quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Uma história do Astronauta de férias na praia

Mostro uma história em que o Astronauta foi curtir uma praia nas suas férias só que não teve o sossego como ele imaginava. Com 5 páginas, foi publicada em 'Cebolinha Nº 92' (Ed. Globo, 1994).

Capa de 'Cebolinha Nº 92' (Ed. Globo, 1994)

Astronauta fica feliz que está passando férias na praia do planeta Terra, diz que em lugar nenhum do universo temos um céu tão azul, nem um Sol tão quente, nem um mar tão limpo, quando leva uma bolada na cabeça e quer saber quem foi. Aparecem dois homens fortões dizendo que foi sem querer e Astronauta entrega a bola, sem valentia, com medo de apanhar deles.

Em seguida, Astronauta vai para outro lugar da praia, estranha que tinha ninguém ali e surge uma onda enorme na frente dele e aí descobre o motivo de ninguém ir para lá e ainda aparecem dois surfistas, dizendo que eles são gentes e surfam sem desviar do Astronauta, ganhando três galos na cabeça. Depois, vai em outro ponto e deita em cima de onde um homem estava brincando de se enterrar na areia e xinga muito o Astronauta. 

A seguir, Astronauta encontra outro lugar tranquilo e é atropelado uma família que chegara na praia fazer um piquenique. Ele se irrita, pega a nave e vai para curtir praia em outro planeta. Lá, comenta que não tem aquele céu, Sol e mar da Terra, mas tem paz, quando tem um arrastão espacial na praia e os extraterrestres levam tudo, deixando Astronauta pelado.

História legal, o Astronauta só queria sossego nas suas férias na praia, mas sempre era atrapalhado por alguma coisa. Foi procurar paz em praia de outro planeta e foi pior por sofrer um arrastão e ser assaltado lá. Ele aprendeu que em nenhum lugar teria paz, seja no planeta Terra ou em outros, sempre é a mesma coisa e teria os mesmos problemas em qualquer lugar que estivesse. Antes ficasse na Terra, pelo menos não seria assaltado. 

Embora o arrastão foi em outro planeta, corria risco de sofrer arrastão na Terra mesmo. Astronauta elogia que o mar da Terra era limpo, há controvérsias, tem muitas praias poluídas pelo Brasil. Até que teve sorte de não encontrar uma praia lotada que não consegue nenhum lugar para ficar, seria mais um problema para ele, provavelmente foi em época que não era verão e em dia de semana. 

Foi engraçado Astronauta levar bolada e ficar com medo de tomar satisfações com os fortões, ser levado pela onda, surfistas  surfarem na cabeça dele, sentar em cima de um homem enterrado e ser pisoteado por uma família de farofeiros. Definitivamente não teve sorte no seu dia de curtir praia.

História mostrou crítica da vida real que um simples passeio na praia pode virar programa de índio, o que é para ser diversão e relaxante, passa a ser muito estressante. Também ajudou diferenciar estilo de histórias do Astronauta, que sempre ficava viajando em outros planetas e contracenando com extraterrestres, dessa vez foi quase totalmente na Terra vivendo um cidadão comum. Mais uma vez história do Astronauta sem título como era de costume, hoje em dia, todas as histórioas da MSP têm título, até as de 1 página.

Traços ficaram bons da fase consagrada do estilo dos anos 1990.  Incorreta atualmente por Astronauta levar bolada no rosto, pancada de prancha de surfe e ficar com três galos, ser pisoteado pelos outros, homem se enterrar todo na areia e depois ser sufocado pelo Astronauta, homens desenhados fortões daquele jeito, e, principalmente, homem  falar palavrão, Astronauta ser assaltado em arrastão de praia e ainda ficar pelado, sem chance roteiro assim hoje em dia.

26 comentários:

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    1. Pois é, em nenhum momento o coitado tinha paz. Eram boas histórias assim.

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  2. Mulherzinha "triteta(s)" fez lembrar aquela aventura de ficção científica com Arnold Schwarzenegger, batizada no Brasil como 'O Vingador do Futuro' - nada tem a ver com a franquia de 'O Exterminador do Futuro'. Se não me engano, o protagonista viaja para Marte e as mulheres de lá, em vez de pares, são dotadas de trios de seios. Filme massa com uma trama bem maluca...
    Enquanto isso, naquele escárnio musical dos Mamonas Assassinas, a portuguesa ficou... "monoteta", coitada!... E assim já dizia o intérprete: "Mais vale um na mão do que dois no sutiã!"...

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    1. Lembrando que ela teve três tetas porque é alienígena, teria que ter um diferencial dos terráqueos. E ficar monoteta nada bom pra ela. Filmes com tramas malucas são os melhores, gosto desse.

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    2. Astronauta denota uma certa mineiridade, isto é, cismou com praias... Queria tranquilidade? Fosse para a roça, pô!...
      Quem diria... Arrastões não são uma exclusividade da cidade do Rio de Janeiro, não. Delinquir em praias é um fenômeno comportamental interplanetário...
      Cheguei pensar que havia deitado sobre o Humberto... Programa de índio se cobrir de areia por completo. Se fosse criança, como o personagem citado, até entenderia, já um marmanjo, baita bocó de mola!...

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    3. Tem jeito mineiro até por sua família ter casa na roça. Acredito que ele estava cansado de sempre passar férias com a família e queria variar, indo para uma praia. Arrastões podem ter em qualquer praia do Brasil, mas, claro, que Rio de Janeiro teria mais. A surpresa para Astronauta foi ter arrastão em outro planeta, muito azar. Coisa de maluco se enterrar inteiro, poderia morrer sem respiração ali, e, concordo, foi pior por ser homem adulto, nem foi criança.

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    4. Cogitei possibilidade de ser criança, porque, como proferiu "huns", poderia ser ele, o Humberto.

      Há uma tal de "Que cocota!", republicada em Almanaque do Cascão nº6, de 1983 e que a primeira publicação foi lá em 1977, Mônica nº87.
      Não conheço a história, informações acima são do Guia dos Quadrinhos. Pela época da trama, chamou atenção dois personagens citados: Zé Luís consta como um dos participantes dentre os nomes inseridos na republicação, já pela edição original não consta o nerd, mas, sim, sua mãe como uma das que estariam naquela HQ. Questão é que durante os anos que compõem segunda metade dos 1970, ao menos em teoria, o personagem fora colocado na geladeira. Ainda que tenha sido a mãe em vez do filho, vale enfatizar a referência ao Zé Luís. Sabe informar a respeito, Marcos? Você teria a historinha em questão?

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    5. Emitir "Hum! Hum!" foi no sentido que não conseguia falar sufocado debaixo da areia. Mas seria legal se fosse um crossover com o Humberto, até poderia por Astronauta estar em uma praia na Terra e não mencionado em qual estado do Brasil era.

      Tenho essas edições da história "Que cocota!", Mônica nº 87 de 1977 e Almanaque do Cascão nº6 de 1983. Aparece o Zé Luís, foi última aparição dele antes de ficar no limbo, os outros já tinham sumido desde 1976. Quem criou descrição no site, deve ter confundido que era a mãe dele porque estava vestido de mulher, colocou descrição sem ler.

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    6. Então os secundários ficaram no limbo até que ano Marcos???

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    7. Drico, os secundários ficaram no limbo até em 1981, quando todos voltaram juntos e cada um adotando características próprias.

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    8. Achava que fosse a partir de 1975 que Zé Luís e os outros quatro haviam ido para geladeira. Então, o nerd ficou menos tempo em refrigeração do que os demais.

      Daqueles retornos, único que não vingou foi o Manezinho. Fez três ou quatro pontas apagadíssimas em histórias do período Abril e depois chafurdaram o coitado no limbo e lá ficou por mais ou menos vinte anos. Foi ressuscitado para compor aquela afetação dos bermudões e aproveitaram seu, finalmente... "triunfante" retorno para o lançamento do tal Alfacinha, um primo lusitano do dito-cujo que, a meu ver, foi outra tentativa frustrada de alavancar o Mané...

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    9. Na verdade, a última aparição de cada um não foi a mesma, cada um teve última aparição em histórias e datas diferentes, o Zé Luís que acabou sendo o último dele, mais tarde que os outros, mas já estava aparecendo menos antes. O Manezinho curiosamente apareceu por último em 1977 e acabou não vingando na Editora Abril e pena ter voltado na Turma do Bermudão, merecia coisa melhor. O Alfacinha já na Panini foi outro que não vingou.

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    10. Alfacinha foi "didático no bom sentido", ao menos trouxe palavras do dialeto luso para os gibis da TM. Pelo desencontro histórico entre Brasil e Portugal, dificilmente um personagem como aquele teria êxito a longo prazo em HQs brasileiras. Máximo que conseguiu foi dar uma visibilidade extra e provisória ao primo brasileiro.
      Mais uma que eu não fazia ideia, 1977 como ano da última aparição do Manezinho até 1981, ano de seu mal-sucedido retorno.
      Ainda que num modelo modernoso, o que teve de positivo no segundo retorno do Manezinho, que não sei se ocorreu no início ou em meados da década de 2000, foi que ali começou determinado interesse por parte da MSP em dar alguma visibilidade aos primórdios.
      Quando exatamente estreou a tal Turma do Bermudão? Já li em alguma fonte pouco confiável que teria surgido no final da década de 1990.

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    11. Zózimo, o Alfacinha não teria fôlego pra histórias a longo prazo, ficaria muito repetitivo esse ensinamento de cultura portuguesa. Não lembro a edição de 1977 da última com o manezinho, parece que foi uma história de plano e fazendo figuração, só procurando aqui pra ver detalhes. Quando voltou em 1981 foi só figuração enquanto os outros adotaram certa personalidade, por isso que não vingou. Intenção foi essa de retornar personagens dos primórdios e que tinham potencial pra agradar leitores por volta de 10 a 12 anos. Turma do Bermudão estreou em 2004, bem longe de anos 1990.

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    12. Precisa procurar não, Marcos. A informação que forneceu já basta.
      Última aparição do Manezinho nos anos 1980 foi em "Zé Luís, o antiatleta"* ou chegou aparecer em alguma posterior?
      *Mônica nº167, 1984.

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    13. Então tá, não vou procurar. Parece que última aparição do manezinho foi nessa história do Zé Luís com o Anjinho de 1984.

      Em tempo, uma vez você perguntou sobre uma história de 2 páginas do Cascão que o Cebolinha não aparecia vermelho na republicação, a história original é de Cascão Nº 72 de 1985 e as cores estão normais com Cebolinha vermelho, o erro foi na republicação do almanaque.

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    14. Pois é. Tudo leva crer que foi lá mesmo, em 1984, o segundo último respiro do moleque, até retornar novamente, já neste século.
      Se Mauricio quisesse, a partir de 1981 teria dado continuidade ao Manezinho, teria desenvolvido o personagem ou solicitado que fosse devidamente elaborado, assim como fizeram com Zé Luís, Jeremias, Humberto, Titi e até mesmo com o excêntrico Teveluisão, que ao menos não foi tão subestimado quanto Manezinho.

      Grato pela informação, Marcão! Pois o que valeu foi a intenção. Faz, sei lá, uns cinquenta dias que descobri que aquela HQ é de Cascão nº72 (Ed.Abril). Pelo Youtube, vídeo do Ricardo Ribeiro. Estava para comentar aqui e esquecia. Lembrava, esquecia, lembrava, esquecia... Mas o legal foi que você não esqueceu do que eu havia comentado a respeito. Tremendo erro de colorista na republicação, não é mesmo? Tipo de vacilo que, para crianças, dificulta entender o que de fato ocorre naquela curtinha e singela trama.

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    15. Se tivesse elaborado melhor, pode ser que o manezinho tenha vingado. O Teveluisão nem sempre tinha a característica de ficar vidrado em TV quando voltou em 1981, tinham vezes que ele interagia normalmente com os meninos, brincando e participando de planos infalíveis ou um mero coadjuvante.

      Legal que você já tinha encontrado, eu vi também há algum tempo vendo minha coleção e achei por acaso e só lembrei agora de comentar. Foi vacilo grande do colorista no almanaque, tinha que está indicando que era pra pintar de vermelho se não lia os balões quando coloria.

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    16. Entendo essa de retocarem determinadas HQs para reedições, já recolorirem histórias inteiras com tal finalidade são o tipo de função que me parece ilógica. Foi numa assim que Cebolinha, por completa desatenção, foi "desavermelhado" e a historinha ficou com a piada comprometida, perdeu o sentido.

      Teveluisão é gente boa, nunca foi preso à toa. Acredito que atualmente seja viciado no tal do streaming, na "TV por demanda" como YouTube, Rumble, Netflix, Amazon Prime Video, Apple TV, Disney Plus (Disney+) e etc, porque, TV aberta, TV a cabo, por assinatura, enfim, tudo isso, está caducando, já deu o que tinha que dar...

      Desconheço história de abertura de Revista Parque da Mônica nº149 (Ed.Globo), mas, fica claro que os quatro "desconhecidos" na ilustração de capa são os pets da turma do Bairro do Limoeiro em versões humanas. O detalhe foi que deixaram o Monicão deveras parecido com o Manezinho.

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    17. É, adotavam as cores da época e acabou tendo deslize de perder sentido da piada, ficou uma falta de atenção. O Teveluisão podia voltar assistindo streaming, seriam roteiros bons atualizados com a vida atual, perdem chance com isso. Em Parque da Mônica 149, os bichos viram crianças para brincarem no Parque. O Monicão se pareceu com o Manezinho, sim, podiam ter colocado como negro por causa da colorização marrom dos pelos.

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  3. Esses traços anos 90 muito bom melhor que os de hoje dele, história muito engraçada ainda com uma crítica no final com os arrastões nas praias.

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    1. Muito bonitos esses traços, feitos a mão eram outro nível. Foi boa a crítica, arrastão tinha muito na época e ainda tem até hoje.

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  4. Vamos combinar que tirando o fato de que nunca ouvi falando bandidos deixando suas vítimas nuas nos noticiários, esse final com o Astronauta sendo vítima de arrastão é bem atual.

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    1. Continua arual, sim, tem arrastão em praias até hoje embora na época da história era mais frequente ou pelo menos noticiaram mais. Os ETs deixaram Astronauta nu porque ele tinha nada de valor, mas parece que na vida real já vi notícia que teve gente com roupas roubadas em arrastão.

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  5. Legal essa história do Astronauta na praia. Espero que no futuro o Mauricio de Sousa tenha um museu em São Paulo como Walt Disney (o criador do Mickey Mouse), Osamu Tezuka (o criador do Astro Boy) e Hergé (o criador do Tintim) tem em seus respectivos países.

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    1. Boa história mesmo. E seria legal um museu fixo em São Paulo ou qualquer lugar do Brasil.

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