sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Chico Bento: HQ "Chico vê o Carnaval"

Mostro uma história em que o Chico Bento foi conhecer como era o Carnaval da cidade grande e viu que não era bem como ele imaginava. Com 3 páginas, foi história de encerramento de 'Chico Bento Nº 65' (Ed. Abril, 1985).

Capa de 'Chico Bento Nº 65' (Ed. Abril, 1985)

Chico está animado que finalmente  vai conhecer o Carnaval da cidade, o primo falava tanto quando ia na casa dele na roça e a mãe fez a fantasia de palhaço. Assim, Chico e Zeca vão ao baile, estranha o pessoal fantasiado chegando e depois de entrar, não consegue visualizar nada no meio da multidão, muito menos o palco com os cantores. Termina o baile bem tarde da noite, Zeca e o pai estão exaustos, Zeca dorme no carro e Chico fica só olhando. No outro dia, Chico volta para a roça e conta para a mãe que o que viu no Carnaval da cidade foi só um monte de bundas e pernas.

História legal, bem curtinha e com grande conteúdo, como o Chico é criança e baixinho, só conseguia ver até a altura da cintura das pessoas no baile de Carnaval, aí com o campo de visão limitado só via bundas e pernas e achou nada agradável, tudo sem graça e ficou sem entender como o povo da cidade gostava daquilo. Aí, acostumado com o Carnaval da roça ser mais tranquilo, com blocos de rua que podia circular e sem tanto movimento, estranhou muito o Carnaval da cidade.

Mostra que por ser criança, Chico era inocente e não tinha maldade de tantas bundas de mulheres na frente dele, apenas não curtiu de só ver aquilo, sem nem ver o palco principal com os cantores. Já o Zeca, já acostumado, curtiu tudo bem animado e até ficando exausto depois, agora se ele fosse para curtir o carnaval da roça não ia gostar. Sempre tinham esses contrastes de cidade e roça nas histórias com  o primo, independente quem estava na roça ou na cidade. Eram legais e ainda mostravam muitas críticas.

O pai do Zeca, Seu Rodrigo, bem que poderia ter levados os dois em um baile infantil, aí não aconteceria isso e o Chico poderia gostar, vai ver que ele também queria curtir o carnaval e levou filho e sobrinho em um baile convencional e ainda foi irresponsável de largar as duas crianças sozinhas na multidão. Normalmente em histórias de carnaval eram mostradas as crianças em bailes infantis do tipo matinês, nessa que colocou em um baile normal para poder desenvolver a história. Também era raro crianças em blocos de rua ou em desfiles de samba e quando teve, foram nos anos 1970 e 1980.

Engraçadas também algumas fantasias das pessoas no baile no último quadro da segunda página como o cara de máscara do Batman e com roupa do Super-Homem e duas bolas debaixo da mulher que  faz imaginar se eram duas cabeças, ou seios dela, ou bundas de alguém virado por baixo.  Impublicável atualmente por duas crianças em um baile de adultos e largadas sozinhas na multidão no carnaval, crianças saíram em baile de carnaval altas horas da noite, Chico com autonomia de viajar sozinho em um ônibus da cidade para roça, bundas de mulheres seminuas bem explícitas e com bastante sensualidade com destaque no último quadro, definitivamente anos 1980 não era para amadores. E fora de não gostarem de histórias de Carnaval em gibis atuais, no máximo citarem que são festas à fantasia e só com crianças.

Traços bons de estilo de histórias de miolo dos anos 1980. Cgico ficou bem fantasiado de palhacinho. Erro foi a roupa do pai do Zeca mudar de cor em cada quadro que aparecia, ora azul, cinza, marrom, verde. Essa história foi republicada depois em 'Coleção Um Tema Só Nº 13 - Mônica Carnaval' (Ed. Globo, 1996) cuja edição, inclusive, completou 30 anos neste ano, só com histórias carnavalescas clássicas entre 1971 a 1987.

Capa de 'Coleção Um Tema Só Nº 13 - Mônica Carnaval' (Ed. Globo, 1996)

19 comentários:

  1. Quanta "porpança", né, Chico? Criança em meio a uma multidão de adultos foliões, pela baixa estatura, foi o que mais apareceu na frente dele, a ponto de ameaçar compreender como se sentem as louças sanitárias... Bailes carnavalescos são divertidos, mas, deu para entender a proposta? Fez algum sentido? Bem, para um inveterado tabaréu, nada que se compare com as conservadoras e tradicionais quermesses...

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    1. É, foram tantas que precisou contar pra mãe que o que viu no Carnaval foi um monte de bundas. A ideia era essa de não fazer sentido por isso os gibis antigos eram divertidos. Se bem que hoje em dia muitos pais levam crianças pra blocos de rua, para desfiles de escola de samba ou que acontece de tudo em festas conservadoras de quermesses, como citou, e depois pregam como bons samaritanos que gibis que são errados. Muita hipocrisia.

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    2. Nas quermesses da vida real, têm sim, claro, as "fornications" e, guardadas as devidas proporções, provável que até no universo lúdico de Vila Abobrinha isso possa ter sido sugerido em uma ou outra história com menções extremamente breves e deveras sutis envolvendo, obviamente, apenas personagens adultos e de aparições únicas - "atrás da igreja", "atrás da moita", "no milharal", "no canavial"...
      Quanto ao Chico, que o levassem numa matinê carnavalesca, pois teria uma melhor impressão a respeito deste tipo de festa popular. Agora, ainda que tivesse experienciado matinê e curtido às pampas, e, como não é um tubérculo, mas, pelas "raízes do moleque", entre pular Carnaval e pular fogueira, não há dúvida de qual prefere.

      Mais que claro que quem está no volante é o tio do protagonista, preferiu se fantasiar dentro do carro ou em algum vestiário localizado nas dependências do que parece ser um clube. Na entrada e na saída há uma mulher junto a eles, sugerindo ser a mãe do Zeca, que costuma aparecer como galega. Não obstante, como também está fantasiada (parece que o vestido, embora muito curto, seria de fada), pode ter colocado peruca ou tingido cabelo, ou, quem sabe, seja uma tia do Zeca (irmã do pai dele), ou, ainda, pode ser coincidência terem entrado e saído juntos, isto é, talvez os três não conheçam a dita-cuja ou, conheceram no recinto.
      Vi/li duas HQs publicadas antes desta com a mãe do Zeca loira.

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    3. Provavelmente deve ter tido cenas assim ou deixar subtendido em histórias do Chico em quermesse. Em uma matinê era mais fácil ele gostar, pelo menos não teria pessoas altas impedindo a visão, mas mesmo gostando com certeza ele ia preferir o Carnaval e o São João da roça. O tio do Chico deu pra entender que já estava fantasiado desde quando saiu de casa, só que colocou o chapéu só quando entrou no baile. A mulher pode ser a mãe do Zeca já que não tinha traços definidos ainda e acho que é uma fantasia de fada. Se ela for parente do Zeca, mais fácil ser mãe do que tia. As vezes que vi a mãe do Zeca na Editora Abril era loira, sim, só penteados diferentes em cada aparição, mas nada impede também de colocarem morena nessa por não ter traços definidos.

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    4. De acordo em como aparece no primeiro quadro da página do meio, o tio do Chico não está, digamos, vestido a rigor. Sem cartola, sem gravata-borboleta, sem fraque e sem bigode, isto é, se fantasiou depois de chegar no local, ou foi dentro do carro ou, se trocou em vestiário e sai sem bigode e sem gravata - ausências que nada tem a ver com erros e, não estou passando pano, trata-se de lógica, pode ter perdido o bigode durante a folia ou o guardou no bolso e, a gravata, já cansado, suado, tirou para dar aquela relaxada. O erro está na segunda cor inserida na roupa, cinza quando entra no baile e, ao sair, passa para marrom.
      Na sensacional comédia de abertura de Chico Bento nº91, de 1986, o cabelo da mãe do Zeca foi pintado de preto.

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    5. É, teve muitas variações de cores da roupa, que aí pode até dizer que trocou de roupa lá no baile, mas cenas que está dentro e sai do baile com cores de roupa diferentes aí é erro de fato. Aí um exemplo da mãe do Zeca morena, por isso não dá pra afirmar que sempre foi loira e variava em cada história. Se Aninha e Carminha Frufru já tiveram histórias com elas morenas, com a mãe do Zeca também não podia ser diferente.

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    6. Já que citou as patricinhas, viajo na HQ de estreia da Aninha. Roteiro singelo e direto, top! Surgiu com cabelos pretos e um corte diferente do lisão compridão que lhe foi efetivado.

      Em "A espera" (ChB91Ed.Abril) parece até que rolou crossover (de bigamia, ainda por cima e, com direito a fruto=o primo urbano do titular), pois, a mãe do Zeca ficou a cara da esposa e cunhada de Os Souza - ou, Os Sousa, grafia atual, mudança desnecessária.
      Está loira em "Querendo ajudar", encerramento de Chico Bento nº32 (Ed.Abril) e em "É só ligar", abertura de Chico Bento nº78 (Ed.Globo) - nessa, por sinal, foi colocada como dondoca. Há outra que ademais é muito hilária cuja primeira publicação foi em Cebolinha ou foi em Mônica (1981 ou 1980), em que também "engalegaram" a dita-cuja.

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    7. Foi boa essa história de esteia da Aninha. De fato ficou um penteado bem diferente e ela ainda chegou aparecer morena com cabelo comprido. E na Editora Abril eram experts em histórias diretas e com grandes conteúdos. Nessa de Chico 91 concordo que a mãe do Zeca ficou parecida com a esposa do Souza. Já "Em só ligar" de 1990 foi o visual que depois adotaram em definitivo. Ela até chegou a ter outros visuais em algumas histórias depois dessa, mas resolveram deixar o visual dondoca em definitivo depois de 1994.

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    8. Em "Pelos canais da tevê" (ChB261Ed.Globo) a mãe do Zeca também aparece loira.
      Uma em que foi deixada bem dondocona é aquela em que levam Chico Bento num shopping center e chega se engalfinhar com um palhaço animador de festa infantil. Acho que o roteiro é do Emerson e a conheci neste blogue.

      Claro que não é erro, mas ficou meio estranho saltar do ônibus descalço. Botinas denotam uma certa formalidade ao primo jeca do Zeca, realçam sua faceta "caipirurbana". Até faz sentido considerar que teria tirado as botinas quando já estava próximo de desembarcar, a fim de "voltar a sentir o solo" de Vila Abobrinha* o quanto antes depois de ter passado pelo angustiante e "abundante cerco das bundas" - tanto que ao ser indagado em como foi a experiência com o "tar" "Carnavar" da cidade grande, respondeu: "Nádegas a declarar!", ou melhor, "decrarar"... Afinal, pés descalços tocando o gramado campestre assim que desce do ônibus representam o desejo visceral de se desintoxicar da vibe proporcionada pela Pauliceia (D)desvairada...
      *Com suas quermesses e seu... "pudor" - mas, nadar pelado(?!), pode(!!!)...

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    9. Então, esse visual presente nas histórias dos canais de TV de 1997 e do aniversário do Chico de 1999, a mãe do Zeca já estava com o visual definitivo, que havia sido iniciado na história "É só ligar" de 1990, pelo visto lembraram do visual daquela história e acharam que o que mais combinava com ela. E até hoje ela aparece dondoca desse jeito. Na cena do Chico saindo do ônibus, imagino é que ele viajou descalço e consequentemente saiu descalço. Claro que não é lógico e nem deve viajar descalço, mas por ser história em quadrinhos tudo é válido. Ele nadava pelado, só não achava muito normal mulheres quase nuas em festa de Carnaval, deve ter se esquecido que nadava pelado ou que ele pelado dentro da água ninguém vê e mulheres quase nuas na festa todo mundo estava vendo.

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  2. Tbm o tio do Chico não ajudou pq não colocou ele no tonto???? assim ele veria a festa melhor.

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    1. Se o tio pagasse para o Chico, em vez de Grapette®, fosse, por exemplo, Keep Cooler® e deixasse o guri tonto, seria pior, Drico. Poderia cismar de morder os glúteos da mulherada por enxergá-los como abundosas goiabonas. Sem falar que pegaria mal, Mauricio do (V)velho (T)testamento talvez não aprovasse.

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    2. Só adiantaria se todos ficassem na área vip. E a ideia que deu foi que o tio foi para um lado e as crianças para o outro, eles nem estavam juntos durante todo baile.

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    3. Este comentário foi removido pelo autor.

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    4. Corinne, é a história de abertura "Parece outro" em que um menino rico acorda no corpo do Chico pra descobrir como é a simplicidade que não conhecia.

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    5. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Moral da história: Rejeite o carnaval, retorne para a roça.

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