domingo, 15 de agosto de 2021

A Turma da Mônica: HQ "Nana, Tarcísio, Nana..."

No último dia 12 de agosto de 2021 morreu o grande ator Tarcísio Meira e em homenagem compartilho uma história em que a turminha faz de tudo para ele dormir tranquilo ao descobrir que ele as revistas deles. Com 5 páginas, foi história de encerramento de 'Mônica Nº 5' (Ed. Globo, 1987).

Capa de 'Mônica Nº 5' (Ed. Globo, 1987)

Nela, Magali chama a Mônica, empolgada com a novidade que viu na revista "Criativa" e pergunta quem lê sempre as revistas da Mônica. Ela diz que é a Dona Petronilha, mãe do Mauricio, e Magali responde que é o Tarcísio Meira. Mônica fica encantada em saber que o galã da novela das oito e que sempre que aparece na novela fica suspirando apaixonada e é muita emoção para uma garotinha só. Ela ainda acena para o Tarcísio leitor, perguntando se está a vendo. Magali diz que ele lê as revistas antes de dormir e Mônica tem ideia do Tarcísio ter um sono gostoso.

Mônica pega um violão e toca e canta "Nana, neném" (Nana, Tarcísio) e Cebolinha aparece perguntando que desafinação é aquela. As meninas dizem que é o Tarcísio Meira que está querendo dormir, Cebolinha diz que não está o vendo e ela diz que está ali lendo a historinha, apontando para o leitor. Cascão aparece e leve um monte de carneirinhos para o Tarcísio contar, só que eles não conseguem fazer os carneirinhos pularem a cerca, eram muito ariscos. Então, Cebolinha saca um relógio para tentar hipnotizar o Tarcísio. Mônica pergunta se deu certo e Cebolinha confere que tem muitas crianças bonitinhas lendo a revista e se espanta, tampando o olho com vergonha quando vê uma menininha trocando de roupa.

A turminha não sabe o que fazer para o Tarcísio dormir, já tentaram de tudo, quando o próprio Tarcísio aparece para dar sugestão. Eles adoram a visita, mas Cascão diz que prefere a Gloria Menezes. Assim, Tarcísio faz todos dormirem cantando canção de ninar e balançando as crianças no colo, manda o desenhista bolar um quarto e camas. Todos dormem e Tarcísio fala que sem essa turminha bagunçando, fica mais fácil dormir, terminando assim.

Bem legal essa história de metalinguagem e com homenagem ao ator Tarcísio Meira. A turminha resolve fazer o Tarcísio pegar no sono ao descobrir que ele lia as revistas antes de dormir. Fazem várias tentativas, sabendo que ele estava ali lendo fora dos quadrinhos, mas foi preciso o próprio Tarcísio ir ao quadrinhos para a turma dormir e deixar de fazer bagunça e ele finalmente conseguir dormir tranquilo.

Foi divertido ver as formas que eles queriam que o Tarcísio dormisse como canção de ninar, contar carneirinhos e até hipnose, principalmente Cascão levar carneirinhos de verdade para pular a cerca para serem contados pelo Tarcísio. Serve também formas para os leitores que têm insônia. Engraçada também a parte do Cebolinha ficar com vergonha de ver garotinha trocando de roupa, Cascão preferir a Gloria Menezes ao Tarcísio, e meninas da idade delas lendo revista "Criativa", que era de comportamento feminino e fofocas. Hoje não fariam isso de ler revista assim e nem elas com interesse de ver novela e apaixonadas e suspirando por um ator por não ser coisa de criança.

Histórias com metalinguagem eram boas, gostava de quando sabiam que eram personagens em quadrinhos e até interagindo com leitores. Também era legal os personagens interagindo com artistas famosos, sempre quem estava em alta eles mostravam, nem que fossem só citados. Na época, o Tarcísio era galã e estava em alta por causa da novela "Roda de Fogo" (1986) e a MSP fez questão de fazer essa historinha em homenagem ao ator. Além dessa história, ele já apareceu em outras, nem que seja em um quadrinho ou pelo menos citado.

Dessa vez não teve paródia com o nome do Tarcísio Meira nem da Gloria Menezes, na época nem sempre parodiavam, mas capaz do próprio Tarcísio ter permitido que não parodiassem os nomes deles, quem sabe. O nome da Revista "Criativa" também não foi parodiado por ser da própria Editora Globo, e, ainda ficou sendo uma propaganda da revista feminina. Curioso também saber que o nome da mãe do Mauricio de Sousa se chamar Dona Petronilha. Os traços ficaram sensacionais, muito bonitos desenhos assim e o Tarcísio ficou perfeito, bem idêntico ao ator na vida real, as cores que ficaram meio desbotadas, típicas das revistas de 1987. 

Tarcísio Meira, infelizmente, morreu no último dia 12 de agosto de 2021, aos 85 anos, por complicação de COVID-19. Foi um grande ator de várias novelas, filmes e séries de sucesso que ficam lembrados na memória da televisão e cinema brasileiros e de todo o público. Essa história acabou sendo uma homenagem do Blog a esse grande ator. Descanse em paz, Tarcísio, e nossos sentimentos à família.

quinta-feira, 12 de agosto de 2021

Capa da Semana: Mônica Nº 65

Uma capa bem bacana com a turma como integrantes de uma banda musical e a Mônica consegue furar a bateria por causa da sua grande força, deixando todos frustrados com ela. Foi legal ver a cara do Jeremias e da Magali olhando para Mônica assim como a cara da Mônica sem graça depois da façanha dela de destruir a bateria.

A capa dessa semana é de 'Mônica Nº 65' (Ed. Globo, Maio/ 1992).

domingo, 8 de agosto de 2021

Cascão: HQ "Como nossos pais"

No Dia dos Pais, compartilho uma história em que o Cascão foge de casa após o pai obrigá-lo a tomar banho e viaja no tempo na época que seu pai era criança para ver como ele lidava com o banho na infância. Com 13 páginas, foi história de abertura  publicada em 'Cascão Nº 55' (Ed. Globo, 1989).

Capa de 'Cascão Nº 55' (Ed. Globo, 1989)

Começa com o pai do Cascão querendo conversar com o filho um assunto muito importante. Seu Antenor diz que já foi criança e Cascão se surpreende, falando que olhando todo grandão ninguém diz. Seu Antenor fala que foi há 20 a 30 anos e Cascão responde que viveu bastante. Seu Antenor diz que já foi criança igual ao Cascão, só que tomava banho. Cascão acha pobrezinho e Seu Antenor diz que higiene é importante e por isso está na hora de ele tomar banho. 

Cascão fica desesperado, diz que tudo menos banho e vai morrer e derreter enquanto o pai o leva à força para o banheiro. Seu Antenor mostra que está tudo preparado, a banheira, toalha felpuda, espuma, brinquedinhos. Cascão se desespera que tem água na banheira, tenta fugir, mas é barrado pela mãe e o leva de volta ao banheiro, com Cascão fazendo escândalo que até a própria mãe querendo dar banho nele é um complô. 

Os pais falam que é para a saúde dele, que vai gostar tanto que vai querer todo dia. Cascão diz que se não tem jeito, quer ficar sozinho para tomar banho e, assim, ele foge de casa para voltar nunca mais. Se esconde na floresta, só que começa a chover e se esconde em uma caverna. Acha confortável e diz que poderia morar lá, quando surge uma voz falando que poderia se não tivesse dono. Cascão acha que era só um velhinho, mas era o Mago da Floresta, que dá um jeito na coluna ao fazer esforço e pede ajuda ao Cascão pra sentar. 

Cascão fala que está lá porque fugiu de casa porque o pai quer que ele seja um garoto como ele foi. O Mago pergunta se o pai foi o que ele diz ter sido. Cascão acha que sim, mas nunca vai saber e então o Mago teletransporta o Cascão até o passado do seu pai, de quando era criança, através da bola de cristal.

No passado, Cascão não acha o ambiente muito diferente e encontra o Seu Cebola criança jogando futebol com os amigos. A princípio pensa que era o Cebolinha. Seu Cebola não gosta que o chame assim e Cascão percebe que era o pai do Cebolinha. Cebola parte para a briga. Antenor criança aparece querendo saber o motivo da briga, Cebola fala que o Cascão estava caçoando dele. Antenor pede para deixar para lá e eles continuam com o jogo. 

Cascão acha que o pai estava sujo e nem parecia que tomava banho e curte vê-lo jogando como um craque, fazendo gol e ovacionado pelos amigos. Depois do jogo, Cascão fala com o Antenor, dar parabéns que jogou muito bem e Antenor diz que gostou do Cascão, não sabe por quê, mas eles têm muito em comum. Em seguida, a mãe do Antenor chama para jantar e Cascão pensa que para tomar banho também. 

Antenor convida Cascão para ir lá, que gosta para saber como ele faz para tomar banho. Em casa, Cascão chama a mãe do Antenor de vovó e ela diz que não é tão velha assim e observa que ele é bem sujinho igual ao filho que não quer tomar banho. A mãe diz que já estão o chamando por aí de "Cascão" e Antenor diz que ainda não estava preparado para um banho. O pai dele aparece (avô do Cascão) e obriga o filho a tomar banho, na idade dele estava sempre limpo e perfumado e o carrega até o banheiro pelos braços, com Antenor fazendo escândalo que vai morrer e derreter.

O pai do Antenor tranca o filho no banheiro, e só sai depois de banho tomado. Cascão aparece do lado de fora dando ideia de fugir pela janela do banheiro. Antenor agradece, sabe que um dia vai tomar banho, mas é uma decisão que ele tem que tomar. Cascão fala que entende, o pai dele também quis dar banho à força nele, ele é legal, só quer o bem dele, mas esqueceu de coisas que ele fez quando ele era criança.

Antenor acha o seu pai legal e se convence que já está bem grandinho para ter medo de água e resolve tomar banho. Quando vai embora, Cascão dá boa sorte ao pai e de repente ele é teletransportado ao presente pelo Mago. Cascão achou a viagem proveitosa e ao dizer se o pai conseguiu fazer uma coisa, o mago mostra o Antenor tomando banho e bem sorridente, com Cascão fazendo cara de nojo.

No final, Cascão volta para casa, já de noite, os pais pedem desculpas, nunca mais vão forçar o filho a nada e um dia vai querer tomar banho. Seu Antenor confessa que os pais dele tiveram certa dificuldade de fazê-lo tomar banho quando criança e Cascão diz que sabia disso, ficou orgulhoso e que ele tomou a decisão certa. Seu Antenor fica pensativo e diz à Lurdinha que de repente o Cascão fez lembrar alguém que conheceu há muito tempo, mas não pode ser, seria bobagem, com Cascão piscando o olho para os leitores que sabem que era ele mesmo.


História muito legal com o Cascão fugindo de casa por estar sendo obrigado a tomar banho pelos seus pais e viajando no tempo até quando seu pai era criança e descobrir que ele não tomava banho que nem ele e no final o Seu Antenor ficar na dúvida se já falou com o filho antes. Sem querer ele foi o responsável a fazer o Antenor tomar banho. Descobrimos que o Cascão puxou o seu pai em não tomar banho e em algum momento da vida também vai tomar essa decisão sozinho. Quem sabe o seu avô também tinha problemas com banho quando criança e se todos da família terem essa herança.

Foi legal a conversa inicial de pai e filho, Cascão achando que o pai já nasceu adulto grandão sem ter sido criança e chamando de velho ao dizer que ele foi criança há 20 a 30 anos, também ver o Seu Antenor e Seu Cebola crianças, a mancada do Cascão chamar a sua futura avó e as cenas se repetirem com o Cascão e o Antenor criança como pai carregar o filho pelos braços, eles fazerem escândalo que vão morrer e derreter e fugindo pela janela do banheiro.

No caso, o Cascão viajou uns 20 anos atrás e curiosamente o bairro do Limoeiro era igual, já que Mauricio sempre quis retratar e sempre deixar permanecer o bairro como um local de espécie como quintal, de como era o local quando ele era criança. Nunca foi revelado idade dos pais dos personagens, mas eles teriam por volta de 30 anos de idade, sendo que pela estatura retratada aí, o Seu Antenor teria 9 a 10 anos de idade e o Seu Cebola uns 6 anos, então o Seu Antenor seria mais velho.

Histórias envolvendo viagem no tempo sempre foram envolventes, dessa vez diferenciou por não ser através de uma máquina do tempo do Franjinha ou de um cientista, e, sim, por causa do Mago que vivia em uma caverna da floresta. Foi a primeira vez que aparece nome do pai do Cascão como Antenor, pelo visto gostaram e deixaram fixo assim. Antes simplesmente não falavam nomes dos pais porque geralmente eram mais os filhos contracenando com eles e filho chama os pais de "pai" ou "mãe" ou quando mostravam o pai do Cascão tinha outro nome. Incorreta por mostrar pais querendo dar banho no Cascão à força, antes qualquer um queria dar banho nele, até seus pais e amigos, hoje, quando tem histórias assim, deixam só para vilões como Doutor Olimpo, Cremilda e Clotilde, etc, com esse desejo.

Os traços ficaram muito lindos, era muito bom ver desenhos assim. Gostava também de cores assim com tons voltados ao roxo onde normalmente seria o rosa, ficava melhor. Cores assim nas revistas ficaram no final de 1988 até março de 1989. Se bem que nessa eles não padronizaram na história toda como era nas outras, como pode comparar a cor do sofá na duas primeiras páginas e última página. 

O título foi uma referência à música "Como nossos pais" da Elis Regina e se encaixou bem, sem dúvida. Curiosamente, teve outra história em 'Cascão Nº 169', de 1993, com esse mesmo título e com essa temática da forma que o Seu Antenor tomou banho pela primeira vez, mas semelhança para por aí porque o desenrolar foi bem diferente, principalmente a forma que Seu Antenor tomou banho.

FELIZ DIA DOS PAIS!!!!

quinta-feira, 5 de agosto de 2021

Chico Bento: HQ "Rocimpíadas"

Em homenagem às Olimpíadas, mostro uma história em que o primo Zeca resolveu treinar esportes olímpicos na roça, se dando muito mal por causa do Chico Bento. Com 11 páginas, foi história de abertura de 'Chico Bento Nº 195' (Ed. Globo, 1994).

Capa de 'Chico Bento Nº 195' (Ed. Globo, 1994)

Nela, o primo Zeca chega no sítio do Chico Bento para passar o final de semana porque precisa de concentração para participar das Olimpíadas da escola. Chico diz que conhece uma piada do papagaio muito boa e Zeca diz que é "Olimpíadas" e pergunta se ele não usa acento. Chico diz que sim e busca 2 bancos como assento para eles.

Zeca explica que Olimpíadas é um grande competição que reúne vários tipos de esportes. Chico lembra que a professora já tinha falado disso e pergunta ao primo o que ele vai competir. Zeca diz que não sabe, é bom em várias coisas e pede ajuda ao Chico para treinar e poder decidir.

Depois, Zeca tenta treinar salto com vara, vê uma árvore que pode servir de barra e pede para o Chico trazer a vara. Ele volta, porém com uma vara de porcos, sem saber como o primo vai fazer os porcos saltarem. Zeca se irrita e fala que é vara de madeira, não de porco. Chico se desculpa porque está aprendendo coletivos na escola e pega a vara de madeira. Zeca faz o salto, mas ao chegar no topo da árvore, Chico lembra que lá tinha uma colmeia de abelhas e Zeca é picado todo por elas.

Em seguida, Zeca tenta lançamento de disco. Chico diz que não sabia que o primo ia virar cantor e Zeca diz que é arremessar discos bem longe. Chico entrega discos de vinil do Zeca que estavam na mala dele, Zeca arremessa sem ver e quando descobre, corre desesperado para buscá-los e lamenta seus discos do "Legião Suburbana", "Tantãs" e "Bon Chovi" destruídos e reclama com o Chico que não é aquele tipo de disco que se joga.

Zeca resolve, então, fazer marcha, ele faz o movimento com bunda empinada e Chico avisa que é para correr até a casinha do lado de lá, pensando que tinha cagado. Zeca fica bem irritado, que não está com vontade de ir ao banheiro, e Chico diz que então a coisa é pior que pensava, olhando para a bunda do primo. Zeca chama Chico de tonto e fala que a marcha é assim mesmo, mas perdeu o pique de fazer depois dessa e vai treinar outra coisa.

Na corrida de obstáculos, Zeca pula a cerca, e vai pulando as pedras no caminho. Chico avisa que não devia ter pulado a cerca porque o touro que fica lá não gosta de vermelho. O touro dá uma chifrada no Zeca que vai parar longe, bem no riacho. Zeca aproveita para fazer natação, mas não sabia que tinha um jacaré lá. Chico ainda tenta tirar o primo de lá, mas não deu tempo, o jacaré morde a bunda dele, tem perseguição e Zeca foge correndo para a cidade, de volta a sua casa a pé, com Chico lembrando que o primo não levou a bagagem dele e acha o pessoal da cidade sempre apressado.

Depois de uns dias, Chico recebe uma carta do Zeca, que diz o treinamento na roça foi bom, venceu a maratona das Olimpíadas da escola, ganhou medalha e convida o Chico ir à casa dele pra ver. Chico responde a carta do primo, falando que por enquanto não dá pra ir, eles estão fazendo Olimpíadas na roça também com vários atletas. 

O Zé Lelé está treinado corrida de obstáculos roubando goiabas do Nhô Lau, que fica tiririca atrás dele dando tiros de sal; o Hiro faz arremesso de discos do filho do Coronel, Rosinha faz marcha com os meninos adorando e assobiando para ela, tem salto à distância com ajuda do touro. Zé Lelé chama o Chico pra treinar e Chico faz salto com vara, com  porcos de verdade também saltando com ele, terminando assim.

História bem divertida e em clima de Olimpíadas com o Zeca treinando esportes olímpicos para a escola para decidir o que fazer. Habilidoso em vários esportes, mas não deu certo por imprevistos, sendo a maioria por causa do Chico ou por não ter avisado sobre os perigos da roça antes do primo fazer ou por atrapalhar mesmo que na inocência e sem querer. Zeca acabou optando por maratona visto que correu desesperadamente da roça até a sua casa na cidade com medo do jacaré e também para se livrar do Chico.

Foi engraçado o Zeca sofrer picado por abelhas, perder seus discos de vinil no arremesso, levar chifrada de touro, ser perseguido por jacaré e correr desesperado até a sua casa por puro medo. Engraçado o Chico pensar que ele tinha cagado ao fazer marcha atlética. Muito boas também as piadas gramaticais no início da história, com Chico pensando que Olimpíadas era concurso de piadas, confundir acento com assento e vara de madeira com vara de porco. Pelo menos coletivo de porco ele sabia e que "assento" é coisa para sentar. Como era bom ver o Chico burro e lerdo com o primo, sem saber as coisas da cidade, agindo como um retardado. O Zeca também se irritava fácil com ele, não tinha paciência.

Boa ideia também do pessoal da roça  treinando para as Olimpíadas lá em vila Abobrinha no final, foram bem criativos, com direito a chico fazer com que porcos também façam salto com vara. Histórias do Chico na cidade eram melhores que o primo na roça, mas essa até que ficou legal e do mesmo nível. É que apesar da história se passar na roça, seguiu o estilo do Chico lerdo na cidade porque se tratava de uma competição que é comum só na cidade. 

Muito legal também as paródias das bandas dos discos do Zeca como "Legião Suburbana" (Legião Urbana), "Tantãs" (Titãs) e "Bon Chovi" (Bon Jovi). Sempre eram criativos com paródias de nomes de bandas e artistas famosos. Discos de vinil acabam sendo datados hoje. Incorreta por mostrar sofrimentos do Zeca picado por abelhas, levando chifrada de touro, mordido por jacaré, atualmente não mostram personagens contracenando com bichos silvestres e muito menos sendo atacados violentamente por eles, fora não mostrarem mais Chico lerdo assim e o Nhô Lau com espingarda e dando tiros de sal, tudo coisas proibidas também hoje em dia.

Traços excelentes, era muito bom desenhos assim, e ainda com curvas nos olhos em alguns momentos quando eles estavam bem brabos. O Genesinho apareceu de cabelo preto por não ter traços definitivos ainda na época, só ficou definitivo a partir de 1996. Podiam até ter deixada essa história reservada para 1996 já que foi ano de Olimpíadas mais próximo, mesmo assim valeu, muito boa.

domingo, 1 de agosto de 2021

HQ "Magali, a terrível"

Mostro uma história em que a Magali se tornou uma excelente jogadora de futebol após ser proibida de comer muito pela sua mãe por conta de um plano infalível do Cebolinha. Com 17 páginas, foi publicada em 'Magali Nº 159' (Ed. Globo, 1995).

Capa de 'Magali Nº 159' (Ed. Globo, 1995)

Começa com Cebolinha, Cascão e Franjinha bem cedo na casa da Magali contando para a mãe da Magali que ela comeu o lanche, pirulito e bebeu a fórmula do laboratório do Franjinha. Dona Lili acha que o apetite da filha está descontrolado e os meninos falam que é bom resolver porque ela pode ser presa ao assaltar um supermercado.

Eles vão embora e Cebolinha fica animado com seu novo plano infalível para derrotar o apetite da Magali. A Mônica estava viajando e resolveu fazer plano contra a Magali. Cascão diz que iam levar coelhadas da Mônica se não tivesse viajando e Cebolinha desconversa que eles têm que treinar para o jogo de futebol contra o Zecão e bolar um plano para derrotá-los.

Magali acorda e tem a surpresa que no café-da-manhã só tem sanduíche, maçã e leite. Ela pergunta para a mãe onde estão cereal, geleia, pudim, bolo, entre outros, e a Dona Lili diz que  não é mais para ter exageros, tem que se alimentar como uma menina normal. Magali diz que ela não é normal e Dona Lili diz que é sim e muito mal-acostumada e a partir de agora vai ter que educar o apetite dela.

Depois do café, Magali vai à rua dizendo que não vai adiantar nada o que a mãe fez porque tem crédito ilimitado nas barraquinhas de guloseimas. Só que para a sua surpresa, vendedores de sorvete, cocadas e cachorros-quentes não queriam vender para ela porque a mãe tinha avisado para não venderem mais fiado para ela. E até o Quinzinho recusa que ela coma as coisas da padaria, alegando que não deve comer tanto para o bem dela. Magali sai da padaria chorando e Quinzinho lamenta ter concordado com o plano do Cebolinha.

Magali lamenta que está sozinha, faminta e até a Mônica viajando e se pergunta se não pode comer, o que fará da vida, quando surge uma bola. Cebolinha manda Magali devolver a bola para eles e comenta ironicamente com ela que está fraquinha e se não está se alimentando bem ultimamente. Magali manda não falar em comida e com raiva dá um chutão na bola em direção ao Gol. Cascão e Franjinha ficam impressionados e Cebolinha diz que foi puro acidente e manda Magali ir para fora do campo porque eles iam jogar bola.

Enquanto jogam, Cebolinha torce o pé e precisa ficar de fora do treino. Para não ficarem com um jogador a menos, os meninos chamam a Magali no lugar. Cebolinha não gosta de justo ela e Magali aceita. No jogo, Xaveco rouba a bola fácil dela e Cascão comenta que é para ela imaginar que a bola é uma coisa muito importante para ela. Magali, então, imagina que a bola é melancia e parte pra cima, rouba bola, dribla e na frente do gol, imagina que a trave seria ela mesma querendo devorar a melancia e consegue fazer um belo Gol.

Ao fazer o Gol, Magali se sente satisfeita e quer repetir a dose. Com dribles fantásticos, ela consegue fazer mais 3 Gols sempre imaginando alguma comida no lugar da bola e ela no lugar da trave comendo o que imaginava no lugar da bola. Cascão pergunta como ela consegue fazer aquilo e ela diz que não sabe, só que o jogo a acalma.  Cebolinha a expulsa, dizendo que o treino acabou e amanhã o titular está de volta, que é ele.

Em casa, Magali come um prato normal no almoço, sem extravagâncias e vai assistir televisão triste. O telefone toca e eram os meninos convidando para jogar futebol amanhã e ela fica muito animada. No dia seguinte, Cebolinha chega para o jogo e tem a surpresa que eles convocaram a Magali no lugar e era Cebolinha ficar no banco de reservas por ser o maior perna-de-pau do time e com a Magali o jogo está no papo. Cebolinha fica uma fera e os meninos do time do Zecão acham uma piada que tem uma menina no time da turminha, achando que o jogo vai ser canja.

Durante o jogo, Magali brilha com altos dribles e faz 2 gols no primeiro tempo. No intervalo, Magali é ovacionada, o time do Zecão achando um vexame serem derrotados por uma menina e Cebolinha desolado que daquele jeito nunca mais será titular e Cascão comenta que o mérito era dele, se não tivesse criado o plano contra a Magali, ela não teria "fome de bola".

Cebolinha, então, oferece um pirulito para Magali, mas só vai dar se ela sair do time e ele ficar no lugar. Cascão intervém falando que não pode e Cebolinha diz, na frente da Magali, que se ele quem criou o plano infalível, ele também tem direito de acabar com isso, e, assim, entregando o plano. Ela se espanta que era um plano igual aos que ele faz com a Mônica. Zecão aparece e diz que, segundo as regras de futebol do bairro, menina não pode jogar para ver se ela saía do jogo, mas Magali se convida para jogar no time do Zecão.

Cebolinha volta ao time da turminha e Magali vai para o do Zecão. O time do Zecão ganha de 5 a 2, todos os gols feitos pela Magali. Zecão e seus amigos falam que com ela o time é imbatível e a convida para fazer parte do time deles para sempre e treinam no terreno baldio. 

Antes da Magali dar resposta, Dona Lili aparece e diz que o Quinzinho contou que ela não comeu os lanches dos meninos e fórmula do Franjinha e Quinzinho diz que não podia mais vê-la sofrendo. Dona Lili a chama a filha para almoçar e Magali diz ao time do Zecão que vai pendurar as chuteira por enquanto. No final, Magali fica saciada com o almoço, Mônica volta da viagem e convida Magali para jogar vôlei e ela dá sugestão de elas formarem  um time invencível de futebol feminino.

Uma história legal com a Magali sendo uma grande jogadora de futebol após ficar sem comer por culpa do plano infalível do Cebolinha contra a Magali. Ele queria tirar o apetite dela, envolvendo até a mãe dela para proibi-la de comer tanto, mas não contava que o feitiço foi contra o feiticeiro, que a fome dela serviu para jogar tão bem, que o fez tirar do time de futebol dos meninos.

Magali só jogava bem porque estava com fome e imaginava que a bola era comida e coisa muito importante pra ela. E interessante que a cada Gol que fazia, era como se tivesse comendo alguma coisa inteira que imaginava, como melancia, frango assado, bolo, etc. Só não seguiu carreira, pois como ia voltar a comer bem, ia ficar saciada e não teria a fome de bola igual como quando jogava com os meninos.

Personagens como esportistas sempre rendiam boas histórias. Foi divertido ver os meninos contando para a mãe que ela comeu tudo, os ambulantes tudo negando fiado pra ela, a cara dela de ver só uma refeição normal igual a todo mundo em vez do banquete que estava acostumada, o Cebolinha com inveja da Magali jogar bem e ele ficar no banco de reservas, mas o ponto alto mesmo foi ver ela jogando muito bem enquanto imaginava a bola como comida e se imaginar com boca aberta e comendo a bola no lugar da trave. Quando estava com fome, ela era capaz de tudo. Jogando nesse nível, dava para ir às Olimpíadas no futebol feminino tranquilo. Podia também ser no vôlei como a Mônica propôs no final da história, qualquer esporte com bola ela seria imbatível, só seguir a lógica de bola ser comida e traves e cestas ser ela comendo.

O Cebolinha gostava de fazer planos contra a Magali e o Cascão, não ficava só contra a Mônica. Com qualquer plano ele era criativo, na vantagem de que com planos sem ser contra a Mônica não apanhava, mas se dava mal da mesma forma. Na época, os meninos não jogavam futebol com as meninas, só quando um roteiro pedia isso. Se jogavam normal, eram sempre só os meninos como futebol masculino. Hoje em dia misturam meninos com meninas para não dá ideia de que futebol é só coisas para meninos e mostrar que as brincadeiras tem que ser com meninos e meninas juntos e não separados. Aí diálogo do Zecão falando que a Magali não podia jogar com eles porque é menina não ia acontecer nas revistas atuais.

Podiam ter colocado outro nome para o Zecão pra não confundir com o Zecão, namorado da Pipa. Se fosse criada a partir dos anos 2000, colocariam o Tonhão da Rua de Baixo, que passou a ser o menino encrenqueiro e mais velho fixo que implicava com os meninos da turma. A Magali ao trocar palavras perguntando sobre o café-da-manhã para a sua mãe, lembrou o Seu Madruga do seriado Chaves conversando com Seu Barriga, trocando barriga dele por outra palavra. Talvez roteirista quis prestigiar homenagem ao seriado nessa parte.

Os traços bons, típicos dos anos 1990 com personagens com língua ocupando maior parte da boca, com uma certa lembrança aos anos 1970. Normalmente traços assim eram em histórias que exigiam mais humor e mais frequentes entre 1993 a 1996. Só não gostei da mãe da Magali sem lábios e batom, coisa que também acontecia  com as mães dos personagens nos anos 1990 em histórias mais com humor ou as mães ficavam severas demais com os filhos. Eu preferia as mães com batom, ficavam mais bonitas. Porém, teve erro com alguns quadrinhos a Dona Lili aparecendo do nada com lábios, provavelmente porque desenhista já estavam acostumado com lábios e acabou faltando atenção nessas partes. Percebe-se que quando ela apareceu normal com lábios, ficou melhor.