quinta-feira, 8 de abril de 2021

Chico Bento: HQ "O que é ser rico?"

Em abril de 1991, há exatos 30 anos, foi lançada a história "O que é ser rico?" em que o Chico Bento recebe a visita do primo Lupércio, que pensava que seu primo e seus tios eram ricos. Com 8 páginas, foi história de abertura de 'Chico Bento Nº 110' (Ed. Globo, 1991).

Capa de 'Chico Bento Nº 110' (Ed. Globo, 1991)

Nela, Chico Bento recebe a visita do seu primo Lupércio. Eles avistam a roça, Chico comenta que o sitiozinho do pai vai até aquelas árvores lá longe e Lupércio diz que não é sitiozinho e, sim, terra que não acaba mais. Lupércio diz que não sabia que o tio era rico e não vê hora da turma da cidade saber que o tio dele é fazendeiro e Chico estranha o primo achar que eles são ricos e quer saber qual tio era rico.

Chico mostra a casa humilde e Lupércio acha que é onde os peões dormem. Ao saber que era a casa dos Bento, acha que era um disfarce para não chamar atenção. Seu Bento diz que vai trabalhar e Lupércio quer ir junto. Dona Cotinha sugere para Lupércio não ir junto porque deve estar cansado da viagem e Seu Bento comenta que é para ele comer e descansar. Dona Cotinha vai buscar leite da vaca e Lupércio pergunta ao Chico sobre os empregados. Como Chico diz que não tem nenhum, Lupércio comenta que não admira serem ricos já que não gastam nem com conforto.

Depois, os primos saem com Lupércio contando que nunca tomou leite tão gostoso e pergunta ao Chico quantas cabeças de gado ele tem. Chico responde que só tem uma vaca, mas é inteira e não só a cabeça. Em seguida, Chico convida Lupércio para nadar. O primo pensa que era em uma piscina, mas era no ribeirão. Lupércio pensa que é artificial e quando Chico diz que é natural, Lupércio diz que deve sair caro fazer um ribeirão natural  Chico diz que foi Deus quem fez.

Eles vão até onde o Seu Bento está trabalhando e o veem carpinando terreno para plantar legume. Lupércio estranha ser sozinho e Chico diz que o ajuda de vez em quando. Lupércio pergunta se eles têm 2 máquinas agrícolas e Chico responde só tem enxada. Lupércio se decepciona, não acredita que eles são pobres, não tem nem televisão, geladeira, fogão a gás e automóvel e resolve ir embora porque não dava para ficar lá.

Lupércio volta para a casa na cidade, abre a porta e mãe se assusta com ele entrando e não ter trancado  a porta. Ela fecha, com várias fechaduras e comenta que Lupércio ia chegar só segunda-feira, mas ele diz que lá estava muito chato. Lupércio tosse e a mãe fecha a janela porque o ar estava muito poluído.  Ele toma um leite muito aguado e em seguida o pai chega, conta que o médico disse que está com estresse e na volta o elevador quebrou e teve que subir 10 andares a pé e bateu o carro outra vez. No final, Lupércio liga a televisão e comenta com os leitores que ele tinha razão, o Tio Bento é rico só que ele não sabe.

História muito legal e com bonita mensagem de mostrar discussão o que é ser rico e ser pobre e mostrar a diferença de vida da roça e da cidade. O primo Lupércio pensou que o seu Tio Bento era rico por causa da terra grande e se decepciona que não era nada daquilo que imaginava, mas passa a reconhecer o valor da verdadeira riqueza quando vê que a vida na cidade não era nada agradável. Comparou a simplicidade na roça com leite fresco da vaca, lugar sem poluição, brincar à vontade fora de casa e ribeirão limpo com a cidade poluída, assalto, leite aguado, estresse e sem ter o que fazer a não ser ver televisão e descobriu que riqueza não é ter bens materiais, não adianta ter dinheiro e conforto e não ser feliz e viver com problemas.

Interessante ver o preconceito do Lupércio em relação aos pobres. No momento que achou o seu Tio Bento pobre, tratou logo de ir embora por não aceitar e querer um tio rico. O final quis deixar um ar para o leitor ficar pensativo e refletir no que foi tratado e perceber que a riqueza não são bens materiais, mas se quisessem prolongar, poderia até depois o Lupércio voltar à roça e pedir desculpas a família Bento. Como era revista quinzenal com 36 páginas, aí tinham que ser mais objetivos nas histórias. Ou seja, não tinham enrolação e tinham mais conteúdo.

Histórias do Chico sempre eram atentas à interesse da sociedade e de vez em quando a MSP gostava de abordar diferença de ricos e pobres com os personagens, tipo com um rico se esbanjado para o personagem pobre, até Cascão já teve histórias assim. Nessa teve absurdo dos pais deixarem Lupércio viajar sozinho e ele ainda voltar também sozinho de surpresa sem avisar os pais que estava voltando. Na época era comum isso de mostrar crianças viajando sozinha e ninguém ligava, hoje implicariam com isso. Preconceito com pobres em uma história também não seria bem vindo.  


Deu para ver que dessa vez o Chico teve um primo da cidade que não foi o Zeca. A intenção de terem criado um novo primo é que queriam um parente do Chico visitando a roça a primeira vez e ter preconceito com pobres. O Zeca já era conhecido e vivia indo na roça, então não se encaixaria nessa história. Aliás, não foi confirmado se Lupércio era primo do Chico por parte de pai ou de mãe, ma pelo contexto parece ser por parte de pai. E ainda conhecemos também um tio e uma tia da cidade do Chico Bento, no caso, os pais do Lupércio, pena não terem revelado nomes deles. Todos apareceram só nessa história. O Chico teve outros primos fora o Zeca e outros familiares que apareceram somente em uma história e vale a pena mostrar um dia os parentes do Chico Bento.


Os traços ficaram muito bonitos, só o quadrão da primeira página mostrando a roça já foi uma obra de arte. A partir dessa edição e das outras de abril de 1991 não teve mais papel oleoso nas revistas, nestas ainda com cores mais pasteis como de costume com papel assim, e aos poucos começou a transformação de cores das revistas para pior. Nas propagandas inseridas nas histórias, que eram bem frequentes na época, dessa vez foram nas laterais direitas,com anúncios do Grupo"Ama", uma escola de formação de músicos. Muito bom relembrar essa história há exatos 30 anos.

domingo, 4 de abril de 2021

Capa da Semana: Magali Nº 281

Em homenagem ao Dia da Páscoa, uma capa com a Magali fazendo armadilha para o Coelhinho da Páscoa, colocando várias cenouras no caminho até chegar nela para roubar e comer todos os ovos de chocolate. Ela fica sem as cenouras, mas consegue comer chocolates que são até mais gostosos. E mostra a personalidade da Magali egoísta, só pensando na fome dela e sem pensar que roubando os ovos, várias crianças vão ficar sem.

A capa dessa semana é de 'Magali Nº 281' (Ed. Globo, Março/ 2000).

quarta-feira, 31 de março de 2021

Pipa: HQ "Amor mal correspondido"

Mostro uma historia em que a Pipa resolveu arrumar namorado por correspondência depois de terminar mais uma vez o namoro com o Zecão. Foi publicada em 'Mônica Nº 197' (Ed. Abril, 1986).

Capa de 'Mônica Nº 197' (Ed. Abril, 1986)

Pipa vai à casa da Tina e diz que foi a gota d'água e terminou definitivamente o namoro com o Zecão porque ele pendurou 6 pôsteres da Natassia Kinski na parede do quarto dele em vez de colocar fotos dela e ainda disse que ela não é bonita como a Natassia.


Pipa diz que vai arrumar outro namorado mais sensível, delicado e inteligente. Tina dá ideia de namorar por correspondência através da seção "Correio Sentimental" da revista "Comigo". Pipa acha uma grande ideia para achar o seu par ideal e pega a revista da Tina para o Zecão se tornar coisa do passado, mas chora ao sair de lá, ainda ressentida com ele.

Em casa, Pipa vai vendo as correspondências dos homens. Ela vê mensagem do Ezequiel de 80 anos; de um cara que queria se casar, mas que tem 5 filhos; do Leo Gatão, um cara convencionado que se acha bonitão é o máximo; e do Plácido Azarildo, que acha que beleza não é importante e que dinheiro não traz felicidade. Nenhum desses a agradou.

Pipa ainda fica meia hora lendo as correspondências até que encontra a do Bruno, que era moreno, alto, olhos verdes, sensível, inteligente, fiel, bonito, porém modesto, e que prefere as gordinhas. Pipa se encanta e manda uma carta para ele. Pipa acha uma emoção o início de um grande amor, sem brigas e discussões como tinha com o Zecão e começa a chorar com saudades dele.

Pipa coloca a carta na caixinha dos correios e espera. Como demora, há passagem de tempo até o dia que ela recebe a cartinha. Zecão aparece perguntando se ela está mais calma e achando que ela já o perdoou. Pipa diz que acabou de receber carta do futuro namorado, que encontrou através do Correio Sentimental da revista. Zecão ri e diz que que não vai dar em nada e aposta que é feio, chato e narigudo. Ele se pergunta se não for e vai espiar a Pipa perto da janela da casa dela.

Na carta, Bruno diz que adorou conhecê-la e que vai se encontrar com ela na rodoviária na quinta-feira, dia 21, as 15 horas, e estará com camisa azul. Por coincidência, a carta chegou no dia do encontro e ela vai até lá se encontrar com Bruno. Zecão ouve e diz que estará lá e se pergunta se a camisa azul está limpa.

Tina vai à rodoviária com a Pipa, que estava bem ansiosa, até que chega o Bruno. Pipa estranha ser muito alto e ele fala que tem camisa azul e olhos verdes. Pipa pensou que ele era diferente e Bruno diz que namoro por carta é assim, a gente pensa uma coisa e aparece outra. Pipa se conforma e segura a mão dele para apresentar a cidade. Nessa hora, ele se desequilibra e cai, aí Pipa vê que Bruno, na verdade, era o Zecão disfarçado com pernas de pau e peruca.

Zecão diz que não podia deixar a Pipa se encontrar com um bonitão e charmoso, queria fazer as pazes e até tirou as fotos da Natássia do quarto. Pipa achou bonitinho o ciúme dele e se ele quiser, adoraria voltar o namoro, Assim, o casal faz as pazes e vão embora. Tina ainda espera o Bruno, mas demora e vai embora também. No final, aparece o verdadeiro Bruno, se lamentando que se atrasou e a Pipa desistiu, com a surpresa dos leitores que ele era igual a como o Zecão estava disfarçado até na altura gigante.

História muito engraçada com a Pipa querendo esquecer o Zecão através de namoro por correspondência. Mesmo com a tentativa, ainda gostava dele e como o plano do Zecão fracassou, acabaram voltando. Pipa é louca, ciúme doentio pelo Zecão, sempre terminavam namoro, principalmente por causa de ciúmes,  mas voltavam às boas no final. Só o fato de pendurar pôsteres da famosa no quarto foi motivo de ciúme dela. Hoje em dia ela não é ciumenta a esse ponto, por isso é impublicável.

Na época, como não tinha internet, era normal as jovens procurarem namorados por seções de correspondências amorosas em revistas ou em jornais e o roteirista quis fazer crítica com isso. Várias revistas de fofocas ou para meninas adolescentes tinham isso na época de criar anúncio do seu perfil nas revistas e aí permitiam mandar cartas um para o outro e ter um namoro por correspondência. 

Só que como dependia dos correios, demorava vários dias para saber a resposta de cada carta. E muitas vezes não davam para enviar fotos, aí só descobriam como eram no dia do encontro pessoal. Hoje em dia evoluiu e fariam adaptação com a Pipa procurando namoro por aplicativo de relacionamento de celular ou em grupos de redes sociais, com a vantagem de enviar e receber mensagens e fotos instantaneamente. Algo semelhante acontecia nas seções de cartas das revistas da Turma da Mônica que as crianças gostavam de trocar correspondências com outros leitores, criando até fãs clubes entre eles.

O grande absurdo foi o futuro namorado Bruno ser a cara do que o Zecão se disfarçou. Se ele não tivesse ido lá, a Pipa acabaria tendo a mesma surpresa de ver um cara gigante e feio. Foi criativo também a paródia à revista "Contigo" e à atriz Natasha Kinski. Também absurdo de Tina deixar porta de casa aberta e Pipa já ir entrando sem nem bater na porta.

Os traços excelentes da fase de ouro dos anos 1980 da Turma da Tina, com direito a Tina com cabelo curtinho, Pipa bem gorda e Zecão bem narigudo, assim que era bom ver os desenhos deles. Nas últimas revistas da Editora Abril, a cor azul era meio desbotada, quase branca, por isso os fundos bem claros quando eram para ser azuis e o Bidu aparecia quase branco também, mas curiosamente a cor da camisa do Zecão ficou bem vivas.

Tiveram propagandas inseridas nos rodapés das páginas, como era de costume na época, por isso a história ocupou 10 páginas da revista, mas se não tivesse, seriam 9 páginas. Dessa vez foram anúncios com chocolate "Lollo", pastilhas de hortelã "Garoto" e das bolas "Elka". Essa história foi republicada depois em 'Almanacão de Férias Nº 12' (Ed. Globo, 1992). termino mostrando a capa desse Almanacão.

domingo, 28 de março de 2021

Capa da Semana: Cascão Nº 79


O Cascão era sempre acompanhado de suas mosquinhas de estimação, que conseguiam livrá-lo de vários apuros, como nessa capa em que as moscas em cima da cabeça dele serviram como um guarda-chuva para o Cascão andar tranquilamente na chuva sem se molhar. Muito boa. E era legal o logotipo com contorno branco ou colorido sem o tradicional preto parecendo que estava iluminado.

A capa dessa semana é de 'Cascão Nº 79' (Ed. Abril, Agosto/ 1985).

quinta-feira, 25 de março de 2021

TOP 5 Momentos que extrapolaram com o incorreto

A Turma da Mônica, na sua fase de ouro, sempre foi envolvida com atitudes incorretas, que deixavam as revistas bem mais divertidas. Só que em algumas vezes, extrapolaram com o incorreto, que até quem não apoia o politicamente correto, estranha terem feito certas coisas. Pesquisando, mostro nessa postagem o "TOP 5" com o ranking de momentos, na minha opinião, que eles conseguiram extrapolar com o incorreto, indo longe demais e impensável que fizeram tais coisas um dia nas revistas.

5º LUGAR: Cascão comendo bolinho que caiu no chão

Como sabem, o Cascão nas revistas antigas, além de não tomar banho, adorava se sujar na lama, no lixão e ainda fazia apologia à sujeira. Tudo isso era bem frequente e não existe mais nas revistas atuais. Só que teve uma vez que foi além disso e extrapolou na história "Influências opostas" (Cascão Nº 111 - Ed. Globo, 1991). 

O Renato, um menino bastante asseado e com mania de limpeza, havia se mudado para o bairro do Limoeiro e foi vizinho do Cascão. A sua mãe, Dona Lurdinha, chama o Cascão para fazer amizade com o Renato e Cascão se assusta quando ela grita que estava comendo de mãos sujas e deixa o bolinho cair no chão. Depois, ele confirma que vai visitar o Renato depois que comer o bolinho que caiu no chão. Doma Lurdinha faz cara de nojo, mas deixa, sem repreendê-lo.

Além de estar comendo com mãos sujas, Cascão ainda pega o bolinho que tinha caído no chão contaminado, cheio de micróbios e bactérias e a mãe nem dá bronca, isso que foi mais pesado. Ele até já comeu de mãos sujas, mas pegar algo do chão para comer foi a única vez que fez isso e foi surpresa para todo mundo, com risco de crianças imitarem e comerem comidas que caem no chão. Quando foi republicada na Editora Panini em 2013 no 'Almanaque Temático Nº 28 - Cascão Brincadeiras', eles alteraram a cena, colocando uma lata de lixo e com ele falando que depois vai, colocando o bolinho na lata de lixo. Como foi só essa cena incorreta, aí republicaram, mas com alteração na tal cena. Já na republicação da Globo sem alterações, como sempre.

Trecho da HQ "Influências opostas" (Cascão Nº 111 - Ed. Globo, 1991)

4º LUGAR: Chico Bento dentro de um caixão onde tinha um defunto

Embora tinham brincadeiras com os mortos nas revistas antigas, principalmente nas histórias da Turma do Penadinho, mas alguém vivo entrar em um caixão com gente morta dentro do caixão é pesado. Isso aconteceu com o Chico na história "Que lugar para se dormir" (Chico Bento Nº 76 - Ed. Abril, 1985).

Nela, estava chovendo muito e ele entra na igreja para abrigar da chuva, só que estava sem luz e resolve tirar sono, pensando que era uma cama, sem saber que entrou em um caixão com um defunto. Acontece o velório e a família do morto ouve barulho dentro do caixão e pensa que o morto ressuscitou e todos se assustam, inclusive o padre. Depois que Chico consegue sair, ele se assusta e sai correndo ao ver que estava o tempo dentro de um caixão em cima de corpo de morto. 

Trecho da HQ "Que lugar para se dormir" (Chico Bento Nº 76 - Ed. Abril, 1985)

Fica sendo uma piada de humor negro e de mau gosto com criança dentro de caixão, ainda mais com defunto dentro. Até já teve antes a história "Mônica no caixão" (Mônica Nº 105 - Ed. Abril, 1978), que já foi bem surpreendente, mas essa do Chico ganha porque tinha um defunto dentro com ele. 

Chegou a ser republicada em 1997, no 'Almanaque do Chico Bento Nº 40', no limite que aceitavam coisas incorretas nas revistas, se deixassem para anos 2000 em diante não seria. Em tempo: essa história também serviria bem para o Cascão, já que o Chico entrou lá na igreja por causa da chuva.

Trecho da HQ "Que lugar para se dormir" (Chico Bento Nº 76 - Ed. Abril, 1985)

3º LUGAR: Humberto assaltando um banco

Eram comum nas revistas antigas histórias com bandidos. Tiveram histórias de vários tipos como bandidos assaltando os personagens, mantendo como reféns, sequestros e até só fazendo participação na história do nada, sem nem ter necessidade de estarem nas histórias. Só que já aconteceu também de personagem da turminha agindo como criminoso, como aconteceu na história "O grande chefe", originalmente de 'Mônica Nº 147' (Ed. Abril, 1982) e republicada no 'Almanaque da Mônica Nº 14' (Ed. Globo, 1989).

Nela, os ladrões confundem o Humberto com o chefe da quadrilha deles e mandam Humberto executar o plano deles para assaltar o banco. Humberto deixa cair sem querer a arma do policial que estava em frente ao banco e ao devolver, rende o policial e o leva como refém ao banco e os bandidos mandam todos irem ao banheiro enquanto sacam o banco. O chefe da quadrilha chega lá, tem umas atrapalhadas e os bandidos acabam sendo presos pelo policial e Humberto fica com trauma de armas, até pra brincar de faroeste com os amigos.

Aparecerem bandidos assaltando personagens até é normal, mas os próprios personagens principais assaltarem e agindo como criminosos é pesado. Só o fato de ter bandidos em uma história e Humberto segurar arma já não seria publicada hoje e Humberto assaltar o banco deixa o povo do politicamente correto de cabelo em pé. Tiveram outras histórias assim com Cebolinha e com Cascão, de vez em quando tinham histórias com bandidos como sósias dos personagens e sendo confundidos, mas essa foi pior porque o Humberto realmente ajudou no assalto do banco, ficou mais real. Foi republicada porque foi ainda nos próprios anos 1980, época em que tudo era permitido, mas se fossem para republicar depois dos anos 2000, não seria. Uma nova republicação é descartada completamente.

Trecho da HQ "O grande chefe" (Mônica Nº 147 - Ed. Abril, 1982)

2º LUGAR: Titi fumando cigarro

Atualmente não é mais permitido aparecer personagens fumando nas revistas, mas nas antigas era comum aparecer os pais fumando ou até adultos fumando em figuração, como algo do cotidiano ou até histórias de conscientização contra o fumo. Porém, surpreendentemente pegaram pesado colocando o Titi fumando em uma história para  conscientizar os malefícios do fumo.

Em "Não acabe com você", de Mônica Nº 184' - Ed. Abril, 1985), Mônica vê fumaça saindo da casa do Titi e ao arrombar a porta do banheiro, flagra Titi lá fumando cigarro. Ela conta sobre os malefícios do cigarro, mesmo assim ele fuma e ao tossir e ficar tonto, desiste da ideia e joga o cigarro no vaso e no final pede para a Mônica convencer o pai dele a parar de fumar.

Trecho da HQ "Não acabe com a sua vida" (Mônica Nº 184 - Ed. Abril, 1985)

Ter histórias com adultos fumando tudo bem, super normal, mas uma criança foi mais forte. Além de Titi fumar e ainda joga cigarro no vaso sanitário. Geralmente faziam histórias assim de  conscientização com adultos, como já aconteceu com o Rolo, por exemplo, porém hoje nem isso mais. Até já teve história com Cebolinha com cigarro na mão e a Mônica pensando que ele estava fumando ('Mônica Nº 20' - Ed. Globo, 1988) e na revista institucional "Parem de fumar perto de mim", de 1988, que apareceu Titi com maço na mão jogando no lixo, mas essa  de 1985 da postagem do Titi foi pior porque apareceu ele fumando, de fato. Essa nunca foi republicada até hoje, nem em almanaques da Globo, pelo visto acarem bem impactante para republicação.

Trecho da HQ "Não acabe com a sua vida" (Mônica Nº 184 - Ed. Abril, 1985)

1º LUGAR: Chico Bento tomando bebida alcoólica

Bebidas alcoólicas eram normais nas histórias antigas, era normal aparecerem adultos bebendo nas histórias, em bares ou em casa mesmo, ou com garrafa na mão e hoje em dia isso foi completamente banido nas revistas. Com adultos sempre normal aceitar, mas mostrar crianças bebendo se torna completamente estranho e surpreendente, ainda mais em revistas infantis, como quando mostraram o Chico Bento bebendo whisky na história "O almoço da concórdia" (Chico Bento Nº 18 - Ed. Globo, 1987).

Rosinha convida o Chico para almoçar na casa dela, mas fala que não era para ele agir como criança na frente dos pais dela. Então, o Chico passa a agir como adulto, usando terno e pede para o pai da Rosinha servir whisky para ele, bebe, cospe fogo por esquentar a garganta e fica tonto e bêbado, chegando até a ver 2 Rosinhas, causando muitas confusões lá e no final deixando Rosinha com vergonha e raiva do Chico ao mesmo tempo.

Para mim, foi a cena mais incorreta e impactante das revistas da MSP de todos os tempos, não só pelo Chico beber whisky e ficar bêbado, mas também a surpresa do pai da Rosinha servir bebida para uma criança e ficar contente, achando tudo normal. Se ele se recusasse a dar, nada disso teria acontecido. Nos anos 1980 achavam até normal, mas hoje em dia é algo bem inusitado ver isso mesmo em uma história antiga.

Já apareceu o Chico bebendo ou prestes a tomar bebidas alcoólicas, como vinho e champanhe, em mais outras 3 histórias que eu tenho conhecimento, mas essa de 1987 foi pior porque mostrou nitidamente bebendo e pior pelo pai da Rosinha servi-lo. Essa de 1987 nunca foi republicada, por tão impactante que foi. E olha que quase todas as histórias de 1987 já foram republicadas depois em almanaques, mas essa não.

Trecho da HQ "O almoço da concórdia" (Chico Bento Nº 18 - Ed. Globo, 1987)

Deu para ver que foram situações bem chocantes, até quem não liga para as coisas incorretas, fica bem surpreendido em ver tais cenas, nem tanto por terem colocado isso nas revistas, mas porque foram protagonizadas pelas crianças. Se fossem por adultos, seriam menos impactantes. Ou seja, já teve de tudo na MSP que possa imaginar. E ainda pode notar que muitas delas  nem foram republicadas depois de tão pesadas que foram. Na época ninguém ligava, mas depois viram que eram coisas pesadas demais para revista infantil. Se fosse hoje, seria no mínimo processo para a MSP e eles devem ter vergonha de terem produzidos histórias assim no passado. Tem outras situações também bem incorretas, mas essas foram as que eu achei mais impactantes de todos os tempos para montar o "Top 5". Cada um terá sua ordem do ranking do que achou pior. Em breve posto outros "Top 5" no Blog.