sábado, 22 de março de 2014

Mônica: HQ "Presente de aniversário atrasado"

Dia 21 de março é o aniversário da Mônica. Em homenagem à data, mostro uma história de como ela ganhou o Monicão no aniversário dela, que, inclusive, marcou a estreia do seu cachorro de estimação nos gibis há 20 anos. Ela tem 18 páginas e foi publicada em 'Parque da Mônica nº 15' (Ed. Globo, 1994).

Capa de 'Parque da Mônica nº 15' (Ed. Globo, 1994)

É uma história interligada com a "Palhaço de festa" de 'Mônica nº 87' (Ed. Globo, 1994). Depois do Cebolinha e Cascão terem aprontado com a Mônica vestidos de palhaços no dia do aniversário dela, eles se dão conta que esqueceram de levar presente à Mônica naquele dia. Por causa disso, para amenizar a mancada, eles vão à procura de um presente atrasado.


Enquanto procuram, passam em frente a uma loja de animais e vê um cachorro na vitrine. Primeiro eles se assustam e ficam impressionados com o que viram. Logo depois, Cebolinha solta o olhar de quem está bolando um plano infalível. Cebolinha faz questão de comprar o cachorro misterioso para tirar sarro da Mônica e entra na loja para perguntar o preço. Ele se assusta com o preço, mas vai em casa e tira o dinheiro do cofrinho. O vendedor embrulha o cachorro deixando apenas as patas e os olhos de fora. Com isso, o público não vê a cara dele; apenas o Cebolinha e o Cascão haviam visto até então.


Na rua, Cebolinha diz que vai ser um presente inesquecível e o Cascão responde que inesquecíveis serão as coelhadas que vão levar. Então, Cebolinha planeja a 2ª parte do plano. Eles tocam a campainha da casa da Mônica e quando ela vai ver era um embrulho na porta, que ao abrir tinha um palhaço de mola com um papel, deixando a Mônica de cabelo em pé com o susto.

Nisso, chega a Magali perguntando o que houve e a Mônica diz que recebeu um convite do Cebolinha para a "caçada ao presente de aniversário atrasado". A principio, ela acha que é plano do Cebolinha, mas a Magali a convence a procurar porque seria divertido. Seria uma espécie de gincana. Elas teriam que procurar pistas e em algumas desvendar charadas delas, que seriam encontradas no Parque da Mônica todo e cada pista puxaria outra até encontrarem o presente. A primeira estava na catraca do Parque da Mônica.


Chegando lá, elas encontram a primeira pista, que diz que é para irem a primeira catraqueira e a Mônica falar em voz alta que ela é a gorducha das revistinhas que ela dará a 2ª pista. Muito irritada, ela fala saltando gargalhada de todos que estavam lá e a catraqueira dá a 2ª pista.

Essa pista nova informa que está num lugar que é uma loucura. Então, elas deduzem que tem que ir a "Casa do Louco". Lá, ele entrega a 3ª pista a elas. O bilhete informa que "a pista está escrita nas estrelas". Mônica e Magali vão ao "Brinquedão" para encontrar a próxima pista. Mônica encontra enquanto Magali foi fazer um lanchinho.


A próxima pista avisava que era de dar arrepios. Logo, elas foram até a "Tumba do Penadinho" para conseguirem a outra pista. Elas encontram o Penadinho recebendo o público, como de costume, e ao tentar tirar a pista da cartola não a encontra e vê que o Frank estava quase soando o nariz com ela, pensando que era lenço. Já com a pista nas mãos Mônica lê e diz que é melhor ir sozinha. Magali pega o papel das mãos dela e vê que era para ir na "Praça da Magali", a lanchonete do Parque.


Lá, Magali come 40 hambúrgueres, 30 cachorros-quentes e 10 sorvetes duplos. Aí Mônica se toca que na pista só falava em sanduíches e aí a Magali diz que já tinha encontrado faz tempo, mas aproveitou para comer porque estava com fome. Depois vão até o "Brinquedinho" e após ao "Sítio do Chico Bento" procurar uma pista em uma bolinha amarela onde só tinham bolinhas daquela cor.

Elas continuam a procura de outras pistas, percorrendo o Parque inteiro. Vão ao "carrossel do Horácio", "Área de Comunicação do Parque", e também ao "Teatro", em que o Chico Bento avisa que a pista está no "Cinema 3D". Mônica fala que a procura está dando canseira e a Magali diz que talvez o presente seja uma roupa e que a Mônica precisaria perder uns quilos pra caber nela, deixando-a braba.


Lá no "Cinema 3D" é informado que a pista final está na "Casa da Mônica" e elas acham ridículo dar tanta volta para o presente estar logo lá. E, de fato, encontram o Cebolinha e o Cascão lá. A Mônica acha o embrulho bonito e agradece os meninos. Eles falam que era para ela desculpar a demora do presente porque estavam procurando melhor algo com a cara dela. Ao abrir o embrulho, Mônica vê que o presente era um cachorro que se parecia com ela. 


Eles dão gargalhada dizendo que ele era um Monicão. Afinal, era baixinho, gorducho e dentuço. Quando falam que era dentuço, o cachorro não gosta e corre atrás deles. Descobrem que o Monicão tinha o mesmo gênio da Mônica. O feitiço virou contra o feiticeiro e eles correm para fugir dele e acabam levando mordida. Mônica adora o presente já que não a partir de agora tinha um bichinho de estimação e os meninos reclamam que terão que fazer 2 planos infalíveis: um contra a Mônica e outro contra o Monicão, terminando assim a história.


Uma história bem bacana, mostrando a estreia do Monicão há exatos 20 anos. Era para ser só uma brincadeira dos meninos para mexer com a Mônica e acabou sendo o bichinho de estimação oficial da Mônica. Deu pra notar que os meninos é que deram o nome de "Monicão" ao cachorro e a Mônica aceitou numa boa. Depois dessa história, Monicão voltou a aparecer em 'Mônica nº 91' (Ed. Globo, 1994), se tornando personagem fixo a partir de então. 

Por muitos anos, ficou marcado que a Mônica não tinha um bichinho de estimação. Ela é a única que não tinha e tiveram muitas histórias tratando sobre isso, até que ela ganhou o Monicão nessa história e todos os principais passaram a ter bichos. Aliás, em meados dos anos 70, a Mônica tinha um cãozinho chamado Napoleão, mas que não apareceu muito até cair no esquecimento. Eu mesmo nunca vi história da Mônica com o Napoleão. 


Legal essa história ser ambientada no Parque da Mônica que ainda teve a participação de personagens secundários. Os traços também são ótimos. Teve um pouco de propaganda dos brinquedos, mas até que foi de uma forma divertida e como o Parque tinha inaugurado há um pouco mais de 1 ano, até então (inaugurou em 25/01/93), serviu para os leitores se familiarizarem com os brinquedos. 

Nessa postagem não a coloquei completa. Vale lembrar que foi também um dos primeiros casos de histórias interligadas, dando referência a outra que passou do mesmo mês. Realmente, na história "Palhaço de festa", também de março/ 94. os meninos não levaram presente para Mônica, só foram aprontar com ela. Com isso, há 20 anos também temos histórias de aniversários de forma contínua, ou seja, todos os anos nos respectivos meses tem histórias de aniversários dos personagens principais. Nos primeiros anos a novidade era legal, mas depois se tornou repetitivo e cansativo por ser todo ano assim.


Interessante que no final tiveram erros de cores nas roupas do Cebolinha e da Magali, aparecendo o Cebolinha de camisa amarela e a Magali de vestido vermelho. Volta e meia apareciam esses erros nos gibis da época das Edioras Abril e Globo. Legal é que quando essa história foi republicada em 'Coleção Um Tema Só nº 37 - Mônica Aniversários II', em 2003, eles mantiveram os mesmos erros das cores. Na Globo, eles preservavam as cores originais nos almanaques, deixando bem parecidas e não alteravam os erros de cores, deixando tudo o mais parecido com as originais, como tem que ser.

quinta-feira, 20 de março de 2014

Tirinha Nº 12: Chico Bento

Na época da escravidão, os fazendeiros inventavam aos escravos que tomar leite com manga fazia mal para evitar que eles consumissem leite. Hoje sabe-se que não é verdade e que essa mistura não faz mal.

Baseado nisso, o Zé Lelé ainda acredita nesse mito ao tomar leite na casa do Chico Bento em uma ótima tirinha de trocadilho que mostro nessa postagem.

Tirinha foi publicada originalmente em 'Chico Bento nº 150' (Ed. Globo, 1992).


segunda-feira, 17 de março de 2014

Cascão: HQ "Cascãobá, o marujo"

A história que eu mostro é uma grande aventura com o Cascão encarnando um marujo, cheia de reviravoltas, baseada nos contos do "Simbad, o Marujo". Tem 13 páginas e foi publicada  em 'Cascão nº 56' (Ed. Globo, 1989).

Capa de 'Cascão nº 56' (Ed. Globo, 1989)

Passada em Bagdá, ela começa um narrador apresentando o ambiente de um convés de tripulação de marujos e um deles carrega um barril para o navio sem saber que tinha alguém dormindo lá dentro. Era Cascãobá, que, quando acorda, vê que estava em alto-mar e fica desesperado. 


Ele corre de um lado para o outro, pensando que Bagdá estava sendo inundada, sem saber o que fazer para sair de lá, quando se esbarra com um marujo. Então, Cascãobá descobre que está num navio e o marujo o manda lavar o convés. Cascãobá tenta se explicar já com o balde nas mãos, quando eles são surpreendidos por um maremoto e o navio é envolvido por enormes ondas. 

Os marujos o mandam ajudar a segurar a vela, mas recusa, falando que já está com muito trabalho para não se molhar. Com o perigo do navio naufragar, os marujos arrumam um bote para ficar em uma ilha próxima, mas Cascãobá continua lá, achando que estava mais seco. O navio continua se sacudindo até que surge uma enorme serpente marinha, que era a causa do maremoto. Ela destrói o navio só com a cauda e faz o Cascãobá voar rumo ao mar.


Quando ele pensa que ia se molhar, a cauda da serpente o arremessa direto na ilha onde está a tripulação e, com isso, ele continua seco. Os marujos encantados com a sua bravura, pensando que Cascãobá estava tentando salvar o navio, o nomeiam como capitão, quando surge de repente uma tempestade. Eles se abrigam em uma caverna e se deparam com um Ciclope canibal. 

Todos correm, mas o Ciclope consegue pegar o Cascãobá. Quando ia ser comido, surge uma brisa salvadora que faz as sujeiras dele caem nos olhos do ciclope e sem enxergar, acaba soltando o Cascãobá e ainda tropeça sendo derrubado de vez. Os marujos acabam encontrando um tesouro na caverna do Ciclope e encontraram um navio que servia como decoração e, com isso, seguiram viagem, com navio novo e ricos. E Cascãobá tendo uma vida de rei.


Quando estava tudo às mil maravilhas, o narrador surpreende o Cascãobá com uma segunda viagem que não estava nos seus planos. A tripulação comprou um barco novo e resolveu viajar para aumentar mais a fortuna para o desespero do Cascãobá. Então, seguiram viagem em alto-mar por dias até que eles ficam encalhados em uma espécie de ilha. 

Quando Cascãobá desce do barco, descobre que era uma baleia gigante. Ele a agarrou bem forte, e na tentativa dela de  mergulhar, ele é salvo por uma Mãe-Pássaro Roc gigante, que o leva para seu ninho, onde seria a comida dos seus filhotes. Lá do alto, ele avista um vale cheio de diamantes, pensando como iria chegar lá. 


Nesse momento, um filhote nasce e o assusta e faz com que ele caia da montanha até o vale. Aí para sair do vale com todos os diamantes, Cascãobá colocou frutas amarradas nos diamantes para atrair a Mãe-Pássaro. Deu certo, inclusive levando o Cascãobá de volta para o seu ninho. Os filhotes comeram as frutas e deixaram os diamantes junto com ele. Até que os marujos, que haviam seguido o pássaro, conseguiram chegar até a montanha e resgataram, junto com os diamantes.


Então, eles chegam ao porto de Bagdá mais ricos ainda e Cascãobá volta à vida boa. Quando o narrador fala que estava pensando em uma terceira viagem, Cascãobá se engasga e discute com o narrador reclamando que não podem vê-lo sossegado que já arrumam outra aventura para ele. Mete a bronca afirmando que não terá outra viagem e se querem aventura que contem história de outro marujo, e escreve "Fim" no final da página. Só restou ao narrador mudar o discurso e dizer que Cascãobá resolveu ficar sossegado e curtir a vida porque ele merece, terminando assim a história.


Sem dúvida uma história fantástica. Roteiro excelente, traços e cores maravilhosos. Tudo sensacional. Interessante as reviravoltas que quando a gente pensa que está tudo resolvido, acontece outra coisa, deixando assim ela mais envolvente. Muito legal também a metalinguagem nela, muito divertido ver o Cascão discutindo com o narrador, não gostando das aventuras em alto-mar que ele foi obrigado a passar.

Não se trata de que era imaginação do Cascão nem alguém contando história para ele. Simplesmente o narrador contando para os leitores a história que se passa no Oriente Médio, com o Cascão encarnando um marujo, sem necessidade de dar nenhuma explicação para isso, como tem que ser.


O narrador da história em questão pode-se dizer que é o Mauricio de Sousa, já que no título mostra "Mauricio apresenta". Mas a história não foi escrita por ele. Acredito que tenha sido Rosana Munhoz, já que ela gostava muito de histórias baseadas em contos e fábulas. Mesmo assim nada confirmado, só palpite.

Tem uma clara referência aos contos das viagens do "Simbad, o Marujo", que também foram adaptadas para o cinema, inclusive anos depois virando até desenho animado da Disney. Enfim, um clássico do cinema. Nessa época. eram muito comuns histórias de fábulas com o Cascão adaptadas ao seu medo de água. Todos os personagens tinham histórias assim, mas com o Cascão era mais frequente. E depois historias de fábulas ficaram mais com a Magali, quando o gibi dela se consolidou. 


Na postagem não coloquei a história completa. Sempre bom relembrá-la, ainda mais que foi dos primeiros da minha coleção. Há extos 25 anos circulava nas bancas, já que é de março de 1989. A capa desse gibi, aliás, também é excelente, com o Cascão encarnando um cavaleiro medieval na luta pra consertar uma torneira pingando. Muito boa.

domingo, 16 de março de 2014

Capa da Semana: Chico Bento Nº 191

Verão quase acabando e o que marcou esse ano foi a forte onda de calor com temperaturas passando dos 40º C com frequência, de Norte a Sul do Brasil. Alguns gostavam, outros odiavam. Eu, particularmente, como não gosto de frio, adoro o calor assim.

Essa capa do Chico Bento, mesmo sendo de 1994 retrata bem o verão desse ano e continua bem atual. Nela, o calor estava tão intenso no sítio do Chico, que dava para fazer pipoca com os milhos do milharal. 

A capa dessa semana é de 'Chico Bento nº 191' (Ed. Globo, Maio/ 1994).


sexta-feira, 14 de março de 2014

Uma história filosófica do Horácio

Nessa postagem, eu mostro uma história filosófica do Horácio, feita pelo Mauricio de Sousa, assim como todas do personagem daquela época, e que foi publicada em 'Cebolinha nº 21' (Ed. Globo, 1988).

Na verdade, ela foi tirada originalmente das páginas semanais do Horácio de jornais da Folha de São Paulo e foi republicada nesse gibi. É que quase todas as histórias dele que saiam nos gibis daquela época eram aproveitadas das páginas semanais dos jornais. 

As histórias do Horácio dos anos 80 e 90, que normalmente tinham 1 ou 2 páginas, eram desenhadas exatamente como foram publicadas nos jornais, e as dos anos 70 maiores costumavam ser redesenhadas e tinham também roteiros adaptados para os gibis. Como só o pessoal de São Paulo e que comprava os jornais conheciam as histórias, então nada mais justo colocarem nos gibis para o Brasil inteiro conhecer.

Em suas histórias dos anos 80, raramente a gente dá um "Há" de tão sérias. O Horácio era o ego do Mauricio para expressar suas emoções e críticas. Histórias do personagem não são para rir mesmo, e, sim, para filosofar, pensar sobre a realidade, problemas variados, críticas sociais e a existência humana. Enfim, refletir sobre a vida, tudo adaptada para a Pré-História, daí poucos gostarem do personagem. As crianças, por exemplo, nem entendiam suas histórias, passando a entender só relendo depois de adultos.

Nessa de destaque da postagem, mais uma vez, vemos um Horácio pensativo e filosofando sobre a vida. Dessa vez sobre a origem da vida na Terra, dando uma boa lição de sabedoria no final, que não deixa de ser verdade. Abaixo, essa história  de 1 página: