Mostro uma história em que o Chico Bento foi conhecer como era o Carnaval da cidade grande e viu que não era bem como ele imaginava. Com 3 páginas, foi história de encerramento de 'Chico Bento Nº 65' (Ed. Abril, 1985).
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| Capa de 'Chico Bento Nº 65' (Ed. Abril, 1985) |
Chico está animado que finalmente vai conhecer o Carnaval da cidade, o primo falava tanto quando ia na casa dele na roça e a mãe fez a fantasia de palhaço. Assim, Chico e Zeca vão ao baile, estranha o pessoal fantasiado chegando e depois de entrar, não consegue visualizar nada no meio da multidão, muito menos o palco com os cantores. Termina o baile bem tarde da noite, Zeca e o pai estão exaustos, Zeca dorme no carro e Chico fica só olhando. No outro dia, Chico volta para a roça e conta para a mãe que o que viu no Carnaval da cidade foi só um monte de bundas e pernas.
História legal, bem curtinha e com grande conteúdo, como o Chico é criança e baixinho, só conseguia ver até a altura da cintura das pessoas no baile de Carnaval, aí com o campo de visão limitado só via bundas e pernas e achou nada agradável, tudo sem graça e ficou sem entender como o povo da cidade gostava daquilo. Aí, acostumado com o Carnaval da roça ser mais tranquilo, com blocos de rua que podia circular e sem tanto movimento, estranhou muito o Carnaval da cidade.
Mostra que por ser criança, Chico era inocente e não tinha maldade de tantas bundas de mulheres na frente dele, apenas não curtiu de só ver aquilo, sem nem ver o palco principal com os cantores. Já o Zeca, já acostumado, curtiu tudo bem animado e até ficando exausto depois, agora se ele fosse para curtir o carnaval da roça não ia gostar. Sempre tinham esses contrastes de cidade e roça nas histórias com o primo, independente quem estava na roça ou na cidade. Eram legais e ainda mostravam muitas críticas.
O pai do Zeca, Seu Rodrigo, bem que poderia ter levados os dois em um baile infantil, aí não aconteceria isso e o Chico poderia gostar, vai ver que ele também queria curtir o carnaval e levou filho e sobrinho em um baile convencional e ainda foi irresponsável de largar as duas crianças sozinhas na multidão. Normalmente em histórias de carnaval eram mostradas as crianças em bailes infantis do tipo matinês, nessa que colocou em um baile normal para poder desenvolver a história. Também era raro crianças em blocos de rua ou em desfiles de samba e quando teve, foram nos anos 1970 e 1980.
Engraçadas também algumas fantasias das pessoas no baile no último quadro da segunda página como o cara de máscara do Batman e com roupa do Super-Homem e duas bolas debaixo da mulher que faz imaginar se eram duas cabeças, ou seios dela, ou bundas de alguém virado por baixo. Impublicável atualmente por duas crianças em um baile de adultos e largadas sozinhas na multidão no carnaval, crianças saíram em baile de carnaval altas horas da noite, Chico com autonomia de viajar sozinho em um ônibus da cidade para roça, bundas de mulheres seminuas bem explícitas e com bastante sensualidade com destaque no último quadro, definitivamente anos 1980 não era para amadores. E fora de não gostarem de histórias de Carnaval em gibis atuais, no máximo citarem que são festas à fantasia e só com crianças.
Traços bons de estilo de histórias de miolo dos anos 1980. Cgico ficou bem fantasiado de palhacinho. Erro foi a roupa do pai do Zeca mudar de cor em cada quadro que aparecia, ora azul, cinza, marrom, verde. Essa história foi republicada depois em 'Coleção Um Tema Só Nº 13 - Mônica Carnaval' (Ed. Globo, 1996) cuja edição, inclusive, completou 30 anos neste ano, só com histórias carnavalescas clássicas entre 1971 a 1987.
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| Capa de 'Coleção Um Tema Só Nº 13 - Mônica Carnaval' (Ed. Globo, 1996) |

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Quanta "porpança", né, Chico? Criança em meio a uma multidão de adultos foliões, pela baixa estatura, foi o que mais apareceu na frente dele, a ponto de ameaçar compreender como se sentem as louças sanitárias... Bailes carnavalescos são divertidos, mas, deu para entender a proposta? Fez algum sentido? Bem, para um inveterado tabaréu, nada que se compare com as conservadoras e tradicionais quermesses...
ResponderExcluirÉ, foram tantas que precisou contar pra mãe que o que viu no Carnaval foi um monte de bundas. A ideia era essa de não fazer sentido por isso os gibis antigos eram divertidos. Se bem que hoje em dia muitos pais levam crianças pra blocos de rua, para desfiles de escola de samba ou que acontece de tudo em festas conservadoras de quermesses, como citou, e depois pregam como bons samaritanos que gibis que são errados. Muita hipocrisia.
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