terça-feira, 19 de setembro de 2023

HQ "Cebolinha e o Cascão de estimação"

Em setembro de 1993, há exatos 30 anos, era lançada a história "Cebolinha e o Cascão de estimação" em que o Cascão vira cachorro de estimação do Cebolinha para participar do concurso de cachorro bem mais treinado depois que o Floquinho fugiu. Com 18 páginas, foi publicada em 'Cebolinha Nº 81' (Ed. Globo, 1993).

Capa de 'Cebolinha Nº 81' (Ed. Globo, 1993)

Cebolinha ensina truques para o Floquinho como pegar graveto, deitar, rolar para participar do concurso do cachorro bem mais treinado na Rua de Cima inventado pelo Tonhão. Cebolinha diz para o Cascão que Tonhão apostou que o cachorro dele ganha, mas o burro só sabe morder e Cascão pergunta se é o Tonhão ou o cachorro.

Surge o Tonhão com seu cachorro Trovão, pergunta se estavam falando dele e os meninos respondem que estavam dizendo como o cachorro dele é inteligente e que tem chances de ganhar o concurso e Tonhão afirma que eles vão ganhar.  Depois que ele vai embora, Cascão fala que não vai ser fácil e Cebolinha diz que ensinou um truque especial, seu trunfo, era só assobiar que o Floquinho dá um salto mortal.

Cebolinha vai comprar biscoitos para o Floquinho no mercado e deixa o Cascão tomando conta do cachorro, que solta da coleira e desaparece. Cascão tenta ir atrás e acha que o Cebolinha o treinou na corrida porque o Floquinho corre tanto que desaparece rápido. Cebolinha volta, pergunta pelo Floquinho e Cascão diz que estava na ponta da corda agora mesmo. Cebolinha avança no Cascão perguntando pelo seu cachorro e Cascão diz que acha que fugiu.

Eles esperam por horas, pensando que o Floquinho ia voltar e como não volta, se conformam, Cebolinha diz que em parte a culpa é dele e Cascão diz que se pudesse fazer alguma coisa, qualquer coisa, faria. Cebolinha tem ideia de Cascão ser o bichinho de estimação dele, Cascão não aceita se fantasiar de cachorro porque é gente, Cebolinha diz que então o amigo morra de remorso por culpa dele, ficou sem o Floquinho e o concurso e Cascão aceita, achando que não vai dar certo.

Cebolinha põe a coleira para treinar o Cascão para o concurso. Primeiro faz Cascão buscar um graveto agindo como um cachorro, ele pega rosnando de raiva e Cebolinha acha que já está pegado o jeito. Depois, Cascão é obrigado a se deitar com patinhas para cima e a se rolar no chão. Cascão se despede e Cebolinha fala que tem que ir com ele porque é seu cachorro, em casa vai arrumar uma fantasia que tem e que vai dar uma tigela de comida. Cascão fala que precisa mijar e precisa de banheiro já e Cebolinha o faz mijar em um poste como cachorro e um menino ri do Cascão sendo carregado de coleira pelo Cebolinha.

Mônica aparece e acha ridículo o Cascão como cachorro, Cebolinha o manda pegá-la. Cascão se recusa, Cebolinha ameaça a contar para ela quem fez xixi no poste e Cascão avança e corre atrás dela e Mônica acha que ele endoidou. Cascão acha que ia apanhar da Mônica e Cebolinha diz que ela morre de medo de cachorro. Cascão começa a gostar da história só que quando tem que dormir na casa do Floquinho ao relento, fala que retira o que disse.

No dia seguinte, eles vão para o concurso com Cascão fantasiado de cachorro e diz que está com calor dentro da fantasia e que se o Tonhão descobrir, vai ser pior do que apanhar da Mônica. Cebolinha responde que ele não tem inteligência para isso e vão ao concurso, mandando cascão ser um bom cachorro e limitar-se a latir.

No concurso, os meninos perguntam como Cebolinha arrumou aquele vira-lata e Tonhão sabe que o Floquinho havia sumido. Os jurados falam que Tonhão e Trovão já ganharam. Quando Trovão passa em frente bufando, Cascão sente calor, Cebolinha manda Cascão não falar e um menino fala que se tiver prêmio de cachorro mais fedido, o do Cebolinha ganha.

Inicia o concurso, começa com o Meleca, cachorro do Chicão. Tonhão reclama que se quer ganhar dele, Chicão desiste de participar com medo de apanhar e os outros meninos também. Os jurados já declaram Tonhão e Trovão vencedores e quando entrega medalha, Cebolinha intervém, falando que vai participar e que vieram para competir. Primeiro tem o truque de buscar graveto e Cascão busca dançando balé, no truque de deitar, Cascão carrega uma cama e se deita nela e depois rola em direção ao Tonhão e Trovão, fazendo cai-los.

Na vez do Trovão, Tonhão o manda dizer a primeira e última vogal. Trovão, fica calado, Tonhão o chuta e ele chora, dizendo "Caim!". Os jurados falam que Trovão é um cachorro esperto, só faz o que quer. Tonhão pergunta se ele ganhou e ao verem o cachorro do Cebolinha, os jurados falam que deu empate. Cebolinha acha uma injustiça, Tonhão concorda e propõe os cachorros deles brigarem para desempatar. Cascão corre em pé, falando que isso não. Um menino estranha cachorro falar, tira a máscara e descobrem que era o Cascão.

Tonhão quer partir para briga ao saber que era uma trapaça, Cebolinha diz que foi só uma brincadeirinha e que ficou traumatizado quando o Floquinho sumiu. Tonhão fala que aquele cachorro também sabia nada, Cebolinha responde que lhe ensinou um monte de truque de como o de assoviar que dar salto mortal, e, então, Floquinho aparece, vindo da casa do Tonhão. Descobrem que Tonhão raptou o Floquinho para ganhar o concurso. 

Eles brigam e acabam sem vencedor. Cebolinha diz que eles são campeões morais. Cascão não se sente orgulhoso por isso, só sente vontade de fazer xixi e de esquecer que, um dia, bancou um cãozinho de estimação. No final, Cascão fica na fila de cachorros mijando no poste e pergunta para os cachorros se a fila anda ou não anda.

História muito engraçada em que o Cascão perde o Floquinho enquanto tomava conta dele e Cebolinha faz com que ele vire cachorro pra participar do concurso. A farsa é descoberta assim como que foi Tonhão quem raptou o Floquinho para que o cachorro dele, o Trovão, ganhe o concurso. Acabou sendo um plano infalível sem ser contra a Mônica com direito a Cascão estragar tudo como sempre quando ele falou e tinha que só latir. Outra forma que ele poderia estragar o plano se mandassem tomar banho, se fosse um porco não teria esse risco.

Foi hilário o Cascão agindo como cachorro tanto na parte do treino quanto na hora da participação do concurso. Muito divertido vê-lo na casinha do Floquinho, buscar graveto dancando balé, entre outros, e o mais engraçado foi mijar no poste. Adorei o final com ele na fila dos cachorros para mijar no poste como se fosse fila para ir ao banheiro. Engraçado também o Cascão com força grande de carregar sozinho cama de casa até a Rua de Cima e em um tempo recorde de um quadrinho para o outro. Absurdos típicos de história em quadrinhos.

Muito bom o Cascão como cachorro fazer a Mônica correr, sem querer ele conseguiu derrotá-la por um instante. Foi falado que a Mônica tinha medo de cachorro, é válido porque ela ainda não tinha o Monicão, só teria 6 meses depois ganhando o cãozinho como presente de aniversário dos meninos. Ainda assim, não totalmente coerente esse medo porque ela ficava junto com o Bidu e outros cachorros antes disso, fizeram isso para dar graça na história fora que nunca teve padronização na MSP. 

Foi a primeira história com menino valentão da outra rua se chamar Tonhão e ser da Rua de Cima de forma fixa, a Rua do Limoeiro, no caso, seria a rua vizinha de baixo. Só que ainfa Tonhão apsrecendo com traços diferentes a cada história em que aparecia. Bastantes personagens figurantes da Rua de Cima que apareceram só  essa história. 

Interessante o recurso do primeiro quadrinho mostrar uma cena de mistério e avisando que para saber por que o Cascão estava mijando no poste, teria que ler ou então voltar história no tempo desde quando tudo começou. Às vezes eles faziam esse recurso como se fosse uma capa se fosse com alusão à história de abertura já que na época preferiam capas com piadinhas. Até que seria legal que a capa fosse exatamente aquela cena do primeiro quadrinho com Cascão mijando no poste como um cachorro, seria bem chamativa.

História impublicável hoje em dia por Cascão agir como cachorro, é terminante proibido mostrarem cachorros fazendo xixi nos postes nos gibis atuais, sumiço do Floquinho, Tonhão dar chute no Trovão, brigas entre personagens, aparecerem surrados, definitivamente não dá atualmente. Alguns erros dessa vez foram olhos dos personagens sem fundo branco sem ser em situações de curvas demonstrando raiva.

Os traços ficaram bons, marca a estreia dos novos traços com personagens com língua ocupando mais espaço na boca e que prevaleceram durante os anos 1990. Traços assim já estavam sendo utilizados algumas vezes em histórias de miolo desde meados de 1992 e nos 'Gibizinhos da Mônica' de 1993 e aí resolveram promovê-los para histórias de abertura. Deixavam traços assim quando queriam dar mais humor às histórias. Nessa deixaram bastante vezes personagens com curvas nos olhos sem fundos pintados de brancos demonstrando excesso de raiva e que deixavam os personagens mais bonitos, recurso que já tinha e mantiveram ainda nessa, mas que seria cada vez menos usado nos próximos meses.


Outras novidades também foram a estreia dos códigos de barras em gibis do Cebolinha e passaram a ficar definitivos em todos os gibis de setembro de 1993. Códigos muito grandes  e chamativos que atrapalhavam a arte dos desenhos, sobretudo nos gibis do resto de 1993 que já estavam com ilustrações prontas e foram obrigados a colocar em última hora. Só melhorou quando deixaram códigos coloridos e com transparência ao desenho a  partir de outubro de 1996, ajudando pelo menos disfarçar. 

Marca também a estreia de destaque de exemplares de assinantes nos gibis de setembro de 1993, o que prova no espaço branco que deixaram no azul, que seria o espaço deixado aos exemplares de assinantes, antes disso não tinham essa distinção. E foi o primeiro gibi do Cebolinha com preço em "Cruzeiro Real". Apesar da moeda ter sido lançada em agosto de 1993, o gibi "Nº 80" ainda estava em "Cruzeiro" porque estava pronta sem ter tempo de mudarem o preço de capa. Muito bom relembrar essa história há exatos 30 anos.

sexta-feira, 15 de setembro de 2023

Propagandas de produtos de higiene da Turma da Mônica (Parte 1)

Há 50 anos eram lançados os produtos de higiene clássicos da Mônica da "Phebo" e em homenagem mostro propagandas dessa linha de higiene que marcaram época. Dividi em 2 partes e nessa postagem reúno as propagandas da "Phebo" que circularam nos gibis dos anos 1970.

A linha de higiene da Mônica da "Phebo" foram lançados em 1973, consistia de sabonete, shampoo, talco, colônia, óleo, creme dental e escova de dente. Por muitos anos, foi só a "Phebo" que produzia os produtos de higiene deles. Curiosamente, foram os primeiros produtos comerciais da MSP feitos especialmente para crianças, sem contar bonecos das personagens. Antes, as personagens estrelavam propagandas na TV e nos gibis  dos produtos alimentícios da "Cica" e o Jotalhão estampava a embalagem do extrato de tomate, mas não eram alimentos só para crianças, e, sim, para família toda.

A primeira propaganda da linha de higiene da "Phebo" em gibis saiu em 1973 e para anunciar a novidade que ninguém conhecia ainda,  criaram essa propaganda em que uma criança, a Paula, viu primeiro a linha da Mônica e espalhou a notícia para todas as crianças, que correram para o supermercado para comprarem e todas adoraram. Uma boa propaganda e que ainda demonstra na prática o termo "viralizar" dos tempos atuais. E a propaganda também mostra foto com os produtos que lançaram inicialmente: shampoo, talco, sabonete, óleo, colônia e pasta de dente.

Propaganda tirada de 'Mônica Nº 43' (Ed. Abril, 1973)

Em 1974, a revista "Recreio Nº 257" da Editora Abril deu de  brinde um sabonete da Mônica quem comprava a revista. Então, fizeram essa propaganda anunciando o brinde falando que o Cascão não iria gostar, mas os leitores com certeza, iriam. E ainda teve foto da embalagem e do sabonete da Monica originais, a gente vê como era um sabonete de época e percebemos que mesmo em tamanho de amostra grátis já era bem grande. O brinde ajudou a tornar o produto conhecido por ter sido lançado pouco tempo e quem passava a conhecer, gostava e comprava nos estabelecimentos. Um bom marketing, imagino a revista que ficava perfumada, sendo embalada com o sabonete. 

Propaganda tirada de 'Mônica Nº 55' (Ed. Abril, 1974)

A revista "Recreio Nº 280" voltou a dar brinde da linha de higiene da Mônica, agora o brinde foi do creme dental e anunciaram a novidade nessa propaganda, do tipo do que aconteceria na próxima edição da revista. O Cebolinha foi até gentil com a Mônica a chamando de simpática só porque vai ganhar um brinde de creme dental dela. E mostraram foto do creme dental, que mesmo em tamanho de amostra grátis, bem grande também.

Propaganda tirada de 'Recreio Nº 279' (Ed. Abril, 1975)

Em 1976, teve a primeira propaganda individual do creme dental da Mônica, mostrando mais detalhes dele. Com sabor tutti-frutti, o diferencial desse creme é que tinha gosto de chiclete e dava até para fazer bola enquanto escovava dente. Bem inovador. Para crianças que não gostava de escovar dente, foi um grande incentivo, sem dúvida. Tinham preocupação de tudo se tornar brincadeira para as crianças. Propaganda foi estampada com o tubo do creme dental de época e noção do tamanho da bola que podia fazer enquanto escovava os dentes. Não informou quantos gramas tinha, mas era muito grande comparado a pastas de dente atuais.

Propaganda tirada de 'Mônica Nº 69' (Ed. Abril, 1976)

Em 1976, teve a propaganda individual do sabonete da Mônica, estampado com uma menina tomando banho com ele, ao lado do talco e shampoo da Mônica. Propaganda mostrava que era o sabonete das artistas da família, quem tomava banho com ele, era igualzinho aos banhos de espuma que víamos nos filmes de cinema, porque é puro, com perfume muito gostoso e faz bastante espuma. A criança vai fazer do banho a brincadeira mais legal do dia e a mamãe não vai reclamar porque o sabonete vai dar inveja a muita gente, deixando pele muito mais macia e natural do jeito que ela gosta. Ou seja, só vantagem quem tomava banho com esse sabonete e na foto da embalagem mostra que era sabonete bem grande e pesado, durando muito tempo.

Propaganda tirada de 'Mônica Nº 73' (Ed. Abril, 1976)

A nova propaganda do creme dental da Mônica foi lançada em 1976 mostrando várias crianças escovando os dentes com o creme e informando que além de deixar os dentes mais fortes, limpos e brilhantes, ainda vai sentir gosto de chiclé de bola, que vai poder dizer para todo mundo que masca chiclete e escova dentes ao mesmo tempo e se experimentar o creme dental, vai ser o melhor divertimento após o almoço e o jantar.

Propaganda tirada de 'Mônica Nº 76' (Ed. Abril, 1976)

Em 1976, tiveram os lançamentos da escova de dente da Mônica e do creme dental de sabor hortelã, que se juntaram com a linha de higiene da "Phebo" e, então, o creme dental agora com dois sabores: tutti-frutti e hortelã. Para anunciar a novidade, fizeram essa propaganda com uma historinha da mãe que comprou a escova para a filha, dizendo que tinha pontas arredondadas e não machuca a gengiva. E que ela comprou também o creme dental da Mônica de sabor hortelã. que era verdinho, gostoso, parecendo chiclete e faz até bola e pergunta para filha se vai deixá-la usar também e a filha deixa.

Propaganda tirada de 'Cebolinha Nº 46' (Ed. Abril, 1976)

Foram lançados os sabonetes com formato dos rostos das personagens em 1977. Fizeram sabonetes da Mônica, Cebolinha, Bidu e Horácio e vinham juntos em um estojo. Antes, só tinha sabonete da Mônica em formato tradicional e tinha um desenho dela de corpo inteiro segurando uma flor no centro. Esses sabonetes com formato das personagens, provavelmente com mesma fragrância, não duraram muito tempo, foram uma espécie de edição especial limitada. 

Na propaganda, mostra Mônica, Cebolinha, Bidu e Horácio tomando banho em uma banheira de espuma e informando o lançamento dos sabonetes e também o do estojo com 2 sabonetes da Mônica tradicionais, talco e shampoo e que seriam ótimas sugestões de presentes para dar de aniversário para criançada.

Propaganda tirada de 'Mônica Nº 86' (Ed. Abril, 1977)

Em 1977, teve a propaganda anunciando sabonete, shampoo e talco da Mônica. Lembraram que o sabonete era neutro, cheiroso e não irritava a pele, o shampoo limpava, deixava os cabelos macios e não ardia os olhos e que o talco deixava o corpo perfumado o dia todo e usando os produtos, a mamãe não vai mais lembrar que a orelhinha do filho estava suja ou as mãos não estavam limpas e a criança não vai mais fazer de conta que esqueceu da hora do banho. Foi ilustrada com os produtos com pernas como se estivessem correndo para o banheiro, segurando toalha, pente e escova para esfregar o corpo. Simples e bem criativa.

Propaganda tirada de 'Mônica Nº 94' (Ed. Abril, 1978)

Em 1978, teve a nova propaganda da escova de dente da Mônica e do creme dental. Informam que a escova era macia com pontinhas arredondadas e não machucavam as gengivas, que o creme dental a criança podia escolher entre os sabores de tutti-frutti (branco) e hortelã (verde), os dois com gosto de chiclé e quem usava os dois produtos, vivia sorrindo e com dentes bonitos. Foi estampada só com a foto do creme dental de hortelã e da escova de dente. Definitivamente, esse creme dental foi a sensação dos anos 1970, algo bem inovador para a época, anunciavam bastante esse.

Propaganda tirada de 'Mônica Nº 95' (Ed. Abril, 1978)

Como podem ver foram produtos muito bons que caíram no gosto da criançada, de fato eram muito cheirosos e dava gosto de usá-los, e as propagandas bem criativas que conseguiam despertar curiosidade e incentivar compras. Maioria delas dirigidas a crianças que achavam chato tomar banho e que usando os produtos elas iam tomar banho ou escovar dente brincando. Curioso que as propagandas dos anos 1970 tinham muito texto explicativo, não só especificamente dessas, mas todas no geral eram nesse estilo com textos grandes, a partir de meados dos anos 1980, deixaram propagandas com foco nas ilustrações. Em breve posto a segunda e última parte das propagandas de produtos de higiene da Mônica a partir dos anos 1980.

segunda-feira, 11 de setembro de 2023

Chico Bento: HQ "Rede de armadilhas"

Compartilho uma história em que o Chico Bento quando queria se deitar na sua rede e sempre era impedido por alguém. Com 7 páginas, foi história de abertura de 'Chico Bento Nº 67' (Ed. Globo, 1989).

Capa de 'Chico Bento Nº 67' (Ed. Globo, 1989)

Chico Bento monta a sua rede entre as árvores em frente ao sítio, depois de pegar um suco e um livro para deitar na rede, o pai está deitado nela. Seu Bento pergunta ao filho se foi ele quem armou a rede, Chico confirma e Seu Bento diz que é um menino bom, só ele para fazer essa surpresa para o pai que estava cansado de trabalhar na roça e que podia ficar o dia todo lá. Seu Bento dorme na rede por meia hora, quando a sua mulher, Dona Cotinha o chama para almoçar.

Chico aproveita para armar a rede em outro lugar. Anda um pouco e acha local com árvores e monta a rede, feliz que vai poder matar a vontade, só que quando vai deitar, Zé Lelé estava lá. Chico fala que é para sair, a rede é dele, Zé Lelé responde que não tem nome do Chico ali e se fosse, armaria na casa dele, não ali e se quiser usar a rede, vai ter que esperar. Chico aceita quebrar o galho e espera Zé Lelé curtir a rede.

Depois de um tempão dormindo na rede, Zé Lelé vai embora e quando Chico vai deitar, vê que tinha outra pessoa dormindo. Chico dá pontapés, gritando que é para o folgado sair e ninguém mais vai deitar na rede dele. Aí, descobre que era a Rosinha, que pergunta como se atreve aquela grosseria era e termina o namoro com ele. 

Então, Chico resolve armar rede em outro local mais longe ainda e vai para o mato. Arma em cima de um formigueiro, as formigas reclamam entre si e picam a bunda do Chico, que dá um salto para cima e vai procurar outro lugar, falando que não vai desistir da rede dele. 

Depois, monta em outro local do mato, perto de um penhasco, e olha para vários lados para ver se não tem ninguém por perto. Quando finalmente vai deitar, ele se joga nela, fazendo uma onça que estava no galho cair na rede com ele. A onça ataca o Chico, vão se rolando pelo mato, caem do penhasco e param no rio. No final, os pais vão ao hospital visitar o Chico, que estava internado. Perguntam ao médico como o filho estava passando. O médico diz que ele sofreu umas fraturas, mas vai ficar bem e que na verdade até parece feliz, mostrando o Chico todo engessado e guinchado sobre a cama como se estivesse em uma rede.

História legal, bem curtinha e muito divertida, em que o Chico só queria relaxar em uma rede, mas sempre quando tenta deitar, aparecia alguém para atrapalhar, era só ele virar as costas que alguém já estava na rede. Primeiro o pai, depois o Zé Lelé e a Rosinha e até formigas e onça impediram seu descanso. Depois de sofrer acidente com a onça, conseguiu ter a sensação de estar em uma rede no hospital e apesar de acidentado, ficou feliz porque finalmente se deitou em uma rede.

Foram engraçadas as formas do impedimento de deitar, tudo podia ser evitável se Chico fosse mais inteligente. Com o pai, até ainda podia aceitar que ficou com pena do pai cansado de tanto trabalhar na roça e não queria desapontá-lo, só que assim que o pai estava almoçando, era só o Chico ficar lá e já estava resolvido. Mesmo que saísse para procurar outro local, Chico foi muito tolerante com o Zé Lelé folgado, era só expulsá-lo. Com a Rosinha vacilou, podia ter visto quem era antes de mandar expulsar daquele jeito. Com as formigas, ele podia olhar para baixo primeiro e com a onça, olhar para cima antes de armar a rede. 

As reações do Chico em cada um destes impedimentos deixaram melhor ainda. O embate com a onça foi hilário demais. Não mostraram o que aconteceu depois com a onça, até para agilizar e ser uma trama curta em gibi quinzenal e o que era importante era o desfecho com o Chico e aí fica na imaginação de cada um com o que aconteceu com a onça.

O tipo de roteiro parece desenho animado de várias coisas inesperadas acontecerem com o personagem em sequência e as cenas da onça com o movimento, perderam chance de fazer um desenho animado baseado nessa história. Hoje em dia é incorreta nem tanto pelo tema em si, mas por elementos como Chico dar pontapé na Rosinha na rede, ficar sozinho no mato, ser picado por formigas e principalmente, o final com ele se atracando com onça, mostrando acidente com o Chico caindo em precipício, internado no hospital com fraturas no corpo todo, piadas com gente internada, final triste em relação à saúde do Chico, tudo que não pode mais atualmente.

Os traços muito bonitos e encantadores, típicos dos anos 1980. Alguns erros que tiveram foram de pálpebras do Chico brancas quando ficou de olho fechado no último quadrinho da 2ª página da história (página 4 do gibi), ele com dente vermelho no 2º quadrinho, com língua branca no 6º quadrinho e dente com cor da pele enquanto dormia no 7º quadrinho da 3ª página da história (página 5 do gibi) e ele cantando de boca fechada no último quadrinho da 4ª página da história (página 6 do gibi). Todos erros muito comuns na época.

sexta-feira, 8 de setembro de 2023

Tirinha Nº 97: Mônica


Uma tirinha em que o Cebolinha passa uma cola onde o Sansão estava, com intenção de xingar a Mônica sem levar coelhada, só que não contava com a astúcia dela dela de arrancar pedaço da grama para arremessar o coelhinho nele. Engraçada a cara dele fazendo a arte e depois quando viu o que a Mônica fez, nunca imaginaria. Antes não fizesse, não ia sentir o peso maior da terra junto com o Sansão. E mesmo que a Mônica não tirasse do chão, ela ainda poderia dar tapas nele com as mãos, dificilmente ele escaparia da surra do mesmo jeito. Foi bancar o esperto, se deu mal. 

Na colorização chegou a ter erros nos olhos do Cebolinha e do Sansão, no primeiro e terceiro quadrinhos, respectivamente, sem deixar um dos olhos brancos, e também a meia do sapato dele não foram brancas, deixaram marrom como o sapato e a parte marrom da grama representando terra não finalizada, ficando parte branca à esquerda no terceiro quadrinho. Aliás toda a parte debaixo deveria ser marrom, deixando verde só a parte de cima. Tipos de erros muito comuns sobretudo nos anos 1970.

Tirinha publicada originalmente em 'Mônica Nº 89' (Ed. Abril, 1977).


segunda-feira, 4 de setembro de 2023

Cascão: HQ "Lava o prato, lava!"

Mostro uma história em que o Cascão foi obrigado pela mãe de lavar o prato depois de comer, deixando Cebolinha bem animado de ver o amigo lavando as mãos pela primeira vez. Com 6 páginas, foi história de abertura de 'Cascão Nº 55' (Ed. Abril, 1984).

Capa de 'Cascão Nº 55' (Ed. Abril, 1984)

Dona Lurdinha acha legal que o Cebolinha foi jantar com o Cascão e avisa que como a empregada  Tancreda não foi, cada um vai ter que lavar seus pratos quando acabar de jantar. Cascão joga para fora o que estava comendo assustado e pergunta se tem que lavar. A mãe diz que lavar um prato não vai fazer cair dedos e hoje em dia não tem mais esse negócio de só mulher ir para cozinha.


Cebolinha faz um sorriso olhando para o Cascão falando que vai ser interessante ver o Cascão lavando o prato. Ele diz que perdeu a fome e Cebolinha diz que não adianta, já sujou o prato e está louco para ver Cascão terminar de comer e ir para cozinha lavar o prato. Assim, Cascão fica uma hora comendo sem parar para não ir ara cozinha. 

Dona Lurdinha reclama que o filho ainda está na mesa, ele fala que ainda está com fome, Cebolinha diz que não quer lavar o prato e recebe um pontapé do Cascão. Dona Lurdinha diz que o filho sabe que ela precisa de ajuda na cozinha, não deixaria que lavasse toda a louça sozinha, é um bom menino, mesmo que se ele ousar não lavar o prato, iria apanhar, mostrando o chinelo.

Com a ameaça da mãe, Cascão vai para cozinha, se assusta com a torneira gotejando e diz que não vai mexer na água e nada vai fazer lavar o prato. Dona Lurdinha mostra o chinelo e Cascão fala que só a sua mãezinha. Cebolinha pergunta se a fila anda ou não, Cascão o trata como grande amigo e Cebolinha pergunta se quer que ele lave o prato no lugar. 

Cebolinha aceita só se Cascão lhe dar as figurinhas premiadas e bolinhas de gude. Cascão se recusa e Cebolinha grita para Dona Lurdinha que Cascão ainda não lavou o prato. Ele aceita dar suas figurinhas e bolinhas de gude, Cebolinha quer já, Cascão diz que não estão com ele ali e dá depois, Cebolinha não confia e quer já e, então, Cascão não faz  o negócio e começa a se preparar a lavar louça.


Ao abrir a torneira, não sai água e Cascão comemora que faltou água, só que logo depois volta. Cebolinha ordena Cascão para lavar, lavar, até que a campainha toca. Era a empregada Tancreda que voltou, fala que terminou cedo o que tinha que fazer e pergunta se querem que faça alguma coisa. Cascão abraça carinhosamente a empregada, que não entende o patrãozinho e Cebolinha vai embora brabo e mostrando a língua para o Cascão.

História engraçada em que a mãe do Cascão o obriga a lavar louça porque a empregada não foi e Cebolinha faz disso um acontecimento e ainda quer tirar proveito para ver se conseguia as figurinhas e bolinhas de gude do Cascão. Acabou a empregada voltando antes do Cascão lavar a louça e Cebolinha ficando sem os brinquedos do Cascão e sem vê-lo lavar a louça. Bem que mereceu. Pelo visto Dona Lurdinha esqueceu que o filho não gostava de água ou então queria aproveitar a situação para ver se o filho tenha contato com água pela primeira vez. De qualquer forma, ele sempre consegue escapar 

Foi engraçado o Cebolinha incentivando Cascão a lavar louça e fazendo chantagem para conseguir figurinhas e bolinhas de gude dele, Cascão comer que nem a Magali adiando a lavagem do prato. Teve absurdo de Cascão engordar e aparecer normal na  próxima cena, coisa típica de histórias em quadrinhos. Foi bem curta essa para uma história de abertura, mas era normal histórias curtas na Editora Abril e ainda teve um recurso de colocarem 3 quadrinhos por linha, fazendo ocupar menos páginas no gibi.

Interessante dessa vez ter empregada doméstica, normalmente eles não têm, foi colocada para atender roteiro específico. Também a ideia de que antigamente só as mulheres que iam para cozinha e que tinham que fazer as tarefas domésticas e os homens, não, e nos anos 1980 já estava começando o movimento feminista e essa ideia já estava ultrapassada. Também era muito comum pais baterem nos filhos de chinelo e retratado isso em gibis, desenhos animados e na mídia em geral com naturalidade. Hoje, isso é altamente crucificado e censurado, pais não podem bater nos filhos e muito menos palmada de chinelo na bunda e cena assim intolerável ter nos gibis atuais , tanto que eles alteraram no livro "Cascão 50 Anos", de 2013, com ela falando que o filho vai ficar sem videogame se não lavar louça.

Além disso, é incorreta atualmente também por Cebolinha agir como vilão, fazer ameaças e chantagens em vez de ajudar o amigo, fora Cascão dar pontapé no Cebolinha, desobedecer mãe e se dar bem em não ter lavado louça, hoje em dia, o Cascão lava as mãos e daria para lavar louça tranquilamente. Também mãe do cascão aparecer de avental porque as mães não podem mais aparecer de aventais dando ideia que são só donas-de-casa e a palavra "louco" também proibida hoje para não confundir com o personagem Louco.

Os traços muito bem caprichados, típicos dos anos 1980 e já seguindo a fase consagrada dos traços dos personagens. Na propaganda inserida na história, muito comum na época, dessa vez foi em uma página doo "Supergame", da CCE. Foi republicada depois em 'Almanacão de Férias Nº 12' (Ed. Globo, 1992) e novamente no livro "Cascão 50 Anos" (Ed. Panini, 2013), sendo que nesta com alterações. 

Capa de 'Almanacão de Férias Nº 12' (Ed. Globo, 1992)
Capa de 'Cascão 50 Anos' (Ed. Panini, 2013)