quarta-feira, 15 de fevereiro de 2023

Capa da Semana: Cascão Nº 293

Uma capa com Cascão e Cebolinha como árabes e Cascão fica desesperado debaixo do tapete voador para não se molhar com a chuva. Como chuva aconteceu de forma inesperada, foi a única forma que Cascão encontrou para se proteger da chuva. Era muito legal esses improvisos do Cascão para não se molhar. 

A capa dessa semana é de 'Cascão Nº 293' (Ed. Globo, Abril/ 1998).

domingo, 12 de fevereiro de 2023

Mônica: HQ "Quando ser forte incomoda"

Compartilho uma história em que a Mônica, cansada de ser forte demais, tem seu desejo de se tornar fraca realizado pelo Diabo, mas não contava que seria bem ao extremo, causando muita confusão para ela. Com 10 páginas, foi história de abertura de 'Mônica Nº 18' (Ed. Globo, 1988).

Capa de 'Mônica Nº 18' (Ed. Globo, 1988)

Começa com Mônica com vários constrangimentos por causa da sua força exagerada. Derruba a Magali longe ao empurrar um balanço para ela, derruba todos de uma só vez ao chutar bola para os meninos jogando futebol e arranca a porta da casa do Franjinha ao tentar abri-la.

Mônica fica triste, acha que ser forte só dá problema para os outros e deseja ser uma menina fraquinha como as outras. Aparece um homem, que pergunta se ela jura que quer isso e diz que ele é uma pessoa bondosa que adora ajudar as pessoas. Então, ele entrega um contrato para Mônica assinar, ela reclama que as letras são pequenininhas e o homem fala que é um pedido formalizado e que ela ainda vai concorrer uma passagem à Disneylândia. Mônica assina e ele diz que a partir de agora ela é uma menina frágil.

Em seguida, Mônica comemora, só que ao andar perto de uma árvore, uma folha cai como um chumbo em cima dela, fazendo derrubá-la no chão. Depois, vê Cebolinha e Cascão dando nós no Sansão e quando ela dá soco na cabeça do Cebolinha, é ela quem sente dor e Cebolinha pergunta por que a Mônica não bateu neles. 

Cascão fala que a Mônica perdeu a força, ela bateu e ele nem sentiu. Os meninos aproveitam para correr atrás dela, só que ela se choca em uma pedra e se quebra toda, ficando em caquinhos. Eles choram, Anjinho aparece e contam que a Mônica ficou um monte de caquinhos. Ela conta que um homem de chapéu e barbichinha esquisita a fez ficar fraca demais e Anjinho vai atrás do homem.

Anjinho tira o chapéu do homem e confirma que era o Diabo. Anjinho pergunta se ele não tem vergonha de se aproveitar de uma garotinha como a Mônica. O Diabo responde que fez bem para ela, realizou o desejo, só que exagerou e foi em troca da alma dela. Anjinho pega o contrato quando ele estava distraído, ele vai atrás, Anjinho bate no Diabo e consegue rasgar o contrato. 

Mônica volta ao normal e Anjinho fala que espera que ela aprenda a gostar como é, todos nós temos defeitos e qualidades. Os meninos falam que gostam dela como é e Mônica fica tão feliz que dá um abraço nos três, só que tão forte, vão parar no hospital com coluna quebrada.

Muito boa essa história em que a Mônica deseja ficar fraca por estar dando problema aos seus amigos, mas não contava que seria o Diabo que ia ajudá-la e que exageraria na fraqueza dela e que no contrato que assinou era para vender a sua alma. Anjinho conseguiu rasgar o contrato, salvando a amiga e ela volta ao normal, inclusive a sua força, fazendo quebrarem a coluna com o abraço tão forte que ela deu.


Foi tudo ao extremo, seja força exagerada, assim como fraqueza demais, se fosse meio termo, a Mônica ficaria satisfeita, mas Diabo fez ela ficar fraca além da conta de propósito para morrer e ficar com a sua alma. Além de divertir bastante, teve ainda uma importante mensagem aos leitores de que a gente deve gostar como a gente, aceitar todos os defeitos e qualidades, não querer mudar seu jeito porque acha que está incomodando alguém.

Foi uma história cheia de absurdos do início ao fim, muito engraçado ver os problemas da Mônica com a sua força exagerada, principalmente arrancar a porta da casa do Franjinha, depois vê-la fraca demais, não aguentando nem uma folha cair em cima dela e virando caquinhos quando tropeça na pedra, Mônica falar enquanto era caquinhos e ela ainda quebrar as colunas dos seus amigos só com um abraço, inclusive do Anjinho, que não deveria sofrer com isso por ser uma entidade. Adorava esses absurdos nas histórias.

Foi legal e boa sacada também a citação à Disney com Disneylândia considerados concorrentes da Turma da Mônica nos gibis, principalmente que em 1988 estavam em editoras diferentes. De vez em quando faziam citações assim à Disney, e bem curioso que Disneylândia não teve nome parodiado. Na época, nem sempre parodiavam nomes de artistas, programas de TV, filmes e locais famosos. Engraçada também a frase do Diabo que ele não é Papai Noel para dar as coisas de graça.

Era normal histórias com personagens vendendo alma para o Diabo, geralmente assim de eles assinarem contrato sem saber que estavam falando com Diabo nem o que estavam assinando. Atualmente é completamente impublicável porque não pode mais mostrar Diabos e muito menos personagem vender alma para ele, na época do Orkut essa história foi citada como traumatizante para eles de verem a Mônica virando caquinhos por culpa do Diabo, aí Mauricio vê comentários assim e acata. Hoje também não iriam mostrar personagens com coluna quebrada no hospital, evitam mostrar força exagerada da Mônica e seus absurdos, embora isso não totalmente abolido dos gibis, também não pode mais mostrar personagens falando palavrões e dizer que ela "ficou louca", que era algo bem frequente, também é proibido hoje provavelmente para não confundirem com o personagem Louco. 

Os traços ficaram muito bonitos, um encanto de se ver, e interessante deixarem estilo mais fofinho em uma história com tema assim com Diabo, quando normalmente deixavam traços mais assustadores ou até a forma normal mesmo. As cores são do estilo do primeiro semestre de 1988 com tons de vermelho escuros como um todo e tons de azul e de amarelo nos cenários mais escuros e cores no geral bem desbotadas. Teve um erro faltando um fio de cabelo do Cebolinha  quando vê a Mônica em caquinhos na sexta página da história (página 8 do gibi), erro bem comum na época. 

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2023

Piteco: HQ "A ponte da insegurança"


Mostro uma história em que o Piteco ficou com medo de atravessar uma ponte velha com risco de cair no abismo. Com 5 paginas, foi publicada em 'Mônica Nº 51' (Ed. Globo, 1991).

Capa de 'Mônica Nº 51' (Ed. Globo, 1991)

Piteco está criando coragem para atravessar uma ponte e Bolota pergunta se vai demorar muito para atravessar. Piteco faz questão do amigo ir primeiro, mas ele vendo que era perigosa, fala que quem chegou antes, tem que atravessar primeiro. Eles discutem quem vai primeiro, quando Ogra chega eles querem que as senhoras vão na frente. Ogra acha a ponte insegura e prefere que um homem atravesse primeiro. Assim, Piteco e Bolota voltam a discutir quem vai.


Chega um velhinho com bengala, fica com medo e diz que se fosse 50 anos atrás, ele atravessaria e Bolota diz que há 50 anos, a ponte era nova. Mais gente chega como um pescador, uma mulher carregando cesta na cabeça e um homem com sete filhos para criar e ninguém tem coragem de atravessar. Aparece o João Valentão reclamando por que todo mundo está parado ali. Piteco fala que a ponte não é segura. João valentão chama todos de medrosos e covardões, ele já atravessou várias vezes e vai mostrar que é segura. Quando ele atravessa, a ponte desmorona e ele se equilibra entre as pontas do abismo. Então, na situação que estava, todos atravessam em cima do João Valentão servindo de ponte porque aí, sim, era seguro.


História legal em que Piteco e o povo de Lem ficaram com medo de atravessar uma ponte velha, mas com a tentativa de João Valentão atravessar, acabou ele formando uma ponte segura para, enfim, eles passarem. A distância entre uma ponta e outra era pequena, mas não a ponto de pularem e se caíssem, seria perigoso morrer no abismo. Vimos que apareceram pessoas de vários portes físicos e carregando pesos diversos e todos tiveram medo. Talvez uma pessoa magrinha, como a mulher loira só que sem carregando peso até poderia passar, mas um grandão como o João Valentão, não dava mesmo. 


Foi divertido ver cada um fazendo questão de passar a vez para o outro, se fazendo de amigos e cavalheiros, mas era só interesse, que eles que morressem primeiro. O diálogo do velhinho com Bolota, dizendo que 50 anos trás a ponte era nova foi legal também. Interessante a Ogra aparecer sem ser em uma história com a Thuga, normalmente elas apareciam juntas. Tiveram vários personagens secundários que apareceram só nessa história, inclusive o João Valentão, que foi decisivo na história, também apareceu só nessa.


Foi focada dessa vez no cotidiano do Piteco, sem ser envolvendo Thuga ou ele sendo grande caçador, até pelo contrário, o mostrou bem medroso com a ponte. É tipo de história com personagens lidando com ponte de madeira velha e frágil, era muito comum histórias assim, normalmente eram de miolo, e vários personagens tiveram alguma assim, principalmente com o Chico Bento, Turma da Mônica e Papa-Capim. Sendo com o Piteco, mostra que existia ponte assim desde a Pré-História segundo os quadrinhos da MSP. 


Hoje em dia não tem mais histórias assim com personagens querendo atravessar pontes frágeis, caindo em abismo, barranco, ou até absurdos de cair e só se machucar de leve ou nem isso. Coisas que eram muito normais e inspiradas em desenhos animados, mas hoje implicam por ser perigoso de personagens se machucarem ou não gostarem de mostrar tais absurdos de cair e não acontecer nada com eles. O pescador se chamando de louco também é proibido hoje provavelmente para não confundir com o personagem Louco e não tem mais Piteco segurando clava com prego por não ter existido de fato na Pré-História. Os traços ficaram muito bem desenhados, como sempre na época, gostei de detalhes de pterodátilo e pássaros sobrevoando o ambiente.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2023

Tirinha Nº 91: Chico Bento

Nessa tirinha, em uma aula de Matemática, Professora Marocas pergunta qual é a raiz quadrada de quatro e, então Chico, vai correndo para desenterrar quatro árvores para ver se encontra raízes quadradas nelas. Como ele é burro, não sabe o que se trata raiz quadrada da Matemática, só sabe de raiz de árvore. Chico retratado burro na escola não tem mais atualmente, o que é uma pena porque era muito engraçado. E poderiam implicar também de absurdo de criança cavar árvore sozinha e desmatamento de árvores. 

Tirinha publicada em 'Chico Bento Nº 91' (Ed. Globo, 1990).

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2023

Chico Bento: HQ "Época de jaboticaba"

Mostro.uma história em que o Chico Bento teve dificuldade de comer jabuticaba após voltar de férias na cidade. Com 10 páginas, foi história de abertura de 'Chico Bento Nº 182' (Ed. Globo, 1994).

Capa de 'Chico Bento Nº 182' (Ed. Globo, 1994)

Rosinha espera na rodoviária o Chico Bento voltar da sua viagem de férias na cidade e quando ele volta, nem quer conversa, demorou demais na casa do primo e espera que elas tenham esperado por ele. Em casa, pergunta para os pais se chegou a tempo de comer jabuticabas, pois só dão uma vez por ano e ele é louco por elas. Seu Bento conta que a jabuticabeira deles ficou carregadinha, uma parte ele colheu e vendeu e outra parte a molecada depenou.

Chico fica arrasado e vai lá na jabuticabeira para ver se restou alguma e lamenta que sobrou nenhuma e tinha só as cascas que o povo fez a festa. Chico pergunta aos pais por que não guardaram, Dona Cotinha fala que acha que podiam estragar e fora que ele se impanturra de jabuticaba e depois fica com dor de barriga e Chico diz que fica com dor de barriga, mas feliz, e então resolve procurar pelas jabuticabeiras das redondezas.

Nas casas do Zé da Roça e do Zé Lelé tinham acabado, se entupiram de jabuticabas. Depois Chico vai ao pomar do Nhô Lau, pensando que tinha sobrado do jeito que é regulado, vai correndo sem nem dar atenção para a Rosinha. Chegando lá, vai de mansinho, até que Nho Lau aponta o trabuco para ele, perguntando se vai assaltar a goiabeira. 

Chico fala que está aguado de vontade de comer jabuticaba e pergunta se ele pode dar algumas para ele. Nhô Lau diz que alugou a jabuticabeira por hora, pessoal se fartou de comer e ele ganhou uma graninha e com pena do Chico, permite ele ir lá para ver se sobrou alguma no pé.

Então, Chico vasculha e encontra uma, sobe na árvore, mas quando ia pegar, um passarinho pega no bico antes dele. Chico fica com raiva, pretende ir atrás do passarinho, só que se esquece que estava na árvore e cai. Aí, ele vê uma jabuticaba no chão e pega, depois encontra outra e depois várias outras e vai catando, mas descobre que era cocô de bode Odorico, que estava passeando com seu dono. 


Chico larga os cocôs, lava as mãos na cachoeira, senta triste, se conformando em comer jabuticaba ano que vem, quando chega Rosinha com uma cesta cheia de jabuticabas. Chico come tudo com satisfação ficando até gordo de tanto comer e no final, Rosinha fala que finalmente vão poder namorar e matar saudade e Chico fala que não vai dar, os olhos dela parecem duas jabuticabas e agora enjoou de tanto comer.

História legal em que o Chico Bento chega atrasado das férias na cidade e não encontra mais as jabuticabas que tanto gostava porque passou o tempo de produção da fruta. Correu tanto, mas só conseguiu graças a Rosinha e depois não quis namorar com ela porque os olhos pareciam jabuticaba e cansou de ver a fruta na sua frente. Coitada da Rosinha que só queria namorar um pouco e ele não deu a mínima para ela. Rosinha achava que levando as jabuticabas, Chico ia parar  de procurar e dar atenção a ela, mas, para sua surpresa, não deu e ele nem agradeceu. Olhos de jabuticaba seria até elogio, mas para ela não serviu, valeu como ofensa. 

Descobrimos que o Chico também adora jabuticaba até mais que goiaba. Foi engraçado ver a correria dele desde que chegou na rodoviária louco pra comer jabuticaba sem nem tirar botina de quando voltou da viagem e toda as suas decepções. Pontos altos de passarinho comer uma antes e Chico pegar as bostas do bode pensando que era jabuticaba, pelo menos ele não colocou na boca, seria pior comer. 

Legal também o nome "Rodoviária do Matão", esses detalhes faziam diferença. O nome "jaboticaba" no título foi pra fazer graça para arte da jabuticaba na letra "O", eles eram bem criativos nos títulos. Chico contracenou com vários personagens do seu núcleo, mas eles não se contracenaram entre si, Chico ficou sozinho com eles um a um.

A história além de divertir, ainda de quebra ensina sobre jabuticaba, que não é muita conhecida pelas crianças e que só dá em determinada época do ano. Incorreta hoje por mostrar Chico catando cocô de bode, Chico gritar e responder aos pais, Nhô Lau com trabuco na mão e apontando a arma para o Chico, envolver namoro de crianças, final triste para a Rosinha,  Chico viajando de ônibus sozinho, e fora palavras proibidas como "assaltar" (goiabeira), já que acham que criança não rouba e (sou) "louco", provavelmente, para não confundirem com o personagem Louco.

Os traços muito bonitos, um estilo bem fofinho, que adotaram nos anos 1990. Teve erro no penúltimo quadrinho na quarta pagina da história (página 6 do gibi) em que Chico aparece descalço sem colocarem a botina, provavelmente por estarem acostumados a desenhá-lo descalço. As cores do gibi tiveram algumas páginas erradamente com tons de amarelo e vermelho mais escuros do que o resto da história, deve ter sido erro da gráfica na hora de imprimir.