domingo, 14 de maio de 2023

Dudu: HQ "A estratégia errada"


No "Dia das Mães" comemorado hoje, mostro uma história em que o Dudu criou plano para não comer o almoço que a mãe  fez para poder chupar pirulito. Com 5 páginas, foi publicada em 'Magali Nº 64' (Ed. Globo, 1991).

Capa de 'Magali Nº 64' (Ed. Globo, 1991)

Na hora do almoço, Dudu quer pirulito e sua mãe, Dona Cecília, diz que só depois que ele almoçar e comer tudo. Dudu fica mexendo e batendo na comida com a colher e depois reclama que não vai comer aquela coisa grudenta e Dona Cecília responde que não estaria se não tivesse brincando com ela, resolve sair e quando voltar, quer ver o prato limpo.

Dudu corre para jogar comida fora e com os avisos da mãe de não jogar comida na pia, no lixo e nem no aquário, ele volta para a mesa. Reclama que se não quisesse tanto o pirulito, não comeria. Resolve usar o poder da mente para desaparecer a comida. Não consegue e passa a amassá-la para achatar e parecer que tem menos e fica pior, parecendo uma panqueca nojenta.

Depois, Dudu tenta ligar para a Magali, só que ela viajou, e comenta que nem ela comeria a meleca que fez. Grita para a mãe que eles precisam de um bichinho de estimação e ela o manda comer. Então, Dudu tem ideia de jogar a comida no pote da cozinha. Dona Cecília volta, elogia que o prato está limpo, sem nada na pia, na cozinha e no aquário. No final, quando vai dar o pirulito de recompensa, está justamente no pote que o Dudu jogou a comida e ele começa a chorar.

História legal em que o Dudu cria artimanhas para não comer o almoço e ficar só com o pirulito. Tem várias ideias como jogar fora comida em lugares óbvios para a mãe, até ter a estratégia de jogar no pote da cozinha, pensando que a mãe não descobriria, mas não viu que era onde estava o pirulito que tanto queria. Aí, no final fica na imaginação dos leitores o que a Dona Cecília fez com o Dudu quando viu toda a comida no pote, sem poder aproveitar nem comida nem pirulitos. Eles gostavam de deixar finais abertos para leitor imaginar e criar a sua sequência. 

Segue o estilo clássico de histórias em que o Dudu fazia de tudo para não comer e dando trabalho para a sua mãe. Não gostava de comer e era capaz de tudo, até de desperdiçar e jogar comida fora. Foi engraçado ele tentar recorrer até a paranormalidade com poder da mente para fazer desaparecer, saber que Magali viajou e não poderia comer e querer um bichinho pra comer no lugar dele. 

Interessante que o Dudu não gostava de comer refeições como arroz, feijão,  carne, verduras, etc, mas gostava de guloseimas como pirulitos, balas, chicletes, etc, que davam nutrição nenhuma. Por ele, comia só guloseimas. Dona Cecília sofria com o filho. Pelo menos ele se deu mal no final desta vez, mas tinham muitas vezes que se dava bem normalmente, sem levar castigo.

É toda incorreta atualmente, até ainda tem histórias do Dudu enjoado para não comer, mas não  a ponto de dar mal exemplo de jogar comida fora, amassando, desperdiçando, enquanto muita gente passa fome e quer algo para comer. Fora Dudu responder à mãe, discutir, desobedecê-la, sem chance também hoje em dia. Eles preferem hoje histórias do Dudu sendo pestinha com seus amigos em outras circunstâncias sem relacionado à comida, sendo que mesmo assim nos últimos anos, nem com seus amigos o Dudu está tão pestinha, está mais como um figurante de luxo. E a palavra  "Credo!" também não aceitam mais nos gibis atuais.

Os traços ficaram muito bons, típicos de histórias de miolo do início dos anos 1990. Foi legal os detalhes na cozinha e ver telefone pendurado na parede, mudando o estilo convencional de telefone de mesa e que tinham famílias adotando esse modelo de telefone na época.

FELIZ DIA DAS MÃES!!!

quarta-feira, 10 de maio de 2023

Magali: HQ "Eterno aniversário"

Dia 10 de maio é aniversário da Magali e em homenagem mostro história em que a Magali teve festa de aniversário todos os dias após fazer pedido na hora de cantar Parabéns. Com 17 páginas, foi publicada em 'Magali Nº 232' (Ed. Globo, 1998).

Capa de 'Magali Nº 232' (Ed. Globo, 1998)

Magali está animada com a sua festa de aniversário, canta Parabéns parodiado para ela mesma e diz para a mãe que está contente, esperou um ano inteiro para isso, músicas, brincadeiras, presentes, salgadinhos, docinhos e bolo. Festa tem até decoração do Ursinho Bilu, que deu um trabalhão para o pai fazer e o bolo a mãe terminou de fazer há pouco tempo.


Os primeiros convidados chegam em seguida e dão os presentes para a Magali. Mônica dá um short para dançar o "Tchum" (É o Tchan!). Cebolinha diz brincando que não conseguiu encontrar presente que era lesmas e minhocas e dá um ursinho de pelúcia. Cascão dá um par de meias de futebol já que ele ganhou no Natal e não serviu e tinha que dar um fim.


Depois chegam os outros convidados, os pais servem refresco, docinhos e salgadinhos e começa a festa. Xaveco reclama com o Do Contra que foi ele quem sentou primeiro na brincadeira da Dança das Cadeiras, Franjinha dá bronca no Dudu para não estourar balões e Denise derrama suco no Titi. Mônica dá coelhada na Magali sem querer porque queria acertar o Cebolinha e o Cascão.


Todos cantam Parabéns, Magali adora tudo e pensa que amanhã termina tudo e aí depois só ano que vem. Dona Lili fala diz para filha fazer um pedido e assoprar a vela. Assim feito, Mônica pergunta o que Magali pediu e ela fala que é segredo. No final da festa, Magali se despede dos amigos, dizendo que só ano que vem, os pais deixam para fazer a limpeza amanhã porque já era tarde e Magali vai dormir.


No dia seguinte, quando acorda, Magali acha que acordou tarde porque os pais já arrumaram toda a bagunça da festa. Os pais desejam Parabéns, Magali estranha aniversário de novo e eles falam que o último faz um ano e acha que o tempo custa a passar para as crianças. Magali olha a folhinha e marca 10 de maio e a decoração do Ursinho Bilu da festa está no lugar de novo e se pergunta se sonhou tudo aquilo ou os pais estão brincando.


Magali ganha a mesma boneca, vê o mesmo bolo de morango e, assim, tudo da festa anterior vai se repetindo, como as falas dos pais, os convidados chegando, os presentes da Mônica, Cebolinha e Cascão, os convidados chegando, cenas de Xaveco e Do Contra na Dança das Cadeiras, Franjinha reclamar dos balão estourado pelo Dudu, Denise derramar suco no Titi, Mônica dar coelhada na Magali e todos cantando Parabéns.


No outro dia, mais uma festa de aniversário e tudo se repete mais uma vez. Magali já fica cansada por ser mesma festa, decoração, presentes, coelhada, etc, e já sabia tudo o que ia acontecer. No quarto dia, Magali já está irritada e acha sina de estar enjoada de bolo de morango e trata mal os convidados por saber os presentes que ia ganhar.


No quinto dia, mais uma festa, Magali já não aguenta mais fazer aniversário e começa a reclamar com convidados, mandando não trapacear na Dança das cadeiras, Dudu não estourar balão e Denise não derramar suco no Titi para ver se as coisas não se repetissem. Magali comenta que já tem saudades de um dia normal, uma sopinha na janta, um cantinho sossegado e sem bolo de morango.


Magali fala que na hora de assoprar velinha, vai começar tudo de novo e lembra que o que ela pediu foi que aniversário nunca acabasse e corre para cantarem Parabéns para consertar tudo isso. Então, na hora do parabéns, Magali pede voltar a tudo a ser como antes, fazer um aniversário por ano.


No dia seguinte, Magali vê tudo normal quando acorda, sala ainda bagunçada com os pais arrumando com cara de zumbis, folhinha marcando 11 de maio e sem bolo de morango. Magali comemora, agradece os pais que teve melhor aniversário da sua vida e festa agora só ano que vem. Ela sai para brincar com seus amigos e boneca nova que ganhou e o Seu Carlito comenta que está crescendo a filhinha deles e Dona Lili pergunta se ele lembra da primeira festinha da Magali.


História legal em que a Magali teve pedido de fazer aniversário todos os dias ao assoprar velinha do Parabéns e teve seu desejo realizado, passando a fazer aniversário todos os dias. Baseada na ideia de que aniversariante fazer pedido na hora de assoprar velinha, o pedido é realizado e de crianças que queriam fazer aniversário todos os dias, só que com a Magali foi à risca imediatamente, já no dia seguinte. O que aconteceu foi o dia 10 de maio se repetir continuadamente, então ela sempre tinha a mesma festa e acontecia tudo igual todos os dias, causando irritação nela, se pelo menos fosse uma festa diferente a cada dia, a Magali não podia achar ruim.


Para os pais e para a turminha é como se não se tivesse existido a festa antes e só a Magali que tinha conhecimento dos acontecimento dos dias anteriores, quase teve destino de eternamente fazer aniversário todos os dias até se lembrar de que se fizer um pedido diferente antes de assoprar velinha reverteria a situação. Aprendeu lição de que por mais que seja legal ter festa de aniversário, não podia mudar isso, cada um tem que fazer aniversário uma vez por ano e ter dias normais o resto do ano senão enjoa.


Foi bom ver a Magali sem entender as festas repetidas e ficar desesperada e chegando até recusar bolo de morango porque não aguentava comer mesma coisa todos os dias, afinal foram 5 dias de aniversários seguidos. Divertido ver os presentes que ela ganhou como short do "Tchum" e meias de futebol e Cebolinha inventar que ia dar lesmas e minhocas e levar coelhada da Mônica. O grupo "É O Tchan!" fazia muito sucesso na época com a criançada e sempre tinha alguma referência deles nas histórias, sempre parodiado como Tchum". 


Era raro ver a Magali apanhando da Mônica nas histórias, quando acontecia era sem querer, sem merecer, porém nas tiras de jornais dos anos 1960 e nas histórias de gibis dos anos 1970 e início dos anos 1980 a Mônica batia nela de caso pensado, qualquer um podia apanhar da Mônica já que ela era mais esquentada, até as meninas. Nesta história por ter aniversários repetidos, foi a vez que Magali mais apanhou na mesma história, com 5 coelhadas.


Colocaram 6 velas no bolo, quanto na história e na capa do gibi para representar que ela tinha 6 anos, idade que os personagens tinham na época. Hoje em dia mudaram que eles têm 7 anos para poderem ir para escola. Teve referência ao Ursinho Bilu, que já estava bem frequente em 1998, como personagem fictício de desenho animado que as crianças da turma assistiam e virou marca nos gibis. Ursinho Bilu teve a primeira referência nos gibis na história "Gibis, pra que te quero...", de 'Cascão Nº 78' (Ed. Globo, 1990).


Apesar de ter absurdo de festa repetida diariamente, mas por envolver fantasia, a história em si não acho incorreta hoje em dia, mas tem elementos incorretos que podiam mudar em republicação como Mônica dar short curto sensual do Grupo "Tchum" e referência a grupo "É o Tchan" com danças sensuais, Cascão ser chamado de porco, sendo comparando a um animal, Magali aparecer surrada e com olhos roxos com a coelhada, além de palavras proibidas como "peste" e "gozado".


Essa história foi semelhante à "Feliz aniversário, Mônica!", de Mônica Nº 179 - Ed. Abril, 1985. Com a diferença que enquanto esta de 1998 o pedido foi atendido ao assoprar velinha de aniversário, na de 1985, a Mônica faz pedido a uma estrela cadente como motivo de repetição de aniversário e ela tem ajuda do Anjinho pra encontrar a estrela cadente para desfazer o pedido. Além disso, MSP gosta de roteiros com ideia de eterna data em datas comemorativas, como aconteceu na clássica "A terra do eterno Natal" (Magali Nº 143 - Ed. Globo, 1994).


Os traços ficaram bonitos e muito bem caprichados, detalhe que Denise ainda aparecia com visual diferente a cada  história, ficou só com visual que conhecemos hoje a partir dos anos 2000. A capa do gibi também foi semelhante a Magali Nº 44 (Ed. Globo, 1991), sendo que na ocasião a comemoração foi de 2 anos da revista dela enquanto esta de 1998 foi seu aniversário.

FELIZ ANIVERSÁRIO, MAGALI!!!

domingo, 7 de maio de 2023

Capa da Semana: Cascão Nº 32

As mosquinhas de estimação do Cascão sempre renderam boas histórias e piadas, sempre eram companheiras e dispostas a ajudá-lo a não passar sufoco, o livrando de tomar banho e até de apanhar da Mônica. Nessa capa, Cascão dá um nó nas orelhas do Sansão e quando Mônica vai tomar satisfação, as mosquinhas formam uma auréola na cabeça do Cascão pra indicar que ele é um anjo e não foi o culpado de ter dado os nós no coelhinho. Muito boa. Hoje, as mosquinhas estão aposentadas dos gibis por elas  representarem coisa suja e que Cascão estaria tão imundo a ponto de moscas rodarem sua cabeça.

A capa dessa semana é de 'Cascão Nº 32' (Ed. Globo, Abril/ 1988).

quarta-feira, 3 de maio de 2023

Cebolinha: HQ "Loucuras em alto-mar"

Compartilho uma história em que o Louco transformou o quarto do Cebolinha em um mar, causando muitas confusões.  Com 7 páginas, foi publicada em 'Cebolinha Nº 147' (Ed. Abril, 1985).

Capa de 'Cebolinha Nº 145' (Ed. Abril, 1985)

Começa com um barulho de alguém remando vindo do quadro do quarto do Cebolinha, que estava vazio. Cada vez mais alto o barulho, até que vemos o Louco no quadro e ele vai parar no quarto e a água do mar do quadro inunda tudo. Louco fala que estão a bordo, mulheres e crianças descem primeiro e manda o timoneiro descer a âncora.

Cebolinha estava cagando no banheiro, quando ouve o barulho da âncora. Ele vai conferir e vê o quarto todo inundado e o Louco pescando um peixão com a âncora jogada. Louco acha que o cebolinha é um clandestino no navio, chama os guardas e Cebolinha se tranca no banheiro, falando que dessa vez ele não participa das loucuras, ele só entra arrombando a porta.

Louco como viking tenta derrubar porta com um suporte de touro. Cebolinha pede ajuda a seu anjo da guarda e aparece o Louco como anjo. Cebolinha fica desesperado derruba a porta da suíte e vê o Louco pescando no seu quarto. Cebolinha fala o que quer o seu quarto de volta e Louco joga o numeral quarto em cima dele.

Em seguida, o quarto volta ao normal, Cebolinha pergunta cadê a ilha e Louco responde que ali é um quarto e pergunta se ele é louco. Cebolinha chora e Louco aproveita para tomar banho com as lágrimas e Cebolinha não consegue parar de chorar, mandando Louco parar com isso. Louco acha ruim e diz que vai ser a vez de ele tomar banho e arrebenta o registro, fazendo as lágrimas inundarem o quarto e ir para o resto da casa.

Cebolinha vai parar no quarto dos pais e ele conta que estava lendo gibi no banheiro quando ele apareceu, pescando peixão, depois virou viking e santo, transformou o quarto numa ilha e ele inundou o quarto. Os pais fazem cara que o filho estava ficando louco e Cebolinha os leva para o quarto já que eles não estavam acreditando. Chegando lá, quarto todo normal. Dona Cebola manda o filho dormir, nada de ficar acordado até tarde. Quando os pais voltam para o quarto deles, cebolinha pisa no seu quarto e se afunda no piso que tinha se transformado em água.

História engraçada demais em que o Louco perturba o Cebolinha no seu quarto. Surge do nada dentro do quadro na parede, transformando o quarto em um mar com ilha, fazendo coisas inimagináveis, tudo sumir e voltar do nada, enlouquecendo o Cebolinha. Louco conseguiu se superar e de fato levar o Cebolinha à loucura, foram coisas impensáveis de acontecer, que só Louco podia fazer acontecer, eram boas histórias assim nada com nada para fugir da realidade, era só diversão. 

Interessante o Cebolinha ter personalidade diferente de acordo com personagem que contracenava, tipo com a Mônica era levado, articulador genial de planos infalíveis e com o Louco fica com medo, apavorado. Se Mônica não batesse no Cebolinha nas histórias, tudo que ele sofria com o Louco já deixaria Mônica vingada. 

Foi de rachar de rir do início ao fim, principalmente com Louco surgir dentro do quadro, transformar quarto em mar, pescar, virar anjo e dizer que seria louco de mentir sendo anjo, jogar um numeral quarto com trocadilho de quarto de dormir, tomar banho com as lágrimas do Cebolinha e arrumar do nada um registro que controlava o choro e os pais no final. Tudo sensacional.

Muito bom ver o Cebolinha lendo gibi da Mônica enquanto cagava, não queria parar de ler nem cagando, ficou um cotidiano da época em que pessoas levavam revistas pra ler no banheiro, ficando horas lá cagando e lendo, ainda mais quando não tinha Internet e não tinha o que fazer em casa. Hoje em dia mais fácil levarem o celular para o banheiro. E ainda metalinguagem de ele ler um gibi da Mônica, do seu núcleo nos quadrinhos. Dessa vez teve uma suíte no quarto do Cebolinha pra ser mais apropriado ao roteiro, mas o normal quarto dele é sem suíte. 

O final faz dar gargalhada dos pais acharem que o filho estava louco e vendo o quarto tudo normal. Foi só os pais saírem, para loucura voltar do quarto voltar ao mar e ficar afundado, provando que tudo aquilo aconteceu mesmo. Se os pais pisassem no quarto ou no mínimo reparassem piso azul em vez de branco, iam descobrir a verdade, como não,  filho ficou tachado de louco por eles. Deu até para pensar que era tudo um sonho do Cebolinha, até por conta da história passar a noite, e vimos que foi real mesmo. Nos anos 1980 o Louco aparecia só para o Cebolinha,  depois mudaram para ele aparecer para qualquer personagem, até mesmo para o Seu Cebola, e sem ideia de ter sido tudo sonho. Também permite leitor imaginar o que aconteceu após o final, como Cebolinha escapou de morrer afogado, com certeza com mais loucuras do Louco. 

Era bom quando tinha essa ideia de que se Cebolinha viu com o Louco era verdade ou uma alucinação dele, se tinha esquizofrenia, Cebolinha apavorado só em ver o Louco, rendia muito mais. Hoje em dia Cebolinha e Louco são amigos, Cebolinha não se esquenta com as loucuras e ainda ajuda o Louco a encontrar suas coisas, então ver um Louco assim, conseguindo levar o Cebolinha à loucura, e absurdos desse jeito não tem mais nos gibis atuais, fora também Cebolinha aparecer cagando na privada, surrado quando o numeral quarto caiu em cima dele e se afogar no final, ficar acordado enquanto os pais dormiam, pais deixarem filho dormir depois deles, Louco sem camisa e ser representado por anjo.

Onomatopeias também tiveram grande destaque na história toda, que, sem querer, ainda ajuda crianças aprenderem sons e interjeições se divertindo. De curiosidade, teve depois outra história com Louco com esse mesmo título "Loucuras em alto-mar", de Cebolinha Nº 28 (Ed. Globo, 1989), muito divertida também.

Traços muito bons, típicos de miolo dos anos 1980 e já no estilo consagrado deles que prevaleceram por muito tempo. Foi republicada depois em 'Coleção Um Tema Só Nº 11 - Cebolinha e o Louco" (Ed. Globo, 1995).

Capa de 'Coleção Um Tema Só Nº 11 - Cebolinha E o Louco' (Ed. Globo, 1995)

domingo, 30 de abril de 2023

Mônica: HQ "Provas comprometedoras"

Em abril de 1993, há exatos 30 anos, era lançada a história "Provas comprometedores" em que a Mônica teve que lidar com ameaça de um espião que a fotografou usando as roupas da mãe dela. Com 16 páginas, foi publicada em 'Mônica Nº 76' (Ed. Globo, 1993).

Capa de 'Mônica Nº 76' (Ed. Globo, 1993)

Escrita por Rosana Munhoz, Mônica está sozinha em casa e ao passar pelo quarto da sua mãe, resolve usar as roupas dela escondida e brincar de fazer show, cantando música da Xuxa e ser atriz de novelas e comerciais da TV. Só que alguém está olhando a performance dela e tira uma foto. Mônica percebe que tinha alguém ali, vai na janela e não vê o espião, mas vê a mãe chegando e ela trata de tirar roupa logo, colocando tudo no lugar, como se não tivesse ficado lá. 


Quando Dona Luísa chega, pergunta se a filha se comportou bem e ela disfarça dizendo que sim. Em seguida, toca a campainha toca e ao atender, tinha só um envelope no chão. Pensa que é carta de admirador e ao ver era foto dela com a roupa da mãe, rasga e lê um bilhete dizendo que se ela rasgou, era só uma cópia e original está com ele e se ela não fizer as condições dele, vai sair mostrando a foto para todo mundo, inclusive para a mamãezinha dela.


Dona Luísa ouve Mônica falando sozinha, Mônica diz que esta tudo bem e vai a rua descobrir quem é o espião. Aparece o Cascão com sorriso e ela ameaça bater, pensando que ele era o espião. Cascão confessa que escreveu "Mônica dentuça" no muro, mas foi sem querer porque a caneta estava com defeito. Mônica manda passar a foto para ela. Cascão não sabe de foto, quando Magali aparece dizendo que a foto está com ela. Mônica se decepciona porque ela é sua amiga e Magali diz que descolou foto do Serginho, sua paquera.


Mônica fica aliviada que Magali não era o espião, conta que tem alguém a chantageando com foto comprometedora que tirou dela, Cascão estende ouvido para ouvir e Mônica grita no ouvido dele e vai embora. Em seguida, Jeremias tenta tirar uma foto dela, bate nele pensando que era o espião e queria só estrear a câmera nova dele e, pelo vacilo, Mônica diz que essa surra vale para a próxima que aprontar com ela.


Cebolinha aparece e revela que é o espião mostrando a foto que tirou. Mônica quer  rasgar e ele diz que não faria isso porque é outra cópia e a original está bem guardada e se encostar um dedinho nele, coloca a boca no trombone. Sabendo o que ele quer, Mônica entrega o Sansão para o Cebolinha e o deixa como dono da rua. Cascão chega sem saber nada, acha que é festa da uva e pergunta para Mônica o que vai dar para ele e ela lhe dá uma surra.


Antes do Cebolinha dar as fotos para a Mônica, ele mostra a lista que fez e, assim, a torna como escrava dele. Mônica é obrigada a instalar televisão e levar travesseiro e limonada para ele na rua e a ainda manda mudar de canal da TV por ter enjoado do canal e como ela fica braba, manda chamá-lo de "amo" em vez de Cebolinha.


Cascão reclama que como Cebolinha o deixou de fora dessa boquinha e ele diz que só serve para entregar ouro e manda Cascão ficar quieto senão ordena a escrava dar uma surra nele. Cebolinha gosta da Mônica ter trocado de canal para ele e se continuar assim, a libera daqui 20 anos. Magali pergunta para Mônica se não é melhor mostrar a foto para a mãe, ela diz que nunca e tem um plano. 


Mônica pede para ir ao banheiro e vai ate a casa do Cebolinha falar com a Dona Cebola. Depois, Cebolinha reclama que Mônica está demorando, ela volta e Cebolinha manda para ela não repetir e pede para dar outra limonada. Mônica joga toda nele, fica uma fera gritando que vai mostrar a foto para mãe dela e Mônica diz que aí vai mostrar para todo mundo a foto dele cagando no pinico com bunda de fora. Cebolinha quer saber como ela conseguiu isso e Mônica fala que a mãe dele teve gentileza de emprestar.


Cebolinha quer rasgar a foto, Mônica diz que é só uma cópia e Cascão quer ver. Cebolinha impede e diz que faz qualquer coisa para devolver a foto para ele. Mônica o manda devolver as fotos dela e aí depois entrega a foto dele no pinico e diz que não tem cópia, foi uma mentirinha, e bate nele. Cascão agradece de ter deixado de fora da boquinha e pega a foto do Cebolinha, acha graça de estar de bumbum de fora e sai correndo para mostrar para todo mundo e Cebolinha corre atrás dele.


No final, Mônica enterra as fotos no quintal e fica aliviada que a mãe nunca vai saber de nada. Dona Luísa aparece, mostrando o quebra-cabeça que montou com os papeizinhos que encontrou na sala. Mônica se ajoelha, pedindo desculpas que não vai mais mexer nas coisas dela e Dona Luísa fala que não está braba,  achou uma gracinha, a filha está ficando mocinha, vaidosa. Mônica desmaia, Dona Luísa pergunta o que deu na filha e Magali responde que vai ver não se achou fotogênica.


História muito engraçada em que a Mônica mexe nas coisas da mãe enquanto estava sozinha em casa pensando que ninguém ia saber e Cebolinha tira foto dela e passa a fazer chantagem de que se não entregar o Sansão e não ser dono da rua, mostra a foto para mãe dela. Com medo da bronca da mãe, Mônica cede e vira escrava do Cebolinha até ela ter plano de mostrar foto dele cagando, chantageando que se não devolver a foto dela, mostra a foto dele para todo mundo. Afinal, chantagem se anula com outra chantagem e Mônica jogou na mesma moeda.

Interessante que a Mônica teve cuidado pra esconder as  fotos, até enterrando, mas esqueceu de juntar a foto rasgada na sala, a mãe viu e descobriu tudo. Se soubesse que a mãe não ia ligar, não precisava passar por nada disso, por isso ela desmaiou. 

O plano infalível até saiu sem querer, Cebolinha devia estar passando na hora e viu a Mônica com as roupas da mãe e aí agiu para se aproveitar, por isso não chamou o Cascão, que a princípio seria bom para não estragar o plano, só que dessa vez quem estragou foi a própria mãe entregando a foto do filho no pinico. Genial. Vimos que o Cebolinha era bem perverso nos seus planos, dessa vez com ameaças, chantagens e tornando Mônica como escrava dele até para trocar de canal da TV, ele era praticamente um vilão. Foi mais merecida a surra que ele levou e ainda o castigo de Cascão mostrar a foto dele para os amigos.

Foi divida em dois momentos, primeiro o mistério da Mônica tentando descobrir quem era o espião que tirou a foto e depois o plano infalível propriamente dito após a revelação que era o Cebolinha o espião. Engraçados os deslizes dela para saber quem é o espião, Cascão colocar ouvido pra fofocar o que as meninas estavam falando, Jeremias apanhar sem querer, já que só queria estrear a sua câmera nova a fala do Cascão de festa da uva e ganhando surra da Mônica, Mônica como escrava obedecendo ordens, a foto do Cebolinha no pinico. De curiosidade, quando o Cebolinha falou  "Iuluu!" ("luhuu!"), excepcionalmente trocou o "H" por "L", mas justifica que o som do "H" na palavra é "R".

Tiveram absurdos legais de como Cebolinha conseguiu arrumar uma câmera fotográfica e revelar foto em tão pouco tempo, já que era câmera de filme e não ia andar com ela a tiracolo na rua e revelações de fotos nos laboratórios levavam tempo e também como conseguiram achar uma tomada para ligar a TV no meio da rua. Esses absurdos faziam a diferença nos quadrinhos.

Foi bom ver coisas datadas que eram normais no nosso cotidiano há 30 anos como a câmera fotográfica de filme e TV de tubo. Se fosse hoje em dia, teria adaptação de Cebolinha gravar vídeo pelo smartphone e ameaçar a Mônica de mostrar para mãe e todo mundo através das redes sociais e a TV mudariam para uma LED em republicação para não deixar nada datado. Legal também mostrar Mônica cantando música "Lua de Cristal" da Xuxa parodiada, quando a Xuxa era fenômeno no Brasil.


É completamente incorreta hoje em dia por conta do Cebolinha perverso, fazendo ameaças, chantagens com a Mônica e a fazendo de escrava. Além disso, Mônica ficar sozinha em casa sem presença de adulto, mexer nas coisas da mãe, bater no Jeremias e no Cascão sem motivo, os meninos aparecerem surrados, citação de Mônica ter paquera do Serginho, já que não pode mais ter namoro nos gibis, os absurdos e as coisas datadas já ditas como câmera fotográfica de filme e TV de tubo por não gostarem hoje de mostrar coisas que fizeram parte de uma época, assim como palavras proibidas "Droga!" e "gozado".


Os traços ficaram muito bons e caprichados, com direito a personagens com dentes expostos com mais frequência quando estavam aprontando alguma coisa ou surpresos ou com raiva, mais típicos nas histórias da Rosana. Até teve uma careta da Mônica ao ver a foto no envelope que o espião enviou, mas nada de mais e que estrague e que realmente fazia jus a cena aquela careta. Depois a história virou desenho animado, que até seguiu fiel ao roteiro da história em quadrinhos, tirando algumas partes mais incorretas, só que ainda assim sem a magia de ler a história no gibi. Muito bom relembrar essa história marcante há exatos 30 anos.