segunda-feira, 18 de outubro de 2021

Personagens Esquecidos 15: Jaime (namorado da Tina)


Nessa postagem falo sobre o Jaime, que foi o namorado fixo da Tina durante os anos 1980 e que foi para o limbo dos personagens da MSP. Mostro, então, a trajetória do Jaime e algumas histórias marcantes com ele.

Criado em 1981, Jaime foi um dos personagens da nova fase da Tina dos anos 1980. Logo depois da transição da fase hippie para a nova versão em 1977, Tina e sua turma não tinha uma identidade e personalidades próprias, seguiam de acordo com experiência dos roteiristas para os personagens para ver o que poderia dar certo ou não nesse núcleo. Era até normal, por exemplo, histórias com Tina e Pipa interessadas no Rolo. Com a reformulação dos anos 1980, deixaram o Rolo mulherengo, Pipa ganhou um namorado fixo, o Zecão, e criaram o Jaime, como o namorado fixo da Tina.

Jaime (ou Jaiminho) era loiro com barba loira sem bigode, tendo algumas variações de cor, as vezes aparecendo castanho ou ruivo, mas sempre com barba e cabelo da mesma cor. Era alto e algumas vezes mais magro, outras vezes mais musculoso, de acordo com o desenhista. Histórias com Jaime com Tina eram frequentes e eram típico namoro padrão, algumas vezes histórias com conflitos no namoro, mas no geral era mais para mostrar que ela tinha namorado.  Quando tinham conflitos, era no estilo Jaime ser ciumento de ver Tina conversando com outros homens.

Algumas vezes ele aparecia sozinho como amigo do Rolo ou do Zecão ou fazendo figuração ou até mesmo dando conselhos para os conflitos amorosos do Rolo no lugar da Tina, quando a história precisava de um conselho masculino. Embora o Jaime fosse considerado namorado fixo, a Tina teve alguns outros namorados durante o período que ele ficou frequente nas histórias, pode ser porque o roteiro pedia se fosse outro namorado, fora da característica do Jaime.

Sua estreia foi em uma história de 2 páginas de 1981 (e republicadas em 'Almanaque da Mônica N° 5' - Ed. Globo, 1988) em que a Tina não quer que a família coma o pudim que seria do namorado dela, mas acaba ela mesma comendo e passando mal no final . O personagem não tinha nome ainda, foi colocado apenas como namorado da Tina, provavelmente não tinham intenção ainda de ser namorado fixo dela e depois mudaram de ideia. Destaque para a presença da família da Tina como o pai, a Vovoca e do irmão Toneco que estavam sumidos dia gibis até então.


Na história "Enfim, sós" ('Mônica N° 156' - Ed. Abril, 1983 e republicada no 'Almanacão de Férias Nº 6' - Ed. Globo, 1989), Jaime está namorando com a Tina na casa dela, mas tem vários imprevistos com a família da Tina chegando na casa e interrompendo o namoro. No final, eles vão namorar na rua, mas brigam na praça porque o Jaime falou mal da família dela. Nessa já com nome definido. Interessante que nessa tiveram participações rápida também do papagaio Palestrino Toneco e Toim, irmãos da Tina hippie, que estavam sumidos também na época.


Em "Pra distrair", por volta de 1984 (e republicada no 'Almanaque da Magali Nº 3' - Ed. Globo, 1990), Tina fica com tédio da viagem do Jaime e resolve ir a uma sorveteria com o amigo Ronaldo. Tina tenta desviar de Pipa e Zecão para eles não contarem ao Jaime. 

Só que a Tina não contava que o Jaime voltaria cedo da viagem e ela ficou com medo do namorado vê-la conversando com outro, achando que estava namorando outro na ausência dele e resolve fugir. No final, Jaime conta que não tem problema de ela sair com amigos na ausência dele e Tina toma satisfação se Jaime não saiu com alguma pernambucana durante a viagem.


Em "Comigo aconteceu de gostar de namorada de um amigo meu", ('Mônica Nº 191' - Ed. Abril, 1986 e republicada no 'Almanaque da Magali Nº 3' - Ed. Globo, 1990), Jaime apresenta a Tina para o seu amigo Bebeto, que acaba se apaixonando pela Tina a primeira vista. 

Jaime percebe o interesse do amigo pela sua namorada e fica com ciúme, principalmente porque os três saem juntos e Bebeto joga indiretas o tempo todo, não para de conversar com Tina na sorveteria, paga o lanches dela no cinema, fica ao lado dela no cinema, etc. No final, Tina conta para o Bebeto que ela gosta do Jaime e aí Bebeto jura que não vai mais se apaixonar por garota comprometida, mas logo se apaixona pela Pipa quando o Zecão apresenta a namorada dele.


Em "Foi assim..." , por volta de 1986 (e republicada no 'Almanaque da Mônica Nº 39' - Ed. Globo, 1993), mostra a forma como Tina conheceu o Jaime. Tina conta pra amiga que se conheceram na praia, só que falando que Jaime a procurava e fazia tudo pra chamar atenção e ela nem se dava conta que estava afim dela, só que na realidade era o contrário, a Tina que chamava atenção e ele nem aí, conforme mostravam as imagens.

No final, Jaime aparece na casa da Tina e antes dele desmentir a história para a amiga e ela não se passar por mentirosa, Tina fala pra todos saírem pra não ouvirem a mesma história 2 vezes. 


Em "É a Pipa no namoro da TV" ('Mônica Nº 199' - Ed. Abril, 1986 e republicada em 'Coleção Um Tema Só N° 12' - Cascão e o Capitão Feio'), aparece mais o Jaime e Tina como figuração, vendo o programa no qual estava a Pipa procurando um novo namorado para ela. Representa o tipo de aparições de figuração sem ser o tema central da história.


Em "Eu me mordo de ciúme" ('Cebolinha Nº 19' - Ed. Globo, 1988), o  Rolo se morde todo o seu braço toda vez que tinha uma crise de ciúme com a sua namorada Nininha, quando conversava com amigos e até pagando mico quando ela conversava com o Pedro, irmão dela. Jaime dá conselhos para o Rolo não ser ciumento e no final, Nininha termina o namoro porque o Rolo estava convencido demais.

Aparece o Jaime sem a Tina, dessa vez só dando conselhos para o Rolo e resolver a situação do amigo, exercendo a função que seria da Tina de ser conciliadora e ajudar nos problemas amorosos dos amigos. Pelo visto colocaram o Jaime porque uma opinião masculina seria mais interessante naquele caso do que uma feminina.


Na história "Ombro amigo", ('Mônica Nº 23' - Ed. Globo, 1988), Tina ajuda Pipa e Zecão a se reconciliarem depois de brigarem de novo e no final a Tina flagra o Jaime levando outra mulher no carro e aí Tina começa a chorar, querendo ombro amigo da Pipa e Zecão. Ou seja, Tina consegue ajudar os problemas dos amigos com maestria, mas quando o problema é com ela, não conseguia.


Não foi oficialmente fim de namoro deles, se reconciliaram e Jaime apareceu algumas vezes na fase clássica até em 1991. Sua última aparição como namorado oficial foi na história "Palavras Cruzadas", em 'Gibizinho da Tina Nº 2', de 1991, em que um homem mostra cantadas para a Tina indiretamente ao perguntar coisas das palavras cruzadas que ele estava fazendo e quando ela se toca no interesse do cara, Tina avisa que tem namorado e aparece o Jaime para tirar o barato dele. No final, uma mulher velha e feia mostra interesse pelo cara e ele pergunta a mulher qual é o antônimo de bonita.


Após essa história, Jaime foi para o limbo dos personagens e não foi mais considerado namorado da Tina, que passou a só ter namorados diferentes a cada história. Com a nova fase da Tina nos anos 1990, que era para ser mais gostosona e não o estilo de conciliadora de problemas amorosos dos amigos, roteiros pediam mais que a Tina não tivesse namorado fixo, até porque cada namorado dela tinha uma personalidade diferente.

Até que depois de um bom tempo sumido, Jaime voltou a aparecer só em aparições esporádicas, maioria do tipo de tentativas de retorno de namoro, que eles tinham terminado e ensaiavam uma volta. Assim, ele voltou em 2000 na história "Paixão antiga", de 'Mônica Nº 170'. Nela, Tina reencontra o Jaime depois de muito tempo, ele tinha feito uma viagem para a Inglaterra e trouxe a Leslie com ele.

Tina pensa que é namorada do Jaime e finge que tem namorado também se agarrando com o primeiro cara que vê na rua. Depois descobre que Leslie era prima do Jaime, que trouxe só para conhecer o Brasil. Tina e Jaime tentam namorar de novo, mas acabam discutindo e brigando quando comentam o motivo que terminaram o namoro na outra vez, que foi por causa de que ele e faltava nos encontros e ele, por sua vez, se defende que faltava porque ela custava a se arrumar.


Depois, ele voltou em "Alma de crianção" ('Mônica Nº 7' - Ed. Panini, 2007). Nela, Tina e Jaime voltaram a namorar e estão passeando no shopping, só que em vez irem ao cinema, Jaime parava sempre em local de cultura "Pop/Nerd" como ver loja com miniaturas de carros de metais colecionáveis, bonecos de heróis colecionáveis, lojas de games, revistaria com histórias em quadrinhos. Tina acha tudo que era coisa para criança e que ele era um crianção, mas no final descobre que a Tina tinha coleção de bonecos infantis no quarto.

Nessa o Jaime assume uma característica de Nerd e até meio convencido, diferente do estilo que era nos anos 1980. Os traços são da fase "Radical Chic" da Turma da Tina, não gostava dos traços assim, muitas caras e boca que não condizem, e pelo visto retornaram com o Jaime nessa história para ter alguma com ele com traços assim e ficou com traços péssimos.


Em seguida, ele apareceu em 'Tina Especial Nº 1' (Ed. Panini, 2008). Foi uma revista que faziam minissérie de aventuras com a Turma da Tina em 3 edições seguidas em formato americano com eles como "Caçadores de Enigmas" e essa edição foi em volume único. Na história, a Turma da Tina participa do programa de televisão "Eu quero a bufunfa", uma gincana entre 2 equipes para ajudar a faculdade a equipe vencedora. 

Jaime aparece na equipe adversária e como namorado da Rúbia, rival da Tina e que roubou namorado dela, mas ao longo da história ele vê que a Rúbia não vale nada, que faz artimanhas e trapaças pra atrapalhar a equipe da Tina. No final, Tina vence a competição e Jaime fica pensando na Tina, mas eles não voltam a namorar. Faz parte da fase "Barbie" dos personagens da Tina, que também eram horríveis assim, e conseguiram uma história com Jaime nessa versão, aparecendo como musculoso roliço, um horror traços assim.


Sua última aparição foi uma participação especial na história "O dia Z (de Zica)" ('Tina Nº 4' - Ed. Panini, 2009). Nela, Tina não quer sair de casa naquele dia porque em todo ano naquele dia acontece uma "zica" com ela. Ela conta para a Pipa alguns momentos de azar em anos anteriores e uma delas foi que chegou mais cedo no encontro e flagrou o namorado Jaime com a Rúbia, e, assim restou só terminar o namoro com ele por não aceitar traição.

Nessa ele apareceu só em um quadrinho, só como lembrança de como Tina terminou namoro com ele e umas das lembranças de zica dela, mas não era o foco central, até porque a zica no final ficou com a Pipa. Colocaram palavra zica no lugar de azar porque já era proibida a palavra "azar" nas histórias da MSP, continuando assim até hoje.


Depois dessa, Jaime não foi mais visto e ficou de novo no limbo do esquecimento. Pena não ter tido um motivo oficial de fim de namoro, afinal, nunca teve cronologia na MSP, mas pode-se considerar que foi traição por ter ocorrido 2 vezes. Foi um bom personagem, pode ser que volte um dia quando algum roteirista lembrar, mas assim como participação esporádica e não sendo de novo namorado fixo da Tina. Hoje evitam histórias de namoro nos gibis da MSP e mesmo  quando tem, acham que rende mais Tina ter namorados variados que são diferentes nas personalidades e melhor para desenvolver os roteiros. 

sexta-feira, 15 de outubro de 2021

Chico Bento: HQ "Uma aula difícil"


No Dia dos Professore, mostro uma história em que o Chico apronta o tempo todo com a professora Marocas durante a aula. Com 8 páginas, foi história de abertura de 'Chico Bento Nº 30' (Ed. Abril, 1983).

Capa de 'Chico Bento Nº 30' (Ed. Abril, 1983)

Nela, Chico Bento joga um aviãozinho de papel na sala de aula. Zé da Roça ainda avisa que não era para fazer porque a professora Marocas pode chegar a qualquer momento e Chico não dá ouvidos, achando que a professora iria demorar. Só que o aviãozinho cai na testa dela e dá bronca nele.


Chico tenta fugir da sala de mansinho, mas ela o segura com um guarda-chuva pela perna e puxa de novo para sala querendo uma "conversinha" com ele. Chico ainda faz voz mole, Marocas avisa que não adianta, só que quando ela vê o Chico não estava na sala. Ele se escondeu na frente da mesa, Marocas percebe e tenta dar o flagra e ele some.

Marocas fica sem graça, deixa para lá e resolve fazer a chamada. Chama os alunos e quando comenta que faltou só o Chico, ele surge debaixo da mesa onde ela estava sentada e ela se assusta. Com isso, Marocas manda o Chico escrever no quadro negro "Não devo brincar na aula" e não parar até quando ela mandar.

Depois, Marocas tenta dar aula de História e Chico arranha o giz fazendo barulhão que assusta todos. Marocas entrega outro giz para o Chico e ele consegue quebrar. Irritada, ela entrega todos os giz para ele e manda colocar no bolso. Só que ele não tinha bolso, os gizes caem no chão, Marocas pisa, rodopia e bate de frente no quadro, ficando de cabeça para baixo.

Chico tenta se explicar, Marocas diz que acredita em tudo que ele fala e manda ajudar a desvirar porque não consegue se mover. Ao ajudar, Chico acaba tirando a saia dela. Marocas se esconde atrás da mesa e pede para o Chico devolver a saia e Chico diz que não vai dar porque ela vai pôr de castigo e puxar as orelhas dele. Marocas diz que não está braba, Chico diz que sim e aí ela se irrita e grita com ele. Chico se assusta e larga a saia, que voa pela janela e cai no rio em frente a escola.

Marocas manda a turma toda ir lá buscar a saia. Depois de um tempo, Marocas pergunta aos alunos se já conseguiram pegar a saia, Chico fala que não, estão testando pescá-la. Marocas diz que vão ficar o tempo que for preciso até pegarem e no final é revelado que eles estão pescando peixes e curtindo o ar livre, enquanto a saia está até perto deles.

Muito engraçada essa história com Chico perturbando a professora Marocas e depois com medo de não ser castigado por ela, consegue aprontar mais ainda. Ele era um verdadeiro pestinha em sala de aula, não deixa a a professora dar aula. Incrível que no final, a Marocas se deu muito mal e ele se deu depois de tudo que aprontou.

Foi rachar de rir ver o Chico tentando fugir da sala de mansinho sem professora ver, ela o agarrando com o guarda-chuva, o procurando abaixada, os sustos dela com Chico escondido na mesa e com o barulho do giz, ela rodopiando e se trombando no quadro e ficar sem saia. Como a Marocas sofreu com o Chico nessa. Ela não precisava ficar sentada esperando os alunos, era só ficar na janela vendo eles pegarem a saia e ia flagrar que estavam só pescando de boa 

Completamente incorreta por Chico agir como mal aluno desrespeitando a professora, fora coisas que ele fez como fazer a professora cair daquele jeito com os gizes no chão e ela ficar sem saia na sala de aula.  Hoje em dia o Chico é o oposto disso, é um bom aluno, esforçado e não apronta com professora, quase n~]ao tem histórias na escola e quando tem são mais voltadas ao didático, ensinando boas maneiras e Chico tirando nota boa.

Além disso, antigamente a professora Marocas era bem enérgica, colocava os alunos de castigo isolado de frente para parede, gritava com eles, até chamava Chico de burro! hoje ela não é mais assim, é mais calma e sem dar castigo aos alunos, procurando dar conselhos. A didática antiga da Marocas é inaceitável hoje, tipo cena de fazer o Chico escrever no quadro negro não é bem visto, seria traumático para o aluno. Tudo que faz aluno passar vergonha diante dos outros é proibido.

Traços excelentes, típicos dos anos 1980. Foi republicada depois no 'Almanaque do Chico Bento Nº 12' (Ed. Globo, 1990). Termino mostrando a capa desse almanaque.

FELIZ DIA DOS PROFESSORES!!!


Capa de 'Almanaque do Chico Bento Nº 12' (Ed. Globo, 1990)

domingo, 10 de outubro de 2021

Magali: HQ "Nada pra comer!"


Em outubro de 1991, há exatos 30 anos, foi lançada a história "Nada pra comer" em que a Magali se depara que não tinha nada pra comer na sua casa e foi a luta pra ver se conseguir comer alguma coisa. Com 9 páginas, foi história de abertura de 'Magali Nº 60' (Ed. Globo, 1991).

Capa de 'Magali Nº 60' (Ed. Globo, 1991)

Magali acorda com fome e vai até a cozinha para tomar o café-da-manhã e tem surpresa que a mesa está vazia, sem os seus pãezinhos, bolo, queijo, frutas e geléia. Dona Lili fala que está tudo no supermercado, a despena está vazia e vai fazer compras e enquanto isso a Magali toma um chá até a hora do almoço.

Magali diz que até lá não vai aguentar e já vai ter morrido e, assim, vai a rua pra ver se consegue comer. Ela vai a casa da Mônica, diz que foi para tomar café e quando a mesa vazia também e Mônica diz que estão fazendo dieta da Lua e só tem chá. Magali corre até à despensa da casa da Mônica para pegar biscoito e Dona Luísa diz que está vazia e que combinou de ir com a mãe dela juntas fazer compras.

Na rua, Magali comenta que está em situação difícil. sem comida, sem mesada e já passou da hora de filar café na casa de alguém. Em seguida, ela acha uma nota de quinhentos cruzeiros perdida e vai comprar 3 sorvetes, mas o sorveteiro fala que não tem e está indo para a fábrica para abastecer o carrinho. Aí, ela pede 2 cachorros-quentes, e o vendedor diz que só se for sem pão e sem salsicha porque é cedo e ainda vai comprar.

Enquanto vai à lanchonete, ela vê uma senhora procurando dinheiro que perdeu e era tudo que tinha pra comprar comida e então Magali devolve com pena. Em seguida, vê o Dudu com sanduíche na mão. Ela pede desesperadamente para dar o sanduíche e quando vai entregar, Dudu tropeça na lama e mais uma vez ela fica sem comida e chora. 

Magali vê Mônica e Denise com um bolo na mão. Desesperada de fome, come todo só com uma dentada. Denise fala que era bolo de lama e aí só resta Magali cuspir o que ainda restava na boca. Magali começa a passar mal de fome, fica rosa, roxa e verde e desmaia. Mônica e Denise carregam Magali até a casa dela e Dona Lili diz que fez as compras e deixa a filha desmaiada na cama enquanto prepara o almoço.

Depois de pronto, Magali acorda com o cheiro e nem acredita que viu comida. Ela come tudo de uma vez só e pede mais. Depois pede repetir mais 4 vezes, deixando a mãe cansada de ir e voltar da cozinha para o quarto até que Magali fica satisfeita. Dona Lili acha ótimo porque a despensa já ficou vazia de novo depois da comilança da filha. Ou seja, para sustentar a Magali, ela tem que ir no supermercado todos os dias e sempre comprando comida suficiente para um batalhão.

História legal com Magali passando sufoco sem conseguir comer desde que acordou porque a despensa de casa estava vazia. Só um chá no café-da-manhã não dava nem para o começo com a fome dela. Passou por vários imprevistos como despensa da casa da Mônica estar vazia, sorveteiro e vendedor de cachorro-quente não terem nada pra vender, Dudu escorregar com sanduíche na lama, entre outros, até conseguir comer só no almoço, só que aí toda a comida da casa para compensar o tempo que ficou sem comer.

Mostrou a verdadeira Magali obcecada por comida e capaz de tudo, com vários absurdos, para conseguir comer. Costumavam fazer histórias da Magali com dificuldade de conseguir comida, sendo que na maioria das vezes era pretexto para ela ir na casa dos amigos filar boia. Dessa vez, colocaram outras situações que podiam acontecer. 

Foi divertido ver a Magali indo na casa da Mônica na cara-de-pau para tentar tomar café-da-manhã e a falta de educação de ir na despensa pegar biscoito antes da Dona Luísa permitir, se dar mal em nem os vendedores terem o que vender os carrinhos e sanduíche do Dudu cair na lama, Magali desmaiar de fome, precisando as amigas levarem para casa dela, além dos absurdos de comer bolo de lama e a comilança sem parar no final. Tudo muito engraçado.

Ainda bem que ela não conseguiu comprar sorvete e cachorro-quente senão a senhora com o filho iam ficar sem comida, foi bom pra mostrar e refletir que existem gente pobre com fome no mundo, mas sem deixar piegas. Considerando que a revista custou 300 Cruzeiros, a mulher não conseguiria praticamente nada no mercado. Como a inflação era alta, todos os dias subiam os preços, aí pelo visto não deu para corrigir valores em relação a quando foi roteirizada e também a tempo de fechar o gibi ir às bancas. 

Incorreta por ter esse absurdos da fome da Magali que não mais mostradas dessa forma, já chega a ser raro mostrá-la comendo alguma coisa e muito menos com exagero e absurdos como comer bolo de lama, por exemplo. Os traços excelentes assim, gostava muito. A Denise aparecia em cada história com um visual diferente e então dessa vez apareceu loira com chiquinhas, bem estilo como a Xuxa. Muito bom relembrar essa história há exatos 30 anos.

quarta-feira, 6 de outubro de 2021

Astronauta: HQ "Araquém, o 8° passageiro"


Mostro uma história em que o Astronauta passou sufoco ao descobrir que entrou um alienígena intruso na nave e que pensava que queria acabar com ele. Com 8 páginas, foi publicada em 'Mônica Nº 190' (Ed. Abril, 1986).

Capa de 'Mônica Nº 190' (Ed. Abril, 1986)

Começa com o narrador-observador comentando que o leitor acha que a vida do Astronauta é tranquila, solitária e monótona, até que surge um alarme acionado no Computador, que fala que tem presença de um alienígena na nave. Assim, o narrador avisa aos leitores que se tem nervos fracos não é para virar a página porque vai se chocar com a eletrizante aventura. Para os leitores que viraram a página, o narrador comenta que já que virou, não diga depois que ele não avisou. 

Na sequência, Astronauta pergunta onde está o alienígena e o Computador diz que não sabe, pode estar em qualquer parte da nave como o corredor e até na geladeira e manda Astronauta procurá-lo. Astronauta pergunta se não pode esperar ele aparecer e Computador responde que não é para ser atacado pelas costas e ordena que Astronauta vá e enfrente.

Astronauta procura o ET pela nave cheio de medo, diz que nunca havia reparado como a nave é assustadora. Começa a verificar pela sala, ao apertar o botão para abrir a porta, vira de costas com medo, mas não tinha nada. Em outra sala, ao apertar o botão, tem um barulhão, mas eram só coisas caindo de um armário desarrumado e Astronauta comenta que precisa se lembrar de arrumar armário e o narrador pergunta se o leitor se assustou com a cena.

Depois de um tempo procurando por toda a nave, Astronauta encontra nada e pensa que o Computador estava maluco até que vê que alguém saiu correndo e estava o observando. Ele vai no compartimento de cargas, vê uma caixa se mexendo e quando levanta a caixa era só um gatinho. Só que ele se lembra que não tinha gato e se preocupa enquanto surge uma sombra de uma mão querendo pegá-lo. Era um leão, ele se assusta e sai correndo. Logo depois se esbarra com um gorila e sai correndo achando que a nave virou zoológico. Ele se esconde na sala das máquinas, só que surge uma sombra no local. Quando vê, era um dragão. 

Sua arma não consegue detê-lo, já imagina o seu fim até que o dragão começa a falar, perguntando ao Astronauta se pode dar uma carona e se apresenta como Araquém, o oitavo passageiro. Astronauta estranha e Araquém conta que fala 7 idiomas e que o bichos foram só despistá-lo já que o voluvianos podem se transformar em qualquer coisa desde um objeto até um monstro, que foi retratado como uma mulher bonita para os terráqueos. Araquém entrou na nave como forma de bactéria. 

Araquém assume sua verdadeira forma de extraterrestre, diz que é pacífico e quer carona ao sistema PRXK pra visitar a sua tia Frika. Astronauta fica com pé atrás, mas com Araquém implorando ele cede a carona. Astronauta estranha ele falar "nós" e Araquém revela que é o oitavo passageiro porque além dele tem mais 7 membros da família na nave para a surpresa do Astronauta.

História considerada de terror e muito engraçada, o Astronauta fica com medo de um alienígena entrou de penetra na nave, pensando que era hostil e que ia acabar com ele. Não sabia que o Araquém podia se transformar em qualquer coisa, ficando com mais medo ainda quando via os bichos na nave. Para a sua sorte, Araquém era amigável e Astronauta tem surpresa que teria que dar carona também para 7 membros da família do alienígena, entraram sem ele ver.

Foi muito divertido o medo do Astronauta com um suposto ET malígno, Computador dando ordem e bronca no Astronauta, todo o suspense durante a história, até mesmo se tinha ET lá e a surpresa no final de ver que ele era bonzinho e levado a família toda junta. Praticamente monólogo com Astronauta, a maior parte foi só com ele, eu gostava de histórias dos personagens falando sozinho que nem um maluco, como gosto de dizer, os grandes personagens sabem fazer graças sozinhos. Tudo indica que foi estreia do Computador falante que fazia companhia ao Astronauta na nave, ainda assim ficou sumido no resto dos anos 1980 e passou a ter presença mais frequente nas histórias dos anos 1990.

Legal interação do narrador, avisar que se o leitor é sensível a fortes emoções que não é para ler a história e depois ainda pergunta se leitor se assustou com o mistério das coisas caindo do armário. As vezes eles colocavam essa brincadeira nas histórias da Editora Abril, geralmente as de terror, já aconteceu de uma história do Cascão do narrador falando que se era cardíaco não ler a história pra não sofrer ataque do coração. Podiam ter esses avisos de narrador hoje quando se deparassem com alguma coisa incorreta que não agradasse.

Essa história foi baseada no filme "Alien, o oitavo passageiro", um clássico do cinema. Sempre eram bem criativas histórias  na época com paródias de filmes famosos. Impublicável hoje por ter essa ideia de ter um extraterrestre malígno que queria matar o Astronauta, fora ter o Astronauta com arma na mão, mesmo que em formato espacial e palavra "Droga!" falada quando caiu as coisas no armário, proibida também nas revistas atuais.

Traços excelentes da fase de ouro da MSP, já estavam no estilo consagrado dos anos 1980 como eles queriam. Teve um erro na 6ª página da história em que não desenharam o cabelo loiro do Astronauta no lado direito. Depois foi republicada no "Almanaque do Cebolinha Nº 17' (Ed. Globo, 1992). 

Capa de 'Almanaque do Cebolinha Nº 17' (Ed. Globo, 1992)

sábado, 2 de outubro de 2021

Cebolinha: HQ "Um show de mágicas"


Compartilho uma história clássica que completa 40 anos agora em outubro, em que o Cebolinha era mágico e queria fazer um show, mas as coisas não saíram muito bem como ele esperava. Com 8 páginas, foi história de abertura de 'Cebolinha Nº 106' (Ed. Abril, 1981).

Capa de 'Cebolinha Nº 106' (Ed. Abril, 1981)

Começa com Cebolinha como mágico, fazendo vários truques e depois anuncia que vai fazer o seu assistente Cascão desaparecer. Com a capa, ele some, ficando debaixo do alçapão do palco, só que descobre-se que eles estavam apenas ensaiando sem plateia. Cebolinha vê que já estão preparados para receber o público e Cascão comenta que vai ser difícil convencer os amigos pães-duros a pagarem. 


Mônica aparece e Cebolinha diz que estava pensando nela. Mônica pensa que era mais um plano infalível e ele fala que é um proposta de ganhar um ingresso de graça se ela conseguir vender todos os outros ingressos. Mônica aceita, na condição de trocar o ingresso por uma entrada no cinema e Cebolinha topa.

Os meninos estão jogando bolinha de gude e Mônica vai lá vender as entradas do show de mágica. Zé Luís dá desculpa que não pode ir, Jeremias, que não gosta de mágicas e Xaveco, que não tem dinheiro. Mônica ameaça em dar soco neles se não comprarem e logo eles pagam, com Zé Luís falando que ela consegue convencer bem, Jeremias passa a gostar de mágica e Xaveco encontra dinheiro do nada. Com outros meninos, ela faz a mesma coisa de obrigar a comprarem com ameaça de surra com Franjinha comprando 2 entradas, pra ele e Bidu, e Humberto dando adeus ao seu dinheiro. Depois Mônica entrega o dinheiro de todas as entradas vendidas para o Cebolinha e ela vai ao cinema.


Com a plateia em frente ao palco antes do show, Zé Luís espera que o show seja bom mesmo e o Jeremias reclama que com o dinheiro gasto, podia ter comprado 2 sorvetes. Cebolinha acha uma emoção ter muita gente e começa o show. Tenta levitar um livro, mas Jeremias entrega o truque que era um fio amarrado no dedo e todos dão gargalhada. Cebolinha, então, faz mágica de tirar vários pombos da cartola. Não sai nenhum pombo e quando vai ver, Franjinha estava dando comida para eles.

Cebolinha avisa que vai apresentar o seu mais sensacional número. Xaveco debocha que é o número quatro e Jeremias que prefere o número oito. O truque era desaparecer o assistente Cascão. Jeremias fala que não vale tentar jogar água no Cascão. Cebolinha conta até 3 com a capa em suspense e quando tira, Cascão ainda estava lá e alega que a alavanca do alçapão emperrou.

A plateia dá sonora vaia, puxado pelo Jeremias, falam que são mágicos fajutos, querem dinheiro de volta e não consegue fazer ninguém desaparecer. Cebolinha diz que não vai devolver dinheiro e Cascão complementa que eles que azucrinaram com o show. Os meninos falam que eles vão devolver nem que seja na marra e ao cercarem Cebolinha e Cascão para partirem para a briga, eles desaparecem e todos ficam sem entender. Mostram 2 pontos indo para a biblioteca do bairro e lá eram Cebolinha e Cascão, que conseguiram desaparecer sem truque nenhum e ficam procurando nos livros uma forma de desfazer a mágica.

História excelente com Cebolinha querendo fazer apresentação de mágica e Cascão como assistente, mas como a plateia foi forçada a ir para não apanhar da Mônica, resolvem estragar as apresentações do Cebolinha e ser considerado mágico fajuto e conseguirem dinheiro de volta. No sufoco para não apanharem, termina Cebolinha fazendo mágica de verdade de desaparecer e ele com Cascão tentam uma forma de voltarem ao normal procurando em livros de mágicos. Na hora do desespero os personagens faziam coisas mais absurdas.

Foi divertido ver a Mônica obrigando os meninos irem ao show à força, se não pagassem, apanhavam. Na época ela era autoritária ao extremo e os outros tinham que fazer o que ela mandava. Veja bem, a Mônica mandou os outros comprarem as entradas, mas ela não queria assistir e foi ao cinema com o dinheiro de uma entrada, até ela sabia que o show não seria bom, mas os outros tinham que ir assistir mágica para ela poder ir ao cinema. Muito interesseira. A revolta dos meninos foi boa também, desvendando vários segredos de mágicos. O mais sacana de todos foi o Jeremias, quem liderou a azucrinação com o Cebolinha. 

Era legal quando qualquer personagem podia ser mágico nas histórias ou até ter um mágico adulto profissional. Desde que o Nimbus adotou característica de ser mágico, só ele que passou a ser o mágico oficial nas histórias, perdendo a graça. Tipo, se colocassem o Nimbus no lugar do Cebolinha não teria nem metade da diversão que foi, era muito melhor qualquer personagem ser mágico. As vezes era comum personagens sumirem ao longo da história quando tinham muitos reunidos, como aconteceu com figurantes e com o Bidu, que foram abordados pela Mônica, mas não apareceram depois assistindo show.

Traços muito bons da transição dos personagens pontiagudos dos anos 1970 com o que eles queria deixar consagrado ao longo dos anos 1980. Chama a atenção do Jeremias todo preto, é que quando ele foi criado em 1960 ele era preto porque não tinham recursos pra diferenciar personagens negros dos brancos nos gibis e nas tiras de jornais em preto e branco da época. Nos primeiros números da Mônica de 1970, já com gibis coloridos, ele era preto também, aí o personagem ficou sumido ao longo dos anos 1970 e quando voltou em 1981 foi do mesmo preto de antes. ficando assim até em março de 1982, quando resolveram colocar pele de cor marrom, ficando assim até hoje. Mudaram, provavelmente, porque o pessoal da época reclamou que era esculacho com os negros pintando tão preto assim, e em 1983 ainda sofreu outra mudança tirando círculo rosa em volta na boca e deixando uns lábios comuns, ficando assim até hoje. 

Impublicável hoje por mostrar Mônica autoritária obrigando outros a assistirem show que não querem na ameaça de surra, os meninos quererem estragar os truques agindo como vilões e fora que pombos são proibidos nas histórias hoje e ainda mais dando comida a eles porque são tratados como bichos sujos e o Jeremias estar pintado todo preto desse jeito iriam implicar demais. Foi republicada depois em 'Almanaque do Cebolinha Nº 5' (Ed. Globo, 1989) como história de miolo, já que geralmente histórias de abertura curtas originais eram republicadas no miolo em almanaques. Muito bom relembrar esse clássico há exatos 40 anos.

Capa de 'Almanaque do Cebolinha Nº 5' (Ed. Globo, 1989)