai sai de manhãzinha dizendo que vai para roça e quem sabe ele vai para a fábrica de brinquedos no Polo Norte.
Chico resolve fazer uma surpresa para o pai e no dia seguinte, quando o Nhô Bento vai para a roça cedo, Chico estava escondido atrás da moita e vai atrás. Um homem dá carona para o Nhô Bento a cavalo, Chico os segue, eles atravessam o ribeirão e Chico lamenta que não pôde continuar seguindo. Assim, acaba dormindo à beira do ribeirão e começa a sonhar.
No sonho, Chico vê o Papai Noel voando de trenó e aterrissando ali perto para as renas beberam água do ribeirão. Chico aproveita, entra escondido no trenó e vai parar no Polo Norte. Papai Noel comenta que fez muitas entregas, cada ano o número de crianças aumenta e repara que o saco está pesado. Quando abre, descobre o Chico, que diz que é filho dele. Papai Noel fala que tem milhões de filho no mundo inteiro e Chico diz que ele é o verdadeiro, não adianta tentar disfarçar.
Chico grita que quer ir para casa e corre, tentando fugir, quando o Nhô Bento o acorda. Vão para casa e no caminho Chico fala que adora o Papai Noel, é um velhinho muito bom, mas nunca vai deixar o pai, que retribui falando que nunca vai deixar o Chico. No final, depois que eles vão embora, surge Papai Noel piscando para os leitores.
História boa envolvendo fantasia e imaginação infantil, em que o Zé da Roça fala para o Chico Bento que é o pai dele que é o Papai Noel e Chico vai atrás do Nhô Bento a caminho do trabalho na roça pensando que ele vai para o Polo Norte na fábrica de brinquedos. Não alcança o pai e acaba dormindo e no sonho vê o Papai Noel, entra no trenó e vai parar no Polo Norte. Lá, Chico descobre que Papai Noel existe e Papai Noel diz que ele não pode voltar para casa porque descobriu seu segredo. Chico fica assustado, principalmente na possibilidade de ser o substituto do Papai Noel, tenta fugir e acorda, acreditando que Papai Noel existe.
Zé da Roça foi sacana tirando a fantasia do Chico, mesmo que ele não acreditasse mais no Bom Velhinho, não precisava falar com o Chico. O sonho seguiu uma continuação do que Chico presenciou por estar impressionado, ficou a dúvida se sonhou por estar mesmo impressionado ou se o Papai Noel interferiu no sonho para que o Chico possa acreditar que ele existe. Para mim, acho que o sonho foi influência do Papai Noel. Eles gostavam de histórias que os leitores possam imaginar e interpretar como achavam melhor.
Engraçado Chico achar que foi chamado de burro porque aquilo não era um carrinho, ficar atrás da moita esperando o pai, os imprevistos que fez se perder do pai, Papai Noel achando pesado o saco com o Chico dentro dele, Chico dizer que é filho do Papai Noel e puxar a barba dele e o Papai Noel dizer que o Chico ia ser substituto dele, o absurdo do Chico suportar o frio do Polo Norte com a roupa que estava, se bem que como era um sonho pode relevar esse absurdo.
Interessante de histórias citarem que o pai que entrega os presentes, não o Papai Noel, assim as crianças descobria que o Papai Noel não existia, mesmo se depois se revelassem que o Papai Noel existe de fato. E foram muitas histórias assim que no final fica provado que ele não existia, tirando a fantasia das crianças. Incorreta atualmente de citar que Papai Noel não existe, mesmo que ele apareceu depois, provando que existe, Chico seguir pai escondido, além de palavra proibida "diacho" e algumas palavras no caipirês diferentes que mudaram ao longo dos anos como "prele" (pra ele), "memo" (mesmo), etc.
Traços ficaram muito bonitos, com personagens mais fofinhos. Seu Bento foi desenhado diferente, às vezes ele era desenhado fora do seu padrão. Era bom tons azulados em sonhos, por isso o Papai Noel com traje azul durante o sonho. Cores ficaram mais desbotadas, típicos de gibis do segundo semestre de 1987. Teve propaganda inserida do lábis "Labra" em lateral direita da 5ª página da história (página 7 do gibi), coisa comum nos gibis da época.
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
Que história bacana essa eu tenho em um almanaque de natal da Mônica, não sabia que era tão antiga se bem que o pai do Chico tá diferente, o que é uma pista de ser da década de 80.
ResponderExcluirSim, foi republicada algumas vezes em Mônica Especial de Natal. Apesar do Seu Bento estar diferente, ele já tinha os traços definidos, aí ele aparecia diferente dependendo do desenhista e do estilo de traços usados. Como adotaram um estilo meio fofinho nessa, aí resolveram deixar o Seu Bento assim.
ExcluirMinha dúvida é com o "Nem!" proferido pelo Seu Bento. Seria o apelido do sujeito que oferece carona ou uma resposta em forma de gíria? Obviamente não se trata do encurtamento de "╹(N)nem╹que a vaca tussa(!)" e "╹(N)nem╹a pau(!)", porque aí sua resposta seria de recusa. Se for mesmo gíria, parece ser do tipo regional (paulista-paulistana), cujo sentido seria "aceitar" e "concordar", acho que é por aí, e, que teria como sinônimo, "(D)demorou(!)" ou, "(D)demorô(!)".
ResponderExcluirTudo indica que foi nome ou apelido do homem que ofereceu carona. Não é no sentido de recusa porque Seu Bento aceitou a carona e foi de cavalo com ele.
ExcluirPrefiro que seja nome-apelido, pois fica(ria) bem mais inteligível. No entanto, o que me suscitou a indagação foi que parece que já vi/li algumas vezes em HQs antigas da MSP, "(N)nem(!)", assim, com a palavra solitária em balões (de fala, obviamente) como resposta e, caso vi/li mesmo, entendo que seria uma espécie de gíria regional e cujos equivalentes seriam "(D)demorou(!)", "(Ô)ô(!)" e "(S)só(!)", ao passo que essas seriam gírias interjectivas bem mais difundidas, pois acredito que foram assimiladas efetivamente por povos de vários estados brasileiros.
ExcluirJá vi gente chamando alguém de "Nem" com sentido de camarada ou esposa chamar marido, namorado de Nem" de neném embora sendo mais usado no Rio. O sentido de ser "Demorou!" também faz sentido no contexto da cena, agora o real significado que roteirista quis colocar fica difícil saber. De qualquer forma deve ser algo regional.
ExcluirEstou ligado no "nem" ou, "neim" fluminense-carioca, tanto que deixo as duas grafias sem maiúsculas e sem pontos exclamativos envolvidos por parênteses por ser uma forma de tratamento, não possui caráter interjectivo conjugado ao caráter de concordância/confirmação/apoio/endosso.
ExcluirComo a grosseria de Zé da Roça confundiu a cabeça do amigo que tem por hábito ser pouco inteligente, e pela clássica e universal piscadela de um olho só fechando a trama, que não foi por flerte, por paquera, por azaração (esta última gíria, por sinal, tipicamente noventista). Enfim, de fato sugere que tenha interferido no sonho do protagonista. Entretanto, parece que o "desdobramento onírico" foi por outro motivo, creio que não quis fazer com que o guri acreditasse na sua existência, me soou como uma intenção mais profunda, isto é, o que o velho pretendia mesmo e, conseguiu, foi reforçar ainda mais o laço entre pai e filho, pois, as falas no segundo quadro da última página conectam claramente com a expressão do Santa no quadro de encerramento. E para isto foi necessário que aprendesse distinguir seu progenitor, que é quem soa camisa, chegando junto todo santo dia, de um ser encantado que, teoricamente, compareceria sigilosamente uma vez por ano. Tanto que não duvidou de sua existência em momento algum da historinha, o que fez foi uma considerável confusão por conta do que o caipira polido falou - HQ natalina com um quê de Dia dos Pais...
Sim. E lembrando que a exclamação no balão do Seu Bento foi porque todas as falas terminavam com exclamação e aí não necessariamente o sentido foi de fato uma interjeição.
ExcluirConcordo que a piscadela foi porque o Papai Noel influenciou no sonho. O Chico pensou que o seu pai era o Papai Noel e ele queria tirar isso da cabeça do Chico, mostrar que o pai era pessoa comum, e ajudou a aumentar o amor entre pai e filho.
Muito bonita essa história de Natal do Chico Bento. Hoje, o Mauricio de Sousa fez outra rara aparição pública na exposição “Viva Mauricio” no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), no Centro do Rio usando cadeira de rodas. Pelo visto, parece que ele viajou de São Paulo para o Rio de Janeiro mesmo com limitações naturais da idade.
ResponderExcluirMuito bonita, sim. Mauricio viaja, só que raro e em eventos mais importantes.
ExcluirPois é. Notei que ele parecia ter dificuldades na fala além da mobilidade reduzida e alguém precisava responder para ele na exposição. Ele até tirou foto ao lado dos personagens que ele criou sentando do que levantado.
ExcluirNão vi, mas tudo indica ser limitação da idade, bem normal.
ExcluirPosso estar equivocado, mas tudo indica que um comentário meu foi suprimido do post de "As coisas dele!". Estaria localizado entre dois comentários seus de 07/12/2025, um postado às 19:06 e o outro às 23:54. É possível averiguar e, por gentileza, recuperá-lo, Marcos?
ResponderExcluirÉ, vi aqui que esse seu comentário foi para o spam e consegui recuperar. Talvez por muitos gerúndios ou palavras juntas sem espaço, só separadas por " / ", ou de ter interpretado que xingou pessoa de ani.mal ou mons.tro, aí pode ter ido pra spam por isso.
ExcluirPor resgatá-lo da estática dimensão dos spams, só tenho a agradecer, muito obrigado! Caso não fosse possível recuperá-lo, eu entenderia, pois já passei da idade de me decepcionar com algo desse tipo.
ExcluirJá a I.A. que patrulha o Blogger está bem mais para J.A. - jumentice artificial. Difícil identificar e memorizar qual critério utiliza para censurar. Mas, pelo que diz, e se numa eventual postagem tiver, por exemplo, "mons☞.☜tro", seja em arte de capa ou em história ou em tira de piada, teremos que grafar sempre com ponto - ponto final ou outro recurso - no meio da palavra para... "maior segurança"? Com "∆N|M@L" também? São palavras básicas, bastante comuns. Se a bendita implicar com algo como "inconstitucionalissimamente", diante do panorama histérico e desnorteado que temos hoje em dia, até conseguiria entender, embora, ademais, com algum grau de relutância...
Legal que deu pra recuperar. Talvez não implicou com as palavras, mas no contexto que ele interpretou errado e deve ter pensado que era xingamentos a pessoas após os parênteses. Ou então foram as palavras sem espaço pensando que era apenas uma palavra enorme. Mas acredite que em redes sociais mais famosas essas implicâncias de apagarem comentários são piores, qualquer bobagem já apagam.
ExcluirBela histórinha. Bem leve e fantasiosa. Gostei de ler.
ResponderExcluirZé da Roça foi bem babaca, eu entendo não acreditar, tudo bem, mas não precisava disso, deixa Chico em paz. O bom é que o Chico entendeu errado e concluiu que o pai dele era o próprio Papai Noel, a parte dele seguindo o pai e querendo ver a fábrica de brinquedos foi bem legal. E o sonho, gostei do Papai Noel dizendo ''sou pai de todas as crianças'', que genial, muito bom de imaginar. E até que ele foi bem bonzinho com o Chico, que invadiu e puxou a barba dele. E pena que ele não quis ficar, poderia ser muito útil. Mas o final foi bem fofo, com o pai acordando o Chico e ele falando que adora o Papai Noel mas o pai é mais importante, muito lindo. E com a aprovação do Papai Noel, que quem sabe, não teve algum dedo nisso, fez alguma mágica... o bom é que o Chico ainda acredita no Papai Noel no final, não há problema nenhum nisso.
Nota 7. Histórinha fofa e engraçada.
Zé da Roça agiu mal, que deixasse o Chico acreditar no Papai Noel até quando achar necessário. De qualquer forma a magia continuou, não deixou de acreditar completamente, menos mal. Não deixa de ser o Papai Noel o pai de todas as crianças, afinal dá presentes pra todas. Chico não deve ter ficado por medo, ter muito trabalho com os brinquedos e também ficar longe dos pais e amigos. Foi bonita a mensagem no final e o amor entre pai e filho. Com a mágica do Papai Noel ajudou o Chico acreditar nele como sempre foi.
ExcluirÓtima revista e ótima história! Foi uma das primeiras revistas do Chico Bento que tive. Curioso é que lembro perfeitamente dessa revista recém lançada na banca, com essa capa nessa cor linda, brilhando. Eu com meus 8 anos de idade, em dezembro de 87, não resisti e tive que pedir minha mãe para comprar pra mim. Lembro até que foi numa banca do centro aqui de Belo Horizonte. Quem diria, lá se vão 38 anos, como o tempo passa! Qtas boas lembranças!
ResponderExcluirEssa capa ficou muito linda, não tinha como não comprar. Bem encantadora, sem dúvida. Essa ainda não alcancei vendida em bancas, mas se tivesse visto com certeza ia querer também. Lembro que você postou essa no seu canal do YouTube , teve carinho pra mostrar e a revista até não está muito bem conservada, afinal criança pequena não tem muito cuidado em manusear, mas continua contigo até hoje, assim que é bom.
ExcluirExatamente Marcos! Essa revista passou na mão de muitas crianças, principalmente meus primos, que gostavam de ler minhas revistas. Apesar de tanto manuseio, a revista está inteira, com alguns pedaços de durex na capa, e marcas de desbotamento, o que não compromete em nada a leitura.
ExcluirEstando o conteúdo interno bom e intacto é o que importa, os meus primeiros gibis ficaram assim manuseados nas capas e precisando reforço de capa com durex ou cola, mas interno tudo perfeito, assim vale a pena. Já esse desbotamento pode ser das cores da época serem assim, não necessariamente que desbotou com o tempo.
ExcluirRicardo Ribeiro acompanho seu canal com seu filho uma dúvida vc ainda vai continuar postando vídeos sobre as revistas da Turma da Mônica? Abraços e Feliz Natal para vc e sua família 👪
ExcluirOlá! Desculpe a demora em responder, só agora que vi. Tem bastante tempo que não publicamos nada no canal, mas, pode ser que voltemos sim. A questão é só conseguir um pouco de tempo para fazer as gravações. Abraços!
Excluircomo vai você?
ResponderExcluirVou bem.
ExcluirEste comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirÉ, teve Papai Noel, foi bom. Concordo, com certeza sempre devemos manter a criança interior com a gente.
Excluir