quinta-feira, 20 de novembro de 2025

Jeremias: HQ "Sincero demais"

No "Dia da Consciência Negra", mostro uma história do Jeremias em que ele foi sincero dando sua opinião para a turma deixando os amigos magoados. Com 5 páginas, foi publicada em 'Cebolinha Nº 125' (Ed. Abril, 1983).

Capa de 'Cebolinha Nº 125' (Ed. Abril, 1983)

Mônica está de vestido novo e pergunta ao Jeremias se nota nada diferente nela e Jeremias pergunta se está falando do vestido ridículo. Mônica quer saber como ele não gostou se foi a Dona Lourdes, a melhor costureira do bairro, quem fez. Jeremias diz que vai ver que ela estava em um dia muito pouco inspirado porque esse vestido está horrivelzinho, prefere mil vezes o vestidinho vermelho e Mônica sai triste, pensando que ia abafar com este vestido e nunca mais vai colocá-lo.

Depois, Cascão pergunta para o Jeremias o que achou do caminhãozinho novo dele, que trocou com o Marcão pela sua coleção de tampinhas. Jeremias acha bonito e que o bom negócio foi para o cara que ficou com as tampinhas, existem milhões de caminhõezinhos como esse e a coleção de tampinhas que ele tinha, nunca mais, tinha todas as tampinhas difíceis e coleção era admirada por todo mundo e que devia ir correndo desmanchar o negócio. Cascão vai lá, só não sabe se Marcão vai querer desmanchar o negócio.

Em seguida, vem Cebolinha feliz que é o rei do bafo, ganhou figurinhas rapelando o Joãozinho.  Jeremias dá bronca de como Cebolinha teve coragem de rapelar um garotinho, devia ter vergonha na cara porque o Joãozinho nem sabe jogar bafo. Cebolinha diz que ensinou para ele, Jeremias reclama que ensinou muito bem que tanto que está com as figurinhas dele. Cebolinha vai devolver as figurinhas para o Joãozinho e Jeremias manda que na próxima ver se enfrenta alguém que saiba jogar.

Depois, Franjinha quer saber com o Jeremias o que aconteceu com a turminha, ficaram chateados depois de conversar com ele. Jeremias acha que foi sincero demais com eles, tinha que falar que a Mônica estava com vestido horrível, Cascão fez burrada trocar coleção de tampinhas por um caminhão e Cebolinha rapelou o Joãozinho que nem sabe jogar bafo e se pergunta se fez mal em ser tão sincero.

A turma volta, achando que fez muito bem, só um amigo para dizer a verdade e abrir os olhos deles. Mônica falou para Dona Lourdes que o vestido estava feio e ela deu uma retocadinha. Cascão diz que o Marcão não quis devolver as tampinhas  e trocou o caminhãozinho por dois piões e o Cebolinha, que só vai jogar com quem sabe e foi rapeado pelo Bernardo Mão-Grande. A turma pergunta se fizeram bem e Jeremias responde, perguntando se pode ser sincero.

História legal em que o Jeremias foi sincero em não gostar das novidades que Mônica, Cascão e Cebolinha contavam para ele. Foram burros nas atitudes e Jeremias queria alertá-los com sua opinião. Sinceridade deixou a turma triste, Jeremias falou só verdades, sem se tocar que estava magoando os amigos. A turma foi consertar e conseguiram piorar suas burradas. Jeremias esperava que a Mônica fosse devolver o vestido e pegar dinheiro de volta, Cascão, exigir ao Marcão desfazer a troca pelas tampinhas e Cebolinha, devolver as figurinhas para o Joãozinho e, não jogar com outro cara com as figurinhas do Joãozinho. Por isso ele perguntou no final se podia ser sincero.

O pior de todos foi o Cascão que primeiro trocou sua coleção de tampinhas rara e valiosa e depois que tinha o caminhãozinho, trocou por dois piões, menos valiosos que o caminhãozinho. Saiu perdendo duas vezes. Cebolinha bem covarde de rapear figurinhas de uma criança menor que ele, pelo menos fizeram o mesmo com ele ao jogar com uma criança grande, só que as figurinhas inicialmente não eram dele. Já Mônica foi burra, o retoque no vestido nem fez diferença e o Jeremias achou feio até na estampa, era para mudar tudo. Ele teve sorte da Mônica não bater de cara ao dizer que o vestido era ridículo.

História mostrou até que ponto vale ser sincero. Por ser uma criança mais velha, o Jeremias tinha mais noção das coisas enquanto os amigos eram inexperientes e com a sua sinceridade queria abrir os olhos deles. Poderia ter falado nada se achasse que tinha nada a ver com as vidas deles e mostrando sua sinceridade provou que era um bom amigo. As pessoas que enganaram as crianças também não agirem bem, estavam preocupados em seus interesses próprios e não aceitaram devoluções, sendo enganadas mais uma vez.

Ficou na imaginação dos leitores como eram fisicamente a Dona Lourdes, o Marcão, o Joãozinho e o Bernardo Mão-Grande já que foram só citados. Incorreta atualmente por ter crianças sendo enganadas por mais velhos, Cebolinha trapacear em jogo, traços do Jeremias com círculo rosa em volta da boca representando lábios é inadmissível hoje em dia, acham que é ridicularizar negros mostrando que tem boca de palhaço, o que é nada a ver e que nunca tinham intenção nisso e podem implicar com coisas datadas como brincarem de bafo e pião, crianças de hoje nem sabem o que é isso, além de expressões populares de duplo sentido como "abrir os olhos".

Traços ficaram bons, típicos de histórias de miolo dos anos 1980. Tiveram erros de círculo em volta da boca do Jeremias marrom em vez de rosa no 3º quadro da 4ª página da história e estatura do Jeremias menor que do Franjinha em alguns quadros da 3ª página.  Propagandas inseridas foram nas laterais direitas das páginas das roupas da marca "Trevus", do estilo anunciando com suspense a propaganda oficial que viria logo depois dessa história da venda de roupas de super-heróis para crianças dessa marca por correspondência. Essa história foi republicada depois em 'Almanacão de Férias Nº 9' (Ed. Globo, 1991).

Capa de 'Almanacão de Férias Nº 9' (Ed. Globo, 1991)

28 comentários:

  1. Conhecia apenas a última página de "Sincero demais" e lembro que foi o suficiente para perceber a diferença nas estaturas dos dois, com Jeremias mais baixo que Franjinha.

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    1. Verdade, também eu tinha reparado isso, ficou estranho, como se o Franjinha fosse mais alto que o Jeremias. Tudo indica ter sido erro do desenhista.

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    2. Parece que existe uma em que ocorre exatamente o contrário, isto é, com Jeremias mais alto que Franjinha e que seria de edição publicada no mesmo ano de Cebolinha nº125, quiçá de 1984 ou, de 1982, não sei. Como iniciei o comentário com "parece", pode ser falsa impressão registrada como memória, não obstante, tenho constatado que boa parte dos meus "parece que" e "acho que" têm correspondido à realidade - ou "tem", desacentuado, em correspondência a "boa parte".
      Além de mais baixo que o nerd, no último quadro da penúltima página, foi desenhado na mesma estatura dos três mais novos, e não vale recorrer aos topos das cabeças como referência, porque aí, o "milenar" Anjinho, por exemplo, será sempre um pouco mais alto que os de seis para sete de idade por conta do formato verticalizado de sua cabeça e que é o mesmo tipo de modelo da de Jeremias. Nivelar pelos pescoços é a referência correta e a gola da camisa dele ficou na mesma altura das golas do Cascão, do Cebolinha e, da "desgolada" dentuça, sem o tradicional vestido vermelho.

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    3. É, não teve uma padronização de estatura em "Sincero demais". Talvez porque ainda não tinham definido uma idade certa para o Jeremias e o desenhista pode ter pensado que ele era mais novo que o Franjinha e pelo certo os dois teriam mesma idade. Desenhar Jeremias na mesma altura dos outros três também foi erro grande. Não lembro de outra história sendo alturas entre Jeremias e Franjinha ao contrário, aí se foi, mais chance de ser de 1982 porque em 1984 acredito que já teriam uma definição em relação a isso e seria vacilo maior errarem alturas assim.

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    4. Deixando claro que "milenar" para Anjinho é por causa daquela sensacional HQ em que Dona Morte o entrega a São Pedro e aquele, digamos, paradoxal "triste-feliz" evento ocorreu antes do nascimento do Menino Jesus. Já o nosso prezado Jeremias vem sendo submetido à "influência milenar" - tem seguido os passos da Milena. "Galinha que acompanha pato, morre afogada", assim o povo falava antigamente e, no caso, é só inverter: "galo que acompanha pata, morre afogado"... Caiu como um patinho na lábia da dita-cuja...

      Falando em Anjinho, há uma HQ cujo código é MSP-772022--MN 84/4, intitulada "As férias" ou, "Mônica e as férias". Consiste no galego ficar de saco cheio por constantemente se dar mal em seu ofício de anjo da guarda da turma e decidir tirar férias, só que para isso, em vez de anjo substituto, delega a função à Mônica, acoplando nela um eletrônico par de asas. Enfim, a trama é hilária.
      Você tem Mônica nº84, pela Abril, Marcos? E, fazendo favor, saberia informar se essa comédia foi republicada?

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    5. Sim, como o Anjinho existe antes do nascimento do Menino Jesus, então ele é milenar, personagem mais velho de idade após a Dona Morte. Infelizmente Jeremias atual está no mesmo caminho da Milena, sem defeitos e extremamente infantil, virou outro personagem. Maravilhosa essa história de Mônica Nº 84 de 1977. Tenho essa edição e foi republicada em Almanaque da Mônica Nº 21 (Ed. Abril, 1984) como história de abertura, tenho também esse almanaque.

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    6. Sobre "⁠ᐟᐟtriste-feliz⁠ᐠᐠ evento" seria pelos pais do Anjinho - que obviamente não tinha esse nome - perderem o filho no auge da infância e, se não passasse por aquela tragédia, não se tornaria um importante membro do Bairro do Limoeiro.

      Deve ser massa o conteúdo do almanaque em que "As férias" foi reeditada.
      Todas de Mônica nº84 (1977) são de primeira "catiguria". Outras bem maneiras são a de encerramento e a que Magali fica hiperpesada por causa de gulodice, a ponto do solo não sustentá-la. Vai gradualmente afundando e Mônica até consegue retirá-la, ficando livre por alguns segundos e acaba completamente submersa em companhia do Cebolinha, indiretamente acompanhados de alguns bandidos. Cena da Mônica peneirando enorme bloco de terra removida(o) para resgatá-los, foi hors-concours!
      As duas também foram republicadas? Tenho vaga impressão de ter visto a do Super-Horácio em gibi da Globo.

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    7. Ao menos, males que vem para o bem e pudemos ter o Anjinho na Turma da Mônica. História do Super- Horácio não lembro, não acredito que foi republicada, pelo menos na Globo certamente não foi. Já a nossa "Magali pesadona", muito legal por sinal, foi republicada também nesse Almanaque da Mônica 21 da Editora Abril.

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    8. Então, muito provável que aquela do Horácio com robozão gigantesco não foi reeditada nem na época da Abril, certo?
      Aliás, Super-Horácio chegou ter algum espaço nas republicações do período Globo? Tive muitos almanaques da MSP publicados entre 1987 a 1993, mas não lembro de uma sequer, exceto pela de encerramento de Mônica nº84 (1977), que pensava que haviam reeditado em algum dos três últimos anos da década de 1980 e que você diz que isso não ocorreu.

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    9. Nos almanaques da Editora Abril foram poucas histórias de secundários republicadas no geral porque costumavam republicar histórias do personagem titular, só quando Almanaque da Mônica tinha título como da Turma da Mônica que republicaram histórias de secundários. Então essa do Horácio não foi republicada. E almanaques na Globo não alcançaram histórias do Super-Horacio porque já eram consideradas velhas, histórias dele encarnando herói foram até em 1977

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    10. Turma da Mônica foram dez ou onze almanaques pela Abril. Suponho que republicaram Super-Horácio em algumas daquelas edições, ou não? Espero que não diga que, para reedições, o alter ego do dinossauro foi ignorado até naquele período.

      Algumas "coisinhas" de determinadas épocas, foram recorrentemente praticadas por certos profissionais que passaram pela casa e, eram, inclusive, engraçadas. Mas, em meio a isso, havia uma que a gente acaba concluindo que ocorria mais por burrice do que por combinação de pressa e desatenção, ou, ao menos eu, considero que estaria mais para orelhice do que outra coisa. Por exemplo, nos 1970, a "linguinha extra" do Chico Bento. Inserir vermelho no dente saliente dele foi, eu diria, quase que praxe, e parece que rolava mais com boca fechada do que aberta.

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    11. Uma ou outra história do Super Horácio foi republicada, mas foram poucas. Às vezes pintavam dente do Chico de vermelho, o que era erro, aí conforme o estilo desenho parecia língua mesmo, ou até duas línguas quando estava de boca aberta, porém sabíamos que era dente pintado de vermelho.

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    12. Erro, sim, claro. Mas, como passou a "meio que não podia faltar", não há como negar a burrice, porque, veja, associar dente com língua num que pouco mostrasse as caras, tudo bem, no entanto, faziam isso numa figura nuclear, isto é, no personagem central do núcleo. Por que volta e meia confundiam o dele e na mesma frequência não confundiram os dentões da Mônica com língua bifurcada? Acho que já a vi com dentes vermelhos e se isso pegasse em Mônica como pegou no Chico Bento penso que chegaria um momento em que Mauricio daria em cima do pessoal encarregado de colorir e pelo simples fato de se tratar da personagem que carregava (e ainda carrega) tudo e todos nas costas.
      Como o assunto é sobre um tipo de erro que foi marcante com determinado personagem, observe o braço esquerdo do Cebolinha no penúltimo quadro da terceira página.

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    13. Acredito que como o Chico não era muito popular na época, aí tinha chance de se confundirem, embora dá pra saber que pela posição central do dente que não se tratava de língua. Outra hipótese pode ser pressa de entregar o trabalho, aí ao pintar língua, acabava pintando dente também, pelo menos em cenas com ele com boca aberta. Já vi Mônica com dente vermelho algumas vezes na primeira metade dos anos 1970, não foi exclusivo só com o Chico, apesar de ter sido mais vezes o erro com ele. Nesse quadro, o braço do Cebolinha não foi pintado, erro bem frequente esse.

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    14. Modo como foi inserido o conteúdo do antepenúltimo quadro da segunda página também é algo que vale comentar. Foco muda de posição, afastado dos personagens. Recurso foi ainda mais comum nas HQs dos anos 1970 e, nas dos 1990, já houve empobrecimento quanto a isto, lógico que generalizar seria deveras injusto, mas, em média, sim, pois, por este tipo de recurso visual-narrativo não ornamentaram os visuais noventistas na mesma proporção com que fora empregado nas HQs das duas décadas anteriores. E, em ambas, usavam e abusavam, diversificaram ao máximo. Focavam de baixo para cima e de cima para baixo. Um grande e outro pequeno, isto é, por exemplo, uma Mônica de costas ou de lado ou de perfil ou de frente ocupando totalmente um lado do quadro e, do outro, um Cebolinha com menos da metade do tamanho da dita-cuja, seja de frente para ela ou de lado ou de costas para mesma e ambos com corpos por inteiro e, outrossim, o mesmo fechando nos bustos deles, enfim, inteiros ou bustos, fica claro que refiro a dois planos contidos num só quadro. Não obstante, quadros divididos em três, quatro e, até cinco planos, foram tão frequentes quanto os divididos em dois. O quesito foi farto nas HQs da MSP dos 1980 e, mais ainda, nas dos 1970.

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    15. Foi um recurso bem utilizado mesmo e eu não achava ruim, deixavam ângulos diferentes para eles. Nos anos 1990 foi pouco acontecer isso, bem raro. prevaleceu, sim, até anos 1980.

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  2. Você já leu a MSP "Pele" do Jeremias (eu sempre leio "Pelé")? O que achou?

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    1. Não li ainda essa Graphics do Jeremias, porém já vi grandes comentários positivos dessa edição, um sucesso de críticas.

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    1. Pois é, esse aí vale a pena é que dava gosto de ver.

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    1. Legal! É bom que distrai na viagem e nem vê o tempo passando. Como eu colecionava e estava sempre comprando, aí podia coincidir de comprar gibi antes de viajar, pegar ônibus, já que sempre tinha gibi novo nas bancas, e aí lia durante a viagem como você. No mais, tudo normal, sem lembrança tão marcante.

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