segunda-feira, 8 de julho de 2024

HQ "Cascão o inteligente"

Compartilho uma história em que o Cascão fica inteligente após ficar debaixo de um invento de um cientista que deixava as pessoas inteligentes. Com 12 páginas, foi história de abertura publicada em 'Cascão Nº 70' (Ed. Abril, 1985).

Capa de 'Cascão Nº 70' (Ed. Abril, 1985)

O cientista Souza apresenta para o chefe Garibaldi seu invento "Mata-Burro", máquina que vai revolucionar o ensino, meninos não iriam repetir na escola, adeus às notas baixas e às perguntas cretinas para os professores. Garibaldi quer saber para que serve a geringonça e ordena que funcione senão ele vai para a rua, ninguém gasta tempo dele à toa.

Souza explica que a invenção amplifica 20 vezes a inteligência de qualquer um, é só ficar embaixo dela e ligar que até o menino mais burro vai ficar superinteligente e quer que o chefe seja o primeiro a testar. Garibaldi dá um soco na cabeça do Souza, grita que está chamando o patrão e dono da firma que trabalhava de burro, Souza diz que se com a inteligência normal ficou rico, imagine depois de usar a máquina.

Nessa hora, Cascão foge de uma nuvem escura, passa em frente à firma e rouba a invenção por ter formato de guarda-chuva enquanto Garibaldi e Souza continuam discutindo e nem veem. Garibaldi fica animado que pode ficar trilionário com a máquina, quando percebem que sumiu e leem um bilhete do Cascão, dizendo que pegou o guarda-chuva emprestado e daqui a pouco devolve. Garibaldi manda Souza ir atrás do Cascão e avisa que é bom encontrar o mata-burro senão vai ser demitido.

Cascão comenta que a nuvem quase o pegou desprevenido se não fosse o guarda-chuva esquisito e vai passar em casa para pegar o dele e devolver aquele, quando se esbarra com o Cebolinha, que estava fazendo plano infalível contra a Mônica. Cebolinha faz cara que queria chamar o Cascão para o plano, Cascão recusa, Cebolinha fala que esse é bom, Cascão completa que bom como os outros 120 que falharam e aciona o botão do Mata-Burro sem querer, recebendo carga de raios de inteligência.

Cebolinha acha que Cascão está com cara esquisita, Cascão dá olhada nos planos e rasga os papeis, manda testar o que ele acabou de criar e diz que vão se encontrar daqui 6 minutos. Cebolinha acha que o amigo está doidão e que negócio de não tomar banho ia afetar o cérebro dele. O nome do plano é "Mônica com a cara na lama" e diz que "quando avistar a Mônica, colocar um palito no chão e esperar".

Cebolinha avista a Mônica e com medo faz como Cascão escreveu e põe o palito no chão. Uma minhoca tropeça no palito, um pássaro quer comer a minhoca, que se segura na pedra ao lado e faz com que a Mônica tropece na minhoca esticada e caia na lama. Cebolinha aparece exatos 6 minutos, feliz que o plano deu certo, só que ela está atrás furiosa. Cascão cria o plano "Lata de tinta na cabeça" que era só jogar uma moeda para o alto.

Cebolinha joga a moeda, a mulher na janela do prédio pega a moeda, derruba o vaso de flores, que cai na cabeça do pintor que pintava a fachada do prédio e a lata de tinta cai em cima da cabeça da Mônica. Cebolinha quer saber como criar planos infalíveis, Cascão fala que não sabe, simplesmente ficou fácil de derrotar a Mônica e que já criou mais um plano infalível.

Enquanto cientista Souza procura emprego no jornal por não ter encontrado o mata-Burro, vê Mônica correndo dos meninos enquanto eles ovacionam Cascão como novo dono da rua e mandam criar mais um plano infalível. Souza ouve nome de Cascão e vai atrás. Os meninos encurralam a Mônica, que decide entregar o Sansão pra eles. Cascão quer executar seu plano tacando tijolo nela, quando Souza aparece e pega o mata-burro de volta.

Cascão volta ao normal, esquece como era o plano, resolve tacar tijolo pra cima e cai no Cebolinha. Depois, tenta girar o tijolo e cai no pé dele. Mônica vê que o plano não deu certo e corre atrás dos meninos. Garibaldi vê a correria das crianças pela janela, Mônica fica feliz que tudo voltou ao normal, só que no final, vimos que o cientista Souza virou o chefe do Garibaldi, que passou a ser faxineiro da firma.

História muito engraçada em que o Cascão pega a invenção do cientista que faz uma pessoa ficar inteligente pensando que era guarda-chuva e fica inteligente a ponto de bolar planos realmente infalíveis contra a Mônica sem precisar grandes esforços. Quase consegue derrotá-la por completa se não fosse o cientista pegar de volta o seu invento. 


Interessante que os planos do Cascão precisava apenas de um objeto para tudo fluir naturalmente até a Mônica se dar mal. Apenas um palito no chão e depois uma moeda no alto acontecia tudo. Com a sabedoria adquirida pelo invento, Cascão teve uma mistura de inteligência com vidente e previsão do futuro. Como no primeiro plano, por exemplo, ele saberia que uma minhoca ia passar ali bem na hora, se não passasse, ia acontecer nada. 

Foi engraçado ver tiradas como Cascão dizer que plano é bom como todos os outros 120 que falharam (na verdade, nunca fizeram levantamento quantos planos infalíveis foram criados, colocavam qualquer número alto para dar graça), Cebolinha dizer que negócio de não tomar banho ia afetar o cérebro do Cascão, os planos cada um com nomes, a Mônica se dar mal e correr dos meninos.


Foi bem legal a trama à parte do chefe Garibaldi com o cientista Souza, o papo inicial entre eles com o chefe humilhando o funcionário e que no final a situação se inverteu com o Souza se tornando patrão e Garibaldi, faxineiro. 

Ficava superinteligente quem ficava debaixo do "Mata-Burro", mas se sai ou desliga o botão,  volta com a inteligência normal que tem. Com um invento desse, era mais fácil testar nele mesmo, só que não queria ser cobaia, aí como Souza viu que funcionou com o Cascão, aí usou para mudar vida dele. Bem que podia ter um "mata-burro na vida real para todos ficarem inteligentes, e para crianças seria bom já que ficavam inteligentes, então nem precisariam mais professores ensinando, não precisariam ir para escola. O nome do cientista podia ter sido outro porque confunde com o núcleo "Os Souza" que ainda existia na época, a não ser que esse cientista fosse parente deles. 

Apesar do foco não ser história do Cascão sobre banho, mas precisou da invenção ter formato de guarda-chuva e o medo do Cascão da nuvem para roubar a invenção e desenrolar a história, muitas vezes a sua característica principal era só citada, sem ser o foco principal. Legal o Zé Luís participando do plano, mesmo sendo adolescente e não criança como os outros e era muito comum ele participar dos planos infalíveis, isso quando ele não criava os planos como nos anos 1970 e inicio dos anos 1980.

Incorreta hoje em dia por ter violência como soco na cabeça do Souza, tentativa de dar tijolada na Mônica, Cascão ter pancada de tijolo no pé, pintor levar vaso de flor na cabeça, Mônica cair na lama e ter lata de tinta na cabeça, Cebolinha trocando letras em pensamento seria alterado hoje em dia, assim como a palavra "louco", que também é proibida hoje, provavelmente para não confundirem com o personagem Louco. 


Traços ficaram bonitos, quase parecido com a fase consagrada, sendo que as bochechas com curvaturas ainda levemente diferentes. Detalhe de brilho azul nos cabelos de personagens como Zé Luís e Titi em vez de branco, coisa bem característica nos gibis de 1985. Propaganda inserida na história, muito comum nos gibis da Editora Abril, dessa vez foi do lápis "Labra" na lateral da primeira página. Foi republicada depois em 'Almanaque do Cascão Nº 28' (Ed. Globo, 1994). Termino mostrando a capa desse almanaque.

Capa de 'Almanaque do Cascão Nº 28' (Ed. Globo, 1994)

sexta-feira, 5 de julho de 2024

Capa da Semana: Cebolinha Nº 126

Nessa capa, Cebolinha está usando  o computador, acessando o site da Turma da Mônica e o seu mouse com caricatura de Mônica dentuça. Nem usando computador, o Cebolinha não perde oportunidade de perturbar a Mônica, uma paranoia dele, sem dúvida. Bem legal.

Mostrou primórdios da inclusão digital nos gibis, na época de vez em quando tinham histórias com eles mexendo com computador e internet. Aproveitamos também para ver o design do antigo portal da Turma da Mônica, lançado em 1996 e, com isso, pouco tempo de lançado e que marcou época, foi o primeiro site deles na internet e a capa até serviu como espécie de propaganda para quem tinha computador e ainda não tinha acessado o site para conhecê-lo. As capas dos gibis a partir de 1997 também passaram a colocar o endereço do site.

Interessante o Cebolinha com uma roupa bem diferente e moderna, com direito a boné e tênis, não sei como até hoje povo do politicamente correto não implicou com roupas dos personagens, de quererem mudar por roupas deles serem antigas, desde anos 1960 com as mesmas roupas. E gostei do código de barras colorido, deixando quase transparente, só mudando cores de que os leitores de códigos não conseguiam enxergar. Os códigos de barras precisavam ser grandes na época e atrapalhavam as ilustrações, aí quando passaram a ser coloridos amenizou um pouco isso.

A capa dessa semana é de 'Cebolinha Nº 126' (Ed. Globo, Junho/ 1997).

segunda-feira, 1 de julho de 2024

HQ "Caranchico ou um aniversário na vida do Chico Bento"

Dia primeiro de julho é o aniversário do Chico Bento e então mostro uma história de 30 anos atrás em que o Chico vira caranguejo bem no dia do seu aniversário. Com 16 páginas, foi publicada em 'Chico Bento Nº 194' (Ed. Globo, 1994).

Capa de 'Chico Bento Nº 194' (Ed. Globo, 1994)

Chico Bento acorda bem na hora que sua mãe, Dona Cotinha, estava enfeitando seu bolo de aniversário. Ela esconde com o avental em frente da mesa, fala que o filho acordou cedo, o café não está pronto e manda dar uma volta. Chico sai e comenta que todo ano é a mesma coisa, a mãe querendo fazer surpresa pensando que ele não sabe que é o dia do aniversário dele.

Rosinha aparece, comenta que hoje é o aniversário e que ele é caranguejo. Chico diz que não é dia para xingá-lo, Rosinha conta que é signo, os nascidos no dia dele são de caranguejo. Chico não acredita nessas besteiras, Rosinha fala que ele é do jeitinho que diz a revista "Destino", são carinhosos, gostam de ajudar os outros, são muito conservadores e apegados à família, enquanto Chico dava carinho ao porco Torresmo, ajudava a mulher carregar compras e dava bênçãos para o pai. 

Chico se irrita e grita que não acreditas nessas besteiras e Rosinha fala que os nativos de caranguejo mudam de humor muito fácil. Chico comenta sozinho que não quer saber de horóscopo, ele não é caranguejo, é menino. Uma bruxa ouve, acha divertido e gosta de aprontar com quem não acredita no sobrenatural e, assim, o transforma em um caranguejo de verdade nas próximas duas horas para ter certeza o que é. 

Chico como caranguejo fica debaixo do chapéu e estranha ficar tudo escuro, quando sai se espanta como ficou dentro do chapéu, acha que encolheu e vai ver seu reflexo no riacho. Estranha que só anda de lago, vê o reflexo e pensa que tinha um caranguejo na frente e se toca que era ele próprio. Fica desesperado, se queixa que isso que dá ser personagem de história em quadrinhos, quando é preso em uma rede pelo Zé Lelé para fazer croquete de carne de caranguejo no jantar.

Chico lamenta que Zé Lelé não ouve e é uma sina morrer na mão de um amigo. Zé Lelé se pergunta como se mata caranguejo, se é com paulada ou tiro e resolve tacá-lo vivo dentro da água quente. Quando ia tacar, Zé da Roça aparece, mandando parar com tudo que estava fazendo porque o Seu Bento avisou que a festa de aniversário do Chico vai começar. Zé Lelé desiste de ferver o caranguejo e resolve dá-lo de presente para o Chico.

Zé Lelé pergunta se a festa vai começar, Dona Cotinha diz que ainda falta o mais importante. Zé Lelé diz que as comidas e a barriga vazia estão tudo lá e Dona Cotinha diz que falta o aniversariante, o Chico Bento. O pai fala que procurou em tudo que é canto e não encontrou e Dona Cotinha chora que o filho sumiu e queria que ele tivesse uma festa surpresa.

Zé Lelé vai comer para não ficar de barriga vazia, Chico aproveita para fugir e aparece em frente à Rosinha, que se assusta, pensando que era uma aranha. Um menino pega uma vassoura para matá-lo. Chico avança e vai parar em cima do cabelo da Dona Cotinha, que se desespera e põe a mão para ele sair de  lá. Chico cai em cima da mesa da festa, os meninos tentam pegá-lo e Chico entra no bolo. 

Seu Bento pega a espingarda, dizendo que o caranguejo vai virar patê e na mesma hora, a Bruxa fala que o encanto vai acabar. Todos cercam o bolo para matar o caranguejo, quando Chico volta ao normal. Seu Bento quer saber como o filho foi parar dentro do bolo, Chico diz que é uma história comprida e que ainda bem acabou e Hiro fala que o Chico quem fez a surpresa para eles.


Zé Lelé quer saber onde está o caranguejo, Chico fala que ele está ali e logo emenda que o signo de caranguejo e Rosinha estranha porque ele disse que não acreditava nessas coisas. No final, todos cantam Parabéns para o Chico, que se emociona e chora, e Rosinha conta que os nativos de caranguejo também são muito sentimentais.
 

História legal em que uma bruxa transforma o Chico Bento em caranguejo porque ele não acreditava em signos do Horóscopo. Chico passa sufoco com o Zé Lelé que queria comê-lo, fazendo croquete de caranguejo, e depois na sua festa quando todos queriam matá-lo por ter visto um caranguejo atrapalhando. Volta ao normal e aí passa a acreditar em Horóscopo e ao se emocionar quando cantam Parabéns para ele, confirma que tem todas as características do signo do caranguejo.

Se Chico não comentasse que não acreditava em Horóscopo em voz alta, a bruxa não saberia e aí não viraria caranguejo. Foi salvo pelo Zé da Roça de ir parar na panela quente e morrer. Zé Lelé foi bem malvado mesmo se fosse um caranguejo verdadeiro, ia sofrer para morrer. Todos na festa também perversos querendo acabar com o caranguejo de qualquer jeito. Chico preferiu não contar que ele era o caranguejo, se contasse, ninguém ia acreditar e ia passar por louco, preferiu omitir. 

Foram engraçadas tiradas como a Dona Cotinha disfarçando bolo com o avental, a forma que o Chico descobriu que virou caranguejo, a fala do Chico que isso que dá ser personagem em quadrinhos, sinal que era normal que podia acontecer de tudo com eles, Zé Lelé achar que mais importante na festa era a comida e não o aniversariante, Rosinha confundir caranguejo com aranha. MSP gostava de histórias de personagens se transformando em alguma coisa, já se transformaram de tudo e sempre bem divertido. Dessa vez aproveitaram o signo de Câncer que tem símbolo de caranguejo para o Chico se transformar em um. 

Curioso que a revista "Destino" que a Rosinha lia para o Chico existia na época, revista que falava de previsões de signos, tarôs, Numerologia, Ufologia e outros assuntos esotéricos, estava em circulação nas bancas e não teve nome parodiado nesta história. Nem sempre os nomes famosos não eram parodiados na época e como a revista "Destino" era da Editora Globo também deve ter ajudado a não terem parodiado dessa vez.

Os traços ficaram muito bons e do estilo de 3 linhas e até 6 quadros por página que davam destaque aos desenhos, porém história ocupava mais páginas no gibi em relação se fosse enquadramento normal. É incorreta atualmente por intenção de matar para comer caranguejo, maltrato a animais, personagem preso dentro de rede, Seu Bento com espingarda, mãe aparecer de avental porque não pode mais dar ideia que mães são donas-de-casa, criança como Rosinha se interessar uma revista esotérica como "Destino", além da palavra "janta" não pode mais, sempre alteram para "jantar" para ficar de acordo com a norma culta da Língua Portuguesa.

Foi a primeira história de aniversário fixo do Chico Bento, então, são 30 anos que personagens tiveram datas de aniversário fixos, datas foram escolhidas de acordo com a Numerologia das características dos personagens. Desde então, são obrigados a todo ano colocarem histórias de aniversários dos personagens em seus respectivos meses, antes tinham histórias assim só de vez em quando e podiam sair em qualquer mês, quando bem entendessem.

Também hoje, primeiro de julho, marca 30 anos do Plano Real no Brasil, a revista é do segundo semestre de junho, por isso ainda com o preço em URV na capa, mas era o valor que foi adotado nos gibis quinzenais em Real, era a mesma coisa. Essa revista chegou atrasada na época e comprei no dia primeiro de julho de 1994, então bem no dia do aniversário do Chico e foi a primeira revista que comprei em cédula de Real.

FELIZ ANIVERSÁRIO, CHICO BENTO!!!

sexta-feira, 28 de junho de 2024

Penadinho: HQ "Eu uso óculos"

Mostro uma história em que o Penadinho passou sufoco com uma mulher que tinha perdido seus óculos depois de ele se esconder da chuva na casa dela. Com 4 páginas, foi publicada em 'Cebolinha Nº 33' (Ed. Globo, 1989).

Capa de 'Cebolinha Nº 33' (Ed. Globo, 1989)

Penadinho está na rua, quando cai uma chuva e ele se esconde na casa de uma mulher que procurava seus óculos. Ela pergunta se foi o marido Astolfo que entrou e chegou cedo do serviço. Penadinho finge que é o Astolfo, a mulher acha a voz estranha, achando que está rouco, e pergunta se ele viu os óculos dela e Penadinho diz que não, segurando os óculos.

A mulher fala que preparou o jantar, acha a mão do Penadinho gelada e prepara um chá de alho quente. Penadinho toma e pula de tão quente que estava e ainda fez chá de jiló e ela se desculpa por estar sem óculos. Depois, ela o leva para a cama, Penadinho acha que está quentinho ali e resolve ligar rádio par aouvir música, mas o rádio explode porque a tomada estava com defeito.

A mulher leva a comida e Penadinho acha horrível e ela percebe que deu a ração do cãozinho deles. Quando ela se ausenta para buscar a comida, Penadinho vai embora, prefere enfrentar a chuva e ela lamenta que toda vez que  perde os óculos, o marido cai fora. Penadinho quer ficar debaixo do toldo para se abrigar e quando chega, vê o Astolfo abrigado lá, ao seu lado.

História legal em que o Penadinho se esconde da chuva na casa de uma mulher que tinha perdido o óculos e ela pensa que era o marido. Penadinho passa sufoco por ela não enxergar direito, não aguenta ficar com ela e vai embora se abrigar debaixo do toldo. Só que tem a surpresa que o Astolfo estava lá, preferiu ficar na rua do que aturar a mulher sem óculos.

Penadinho só queria fugir da chuva e se proteger do frio que estava, mas não contava que a mulher sem óculos aprontava tanto. Ele até poderia ter entregue o óculos para a mulher, mas se ela o visse normal, ia expulsá-lo da casa. A grande surpresa foi do Astolfo ter a mesma aparência do Penadinho, só que estava vivo. Sem óculos e vendo tudo embaçado, não era a toa que ela o confundiu com o marido. Divrrtido a mulher falar tudo no diminutivo como "sentadinho", "caminha", "sopinha", etc, e ela tratou o suposto marido com muito zelo, inclusive dar sopinha na boca, porque pensava que estava resfriado com a chuva após achar que está rouco com mãos frias. Ela e o marido só apareceram nesta história como de costume com personagens secundários criados para história única.

Teve absurdos durante toda a história, pois como o Penadinho é fantasma, ele não devia ter sensações de frio, não se preocupar com chuva caindo porque ia atravessá-lo, teria que atravessar a porta para entrar e não entrar porque aproveitou que estava aberta, não dava para comer e beber, sentir que chá estava quente e  horroroso e que a raçãodo cachorroera horrível, se queimar com o rádio, etc. Tudo isso muito engraçado, se agisse um legítimo fantasma e não ligasse para chuva, não teria história, então precisaria desses absurdos para ter os conflitos. Não seria ruim também se fosse o Cascão no lugar e passar sufoco com ela só para não se molhar com a chuva.

Os traços ficaram bons, do estilo de histórias de miolo da segunda metade dos anos 1980. O título "Eu uso óculos" como referência à música dos Paralamas do Sucesso, curioso que era um título bem usado quando histórias tinham tema de óculos, ou que alguém tinha perdido óculos, já tiveram outras com esse mesmo título. Incorreta atualmente pelos sofrimentos que o Penadinho passou, principalmente em relação a comer ração de cachorro, entrar na casa dos outros sem permissão,  além da palavra "Droga!" ser proibida hoje nos gibis. Histórias da Turma do Penadinho na época normalmente eram em gibis do Cascão e curtas de até 5 páginas Por algumas vezes saíam nos gibis da Mônica e Cebolinha, quando eram mais longas, sendo que dessa vez foi uma história curta em gibi do Cebolinha, talvez para variar um pouco ou encaixaram por ter faltado 4 páginas para fechar o gibi.

segunda-feira, 24 de junho de 2024

Cebolinha: HQ "Um louco no rojão"

Dia 24 de junho é "Dia de São João" e então, mostro uma história em que o Louco sai dentro de um rojão dando muita confusão para o Cebolinha. Com 4 páginas, foi publicada em 'Almanaque da Mônica Nº 9' (Ed. Abril, 1981).

Capa de 'Almanaque da Mônica N° 9 - Especial Festas Juninas' (Ed. Abril, 1981)

Cebolinha encontra um rojão largado na rua, resolve acender com fósforo e quando estoura, sai o Louco de dentro. Cebolinha pergunta como entrou ali, Louco responde que foi pela porta, Cebolinha diz que está vendo nenhuma porta e Louco diz que é porque está olhando pela janela. Alguém dentro do rojão grita que tem alguém espiando, reclama que não pode se trocar sossegado e joga escova de cabelo na cara do Cebolinha.

Cebolinha acha muita confusão por causa de um rojão. Louco diz que todo mundo pode pensar que estão em época de São João. Cebolinha confirma que estão e Louco quer arrumar uma fogueira para ninguém pensar que é Natal. Cebolinha quer buscar batatas-doces de casa e diz que depois podem fazer uma quadrilha. Louco fala que não quer fazer parte, Cebolinha pergunta parte em quê e Louco manda decidir se quer uma quadrilha ou um "em quê". Cebolinha diz que é quadrilha de festa junina e precisam de mais gente para dançarem.

Louco pergunta para um homem se quer formar uma quadrilha com eles, o homem era bandido que prefere trabalhar sozinho, aponta arma, mandando passar o dinheiro. Louco fala que não tem dinheiro e vai buscar, entrando no rojão. O bandido fica transtornado e vai embora depois da loucura que viu. Cebolinha manda o Louco sair do rojão porque o bandido foi embora, olha para saber o que tem por dentro e acaba o rojão disparando na cara dele.

História legal em que o Cebolinha tem que lidar com o Louco depois de sair de um rojão, que era como se fosse a casa do Louco e de outras pessoas, tipo um apartamento ou vila dentro do rojão, que tinha até janelas e portas. Quem sabe o rojão era o hospício onde eles viviam. Acontece de tudo como nas histórias com o Louco e no final o rojão volta a ser comum depois que o Louco volta para ele e dispara na cara do Cebolinha. Ficou dado como uma espécie de dúvida se realmente aconteceu tudo aquilo ou se o Cebolinha sonhou. 

Foram engraçados os absurdos o Louco sair do rojão, afinal como ia caber lá dentro e ainda saber que ainda tinham outras pessoas morando lá, alguém dentro do rojão se incomodar que Cebolinha estava olhando trocar de roupa, Cebolinha ser atingido pelo rojão e ficar só com rosto pouco queimado sem nada grave acontecer com ele, além dos trocadilhos como quadrilha de festa junina e quadrilha de bandidos. 

Pode notar que o Cebolinha ficou bem calmo com o Louco, queria até formar uma festa junina com ele nos anos 1970 até início dos anos 1980 era assim o Cebolinha diante do Louco, depois que acharam melhor o Cebolinha mais irritado, impaciente e ficando pirado com o Louco. Em 1981 passou a ficar fixo o Louco só com o Cebolinha, antes disso, o Louco podia contracenar também sozinho com a Mônica e com o Bidu. Na prática, em gibis do Cebolinha,  o Louco contracenava com ele, nos gibis da Mônica, com ela e com o Bidu podia sair em qualquer gibi, com preferência nos do Cebolinha. 

Na época, histórias nonsenses assim estavam em alta e não eram só nas histórias do Louco, essas situações de absurdos nada com nada com a realidade, podiam acontecer em qualquer tipo de história e de personagens. Também era bem frequente presença de bandidos, quase todos os gibis tinham bandidos, nem que fosse participação especial como foi nessa. Para ter ideia, só nesse almanaque, foram 3 histórias com bandidos contando com essa. É totalmente impublicável hoje em dia por ter personagens mexendo com rojão, Cebolinha mexer com fósforo e levar pancada de escova, ter bandido apontando armas para eles, rojão disparar na cara do Cebolinha, os absurdos nonsenses exagerados, tudo que o povo do politicamente abomina e é proibido atualmente, só 4 páginas e deixa de cabelos em pé com tantas coisas incorretas.

Os traços ficaram bons, mais simples, típicos de histórias de miolo do início dos anos 1980. Nunca foi republicada até hoje, assim como as outras histórias inéditas deste 'Almanaque da Mônica Nº 9' e de outros almanaques com inéditas da Editora Abril. Esta poderia ter sido republicada a partir de 1986 até na Globo nos anos 1990, mas eles só buscavam histórias de gibis convencionais para republicarem nos almanaques e acabou ficando esquecida. Então é rara e nunca veremos essa publicada em um almanaque atual, só quem tem a edição original que conhece.