quinta-feira, 17 de agosto de 2023

Capa da Semana: Almanaque do Cascão Nº 53

Mostro uma capa ambientada na Era Medieval, Cascão está como o Rei Artur e ao tirar a espada Excalibur da pedra, todos se espantam que a lendária espada era nada mais nada menos do que um guarda-chuva. Com o Cascão tudo virava seu inseparável guarda-chuva, gostava quando tinham essas adaptações de coisas de acordo com a característica do personagem. Também era legal paródias a lendas e fábulas famosas adaptadas com as características deles. Pena o código de barras atrapalhar a arte, menos pior que deixaram código colorido, mas de qualquer forma, seria melhor se não tivesse.

A capa dessa semana é de 'Almanaque do Cascão Nº 53' (Ed. Globo, Setembro/ 1999).

domingo, 13 de agosto de 2023

Mônica: HQ "Papai queria menino"

No "Dia dos Pais", mostro uma história lançada em agosto de 1993, há exatos 30 anos, em que a Mônica  deseja virar menino porque pensa que o Seu Sousa não gosta dela quando ouve do pai que queria um menino. Com 17 páginas, foi publicada em 'Mônica Nº 80' (Ed. Globo, 1993).

Capa de 'Mônica Nº 80' (Ed. Globo, 1993)

Seu Sousa vê uma bola enquanto volta do trabalho, os meninos, que estavam jogando futebol, pedem para chutar e Seu Sousa dá um chutão e joga com eles e faz um gol. Os meninos pedem para ele jogar no time de cada um deles e Seu Sousa diz que outra hora joga e foi divertido.

Em casa, Mônica está animada para o seu pai ver seu vestido novo. Quando Seu Sousa chega, diz que está bonito sem empolgação e sem dar atenção senta na poltrona. Mônica repara que nem a viu direito e acha que o pai está preocupado. Ela pega todos os seus bonecos e chama o pai para brincar de marionete e ele diz que agora não porque está cansado.

Mônica acha que o negócio é sério porque nem quis brincar com ela e vai ouvir escondida a conversa do pai com a mãe na cozinha. Seu Sousa comenta que eles podiam ter um menino, Dona Luísa se espanta de terem outro filho. Ele diz que outro não porque eles tem uma menina, sempre quis ter um menino para ensinar a jogar bola, empinar pipa. Dona Luísa diz que meninas podem fazer isso também e ele diz que não é a mesma coisa. Dona Luísa fala que outro filho ia atrapalhar o orçamento e ela queria voltar a trabalhar e Seu Sousa se contenta que é um sonho que vai ficar para mais tarde.

Mônica ouve tudo, segura o choro e corre para o seu quarto. Chora abraçada no travesseiro, diz que o pai não gosta dela, mas parecia porque sempre a pegava no colo, dava beijo de boa noite, contava histórias, disfarçou bem. Imagina que antes de nascer, o pai vivia repetindo que seria menino e quando se preparou para o grande dia, se decepcionou quando a viu. A mãe deve ter tido trabalhão para convencê-lo a não sair de casa e com o tempo foi se acostumando com a ideia, mas no fundo nunca gostou dela só porque é menina. Ela se olha no espelho, talvez tenha jeito para isso e sai para falar com o Cebolinha.

No dia seguinte, Seu Sousa vai chamar a Mônica para tomar café e ela aparece vestida e com linguajar de menino e dá um tapa nas costas do pai perguntando como vai essa força. Seu Sousa pergunta que roupa era aquela e cadê o vestido novo e ela diz que aquilo é tudo cheio de frescura. Dona Luísa pergunta por que a filha está fantasiada, Mônica diz que quer se vestir assim agora, quer que os pais comprem pião, bolinha de gude e bola de capotão.

Seu Sousa acha melhor eles brincarem de marionete e ela diz que não porque marcou  um jogo de futebol com a turma, mas depois podem assistir à luta de boxe juntos. Os pais ficam assustados com o que está acontecendo com a garotinha deles e acham que erraram em alguma coisa. Mônica fica feliz que o pai ficou surpreso e acha que está gostando mais dela e se encontra com o Cebolinha para aprender mais coisa.

Cebolinha diz que a roupa dele ficou ridícula nela e que parece um menino bem feio e dentuço e Mônica quer bater nele. Cebolinha diz que menino não faria isso, não ligam se eles são feios e Mônica responde que por isso ele tem coragem de sair na rua até hoje. Cebolinha fala que se continuar a gozação, não a ensina mais ser menino e lembram do trato que se ele ensiná-la a ser menino ela não bate mais no Cebolinha.

Depois, Cebolinha leva Mônica ao campinho pra ensinar como joga futebol. Cascão e Franjinha não gostam, mas aceitam depois da ameaça da surra. Cebolinha ensina à Mônica que tem que levar a bola até o gol e ela joga bola ao gol com a mão. Cebolinha diz que é com o pé e ela acerta o Cascão. Cebolinha diz que precisa de mais treino, quando o Seu Sousa aparece e eles têm que fazer a Mônica impressionar o pai imediatamente. 

Eles fingem que a Mônica driblou facilmente e ao chutar a bola, Mônica faz a bola sair do Planeta Terra de tanta força que chutou. Eles pegam outra bola, Mônica dá de graça ao adversário, Franjinha quica a bola, provocando pênalti de propósito. Mônica chuta bem devagar, a bola roda, para e Cascão como goleiro faz chutar em direção ao gol e todos comemoram como se fosse gol dela e que fez ganhar a partida. 

Cascão parabeniza Seu Sousa que a filha é craque, Mônica pergunta ao pai se está orgulhosa dela e Cebolinha diz para Mônica que vai acabar virando menino. Ela o chama de linguarudo e manda esquecer o trato deles. Seu Sousa quer saber por que Mônica quer virar menino e ela responde que é para o pai gostar dela, ouviu que ele queria ter um menino para jogar bola e empinar pipa e ele não gosta dela porque é menina. 

Seu Sousa fica arrependido e explica que também queria um menino, mas adora a sua garotinha, se tivesse um filho, ia ficar louco para tê-la porque com quem ia brincar de marionetes, de contar histórias e relembram os momentos gostosos que passaram juntos desde quandoera bebê. Assim, Seu Sousa sugere Mônica pôr um vestido para saírem juntos por aí. Mônica dá beijo nele, fica feliz e, em casa, enquanto ela troca de roupa, Seu Sousa comenta com a esposa que bem que podiam ter mais umas menininhas.

História legal em que Seu Sousa diz que queria ter um menino e Mônica acha que o pai não gosta dela por ser menina e resolve virar um menino pra agradá-lo. Consegue algumas dicas com o Cebolinha e tenta jogar futebol para impressionar, mas com a entrega do trato pelo Cebolinha, Seu Sousa mostra que gosta da filha, os momentos que passam juntos são maravilhosos e no final desiste de ter menino e que gostaria de ter outras meninas como a Mônica. Reconhece que as meninas são melhores.

Mostra ideia de pais que preferiam ter filho do sexo oposto do que têm, que insatisfeitos tentam fazer outros filhos para ver se vem. Tem bonita mensagem que independente do sexo, pai e mãe vai amar do mesmo jeito. Seu Sousa, queria menino para jogar bola e empinar pipa com o filho, mas que tinha preconceito que meninas não podiam fazer essas coisas, uma mentalidade muito comum na época que tinham de separar coisas de meninos e de meninas. É até um equívoco isso porque podem ter meninos que não gostam de jogar futebol e meninas que gostam, por exemplo.

Foi engraçado ver a imaginação da Mônica do nascimento dela com o pai todo animado por ter filho e decepção de ter vindo menina e querer sair de casa por causa disso, a Mônica vestida e se comportando como menino, jogando futebol toda errada chegando jogar bola ao gol com a mão e chutar bola para fora do Planeta Terra, também ela dar o troco na feiura do Cebolinha e a bigorna de 100 kg na cabeça do Seu Sousa representando peso na consciência. 

Cebolinha que acabou entregando seu próprio plano dessa vez, perdeu a chance de nunca mais apanhar da Mônica. Deu uma certa pena da Mônica chorando pensando que estava sendo rejeitada pelo pai. Curioso que nesta história a Mônica não apareceu com o tradicional vestido vermelho e Mônica ter boneca dela mesma e ter apenas sua boneca e o Sansão como seus únicos brinquedos. E eu gostava da arte dos pensamentos e sonhos das personagens quando eram retratados em tons azuis assim.

Incorreta atualmente por essa ideia de impressão que Seu Sousa não gostava da filha por ser menina, e ele ser machista que só meninos faziam aquelas coisas que ele queria, essa distinção de rótulos de coisas só para meninos e coisas só para meninas, a Mônica sofrer por ser rejeitada pelo pai e querer virar menino, vestida como um, aparecer com estilingue no bolso por ser violento e dar ideia de matar passarinhos, Dona Luísa de avental e aparecer cozinhando ou fazendo tarefas domésticas porque as mães não podem mais serem retratadas apenas como donas-de-casa, além das palavras proibidas "gozação", para não ser ter duplo sentido de cunho sexual, e "louco", para não confundirem com o personagem Louco.

Os traços eu achei bons, sendo que tem algumas leves diferenças na Mônica com dentes maiores e olhares diferentes e personagens com linha da boca fechada maior quando ficavam surpresos, provavelmente foi por experiência de novos traços e também para dar mais humor, de qualquer forma não vingaram desenhos com Mônica assim, foi só nessa história. Seu Sousa foi retratado mais gordinho, isso variava de acordo com cada desenhista. Teve erro na disposição do boné da Mônica, do nada ficava aba pra frente e aba pra trás sem critério definido.

Em alguns momentos Dona Luísa aparecia sem lábios com batom e em outros com. Não acho que foi erro, pelo visto a deixaram sem lábios de propósito nas cenas que queriam dar mais humor. Não gostava quando as mães das personagens apareciam sem lábios ou batom, mesmo que com intenção para histórias mais humoradas e/ou mães estarem mais rígidascom os filhos, achava que elas ficavam feias, incrível que só uma ausência de lábios faziam toda diferença no visual delas.

De curiosidade, esse foi último gibi da Mônica sem códigos de barras na capa, a partir da edição "Nº 81", de setembro de 1993, e em todos os outros gibis passaram a colocar códigos de barras para atender estabelecimentos como livrarias e mercados que vendiam com leitores de códigos de barras que estava se popularizando na época. Também marcou como o primeiro gibi da Mônica com preço em "Cruzeiro Real" (CR$), que substituiu o "Cruzeiro" (Cr$). Consistiu mesmo apenas em tirar 3 zeros, dividir preço por mil, devido a hiperinflação do Brasil na época e que continuou aumentando preços da mesma forma. Assim, esse gibi 'Mônica Nº 80', de agosto de 1993, de CR$ 95,00 é o mesmo que Cr$ 95.000,00 e que teve grande aumento em relação a 'Mônica Nº 79', de julho de 1993, que custou Cr$ 65.000,00. E também foi o único gibi da Mônica com preço em "Cruzeiro Real" e sem códigos de barras. Muito bom relembrar essa história há exatos 30 anos.

FELIZ DIAS DOS PAIS!!! 

terça-feira, 8 de agosto de 2023

Piteco: HQ "Uma noiva para Deus Tigre"


Mostro uma história em que o Piteco precisa salvar a Thuga de se casar com um Deus Tigre. Com 7 páginas, foi publicada em 'Mônica Nº 21' (Ed. Globo, 1988).

Capa de 'Mônica Nº 21' (Ed. Globo, 1988)

Um sacerdote reclama com a imagem do Deus Tigre que as colheitas do povo estão destruídas, as crianças passam fome e pergunta o que eles devem fazer para aplacar a ira do Deus, conquistarem sua simpatia e terminar com o sofrimento deles. O sacerdote recebe a mensagem que Deus Tigre quer uma noiva, os outros perguntam onde vão arranjar uma e o Sacerdote diz que em Lem há muitas garotas bonitas e, então, vão lá buscar.

Enquanto isso, Thuga está correndo atrás do Piteco, ela fala que não fica bem um caçador fugindo de uma garota e reclama quando ele consegue escapar. Os sacerdotes olham a Thuga, acham linda e que Deus Tigre vai adorar, só é um pouco magra, que dão um jeito nisso, e, assim, a sequestram carregando em uma rede. Thuga grita pedindo socorro para o Piteco, que ouve enquanto estava dentro do lago e vai atrás das pegadas de tigres que encontrava no chão. 

Na aldeia dos homens-trigres, as mulheres ficam aliviadas que e escolhida não foi uma delas e Thuga é uma verdadeira gata selvagem. Thuga fala que vai ter pena quando o Piteco for salvá-la. O sacerdote manda as mulheres buscarem comida, elas levam banquete e Thuga pergunta o que acontece se ela recusar e eles ameaçam tacar lança nela. Com isso, Thuga come tudo sem entender o que querem com ela.

Piteco vê a aldeia de longe, acha que está movimentada e captura um velho sacerdote para saber o que está acontecendo. Depois, as mulheres preparam a Thuga de noiva, ela diz que só se casa com o Piteco, não o troca por homem algum. Elas falam que Deus Tigre não é homem e a deixam sozinha diante dele. Thuga fala que sonhou tanto com a Lua-de-Mel e não pensava que seria assim, ser devorada por um tigre, e chora. 

Piteco aparece e afugenta o tigre com fogo. Ele solta a Thuga e fogem dos homens-tigres, sobem em uma montanha e Piteco joga uma pedrona neles. No final, ela fica feliz por Piteco a ter salvo e pergunta como eles vão terminar essa história. Piteco diz que será Thuga correndo atrás dele só que não conta que outros homens querem uma noiva para Deuses Jacaré, Urso e Búfalo e só resta Piteco correr com Thuga no colo dele para salvá-la.

História de aventura legal em que homens-tigres raptaram a Thuga para se casar com o Deus Tigre deles para que em troca acabasse com o sofrimento do povo. O casamento seria o Deus Tigre devorar a sua noiva só que Piteco conseguiu estragaram o plano deles, salvando a Thuga, só que no final precisou também livrá-la de outros homens que queriam noiva para os deuses deles.

Os homens-tigres achavam que se fizessem o que Deus Tigre queria, iam acabar com a pobreza do deles. Era uma idolatria que tinham, tanto que se vestiam de tigres para representar seu deus. Não foi representado só por uma imagem, eles tinham um tigre na aldeia que adotavam como um deus. Thuga já era gorda e eles ainda achavam que era magra para Deus Tigre devorá-la por isso a fizeram comer muito. Ela se deu bem no final ser carregada no colo pelo Piteco, mesmo que ele não tinha alguma intenção com ela, só ser carregada já foi romântico para ela e fugiu da mesmice de terminar ela correr atrás do Piteco.

Foi engraçado ver tiradas como Thuga falar que só casa com o Piteco e que sempre imaginou que sua Lua-de-Mel seria diferente, etc, que serviram para dar humor à aventura, dar uma leveza diante dos perigos dela. Legal também Piteco se esconder no rio com uma espécie de canudo para respirar, ficaria muitas horas lá se não fosse o pedido de socorro da Thuga e a metalinguagem de eles saberem que estão em uma história em quadrinhos, que nem tinha sido inventada na Pré-História assim como vestido de noiva da Thuga. Esses absurdos eram muito bons. Na época estava muito frequente metalinguagem nas histórias de qualquer núcleo da MSP.

Misturou características de histórias do Piteco com ele fugindo da Thuga e povos idolatrando um deus. Gostavam de colocar histórias de Piteco com personagens idolatrando um Deus, geralmente era um tigre, uma montanha, um fogo e Piteco se aproveitava para tirar vantagem com isso como ficar com as oferendas que davam para o deus deles, eram bem frequentes e eram boas histórias assim. Na Pré-História tinham tigres-dentes-de-sabre como foi retratado na trama.

Os traços ficaram excelentes, era muito bom ver desenhos assim. As cores eram boas assim, com destaque do rosa mais escuro, mais próximo do roxo, bem frequentes nos gibis do segundo semestre de 1988 e início de 1989, quando as vezes até o rosa era substituído pelo roxo. Incorreta hoje em dia por envolver Deus, religião, idolatria, sequestro, prender Thuga em uma rede e comer muito, ter lanças pontudas, tacape e clava que representam armas, absurdos de coisas que não existiam na Pré-História, e nem Thuga correr atrás de Piteco não pode mais atualmente. 

sexta-feira, 4 de agosto de 2023

Cebolinha: HQ "Cuidado com a boca!"

Mostro uma história em que o Cebolinha recebeu um feitiço de uma bruxa e então tudo que ele falava se tornava realidade. Com 15 páginas, foi publicada em 'Cebolinha Nº 8' (Ed. Globo, 1987).

Capa de 'Cebolinha Nº 8' (Ed. Globo, 1987)

Escrita e desenhada por Rosana Munhoz, começa com o Cebolinha reclamando de mais um plano infalível contra a Mônica fracassado, fala palavrões na frente de duas senhoras, Matilde e Malvina, que acham que criança não deviam sair falando essas coisas. Matilde diz ao Cebolinha que devia maneirar na linguagem, ele dá bronca que o que ela tem a ver com isso, teve um dia cheio e reclama quanto quiser. Malvina acha um desaforo e Cebolinha diz que queria todo mundo sumisse. 

Elas, na verdade, são bruxas e Malvina resolve, então, fazer um encanto para dar uma lição no Cebolinha, ter cuidado com o que diz já que tudo que ele falar, vai virar realidade. Em seguida, Cebolinha encontra o Cascão, diz que seu plano infalível falhou, Cascão comenta que devia saber pelo olho roxo dele e acha bom de não ter participado. Cebolinha reclama que o deixou na mão, Cascão diz que foi prudente, Cebolinha não gosta e fala que ele foi um "monstro" desnaturado, e, assim, o Cascão se transforma em um monstro e passa a perseguir o Cebolinha.

Cebolinha sobe em uma árvore e deseja que ele voltasse a ser o Cascão e, assim, ele volta ao normal, sem lembrar do que tinha acontecido e acha que a surra da Mônica o deixou esquisito. Cebolinha diz que foi bom ter de volta o "velho" Cascão e, então, ele se transforma em um velho coroca com dor nas costas. Cascão dá uma bengalada na cabeça do Cebolinha e senta na pedra.

Magali aparece e pergunta quem é o velhinho parecido com o Cascão. Cebolinha diz que é o próprio, só que anda se transformando em coisas esquisitas. Magali dá ideia de levá-lo ao médico, que pode ter sido alguma coisa que ele comeu. No caminho, Cebolinha diz que a Magali é um "doce" e ela se transforma em doce. Ela diz que dá vontade de dar mordida nela mesma e Cebolinha se apavora, acha que deve ser contagioso de todos os seus amigos ficarem estranhos e chora.

Franjinha quer saber motivo da gritaria, Cebolinha conta que seus amigos estão doentes e Franjinha vai preparar um elixir rejuvenescedor para o Cascão com seus estojo de química que sempre leva com ele e para Magali ele não sabe ainda. Cebolinha fica feliz e chama o Franjinha de "o maior" e aí o Franjinha vira um gigante.

Franjinha se intriga que só com o Cebolinha acontece nada e ele diz que acha que é autoimune à doença. Franjinha acha que o Cebolinha é o causador, ele diz que como é que ele poderia fazer isso e quer que um "raio caia na cabeça" se for verdade e um raio cai na cabeça dele e Franjinha confirma que tudo que ele fala, acontece.

Cebolinha acha que isso é terrível, uma calamidade, mas ao olhar a Mônica acha maravilhoso e aproveita para aprontar com ela. Cebolinha pergunta se ela lembra da última surra que deu nele e diz que ele nunca mais vai apanhar e a chama de bobona. Mônica mostra o Sansão e ele diz o que ela vai fazer com uma "pluma", com o Sansão se transformando em pluma. Também a chama de "gorduchona", "baixinha" e "super dentuça" e a Mônica se transforma em uma caricatura que ele rabisca nos muros. Mônica tenta bater nele, a chama de "lesma" e ela se transforma em uma lesma.

Mônica quer voltar ao normal e seus amigos também. Cebolinha diz que está se divertindo muito e que o novo dono da rua tem direito a diversão. Mônica lesma fica braba e Cebolinha a transforma em um elefantão dentuço. Ele ri dos amigos falando que parecem que saíram de um baile de Carnaval. Eles ficam brabos e correm atrás do Cebolinha, que corre para casa e pede ajuda a seus pais, que acham que é tudo imaginação do filho.

Cebolinha acha que os pais são uns "quadradões" e eles viram uns quadrados. Cebolinha se desespera, fala que é um "burro" e se transforma em um. Os amigos se aproximam da casa, diz que ele está em um "mato sem cachorro" e vai parar em um matagal. Ao procurar uma forma de sair, se esbarra na Bruxa Malvina. Cebolinha fala que foi ela quem causou toda aquela confusão, Malvina conta que foi ele mesmo por não ter dito coisas agradáveis.

Cebolinha fala que se arrependeu e chora e a Bruxa faz tudo voltar ao normal. Seus amigos batem na porta de casa, Cebolinha diz que devem estar chateados com ele e que não adianta pedir desculpas e se ainda estiver sob aquele feitiço, ia pedir para eles esquecerem tudo e voltarem a ser amigos deles. A turma fala que eles são amigos, não sabem sobre história de feitiço e foram para chamar para brincar e Mônica o desculpa do último plano. Cebolinha pensa que a bruxa ainda deixou o encanto por mais um tempo e ela diz que não, é porque as palavras são mesmos mágicas, se desejarmos coisas agradáveis, nada poderá sair errado enquanto a turma brinca de roda.

História muito legal em que o Cebolinha recebe castigo de uma bruxa de tudo que falasse ia acontecer por ele ter sido malcriado. À princípio, ficou preocupado com os amigos, achava que era doença contagiosa, mas depois que descobriu que a causa era o que falava, passou a tirar proveito para atacar a Mônica e ser dono da rua e não teve mais pena dos seus amigos. Só voltou a se preocupar quando seus pais e ele próprio sofreram com o que ele disse e, assim, se arrepende e a bruxa faz tudo voltar ao normal.

Para todos os casos, bastava Cebolinha falar que eram para eles voltarem ao normal que estava resolvido, mas não fizeram para ter os conflitos necessários e Cebolinha não perder oportunidade de aprontar com a Mônica e ser dono da rua. De início, o Cascão não sabia que ele se transformou em monstro e em velho com reumatismo, mas depois percebeu o que aconteceu. Todos se esqueceram de fato assim quando tudo voltou ao normal, mas as boas palavras para os amigos deixaram felizes e coincidiu com o momento. 

Além da gente se divertir muito, ainda teve mensagem de que devemos falar coisas boas para atrair coisas boas e não se deve também ser malcriado, responder aos mais velhos. Foi engraçado ver que gírias e sentidos figurados ficaram no sentido real nas falas do Cebolinha como ao dizer que "velho Cascão" de ser o Cascão que ele conhecia antes e acabou virando velho coroca com reumatismo, Magali é um "doce", de meiga, ela virou doce de comer, Franjinha como "o maior" de inteligente, virou um gigante, Cebolinha falar que ele é "burro", de não inteligente, e virar um animal burro estar em um "mato-sem-cachorro", de problema sem solução, foi parar em um matagal. Já outras transformações foram sentidos reais das palavras. Isso também serviu pra leitores aprenderem sentidos duplos de palavras, ou seja, aprendíamos com os gibis sem deixar piegas.

A gente viu que cada palavra que fazia a turma se transformar em alguma coisa tinha um destaque com pontos em volta pra ressaltar que era aquela palavra de destaque que serviu no feitiço da bruxa. Tiveram momentos hilários principalmente das transformações da Mônica, inclusive em lesma e elefante dentuço, a Magali querer comer a si própria só porque era doce, o Franjinha precavido em andar sempre com seu estojo de Química e absurdo como Cascão com dor nas costas, mas conseguiu correr tranquilamente atrás do Cebolinha. 

É toda incorreta atualmente, já nos primeiros quadrinhos com Cebolinha surrado com olho roxo, falando "Droga!" repetidamente, sendo malcriado, responder aos mais velhos e falando palavrões, fora ele levar bengalada e raio na cabeça, dar mau exemplo ao dizer que faz caricaturas da Mônica no muro, já que hoje colocam cartazes no muro para rabiscar, ser comparado ao animal burro. Teria também alteração do Cebolinha pensar trocando "R" pelo "L" no final, já que hoje eles o colocam obrigatoriamente pensando normal sem trocar letras. Teve erro do Cebolinha falar "Franjinha" sem trocar "R" pelo "L" na 6ª página da história (página 8 do gibi), um tipo de erro muito comum que acontecia por distração do letrista.

Os traços ficaram muito lindos, era encantador desenhos assim. Teve uma cena do Cebolinha com dentes a mostra que foi pra indicar que estava com plano maquiavélico contra a Mônica e os dentes foram bem colocado nesse caso. As cores desbotadas eram típicas dos gibis do segundo semestre de 1987, mas com o papel oleoso da revista até que deu um contraste legal, diferente de quando era desbotada em papel comum.  Propaganda inserida na história dessa vez foi do lápis "Labra", sempre presente nas revistas da época. Depois, em 'Cebolinha N° 26' (Ed. Globo, 1989), teve história semelhante a essa, chamada de "O poder da palavra", sendo que nesta o que faz as coisas acontecerem quando o Cebolinha fala foi ele tomar uma poção de um bruxo. Muito boa também essa. 

terça-feira, 1 de agosto de 2023

Tirinha Nº 96: Magali

Nessa tirinha, Mônica e Magali estão em um programa de auditório de calouros, Mônica diz que vai cantar depois do apresentador perguntar o que vai fazer e quando ele pergunta o mesmo para Magali, ela responde que vai comer os tomates que o público vai jogar nela. Como Magali sabe que a Mônica vai cantar mal, não ia perder oportunidade comer tomates jogados, seria um desperdício. Apesar da Mônica ser considerada uma péssima cantora, podia agradecer a amiga que não ia levar tomates na cara.

O apresentador até lembra o Gugu Liberato, só não sabe se a intenção de roteirista era ser ele mesmo. Vemos uma Magali bem sarcástica, diferente do estilo da personalidade dela e a Mônica aparecer inclinada quando ficou surpresa com a piada da Magali, aí tudo indica da tirinha ter sido feita pelo Emerson Abreu. Já mostra uma nova leva de tirinhas de jornais que aproveitavam para os gibis e que ajudou a acabar com repetições de tiras de expedientes de jornais que estavam colocando as mesmas desde os anos 1980, convenhamos estavam muito repetitivas as republicações de tiras nos gibis antes disso. 

Tirinha publicada em 'Magali Nº 247' (Ed. Globo, 1998).