sábado, 4 de março de 2023

Tirinha Nº 92: Turma do Penadinho

Nessa tirinha, Cranicola conversa com a fantasma Heloísa, que queria pedir uma coisa par ele e estava sem jeito. Cranicola, pensando que ela ia lhe pedir em namoro, fala que faz qualquer coisa e Heloísa senta na pedra que ele estava pra ler um livro deixando Cranicola no chão, sem namoro e sem pedra. 

Heloísa sacana  de aproveitar da boa vontade do Cranicola e era engraçado ele era trolado e se dava mal por conta da sua impossibilidade de andar, hoje em dia incorreto isso. Gostava desses absurdos de fantasmas segurarem em coisas, sentarem em lugares, coisas de histórias e quadrinhos. Apesar de ser publicada em 2003, é original dos anos 1980, tirada de jornais e depois aproveitavam em gibis, era bem comum isso. E na época colocavam várias tirinhas da Turma do Penadinho e do Bidu em finais de expediente, maioria eram inéditas, nova safra, o que era bom para diferenciar de ter só tirinha do personagem principal.

Tirinha publicada em 'Parque da Mônica Nº 132' (Ed. Globo, 2003).

quarta-feira, 1 de março de 2023

Propagandas de Serviços Telefônicos da Turma da Mônica

Nos gibis dos anos 1990 tiveram várias propagandas de serviços telefônicos da Turma da Mônica que eram moda na época. Nessa postagem, então, reúno, todas essas propagandas que saíam bem frequentes nos gibis. 

Esses serviços "Tele" eram bastante comuns em vários segmentos e empresas e o Mauricio de Sousa entrou na onda. Basicamente a pessoa telefonava para o número indicado para ouvir notícias, informações e dicas sobre um determinado tema como tele piada, esportes, namoro, etc. Com a Turma da Mônica não foi diferente e normalmente as crianças ligavam para ouvir uma historinha de alguns minutos ou dicas sobre algum assunto de interesse para elas. O problema desses serviços que tinha cobrança alta na conta telefônica, seja valor da ligação normal ou então valor fixo cobrado por minutos. 

A estreia desses serviços foi o "Disque Mônica" em 1990 com o tipo "Disque 200" . Telefone normal, quem ligava, ouvia uma historinha com a Turma da Mônica. Esse serviço foi cobrado como uma ligação para a cidade de São Paulo. Quem morava lá pagava ligação local, mais vantajoso para eles, mas quem morava fora da capital de São Paulo ou em outro estado pagava ligação interurbana e tinha que digitar o DDD 11 antes do número. Esse serviço durou até final de 1991. 

Propagada tirada de 'Chico Bento Nº 121' (Ed. Globo, 1991)

Ao mesmo tempo dessa, também em 1990, lançaram o "Disque Pelezinho", também para a cidade São Paulo, e quem ligava, ouvia Pelezinho dando dicas de futebol, como seus segredos, como jogar, regras, informações,  truques e bastidores de todos os esportes. Cada dia tinha algo novo para incentivar ligação todos os dias. Assim como o "Disque Mônica", o custo era valor de uma ligação local de minutos para quem morava na cidade de São Paulo e pagava interurbano para quem morava em outra cidade do estado de São Paulo ou outros estados do Brasil. Serviço durou até final de 1991.

Detalhe do Pelezinho estampado na propaganda como um adolescente de 12 anos, pois a MSP tinha planos de criar gibis do Pelezinho adolescente, anunciado no livro especial "Pelezinho 50 Anos de Pelé", mas que esse projeto acabou ficando só no papel  e nunca lançaram, no máximo, mudaram traços, colocando lábios normais nele, tirando o círculo rosa da boca no 'Gibizinho do Pelezinho Nº 24' de 1992, mas as histórias são com ele criança como sempre foi.

Propagada tirada de 'Cascão Nº 123' (Ed. Globo, 1991)

O serviço "Cebolinha dá o toque" foi lançado em 1992, também com o tipo "Disque 200". Consistia em dar dicas de lazer para a criançada e terem a sua agenda cultural. Quem ligava, ouvia o Cebolinha mostrando dicas de shows, estreia de filmes nos cinemas, peças teatrais, passeios turísticos e outras opções de divertimentos infantis na cidade de São Paulo. Vantajoso para os paulistanos porque as dicas eram só para eventos na cidade, quem não era de lá, desperdício total de ligação, com exceção de notícia de lançamento de filmes nos cinemas. Custo também de ligação local para a cidade de São Paulo e interurbano para outras cidades e outros estados. Esse serviço durou até em 1993.

Propagada tirada de 'Chico Bento Nº 152' (Ed. Globo, 1992)

Junto com esse, foi lançado também em 1992 o serviço "Disque 200" "Alô Bidu Disque Bichinho". Quem ligava ouvia o Bidu mostrando dicas de alimentação, higiene e cuidados com os bichinho de estimação. Valia para qualquer bicho como cães, gatos, passarinhos, tartarugas, etc, sempre tinha dicas diariamente para diferentes animais. Também com custo local para quem ligava da cidade de São Paulo e interurbano para outras cidades e outros estados. Serviço durou até em 1993.

Propagada tirada de 'Chico Bento Nº 154' (Ed. Globo, 1992)

Em 1993 começou a vigorar o "Tele 900" no Brasil e criados os novos serviços telefônicos. Tiveram "Tele Mônica" e "Tele Chico Bento" e cada um deles as crianças podiam ouvir historinhas, assim, "Tele Mônica" com historinhas da turma dela e "Tele Chico Bento" com as da turma dele. Na propaganda convidam para ligarem para os serviços "Tele" deles se as crianças estavam cansadas de ouvir as mesmas histórias que a vovó contava. Ainda tinha o critério de foco na cidade de São Paulo com custo de ligação local e interurbano para outras cidades paulistas e de outros estados. Esse serviço durou até em 1995.

Propagada tirada de 'Chico Bento Nº 174' (Ed. Globo, 1993)

Em 1994 foi lançado o "Tele Cebolinha", dessa vez, diferente do anterior, quem ligava, ouvia uma historinha dele. Cada dia uma nova. Agora, já com plano Real em vigor no Brasil e forma de cobrança telefônica diferente em todos os serviços "0900", passou a ter abrangência nacional ligando sem precisar digitar DDD 11 e um valor fixo de R$ 1,59 a cada minuto de ligação. Com isso, saía mais caro do que se cobrasse uma ligação local ou interurbana. Os "Tele Mônica" e "Tele Chico Bento", que ainda existiam, também passaram a ter cobranças assim como todos os "Tele 900" que existiam no Brasil. "Tele Cebolinha" durou até em 1995.

Propagada tirada de 'Magali Nº 145' (Ed. Globo, 1995)

Ao mesmo tempo, também em 1994, foi lançado o "Tele Cascão" para ouvirem historinhas dele. Com mesmo estilo de "Tele 900" atual de abrangência nacional e valor fixo de R$ 1,59 a cada minuto. Tão caro, que para se ter uma ideia, um gibi da Mônica custava R 1,50 na época, bem mais vantajoso comprar um gibi para o filho que ficava mais tempo se divertindo lendo várias histórias do que gastar com ligação desse tipo só para ouvir uma historinha. Com isso, eles estavam disponibilizando 4 serviços "Tele 900" ao mesmo tempo naquele momento, um para cada personagem. "Tele Cascão" durou até em 1995.

Propagada tirada de 'Magali Nº 145' (Ed. Globo, 1995)

Em 1998 voltaram com esse serviço com o lançamento do "Tele 900 da Mônica". Dessa vez para ouvirem histórias da Turma da Mônica toda e não só de um personagem específico, cada dia uma nova. Continuou como abrangência nacional e o valor de cobrança telefônica subiu para R$ 2,95 a cada minuto que durava a ligação. Bem mais caro, visto que um gibi da Mônica na época custava R$ 2,20. Esse serviço durou até em 1999.  

Propagada tirada de 'Magali Nº 249' (Ed. Globo, 1998)

A partir de 1999, a Justiça proibiu esses serviços "Tele 0900" no Brasil por serem abusivos financeiramente e, assim, todos foram cancelados e a MSP foi obrigada a terminar. O que não adiantou muito, já que a partir daí, operadoras de celulares passaram a fazer serviços temáticos semelhantes por SMS, a pessoa faz inscrição e recebe as dicas diariamente por SMS e tem uma cobrança diária ou semanal do serviço que escolheu cobrado no seu pacote telefônico ou descontado no pré-pago. Esses serviços existem até hoje e se a pessoa não tem cuidado, assina sem querer através de mensagens que as operadoras enviam. Pelo menos nesse estilo, a MSP não fez parcerias com elas desde que foi implantado. Curioso que nunca fizeram um "Tele" para Magali, poderiam ter feito um com ela falando sobre alimentação, nutrição e dicas de restaurantes.

Deu para ver que foi um serviço bem caro e desnecessário porque dava para ler gibis em vez de ficar ouvindo historinhas por telefone, um pouco melhor os que deram dicas de lazer, esportes e cuidados com animais de estimação, já que na época não tinha internet e dependeria de jornais impressos fazerem matérias informando, mesmo assim, não valia a pena telefonar por causa disso. A maioria das propagandas tinha ilustração bonita e bem atraentes e pelo menos informavam que tinha cobrança telefônica para as crianças ficarem cientes e não ficarem ligando sem permissão dos pais.  

sábado, 25 de fevereiro de 2023

Uma história do Astronauta preso por extraterrestres


Mostro uma história em que o Astronauta é capturado por dois extraterrestres por explorar o planeta deles para o Rei dar uma grande punição ao Astronauta. Com 6 páginas, foi publicada em 'Mônica Nº 46' (Ed. Globo, 1990).

Capa de 'Mônica Nº 46' (Ed. Globo, 1990)

Astronauta está em uma missão de recolher rochas de variados planetas, sendo que dois extraterrestres, Mum e Tchibum, veem e vão abordá-lo que está roubando. Astronauta diz que só pegou umas pedrinhas e o Mum fala que as galácticas são as mais preciosas do planeta deles, é um dos crimes mais graves de lá.

Os ETs levam Astronauta até o Rei, que quer dar uma punição pelo roubo e diz que as leis são muito rigorosas no planeta. Aí fica em dúvida qual pior castigo dará se vai ser jogado no poço sem fundo, ser devorado pelos monstros do vale negro. Tchibum dá ideia de Astronauta comer as pedras que roubou e depois jogá-lo no rio e Mum deseja fritá-lo no azeite com cebolinhas e pimenta. O Rei acha tudo leve, Tchibum dá outra ideia e ele gosta.


 Assim, o Rei ordena como grande punição que o Astronauta será enviado sem nave, armas e víveres para um dos planetas mais terríveis do universo, um mundo violento onde há guerras intermináveis, fome e destruição, deixando Astronauta apavorado. Os ETs o levam para o transportador e ele vai parar no planeta Terra.

Astronauta se surpreende e fica feliz por estar no seu planeta em alguma cidade do Brasil. Ele aciona a sua nave pelo controle remoto que estava no uniforme, entra na nave e diz que o rei é idiota por mandar para o seu planeta, o tal "terrível planeta" e ri. No final, sobrevoando o planeta com desmatamento de árvores, poluição do ar e dos rios, Astronauta se pergunta do que está rindo.

História legal em que o Astronauta explora um planeta e é preso por extraterrestes porque não sabia que as rochas eram preciosas para eles e estava cometendo um roubo ao levá-las de lá. Como castigo diabólico, o rei o manda para o pior planeta do universo, que era a Terra, Astronauta, a principio até fica feliz, mas depois cai em si que o rei tinha razão ao ver tanta coisa ruim no seu planeta.

Teve seu lado filosófico e pra refletir no final, que gostavam de colocar nas histórias do Astronauta sempre que podiam. Afinal, um planeta com tanta violência, criminalidade, destruição de árvores, poluições de ar, de rios, pessoas mal educadas que jogam lixo nas ruas, é, sem, duvida, o pior planeta do universo, e dá refletir no que pode mudar para melhorar. Só a cena de Astronauta ver poluição, assaltos, ônibus cheios, lixo no chão assim que chega na Terra já davam indícios de ser um planeta ruim. Para os ETs ficar em um planeta assim seria pior do que morrer caindo em poço sem fundo ou ser devorado por monstros, etc, gostei da comparação.


Interessante que até colocaram um homem no alto no ônibus lotado, uma situação muito comum na época com pessoas no alto ou pendurados, se apoiando nas portas de ônibus ou trens superlotados em movimento,  os chamados "surfistas rodoviários" (ou "ferroviários", nos trens). Ficou uma ótima crítica social de problemas de transportes nas cidades. Vimos que órgão onde o Astronauta trabalha na BRASA (Brasileiros Anônimos), uma referência a NASA dos Estados Unidos e, assim, suas missões são coordenadas por eles, confirmando que ele é um astronauta brasileiro, de fato.

Incorreta hoje em dia por Astronauta se passar por ladrão, mesmo que sem intenção, os personagens principais não podem ter esse comportamento e ser chamado de ladrão, não pode também mostrar bandido assaltando homem com arma para não traumatizar  e evitam também histórias de reflexão e crítica sociais para crianças. Palavras "roubar" e "ladrão" são proibidas atualmente, assim como "diabólica" por não poder ter mais diabos nas histórias, e ser chamado de "louco" também não pode mais provavelmente para não confundirem com o personagem Louco. Alias, impressionante como era muito frequente a palavra louco nas histórias antigas, hoje tudo alteradas as falas assim em republicações.

Os traços muito bem desenhados que davam gosto de ver, legal os extraterrestres bem parecidos colocando duas faixas vermelhas no nariz do Tchibum para diferenciar do Mum e perceber melhor quem estava falando. Não teve um título, como de costume nas histórias do Astronauta  e legal a arte de mostrá-lo em uma prisão na letra "O", ou seja, não teve um título, mas mostrou o tema só com a arte. Eles eram criativos até nos títulos. As cores mais fortes porque estava em papel oleoso, ficavam bem quando tinham impressão em papel assim.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2023

Magali: HQ "Uma semana sem melancia"


Mostro uma história em que a Magali precisou ficar uma semana sem comer melancia e ficou desesperada por não poder comer sua fruta preferida.  Com 4 páginas, foi publicada em 'Mônica Nº 136' (Ed. Abril, 1981).

Capa de 'Mônica Nº 136' 9ed. Abril, 1981)

Magali sai da sala do médico correndo em direção ao ambulante vendendo melancias implorando por uma. O médico consegue segurá-la e lembra que mandou ficar uma semana sem comer melancia porque ela não está bem no estômago. Magali diz que só ia se despedir delas, aí médico e mãe fazem cara feia reprovando e ela aceita ficar uma semana sem melancia.

Depois, Magali fica no campinho e comenta que são só 7 dias, mas ao lembrar número de horas, minutos e segundos sem comer, se desespera. Ela passa a ver tudo em forma de melancia, ônibus, cachorro, frutas das árvores, mas ao esfregar os olhos, volta ao tudo ao normal. Em seguida, aparece Cebolinha com corpo de melancia, Magali corre sabendo que não é alucinação, chega em casa, sobe no segundo andar e comemora que resistiu, mas ao ver pela janela o Cebolinha chamando, ela avança. No final, Mônica pergunta ao Cebolinha se avisou a Magali sobre o baile a fantasia e a mostra com a boca agarrada na fantasia de melancia do Cebolinha.

Legal essa história mostrando o desespero da Magali de não poder comer melancia por estar com problema de estômago. Chega a ter alucinações em ver tudo como melancia e acabou não resistindo em ver Cebolinha fantasiado como melancia no final. Pelo menos não comeu uma de verdade e não piorar seu estômago.

Foi engraçado ver desespero dela, mesmo sabendo que podia comer outras coisas, menos melancia que ela tanto gostava e ver as suas alucinações. Foi até capaz de fazer conta rapidamente de quantos minutos e segundos vai ficar sem comer uma, a angústia de não comer permitiu isso. Era interessante esses absurdos que os personagens não iam para a escola até então e sabiam ler, escrever, fazer contas e até melhores que muita gente com estudos. Ainda assim, teve um erro de 603.800 segundos em uma semana, o correto é 604.800.

Cebolinha foi bem original em se fantasiar de melancia, ficou legal. Na época eles tinham muitas histórias em bailes a fantasia, que remetiam e consideradas histórias de Carnaval, mas que podiam sair em qualquer mês do ano e não só em fevereiro ou início de março. Nessa, por exemplo, foi de agosto de 1981.

Foi mostrado que a Magali morava em casa de 2 andares ao subir escada até o segundo andar. Era curioso que nas histórias de 1981, 1982, os personagens moravam em casa de 2 andares, tiveram também com Mônica e outros. Depois acharam melhor morarem em casas térreas e só de vez em quando que colocavam com 2 andares, de acordo com roteiro. E já estavam começando a colocar histórias solo da Magali nas revistas da Mônica com mais frequência para popularizar mais a personagem, que até então seguia o nível de secundários como Titi, Jeremias e Humberto, que, curiosamente, estavam retornando aos gibis em 1981 depois de muitos anos sumidos e agora também com histórias solo.

Incorreta atualmente por mostrar Magali com problema de saúde, mesmo que seja inofensivo, mas tudo que dê pena nas crianças ou as traumatizem eles evitam. Também não gostam de colocar absurdos com a fome exagerada da Magali como ela querer comer fantasia de melancia do Cebolinha por estar desesperada para comer e não fazem mais histórias sobre Carnaval e bailes a fantasia por não ser apropriadas para crianças. Os traços ficaram muito caprichados, típico de histórias de miolo do início dos anos 1980.

Foi republicada depois 2 vezes, a primeira em 'Almanaque da Mônica Nº 10' (Ed. Globo, 1989) e depois em 'Coleção Um Tema Só Nº 10 - Magali A Comilona (Ed. Globo, 1995). Em 1989 poderiam ter reservado para o 'Almanaque da Magali Nº 1', mas é que estavam colocando bastante presença dela nos gibis, seja histórias solos ou participação maior nas histórias dos outros até em republicações nos almanaques para ajudar na divulgação do lançamento da revista da Magali naquele ano.

Capa de 'Almanaque da Mônica Nº 10' (Ed. Globo, 1989)
Capa de 'Coleção Um Tema Só Nº 10 - Magali A Comilona' (Ed. Globo, 1995)

sábado, 18 de fevereiro de 2023

Cebolinha: HQ "Estripulias no salão"

Em fevereiro de 1993, há exatos 30 anos , era publicada a história "Estripulias no salão" em que o Cebolinha vai ao baile de Carnaval para pegar o Sansão da Mônica e sem ser reconhecido pela sua fantasia. Com 16 páginas, foi publicada em 'Cebolinha Nº 74' (Ed. Globo, 1993).

Capa de 'Cebolinha Nº 74' (Ed. Globo, 1993)

Cebolinha e Cascão estão indo à matinê de Carnaval no bairro, Cebolinha vai fantasiado de Robin Hood e pergunta ao Cascão se está irreconhecível. Cascão responde que os cinco fios de cabelo sempre entregam e ao Cebolinha colocar o chapéu, Cascão fala que agora só falta disfarçar a cara de bobo.

Cebolinha pergunta se Cascão não vai fantasiado e ele mostra e veste a sua fantasia de lata de lixo, que ele chama de "astronauta do ano dois mil". Cebolinha fala que é importante para não sentirem o mau cheiro e eles têm que estar irreconhecíveis, por isso se fantasiou de Robin Hood. Cascão pensa que ele vai roubar dos ricos para dar para os pobres e Cebolinha diz que vai ser ao contrário porque vai pegar o coelhinho da Mônica e vai reconhecê-la fantasiada porque ela não vai conseguir esconder os dentões.

Só que a Mônica resolve se fantasiar de odalisca com véu na boca tampando os dentes para ninguém reconhecê-la e coloca o Sansão no bolso para os moleques não aprontarem com ele. Já Magali vai fantasiada de espanhola com peruca e máscara, ficando irreconhecível também. Já no baile, Mônica comenta que elas podem paquerar a vontade sem ninguém saber que são elas e Magali come as frutas na cabeça de uma menina fantasiada de baiana na fila.

Com o salão cheio, Cebolinha tem dificuldade de encontrar a Mônica. Cascão fala pra esquecer plano e se divertir e Cebolinha responde que nunca vai desperdiçar uma chance dessa para derrotá-la. Aí, veem uma menina vestida de coelha e com dentes de fora, a Lucinha, e Cebolinha pensa que era a Mônica. Cascão foge, Cebolinha vai falar sozinho e pede para dançar com ela. 

Enquanto isso, Cascão se esbarra com a Magali, que havia se perdido da Mônica quando foi comer um lanchinho. Cascão a ajuda a levantar, elogiam as fantasias um do outro e dançam juntos, sem um saber quem era o outro, Magali até pensa que era o fofo do Ricardinho da Rua de Cima.

Cebolinha dança com a Lucinha, vê um pano azul saindo da fantasia dela, pega e sai correndo pensando que era o Sansão. Lucinha grita para pegarem o ladrão, aparece o irmão dela fantasiado de boxeador "Magrila" (Maguila) e bate no Cebolinha, devolvendo o lenço dela. 

Cebolinha encontra Cascão dançando com Magali, Cascão fala para não cortar a dele porque encontrou uma menina super legal. Cebolinha conta que aquela coelhinha não era a Mônica e Cascão pergunta de quem ele apanhou. Como não tinha outra menina dentuça, Cascão aconselha Cebolinha se divertir. Mônica encontra a Magali,  que não quer saber dela, só do menino fofo que conheceu que acha que é o amor da vida dela e aconselha Mônica a procurar uma companhia também. 

Ao caminharem, Mônica e Cebolinha se tombam. Eles se desculpam, elogiam as fantasias um do outro e vão dançar marchinhas. Cascão e Magali também dançam bem animados e interessados um pelo outro. Depois todos vão a lanchonete. As meninas conversam que encontraram paqueras e elas pensam que era  Ricardinho da Rua de Cima e os meninos comentam um para o outro que a odalisca e a espanholinha são uma gracinha.

Cascão pergunta para Magali o que vai pedir para comer e ela pede dez baurus e cinco guaranás. Cascão pergunta para que tanto e ela diz que pediu pouco. Cascão tira a tampa de lixo, falando que não tem dinheiro e ate deu calor. Magali sente o mau cheiro e descobre que é o Cascão, que também descobre que ela era a Magali pela gulodice. Eles se espantam, Magali fala  que é um nojo ter dado bola para ele e Cascão diz que ia à falência com uma comilona como ela. Os dois vão embora do baile decepcionados.


Mônica e Cebolinha riem e voltam ao baile para caírem na gandaia. Enquanto dançam marchinhas, Mônica deixa cair o Sansão, mas Cebolinha não vê caindo e acha que a Mônica esqueceu depois de ter passado lá. Ele fala que estava louco pelo coelhinho o tempo todo, que é de uma dentuça e chata que a tontona deixou cair. Mônica pergunta para que ele quer e Cebolinha diz que é para derrotá-la e ser dono da rua. Como trocou R pelo L, Mônica descobre que era o Cebolinha, que por sua vez descobre que era ela sem o véu. Mônica dá um soco tão grande que Cebolinha voa do salão como um foguete e ela sai de lá decepcionada.

Depois, Mônica conta para Magali que o garoto era o Cebolinha, que só foi lá para pegar o Sansão. Magali fala que as duas tiveram decepção de Carnaval e Mônica, que perderam tempo com aqueles moleques. Eles se encontram na rua e passam pelos outros fingindo que não viram. Quando se afastam, todos se olham por lado, disfarçando, pensam no parceiro fantasiado e demonstram interesse oculto pelo outro, Cascão pensa se Magali não fosse tão gulosinha, Cebolinha, se Mônica não fosse tão brabona, Magali, se Cascão tomasse banho e Mônica, se Cebolinha parasse de aprontar com ela.

História muito divertida com a turma fantasiada em um baile de Carnaval e como ninguém se reconheceu, Cebolinha se apaixonou pela Mônica e Cascão, pela Magali. Tudo ia bem, até o momento das revelações e se decepcionaram bastante, principalmente as meninas, que pensavam que era o Ricardinho da Rua de Cima. Apesar da decepção, todos demonstraram interesse pelo outro, guardando paixão secreta, admitindo para si mesmo que namoraria com seu parceiro se não tivessem defeitos.

Para o Cebolinha foi muito ruim já que ele queria ir lá para pegar escondido o Sansão da Mônica sem ser reconhecido, além da decepção amorosa, ainda apanhou 2 vezes, sendo a primeira do irmão da Lucinha, que ele pensava que era a Mônica. Vimos que tinha outra menina dentuça no bairro do Limoeiro, que apareceu só nessa história junto com o seu irmão. Cebolinha, aliás, nem no Carnaval se esquece de azucrinar a Mônica, vira uma obsessão ser dono da rua, se tivesse ido só para se divertir, não teria apanhado. Hilário ele voar como foguete por causa do soco tão grande da Mônica desiludida.

Ninguém queria ser reconhecido, cada um por seu motivo. Foi muito engraçado os momentos das revelações de quem era cada um e a cara deles de quando descobriram. A turma podia ter reconhecido um ao outro pela voz que pela situação não iriam mudar o tom das vozes. Magali seria a com mais chance de saber que era o Cascão desde o início porque só ele para se fantasiar de lata de lixo. Histórias em quadrinhos pode tudo. Cebolinha teve sorte de não falar nenhuma palavra com R, diante da Mônica, até o momento da emoção de ter encontrado o Sansão e se deu mal. 

Curioso ver o interesse dos personagens pelos outros, ficarem apaixonados, principalmente Cascão e Magali como casais. Mesmo que eles já tinham namorados, a Cascuda e o Quinzinho, respectivamente, com histórias desses casais namorando, só que na época ainda tinham histórias com Cascão paquerando e dando em cima de  outras meninas e Magali interessada por outros meninos, então, Cascão e Cascuda e Magali e Quinzinho não eram namorados fixos de fato até então, pode dizer que foram mais vezes namoro entre eles nas histórias. Deixaram esses casais mais fixos mesmo ao longo dos anos 1990.

Foi engraçado a Magali falar que a Mônica tinha dentões e logo corrigir que eram dentinhos para não apanhar e ela comer as frutas da fantasia de baiana da menina. Foi também legal ver as paródias dos nomes "Magrila" do lutador de boxe Maguila, e "Robin Rude", de Robin Hood, eram sempre criativos nisso. Cascão apelidar sua fantasia de lixo como "astronauta do ano dois mil" é que na época eles tinham a expectativa de chegar o ano 2000 e a virada de século, ter um lado futurístico. 

É considerada uma história meio grande para os padrões da época, mas com tantas reviravoltas e sem enrolações que ficou bem envolvente e nem percebe que é grande. Fora personagens retratados com suas principais características, o clima de Carnaval, vê-los fantasiados e dançando marchinhas clássicas, amores ocultos de carnaval, também a deixaram bem divertida. Colocaram o baile como  matinê porque são crianças e não ficarem pulando Carnaval de noite.

História é toda incorreta atualmente por vários motivos. Não fazem mais histórias com tema de Carnaval por não ser apropriado para crianças, ainda mais envolvendo namoro e paixão de Carnaval e desilusões amorosas entre as crianças, que não tem mais hoje, crianças sozinhas em baile de Carnaval, Cebolinha ser taxado de ladrão ao roubar lenço da Marcinha, Cebolinha apanhar e aparecer surrado, levando até soco da Mônica que fez voar, Cascão se fantasiar de lata de lixo e fazendo apologia à sujeira e Cebolinha pensar trocando "R" pelo "L", agora colocam pensando sem trocar letras. Tem também palavras proibidas como "bandido" (não pode personagem ser chamado assim nesse sentido de pilantra), "ladrão", "roubar" (porque criança não rouba), "louco" (personagem se chamar ou ser chamado de louco não pode mais provavelmente para não confundir com personagem Louco, mas a parte de chamar de maluco, pode).

Os traços muito caprichados e bem desenhados, foi ótimo ver as fantasias dos personagens, deu pra entrar no clima de Carnaval mesmo. Cores cada vez mais fortes e escuras, deixando cada vez mais de lado os tons pasteis de antes. A capa fez referência à história de abertura, só tinha na Globo quando era alguma história mais importante, e ainda assim não costumavam poluir muito, nem colocavam chamada de título da história, apenas a ilustração. Personagens apareceram na capa sem todos os acessórios para gente reconhecê-los melhor e ficar melhor visualmente. Muito bom relembrar essa história marcante há exatos 30 anos.