quarta-feira, 8 de abril de 2020

Tirinha Nº 70: Chico Bento

Uma tirinha muito engraçada com Zé Lelé machucado na cabeça e bem alienado, pensando que tinha que passar pomada no poste e não na cabeça, quando o médico falou para ele para passar pomada no local da batida, deixando Chico Bento surpreso com a lerdeza dele.

Tirinha publicada em 'Chico Bento Nº 197' (Ed. Globo, 1994).


domingo, 5 de abril de 2020

Momentos que o Cascão perdeu invencibilidade do banho


Cascão era um personagem muito interessante que fugia de tomar banho e que foi mudado muito por causa do politicamente correto. Nessa postagem, então, reúno momentos de todos os tempos em que o Cascão teve contato com água e que ele aderiu à limpeza em forma oficial, sejam em tirinhas, nos gibis e em campanhas da MSP.

O Cascão inicialmente foi criado em 1961 como um personagem que tem medo de água e que nunca tomou banho na vida. Quem cresceu lendo gibis da Turma da Mônica sempre viu o Cascão fugindo do banho. Seja fugindo da chuva ou vilões querendo dar banho nele, como as irmãs gêmeas Cremilda e Clotilde, Doutor Olimpo, etc, ou a turma fazendo plano infalível para dar banho, ele sempre conseguia escapar de alguma forma, nem que fosse apelando para os absurdos como voar, se pendurar nos quadrinhos da página, sair da história e ir parar no estúdio da MSP ou na história do Penadinho, por exemplo.

Tudo era o máximo e garantia boas risadas para gente ver como ele escapava do banho. Além disso, ele fazia apologia à sujeira, entrava em latas de lixo, adorava brincar no lixão, queria ver tudo sujo ao seu redor, não aceitava nem que limpasse o quarto dele. Quando aparecia suposta situação que dava impressão que finalmente o Cascão tomou banho, era uma pegadinha e na verdade era alguém disfarçado nele ou um sósia ou até mesmo um sonho ou uma miragem no deserto. No máximo, tomava banho retratado como propaganda das "Cenas Impossíveis" de 1993.

Cenas Impossíveis (1993)
Porém, durante a sua trajetória tiveram algumas vezes que a invencibilidade foi quebrada e teve contato com água, seja lavando as mãos ou até mesmo tomando banho. Fora que atualmente o personagem está completamente mudado. Cascão até ainda aparece sujinho nas historias, só que ele está aderindo à limpeza, achando que é bom, só para não dar mau exemplo e atender ao politicamente correto. Com isso, praticamente não tem mais histórias atuais envolvendo água e banho, maioria são histórias normais que serviriam para qualquer personagem. Aí ao longo da postagem vou mostrar esses momentos lastimáveis do Cascão, muitos são cenas fortes.

A primeira vez que o Cascão tomou banho foi em uma tirinha de jornal de 1964 em que ele apareceu limpo do nada e ao ser perguntado pelo Cebolinha o motivo do banho, o Cascão responde que foi para agradar a mãe como presente do Dia das Mães. Embora os personagens estavam ainda definindo suas personalidades, o Cascão havia sido criado há pouco tempo até então, mas fugiu da proposta inicial de que ele nunca tomaria banho, não gostei. Essa tirinha ficou esquecida muitos anos, até ser resgatada nos livros da coleção "As Tiras Clássicas da Turma da Mônica Nº 1" (Ed. Panini, 2007).



Nos gibis, a primeira vez que o Cascão lavou a mãos foi na história "O mundo vai explodir" ('Cebolinha Nº 4' - Ed. Abril, 1973). Um cientista criou uma fórmula que descontrolou e estava prestes a explodir o mundo e para alvar a Terra teria que ser com a água de um menino que nunca lavou as mãos. Franjinha consegue convencer o Cascão a lavar ao falar que se o mundo explodisse, ia o sistema solar ficar poluído de água e seria pior e acaba Cascão tendo que fazer sacrifício e lavar.

Não mostra cena lavando, ó depois do ocorrido enrolado com uma toalha com frio por ter contato com água, mas pelo menos depois o cientista precisaria também do Cebolinha ter que tirar um fio de cabelo pra pôr na fórmula de salvar o mundo e Cascão se vingando por isso. Acho que não precisava disso, se o gibi era do Cebolinha, que já colocassem apenas a parte do fio de cabelo dele para salvar o mundo da explosão.


Em 1977 teve uma série de tirinhas no jornal Folha de São Paulo com Cascão prometendo tomar banho se o Corinthians fosse campeão depois de 23 anos até então. O time foi campeão, mas em última hora o banho ficou só na promessa já que o Cascão sujo como era, ia poluir o rio Tietê. Esse vale mais como caso do Cascão aderindo à limpeza por causa do seu time de coração.


Em 1983 teve uma grande enchente na região Sul do Brasil, deixando muita gente desabrigada e sem comida. Mauricio criou, então, uma campanha de solidariedade em um conto publicado no Jornal Folha de São Paulo no dia 31 de julho de 1983 e acabou fazendo o Cascão tomar banho na enchente, andando na chuva com água pela cintura, levando trouxinhas de roupas e biscoitos  para ajudar as crianças vítimas da enchente. Embora uma boa causa de solidariedade, podiam ter colocado no lugar vários personagens em mutirão ajudando, deixando o Cascão de fora, e não só ele fazendo o serviço. Ficaria bem melhor. No máximo, colocá-lo em um barco coberto e ele com guarda-chuva até o local das vítimas.


Ja primeira vez que apareceu Cascão tomando banho nos gibis foi em uma tirinha publicada em 'Cascão Nº 108' (Ed. Abril, 1986) e republicada depois em 'Cascão Nº 37' (Ed. Globo, 1988). Nela, Cascão não consegue escapar da chuva e quando se molha acaba se derretendo todo. Não gosto essa tirinha, sem necessidade de terem criado e  nada a ver se derreter quando se molha.


A primeira história em que o Cascão lavou as mãos foi "Morto de fome" de 'Cascão Nº 19' (Ed. Globo, 1987). A mãe dele, Dona Lurdinha, estava reclamando que ele não lavava as mãos para comer e proibiu de comer até que lavasse a mãos. Cascão vai à rua atrás de comida dos seus amigos e todos recusam dar até lavar as mãos. Como ele estava com muita fome, quase desmaiando, ele vê uma torneira na rua e acaba molhando as mãos e desmaia com o choque do contato da água nas mãos . No final, a mãe parabeniza o feito dele e enquanto o Cascão come, ela fica imaginando quando ele resolver tomar banho por completo.

Odeio essa história, podiam ter recorrido a outro final sem Cascão precisar tomar banho. Fora que ele só molhou as mãos, mas, por não ter sabão, as bactérias continuaram da mesma forma, só água não elimina bactérias. Felizmente, para tentar consertar a situação, eles criaram depois 2 histórias semelhantes, "A fome" (Cascão Nº 70', de 1989) e "Lave as mãos" (Cascão Nº 186', de 1994) com Cascão no final sem precisar lavar as mãos para comer e dando final feliz para ele.


A avacalhação com o personagem aconteceu quando fizeram a capa de 'Cascão Nº 299' (Ed. Globo, 1998) com ele lavando as mãos e encarando o leitor falando que se o leitor não lava também as mãos depois de ir ao banheiro. Foi uma grande surpresa e bem lamentável ver nas banca uma capa daquelas, descaracterizando o personagem. Tudo pra dar bom exemplo que todos devem lavar as mãos antes de comer, até o Cascão.


Depois dessa, Cascão volta a lavar as mãos na história "Casco-Cola Issequié!", de 'Cascão Nº 438' (Ed. Globo, 2004). Nela, Cascão faz ma groselha deliciosa e resolve vender no bairro. Apesar de ser só groselha, água e limão, todos gostavam e quando tentavam fazer em casa não era igual a dele. Foi descoberto que o segredo para ficar tão gostosa é que ele não lavava as mãos para fazer, com todos com nojo e passando mal ao descobrir isso. No final, o Cascão acabou se convencendo a lavar as mãos para comer na lanchonete e que teria que se acostumar a fazer sempre isso antes das refeições.

Essa marcou a real mudança do Cascão, o público confirmou que ele estava diferente de como era até meados dos anos 1990 por causa do politicamente correto. Seria uma história até legal se acabasse com o pessoal com nojo de tomar groselha com as mãos sujas dele, mas acabaram colocando esse final besta com ele lavando as mãos. Embora não apareceu cena lavando, mas sabe que ele fez já que apareceu de mãos limpas comendo o lanche e ainda falando que vai passar a lavar sempre as mãos. Outro detalhe na história de ele precisar mexer com água para fazer a groselha, porém aparece ele manuseando a garrafa d'água bem distante com auxílio de uma invenção de alavanca pra pôr a água no copo.



Na história "Mãos", de Cascão Nº 451' (Ed. Globo, 2005), Cascão volta a lavar as mãos Na trama, Cebolinha não deixa Cascão segurar a Maria Cebolinha, Magali não deixa Cascão colocar as mãos no pacote de batata que ela estava comendo e Dudu não deixa ele pegar no seu boneco. Como Cascão viu que estava sendo evitado porque tinha mãos sujas, ele lava as mãos e ainda faz questão de mostrar para todos que lavo e que vai deixar assim limpinha, até no final precisar segurar as mãos da Cascuda, mas que depois lavaria de novo.

Roteiro lamentável, em outros tempos ele estaria nem aí porque osa outros estavam evitando por causa das mãos sujas, mas pra dar bom exemplo, mudaram a personalidade dele. Também tiveram cuidado que de não mostrar a cena com ele lavando, apenas mostrando escondido que lavou e gritando com o contato da água.


No gibi institucional "Água boa para beber", de 2006, depois do Astronauta mostrar para a turma toda a importância da água para o planeta Terra, Cascão resolve se conscientizar e lavar as mãos. Ficou só como ele criando coragem, ficando na imaginação se lavou ou não, mas fica como um caso de aderindo à limpeza.


Depois, eles tentaram ainda justificar o Cascão lavando as mãos na capa de 1998 e em algumas histórias em "O mistério do personagem que lavou as mãos", de Cascão Nº 9 (Ed. Panini, 2007) em que o Mister B explica o mistério do Cascão lavar as mãos.


Depois de várias enrolações,  Mister B revela que o truque foi que sempre quando apareceu o Cascão lavando as mãos até então, era o Xaveco fantasiado como ele, sendo um dublê. Foi como uma espécie de consertar o erro que haviam cometido, porém na época que mostraram ele lavando as mãos  ou tomando banho não tinham essa intenção, ainda mais que na história de 'Cascão Nº 19' de 1987 , ele contracena com o Xaveco, então não tem como justificar, explicação pior do que se não tivessem feito nada.


Após isso, o Cascão ganhou mais força em aderir à limpeza na Editora Panini. Já não tinham mais histórias com ele no lixão, dentro da lata de lixo, brincando com lama, os outros implicando com o mau cheiro dele desde o final dos anos 1990, só que além disso e com os gibis cada vez mais educativos, a MSP fez questão do personagem passar a ter apologia às coisas limpas, de ter cuidado com poluição, mudando de vez a personalidade do Cascão e aumentando ainda mais o politicamente correto, a cada ano que passa piora.

Um exemplo disso, aconteceu na história "O aniversário do vampiro" , de 'Cebolinha Nº 82' , de 2013, em que o Cascão fica contente em limpar a garagem do Cebolinha e ainda fala que limpeza é com ele mesmo e ainda pede vassoura para começar a varrer. Em outros tempos, ele odiava limpar até o quarto dele e ainda fazia sujar mais ainda. Agora, ele limpa todo sorridente sem achar ruim.


Outro exemplo foi na história "A fantástica fábrica de guarda-chuvas" de 'Cascão Nº 89', de 2013, em que o Cascão sai para rua embaixo de chuva só porque estava entediado ficar dentro de casa por causa da chuva. O Cascão antigo ficava em casa o tempo que fosse preciso até passar a chuva, como prova na história "Dia de chuva, dia de solidão" ('Coleção Coca-Cola - Cascão', de 1990), e só ficava na chuva quando era pego desprevino, sempre escapando, e atualmente sai na rua normalmente.


Nessa mesma história de 'Cascão Nº 89', ele ainda se  molhou quando o guarda chuva quebra enquanto ele estava na chuva. No momento que quebra, Cascão corre onde estava o homem do guarda-chuva, porém ele se molhou, nem que seja uns respingos, já que a chuva estava bem forte. Então, mais um caso do Cascão se molhando na chuva.

Já  na história "Inimigo é pra isso", de 'Cascão Nº 29', de 2017, Cascão fica inconformado com as ruas e becos da cidade todos sujos e resolve se transformar no Super-impermeável" para limpar os becos sujos do bairro. É surpreendido com vilões querendo dar banho nele e na correria para escapar dos vilões, acaba o bairro limpo por conta dos vilões terem colocado água e produtos de limpeza na rua e no final o Cascão como Super-impermeável adora ver tudo limpo e prometendo acabar com os planos do Capitão Feio que estava querendo sujar o beco de novo.


Um roteiro lamentável, em outros tempos o Cascão adoraria as ruas todas sujas e ainda seria um herói para sujar ainda mais e agora tudo invertido. Desnecessário uma história assim, que não façam apologia à sujeira, mas que também não façam com ele adorando limpeza. Em tempo: a páginas ficariam bem melhores se fosse um quadrão com desenho do beco sem ser divididos por quadrinhos, assim como eram nos gibis da Editora Abril e Globo quando aconteciam isso.


Na história "O mestre dos mares", de 'Cascão nº 44' , de 2018, Cascão resolve ajudar o Aquaman, que estava fraco, ao ter o seu tridente roubado pelo vilão Cúmulos. Aparece o Cascão enchendo e carregando baldes d'água. Pior que o Aquaman nem usou a água dos baldes depois (ou pelo menos não ficou explícito por não terem mostrado Aguaman jogando água de balde na cabeça), e, com isso, não teve necessidade nenhuma, só encheção de linguiça e só para colocarem o Cascão com contato direto com água. Constrangedor.

Na época da Editora Abril chegou a ter história "Oh! O Príncipe Submarino!" ('Cascão Nº 42' , de 1984) com o Cascão não ajudando o Aquaman voltar para o mar, agiu como vilão, para fazê-lo se acostumar com vida fora da água. Aí na Panini essa história e mais uma outra antes dessa ajudando o Aqaman, ficando como um conserto do que o Cascão fez no passado a favor das boas maneiras.


Em "Cascão Nº 50', de 2019, teve uma capa revoltante também com ele aderindo á limpeza. Aparece Cascão todo sorridente em uma enchente fazendo campanha contra poluição dos oceanos e a favor do meio ambiente. Como assim? Em outros tempos, ele  no máximo estaria no alto do mastro da jangada cheio de medo por estar em uma enchente e nessa capa mostra descaracterização total do personagem.


Na história "Um menino especial", de 'Cascão Nº 57', de 2020), Cascão volta a lavar as mãos. Cascão lava a louça da cozinha para ajudar a mãe, que estava trabalhando em home-office. Cascão aparece vestido com roupa de mergulhador submarino para a água da pia não respingar nele, porém ele não usa luvas, então as mãos foram molhadas. Antigamente, ele se recusava a lavar louça para a mãe, era um sufoco, até tiveram história assim, como "Lava o prato Cascão, lava" ('Cascão Nº 55' - Ed. Abril, 1984). Ele sempre escapava de lavar louças, tinha pânico até de se aproximar da torneira e agora ele lava de boa, tudo para ensinar que deve obedecer a mãe e ajudar nos serviços domésticos.


Em 2020 com a pandemia mundial do Coronavírus (COVID-19), Mauricio resolve fazer campanha na internet em redes sociais da Turma da Mônica de conscientização de lavagem das mãos e higiene para evitar a doença. E usou nada mais, nada menos que o Cascão nessa campanha. Primeiro foi uma imagem com mistério se o Cascão ia ou não lavar as mãos, com ele com sorriso amarelo e todos incentivando a ele lavar para salvar vidas.


Depois, foi divulgado que ele realmente lavou, tudo a favor da boa causa de mostrar que se deve lavar as mãos. Afinal, se ele lava, todos vão querer lavar também. Mauricio faz questão de afirmar que era ele mesmo, dessa vez sem Xaveco como dublê como já inventaram antes.


A campanha até teve boa intenção de alertar, porém e acho que não deviam envolver o Cascão nisso. Que colocassem então o Cascão com álcool em gel ou todos da turma lavando as mãos em coletivo ou escolheriam outro personagem. Podia ter sido o Do Contra, já que ele sempre contraria as coisas e não lavaria as mão enquanto todo mundo lavava e por essa causa ele lavaria também. Ou podiam ter deixando um personagem fixo com mania de limpeza como antítese do Cascão, assim como criaram o Dudu, que não gosta de comer sendo a antítese da Magali. Chegaram a criar o Renato, vizinho do Cascão que apareceu em "Influências opostas", de 'Cascão Nº 111 (Ed. Gobo, 1991) e o Alvinho, primo do Cascão. Se deixassem esses personagens como fixos e bem conhecidos desde que foram criados, podiam ter sido aproveitados nessa campanha contra o COVID-19.

Para piorar, nos comentários dessas postagens da campanha nas redes sociais, o pessoal tudo apoiando, achando muito bom o Cascão ter lavado as mãos e ainda criticavam quem achava ruim o Cascão ter feito isso. Ou seja, o púbico está mudado e está a favor do politicamente correto e, assim, a MSP acaba atendendo e descaracterizando os personagens para atender a vontade do grande público. O Mauricio deu a entender em entrevistas que vai ter campanha mostrando o Cascão tomando banho por completo para combater o Coronavírus , se acontecer mesmo, aí atualizo o post.

Alguns consideram como fatos só os que aconteceram nos gibis, mas ainda assim tiveram vários exemplos do Cascão se molhando ou aderindo à limpeza nos gibis mesmo. Tiveram outras situações com Cascão aderindo limpeza nos últimos anos, essas da postagem foram só algumas para destacar e agradeço ao Washington Brito por mostrar algumas dessas edições.


Muito triste e revoltante ver essas mudanças de personalidade no Cascão. Ele era um personagem muito legal, porém mudou completamente, seja lavando mãos, tomando banho ou aderindo à limpeza, virou outro personagem. Podia até não mostrar mais Cascão fazendo apologia à sujeira, mas também não precisava mostrar adorando a limpeza. Para isso o ideal seria um menino fixo com mania de limpeza mostrando o certo, sem precisar Cascão ficar ensinando boa maneiras com a limpeza.

A gente se divertia e aprendia com os erros, no caso o Cascão era como exemplo  a "não ser seguido", a gente aprendia a não ser como ele, valia só a diversão de vê-lo escapando da água e do banho. Hoje, eles defendem que as crianças têm que seguir os exemplos dos personagens e  pensam que as crianças vão deixar de tomar banho e de lavar as mãos porque viram o Cascão fazendo coisa errada e aí mudam o personagem completamente para atender ao politicamente correto. Todo os personagens foram mudados por conta disso. Uma pena isso acontecer, aí quem não apoia as mudanças, vale mais a recorrer os gibis do passado. 

quinta-feira, 2 de abril de 2020

Capa da Semana: Magali Nº 165

Uma capa com Magali e Jeremias na Bahia com a Magali como uma artista de Reggae e o seus tambores são em formato de melancia, do jeito que ela gosta. Muito criativa e ainda mostra diversidades culturais do Brasil.

A capa dessa emana é de 'Magali Nº 165' (Ed. Globo, Outubro/ 1995).


segunda-feira, 30 de março de 2020

Um Tabloide com Magali flagrando os seus amigos com comida

Uma tirinha muito legal de exatos 30 anos com a Magali flagrando seus amigos escondendo comida na boca. Foi publicada em 'Magali Nº 19' (Ed. Globo, Março/ 1990).

Magali encontra seus amigos com boca cheia e escondendo alguma guloseima para ela não comer. Magali conseguiu pegar o sorvete do Cebolinha, a melancia do Jeremias e o bolo do Cascão. Quando ela flagra a Mônica com boca cheia, acaba pegando caxumba e ficando doente de cama por causa disso.

Eu gostava de mostrarem os personagens egoístas, tanto a Magali escondendo comida dos seus amigos, quanto eles regulando comida para ela sabendo da sua fama de comilona, como foi nesse tabloide. O final também incorreto e bem inesperado para a Magali, já que ela não contava que a Mônica estava com caxumba e acabou pegando também. Na verdade, a Mônica por estar com doença contagiosa tinha que estar em casa e, não na rua, mas para fazer graça na história, aí foi preciso para Magali se dar mal e aprender que não deve devorar as comidas dos amigos sem eles terem oferecido.

Geralmente em histórias assim quem regulava a comida se davam mal e nesse caso tanto os seus amigos estavam errados de esconder comida da Magali assim como ela devorar tudo sem permissão deles. Impublicável. Os traços bem caprichados, como sempre na época. A seguir, mostro essa história completa.


sexta-feira, 27 de março de 2020

Pipa: HQ "Igual à Xuxa!"


No dia do aniversário da Xuxa, compartilho uma história de quando a Pipa ficou com ciúmes do Zecão por ser fã da Xuxa e ainda ele teve uma lição da Xuxa por ter humilhado a Pipa. Com 8 páginas, foi publicada em 'Mônica Nº 4' (Ed. Globo, 1987).

Capa de 'Mônica Nº 4' (Ed. Globo, 1987)

Nela, Pipa vê o Zecão suspirando lendo revista e pergunta se o preço da gasolina subiu. Ele estava olhando a Xuxa na revista, sua musa, fala que é linda, um tesouro, elogia rosto, corpo. Pipa fica com ciúme, fala que a Xuxa é bem feinha, toma a revista dele e liga a televisão para ver se ele esfria a cabeça. Na TV estava passando o "Xou da Xuxa" e Zecão volta a suspirar, falando que a Xuxa é a garota que todo cara quer namorar. Pipa fica furiosa, manda o Zecão ficar com ela e termina o namoro entre eles, indo embora batendo forte a porta da casa dele.


Na rua, Pipa não se conforma o Zecão preferir a boboca da Xuxa, diz que ela tem mais qualidades que a Xuxa, mas quando se olha no espelho reconhece que a Xuxa era mais bonita e ao tentar fazer maria-chiquinha no cabelo tem ideia de se vestir como a Xuxa para agradar o Zecão.

Pipá vai na casa dele vestida de Xuxa e ele dar gargalhadas e fala que está parecendo uma maluca com os rabichos, mas que seria bom que fosse igual à ela. Pipa vai embora chorando com a ofensa do Zecão, achando que fez papel de boba e confirma que o Zecão a acha feia.


No caminho, encontra uma mulher com problemas no carro e quando vê era a Xuxa em pessoa. Ela estava voltando da gravação do programa e o carro pifou. Pipa fala para irem na casa dela para telefonar para uma oficina. Já na casa da Pipa, elas tomam café e Pipa comenta que a Xuxa é legal, mas que há meia hora atrás queria trucidá-la. Depois de contar toda a história do Zecão, Xuxa fala que o namorado é um cabeçudo, não devia tratar assim e mereceria uma lição.

Pipa vai preparar uns canapés para elas e nessa hora a campainha toca. Era o Zecão querendo fazer as pazes por ter sido injusto com a Pipa. Xuxa atende a campainha e ele se espanta, pensando que era a Pipa que fez plástica para ficar igual à Xuxa. Ela resolve entrar na onda e se passa como a Pipa que se transformou em Xuxa.


Zecão fala que ficou linda e a leva à rua para mostrar a todo mundo que ficou bonita. Zecão encontro Rolo e seus outros amigos conversando e mostra a Xuxa .Eles se espantam e Zecão fala que não era a Xuxa,e, sim a Pipa depois de um trato geral. Eles acham a "Pipa" uma gata e ficam só olhando apaixonados por ela. Zecão vê, fica com ciúme e fala que já sabem da novidade e vão embora.

Rolo pede para conversarem com ela mais um pouco e perguntam se ela aceita um sorvete. Zecão fala que vão embora e chama a Xuxa de benzinho. Ela diz que não é para chamá-la de benzinho, que agora que ficou bonita merece um namorado à altura como o Fábio Junior e nenhum deles serve. Zecão estranha o comportamento dela e pergunta cadê a namorada, meiga e apaixona que ele conhece. Ela diz que não se parecia nada com a Xuxa e agora era tarde.


Zecão fica desesperado e diz que não quer que ela se pareça mais com a Xuxa e quer a sua Pipa de volta. Pipa verdadeira aparece perguntando o que aconteceu e ele a abraça, reconhecendo que a outra não era ela e que a Pipa continua a mesma e só agora percebe como é feliz.

Xuxa fala para Pipa que fez uma brincadeira com o Zecão e fica na casa da Pipa esperando o mecânico enquanto o casal passeia. Zecão faz declaração que a Pipa é linda como está e manda prometer não mudar nunca. Em seguida pergunta quem era a moça tão parecida com a Xuxa. Pipa responde que era a própria Xuxa. Zecão se surpreende e desmaia por saber que estava conversando com a Xuxa e Pipa fala com os leitores que um dia o Zecão aprende a lição, terminando assim.


Muito engraçada essa história,  também eram bem divertidos os ciúmes da Pipa com o Zecão. Dessa vez foi ciúme com a Xuxa, quem o Zecão era fã declarado. Por ele ter humilhado a Pipa, a própria Xuxa deu uma lição nele se passando pela Pipa que fez uma plástica para ficar igual à Xuxa. O Zecão aprendeu a lição em parte, valorizou a Pipa, mas não deixou de ser fã da Xuxa por causa disso.


Foi engraçado ver a Xuxa em cena com problemas no carro quebrado, dar lição no Zecão, a cara qe o Rolo e os amigos fizeram ao verem a Xuxa, a Pipa vestida de Xuxa, o Zecão achar a Pipa maluca por conta disso, mas em contrapartida deu pena dela da humilhação dele, mereciam terminar de vez o namoro. Ele mereceu o castigo da Xuxa, mas foi ingênuo ele pensar que a Pipa conseguiu se transformar em Xuxa em tão pouco tempo, no mesmo dia. Absurdos de histórias em quadrinhos que sempre são bons. No final pode até imaginar a continuação, se ele voltou para casa da Pipa para conversar com a Xuxa, pegar autógrafo dela, essas coisas.

Zecão ainda teve outra história admirando a Xuxa, vendo programa dela, em 'Cebolinha Nº 18' de 1988, confirmando que ele era fã dela, mas nem tanto por causa do programa infantil e, sim, para admirar o corpo e as pernas dela no "Xou da Xuxa".  Não acho tão incorreta, acho que davam para pelo menos republicarem, só que teria alteração da palavra "Droga!" dita pela Xuxa com o carro pifado e também mudariam o nome dela durante a história.


Os nomes da Xuxa e Fábio Junior não foram parodiados dessa vez. Na Editora Abril nem sempre os nomes dos artistas eram parodiados, ficou mais frequente na Globo a partir dos anos 1990. Quando parodiavam, colocavam nomes como Chucha, Xoxa, Catuxa, entre outros. Em tempo, teve paródia do nome da Revista "Contigo", colocando Revista "Comigo".

Eu gostava quando tinham artistas contracenando com personagens, eram boas interações e Xuxa teve frequências marcantes nos gibis, foi a artista que mais apareceu e até mais citada nas histórias. A Xuxa passou a aparecer nos gibis a partir de 1983, sendo mais frequente a partir de 1985 e durante os anos 1990. Normalmente aparições eram nos programa dela o algum envolvimento com o programas, sobretudo "Xou da Xuxa", mas dessa vez ela teve uma trama própria fora do ritmo de gravação.


Traços lindos, bem típicos dos anos 1980,. saudades da Turma da Tina com desenhos assim, com direito ao Zecão com nariz bem grande, sem frescura. E  a Xuxa foi bem desenhada também, isso foi antes de ela ganhar gibi próprio pela Editora Globo entre 1988 e 1993, mas nos gibis da Turma da Mônica ela era sempre desenhada diferente no estilo da MSP mesmo e de acordo com cada desenhista. As cores com tons de pele mais rosados característicos das primeiras edições da Globo de 1987.