sexta-feira, 14 de fevereiro de 2025

Magali: HQ "A mensageira (fofoqueira) da paz"

Em fevereiro de 1995, há exatos 30 anos, era publicada a história "A mensageira (fofoqueira) da paz" em que a Magali cria um plano infalível para fazer Mônica e cebolinha namorarem e pararem de brigar e o bairro ficar em paz. Com 12 páginas, foi publicada em 'Magali Nº 148' (Ed. Globo, 1995).

Capa de 'Magali Nº 148' (Ed. Globo, 1995)

Magali se surpreende com perseguição da Mônica querendo bater no Cebolinha enquanto come um sanduíche. Mônica acerta o Cebolinha, que fica todo surrado. Magali lamenta que os dois só brigam e ela pode fazer nada, quando tem uma ideia que pode sim. Termina de comer o sanduíche e vai pôr seu plano infalível em prática.

Mais tarde, tocam a campainha da casa da Mônica, que atende e vê que tinha só um presente do Cebolinha. Mônica leva susto, acha que deve ter uma bomba dentro e resolve jogar no lixo. Magali acha um pacote tão bonito, Mônica diz que vindo do Cebolinha só pode ser molecagem. Magali acha que ele quer fazer as pazes, abre o presente e era uma fivela de coelhinho e diz para Mônica que ela anda muito desconfiada.

Depois, jogam um bilhete amarrado em uma pedra pela janela caindo na cabeça da Mônica, que lê confissão do Cebolinha que sempre a provocou, mas no fundo sempre gostou dela, que é uma gracinha e fofura, não tem coragem de dizer quem é, só que tem cinco fios de cabelo. Mônica faz uma carta par ao Cebolinha para parar com a palhaçada, acha que é um plano, e Magali se oferece para levar a carta para ele.

Na casa do Cebolinha, Magali entrega a carta que era um pedido de desculpas, diz que foi dura demais com ele e por que obriga a bater nele se gosta tanto dele. Magali diz que a Mônica sempre foi gamadona nele e vive batendo porque é tímida. 

Cebolinha faz carta dizendo que vai pensar se desculpa a Mônica. Magali leva a carta para Mônica mudando que Cebolinha quer namorar com ela. Magali fala que tinha que ver a cara de apaixonado dele, até chorou. Mônica acha que é porque o olho estava doendo e Magali a convence que ele merece uma resposta.

Magali leva para o Cebolinha a carta da Mônica, que diz que quer namorar com o Cebolinha. Na rua, ele avisa para o Cascão que vai namorar com a Mônica, Cascão dá gargalhada. Cebolinha diz que é estratégia para não apanharem, já usaram isso em planos, mas dessa vez quem quer é a Mônica. Os dois se encontram, comentam sobre as cartas, Cebolinha pergunta se é verdade o que ela escreveu, Mônica diz que não quis chatear e os dois começam a namorar e vão tomar sorvete.

No caminho, encontram a Magali, que diz que é uma surpresa os dois tão juntinhos. Mônica e Cebolinha falam que estão namorando, Magali deseja Parabéns e comemora que finalmente, a paz. Depois, Mônica comenta com o Cebolinha que foi a Magali que convenceu de aceitar o presente da fivela de coelhinho. Cebolinha diz que deu presente nenhum. Mônica diz que foi antes do bilhete amarrado na pedra.

Eles dizem que guardaram as cartinhas um do outro e quando leem, viram que não são letras deles e nem escreveram, deduzem que alguém escreveu em nomes deles e lembram que foi a Magali que fazia questão de levar as cartas. Mônica e Cebolinha pegam a melancia da Magali e a seguram para confessar o plano e ela diz que foi uma boa ação para acabar com as brigas deles.

Cebolinha grita que como é que pôde empurrá-lo para uma feiosa como a Mônica. Por causa da fala, Cebolinha apanha e no final Magali diz que colocou em prática o plano cedo demais, mas daqui uns anos tem certeza de que isso acaba em casamento.

História legal em que a Magali cria plano infalível de fazer com que Mônica e Cebolinha namorem e parem de brigar. Magali mudava as cartas que os amigos de acordo com interesses dela para pensarem que estavam querendo namorar. Chega a dar certo e até começam a namorar, mas descobrem que as cartas não foram eles que escreveram e que foi tudo plano da Magali.

Mônica e Cebolinha foram burros de não perceberam antes, a Magali estava sempre presente desde o momento do suposto presente que o Cebolinha teria dado para a Mônica e que ela estava se oferecendo para levar as cartas. Se fossem mais espertos, poderia evitar início de namoro. 

Tiveram sorte de lembrar do presente e de guardarem e levarem as cartas com eles senão pelo menos o plano iria demorar a ser descoberto. Fora que davam muito bem irem pessoalmente à casa de um do outro sem precisar de cartas. Engraçados os sustos dos dois com suposto interesse um por outro.

Magali teve boa intenção dos amigos não brigarem e ter paz no bairro, mas não seria fácil. O final ficou a ideia de que Mônica e Cebolinha se gostam e brigam para chamar atenção. E Magali acertou sua previsão já que na "Turma da Mônica Jovem", Mônica e cebolinha se casaram quando adultos, como foi na edição "Nº 50", de 2012. Cascão dizer que já tentaram namorar com a Mônica em plano infalível foi referência à história  "Sete namorados para a Mônica" de 'Mônica N° 16 (Ed. Globo, 1988).

Dessa vez história não teve foco com comida, Magali só comia alguma coisa durante a história e ficou diferente da Magali criar um plano infalível sem relação com comida. O normal era o Cebolinha bolar planos contra ela para acabar com a gula ou a Magali até criar planos, mas com intenção de roubar as comidas dos amigos. 

História também serviu como homenagem ao "Dia dos Namorados" comemorado no mundo todo no dia 14 de fevereiro. Só no Brasil que a data é comemorada no dia 12 de junho por estratégia comercial de que em fevereiro tem carnaval e que em junho não teria muitas compras depois do "Dia das Mães" em maio. Essas datas são tudo comércio, infelizmente.

Os traços ficaram bons no estilo dos anos 1990. Incorreta atualmente por envolver namoro entre crianças, além de ter plano infalível enganando os outros, hoje evitam histórias de planos até do Cebolinha contra a Mônica. Também não pode Cebolinha aparecer surrado precisando usar saco de gelo na cabeça para sarar, Mônica com calcinha à mostra, levar pedrada na cabeça e são proibidas hoje expressões populares de duplo sentido como "tá me gozando", "ser dura com você", "pintou um clima", etc. Teve erro da Magali com nariz em formato "c" no 4º quadro da página 8 do gibi e melancia toda vermelha sem fundo branco e verde no 5º quadro da penúltima página. Muito bom relembrar essa história há exatos 30 anos.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2025

Cascão: HQ "A bomba H2O"

Mostro uma história em que o Cascão precisa guardar uma bomba que explode com contato com água e que seria o fim da humanidade, mas não seria fácil guardar como ele pensava. Com 14 páginas, foi publicada em 'Cascão Nº 113' (Ed. Globo, 1991).

Capa de 'Cascão Nº 113' (Ed. Globo, 1991)

O Agente K-7 consegue levar para o seu chefe Serafim a bomba H2O que estava com o inimigo após enfrentar muitos perigos. O tapinha do chefe consegue derrubar o Agente K-7 que estava todo quebrado e fraco após a missão considerada impossível. 

Mesmo com posse deles, a bomba ainda é um perigo, não é calor, precipitação e impacto que fazem ela explodir, e, sim, o menor contato com a água pode fazer com que a bomba destrua a humanidade de uma vez, por isso se chama bomba H2O e tem que ser guardada em um local absolutamente seco e sem umidade. 

Seu Serafim, então, não se arrisca a deixar a bomba no cofre ou na casa por causa das goteiras e resolve deixá-la com o Cascão, a única criatura em que a água jamais tocou. Serafim avisa ao K-7 que ninguém do bairro desconfia da sua identidade de agente de espionagem e que é seguro deixar a bomba com o Cascão, demonstrando que, ao falar que vai chover, Cascão se esconde dentro do jaleco do K-7.

Seu Serafim pede o favor para o Cascão esconder a bomba, dizendo que era segredo de estado e que não pode molhar, de jeito nenhum, depois pegará de volta e lhe pagará uns sorvetes. Cascão acha que era brincadeira do Serafim, que sempre inventa mistérios e que falar para ele não molhar alguma coisa é o mesmo que falar para o elefante não molhar.

Em seguida, Cascão encontra a turma em frente a sua casa para lhe darem um presente de relógio à prova d'água e perguntam se ele não quer testá-lo. Cascão diz que nem chega perto de água e a turma fala que vai ajudar, jogando água de mangueira em cima. Cascão foge e têm armadilhas para dar banho nele em toda a parte. 

Cascão consegue fugir de todas, quando é preso em uma gaiola gigante. Cascão acha uma vergonha prenderam seu próprio amigo , a que ponto chegaram e Mônica diz que ele não sabe a que ponto chegou o cheirinho dele. Cascão manda taparem o nariz e Cebolinha diz que não será necessário, mostrando o superensopador de porquinhos inventado pelo Franjinha em cima do precipício. 

Cascão fala que não podem fazer isso com ele,  o Seu Serafim deu um objeto para ele guardar e que não pode molhar de jeito nenhum. Cebolinha debocha que deve ser uma superbomba que explode em menor contato com a água, que eles não são trouxas e a turma se afasta para acionar a invenção do Franjinha.

Enquanto isso, os agentes voltam com o homem que ia desativar a bomba e se espantam que o cascão está prestes a tomar banho. Franjinha abaixa a alavanca, a  água cai em cima da gaiola do Cascão. Os agentes se desesperam achando que o fim do mundo chegou e quando veem o Cascão sumiu da gaiola porque cavou um túnel para sair da gaiola e fugir do banho.

Cebolinha reclama que falhou de novo, os agentes acham que foi sorte dele, Cascão entrega a bomba para o homem desativá-la e Seu Serafim avisa que aquilo é uma bomba que se tivesse molhado, iria explodir o planeta. A turma fica desnorteada com a notícia, por um triz iam acabar com o mundo e desmaiam dentro das tinas.

No final, Cascão recebe os sorvetes que o Seu Serafim prometeu, pede desculpa fazê-lo guardar uma coisa perigosa e Cascão diz que nada é perigoso que água e pede um favor, que se alguém perguntar, é para falar que ele está guardando outra bomba, é que só assim poderá ter sossego de novo, por uns tempos, com a turma toda apavorada se afastando do Cascão.

História legal com várias reviravoltas em que o agente K-7 resgata uma bomba que explode todo o planeta em um menor contato com água e o agente Serafim decide deixar com o Cascão que nunca tocou em água. Só que não contavam que a turma estava planejando plano infalível para o Cascão tomar banho e quase conseguem dar o banho nele se ele não tivesse cavado túnel para sair da gaiola. No final, o mundo está salvo, Cascão se dá bem e ainda engana os amigos que ainda está com bomba para não darem mais banho nele e teria paz.

Só os agentes que sabiam que a bomba era um perigo para a humanidade, nem Cascão sabia, apenas que não podia ser molhada, mas não a gravidade que poderia acontecer se molhasse. Agentes tinham que deixar a bomba com alguém de confiança e sabiam que o Cascão era o menino certo pra isso. 

Se a turma soubesse que ele estava com uma bomba dessa, adiariam o plano infalível contra o Cascão, não é à toa que desmaiaram quando souberam que o mundo podia acabar por causa deles. Cascão também não sabia que o Seu Serafim era um agente secreto de verdade, pensava que ele só gostava do assunto e ainda deixou mantido o segredo dele após ter descoberto a verdade, foi leal.

Era muito boa a astúcia do Cascão fugir do banho, fazia coisas impossíveis e em fração de segundos para escapar, conseguia pensar rápido e dava certo. Nessa o Cascão se escondeu no jaleco do agente K-7 ao falarem que ia chover, escapou da poça que estava debaixo  da tábua de madeira que quebrou, da mangueira com jato d'água nele, de balde vindo por cima da árvore pelo Jeremias, driblar 10 tinas d'águas e o mais incrível conseguir abrir buraco no chão e cavar túnel até o outro lado da gaiola só com as mãos em segundos. Isso que era legal nele, a gente sabia que ele ia escapar do banho, mas ficava na expectativa da forma absurda que ele escapava, como seria a grande surpresa. 

Engraçadas as falas do Cascão como para ele não molhar alguma coisa é o mesmo que falar para o elefante não molhar e mandar amigos tamparem nariz se incomodam com o mal cheiro dele. Foram engraçadas as paródias utilizadas como o nome do agente K-7 parodiar fita cassete e também o xingamento, o agente Serafim se chamar assim por paródia de "Será o fim?" (do mundo), o homem desativador da bomba vir do "Longistão", e referências à música "Pinga Ni Mim" de Sergio Reis e ao "Pedro Bó", personagem interpretado por Joe Lester no quadro do Pantaleão, personagem interpretado por Chico Anysio no programa "Chico City". O bordão "Não, Pedro Bó" virou sinônimo de resposta a alguém que faz uma pergunta idiota.  

Eram comuns histórias de planos infalíveis do Cebolinha para dar banho no Cascão, sempre eram divertidas. Nunca davam certos os planos, deixando o Cebolinha e a turma com raiva. Os agentes apareceram só nessa história, como de costume com personagens secundários de aparições únicas, mas até que davam para serem fixos com a turma ajudando em outras missões de espionagens.

Além de divertir, as crianças ainda aprenderam que a fórmula química da água é H2O, muito antes de aprender Química na escola, gibi é cultura. Incorreta atualmente por personagens envolvidos com bomba que destrói o planeta, a turma como vilã de fazer planos para o Cascão tomar banho sem vontade dele e serem responsáveis por mundo acabar, Agente K-7 aparecer surrado pelos inimigos, absurdos do Cascão de fugir do banho.

Os traços ficaram muito bons, típico de histórias de abertura do início dos anos 1990. Teve erro do Cascão falar de boca fechada na página 10 do gibi. A propaganda inserida na história dessa vez só foi na página 11 do gibi na lateral direita  do grupo "Ama", escola de música, muito comum nos gibis de 1991.

sábado, 8 de fevereiro de 2025

Uma história do Jotalhão carregando o Tarugo

Compartilho uma história em que o Jotalhão precisa carregar o Tarugo para todo lugar que queria depois de ter machucado o pé. Com 5 páginas, foi publicada em 'Mônica Nº 61' (Ed. Abril, 1975).

Capa de 'Mônica Nº 61' (Ed. Abril, 1975).

Tarugo se queixa com Jotalhão que torceu a sua perninha, não sabe se quebrou, mas está doendo muito e não consegue carregar a casca nem andar e logo hoje que está cheio de compromissos sociais. Jotalhão se prontifica de carregá-lo e manda sair da casca e subir na tromba dele e Tarugo pede cuidado par anão deixá-lo cair.

Primeiro vão até à toca do Coelho Caolho para dar recado de que vai almoçar lá domingo e no caminho pede favor para Jotalhão não correr. Depois, Jotalhão o leva até o morro do outro lado do rio para Tarugo falar com o primo. Jotalhão precisa atravessar o rio a nado enquanto Tarugo manda cuidado para não molhar os pés dele. Jotalhão ainda precisa subir o morro e quando chegam lá tem um bilhete do primo informando que foi visitar o Tarugo e só volta ano que vem. 

Com o desencontro, Jotalhão precisa descer todo o morro enquanto Tarugo manda ter cuidado e com medo de cair, diz que desce a ladeira e lá embaixo sobe de novo da tromba dele. Aí, Jotalhão suspeita que o Tarugo estava aproveitando dele para passear. Tarugo manda Jotalhão abaixar a tromba para ele subir de novo quando Jotalhão inventa que espetou o pé em um espinho.

Tarugo diz que não vê espinho algum, Jotalhão fala que não pode mais carregá-lo e como amigo é para essas horas, quer que o Tarugo busque a casca dele para poder colocar o pé no chão de novo. Tarugo corre onde estava a casca e volta dentro dela. Depois, Jotalhão quer que ele arrume rodinhas que caibam na casca servindo como carrinho. Tarugo coloca as rodinhas, Jotalhão coloca a casca no pé, Tarugo pergunta para o Jotalhão sobre o seu pezinho machucado e ele responde que agora não pode carregá-lo, só quando também sarar do pezinho e agradece pelo patinete.

História legal em que o Tarugo cria um plano infalível de inventar que machucou o pé para fazer o Jotalhão carregá-lo, segurado pela tromba, para todo lugar que queria ir sem precisar fazer esforço e se cansar. Ia tudo bem, até o deslize do Tarugo de descer o morro sozinho com medo de cair, não se tocou que andando na descida do morro tinha nada de pé machucado, e no final o Jotalhão dá o troco fazendo a mesma coisa para não carregar mais o Tarugo.

Tarugo foi folgado, simulou tropeço da pedra e que estava com torção no pé para Jotalhão carregá-lo. Com casca  e passos lentos de tartaruga, ele ficaria muito tempo para fazer tudo que queria, aí teve o plano de um trouxa carregá-lo para todo lugar que iria. Pior ainda foi Tarugo ficar mandando que era para ter cuidado enquanto o carregava para não machucá-lo. Se não bastasse Jotalhão levá-lo sem precisar, ainda ficava recebendo ordens de como tinha que carregar. 

O próprio Tarugo estragou o plano, Jotalhão com sabedoria soube contornar o plano, fazendo Tarugo ter trabalho e ainda servir a casca como patinete do Jotalhão. Pelo menos o Tarugo foi solidário com o Jotalhão senão o plano dele não daria certo. Se o Tarugo podia sair da casca e andar normalmente  não precisaria fazer o que fez com o Jotalhão ou então deixasse a casca com as rodinhas para se locomover rápido. 

História mostrou lição de não se aproveitar da bondade dos outros para se dar bem e também que bondade tem limite, não deixarem te fazer de trouxa e não ser bom o tempo todo para quem não merece. Eram boas as as histórias de planos infalíveis bolados por outros personagens, sem serem criados pelo Cebolinha, eram criativos da mesma forma, eles não apanhavam, mas tinham o castigo merecido no final. Eram comuns histórias do Tarugo com dificuldade de se locomover, passando meses para chegar no destino, também eram legais histórias assim. Foi engraçado o absurdo de tartaruga fora da casca, andando e correndo tranquilamente, coisas de histórias em quadrinhos.

Incorreta atualmente por mostrar proveito de quem estava querendo ajudar, personagem principal agir como vilão e se aproveitar do amigo. Também são raras histórias de planos infalíveis hoje, inclusive de planos do Cebolinha contra a Mônica fora que implicariam também com expressão popular como "estou assim", e a palavra "tromba", de elefante, é proibida nos gibis atuais e até já foi alterada em republicação de "Biblioteca do Mauricio - Mônica 1970".

Os traços ficaram bons no estilo dos anos 1970, teve uma linguagem mais formal característico daquela época, tudo indica ter sido escrita pelo Mauricio de Sousa e não teve título como a maioria das histórias da Turma da Mata dos anos 1970. Tiveram erros do Jotalhão sem pálpebras verdes  em todos os quadrinhos das 2 primeiras páginas e sem marfim direito no 6º quadro da penúltima página da história. Foi republicada depois na própria Editora Abril no 'Almanaque da Mônica Nº 17', de 1983.

Capa de 'Almanaque da Mônica nº 17' (Ed. Abril, 1983)

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2025

Capa da Semana: Magali Nº 112

Uma capa ambientada nos anos 1950 em que a Magali pede 10 hambúrgueres e 2 refrigerantes na lanchonete deixando seu par Cebolinha com raiva de ficar esperando e ter que pagar tudo aquilo. Em qualquer época a fome da Magali é exagerada do mesmo jeito, causando insatisfação de quem convive com ela. 

Uma grande astúcia da garçonete Mônica conseguir levar tudo aquilo na bandeja de patins sem deixar cair. Curioso o Cebolinha ser o par da Magali, nem sempre deixavam o Quinzinho como namorado fixo dela, podendo aparecer outros no lugar. E eram raras capas ambientadas nos anos 1950 ou em décadas passadas do século XX fora da atualidade deles, sempre ficavam caprichadas capas de época assim quando tinha.

A capa dessa semana é de 'Magali Nº 112' (Ed. Globo, Setembro/ 1993).

domingo, 2 de fevereiro de 2025

Cebolinha: HQ "O plano da calcinha de rendinha"

Compartilho uma história em que Cebolinha cria um plano infalível de dar vergonha à Mônica de saber que fica com calcinha à mostra quando vai bater nos meninos. Com 8 páginas, foi publicada em 'Cebolinha Nº 11' (Ed. Globo, 1987).

Capa de 'Cebolinha Nº 11' (Ed. Globo, 1987)

No clubinho, Cebolinha fala com o Cascão que a Mônica deve ter um ponto fraco. Cascão responde que até o ponto fraco dela é mais forte que eles. Cebolinha se recusa a aceitar, abaixa uma foto da Mônica e quer conferir se não esqueceram nada. Cascão pergunta por que não deixam como está, ela é a dona da rua e pronto. Cebolinha pergunta onde está a perseverança e coragem e Cascão diz que acha que se foram após a última surra.

Cebolinha lembra que já tentaram derrotar com complexo de dentuça, cabelo tem nada a ver com força nem o coelhinho. Até que lembra um detalhe que nunca exploraram: a calcinha. Toda menina tem vergonha de ser vista de calcinha, conta o plano infalível, acha que depois dessa duvida que a Mônica vai ter coragem de bater neles e Cascão gosta, só que se não der certo vai sobrar sopapo para todo mundo.

Na rua, encontram a Mônica e Cebolinha manda o Cascão xingá-la, afinal já teve que bolar o plano e na hora "H" ele vai aparecer. Cascão xinga e quando a Mônica vai bater nele, Cebolinha diz que  viu a calcinha dela, não adianta esconder que já viu. Mônica pergunta se não dá para virar para lá para dar coelhada no Cascão. Cebolinha a xinga, Mônica quer bater nele e Cascão fala que viu a calcinha dela.

Mônica pergunta por que agora deram para serem indiscretos. Os meninos falam que os movimentos bruscos ficam a calcinha á mostra, não só quando bate neles, como também quando ela corre, pula ou dança. Cebolinha comenta que um dia estava de amarelinha e Cascão lembra da rosinha de rendinha. Falam que querem ajudá-la, uma mocinha não deve sair com tudo aparecendo e propõem de ela passar a andar bem devagarinho, comportada e delicada e nunca correr, pular e bater nos outros e que ela vá para casa que eles tomam conta da rua para ela.

Mônica vai para casa, para pensar no assunto. Cebolinha a xinga de gorducha e dentuça e lembra que não é para ela fazer gestos bruscos. Depois que ela sai, Cebolinha diz que ela vai ficar tão preocupada que nem vai pensar em bater neles, podem xingá-la á vontade e serão donos da rua e ainda pensa como serão aclamados como reis e fazendo amigos a pagarem sorvetes para eles.

Depois, Mônica volta, atrás da moita, Cebolinha a xinga e diz que está atrapalhando os planos futuros deles e não tente bater neles que a calcinha vai aparecer. Mônica diz que a mãe dela achou que realmente o vestidinho estava meio curto e esta usando agora calça jeans enquanto ela conserta a barra. Mônica bate neles e no final Cascão pergunta se Cebolinha tem mais alguma ideia e ele responde que por enquanto não, mas espera quando ela usar sutiã.

Engraçada essa história em que o Cebolinha faz o plano infalível com o Cascão de Mônica ficar envergonhada em ver sua calcinha á mostra e não bater mais neles e serem os novos donos da rua. Até dá certo em um momento, Mônica fica com vergonha e vai para casa só que não contavam que a Mônica ia voltar usando uma calça jeans, resolvendo o problema e bater neles no final. Era óbvio, era só mudar de roupa que a calcinha não ia aparecer, meninos não pensaram nisso.

Os meninos sempre tinham planos infalíveis de achar um ponto fraco da Mônica e nunca conseguiam, dessa vez foi  ideia de menina ficar com vergonha de ter calcinha à mostra. Não foi o Cascão quem estragou o plano. Mãe da Mônica que pode dizer que estragou ao sugerir usar calça jeans enquanto consertava o vestido. Sempre é alguém que dá um toque na Mônica quando não era o Cascão quem estragava os planos, Mônica nunca agia na esperteza, ela própria podia já colocar calça ou vestido mais comprido sem ninguém sugerir. Também nem precisaria a mãe bancar costureira, era só comprar um vestido novo, menos trabalho, apesar de pagar mais.

Cebolinha no final bem safadinho ao pensar em refazer o plano quando a Mônica ficar mocinha e ficar de sutiã, imaginando que ela vai ficar com vergonha quando os peitinhos começarem a aparecer. As melhores tiradas foram do Cascão, foi engraçado ver o Cascão dizer que o ponto fraco da Mônica é mais forte que eles, que a perseverança acabou depois das últimas surras, dormir enquanto analisava qual ponto fraco a Mônica podia ter vendo a foto, pensar em maldade quando o Cebolinha aponta para a calcinha da Mônica da foto, meninos comentando sobre as outras calcinhas que viram outras vezes, imaginarem como donos de rua obrigando todos a pagarem sorvete como eles. 

Foi bem curtinha para padrão de abertura e com muito conteúdo, na época era normal histórias de abertura com poucas páginas, variando com outras edições com histórias de abertura mais desenvolvidas. Gostava quando os meninos estavam reunidos no clubinho, meninas não podiam entrar e normalmente se reuniam para bolar planos infalíveis contra a Mônica ou interesses do universo dos meninos ou elegerem ou um presidente do clubinho, sempre eram divertidas. Legal a Mônica de calça e tênis por uma história, deu uma diferenciada no visual. 


Cascão não sabia o que é "calcanhar de Aquiles" e legal depois que soube dizer que gibi é cultura. De fato, aprendíamos muitas coisas lendo gibis, palavras novas, hoje implicam com expressões assim. É incorreta atualmente por envolver calcinha de menina, hoje não pode nem mostrar as meninas com calcinhas à mostra, muito menos ser o tema de uma história, fora meninos bem safadinhos com maldades e comentando sobre outras calcinhas que viram e Cebolinha imaginar Mônica de sutiã, meninos xingarem a Mônica,  apanharem e sendo surrados com olhos roxo, plano infalível com meninos perversos e envergonhar Mônica, além de expressões populares com duplo sentido como "meu velho", "calcanhar de Aquiles", "vai sobrar sopapo", etc. 

Os traços ficaram encantadores, era muito bonito ver traços bem fofinhos assim. A colorização em meados de 1987 tinha tons bem pasteis, por isso o marrom do sapato do Cebolinha ser quase do tom de pele dele e só não ficaram cores muito desbotadas por causa do papel oleoso que tinham nas revistas do Cebolinha. Teve erro do Cebolinha falando "fraco" sem dislalia no primeiro quadro da história. A capa dessa edição teve referência á história de abertura, o que era raro na Editora Globo embora era comum capas do Cebolinha com alusão à história na Editora Abril, já na Globo só de vez em quando.