sábado, 16 de julho de 2022

Mônica: HQ "A coroa da rainha"

Mostro uma história em que um bandido roubou a coroa de uma rainha e depois que teve que recuperá-la quando a coroa foi parar na brincadeira da Mônica e Cebolinha. Com 9 páginas, foi história de abertura de 'Mônica Nº 30' (Ed. Globo, 1989).

Capa de 'Mônica Nº 30' (Ed. Globo, 1990)

Nela, a Rainha do reino de Bugulu acorda e percebe que sua coroa foi roubada. O Ladrão foge e um policial o aborda, perguntando sobre o roubo da coroa da rainha. O Ladrão diz que é mau gosto, a velhota é muito feia e o policial fala que foi coroa da cabeça. O Ladrão diz que se ver quem roubou, chama a polícia. Depois que o policial vai embora, ele pega o barco no riacho que já estava esquematizado e foge para bem longe, para o Bairro do Limoeiro.

Perto dali, Cebolinha pergunta se sabe da novidade. Mônica pensa que o Cascão tomou banho e Cebolinha conta para a Mônica que deu no jornal que roubaram a coroa da Rainha Bugulu. Mônica pergunta quem é essa rainha, Cebolinha diz que foi o pai quem viu no jornal. 

Mônica diz que deve ser legal ser uma rainha e ele fala que preferia ser um rei e Mônica tem ideia de eles brincarem de rei e rainha, sendo que antes têm que arranjar uma coroa. Cebolinha faz uma coroa de papel de jornal, no caminho voa com o vento forte e vai parar no esconderijo do ladrão. Cebolinha encontra a coroa da rainha Bugulu e rouba para ele brincar com a Mônica pensando que não tinha dono.

Depois, o Ladrão leva o comprador de joias Gastão para comprar a coroa da rainha em dólares. Só que ao ver, Gastão diz que devia ter roubado rainha de um país rico porque uma coroa de papel vale nada. O Ladrão fica brabo demais de terem roubado a coroa e vai atrás de quem roubou.

Logo, encontra Mônica e Cebolinha brincando com a coroa. O Ladrão fala para Mônica que é a vez de ele ser rei e Mônica responde que depois dela é a vez do Cebolinha. O Ladrão diz que não dá para esperar, toma a coroa da Mônica e a chama de dentuça. Mônica bate no ladrão, dizendo que se quiser, vai ter que esperar e o chama de plebeu.

Em seguida, Cebolinha é o rei da brincadeira. O Ladrão toma a coroa dele, que chama pelos guardas. Mônica aparece, bate de novo no Ladrão e devolve a coroa para Majestade Cebolinha. O Ladrão desiste de roubar a coroa das crianças, é mais difícil de roubar da rainha de Bugulu. Logo, tem a surpresa da Mônica entregar a coroa pra ele, por ser a vez dele ser rei da brincadeira. O Ladrão comemora que é o rei, como se tivesse brincando, logo se toca, e foge com a coroa.

Mônica e Cebolinha pensam que ele estava brincando de ladrão da coroa, vão atrás e conseguem pegá-lo. O Policial aparece e prende o Ladrão, falando que as crianças fizeram bom trabalho, ele está sendo procurado pelo mundo todo. No final, a rainha de Bugulu empresta a coroa, cetra e o manto dela para Mônica e Cebolinha para eles brincarem como recompensa de terem prendido o bandido que a roubou e ficam muito felizes.

História legal em que um bandido rouba a coroa da rainha de Bugulu, mas que Mônica e Cebolinha pegam para poder brincar e o bandido tenta recuperar. Não contava que teria que encontrar justamente a Mônica,  e apanhou várias vezes ao tentar roubar até ser preso pela polícia.

Interessante que na história as crianças na inocência delas nem sabiam que estavam lidando com um ladrão de verdade, pensavam apenas que ele queria brincar com eles. Era muito bom a Mônica bater em qualquer pessoa, até em adultos e em bandidos, qualquer um que seja contra as ideias dela ou a xingasse. Graças a seu gênio que conseguiu derrotar o ladrão, mesmo sem saber que era um.

Estilo de histórias de brincadeiras, com eles brincando, que eram bem divertidas. Só assim para Cebolinha ser rei da rua por um momento, como sempre quis, sem fazer plano infalível e a Mônica achar ruim. Foi legal ver que as crianças nem sabiam quem era a tal rainha do noticiário, o Cebolinha roubar a coroa do ladrão, também sem querer, no melhor estilo que quem rouba ladrão, tem cem anos de perdão e a cara dele ao descobrir que a coroa não estava lá e, sim, uma coroa de papel de jornal. Se as crianças fossem mais espertas e se lembrassem do noticiário do roubo, iam se ligar que a coroa que estavam brincando era a própria coroa roubada.

Teve uma certa referência ao seriado "Chaves", quando a Mônica sugere eles brincarem de rainha após o Cebolinha falar sobre o noticiário do roubo da coroa da rainha. Mônica como Chiquinha e Cebolinha como Chaves. No seriado, acontecia de alguém chamar o Chaves para brincar de alguma coisa após eles falarem sobre um assunto parecido, tipo como brincarem de cachorrinhos, de encantado, etc. Na MSP da fase clássica não fizeram paródias do Chaves propriamente ditas, mas às vezes colocavam alguma situação ou bordão do seriado nas cenas. Policial falando no final "Bom trabalho, crianças!" teve referência ao desenho "Scooby Doo" e o comprador de joias teve o mesmo nome do Gastão, primo do Pato Donald da Disney, também não deixaram de ser uma homenagens.

Ladrão e Rainha ficaram sem nomes próprios e só apareceram nessa história. Tiveram absurdos de reino Bugulu ser no Brasil e de certa forma perto do Bairro do Limoeiro, de acordo com a forma que trataram, e de um castelo daquele jeito não ter uma segurança rígida a ponto de um ladrão invadir e roubar a coroa e segurança ser agredido. 

Os traços ficaram muito bonitos, sempre dava gosto de ver esse estilo de desenhos. Gostava também do recurso de título não aparecer no alto da primeira página, dessa vez foi no rodapé da primeira página. É completamente impublicável atualmente por envolver bandido, fora as crianças lidarem com ele sem saber que era um, além de violência de Mônica bater no ladrão e ficando com olho roxo, coisa que não pode hoje de personagens surrados. Trocadilho de coroa na cabeça com velhota e ridicularizando, mesmo que bem engraçado, também não seria aceito, assim como palavra "roubar" também ser proibida nos gibis atuais.

Curiosamente, nunca foi republicada até hoje. Poderia ter sido a partir de 1994, mas acabou não sendo. Motivo de não ser republicada, difícil saber, já que quase todas de 1989 foram e não tinha ainda politicamente correto. Possibilidades de já terem pressa de republicarem histórias de abertura de 1990 nos almanaques dela ainda em 1995 e acabou depois sendo esquecida ou acharam de certa forma pesada em relação a crianças não saberem que estavam lidando com bandido porque geralmente elas sabiam quando tinham histórias assim. Então, se torna rara e só quem tem essa edição da 'Mônica Nº 30' que conhece essa história. 

quarta-feira, 13 de julho de 2022

Capa da Semana: Cebolinha Nº 20

Nessa capa, Cebolinha está comendo cachorro-quente na rua e o Bidu e outros cachorros saem correndo com medo, pensando que o vendedor matava cachorros para fazer o sanduíche. Brinca com a ideia de curiosidade de por que o lanche tem esse nome, dúvida de muita gente. E interessante os cachorros saberem ler, saberem que aquilo que o Cebolinha estava comendo cachorro-quente.

Dessa vez uma capa com piada do Bidu e sem mostrá-lo só ilustrando um desenho bonito tão comum nos gibis dos anos 1980 e não foi uma piada envolvendo personalidade do Cebolinha. Costumavam as vezes fazer piadas com personagens sem ser dono da revista para variar um pouco. E gostava quando capas tinham o logotipo com contorno colorido, sem ser contorno preto padrão, parecendo que estava iluminado e uma forma de variar também.

A capa dessa semana é de 'Cebolinha Nº 20' (Ed. Globo, Agosto/ 1988).

domingo, 10 de julho de 2022

HQ "Thuga e o Ciclope apaixonado"


Mostro uma história em que um Ciclope se apaixonou pela Thuga, que teve que arrumar um jeito de se livrar dele. Com 4 páginas, foi publicada em 'Cebolinha Nº 117' (Ed. Abril 1982).

Capa de 'Cebolinha Nº 117' (Ed. Abril, 1982)

Thuga está molhando rosto no lago, quando ouve um barulho vindo do arbusto e descobre que era um Ciclope. Ela sai correndo, pedindo ajuda, e o Ciclope corre atrás, falando para não ficar apavorada e pergunta se viu um tigre dente-de-sabre. Thuga diz que o viu e é feio pra caramba. O Ciclope fala que a mãe dele o acha bonito e ela responde que foi porque não inventaram o óculos.


O Ciclope pede para pararem de correr porque é cansativo conversar correndo, e diz que quando estava a olhando no laguinho, se apaixonou por ela à primeira vista. Thuga volta a correr e Ciclope diz que se casar com ele, levará café na cama para ela, lavará a roupa, ajudará na cozinha e ela diz que gosta de outro cara. Ciclope, ainda insiste para ir com ele, não bebe, não fuma e não deixa roupa espalhada. Ele passa a frente dela e Thuga começa a gritar.

Piteco está passando, o Ciclope o manda ir embora, o papo é só entre ele e a Thuga. Piteco fala que ela quer nada com ele e começam a brigar, saindo o Piteco vencedor, colocando Ciclope para correr. No final, Thuga fica olhando Piteco admirada por ter a salvado  e pergunta para ele se levaria café na cama, lavaria roupa e a ajudaria na cozinha, sem Piteco entender.

Uma boa história, típica de miolo, em que o Ciclope solitário se apaixona pela Thuga sem ser correspondido. Vimos que o Ciclope não era mau, só queria uma companhia amorosa, mas teve infelicidade de se apaixonar logo pela Thuga, que só tem olhos para o Piteco, mesmo que o Ciclope seria um par perfeito bem romântico que a ajudaria até em todas as tarefas domésticas. O fato de ser feio, com um olho só, também contribuiu, a princípio se assustando, pensando que era um mostro querendo atacá-la, e depois querer nada de casamento com ele. 

É incorreta por isso de preconceito contra feios e o Ciclope ainda se dar mal, ter um final triste para ele, que continuou solitário. Atualmente as histórias têm que ter finais felizes para não traumatizar e no mínimo teriam que colocar uma namorada para o Ciclope no final. Fora que também não tem mais histórias envolvendo namoro nos gibis e nem brigas e duelos entre personagens, para não estimular violência, ainda mais com clava do Piteco com prego para estimular que vai machucar mais ainda seus adversários, e nem citações à bebidas alcoólicas e fumo.

Aliás, foi legal ver os absurdos como ter um mamute voador no primeiro quadrinho, "dinoussaura" de 3 olhos apaixonada pelo Ciclope, Thuga saber da existência de óculos antes de ser inventado, além de bebida alcoólica e fumo que também não tinham sido inventados na pré-História, clava do Piteco com prego (isso sempre era frequente nas histórias dele), e eles terem um cotidiano como levar café na cama, lavar roupa, cozinhar, etc, como se fosse uma civilização atual.

As vezes tinham historias de outros personagens secundários sem ser o Piteco protagonista, assim de vez em quando podia ter histórias solo da Thuga e da Ogra, por exemplo, podendo ter ou não participação do Piteco. Eu gostava quando tinha para variar.

Os traços muito bons, típicos dos anos 1980. Era bom ver os cenários bonitos da Pré-História com detalhes e até ver ângulos diferentes enquanto Thuga e Ciclope corriam, mostrando visão deles de costas. Tiveram cenas mostrando personagens como sombras, pintados só de preto ou de azul, sem serem desenhados, coisa bem comum nos gibis da Editora Abril de todos os segmentos, principalmente nos anos 1970. Nas propagandas inseridas nas laterais da páginas, dessa vez foi do lápis Labra, sempre frequente nos gibis do início dos anos 1980. Foi republicada depois em 'Almanaque da Mônica Nº 20' (Ed. Globo, 1990). termino mostrando a capa desse almanaque.

Capa de 'Almanaque da Mônica Nº 20' (Ed. Globo, 1990)

quarta-feira, 6 de julho de 2022

Cascão: HQ "O menino do balão"

Compartilho uma história em que o Cascão fica preso em um balão que estava enchendo, causando muita confusão dentro do ribeirão. Com 7 páginas, foi história de abertura de 'Cebolinha Nº 89' (Ed. Abril, 1980).

Capa de 'Cebolinha Nº 89' (Ed. Globo, 1980)

Cascão está enchendo um balão gigante e Mônica dá um tapinha nas costas dele, fazendo com que ele entre no balão. Depois, ela amarra o balão de propósito para Cascão ficar preso para deixar o seu coelhinho seguro. Cebolinha chega, acha estranho o Cascão dentro do balão, parecendo bolha de sabão suja, e cobra o dinheiro que Cascão estava lhe devendo. Como não podia sair, ele mostra o dinheiro que não vai dar, aproveitando que estava preso. Cebolinha manda sair de lá ou vai contar quem deu nó no coelhinho da Mônica ontem.

Mônica ouve e tenta dar um soco no Cascão, mas a bolha impede, fazendo dar soco no Cebolinha e a bolha parar no muro e impacto faz Cascão voar pelo bairro. Ele faz desviar de uma nuvem e acaba parando na beira de um ribeirão. A bolha se desloca e ele vai parar na água, com peixes avistando. Cascão acha o ribeirão mais bonito que pensava e do nada os peixes se afastam com a presença de um peixão querendo devorá-los e tenta atacar uma peixinha simpática que não fugiu. Cascão a salva e se torna herói dela, que se apaixona por ele. 

Mônica taca pedrinhas na água e faz a bolha do Cascão subir à superfície. Quando ela tenta laçar a bolha, os peixes carregam a bolha para o fundo e Cascão diz que sabia que não podia confiar em gente que mora na água. Lá, ele estranha vários peixinhos atrás, a peixinha apaixonada e um peixe com cara de padre e se toca que queriam fazer casamento dele com a peixinha. Cascão diz que não quer se casar, ela é muito molhada, não é do tipo dele.

Os peixes correm de novo e Cascão percebe que o peixão voltou para atacá-lo. Ele morde a bolha, estoura e Cascão para na superfície com o peixão com dentes agarrados na bolha. Cascão diz que o peixe paga o que deve ao Cebolinha e que eles o provocaram e quando fica nervoso, é fogo. Enquanto carregam eles perguntam como conseguiu e Cascão fala que vai pensar se vai contar enquanto pagam sorvete para ele. No final, dois pescadores estavam ali perto e um desiste de pescar porque não tem coragem de pescar um peixinho com cara de triste, mostrando a peixinha que perdeu o Cascão como marido. 

História divertida e cheia de absurdos, com Cascão ficando preso dentro do balão que estava enchendo e foi parar no fundo de um ribeirão e uma peixinha se apaixona por ele após salvá-la de um peixão que ia devorá-la e queria se casar com Cascão por isso. Não conseguiu por causa do peixão que voltou e ela ficou triste no final pelo fim do casório, mas pelo menos isso a livrou de ser pescada pelos pescadores no final. A bolha fez com que Cascão não se molhasse dentro do ribeirão e pelo menos pôde admirar e continuando seco. Só assim para Cascão entrar no ribeirão sem se molhar.

Os absurdos foram grandes do início ao fim e foram ponto alto da história. Muito engraçado Cascão dentro do balão, Mônica com força tão grande com um tapinha conseguindo prender o Cascão no balão, ele voar e conseguir se afastar de uma nuvem, os peixes com personalidade com direito a peixinha se apaixonar pelo Cascão e até um padre para fazer casamento entre eles, assim como o o Cascão conseguir sair direto para a superfície após a mordida do peixão na bolha. Legal também ver Cebolinha levando soco da Mônica sem querer ao acertar a bolha, o Cascão devendo dinheiro para o Cebolinha e pescador com pena da peixinha triste.

Incorreta hoje porque não gostam de absurdos grandes assim, só em histórias do Louco, preferem situações que atendam a realidade, descaracterizando formato de gibis que teriam intenção de fugir da realidade. Cebolinha levar soco da Mônica ficando de olho roxo, criança devendo dinheiro  para o amigo e pescarias também não bem aceitos hoje.

Foi bem curtinha para história de abertura, como era frequente na Editora Abril. Cascão não tinha gibi na época e aí tinham histórias dele nos gibis da Mônica e do Cebolinha, principalmente nos do Cebolinha. Tanto que nessa notamos que o Cebolinha fez apenas participação, destaque foi para o Cascão e também para Mônica em segundo lugar, pois foi por causa dela que o Cascão entrou no balão. Pelo visto já tinham intenção de criar um gibi para o Cascão e faziam histórias solo dele para o pessoal ir se acostumando e se familiarizar mais com o personagem.

O Sansão não tinha nome ainda, aí só chamavam de "coelhinho" ou "coelhinho de pelúcia". Ganhou nome apenas em 1983 com o concurso para leitores sugerirem nome para ele, com resultado divulgado na história de abertura de 'Mônica Nº 161' da Editora Abril. Os pescadores falando caipira, inauguraram o caipirês adotado nos gibis de 1980. Chico Bento, que antes falava certo, também começou a falar caipirês só em 1980, sendo que ainda linguajar não padronizado como a gente vê hoje.


Os traços muito bons, com fase de transição dos personagens bochechudos, ainda no estilo dos traços de 1979. Essas histórias de 1980 têm todo estilo das de 1979, é curioso que é um ano que não consigo identificar de cara vendo os traços, se não soubesse da edição que foi publicada, ia jurar que seria de 1979. Tiveram erros de esquecimento de desenhar franja da Mônica no quadrinho que ela tentar laçar o Cascão e também de personagens falando de boca fechada como em vários momentos do Cascão dentro do balão e na penúltima página com Mônica e Cebolinha, isso era bem comum nos gibis da Editora Abril, assim como personagens serem coloridos completamente com apenas uma cor em alguns momentos, marca da Editora Abril em todos os segmentos de gibis, principalmente nos anos 1970. 


A capa do gibi com alusão à história, como era de costume as capas dos gibis do Cebolinha da Editora Abril com alusão à história. Foi republicada depois na própria Editora Abril, em 'Almanaque do Cascão Nº 10', de 1985. As imagens da postagem foram tiradas desse almanaque. Para constar, Almanaques do Cascão da Abril colocavam essas histórias solo dele nos gibis do Cebolinha ou da Mônica ou então histórias do Cebolinha com participação maior do Cascão. 

Capa de 'Almanaque do Cascão Nº 10" (Ed. Abril, 1985)

sexta-feira, 1 de julho de 2022

Chico Bento: HQ "Uma festa de verdade!"

Dia primeiro de julho é aniversário do Chico Bento e em homenagem mostro uma história em que Chico não pode ir na festa na roça porque estava com enchente na cidade e o primo Zeca organiza festa surpresa causando muita confusão. Com 13 páginas, foi publicada em 'Chico Bento Nº 324' (Ed. Globo, 1999).

Capa de 'Chico Bento Nº 324' (Ed, Globo, 1999)

Escrita por Emerson  Abreu, Chico Bento está na casa do primo Zeca e com raiva que chove sem parar e não pode voltar para roça justamente no seu aniversário, que terá feijoada lá e vai ficar ausente na sua própria festa. Zeca diz que sempre chove na cidade, é uma mania deles, e que o "homem do tempo" disse que todas as rodovias estão alagadas. Chico entende que é alargada e seria melhor para passar e Zeca explica que são alagadas, cheias de água.

Como não dá para o Chico ir para a roça, Zeca fala que já cuidou de tudo. Chico pensa que ele comprou um barco e Zeca fala que organizou uma festa-surpresa e surgem os pais dele, Seu Rodrigo e Dona Nilceia, dando Parabéns e presente. Zeca fala que ele vai ter uma festa de verdade, com bexigas, palhaços, bolo e brigadeiros, já encomendou tudo e só irem ao salão de festa do "Mec Pizza", que com carro chegam em "dois palitos". Só que no caminho tem engarrafamento enorme e ficam com carro parado e Chico reclama que são 2 palitos bem grandinhos.


 Zeca comenta o lado bom das coisas, que congestionamento em dia de chuva é uma tradição da cidade, é só cair o primeiro pingo d'água que o povo tem mania de sair de carro. É um dos momentos de paz que eles têm, quando eles podem pensar na vida e refletir sobre a existência deles, mas não passariam por tudo isso sem o "kit-chuvão" para curtir a chuva: travesseiros, cobertores, comida congelada, gibis e calendário por não saberem quanto tempo vão ficar lá.

Chico interrompe e diz que é aniversário dele e se ficarem lá vão perder a festança. Seu Rodrigo fala que se filhos e sobrinho quiserem, podem andando porque não sabe quanto tempo vai durar o engarrafamento e Zeca pega o "kit-enchente" com guarda-chuva, boia, óculos, nadadeiras, para poderem sair com segurança. 

Eles chegam no "Mec Pizza", Chico fica empolgado com a festa e vê uma menina assoprando vela do bolo no lugar dele. Chico avança no pessoal, brigando, e Zeca conta que essa festa era da menina e que a festa dele começa dentro de 15 minutos. Chico se desculpa pelo deslize e depois de 15 minutos, Zeca manda o pessoal da festa da Menina irem embora e deixarem os cajuzinhos que sobraram na mesa. Chico fica empolgado que sua festa já vai começar, esperando feijoada, churrasco e pé-de-moleque e Zeca fala que não é a roça, na cidade eles só comem bolo, refrigerante e brigadeiros, uma mania da cidade.

Chico nota que não tem convidados porque ficaram presos no engarrafamento e Chico traz de volta os convidados da festa da Menina. Zeca espera começar a diversão e aparece o palhaço Bobaldo Mec Pizza. Chico pensa que é o Chupa-Cabra e começa a agredir o palhaço, querendo dar cadeiradas nele e ficam correndo pelo salão. Chico pulando em cima do Bobaldo, espancando com a cadeira e o bolo cai na cabeça do Zeca e a festa dele, um fiasco.

Em seguida, aparecem os pais do Chico, os amigos e bichos da roça. Dona Cotinha conta que vieram de carona no barco do Nhô Lau, tinham ido ao prédio e o zelador falou que eles tinham vindo para lá. Nhô Lau leva goiabas para o Chico, Seu Bento traz feijoada. No final, todos comemoram a festa do Chico, tanto Zeca quanto família do Chico, amigos e bichos da roça, além dos convidados da festa da Menina e o palhaço Bobaldo Mec Pizza, com muita dança de viola e feijoada. Zeca acha loucura e a festa deles da hora e Chico fala que uma coisa que eles entendem é se divertir, é uma mania da roça.

Uma boa história  com Chico Bento  querendo ir para sua festa de aniversário  na roça, mas não  dava para ir por causa da enchente que  estava na cidade. Seu primo Zeca organiza festa em um salão e eles têm  dificuldade  de chegar por causa do engarrafamento.  Quando chegam, Chico arruma confusão,  mas teve final feliz com seus pais e amigos irem à  cidade para fazerem a festança  lá. 

História mostrou também  diferenças de festa na cidade e na roça, festa de rico e de pobre, ou seja, enquanto  na cidade comemoram em salão de festas com bolo, doces e palhaço,  na roça é regrada a churrasco e feijoada  e são mais felizes. Também serviu para mostrar problemas de enchente e engarrafamentos  nas grandes cidades, fazendo críticas com ironia através do Zeca romantizando engarrafamento em dia de chuva no seu discurso.

Seguiu o estilo de histórias  do Emerson com personagens  eufóricos,  discursando, fazendo piadas, com língua de fora ou com cara de surpresa e em posição e mãos inclinadas quando o outro  personagem  falava bobeira ou piada infame, além  de eles mais violentos, espancando os outros sem motivo real, como deslize deles.

Até que não foi uma história grande para os padrões que o Emerson gosta, ficou na medida. Gibis quinzenais não permitiam histórias grandes demais acima de 30 páginas e não gostavam de história única. Isso deve ter influenciado bastante de cancelarem gibis quinzenais para terem histórias mais longas na abertura. 

Foi legal a figuração da família da Magali na cena do engarrafamento, provavelmente querendo ir a um restaurante ou pizzaria ou algo do tipo, pela cara da Magali, e os detalhes de um elefante de pelúcia do Jotalhão em outro carro e camelô vendendo guarda-chuva automático no meio da chuva. Se Magali tivesse visto o Chico, bem que podia ir para a festa dele. 

Engraçado também Zeca assistindo Teletubbies na TV, desenho de grande sucesso em 1999, a citação à lenda do Chupa-Cabra, que começou em 1996 e ainda estava evidente na mídia em 1999, a referência a lanchonete MC Donalds, parodiado como "Mec Pizza" e o nome do palhaço "Ronald Mc Donalds", sendo parodiado como "Bobaldo Mec Pizza".

Não chega a ser incorreta pelo tema central, mas, sim, pela grande violência nela, como Chico brigando com as outras crianças no deslize dele de pensar que tinham tomado conta da festa dele e agredir o palhaço,  espancando. Emerson gostava de cenas assim de personagens  espancando os outros e não tem mais isso nos gibis. O Zeca falando bem de engarrafamento e a citação do Chupa-Cabra também não seriam bem aceitos atualmente. 

Os traços ficaram bons, legal que  não  teve caretas exageradas características das histórias do Emerson. Nos anos 1990 ainda não tinham tais caretas, no máximo  línguas de fora com frequência maior nas situações de outro personagem falar bobeira. Ainda assim, foram poucas línguas de fora dessa vez comparando com outras histórias dele da época, mas bastante cenas com personagens com cara e posições inclinadas de surpresa. A capa desse gibi, apesar de ser tema de aniversário, foi com piadinha com bichos parabenizando o Chico, mas não com alusão à história  de abertura.  Na Globo, costumavam muito fazer piadas de aniversário no lugar para seguir o estilo que gostavam. 

FELIZ ANIVERSÁRIO,  CHICO BENTO!!!