quarta-feira, 18 de janeiro de 2023

Um tabloide do Cebolinha na praia

Compartilho um tabloide com Cebolinha e Mônica na praia fazendo castelinho de areia. Foi publicado em 'Cebolinha Nº 1' (Ed. Globo, 1987).

Cebolinha fez um castelinho de areia na praia, diz para a Mônica que nenhuma garota é capaz de fazer um igual ao dele e ela derruba. Cebolinha grita e faz escândalo que a Mônica é invejosa e chamando atenção de todos na praia. Então, ela faz um novo castelinho e no final ele derruba para dar o troco do que ela fez. 

Mostra um Cebolinha provocativo e vingativo, provoca por preconceito pelas garotas e fazer raiva para Mônica e se vinga derrubando o castelinho novo para não ficar por baixo. Mônica não devia derrubar, podia era ter batido nele, pelo menos provou que meninas também são capazes de fazer castelinho como os meninos. Permitiu essa mensagem que somos todos iguais, nem homens nem mulheres são melhores no que fazem. 

Hoje em dia eles não agiriam assim, principalmente com vingança e ideia de homens são inteligentes e mulheres, burras e também permite o leitor imaginar a sequência apóso final, o que Mônica fez depois do Cebolinha ter derrubado o castelinho de areia. Foi legal ver o Sol personificado interagindo com as cenas, com rosto feliz ou impressionado de acordo com cada momento. Os traços muito caprichados como sempre na época. A seguir, a historinha de 1 página completa:

sábado, 14 de janeiro de 2023

Magali: HQ "Modelo e manequim" (30 anos da Carminha Frufru)

Em janeiro de 1993, há exatos 30 anos, era publicada a história "Modelo e manequim" em que Magali e as meninas participam de um concurso de modelos e marcou a estreia da Carminha Frufru nos gibis. Com 17 páginas, foi publicada em 'Magali Nº 93' (Ed. Globo, 1993).

Capa de 'Magali Nº 93' (Ed. Globo, 1993)

Escrita por Rosana Munhoz, Magali assiste a um programa de modelos com Cindy Croford e Silvia Faifi desfilando com modelos de coleção outono-inverno e Magali se imagina adulta como uma famosa top model nas passarelas. Ela fala para mãe, Dona Lili, que quer ser modelo quando crescer e vai treinar no seu quarto com a camisola da sua mãe, mas cai por causa do salto alto.

Mônica vê, conta que também quer ser modelo quando crescer e tem no bairro um concurso para escolher uma modelo-mirim e elas vão lá. Magali não acredita que sua carreira de modelo fosse começar tão cedo e se já pensou se escolham elas duas no concurso, quando é interrompida pela Carminha Frufru que podem esquecer porque vão escolher apenas uma vencedora e será nenhuma das duas, que são baixinhas e sem graça, principalmente a Mônica, gorducha e dentuça que não se olha no espelho. 

Mônica fica braba e quer bater na Carminha, mas Magali impede e Carminha diz que prova que ela não tem um pingo de classe e se despede avisando que vai vê-las no concurso aplaudindo a vitória dela. Mônica e Magali vão até onde está o concurso de modelo-mirim e veem que todas as meninas do bairro estão lá. 

Elas encontram Denise, Aninha, Ritinha e Cascuda, falam que também querem ser modelo e a Denise, modelo e atriz. A apresentadora do concurso aparece e escolhe as meninas através de "Uni Duni Tê". As escolhidas são duas meninas figurantes, Carminha, Aninha, Cascuda, Denise, Mônica e Magali e depois a apresentadora diz que gostaria de encontrar os seus óculos. Ela lembra para as meninas que vão escolher apenas uma delas, julgarão pelo charme e beleza e manda as meninas trocarem de roupa.

No vestiário, Magali pergunta como se desfila. Aninha diz que viu modelos jogando cabelo de um lado e para outro para dar charme. Mônica e Magali tentam, mas não têm cabelo suficiente para isso. Denise fala que elas podem fazer beicinho e cara bem nojenta, do tipo "eu sou bela" e Magali diz que se depender de cara nojenta, a Carminha ganhou. 

Carminha sabe que já ganhou, mas por precaução começa o seu plano de sabotar o desfile das outras meninas. Se faz amiga da Aninha elogiando o sapato dela e quebra o salto sem Aninha ver, corta a alça do vestido da Denise sem ela ver e finge que estava abotoando o top da menina. A apresentadora chama as meninas para o desfile e devem descer pela passarela conforme ela vai chamando.

Aninha é a primeira a desfilar e quebra o salto do sapato e ela cai do tablado e é desclassificada. Depois, Denise desfila e alça do seu vestido cai e é desclassificada. Na vez da menina loira, o tomara-que-caia, caiu. Com a menina morena, Carminha pisa no vestido que estava arrastando, ficando só de calcinha. Com a Cascuda, ela espeta um alfinete na bunda dela, que voa de dor. Com a Mônica, joga uma largatixa em cima dela, que fica dando saltos para sair o bicho nojento dela. 

Carminha desfila bem e é classificada e com a Magali não teve plano, desfilou bem e foi classificada também. Os jurados ficam em dúvida entre as duas e mandam desfilarem de novo juntas para decidir. Durante o desfile, Carminha cochicha no ouvido da Magali que atrás da cadeira está cheio de melancias. Magali dá um salto em direção aos jurados, derrubando todos e, então, a vencedora foi a Carminha Frufru.

A apresentadora lista os deveres da Carminha como modelo exclusiva como dormir as 8 horas da noite para ter pele sempre fresca e acordar cedo pra fotografar no Sol da manhã, fazer dieta rigorosa cortando doces, refrigerantes, chocolate, fazer exercícios diários, na foto tem que ficar horas sem se mexer, dando câimbra nela. 

As meninas acham bem feito para Carminha e Magali desiste de ser modelo, só enxergam o lado bonito da coisa e prefere ser original, aí quando crescer, ela quer ser provadora de melancias, com 3 refeições diárias e muito chocolate no intervalo.

História legal em que as meninas desejam ser modelo e participam de um concurso de modelo mirim no bairro do Limoeiro. Só que a Carminha Frufru faz trapaças para elas se desclassificarem e garantir a sua vitória. De fato, Carminha vence no final, mas percebe que não foi uma boa ser modelo por não ter privilégios e curtir a vida e por ficar muito tempo ocupada com isso. Ou seja, conseguiu ganhar graças a trapaça, mas ela viu que isso não leva a nada e se deu mal, e sem querer a trapaça foi boa para as meninas que descobriram que vida de modelo não é fácil e só mar de rosas por isso desistirem de ser.

O mundo das modelos e seus bastidores estavam em alta na época e aí deve ter motivado roteirista a fazer a história. Dessa vez não envolveu tempo todo comida e gula da Magali, que demonstrou outro interesse diferente, o que era bem raro na época, porém essa característica de gula e sua adoração por melancias foi determinante para desclassificá-la do concurso, ser o motivo de desistir da carreira de top model porque ia ter dieta rigorosa e não ia comer como gosta e a piada final de ser provadora de melancias. Então, sua fama de comilona não ficou totalmente esquecida. 

Foi engraçado a apresentadora escolher as candidatas a modelo por "Uni Duni Tê" e não pela beleza. Deveria ficar dias escolhendo, visto que todas as meninas do bairro estavam lá. Prova que nem todas foram escolhidas por beleza, ponto para as meninas da turma. Engraçado também ver as trapaças da Carminha Frufru para as desclassificações de cada menina, com destaque para a menina do tomara-que-caia, caiu e a Cascuda levar agulhada de alfinete do parar nas alturas e o jurado perguntando se é desfile ou lançamento de foguete.

Curioso não teve meninos na história, teve presença só de meninas, o que foi bom pra não ter enrolação, eles não teriam função na história. Quase a Mônica bateu na Carminha por a ter xingado, na época a Mônica ainda batia em qualquer pessoa, não só nos meninos. 

Foi bom ter presença de Aninha e Cascuda contracenando só com as meninas sem presença em histórias do Titi e do Cascão, respectivamente, se tornou diferente isso. Aliás, se não tivesse sabotagem, Aninha tinha grande chance de ganhar o concurso se fossem analisar beleza. Titi que não ia gostar da sua namorada como modelo. Cascuda ainda aparecia com sujeirinhas no rosto, hoje em dia a deixam sem, apenas o Cascão que aparece com sujeirinhas.

Denise já estava com uma presença mais constante em 1993, só que continuando sempre com visual diferente a cada história e personalidade indefinida. Em algumas histórias ela até tinha uma personalidade parecida como ficou após reformulação  do roteirista Emerson a partir de 1998 e que ficou definida de fato a partir dos anos 2000, em outras, tinha personalidades totalmente diferente, sem grande representatividade, apenas como uma personagem secundária.

Pena não terem informado nome das meninas figurantes que participaram do concurso. Apareceu uma figurante negra, Ritinha, que teve um erro de colorização, sendo pintada branca, da mesma cor das outras meninas e curiosamente nem foi selecionada para o concurso. Hoje em dia, o povo do politicamente correto iria reclamar por que nenhuma menina negra não foi classificada no concurso, nem essa Ritinha, assim como gordinhas e baixinhas não foram selecionadas.

Incorreta atualmente, além disso, por envolver crianças querendo ser modelo, sabotagens, trapaças da Carminha Frufru, fazendo as amigas passar vergonha no desfile na frente dos jurados, fora uma personagem criança da própria turma como vilã e ter meninas de top de fora e só com calcinha e agulhada na bunda da Cascuda. De curiosidade, as modelos famosas parodiadas, "Cindy Croford" e "Silvia Faifi", no início da história foram Cindy Crawford e Silvia Pfeifer, respectivamente, eles sempre eram criativos com nomes de paródias de famosos. Os traços ficaram muito bons, típicos de histórias dos anos 1990, com personagens com mais dentes a mostra, principalmente ao aprontar alguma coisa, indicando ser roteiro da Rosana.

Falando sobre a Carminha Frufru foi criada nessa história "Modelo e manequim" de 'Magali Nº 93', de 1993, inicialmente como aparição única como tantas outros secundários para ser rival da Mônica e Magali no concurso de modelos, tanto que nesta estreia as meninas a tratavam como que já se conheciam. Só que depois viram que a Carminha tinha potencial para outras histórias. Então, após essa, ela retornou na história "Concurso de beleza", de 'Mônica Nº 86', de 1994, e a partir daí, teve aparições esporádicas com cerca de 2 a 3 histórias por ano ao longo do decorrer dos anos 1990 e só passou a ser fixa nos anos 2000 com aparições mais constantes.

Nos anos 1990, Carminha Frufru tinha personalidade de rival das meninas, antagonista delas, uma criança vilã e passou a ser uma menina rica que morava em uma mansão do bairro e era esnobe e esbanjava suas coisas que ela tinha e os outros, não, além de ser uma menina muito bonita que fazia os meninos se apaixonarem por ela, caírem aos seus pés, os seduziam, e era mais velha que as outras meninas, aparentando ter 8 anos de idade.

Carminha Frufru atual

Por causa do politicamente correto, fizeram adaptações com a personagem quando ela se tornou fixa, de fato, nos anos 2000 e atualmente Carminha é uma menina rica, sem ser extremamente esnobe como era, não é mais vilã, tem a mesma idade de 7 anos das outras meninas, segue só o estilo "patricinha", metida e é melhor amiga da Denise, que virou uma menina descolada, debochada e atenta a gírias e redes sociais, ou seja, amenizaram as características dela, e, as vezes até segue apenas como secundária normal, de acordo com o roteiro. Carminha também tinha um visual diferente a cada história nos anos 1990, chegou até aparecer morena na história "Magali, tãão sensual" (MG # 158, de 1995), mas depois padronizaram os traços da personagem nos anos 2010. Foi bom relembrar os 30 anos da Carminha e Frufru e a sua história de estreia marcante.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2023

Cascão: HQ "Um dia na praia"

Mostro uma história em que o Cascão passou sufoco por ir à praia contra a sua vontade. Com 5 páginas, foi publicada em 'Cascão Nº 58' (Ed. Globo, 1989).

Capa de 'Cascão Nº 58' (Ed. Globo, 1989)

Cascão, enquanto observa todos na praia através de um binóculos, reclama que todos insistiram para ele ir à praia e ele tinha dito que não queria, ainda insistiram que vai ser divertido e não ser um estraga-prazeres e reconhece que está sendo muito divertido, menos para ele e diz que está para ver uma coisa mais sem-graça ir à praia.

Um menino convida o Cascão a jogar futebol de praia porque está faltando um no time dele. Cascão vai, mas quando vê a onda quase atingindo a praia, sai correndo e os meninos até pensam que a onda o levou. Depois, Cascão diz que o jogo é bruto demais para ele e vê uma menina bonita e perde o interesse quando ela entra no mar. Ainda observa pessoas contentes indo para o mar para nadar ou surfar, quando vê uma menina brincando na areia. Ele brinca com ela, mas a mãe dela aparece para levá-la ao mar e tirar a sujeira. 

Cascão olha as pessoas felizes no mar e comenta que todos estão se divertindo, menos ele por causa do medo besta da água. Tem a ideia de fechar os olhos e andar devagar em direção ao mar pra ver se consegue perder esse medo duma só vez. Ele anda bem lentamente, até que chega a hora de ir embora e já no carro, fica feliz que vai ficar par a outra vez, se livrando mais uma vez de tomar banho.

História legal em que o Cascão é obrigado a ir à praia pelo seus pais e amigos e vê que todos se divertem, menos ele por não gostar de água. Reparando a felicidade deles, tenta se aproximar do mar aos poucos, bem devagar para ver se consegue criar coragem, mas demorou tanto que chegou a hora de ir embora e adiada mais uma vez seu primeiro banho.

Mostrou a ideia de gente que adora praia e outros não, que não entendem a graça que tem de estar na praia. Como Cascão foi obrigado a ir, contra a sua vontade, não estava se sentindo bem naquele lugar, ainda mais por ter mar e ele não suportar água e pior ainda para ele. Se bem que podia gostar de praia por causa da areia, mas por causa do risco de se molhar no mar, aí não gosta. A pior coisa é estar em um lugar que não esteja bem. Ele podia ter dito não e ter ficado com os avós ou até mesmo sozinho em casa para não ir. 

Foi legal ver a onda quase pegando o Cascão e ficando a dúvida se ele tomou banho ou não, mas logo vimos que eles escapou, e também a brincadeira com a menina se sujando com areia e o dilema dele de ver todos se divertindo e ele não achar graça em nada e tentar tomar banho de mar em vão no final. Pra mim, as melhores histórias do Cascão antigas eram as de miolo, costumavam ser mais engraçadas que as de abertura, que mesmo assim eram boas também.

Gostei também da cena da primeira página com ele avistando de binóculos de longe todos curtindo praia, a princípio até parecia falas dos outros, mas vimos que era o próprio Cascão falando. Chama a atenção de vários personagens figurantes, sem mostrar contracenando com sua família e seus amigos. Como ele não queria estar na praia, achou melhor ficar isolado dos outros bem longe e contracenou só com alguns.

Boa parte da história foi um monólogo do Cascão, que sempre ficavam muito engraçadas com ele falando sozinho, ele era campeão em monólogos. Os traços muito bons, deixando os personagens fofinhos, adorava desenhos assim. As cores nesse estilo típicas nos primeiros meses de 1989 também eram muito caprichadas.

domingo, 8 de janeiro de 2023

HQ "As férias da Turma do Penadinho"

Nessa postagem mostro uma história de como foram as férias da Turma do Penadinho em um hotel abandonado no Pantanal. Com 7 páginas, foi publicada em 'Cascão Nº 88' (Ed. Abril, 1985).

Capa de 'Cascão Nº 88' (Ed. Abril, 1985)

Penadinho vê seus amigos tristes, cabisbaixos e fala que mesmo lá sendo um cemitério, precisam levantar o astral. Zé Vampir fala que a monotonia os deixam assim e Lobisomem diz que está tudo morto. Penadinho tem ideia de todos tirarem férias. Dona Morte diz que não tira férias desde o cruzeiro do Titanic e Zé Vampir, que precisa pegar um amarelo legal.

Todos vão animados no carro do Penadinho que arrumou no cemitério de automóveis e vão parar em um hotel abandonado à beira do Pantanal. Todos entram, menos o Lobisomem, atendendo a ordem de que é proibido animais de estimação e ele acha discriminação ficar em casinha de cachorro. Logo depois começa um tempestade, eles ficam animados de tomar banho de lodo no pântano. 

Em seguida, o casal Austragésilo e Heliodora está ali perto de carro e resolve entrar no hotel para se protegeram da chuva. Eles batem a porta, Frank atende e o casal se assusta e tentam fugir. Ao verem o Lobisomem, acham melhor voltar. O casal acha o lugar esquisito, Lobisomem resolve entrar para não ficar na chuva e Penadinho lhe dá boas vindas, falando que eles estão passando férias e o casal diz que querem se proteger da chuva.

Austragésilo acha que eles são uma turma de punks e Heliodora, uma banda de rock. Reparam na mobília, põem a mão no Cranicola, que manda tirarem a mão dele e o casal se assusta, achando que é um aparelho eletrônico. Penadinho apresenta seus amigos ao casal e eles pensam que estão dando um baile à fantasia. Penadinho gosta da ideia de darem uma festa.

Heliodora acha todos simpáticos e pergunta ao Frank, com quem estava dançando,  porque ele tem tantas cicatrizes e ele diz que foi porque o criador dele era meio picareta. Ela diz que o Frank é espirituoso e Penadinho complementa que são espíritos e ossos. Todos ficam animados com a festa, Dona Morte diz que não se divertia tanto desde a erupção do Vesúvio. Austragésilo e Heliodora falam que foi uma noite maravilhosa, pena que não vieram fantasiados como eles e perguntam se não vão tirar as máscaras porque gostaria de conhecê-los. Penadinho fala que não estão usando máscaras, todos se apresentam e descobrem que são monstros de verdade,

O casal se assusta, fogem desesperados quebrando a parede, e saem acelerados no carro. A turma fica triste por eles terem ido embora e Dona Morte vê a lista dela e diz que eles vão voltar. No final, aparece o casal morto e já como fantasmas por terem batido com o carro e perguntando se tem lugar para mais dois na festa.

História engraçada em que a Turma do Penadinho resolve entrar de férias e vão para um hotel abandonado e tudo ia bem quando aparece um casal lá para se abrigarem da chuva. Pensam que eram só pessoas excêntricas e fantasiadas e curtem até uma festa juntos, mas quando descobrem que eram monstros de verdade, se assustam, fogem e bate o carro por excesso de velocidade e aí voltam para o hotel porque como estavam mortos não se importavam mais ficar juntos com fantasmas e monstros.

Se Austragésilo e Heliodora não perguntassem se a Turma do Penadinho estava fantasiada e continuassem pensando que não eram gente fantasiadas, não teriam morrido. Como de costume, personagens secundários figurantes como esse casal só apareceram nessa história, sem dúvida, esse foi o núcleo que mais apareceu secundários de aparições únicas.

Foi engraçado ver Penadinho animado, reunir todos para tirarem férias, deixar o Lobi no lado de fora, tratando como cachorro, o trocadilho de espirituoso com que são espíritos e ossos, o casal assustado no início, mas que depois ficam amigos deles e morrerem por terem batido o carro de tão assustados que ficaram. Na época sempre que davam, colocava um humor negro nas histórias do Penadinho. 

Tiveram absurdos como Penadinho dirigir sem mão atravessar volante do carro por ser fantasma, casal quebrar parede e ainda ficar pneu neles depois de mortos, sem atravessar sendo fantasmas. Até lembra desenhos animados famosos como Gasparzinho e Scooby Doo com personagens se assustando e fugindo das formas mais absurdas ao verem fantasmas e monstros. De curiosidade, o Lobi se chamava Lobisomem na época, só nos anos 2000 que passaram a chamá-lo apenas Lobi. 

Legal também Dona Morte ter citado acontecimentos históricos em que ela esteve presente há muito tempo como o naufrágio do Titanic e a erupção do vulcão Vesúvio e fazer piadas como que não se divertia tanto porque matou muita gente nessas tragédias. Também destaque ao próprio anos 1980 em que punks e o Rock estavam em alta e tinham um lado gótico e comparação com monstros. Interessante os principais personagens da Turma do Penadinho todos juntos em uma mesma história, o que era raro até então, normalmente apareciam separados, até para mostrar a personalidade de cada um e os leitores se familizarem mais com eles, já que não era muito comum histórias da Turma do Penadinho nos anos 1970. Então, no máximo apareciam 3 personagens juntos de acordo com o roteiro. 

Teve até um prólogo antes de começar a história propriamente dita, deixando título para segunda página, o que deu um charme a mais. Incorreta hoje por envolver personagens mais assustadores (hoje fazem mais o estilo de monstros agindo fofos para não traumatizar as crianças), Dona Morte fazendo piadas com tragédias famosas do Titanic e vulcão Vesúvio, e, principalmente, pelo final triste  para o casal e com humor negro, fora as palavras "Droga!"! e "Credo!" proibidas atualmente nos gibis.

Os traços ficaram sensacionais assim, uma obra de arte, demonstrando um ar sombrio, de fato, é de ficar admirando, apreciando os desenhos assim, cada detalhe fantástico que dava gosto de ver. E a Turma do Penadinho ainda não tinha traços definidos para cada desenhista ter a liberdade de criarem a forma que queriam para eles em cada história, por isso vemos o Frank, o Lobisomem e até mesmo Alminha bem diferentes do que hoje. Essa história foi republicada depois em 'Almanaque do Cascão Nº 31' (Ed. Globo, 1995), termino mostrando a capa desse almanaque.

Capa de 'Almanaque do Cascão Nº 31' (Ed. Globo, 1995)

quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

Capa da Semana: Magali Nº 255

É verão e mostro uma capa representando bem a estação com a Magali na praia quebrando ovo nas costas do Cebolinha para fritar e comer um ovo acebolado, aproveitando o óleo do bronzeador que estava nele. Afinal, calor grande e Sol tão quente, que dava pra fritar um ovo. Engraçada a cara que o Cebolinha fez e completamente incorreta hoje pelo mal exemplo de fazer queimar o Cebolinha e pela ideia de bronzeador que não é mais aceito por dermatologistas, ideal seria protetor solar.

A capa dessa semana  é de 'Magali Nº 255' (Ed. Globo, Março/ 1999).