quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

Cebolinha: HQ "Complexo de Cascão"

Em janeiro de 1991, há exatos 30 anos, era lançada a história "Complexo de Cascão", em que o Cebolinha fica traumatizado e com medo de água ao se afogar na piscina e passa a se comportar como o Cascão. Com 13 páginas, foi história de abertura publicada em 'Cebolinha Nº 49' (Ed. Globo, 1991).

Capa de 'Cebolinha Nº 49' (Ed. Globo, 1991)

Nela, Cebolinha está em uma aula de natação e a professora dele manda os alunos entrarem na piscina após terem feito alongamento. Ela manda fazer exercício de respiração, inspirar fora d'água, prende o ar e expirar dentro d'água pelo nariz ou pela boca. Cebolinha faz o contrário e acaba se afogando. A professora o salva e diz que ele bebeu alguns litros d'água e na saída do clube, Cebolinha se assusta quando ela diz que na próxima aula pega o jeito.

Cebolinha diz que não sabe se vai ter coragem de fazer aquilo de novo, quando se encontra o Cascão, que pergunta aquilo o quê. Cebolinha conta que estava na aula de natação e Cascão interrompe que ensina a ele nadar. Ele faz uns movimentos de natação clássica e diz que ainda sabe nadar de costas e de borboleta. Cebolinha diz que tem que nadar na água e onde mais pode nada sem ser na água e Cascão diz que tem gente que nada em dinheiro e nada me problemas. 

Mônica chega e Cascão diz que Cebolinha não sabe nadar. Mônica pergunta ao Cebolinha como está indo nas aulas de natação e Cebolinha responde que está muito mal e quase morreu afogado. Mônica o convida para treinar na piscininha do seu quintal e chegando lá, vendo aquela água toda, tenta sair correndo com medo de morrer afogado. Mônica o obriga a mergulhar, arrastando pelos pés e só é impedido porque a mãe dele chama para almoçar.

Em casa, Dona Cebola fala que preparou um banho na banheira para o Cebolinha tirar o cloro da piscina do corpo e ele sai correndo, gritando que não vai tomar banho e que não suporta água. Dona Cebola fala que ele está virando porquinho e se não tomar banho, não almoça e então, ele foge, falando que não queria comer mesmo. Na rua, se desvia com medo do homem lavando o carro, do menino brincando de faroeste com arma d'água, desvia de torneira, pula a poça d'água e ao ouvir trovão e começar a chover, se esconde dentro da lata de lixo, só que a chuva foi alarme falso, mas o suficiente para ele ficar sujo.

Cebolinha vê que ficou imundo ao sair da lata de lixo e comenta que não tem coragem de chegar perto de água para se lavar e vai ficar sujinho para sempre e cada vez mais, que nem seus pais e amigos vão aceitá-lo. Cascão aparece, falando que ele finalmente resolveu se produzir e Cebolinha pede ajuda. Cascão adora, é motivo para alegria, limpeza não está com nada, viva a sujeira e a liberdade total. Um homem reprova ver os meninos sujinhos e Cascão diz que há muitas incompreensões, mas também riram de Colombo, Galileu e dos Três Patetas, um dia o mundo vai dar razão a eles e enquanto esperam, tem as compensações e vão ao lixão, perguntando se tem uma visão mais bonita que aquela. 

Cascão fala que vão se divertir muito jogando lixo um no outro, antes ninguém queria brincar disso com ele, mas quando Cebolinha joga lixo no Cascão, percebe que ele estava triste e não gostando de ficar sujo e sai  para pedir ajuda à Mônica. Ela pergunta ao Cascão por que quer ajudar o Cebolinha e ele diz, com cara de nojo, que porque tem gente que nasceram para serem limpas. E, assim, Mônica diz que tem um plano.

Depois, Cascão volta ao lixão, falando que aconteceu uma tragédia, a Mônica caiu no riacho e está se afogando. Cebolinha tenta fugir, alegando que tem medo e tem que chamar outra pessoa para salvá-la. Cascão fala que não tem tempo, ela já está nas últimas, só com os braços para fora na água. Cebolinha insiste que ali tem água e não sabe nadar. Mônica dá adeus ao mundo cruel e se afunda e Cascão diz que foi por causa dos dentões pesados. Cebolinha fica com raiva e mergulha no rio. Ele nada e salva a Mônica e pergunta se ela está bem. Mônica diz que fizeram aquilo para curá-lo e que ele nadou como um peixinho.

Cebolinha comemora que está curado e que o trauma passou e agradece. Estranha que Cascão fez aquilo por ele e fala que Cascão devia experimentar tomar banho, a água é gostosa e que foi tão legal que gostaria de retribuir o valor. Ele e Mônica aproveitam que Cascão estava distraído e tentam empurrá-lo na água. Cascão se abaixa, fazendo Mônica e Cebolinha caírem no rio e Cascão fala que gosta de ser como ele e no dia que resolver tomar banho, ele vai tomar sozinho, terminando assim.

Muito legal essa história. O Cebolinha passa a ter medo de água após se afogar na piscina da aula e natação e se comporta que nem o Cascão e foi preciso ele e Mônica ajudarem fingindo que a Mônica estava se afogando no rio para curar o trauma do Cebolinha. Além de curar do trauma, ele ainda aprendeu a nadar. 

Foi engraçado ver o pavor do Cebolinha ao entrar na água, fugir que nem o Cascão, a apologia do Cascão com a sujeira e ver os personagens no lixão. Gostei também Cascão citar Colombo, Galileu e dos Três Patetas, na intenção de que antes eram incompreendidos e depois se tornarem gênios pela sociedade. Bom também ver uma situação diferente, com personagem em aula de natação.

Diferente do Cascão que tem medo de água e gosta de ficar sujinho, o Cebolinha não estava gostando da situação de ficar sujo, mas a fobia de se afogar de novo falava mais alto. Seria caso de ir a psicólogo, mas na história foi resolvido entre eles  fazendo com que a amizade do Cebolinha com a Mônica, de fazê-la sobreviver ao afogamento fosse mais forte que a sua fobia. A história, então, traz essa bonita mensagem e mostrar como surge um trauma em uma pessoa, sem deixar de ser divertida.

Impublicável atualmente, principalmente da forte apologia do Cascão à sujeira e ficar no lixão, sem chances isso hoje, mas que era tudo normal em 1991. Inclusive o Cascão de hoje tem uma visão totalmente oposta, ele adere à limpeza e não gosta de ver as coisas sujas, virou personagem porta-voz da limpeza e só não toma banho de vez por fobia a água, mas lava as mãos normalmente, sem medo. Ou seja, virou um outro personagem. O exercício de respiração na água que a professora ensinou na história também podiam  implicar, acharem que é um perigo criança querer imitar sem adulto por perto e se afogarem. 

Os traços muito bonitos da fase clássica, com direito a curva no olho quando eles estavam brabos ficando mais bonitos ainda. Interessante a professora ter um cabelo igual da Magali e da sua mãe, poderia até imaginar que seria parente dela. O Cebolinha pensava trocando as letras na época como padrão, atualmente ele pensa certo, sem trocar o "R" pelo "L", pois querem adequar à vida real com quem tem dislalia não troca letras quando pensa. 

De curiosidade, as revistas de janeiro e início de fevereiro de 1991, colocavam no rodapé "1990 Mauricio de Sousa Produções" ao invés de "1991...". Nunca entendi por que fizeram isso, só sei que estranhei bem na época. Mas nos créditos finais com a tirinha informavam normal como janeiro/ 91 ou fevereiro/ 91. E esse fato voltou a se repetir em janeiro de 2011, quando colocavam 2010 no rodapé da primeira página. Muito bom relembrar essa história há exatos 30 anos.

domingo, 3 de janeiro de 2021

Capa da Semana: Magali Nº 139


Capas da Magali com ela adaptando objetos por comida sempre foram marcantes e bem criativas. Seguindo essa linha, nessa capa, Magali e Mônica estão como havaianas e o colar de flores da Magali é todo feito de frutas e a flor no cabelo substituída por morangos e maçã. Muito caprichada.

A capa dessa semana é de 'Magali Nº 139' (Ed. Globo, Outubro/ 1994).

quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

Cascão: HQ "Ano-Novo?! Bahh!"


Mostro uma história em que o Capitão Feio tentou estragar a festa do Ano-Novo fazendo pessoas jogarem papeis picados na rua. Com 20 páginas, foi publicada em 'Cascão Nº 285' (Ed. Globo, 1997).

Capa de 'Cascão Nº 285' (Ed. Globo, 1997)

Escrita por Emerson Abreu, começa com o Capitão Feio reclamando que odeia o Ano-Novo porque todo mundo fica alegre e um festival de otimismo e pieguice que não acaba mais e as pessoas ficam arrumando a casa como se na virada do ano tudo estiver bonito e perfeito vai ficar assim o ano todo. Um monstrinho de lama comenta que é pior quando as pessoas comemoram jogando monte de papel picado pela janela emporcalhando a cidade. Capitão Feio gostou de saber dessa vantagem do Ano-Novo e bola um plano para tirar proveito da bobagem de Réveillon.


Enquanto isso, Mônica está contente com a véspera de Ano-Novo, tudo fica tão bonito, as pessoas mais alegres, como se uma atmosfera tomasse conta da cidade e o ar cheira à novidade e à renovação, e complementa ao depósito de lixo quando chega o Cascão. Ele deseja Feliz Ano-Novo e Mônica diz que ele acabou com a inspiração dela. Cascão fala que ela não vai ficar de mau humor logo hoje.


Mônica deseja dar um abraço no Cascão e ele não aceita porque ano passado ela quase o quebrou no meio com abraço forte dela. Mônica promete abraçá-lo com carinho e ele saca um papel com Termo de Responsabilidade para ela assinar e comprovar que ela não abraçá-lo forte. Mônica diz que não vai assinar nada e ele pergunta se é assim que ela trata as promessas e ainda comenta que Cebolinha prometeu pagar todas as figurinhas que está devendo.

Mônica também deseja fazer uma promessa de Ano-Novo e enquanto pensa, Cebolinha aparece com as figurinhas. Cascão comenta que com promessas eles ficam ainda mais amigos, só que Cebolinha passa, mandando ele sair da frente, falando certo, deixando o Cascão no vácuo. Cascão acha que Cebolinha foi despeitado e vai atrás para tirar satisfações. Cebolinha vai em uma janela de um prédio e joga as figurinhas em cima do Cascão e da Mônica. 

Cascão pergunta porque jogou fora as figurinhas dele e Cebolinha diz porque é Ano-Novo, todo mundo joga papel na ruas, é tradição. Mônica acha uma porqueira e Cebolinha diz que é divertido olhar para a rua e ver monte de papel picado caindo, quando do nada cai um monte de papel em cima dele. Mônica e Cascão perguntam a ele se é realmente divertido, só se for para o papel e Cebolinha pergunta porque eles querem ser diferentes de todo mundo, é Ano-Novo, vida nova, tempo de confraternização, festa e tem que comemorar a nova era, enquanto todas as pessoas estão jogando papeis picados pelas janelas.

Mônica percebe Cebolinha falando "nova era" sem trocar as letras e enquanto ele fica falando que na nova era tudo vai ser permitido, vão espalhar papeis na rua e revirar latas de lixo, Mônica pega uma mangueira e joga em cima dando banho nele. Ela comenta com Cascão que Cebolinha nunca diria "nova era" e descobre que era um monstrinho de lama do Capitão Feio. Ele conta que Capitão Feio raptou algumas pessoas colocando monstrinhos de lama no lugar para jogar papeis picados nas ruas e convencer todo mundo fazer o mesmo.

O monstrinho chora, implora para Mônica não bater nele e foge. Mônica fica surpresa, achando que ia bater nele. Cascão fala que é a fama dela e Mônica se surpreende saber que as pessoas têm medo dela e, então, faz a promessa de que a partir de agora não vai mais bater em ninguém, vai ser uma pessoa diferente, vai colher flores e cantar com os passarinhos e pergunta se Cascão quer ir com ela saltitar na grama verde. Cascão faz cara de surpresa e mostra língua de fora, achando que ela estava falando bobeira. Cascão comenta que eles tem que resgatar o Cebolinha, derrotar o Capitão Feio e salvar o Ano-Novo e isso tudo em 10 páginas. Mônica colhe umas flores rapidamente, coloca laço na cabeça e eles entram no bueiro para salvar todos.

Na segunda parte da história, Capitão Feio comenta que adora o Ano-Novo. todos estão jogando quilos de papel na rua. Cebolinha fala que nunca vai dar certo, a pessoas não vão colaborar com porcaria e Capitão Feio mostra imagens das pessoas se divertindo sem perceber a imundície que estão fazendo e o que ele quer é reinar num mundo porco. 

Cascão, escondido com Mônica, fala que o plano é ela invadir lá, usar a forma dela e acabar com todos eles. Quando surgem, Cascão manda Mônica acabar com eles e em vez de bater no Capitão Feio, dá flores para ele e dizendo "faça amor, não faça guerra". Cascão chama atenção dela e Mônica diz que prometeu não bater mais em ninguém e, assim, foi fácil o Capitão Feio prendê-los, dizendo que agora ninguém vai mais o deter, as ruas vão estar tão cheias de papel picado que vai ser impossível passar por elas e vai ser o caos.

Um monstrinho alerta que espera não chover porque lixo e chuva não combinam, a água vai levar os papéis no bueiro e entupir os canos, causando enchente lá. Capitão Feio não quer governar uma cidade alagada, mas estar certo que não vai chover, quando do nada, troveja forte e a chuva inunda o esgoto. Cascão fica desesperado para sair de lá. Consegue se soltar e, junto com Mônica, salva as pessoas raptadas e fogem, enquanto Capitão Feio tenta com os monstrinhos controlar a saída do papel. A turminha sai de lá, a chuva limpa a cidade e os papeis vão entupindo o esgoto, dando mais trabalho para o Capitão Feio e monstrinhos desentupirem.

Começa a festa de Réveillon, a turma toda está reunida e Mônica comenta que depois disso  tudo ninguém mais vai querer jogar lixo nas ruas. Cascão diz que na hora do "vamos ver", ela quase estraga tudo. Mônica, então, promete que no ano que vem vai continuar a bater em todo mundo. Os meninos se queixam, que isso é coisa que se prometa e devia prometer ser mais legal com os amigos e nunca mais deixá-los na mão. Mônica promete isso e Cebolinha pergunta ao Cascão o que e ele prometeu e Cascão diz a mesma coisa que faz todos os anos de passar mais um ano sem tomar banho.

Começa os fogos de artifício e eles desejam um Feliz Ano-Novo para todo mundo e que todos os sonhos se realizem. Cascão cobra do Cebolinha as figurinhas e ele diz que o monstrinho de lama jogou tudo fora. Cascão diz que ou ele paga ou conta para a Mônica que ele está com o coelhinho dela no bolso. Mônica dá surra no Cebolinha e Cascão dá gargalhada vendo eles brigando e fala que vão ficar o ano inteiro brigando. Com a ideia de que o que eles fazem na virada do ano, vai acontecer em todo o resto do ano, Mônica e Cebolinha correm atrás do Cascão pela festa para darem banho nele com baldes d'água pra ver se ele toma banho o ano novo inteiro, terminando assim.

É uma boa história com o Capitão Feio com plano de todos jogarem papeis nas ruas no Ano-Novo para ficarem sujas e mais fácil de ele dominar o mundo. Mônica quase pôs tudo a perder com a sua promessa de não bater mai em ninguém e ficar extremamente boazinha, mas graças a chuva que fez inundar o esgoto, eles conseguiram se salvar. E ainda personagens envolvidos com promessas de Ano-Novo e uma festa de Réveillon com turma reunida e diálogo com os personagens à parte.

A história mostra mensagem a pessoas que ficam jogando papéis picados nas janelas durante o final do ano, principalmente empresas no último dia de expediente do ano. Na época era muito comum isso, inclusive, faziam matérias nos jornais da TV como se fosse coisa normal. Só que o lixo fica na rua entupindo bueiros e mais chance de ter enchentes se chover, ainda mais em chuvas de verão comuns na época do ano. 

Também tem crítica ao costume do Ano-Novo, de achar pieguice as pessoas arrumarem casa, deixar tudo bonito e nada de ruim acontecer na hora da virada do ano para que seja tudo perfeito em todo o próximo ano. Daí, a piada final de Mônica e Cebolinha querer dar banho no Cascão para que ele tome banho o ano novo inteiro.

Quem acompanhava as revistas pelo menos na primeira metade dos anos 1990 até então, deu para notar que estava diferente o estilo nessa, já estavam começando a mudar, mesmo que ainda diferenças sutis. Nas histórias do Emerson, os personagens ficam mais sarcásticos, debochados, fazendo ironias e  piadas com tudo. Voltadas ao nonsense, privilegiam mais as tiradas dos personagens do que o roteiro em si. Comum também histórias grandes e divididas em capítulos e ritmo mais acelerado.

Essas de 1997 e 1998 até que não eram ruins, apesar dos personagens começarem a ficar sarcásticos, mas ainda estavam na medida certa. Os traços eram bons, ainda não tinham caretas exageradas, no máximo mostravam personagens com cara de espanto,  com corpo inclinado, braços e mãos abertos e pés para cima (como destaquei na imagem de topo dessa postagem) quando um outro personagem falava uma piada infame ou então ficavam de língua pra fora quando achavam que o outro falou bobeira. As linguinhas de fora foram um marco na época, que até tinham questionamentos por que os personagens viviam tempo todo de língua para fora.

Um exemplo maior dessas tiradas fora de roteiro foram os diálogos entre Mônica e Cascão na 4ª página da história (página 6 da revista)  e na última página da primeira parte (página 12 da revista). Com o passar do tempo, já nos anos 2000, foram aumentando as tiradas, tendo enrolação, o chamado "encheção de linguiça", personagens cada vez mais sarcásticos, falando gírias, mais saltitantes, caretas que não condizem com a história, parecendo monstros. Tudo ficando de forma bem exagerada que mudou completamente os personagens e outros roteiristas passaram também a seguir esse estilo. Se ficassem assim como em 1997 e 1998 e só nas histórias do Emerson para diferenciar dava para aceitar mais.

Nessa história eu achei que teve uma descaracterização do monstrinho de lama achar ruim que as pessoas ficam emporcalhando cidade com papéis picados. Em outros tempos, ele ia gostar da sujeira nas ruas. Cascão também ficou descaracterizado, ele devia apoiar os papeis picados, pelo menos fazer cara alegre quando o falso Cebolinha jogava papel na rua e Cascão fazia cara que não estava gostando e de espanto o tempo todo. Mônica ficar surpresa do monstrinho e as pessoas terem medo dela porque bate nos outros e fazer promessa em bater ninguém por causa disso também achei descaracterização dela. E estava na cara que não era o Cebolinha com quem eles estavam falando, custaram a perceber isso, se percebessem desde que ele falou "sai da frente", iam diminuir metade dos seus problemas.

Uma curiosidade que dessa eles ficaram em uma área do bairro com prédios e ruas asfaltadas, ao invés de gramas e casas tradicionais. Isso ficou diferente também. A capa dessa vez com alusão à história de abertura por ser um roteiro temático de Réveillon. E essa história foi a última de Réveillon com a Turma da Mônica, depois disso só fizeram histórias de Natal com eles.

UM FELIZ ANO-NOVO A TODOS!!!

domingo, 27 de dezembro de 2020

Os parentes da Magali (Parte 2)


Postagem Nº 900 do Blog. Há algum tempo havia postado sobre a família da Magali e parentes dela que haviam aparecido em apenas uma história. Já tinham bastante e por incrível que pareça encontrei outros parentes da Magali e, assim, nessa postagem mostro esses que faltaram.

A família fixa da Magali é composta pelos pais Seu Carlito e Dona Lili e o eu gato Mingau morando na casa dela, assim como a avó Dona Gertrudes (mãe de Dona Lili), avô Seu Genésio (casado com Dona Gertrudes), avó Dona Cota (mãe do Seu Carlito), Tia Nena (tia-avó por parte de mãe), Tio Pepo (casado com Tia Nena), primo Dudu e seus pais sendo tios da Magali (Dona Cecília, como irmã do Seu Carlito e eu Durval, casado com Dona Cecília). Fora esses, tiveram vários parentes de uma história só, normalmente tios e primos que gostavam de criar de acordo com cada roteiro. Além os da outra postagem, tem esses desta que mostro a seguir.

Teve a prima Carla, que apareceu na história "Um pequeno problema", de Mônica Nº 74' (Ed. Abril, 1976). Nela, Mônica fica deprimida por ser baixinha e Magali tem ideia da Mônica falar bem alto, nunca viu uma voz tão autoritária como ela. Mônica passa a falar muito alto com todo mundo, assustando todos com a força das suas cordas vocais. Porém, quando Magali apresenta a sua prima Carla, baixinha e que fala mais alto que a Mônica e dar lição de moral com muita sabedoria, deixa a Mônica mais para baixo e bem mais deprimida do que quando começou a história, chegando a ficar pequenininha. 

Prima Carla na HQ "Um pequeno problema" (1976)

Primo Joãozinho apareceu na história "Minha bolhinha!" por volta de 1978 e republicada no Almanaque da Mônica da Mônica Nº 37', de 1993. Mônica estava com vergonha de ter bolha nas mãos, piorando quando Cebolinha descobre e fica a perturbando e quando uma menina fofoqueira descobre e resolve espalhar para todo mundo. Magali apresenta o seu primo Joãozinho. Mônica tem interesse por, mas faz de tudo para esconder dele as mãos com bolhas, até enfiando cabeça em um buraco que nem avestruz. Joãozinho diz que não liga para as bolhas, sinal que tem mãos macias e eles passam a namorar e no final Cebolinha leva um tapa da Mônica deixando o rosto dele marcado com a mão dela. 

Joãozinho foi o primeiro e único primo menino figurante que a Magali teve, as outras primas eram só meninas de idades variadas. Poderiam ter colocado no lugar o Reinaldinho ou qualquer outro "menino mais fofo da rua", mas pelo visto quiseram colocar como um primo da Magali para diferenciar.

Primo Joãozinho na HQ "Minha bolhinha!"

Já na Editora Globo, teve o Tio Edu na história "O anticomilão", de 'Magali Nº 31', de 1990. Edu está com sua namorada Kátia e sempre que vão a algum lugar para comer, Edu coloca defeito que faz mal para saúde do tipo que linguiça é de má digestão, sanduíches causam úlcera, ovos fritos causam infarte porque é colesterol puro, doces engordam e estragam dentes e verduras tem agrotóxicos, um veneno para saúde. Sendo interrompido ao falar mal de carne, o casal vai a casa da irmã dele e chegando lá, descobre que ele era irmão da Dona Cecília e tio do Dudu, que é enjoado para comer e sabendo a quem ele puxou.

Tio Edu na história "O anticomilão" (1990)

Em 1990, o Edu era apenas tio do Dudu sem ter parentesco com Magali, já que o Dudu era apenas amiguinho dela. Depois que mudaram de forma fixa colocando o Dudu como primo da Magali e os pais dele como tios dela, então o Edu passou a ser considerado tio da Magali nos dias atuais.

Tio Edu na história "O anticomilão" (1990)

Na história "Férias de um gato", de 'Magali Nº 80', de 1992, tiveram a Tia Zel e as primas gêmeas Júlia e Juliana. Nela, Magali e sua família foram viajar na casa de praia da Tia Zel e levaram o Mingau junto, para o seu desespero, que não gostou nada de terem tirado do conforto da sua casa. Só o fato de sair de casa, já deixou Mingau apavorado e a situação piorou ao ver as primas gêmeas, que ficaram esticando, apertando o gato enquanto brincavam com ele, passando bastante sufoco. Mingau só passa ter sossego e considerando que está de férias quando volta para casa.

Tia Zel e primas Júlia e Juliana na HQ "Férias de um gato"

Primeira vez que Magali tem primas gêmeas para ver como eram bem criativos. Não diz se Tia Zel e as primas gêmeas são por parte de mãe ou de pai da Magali, mas dá para entender que seja de mãe. Essas parece que foram inspiradas em familiares ou amigas da roteirista Rosana Munhoz, ela gostava de criar histórias baseados em parentes e amigos da vida real.

Tia Zel e primas Júlia e Juliana na HQ "Férias de um gato"

Prima Patinha (Pati) apareceu na história "Não sou boneca", de 'Magali Nº 123', de 1994. Essa foi a prima mais velha que ela teve, foi prima por parte de mãe. Nela, os pais deixam a Magali com a prima Patinha, uma adolescente que cisma em ficar maquiando a Magali como se fosse boneca. 

Prima Patinha na HQ "Eu não sou boneca"

Mônica vai visitá-la e acaba sendo também maquiada pela prima Patinha, que ainda resolve tingir os cabelos delas. São salvas com a chegada dos pais da Magali e no final as meninas fazem o Mingau como boneco, enfeitando e maquiando o gato.

Prima Patinha na HQ "Eu não sou boneca"

Na história "Família de peso", de 'Magali Nº 199', de 1997, foram mostrados vários parentes da Magali de uma vez só. Magali estava inconformada por ser magrela demais e Mônica tem a ideia de ver álbum de fotografias da Magali para ver se puxou a alguém da família.

São mostradas, então, fotos dos tios dela, todos bem gordos e comilões. Mostrou a Tia Jurema, Tio Roberval, Tia Maricotinha, Tio Alfredo, Tio João e um tio que ela nem sabia quem era porque não cabia na foto de tão obeso que era. Ao ver foto da mãe, viu que era magrinha e Magali acha que puxou a ela. Porém, Dona Lili diz que a avó da Magali era magra quando jovem e ficou gorda depois de adulta, deduzindo, assim que Magali vai engordar quando tiver velha. Aí, Magali passa a comer muito pra aproveitar enquanto pode comer a vontade sem engordar.

Tios gordos da Magali na HQ "Família de peso" (1997)

Mostraram nessa uma avó da Magali por parte de mãe, sem ser a Dona Gertrudes. Ou seria outra avó aparecendo só nessa ou a intenção seria a Dona Cota, mãe do Carlitos, ficando na interpretação de cada um. Ela foi desenhada diferente e a Dona Cota, até então, já havia aparecido em 'Magali Nº 100' (1993) "Nº 118" (1993) e "Nº 166" (1995) com o mesmo estilo de traços. Se for Dona Cota, erraram ao afirmar que é mãe da Dona Lili, porém já a mostraram como mãe de Dona Lili em "Chapeuzinho amarelo", de 'Turma da Mônica - Uma aventura no Parque da Mônica Nº 12' (Ed. Panini, 2007). Para mim, ela sempre foi mãe do Seu Carlitos que veio do Ceará, bem mais coerente.

Avó da Magali na HQ "Família de peso" (1997)

Já a prima Ritinha apareceu na história "Magricela e comprida", de 'Gibizinho da Mônica Nº 82', de 1997. Mônica estava deprimida por ser baixinha e gorducha. Magali a apresenta a sua prima Ritinha, que dá dicas para a Mônica ficar alta e magra. 

Prima Ritinha na HQ "Magricela e comprida" (1997)

Na verdade, Ritinha não era daquele jeito, mas com sapato com salto bem alto, roupa com listras verticais, carregando bolsa e cabelos apropriados a deixaram com aspecto que era alta e magra e Mônica passa a pôr em prática as dicas da Ritinha para impressionar a todos, principalmente Cebolinha e Cascão para deixarem de xingá-la, mas se atrapalha para andar com o salto alto, cai e desiste, voltando ao seu estilo normal, mas no final Cebolinha e Cascão, bem atrapalhados, tentam também ficarem altos e magros.

Prima Ritinha na HQ "Magricela e comprida" (1997)

Sem dúvida a família da Magali foi a mais interessante, uma excelente árvore genealógica. Eles gostavam de criar parentes para ela e em todos os momentos foram bem decisivos em suas histórias e alguns até tinham potencial para ficarem fixos nas revistas. Todos os personagens tiveram seus parentes bons, mas os a Magali ganha, se reunir dos outros personagens não dariam duas postagens no mesmo nível. Se por acaso eu encontrar outros, atualizo nessa postagem.

Para ver os outros parentes da Magali, não deixe de ver  a primeira parte da postagem.