sexta-feira, 16 de dezembro de 2022

Magali: HQ "O caso do presente muito esperado"

Mostro uma história em que Papai Noel errou a pontaria na entrega do presente de natal da Magali, que ficou na dúvida se papai Noel se esqueceu dela. Com 11 páginas, foi história de abertura de 'Magali Nº 39' (Ed. Globo, 1990).

Capa de 'Magali Nº 39' (Ed. Globo, 1990)

Escrita por Robson Lacerda, começa com o Papai Noel distribuindo os presentes na noite de Natal, só que ao entregar o da Magali, o pacote cai pra fora da chaminé e cai na lata de lixo da casa. No dia seguinte, ao acordar, Magali já quer saber onde está o seu presente de Natal. Procura debaixo da cama, na Árvore de Natal, mas tinha nada. 

Magali vai para rua triste e vê que Dudu ganhou de presente um carrinho, Cascão, uma bola e Mônica, uma boneca que fala e ela desmerece todos. Depois, começa a chorar. Anjinho aparece e diz que não acredita que tem alguém triste no Natal porque ela ganhou seu presente e deveria estar brincando com ele. Magali fala que não acredita em Papai Noel, nem Coelhinho da Páscoa nem na Seleção Brasileira de Futebol.  

Anjinho quer saber o que aconteceu para ter tanta amargura e ela diz que não ganhou presente, nem um cartão de Natal. Anjinho diz da sua nuvenzinha que viu o Papai Noel passando com os presentes e resolve levá-la ao Polo Norte, voando até lá, falar com ele. No Pólo Norte, Magali afunda na neve ao posar e sente muito frio.

Na casa do Papai Noel, Anjinho fala que a Magali não recebeu presente dela. Papai Noel vai verificar no computador, onde tem todos os dados de todas as crianças do mundo, inclusive as que estão nascendo naquele momento, e confirma que entregou o presente dela. Magali chora, jurando que não recebeu. Papai Noel diz que entregou presente pela chaminé como faz para todas as crianças porque todas são iguais para ele, quando não tem chaminé, joga pela janela e não seria diferente para ela. Anjinho se despede, avisando que vai procurar melhor na casa dela.

Chegando em casa, Magali e Anjinho reviram tudo no quarto de cabeça para baixo e não encontram. Magali vê Mingau revirando o lixo, manda parar e se toca que o pacote que estava revirando era o seu presente. Ela entra na lata de lixo, pega o presente e fica feliz. Só que ao abrir e ver que ganhou uma peteca, não gosta porque não foi o que ela pediu. Anjinho fala que importante foi que Papai Noel se lembrou dela e Magali não quer saber.

Anjinho vai embora, reclamando que ela não tem jeito mesmo. Magali mostra a língua para ele até que aparece uma menina humilde, rindo. Magali quer saber o motivo do riso, a menina diz que ganhou um jogo de varetas e pergunta se quer jogar com ela. Magali responde que só se depois jogarem peteca juntas e no final aparecem as duas se tornando amigas brincando de peteca e Anjinho fala que a Magali começa a dar valor à certas coisas.

História legal em que o Papai Noel erra a pontaria ao entregar o presente de Natal da Magali, fazendo cair na lata de lixo da casa e ela pensa que o Papai Noel esqueceu dela. Anjinho a ajuda levando ao Pólo Norte para falar com o Papai Noel pessoalmente, é constatado que o presente foi mandado e acabam encontrando sem querer após verem o Mingau revirando o lixo. Magali ainda não gosta do presente que ganhou porque não foi o que pediu, mas ao ver uma menina pobre contente que ganhou um simples jogo de vareta, aceita o seu presente e brinca com a menina, ganhando uma nova amiga. O Mingau, sem querer, foi a salvação da Magali, se ele não revirasse lixo, eles nunca iam encontrar o presente, nunca iam imaginar que estaria no lixo. 

Além de mostrar sufoco da Magali supostamente não ter ganho presente do Papai Noel, ainda mostra uma bonita mensagem no final fazendo ela aprender que não importa o presente ganho, e, sim, a intenção e a diversão que pode proporcionar, por mais simples que seja. Só ficou a dúvida qual foi o presente que ela pediu, ficando na imaginação do leitor o que era, partindo dela, não duvido que seja algo alimentício. Pessoas pobres colocavam uma costura na roupa demonstrando que eram humildes, gostava quando retratavam essas diferenças de poder aquisitivo e personagens agirem normalmente sem distinção de rico e pobre. A menina só apareceu nessa história, como de costume de personagens secundários figurantes. 

Foi legal ver a Magali procurando os presentes, desmerecendo os presentes dos amigos só porque não recebeu, ir no Pólo Norte e falar com o Papai Noel e ele ter todos os dados de todas as crianças no computador, Papai Noel bem informatizado. Interessante também a Magali dizer não acreditar nem na Seleção Brasileira de Futebol, com clara referência a eliminação na Copa de 1990 pela Argentina nas oitavas de final, provavelmente o Robson roteirizou quase logo depois da eliminação na Copa e prova que a Seleção estava desacreditada demais depois daquela Copa. 

Narrador-observador no início contando a história sempre era um recurso divertido, narrador representava o roteirista da história, no caso, o Robson, dessa vez. Engraçados também os absurdos como Magali no Polo Norte com a roupa que estava sem pôr agasalho e Anjinho colocar os móveis de cabeça para baixo no teto e interessante ver o computador do Papai Noel como era na época, bem diferente do estilo dos microcomputadores que ficaram popularizados a partir da metade dos anos 1990. 

Foi a primeira história de abertura de gibi da Magali sem envolver comida, com ela agindo com uma menina normal, sem mostrar a sua fome exagerada e absurdos envolvendo gula, o que foi bom pra diferenciar. Só não tinha algo relacionado à comida em história de abertura quando era protagonizada pelo Mingau e mesmo assim quase sempre tinha algo com comida com ele mesmo não sendo o foco principal. Magali contracenar sozinha com o Anjinho também foi diferente e gostei também. A história em si não vejo que é incorreta, mas iam implicar com Magali entrando na lata de lixo, já que não pode mais personagens  dentro de lata de lixo, ela mostrar língua para o Anjinho, assim como absurdos que evitam colocar hoje como colocar móveis de cabeça para baixo.

Os traços ficaram muito caprichados, como sempre na época, principalmente o quadrão da primeira página com o Papai Noel entregando os presentes. Dudu sem fundo branco nos olhos ficava muito melhor, aparentando de fato que era menor do que as outras crianças, e foi uma das últimas vezes que apareceu assim, já que em 1991 ficou com fundo branco nos olhos em definitivo. De curiosidade, foi a segunda capa da Magali com alusão à história de abertura (a primeira foi a "Nº 30", de 1990 com a história "Magalice no país das melancias"), segunda capa sem relação à comida (a anterior foi a edição "Nº 6") e foi a primeira com logotipo achatado, que antes apareceu só nos dois primeiros almanaques dela, aí depois raramente colocavam logotipo assim nas quinzenais normais e passou a ser definitivo assim a partir da edição "Nº 206", de 1997, e ficando assim até o último número da Globo, na sua edição "Nº 403", de 2006.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2022

Capa da Semana: Almanaque da Mônica Nº 7

Compartilho uma capa natalina muito bonita com a turminha em um coral de Natal enquanto o Anjinho e suas amigas anjinhas terminavam de colocar enfeites na Árvore de Natal. Tudo a ver com a data, muito bem representada e desenhos muito caprichados.

Esse Almanaque é especial com republicações de todas as histórias de Natal produzidas até então entre 1970 a 1975 e com histórias de 1 página e tirinhas inéditas de Natal para preencher espaço de páginas faltantes. E o grande marco foi a seção inicial com textos dos personagens falando sobre o Natal, a visão de cada um sobre a data, e que depois os textos viraram animações no filme "O Natal de todos nós" e criaram um livro da Editora Nova Fronteira só reunindo essa seção.

Capa dessa semana é de 'Almanaque da Mônica Nº 7' (Ed. Abril, Dezembro/ 1980).

sexta-feira, 9 de dezembro de 2022

A Turma do Penadinho: HQ "Cuidado com a comida, Teodósio!"

Em dezembro de 1992, há exatos 30 anos, era lançada a história "Cuidado com a boca, Teodósio" em que a Dona Morte resolveu cozinhar para o Teodósio com a intenção de matá-lo com seus dotes culinários especiais. Com 4 páginas, foi publicada em 'Mônica Nº 72' (Ed. Globo, 1992).

Capa de 'Mônica Nº 72' (Ed. Globo, 1992)

Teodósio está indo para casa e sente um cheiro apetitoso vindo de lá, mas lembra que mora sozinho e a mãe dele não tem a chave de casa. Então, vê a Dona Morte cozinhando, falando que preparou uma comida deliciosa para ele. Teodósio pergunta quem é ela, que reclama que em toda história tem que responder a essa pergunta e diz que é a inevitável, aquela que mais cedo ou mais tarde todo mundo a encontra. Teodósio fala que ainda é muito cedo para ir e ela responde que todos dizem a mesma coisa.

Em seguida, Dona Morte oferece macarronada, frango assado e arroz à grega e diz que caprichou no tempero. Teodósio fala que aposta que carregou no sal, que vai aumentar a pressão e vai comer nada. Dona Morte insiste em ele comer uma sopa de cogumelos. Teodósio diz que deve ser chapéu de sapo, mostrando um sapo com chapéu dentro da sopa. Dona Morte reclama que ele está desprezando os dotes culinários dela e oferece pizza, yakissoba e peixe frito e Teodósio recusa tudo e tenta fugir.

Dona Morte oferece ovos fritos, Teodósio fala que é colesterol puro e quer matá-lo do coração. Dona Morte oferece doces e ele corre, falando que já deve estar com diabetes. Depois ela mostra a mesa com tudo que ela preparou e insiste em ele provar cachorro-quente e se recusa porque faz mal para saúde. Até que Teodósio passa mal e acaba morrendo. No final, já no cemitério e como fantasma, ele fala que não é justo e pergunta para Dona Morte do que morreu e ela diz que foi de fome.

História muita engraçada em que a Dona Morte queria matar o Teodósio pelo estômago, através das comidas que preparou. Excelente cozinheira que desejava matá-lo com coisas temperadas demais, salgadas e doces demais. Sabendo disso, Teodósio se recusava a comer, acabou não morrendo por ter comido, mas morreu de fome. Engraçado a Dona morte ter entrado na casa dele do nada e já ter todos os ingredientes das refeições, tudo de forma sobrenatural, o sapo com chapéu na sopa representando cogumelo e o Teodósio recusando as comidas e dando as desculpas não comer par anão morrer e tudo em vão.

Com um certo humor negro, que sempre colocavam nas histórias da Turma do Penadinho quando davam, quis mostrar que da morte não se escapa, de um jeito ou de outro morre quando é a hora, se comesse morria, se não comia, morria do mesmo jeito. Se Teodósio soubesse que ia morrer de qualquer jeito, comeria tudo até não aguentar mais, pelo menos morria satisfeito e feliz. Dessa vez a Dona Morte não colocou foice para matá-lo, quiseram privilegiar cena de ele passar mal e morrer naturalmente. 

Foi legal de que além de divertir, o leitor acaba aprendendo que comer comida salgada demais pode aumentar pressão arterial, comer ovos fritos aumenta colesterol  e comer doces dá diabetes. Crianças que não sabiam dessas doenças, acaba descobrindo e aprendendo. É completamente incorreta atualmente por mostrar humor negro e Teodósio morrer desse jeito, quem sabe, podem achar traumatizante, fora que é raro hoje mostrar a Dona Morte matar alguém.

Teodósio só apareceu nessa história. A Turma do Penadinho foram as mais que tiveram personagens secundários de aparições únicas, muitas vezes até só protagonizadas pelo personagem secundário e os fixos da Turma do Penadinho aparecerem só no final ou nem aparecer, pois mostrando o cemitério já dá ideia de ser a turma dele. 

Os traços ficaram bons, típicos de histórias de miolo dos anos 1990, a Dona Morte que teve uma leve diferença de olhos com fundo branco em vez de fundo preto, mas ficou bem também. Título foi creditado a Turma do Penadinho por ter personagem secundário de destaque, mas daria muito bem creditar a Dona Morte, tranquilamente. E gostava quando o título não aparecia no alto da página, aparecendo em qualquer lugar da página, diferenciava bem. Muito bom relembrar essa história há exatos 30 anos.

terça-feira, 6 de dezembro de 2022

Cebolinha: HQ "Bem-vindos ao estúdio da Mauricio de Sousa Produções!"

Em dezembro de 1982, há exatos 40 anos, era lançada pela Editora Abril a revista 'Cebolinha Nº 120' com a história especial em homenagem aos 10 anos da revista dele. Nessa postagem mostro como foi essa história comemorativa.

Capa de 'Cebolinha Nº 120' (Ed. Abril, 1982)

Escrita por Reinaldo Waismann e com 14 páginas, Mauricio De Sousa e os funcionários apresentam a "Mauricio de Sousa Produções", é um dia especial que estão preparando a revista 'Cebolinha Nº 120' comemorativa de 10 anos da revista dele e estão recebendo convidados  no estúdio. Mauricio pensa que tinham mais convidados, mas só tinha uma senhora com um bebê e o roteirista Reinaldo aproveita para ir ao banheiro. 

Mauricio tenta agradar o bebê, que tenta mordê-lo e fala para mostrar logo o estúdio. Mauricio estranha e a Senhora diz que ele só sabe dizer "gu gu dá dá" e que crianças nessa idade gostam de morder tudo que encontram e coloca uma mamadeira na boca dele para não falar e quer que o Mauricio apresente o estúdio. 

Mauricio estranha que não tenha vindo mais ninguém para visitar estúdio, o bebê diz que foi por causa da placa que ele colocou lá fora de que está proibido visitas. Mauricio quer saber que placa é essa e a Senhora diz que foi nada, coloca mamadeira na boca do bebê e pede para ver o estúdio.

Na apresentação, Mauricio diz que estão fazendo 'Cebolinha Nº 120' comemorando 10 anos de revista. A Senhora pergunta se ainda não começaram a fazer. Mauricio responde que não e apresenta os roteiristas Robson Lacerda e Rubão. Depois de aprovada as histórias, vão para os desenhistas, depois para letristas, arte-finalistas e acabamentistas, e em seguida, coloristas.

A Senhora pede para tirar fotos deles, todos ficam animados, Reinaldo manda esperar sair do banheiro. Quando ela tira as fotos, acontece um clarão no estúdio no momento em que Cebolinha e Cascão estão quase chegando para visitar, com Cebolinha animado para comemoração de 10 anos da sua revista. A Senhora e o bebê saem correndo, atropelando os meninos e levando a placa. Cascão acha o bebê esquisito e Cebolinha pensa que está acontecendo festança lá dentro, quando chega veem estúdio todo revirado.

Reinaldo aparece no banheiro, falando que se rende, mas que não o fotografe. Fica aliviado que era Cebolinha e Cascão lá e diz que estava saindo do banheiro, quando viu uma máquina fotográfica chupando a equipe toda, até o Mauricio. Cebolinha se desespera que sem equipe não tem desenho e não tem revista nem comemoração de 10 anos da revista e eles vão atrás dos 2 vilões.

No caminho, encontram leite derramado, seguem a trilha e vão parar em frente a um estúdio fotográfico. Ao correr em direção, caem em uma armadilha e ficam presos na rede. Aparece a Senhora, tira o disfarce e revela que é Zé Flachildo, o maior fotógrafo do mundo e graças a sua máquina fotográfica catadora de gente, Mauricio e a equipe estão nas mãos deles, todos viraram fotografias.

Zé Flachildo explica que aprisionou a equipe na comemoração da revista porque além de fotógrafo, ele é  maior fotonoveleiro do mundo, faz fotonovelas, e o Mauricio e os gibis do Cebolinha roubaram a clientela dele e agora que prendeu todos, não vai ser lançada a revista e não terá mas concorrência.

Quando ele vai disparar máquina para tirar fotos dos 3, os outros personagens secundários dobram a página com o raio atingindo nela. Jotalhão joga pedra, Mônica, o Sansão, Rolo, chinelo e Bidu corre atrás deles, e, assim, conseguem derrotar os vilões. Chico Bento pega as fotos e Tina solta Cebolinha, Cascão e Reinaldo. Os personagens contam que estavam indo lá de surpresa para comemorar os 10 anos da revista do Cebolinha, quando ouviram tudo.

Cebolinha pergunta como vão fazer com o Mauricio. Rolo diz que entende de fotos, dá um rasgãozinho na ponta das fotos e, então, consegue libertar Mauricio e toda equipe. Cebolinha fica feliz que todos estão salvos, Mauricio diz que isso merece uma comemoração especial, ele pergunta se está pronta, roteiristas e desenhistas dizem que já fizeram tudo e então no final eles tiram a foto que seria capa da revista 'Cebolinha N° 120' comemorativa.

História sensacional de aventura e metalinguagem com o vilão Zé Flachildo e seu ajudante invadindo a MSP para prender o Mauricio de Sousa e toda a equipe em fotos tiradas da sua máquina fotográfica catadora de gente para impedi-los de lançar a revista 'Cebolinha Nº 120' comemorativa de 10 anos e não ter concorrência para vender as suas fotonovelas. Seu plano quase deu certo se não fosse o resto da turma ter ouvido a conversa e eles conseguiram derrotar os vilões.

As revistas do Cebolinha eram tão boas que as pessoas deixavam de comprar fotonovelas do  Zé Flachildo para comprar gibis e, sem a concorrência nas bancas, voltaria a vender. Ele foi bem inteligente em criar uma máquina fotográfica assim, além de ser fotógrafo e fotonoveleiro, também é um excelente cientista com uma invenção dessa, mas como era usada para o mau, teve que ser punido. Mauricio podia ter sido mais espertos nos deslizes do ajudante como bebê e evitaria esse sufoco que passou. 

Foi legal ver o crossover dos personagens da Turma da Mônica com personagens de outros núcleos, principalmente Tina e Rolo, que era bem raro de contracenarem juntos. Rolo que conseguiu liberar a equipe. Procuraram colocar personagens que tiveram mais histórias na trajetória das revistas do Cebolinha, como Turma da Tina, Turma da Mata, Chico Bento e Bidu, só acho que faltou o Astronauta, que também tinha bastante histórias nas revistas dele.

Tudo era motivo de comemoração na época, até aniversário de revista, e a gente ganhava presentes assim. Foi primeira vez que foi mostrado como são feitos os gibis e leitores conheceram os roteiristas, desenhistas e toda a equipe que trabalhavam na MSP através de fotos até então. Antes, tinham as vezes histórias de metalinguagem e com os funcionários caracterizados como desenhos. 

Foi muito interessante mostrar fotografias reais da equipe misturadas com desenhos dos personagens, Mauricio ainda usava barba, e ver como era o estúdio antigamente, que nem era um prédio ainda, deixando os leitores mais próximos do estúdio. E hoje vemos grande diferença de como era o visual das pessoas há 40 anos. A fotografia no final deu origem a capa, já tiraram imaginando posições que iam inserir os desenhos dos personagens junto com a foto. Bem bolado.

O roteirista Reinaldo Waismann foi o grande destaque da história, geralmente roteirista que aparecia contracenando com personagens era o criador da história e quando tinham todos reunidos, o que teve mais destaque era o roteirista. Reinaldo tinha uma frequência bastante em roteiros de metalinguagem e sempre desenhado assim com cabelo loiro encaracolado e com sorriso e dentes a mostra. E era ele que era o Reinaldinho, menino fofo por quem as meninas eram apaixonadas. Reinaldo ficou na MSP até em 1986, quando saiu para trabalhar com a Xuxa na produção do programa "Xou da Xuxa" da Rede Globo de Televisão, criou cenário, foi também o Moderninho do programa dela e ainda foi supervisor da revista em quadrinhos da Xuxa da Editora Globo, sendo como uma espécie de Mauricio dos gibis dela.

A história tem várias coisas datadas como máquina fotográfica lambe-lambe, estúdio fotográfico para revelar fotos de filmes e, principalmente, envolver fotonovelas. Nada disso tem mais hoje. Em especial sobre fotonovelas, eram muito comuns entre os anos 1950 a 1970, sobrevivendo até início dos anos 1980, que eram revistas mostrando história de novela através de fotos de atores com balões demonstrando falas dos personagens. Tipo, uma história em quadrinhos, só que em vez de desenhos eram fotos. Nas partes que mostravam o Mauricio e a equipe falando em fotos nesta história, não deixa de ter sido fotonovela. Hoje, ninguém se interessaria por isso. E máquinas com filmes e revelação foram substituídas por celulares e fotos digitais.

Os traços ficaram muito bons, típicos do início dos anos 1980, quase parecendo com a fase consagrada, mas ainda com umas bochechas dos personagens diferentes. Foi do estilo de 6 quadros por página deixando mais bonitos e as fotos deram um charme a mais. Povo do politicamente correto podem implicar os funcionários presos em fotos, Reinaldo e os personagens presos em rede, vilões eram perversos demais, e homem vestido de milher. As coisas datadas fariam substituições em republicação hoje porque não gostam mostrar coisas que faziam parte do cotidiano de uma determinada época. E tirariam o charuto do ajudante porque não pode mais mostrar personagens fumando.

Nunca foi republicada até hoje porque foi uma história comemorativa específica. Daria para ser republicada a partir de 1987, com chance maior em 1990, só que não faria sentido republicar por ter passado dos 10 anos da revista do Cebolinha. Histórias especiais comemorativas assim raramente são republicadas, tipo especiais de edições "Nº 100", "Nº 200", por exemplo. Uma boa solução para isso seria criar um 'Almanaque Temático' reunindo só histórias comemorativas desse tipo, mas nunca fizeram, então essa é bastante rara hoje e só quem tem a original que conhece.

Essa história acho que devia ter sido na edição 'Cebolinha Nº 121', de Janeiro de 1983, quando de fato, a revista completou 10 anos. Eles colocaram na "Nº 120" para fazer relação à 'Mônica Nº 120' comemorativa , de 1980. Só que a Mônica teve a sua "Nº 1" em maio de 1970 e então a sua "Nº 120" foi no ano 1980, mas o Cebolinha teve lançamento da "Nº 1" em janeiro de 1973, a sua "120" saiu em dezembro de 1982, ano anterior ao lançamento. 

Falando um breve sobre essa edição 'Cebolinha N°120', as outras histórias foram normais e não teve uma tirinha no final, foi uma história de 1 página no lugar. Foram 132 páginas com lombada e duas revistas em uma. Metade da revista com histórias inéditas e a segunda metade reservada para a reedição da 'Cebolinha Nº 1' de 1973, a exemplo como foi a 'Mônica 120', e aí os leitores deram para ver a diferença dos traços e estilo de histórias em 10 anos, foi o período que mais teve mudanças na MSP e mesmo sendo só 10 anos, vimos que era grande a diferença. Foi a segunda vez que a revista do Cebolinha teve lombada, a primeira foi a "Nº 100", de 1981.

Contracapa com a capa da edição 'Cebolinha Nº 1' de 1973

Na reedição "Nº 1" diferenciou da original de não republicarem um tabloide da página 2 e as propagandas foram as atuais de 1982 e não as originais de 1973. De resto, tudo igual. 'Mônica N° 120' não teve história inédita especial na abertura, teve um texto de algumas páginas homenageando e as histórias seguiram normais. 'Cebolinha N° 120', então, foi melhor com essa história especial de homenagem fantástica, não só homenagem à revista do Cebolinha, mas também à própria MSP. Muito bom relembraressa história e edição histórica há exatos 40 anos.

sábado, 3 de dezembro de 2022

Pelezinho: HQ "Se sair do quintal..."

Mostro uma história em que o Pelezinho estava de castigo, proibido pela mãe de sair do quintal de casa, e resolve dar um jeito de sair para jogar futebol sem sair do quintal. Com 6 páginas, foi história de encerramento de 'Pelezinho Nº 44' (Ed. Abril, 1981).

Capa de 'Pelezinho Nº 44' (Ed. Abril, 1981)

Pelezinho está no quintal de casa, assobia e disfarça um pouco até subir o muro para tentar sair. Nessa hora, a mãe o flagra e volta a avisar que o filho não podia sair por estar de castigo por ter quebrado a janela do vizinho. Pelezinho diz que não ia sair, estava amarrando cadarço da chuteira e que não foi ele quebrou a janela.


Dona Celeste fala que foram três vezes no mesmo dia, está de castigo e "ai" dele se sair do quintal para jogar bola. Pelezinho faz choro para ver se dá pena na mãe, mas não adianta, ela sabe dos truques. Pelezinho pensa que o problema é que a mãe o conhece desde que nasceu, precisa renovar seus truques e lamenta como os amigos estão se divertindo jogando futebol e ele não pode ir, os pernas-de-pau fazem nada no jogo sem ele, quando tem uma ideia.

Depois, Pelezinho fala para a turma que vai jogar, Cana Braba pergunta o que ele está fazendo ali já que estava de castigo e não podia sair do quintal. Mostra que era uma perna mecânica que ele criou, falando pelo alto-falante que poder sair, não pode, mas sempre dá um jeito.

No jogo, Pelezinho diz que não sabe como não pensou nisso antes, não leva canelada do Cana Braba, não se cansa e nem se suja. Até que parece o Tonhão, o cara mais briguento da rua, mandando irem embora, que não é para eles jogarem bola lá. Pelezinho pergunta se eles vão jogar ou não, que é para deixarem o grandão falando sozinho. Tonhão ouve, pergunta quem falou isso. Os meninos correm com medo, ficando só as pernas mecânicas do Pelezinho, que diz que não tem medo dele. Tonhão se abaixa e leva um chute no rosto.

Tonhão levanta a perna mecânica levando Pelezinho junto, mas ao deslizar na perna, Pelezinho escorrega bem na cara do Tonhão, machucando e ele vai embora, chorando. Cana Braba diz que Pelezinho colocou Tonhão para correr, Frangão comemora que ele nunca mais vai ter coragem de aparecer lá e Teófilo pergunta se Pelezinho ficou com medo. Ele fala que não conhece essa palavra, não é medroso como os amigos e que tem medo de nada. Teófilo o chama de mentiroso e aposta que Pelezinho tem medo do trinta e sete. Ele pergunta o que é trinta e sete e Teófilo fala que é o número do chinelo da mãe, que aparece e corre atrás dele para bater de chinelo porque saiu do quintal durante o castigo.

Uma história legal em que o Pelezinho estava de castigo e como não podia sair para jogar futebol, tem plano infalível de criar uma perna mecânica para jogar bola sem sair do quintal. Só que não contava que teria que enfrentar o Tonhão briguento, que o tira do quintal depois que leva chute no rosto. Pelezinho consegue derrotá-lo, sem querer, não admitindo que estava com medo do Tonhão, mas não deu para esconder dos amigos o medo da mãe querer batê-lo de chinelo por ter saído do quintal.

Engraçado o absurdo do Pelezinho ter criado uma perna mecânica em tão pouco tempo, tanto em criar e ter  as peças e acessórios para criar e foi boa a ideia dele, afinal, a mãe não podia reclamar de ele estar jogando futebol dentro do quintal. Eram boas essas histórias de planos infalíveis sem serem criados pelo Cebolinha e dessa vez envolveu apanhar no final, já que histórias de planos sem ser do Cebolinha, os personagens sempre se dão mal, mas normalmente não apanham.

A história foi criada com a Turma do Pelezinho, mas poderia ser tranquilamente com o Cascão ou com qualquer personagem menino da Turma da Mônica que não faria diferença. Se não tivesse saído com o Pelezinho, mais chance de ter sido direcionada ao Cascão, já que ele herdou as histórias de futebol depois do cancelamento dos gibis do Pelezinho em 1982.

Tonhão apareceu só nessa história, bem semelhante a meninos valentões da Turma da Mônica, como o Tonhão da Rua de Baixo. Dessa vez o vilão não foi o Jão Balão já que pelo visto o roteirista queria um menino valentão e forte e não se encaixava com o Jão Balão, que procurava mais criar planos infalíveis contra o Pelezinho. Em relação a nomes dos pais do Pelezinho, como o personagem era baseado no jogador Pelé criança, os nomes dos pais do personagem eram os mesmos do jogador da vida real, então, pai e mãe se chamavam Seu Dondinho e Dona Celeste nos gibis. 

É incorreta hoje em dia por mostrar a mãe do Pelezinho tentando bater nele de chinelo pela rua, pois não pode mais mostrar filhos apanhando de chinelo, nem levando surra dos pais e ficarem de castigo porque traumatiza as crianças, é inadmissível tudo isso na educação atual e iam implicar demais se publicassem. Incorreto também os palavrões do Cana Braba e Pelezinho dar chute na vara do Tonhão. Os traços ficaram bons, típicos de histórias de miolo do início dos anos 1980, tiveram erros do Teófilo falando de boca fechada na 3ª página da história (página 46 do gibi) e camisa branca dele em um quadrinho da página seguinte, erros bem comuns na época.

Curiosamente, pouquíssimas histórias do Pelezinho dos anos 1980 foram republicadas. Pela própria Editora Abril, os almanaques dele entre 1982 a 1986 pela editora alcançaram até 1979, o almanaque da Globo de 1988 também só com histórias até 1979 e no livro especial "Pelezinho 50 Anos de Pelé" (Ed. Globo, 1990) que teve uma ou outra dos anos 1980, mas a maioria dos primeiros números de 1977. Então, as dos anos 1980 foram só republicadas na Editora Panini nas edições "As Melhores Histórias do Pelezinho" e essa só foi republicada depois em "As Melhores Histórias do Pelezinho Nº 8", de 2013.

Capa de 'As Melhores Histórias do Pelezinho Nº 8' (Ed. Panini, 2013)

Porém, teve desenhos todos alterados, tirando círculo rosa em volta da boca dos personagens negros, redesenhando bocas, que ficavam tortas, colocando narizes, que ficavam diferentes a cada quadrinho, ou seja, um horror, avacalhação total. Povo do politicamente correto implicou que negros estavam sendo ridicularizados, desenhados daquele jeito, achavam que era boca de palhaço, negros também não podiam ter lábios grossos como o Cana Braba, aí eles conseguiram estragar com o gibi, acabando mais cedo do que devia. Então só quem tem o gibi original de 1981 que conhece os desenhos originais dessa história, sem alterações. Aqui uma comparação em uma página dessa história da avacalhação do que fizeram com Pelezinho nessa últimas edições da Panini.