domingo, 10 de dezembro de 2023

Mônica e o pai da Mônica: HQ "Tudo por uma cuspidinha..."

Em dezembro de 1993, há exatos 30 anos, foi publicada a história "Tudo por uma cuspidinha" em que o pai da Mônica vende a alma para o diabo para conseguir arrumar uma boneca Cuspidinha para a filha no Natal. Com 15 páginas, foi publicada em 'Mônica Nº 84' (Ed. Globo, 1993).

Capa de 'Mônica Nº 84' (Ed. Globo, 1993)

Mônica vê um anúncio na televisão da boneca Cuspidinha que põe água na barriguinha dela e aperta que ela dá uma cuspidinha. Mônica pede a boneca para o pai, Seu Sousa, que diz que vai falar com o Papai Noel e Mônica conta que pensam que ela não sabe que o Papai Noel são os pais.

Dias depois, Dona Luísa lembra o marido de comprar o presente para Mônica para não deixar em cima da hora e Seu Sousa diz que qualquer dia desses vai comprar. Uma semana depois, ele ainda não comprou e diz que não precisa ela comprar porque passa todo dia na cidade e amanhã compra. Só que ele não compra e nem nos outros dias, sempre dando uma desculpa.

Até que chega a véspera de Natal e Seu Sousa sai para comprar a boneca e comenta que a esposa tem desespero a toa, é só uma boneca e a vantagem de ter filha única, basta chegar e comprar um presentinho só. Seu Sousa nota o comércio movimentado, pede a boneca Cuspidinha para o vendedor e tinha acabado.

Seu Sousa vai para outra loja, a vendedora diz que acabou e indica par ir para a loja "Besbla". Ele vai, o vendedor rir por pedir a essa altura, diz que já reservou para a filha há um mês e sugere comprar outra boneca, com os clientes fazendo briga para conseguir alguma qualquer. Seu Sousa diz que a Mônica pediu a Cuspidinha, não se dá por vencido e vai procurar em outras lojas e não encontra.

Seu Sousa apela para telefonar para fábrica da boneca Cuspinha para comprar diretamente com eles, só que falam que acabou o estoque e só depois do Natal. Ele se desespera que a boneca não existe mais, não vai decepcionar a Mônica que fez um pedido simples no Natal. Pensa que vê a boneca em cima da lata de lixo, ele corre para pegar, mas era só um cartaz. 

Quando se contenta em comprar outra boneca para a Mônica, todas as lojas fecham e Seu Sousa se desespera que vai voltar para casa de mãos abanando. Então, surge um homem oferecendo a boneca Cuspidinha, Seu Sousa fica eufórico, diz que faz qualquer coisa para consegui-la. 

O homem dá a condição de assinar um papel, Seu Sousa assina, fica feliz que conseguiu a Cuspidinha e o homem diz que devia prestar atenção ao que ensina porque acabou de vender a alma dele ao Diabo, que é muito fácil conseguir almas nessa época de consumismo desenfreado e avisa que é para Seu Sousa se divertir a boneca e depois volta para buscar o que é dele. Seu Sousa fica arrasado de vender a alma por uma boneca, pelo menos a Mônica vai ficar feliz, no Natal.

Em casa, Dona Luísa fica feliz que encontrou a boneca, estava preocupada que as lojas estavam uma loucura e pergunta onde achou. Seu Sousa desconversa e só quer uma boa noite de sono, mas nem consegue dormir com pesadelos com o Diabo. Na manhã de Natal, Mônica fica contente com a boneca, agradece ao pai e estranha que ele está triste e ele diz que o importante é ela estar feliz.

Dona Luísa comenta que é para o marido mudar o astral para não estragar o Natal da filha, Seu Sousa tenta contar o ocorrido, quando o Diabo bate a porta. Seu Sousa fica desesperado, Dona Luísa pergunta por quanto cobrou pela boneca e o Diabo se revela, dizendo que foi a alma do marido. Ele destrói a Árvore de Natal, Mônica fala que não pode levar o pai assim e o Diabo mostra o contrato assinado e enquanto estiver com a assinatura, é dono dele. Mônica aperta a barriga da Cuspidinha que cospe água em cima do contrato e  apaga a assinatura.

O Diabo fica com ódio que o contrato vale mais nada agora, estragaram o Natal dele e leva a boneca de volta por não receber o pagamento dele e some. Seu Sousa pede desculpas para a Mônica e depois do Natal, ele dá uma Cuspidinha nova, Mônica diz que não precisa, o importante para ela é estarem todos juntos e depois prefere que deem outro brinquedo e conta para os leitores que já estava com nojo daquela boneca.

História legal em que o pai da Mônica deixa para comprar o presente da boneca Cuspidinha da Mônica na véspera de Natal e não encontrava nas lojas, quando o Diabo ofereceu a boneca por troca da alma dele. Assinou sem saber e depois o Diabo foi para casa dele para buscar a alma só que a Mônica faz a boneca cuspir no contrato, fazendo assinatura apagar e anulando a venda da alma do pai. A tinta da caneta do Diabo foi de péssima qualidade para sair com água, absurdos de histórias em quadrinhos que deixavam com muito mais humor, bom para Seu Sousa que se livrou dele.

A boneca era um sucesso entre as meninas e se esgotou fácil, se Seu Sousa tivesse comprado com antecedência, no dia seguinte que a Mônica fez o pedido ou que deixasse a Dona Luísa comprar, não precisava passar por isso. Comprar alguma coisa em véspera de Natal é difícil, fora lojas lotadas, ele devia saber disso também, mas na cabeça dele, pensava que era uma boneca qualquer que encontrava fácil, por isso deixou para comprar em cima da hora. Foi legal ver o desespero dele nas lojas para encontrar a boneca sem sucesso e ao saber que vendeu alma para o Diabo. 

A história ensinou várias coisas como que não devemos deixar nada para depois, temos que fazer as coisas na hora, não ter consumismo desenfreado, que tem que planejamento, organização, que devemos prestar atenção no que assina e que o importante é a família. Na época, eles gostavam de ensinar as coisas através dos erros dos personagens, sem dúvida, os leitores aprendiam mais assim e ainda se divertia. 

Incorreta atualmente, só por ter diabo já não é aceita e ainda Seu Sousa vender alma pra ele, sem chance, traumatizaria muita gente. Também não pode mostrar publicidade infantil na TV para não influenciar crianças a comprar, além da palavra "droga!" dita pelo Diabão.

Outra coisa errada foi Mônica dizer que Papai Noel não existe e que são os pais que entregam os presentes. Hoje, eles colocam sempre que Papai Noel existe para não tirar fantasia das crianças sobre o bom velhinho. Em histórias assim, poderiam alterar que seria presente de aniversário da Mônica para que o pai pudesse dar presente pra ela. Seu Sousa telefonar de orelhão é considerado datado hoje, modificariam para celular no lugar.

Engraçado o duplo sentido de Cuspidinha em dar cuspida, como Seu Sousa pensou quando Mônica anuncia o que quer ganhar no Natal e as paródias das lojas da época como, por exemplo, "Capim" (Mappin) e "Besbla" (Mesbla). Mesmo que história tenha crédito para a Mônica e o pai dela, foi mesmo do Seu Sousa, já que o foco foi com ele. Tiveram muitas histórias de Natal protagonizadas pelos pais dos personagens, principalmente envolvendo presentes, eram boas. 

Os traços ficaram bons, típicos dos anos 1990, teve erro da Dona Luísa não ter padrão de aparecer com ou sem lábios com batom, as vezes aparecia sem lábios do nada. Porém, no terceiro quadro da página 5 do gibi pode-se considerar que não foi erro já que foram dias diferentes cada quadrinho. Eu não gostava quando as mães apareciam sem batom, ficavam bem diferentes, colocavam assim para dar mais humor a elas. Muito bom relembrar essa história marcante há exatos 30 anos.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2023

Propagandas Natalinas da Turma da Mônica (Parte 3)

Há algum tempo mostrei 2 postagens com propagandas de Natal com a Turma da Mônica. Só que eles tiveram outras de Natal bem marcantes e nessa postagem compartilho essas que encontrei que valem a pena relembrar e várias curiosidades. 

Em 1977, teve a edição especial de Natal do título "Brincadeiras", que consistia de uma revista de atividades com passatempos, jogos de montar e uma historinha, que nessa edição foi uma versão em quadrinhos da clássica curta animação "O Natal da Turma da Mônica" (1976), que por muitos anos passou na televisão em época de Natal. 

Sem dúvida uma edição super especial, só ter a versão em quadrinhos do "O Natal da Turma da Mônica" exclusiva e nunca republicada até hoje já vale muito a pena e hoje é raríssima de encontrar, já que revistas de atividades costumam ser destruídas pelas crianças, ainda mais as que tem coisas para recortar e montar. Depois dessas revistas "Brincadeiras" teve uma outra semelhante chamada de "Destaque e Brinque" (raríssimas também) e nos anos 1980 a turminha passou a ter revistas diversas de atividades e passatempos.

Propaganda tirada de 'Mônica Nº 91' (Ed. Abril, 1977)

Em 1978, foram lançadas as camisas sonoras com estampas com temas dos personagens da Turma da Mônica emitindo sons da "Marvel Malhas", que foi concessionária da "Mauricio de Sousa Produções". Na propaganda, mostra o Papai Noel vestido com a camisa da Mônica e também tiveram outras estampas com Bidu, Cebolinha, Floquinho e Jotalhão. Na época, só crianças que vestiam camisas estampadas e bem raro também, então, foi bem inovador.

Propaganda tirada de 'Mônica Nº 104' (Ed. Abril, 1978)

A "Lojinha da Mônica" foi inaugurada em 1979, era uma loja física, que vendia só produtos da Turma da Mônica e fez muito sucesso. Inicialmente inaugurada em São Paulo e ao longo da década de 1980 se expandiu para outras cidades de outros estados do Brasil. Nessa propaganda de 1980, a primeira com tema de Natal, curiosamente não teve um personagem da Turma da Mônica, apenas o Papai Noel sobrevoando a "Lojinha da Mônica" com seu trenó e um menino feliz vendo sua chegada em frente à loja.

Propaganda tirada de 'Cebolinha Nº 95' (Ed. Abril, 1980)

Em 1981, teve o lançamento de desenhos animados da Turma da Mônica em Super-8 vendidos exclusivamente na "Lojinha da Mônica". Foram vídeos curtos produzidos pela MSP em Super-8 que nem existem mais, foi um percussor do VHS. Foram lançados dois mini filmes, um sobre o Natal chamado de "Feliz Natal para todos" com menos de 3 minutos e outro com título "Um cachorro bem treinado" com 3 desenhos curtos em um mesmo Super-8. Na propaganda tem aviso que eram sonoros e coloridos porque nem todos Super-8 eram assim e poderia fazer pedido por carta quem não podia ir pessoalmente à "Lojinha da Mônica" em São Paulo.

Propaganda tirada de 'Almanaque da Mônica Nº 8' (Ed. Abril, 1981)

Em 1981, a Editora Abril lançou uma propaganda de Natal reunindo principais personagens que tinham revistas em quadrinhos na época desejando que o Natal e o Ano Novo dos leitores sejam como as histórias em quadrinhos deles, cheios de emoção, alegria e diversão. Não podia faltar Mônica e Cebolinha, quem tinha revistas próprias da MSP pela Editora Abril até então e se juntando a eles, Pantera-Cor-De-Rosa, Bolinha, Pateta, Pica-Pau, Capitão América, Fred Flintstones e Mickey.  Só Editora Abril para reunir tantos personagens de peso em uma só propaganda e colocaram só alguns dos que tinham revistas porque  na época as bancas de jornais eram repletas de variados títulos de revistas da Editora Abril.

Propaganda tirada de 'Almanaque do Chico Bento Nº 1' (Ed. Abril, 1981)

A Lojinha da Mônica teve uma nova propaganda de Natal em 1982 com uma belíssima ilustração da Mônica, Cebolinha, Cascão e Bidu em um coral de Natal. E pode perceber que a "Lojinha da Mônica" já estava com outras unidades em outras cidades do Brasil sem ser só São Paulo. No rodapé, mostrou os endereços de cada loja disponível até então.

Propaganda tirada de 'Chico Bento Nº 10' (Ed. Abril, 1982)

Na Editora Abril, tiveram edições especiais de Natal em formatos maiores e com histórias inéditas, mas que seguiam a numeração do título "Almanaque da Mônica". Então, em dezembro de 1982 foi lançada a edição "Mônica Natal Nº 16", que representou o "Almanaque da Mônica Nº 16". Foi uma edição só com histórias inéditas de Natal com 68 páginas e formato canoa maior, diferente do formatinho com lombada que estávamos acostumados nos almanaques. 

Para anunciar a novidade, fizeram essa propaganda ilustrada só com a capa da edição e mostrando que "Mônica Natal" é tão tradicional em dezembro quanto presentes, castanhas, nozes, Papai Noel, etc. Interessante mencionarem champanhe em uma publicidade infantil, essa seria incorreta hoje em dia. lembrando que todas essas histórias inéditas nos Almanaques da Mônica pela Editora Abril nunca foram republicadas até hoje e se tornam histórias raras hoje em dia.

Propaganda tirada de 'Chico Bento Nº 10' (Ed. Abril, 1982)

Em 1984, foram lanças as bolas de Natal da Turma da Mônica, pela "Wanda Hauck". Cada bola era ilustrada com um personagem da Turma da Mônica e vendidas em supermercados, lojas especializadas e também na Lojinha da Mônica. Tiveram bolas com Mônica, Cebolinha, Cascão, Anjinho e Bidu, em cores variadas, sem dúvida, a Árvore de Natal ficava muito bonita enfeitadas com essas bolas da turma. Na propaganda, uma linda ilustração com personagens montando Árvore de Natal. Interessante a Magali aparecer na ilustração, mas não teve bola com ela.

Propaganda tirada de 'Almanaque da Mônica Nº 23' (Ed. Abril, 1984)

Em 1998, foram lançados os enfeites de Natal da Turma da Mônica da marca "Pais e Filhos". Foram vários enfeites que eram os personagens em miniaturas com temas natalinos que, além de servir como decoração da Árvore de Natal, também poderia colecionar as miniaturas. Na propaganda, colocaram uma fotografia de uma Árvore toda decorada com os enfeites e um destaque como eram os enfeites das miniaturas da Mônica e Cebolinha. 

Propaganda tirada de 'Cebolinha Nº 146' (Ed. Globo, 1998)

Na Editora Globo eles não tinham muito costume de anunciar revistas individuais, apenas algumas edições consideradas mais especiais e alguns almanaques. A revista da 'Mônica Nº 145' da Editora Globo de 1998, então, foi uma exceção e teve uma propaganda especial, ilustrada com a capa da edição. Como as capas eram bonitas, só ilustração das capas já formava uma bonita propaganda. Devem ter feito propaganda dessa edição por ser de Natal e ter uma história de abertura com o tema, mas era raro até edições em edições de Natal com propagandas individuais de revistas mensais. 

Propaganda tirada de 'Cebolinha Nº 146' (Ed. Globo, 1998)

O requeijão Turma da Mônica "Nestlé" tiveram novos copos com temas natalinos em 1998. Foram marcantes esses requeijões com copos de vidro com a Turma da Mônica lançados a partir de 1997, pintura não saía na lavagem e sempre estavam renovando os copos ao longo de cada ano podendo colecionar. Com o lançamento desses novos natalinos em 1998, fizeram esse anúncio com dois desses novos copos lançados e Com Mônica, Cebolinha e Cascão como duendes carregando os copos. 

Propaganda tirada de 'Magali Nº 249' (Ed. Globo, 1998)

Em 1999, teve o lançamento da fita VHS "Clássicos Turma da Mônica - A Estrelinha Mágica". Os filmes clássicos da Turma da Mônica dos anos 1980 foram relançados para venda aos poucos em uma coleção de VHS e o da Estrelinha Mágica, original de 1988, foi lançado em dezembro, em homenagem ao Natal. A propaganda foi estilo de passatempo de labirinto de levar a Mônica como Papai Noel até o seu presente de Natal. Na segunda metade dos anos 1990, estava bem frequente propagandas formadas por passatempos de outros anunciantes como "Chambyto", "Nesquik", "Chokito", etc, e a MSP também resolveu entrar na onda.

Propaganda tirada de 'Parque da Mônica Nº 84' (Ed. Globo, 1999)

Na virada para o ano 2000, criaram essa propaganda em 1999 sem anunciar nada, apenas com a mensagem da MSP desejando um feliz Ano Novo ilustrada com a turma como astronautas em um disco voador no céu, simbolizando um ar futurista que o ano 2000 pedia e que muitos tinham expectativa para chegar e o Papai Noel acenando para a turma ao lado da chaminé.

Propaganda tirada de 'Magali Nº 275' (Ed. Globo, 1999)

As revistas de atividades "Brincando com a Turma da Mônica" e "Cruzadas da Turma da Mônica" tiveram edições especiais com atividades de Natal em dezembro de 2000 e para anunciar a novidade fizeram essa propaganda com bonita ilustração da turminha montando Árvore de Natal. Nem lembra que é uma propaganda de revistas de atividades até ler o texto dela, vai ver que a ilustração foi caoa de uma delas. Lembrando que em 2000 eram novas séries dessas revistas, não da série "Brincando com a Turma da Mônica" de 1988 nem da clássica série "Cruzadas da Turma da Mônica" semanais entre 1993 a 1998 com mais de 300 edições, que foi a série de revistas de passatempos mais duradoura e mais conhecida até hoje. 

Propaganda tirada de 'Parque da Mônica Nº 95' (Ed. Globo, 2000)

Em 2002, a Turma da Mônica esteve na Praça Central do Shopping Metrô Tatuapé para tirar fotografias com a criançada que iria no local e ainda tinha uma Vila da Mônica montada lá com as casas dos personagens e uma Árvore de Natal de 15 metros montada até o dia 2 de janeiro de 2003. No anúncio, uma fotografia da turma e do Mauricio no shopping em frente à entrada da Vila da Mônica e à Árvore de Natal de 15 metros, representando como seria estar lá. Quando não existia internet ou era bem limitada, as notícias referentes a eventos da MSP eram mostradas nos revistas, era bom ver essas novidades do estúdio através das revistas. 

Propaganda tirada de 'Mônica Nº 198' (Ed. Globo, 2002)

Como podem ver, foram propagandas muito boas e bem ilustradas, muitas delas bem raras e com produtos que a gente nem imaginava ter existido. Para conferir outras propagandas de Natal clássicas com a Turma da Mônica, entre aqui:

segunda-feira, 4 de dezembro de 2023

Tirinha Nº 100: Cebolinha

O Blog completa 100 tirinhas soltas publicadas, levaram 10 anos para atingir a marca. Tinha que ser especial a centésima tirinha e nada melhor do que colocar uma tirinha que saiu em uma revista "Nº 100".

A turma comemora que o Cebolinha conseguiu chegar na sua revista "Nº 100" e o Cascão, por sentir uma certa inveja, tem uma ideia de criar a sua própria revista para ter também a sua comemoração do "Nº 100" que nem o Cebolinha. Curiosidade que o Cascão não tinha revista ainda, foi só ter 1 ano e 3 meses depois desta tirinha, em agosto de 1982 e ele sentiu o prazer da sua revista chegar ao "Nº 100" em 1986. Apesar do crédito ser ao Cebolinha por conta da sua comemoração, a piada ficou a cargo do Cascão. Tiveram erros de Mônica, Bidu, Franjinha e Cascão aparecerem de olhos fechados brancos, normalmente ficam com olhos da cor da pele quando fechados para representar pálpebras. 

Cebolinha foi o segundo personagem a chegar ao "Nº 100" depois da Mônica e a edição 100 dela passou em branco, só com uma capa especial. Sobre a revista 'Cebolinha Nº 100' da Editora Abril, foram 2 histórias inéditas (abertura e encerramento) mais esta tirinha inédita e as demais republicações com ganchos nnovos do Cebolinha e Cascão antes delas apresentando as histórias antigas como espécie de melhores momentos que marcaram a revista 'Cebolinha' até então. Como foi basicamente republicações, a edição "N° 101" saiu 15 dias depois dessa, também em maio de 1981, para ter uma só de inéditas no mês e isso ajudou a regularizar a sua numeração até o final da série da Editora Abril em 1986 com 168 edições desde o lançamento em 1973, já que em janeiro de 1978 não teve revista "Cebolinha N° 61", lançada só em fevereiro. 

Tirinha publicada originalmente em 'Cebolinha Nº 100' (Ed. Abril, Maio/ 1981).

sexta-feira, 1 de dezembro de 2023

"Melhores Histórias da Mônica, por Mônica Sousa Nº 1"

Já nas bancas a edição especial "Melhores Histórias da Mônica, por Mônica Sousa Nº 1", da Editora Panini, comemorativa aos 60 anos de criação da personagem Mônica. Nessa postagem mostro como foi essa revista.

Lançada em novembro de 2023, foi pensada em comemoração aos 60 anos da personagem Mônica, fazendo parte do pacote de comemorações da MSP para a data não passar em branco como os gibis quinzenais "Nº 37" de agosto de 2023 e os livros "Mônica 60 Anos" e "Mônica Edição de artista". 

"Melhores Histórias da Mônica, por Mônica Sousa Nº 1", como o título propõe, reúne histórias da Mônica escolhidas pela filha do Mauricio de Sousa, Mônica Sousa, que foi a inspiração dele para criar a personagem Mônica em 1963.  As histórias mais top e memoráveis que ela leu, foram juntadas nessa revista. 

Tem formato de gibi convencional com 68 páginas, formato canoa 13 X 19 cm, capa com papel couchê ligeiramente mais grossa que os gibis atuais de bancas e papel jornal no miolo, sem passatempos, só histórias e com propagandas atuais, custando R$ 9,90. Até pensava que seria um formato maior e com capa cartonada com lombada seguindo estilo das edições da coleção "As Melhores Histórias" promocionais casadas do jornal "O Estado de São Paulo", de 2022, mas preferiram formato de gibi normal, que foi melhor ainda. Sim, acho muito bom que  não foi material de luxo como nos livros especiais de capa dura, o que deixa um preço acessível, afinal, para mim, não precisa de luxo, deixar estante bonita, o chamado "quadrinhos goumert", importante é ter conteúdo de qualidade com acesso a todos. 

Na distribuição chegou aqui dia 22 de novembro de 2023. A edição tem uma capa com um desenho da Mônica Sousa com a Mônica. Abre com um frontispício com a Mônica Sousa contando sobre a revista e as histórias que ela escolheu. Só acho que poderia ter uma ilustração, quem sabe, uma fotografia da Mônica Sousa, não só um texto.

Frontispício da edição

Em seguida, vem as histórias, todas são da Editora Abril dos anos 1970, mais precisamente primeiras edições da revista da Mônica, o que é coerente já que seria a época que a Mônica Sousa era criança e que realmente ela leu. Vemos os primórdios do Mauricio, com personagens com bochechas pontiagudas, falando de boca fechada, conversas com linguajar formal.

Começa com a clássica "A Ermitã" (MN #6, de 1970), com 16 páginas, em que a Mônica resolve se mudar para as montanhas por pensar que seus amigos não gostavam mais dela. Virou desenho animado depois no filme "As Aventuras da Turma da Mônica" de 1982.

Trecho da HQ "A Ermitã"

Em seguida vem "A Estrelinha perdida" (MN #8, de 1970), com 5 páginas, em que a Mônica e a turma ajudam a Estrela de Belém a voltar ao passado para cumprir sua missão de anunciar o primeiro Natal. Virou desenho animado em 1988, virando "Estrelinha Mágica" só que apenas com uma base nesta já que a história do desenho foi bem diferente. Curioso aparecer Anjinho andando como os outros em vez de voar, mas na época colocavam muito o Anjinho tratado como uma criança normal do que uma entidade, interagia muito, inclusive nas brincadeiras com a turma.

Trecho da HQ "A estrelinha perdida"

Depois tem "Os Azuis" (MN #15, de 1971), com 13 páginas, clássico que rendeu vários prêmios ao Mauricio de Sousa, que retratou o preconceito de racismo e que se torna atual até hoje. Mônica encontra seus amigos todos azuis e eles têm raiva e até nojo dela só porque ela é alaranjada, diferente da cor deles. Foi inspirada em um caso de racismo que o Mauricio sofreu e foi feita em poucas horas de madrugada pra fechar o gibi a tempo. Também virou desenho animado em 2009.

Trecho da HQ "Os azuis"

Já em "A Voz" (MN #18, de 1971), com 11 páginas, uma voz misteriosa sai da barriga da Mônica, falando coisas agradáveis aos amigos que nunca falaria para eles. Ela era ranzinza, braba, de poucas ideias, incapaz de dizer até "bom dia" para os outros e a voz interior fazia o contrário das atitudes dela, deixando seus amigos felizes. Mais uma história do Mauricio do tipo que as coisas aconteciam e pronto sem dar explicação e fica na imaginação dos leitores de como aquela voz surgiu na Mônica. Só se sabe que a intenção era tentar mudar a personalidade dela e ser mais gentil com os amigos.

Trecho da HQ "A voz"

A edição termina com "Mônica com salto alto" (MN #19, de 1971), com 5 páginas, em que a Mônica pega o sapato com salto alto da mãe e ela não consegue andar com elegância com saltos tão alto. Essa foi voltada exclusivamente para o humor, sem transmitir mensagens como as outras, foi engraçado ver a Mônica tentando andar com os saltos e equilibrando os livros na cabeça e até deu surra no Cebolinha.

Trecho da HQ "Mônica com salto alto"

Não teve uma tirinha final na última página, apenas uma ilustração igual da capa no lugar junto com os créditos finais. Ultimamente, alguns títulos novos como "Almanaque da Tina", "Almanaque de Histórias Curtas" e "Almanaque de Histórias Sem Palavras" estão seguindo esse estilo de só uma ilustração sem tirinha, tirando o estilo tradicional. Dava muito bem para Mônica Sousa escolher uma tirinha favorita que ela viu, as revistas de 1970 a 1972 não tinham tirinhas, mas ela podia escolher uma de 1973 em diante, tranquilo. A questão principal de não ter, foi isso de deixarem de lado as tirinhas em títulos novos, não porque não tinham tirinhas nos gibis naquele período. 

Sobre as terríveis alterações que têm em todos os almanaques atuais, tiveram várias, a maioria envolvendo correção de cores das originais que eles erravam muito, a ortografia da época como "êle", "êste", "côr", etc, eles mudaram para a ortografia atual, as falas do Cebolinha trocando letras que eram entre aspas nas originais, mudaram para negrito como é atualmente, mas tiveram também algumas alterações com textos a favor do politicamente correto. Interessante que algumas palavras que sempre mudam hoje como "Credo!", "Louco" e "Meu Deus!" mantiveram, mas outras palavras mudaram, não tendo, portanto, uma padronização. E mantiveram personagens falando de boca fechada. Em todas as histórias teve pelo menos uma alteração significativa e vou mostrando a seguir.

Na história "A ermitã", teve caso de alteração de cores, mudando a placa direita azul para branca, deixando de ser igual ao conteúdo original. Inclusive se fossem para alterar cor, teria que ser a placa da direita já que na cena anterior, a Mônica escreveu o texto em um papel azul e ficou branco neste quadrinho em destaque.


Na história "A estrelinha perdida", teve uma correção de cores em que na original o Sansão aparecia de olhos brancos fechados e dentes azuis e corrigiram deixando olhos azuis e dentes brancos. Fizeram várias correções de cores na edição. E também não colocaram as estrelas no céu no último quadrinho da reedição, provavelmente uma falta de atenção quando recoloriram.

Durante toda a história, toda vez que aparecia a palavra "criado-mudo" eles mudavam para outra coisa. Não entendi por que a palavra "criado-mudo" é proibida nos gibis de hoje a ponto de alterar em reedições de histórias. Quem sabe por ser duplo sentido e acharem que o leitor não vai saber distinguir criado-mudo de mesinha de cabeceira de um serviçal mudo, que não fala. Nessa cena, então mudaram "criado-mudo" para "gaveta".


Já nessa cena mudaram "criado-mudo" para "mesinha" reforçando que a implicância é com o criado-mudo. E outro tipo que alteração que fizeram nas histórias de 1970 desta revista em que todas as falas do Cebolinha em que ele trocava "R" pelo "L" entre as aspas, deixaram agora em negrito no lugar para ficar igual ao padrão dos gibis atuais, e, com isso, deixando de ser igual ao conteúdo original.


Outro tipo de alteração constante foi que tiravam as aspas das palavras informais. Nos gibis de 1970 e 1971, o linguajar dos personagens eram extremamente formais e quando falavam termos informais, deixavam entre aspas pra mostrar que não era a forma culta, e, então, nessa edição, tiraram aspas e todas as palavras informais. Neste caso, tiraram o termo informal "na fossa" (deprimida).

E nesta mesma cena, alteram fala do Cebolinha de "pol que" para "por que" e sem aspas. A grafia das falas do Cebolinha com palavras terminadas em "R" sempre deixaram o "R" no final, mas eles deixavam "pol que" nos gibis de 1970 e nessa reedição, toda vez eles mudaram para "por que" e sem aspas para padronizar com o estilo atual.


Nesta cena, alteraram a fala informal da mãe da Mônica na história original em que ela falava  "que tanto" para "por que". Não vi necessidade dessa mudança. E mais uma vez a implicância com "criado-mudo" mudando para "mesinha".


Já aqui alteraram a cor do vestido da Mônica que apareceu amarelo na edição de 1970 e agora recoloriram para vermelho. Neste caso, não precisavam recolorir porque quando deixaram camisa vestido amarelo dava sinal que a luz da estrelinha estava tão intensa próxima a ela e nessa mudança, a intensidade da luz pareceu menor do que a realidade. Quiseram corrigir cores, mas acabaram mudando o sentido dessa vez.


Na história "Os Azuis", toda vez que falaram a palavra "gozar" e variações, eles mudaram para sinônimos para não ter duplo sentido de cunho sexual. Essa palavra, bastante frequente nos gibis até dos anos 1990, é terminantemente proibida nos gibis atuais e sempre mudam agora. Então, cena cena mudaram "que coisa mais gozada!" para "engraçada".
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Já nessa cena, outra vez alterada, afinal, colocarem um quadrinho com o Cascão falando "Veja só como a Mônica está gozada!" é um prato cheio para quem tem mente poluída e mostrarem em sites próprios como o "Porra, Maurício!" e o povo do politicamente correto iria implicar muito. Detalhe de "gôsto" alterado para seguir a ortografia atual e que em 1971 o Cebolinha já falava "Por que" como as outras palavras terminadas em "R" e também não tinha mais palavras entre aspas quando trocava o "R" pelo "L", então isso não foi alterado.


Aqui já ficou mais evidente que mudaram alguma coisa, mudando "gozar" para zoar" fica na cara que mudaram porque nem existia a palavra "zoar" em 1971. Fala "pavolosa" do Cebolinha ficou em negrito para seguir a atualidade e ainda corrigiram a camisa do Franjinha para vermelho já que na original apareceu amarela.


E aqui mais uma alteração na palavra "gozar" para "zoar", distanciando do conteúdo original da época, que pelo menos colocassem alguma palavra que existia na época.


Na história "A voz", corrigiram as cores das camisas da Magali e da Mônica que apareciam verde e preta, respectivamente na revista original. Essas correções de cores fazem direto. E outra alteração que fizeram muito foi retirar reticências ao lado de exclamação em finais de frases e as de início de um balão para seguir o padrão atual. As reticências, muitas vezes, como neste exemplo, mostravam continuação de pensamento no balão seguinte, tanto que o outro começava com reticências, mas preferiram tirar.


Nesta mesma história, alteraram a palavra "Cruzeiro" para "dinheiro" para seguir a atualidade. Porém, no quadrinho posterior é falado "Cruzeiro" sem alterar e ainda tem um aviso no rodapé da página explicando que Cruzeiro era a moeda do Brasil na época, então, desnecessária a mudança para "dinheiro" desse quadrinho destacado.


Na história "Salto, alto!" mudaram o título, tirando vírgula e exclamação. Podem ter achado que estava acentuado errado, mas eu vejo que fazia todo sentido porque na original com a vírgula, queriam dar destaque que a Mônica estava com um salto bem alto, não era um salto qualquer. Fora que a mudança deixa diferente do que foi colocado na época, sem deixar como foi na revista original.


Nessa mesma história, mudaram o "hem" para "hein" para seguir a ortografia atual. Antes era comum era sempre falarem "hem" e agora é proibido.


A palavra "janta" também é proibida atualmente e sempre alteram para "o jantar". Então, a fala da Magali dizendo "hora da janta", alteraram para "hora do jantar". Pode até ser mais correto gramaticalmente falar jantar, mas a gente é até acostumado falar janta no dia a dia e mudando tira a informalidade, fora ficar diferente da revista original.

Foi uma boa edição comemorativa*, cheia de histórias clássicas, não passa em branco os 60 anos da Mônica e melhor que sem luxo, é bom pra quem quer uma edição comemorativa e não tem condições de ter por serem caras ou quem quer ler histórias dos anos 1970 e não tem a extinta "Coleção Histórica" ou não tem condições de comprar os livros de luxo "Biblioteca do Mauricio". O que estraga são as alterações ridículas adequando ao politicamente correto ou à época atual, não deixando fiel às revistas originais, mas se até os livros "Biblioteca do Mauricio" alteram as coisas, não seria diferente dessa edição, pelo menos as alterações dessa vez não mudaram sentido das histórias. Se encontrar essa edição nas bancas é uma boa ter na coleção. Fica a dica.

* A princípio é apenas uma edição especial, mas por ter um "Nº 1" na capa, tem uma possibilidade de ser um título regular bimestral e, então, temos que aguardar para ver se vai confirmar ou não. Não faz muito sentido terem várias edições escolhidas pela Mônica Sousa, mas se for a cada edição serem histórias escolhidas por um funcionário da MSP diferente ou por artistas famosos, seria interessante. Tipo, roteiristas escolherem as suas histórias favoritas, ou as que leu na infância ou as que ele roteirizou, seria legal. Na Disney, até já teve coleção assim com famosos escolhendo as histórias top que leram. Vamos aguardar.