quarta-feira, 15 de maio de 2024

Turma da Mônica: HQ "Tem Bicho-Papão no Parque!"

Em maio de 1994, há exatos 30 anos, era publicada a história "Tem bicho-papão no Parque!" em que um filhote de bicho-papão queria comemorar seu aniversário e brincar no Parque da Mônica, mas não contava que as pessoas teriam medo dele. Com 12 páginas, foi publicada em 'Parque da Mônica Nº 17' (Ed. Globo, 1994).

Capa de 'Parque da Mônica Nº 17' (Ed. Globo, 1994)

Na floresta, o Papãozinho diz que quer como presente do seu milésimo aniversário ir ao Parque da Mônica, que viu no anúncio do jornal que encontrou na clareira da mata. O pai diz que bichos-papões e humanos não se misturam e pergunta se não quer umas férias na mata cerrada cheia de bichos perigosos. 

Papãozinho insiste que quer ir ao Parque da Mônica e a mãe fala que o pai está certo e que vão parar com a discussão que eles têm que dormir. Os pais acham que de manhã o filho já esqueceu isso, mas se enganam porque Papãozinho foge de casa enquanto eles dormem e vai ao Parque da Mônica escondido. Papãozinho acha o shopping lindo e o Parque da Mônica demais, só que como não estava aberto, resolve dormir na entrada do Parque.

De manhã, crianças montam no Papãozinho pensando que era brinquedo novo. Ele fala que não é, as crianças se assustam e avisam ao Monitor que tem um monstro na entrada do Parque. O Monitor fala que é o robô do Franjinha e o menino responde que não é o robô que estão falando. Papãozinho aparece perguntando onde compra o ingresso e todos fogem com medo.

Quando caminha pelo Parque, pensa que o povo não para, é muita correria, sem se tocar que estão fugindo dele. Quando entra na "Casa da Mônica", todos fogem desesperados e quando vai ao "Carrossel do Horácio", pergunta se pode brincar também, as crianças fogem e ele acha que foram gentis, não precisava todo mundo ir embora.

Enquanto isso, a turminha acha estranho ninguém ter assistido o show deles no "Teatro do Parque". Cebolinha acha que é por causa do cheirinho do Cascão e logo reparam que o Parque está vazio. Papãozinho, ainda no "Carrossel do Horácio", fica feliz que viu a Turma da Mônica e ao pedir autógrafo, eles fogem também. Papãozinho lamenta que acham que ele é monstro, que o pai tinha razão que os humanos nunca vão aceitá-los e nem brincar lá ele pode. Pega sua trouxa para ir embora, a turma ouve e fica com pena porque ele queria só brincar e que é um monstro criança ou criança monstro.

O Monitor e o Segurança veem o Papãozinho e o perseguem para prendê-lo. A turma impede porque é um monstrinho bom que só quer se divertir. O Segurança chama a Mônica de baixinha e sair da frente porque sabem o que fazem. Mônica dá surra no Segurança, quando os pais do Papãozinho chegam para levá-lo embora, lembrando que os humanos não gostam deles. Mônica pergunta por que não ficam e deixam o Junior brincar com eles, é só uma criança como outra qualquer. O pai fala que foram os humanos que criaram isso com histórias sobre Bicho-Papão e Monica diz que eles fazem a mesma coisa. 

O pai deixa, mas ninguém pode encostar um dedo no filho. A mãe diz que o Papãozinho conseguiu o presente de aniversário e a turma quer comemorar com um lanche. Papãozinho fala que só trouxe um lanchinho, despertando interesse na Magali. Mônica diz que vão lanchar na "Praça da Magali" e Papãozinho quer brincar primeiro. termina com todos brincando no "Carrossel do Horácio" e sugerindo para depois irem à Turma do Penadinho e ao Cinema 3D e Mônica pergunta quem tem medo de Bicho-Papão.

História legal que o Papãozinho queria comemorar seu aniversário no Parque da Mônica, mesmo sem aprovação dos pais que contavam que os humanos não gostavam deles. Papãozinho foge e vai ao Parque e descobre que os humanos o achavam um monstro e tinham medo dele. A Turma da Mônica fica com pena e convidam a brincar no Parque por reconhecerem que ele era igual a todas as crianças, mesmo tendo aparência diferente.

Deu pena do Papãozinho ser desprezado pelos outros por ser um monstro, só queria conhecer o Parque da Mônica e não acreditava no que os pais falavam sobre os humanos e queria conferir. Ficou uma inversão também que assim como bichos-papões são monstros para os humanos assim como humanos são monstros para eles. Ficou também mensagens que os monstros são os humanos, conseguem ser mais perigosos que os bichos-papões através de suas atitudes, afinal, tinham medo e queriam prender o Papãozinho só por causa da aparência, e que também não se deve ter preconceitos só por ser diferente do padrão da sociedade. 

O Parque da Mônica ficava dentro do Shopping Eldorado, em São Paulo, por isso o Papãozinho teve que entrar em um shopping antes de chegar no Parque. Teve absurdos de como encontraram jornal perdido na mata se ninguém aparece lá,  porta do shopping abrir de madrugada sem ter clientes lá e não ter seguranças noturnos nem no shopping nem no Parque. A turma ficou mais de 5 páginas sem aparecer no início, tudo para dar destaque ao Papãozinho. 

As histórias no Parque ajudavam a turma a ter outro cenário nas histórias, dar uma variedade e não ficarem só no bairro do Limoeiro e na época era novidade, ainda mais que foi inaugurado há pouco tempo, em janeiro de 1993, pouco mais de um ano, até então. Não considero tão incorreta hoje por ter mensagem no final, mas poderiam implicar por Papãozinho desobedecer os pais, fugir de casa de noite e tem elementos que alterariam hoje como Segurança com arma no bolso e Mônica bater em adulto e ele aparecer de olho roxo.

Nas histórias do Parque da Mônica gostavam de voltarem com personagens esquecidos que estavam no limbo, todos podiam ir lá. Então, essa marcou a volta do Bicho-Papão, que já tinha aparecido anteriormente na história "O Papãozinho" de 'Cebolinha Nº 16' (Ed. Abril, 1974). Em 1987 ainda teve o filme "Bicho-Papão e outras histórias" com essa história da Editora Abril virando desenho animado. O roteirista pelo visto fez uma homenagem aos 20 anos da história clássica com essa do Parque, tanto que o Papãozinho apareceu com boné do estilo que Cebolinha e Cascão usaram na de 1974. Aí, hoje comemoramos os 50 anos da história de 1974 e os 30 anos dessa de 1994. 


Os traços ficaram bons, típicos dos anos 1990. Interessante o título da história não ter uma arte em destaque dessa vez, ficou sendo apenas a fala do narrador-observador, que é o roteirista dela. Muito bom relembrar essa história há exatos 30 anos.

sexta-feira, 10 de maio de 2024

Magali e o pai dela: HQ "O presente perfeito!"

Dia 10 de maio é aniversário da Magali e em homenagem mostro uma história que o pai da Magali precisou rodar várias lojas para comprar um presente aniversário para a filha que esqueceu de comprar. Com 13 páginas, foi publicada em 'Magali Nº 258' (Ed. Globo, 1999).

Capa de 'Magali Nº 258' (Ed. Globo, 1999)

Seu Carlito chega exausto em casa depois de um dia de trabalho e não vê a hora de tomar banho, cair na cama e desmaiar até amanhã. Quando abre a porta, vê a criançada na festa de aniversário da Magali e bate a porta de novo, falando, no lado de fora, que o dia no trabalho foi corrido e esqueceu de comprar o presente da Magali, vai ficar triste se chegar de mãos abanando e nem tem ideia do que comprar para ela.

A porta abre, Seu Carlito se esconde na moita. Magali achava que era o pai chegando, mas seria imaginação dela. Quando entra na casa, Seu Carlito acha que é um pai desnaturado, a filha está ansiosa em vê-lo chegando com um presente na mão e decide que não volta para casa de mãos vazias. Assim, pega o carro e procura alguma loja, mas todas fechadas de noite, até encontrar a lojinha do Paulo, que estava fechando.

Seu Carlito implora para o Paulo para comprar o presente para a filha, está desesperado e a carreira de pai dele depende disso. Paulo adivinha que ele chegou em casa de noite e esqueceu de comprar o presente, diz que é normal, acontece com todos os pais e que ele é um péssimo pai. Seu Carlito quer sugestão de presente, Paulo fala que se quer dar só uma lembrança e dizer que papai a ama muito, é para levar um par de meias. Seu Carlito acha ótimo e manda embrulhar. 

Paulo complementa se que quer um presente que a filha vai gostar, tem que comprar a Creuza Creolina, a última moda em bonecas falantes, assovia em 20 idiomas diferentes e tosse em outros 15, só que não tem mais, acabou faz 3 semanas e talvez encontre no shopping do centro e Seu Carlito vai desesperado de carro para ver se consegue a tal boneca.

Enquanto isso na festa, Magali pergunta para mãe se o pai não chegou e Dona Lili responde que não, que deve está com muito trabalho para fazer no escritório e Magali fica triste. Longe de lá, Seu Carlito chega no shopping procurar a boneca Creusa Creolina, só que nenhuma vende. Já na festa, está na hora de cantar os parabéns e cortar o bolo e Magali fica pensando no pai. 

No shopping, Seu Carlito vai à loja "Minha Última Esperança" e encontra a boneca, a última do estoque. A vendedora ainda quer testar se a boneca funciona, assovia alguns idiomas, Seu Carlito perde a paciência, dá o dinheiro e corre para voltar para casa. Quando chega, encontra a esposa limpando a casa e ela diz que a festa acabou há meia hora e todos convidados foram embora, a Magali ficou esperando acordada até agora há pouco e foi dormir superchateada.

Seu Carlito lamenta que teve que sair para comprar a Creolina e acabou perdendo a festa da filha. Encontra a Magali dormindo com cara tristinha, ele coloca a boneca ao lado dela e quando está saindo, Magali acorda e gosta que ele veio. Seu Carlito explica que atrasou porque estava procurando a boneca em tudo que foi lugar e pergunta se ela gostou e se era o presente que ela queria. Magali diz que queria o pai, só o pai e termina os dois dormindo juntos felizes e a boneca no chão longe deles.

História legal em que o pai da Magali esquece de comprar o presente de aniversário da filha e vai procurar uma loja ainda aberta para ver se compra algo. depois do vendedor Paulo dar ideia  de comprar uma boneca da moda, mas que ele não tinha na loja, Carlito vai mais longe, até o Shopping pra ver se encontra a tal boneca e encontra com muita dificuldade. Chega em casa depois da festa acabar e tem a surpresa que o presente que ela queria era ter o pai na festa com ela. 

Seu Carlito ficou preocupado em comprar presente para filha, que seria um pai desnaturado de esquecer de um presente de aniversário dela, mas nem se tocou que o que era mais importante para a Magali era a presença dele lá, tanto que nem aproveitou a festa, nem na hora de cantar Parabéns e cortar bolo e nem ligou para a boneca que ele trouxe, só queria ficar com o pai quando chegou. Deu pena da Magali na festa esperando pelo pai o tempo todo e final ficou bem emocionante com carinho entre pai e filha.

Se o Seu Carlito levasse a meia, Magali ia gostar, ele chegaria cedo e estaria na festa. Foi cair em conversa de vendedor que presente caro e da moda que é o que faria a Magali feliz, acabou se atrasando, Na verdade, nem precisaria Seu Carlito ir para longe e procurar em lojas, se conhecesse bem a filha, era só comprar uma melancia, caixa de bombons, sorvete, etc, que deixaria Magali super feliz. Ir ao mercado já resolveria o problema.

A história dessa vez não teve foco em comida e nem na festa de aniversário em si, presença maior foi do Seu Carlito e na relação familiar. Além de se divertir, mostra uma bonita mensagem de que é importante é a presença dos pais na festa de aniversário das crianças, afeto, dar atenção aos filhos e não só dar presentes  para eles. Sentem mais falta de carinho do que brinquedos e presentes materiais.  

O vendedor Paulo na história é uma caricatura do roteirista Paulo Back, as vezes colocavam roteiristas e outros funcionários como outros personagens. Título teve um detalhe com crédito escrito "pai dela", é que na época ainda não adotavam nome do pai da Magali de Seu Carlito como nome oficial dele. Quando foi criado, se chamava Paulo (Paulinho) e apesar de ele ter tido o nome Carlito na história "A avó (comilona) da Magali" (Magali Nº 100' - Ed. Globo, 1993), mas ficou com esse nome em definitivo só a partir dos anos 2000, assim como os nomes dos outros pais dos personagens principais, afinal, os filhos só chamavam de pai  e mãe e quem precisaria chamar pelo nome seriam as esposas e os maridos. 

Foi engraçado ver o Seu Carlito desesperado para comprar presente, a conversa com o vendedor Paulo, descobrir sobre a boneca que assovia e tosse em vários idiomas e sufoco para encontrá-la, nome da loja se chamar "Minha última esperança" e o Do Contra correndo pelado na festa. Engraçado também esse nome Shopping "Tatu Em Pé", uma paródia de Tatuapé em São Paulo, e curioso que esse shopping já apareceu antes em outra história, "Sabadão no shopping", de 'Cascão Nº 309' (Ed. Globo, 1998).

Traços ficaram bons, típicos da segunda metade dos anos 1990. Não considero incorreta hoje em dia, até pela mensagem bonita no final, só que alterariam hoje o detalhe do Do Contra pelado correndo na festa e nem a mãe da Magali chamar atenção do Do Contra. Neste ano de 2024, fica sendo especial para a Magali por estar comemorando 60 anos de criação, um grande marco par aos quadrinhos.

FELIZ ANIVERSÁRIO, MAGALI!!!

terça-feira, 7 de maio de 2024

Cebolinha: HQ "Com o Cascão, não!"

"Dia das Mães" chegando e, então, mostro uma história em que a Dona Cebola não queria que o Cebolinha fosse amigo do Cascão por ser sujinho. Com 6 páginas, foi história de encerramento de 'Cebolinha Nº 163' (Ed. Abril, 1986).

Capa de 'Cebolinha Nº 163' (Ed. Abril, 1986)

Cebolinha chega em casa perguntando pelo almoço e sua mãe quer saber que cheiro horrível é aquele. Ele acha que o arroz queimou e Dona Cebola avisa que o cheiro vem dele e pergunta por onde ele andou e Cebolinha que foi brincar com o Cascão. Dona Cebola reclama que toda vez que o filho brinca com o Cascão é a mesma coisa, manda tomar banho senão é ela que não almoça.

Depois do banho, Cebolinha almoça e quando termina, quer sair para brincar com o Cascão. Dona Cebola avisa que com o Cascão, não, Cebolinha diz que é amigo dele e Dona Cebola, que não é ele quem lava a roupa do Cebolinha, aliás, nem a dele, e que vai castigá-lo se encontrar com o Cascão de novo.

Cebolinha vai para a rua, Cascão pergunta para o Cebolinha quem vai ser o pegador agora e Cebolinha o ignora. Cascão pergunta se ele está cego por não vê-lo e surdo por não ouvir e fica na frente para dizer que está falando com ele. Cebolinha manda tirar as mãos sujas em cima dele e que nunca é mais para falar com ele, não é o Cascão quem lava a roupa dele. Cascão sai triste e depois que vai embora, Cebolinha chora e vai para casa se trancar no quarto.

Dona Cebola quer que o filho abra a porta e ele diz que quer ficar sozinho. Na hora do jantar, Cebolinha ainda estava lá e diz que não quer nada, está sem fome, conta que rompeu como o Cascão como ela queria, que ele nunca mais vai ser o mesmo, quer ficar no quarto para sempre como um eremita. Dona Cebola se sensibiliza, pede desculpas ao filho, foi injusta e pode fazer as pazes com o Cascão. cebolinha sai do quarto, beija a mãe e fica feliz. Dona Cebola diz que agora vai poder dormir sossegada e de noite, quando o Seu Cebola já estava na cama, fala com o marido que quer uma máquina de lavar roupa e é ele quem não consegue dormir, enquanto ela e Cebolinha dormem tranquilamente.

Uma história legal em que a Dona Cebola não queria a amizade do Cebolinha com o Cascão porque era sujinho e não queria trabalho para lavar roupa, Cebolinha termina amizade com  o amigo, mas fica triste e deprimido e a mãe se arrepende e deixa o filho voltar a ser amigo do Cascão, na condição do seu marido, Seu Cebola, comprar uma máquina de lavar.

Cebolinha até foi obediente com a mãe, mesmo contra sua vontade.  Sobrou para o Seu Cebola que teria que comprar máquina de lavar e era caríssima na época, por isso ele ficou sem dormir, pensando no dinheiro que ia gastar. Muitos não tinham máquina de lavar, lavavam roupa na mão mesmo, no tanque. Nas histórias normalmente mostravam mães lavando roupa na mão. A piada final quis mostrar que alguém não ia conseguir dormir sossegado de noite e foi o Seu Cebola quem ficou sem dormir enquanto o filho e esposa dormiam de boa após fazerem as pazes.

História misturou momentos de humor e emoção na medida certa. Dá pena do Cebolinha e do Cascão perderem amizade por capricho da mãe que não quer trabalho pra lavar roupa, preconceito por ser sujinho. Outra opção para o Cebolinha ter voltado a ser amigo do Cascão, poderia o Cebolinha fazer  queixa da mãe para o pai pra ver o que achava, problema seria se Seu Cebola concordasse com a Dona Cebola. Foi engraçado ela dizer que nem Cascão lava a própria roupa, com certeza não lava mesmo, não é só achismo dela.

Também deu recado a pais que implicam com amizades e namoros dos filhos por vários motivos, inclusive por causa de classe social, de não ser assim e permitirem os amigos escolherem suas amizades, não os pais. Depois, tiveram outras histórias com os pais do Cebolinha implicando amizade do filho com o Cascão, que não era boa influência, e aí foi Seu Cebola que implicava com a amizade dos dois.

Incorreta atualmente por Dona Cebola ser malvada com o filho, não permitir uma amizade entre os meninos, deixarem tristes, ela aparecer de avental e tratada como dona-de-casa, além da palavra "Credo!", que é proibida nos gibis novos. Os traços ficaram bons, típicos de histórias de miolo dos anos 1980. Teve erro do Cebolinha falando "arroz" em vez "aloz" na primeira página, desatenção do letrista que não lembrou que ele trocava "R" pelo "L" quando falava. Foi republicada depois em 'Almanaque do Cebolinha Nº 36' (Ed. Globo, 1996) e aí com o esse erro devidamente corrigido.

Capa de 'Almanaque do Cebolinha Nº 36' (Ed. Globo, 1996)

domingo, 5 de maio de 2024

Tirinha Nº 104: Chico Bento

Nessa tirinha, Chico Bento acorda na hora do almoço, com Sol bem alto, e se pergunta por que o galo não cantou. Quando vai ver, a mãe tinha preparado galo assado para o almoço, mostrando que não cantou porque foi para panela. 

Coitado do galo que foi abatido pela Dona Cotinha e não teve direito nem a seu último canto do dia e Chico bem dorminhoco e cansado a ponto de acordar só na hora do almoço no dia que o galo não canta. Dona Cotinha bem que podia o ter acordado antes, vai ver que queria fazer a surpresa para o filho e também provavelmente não era dia que ele precisaria ir para escola ou trabalhar na roça com o pai. 

Mostra o cotidiano da roça que o povo acorda através do canto do galo e que criam animais para comê-los depois. Pelo menos não foi a Giselda, galinha de estimação do Chico, senão ia ter briga com a mãe. Incorreta hoje em dia por ter maltrato a animais e o galo ter um final triste, mesmo que seja um cotidiano da roça não aceitam atualmente. 

Tirinha publicada em 'Chico Bento Nº 93' (Ed. Abril, 1986).

quarta-feira, 1 de maio de 2024

Mônica: HQ "O visual"

Dia primeiro de maio é o "Dia do Trabalhador" e, então, mostro uma história em que Mônica e Cebolinha são vendedores concorrentes de limonada e disputam quem tem a barraca mais bonita. Com 7 páginas, foi história publicada em 'Mônica Nº 78' (Ed. Abril, 1976).

Capa de 'Mônica Nº 78' (Ed. Abril, 1976)

Mônica encontra Cebolinha vendendo limonada na rua e fala que está mal. Cebolinha quer saber por que se ela nem experimentou a deliciosa limonada e Mônica diz que não está falando da limonada, e, sim, do visual do estabelecimento, só uma caixa de sabão com cinco copos e uma jarra. Cebolinha conta que a caixa era do melhor sabonete que tem por aí e a jarra e os copos são do casamento da mãe dele.

Mônica diz que tudo isso não chama atenção de ninguém e resolve levar a sua barraca toda moderna para explicar o visual. Cebolinha pergunta se ele vai ter que colocar florzinha na venda para melhorar a aparência e que nunca vai colocar porque um menino que se preza não coloca florzinha. Aparecem clientes, elogiando a barraca da Mônica e todos queriam ir só nela por causa que a dela era mais bonita. Cebolinha busca vasos de flores coloca ao redor da sua venda e os clientes passam a ir na barraca dele porque era florida e Cebolinha diz para Mônica que resolveu seguir o conselho dela, afinal, amigos, amigos, negócios à parte.

Mônica leva vasos grandes de plantas bem chamativos e Cebolinha pergunta se é guerra e ela responde que é negócios à parte. Então, Cebolinha cava terra e planta duas árvores ao lado da venda. Mônica, por sua vez, carrega e planta 2 árvores gigantes. Cebolinha manda um trator levar árvore gigante para sua venda. E assim, vão colocando sozinhos árvores e mais árvores nos seus locais de venda por uma hora direto, até quando olham ao redor e descobrem um jeito de chamarem atenção, gritando pelas mães deles, já que criaram uma floresta no bairro e estavam perdidos.

História bem engraçada em que Mônica e Cebolinha disputam qual deles tem a barraca de limonada mais bonita para atrair mais clientes. Com a ideia de quanto mais bonita a barraca, mais clientes conquistava, cada um passou a investir na decoração nas suas com flores e plantas para a barraca ficar mais bonita, só que virou guerra e se empolgaram, cada vez adicionaram árvores e mais árvores, virando uma floresta sem conseguirem sair de lá.

Uma caixa de sabonete, copos e jarra já bastaria para o Cebolinha ter o seu negócio, só queria vender limonada da forma mais simples e não contava com a concorrência da Mônica, que era bem empreendedora e sabia que um estabelecimento bonito fazia vender mais. Ainda teve um mistério no final do que estavam fazendo, mostrando só as falas deles, até a gente descobrir a inesperada floresta só no final. Foi engraçado ver Cebolinha dizer da caixa era do melhor sabonete que tinha e jarros e copos do casamentoda mãepara nãoficar por baixo, os clientes comprando na barraca mais bonita, a disputa entre eles e a força da Mônica muito bem explorada e a personalidade dela de exigir que as coisas tinham que ser do jeito dela.

Vimos vários absurdos do início ao fim, as histórias dos anos 1970 eram repletas de nonsenses, que era inimaginável acontecer, feitas especialmente para gente fugir da realidade do mundo real enquanto lia. Tem gente que pode questionar como a Mônica conseguiu uma barraca florida e preparar limonada em tão pouco tempo, onde eles conseguiram tantas árvores pelo bairro e carregarem sozinhos em tão pouco tempo, como Cebolinha conseguiu carregar árvores com a mesma força da Mônica, só faltou Cebolinha dirigir o trator inicial. Nada disso importava, aconteceu e pronto, sem dar explicações das façanhas, isso que era divertido em histórias e quadrinhos.

Segue também estilo de desenhos animados da época como os personagens de Hanna Barbera, Looney Toones, etc, que tinham situações assim de absurdos e os roteiristas da MSP tinham essa inspiração de desenhos que faziam sucesso. Essa cena de barraca de venda bonita lembra também um episódio de "Chaves" que vendia refresco em uma barraca simples e o Quico montou uma barraca luxuosa como concorrente só para esbanjar que era rico e mostrar que a barraca dele era mais bonita que do Chaves. 

Completamente impublicável hoje em dia por ter crianças trabalhando, fazendo concorrência, todos os absurdos mostrados principalmente carregarem árvores por uma hora até formarem uma floresta no bairro, a fala do Cebolinha com preconceito de que menino que se preza não usa florzinha.

Os traços ficaram bons, seguindo estilo de histórias de miolo do meio dos anos 1970, com personagens já começando a ter um arredondamento de leve nas bochechas. Interessante também ângulos diferentes de costas, coisa bem comum nos anos 1970, e ver os clientes vestidos com a moda atual até então, com homens usando terno ou camisa social e o visual das mulheres dando um ar "setentista" de fato. Teve o erro de Cebolinha falar de boca fechada no terceiro quadrinho da primeira página. 

Foi republicada depois ainda na própria Editora Abril no 'Almanaque da Mônica Nº 19', de 1982, sobre o tema de travessuras, reunindo só histórias assim desse estilo de personagens aprontando com os amigos e com grandes absurdos que fogem da vida real. Termino mostrando a capa desse almanaque.

Capa de 'Almanaque da Mônica Nº 19' (Ed. Abril, 1982)