sexta-feira, 18 de julho de 2025

Bidu: HQ "À Procura de um espaço"

Dia 18 de julho é aniversário de criação do Bidu e início da trajetória da MSP, então, em homenagem, mostro uma história em que o Bidu precisou ir para histórias de outros personagens depois do Mauricio querer construir uma biblioteca na história do Bidu. Com 7 páginas, foi publicada em 'Mônica Nº 2' (Ed. Globo, 1987).

Capa de 'Mônica Nº 2' (Ed. Globo, 1987)

Bidu é surpreendido por funcionários da MSP levando livros para sua historinha. Bidu quer saber por que aqueles livros e eles falam que foi ordens do Mauricio de Sousa, que vai construir uma biblioteca ali e que os carpinteiros vem vindo para construírem as estantes.

Bidu vai falar com o Mauricio, fora da história ele pergunta para o Bidu se gostou da novidade da biblioteca. Bidu pergunta se vai colocar todos aqueles livros na historinha dele, Mauricio diz que é o lugar mais adequado e Bidu pergunta como ele fica. Mauricio responde que ele vai poder fazer pesquisas e ter mais ideias para as historietas. Bidu argumenta que o cenário vai ser sempre biblioteca e desenhistas vão se encher de desenhar livros. Mauricio, então, tem ideia de fazer o Bidu participar de histórias de outros personagens.

Assim, Bidu entra na história da Mônica, com título "Foi você!" e Bidu acha chateação entrar em história que não tem nome dele. Entra no momento que o Cebolinha está fazendo caricatura e xingamento da Mônica no muro. Cebolinha vê a Mônica se aproximando, manda Bidu segurar o pincel e balde de tinta. Mônica aparece, pensa que foi o Bidu que rabiscou no muro e bate nele, jogando balde de tinta nele. Bidu diz que não quer levar coelhada e vai procurar outro espaço.

Em seguida, Bidu vai parar na história do Rei Leonino, "O insulto". Ele procura um poste, mija no trono do Rei Leonino. O Ministro Luís Caxeiro Praxedes vê e acha um insulto por ter feito xixi no trono do rei e chama os guardas reais para expulsá-lo. Bidu sai da historinha e vai parar na do Piteco chamada "A caça". Bidu encontra um dinossauro, corre e leva pancada da clava do Piteco, que acha o animalzinho esquisito e não tem coragem de devorá-lo.

Bidu diz que esse negócio de ir para o espaço dos outros não dá certo e implora para o Mauricio que quer sua história de volta. Mauricio não aguenta ver um cãozinho chorando, tira a biblioteca de lá e Bidu recupera sua história, agora com o titulo "A grande conquista". Bidu se pergunta onde será que o Mauricio colocou a Biblioteca e no final descobrimos que foi na sala de roteiros, com os roteiristas Robson Lacerda e Rubão reclamando com o Mauricio que foi bem na sala deles.

História legal em que o Mauricio de Sousa monta uma biblioteca na história do Bidu, que precisa arrumar outro espaço para trabalhar. Vai parar nas histórias da Mônica, do Rei Leonino e do Piteco, se dando mal em todas as presenças. Mauricio fica com pena, devolve a história para o Bidu e monta a biblioteca na sala dos roteiristas.

Mauricio sacaneou o Bidu, com tanto lugar para montar biblioteca, tinha que ser logo na história do Bidu, que tinha toda a razão de reclamar, não seria bom leitores verem cenário de biblioteca em todas as histórias dele. Pior a situação do Bidu rebaixado de protagonismo para fazer participação de histórias de outros personagens para não ficar sem trabalhar. Pelo menos teve final feliz para o Bidu, mas péssimo para os roteiristas, biblioteca na sala deles deixou tudo apertado para eles criarem, tirando concentração deles.

Mostrou estilo de história de Bidu ator de histórias em quadrinhos e metalinguagem. Foi engraçado ver diálogo do Bidu com o Mauricio reclamando da atitude dele e Bidu se dar mal nas histórias dos outros e crossovers entre eles. Mônica batia em todo mundo, até em cachorro como o Bidu  ela batia, Cebolinha sacana também de fazer com que ela pensasse que foi o Bidu quem rabiscou o muro para apanhar no lugar dele, até que o plano deu certo dessa vez. Muito bom também Bidu mijar no trono do Rei Leonino, Luís Caxeiro não gostar por ser capacho do rei e Bidu levar pancada da clava do Piteco. O próprio Rei Leonino não ter aparecido, mas também nem precisava do jeito que colocaram, ficou bom da mesma forma. Esses crossovers ficaram excelentes, tiveram outras histórias do Bidu indo para histórias de outros personagens, sempre era engraçado.

Nos quadrinhos do Bidu, era normal funcionários da MSP serem representados como cachorros. Com exceção de Mônica e Cebolinha, os secundários não conheciam o Bidu nesta história. Isso variava de roteiro, tiveram histórias que os secundários conheciam um ao outro. Curioso também ver palavra "historieta", nem mais usada ou falada popularmente.


Nessa fase da segunda metade dos anos 1980 tinham muitas histórias de metalinguagem com presença de Mauricio e de roteiristas, em todos os núcleos de personagens, nem que fosse só no final como piada final, era bem repetitivo isso. Tudo que acontecia nos bastidores da MSP servia de inspiração para histórias. Pode ser que haviam construído uma grande biblioteca na MSP na vida real e o roteirista quis retratar isso na história. Como apareceram os roteiristas Robson Lacerda e Rubão juntos, pode ter sido escrita por qualquer um dos dois, eram estilos de histórias parecidos e os dois gostavam de histórias de metalinguagem.

O tema da história não considero incorreta, apesar de hoje eles evitarem histórias com metalinguagem, mas tem ainda em histórias especiais. Só que tem elementos incorretos que iriam censurar como personagens rabiscarem Mônica no muro (colocam cartazes agora), inadmissível Bidu mijar em poste e no trono do Rei Leonino (completamente proibido por causa de outros países que proíbem cachorros mijarem em postes), Bidu apanhar e ser surrado pela Mônica e pelo Piteco (violência e maltrato a animais), clava do Piteco com prego, palavra "Diacho!" (por lembrar diabo), expressões "Minha Nossa! "Pelo amor de Deus!" (tudo de cunho religioso é proibido agora) e palavra "historieta" (por ser datada). Além disso, Bidu e outros personagens iam para as outras histórias naturalmente, sem explicações. Hoje, para personagens irem para outras histórias é sempre com lápis mágico da Marina, fariam adaptação nisso. Teve erro do Cebolinha falar "segura" sem trocar "R" pelo "L".

Os traços ficaram muito bons, típicos de histórias dos anos 1980. A colorização bonita também do início da Globo de 1987 com personagens com peles mais rosadas, com destaque ao azul em tom aquarela, sem variações de azul, então por isso o tom do Bidu mais escuro, também em azul aquarela. O tom de cor azul do Bidu nos últimos anos da Editora Abril e por toda a Editora Globo variava com a colorização da época, não tinha um padrão, por isso às vezes ele aparecia mais escuro que o normal e podia até ser azul claro quase branco. Assim, essa postagem fica uma homenagem de aniversário de 66 anos do Bidu, criado em 18 de julho de 1959, e do início da carreira profissional do Mauricio nos quadrinhos.

PARABÉNS, BIDU!!! PARABÉNS, MSP!!!

domingo, 13 de julho de 2025

Cascão: HQ "Cascóquio"

Compartilho uma história de paródia de Pinóquio em que o Cascão é Cascóquio, que sofre sendo um boneco de madeira que nariz cresce cada vez que conta mentira. Com 17 páginas, foi publicada em 'Cascão Nº 68' (Ed. Globo, 1989).

Capa de 'Cascão Nº 68' (Ed. Globo, 1989)

Escrita por Rosana Munhoz, conta que o carpinteiro Pepeto, que construía bonecos de madeira, era solitário e conversava sozinho provocando risadas de quem passava na rua, sendo taxado de louco. Pepeto compra um gato e um peixinho, mas mesmo assim não tapou a boca do povo. Em um dia que se sentia mais solitário do que nunca, constrói o boneco de madeira mais perfeito que fez, resolve chamá-lo de Cascóquio e queria que ele fosse gente para conversar com ele.

Uma boa estrela no céu ouve, se transforma em fada-madrinha e faz Cascóquio a se portar e falar como  gente. Cascóquio não gosta que ela bateu na cabeça dele com a varinha de condão, a Fada acha que ele é malcriado e diz que vai continuar sendo boneco de pau até merecer ser gente, nariz vai crescer toda vez que contar mentira e deixa uma mosca falante com ele por não ter consciência e vai embora.

Cascóquio mostra a língua e chama a Fada de chata, a Mosca Falante lhe dá lição de moral e Cascóquio corre pela casa jogando inseticida na Mosca, acordando Pepeto, que fica feliz que seu boneco se mexe e fala, mesmo sendo de madeira e passa a conviver com Cascóquio, o gato e o peixe. 

Cascóquio só tem defeito de morrer de medo de água porque a madeira faz a madeira empenar e, depois de uns dias, apareceram manchas de sujeira nele e o cabelo pareceu impressão digital e passou a contar mentiras para o pai que tomava banho e lavava tudo, e seu nariz passou a crescer. Pepeto avisa que ele vai passar a ir para escola para aprender a ser asseado.

Cascóquio vai para a escola, com a Mosca falante a tiracolo e outras moscas se juntam a ela, ficam falando e ele manda se calarem. O lobo Lobórgio e o porco Torniquete veem o boneco de madeira falante, Lobórgio acha que pode ficar rico com ele e inventa que na escola tem mais de 20 banhos por dia ao saber que ele iria pra lá e que detesta banho e faz com que Cascóquio vá com ele para outro lugar. A Mosca tenta impedir, Lobórgio sopra, fazendo parar longe e Cascóquio vai com Lobórgio e Torniquete.

Na segunda parte da história, Cascóquio é levado para um circo, é vendido por Lobórgio e passa a ser  a atração de único boneco falante do mundo e o dono, Zé Trambolho, manda cantar e dançar. Cascóquio fica parado, com medo, a plateia reclama que boneco não se mexe e querem dinheiro de volta. Cascóquio começa a suar de nervoso, fazendo a plateia fugir por causa do mal cheiro.

Zé Trambolho expulsa Cascóquio, que fica triste perdido na rua, quando passa um trem da alegria e dos prazeres o chamando que ali criança se diverte sem pagar, sem trabalho, escola e responsabilidades. Cascóquio entra e depois vê que todas as crianças viraram porcos, inclusive ele. Era um trem mágico que crianças malcriadas viravam porquinhos e o maquinista as vendiam na feira.

Cascóquio salva todos, tirando os vagões do maquinista e promete voltar depois para fazê-los voltarem ao normal. Após dias de caminhada, ele consegue voltar para casa e tem a surpresa que estava vazia, Pepeto havia saído pelo mundo a procura dele, que começa a chorar, achando que foi um menino mal. A Mosca falante volta e avisa que Pepeto foi engolido por uma baleia, maior bicho do planeta e que vive no mar.

Cascóquio entra no barco com medo rezando para Fada Da Estrela que se sair desta, promete que vai ser um bom menino. Encontram a baleia, Cascóquio tira a pena do seu chapéu faz cosquinha no nariz da baleia, que espirra, jogando Cascóquio para longe e soltando Pepeto, o gato e o peixe. A baleia tenta pegá-los de novo, caem no mar e se afogam. Cascóquio diz que não sabe e nem quer nadar.

A Mosca Falante tem uma ideia e manda Cascóquio contar mentira atrás da outra. Ele conta, dentre outras coisas, que gosta de água, tomou 10 banhos hoje, que ele é mais bonito que o "Edson Celuloso", que o "Pato Ronald" é personagem do Mauricio de Sousa, o nariz cresce muito, fazendo uma ponte para Pepeto sair do mar junto com o gato e o peixe.

A Fada viu tudo e transforma Cascóquio em um menino de verdade como recompensa e faz a baleia voltar a ser uma menina gulosa, a Magali, que ela tinha transformado em baleia. Cascóquio pede para a Fada destransformar os meninos do trem que viraram porquinhos e ela realiza desejo dele. No final, Pepeto, antes solitário, passou a ter dois filhos, um sujinho e uma gulosinha, e todos viveram felizes para sempre.

História legal de paródia do filme Pinóquio, sem dúvida muito organizada, vários detalhes e reviravoltas e dividida em dois capítulos, em que uma fada faz o boneco de madeira Cascóquio criar vida só que por ter sido malcriado com ela, faz com que o nariz cresça toda vez que conta mentira. Cascóquio passa vários sufocos virando atração de circo por ser enganado por dois vilões, vai parar em um trem mágico virando porco que nem outras crianças que estavam lá e tem que salvar Pepeto que foi engolido por uma baleia. No final, a fada recompensa transformando Cascóquio em menino de verdade, a baleia em uma menina gulosa, fazendo Pepeto ter dois filhos que não tinha.

Pepeto poderia deixar os outros pensarem que era louco, ninguém tinha a ver com isso. Se não se importasse com o que outros pensavam, não teria criado o Cascóquio, mas também não conseguiria um casal de filhos no final, o chamado males que vem para o bem. A Fada foi bem esquentada, só porque Cascóquio reclamou da varinha na cabeça deu castigo nele. 

A Mosca Falante era toda correta para ver se Cascóquio se tornava obediente, ele não gostou da mosca a tiracolo. Se Cascóquio fosse obediente e fosse para escola como o pai mandou, não teria passado tanto sufoco. Foi muito inocente de não saber o que era escola e baleia, mas não tem culpa, afinal, ele antes era só um boneco inanimado sem conhecimento do mundo real, mas sabia que pena dava cócegas, oque ajudo a tirar seu pai e os bichos dentro da baleia. 

Uma surpresa a Magali ter sido a baleia por causa de castigo da Fada não ter gostado que era muito gulosa. Encaixou muito bem com ela já que ela come de tudo igual uma baleia. A Fada só fez voltar ao normal porque seria bom para o Pepeto ter dois filhos. História passou mensagem de forma divertida de não ser malcriado,  desobediente e não contar mentiras para não se dar mal na vida.

Foi engraçado ver Cascóquio jogando inseticida na mosca falante, as mentiras relacionadas a banho, plateia do circo fugir em disparada depois do Cascóquio suado, absurdo de peixe no aquário se afogando no mar, excelente paródia do ator Edson Celulari como "Edson Celuloso" e referência a Pato Donald como "Pato Ronald", personagem da Disney citado na mentira que ele era personagem do Mauricio de Sousa. 

Foi uma paródia do filme do Pinóquio de 1940, um clássico do cinema, adaptado para a personalidade do Cascão. Eles gostavam de fazer adaptações a fábulas famosas com os personagens do Mauricio e ficavam muito boas, muitas vezes ficavam até melhores que as fábulas originais. Antes da Magali ter revista, histórias de fábulas eram mais com o Cascão, tinham com outros personagens, mas a maioria era com ele. E curiosamente, o Cebolinha foi o que menos teve histórias assim. 

Comparando com filme, o Grilo Falante virou mosca, Gepetto se chamou Pepeto, as mentiras do Cascóquio foram relacionadas a banho e medo de água, a Ilha dos Prazeres virou Trem da Alegria e dos Prazeres e no filme, Pinóquio e crianças foram transformados em burros no filme e na HQ, Cascóquio e crianças, em porcos, e no filme a baleia era real e não era transformação de alguém. 

Traços ficaram excelentes, dava gosto de ver desenhos tão caprichados assim. O gato da história é o Mingau, foi a primeira vez que o Mingau apareceu em uma revista do Cascão. Presenças da Magali e do Mingau serviram para divulgar a revista da Magali lançada 6 meses antes desta história de agosto de 1989. Quem sabe a intenção inicial era o Pepeto ser o Tio Pepo no rascunho e desenharam errado até por ele não ser ainda conhecido,  pelo menos teve semelhança de nome e de ele criar brinquedos de madeira.

Muito legal também a citação de que cabelo do Cascão é impressão digital servindo como homenagem ao Sergio Tibúrcio Graciano que colocava suas digitais para criar cabelo do Cascão. Recurso de narrador-observador era sempre bom, no caso ele era roteirista da história. Teve erro da baleia com língua branca no último quadro da página 15 da revista.

É incorreta atualmente por mostrar desobediência, retratar que crianças não deve ir para escola e ter responsabilidades, maquinista do trem querer vender crianças transformadas em porcos na feira, o porco Torniquete levar pancada de bengala na cabeça, personagem como Magali ser vilã e engolir o Pepeto e os bichos como baleia, Cascóquio enfrentar baleia, ficar rodeado de moscas e ser chutado pelo dono do circo, além de palavra proibidas "louco", "gozado", "energúmeno", esta também pelo motivo de ser de difícil entendimento para crianças. Aliás, o filme Pinóquio seria cancelado hoje em dia. 

A capa da revista teve alusão à história de abertura o que era muito raro naquela fase de final dos anos 1980. Só histórias especiais e importantes que tinham capas com alusão, demais revistas prevaleciam as gags.

Essa história nunca foi republicada até hoje, poderia ter sido a partir de 2000 quando estavam republicando histórias de abertura de 1989 do Cascão com frequência, mas acabou não sendo. Podem inicialmente ter deixado reservada para algum futuro Almanaque Temático sobre fábulas e acabaram esquecendo, não republicaram nem em 'Coleção Um Tema Só Nº 49' da Editora Globo de 2006 que só tinham histórias de fábulas do Cascão, nem em outros temáticos e nem no título 'Clássicos do Cinema'   da Editora Panini, aí talvez porque acharam incorreta demais para republicação. Então, essa é rara e só quem tem a revista original que a conhece.

terça-feira, 8 de julho de 2025

HQ: "Magali, tãão sensual"

Em julho de 1995, há exatos 30 anos, era publicada a história "Magali, tãão sensual" em que ela recebe dicas da Carminha Frufru para se tornar sensual e poder conquistar o menino que estava interessada. Com 10 páginas, foi publicada em 'Magali Nº 158' (Ed. Globo, 1995).

Capa de 'Magali Nº 158' (Ed. Globo, 1995)

Escrita por Rosana Munhoz,  começa com a Magali olhando para o Ivanzinho enquanto brinca no balanço e comenta que é um gato e queria que ele olhasse para ela um dia. Carminha Frufru ouve e dá gargalhada porque nunca o Ivanzinho ia olhar para a Magali, toda lisona, sem graça e sem um pingo de sensualidade, que é um dom para ter, umas nascem com, outras, sem, mas é possível melhorar e resolver dar uma ajuda para ela.

Carminha fala que o vestido está errado, revela nada,  uma alcinha caída com ombro à mostra, dá toque supersensual. O cabelo de vez em quando tem que dá jogada para os lados. Magali tenta, fazendo cara de nojenta, mas não fica muito bem por ser cabelos mais curtos. Carminha avisa que ela tem que usar correntinha no tornozelo, além de supercharmoso, chama atenção para as pernas, que no caso dela, não sabe se será vantagem, e se imitar o jeito dela e tentar imitá-la em tudo, não tem erro.

Magali compra a correntinha e começa a pôr em prática o que aprendeu com a Carminha. Encontra a Mônica, vê o vestido caído da Magali e tenta ajeitar. Magali diz que deixou assim para revelar o ombro, mostra a tornezeleira e Mônica pergunta por que deixou pulseira no pé. Magali joga cabelo para os lados e Mônica empresta pente para ela. Magali diz que a Mônica não entende de sensualidade, coisa que faz os meninos ficarem caidinhos, Mônica fala igual ao coelhinho dela e Magali diz que acha que funciona só com os meninos mesmo.

Aparecem Cebolinha e Cascão e Magali põe em prática a sensualidade com eles. Cebolinha fala que o vestido dela está caindo. Magali manda deixar assim, é de propósito Os meninos se espantam, ela acha que esta funcionando e eles comentam a marca feia da vacina dela. Magali pergunta cadê sensibilidade deles jogando cabelo para os lados e Cascão pergunta se é piolho, que tem um remédio que é tiro e queda.

Magali se enche, reclama que eles são muito crianças e sai para procurar um garoto que aprecia a sensualidade dela. Encontra o Ivanzinho, põe em prática a sensualidade com ele, que a convida para tomar sorvete com ele. No caminho, Carminha Frufru joga sua sensualidade e convida o Ivanzinho pra tomar sorvete com ele, mas vê que está ocupado. Ivanzinho diz que nada e que a Magali estava de saída. Ela quer saber por que dispensá-la desse jeito. Carminha diz para ela que ninguém é páreo para ela em matéria de sensualidade.

Magali fala que não quer saber de menino bobão que só liga para aparências e é ela que está dispensando. Ela volta brincar de balanço, avisando que vai voltar a ser a Magali de sempre e quem quiser que goste dela deste jeito. No final, aparece o Quinzinho dando pão doce para Magali, dizendo que o que mais gosta nela é a simplicidade.

História engraçada que a Magali recebe dicas da Carminha Frufru pra se tornar sensual para conquistar o Ivanzinho, menino por quem estava interessada. Magali testa as dicas que recebeu com seus amigos, que nem ligam, e quando vai pôr em prática com o Ivanzinho, até consegue à princípio. mas não contava que a Carminha Frufru ia dar em cima dele, fazendo dispensar a Magali. No final, ela descobre que para o Quinzinho é a simplicidade dela que faz ficar vidrado nela.

Vimos a Magali bem para frente para idade dela, doida para conquistar o Ivanzinho que só se interessava por meninas sensuais, só que ele nem perdeu tempo de ficar com a Carminha Frufru porque era mais sensual a Magali. Se ela soubesse que o Ivanzinho era assim de trocar companheira como se troca de roupa, nem precisaria investir nele. 

Magali viu com Quinzinho que simplicidade era a melhor coisa que pode conquistar alguém. História mostrou, de forma muito divertida sem deixar piegas, mensagem de ser como você é, não mudar personalidade e preferências só para agradar os outros, quem gostar de você, vai gostar do jeito que exatamente é.  

Mônica e os meninos eram muito inocentes, não tinham malícia de sensualidade, o que era normal para a idade deles, a Magali é que estava muito avançada para uma menina de 6 para 7 anos pensar em coisas dessas, assim como a Carminha Frufru, que foi pior por ser sacana com a Magali, primeiro ensina as dicas de sensualidade e depois tira o pretendente da Magali. Se ela não aparecesse, a Magali conseguiria ficar  com o Ivanzinho como queria.

Muito divertida a conversa da Magali com a Mônica e depois com os meninos, como Mônica dizer se Magali está com pulseira no pé e emprestar pente quando Magali movimentava cabelo e os meninos repararem só na vacina feia da Magali e acharem que era piolho no movimento do cabelo dela. Foi engraçado também com a conversa inicial da Magali com a Carminha como as dicas para ser sensual de ombro para fora, movimentar cabelo para os lados e correntinha no pé, Carminha dizer que o vestido estava errado e Magali pensa que vestiu do avesso e Carminha dizer que perna da Magali não ser vantagem porque é fina demais.

Foi história sem a ver com comida já que estavam querendo diferenciar estilos de histórias dela com foco só em comida, ela até podia comer algo em alguma cena, mas não era o foco principal do roteiro. Prevaleciam as de comida, mas tinham também outros estilos de histórias.  Na época, a Magali dava em cima de outros meninos, mesmo tendo o Quinzinho como namorado fixo, mas nessa foi pior porque ficou claro que ela tinha namorado mesmo, caso de traição. Teve mais uma vez um menino "inho" diferente por quem as meninas se apaixonavam, dessa vez o Ivanzinho, que apareceu só nessa história.

Marcou a 3ª história da Carminha Frufru publicada e a parir de agora se tornando personagem fixa, aparecendo com frequência maior e nos primeiros anos e perturbar a Magali e algumas vezes a Mônica. Resolveram adotá-la como menina vilâzinha  para dar rivalidade a outras meninas. Foi a única vez que a Carminha apareceu morena, mas aparecia sempre com visual diferente a cada história que aparecia, assim como era com a Denise, e só teve visual padronizado a partir dos anos 2000. 

História impublicável hoje em dia por criança de 6 para 7 anos querer ser sensual para chamar atenção de menino que paquerava,  ensinar sensualidade para crianças, envolver namoro de crianças e traição da Magali por já ter namorado, além de palavras e expressões populares de duplo sentido  proibidos como "sem um pingo" e "tiro e queda". Tanto que nunca foi republicada até hoje, porque histórias de 1995 da Magali passaram a ser republicadas a partir de 2008 já na Editora Panini e o politicamente correto já estava predominante.

Traços ficaram bons com língua ocupando mais espaço na boca característicos dos anos 1990. Erro nariz da Magali no 3º quadro da 8ª página da história  (página 10 do gibi). Teve propagandas interrompendo a história em papel tipo capa fina entre as páginas 10 e 11, dessa vez foram do biscoito "Passatempo" com jogo de erros e do chocolate Turma da Mônica da "Nestlé". Muito bom relembrar essa história há exatos 30 anos.

sábado, 5 de julho de 2025

Capa da Semana: Cebolinha Nº 55

Nessa capa, o Cebolinha é encarregado de distribuir petiscos em uma festa e espeta tudo no cabelo dele por falta de espetos, deixando seus amigos surpresos com a façanha. Cabelo multifuncional como do Cebolinha podia acontecer de tudo, muito legal. Gostavam de colocar o Bidu nas capas antigas interagindo com a cena, ficava muito bom também, dava um charme a mais.

A capa dessa semana é de 'Cebolinha Nº 55' (Ed. Globo, Julho/ 1991).

terça-feira, 1 de julho de 2025

Chico Bento: HQ "Igualzinho a mim"

Mostro uma história em que o Chico Bento pede um sósia para o poço dos desejos para fazer as obrigações no lugar dele enquanto se diverte. Com 7 páginas, foi história de abertura publicada em 'Chico Bento Nº 90' (Ed. Globo, 1990).

Capa de 'Chico Bento Nº 90' (Ed. Globo, 1990)

Chico Bento vai para escola, só que segue outro caminho, pega a vara de pescar que tinha deixado lá e vai direto para o ribeirão, deixando o material escolar onde estava a vara, dizendo que não vai estudar e espera que a mãe não descubra seu plano porque se descobrir vai levar uma sova grande e bom seria ter um irmão gêmeo, que iria estudar no lugar dele.

Nhô Lau aparece para pescar, Chico se esconde atrás da moita para ele não descobrir que estava lá e descobre que ali tem um poço dos desejos. Assim, ele deseja que apareça outro Chico que nem ele e aparece, igualzinho a ele, sem tirar nem por, e manda seu sósia ir para escola no lugar dele.

Chico comemora que agora vai fazer tudo que quiser e resolve roubar goiaba. Surge a Rosinha comentando que cruzou com ele no caminho da escola e que é para ele lhe dar outro beijo igual como deu agora há pouco. Por causa da cara que ele fez, Rosinha pergunta se ele não lembra mais, se perdeu a vergonha e Chico manda largá-lo, chamando de assanhada.

Depois, Chico fala que quando o Sósia voltar da escola, vai ver uma coisa e encontra a Professora Marocas falando com o Sósia que ele tirou dez na prova e que está orgulhosa dele. Chico, furioso, fala que pega o peste em casa. Lá, a mãe, Dona Cotinha, gosta que o Sósia já terminou o dever de casa, oferece doce de mamão e que depois pode brincar à vontade. O Sósia diz que quer ajudá-la e Dona Cotinha acha que ele é uma doçura.

Chico comenta que o poço não devia caprichar tanto, quando surge o Zé Lelé falando que veio pegar o porquinho que deu para ele na escola. Chico acha que agora o sósia passou da conta, encontra com ele e fala que vai pegar o dinheiro de volta com o poço. O Sósia diz que não vai mesmo, que queria um Chico igual e que ele é até melhor. Chico fala que ele não é original, o Sósia diz que todos o preferem. 

O Sósia corre atrás do Chico, que chega e entra no poço, pega a moeda e o Sósia some. Chico promete que nunca mais faltar na escola e que vai ser mais bonzinho com os pais e seus amigos. No final, descobrimos que o Sósia era o anjo da guarda do Chico saindo do poço dos desejos e diz que missão cumprida e que pode voltar para casa.

História legal em que o Chico Bento pede um sósia para o poço de desejos para se divertir enquanto o sósia faz as obrigações dele. Como não queria estudar, manda o sósia pra escola enquanto ele vai pescar e roubar goiaba, só que não contava que o sósia era melhor em tudo, dando orgulho para a mãe, para o Zé Lelé e até para Rosinha, deixando Chico furioso. Quando ele pega a moeda que havia jogado no poço, o sósia some, Chico se arrepende prometendo ser um bom menino e descobrimos que era tudo um plano do anjo da guarda para dar lição no Chico.

O sósia era melhor que o Chico em tudo, exemplar em casa, na escola, com a namorada e com os amigos. Eram iguais na aparência, só que na personalidade o sósia era o oposto do Chico. Não é à toa que o Chico não gostou vendo que tinham orgulho fazendo as coisas certas. O plano do anjo da guarda foi para dar lição no Chico de não matar aula, não ser levado e ser mais prestativo com os pais e amigos e deu certo, pelo menos nessa história já que logo depois Chico voltou a ser o menino arteiro que sempre foi.

Foi engraçado ver o Chico furioso com o sósia, seja tirando dez na escola, estudioso em casa e ajudar mãe e dar porquinho para o Zé Lelé, sendo o mais hilário foi a Rosinha assanhada com o beijão que o Sósia deu nela, Chico sempre foi tímido e do nada deu beijão nela. Rosinha não estudava com o Chico, só quando o roteiro pedia.

Anjos da guarda de personagens costumavam ser a cara deles. Embora na Turma do Bairro do Limoeiro o Anjinho era o anjo da guarda oficial de todos eles, mas ás vezes era retratado que cada um tinha seu próprio anjo da guarda, variava de roteiro.  Eram boas as histórias com sósias, todos os personagens já tiveram seus sósias, podiam até criar Almanaque Temático só com histórias com sósias, se resolvessem ousar e não insistirem sempre nos mesmos temas batidos. 

Gostava também de histórias de poços dos desejos, hoje em dia até ainda tem, mas com algumas adaptações, costumam colocar uma placa bem grande explicando que precisa jogar moeda para realizar desejo, como se não explicar, as crianças de hoje não sabem o que se trata o que era poço de desejos, e às vezes colocam que é uma fonte d'água dos desejos, não apenas um poço perdido no bairro sem utilidade para uso. Boa parte da fantasia é perdida assim com tudo explicadinho e mudarem para uma fonte.

É incorreta atualmente por Chico matar aula para pescar com tudo planejado, ideia que levar surra da mãe (personagens não podem mais apanhar dos pais), Chico querer briga com o Sósia, namorar Rosinha e ela assanhada pelo beijo que o Sósia deu nela, que na verdade era um anjo dando beijo nela, além de Dona Cotinha aparecer de avental dando ideia de dona-de-casa e as palavras "peste" e "roubar" são proibidas hoje, falam agora que eles pegam goiaba. Os traços ficaram bons do estilo consagrado dos personagens. E teve erro nariz da Rosinha em formato "^" no último quadro da página 5 do gibi.